2 de dez de 2011

Maitê Proença e a desigualdade social do Brasil que começa e termina na Previdência

Direitos que destroem um país
O Brasil é um dos países mais desiguais do mundo, mas muitas vezes não sabemos porque isso acontece. A atriz Maitê Proença, que participou do vídeo contra a hidrelétrica de Belo Monte, pode nos ajudar a entender como funciona o motor da desigualdade, mantida pelo estado e confirmada pela Justiça.
A atriz tem uma pensão vitalícia de 13 mil reais por ser filha de funcionário público e solteira. Está na lei, e ela tem direito ao dinheiro de contribuinte, informa o site Pragmatismo Político. A atriz participa de novelas da Rede Globo e apresenta um programa em canal fechado da mesma rede e, possivelmente, recebe um rendimento mensal de dar inveja a 99% dos brasileiros. Mesmo assim, é sustentada pelo Estado.
Maitê é um exemplo de como se constrói a desigualdade no Brasil. A previdência dos servidores públicos vai pagar este ano 53 bilhões de reais para 958 mil. Já o INSS vai pagar 43 bilhões de reais para 24 milhões de cidadãos. Isso é um escândalo. Bem que os atores da Globo poderiam fazer um vídeo contra esse absurdo.
A SPPrev, autarquia vinculada à Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo, tentou suspender o benefício em 2009, com base em um trecho de um livro de Maitê dizendo que tinha vivido em relação estável por 12 anos. A declaração deveria ser suficiente para excluí-la da categoria “solteira”, no entendimento da SPPrev. Numa decisão em meados do ano passado, a Justiça brasileira suspendeu a decisão da autarquia e concedeu o direito à pensão para a Srta. Proença. A lei complementar de 1978 garante o direito à pensão paras as filhas solteiras de servidores públicos, desde que não se casem nunca; em se unindo em matrimônio, perdem a pensão. Não há outra palavra exceto “absurdo” para qualificar a aplicação dessa lei, mais ainda no caso específico. (texto integral).
No Educação Política
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Armação contra Kassab?

Em mais um desdobramento da guerra surda que a direita trava nas sombras da política pela hegemonia do eleitorado conservador, o PSDB urdiu, junto à ala Alkimista do Ministério Público, a grande vingança contra Kassab pela ousadia de haver criado a contrafação do partido da socialdemocracia brasileira, o partido socialdemocrata.
Não havia lugar para duas siglas conservadoras em São Paulo, quiçá no Brasil, e o fortalecimento de uma implicaria necessariamente no enfraquecimento da outra.
O plano foi bem urdido. Teria que se mostrar como um raio em céu azul e mexer com as emoções das camadas médias naquilo que lhes parece ser o bem mais precioso que possuem na vida, superior à ela própria: o automóvel da família.
Irritadíssima por quase não conseguir manter o carro, e sem outra alternativa que venha substituí-lo, dada morosidade com que se expandiu a rede de transporte público nos últimos 20 anos, sabiam os procuradores que se lançassem um pedaço de carne aos cães a matilha devoraria a vizinhança toda e o chamado “partido do Kassab” despontaria para a política como Lázaro para os hebreus, um verdadeiro lazarento.
Indício do sentido de cruzada contra Kassab em que se transformou o caso da Controlar, concessionária que realiza a inspeção de emissão de gases dos veículos na cidade de São Paulo, foi a copiosa análise que fez a nova porta-voz do oficialismo da Rede Globo, Madame Lo Prete, sobre os graves desdobramentos que o caso poderia ter, levando até mesmo à cassação do prefeito. Ressoaram no mesmo diapasão os demais clarins da grande mídia: Kassab pode cair!
Mas o disparo contra o alcaíde, que era para ser precisão, foi mesmo é de canhão e a explosão produzida vem detonando as paredes da fortaleza que se tentava construir para enfrentar o Partido dos Trabalhadores nas eleições de 2012.
Com a indisponibilidade de bens de Kassab e de outros 12 ruiu sobre a calva dos seus arquitetos a grande aliança PSDB-PSD que se desenhava para tirar o prefeito dos braços de Dilma e assegurar uma fixação tranqüila de Alkimin no trono do Bandeirantes até 2018.
Mesmo que Bob o construtor seja chamado a corrigir os estragos produzidos no ânimo e na confiança mútua entre os partidários das siglas dos pês, dos esses e dos bês, quem convencerá o leitor de classe média furioso a dar um passo atrás e perdoar Kassab e quem com ele haverá de consorciar-se?
Como acontece em todo terremoto, o time que está na quadra acabará ganhando por WO, pois o que estava a caminho não poderá chegar ao grande jogo.
Luiz André Cezar
No Portal Luis Nassif
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Presidentes latino-americanos criam novo bloco regional e deixam EUA de fora

