17 de nov de 2011

Perfil do corrupto

Manifestações públicas em várias cidades exigem o fim do voto secreto no Congresso; o direito de o CNJ investigar e punir juízes; a vigência da Ficha Limpa nas eleições de 2012; e o combate à corrupção na política.
Por que há tanta corrupção no Brasil? Temos leis, sistema judiciário, polícias e mídia atenta. Prevalece, entretanto, a impunidade – a mãe dos corruptos. Você conhece um notório corrupto brasileiro? Foi processado e está na cadeia?
O corrupto não se admite como tal. Esperto, age movido pela ambição de dinheiro. Não é propriamente um ladrão. Antes, trata-se de um requintado chantagista, desses de conversa frouxa, sorriso amável, salamaleques gentis. Anzol sem isca peixe não belisca.
O corrupto não se expõe; extorque. Considera a comissão um direito; a porcentagem, pagamento por serviços; o desvio, forma de apropriar-se do que lhe pertence; o caixa dois, investimento eleitoral. Bobos aqueles que fazem tráfico de influência sem tirar proveito.
Há vários tipos de corruptos. O corrupto oficial se vale da função pública para extrair vantagens a si, à família e aos amigos. Troca a placa do carro, embarca a mulher com passagem custeada pelo erário, usa cartão de crédito debitável no orçamento do Estado, faz gastos e obriga o contribuinte a pagar. Considera natural o superfaturamento, a ausência de licitação, a concorrência com cartas marcadas.
Sua lógica é corrupta: "Se não aproveito, outro sai no lucro em meu lugar". Seu único temor é ser apanhado em flagrante. Não se envergonha de se olhar no espelho, apenas teme ver o nome estampado nos jornais e a cara na TV.
O corrupto não tem escrúpulo em dar ou receber caixas de uísque no Natal, presentes caros de fornecedores ou patrocinar férias de juízes. Afrouxam-no com agrados e, assim, ele relaxa a burocracia que retém as verbas públicas.
Há o corrupto privado. Jamais menciona quantias, tão somente insinua. É o rei da metáfora. Nunca é direto. Fala em circunlóquios, seguro de que o interlocutor sabe ler nas entrelinhas.
O corrupto "franciscano” pratica o toma lá, dá cá. Seu lema: "quem não chora, não mama". Não ostenta riquezas, não viaja ao exterior, faz-se de pobretão para melhor encobrir a maracutaia. É o primeiro a indignar-se quando o assunto é a corrupção.
O corrupto exibido gasta o que não ganha, constrói mansões, enche o pasto de bois, convencido de que puxa-saquismo é amizade e sorriso cúmplice, cegueira.
O corrupto cúmplice assiste ao vídeo da deputada embolsando propina escusa e ainda finge não acreditar no que vê. E a absolve para, mais tarde, ser também absolvido.
O corrupto previdente fica de olho na Copa do Mundo, em 2014, e nas Olimpíadas do Rio, em 2016. Sabe que os jogos Pan-americanos no Rio, em 2007, orçados em R$ 800 milhões, consumiram R$ 4 bilhões.
O corrupto não sorri, agrada; não cumprimenta, estende a mão; não elogia, incensa; não possui valores, apenas saldo bancário. De tal modo se corrompe que nem mais percebe que é um corrupto. Julga-se um negocista bem-sucedido.
Melífluo, o corrupto é cheio de dedos, encosta-se nos honestos para se lhe aproveitar a sombra, trata os subalternos com uma dureza que o faz parecer o mais íntegro dos seres humanos.
Enquanto os corruptos brasileiros não vão para a cadeia, ao menos nós, eleitores, ano que vem podemos impedi-los de serem eleitos para funções públicas.
Frei Betto é escritor e assessor de movimentos sociais, autor do romance "Minas do Ouro” (Rocco), entre outros livros. http://www.freibetto.org - twitter:@freibetto.
No Boca no Trombone
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Estratégia Eleitoral

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Câmara regulamenta profissão de catador e reciclador de papel

A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara aprovou, nesta quinta-feira, projeto que regulamenta a profissão de catador de materiais recicláveis e de reciclador de papel. A proposta segue para sanção da presidente da República.
Segundo o texto, o catador é o profissional autônomo ou associado de cooperativa que cata, seleciona e transporta material reciclável nas vias públicas e nos estabelecimentos públicos ou privados para venda ou uso próprio. E o reciclador é aquele que recicla papel para venda ou uso próprio.
O projeto diz ainda que os profissionais podem atuar de forma autônoma ou integrar-se à cooperativa e trabalhar em casa ou em outro local adequado à atividade, desde que registre-se na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de sua cidade.
O registro será concedido mediante apresentação do documento de identidade, do título de eleitor em dia e dos comprovantes de votação e do certificado de reservista militar.
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Ameaças de morte na greve da Universidade Federal de Rondônia

Mais informações, acompanhe: http://comandodegreveunir.blogspot.com/
Quando achamos que a falta de bom senso e a impunidade chegaram a seu ápice, somos surpreendidos por mais descalabros.
Há pouco mais de 15 dias enviei a algumas pessoas um email (reproduzido aqui) rogando por apoio e buscando dar visibilidade a crise que se instaurou na Universidade Federal de Rondônia (UNIR). Supus, ingenuamente, que aos poucos o Governo brasileiro e as instituições responsáveis (Polícia Federal, Ministério Público, Ministério da Educação, etc.) fossem, de alguma forma, se sensibilizar pelo que tem ocorrido em terras rondonienses. Ledo engano.
Nestes 15 dias nada mudou para melhor. Ao contrário, o pânico se instalou e se intensificou. Prova disso está em dois fatos ocorridos hoje.
Nesta tarde uma aluna de psicologia, membro do comando de greve dos estudantes, foi surpreendida na porta de sua casa por homens encapuzados que lhe [disseram que] em breve ela morreria.
Além disso, um bilhete anônimo foi colocado sob a porta de diversos laboratórios e departamentos com os dizeres:
 “NÃO ADIANTA CANTAR VITÓRIA ANTES DO TEMPO. MUITA ÁGUA AINDA PODE ROLAR… SEGUE ALGUNS NOMES QUE PODEM DESCER NA ENCHENTE DO RIO”
Segue-se uma relação de nomes de alunos e professores (entre os quais, eu).
Aos que não estão acostumados com os jargões amazônicos, a menção a “descer na enchente do rio”, ao qual o bilhete se refere, é uma referência clara ao hábito de se desovar cadáveres nos rios da região.
Peço, portanto, aos colegas, que nos ajudem a dar visibilidade a esses episódios brutais. Os ânimos aqui andam acirrados e alguns alunos e professores têm sido seguidos e/ou ameaçados (alguns, inclusive, têm dormido em casas de amigos ou parentes, com medo do que possa ocorrer). Aos que tiverem contatos em OnGs, entidades acadêmicas ou no Governo, ou mesmo os que queiram manifestar seu apoio publicamente por meio de moções, toda a ajuda é bem-vinda. Por favor, reproduzam esses emails a suas respectivas listas.
Não peço a nenhuma entidade que se manifeste contra ou a favor do movimento grevista, mas a favor da transparência nas investigações e no comprometimento do Governo brasileiro de que a segurança das pessoas que vem sendo ameaçadas seja garantida.
Como sempre, agradeço pela ajuda.
Prof. Estêvão Rafael Fernandes
Chefe do Departamento de C. Sociais
Universidade Federal de Rondônia (UNIR)
Coordenador do Observatório de Direitos Humanos de Rondônia (CENHPRE/UNIR)
Porto Velho, RO, Brasil
No Passa Palavra
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Vereador quer CPI para o I-Ronaldinho

