16 de nov de 2011

A situação dos professores da rede escolar pública no país

Aprovada há mais de três anos, a lei nacional do piso do magistério não é cumprida em pelo menos 17 das 27 unidades da Federação, informa a FAlha de São Paulo.
A legislação prevê mínimo de R$ 1.187 a professores da educação básica pública, por 40 horas semanais, excluindo as gratificações.
A lei também assegura que os docentes passem ao menos 33% desse tempo fora das aulas para poderem atender aos estudantes e preparar aulas.
A regra visa melhorar as condições de trabalho dos docentes e atrair jovens mais bem preparados para o magistério.
O levantamento mostra que a jornada extra-classe é o ponto mais desrespeitado da lei: 15 Estados a descumprem, incluindo São Paulo, onde 17% da carga é fora da classe. Entre esses 15, quatro (MG, RS, PA e BA) também não pagam o mínimo salarial.
O ministério da Educação afirma que a lei deve ser aplicada imediatamente, mas que não pode obrigar Estados e municípios a isso.
O quadro abaixo resume a situação:
Leia Mais ►

A gafe dos presidentes, a mentira da imprensa

O fato mais retumbante da fracassada reunião do G-20, dias 3 e 4/11, em Cannes, não saiu em nenhum comunicado oficial, nem nas entrevistas dos líderes das 20 nações mais ricas deste planeta empobrecido. Num descuido técnico capaz de matar de inveja ao inconfidente Julian Assange, vazou no sistema de som da cúpula um diálogo inacreditável dos presidentes da França, Nicolas Sarkozy, e dos Estados Unidos, Barack Obama, desancando um amigo ausente, o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu.
Os jornalistas receberam seus equipamentos de tradução simultânea, enquanto aguardavam a chegada de Sarkozy e Obama para a entrevista coletiva. Os dois presidentes, com aquela sinceridade que só habita documento secreto vazado pelo WikiLeaks, falavam em privado, na sala ao lado, o que nunca diriam em público sobre o primeiro-ministro israelense.
“Não posso nem vê-lo. É um mentiroso”, bufou Sarkozy, em francês. “Se você está cansado, imagina eu, que tenho de lidar com ele todos os dias”, ecoou Obama, sob o solitário testemunho do intérprete. Um descuido jogou esta conversa franca no sistema de som que os jornalistas haviam recebido, minutos antes da coletiva iminente.
Mais espantoso do que o tom cabeludo do papo presidencial entre dois tradicionais aliados de Israel foi o comportamento cúmplice da grande imprensa, que se mostrou uma aliada ainda mais incondicional de Sarkozy e Obama. Esta conversa aconteceu numa quinta-feira (3/11), numa sala reservada do suntuoso Palais des Festivals de Cannes, e foi ouvida casualmente por seis jornalistas de grandes órgãos internacionais, que ainda testavam seus fones de ouvido. Um deles era da Associated Press (AP), uma gigantesca agência de notícias que abastece 1.700 jornais e 5.000 rádios e TVs em 120 países. Outro era da Reuters, a maior e mais antiga agência do mundo, com 14 mil funcionários falando 20 idiomas em mais de 200 grandes cidades do mundo. Apesar disso, ninguém ficou sabendo da conversa ouvida por acaso pelos jornalistas simplesmente porque os jornalistas ocultaram a notícia.
Cortesões do poder
Uma das anônimas testemunhas dessa gafe histórica explicou à agência estatal France Presse (3.000 funcionários em 110 países, com notícias em seis idiomas) a razão de seu deliberado mutismo: “Nós fomos avisados para sermos prudentes e proteger as pessoas do Palácio Eliseu, com as quais trabalhamos todos os dias, e acima de tudo sobre a natureza da conversa, que poderia ser explosiva”.
Outro jornalista, mais servidor público do que servidor do público, o israelense Gidon Kutz, de uma rádio oficial de Tel-Aviv, explicou que os repórteres acharam melhor esconder o que ouviram por “uma questão de correção” e por uma inesperada cortesia com os anfitriões: “Eles não quiseram embaraçar o serviço de imprensa do Governo Sarkozy”.
A rede britânica BBC acrescentou outra vergonhosa explicação dos jornalistas que decidiram dissimular a notícia: “A divulgação do diálogo poderia constranger Sarkozy”, disseram, ocultos no anonimato e encharcados de constrangimento por seu mau profissionalismo.
Com esse inusitado pacto de silêncio, a conversa sem censura de Sarkozy e Obama acabou sendo vítima de uma inusitada autocensura dos repórteres que testemunharam a derrapada presidencial mas preferiram ser servis ao poder, em vez de servir ao público a que deveriam informar. Tudo isso ficou sepultado num obsequioso sigilo durante cinco dias. A conversa vazada da quinta-feira (3) só ganhou as manchetes do mundo na terça-feira (8/11), por obra e graça de um site francês especializado nos bastidores da mídia eletrônica, o Arrêt Sur Images (ASI), algo como “Imagem sob Julgamento”. Os jornalões brasileiros só deram a notícia uma semana depois (quinta, 10/11).
