18 de nov de 2011

Os Belos e Belo Monte

Pois estimados leitores cá estamos, dependendo de onde estamos. Se estivermos em São Paulo, por exemplo, podemos aproveitar das maravilhas da Balada Literária, a criação do Marcelino Freire para mostrar que evento de literatura pode, sim, pode, ser muito legal, ter altíssima qualidade, e, ora vejam, ser grátis. Basta querer que todo mundo que queira entrar entre, não é mesmo?
O ator Sergio Marone produziu e
escreveu o roteiro do vídeo contra a
construção de Belo Monte
E entre um momento e outro da Balada cá estava eu, ciscando no Tuiti e pronto, fui atingido por um vídeo gravado por muitos atores globais baixando o cacete na hidrelétrica de Belo Monte, garantindo que ela é o mal sobre a Terra, o exu, o capeta, o diabo em sua versão mais úmida, e eu me pergunto, como eles sabem de tudo isso? E mais, por que o vídeo deles é igual a um americano, dirigido pelo Spielberg para fazer os americanos tirarem a bunda do sofazão e irem votar?
Por que atores globais fizeram um vídeo contra? Eu não tenho nada contra atores globais, fora o sotaque e a mania de fazerem teatro comercial, mas não tenho nada a favor. Pra mim, são tão ignorantes em assuntos de represas no Pará como quase todo mundo com quem eu falei antes de escrever essa coluna, se bem que, admitamos, muito mais fotogênicos. Mas, mesmo sendo pra lá de mais bonitos e reconhecíveis do que eu ou o senhor aqui ao lado, eles falam tanta besteira quanto qualquer um, e isso me irrita. Energia eólica é mais limpa? Alguém já viu um parque eólico, que por demandar vento costuma ficar no litoral, onde também ficam as praias? Importante, necessário, talvez melhor, mas, limpo? Defina limpeza aí, seu global, porque eu talvez ache uma represa cheia de água no meio de uma floresta cheia de água algo mais natural do que cataventos altíssimos transformando por completo uma paisagem que antes era perfeita. Solar? Estimado espécime global, sua senhoria faz idéia da área necessária para produzir 100 megawatts de energia solar? Eu sei, e é um monte de área, que não vai servir para mais nada, montes de recursos, dinheiro pra caramba, e ainda temos os enormes custos de manutenção. Belo Monte são 11 mil megawatts, senhor ou senhora global. Faça as contas antes de vir ler texto dado por sei lá quem, e talvez eu realmente leve a sério o que dizem, o que o senhor ou senhora talvez mereçam, desde que trabalhem para isso.
Os bonitinhos dizem que Belo Monte vai criar um baita lago e afogar a floresta. Eu, feinho, fui estudar. O lago da represa vai ocupar uma área de 516 km2, me informa o Google. O mesmo Google me diz que o estado do Pará possui uma área de 1.247.689,515 km2. O que deve querer dizer que o lago a ser formado vai ocupar uma área equivalente a 1/2400 da área do estado do Pará, que por sua vez é um estado com 7 milhões de habitantes, com dois milhões deles morando em Belém e todos participando do Círio de Nazaré, pelo que vejo. Ou seja, uma represa vai alagar uma área de 1/2400, ou nada por cento, de um estado basicamente vazio e isso se torna um problema por que mesmo? Não dêem texto, provem. Do jeito que vocês falam, encenando, eu não tomo como sério o que é dito. A moça vem e diz "24 bilhões" e soa como o Dr. Evil falando "One billion dollars" com o dedinho na boca. Dona, diga aí qual é o PIB brasileiro em 2010, e quantos por cento do nosso PIB, a nossa riqueza nacional, a hidrelétrica vai custar, diluída por 50 anos? Vosmecê sabe? Ó aqui a minha boquinha enquanto ela diz, assim: D-U-V-I-D-O.