Presidentes e representantes dos 33 países da América Latina se reúnem nesta sexta-feira, em Caracas, para formalizar a criação da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac).
Grupo enfrentará o desafio de implementar políticas
indepenentes dos EUA
Será a primeira vez que os países do continente se articulam em uma mesma plataforma política - com a tarefa de tentar aprofundar a integração regional - sem a presença dos Estados Unidos e do Canadá.
Segundo analistas, a Celac nasce com o desafio de criar uma organização capaz de gerar consenso entre os países e cuja institucionalidade seja capaz de implementar políticas de integração autônomas em relação aos Estados Unidos.
Entre as contradições a serem enfrentadas pelo bloco está a de construir políticas comuns em uma região ainda marcada por diferentes níveis de desenvolvimento econômico, pobreza, crime organizado e, em especial, antagonismos no campo político-ideológico.
O presidente venezuelano Hugo Chávez, conhecido pelas críticas ao governo de Washington, e pelo discurso anti-imperialista em encontros regionais, adotou um tom moderado ao falar sobre a nova organização regional e reconheceu que ela deverá respeitar a heterogeneidade dos países e de seus projetos, estejam eles à esquerda ou à direita do campo político.
"Temos que ter muita paciência, muita sabedoria. Não podemos deixar-nos levar pelas ideologias governantes em um país ou outro", disse Chávez na última quinta-feira, minutos antes de receber a presidente Dilma Roussef no Palácio de governo.
"Este processo tem que ser independente do socialismo cubano, do socialismo venezuelano, ou do sistema de governo e ideologia do governo do Brasil, da Colômbia (...) é a união política, geopolítica, e sobre esta união vamos construir um grande polo de poder do século 21."
O primeiro debate do grupo, realizado na noite desta quinta-feira, já mostrou como deve ser difícil conseguir o consenso entre os países do novo bloco. Os países não chegaram a um acordo sobre como será o mecanismo para a tomada de decisões - por unanimidade ou por maioria qualificada. O debate deve ser retomado nesta sexta-feira.
Institucionalidade
O maior desafio para a Celac será "passar da afirmação de uma identidade e articulação política a uma institucionalidade que permita aos países tomar decisões", disse à BBC Brasil Luis Fernando Ayerbe, coordenador do Instituto de Estudos Econômicos e Internacionais da Unesp.
Uma das propostas do documento constitutivo da Celac é um protocolo de defesa da democracia e direitos humanos, aos moldes da cláusula anti-golpe de Estado estabelecida pela Unasul (União de Nações Sul-Americanas).
"Washington ainda é o principal problema no hemisfério, especialmente com respeito à democracia e à auto-determinação nacional".
Mark Weisbrot, co-diretor do Center for Economic and Policy Research
Entre as divergências iniciais está a posição do novo bloco a respeito do futuro da Organização de Estados Americanos (OEA), cujo papel passou a ser questionado durante a crise boliviana, em 2008 e depois do golpe de Estado em Honduras, em 2009.
Venezuela, Equador e Bolívia defendem que a OEA já teria cumprido seu papel histórico no hemisfério e deve ser substituída.
"Não é possível que os conflitos latino-americanos tenham que ser tratados em Washington", defendeu o presidente equatoriano Rafael Correa, dias antes da Cúpula.
"(Espero) que mais cedo que tarde (a Celac) possa substituir a OEA, que historicamente tem tido grandes distorções", acrescentou.
Esta posição, no entanto, ainda não é um consenso entre a maioria dos países da região, que até agora preferem defender a coexistência das duas instituições.
Para o analista internacional Edgardo Lander, professor da Universidade Central da Venezuela, a Celac tende a contribuir para o enfraquecimento da OEA, mas ainda é cedo para falar de sua extinção.
"A substituição da OEA pela Celac não será fruto de um decreto ou de declarações a favor ou contra, e sim pelas vias de fato", disse à BBCBrasil.
Lander cita como exemplo a atuação da Unasul na resolução do conflito da Bolívia, em 2008, que ele considera 'decisiva'. "Se a Celac mostrar que pode solucionar os conflitos regionais sem a intervenção dos Estados Unidos, o papel da OEA vai perder força naturalmente."
Independência
Para o o economista americano Mark Weisbrot, co-diretor do Center for Economic and Policy Research, de Washington, a Celac é criada em um momento em que a América Latina se consolida como uma região "mais independente do que nunca".
"Washington ainda é o principal problema no hemisfério, especialmente com respeito à democracia e à auto-determinação nacional", disse Weisbrot à BBC Brasil.
O analista político venezuelano Carlos Romero, professor de estudos internacionais da Universidade Central da Venezuela, diz que a criação da Celac é um "passo positivo que marca um processo de maturidade política"da região.
No entanto, ele afirma que isso não necessariamente significará a existência um bloco antagônico a Washington. "Os EUA já não exercem a mesma tutela do passado", diz.
A discussão do grupo ainda deve incluir a criação de um fundo de reserva para enfrentar a crise financeira internacional.
"Quanto mais nos integrarmos, mais estaremos preparados para enfrentar este furacão que a economia mundial está vivendo e a instabilidade do resto do planeta", afirmou o presidente colombiano Juan Manuel Santos, principal aliado dos Estados Unidos na América do Sul.
Liderança brasileira
Brasil deverá ter papel de liderança na integração
regional, segundo analistas
Os especialistas concordam que o Brasil tende a assumir um papel de "liderança natural" na Celac, protagonismo que antes era dividido com o México quando se tratava do hemisfério como um todo.
"O Brasil é uma potência regional, tem sido (protagonista) pró-democracia e em defesa independência regional na América Latina. Deve ajudar a desempenhar este papel dentro Celac", disse Mark Weisbrot.
O governo brasileiro vê a Celac como o "terceiro anel" do processo de integração regional, seguido do Mercosul e da Unasul.
A reunião de Cúpula para a abertura da Celac havia sido marcada para 5 de julho, mas foi adiada imediatamente após o presidente venezuelano Hugo Chávez ser diagnosticado com câncer, no final de junho.
A Celac unificará as estruturas do Grupo do Rio, mecanismo de consulta internacional regional criado em 1986, e da Calc (Comunidade América Latina e Caribe) e deve trabalhar em cinco áreas: política, energia, desenvolvimento social, ambiente e economia.
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Celac aprova cláusula para punir golpes de Estado
Os países-membros da Comunidade de Estados Americanos e Caribenhos (Celac) ratificam nesta sexta-feira a incorporação de uma cláusula que pune o país em que o governo for derrubado por um golpe de Estado.
Os 33 países do Celac concordaram com cláusula que
pune governos criados em golpes de Estado
No documento, ao qual a BBC Brasil teve acesso, os países preveem a expulsão imediata do país que sofrer qualquer ruptura em sua institucionalidade democrática, até que a normalidade constitucional seja novamente restabelecida.
"A cláusula mostra o compromisso de todos com a democracia", afirmou o subsecretário para a América Latina Antonio Simões, em entrevista a jornalistas brasileiros.
Aos moldes da carta democrática da Organização de Estados Americanos (OEA), a cláusula é menos robusta que a declaração democrática da Unasul, que prevê sanções econômicas ou bloqueio comercial aos países cujos governos sejam provenientes de golpes de Estado.
Os 33 países do Celac, reunidos em Caracas, na Venezuela, também se comprometem no documento a manter o respeito "irrestrito" ao Estado de Direito, à "soberania" e "integridade territorial", à defesa da democracia e à "vontade soberana dos povos" e das "liberdades fundamentais".
O compromisso com a democracia começou a ser reforçado nas organizações multilaterais latino-americanas depois que o fantasma do golpe de Estado passou a rondar a região, após a deposição do presidente de Honduras, Manuel Zelaya, em 2009, e a tentativa frustrada de tomar o poder através da força no Equador em setembro de 2010.
Com a criação da Celac, Cuba – signatária da cláusula democrática - volta à esfera de integração política hemisférica, de onde esteve isolada desde 1961, quando a ilha foi expulsa da OEA após declarar o caráter socialista da revolução cubana.
Os Estados Unidos, que pressionaram para promover a expulsão e isolamento da ilha, qualificam ao governo cubano como uma ditadura.
Consenso e direito a veto
Até agora, o ponto mais polêmico na elaboração da carta de procedimento da Celac foi sobre como tomar decisões entre os países do bloco.
A maioria dos países, entre eles Brasil e Venezuela, defende que as decisões sejam tomadas por consenso. Neste caso, um voto contrário pode se converter, na prática, em um direito ao veto de qualquer moção.
O governo brasileiro considera que é preciso deixar que a organização funcione por um período, para logo definir procedimentos mais rígidos.
"O Brasil prefere sempre o consenso. O consenso é a busca do equilíbrio. Tem um sentido agregador", defendeu o subsecretário Antonio Simões. "É preciso construir um acordo político em que todos estejam representados", acrescentou.
Simões reconhece que o país que for capaz de construir maioria leva vantagem, mas defende o consenso como "um direito de veto do mais fraco, não do mais forte".
O Equador, que lidera a contraproposta, defende um tipo de votação em que uma moção possa ser aprovada por maioria qualificada, caso não haja consenso. A chancelaria equatoriana diz que a opção deverá evitar "frear os avanços da organização em consequência da vontade de um membro".
O receio do Equador é que, com o direito à veto, alguns países da Celac sejam instrumentalizados pelo governo dos Estados Unidos para frear acordos comerciais e políticos que não interessem a Washington.
Caberá aos presidentes a decisão final sobre a polêmica.
OEA
Presidentes latino-americanos divergem sobre o
formato das votações e o direito de veto dos países
O Brasil, visto por especialistas internacionais como um "líder natural" da nova instituição, tenta minimizar os riscos de rivalidade entre a Celac e a OEA.
"Nossa preocupação não é trabalhar contra nenhum organismo e sim a favor da região", afirmou Simões.
As críticas à OEA e à sua capacidade de lidar com conflitos da região, como no caso do golpe de Estado em Honduras e da crise boliviana em 2008, centralizam o argumento dos países que acreditam que a organização já cumpriu com seu dever histórico.
"A OEA representa o velho, o caduco", disse o presidente venezuelano Hugo Chávez, afirmando que a Celac irá substituir gradativamente a OEA.
No campo econômico, os países-membros se comprometem a estudar um plano de redução das tarifas alfandegárias para aumentar o intercâmbio comercial, como medida para enfrentar a crise financeira internacional.
Na "Declaração de Caracas" que deverá ser ratificada pelos presidentes no sábado, os países também se comprometem a ter como princípio a solução pacífica das controvérsias e fica proibido "o uso ou ameaça de uso da força".
Claudia Jardim
No BBC Brasil
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Alzheimer revertida pela primeira vez