Carne com cenoura
Sustentado apenas pelos assinantes e sem espaço para publicidade, o ASI fez o que o resto da imprensa não conseguiu fazer – reconheceu o conteúdo da conversa vazada como de “utilidade pública” e fez dela um “furo” de repercussão mundial, com esta manchete: “Netanyahu ‘mentiroso’ – a conversação secreta de Obama e Sarkozy”. Até as grandes agências de notícias, que tinham afanado a informação, foram obrigadas a reproduzir a gafe mundo afora para não ampliar o vexame. Ela ganhou destaque até nos sites dos maiores jornais de Israel, com exceção do diário Israel Hayom, conhecido por sua notória intimidade com o premiê Netanyahu desde que foi lançado, em 2007.
O site Arrêt Sur Images é dirigido pelo jornalista Daniel Schneidermann, 53 anos, que escreve semanalmente sobre TV nos jornais Le Monde e Libération. O sucesso de seus comentários o levou a criar em 1995 um programa no canal estatal France 5 com um objetivo claro: “A vocação de Arrêt Sur Images é areflexão crítica sobre as mídias”. Os jornalistas de TV, incomodados com essa espécie de “observatório televisivo”, apelidaram o programa semanal de Schneidermann de boeuf-carottes (carne com cenoura), gíria francesa para uma repartição pública, a IGS, conhecida como “a polícia das polícias”. Tinha uma audiência média de 7%, o que representava mais de 700 mil telespectadores, mas a fricção interna na rede estatal levou à sua exclusão da grade de programação em setembro de 2007.
Dias depois de sair do ar na TV, o Arrêt Sur Images voltou pela internet, com o mesmo nome e ousadia. Até o blog ganhar visibilidade mundial com o “furo” inesperado de Cannes.
A questão que fica sem resposta não é o previsível mal-estar que dominará os futuros encontros entre os líderes dos Estados Unidos, França e Israel, agora desnudados pela conversa nua e crua de Sarkozy e Obama.
A grande, desafiadora pergunta que paira no ar sobrevoa a gafe monumental da grande imprensa mundial surpreendida em flagrante delito: o que levou à deliberada ocultação de uma notícia de evidente interesse público, de forte implicação política, de grave repercussão internacional no contexto das relações diplomáticas?
A ferida e o manto
É inacreditável que experientes profissionais de grandes órgãos e de redes de comunicação de alcance planetário se vejam, de repente, enredados em questões menores, mesquinhas, provincianas. Não cabe aos jornalistas, em nenhuma circunstância, o delito de esconder deliberadamente uma notícia sob o falso argumento de que ela possa “constranger” o poder ou a autoridade pública.
Nada constrange mais do que a autocensura ou o servilismo da imprensa às instâncias do poder, público ou privado. A imprensa e seus profissionais vivem e dependem da fé pública que deriva de sua eterna vigilância e de sua permanente independência em relação aos governos e aos governantes, em todos os tempos, em todos os lugares.
Os repórteres enviados a Cannes não estavam lá a passeio, para aproveitar as delícias da Promenade de la Croisette, a charmosa avenida a beira-mar lambida pelo sereno Mediterrâneo. Diante do inesperado vazamento, não cabia a eles “proteger” os descuidados funcionários do Palácio Eliseu ou evitar embaraços aos presidentes distraídos. Uma das virtudes dos bons jornalistas é justamente embaraçar governantes e expor as falhas de suas administrações.
Esconder uma notícia não é “uma questão de correção”. É exatamente o contrário. Quando se estabelece um sistema de cumplicidade e uma prática de quadrilha para fazer o que não é correto e para cometer um ato servil que subverte a função essencial do bom jornalismo, abre-se uma ferida de mau comportamento que exige uma discussão aberta e transparente, sem códigos de silêncio ou conluios de sigilo, todos envergonhados, todos vergonhosos.
É surpreendente descobrir que, oculto por trás da grande gafe presidencial de Cannes, havia algo ainda maior, ainda pior: um grave vazamento ético de má conduta da imprensa. A única forma de estancá-lo é abrir, já, um amplo debate sobre este monumental erro coletivo, que abafa até o jornalista mais inocente sob o espesso manto do constrangimento.
Luiz Cláudio Cunha é jornalista
Leia Mais ►

