26 de nov de 2011

Os arquivos secretos da Marinha

A revista Época teve acesso a documentos inéditos produzidos pelo Cenimar, o serviço de informações da força naval. Eles revelam o submundo da repressão às organizações de esquerda durante a ditadura militar
Uma caixinha de papelão do tamanho de um livro guardou por mais de três décadas uma valiosa coleção de segredos do regime militar implantado no Brasil em 1964. Escondidas por um militar anônimo, 2.326 páginas de documentos microfilmados daquele período foram preservadas intactas da destruição da memória ordenada pelos comandantes fardados. Os papéis copiados em minúsculos fotogramas fazem parte dos arquivos produzidos pelo Centro de Informações da Marinha (Cenimar), o serviço secreto da força naval. Ostentam as tarjas de “secretos” e “ultrassecretos”, níveis máximos para a classificação dos segredos de Estado e considerados de segurança nacional. Obtido com exclusividade por ÉPOCA, o material inédito possui grande importância histórica por manter intactos registros oficiais feitos pelos militares na época em que os fatos ocorreram. Para os brasileiros, trata-se de uma oportunidade rara de conhecer o que se passou no submundo do aparato repressivo estruturado pelas Forças Armadas depois da tomada do poder em 1964. Muitos dos mistérios desvendados pelos documentos se referem a alguns dos maiores tabus cultivados pelos envolvidos no enfrentamento entre o governo militar e as organizações de esquerda.
FIM DO SEGREDO
A caixa de papelão com os microfilmes de documentos do Cenimar. Ela foi guardada por um militar anônimo por mais de três décadas (Foto: Igo Estrela/ÉPOCA)
As revelações mais surpreendentes estão nas pastas rotuladas de “Secretinho”, uma espécie de cadastro dos espiões nas organizações de esquerda. Fichas e relatórios do Cenimar identificam colaboradores da ditadura, homens e mulheres, que atuavam infiltrados nas organizações que faziam oposição, armada ou não, ao regime militar. Agiam dentro dos partidos, dos grupos armados e dos movimentos estudantil e sindical. O trabalho dos informantes e agentes secretos era pago com dinheiro público e exigia prestação de contas. Muitos infiltrados eram militares treinados pelos serviços secretos das Forças Armadas que atuavam profissionalmente. Outros foram recrutados pelos serviços secretos entre os esquerdistas, por pressão ou tortura. Havia ainda dezenas de colaboradores eventuais, simpatizantes do regime, que trabalhavam em setores estratégicos, como faculdades, sindicatos e no setor público. A metódica organização da Marinha juntou relatórios, fotografias, cartas e anotações de agentes e militantes.
Reveladores, os papéis microfilmados divulgados por ÉPOCA antecipam alguns dos debates mais importantes previstos para a Comissão da Verdade, cuja lei de criação foi sancionada recentemente pela presidente Dilma Rousseff. Aprovada pelo Congresso, a comissão foi criada com o objetivo de esclarecer os abusos contra os direitos humanos cometidos, principalmente, durante a ditadura militar. Se investigar a fundo o que se passou nas entranhas do aparato repressivo, chegará à participação de militantes de esquerda nas ações que levaram à prisão, à morte e ao desaparecimento de antigos companheiros.
O PRECURSOR
José Anselmo dos Santos (ao centro, de bigode), o “Cabo Anselmo”, o mais famoso dos agentes duplos da ditadura, numa foto de 1964. Acima, uma reprodução de um documento do Cenimar, em que seu nome aparece numa lista de civis e militares investigados (Foto: Arquivo O Dia)
Durante a luta armada, as acusações de traição muitas vezes determinaram justiçamentos, com a execução dos suspeitos pelos próprios integrantes das organizações comunistas. Isso aconteceu com Salathiel Teixeira, militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB) que integrou o revolucionário Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR), dissidência do “Partidão” que migrou para a luta armada. Salathiel terminou morto por companheiros por suspeita de ter fornecido, sob tortura, informações aos órgãos de repressão. Os documentos da Marinha mostram como Maria Thereza, funcionária do antigo INPS do Rio de Janeiro e amiga de Salathiel, foi recrutada e paga para ajudar a prendê-lo em 1970. A prisão de Salathiel foi chave para a prisão de dirigentes do partido.
O Cenimar representava a Marinha na poderosa comunidade de informações do governo militar, que incluía também os serviços secretos do Exército, da Aeronáutica, da Polícia Federal e das polícias Civil e Militar. O marco inicial da estruturação dessa rede que investigava e caçava inimigos dos militares foi a criação do Serviço Nacional de Informações (SNI), em 1964, pelo então coronel Golbery do Couto e Silva, um dos homens fortes dos governos dos presidentes Humberto de Alencar Castelo Branco, Ernesto Geisel e João Figueiredo.
Para compreender bem o confronto sangrento entre as Forças Armadas e as organizações de inspiração comunista, é necessário lembrar o contexto da época. O mundo vivia a Guerra Fria, período de polarização ideológica em que Estados Unidos e União Soviética disputavam o controle de regiões inteiras do planeta. O Brasil importou o conflito internacional. O governo militar tinha o apoio dos Estados Unidos, e parte da oposição aderiu aos regimes comunistas, com forte influência de Cuba e China. O PCB se dividiu em dezenas de siglas adotadas por grupos radicais que adotaram a luta armada como instrumento para a derrubada dos militares. O PCB defendia a via pacífica para a chegada ao poder. Nem assim escapou da perseguição do aparato repressivo e muitos de seus seguidores foram mortos e desapareceram com a participação direta da comunidade de informações. Dentro do PCB sempre se soube que a ação de agentes infiltrados teve grande responsabilidade nas prisões dos comunistas. Os documentos do Cenimar revelam que um discreto dirigente do PCB em São Paulo, Álvaro Bandarra, fez um acordo com os militares em 1968 para colaborar com a caçada aos integrantes do partido.
Os documentos do Cenimar mostram ainda como agiram os espiões para ajudar no desmantelamento de algumas das dissidências do PCB. Os agentes infiltrados pela Marinha tiveram importante participação na derrocada do PCBR, da Ação Libertadora Nacional (ALN), da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8) e da Frente de Libertação Nacional (FLN). Os militantes viviam escondidos em casas e apartamentos, chamados por eles mesmos de “aparelhos”. Num tempo em que não havia telefone celular nem internet, marcavam locais de encontro, conhecidos como “pontos”, com semanas ou meses de antecedência para garantir o funcionamento das organizações. Num desses “pontos”, descoberto por um agente secreto de codinome “Luciano”, morreu Juarez Guimarães de Brito, um dos líderes da VPR, procurado pelo governo por ter comandado o lendário assalto ao cofre do ex-governador de São Paulo Adhemar de Barros.
Os arquivos da Marinha revelam também como os comunistas subestimaram a força da ditadura e cometeram erros infantis que facilitaram o trabalho da repressão. Num tempo em que os grampos telefônicos já eram comuns, guerrilheiros tramavam ações armadas e falavam despreocupadamente ao telefone. Também convidavam para participar de grupos de ação armada pessoas que mal conheciam, o que facilitou a infiltração dos agentes secretos. A fragilidade das organizações de esquerda permitiu a infiltração do fuzileiro naval Gilberto Melo em entidades do movimento estudantil no Rio de Janeiro.
A história de Gilberto guarda grande semelhança com a do mais conhecido dos agentes duplos da ditadura, José Anselmo dos Santos, conhecido por “Cabo Anselmo”. Anselmo se tornou conhecido ainda antes do golpe como presidente da Associação dos Marinheiros, um dos focos de agitação durante o governo de João Goulart, e depois se infiltrou em organizações da luta armada como informante da repressão. Gilberto passava os dias perambulando pelo restaurante Calabouço, local de encontro dos estudantes e de organização das manifestações contra o regime militar. Ele viu quando o secundarista Edson Luiz Lima Souto foi morto durante uma manifestação por policiais no Calabouço, com um tiro no peito, no dia 28 de março de 1968.
Nos dias seguintes à morte de Edson Luiz, Gilberto, conhecido no Cenimar como Soriano, participou das manifestações desencadeadas pelo assassinato, que culminaram na famosa passeata dos 100 mil, em junho de 1968, no Rio de Janeiro. Gilberto incorporou tanto o disfarce que terminou preso duas vezes. Foi espancado e torturado como se fosse um esquerdista. Nunca revelou que era agente secreto. A morte de Edson foi um dos fatos mais marcantes daquele período, que culminou com o recrudescimento da repressão pelo regime militar e a implantação do Ato Institucional Número 5 (AI-5) no final de 1968.
Os papéis microfilmados constituem um valioso acervo para a compreensão dos métodos empregados pelos órgãos de repressão. Por razões óbvias, nos registros não constam as práticas mais hediondas, como tortura, prisões ilegais, assassinatos ou desaparecimento de pessoas. Mas eles têm o mérito de expor personagens e mostrar o roteiro das perseguições aos inimigos do regime. Os relatórios do Cenimar também registram o envolvimento de oficiais da Marinha. Eles controlavam a rede de espiões espalhados pelo país, chefiavam as equipes de busca e coordenavam os interrogatórios. “Documentos que mostram relatórios de informantes, contratações e atuação direta são raros”, afirma Carlos Fico, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, um dos principais historiadores do período militar. “Provavelmente (esses documentos) deveriam ter sido expurgados. Por algum motivo, alguém os salvou.”
O expurgo mencionado por Fico foi concretizado no acervo do Centro de Informações da Aeronáutica (Cisa). O Cisa fazia o mesmo trabalho do Cenimar. Também tinha agentes e controlava elementos infiltrados em organizações de esquerda. No início do ano, o Arquivo Nacional abriu a consulta aos documentos acumulados pelo Cisa e entregues um ano antes pela Aeronáutica. Mas quem for até lá em busca de documentos como os do Cenimar vai se decepcionar. Não há nada que leve à identidade de agentes e informantes, seus relatórios, comprovantes de pagamentos, material que existe fartamente nos arquivos obtidos por ÉPOCA. Procurada, a Marinha afirmou desconhecer os documentos do arquivo secreto. “Não foram encontrados, no Centro de Inteligência da Marinha, registros pertinentes aos questionamentos apresentados”, afirmou o contra-almirante Paulo Maurício Farias Alves, diretor do Centro de Comunicação Social da Marinha.
Até hoje, a história da ditadura militar no Brasil se revelou aos poucos, em imprevisíveis divulgações de documentos, relatos contraditórios de militares e incompletas declarações dos perseguidos pelo regime militar. Menos de três décadas depois de restaurada a democracia, ainda existem importantes segredos. Nas próximas semanas, ÉPOCA publicará novos capítulos dessa história ainda desconhecida.
Leia Mais ►