Pela primeira vez, foi revertida a doença de Alzheimer em pacientes com a doença, há mais de um ano. Os cientistas usaram a técnica de estimulação cerebral profunda, que usa eletrodos para aplicar pulsos de eletricidade diretamente no cérebro.
Investigadores canadenses, da Universidade de Toronto, liderados por Andres Lozano, aplicaram estimulação cerebral profunda em seis pacientes.
Em dois destes pacientes, a deterioração da área do cérebro associada à memória não só parou de encolher como voltou a crescer.
Nos outros quatro, foi parado o processo de deterioração.
Nos portadores de Alzheimer, a região do cérebro conhecida como hipocampo é uma das primeiras a encolher.
O centro de memória funciona no hipocampo, convertendo as memórias de curto prazo em memórias de longo prazo.
Desta feita, a degradação do hipocampo revela alguns dos primeiros sintomas da doença, como a perda de memória e a desorientação.
Durante a investigação, a equipe de cientistas canadenses instalou os dispositivos no cérebro de seis pessoas que tinham sido diagnosticadas com Alzheimer há, pelo menos, um ano.
Assim, colocaram eletrodos perto do fórnix, conjunto de neurônios que carregam sinais para o hipocampo, aplicando depois, pequenos impulsos elétricos, 130 vezes por segundo.
Após 12 meses de estimulação, um dos pacientes teve um aumento do hipótalamo de 5 por cento, e outro de 8 por cento.
Esta descoberta pode levar a novos caminhos para tratamentos de Alzheimer, uma vez que é a primeira vez que foi revertida a doença.
Os cientistas têm, contudo, ainda de conhecer mais sobre o modo como a estimulação funciona no cérebro.
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Aécio Neves, uma grande mentira

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Charge online - Bessinha - # 914

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Você é?

Dia Mundial de Luta contra a Aids
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Mais um torneiro mecânico na Presidência da República

Assim como Lula, Marco Maia também é torneiro mecânico.
“Ex-metalúrgico e torneiro mecânico, assim como o ex-presidente Lula, o presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), assumiu a presidência da República quinta-feira (1).
Maia assumiu porque a presidenta Dilma Rousseff e o vice Michel Temer estão em viagem oficial ao exterior: Dilma na Venezuela e Temer nos EUA. Ao comentar a tarefa de se tornar Presidente da República, Maia procurou demonstrar humildade, sem esconder o orgulho da oportunidade.
O presidente da Câmara é, pela Constituição Brasileira, o segundo na linha sucessória da Presidência da República, depois do vice. O terceiro é o presidente do Senado, e o quarto o presidente do Supremo Tribunal Federal.”
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A ponta do iceberg sobre a Ponta do Coral...