SBT, última joia de Silvio, pode ir para o Ongoing

Concorrentes, como Globo, Record e Band, temem que a emissora caia nas mãos do grupo português comandado pela brasileira Maria Alexandra Vasconcellos; ela já adquiriu jornais O Dia e Meia Hora e quer mais; pressão da PF no caso Panamericano pode forçar Silvio Santos a entregar sua tevê
A principal dúvida que paira sobre o mercado brasileiro de comunicação diz respeito ao futuro do SBT, joia da coroa do império construído por Silvio Santos. O empresário, que completa 81 anos em dezembro, não preparou uma sucessão interna e aqueles que foram seus principais executivos durante décadas, como Luiz Sandoval e Rafael Palladino, estão sendo indiciados pela Polícia Federal pelo rombo de R$ 4,3 bilhões deixado no banco Panamericano. Silvio decidiu vender todos os seus ativos, como as Lojas do Baú e a empresa de cosméticos Jequiti, mas é provável que tenha que entregar também a joia da coroa. Especula-se até que isso teria sido acertado pelo empresário e o presidente Lula numa conversa que ambos tiveram antes das eleições presidenciais de 2010, em troca do apoio que o empresário recebeu do governo federal – o Panamericano, socorrido pela Caixa Econômica Federal e depois pelo Fundo Garantidor de Crédito, já precisa de mais R$ 600 milhões.
Atentos ao desenrolar desse processo, os controladores das principais emissoras de televisão do Brasil, como Globo, Record e Bandeirantes, acompanham as movimentações do dono do SBT, que tem uma rede de retransmissoras espalhada por todo o País e boa parte da verba publicitária. Meses atrás, uma nota publicada na coluna da jornalista Mônica Bergamo, insinuou que o Eike Batista poderia ser um comprador – mas o bilionário carioca teria recuado, diante das pressões de concorrentes.
Agora, quem desponta como o mais provável comprador do SBT é o grupo português Ongoing, do empresário Nuno Vasconcellos, sócio da Portugal Telecom e também da Oi, comandado no Brasil por sua esposa, Maria Alexandra Vasconcellos. De dois anos para cá, o Ongoing, através de seu braço Ejesa, tem sido o maior investidor da mídia brasileira, tendo criado algumas publicações, como o jornal “Brasil Econômico”, e comprado outras, como “O Dia” e “Meia Hora”, ambos do Rio de Janeiro. Como a lei brasileira impede que grupos estrangeiros tenham mais de 30% do capital de veículos de comunicação no Brasil, o Ongoing também tem sido atacado, com frequência, pela Associação Nacional de Jornais, a ANJ.
Oligopólios familiares
Em entrevista recente ao jornalista Éder Fonseca, colaborador do 247, a empresária Maria Alexandra Vasconcellos falou sobre as pressões que enfrenta. “No Brasil, a imprensa é formada por grandes grupos familiares e a chegada da Ejesa, que fez investimentos como há muito não se via, balançou essa estrutura”, disse ela. “Os oligopólios são prejudiciais à população”.
Até agora, o Ejesa vem crescendo discretamente. Come pelas beiradas, como dizem os mineiros. Mas se efetivamente entrar no SBT, como parece ser o desejo de boa parte do governo federal, passará a ser um player de primeira grandeza.
Leia Mais ►

Levitação Quântica

Isso é o futuro. Os veículos serão assim: imaginem que essa rodinha aí será um veículo e as placas condutoras serão a pista... simples assim!

Leia Mais ►

Frei Betto, Comparato e dirigente sindical

O escritor Frei Betto, ex-preso político, está entre
os indicados para integrar comissão
(Foto: Marcello Casal Junior/ Arquivo Agência Brasil)
O Comitê pela Verdade, Memória e Justiça de São Paulo vai apresentar esta semana à presidenta da República, Dilma Rousseff, uma lista com os nomes indicados para compor a Comissão da Verdade, cuja criação pode ser sancionada sexta-feira (18) no Palácio do Planalto.
O grupo quer garantir que cidadãos realmente afins à investigação de violações cometidas pelo Estado brasileiro durante a ditadura (1964-85) sejam indicados para garantir uma apuração de fato durante os dois anos de operação do colegiado, que será composto por sete integrantes. A lista completa de sugestões será entregue durante ato em frente ao escritório da Presidência da República em São Paulo nesta quinta-feira (17), a partir de 16h30.
Entre os nomes estão o do jurista Fábio Konder Comparato, professor aposentado da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP) e conhecido pela defesa da condenação dos repressores, o do escritor Frei Betto, ex-preso político, e o de Clarice Herzog, esposa do jornalista Vladimir Herzog, morto pelo regime. Expedito Solaney, secretário nacional de políticas sociais da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Narciso Pires, do Grupo Tortura Nunca Mais do Paraná, e Noaldo Meireles, advogado da Comissão Pastoral da Terra na Paraíba, também integram a lista, que tem ainda os nomes do procurador regional da República em São Paulo, Marlon Weichert, autor de ações que pedem punições civil e penal para os envolvidos na ditadura. José Henrique Rodrigues Torres e Kenarik Boujikian, integrantes da Associação Juízes para a Democracia, figuram na relação.
Confira abaixo todos os nomes que serão apresentados a Dilma
Aton Fon Filho, advogado, ex-preso político
Chico Sant’anna, jornalista e professor universitário
Clarice Herzog, familiar de vítima da ditadura
Expedito Solaney, secretário nacional de políticas sociais da CUT
Fábio Konder Comparato, jurista
Frei Betto, escritor, ex-preso político
Iara Xavier Pereira, familiar de vítimas da ditadura
João Vicente Goulart, familiar de vítima da ditadura
José Henrique Rodrigues Torres, juiz de Direito
Kenarik Boujikian, juíza de Direito
Lincoln Secco, historiador, professor da USP
Lucilia de Almeida Neves Delgado, historiadora, professora da UnB
Marlon Weichert, procurador regional da República em São Paulo
Narciso Pires, Grupo Tortura Nunca Mais do Paraná
Noaldo Meireles, advogado da CPT da Paraíba
Stanley Calyl, Associação dos Anistiados do Arsenal de Marinha
Leia Mais ►