Crianças protestam pelo fim do Instituto Ronaldinho
O líder do PT na Câmara de Porto Alegre iniciou a coleta de assinaturas para abrir a CPI que investigará os convênios do Instituto Ronaldinho Gaúcho com a Secretaria Municipal da Educação.
Conforme Mauro Pinheiro, de 2007 até o início de 2011 a prefeitura repassou em torno de R$ 6 milhões à instituição. De acordo com o vereador, as informações que chegaram à Câmara indicam que existem vários problemas em relação às despesas, como a contratação de empresas terceirizadas, notas sem a descriminação de serviços, compra de equipamentos e refeições. Outro detalhe que intrigou Pinheiro foi o fato de que todos os documentos do Instituto são assinados pelo irmão de Ronaldinho, Roberto Assis Moreira, que ocupa as funções de tesoureiro, presidente do Instituto e dos conselhos fiscal e administrativo. Para encaminhar o pedido de instalação da CPI são necessárias 12 assinaturas. Até o momento o vereador obteve 10 assinaturas.
Essas foram as manifestações em Liderança, na Câmara Municipal de Porto alegre, nesta quarta-feira (16/11):
CPI 
Mauro Pinheiro (PT) afirmou que existem diversos fatos não esclarecidos a respeito dos convênios entre a Prefeitura Municipal e o Instituto Ronaldinho Gaúcho. Acusou a falta de notas fiscais e de outros documentos comprobatórios de despesas. Segundo Pinheiro, o grupo empresarial de Ronaldinho, controlado por seu irmão Assis, é uma entidade mantida por uma família rica e que não precisaria de recursos públicos. Conforme o vereador, é preciso demonstrar “onde foram parar quase R$ 6 milhões” provenientes de organismos do Município e do governo federal. Pinheiro quer criar uma CPI para investigar as suspeitas de malversação do dinheiro público neste caso.
USADO
O vereador Tarciso Flecha negra (PSD) disse que defende Ronaldinho porque ele é usado pelos gestores do Instituto que leva o seu nome, que seriam os verdadeiros beneficiados pelas verbas, no caso delas terem sido objeto de algum desvio. Para Tarciso, é lamentável que esse dinheiro não tenha chegado às verdadeiras obras sociais voltadas para a inserção das crianças pobres em projetos educacionais e de integração. “Se querem usar dinheiro público, não peçam em nome das crianças”, criticou.
RESPONDIDO
João Antônio Dib (PP) falou de sua estranheza com relação às críticas de Mauro Pinheiro (PT). De acordo com ele, todas as palavras de Pinheiro estão em notas taquigráficas que chegarão ao Executivo. Dib observou que já prestou contas do destino reservado aos equipamentos que estiveram sob controle do Instituto Ronaldinho Gaúcho. Ele garantiu que responderá às críticas de Mauro Pinheiro assim que receber o relatório do Executivo.
ROUBALHEIRA
Paulinho Rubem Berta (PPS) disse que é muito difícil explicar a “roubalheira no país” para as comunidades pobres. Ele adverte que, nessas localidades pobres, por onde circula, ouve dezenas de críticas sobre as notícias de corrupção nos organismos federais, as quais são veiculadas pela mídia. “Como explicar que o instituto do Ronaldinho pegou tanto dinheiro e não se sabe para onde foi?”, questionou o vereador. Paulinho indaga: “Quantos livros, uniformes e salas de aula não poderiam ser comprados ou erguidos com o dinheiro público que é desviado por conta da corrupção?”.
CPI I
O vereador Nilo Santos (PTB) discordou do vereador Mauro Pinheiro (PT), que propôs a instalação de uma CPI para apurar irregularidades no Instituto Ronaldinho. De acordo com Nilo, a função de um vereador é cuidar das coisas da cidade. “Temos que nos empenhar com as obras e as necessidades da população”, defendeu o parlamentar. No entanto, Nilo reconheceu que o projeto foi mal feito. “Eles usavam o projeto como laboratório de craques e depois faturavam.” Para o vereador, é preciso deixar que a Policia Federal tome conta do caso. “Tem verba do governo federal; portanto, cabe à Polícia e ao Ministério Público apurar.”
VERBAS
Para o vereador Airto Ferronato (PSB), toda vez que os governos federal, estaduais e municipais transferem recursos para ONGs o perigo bate imediatamente à porta. Na opinião de Ferronato, é preciso que se pense numa forma diferenciada para o repasse de verbas a organizações. “É preciso que se mude a sistemática”, defendeu o vereador, enfatizando que não é possível que se usem crianças e pobres para roubar dinheiro público e depois aparecerem como “salvadores da pátria”. Tem muito peixe graúdo interessado em recursos federais. E, toda vez que o poder publico derrama dinheiro, a grande maioria vai parar no ralo da corrupção.”, disse o parlamentar.
CPI II
O vereador Luiz Braz (PSDB) disse que Ronaldinho Gaúcho se beneficiou muito ao colocar seu nome no Instituto. “Ele investia dinheiro publico e dizia que era seu.” Quanto ao pedido de instalação de uma CPI para averiguar irregularidades no Instituto, disse que elas estão totalmente desmoralizadas. “Só existiram de fato, aqui no Estado, quando Tarso Genro foi ministro da Justiça e tentou desmontar partidos que eram adversários do PT.” Para Braz, bastam averiguações corretas, não sendo necessárias CPIs. “Se a Polícia agisse como agiu aqui no Estado à época de Tarso, teríamos um resultado diferente. Mas, do contrario, cairíamos no ridículo”.
DESCRÉDITO
Para Idenir Cechim (PMDB), é impressionante o descrédito em relação às ONGs e Oscips atualmente. Na opinião do parlamentar, tudo começou no governo de Lula. “Desde lá a UNE, as centrais e os sindicatos ficaram milionários. O Lula é o Papa de todas as ONGs.” Quanto ao Instituto Ronaldinho, disse que eles fazem filmezinhos aqui usando crianças pobres e doentes e mandam para a Itália e para a Espanha com a intenção de arrecadar verbas. “Dinheiro que jamais será usado com elas”, enfatizou o vereador.
CPI III
Carlos Todeschini (PT) concluiu que todos os vereadores concordam que o Instituto Ronaldinho Gaúcho “foi uma baita vigarice, com muitos recursos públicos desviados”. Todeschini disse que, no caso, Ronaldinho utilizou “sua grife, sua marca, para passar a perna nos governos”. Na opinião do vereador, é necessário que haja investigação para que os recursos públicos recebidos, que chegariam a R$ 6 milhões, sejam devolvidos. “É inaceitável que alguém como esse sujeito, que recebe R$ 800 mil pelos direitos de imagem, venha querer ludibriar o poder público”, afirmou. Todeschini lembrou que, em 2009, todos achavam que a entidade de Ronaldinho era “do bem, para ajudar, mas houve vários crimes e irregularidades”.
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Caso Lupi: a outra versão da história

Você tem direito de ter a sua verdade. Para isso você precisa conhecer todas as versões de uma história para escolher a sua. A deles é fácil, é só continuar lendo a Veja, O Globo, assistindo ao Jornal Nacional. A nossa vai precisar circular por essa nova e democrática ferramenta que é a internet.
Meu nome é Angela, sou esposa do Ministro do Trabalho e Emprego Carlos Lupi. Sou jornalista e especialista em políticas públicas. Somos casados há 30 anos, temos três filhos e um neto. Resolvi voltar ao texto depois de tantos anos porque a causa é justa e o motivo é nobre. Mostrar a milhares, dezenas ou a uma pessoa que seja como se monta um escândalo no Brasil.
Vamos aos fatos: No dia 3 de novembro a revista Veja envia à assessoria de imprensa do Ministério do Trabalho algumas perguntas genéricas sobre convênio, ONGS, repasses etc. Guarda essa informação.
Na administração pública existe uma coisa chamada pendência administrativa. O que é isso? São processos que se avolumam em mesas à espera de soluções que dependem de documentos, de comprovações de despesas, prestação de contas etc. Todo órgão público, seja na esfera municipal, estadual ou federal, tem dezenas ou centenas desses.
Como é montado o circo? A revista pega duas pendências administrativas dessas, junta com as respostas da assessoria de imprensa do Ministério dando a impressão de que são muito democráticos e que ouviram a outra parte, o que não é verdade, e paralelamente a isso pegam o depoimento de alguém que não tem nome ou sobrenome, mas diz que pagou propina a alguém da assessoria do ministro.
No dia seguinte toda a mídia nacional espalha e repercute a matéria em todos os noticiários, revistas e jornais. Nada fica provado. O acusador não tem que provar que pagou, mas você tem que provar que não recebeu. Curioso isso, não? O próprio texto da matéria isentava Lupi de qualquer responsabilidade. Ele sequer é citado pelo acusador. Mas a gente não lê os textos, só os títulos e a interpretação, que vêm do estereótipo “político é tudo safado mesmo”.
Dizem que quando as coisas estão ruins podem piorar. E é verdade. Na terça-feira Lupi se reúne na sede do PDT, seu partido político em Brasília para uma coletiva com a imprensa. E é literalmente metralhado não por perguntas, o que seria natural, mas por acusações. Nossa imprensa julga, condena e manda para o pelotão de fuzilamento.
E aí entra em cena a mais imprevisível das criaturas: o ser humano. Enquanto alguns acuados recuam, paralisam, Lupi faz parte de uma minoria que contra-ataca. Explode, desafia. É indelicado com a presidenta e com a população em geral. E solta a frase bomba, manchete do dia seguinte: “Só saio a bala”. O que as pessoas interpretaram como apego ao cargo era a defesa do seu nome. Era um recado com endereço certo e cujos destinatários voltaram com força total.
Era a declaração de uma guerra que ainda não deixou mortos, mas já contabiliza muitos feridos. Em casa, passado o momento de tensão, Lupi percebe o erro, os exageros e na quinta-feira na Comissão de Justiça do Congresso Nacional presta todos os esclarecimentos, apresenta os documentos que provam que o Ministério do Trabalho já havia tomado providências em relação às ONGs que estavam sendo denunciadas e aproveita a oportunidade para admitir que passou do tom e pede desculpas públicas a Presidenta e a população em geral.
A essa altura, a acusação de corrupto já não tinha mais sustentação. Era preciso montar outro escândalo e aí entra a gravação de uma resposta e uma fotografia. A resposta é aquela que é repetida em todos os telejornais. Onde o Lupi diz “não tenho nenhum tipo de relacionamento com o Sr Adair. Fui apresentado a ele em alguns eventos públicos. Nunca andei em aeronave do Sr. Adair”.
Pegam a frase e juntam a ela uma foto do Lupi descendo de uma aeronave com o seu Adair por perto. Pronto. Um novo escândalo está montado. Lupi agora não é mais corrupto, é mentiroso.
Em algum momento, em algum desses telejornais você ouviu a pergunta que foi feita ao Lupi e que originou aquela resposta? Com certeza não. Se alguém pergunta se você conhece o Seu José, porteiro do seu prédio? Você provavelmente responde: claro, conheço. Agora, se alguém pergunta: que tipo de relacionamento você tem com o Seu José? O que você responde? Nenhum, simplesmente o conheço de vista.
Foi essa a pergunta que não é mostrada: que tipo de relacionamento o Sr. tem com o Sr. Adair? Uma pergunta bem capciosa. Enquanto isso, o próprio Sr. Adair garante que a aeronave não era dele, que ele não pagou pela aeronave e que ele simplesmente indicou.
Quando comecei na profissão como estagiária na Tribuna da Imprensa, ouvi de um chefe de reportagem uma frase que nunca esqueci: “Enquanto você não ouvir todos os envolvidos e tiver todas as versões do fato, a matéria não sai. O leitor tem o direito de ler todas as versões de uma história e escolher a dele. Imprensa não julga, informa. Quem julga é o leitor”.
Quero deixar claro que isso não é um discurso para colocar o Lupi como vítima. O Lupi não é vítima de nada. É um adulto plenamente consciente do seu papel nessa história. Ele sabe que é simplesmente o alvo menor que precisa ser abatido para que seja atingido um alvo maior. É briga de cachorro grande.
Tentaram atingir o seu nome como corrupto, mas não conseguiram. Agora é mentiroso, mas também não estão conseguindo, e tenho até medo de imaginar o que vem na sequência.
Para terminar queria deixar alguns recados:
Para os amigos que nos acompanham ou simplesmente conhecidos que observam de longe a maneira como vivemos e educamos os nossos filhos eu queria dizer que podem continuar nos procurando para prestar solidariedade e que serão bem recebidos. Aos que preferem esperar a poeira baixar ou não tocar no assunto, também agradeço. E não fiquem constrangidos se em algum momento acompanhando o noticiário tenham duvidado do Lupi. A coisa é tão bem montada que até a gente começa a duvidar de nós mesmos. Quem passou por tortura psicológica sabe o que é isso. É preciso ser muito forte e coerente com as suas convicções para continuar nessa luta.
Para os companheiros de partido, senadores, deputados, vereadores, lideranças, militantes que nos últimos 30 anos testemunharam o trabalho incansável de um “maluco” que viajava o Brasil inteiro em fins de semana e feriados, filiando gente nova, fazendo reuniões intermináveis, celebrando e cumprindo acordos, respeitado até pelos adversários como um homem de palavra, que manteve o PDT vivo e dentro do cenário nacional como um dos mais importantes partidos políticos da atualidade. Eu peço só uma coisa: justiça.
Aos colegas jornalistas que estão fazendo o seu trabalho, aos que estão aborrecidos com esse cara que parece arrogante e fica desafiando todo mundo, aos que só seguem orientação da editoria sem questionamento, aos que observam e questionam, não importa. A todos vocês eu queria deixar um pensamento: reflexão. Qual é o nosso papel na sociedade?
E a você Lupi, companheiro de uma vida, quero te dizer, como representante desse pequeno nucleozinho que é a nossa família, que nós estamos cansados, indignados e tristes, mas unidos como sempre estivemos. Pode continuar lutando enquanto precisar, não para manter cargo, pois isso é pequeno, mas para manter limpo o seu nome construído em 30 anos de vida pública. E quando estiver muito cansado dessa guerra vai repousar no seu refúgio que não é uma mansão em Angra dos Reis, nem uma fazenda em Goiás, sequer uma casa em Búzios, e sim um pequeno sítio em Magé. Que corrupto é esse? Que país é esse?”.
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Muçulmanos rejeitam OTAN na Síria