Civita sobre Sabino: "Por mim ele ficaria mais vinte anos"

Dono da Editora Abril diz à colunista Monica Bergamo que Mario Sabino pediu para sair do comando de Veja. Não parece ser a verdade
Dois dias atrás, na quinta-feira, quando foi procurado pela colunista Monica Bergamo, da Folha de S. Paulo, que apurava o rumor de que estava deixando o comando da revista Veja, o ex-jornalista Mario Sabino negou categoricamente. Disse a Monica que recebe inúmeros convites todos os anos, mas que iria continuar no cargo. Era uma tentativa de permanecer no topo de Veja, plantando uma nota falsa na imprensa.
Sem saber que era ludibriada por um ex-colega de profissão, Mônica decidiu publicá-la e a nota - incorreta - saiu no dia seguinte na Folha de S. Paulo. Sabino, no entanto, foi quem mais saiu perdendo com a plantação de uma mentira. Assim que soube que a informação sairia na Folha, Eurípedes Alcântara, diretor de redação de Veja, selou a demissão do ex-redator-chefe de Veja e distribuiu um comunicado interno que apenas serviu para manter as aparências de civilidade entre os dois.
Para colocar panos quentes na história, ninguém menos que Roberto Civita, dono da Editora Abril, ligou para Mônica Bergamo. Disse que, se dependesse dele, Mario Sabino continuaria mais vinte anos na revista Veja e que nada mudou na revista semanal.
Ainda não está confirmada a informação de que Sabino será vice-presidente da CDN, uma das maiores empresas de comunicação corporativa do Brasil. Se for verdade, ele começou mal na nova profissão, contando uma mentira para a principal colunista do Brasil.
Leia Mais ►

"Eu sou uma puta bem barata"

Romance “O vício do amor”, de Mario Sabino, aborda as desventuras amorosas de um escritor que se compara a mulheres do meretrício; um alerta aos leitores se faz necessário: é ficção, não confundam com a realidade
“Escritores são como putas – e seus cachês para o serviço, portanto, não devem ir além do justo para a profissão. Há as mais caras (não muitas) e as mais baratas (um monte delas). Eu sou uma puta bem barata.”
É assim que o protagonista do romance “O Vício do Amor”, de Mario Sabino, se descreve, em primeira pessoa, nas linhas iniciais do romance. Não se trata de autobiografia. É uma obra de ficção.
No livro, cujo primeiro capítulo está disponível no site www.mariosabino.com.br, o protagonista revela de cara suas desventuras. Suas duas ex-mulheres o abandonaram para chupar judeus. “Não tenho nada contra judeus, além do fato de não gostar que mulheres minhas os chupem”. Revelando-se incapaz de satisfazer suas mulheres, o protagonista começa a discorrer sobre a obra do filósofo alemão Schopenhauer.
E é só esse trecho que foi disponibilizado no site do ex-redator-chefe de Veja, demitido na tarde da quinta-feira. Os leitores agradecem.
Leia Mais ►

Frank De Vol

The Fuzz - Música de 1960 composta por Frank De Vol para a trlha sonora do filme 'The Happening'. Foi base da adaptação do Tema de abertura do Jornal Nacional (Rede Globo) escrita pelo Maestro Aluisio Didier.
Leia Mais ►