Leitores, me irrita, e muito, essa tentativa de fazer a minha cabeça por processos tão rudimentares. Se querem, mandem coisa melhor e terão toda a minha atenção. Isso aí é manipulação tola, boba, mesmo que muito bem intencionada. Isso tem cara de ONG que consegue apoio de um publicitário bonzinho e muita gente bacana e vamos lá, salvar as baleias do Xingu. Pois me irrita pra caramba, pelo desrespeito para comigo, que vivo no mundo real, não dos comerciais sejam eles do governo ou de ONGs. Eu não sou uma baleia, acho.
Eu vivo em uma sociedade industrial, que pode abrir mão de muitas coisas e do bom senso quase o tempo inteiro, mas não resiste a umas poucas horas sem energia. Vira gelo, sem gelo pro uísque. Vira fogo sem ar condicionado para resolver a vida na fornalha. Vira uma luta pelo pedaço de pão mais próximo, vira a impossibilidade de chegar até a nossa casa. Podemos ficar sem quase tudo, e eu poderia ficar muito bem sem axé, o Malafaia e a lasanha congelada, mas não podemos ficar sem energia. Podemos e devemos economizar energia. Podemos e devemos desenvolver energias renováveis, e o faremos. Podemos e devemos esquecer a maluquice de construir Angras 3, 4 o escambau, mas não o faremos. Angra 3 ou 4 são muito, muito piores do que qualquer Belo Monte e certamente piores do que Fukushima, especialmente se ficarem no Rio, que, digamos, não é o Japão.
Mas para chegarmos até as novas energias, precisamos de energia da que se produz agora e o resto é, infelizmente, poesia. Não a qualquer custo, mas a custos que valha a pena pagar. E essa avaliação tem que ser muito, mas muito racional e justa do que eu vejo nos youtubes que vêm e vão.
Se vamos escapar do fogo ou do gelo, é pela inteligência, como sempre foi e será. E desse debate, por tudo que eu vi, ela está longe, muito longe, muito mais longe do que o Pará, e muito menos inteligente do que precisa ser para ser.
Marcelo Carneiro da Cunha é escritor e jornalista. Escreveu o argumento do curta-metragem "O Branco", premiado em Berlim e outros importantes festivais. Entre outros, publicou o livro de contos "Simples" e o romance "O Nosso Juiz", pela editora Record. Acaba de escrever o romance "Depois do Sexo", que foi publicado em junho pela Record. Dois longas-metragens estão sendo produzidos a partir de seus romances "Insônia" e "Antes que o Mundo Acabe", publicados pela editora Projeto.
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Segmento de publicidade e promoção fatura R$ 9,5 bilhões em 2009

As empresas de publicidade e promoção faturaram cerca de R$ 9,5 bilhões em 2009, sendo que cerca de R$ 5 bilhões (52,6%) foram provenientes das agências de publicidade, mesmo havendo uma preponderância das agências de promoção de eventos (39,4%) no total de empresas do setor.
Estes dados estão na Pesquisa de Serviços de Publicidade e Promoção (PSPP) 2009, que apontou, ainda, a participação majoritária no setor das empresas que tinham entre 11 e 19 empregados (30,6%) e a maior representatividade daquelas com 100 ou mais empregados na receita bruta de serviços (36,8%).
Por serem bastante representativas, a publicação buscou retratar também as especificidades das agências de publicidade, que, além da participação significativa na geração de receita, empregaram mais de 21 mil pessoas em 2009. As mais representativas tinham entre 10 e 19 anos de operação (36,4% do total de agências) e até 19 pessoas ocupadas (51,6%). Apenas 13,7% da receita das agências (R$ 680 milhões) era proveniente do setor público (governos e empresas estatais) e 83,9%, do setor privado (R$ 4,2 bilhões), especialmente da indústria, que empregou R$ 1,5 bilhão em campanhas publicitárias em 2009.
A PSPP 2009, foi feita em parceria com a Associação Brasileira de Agências Publicidade (ABAP), traz informações sobre os principais produtos e serviços oferecidos por 1.642 empresas prestadoras de serviços de publicidade e promoção com dez ou mais pessoas ocupadas.