O regime de Bashar al-Assad está cada vez mais isolado. Depois de ter perdido o apoio da comunidade internacional, Damasco vê agora os seus vizinhos e principais aliados afastarem-se.
A Liga Árabe suspendeu a Síria e exigiu o fim da violência contra civis nos próximos três dias sob pena de sanções económicas.
Riad Shakfa, líder da Irmandade Muçulmana no país, abordou várias questões de atualidade e rejeitou a intervenção militar da OTAN.

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Vídeo com 'globais' é cópia deste aqui

A campanha Gota D'Água, protagonizada por estrelas globais contra Belo Monte, teve dedo de um dos maiores diretores norte-americanos da atualidade. Não, Steven Spielberg não dirigiu a turma de Maitê Proença no protesto contra a usina hidrelétrica em construção no Pará. Mas a ideia dele foi copiada pelos produtores do vídeo brasileiro. Os cortes, as poses dos atores e até parte do strip-tease de Maitê foram mais do que inspirados no filme da iniciativa “Don’t Vote” (Não Vote), de 2008. Essa ação de título irônico buscava estimular os norte-americanos a votar - afinal, nos EUA, voto não é obrigatório. O objetivo era emplacar a vitória do Partido Democrata, de Obama.
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A Liberdade de Imprensa que o PIG gosta

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Blatter é alvo de pedidos de renúncia após afirmações sobre racismo

Esse é um canalha completo, estranho seria se ele não fosse racista
Personalidades ligadas ao futebol pediram nesta quinta-feira a renúncia do presidente da Fifa, Joseph Blatter, por ele ter dito que não existe racismo entre jogadores.
O dirigente afirmou ainda que qualquer incidente ocorrido em campo identificado como exemplo de racismo deve ser "resolvido com um aperto de mão".
O ministro britânico dos Esportes, Hugh Robertson, disse que as afirmações de Blatter são "moralmente indefensáveis".
Já o ex-capitão da seleção inglesa Rio Ferdinand afirmou que as declarações foram "tão condescendentes quanto risíveis".
Após dar as declarações, Blatter disse que foi mal interpretado e que está comprometido com o combate ao racismo no futebol.
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Governo lança Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência

Acompanhada do presidente do Senado, José Sarney, do presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia, e do secretário Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Antônio José do Nascimento Ferreira, presidenta Dilma Rousseff lança o Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência – Viver sem Limite. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
O governo federal lançou hoje (17) o Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência, o Viver Sem Limite, que reúne ações estratégicas em educação, saúde, cidadania e acessibilidade. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que 45,6 milhões de pessoas têm algum tipo de deficiência, o que corresponde a 23,91% da população brasileira. Com o Viver Sem Limite, o governo pretende promover a inclusão social e a autonomia da pessoa com deficiência, eliminando barreiras e permitindo o acesso a bens e serviços.
“Estamos aqui para celebrar a coragem de viver sem limites. É incrível a força que há nas pessoas para vencer desafios e superar limites”, disse a presidenta quando retomou o discurso interrompido pela emoção.
Dilma Rousseff chorou no início da cerimônia realizada no Palácio do Planalto para lançamento do Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência ao comentar as presenças das filhas do deputado Romário e do senador Lindbergh Faria.
No discurso, a presidenta ressaltou a importância da autonomia na vida das pessoas com deficiências. E defendeu que todos os brasileiros tenham condições de desenvolver todas as suas potencialidades.
“São brasileiros que podem realizar plenamente seus sonhos individuais, mas podem e devem ajudar a concretizar o nosso sonho coletivo”, afirmou.
Segundo a ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, o Viver Sem Limite articula e organiza ações já desenvolvidas no âmbito do governo federal, que foram aprimoradas e fortalecidas para eliminar barreiras e permitir o acesso da população com deficiência a bens e serviços.
“É o reconhecimento da responsabilidade do Estado brasileiro, uma responsabilidade irrenunciável”, disse a ministra.
O secretário Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Antônio José do Nascimento Ferreira, explicou que o Viver Sem Limite tem metas para serem alcançadas até 2014, com previsão orçamentária de R$ 7,6 bilhões. As ações previstas serão executadas em conjunto, por 15 órgãos do governo federal, sob a coordenação da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.
Educação - Na área da Educação, por exemplo, o plano prevê a ampliação do acesso dos alunos com deficiência à escola, saltando de 229.017 para 378 mil o número de crianças e adolescentes nas salas de aula. Outra medida é adequar as escolas públicas e as instituições federais de ensino superior às condições de acessibilidade.
O Viver Sem Limite determina ainda a implantação de novas salas de aula com recursos multifuncionais e a atualização das salas já existentes, e a oferta de até 150 mil vagas para pessoas com deficiência nos cursos federais de formação profissional e tecnológica.
Saúde – No chamado eixo Saúde, está prevista a ampliação e qualificação da triagem neonatal com a inclusão de dois novos exames no teste do pezinho, além da implantação completa do exame em todos os estados até 2014. O plano também estabelece a implantação de 45 centros de referência em reabilitação, garantindo atendimento das quatro modalidades: intelectual, física, visual e auditiva.
Outra medida refere-se ao atendimento odontológico, com um aumento em 20% no financiamento do SUS para 420 centros de especialidades odontológica. O governo também pretende formar 660 novos profissionais de saúde em órteses e próteses até 2014 para atuar nas oficinas ortopédicas que serão criadas. A expectativa é aumentar em 20% o fornecimento de órteses, próteses e meios auxiliares de locomoção.
Inclusão social – O trabalhador que perder o emprego voltará a receber o Benefício de Prestação Continuada (BPC). A garantia está no Viver Sem Limite, que também permite que a renda da aprendizagem seja acumulada com a do BPC. Outra ação prevê a busca ativa e o encaminhamento ao mercado de trabalho de 50 mil beneficiários.
Acessibilidade – O eixo Acessibilidade prevê a construção e 1,2 milhão de moradias adaptáveis pelo programa Minha Casa, Minha Vida 2. As obras de mobilidade urbana da Copa do Mundo 2014 e do PAC 2 também serão adaptadas aos portadores de deficiências.