Para ganhar no grito

Como o fantasma da censura invocado constantemente
pelos meios de comunicação tornou-se a mais 
escancarada forma de censura. 
Foto: Marcello Casal Jr./ABR
Franklin Martins afasta o corpo da mesa, gira levemente a cabeça e contorce os lábios em um de seus gestos típicos, um misto de impaciência e desdém com um comentário que no primeiro momento lhe parece irrelevante ou fora de foco. Ele veste jeans e uma camisa social, e tem dedicado o “ano sabático” a escrever dois livros sobre a forma como a música brasileira retrata a política, projeto interrompido quando aceitou ingressar no governo Lula em 2007.
Talvez tenha sido um recurso para ganhar tempo na elaboração da resposta. Martins nem bem sentara à mesa de um café em Brasília, onde topou o encontro após uma razoável dose de insistência minha, quando observei que os meios de comunicação têm tentado nos últimos anos impingir-lhe a marca de “censor”, de um autoritário disposto a conspurcar o sagrado direito à liberdade de expressão. “É um reflexo condicionado, ideologia”, começa. “A mídia brasileira não quer se discutir nem deixar discutir. Mas não há como escapar, é inevitável diante das mudanças tecnológicas. Ou fazemos um debate franco e democrático sobre a regulação dos meios, com a participação de todos, ou prevalecerá a lei do mais forte.”
Desta vez e ao contrário do passado, desconfia Martins, a selva tem um novo rei, as companhias telefônicas. “Em 2010, as empresas de mídia faturaram 13 bilhões de reais. As teles, 180 bilhões. É fácil imaginar quem vai ganhar essa disputa econômica se a opção for o vale-tudo, o faroeste. O problema para a sociedade é que são enormes os riscos de uma concentração ainda maior.”
Esta é uma discussão deliberadamente distorcida pela mídia. Durante o governo Fernando Henrique Cardoso, os donos dos meios de comunicação barraram os projetos em acordos de bastidores. Por isso FHC é considerado um “democrata”. Sob Lula não foi diferente, os grupos sempre impuseram sua vontade no fim das contas, mas a antipatia do presidente e de parte do PT pela maneira como foram tratados ao longo da década levou as empresas a adotarem um discurso mais beligerante. Do confronto, mais aparente que real, vicejou a tese de um viés autoritário cujo objetivo seria calar “a imprensa livre”.
O ex-ministro lembra, com humor, de uma frase atribuída a ele durante a conferência de comunicação patrocinada pelo governo para discutir um novo marco regulatório. À época, jornais, revistas, tevês e rádios reproduziram como verdade uma suposta frase sua: “Vou enfiar esta lei goela abaixo da sociedade”. Ao mesmo tempo, as associações empresariais anunciavam oficialmente a não participação na conferência. “Nunca disse isso. Perguntei aos jornalistas de onde eles haviam tirado essa informação. Ninguém conseguiu me responder, mas a pauta estava pronta.”
Não foi a primeira vez, nem será a última, que frases e intenções são arbitrariamente atribuídas a quem não as defende. Se existe um ato de censura hoje em voga no País ele parte daqueles que se proclamaram defensores das liberdades. Qualquer discussão a respeito da legislação é logo interditada sob o argumento de uma suposta matriz autoritária. Não adianta argumentar que nossas leis são antigas, confusas, não dão conta das profundas e recentes mudanças tecnológicas. Nem que o setor, em vários aspectos, vive na ilegalidade pelo fato de boa parte dos artigos da Constituição referentes à comunicação nunca terem sido regulamentados. Ou que os países desenvolvidos promoveram alterações profundas em suas leis nos últimos 20 anos e que a Unesco, em relatório independente, tenha apontado falhas graves que aproximam a legislação nativa da completa barbárie.
Discursar em favor da liberdade de expressão virou um cacoete – e serve, em geral, para desqualificar propostas que desejam ampliá-la e não reduzi-la. A insistência é tanta que chega a produzir cenas patéticas,como a de uma repórter que viu no assassinato do cinegrafista da Band durante uma operação no morro carioca, lamentável, mas parte do risco profissional, um ataque à liberdade de imprensa.
A realidade mostra, ao contrário, que o exercício do jornalismo nunca foi tão livre no Brasil. Pode-se até afirmar, com base nos fatos, que desde a decisão do Supremo Tribunal Federal de liquidar a Lei de Imprensa sem regulamentar o direito de resposta, a mídia tem sido mais algoz do que vítima de abusos diversos. Fora raras exceções a comprovar a regra, não há poder capaz de contrastar a força dos meios. Liberais da economia costumam comungar da mesma visão de mundo dos veículos de comunicação, mas até esse grupo deveria refletir. Há uma distorção dos mecanismos de livre mercado que prejudica o bom funcionamento dos agentes econômicos. Após quase três décadas da volta dos civis ao poder, e dos inúmeros choques produzidos na economia nacional, o setor de comunicação continua um raro, senão único, setor a contar com fortes barreiras protecionistas – e sua eficiência tem sido prejudicada por uma crescente oligopolização e pela limitação a novos competidores.
Nem regras simples adotadas na maioria dos países e previstas na Constituição brasileira conseguem vigorar. Qualquer cidadão concordará: o ideal para a democracia e para a economia seria impedir que um mesmo grupo controlasse, em uma mesma cidade, emissoras de tevê, rádio e jornais. É uma norma válida, por exemplo, nos Estados Unidos, onde a mídia nasceu e vicejou a partir da livre iniciativa. Também deve achar razoável que políticos em mandato ou no exercício de cargos públicos sejam proibidos de controlar meios de comunicação.
No Brasil, isso não só ocorre, como existe uma simbiose secular entre o controle da mídia e o poder político. Não se trata apenas do fato de a Globo, no Rio de Janeiro e em São Paulo, ser dona de tevê, rádios e veículos impressos. Ou de a RBS, associada à família Marinho, dominar as comunicações de forma horizontal, vertical e transversal no Sul do País. Os herdeiros de Antonio Carlos Magalhães na Bahia e a família Sarney no Maranhão, para citar os dois casos notórios, mas não isolados, comandam os principais meios de comunicação em seus estados, a ponto de sufocar qualquer concorrência empresarial e política. “É o único setor da sociedade que combina economia e política. O detentor de um meio de comunicação tem um poder que nenhum outro proprietário tem”, diz Laurindo Leal Filho, professor da Escola de Comunicação e Artes da USP. “Essa situação, por si só, exigiria um olhar atento da sociedade. Há ainda o fato de as frequências de rádio e tevê serem bens finitos, pertencentes a todos os brasileiros. Portanto, não há como contestar a regulação.”
A influência política permite a concessionários se comportarem como no Velho Oeste. Ninguém em sã consciência acha normal que o proprietário de uma concessão de uma usina hidrelétrica ou de uma frequência de telefonia possa vendê-la a um terceiro sem que a transação seja aprovada pelos respectivos órgãos reguladores – e em alguns casos as transações são simplesmente vetadas. Mas é o que acontece, com frequência abusiva, na radiodifusão (sem falar nos “laranjas”). E o que dizer da venda de horários na programação? Alguém admitiria ir ao cinema assistir a um filme dos irmãos Coen e no meio da projeção ser obrigado a ver cenas de ação de Jackie Chan? Pois acontece na maioria das tevês abertas e em muitas rádios, que ganham dinheiro com o aluguel de largos espaços a igrejas pentecostais. Essa burla à lei permite, por exemplo, à Record concorrer de maneira desleal no mercado de televisão.
A simbiose, de um lado, e o simples medo, de outro, impedem que a discussão caminhe no Congresso Nacional. O governo Fernando Henrique Cardoso chegou a preparar três projetos de modernização da radiodifusão. Todos engavetados. Lula acenou várias vezes com a possibilidade, até que Martins, em sua última missão, organizou a conferência de comunicação e dela extraiu os elementos de uma proposta. Na transição para a administração Dilma Rousseff, o texto foi entregue ao ministro Paulo Bernardo, que promete colocar a proposta em discussão pública a partir de dezembro, embora o Palácio do Planalto tenha deixado claro não se tratar de uma prioridade do mandato.
O tema também não empolga os partidos. Uma frente parlamentar reúne deputados de diversas legendas, mas as cúpulas mantêm um claro distanciamento do grupo. Há duas exceções, talvez. Após aprovar uma resolução em seu congresso nacional, o PT patrocinou na sexta-feira 25, em São Paulo, um debate sobre o tema. A ideia foi ouvir os movimentos sociais a respeito e, em certa medida, se descolar do governo, que ainda não encontrou a melhor forma de encaminhar a discussão. Já o PSOL foi a única agremiação a encampar uma ação no Supremo Tribunal Federal proposta pelo Intervozes, organização formada por jornalistas e radialistas que há oito anos defende regras para ampliar o acesso aos meios de comunicação. Na ação, a entidade civil pede que o STF exija do Ministério das Comunicações o cumprimento do capítulo da Constituição que trata dos políticos: quem estiver na ativa deve ser afastado do controle de empresas do setor.
Segundo João Brant, do Intervozes, a regulamentação dos artigos da Constituição referentes à comunicação seria um grande passo para garantir mais pluralidade e diversidade na mídia. Mas seria preciso, diz ele, avançar em alguns outros pontos, entre eles a separação entre infraestrutura e conteúdo na radiodifusão. É uma regra adotada na Europa e nos Estados Unidos e, ironicamente, incorporada à lei de tevê por assinatura no Brasil. Ela parte de uma constatação simples que tem o poder de controlar os riscos de monopólio: quem distribui conteúdo, não pode produzi-los. “Há uma tendência de concentração na mídia maior do que em outros setores. E o pior: os efeitos não se dão apenas sobre a economia. Eles afetam diretamente a democracia”, diz Brant. “Em consequência, o setor deve estar sob constante vigilância e discussão. No Reino Unido, as leis são revistas praticamente de cinco em cinco anos”.
Professor aposentado da UnB e um dos mais ativos críticos de mídia do País, Venício Lima acha que a lei de tevê por assinatura expôs novamente o ainda enorme poder político da Rede Globo. Segundo Lima, a lei conseguiu limitar o avanço das empresas de telefonia, proibidas de produzir conteúdo, enquanto na tevê aberta, a Globo sobretudo e as demais emissoras continuam a ter o direito de controlar a transmissão e ao mesmo tempo produzir o que irá ao ar. “Entre 35% e 40% dos senadores são vinculados a concessionárias de comunicação. Não vejo como as coisas podem avançar.”
Martins é mais otimista. Segundo ele, a lei de tevê por assinatura estabeleceu um parâmetro para as futuras discussões de uma regulação geral. Além de separar transmissão e conteúdo, estabeleceram-se cotas para a produção nacional e regional a ser exibida, outro ponto da Carta de 1988 ainda não regulamentado. “Na sociedade do conhecimento, haverá uma oferta espetacular de informação. E o Brasil precisa se preparar.”
Para afastar o que considera um “bode na sala”, a tese da censura, o ex-ministro propõe: “A discussão deveria se circunscrever a um conceito simples. Nada que fira a Constituição e nada que engavete a Constituição”. Martins afirma que os movimentos sociais evoluíram nos últimos anos. Uma das provas seria o fato de a expressão “controle social da mídia”, um conceito vago e autoritário antes repetido ad nauseam, ter desaparecido do léxico dos defensores da regulação.
Os representantes dos meios de comunicação continuam presos a velhos mitos. Distorcem conceitos e declarações, omitem informações e têm dificuldade em admitir que seu poder real e relativo se dilui por conta dos avanços tecnológicos mundiais e das transformações sociais no Brasil.
Seria recomendável a leitura de um artigo de 1829 do jornalista Líbero Badaró, intitulado Liberdade de Imprensa, relançado recentemente em uma elegante edição de capa dura. A intenção de quem republica o texto neste momento, um grupo de advogados paulistas, é inegável: alinhar-se a quem enxerga riscos à liberdade de expressão no Brasil.
Do lúcido texto é possível, porém, extrair outras lições. Badaró foi assassinado por partidário de dom Pedro e seu artigo, uma crítica à monarquia, concentra-se nos excessos do poder da realeza. Mas o jornalista não deixa de comentar os abusos do jornalismo: “Nada há de mais baixo, de mais vil, de mais criminoso, que mereça mais todo o peso do público opróbrio do que aquele que prostitui a sua pena”. Dois séculos depois, aqui estamos no mesmo ponto. Discutir de forma honesta a modernização das leis poderia ser uma forma de a mídia brasileira enfrentar seu pior inimigo: ela mesma
Leia Mais ►

Homem forte de José Serra está preso em Natal

João Faustino (esq.), suplente do senador Agripino Maia (dir.), foi detido na Operação Sinal Fechado, que também investiga esquema da inspeção veicular; ele despachava no Palácio dos Bandeirantes e coordenou a campanha presidencial do ex-governador tucano fora de São Paulo
Enquanto a imprensa nacional acompanha os desdobramentos da ação deflagrada pelo Ministério Público Federal que bloqueou os bens do prefeito Gilberto Kassab, em razão de um contrato supostamente fraudulento na área de inspeção veicular, uma ação paralela – e muito mais explosiva – foi deflagrada simultaneamente no Rio Grande do Norte. Nela, foram expedidos 14 mandados de prisão na última quinta-feira. Um dos presos é João Faustino, suplente do senador Agripino Maia (DEM-RN) e uma figura muito, mas muito próxima do ex-presidenciável tucano José Serra. Enquanto Serra foi governador de São Paulo, Faustino despachava no Palácio dos Bandeirantes, como subchefe da Casa Civil, sendo diretamente subordinado ao então chefe da Casa Civil, Aloysio Nunes Ferreira, que hoje é senador. Quando Serra se tornou presidenciável, João Faustino passou a coordenar as atividades da campanha – inclusive a arrecadação de recursos – fora de São Paulo. O que Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto, fazia em São Paulo, João Faustino fazia em outros estados.
Uma nota publicada neste sábado na coluna Painel, da Folha de S. Paulo, revela que Serra trabalhou intensamente para que João Faustino fosse escolhido como suplente na chapa de Agripino Maia. Serra e Faustino são tão próximos que o político potiguar conseguiu até nomear pessoas da sua mais estrita confiança em cargos comissionados no governo de São Paulo.
As operações do MP em São Paulo e da Polícia Civil, no Rio Grande do Norte, aconteceram de forma absolutamente coordenada. Se, na capital paulista, o MP conseguiu bloquear os bens do prefeito Gilberto Kassab, dando repercussão nacional ao fato, em Natal é que foi desferido o golpe mortal.
Negócio da China
Nas duas cidades, o caso investigado diz respeito à inspeção veicular, num esquema que teria sido criado pela empresa Controlar, do empreiteiro Carlos Suarez, ex-dono da OAS. Em São Paulo, a Controlar teria fechado negócio na gestão Celso Pitta, mas o contrato só foi validado, 12 anos depois por Kassab. Assim, Suarez conseguiu vender a empresa para a CCR, das empreiteiras Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez. Na transação, segundo o MP, Suarez teria lucrado R$ 170 milhões. Em Natal, por sua vez, o contrato de inspeção veicular, também feito de forma irregular, renderia R$ 1 bilhão aos empreiteiros durante o prazo de concessão.
Não será surpresa se, nos próximos dias, as duas ações – a de São Paulo e a de Natal – se aproximarem mais e mais do ex-governador e ex-presidenciável tucano, José Serra.
Leia Mais ►