Três produtos geram 45% da receita do setor de publicidade e promoção
As empresas de publicidade e promoção com dez ou mais pessoas ocupadas geraram uma receita bruta de R$ 9,460 bilhões em 2009. Os três principais produtos e serviços responderam por 44,9% deste total (R$ 4,245 bilhões), sendo que comissão, fee (pagamento) ou bonificação sobre veiculação de publicidade na televisão foi responsável por 19,2% (R$ 1,814 bilhão); organização, produção e promoção de eventos participou com 18,2% (R$ 1,721 bilhão); e promoção de vendas, publicidade no ponto de venda e demonstração de produto, com 7,5% (R$ 709,8 milhões).
Empresas de promoção de eventos são mais numerosas, mas agências de publicidade faturam mais
As empresas com 11 a 19 pessoas ocupadas predominaram no setor de publicidade e promoção, respondendo por 30,6% do total, seguidas por aquelas com até 10 empregados (20,1%). As empresas que possuíam entre 20 e 29 trabalhadores representavam 19,0% do total.
As organizações com 100 ou mais pessoas ocupadas responderam por 36,8% do total da receita bruta de serviços gerada pelo setor de publicidade, seguidas por aquelas com 50 a 99 empregados (18,1%). As de menor porte, com até 29 pessoas ocupadas eram menos expressivas, totalizando 31,1% conjuntamente.
Quanto aos tipos de empresas, havia maior proporção das agências de promoção de eventos, representando 39,4% do total. As agências de publicidade responderam por 38,1%, e as agências de promoção de vendas e fufillment (panfletagem, entrega de brindes etc.), por 9,8%. A participação na composição da receita bruta indica predominância das agências de publicidade, que, com um faturamento de R$ 4, 974 bilhões, representaram 52,6% do total da receita.
Setor de publicidade e promoção gerou 70 mil postos de trabalho em 2009
As empresas de serviços de publicidade e promoção geraram um total de 70.303 postos de trabalho em 2009, sendo 59.549 (84,7%) de assalariados; 3.354 (4,8%) de pessoal fixo sem vínculo empregatício; e 7.400 (10,5%) de não assalariados, incluindo proprietários ou sócios com atividade na empresa e membros da família sem remuneração.
As agências de promoção de eventos foram as principais empregadoras (33,9% do total de postos de trabalho), seguidas das agências de publicidade (30,6%) e das agências de promoção de vendas ou fullfilment (24,5%). As agências de promoção de eventos também registram o maior contingente de pessoal fixo sem vínculo empregatício (42,5%) e de pessoal não assalariado (68,0%).
A produtividade (divisão da receita bruta de serviços pelo pessoal ocupado) das agências de publicidade atingiu R$ 231,5 mil, o maior valor do setor, 72,0% superior à média (R$ 134,6 mil). As agências de compra e venda de espaço publicitário também se destacaram, com uma produtividade de R$ 217,2 mil.
Agências de publicidade respondem por metade da receita bruta do setor
A pesquisa identificou 626 agências de publicidade, que registraram uma receita bruta de R$ 4,974 bilhões. Os produtos e serviços que predominaram foram a bonificação sobre veiculação de publicidade, com uma receita de R$ 3,231 bilhões (65,0% do total), seguida pelos serviços de produção próprios ou comissão de serviços contratados de terceiros, com 15,3%.
Os serviços de produção próprios ou comissão de serviços contratados de terceiros são secundários e complementam os principais. Abrangem produção gráfica, promoção de vendas e publicidade no ponto de venda, distribuição ou entrega de material publicitário/serviços de fulfillment, assessoria e consultoria em marketing, serviços de web design, produção de filmes e vídeos publicitários, produção de áudio publicitário, entre outros. Esses serviços totalizaram R$ 762,6 milhões, parcela expressiva da receita das agências de publicidade, especialmente a produção gráfica, com uma receita de R$ 285,8 milhões.
A televisão foi o meio mais representativo na composição da receita de comissão, fee ou bonificação sobre veiculação de publicidade, respondendo por 56,1% desse valor, seguida pela mídia impressa (20,0%), rádio e mídia exterior/equipamentos urbanos, (busdoor, painéis eletrônicos etc.), ambos com 7,0%, internet (5,7%) e outros veículos de comunicação (4,2%).