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Ciencia política y medios de comunicación

Arturo Trinelli enumera algunos de los aportes específicos que puede hacer la ciencia política al debate sobre los medios y el papel del periodismo.
La ciencia política puede hacer aportes novedosos al debate sobre los medios de comunicación. En primer lugar, porque es una disciplina que se ocupa del estudio del poder, la forma en que se genera y retiene y los actores políticos, económicos y sociales que se lo disputan. En el campo de la comunicación se dirime una cuota importante de poder simbólico que está en juego permanentemente, más allá de los objetivos instrumentales de las empresas periodísticas y los intereses específicos que cada una persiga.
En segundo lugar, la ciencia política se preocupa por la metamorfosis de la representación política. Y aquí también los medios desempeñan un papel fundamental. Si se analiza la evolución histórica de esa representación, se observará que, hasta mediados de los años sesenta – donde los medios empiezan a penetrar masivamente en los hogares –, la misma se estructuraba en torno de valores identitarios del partido o el dirigente que era su principal exponente. En la actualidad, la representación política se encuentra totalmente influenciada por los medios de comunicación, siendo los expertos en medios tan importantes para consagrar a un candidato como los militantes y activistas políticos. Y aunque la política y los medios guardan una relación de complementariedad en la génesis de la voluntad política, existe entre ellos tensiones de espacio, tiempo y contenido del discurso inherente a las diferentes lógicas con las que uno y otro operan. El tiempo en los medios es veloz y caro, el espacio para la profundización de ideas o desarrollo de temas suele ser limitado, y la calidad del discurso mediático tiende a despolitizar los mensajes.
Así, los medios, en especial la televisión, imponen un tipo de enunciación que banaliza la política, con periodistas autoconvencidos de su rol de fiscalizadores y tratando de presentar las debilidades de los políticos, exponiendo sus contradicciones y en muchos casos forzando estigmatizaciones. En tiempos de una política adecuada a los horarios y a las necesidades temáticas y productivas de los medios, la visibilidad termina siendo más importante que la gestión. Por eso, un funcionario puede aparecer en un canal de TV vestido con indumentaria de rescatista como reflejo de compromiso e involucramiento con una tragedia que, en verdad, parecería más una muestra de sobreactuación para deslindar responsabilidades.
Los medios de comunicación vienen participando activamente en el debate público desde hace mucho tiempo, y no es actual la oposición entre grandes medios y medios alternativos. Durante la Argentina finisecular, por ejemplo, los contrastes entre la prensa dominante de la época y la prensa obrera, rebelde y contestataria fueron muy manifiestos. Pero a medida que los escenarios políticos y sociales se fueron complejizando, el periodismo se consolidó como el actor de simplificación imprescindible para que grandes masas de personas comprendiesen qué ocurría en la sociedad, al tiempo que la noticia se transformó en mercancía para sostener el desarrollo de una industria cultural. Con el impulso de nuevas tecnologías y la incorporación de prácticas económicas extramediáticas, la información empezó a ser un insumo cada vez más importante para que la actividad periodística comenzara a alejarse del lugar tradicional como simple mediadora entre el poder político y la opinión pública, sobre la cual, precisamente, muchas empresas periodísticas actuales justifican su actividad.
Sin dudas, este proceso ha adquirido mayor visibilidad en los últimos años. Luego de la crisis del 2001 parecía que los medios no estaban alcanzados por la debacle económica, social y cultural que envolvía al conjunto de los actores sociales y políticos. Hasta entonces, las empresas mediáticas habían conseguido ocultar las nuevas relaciones de propiedad y alianzas corporativas que habían generado para dar disputa por la dirección del poder.
Pero la pretensión de los grandes medios de salir indemnes del juicio público terminó con el kirchnerismo. Tal como sostiene Philip Kitzberger en un reciente libro compilado por los politólogos Andrés Malamud y Miguel De Luca (La política en tiempos de los Kirchner, Eudeba, 2011), además de estar en juego el negocio de la información propiamente dicha, en la actualidad también se está resolviendo cómo se estructurará la comunicación política en el futuro. El gran desafío entonces para las ciencias sociales en general y la ciencia política en particular es discutir el papel de los medios como agentes de socialización y la capacidad del Estado para manifestar capacidad regulatoria con imperativos democráticos.
Arturo Trinelli, Politólogo (UBA), investigador del CLICeT e integrante del Grupo Politólogos en los medios, http://jornadaspoliticaymedios.blogspot.com/
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Congresso do Equador debate lei para regular comunicação

O Congresso do Equador iniciou nesta terça-feira o debate final de um projeto de lei para regular os meios de comunicação, em um momento em que se acirra o conflito entre o presidente Rafael Correa e um setor da imprensa acusado de tentar desestabilizá-lo.
A sessão começou após várias tentativas de mudar a ordem do dia por parte dos opositores, que denunciam a iniciativa do governo de esquerda como um "atentado contra a liberdade de expressão".
Não há uma estimativa de quando será votado o texto, cuja aprovação requer o apoio de 63 dos 124 membros da Assembleia unicameral nesse segundo debate. A primeira discussão ocorreu em 5 de janeiro de 2010.
O movimento Aliança País - no governo - conta com ao menos 55 apoios, segundo fontes legislativas, sendo necessários oito votos de deputados independentes para aprovar a lei.
O relatório para o segundo debate foi avaliado no fim de julho, e prevê um conselho que regularia conteúdos e ordenaria retificações aos meios de comunicação.
Esse documento inclui questões como a regulação ou proibição de conteúdos violentos, discriminatórios ou explicitamente sexuais; a formação de um conselho regulador, entre outros pontos.
O deputado opositor César Montúfar propôs arquivar o projeto, afirmando que este é um "grave atentado contra a liberdade de expressão", pois na sua opinião significa "censura prévia" para a imprensa, segundo disse à AFP.
Essa posição foi rejeitada por Mauro Andino, presidente da comissão parlamentar de Comunicação, que afirmou que as denúncias de Montúfar são "uma falácia".
"Querem enganar não apenas o povo equatoriano como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH)", disse Andino.
"No Equador, há pessoas que se dedicam ao jornalismo e escondem suas ambições políticas", afirmou Fernando Vélez, aliado do governismo, apoiando Correa, que mantém um conflito com um setor da imprensa acusado de ativismo político a favor de poderes dominantes.
O conflito ficou mais grave depois que em 25 de outubro a ONG Fundamedios e vários jornalistas denunciaram diante da CIDH em Washington a proliferação de processos judiciais contra veículos, em meio a uma "sistemática política de ataques" do governo contra a imprensa.
Um dos casos citados foi o do jornal El Universo, cujos três diretores e um ex-editor foram condenados em segunda instância, em 20 de setembro, a três anos de prisão e ao pagamento de 40 milhões de dólares em uma ação por injúria impetrada pelo presidente.
A sentença foi apelada diante da Corte Nacional de Justiça, e se refere a um artigo no qual o jornalista Emilio Palacio chamou Correa de "ditador" e advertiu que o governante poderia ser processado por crimes de lesa-humanidade devido a fatos ocorridos durante uma rebelião policial em 30 de setembro de 2010.
Em resposta, o Executivo equatoriano, que também participou da audiência em Washington, divulgou uma semana depois redes de rádio e TV questionando seus acusadores, o que foi rejeitado pela CIDH.
As críticas da entidade da Organização de Estados Americanos (OEA) perturbaram Correa, que acusou a CIDH de abusar de suas funções e anunciou que fomentará uma "mudança radical" no sistema interamericano de fóruns regionais.
A elaboração de uma lei de comunicação está prevista pela Constituição de 2008 e foi ratificada em um referendo vencido por Correa em 7 de maio, no qual os equatorianos apoiaram a proibição de que meios de comunicação e bancos tivessem investimentos fora de seus negócios.
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Ditadura brasileira foi cérebro da repressão na América Latina