Fernando Morais dá uma merecida surra no politicamente incorreto Leandro Narloch

Sem graça, Narloch foi fisgado pela própria inconsistência e por uma necessidade fantasiosa de acreditar no que quer, como quando diz que o “capitalismo é o que de melhor já aconteceu na história da humanidade”. Assista ao vídeo no final do texto.
Fernando Morais
Nem as batatas cubanas ficaram de fora da mais animada e polêmica entre as mesas da 7ª Festa Literária Internacional de Pernambuco (Fliporto), que reuniu, em Olinda, os jornalistas Fernando Morais, Leandro Narloch e Samarone Lima. O tema proposto era América Latina para o bem e para o mal e Cuba dominou boa parte da conversa. A segunda parte do debate ficou concentrada nos dois livros de Narloch: Guia politicamente incorreto do Brasil (hoje, o quinto mais vendido no Brasil) e o Guia politicamente incorreto da América Latina (Leya).
Quem deu a largada foi o moderador Vandek Santiago. Ele questionou o jornalista sobre as fontes usadas na produção do livro, dentre as quais estavam “as más línguas” em capítulo sobre o relacionamento de Perón, na Argentina, com jovens meninas.
Morais se juntou ao debate quando Narloch disse que “vários” cubanos desertaram durante os Jogos Pan-Americanos do Rio, em 2007. “Foram dois”, respondeu. Em outro momento, Narloch afirmou que as conquistas nas áreas econômica e de saúde não valeram a pena para Cuba, o que mereceu o deboche de Morais. “Essa fala me lembrou Nelson Rodrigues, que era um grande dramaturgo e um péssimo político, e que disse que preferia a liberdade ao pão. Pergunte a uma mãe que está enterrando o filho de cinco anos por desnutrição o que ela pensa disso”, disse Morais, que tinha acabado de citar dados da Unesco que mostram que Cuba tem o menor índice de mortalidade infantil entre os países concentrados do sul dos Estados Unidos à Patagônia.
Mais um pouco de conversa sobre liberdade e Cuba e a atenção voltou para Narloch. Fernando Morais, que não leu o livro, mas acompanhou algumas entrevistas do autor, mencionou o caráter marqueteiro das obras. O autor chegou a comentar em uma dessas entrevistas que tinha começado a coleção, que terá um novo volume sobre a história do mundo, para ganhar algum dinheiro. “Estou em pânico. Passei a faculdade lendo Fernando Morais e agora estamos quebrando o pau.”
Leandro Narloch
“Leandro Narloch se reconhece como uma pessoa de direita. Em um país onde Paulo Maluf se diz de centro-esquerda, alguém de 30 e poucos anos se assumir de direita é de uma honestidade política”, comentou. “Mas seus livros deveriam ter uma errata dizendo que eles se chamam “Guias politicamente corretos”, porque estão remando a favor da maré e absolutamente a favor do vento que sopra na imprensa, especialmente na revista Veja”, completou.
Samarone Lima, que trazia um dos exemplares cheios “post-it”, disse que encontrou uma série de problemas no livro, mas que o principal dizia respeito ao capítulo dedicado ao general Augusto Pinochet. “É de uma inconsistência dolorosa. Nós, jornalistas, trabalhamos com fontes. Você não pode escrever sobre Pinochet usando como fonte um livro lançado pelo governo golpista”, disse Lima, que encontrou 12 referências ao tal livro oficial no capítulo.
Enquanto Lima procurava outra passagem, Narloch, já sem graça com a repercussão que seu trabalho tinha ganhado naquele painel, brincou: “Acabou, não dá mais tempo.” Mas deu. Ainda desconfortável, perdeu o fio da meada e foi vaiado quando, mais calmo, também citou Nelson Rodrigues: “Quem não é socialista com 20 anos não tem coração. Quem é com 40 não tem cérebro.”
Foi então a vez de ele contestar uma informação publicada por Morais sobre o episódio das larvas jogadas pelo governo norte-americano nas plantações de batatas em Cuba. “Use um pouco do dinheiro que você ganha com direitos autorais e vá até os Estados Unidos checar isso. Nós não vamos ficar aqui brigando pelas batatas cubanas”, finalizou Morais.
No Solidários

Leia também: Leandro Narloch e a direita politicamente incorreta
Leia Mais ►

Moshiri passa dos limites

Acabo de ler as declarações do Sr. Ali Moshiri à agência Reuters.
Ele acena com novos investimentos da Chevron no Brasil, mesmo estando esta empresa, no momento, impedida de perfurar no Brasil até a elucidação das causas do acidente no poço em que perfurava no campo de Frade, ao largo da costa do Rio de Janeiro.
Oferece US$ 3 bilhões de reais de investimentos nos próximos três anos, mas não oferece, neste momento, nem explicações sobre o que houve e nem sequer prosaicas desculpas pelo acontecido.
Continua arrogante e audacioso. E pior, indecoroso, porque acenar com investimentos, neste instante, soa como um “toma dez mil réis” vulgar.
Reclama que estava desde a véspera da proibição baixada pela ANP e a classifica como “precipitada”, mesmo tendo ocorrido 16 dias depois do início do vazamento e após a empresa ter sonegado e distorcido informações.
“Estou fisicamente no Brasil desde terça-feira, mas só recebi a notificação (de suspensão das perfurações) na quinta-feira. Neste período podíamos ter sentado e debatido as questões (técnicas)”, disse Moshiri.”, relata a Reuters.
O senhor Moshiri acha que está numa “ação entre amigos”, num convescote com as autoridades públicas, acha que o Brasil ia chamá-lo para tomar um chopinho e conversar sobre o acidente?
A empresa do sr. Moshiri demorou 11 dias para informar ao país onde perfura e ganha dinheiro que tinha havido um “kick”, ou seja uma forte elevação de pressão no poço que, por conta da válvula preventiva (blowout preventer) não levou de roldão as instalações do poço no leito marinho, mas fez fendas no solo abaixo da aparentemente primeira e única sapata de sustentação e selagem, permitindo a passagem de óleo para a água.
“Poderíamos ter sentado e discutido as questões técnicas?”
O senhor Moshiri pensa que este é um país de beócios? Se quer discutir as questões técnicas, há um monte delas sobre as quais a Chevron ainda não se pronunciou.
Querem uma lista?
O subordinado de Moshiri confessou, na Câmara, como todos podem ver no vídeo acima que, na inspeção da aderência da sapata e vedação nesta sapata “nós não encontramos o cimento onde nós esperávamos”. Mas sua empresa não esclarece se esta inspeção foi, como deveria ser , feita logo após a injeção de cimento ou se agora, depois do acidente. E, se feita na época correta, porque as falhas da cimentação não foram percebidos ou não foram corrigidas?
A Chevron não informa qual foi a pressão esperada e a alcançada de fato na coluna de perfuração no momento do kick, nem em que velocidade ela se elevou, o que é fundamental para que os engenheiros de petróleo possam calcular se a implantação de sapatas era adequada à possibilidade de “kicks”, que estão longe de serem incidentes raros.Não há qualquer dificuldade em fornecer estes dados, eles estão registrados eletronicamente no diário de perfuração.
Não informa também qual era a densidade e o volume da lama que utilizava como peso para contrapor à força ascencional do kick, nem as providências adotadas para adensá-la diante da elevação da pressão.
Não informa porque levou tanto tempo para associar o vazamento ao “kick” e muito menos porque, muito tempo depois de saber que eram as deficiências de seu poço as responsáveis pelo derrame, a empresa divulgava uma nota oficial, reproduzida pelo G1, dizendo que “não houve qualquer vazamento na cabeça do poço” e omitia que, sim, havia vazamento no poço, embora este não fosse naquele ponto?
Aliás, as falhas de comunicação da empresa não se deram por inexperiência. A gerente de comunicação da Chevron é a sra. Lia Blower, que ocupou o mesmo cargo na Petrobras, durante o Governo FHC. Conhece a indústria do petróleo e sabe como ela deve transparência à sociedade. Se não deu as informações necessárias e evitou, por onze dias, que qualquer pessoa da empresa falasse com a imprensa é porque foi mandada fazer assim.
Temos milhares de poços perfurados no leito ocêanico e nenhum deles vazou, e muito menos desta forma. Não é, portanto, um risco imprevisível, uma fatalidade. É um erro técnico, e grave. Resta saber o que o motivou.
Portanto, Mr. Moshiri, baixe seu tom ao falar num país que o recebe bem, e à sua empresa, como deve receber qualquer pessoa ou instituição estrangeira que se porte com responsabilidade. Aqui ninguém o mandou tirar o sapato por ser de origem árabe, porque somos civilizados e respeitosos com as pessoas e nos sentimos irmãos de todos os povos do mundo.
A Chevron tem, por enquanto, uma concessão pública, não um enclave de petróleo num paiseco sem soberania. Embora muitos dos amigos de sua empresa não concebam o Brasil senão como colônia, não o somos.
Aliás, o senhor devia preocupar-se com a repercussão destes fatos também lá fora, porque seus superiores, a esta altura, devem estar contabilizando os danos de imagem que a Chevron teve e ainda vai ter, pelo mundo afora, por conta de seu procedimento.
Os senhores podem ser a segunda maior petroleira do mundo, mas não são mais intocáveis.
Fernando Brito
No Tijolaço
Leia Mais ►