Mais da metade das agências de publicidade tem até 19 empregados
Entre as agências de publicidade, as consideradas maduras (entre 9 e 10 anos de operação) foram as mais representativas, somando 228 empresas (36,4% do total de agências ). As novas (de 2 a 9 anos de operação), 223 empresas, totalizaram 35,6%, e as tradicionais (20 anos ou mais de operação), 25,6%. As empresas recém-instaladas (com até 1 ano de operação) apresentaram uma participação de 2,4%.
Quanto à receita bruta, as agências tradicionais preponderaram, com um valor de R$ 1,893 bilhão (38,0% do total das agências de publicidade ou do setor como um todo?), seguidas das novas, com receita de R$ 1,634 bilhão (32,9%). As agências maduras faturaram R$ 1,403 bilhão (28,2%).
A pesquisa detectou uma concentração de agências de publicidade com até 19 pessoas ocupadas (51,6%). Porém, as empresas com 100 ou mais pessoas ocupadas prevaleceram na geração de receita bruta (48,7% do valor gerado pelas agências).
84% da receita das campanhas publicitárias vêm setor privado
As agências publicitárias obtiveram 83,9% de suas receitas com campanhas para o setor privado (R$ 4,178 bilhões), sendo 56,5% para empresas nacionais (R$ 2,814 bilhões) e 27,4% para multinacionais (R$ 1,363 bilhões). As campanhas de governos, incluindo empresas estatais, representaram 13,7% (R$ 680 milhões), e as campanhas de publicidade legal e campanhas políticas representaram 2,4% (R$ 116 milhões).
Observou-se que, conforme aumenta a faixa de idade das empresas, os valores com campanhas voltadas para as empresas nacionais tendem a ser menores, ao passo que a receita com campanhas voltadas para as multinacionais aumentam. Enquanto as agências recém-instaladas obtiveram 86,7% das receitas com campanhas voltadas para as empresas brasileiras, nas tradicionais esse percentual foi de 54,0%. Por outro lado, 23,8% do faturamento das primeiras e 29,8% das receitas das segundas vieram de campanhas para empresas multinacionais.
Em todas as situações, seja por grupos de idade ou por características operacionais, as campanhas de governos (inclusive empresas estatais) não ultrapassaram 15,0% das receitas.
Indústria empregou quase R$ 1,5 bilhão em campanhas publicitárias
Os serviços prestados pelas agências de publicidade foram direcionados de forma majoritária para a indústria, que respondeu por 32,7% da receita (R$ 1,480 bilhão), seguida do comércio varejista, com 16,1% (R$ 727 milhões), e de governos (exceto empresas estatais), com 13,0% (R$ 590 milhões). Os serviços financeiros (R$ 442 milhões) e de telecomunicações (R$ 399 milhões) responderam por 9,8% e 8,8%, respectivamente.
No IBGE
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Nunca traia um amigo

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Quando algemas não são só para negros, pobres...

O Conversa Afiada reproduz e-mail e galeria enviadas pelo jornalista Luiz Claudio Cunha:
A propósito de algemas, olha que fantástica galeria de ilustres algemados mundo afora.
E termina com as frases dos nossos indulgentes ministros do STF e do teu ídolo Daniel Dantas, rindo disso tudo.
Sem algemas.   
Divirta-se.  
Abs, LCC
Raj Rajaratnam, fundador do Galleon Group, ganhou ilicitamente 36 milhões de dólares na venda e compra de ações usando informação privilegiada. (EUA). ALGEMADO !
O juiz Denny Chin, do Tribunal de Manhattan, decretou a prisão imediata do investidor Bernard Madoff (foto) até a divulgação da sentença, em 16 de junho. Se confirmada a sentença, Madoff pode pegar até 150 anos de prisão (a penalidade máxima para o caso) por uma colossal fraude de US$ 50 bilhões. ALGEMADO!
Robert Rizzo, uma espécie de gerente administrativo da cidade que, com ganhos duas vezes maiores que o do presidente Barack Obama, foi o pivô de um caso de corrupção na cidade de Bell, Califórnia. ALGEMADO!