A verdade sem rasuras. Na medida em que se tem acesso aos papéis da ditadura brasileira, mesmo àqueles com nomes cobertos por tarjas pretas, fica exposta a falsa história oficial sobre sua participação supostamente secundária e breve na Operação Condor. Documentos mostram que Brasil serviu como cérebro logístico da repressão na América Latina. Militares brasileiros espionaram, prenderam e entregaram cidadãos de outros países para "ditaduras amigas".
Documentos secretos obtidos pelo jornal Página 12 mostram que o regime militar iniciado em 1964 e concluído em 1985 no Brasil, um dos mais longevos da região, participou e propiciou a caçada perpetrada nos anos 70 contra todo foco de resistência, na América Latina e na Europa, ao terrorismo de Estado sul americano. Nos arquivos da inteligência brasileira há relatórios sobre as atividades do escritor Juan Gelman em Roma e sobre uma viagem que supostamente realizouem Madri "junto com Bidegain, Bonasso M. e outros dirigentes…no dia 17 de junho de 1978", descreve a nota incluída num dossiê do Estado Maior do Exército do Brasil, intitulado "Movimiento Peronista Montonero en el exterior, Accionar, Contactos, Conexiones con Grupos Terroristas, Antecedentes".
"Soube que fui espionado até pela Stasi (polícia política da Alemanha Oriental), mas ignorava que meu nome estivesse nos arquivos da ditadura brasileira, como você está me informando agora" se surpreende Juan Gelman do México, no começo da conversação telefônica.
Mais adiante, depois de conhecer outras informações escondidas durante décadas nos armários de Brasília, Gelman pondera: "enfim, a verdade é que não parece ser tão assombroso que meu nome figure nos documentos brasileiros que você citou, porque houve montoneros importantes seqüestrados aí, Horacio Campliglia foi um".
Ele se refere ao guerrilheiro desaparecido após ser capturado em março de 1980 por agentes de ambos os países no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, para posteriormente ser transladado ao calabouço do Campo de Mayo.
"No Arquivo do Terror paraguaio estava guardado um telegrama enviado do Brasil falando sobre a coordenação com a Argentina e os raptos em 1980, isso foi descoberto por Stella Calloni, autora de um grande trabalho sobre a operação Condor", assinala o premio Nobel da Paz alternativo Martín Almada.
No dossiê do Exército brasileiro também existem detalhes sobre as tarefas dos exilados argentinos no México para conseguir o exílio do ex-presidente Héctor Cámpora, recluso em Buenos Aires, assim como dados sobre um encontro em Beirute, no dia 21 de junho de 1978, entre "chefes do Ejército Peronista Montoneros (com) os serviços especializados da resistência palestina".
Cruzados
Dom Paulo Arns
Outras comunicações reservadas, estas procedentes da embaixada em Roma, falam das atividades desenvolvidas por religiosos brasileiros perante organismos internacionais de direitos humanos, operações que contavam com o aval da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, no seio da qual houve cardiais como Paulo Evaristo Arns que acolheu refugiados argentinos em São Paulo.
Pode-se observar nas notas elaboradas pelos diplomatas e agentes da Operação Condor brasileira uma preocupação recorrente com os religiosos ligados à Teologia da Libertação, tanto pelas pressões que esta realizava no Vaticano quanto pelo suposto "financiamento internacional" que receberiam as comunidades eclesiásticas radicadas em zonas rurais onde atuava a guerrilha do Partido Comunista de Brasil.
A obsessão sobre os efeitos "subversivos" dos padres "terceiro-mundistas" reaparece em uma ficha onde está escrito que os "Montoneros são a única organização guerrilheira que têm em seu seio, de forma oficial, sacerdotes com hierarquia de capelão".
Mais adiante o mesmo texto, por momentos apagado, traz informações do padre argentino Jorge Adur, que ostentava "o grau de capitão do Exército Montonero… organização que em julho de 78 enviou uma notificação ao Vaticano sobre sua designação".
O relatório, com carimbo do Exército brasileiro e supostamente escrito pelos serviços argentinos, está datado em setembro de 1978, quase dois anos antes da desaparição de Adur, ocorrida em junho de 1980, pouco depois de ter sido visto no estado do Rio Grande do Sul para onde viajara para apresentar denúncias diante da comitiva do papa João Paulo II.
(In)Segurança Nacional
Uma nota "confidencial", gerada pelo Serviço Nacional de Informações (SNI) e o Ministério do Exército, aborda a presença "de terroristas do ERP e Montoneros no Brasil", divaga sobre os motivos da "infiltração" argentina e ordena aos membros das forças armadas e da polícia que intensifiquem os esforços para capturá-los.
E em outro escrito restrito de 4 de abril de 78, o SNI, máximo organismo de espionagem subordinado diretamente à Presidência, indica que os Montoneros "voltariam a intensificar suas operações (na Argentina) durante a realização da Copa do Mundo, buscando afetar entidades governamentais …e interferir nas estações de rádio e televisão".
O balanço provisório surgido da leitura de centenas de telegramas e informes reservados é que o aparato repressivo dos ditadores, particularmente de Ernesto Geisel (que governou entre 1974 e 1979) e João Baptista Figueiredo (1979-1985), tipificava a guerrilha argentina como uma ameaça à "segurança nacional" brasileira (tal como comparece textualmente em algumas mensagens).
Daí se infere que a repressão ilegal contra os guerrilheiros dos Montoneros e do ERP e aqueles que fossem suspeitos de lhes dar apoio, respondia a uma política de Estado, com o qual fica desterrada a versão, muito divulgada até hoje aqui, de que os grupos de tarefas foram grupos desencaminhados, o que leva a crer na falsa tese de que a guerra suja ocorreu sem o aval dos altos comandos e foi o resultado da "desobediência indevida" de um punhado de oficiais.
A estratégia de espionar, informar, capturar e, eventualmente, eliminar estrangeiros no Brasil e compatriotas no exterior, foi aplicada sistematicamente pelo aparato militar-diplomático montado pouco depois do golpe contra o presidente democrático João Goulart em 1964, sustenta Martín Almada, descobridor dos Arquivos do Terror, o maior acervo de documentos da Operação Condor.
"Os brasileiros viam os demais países do cone sul como seu pátio dos fundos, e o queriam disciplinado dentro de seu plano de guerra ao comunismo, e em função dela seqüestraram e assassinaram dissidentes paraguaios, a pedido de (Alfredo) Stroessner, que lhes retribuiu fazendo a mesma coisa, colaborando na perseguição de brasileiros no Paraguai; vi vários telegramas vindos do Brasil pedindo a captura de Carlos Marighella (líder guerrilheiro)".
"O Brasil foi bem dissimulado, trabalhou com eficácia, sem deixar pistas dentro da Operação Condor, se articulou muito com as ditaduras do Chile, Paraguai, Uruguai, Bolívia, é lógico que deve haver bastante por descobrir sobre sua colaboração com a Argentina" declarou Almada em entrevista ao Página12, depois de oferecer uma coletiva diante de parlamentares em Brasília.
"Falta descobrir muita coisa, espero que esta Comissão da Verdade deslanche, acho que há vontade, a presidenta Dilma Rousseff mostrou coragem impulsionando-a, os brasileiros são responsáveis do que eu chamo de Pré-Condor, e disso não se sabe quase nada", sustenta Almada.
Certamente o "know how" da coordenação repressiva não surgiu em novembro de 1975, com a formalização da Operação Condor durante a cúpula secreta das forças repressivas estatais sul americanas em Santiago do Chile, encabeçada pelo coronel Manuel Contreras naquele país.
É provável que algumas das primeiras ações terroristas binacionais tenham ocorrido em Buenos Aires, em 1970 e 1971, quando, em duas operações coordenadas com o Brasil, foram seqüestrados, primeiro, o ex-coronel nacionalista Jefferson Cardim e, mais tarde, o guerrilheiro Edmur Péricles Camargo, até hoje desaparecido.
Segundo um telegrama com data de Buenos Aires em 1971, obtido pelo Página 12 no Arquivo Nacional, a captura de Péricles Camargo foi monitorada pela Embaixada brasileira, cujo titular era Antonio Francisco Azeredo da Silveira.
Houve outros brasileiros seqüestrados em 1973, sempre com o provável, para não dizer seguro, consentimento de Azeredo da Silveira, que depois de sua condescendência com o terrorismo regionalizado ascendeu a chanceler da ditadura e estabeleceu um vínculo extraordinariamente próximo com outro funcionário acusado de propiciar o genocídio sul americano: Henry Kissinger.
Alfredo Astiz
Alfredo Astiz
A ditadura brasileira sabia que Alfredo Astiz era procurado pela justiça francesa pelo assassinato de duas freiras, mas ainda assim realizou operações junto à Grã Bretanha para sua repatriação em 1982, revelou a Folha de São Paulo.
"Acho importante que se tenha publicado a informação sobre como o Brasil intercedeu a favor de Astiz, e é fantástico que eu saiba disso no mesmo dia que aguardamos sua sentença em Buenos Aires" pela causa da ESMA, disse Juan Gelman por telefone, do México, na quarta-feira passada, quando em Brasília o Congresso, motivado pela presidenta Dilma Rousseff, aprovava a Comissão da Verdade, 26 anos depois que João Batista Figueiredo, o último ditador, deixara o poder.
O Palácio do Itamaraty foi informado por sua embaixada em Londres que Astiz era requerido pelos juízes da França e da Suécia, mas isso não freou a pressão para que fosse libertado, o que finalmente aconteceu em um avião que antes de decolar em Buenos Aires fez escala no Rio, e a bordo do qual viajou um diplomata brasileiro.
Telegramas do Serviço Exterior de 1982 tornados públicos pelo governo de Rousseff refletem o empenho com que o embaixador brasileiro em Londres, Roberto Campos, amigo do então chanceler argentino Nicanor Costa Mendes, trabalhou pela liberdade/impunidade de Astiz, prisioneiro das forças britânicas após se render na Geórgia do Sul.
Até hoje o relato oficial sobre a solidariedade brasileira com os generais e almirantes argentinos durante a guerra das Malvinas escondeu que sob o repentino antiimperialismo do ditador Figueiredo, que durante anos comandou os serviços de inteligência, se encontrava a solidariedade entre os camaradas da guerra suja transnacional.
Como explica Martín Almada, a partir dos anos 80 entrou em ação uma "nova fase da Operação Condor" que entre outras tarefas se atreviu a dar cobertura aos assassinos requeridos pela Justiça, e assim vários repressores argentinos fugiram para o Brasil e para o Paraguai nos anos 80, alguns alegando serem perseguidos políticos da democracia.
A recompilação de uma dezena de comunicados secretos gerados pela Embaixada do Brasil em Buenos Aires entre 1975 e 1978, ilustra sobre os contatos com os altos mandos militares em que se exibem coincidências na necessidade de atuar conjuntamente contra a "subversão".
Observa-se nesses documentos, até há pouco tempo secretos, uma recorrente menção à Marinha e considerações elogiosas sobre Eduardo Massera, como demonstra o "telegrama confidencial urgente" do dia 27 de julho de 1977.
Ali se fala de uma suposta viagem de Massera ao Rio de Janeiro como parte de sua agenda diplomática pessoal e da influência do marinheiro na política externa da ditadura, que esteve marcada pela aproximação com Brasília.
"Essa mulher"
O ex-prisioneiro da ESMA, Victor Basterra, declarou ao Página 12 que teve conhecimento do enlace entre esse centro de detenção clandestino da Armada e os serviços brasileiros.
Basterra,que realizou um extraordinário trabalho de contra inteligência sobre a repressão durante seus anos de cativeiro, lembra que na ESMA foi obrigado a montar cartazes com as fotos de Juan Gelman e do padre Jorge Adur, desaparecido em 1980, que foram enviados à fronteira com o Brasil.
A cooperação entre a ESMA e os organismos repressivos brasileiros se prolongou pelo menos até novembro de 1982, "isto me consta, tenho certeza de que foi assim", afirma o ex-prisioneiro político depois de citar datas e nomes com uma precisão que assombra.
O testemunho de Basterra e os telegramas enviados da Embaixada de Londres não deixam dúvidas de que Brasília esteve envolvida na Operação Condor, no plano repressivo e diplomático até 1982. O conluio começou poucos dias antes do golpe, no dia 18 de março de 1976 quando foi seqüestrado o pianista Francisco Tenório Cerqueira Santos, que havia participado em um espetáculo oferecido por Vinicius de Moraes e Toquinho no teatro Gran Rex.
A historiadora Janaína Teles conta com provas incontestáveis, datadas nos dias 20 e 25 de março de 1976 (teriam sido apresentadas perante a Justiça argentina), sobre a cumplicidade entre o regime brasileiro e a ESMA nesse crime.
Trata-se de duas notas enviadas à Embaixada do Brasil, assinadas por Jorge "Tigre" Acosta, que fazem referência à detenção e posterior morte do pianista.
Um dia depois do comunicado que a Marinha dirigiu à Embaixada em Buenos Aires, em 26 de março de 1976, a Sociedade Musical Brasileira requereu ao ditador Ernesto Geisel informações sobre Cerqueira Santos, e o Itamaraty respondeu que estava realizando "esforços" para dar com seu paradeiro, mas carecia de qualquer informação ao respeito.
Em 1979 a mítica Elis Regina dedicou seu disco "Essa Mulher" à memória do pianista assassinado.
Dario Pignotii - Página/12 - Especial para Carta Maior
Tradução: Libório Junior
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É justo estacionar de graça na rua?