Yes, nós temos um Berlusconi. “Yes, we care”

O senador Aécio Neves e a socialite Ana Paula Junqueira foram fotografados saindo juntos de um balada na madrugada de quinta feira (25) em São Paulo. Os dois foram fotografados no banco de trás de um carro e tentaram fugir dos flashes dos paparazzi.
Aécio Neves dentro de carro com a socialite Ana Paula Junqueira
Ana Paula apareceu recentemente em um vídeo que discute o conflito da USP com outras socialites.
Baladeiro de plantão
Alguém me explica o que o senador tucano Aécio Neves, estava fazendo em plena quinta feira, dia útil, em São Paulo?. Em um dia útil, Aécio caiu do cavalo em Minas. Em outro dia útil, Aécio fugiu do bafômetro no Rio....
Será que ele já foi informado que ganhou dos mineiros uma vaga no Senado, para trabalhar e é pago com dinheiro público? Vai ver ele não sabe, por isso não fica em Brasília.
Só falta o senador repetir a frase da Luciana Cardoso (filha do FHC): "Se me chamarem eu vou na hora". Ela também recebia polpudo salário em Brasília (também no Senado) sem comparecer ao trabalho. E os tucanos tem a cara de pau de falar em ética.
Leia Mais ►

CNJ investiga juízes suspeitos de grilagem, diz corregedora

Depois de falar em 'bandidos de toga', Eliana Calmon diz que há magistrados envolvidos em compra ilegal de terra no Mato Grosso, no Mato Grosso do Sul, no Piauí e na divisa entre Bahia e Goiás
A corregedora do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Eliana Calmon, revelou nesta sexta-feira, 25, que o órgão está investigando operações suspeitas envolvendo um grupo de juízes em um esquema de a compra de terras e grilagem em áreas de grande extensão no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Piauí e divisa entre Bahia e Goiás. A trama envolve tabelionatos e cartórios de registro de imóveis, informou a corregedora.
Os casos incluem cancelamento de títulos e matrículas em cartórios por ordem judicial, intervenções e ações reivindicatórias sem título adequado e concessão de liminares para imissão de posse indevida, tutela antecipada em ação por uso capião, entre outros expedientes. De acordo com a ministra, as terras têm sido usadas para o cultivo de soja.
"Estão ocorrendo, pelas informações que estamos recebendo e que chegam em razão de denúncias, grilagem de terras que não valiam nada, que eram absolutamente inservíveis, e que hoje são riquíssimas com o agronegócio, com participação de magistrados,", afirmou a ministra, ao participar da 9.ª Reunião Plenária Anual da Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro (Enccla), em Bento Gonçalves (RS). "Isso está nos preocupando sobremaneira", afirmou.
Na avaliação de Eliana Calmon, trata-se de um esquema semelhante ao que já ocorreu no Sul do Pará. "Eram terras absolutamente sem valor econômico nenhum e, no entanto, elas começaram a ser valorizadas de repente em razão do agronegócio. O sul do Piauí está um problema sério, porque aquilo ali era terra de ninguém, abandonadas, de repente, cresceu."
Segundo a ministra, alguns casos na Bahia chamaram a atenção da Corregedoria. "Temos algumas denúncias de dois ou três magistrados investigados, que inclusive o próprio Tribunal removeu, colocou outro, e em poucos meses o outro estava no mesmo esquema, porque é muito dinheiro", afirmou. No Piauí, os casos estão sendo investigados pela corregedoria regional. "Mas eu tenho já os registros de uns três juízes que não estão afastados e estão sendo investigados", revelou.
Eliana defendeu uma mobilização direta e conjunta do Ministério da Justiça, Polícia Federal, Ministério Público e CNJ para investigar o caso. "Eu levei minha preocupação ao ministro Cesar Peluso (presidente do Supremo Tribunal Federal e do CNJ) porque eu entendo que há necessidade de uma ação conjunta e política. E nas ações políticas é o presidente do CNJ que deve atuar no sentido de nós termos um enfrentamento conjunto", afirmou. "Não adianta punir o juiz porque nós temos de pegar todo o segmento que vem praticando esse ilícito."
'Corporativismo ideológico'. 
A corregedora denunciou o que chamou de um "corporativismo ideológico perigosíssimo" nas corregedorias do Poder Judiciário que favorece a infiltração de "bandidos de toga". "O corporativismo é uma visão ideológica. Ideologicamente você parte para defender o Poder Judiciário, e você começa a não ver nada que está ao seu redor. Você não vê sequer a corrupção entrando nas portas da Justiça, porque você acha que, para defender o Judiciário, você tem que manter o magistrado imune às críticas da sociedade e da imprensa", afirmou a ministra. "À medida que nós continuamos com o corporativismo, nós estamos favorecendo que as pessoas venham se esconder nessa grande arrumação que fizemos: 'Aqui é muito bom, eu posso fazer e estou fora do alcance da lei'."
Na avaliação de Calmon, o Poder Judiciário padece de uma ideologia de dois séculos de falta de transparência no País, em referência os primeiros tribunais portugueses. "Nada se esconde mais, um dos braços e instrumentos da corrupção é exatamente esse fechamento. Você combate a corrupção com transparência", afirmou. "É uma cegueira causada pela ideologia. Não veem que isso está se alastrando. Por isso eu falei dos bandidos de toga, porque é uma infiltração, uma cultura que tem sido deletéria no Poder Judiciário."
A ministra afirmou que essa é uma das razões pelas quais a atuação do CNJ vem sendo criticada por alguns magistrados e entidades de classe. "Num primeiro momento, houve uma grita em relação à atuação do CNJ. Essa onda passou, como se a intervenção estivesse sendo aceita, mas ela retorna em um momento em que nós começamos a fazer uma apuração disciplinar. Ondas que se repetem toda vez que o corporativismo, leia-se, ideologia, vem sendo atacado por algum órgão, mesmo que estatal", afirmou.
Eliana alertou para o risco de que a população passe a acreditar que os juízes que não punem magistrados corruptos também sejam corruptos. "Realmente isso é preocupante, porque as pessoas podem pensar que esses magistrados que defendem o corporativismo devem ser corruptos, mas não são", afirmou. "O problema é que não enxergam. Direcionam que têm de defender a magistratura e, para isso, temos de fechá-la, qualquer coisa errada tem de ser resolvida internamente. Mas o espaço público não se decide nada internamente."
Anne Warth e Fausto Macedo
No O Estado de S.Paulo
Leia Mais ►

Ibama embarga siderúrgicas acusadas de trabalho escravo e devastação no Pará

Após denúncias do Observatório Social, foram responsabilizadas três siderúrgicas de Marabá: a Sidepar, a Cosipar e a Siderúrgica Ibérica
O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama) está embargando as maiores siderúrgicas de Marabá, no Pará. O órgão comprovou o que foi apontado pela pesquisa "O Aço da Devastação", publicada em junho de 2011 pela revista do Observatório Social.
Segundo a pesquisa e a apuração do Ibama, as siderúrgicas usam carvão oriundo da devastação ambiental e do trabalho escravo. Pelos cálculos do órgão, nos últimos quatro anos as siderúrgicas foram responsáveis pela destruição de 27,3 mil hectares de floresta Amazônia. Foram responsabilizadas a Sidepar, a Cosipar e a Siderúrgica Ibérica.
“As siderúrgicas fomentam o desmatamento da floresta amazônica em todo o sul e sudeste paraense para obter o carvão que precisam, acobertando essa origem irregular com Guias Florestais fraudadas", afirma o chefe da Divisão de Fiscalização do Ibama em Marabá, Luciano da Silva, que coordenou a operação Saldo Negro, que desvendou o esquema
A apuração do Ibama seguiu o mesmo caminho da pesquisa do Observatório Social: carvoarias legalizadas, fornecedoras das siderúrgicas, estão sendo usadas para lavar carvão do desmatamento e do trabalho escravo.
"O problema é conhecido desde 2004, quando publicamos o primeiro estudo sobre trabalho escravo na região", comenta o jornalista Marques Casara, autor da pesquisa do Observatório Social. "O fiel da balança é a Vale S/A, que assinou um acordo com o Ministério do Meio Ambiente em 2009, anunciando que não forneceria mais minério de ferro para essas siderúrgicas. O acordo não está sendo cumprido", afirma.
Leia Mais ►

Deputada de RO usava torpedos para cobrar propina, diz PF

Uma investigação conjunta do Ministério Público de Rondônia e da Polícia Federal sobre fraudes em licitações e contratos públicos no Estado apontou que uma deputada estadual cobrou propina via torpedos de celular, informa reportagem de Matheus Magenta e Felipe Luchete, publicada na Folha deste sábado.
A deputada Ana Dermani de Aguiar (PT do B) (foto) enviou mensagens ao presidente da Assembleia Legislativa, Valter Araújo (PTB), para cobrar o "compromisso" com o "dindin", passar o número de sua conta bancária e depois agradecer o pagamento.
A investigação identificou uma espécie de mensalão na Assembleia, com repasses regulares feitos por Araújo a sete dos 24 deputados estaduais.
Os pagamentos chegavam a quase R$ 60 mil.
Outro Lado
Ana Dermani de Aguiar disse que suas mensagens foram apresentadas fora de contexto.
Ela afirmou que só daria esclarecimentos sobre as mensagens à Polícia Federal, mas negou participar de mensalão na Casa e de fraudes.
Leia Mais ►