Scott Sullivan, ex-chefe-financeiro da WorldCom, 47 anos, foi condenado a cinco anos de prisão após ser considerado mentor da fraude contábil de US$ 11 bilhões na empresa (EUA). ALGEMADO!
Kenneth Lay  envolvido numa das maiores fraudes financeiras da história dos Estados Unidos, na qual se criou sociedades financeiras que serviram para a Enron dissimular a magnitude de suas perdas e fazer o mercado financeiro acreditar que o grupo estava financeiramente saudável. ALGEMADO!
Andrew Fastow, comparsa de Kenneth Lay, considerado o cérebro de uma das maiores fraudes financeiras da história dos Estados Unidos, foi sentenciado nesta terça-feira a seis anos de prisão, quatro a menos que o máximo permitido, depois de se declarar culpado em um acordo feito com a promotoria. ALGEMADO!
Jeffrey Skilling  é comparsa de Andrew Fastow e Kenneth Lay nas fraudes financeiras. (EUA). ALGEMADO !
O congressista Keith Ellison é preso depois de cruzar uma linha de policiais em protestos diante da embaixada do Sudão (EUA). ALGEMADO!
Karl Rove, um dos principais assessores políticos do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, envolvido com a revelação do nome de uma agente secreta americana. ALGEMADO! Os assessores daqui não…
Michael Jackson. ALGEMADO!
Paris Hilton. ALGEMADA!
Russel Crowe. ALGEMADO!
O. J. Simpson. ALGEMADO! (e depois absolvido…)
O ator Quaid e sua esposa foram acusado por Rancho San Ysidro, dono de um hotel em Santa Bárbara (EUA), de não terem pago 10.000 dólares em contas de hotel. ALGEMADOS!
Até os velhinhos… ALGEMADOS!
Adolescentes? ALGEMADOS! Os daqui o estatuto da ECA não permite…pode causar trauma nos pequeninos…
Mickey Mouse, ALGEMADO!
Homem Aranha, ALGEMADO!
Ah, não… Peter Pam? ALGEMADO!
Um dos três porquinhos, coitado! ALGEMADO! O porquinho daqui não…
A justiça de Taiwan condenou o ex-presidente Chen Shui-bian à prisão perpétua. O ex-líder foi declarado culpado por corrupção e – porca miséria! – foi  ALGEMADO! O daqui , mesmo roubando o crucifixo não… E no Brasil, hein?

“A Corte jamais validou esta prática, que viola a presunção da inocência e o princípio da dignidade humana”. Gilmar Mendes
“[O uso de algemas] é uma prática aviltante que pode chegar a equivaler à tortura, por violar a integridade física e psíquica do réu”. Eros Grau
“O que se provoca [com as algemas] é um estado de exacerbação, um agravo no estado de privação da liberdade de locomoção. As algemas, quando usadas desnecessariamente, se tornam expressão de descomedimento por parte das autoridades e caracterizam abuso de poder”. Carlos Ayres Brito

“É hora de este Supremo Tribunal Federal (…) inibir uma série de abusos notados, tornando clara até mesmo a concretude da lei reguladora do abuso de autoridade”.Marco Aurélio

“A prisão há de ser pública, mas não há de se constituir em espetáculo. Menos ainda, espetáculo difamante e degradante para o preso, seja ele quem for. Menos ainda, se haverá de admitir que a mostra das algemas, como símbolo público e emocional de humilhação de alguém, possa ser transformado em circo de horrores numa sociedade que quer sangue, porque cansada de ver sangrar. Não é com mais violência que se cura violência. Não é com mais degradação que se chegará a honorabilidade social.” Carmem Lúcia
CONCLUSÃO: o Estado Democrático e de Direito vale apenas para a PLUTOCRACIA.
VAMOS RIR….
VAMOS GARGALHAR …
PARA REFLEXÕES!
No mundo inteiro as ALGEMAS são usadas de forma INDISCRIMINADA. Ou seja, não há discriminação de cor, classe social, credo, sexo, faixa etária, nacionalidade, profissão, etc. Mas aqui….