Pedi para o jornalista Daniel Santini, cicloativista, autor do blog Outras Vias e editor de O Eco Bicicletas, um texto sobre as ciclofaixas implantadas em Moema, bairro rico da capital paulista, que geraram polêmica entre ciclistas e motoristas. Vale a pena a leitura:
A rede cicloviária de Moema completou 11 dias nesta quarta. Trata-se do primeiro conjunto oficial de caminhos com sinalização e demarcação implantados pela Prefeitura de São Paulo. É uma das primeiras tentativas de se tirar do papel o mapeamento de ciclorrotas da cidade e um passo importante para a criação do primeiro planejamento cicloviário da capital.
Mal foram pintados os caminhos, as críticas começaram. A mais caricata talvez seja a da comerciante, que visivelmente nervosa, irritada e cansada, bradou sua aflição ao repórter do Jornal Nacional, da TV Globo, em ver o espaço antes exclusivo para o estacionamento de automóveis se transformar em uma rota para bicicletas: “Aonde que eu vou colocar as minhas clientes que são milionárias, que andam de carro importado? Você acha que as minhas clientes vão andar de salto alto e bicicleta?”. A entrevista foi parar no youtube e a aflição fez sucesso. Até esta terça-feira, mais de 18 mil pessoas já haviam acessado o vídeo.
Mais sensatos e contidos que a dona de boutique de luxo preocupada com o futuro das suas pobres clientes milionárias, muitos moradores e comerciantes da região têm feito críticas bem fundamentadas e com certa razão. A principal e mais justa talvez seja em relação ao formato de trechos das duas ciclofaixas que compõem o sistema, considerados inseguros. Em vez de cancelar as vagas de estacionamento nas ruas, a Companhia de Engenharia de Tráfego tentou empurrá-las para o meio da rua, deixando as ciclofaixas entre a calçada e os carros estacionados. Ficou apertado, há o risco de motoristas desatentos abrirem as portas em cima de ciclistas e motoristas distraídos baterem atrás dos carros parados literalmente no meio da rua.
E é este o cerne do debate, um ponto sobre o qual será preciso refletir cada vez mais com o aumento da frota na capital. É certo que as ruas sejam utilizadas como estacionamento privado de automóveis particulares? Não é de hoje que os moradores de Moema têm manifestado preocupação em relação a isso. Antes mesmo de a rede cicloviária ser instalada no bairro, a chiadeira já era grande sobre o direito de se estacionar na rua sem pagar por isso.
Quando, no ano passado, a Prefeitura anunciou que cancelaria vagas de estacionamento, comerciantes e vizinhos reunidos em torno da Associação de Moradores e Amigos de Moema fizeram passeatas com cartazes, cobraram parlamentares e o poder executivo e realizaram até um debate na Assembléia Legislativa de São Paulo.
O que motivou a mudança feita na época é bastante questionável. As vagas não foram retiradas para ampliar calçadas ou criar ciclofaixas, mas sim para aumentar a velocidade do trânsito cada vez mais intenso de automóveis. A alteração foi feita em sintonia com a política de se priorizar o fluxo em detrimento à segurança adotada durante toda a lamentável gestão do ex-secretário Alexandre de Moraes à frente da Secretaria Municipal de Transportes. Ele foi sabiamente substituído este ano por Marcelo Cardinale Branco, secretário de linha totalmente oposta, que tem marcado sua administração pela “preferência à vida”. Em função das medidas de Moraes, Moema tornou-se em 2010 um bairro mais rápido e tenso, mas não foi contra o aumento da velocidade nas ruas que os moradores reclamaram. Foi contra o cancelamento das vagas que utilizavam.
Lygia Horta, a presidente da associação dos moradores, chegou a falar em “imposição autoritária” e houve quem lembrou que, como boa parte dos moradores tem alta renda, para escapar do rodízio muitos têm mais de um carro, apesar de apenas uma vaga na garagem. Onde manter o segundo carro parado durante a semana?
Esta é a discussão que deve ser feita agora em que as ciclofaixas são questionadas. Como espaços públicos, as ruas devem ser utilizadas para estacionamento privado? Quem se locomove de carro e é responsável por congestionar a cidade toda e gerar índices tóxicos de poluição deve ser beneficiado com o direito de estacionar de graça? Milionários que freqüentam butiques de luxo devem ter o privilégio de uma cidade formatada para as suas necessidades? Ou será que não é hora de pensar em substituir mais vagas de automóveis por faixas não só para bicicletas, mas também para ônibus? Em ampliar calçadas? Em pensar também nos pedestres? O poder público deve incentivar as pessoas a adotarem hábitos mais saudáveis como pedalar ou caminhar?
Em tempo: as críticas de que as ciclofaixas de Moema não têm sentido por não levarem a lugar nenhum são infundadas. Apesar de a mídia ter ignorado até agora a questão, as duas faixas exclusivas para bicicletas são parte de uma rede cicloviária instalada na região, do qual fazem parte também rotas devidamente sinalizadas para o compartilhamento.
Tal rede em breve deve ser ampliada para outras regiões. Para ver o mapa da rede cicloviária, clique aqui.
Não deixe de ler mais sobre a rede cicloviária de Moema direto no site da CET (as fotos e imagens que ilustram este texto foram retiradas de lá).
E, se você concorda com a criação de ciclofaixas no bairro e o avanço das mudanças em curso em São Paulo, coloque seu nome neste abaixo-assinado.
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"Entre o Mito e a Fronteira"

Na primeira semana de dezembro chega às bancas e livrarias o novo livro de Fábio Fonseca de Castro, "Entre o Mito e a Fronteira", que tem o subtítulo de "Estudo sobre a figuração da Amazônia na produção artística contemporânea de Belém". Esse "contemporânea" refere-se ao período entre 1970 e 2000, e o livro reproduz uma parte, um terço, mais ou menos, de seu trabalho de doutoramento - que também inclui uma longa discussão sobre a ideia de "identidade", uma análise da produção cultural amazônica no seu plano histórico e uma descrição conjuntural da "fronteirização" da Amazônia, pela sociedade nacional brasileira, ao longo desse período de 30 anos que encerra o século XX.
Fábio Fonseca de Castro possui o excelente blog Hupomnemata e disponibiliza também o site de "Entre o Mito e a Fronteira", na verdade um blog tumblr, onde dá para deixar comentários, fazer perguntas, etc. Aos poucos, Fábio lançará novos materiais lá e aqui. Fica a dica.
Abaixo um trailler de "Entre o Mito e a Fronteira":
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Ups

Caíram em cima do Fernando Henrique quando ele, recém-eleito, disse para esquecerem tudo o que tinha escrito. Era uma boa piada, significando que o que para o sociólogo fora apenas teoria o presidente agora teria que enfrentar na prática, e um simpático exemplo de humor autodepreciativo.
Ele só não se deu conta de que não estava nos Estados Unidos, onde este tipo de humor, mesmo em altos escalões, é comum. E foi perseguido durante todo o seu governo pela frase, entendida como uma confissão de cinismo.
A informalidade, mesmo no trato de coisas sérias, é uma constante nos Estados Unidos, onde espera-se que o homem público faça humor, às vezes às suas próprias custas, para parecer um cara despretensioso e legal.
Agora mesmo, num debate com outros candidatos a candidato republicano na próxima eleição presidencial, o texano Rick Perry deu um vexame em cadeia nacional — declarou que iria acabar com três agências federais, nomeou duas, mas esqueceu qual era a terceira — e completou a gafe com um “ups” embaraçado. Virou uma anedota: o candidato que não se lembrava da própria plataforma. E o alvo de todos os impiedosos cômicos do pais.
No programa do David Letterman, o tema da lista dos dez mais que Letterman costuma apresentar todas as noites era as dez melhores desculpas do Rick Perry para o seu papelão.
(Exemplos: “Foi culpa do ‘El Niño’” e “Eu tinha acabado de saber que o Justin Bieber é meu pai”.) E quem leu as desculpas no ar? O próprio Rick Perry.
O “ups” já tinha lhe assegurado a simpatia de metade da população.
Quem nunca teve um “branco” parecido? E a participação no programa do Letterman, rindo de si mesmo, lhe assegurou a absolvição. Não se sabe que efeito o episódio terá na sua candidatura, mas ficou provado que Rick Perry é, decididamente, um cara legal.
Cadeiras
O Renato Maurício Prado fez uma boa imagem para descrever o campeonato brasileiro deste ano: é como um jogo de cadeiras musicais. Quando sobrar só uma cadeira e a música parar, será campeão quem conseguir sentar, e não será necessariamente o melhor do campeonato.
Que teve o mérito de acabar com o medo de quem dizia que campeonato de pontos corridos fatalmente perderia o interesse quando um time superior disparasse na frente dos outros.
Nenhum time disparou, todos ficaram dando voltas nas cadeiras em relativa igualdade de condições, e, se não foi um campeonato brilhante, nunca deixou de ser interessante. No fim, acho eu, a decisão será entre um time que não tem Dedé e o time que tem Dedé.
Luis Fernando Veríssimo
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Projeto da grande imprensa é varrer a ‘era Lula’