A beleza não é só para os ricos
Florianópolis é uma cidade que vive da beleza. Esse é o principal “produto” que seus governantes põem à venda para atrair milhares de turistas em todas as temporadas de verão. Não é sem razão que ano após ano as gentes veem subir dezenas de prédios e hotéis, destinados a abrigar aqueles que vêm para a ilha em busca da beleza. E assim, tal qual Hípias na Grécia antiga, os agentes de turismo vendem a beleza de Florianópolis como coisa. “A praia bela, a areia bela, a paisagem bela, a comida bela”. Mas, quem nasceu aqui ou os que aprenderam a amar a cidade como um espaço onde se vive a vida cotidiana, a beleza tem outro sentido. Não é coisa, é ser. Assim, para esses, o que é belo não é a praia, a areia, a paisagem ou a comida, mas sim a ideia que comunica o caráter das coisas. E se beleza é ideia, não pode ser objetivada, nem vendida.
Ainda assim, o que acontece é que os que amam a cidade precisam conviver/com e batalhar contra com os vendilhões capitalistas, os que apenas enxergam a coisa a ser vendida, sem se preocupar com aqueles que vivem e sofrem a cidade no dia-a-dia. Vai daí que aparecem os conflitos.
Um deles acontece bem agora, nesses dias de quase verão. De novo, os vendilhões decidiram atacar mais um espaço de beleza da cidade, transformá-lo em coisa e vendê-lo aos que também só conseguem conceber a beleza como um objeto. A ponta do Coral. Esse lugar é uma pequena ponta de terra que avança sobre a Baia da Beira Mar, isolada da cidade pela via-expressa e os arranha-céus. Ali, desde os anos 80, os movimentos sociais, estudantes e militantes de toda a ordem vêm lutando para que seja construído um parque e um espaço de atividades culturais. Ou seja, é a proposta da beleza democratizada, entregue a toda cidade. Uma coisa muito justa uma vez que o aterro da Baia é hoje o espaço de moradia da classe alta, que acabou privatizando a vista, a terra e tudo mais.
Pois não satisfeitas com isso, agora as forças do capital querem se apropriar da Ponta do Coral, lugar que historicamente pertenceu aos pescadores, às gentes simples da cidade. O projeto das empreiteiras – tendo a frente a empresa Hantei, é fazer um aterro, descaracterizando completamente o lugar, e construir ali uma marina para que os iates e barcos de turismo possam atracar. Também propõem, no lugar do centro cultural público – como é desejo dos movimentos – construir um hotel de luxo. Será o Parque Marina Hotel.
Hoje a Ponta do Coral é espaço conflagrado, uma vez que a cidade luta há décadas para que aqueles 14 mil metros quadrados, onde vive uma fauna exuberante (garça-branca, biguá, baiacu, garça-azul, socó-dorminhoco, bem-te-vi, quero-quero) possa ser utilizado pela comunidade, de forma livre e democrática. Ninguém aceita a conversa de que aquela é uma área privada e que, portanto, o dono pode fazer o que quiser. Não é assim. A propriedade também deve cumprir uma função pública.
A Ponta do Coral, por ser um terreno à beira-mar, deveria ser terreno de marinha, embora conste em documentos que o dono é Realdo Guglielme, empresário de Criciúma. No passado esse terreno pertenceu a Standart Oil Company que ali tinha um depósito, o qual as entidades queriam ver tombado para a concretização da proposta de um casarão cultural. Com a construção do aterro da Beira Mar (nos anos 80), o Estado acabou comprando o lugar e, depois, com a via expressa concluída, a ponta ficou afastada do resto da cidade e foi vendida outra vez. Mas, a população queria preservar o lugar como área verde e fez um grande movimento. Tudo isso foi em vão. A Ponta do Coral seguiu em mãos privadas e logo já apareceu o projeto da construção de um hotel. Houve manifestações, protestos, luta, mas, como quem manda na cidade é o dinheiro, em 1998 Guglielme conseguiu derrubar o prédio da Standart Oil e frustrar uma luta de anos. Ainda assim, os movimentos sociais seguiram lutando e inviabilizando a construção do hotel.
Agora, a queda de braço é com a construtora Hantei, contratada para levar adiante a proposta do hotel e da marina. A Ponta do Coral, velho espaço de pescadores e área de lazer do povo da Agronômica é coisa vendável, é paisagem/objeto, é privilégio para poucos. Na cidade, os movimentos que se levantam contra o empreendimento são tratados como os “inimigos do progresso” ou os “do contra”, como é comum aos capachos do poder tentar ridicularizar e diminuir aqueles que pensam no bem público. O fato é que o “progresso” que a marina e o hotel se propõem a trazer não será para todos. Apenas os donos do empreendimento se encherão de dinheiro com a proposta. O que as empresas envolvidas no processo dizem é que o povo de Florianópolis vai ganhar porque haverá muitos empregos. Outra bobagem. Os empregos que um empreendimento como esse geram podem ser gerados em outros lugares e o serão, uma vez que a vocação da ilha é o turismo. Assim, a vida de nenhuma pessoa será inviabilizada se o projeto não vingar. Pelo contrário. Com um parque cultural, toda a gente da cidade poderá se favorecer e desfrutar de qualidade de vida.
A compra das consciências e as ilegalidades
Como sempre acontece em situações como essas, a empresa construtora iniciou um trabalho de compra de consciências. Contando (ou comprando?) com o apoio de grandes empresas de comunicação a empresa fez um agressivo trabalho de relações públicas, afirmando que a Ponta do Coral não será um espaço privado. Será construído o hotel de luxo e a marina, mas o povo poderá disfrutar de uma série de equipamentos públicos como pracinha para crianças, anfiteatro e praça. O que a empresa não diz é que esse espaço público ficará de cara para a rua, ou seja, completamente desprovido da beleza do lugar. As pessoas terão um lugar, mas ele será de segunda categoria. A beleza da ponta ficará de uso exclusivo dos turistas, hóspedes e navegadores. Para os empresários da construção “a plebe” deve ficar satisfeita com esse acordo e pegar o que pode.
Não bastasse esse engodo de “espaço público”, a empresa ainda anda pela comunidade espalhando a promessa de emprego, o que não deixa de ser algo tremendamente cruel, uma vez que é óbvio que não haverá empregos para todos, e os oferecidos não passarão dos cargos de arrumadeira, garçom ou, quem sabe, de atracadores de barco. E, as gentes, premidas pelas necessidades da vida, acabam embarcando nessa conversa furada.
Isso ficou patente na última audiência pública que aconteceu no dia 22 de novembro, na Assembleia Legislativa de Santa Catarina. A Hantei, buscando criar falsa uma empatia junto aos deputados convocou moradores da Agronômica, empregados da construtora e até das imobiliárias para se manifestarem favoravelmente ao projeto. E o povo lotou a sala. Mas, para surpresa de todos, três horas depois do início da audiência foi descoberta a razão de tanta gente. A maioria havia recebido dinheiro para comparecer. As mulheres levaram 15 reais e os homens 20. Boa parte das pessoas não sabia absolutamente nada do que estava acontecendo ali, apenas seguiam as instruções para bater palma ou se manifestar quando alguém mandasse. Tiveram até direito a um lanche. O blogueiro Mosquito conseguiu a gravação da fala de um grupo de mulheres e denunciou a trama.
A audiência acabou sendo uma rica experiência de desvendamento de máscaras, como bem lembra Loureci Ribeiro, um dos estudantes que participou dos primeiros atos em defesa da Ponta do Coral e que, hoje, como arquiteto, segue defendendo a proposta comunitária. Poucos políticos da cidade compareceram (nenhum vereador), mostrando o quão pouco se importam com os assuntos da comunidade. E o que se viu foi o claro conluio que existe entre os grandes empreendimentos, a mídia, a administração municipal e os órgãos ambientais para o loteamento geral da cidade e da beleza.
Além dos movimentos sociais que historicamente tem lutado contra o projeto de privatização da beleza da Ponta do Coral, apenas a voz solitária da representante do Ministério do Planejamento, Isolde Espíndola, se fez ouvir, dizendo que a lei 180/2005 – que doa 12 mil metros de terra para a Hantei e permite o aterro de mais 30 mil – é ilegal e precisa ser anulada. “A área onde será feita o aterro é federal. A câmara de vereadores não tem ingerência. Essa é uma lei ilegal”. Mas, ainda assim, foi ignorada.
Enfim, a audiência cumpriu seu papel, expôs as feridas, as ilegalidades, as irresponsabilidades e os desejos obscuros das empreiteiras e dos maus políticos. Agora, é hora de a cidade se posicionar. Mas, essa posição precisa ser precedida do conhecimento. Ninguém pode acusar os movimentos sociais de ser “do contra”, sem saber antes contra o quê eles estão.
Nesse caso, os militantes sociais estão contra a apropriação indevida da beleza da Ponta do Coral por um pequeno grupo de empresários. O que os movimentos sociais querem é que aquele seja um lugar de todos, com todo o seu esplendor de flora e fauna, e não apenas uma praça perdida no meio do asfalto. A Ponta do Coral é um pequeno trecho de terra que avança na baia e que condensa uma vida rica e farta. É um lugar de beleza, de simplicidade, de ternura. É um vestígio isolado da velha cidade que foi cedendo passo aos arranha-céus, ao asfalto, aos espaços privados e elitizados. E por isso mesmo deve ser preservada como um patrimônio das gentes, de todos.
Agora, a luta segue, e precisa se encarnar na vida de todas as pessoas que amam de verdade essa cidade “perdida no mar”. Todo o esforço deve ser empreendido para a anulação da lei que entrega a ponta para a Hantei. E lá, naquele ínfimo espaço de pura beleza deve nascer o Parque há tanto tempo sonhado. Porque é direito do povo desfrutar da beleza que essa ilha tem. E que venham muito mais daqueles que são contra o progresso dos bandidos/grileiros do mar e da beleza.
Elaine Tavares é Jornalista. Humana, demasiado humana. Filha de Abya Yala, domadora de palavras, construtora de mundos, irmã do vento, da lua, do sol, das flores. Educadora, aprendiz, maga. Esperando o dia em que o condor e a águia voarão juntos, inaugurando o esperado pachakuti.
Reproduzido de Palavras Insurgentes
Leia mais sobre a Ponta do Coral: "Hotel de luxo será construído em Ponta do Coral", publicado por Hotéis em Florianópolis clicando aqui. Leia também "Ponta do Coral", pelo ex-vereador Mauro Passos, em Floripa Amanhã, clicando aqui. E, "Projeto prevê a construção de hotel cinco estrelas, lojas, restaurantes, marina para 300 barcos e parque público em Florianópolis" com fotos fabulosas de tal empreendimento, na página de Skycrapercity, clicando aqui.
Comentário de Filosomídia:
Mas que luxo, que coisa mais linda a tal "Praça do Ócio Criativo" (11) bem em frente à marina, pra gente ficar sem fazer nada, ou criativamente olhando os iates, observando a movimentação dos pescadores "encantoados" ali na foto, bem à esquerda, longe dos olhos e janelas do pretensioso hotel de R$ 275 milhões (no papel, óbvio)... Tudo dependendo dos tais moedeiros verdes de plantão repartirem a verba entre si, digo, aprovarem projeto tão importante para o turismo manezinho...
Obs: A tal Construtora Hantei é da família e do manezinho mais famoso internacionalmente - mais ainda que Cruz e Souza -, o tenista Guga Kuerten.
Confira o vídeo de Marcelo Gevaerd abaixo, e leia no Youtube mais informações e "breve histórico sobre a Ponta do Coral", clicando aqui.