MAIS UMA NA LISTA DOS ALGEMADOS LÁ DE FORA, FOI A ATRIZ DERYL HANNAH, CONFORME ESTE LINK:
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Ações destemidas da Guarda Civil de São Paulo

Nova reportagem do SBT Brasil mostra imagens de guardas civis de São Paulo agredindo vendedores ambulantes.
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Solidariedade Esquerdopática

Valdir Fiorini, o solidário
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Uma questão de confiança

O senador Pedro Taques (PDT), ao falar ontem, durante o depoimento do Ministro Carlos Lupi, foi ao ponto, ao separar, no exame dos fatos, o problema jurídico do problema político. O Senado não é órgão policial; não lhe cabe saber se as leis penais foram, ou não, violadas pelos servidores públicos, entre eles os ministros de Estado. Desse cuidado se encarregam os órgãos próprios, como a CGU e a Polícia Federal. O Senado é instituição política e deve zelar pelo cumprimento do contrato social de que a Constituição é a ata, para lembrar a curta definição de Frei Caneca.
A partir dessa premissa, Taques, que é um homem novo na política e no Senado, mas servidor público curtido no combate ao crime, como membro do Ministério Público Federal, recomendou a seu partido que deixe de integrar o poder executivo federal. O Senador Christovam Buarque, seu colega de legenda, acompanhou-o nesse raciocínio. Ambos, como recomenda a boa norma, não fizeram o julgamento moral de Lupi, ao contrário: ponderaram que mantêm, até o momento, sua confiança no Ministro.
Ao adotarem a postura prévia de separar uma coisa, a ação política, da outra, a denúncia sem provas concretas, de atos criminosos atribuídos a Lupi, os dois parlamentares impuseram regras éticas e lógicas ao debate.
Sentiu, o Senador Taques, que a permanência de Lupi no Ministério, por mais méritos tenha o político fluminense, enfraquece o governo. A conclusão do Senador Christovam Buarque, que falou em seguida, é a mesma. Há, na atitude dos dois senadores, à parte a natural preocupação ética, boa sabedoria política. Se o partido insiste no apoio incondicional a Lupi, responsabiliza-se pela possível negligência do Ministro em viajar em aeronaves cedidas por A ou B, e, mais ainda, em fazê-lo na companhia de donos de ONGs, como o Sr. Adair Meira é identificado pela imprensa. Se o dirigente da Pró-Cerrado foi o responsável ou não pelo aluguel da aeronave, pouco importa. Ministro de Estado, em missão oficial, viaja em aviões de propriedade pública ou com aluguel pago pelo Erário. Ao não ter em mãos os documentos de apoio a suas explicações, o Ministro pode ter sido inocente, mas lhe faltou vigilância sobre a equipe responsável pelos aspectos logísticos da agenda e das viagens.
Se a direção nacional do PDT acompanhar a sugestão dos dois senadores – personalidades da mais alta responsabilidade no partido que Brizola fundou -, o Ministro, que se vem defendendo das acusações com firmeza, estará autorizado a deixar o cargo, sem qualquer desgaste moral, em obediência ao partido que o indicou; se não quiser exonerar-se, convencido de que essa é a melhor atitude, e contar com o assentimento da Chefe de Governo, terá que deixar o partido, dentro das regras costumeiras da política. O melhor, para ele e para o partido, será acatar a sugestão: o partido renuncia à sua participação no poder executivo e o Ministro, disciplinadamente, deixa o governo para cuidar de sua defesa nas instâncias próprias.
Não se pode, no entanto, desprezar a advertência do Senador Inácio Arruda (PCdoB), a de que as acusações não visam a atingir particularmente o Sr. Lupi, mas, sim, a desgastar a autoridade da presidente da República. Ao acossar o governo e pedir a demissão de ministros, o propósito da oposição é o de levar à opinião pública uma imagem da Presidente como hesitante e cercada de corruptos, alguns mais e outros mais ou menos. Daí o conselho de Arruda, a nosso ver equivocado, de que Lupi deve resistir em seu cargo. A sua permanência, ao contrário da percepção do senador pelo Ceará, concorrerá mais para as críticas à Presidente, do que a sua saída. A exoneração, a pedido ou não, dos outros ministros, não debilitou o governo; fortaleceu-o. Não consta que a troca de ministros tenha reduzido o apoio parlamentar ao Planalto.