Presidenta defende solução negociada sobre royalties do pré-sal, diz governador do ES

Presidenta Dilma Rousseff durante encontro com Renato Casagrande, governador do Espírito Santo, e Márcio Felix, secretário de Desenvolvimento do estado.
Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, disse hoje (16), após audiência no Palácio do Planalto, que a presidenta Dilma Rousseff defendeu uma solução negociada entre os estados produtores e os demais estados da federação a respeito da distribuição dos royalties do pré-sal. Segundo o governador, ela reiterou ser contra o rompimento de contratos já assinados.
“Ela [a presidenta Dilma Rousseff] reafirmou sua posição de que quer uma solução negociada para o tema e de que ela é contra o rompimento de contratos. Mas compreende que é fundamental que busquemos, as partes envolvidas, uma solução que possa respeitar os contratos já assinados e que aponte um entendimento que facilite essa votação no Congresso Nacional”, destacou.
O governador disse ainda que, além da distribuição dos royalties, durante o encontro com a presidenta foram discutidos reforma tributária e investimentos em infraestrutura no Espírito Santo.
No Blog do Planalto
Leia Mais ►

PSA Peugeot Citroën vira as costas para a França

Para atingir uma economia de 800 milhões de euros no próximo ano, montadora confirma corte de 6 mil vagas. Em contrapartida, investirá R$ 3,7 bilhões no mercado brasileiro até 2015 – uma estratégia difícil de engolir para os franceses
Roberta Namour, correspondente do 247 em Paris – Por mais esperada que fosse, a notícia do corte de 6 mil vagas na PSA Peugeot Citroën – 5 mil só na França, caiu como uma bomba em Paris. A tal da crise financeira que anda assombrando a Europa começa a ser efetivamente sentida por aqui. A perspectiva de uma economia de 800 milhões de euros em 2012 está por trás da decisão da montadora.
De acordo com o representante sindical Jean-Pierre Mercier, na França, 1.900 empregos seriam cortados na área industrial e outros 3.100 em setores como vendas, pesquisa e desenvolvimento. Para Ricardo Madeira, do sindicato CFDT, esse plano é deplorável tendo em vista a remuneração dos dirigentes e dos dividendos de 200 milhões de euros que foram pagos recentemente.
Além disso, o notícia causa ainda mais impacto depois que a PSA anunciou no mês passado um investimento de R$ 3,7 bilhões no mercado brasileiro até 2015. Segundo Carlos Gomes, presidente do grupo para o Brasil e América Latina, o aporte servirá para ampliar a capacidade da produção de novos modelos e motores na fábrica de Porto Real, no Rio de Janeiro.
Atualmente, a unidade produtiva tem capacidade de 150 mil unidades por ano. Com o investimento, subirá para 300 mil unidades anuais. Já a produção de motores passará de 280 mil unidades para 400 mil unidades/ano. "O Brasil é a prioridade do grupo neste momento, e a tendência é produzir modelos que os brasileiros queiram comprar", afirmou o executivo.
Para se salvar da crise europeia, a montadora francesa vira as costas para seu país e apostas todas as suas fichas nos mercados emergentes. Uma tendência difícil de engolir para os franceses.
Leia Mais ►