Assista também a matéria do "Tijoladas do Mosquido" abaixo e leia mais sobre como se compra pessoas em Florianópolis com moeda verde clicando aqui...
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Nan Goldin no Brasil das ironias

"Não fui censurada pelas drogas ou pelo sexo, mas por causa das crianças"
A fotógrafa Nan Goldin teve sua exposição cancelada no Rio de Janeiro. O centro cultural Oi Futuro, que cederia três salas para a exibição fotográfica, decidiu cancelar a apresentação. A alegação foi de um conflito com seu projeto educacional. Agora, a mostra será levada ao MAM em fevereiro de 2012.
Nan Goldin tem uma obra que pode ser chamada de autobiográfica. Fotografou a si própria, namorados e namoradas, amigos e pessoas próximas. Travestis, bissexuais, drogas, homossexuais, jovens, grávidas, crianças. Conhecida mundialmente, inclusive tendo participado da última Bienal de São Paulo, espantou-se com aquilo que chamou de censura no Brasil.
O jornal O Globo, em versão impressa e online, publicou uma ótima entrevista com a fotógrafa, a qual reproduzo abaixo. Antes, destaco uma citação de Nan sobre a polêmica:
"É irônico que isso aconteça no Brasil, um país que sempre me pareceu muito aberto, um lugar onde eu achava que as pessoas eram livres, sem aquele medo do corpo que costuma gerar restrições sociais puritanas"
Nan Goldin
Nan Goldin critica polêmica gerada em torno de suas imagens
Artista plástica se diz surpresa com com cancelamento da exposição no Oi Futuro
RIO - Até a semana passada, a artista americana Nan Goldin, de 58 anos, que tem obras nos principais museus do mundo, achava que o Brasil era um país “muito aberto”, um lugar onde não havia espaço para aquele “medo do corpo que costuma gerar restrições sociais puritanas”. Nesta semana, depois de ter recebido do Oi Futuro Flamengo, centro cultural onde exporia sua obra a partir do dia 9 de janeiro, o pedido para que retirasse de seus slideshows toda e qualquer imagem de criança, comprovou seu engano.
Em entrevista ao GLOBO, de Munique, Nan se diz surpresa por constatar que o Brasil também foi engolido pela onda de “caça às bruxas” que assola o mundo quando o assunto é criança e a sexualidade. Ressalta que suas fotos retratam a dificuldade humana de se relacionar e não apenas o submundo das drogas e do sexo e diz que jamais faria mal a um menor de idade. Defende, inclusive, que eles tenham acesso livre a seu trabalho.
Com voz rouca, Nan afirma que considera uma ironia que, no mesmo país onde há crianças nas ruas, vivendo “vidas difíceis e perigosas, sendo ameaçadas e mortas até pela polícia”, suas fotos causem tanto alvoroço.
Como soube da polêmica em torno da exibição no Rio?
NAN GOLDIN: Eu estava em Munique, fotografando para um jornal alemão, e soube da censura por meio de Thomas Dupal, meu assistente em Paris. Ele fala português e traduziu as notícias publicadas na imprensa brasileira.
E qual foi a sua reação?
É uma situação ridícula e quero que um ponto fique claro: não fui censurada pelas drogas ou pelo sexo, mas por causa das crianças. E, apesar de já ter sido muito censurada na vida, nunca, em lugar nenhum do mundo, o slideshow “The ballad of sexual dependency” (A balada da dependência sexual) havia sido censurado por causa delas.
A curadora da mostra, Ligia Canongia, contou que você pensou em usar cartazes pretos em substituição às imagens vetadas. Por quê?
Para evidenciar a censura. Eles me pediram que retirasse imagens de crianças usando fraldas!
E como interpreta essa situação?
É irônico que isso aconteça no Brasil, um país que sempre me pareceu muito aberto, um lugar onde eu achava que as pessoas eram livres, sem aquele medo do corpo que costuma gerar restrições sociais puritanas. Fora isso, por conta de filmes e leituras, acredito que, no que tange ao respeito às crianças brasileiras, há uma crise muito maior acontecendo por aí. Muitas delas estão nas ruas, levando vidas difíceis e perigosas, sendo ameaçadas e mortas até pela polícia (em referência à chacina da Candelária, de 1993). São problemas muito, mas muito mais graves do que a questão fabricada em torno do trabalho que faço. Por que, de repente, tão protetores? Pretendo discutir esse assunto mais profundamente algum dia.
Sua arte também é para crianças ou é apenas para maiores de idade?
Minhas fotos também são para crianças! Muitas já assistiram a meus slideshows e gostaram. Crianças que fotografei há mais de dez anos são hoje minhas amigas e têm orgulho de estar na obra. Nunca vi uma criança triste! Nunca fiz mal a nenhuma delas!
Exposição em Berlim
Mas algumas pessoas acham que você se aproveita delas...
Não faço meu trabalho para vender ou chamar a atenção. Trabalho para mim e para meus amigos. Até por isso não vendo muito. E mais: nunca abusaria de uma criança! Jamais registraria o abuso de uma delas. Nunca fotografei ninguém para fazer sensacionalismo. O que há, hoje em dia, é uma caça às bruxas no que diz respeito a crianças e sexualidade.
Essa polêmica no Rio pode render algum fruto positivo para alguém?
Sim. Espero que os artistas brasileiros se unam e montem um grupo para vigiar esse tipo de questão e evitar que a censura aconteça. Em 1999, em Nova York, o governo tirou o apoio financeiro de um evento sobre Aids e acabou dando mais publicidade a ele. Quinze mil pessoas foram protestar, e nasceu um grupo de artistas contra censura. Seria maravilhoso se algo parecido acontecesse por aí.
Sua vinda ao Rio está mantida?
Não sei, mas acho que devo ir em janeiro para ajudar a montar a exposição no Museu de Arte Moderna. Estou animada com a ideia de exibir lá.
Não pretendia fotografar por aqui?
Tenho alguns projetos na cabeça. O candomblé é uma opção, mas também quero clicar crianças brasileiras para acrescentar um capítulo ao slideshow “Fire leap”, que já tem 15 minutos de duração e não para de crescer. Também poderia fotografar drag queens de novo ou um grupo de soropositivos. Outra ideia é o dia a dia de lésbicas. Mas não sei.
Os artistas brasileiros saíram em peso em defesa de sua exposição...
Eu soube. Estou impressionada e emocionada com o apoio que recebi. Quem sabe não fazemos uma grande festa para conhecê-los? Seria ótimo.
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Novo movimento na escalada da guerra