Leandro Narloch e a direita politicamente incorreta

Leandro Narloch em "casa", o Instituto Millenium
Há uns quinze, vinte anos atrás, ser politicamente incorreto era visto, erroneamente, como algo vanguardista. Quem era "irreverente" e "politicamente incorreto" era "in", e certos pseudo-esquerdistas caíram no delírio quando alguém fazia um falso maniqueísmo entre a direita, politicamente correta, e a esquerda, politicamente incorreta.
Mas os tempos passaram e até vários pseudo-esquerdistas mais veteranos migraram para a direita. E há um tempo um jornalista "politicamente incorreto" é explicitamente um dos militantes da mídia de extrema-direita do país.
O rapaz chama-se Leandro Narloch, cujo reacionarismo já foi alertado por Raphael Tsavkko Garcia. Ele está por trás de dois livros supostamente divertidos e bem-humorados, Guia do Politicamente Incorreto da América Latina - feito em parceria com Duda Teixeira - e Guia do Politicamente Incorreto da História do Brasil, que ele escreveu sozinho com todos os seus neurônios direitistas.
Narloch foi da revista Veja e da Superinteressante - revista até certo ponto superinteressante, mas disse, entre outros equívocos que a Banda Calypso continuava indie mesmo assinando com a Som Livre - e é notório detrator dos imigrantes nordestinos que vivem em São Paulo.
Pois os "divertidos" livros de Narloch são, na verdade, o equivalente brasileiro dos "manuais de idiotas" que Álvaro Vargas Llosa e amigos lançaram anos atrás. Vai no mesmo plano ideológico.
Para Narloch, parece que o mundo é uma podridão só. João Goulart para ele é "corrupto", Che Guevara foi um sanguinário implacável e anti-roqueiro, e pouco lhe importam as virtudes do imperador D. Pedro II. Talvez para Narloch os únicos seres humanos que prestam no planeta Terra sejam aqueles cujo profeta maior é Tio Sam.
Em suas entrevistas, Narloch até tem aquele jeito sinistro de depor do Paulo César Araújo, o historiador dos bregas que, mesmo conservador, é idolatrado pela esquerda mais frágil. O olhar sinistro, a mania de se justificar e de dizer que "batalhou muito para pesquisar e escrever seu(s) livro(s)" é totalmente o mesmo.
A grande diferença é que Narloch não faz nos seus livros o discurso "positivo" de PC Araújo. Daí não ter chance de virar "deus" entre a intelectualidade etnocêntrica nem se fantasiar de "esquerdista" para figurar na Fórum e Caros Amigos. Até porque o que Narloch escreve é puro anti-esquerdismo, dos mais explícitos.
Lendo os textos de Narloch, vê-se que seus "vilões" e "cafajestes" são quase sempre ligados a políticas nacionalistas ou socialistas, vistos ora como corruptos, ora como prepotentes, atrapalhados e metidos. Até Zumbi dos Palmares era visto como tão cruel com os negros quanto qualquer escravocrata.
Ler esse livro, para quem acredita nos movimentos sociais, não deve ser jamais engraçado. Pelo contrário, é o mesmo pesadelo ideológico que se lê nas páginas de Veja. Leandro Narloch soa como uma versão mais pop de Diogo Mainardi e Reinaldo Azevedo, que já são versões pop de Olavo de Carvalho.
Narloch demonstra ojeriza a índios, negros, nordestinos e portugueses, na sua historiografia politicamente incorreta. E politicamente reacionária. De repente, até Tio Patinhas, para Leandro Narloch, é muito mais digno de louvor do que qualquer ativista humanitário, sempre visto como uma figura sórdida escondida numa causa assistencialista.
A maior lição que traz figuras como Leandro Narloch é que fazer movimentos sociais é, para ele, impossível. Não se pode abraçar uma causa social que, de acordo com a ótica dele, sempre resulta em corrupção.
Leandro Narloch pode não ter a visibilidade que um William Waack e um Reinaldo Azevedo possuem, mas se ele não têm o poder de derrubar ministros de governos progressistas, pelo menos ele têm o poder de derrubar a memória histórica do nosso país.
Para Narloch, o Brasil é um país corrupto e cruel, incompetente e impotente, o qual só tem uma única salvação: se vender para os EUA.
Alexandre Figueiredo
No Mingau de Aço
Leia Mais ►

Produtor de tablet de R$ 80 espera chegar a 3,5 mi de unidades

Estudantes exibem o Aakash, tablet mais barato do mundo, em evento em Nova Déli
O indo-canadense Suneet Singh Tuli, presidente da companhia britânica Datawind, que fabrica na Índia os tablets mais baratos do mundo, disse já possuir 340 mil reservas do produto, mas ambiciona chegar a 3,5 milhões de unidades.
O Aakash, que significa céu em sânscrito, é subvencionado pela administração indiana e inicialmente destinado a estudantes universitários pelo preço de US$ 22. Mas o que Tuli tem em mente é uma revolução nas comunicações na Índia, com o produto ao preço de 2.276 rúpias (cerca de R$ 83) e a generalização do acesso à internet.
"Na Índia, o acesso ilimitado à internet custa US$ 2 ao mês, mas não estamos contentes com isso e achamos que pode ser de graça. Já fizemos isso no Reino Unido: demos acesso à internet durante a vida útil do aparelho, amortizando o custo com anúncios. O aparelho não é o único modo de obter lucro, é uma forma de chegar ao cliente" disse Tuli em entrevista à Agência Efe.
O empresário, uma espécie de Steve Jobs indiano, explica a fórmula para baratear os custos do tablet: os componentes foram comprados prontos, e a empresa fabricou os módulos do produto. Além disso, ele diz ter aprendido com a forma de trabalhar da Apple.
"As pessoas pensam que a Apple é a companhia de tecnologia mais bem-sucedida do mundo porque faz produtos 'cool', mas na realidade é porque, quando o iPhone é usado, a operadora telefônica tem que pagar uma pequena quantia para a Apple, ou por sua loja de aplicativos. O aparelho não é o único caminho para conseguir renda", diz.
O Aakash ainda não possui alto-falantes e demora cinco segundos para abrir os programas, contra cerca de 1,5 segundo do iPad. Já sobre as páginas da internet, Tuli estima que os dois aparelhos terão desempenho semelhante, por causa da velocidade de conexão na Índia.
O presidente da Datawind destaca a visualização de vídeos no Aakash: "Nossa qualidade de vídeo é bastante boa. Olhe como a Shakira dança o 'Waka Waka'", relata com bom humor.
Além disso, o diferencial do tablet popular é que seus consumidores não sabem que a Apple é marca de referência e não pagarão um valor extra por um iPad, de acordo com Tuli. A previsão é de que o Aakash saia ao mercado indiano em dezembro.
Na Índia, uma em cada quatro pessoas não sabe ler ou escrever, mas o empresário não desanima: "A adaptação será rápida, graças às telas táteis. Quando meu filho ainda não sabia pegar um lápis, já podia tocar a tela", explica.
Tuli também aposta no tablet como um instrumento de inclusão. Para ele, um motorista de triciclo terá a oportunidade de utilizar o Aakash para se comunicar e fazer negócios, assim como para o entretenimento.
O produto também deve ser expandido a outros mercados. Tuli prevê um preço inicial de € 100 na Europa, com a capacidade equivalente a um tablet que atualmente custa € 300.
"Mas pensamos que o produto por si só tem um valor limitado. O que conta é a conexão à internet. Queremos uma internet tão barata que seja quase de graça. E o aparelho funciona bem, estamos ampliando sua capacidade e melhorando a tela", afirma.
De acordo com o empresário, 1.500 reservas chegam a ele todos os dias de outras partes do mundo, o que ele vê como uma surpresa: "Se me perguntasse se eu podia prever esta resposta, seria sincero: nem de brincadeira!".
No EFE
Leia Mais ►