O capitalismo e a miséria americana

O capitalismo, dizem alguns de seus defensores, foi uma grande invenção humana. De acordo com essa teoria, o sistema nasceu da ambição dos homens e do esforço em busca da riqueza, do poder pessoal e do reconhecimento público, para que os indivíduos se destacassem na comunidade, e pudessem viver mais e melhor à custa dos outros. Todos esses objetivos exigiam o empenho do tempo, da força e da mente. Foi um caminho para o que se chama civilização, embora houvesse outros, mais generosos, e em busca da justiça. Como todos os processos da vida, o capitalismo tem seus limites. Quando os ultrapassa no saqueio e na espoliação, e isso tem ocorrido várias vezes na História, surgem grandes crises que quase sempre levam aos confrontos sangrentos, internos e externos.
A revista Foreign Affairs, que reflete as preocupações da intelligentsia norte-americana (tanto à esquerda, quanto à direita) publica, em seu último número, excelente ensaio de George Packer – The broken contract; Inequality and American Decline. Packer é um homem do establishment. Seus pais são professores da Universidade de Stanford. Seu avô materno, George Huddleston, foi representante democrata do Alabama no Congresso durante vinte anos.
O jornalista mostra que a desigualdade social nos Estados Unidos agravou-se brutalmente nos últimos 33 anos – a partir de 1978. Naquele ano, com os altos índices de inflação, o aumento do preço da gasolina, maior desemprego, e o pessimismo generalizado, houve crucial mudança na vida americana. Os grandes interesses atuaram, a fim de debitar a crise ao estado de bem-estar social, e às regulamentações da vida econômica que vinham do New Deal. A opinião pública foi intoxicada por essa idéia e se abandonou a confiança no compromisso social estabelecido nos anos 30 e 40. De acordo com Packer, esse compromisso foi o de uma democracia da classe média. Tratava-se de um contrato social não escrito entre o trabalho, os negócios e o governo, que assegurava a distribuição mais ampla dos benefícios da economia e da prosperidade de após-guerra – como em nenhum outro tempo da história do país.
Um dado significativo: nos anos 70, os executivos mais bem pagos dos Estados Unidos recebiam 40 vezes o salário dos trabalhadores menos remunerados de suas empresas. Em 2007, passaram a receber 400 vezes mais. Naqueles anos 70, registra Packer, as elites norte-americanas se sentiam ainda responsáveis pelo destino do país e, com as exceções naturais, zelavam por suas instituições e interesses. Havia, pondera o autor, muita injustiça, sobretudo contra os negros do Sul. Como todas as épocas, a do após-guerra até 1970, tinha seus custos, mas, vistos da situação de 2011, eles lhe pareceram suportáveis.
Nos anos 70 houve a estagflação, que combinou a estagnação econômica com a inflação e os juros altos. Os salários foram erodidos pela inflação, o desemprego cresceu, e caiu a confiança dos norte-americanos no governo, também em razão do escândalo de Watergate e do desastre que foi a aventura do Vietnã. O capitalismo parecia em perigo e isso alarmou os ricos, que trataram de reagir imediatamente, e trabalharam – sobretudo a partir de 1978 – para garantir sua posição, tornando-a ainda mais sólida. Trataram de fortalecer sua influência mediante a intensificação do lobbyng, que sempre existiu, mas, salvo alguns casos, se limitava ao uísque e aos charutos. A partir de então, o suborno passou a ser prática corrente. Em 1971 havia 141 empresas representadas por lobistas em Washington; em 1982, eram 2445.
A partir de Reagan a longa e maciça transferência da renda do país para os americanos mais ricos, passou a ser mais grave. Ela foi constante, tanto nos melhores períodos da economia, como nos piores, sob presidentes democratas ou republicanos, com maiorias republicanas ou democratas no Congresso. Representantes e senadores – com as exceções de sempre – passaram a receber normalmente os subornos de Wall Street. Packer cita a afirmação do republicano Robert Dole, em 1982: “pobres daqueles que não contribuem para as campanhas eleitorais”.
Packer vai fundo: a desigualdade é como um gás inodoro que atinge todos os recantos do país – mas parece impossível encontrar a sua origem e fechar a torneira. Entre 1974 e 2006, os rendimentos da classe média cresceram 21%, enquanto os dos pobres americanos cresceram só 11%. Um por cento dos mais ricos tiveram um crescimento de 256%, mais de dez vezes os da classe média, e quase triplicaram a sua participação na renda total do país, para 23%, o nível mais alto, desde 1928 – na véspera da Grande Depressão.
Esse crescimento, registre-se, vinha de antes. De Kennedy ao segundo Bush, mais lento antes de Reagan, e mais acelerado em seguida, os americanos ricos se tornaram cada vez mais ricos.
A desigualdade, conclui Packer, favorece a divisão de classes, e aprisiona as pessoas nas circunstâncias de seu nascimento, o que constitui um desmentido histórico à idéia do american dream.
E conclui: “A desigualdade nos divide nas escolas, entre os vizinhos, no trabalho, nos aviões, nos hospitais, naquilo que comemos, em nossas condições físicas, no que pensamos, no futuro de nossas crianças, até mesmo em nossa morte”. Enfim, a desigualdade exacerbada pela ambição sem limites do capitalismo não é apenas uma violência contra a ética, mas também contra a lógica. É loucura.
Ao mundo inteiro – o comentário é nosso- foi imposto, na falta de estadistas dispostos a reagir, o mesmo modelo da desigualdade do reaganismo e do thatcherismo. A crise econômica mais recente, provocada pela ganância de Wall Street, não serviu de lição aos governantes vassalos do dinheiro, que continuaram entregues aos tecnocratas assalariados do sistema financeiro internacional. Ainda ontem, Mário Monti, homem do Goldman Sachs, colocado no poder pelos credores da Itália, exigia do Parlamento a segurança de que permanecerá na chefia do governo até 2013, o que significa violar a Constituição do país, que dá aos representantes do povo o poder de negar confiança ao governo e, conforme a situação, convocar eleições.
Tudo isso nos mostra que estamos indo, no Brasil, pelo caminho correto, ao distribuir com mais equidade a renda nacional, ampliar o mercado interno, e assim, combater a desigualdade e submeter a tecnocracia à razão política. É necessário, entre outras medidas, manter cerrada vigilância sobre os bancos privados, principalmente os estrangeiros, que estão cobrindo as falcatruas de suas instituições centrais com os elevados lucros obtidos em nosso país e em outros países da América Latina.
Leia Mais ►

McBoicote Feliz


Não vou ao McDonald's já faz tempo. Mas agora, convido você para fazer o mesmo. Por quais motivos? Basta ver este vídeo estarrecedor aqui. Façamos a rede McDonald's em todo o Brasil sentir no bolso o peso de um McBoicote Feliz!