“A Primeira Guerra Mundial foi um trágico e desnecessário conflito” – assim se abre o excelente estudo do historiador britânico John Keegan sobre aquele confronto. Todas as guerras são uma só e permanente, iniciada não se sabe quando. Os raros períodos de paz têm sido os das tréguas impostas pela exaustão.
Em 1922, desmobilizado depois da derrota de seu país, o cabo Adolfo Hitler conclamaria a Alemanha à desforra: “não é possível que dois milhões de alemães tenham sido mortos em vão. Não podemos perdoar, nós queremos vingança”.
O confronto de 1914-1918 teve sua origem em outra guerra ocorrida quatro décadas antes, entre a França e a Alemanha. Como a mentira e a provocação são sempre instrumentos do poder, a guerra de 1870 fora provocada pela jogada de Bismarck, falsificando um telegrama que narrava encontro entre o embaixador da França, Conde Benedetti, e o rei Guilherme I, no balneário de Bad Ems. A conversa ocorrera em termos corteses, com o soberano alemão se negando a aceitar uma reivindicação da França. Bismarck mudou os termos do telegrama, afirmando que o embaixador e o rei se haviam insultado mutuamente, chegando quase aos bofetões. Divulgado o texto fraudado, a opinião pública dos dois paises exigiu a guerra — e a França caiu na armadilha, declarando-a em primeiro lugar, em julho de 1870.
A Alemanha em pouco tempo levou suas tropas a Paris. Bismarck se apossou logo da Alsácia e da Lorena, com a desculpa de que necessitava proteger-se no futuro contra o inimigo vencido. Lord Salisbury, depois primeiro ministro da Inglaterra, fez o alerta contra tal pretensão, em artigo publicado no calor dos fatos, em outubro de 1870, na famosa Quarterly Review. Escreveu o estadista que “as outras nações da Europa são levadas a deduzir que devem temer mais a intoxicação de uma Alemanha triunfante, do que uma França diante da violência e da Revolução. Uma Alemanha pacífica é apenas conversa de diplomatas. Nada existe na História para justificar semelhante situação”.
“Dia virá – diz Salisbury em outra passagem — no qual os sonhos ambiciosos da Alemanha virão chocar-se, em seu caminho, com um povo suficientemente forte para por os seus ressentimentos à prova. Esse dia será, para a França, o da restituição e o da revanche”.
Por duas vezes, em 1918 e em 1945, a Alemanha pagou pelas suas ambições. Na Primeira Guerra Mundial, a aliança entre a França e a Inglaterra, com a contribuição norte-americana, levou-a ao chão. Os sentimentos de revanche, capitalizados por Hitler, conduziram-na novamente ao desvario. Desta segunda vez, não obstante a brava resistência da Grã Bretanha e a ação interna dos patriotas dos países ocupados, o povo mais forte foi o da União Soviética. Quem derrotou a Alemanha foi o Exército Vermelho, a partir da heróica reviravolta de Stalingrado, até sua chegada a Berlim.
A Europa atual, em lugar de ter aprendido com o passado, parece ter perdido de vez a lucidez. Não há mais Salisbury, Disraeli, ou Churchill, entre os ingleses, mas pigmeus, como David Cameron e seus antecessores imediatos. No resto da Europa, o cenário é o mesmo. Incapazes de governar, posto que desprovidos de inteligência política, os simulacros de governantes entregam o poder aos banqueiros e a consultores empresariais. Como comediantes, lêem discursos que correspondem aos interesses dos reais donos do poder, e se reúnem com seus pares, fazendo de conta que lideram: não passam de meros delegados dos grandes banqueiros.
Ao mesmo tempo, cresce, na França e na Inglaterra, mas também na Itália e na Espanha, uma tendência a retomar, assimilar e assumir o espírito germânico de conquista e domínio, tão bem identificado por Salisbury há 140 anos. É assim que podemos ver a mobilização acelerada de Paris e Londres, sob o patrocínio norte-americano, contra o Irã e a Síria. Não é a violação dos direitos humanos, que eles mesmos desrespeitam em seus países, a movê-los – mas a hipótese, cada vez mais provável, de que as manifestações de inconformismo dentro de suas próprias fronteiras passem do protesto à revolução.
A deplorável e estranha invasão da embaixada britânica em Teerã, não era de interesse de Ahmadinejad. O governo inutilmente pediu desculpas e prometeu punir os responsáveis - mas isso não bastou. O tom irado e belicoso subiu nas chancelarias da Europa Ocidental. Repete-se a mesma história: a fim de obter a coesão interna, diante da insatisfação crescente de seus povos contra o neoliberalismo, apela-se para o falso patriotismo e a xenofobia. A guerra de agressão pode ser o passo seguinte.
É nesse cenário que vemos a alteração geopolítica do mapa mundial, com suas perspectivas e prováveis conseqüências. Os grandes países emergentes – China, Rússia (que reemerge) Brasil e Índia – deixaram claro que não admitem a intervenção na Síria, nem no Irã, fora dos mandamentos da Carta das Nações Unidas. Os russos mantêm uma base militar no porto sírio de Tartus – equipada com foguetes de defesa aérea de alta eficiência – e naves militares bem equipadas para uma guerra no Mediterrâneo. Os chineses têm também navios de guerra patrulhando aquele grande mar interior.
Os norte-americanos, em sua velha insensatez, parecem desafiar Moscou, ao anunciar que deixarão de cumprir certas cláusulas do Tratado das Forças Militares na Europa, no que se refere à Rússia. Esse tratado reduzia a presença de exércitos e armas convencionais no Continente, e o aviso prévio e recíproco entre Washington e Moscou de seu deslocamento militar na região. O tratado foi cumprido rigorosamente pelos russos, que fizeram recuar grande parte de suas tropas para além dos Urais.
Um ataque à Síria exigiria neutralizar o poder russo na base de Tartus, e é quase certo que haveria retaliação. Por outro lado, o Irã está muito perto da Rússia, e uma ação da Otan naquele país ameaçaria diretamente a segurança de Moscou.
Essa razão levou os Brics a aconselhar negociações com o governo de Teerã, em busca da paz na região, e a condenar qualquer iniciativa que viole os princípios da Carta das Nações Unidas. Um desses princípios é o da autodeterminação dos povos. O entendimento desses países, no encontro de Moscou, revela uma entente bem clara entre a China, a Rússia e a Índia, no espaço eurasiático, com todo o seu poderio militar (incluídos os arsenais atômicos), ao lado do Irã e da Síria.
A declaração oficial da diplomacia russa sobre a ameaça à Síria não poderia ter sido mais explícita, quando afirma que “ a situação dos direitos humanos em um ou em outro país pode ser, evidentemente, objeto de preocupação internacional, mas em nenhum caso se pode admitir que questões de direitos humanos sejam usadas como pretexto para qualquer tipo de intervenção nos assuntos internos de estados soberanos, como se vê hoje, no caso da Síria. Cabe aos sírios decidir sobre o próprio destino, sem qualquer ‘empurrão’ vindo do exterior. A Rússia de modo algum aceita cenário que inclua a intervenção militar na Síria”.
Por detrás da Europa, há a ação permanente dos Estados Unidos, a proteger Israel e a instigar Londres e Paris à agressão, na esperança de, como das outras vezes, impor sua “paz” ao mundo. Uma paz que, em 1945, lhes trouxe o controle das matérias primas mundiais, entre elas, o petróleo, e a cômoda situação de únicos emitentes de moeda no planeta.
Estamos à margem de um conflito que, se ocorrer, será tão trágico, ou mais trágico, do que os outros. Enfim, a paz sempre depende da vontade de que haja paz para todos - com equidade e justiça.
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Ministério centraliza serviços do SUS para comunidade LGBT