“Fraude” do Estadão chega ao Jornal Nacional

A notícia publicada no Estadão, de que o Ministério das Cidades teria fraudado um parecer técnico para elevar o custo de uma das obras da Copa em Mato Grosso, foi parar no Jornal Nacional, com um texto cuidadosamente elaborado para confundir o espectador. Destaco os fatos que foram neglige nciados pelo âncora:
  • a mudança do projeto representou obviamente um grande avanço em termos de tecnologia, correção ambiental e qualidade do transporte;
  • o parecer do técnico Higor de Oliveira não era uma advertência do oráculo de Delfos, nem a conclusão final de uma auditoria externa. Deveria naturalmente ser examinado, corrigido e, como foi o caso, substituído por um parecer mais fundamentado e condizente à necessidade de transformar as obras da Copa em oportunidade para desenvolvimento de modelos mais avançados de transporte urbano. A diretora Luiz Gomide, que assinou o novo parecer, afirmou que sua função no ministério é justamente essa: ela é a chefe, não Higor; ela tem essa prerrogativa.
  • o governo do Mato Grosso, que vai bancar 70% do custo da obra, não queria uma nova “linha rápida de ônibus”, conforme orientava o parecer inicial; o governador Silval Barbosa já deu entrevistas afirmando que, desde o início, fez pressão aberta e transparente junto ao Executivo para que a obra fosse um VLT, ou seja, um trem de superfície moderno. Como é o governo do MT que está pagando a maior parte da obra, imagino que ele deva ter a palavra final sobre o tipo de obra que deseja em seu estado.
  • não houve fraude; o documento final foi substituído por outro.
Os objetivos do JN de produzir um clima de escândalo é turvado, no entanto, pelas imagens de vídeo, onde são exibidas ao telespectador cenas de ônibus trafegando em linhas congestionadas, seguidas de outras onde vemos um moderno trem de superfície deslizando sem obstáculos por uma cidade.
O Estadão hoje volta à carga, botando o CGU na história. A manipulação continua.
A Controladoria Geral da União é um dos órgãos mais importantes da administração pública, mas também não é um oráculo de Delfos. A obra sequer foi iniciada. Não se trata aqui – ao menos por enquanto – de um problema de desvio de verba. O CGU fez ressalvas, justas, a falhas de informação, só isso. O CGU não tem poder para decidir se uma obra deve ser feita ou não no país. O CGU não tem competência para decidir se é melhor para Cuiabá tem uma nova linha rápida de ônibus ou um moderno trem de superfície. Temos uma hierarquia no Estado. Quem decide uma obra é o governador, o ministro, a presidente, ou seja, os poderes executivos que foram eleitos e tem obrigação moral e eleitoral (a obrigação eleitoral não é imoral, como tantas vezes a mídia faz pensar; muito pelo contrário) de oferecer aos cidadãos a melhor opção de transporte urbano, não o mais “barato”.
A denúncia do Estadão é fraca, apesar da tentativa do Jornal Nacional de anabolizá-la. Tanto é fraca que outros jornais não embarcaram. O Estadão ficou sozinho na empreitada. A Folha sequer menciona a palavra fraude. Apenas publica, na página A4, que “Pressão dos Estados fez Dilma alterar projetos da Copa-2014“, o que me parece mais um elogio do que outra coisa, visto que demonstra o caráter democrático e flexível da presidente. E o Globo, numa surpreendente demonstração de prudência, fala somente em “suspeita de fraude” ou “suposta fraude”.
E o áudio da reunião onde se discutiu a mudança do parecer chegou ao JN, mas não traz dessa vez nenhum termo impróprio, sequer uma gíria, tampouco a insinuação de qualquer ilícito, apenas frases absolutamente técnicas com críticas ao documento e comentando que havia decisão política de fazer o trem VLT, não ônibus.
Enfim, a “denúncia” pode até produzir algum ruído político e comover os incautos de sempre, mas não é daquelas que derrubam ministro. Pelo jeito, a mídia vai ter de engolir a sua segunda derrota em algumas semanas, depois da tentativa gorada de derrubar Carlos Lupi.
Gilmar Crestani
No Senta a Pua
Leia Mais ►

Mino Carta: Internet precisa do jornalismo “à moda antiga”

Mino Carta destacou que o amplo acesso à internet pode 
colaborar para a mudança social do Brasil no futuro
Para Mino Carta, diretor de redação de CartaCapital, a ascensão econômica e o acesso às informações no meio digital podem ser uma “sementinha” para a mudança social no Brasil. Mas a transformação completa está muito longe de se concretizar. Durante o debate “O jornalismo e o jornalista no divã”, no Seminário Internacional MediaOn, realizado na quinta-feira 24 no Itaú Cultural de São Paulo, o jornalista fez uma análise bastante pessimista do país e do jornalismo brasileiro. Aos 77 anos, Carta foi criador das revistas Quatro Rodas, Veja e CartaCapital e Jornal da Tarde.
“O Brasil é muito atrasado, com condições sociais terríveis. Isso é uma tragédia, com lances de comédia”, disse ele. Tragédia que também afeta a produção da imprensa. “Os jornais são feios e mal escritos”.
Além de Carta, o debate contou com Fabio Altman, diretor executivo da revista Veja, e a mediação do pscanalista Jorge Forbes. A ideia era que os dois profissonais dicutissem a crise do jornalismo moderno frente ao surgimento da internet, aos moldes de uma sessão de psicanálise. A experiência despertou risos da plateia. Quando questionado sobre crises com a profissão, Mino Carta respondeu “Eu nunca tive crise porque perdi todos os meus empregos com muita honra. Nunca temi ser mandado embora. Sempre tive uma gaveta de camisas xadrez no meu armário. Na pior das hipóteses, vou ser lenhador no Canadá”.
Fábio Altman lembrou que, com a internet, há uma possibilidade de absorção maior de conteúdo, mas que a Web ainda sofre muito preconceito e é desvalorizada dentro das redações. Para ele, vive-se em um momento de transição, em que a informação é passada de uma outra forma. O papel está com seus dias contados.
Para Mino Carta, o Brasil assiste hoje ao jornalismo de pensamento único. O jornalista criticou a ignorância dos próprios colegas, sobretudo dos mais jovens. “Fico espantado com o baixo nível cultural dos nossos jovens jornalistas. Muitos nunca leram nada significativo”. E apontou saídas para a superficialidade da internet. “O que nos impede de, baseados numa cultura à moda antiga, produzir algo que se adequa ao momento que vivemos? Eu não vejo antítese. Lutar por transformações é importante, mas é fundamental sabermos como chegamos aqui”. E destacou que falta aos jovens se aprofundar no conhecimento já estabelecido e na literatura.
Carta lembrou do caso da “ditabranda”, em que o jornal Folha de S. Paulo usou o termo para se referir à ditadura militar no Brasil e do episódio do Riocentro. Às vésperas da abertura democrática, em 1981, setores radicais do governo militar empreenderam um atentado frustrado ao centro de convenções Riocentro com cerca de 20 mil pessoas, durante um show comemorativo do dia do Trabalho. Apenas o sargento que carregava a bomba morreu. Mino Carta alerta, porém, que se o atentado tivesse saído como previsto, o número de vítimas do período militar teria se elevado exponencialmente.
Objetividade
Os dois jornalistas à mesa concordaram que não há objetividade no jornalismo. “A subjetividade é natural. É importante que se faça um jornalismo honesto”, afirmou Carta. E destacou a importância dos fatos. “A verdade que cada um carrega não representa a verdade factual. É preciso verificar.” Altman confirmou a análise e destacou que alguns dos principais veículos do país – Folha de S. Paulo, Estado de S. Paulo e a própria Veja – não fazem um jornalismo imparcial.
Leia Mais ►

Absolvido mais uma vítima de crimes da imprensa

Da Folha
Ex-reitor da UnB é inocentado de acusação de improbidade
DE BRASÍLIA - O ex-reitor da UnB (Universidade de Brasília) Timothy Mulholland foi inocentado pelo TRF-1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região) da acusação de improbidade administrativa.
Ele foi acusado pelo Ministério Público Federal de desviar R$ 470 mil para decorar, com mobiliário e utensílios de luxo, seu apartamento funcional.
Ele já havia sido absolvido, no ano passado, pela primeira instância da Justiça Federal, mas a Procuradoria recorreu.
Além de Mulholland, também foi inocentado Érico Paulo Weidle, decano da administração da UnB.
Para a relatora do caso, magistrada Assusete Magalhães, não foi Mulholland quem decidiu gastar o dinheiro no apartamento e sim o Conselho de Direito da Universidade, "órgão colegiado competente".
Segundo ela, testemunhas do processo afirmaram que o ex-reitor não teria exercido influência nas decisões.
Ela disse também que o profissional responsável pela decoração não o conhecia e "não teve contato para a escolha e a compra do mobiliário".
De 15 de fevereiro de 2008
ELIANE CANTANHÊDE
Gente fina é outra coisa
BRASÍLIA - Como capital, como qualquer centro de poder, Brasília atrai lobistas de todos os tipos, em seus carrões com motorista e casas e apartamentos milionariamente decorados, circulando por restaurantes de luxo e festinhas regadas a ouro. O que não se sabia até agora é que o reitor da Universidade de Brasília, Timothy Mulholland, um professor, vivesse como lobista e à custa do dinheiro público.
Leia Mais ►