No Comunica Tudo
Leia Mais ►

Lula sem barba e cabelo

Dona Marisa corta cabelo e barba do ex-presidente Lula. 
(Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula)
Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula
Leia Mais ►

Querem de "verdade" combater à corrupção ?

Os Ministérios Públicos dos Estados e da União compilaram dados dos sonegadores no país. São 480 empresas e 765 pessoas denunciadas.
Quando será que os tais indignados irão EXIGIR a divulgação desta nominata.
Os links são:
http://www.cnpg.org.br/html/index.php?id_texto=18948

http://p-web01.mp.rj.gov.br/Arquivos/Estilo_de_memorando.pdf
No gLOBO em pele de cordeiro
Leia Mais ►

Governo português propõe acabar com feriados religiosos; igreja reage

Dom Policarpo impôs condição para
que haja extinção de dois feriados
O ministro de Portugal Álvaro Santos Pereira, da Economia, está propondo acabar com feriados religiosos como uma das medidas de combate à recessão.
A Igreja Católica reagiu com o argumento de que só o Vaticano pode acabar com esse tipo de feriados e que, nesse sentido, Portugal assinou um acordo com a Santa Sé.
Dom José Policarpo (foto), presidente da CEP (Conferência Episcopal Portuguesa), disse que a igreja concorda com a eliminação de dois feriados, o de Corpus Christi (entre maio e junho), e o da festa de Assunção de Nossa Senhora (15 de agosto), desde que haja a extinção da comemoração de duas datas cívicas.
O governo já cogitava acabar com dois feriados cívicos, o da Restauração a Independência (1 de dezembro) e o da Implantação da República (5 de outubro) e, por isso, poderá fazer um acordo com a Igreja Católica. Policarpo já adiantou que o Dia da Imaculada Conceição (8 de dezembro) é inegociável.
A Associação Cívica República e Laicidade mandou ontem (14) uma carta ao governo argumentando que a Igreja Católica “não tem de impor condições” porque o Estado é laico.
Portugal tem 14 feriados nacionais. Deles, 7 são religiosos, incluindo o Natal.
Leia Mais ►

A Sabedoria dos Doutores da Igreja

Leia Mais ►

Charge online - Bessinha - # 905

Leia Mais ►

Governantes prestam reverência ao centenário da Assembleia de Deus

Pastor Costa entregou uma placa aos políticos
O megaculto ontem (15) de encerramento das comemorações do centenário da AD (Assembleia de Deus) teve a participação de ministro Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral), representando a presidente Dilma, do governador Geraldo Alckmin (PSDB) e do prefeito Gilberto Kassab (PSD). O tucano José Serra também marcou sua presença.
A Assembleia de Deus do Brasil é a maior do mundo, com cerca de 22 milhões de seguidores, de acordo com estimativa de seus líderes. Na Câmara Federal, há 22 deputados de diferentes partidos que seguem a orientação da denominação em questões, como, a dos direitos dos homossexuais. Eles representam um terço da conservadora Frente Parlamentar Evangélica.
Na cerimônia de ontem, Carvalho disse que a AD é um “presente de Deus”. Alckmin afirmou que se trata de uma “semente em terra fértil”.
O pastor José Wellington Bezerra da Costa (foto), líder da AD, entregou a cada um dos políticos uma placa dourada com textos elogiosos.
O culto teve participação de 30 mil fiéis e 2.500 pastores, de acordo com a Folha de S.Paulo. Realizou-se no estádio do Pacaembu.
Na semana passada, o promotor Maurício Antônio Ribeiro Lopes, da Habitação, disse que poderia recorrer à Justiça contra Kassab por ter cedido o estádio à AD para a realização do evento. É que existe uma decisão judicial que impede que o local seja usado para esse tipo de evento. Ali já houve também encontro de fiéis da Igreja Universal.
Leia Mais ►

Só as fotos dizem tudo

Lily é uma Great Dane que é cega desde uma operação que exigiu que seus olhos fossem removidos.
Nos últimos 5 anos, Maddison, outro Great Dane, tem sido a sua visão.
Os dois são, naturalmente, inseparáveis.
Andrea Kelly, por email
Leia Mais ►

Em cinco meses, Brasil Sem Miséria já beneficiou 1,3 milhão de crianças, diz presidenta Dilma