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, assinou nesta quinta-feira uma portaria que cria a Política Nacional de Saúde Integral de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT) no Sistema Único de Saúde (SUS).
A política busca, entre outras ações, promover o acesso a técnicas modernas para o processo transexualizador (mudança de sexo); redução de problemas causados pelo uso prolongado de hormônios femininos e masculinos para travestis e transexuais; prevenção de câncer de mama e útero entre lésbicas e mulheres bissexuais; e diminuição dos casos de câncer de próstata entre gays, homens bissexuais, travestis e transexuais.
A rede pública já oferece esses serviços, porém de maneira descentralizada. A partir de agora, serão reunidos em uma única política. "Se a sociedade brasileira ainda vive o preconceito, o SUS não pode admitir preconceito", disse Padilha, durante a abertura da 14º Conferência Nacional de Saúde, que reúne autoridades de saúde e representantes da sociedade civil até domingo.
O governo também lançou hoje a Campanha Nacional de Combate à Aids, com foco em jovens gays de 15 a 24 anos. No último ano, a taxa de infecção nesse grupo cresceu 10,1%. Para cada dez heterossexuais dessa faixa etária com a doença, existem 16 homossexuais. A campanha aposta nas redes sociais e na internet para alertar o público gay sobre a prevenção.
O lançamento coincide com o Dia Mundial de Luta Contra a Aids. Existem 34 milhões de pessoas no mundo com a doença, 17% a mais em comparação a 2001, segundo o Programa das Nações Unidas para Aids (Unaids). No entanto, o órgão aponta queda de 21% nas mortes - de 2,2 milhões em 2000 para 1,8 milhão em 2010 - e redução de 15% nas novas infecções nos últimos dez anos, que somaram 1,2 milhão no ano passado. Na América Latina, a doença permanece estável, segundo o relatório.
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Gurgel, afirmou que é crime ser funcionário fantasma. Então a filha de FHC é criminosa?

O procurador da República, Roberto Gurgel, afirmou nesta quinta-feira (1º) que trata-se, em tese, de crime o fato de o ministro Carlos Lupi (Trabalho) ter sido funcionário fantasma da Câmara entre 2000 e 2006, conforme a Folha revelou no último sábado.
Questionado por jornalistas sobre o acúmulo de funções no mesmo período no Legislativo do Rio e no Congresso Nacional, Gurgel respondeu que basta confirmar que ele recebeu e não trabalhou em apenas um lugar para “já configurar crime”.
No dia 16 de junho de 2010, o Tribunal de Contas da União (TCU) absolveu por unanimidade a Luciana Cardoso, filha do ex-presidente brasileiro (brasileiro?) e múmia honorária do PSDB, o tucano  Fernando Henrique Cardoso, do processo em que era acusada de ser funcionária fantasma do Senado. Durante anos, Luciana Cardoso, recebeu salário como assessora parlamentar do ex-senador Heráclito Fortes (DEMo/PI) sem nunca ter comparecido ao seu suposto local de trabalho. Na época em que o caso foi descoberto, a filha de FHC deu uma entrevista à jornalista do Partido da Imprensa Golpista, Mônica Bergamo, e declarou: não frequentar o lugar porque “aquele Senado é uma bagunça e o gabinete é mínimo”. Dias depois do episódio, pediu afastamento do gabinete. Será que devolveu o dinheiro? É claro que não.
Se não bastasse a decisão do Tribunal Faz de Contas da União (TCU) ser escandalosa e não caber recurso, a mídia na época escondeu o fato. Os que divulgaram, escreveram apenas linhas sobre o assunto, como se ele não fosse importante.
Agora cabe perguntar ao procurador da República, o senhor Roberto Gurgel, o que difere Carlos Lupi da Luciana Cardoso. Por que a Luciana Cardoso ficou durante anos recebendo dinheiro, sem ao menos pisar no Senado, e o TCU a absolveu por unanimidade e o Ministro do Trabalho Carlos Lupi é tratado como criminoso pelo procurador? O que a torna tão especial? Ser filha de um ex-presidente que quebrou o Brasil três vezes e vendeu a maior parte do nosso patrimônio lhe dá privilégios?
Caso clássico de dois pesos, duas medidas.
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Marido de prefeita é preso por pedofilia

Os meninos, um de dez e outro de nove anos, teriam sido violentados sexualmente em junho deste ano em Ouro Verde do Oeste - PR
Claudino Jaci Cardoso, 57, marido da prefeita de Ouro Verde do Oeste, Cleunice Alves (PP), foi preso na manhã de ontem em Toledo pelo GD (Grupo de Diligências Especiais) da 20ª Subdivisão Policial, acusado de pedofilia.
Os meninos, um de dez e outro de nove anos, teriam sido violentados sexualmente em junho deste ano em Ouro Verde do Oeste. Desde então Claudino aparecia como suspeito e passou a ser investigado pelo Ministério Público. As crianças seriam amigas e não têm grau de parentesco com o acusado.
O delegado adjunto Edgar Dias Santana conta que o processo segue em segredo de Justiça, mas que, durante o período da prisão preventiva, será concluído o inquérito policial.
Desde o ocorrido foram ouvidas testemunhas e as vítimas, até se chegar ao nome de Claudino. Segundo o delegado, ele teria oferecido dinheiro para que as crianças fizessem um serviço de limpeza. Ao aceitarem, os meninos teriam sido levados para outro local e violentados sexualmente, ambos no mesmo dia.
Claudino preferiu não falar sobre o assunto, mas se diz inocente e que tudo não passa de uma "armação política". Ele não disse quem são as pessoas que supostamente queriam prejudicá-lo com a acusação.
O suspeito permanecerá preso na cadeia municipal de Toledo. "Ele deve permanecer preso para que não atrapalhe as investigações", reforça o delegado.
Essa não é a primeira vez que Claudino se envolve num escândalo. Há alguns anos ele foi flagrado passeando pelo litoral de Santa Catarina com um carro oficial do Município de Ouro Verde do Oeste. Na época, Claudino e a esposa afirmaram que estavam num congresso destinado à área política.
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Os fracassos de Heloísa Helena e de Marina