'O projeto, agora, é varrer a ‘era Lula’, preferentemente 
destruindo o político Lula', diz Roberto Amaral. 
Foto: Instituto Lula
O ponto de partida dessas reflexões é uma obviedade: a crise dos partidos, que no Brasil não é maior nem menor do que a crise dos partidos europeus e norte-americanos. No velho e exausto continente desapareceu a esquerda socialista e os socialdemocratas se confundem com os conservadores, e todos se afundam de braços dados na crise do capitalismo. Nos EUA, o bipartidarismo tacanho é construtor de impasses institucionais, de que é exemplo a negociação do teto da dívida. Em nosso país reproduz-se o esgarçamento ideológico dos partidos de esquerda e é crescente a distância entre a vontade do eleitor e o titular do mandato, construindo a falência do sistema representativo, de que a desmoralização do Legislativo e da vida parlamentar é exemplo acachapante. Ainda no caso brasileiro, talvez nos separando da crise europeia, identificamos perigoso desdobramento, a saber, a desconstituição da política, com a desmoralização do seu fazer e o anúncio de sua desnecessidade.
Tira-se a política da vida democrática, fica o quê?
Tiram-se os partidos do processo político, fica o que?
Tirem-se os políticos da política, ficará o quê?
Ainda que a expressão golpe sugira putsch, ação rápida, virada de mesa, os golpes-de-Estado são longamente preparados. A implantação do Estado Novo foi gestada já nas entranhas do governo constitucional de 1934; o golpe militar que culminou com o suicídio de Vargas e a posse de Café Filho, a serviço da UDN e dos militares, foi longamente preparado pela grande imprensa que também preparou a opinião pública para o golpe de 1964 que, na caserna, começou a ser tramado pelo Gal. Denis (cf. suas memórias) no dia imediato da posse de João Goulart.
De comum, na retórica dos golpistas, a denúncia da corrupção, não como fenômeno em si, mas como doença sistêmica do Estado e, agora, manipulada pelos partidos que ousam ocupar os cargos para os quais seus representantes foram eleitos pela vontade da soberania popular. Foi igualmente o combate à corrupção que construiu Jânio Quadros (“varre-varre vassourinha, a sujeira desse país”) e Fernando Collor (o ‘caçador de marajás’), com os resultados conhecidos.
Vargas, homem probo, era acusado por Carlos Lacerda de governar sentado sobre um “mar de lama”, que se revelou igual às ‘armas de destruição em massa’ de Saddam.
Não afirmo que esteja em gestação um golpe-de-Estado (como realmente esteve em 2005), mas digo que estão sendo criadas as condições subjetivas que amanhã poderão tornar palatável um ataque ao sistema democrático, como consequência natural da perseguida desmoralização dos políticos, dos partidos, da democracia, da política e do Poder Legislativo.
A quem interessa essa desmoralização da vida pública, afastando o cidadão da política, ao convencê-lo de que a corrupção é elemento intrínseco ao fazer político?
Pode o sistema democrático-representativo conviver com a demonização dos partidos?
Quando a imprensa reduz todos os problemas do país à corrupção, e a apresenta como intrínseca à política – ameaçando a continuidade do processo democrático –, ela está igualmente interditando o debate sobre as questões centrais do país: a desfuncionalidade do regime capitalista.
No Brasil, a crise dos partidos atinge indistintamente esquerda e direita. A esquerda renuncia ao papel finalístico de crítica ao regime econômico, a direita ora se esconde sob o disfarce da socialdemocracia, ora se transforma em porta-voz de uma imprensa sem compromissos com a democracia e os interesses nacionais. É esta imprensa, todavia, que pauta a vida política nacional.
No Brasil, ao invés de os partidos possuírem meios de comunicação ou de utilizá-los em seu processo de vida, isto é, na batalha ideológica, é a imprensa que possui partidos e nessa condição dita-lhes metas, temas, ações e conspirações. Dessa forma a chamada “grande imprensa” articula a oposição. A mesma imprensa que participou das operações de desestabilização do governo Vargas e da preparação do golpe de 1964, por ela sustentado, é a mesma que não consegue assimilar a emergência social e política das parcelas menos aquinhoadas da população. Para essa imprensa preconceituosa, é insuportável as ruas cheias de carros dirigidos por pobres e pobres superlotando os aeroportos. E mais: é insuportável que seja essa gente, a gente do povo, quem esteja decidindo as eleições no Brasil.
Fernando Henrique Cardoso, em um de seus inumeráveis momentos de excepcional infelicidade, anunciou o fim da “era Vargas”, prometendo realizar o que os militares não haviam logrado em 20 anos de ditadura. Também não conseguiu. Mas a direita é renitente. O projeto, agora, é varrer a “era Lula”, preferentemente destruindo o político Lula, ainda que seja ao preço de destruir a democracia, para poder destruir o que ele representa, e representou a frustrada experiência de João Goulart, donde a sentença de morte executada no dia 1º de abril de 1964: a emergência das massas.
Mas, lamentavelmente, não é só isso, pois é inesgotável o poço de preconceitos de nossas elites.
A Presidência da República foi sempre um posto reservado “aos mais iguais”, os marechais, os generais, os grandes fazendeiros ou seus representantes, os doutores. Mas eis que uma disfunção sistêmica permite a eleição de um outsider: um operário, um líder sindical, de sobrenome Silva, sem passagem pela academia, expulso pela seca do rincão mais profundo e pobre do sertão nordestino. E… escandalizam-se os repórteres, um monoglota. Esse intruso, além de eleger-se, se reelege, e, suprema humilhação, elege sua sucessora. Nada obstante toda a resistência que provoca, Lula pode retornar ao poder – este o grande temor da direita brasileira –, se não fisicamente, muito provavelmente mediante um governo que seja a continuidade do seu.
Nesse ponto se dão as mãos o reacionarismo da grande imprensa e a degenerescência cultural de grande parte da classe-média brasileira: ambas desprezam o povo, nosso povo, o homem comum das ruas, mestiço, trabalhador, a quem negam as qualidades de pioneiro e construtor. Por isso, a elite brasileira quer ser branca, fisicamente europeia e culturalmente norte-americana; depois de sonhar com Londres e Paris, construiu como meta de vida passear na Disneylândia. Para essa elite, para essa classe-média, para essa imprensa é insuportável a vitória do homem do povo, de um “Zé da Silva”. Pois foi um Silva, nordestino (ainda mais um nordestino!) expulso de sua terra pela inclemência do clima, que consertou o Brasil e refez a obra, a desastrada obra de desconstituição do País, encetada pelo “príncipe” dos sociólogos brasileiros, professor titular da orgulhosa USP.
É preciso, pois, demolir um sistema político que permite a eleição de um Lula.
O ponto de partida é a destruição da política, depois da desmoralização dos políticos e dos partidos. Como sabemos que é impossível sustentar uma democracia sem políticos e sem partidos políticos…
Esta operação está em curso.
Nem mesmo os néscios de carteirinha supõem que a atual campanha da grande imprensa tem por objeto a defesa dos interesses de nosso povo ou de nosso país. Senão a desmoralização da política.
No Brasil, a liberdade de imprensa, que precisa ser a mais ampla possível, limita-se à liberdade, sem responsabilidade, das grandes empresas de comunicação, que expressam o pensamento único, não apenas em seus editoriais (que ninguém lê), mas agora quase principalmente no noticiário, seja nacional seja internacional (repertório das grandes agências), nas reportagens e no pensamento de seus colunistas e colaboradores. Estes são escolhidos ou por partilharem do pensamento patrão, ou por a ele se haverem adaptado para serem colunistas. E nesta hipótese, serviçais, procuram ser mais realistas do que o próprio rei.
Não sejamos injustos, porém, atribuindo esse discurso único e a cantilena reacionária exclusivamente ao mando dos interesses do baronato da grande imprensa: ela é alimentada, cevada, por uma geração de jornalistas e repórteres fiel a essa forma unilateral de ver o mundo. Para essa gente a defesa dos interesses do país é um arcaísmo, a especulação financeira um sinal de modernismo, a concentração de renda o caminho do desenvolvimento, a política, um entrave, a democracia, um “detalhe”.
Um de seus subprodutos é o denuncismo gratuito, irresponsável, a acusação que primeiro se faz, para depois perquirir a prova. O denunciado é condenado já pela simples denúncia, sem possibilidade de reparação pública. Se amanhã a acusação não se comprova, azar.
Nos recentes tempos da recente ditadura seus opositores eram, primeiro demitidos, presos, torturados e muitas vezes “desaparecidos”, para depois serem processados e em alguns casos até “absolvidos”. Vencido o terrorismo militar, os políticos são expostos à execração da opinião pública, eviscerados em sua intimidade política, e ao fim destruídos eleitoralmente, depois de assassinados moralmente, culpados ou não. A regra é a mesma: primeiro a pena, depois o julgamento.
Se, por um lado, é plenamente respeitada e garantida a liberdade de imprensa, por qualquer de seus meios, falta ao povo a liberdade de informação ou o direito à informação isenta. Faltam-nos meios de obter outras visões da mesma realidade, de uma análise crítica das questões nacionais e internacionais, e qualquer tentativa de alterar o lamentável quadro vigente é, de forma alarmante, noticiada pelas empresas de comunicação como ameaça à liberdade de imprensa.
Ainda sob os efeitos das vitórias de Lula, alcançadas sob o tiroteio implacável de uma imprensa unanimemente opositora, os partidos de esquerda tendem a subestimar o papel ideologicamente corrosivo exercido pela grande imprensa – rádios AM, televisão, jornais e revistas — exercem sobre as cabeças e mentes dos brasileiros.
Roberto Amaral é cientista político, advogado e escritor. Foi ministro de Ciência e Tecnologia no primeiro governo Lula e diretor-geral da Binacional Alcântara Cyclone Space (ACS). Atualmente, é membro do Conselho de Administração do BNDES, conselheiro da Itaipu Binacional, secretário-geral da Coordenação Socialista Latino-americana (CSL) e primeiro vice-presidente nacional do Partido Socialista Brasileiro (PSB).
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Brasil em 2008 – Marolinha