O Plano Brasil Sem Miséria já permitiu a inclusão de 1,3 milhão de crianças no Bolsa Família, informou a presidenta Dilma Rousseff na coluna Conversa com a Presidenta, publicada nesta terça-feira (15) em jornais do Brasil e do exterior. Ela lembrou a importância do acesso das crianças ao programa de transferência de renda do governo uma vez que, da população extremamente pobre, 40% têm até 14 anos.
Em resposta à enfermeira Isabela Palmares, de Nova Friburgo (RJ), a presidenta acrescentou que, nos primeiros cinco meses do plano, 180 mil famílias também entraram para o Bolsa Família. O governo, segundo a presidenta Dilma, está ampliando os recursos para a agricultura familiar e, em novembro, 25 mil famílias de agricultores pobres já estão recebendo assistência técnica, inclusive sementes. Também neste mês, 7.526 famílias que vivem em florestas nacionais, reservas extrativistas e unidades de conservação estão recebendo o Bolsa Verde para que continuem a preservar estas áreas.
“Esses são alguns exemplos de ações que iniciamos nos primeiros cinco meses do Brasil Sem Miséria. O Plano envolve três linhas de atuação: transferência de renda, inclusão produtiva e acesso aos serviços públicos. Uma das ações estratégicas do Plano é a Busca Ativa. Significa que o Estado brasileiro é que está indo atrás das pessoas extremamente pobres.”
Na coluna, a presidenta Dilma também explicou ao produtor Luiz Augusto Lescura, de Cachoeira Paulista (SP), que o Ministério da Saúde vai criar, até 2014, 32 novos centros de radioterapia em todo o país, especialmente nas cidades do interior. O objetivo é ampliar e melhorar a qualidade do tratamento de câncer no SUS. Segundo ela, a medida integra o Plano Nacional de Prevenção, Diagnóstico e Tratamento do Câncer de Colo de Útero e de Mama, que prevê investimentos de R$ 4,5 bilhões nos próximos quatro anos. Só até o fim de 2011, o valor do investimento no setor de oncologia terá um aumento de 22% em relação ao ano passado.
“Com esses investimentos, estamos ampliando e qualificando a assistência aos pacientes atendidos nos hospitais públicos e privados que compõem o SUS, sobretudo para os tipos de câncer mais frequentes, como fígado, mama, linfoma e leucemia aguda. Atualmente, 300 mil pacientes já recebem assistência especializada e gratuita. Essa assistência é oferecida nos 276 serviços existentes – distribuídos nos 26 estados e no Distrito Federal – e vai desde consultas e exames a procedimentos cirúrgicos, radioterapia, quimioterapia e iodoterapia. O tratamento do câncer, Luiz, é absoluta prioridade para nós, pois é a segunda causa de mortalidade no Brasil e no mundo, atrás apenas das doenças cardiovasculares”, disse.
A presidenta também respondeu ao funcionário público Valdecir Pires da Hora, de Diadema (SP), que manifestou sua preocupação em relação aos direitos dos idosos no transporte público. De acordo com a presidenta Dilma, o governo federal mantém à disposição de toda a população, através da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência, o Disque 100 para receber denúncias de desrespeito aos direitos dos idosos. A ligação é gratuita.
“Sabemos que o crescimento econômico e as nossas políticas sociais estão contribuindo para aumentar a expectativa de vida das pessoas. Mas também temos a consciência de que as pessoas precisam viver mais e com qualidade, desfrutando de um envelhecimento ativo e saudável. Nos estados e municípios, os cidadãos podem participar e propor ações nos conselhos estaduais e municipais do Idoso”, afirmou a presidenta.
Segundo ela, entre os dias 23 e 25 de novembro, será realizada em Brasília a 3ª Conferência Nacional dos Direitos da Pessoa Idosa.
“Será um momento onde a sociedade brasileira vai tomar decisões para melhorar a vida das pessoas idosas em todo o país.”
Leia Mais ►

Campanha contra o ódio exibe cartaz com ‘beijo gay’ do Papa e de líderes mundiais

A empresa italiana Benetton lançou nesta quarta-feira uma polêmica campanha contra o ódio e o preconceito com cartazes espalhados pelas cidades de Roma e Milão que trazem figuras internacionais trocando beijos, entre elas o papa Bento XVI. A campanha faz parte das ações da fundação Unhate (Deixe de odiar, em português), criada e patrocinada pela Benetton.
Uma faixa com a montagem do papa Bento XVI beijando o Imã do Cairo, Safwad Hagazi (a autoridade muçulmana do Egito), foi estendida na Ponte dell’Angelo, em Roma, localizada nas proximidades do Vaticano,
O site oficial da fundação Unhate divulgou as montagens na manhã desta quarta-feira. Mas antes do lançamento oficial, pedestres curiosos já haviam fotografado as faixas espalhadas por Roma e Milão e as imagens foram divulgadas pela mídia italiana.
A campanha também traz montagens envolvendo os presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, da China, Hu Jintao, da Venezuela, Hugo Chávez, da França, Nicolas Sarkozy, entrou outras personalidades.
Leia Mais ►