Aparentemente nada a ver, mas como vivemos em mundo a cada dia menor, vale lembrar uma frase do jornalista grego Takis Theodoropoulos, publicado por Le Monde na edição de 12 deste mês, a propósito da grave situação de seu país:
“O sentimento de injustiça, fundado sobre a imunidade da classe política e de sua clientela privilegiada, reforçado por uma magistratura preguiçosa, quase sempre corrompida e perdida no labirinto de uma produção inflacionária de leis e de decretos, ameaça o contrato social, já corroído pelo empobrecimento violento da classe média”.
A descrição é dramática, e muito próxima da realidade brasileira, da que estamos nos distanciando – a partir da eleição de Lula e de nossos esforços – a fim de nos livrarmos do neoliberalismo.
Recorde-se que a Constituição de 1988 foi a mais democrática da nossa história, mas com ambigüidades que a tornaram vulnerável à ação depredadora do governo de Fernando Henrique com suas emendas adquiridas – e o verbo é esse mesmo – de um Congresso que, não obstante o testemunho da resistência de uma minoria, já não representava a sociedade, mas, sim, as grandes corporações econômicas e financeiras. Assim, ele conseguiu romper o compromisso republicano da não reeleição dos presidentes em exercício e, mediante a mudança do conceito de empresa nacional, entregou aos estrangeiros setores estratégicos da economia brasileira.
Não se atribua hesitação à Presidente: ela não pode, é evidente, governar em obediência aos jornais e revistas. Mas, tal como faziam – e continuam fazendo – os governantes responsáveis, não pode deixar de saber o que diz a imprensa, e de buscar explicações. Não as tendo, atua em conseqüência. A cada mudança de ministro, ao contrário do que possam esperar seus adversários, fortalece-se o governo e, com ele, a figura da Presidente da República. Queira ou não queira a oposição.
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A natureza da crise atual

O pensamento conservador pensa a sociedade como um sistema governado por tendências ao equilíbrio, em que as crises são apenas desvios temporários. Para o próprio Marx, as crises são inerentes ao capitalismo, como resultado das suas contradições intrínsecas entre produção e consumo, entre produção social e apropriação privada. Mais tarde, o economista russo Kondratrieff classificou as crises cíclicas do capitalismo em ciclos longos de caráter expansivo e recessivo.
Há um certo consenso no pensamento crítico de que ao longo ciclo expansivo do segundo pós-guerra aos anos 70 do século passado, se sucede um ciclo recessivo do capitalismo em escala mundial, em que estamos imersos até hoje. Isto se deve a que a desregulamentação promovida pelo neoliberalismo produziu uma gigantesca transferência de capitais do setor produtivo ao financeiro – sob a forma especulativa -, porque o capitalismo não está feito para produzir e sim para acumular. Se os capitais encontram melhores conduções de ganho na especulação – como passou a acontecer – se transferem e se concentram maciçamente aí.
A hegemonia do capital financeiro, por sua vez, representa um freio à expansão da produção, ao mesmo tempo que agudiza a contradição entre a produção e o consumo. O capital financeiro, ao viver da compra e venda de papeis, não tem interesses na extensão do mercado popular de consumo, nem na geração de empregos. Tem assim dificuldades de gerar suas próprias bases sociais de apoio, salvo setores mais restritos da classe média alta. Daí também seu esgotamento relativamente prematuro, ao desembocar em derrotas políticas.
Porém, as próprias transformações operadas pelo neoliberalismo dificultam a construção de alternativas a ele – seja por sua auto-reforma, seja pela sua superação. A desregulamentação econômica, a hegemonia dos mecanismos anárquicos de mercado, o enfraquecimento dos Estados nacionais, a fragmentação social – tudo gera situações de crises hegemônicas, em que o velho – o neoliberalismo – sobrevive, a preços cada vez mais caros, enquanto as vias da sua superação encontram dificuldades para se impor.