O Irã e a III Guerra Mundial

O jornalista e escritor britânico Douglas Reed, que morreu em 1976, pode ter sido um dos homens mais alucinados do século 20, como dizem seus biógrafos. Combatente na Primeira Guerra Mundial, quando ficou gravemente ferido no rosto, ele se fez jornalista e correspondente do Times de Londres em vários países da Europa. Em seus despachos de Berlim, se destacou como corajoso e violento antinazista. Foi o primeiro não comunista a denunciar a farsa do incêndio do Reichstag, acusando pessoalmente Hitler de ter sido o responsável pelo ato de provocação.
Quando se deu conta de que viria o Anschluss (a anexação da Áustria à Alemanha), ele, então em Viena, escreveu, em poucas semanas, seu livro mais conhecido, Insanity fair publicado em Londres em 1938. Nele, advertiu contra a tolerância em favor de Hitler, e previu a imediata eclosão da 2ª. Guerra Mundial. Meses depois, com a capitulação das potências europeias em Munique, no caso dos sudetos, deixou de trabalhar para o Times, cuja posição era também apaziguadora.
A partir de 1940, Reed se tornou antissionista — não antissemita. Mas aceitou a tese conspirativa e fantasiosa de que os comunistas e os sionistas eram aliados para dominar o mundo. Para ele, os nazistas favoreciam os sionistas, ao transformar os judeus em vítimas. Em seus artigos, previu que o Estado de Israel, a ser criado na Palestina, como determinava o projeto sionista de Max Nordau e Theodor Herzl, viria a ser o germe da grande conspiração para o domínio sionista do planeta, mediante um governo mundial.
Enfim, aceitava a famosa manipulação do “Protocolo dos Sábios de Sião”. Logo depois do armistício de 1945, previu que esse governo mundial seria dotado de armas atômicas, como propusera o banqueiro e assessor de Roosevelt, Bernard Baruch, também filho de judeus de origem europeia. De acordo com o Plano Baruch, nenhum outro país, além dos Estados Unidos, deveria desenvolver armas atômicas. O congelamento sugerido foi rejeitado com vigor pelos soviéticos.
Mas a citação de Reed nesta coluna se deve a uma frase profética do posfácio que acrescentou à edição original de Insanity fair. Reed conta que, ao visitar a então Tchecoslováquia, pouco antes do Tratado de Munique, se deu conta de que os seus soldados estavam mobilizados na fronteira, contra a prevista invasão do território pelos alemães — e contavam com a Inglaterra, mais do que com a França, para resistir. Enquanto isso, diz Reed, os ingleses abandonavam os tchecos. Naquele momento, deduziu o escritor, o mais poderoso império da História — o britânico — entrava em sua inexorável fase de declínio. Reed registra, na frase inquietante, a sensação de que o desastre era desejado, ao dirigir-se a seus compatriotas: “E até onde eu posso entender vocês, parece desejarem que isso ocorra”.
Advertiu que, ao apoderar-se de países vulneráveis, mas senhores de matérias primas, de energia, de mão de obra e de soldados, a Alemanha se faria inexpugnável, invulnerável e invencível, e dominaria toda a Europa — o que viria a ocorrer fora das Ilhas, até a virada em Stalingrado.
Outras são as circunstâncias de nosso tempo, mas a Insanity fair parece a mesma. Se a Palestina é muitíssimo mais indefesa do que era a Tchecoslováquia de Benes e Hocha, o Irã é sempre a Pérsia. Ao não reagir contra as perspectivas de um conflito, os europeus de hoje, como os ingleses de Eden e Chamberlain, parecem desejá-lo. Talvez suponham que possam associar-se aos norte-americanos no governo do mundo. Mas o tempo de Baruch passou. Hoje, se os Estados Unidos, a Grã-Bretanha, a França — e até Israel — dispõem de armas nucleares, a Rússia, a Ucrânia, a China, o Paquistão e a Índia também as têm.
Os arsenais do Pentágono dispõem de armas para destruir o mundo, mas não de recursos humanos e bélicos para a conquista e domínio do planeta. É bom, no entanto, anotar uma das profecias de Reed, ao analisar o Plano Baruch, e associá-lo ao sionismo. Segundo Reed, haveria uma Terceira Guerra Mundial, com a criação de um governo planetário, a ser imposto e exercido pelos sionistas. É uma profecia perversa e, como podemos supor, improvável. Primeiro, porque surgem em Israel e nos Estados Unidos vozes de bom-senso, que advertem contra esses arquitetos do apocalipse.
Quando Meir Dagan, ex-dirigente do Mossad — a agência de espionagem e contra-espionagem de Israel, mais eficiente do que a CIA — diz, em palestra na Universidade de Tel-Aviv, que um ataque ao Irã é “uma ideia estúpida”. Dagan advertiu que qualquer iniciativa militar contra Teerã conduzirá a uma guerra regional, com gravíssimas consequências para todos. É sinal de que alguma coisa muda em Israel. Mas não apenas em Israel.
Nos Estados Unidos, alguns chefes militares também tentam convencer o presidente Obama — a cada dia mais servidor dos belicistas do Pentágono — de que um ataque ao Irã poderá levar a uma nova guerra mundial, e de resultados imprevisíveis.
Em artigo publicado pelo New York Times de 14 deste mês, o general John.H.Johns deixa bem claro o perigo, ao afirmar que um ataque ao Irã seria repetir a aventura do Iraque, com mais dificuldades ainda, e que o país dispõe de meios militares para rechaçar qualquer ataque. Opinião semelhante é a do general Anthony Zinni, outro respeitado chefe militar. Como sempre ocorre, ele e Johns são hoje oficiais reformados.
Informa-se também que chefes militares da ativa estiveram recentemente com Obama, a fim de demovê-lo de apoiar qualquer iniciativa bélica de Israel contra o Irã. Obama balançou os ombros.
A principal mudança, no entanto, é a tomada de consciência de grande parte dos cidadãos dos Estados Unidos e de Israel de que o inimigo não está fora de suas fronteiras, mas dentro delas. As desigualdades sociais e a angústia em que vivem, em estado de guerra permanente, levam o povo às ruas. Em Israel, cerca de 500 mil pessoas foram às ruas contra o desemprego, a corrupção e o enriquecimento de poucos, diante das crescentes dificuldades da maioria. Os protestos nos Estados Unidos aumentam, apesar da repressão violenta.
E é nesse quadro geral que os Estados Unidos buscam uma aproximação maior com a Argentina, com o propósito bem claro de reavivar a antiga desconfiança entre aquele país e o Brasil. Não é a primeira vez, embora esperemos que seja a última, em que Washington atua em busca da cizânia entre os dois maiores países da América do Sul. Não parece provável que obtenham êxito. Nos últimos anos, argentinos e brasileiros começaram a entender que estão destinados a viver em paz, e unidos na defesa de seus interesses comuns, que são os do continente.
Leia Mais ►

Tiroteio


"Se o preso fosse um aliado do governo Dilma, Agripino estaria esbravejando. Mas, como se trata de seu suplente, clama pela inocência do suspeito."
Da deputada Fátima Bezerra (PT-RN), recomendando ao senador José Agripino (DEMo), cujo suplente foi preso na operação Sinal Fechado, que não se antecipe à Justiça na condenação de agentes públicos acusados de ilícitos.
Q.I. Quem viu de perto a articulação que colocou o tucano João Faustino, preso na operação Sinal Fechado, na suplência do senador José Agripino (DEMo-RN) afirma: José Serra trabalhou intensamente para que isso ocorresse.
Leia Mais ►

Estatísticas

Gosto muito de estatísticas, apesar de ter um receio danado de fazer parte delas em determinadas situações.
Por exemplo: minha morte seria apenas um traço na estatística populacional. E isso é a comprovação de que a minha vida também é. Portanto, prefiro entrar naquelas em que seja revelada alguma coisa boa que eu puder fazer para a humanidade. É a única chance que eu tenho de mudar meu traço na morte e, portanto e também, mudar a minha vida. Estatisticamente, aliás, um bem à humanidade não passa de um traço, seja que bem for esse. Já um mal costuma apresentar cifras elevadas dos “por cento”. Acho que o exemplo mais gritante para ilustrar isso seja o das guerras. Normalmente causadas por uma meia dúzia de pessoas alopradas, onipotentes, quiçá malucas (um traço na estatística), envolvem um grande percentual de humanos e matam um outro grande percentual de gente.
A última estatística (que estarreceu uma pequena parcela de gente) foi a divulgação de dados de levantamento feito por um banco suíço de que 1% da população mundial controla 40% de toda a riqueza produzida no mundo*. Isto sim, é estatística para derrubar qualquer conceito decente de democracia capitalista Ela pode explicar talvez o motivo (pelo menos o maior de todos) das mazelas do mundo, já que somos movidos pelo dinheiro. E olhem que os suíços entendem muito de números, não só pela precisão dos relógios que os deixaram famosos como também por guardaram carinhosamente uma boa parcela do dinheiro dos ricos do mundo em seus bancos chamados de paraísos.
Outra estatística ruim de se fazer parte é a da maioria do eleitorado. A história da nossa jovem, mas capenga democracia mostra que aqueles que venceram sempre corresponderam à maioria dos  votos que receberam mas não corresponderam à maioria dos desejos de quem os elegeu. Todos governaram e legislaram mais em causa própria e para quem os financiou as campanhas do que qualquer outra coisa. Um percentual baixíssimo de privilegiados e ricos. Basta voltar à estatística dos suíços para confirmarmos esta afirmativa.
________________________________________________________________
*
- 231 trilhões de dólares é a estimada riqueza existente no mundo 
- Apenas 37 milhões de pessoas tem juntas 89 trilhões de dólares 
- Sobram 142 trilhões para serem divididos por 6 bilhões e 900 milhões de pessoas
- Se parassem tudo agora como está e resolvessem dividir o bolo igualmente com o resto da população, sobrariam 21 mil dólares para cada um. O preço aproximado de um carro popular.
No Uai, Mundo? O blog do Cacá
Leia Mais ►

Divisão do Pará é rejeitada por mais de 60%, diz Datafolha

Duas semanas após o início da propaganda do plebiscito em TV e rádio, a maioria dos eleitores do Pará continua rejeitando a divisão do Estado.
De acordo com pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira, 62% dos eleitores paraenses são contra a divisão do Pará para a criação do Estado do Carajás e 61% são contra a criação do Estado do Tapajós.
A pesquisa foi encomendada em uma parceria entre Folha, TV Liberal e TV Tapajós (afiliadas da Rede Globo no Pará).
Em relação à pesquisa anterior, divulgada no último dia 11, houve um pequeno aumento da rejeição aos novos Estados.
A oscilação, porém, está dentro da margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos.
Foram entrevistados 1.015 eleitores entre os dias 21 e 24 de novembro. A pesquisa foi registrada no TSE com o número 50.287/2011.
A propaganda do plebiscito na TV e no rádio ainda não foi capaz de causar alterações significativas nas intenções de voto dos eleitores paraenses.
Em 11 de dezembro, eles irão às urnas decidir se querem que o Pará se separe e dê origem a mais outros dois Estados: Carajás (sudeste) e Tapajós (oeste).
Na região do chamado Pará remanescente, que ficaria inalterado com a divisão, está a maior resistência aos novos Estados. 85% são contra o Carajás e 84% são contra o Tapajós.
Entre os eleitores do Carajás, 16% são contra o novo Estado. No Tapajós, 24% são contrários. 
Aguirre Talento
No FAlha
Leia Mais ►