Duas candidaturas que poderiam levar à construção de forças alternativas no campo da esquerda fracassaram. Não pela votação que tiveram, mas justamente pela forma como a obtiveram, não puderam acumular forças para poder construir uma força própria. Erros similares levaram a desfechos semelhantes.
Lançaram-se como se fossem representantes de projetos alternativos, diante do que caracterizavam como abandono desse caminho por parte do PT e do governo Lula ou, no caso, especificamente da Marina, de não contemplar as questões ecológicas. Ambas tiveram em comum, seja no primeiro turno, seja no segundo, a definição de uma equidistância entre Lula e Alckmin, no caso de HH, entre Dilma e Serra, no caso da Marina.
Foi um elemento fundamental para que conquistassem as graças da direita – da velha mídia, em particular – e liquidassem qualquer possibilidade de construir uma alternativa no campo da esquerda. Era uma postura oportunista, no caso de HH, alegando que Lula era uma continuação direta de FHC; no caso da Marina, de que já não valeriam os termos de direita e esquerda.
O fracasso não esteve na votação – expressiva , nos dois casos – mas na incapacidade de dar continuidade à campanha com construção de forças minimamente coerentes. Para isso contribuiu o estilo individualista de ambas, mas o obstáculo politico fundamental foi outro – embora os dois tenham vinculações entre si: foi o oportunismo de não distinguir a direita como inimigo fundamental.
Imaginem o erro que significou acreditar que Lula e Alckmin eram iguais! Que havia que votar em branco, nulo ou abster-se! Imaginem o Brasil, na crise de 2008, dirigido por Alckmin e seu neoliberalismo!
Imaginem o erro de acreditar que eram iguais Dilma e Serra! E, ao contrário de se diferenciar e denunciar Serra pelas posições obscurantistas sobre o aborto, ficar calada e ainda receber todo o caudal de votos advindos daí, que permitiu a Marina subir de 10 a 20 milhões de votos?
Não decifraram o enigma Lula e foram engolidas por ele. O sucesso efêmero das aparições privilegiadas na Globo as condenaram a inviabilizar-se como líderes de esquerda. Muito rapidamente desapareceram da mídia, conforme deixaram de ser funcionais para chegar ao segundo turno, juntando votos contra os candidatos do PT. E, pior, o caudal de votos que tinham arrecadado, em condições especiais, evaporou. Plinio de Arruda Sampaio, a melhor figura do PSOL, teve 1% de votos. Ninguem ousa imaginar que Marina hoje teria uma mínima fração dos votos que teve.
Ambas desapareceram do cenário politico. Ambas brigaram com os partidos pelos quais tinham sido candidatas. Nenhuma delas se transformou em líder política nacional. Nenhuma força alternativa no campo da esquerda foi construída pelas suas candidaturas.
Haveria um campo na esquerda para uma força mais radical do que o PT, mas isso suporia definir-se como uma força no campo da esquerda, aliando-se com o governo quando ha coincidência de posições e criticando-o, quando ha divergências.
O projeto politico do PSOL fracassou, assim como o projeto de construção de uma plataforma ecológica transversal – que nem no papel foi construída por Marina -, reduzindo-as a fenômenos eleitorais efêmeros. O campo político está constituído, é uma realidade incontornável, em que a direita e a esquerda ocupam seus eixos fundamentais. Quem quiser intervir nele tem de tomar esses elementos como constitutivos da luta política hoje.
Pode situar-se no campo da esquerda ou, se buscar subterfúgios, pode terminar somando-se ao campo da direita, ou ficar reduzido à intranscendência.
Emir Sader
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Manchete do Dia

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Começou a derrocada?

O Estado de S. Paulo promove demissões e desfaz suplementos
O jornal O Estado de S. Paulo promoveu, na tarde desta quinta-feira (1), alguns cortes em seu quadro de funcionários. Segundo informações da própria redação, confirmadas pelo Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo (SJSP), cerca de 20 pessoas foram demitidas nessa "primeira leva". São profissionais que trabalhavam nos "Caderno 2", "Caderno TV", "Suplemento Agrícola" e "Caderno Feminino do Estadão". Há a informação de que alguns suplementos serão extintos, como o próprio "Agrícola" e o "Feminino".
O portal Imprensa entrou em contato com a direção do jornal, mas nem o diretor de Conteúdo do Grupo Estado, Ricardo Gandour, nem o diretor de Desenvolvimento Editorial, Roberto Gazzi, falaram com a reportagem.
Segundo alguns funcionários, o clima não chegou a ficar tenso, pois as demissões eram "esperadas". Os cortes não seguiram critérios lógicos, de acordo com o presidente do SJSP, Guto Camargo. "Sempre justificam com os chamados 'acertos financeiros', o que não procede, pois lucro existe. Percebemos esse tipo de coisa sempre no final do ano, quando se coloca 'o produto', em caixa e balança", disse o sindicalista.
~ o ~
Editora Globo deve reduzir em 30% seu quadro de funcionários
2011 não está sendo um bom ano para as redações brasileiras. Depois de iG, MTV e Folha de S.Paulo, a Editora Globo inicia cortes que podem atingir até 30% de seu quadro de funcionários.
Segundo apurou o Portal Imprensa, já foram desligados, nesta segunda-feira (28), jornalistas das redações das revistas Época São Paulo, Monet e Globo Rural. E os cortes não estão restritos a jornalistas. Profissionais da área Administrativa, Publicidade e Operações também estão na lista de demissões.
De acordo com o publicado no Meio & Mensagem, cerca de 200 pessoas devem ser desligadas nos próximos dias, mas, até o final do ano, esse número pode chegar a 300. Ainda não há informações sobre as razões dos cortes.
~ o ~
"Folhateen" acaba e vira página na "Ilustrada"; sindicato protesta contra "recusa de diálogo"
Desde a última quinta-feira (10/11), a Folha de S.Paulo promove uma série de cortes de funcionários da Redação, da área Administrativa e Classificados. Além das demissões, há uma reformulação na editoria de "Suplementos", com a saída de Patricia Trudes.
No rastro das mudanças, o caderno "Folhateen" foi extinto e passa a integrar a "Ilustrada", em formato de página.
Segundo apurou o Portal Imprensa, foram demitidos, até o momento, jornalistas das editorias "Cotidiano", "Saúde", "Esporte", "Poder", "Mercado", "Fotografia", "Ilustrada", "Arte", além de profissionais das sucursais de Brasilia, Rio de Janeiro, bem como a extinção da sucursal de Cuiabá, da Agência Folha.
O motivo das demissões, segundo apurou a reportagem, foi um ajuste no balanço da empresa. Editores, repórteres especiais, fotógrafos e funcionários, com mais de 20 anos de casa, estão entre os demitidos.
Procurada pelo Portal Imprensa, a Folha não se pronunciou sobre os cortes.
Sindicato
O Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo emitiu uma nota, na tarde desta sexta-feira (11), em manifesto contra as demissões de funcionários da Folha, além da postura da empresa de "se recusar a abrir um canal de diálogo entre as partes". Ainda de acordo com o comunicado, "as estatísticas apontam que há crescimento no faturamento da empresa", o que não justificaria a dispensa de profissionais em massa.
Nas últimas semanas, também vem circulando no mercado a informação de que o jornal O Estado de S. Paulo estuda uma redução no número de funcionários, que pode chegar a 40 vagas.
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Charge online - Bessinha - # 912

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