O maior drama do nosso tempo vem de que, enquanto o capitalismo exibe abertamente seus limites e contradições, escancara, na crise atual, sua impotência para solucionar os próprios problemas gerados por ele, o socialismo e os fatores para sua construção também sofreram vários retrocessos, com a desmoralização do socialismo, das economias planificadas, do Estado, da politica, dos partidos, das soluções coletivas aos problemas da sociedade. Abriu-se assim um longo período de crise hegemônica, de disputa pelas alternativas ao neoliberalismo, que não deve ter solução em prazos curtos, enquanto o próprio sistema atual não consiga gerar alternativas para sua recomposição – sempre mais conservadora – e não se consiga ainda recompor as forcas sociais, políticas e ideológicas que possam dirigir uma superação do neoliberalismo e do capitalismo. Um longo período de turbulências e instabilidades, em que as crises serão mais regra do que exceção.
A essa instabilidade econômica haveria que agregar a instabilidade geopolítica mundial, produto do enfraquecimento da hegemonia global norteamericana, sem que surjam ainda no horizonte forças que possam deslocá-lo desse lugar e substituí-lo, numa dinâmica de construção de um mundo multipolar.
A crise surgida em 2008 não é uma crise cíclica tradicional do capitalismo, da qual ele costuma emergir queimando estoques, empregos, com grandes retrocessos, em que o mercado depurava as empresas mais frágeis e se retomava o ciclo expansivo, a partir de um nível mais baixo. A discussão sobre a forma da crise iniciada naquele momento – se em formado de V ou de W – vai se revelando claramente a favor deste ultimo, com perspectivas de sucessivas e reiteradas recaídas, como esta, de 2011.
No primeiro momento, a crise – que significativamente apareceu no setor financeiro, mediante créditos fictícios, que finalmente explodiram e deram início a um processo recessivo do conjunto das economias do centro do capitalismo – foi combatida com a recomposição do setor financeiro, privilegiado nos apoios governamentais. Os governos salvaram os bancos, acreditando que os bancos salvariam os países. Os bancos se salvaram a si mesmos e deixaram os países abandonados à anarquia dos mercados especulativos.
Ha’ quem diga que seria a crise final do capitalismo. Giovanni Arrighi caracteriza a predominância do capital financeiro como uma marca do final de um sistema hegemônico – característica fortemente presente no estágio atual de crise do sistema capitalista. Immanuel Wallerstein se arriscou a predizer que o capitalismo deve terminar em 50 anos. Mas como o capitalismo nao é apenas um sistema econômico, mas também um sistema de poder – representado pelo imperialismo como poder hegemônico no mundo -, ele não se auto-destroi, não terminará se não for derrubado, não apenas por um projeto alternativo, mas pelas forças que este projeto consiga gerar, as previsões sobre o futuro do capitalismo – e da humanidade – dependem das lutas sociais, politicas e ideológicas e da capacidade de se gestar, nestas, as alternativas concretas ao capitalismo.
O neoliberalismo pode chegar a ser substituído – até por alternativas ainda mais conservadoras – no marco do capitalismo, sobrevivendo, com formas ainda mais reacionárias.
A crise econômica atual vê na Europa a substituição da vontade popular, expressa nas eleições, pela ditadura dos mercados que derrubam governos e elegem seus próprios governantes, destruindo as democracias e os Estados de bem estar social produzidos por décadas de lutas de lutas populares.
A verdadeira natureza da crise é assim uma crise de hegemonia, uma crise de alternativas, que deve ter um caráter prolongado, em meio a um mundo instável econômica e geopoliticamente. A construção de um mundo multipolar e de projetos pós-neoliberais é o objetivo imediato dos que desejam superar este mundo guiado pelas guerras e pelos mercados, que só tem trazido violência e sofrimento para grande parte da humanidade.
Nós, na America Latina, que lutamos pela construção dessas alternativas, sabemos o que significam esses sofrimentos - tivemos ditaduras militares e governos neoliberais – e como sua superação só pode se dar com políticas de paz e de negociações políticas dos conflitos, e com políticas econômicas e sociais de desenvolvimento com democratização social.
Emir Sader
No Blog do Emir
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