A Marolinha e os Abutres
Com 20 dias da explosão do Lehman Brothers e da crise instalada de forma incontrolada nos EUA e ameaçando a Europa, o ex-Presidente Lula de forma simples definiu o que seria a crise no Brasil: Marolinha. Depois reafirmou que “o Brasil será o último a entrar em crise e o primeiro a sair”.
A reação foi desenfreada para desqualificar o Presidente Lula, quilos e quilos de editoriais, “especialistas” nos programas de televisão para desmentir o que ele dizia, nem a humildade de perceber que as palavras ali eram para que o cidadão comum entendesse a crise e que o Brasil podia enfrentá-lo, nada foi considerado. Aqui uma pequena amostra do que disseram – a mídia e a oposição – na melhor fusão de ambos:
“Era um telhado com goteiras, e o dono da casa tentava pegar a água com baldinhos. Ontem caiu parte do telhado: a queda de 17,2% da produção industrial em janeiro, em comparação com janeiro de 2008 — o pior resultado desde 1991 —, fez cair a ficha de que o país pode ter recessão em 2009. Há fatos preocupantes. Quem acreditou na tese da “marolinha” tomou decisões que aprofundam a crise agora.
(…)
O governo Lula continua perdido. Para ele, o que há é uma crise do “neoliberalismo”. O que há é uma crise econômica, senhores e senhora. Ela é grande e nos atingiu há meses.
(Miriam Leitão 7/3/2009)
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“O quixotesco presidente Lula é outro que prefere indicar o caminho de um otimismo imaginário e enganador a aceitar a realidade. Diante da intensidade da crise nos últimos 30 dias, a tentativa de reduzi-la ao tamanho de uma marolinha mostrou-se ridícula. Lula até descreve direitinho a cadeia de acontecimentos: se o cidadão não compra, as vendas caem, as empresas reduzem a produção e o trabalhador perde o emprego. Afinal, é isso que ensinam manuais de economia e é o que está acontecendo. Só que Lula ignora um detalhe poderoso: quem desencadeia a perda de vendas, da produção e do emprego não é o cidadão, mas a pior crise econômica global dos últimos 70 anos. Não serão seus extravagantes conselhos de consumo que irão derrotá-la.” (O Estado SP – O real e o imaginário na crise 11/01/2009) *Suely Caldas, jornalista, é professora de Comunicação da PUC-Rio
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“A percepção popular é a de que a população está sendo lograda. A história da marolinha pegou e as pessoas estão vendo que o Lula as estava ludibriando”, afirmou Agripino Maia. “Há uma realidade que o governo não foi capaz de enfrentar, de encarar de frente o risco de uma crise interna e externa. A opinião pública está sentindo que, na prática, a crise não está sendo verdadeiramente enfrentada”, disse Sérgio Guerra. (O Estado SP – Para oposição, crise derrubou aprovação ao governo Lula 30/03/2009)
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“Os brasileiros, portanto, ainda acreditam em Papai Noel e que a crise é só uma marolinha, enquanto o tsunami devora 1,2 milhão de vagas em três meses e 533 mil num único mês nos EUA. E está vindo.
Isso demonstra má informação e confiança quase mística em Lula.”
* Eliane Catanhêde (Folha Sp – Bota tsunami nisso! 7/12/2008)
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“O governo perdeu a chance de preparar o Brasil para a crise. Num aspecto, estamos piores do que a própria Argentina, que não tem déficit na conta corrente do balanço de pagamentos nem déficit fiscal.
“A crise é do Bush, não é minha”. “Aqui, se a crise chegar, vai ser uma marolinha”. O talento do presidente Lula para se esquivar de responsabilidades é conhecido. Mas o país depende agora de duas habilidades que seu governo ainda não mostrou: firmeza e competência para tomar decisões difíceis e capacidade de negociação transparente e baseada no interesse nacional.
* Sérgio Guerra, economista, é senador da República pelo PSDB-PE e presidente nacional do PSDB. (Folha SP – Uma crise (inter) nacional 14/10/2008)
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“Mesmo os mais cabeludos já estão carecas de saber que o presidente Lula exagerou, exageradamente, ao dizer, em outubro passado, que a crise – “um tsunami lá nos Estados Unidos – chegaria ao Brasil, se chegasse, como uma “marolinha”. Hoje, Lula é malhado, com razão, sem dó nem piedade, por gregos e baianos – principalmente os que lhe fazem oposição.” José Paulo Kupfer, Estadão 17/03/2009)
O DataFolha foi usado para tentar “provar” que Lula estava errado, que a declaração sobre marolinha não era aprovada pela população:
“Diminuiu sensivelmente desde novembro a concordância com a frase do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que a crise, se chegasse aqui, seria apenas “uma marolinha”, informa pesquisa do Instituto Datafolha divulgada nesta sexta-feira pela Folha.
Segundo a pesquisa, a porcentagem dos que concordam caiu de 42% para 35%, enquanto os que discordam aumentaram de 39% para 50%. Mas segue alto o grau de concordância com outra frase –a de que “o Brasil, se tiver que passar por um aperto, será muito pequeno”: ele caiu de 53% para 50%.
A piora da crise econômica mundial fez a aprovação ao governo Lula cair cinco pontos percentuais –de 70% para 65%. O levantamento revela também que o percentual de brasileiros que tomaram conhecimento da crise subiu de 72% para 81%, em relação a última pesquisa divulgado em novembro do ano passado”. (Folha de S, Paulo 20/03/2009)
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A Virada de Lula

Como toda declaração de Lula quase foi massacrado pela mídia e seus acólitos no parlamento. Porém ele jogou todo seu patrimônio político no combate a crise, enfrentou-a de peito aberto, com o significativo pronunciamento no natal de 2008.
Mesmo com toda torcida contra, Lula jogou todas as suas forças e recursos do Estado para que o Brasil fosse pouco atingido pelos efeitos da crise, importante lembrar os coveiros (Miriam Leitão, Sardenberg, PSDB e DEM) que torciam entusiasmados com a possibilidade de derrotar o governo, todo dia eles comemoravam um número ruim que saiam, em abril chegaram a dizer que o desemprego iria explodir em 2009, que a geração de novos empregos seria nula. No parlamento a ‘“marolinha” era motivo de chacota, os programas eleitorais do DEM/PSDB/PPS repetiam as piadas sobre a crise.
Logo em junho a situação se reverteu, o pior passara, o crescimento seria ZERO, mas o mundo todo em média seria de -4%, ou seja, estávamos no Lucro. A previsão de geração de emprego foi de 1 milhão(confirmado com 995 mil novos empregos).
Para variar Lula foi reconhecido no exterior pela sua imensa coragem de enfrentar a crise, ao contrário do governo FHC que sucumbira nas crises: Tigres Asiáticos e Russa. Lula saiu como o grande vencedor, mas melhor ler o que publicou o Le Monde no começo de Setembro de 2009:
Ao prever com ironia um ano atrás que “o tsunami” da crise provocaria em seu país uma simples “marola”, o presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, acertou: a recessão só duraria um semestre.
O produto interno bruto aumentou 1,9% no segundo trimestre de 2009, depois de ter recuado durante dois trimestres consecutivos: -3,4% (outubro-dezembro 2008) e -1% (janeiro-março 2009).
Segundo o ministro da economia, Guido Mantega, o gigante sulamericano deverá recuperar em 2010 sua velocidade média anterior à crise, em torno de +4,5%.
Atingido pela recessão mais tarde que a maioria dos países do mundo, o Brasil também saiu dela antes, como mostram dois outros índices: a Bolsa de São Paulo retomou seu alto nível de um ano atrás e a moeda, o real, recuperou toda sua força frente ao dólar e o euro.
A rápida recuperação do Brasil mostra como foi acertada a estratégia adotada pelo governo, com enfoque sobre o apoio do mercado interno. Reduções de impostos na indústria automobilística e de eletrodomésticos mantiveram as vendas nesses dois setores industriais cruciais.
O Banco Central ajudou os bancos em dificuldades, retirando de suas gordas reservas – US$ 200 bilhões – para irrigar o mercado que havia secado. Grandes empresas, como a gigante mineradora Vale, ficaram com medo, congelando seus investimentos, o que é criticado pelo presidente Lula hoje. Mas a confiança dos consumidores não foi abalada: “A economia sobreviveu graças aos mais pobres”, ressalta Lula.
Lula passou a ser visto no mundo como o “CARA” nas palavras de Obama, sua rapidez de agir, firmeza e principalmente a confiança de que só nós podíamos vencer a crise convenceu a população de que era possível. Jamais, em tempo algum, aqueles acima citados fizeram ou farão mea-culpa do que escreveram e falaram, mas eles passarão para história apenas como ideólogos do caos, do sentimento de vira-latas que assolou por longos anos o Brasil.
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