Imprensa nacional em silêncio diante da corrupção no governo Marconi Perillo (PSDB-GO)

Gente fina é outra coisa, a mídia goiana cheia de dedos para noticiar a corrupção no governo goiano de Marconi Perillo (PSDB-GO). O Jornal Anhanguera não fez qualquer referência aos 21 denunciados pelo MP-GO, limitando-se a informar que o governador teria mandado o secretário de saúde, Antônio Faleiros, tomar providências. E olhe lá que o caso já está em fase de denúncia por parte do MP-GO e até agora praticamente nada foi publicado na imprensa goiana. Na imprensa nacional então, a censura foi total.
Imagina só se fosse gente do PT se o batalhão de repórteres teria dado sossego. Mas gente fina é outra coisa né. E falando em corrupção, a maçonaria e outra entidades ligadas ao governador tucano Marconi Perillo sairam ontem às ruas para marchar contra a corrupção, claro, no governo federal, uns poucos gatos pingados mas estavam lá armados de vassouras. Como era de se esperar, nenhuma palavra de ordem se ouviu contra a corrupção no governo de Marconi Perillo. Ué, os goianos protestando contra Dilma e não contra o nosso governador? Isto não saiu no Jornal Nacional: 21 denunciados por prática de corrupção no governo Perillo.
Nenhum veículo de comunicação nacional dá destaque ao fato de que o reitor da UEG desviou mais de 14 milhões dos cofres públicos. A pauta tem que ser contra o governo Dilma mesmo que a presidenta venha tomando as providências, efetuando demissões e colocando em campo órgãos tais como PF, AGU, CGU...
Leia Mais ►

Prefeito de Londrina - PR quer censurar blogueiro

Prefeito de Londrina
Prefeito manda notificar Paçoca

O prefeito de Londrina - PR Homero Barbosa Neto (PDT), através de sua advogada Cláudia Rodrigues, enviou a seguinte notificação ao blog Paçoca com Cebola:
Prezado jornalista Claudio Osti,
Tomamos conhecimento hoje da charge publicada em seu blog, onde foi realizada uma montagem com foto do Prefeito Barbosa Neto.
A liberdade de expressão possui limites e não pode ser exercida sem a indispensável responsabilidade, jamais devendo ser tolerado o abuso.
A possibilidade de criticar é inerente a um Estado Democrático, na qual há inegável direito, Porém, toda e qualquer crítica – e você como jornalista tem o dever de saber – não pode passar dos limites éticos indispensáveis, sob pena de configurar simples ofensa pela ofensa.
Visar intencionalmente expor a Autoridade Pública ao ridículo, como materializado pela charge apontada, é conduta avessa ao jornalismo e transcende os limites da crítica, caracterizando, assim, ato vedado pelo ordenamento. Essa forma de crítica não encontra amparo legal constitucional sob o manto da liberdade de imprensa. Ao revés, sujeita seu autor a duras penas na esfera cível e criminal.
As denominadas críticas de humorísticas, também não servem para mascarar ou justificar conduta que seja deliberadamente ofensiva a outrem. A roupagem humorística não constitui salvo-conduto contra a infringência proposital a direitos da personalidade. Na lição de CLÁUDIO LUIZ BUENO DE GODOY, “a deformação ou distorção de fatos a fim de, sob roupagem humorística, atingir a pessoa satirizada, pode ser dado como indicativo dessa mensagem injuriosa que o humor esconde” (A liberdade de imprensa e os direitos da personalidade. 2ª. Ed. Atlas, 2008, p. 93-94).
Pelo exposto, nos termos da fundamentação apresentada, NOTIFICAMOS Vossa Senhoria para que retire de seu blog até as 10horas do dia 16/11/2011, a charge postada, bem como proceda a retração nesse mesmo blog, publicando o conteúdo dessa notificação, sob pena de responder pelo ato ofensivo nas esferas cível e criminal.
Cláudia Rodrigues – advogada (OAB/PR 18.012)
p.p. Prefeito Barbosa Neto
~ o ~
Quando li a notificação enviada pela advogado do prefeito Homero Barbosa Neto ao Blog, por conta da charge em que ele aparece com um machado na mão, logo pensei: será que é perseguição política, como ele sempre gosta de dizer?
Acho que não.
Não sou e nunca fui filiado a qualquer partido político.
Nunca disputei eleição nem de síndico e nem pretendo. Já votei em candidatos das mais diferentes siglas.
O blog abre espaço para todas as tendências políticas, dos mais a esquerda como o PSTU aos mais à direita como o DEM e o PP.
O blog fez campanha até para doação de sangue quando um familiar do prefeito precisou.
E fez elogios a algumas ações sensatas da prefeitura como a instalação de academias ao ar livre e as faixas exclusivas para onibus.
Bom, então, se não é perseguição política, é censura mesmo.
E como este blog defende sempre o pensamento livre, até para o prefeito desta terra vermelha, agradeço imensamente os emails e os comentários de solidariedade.
Valeu galera.
No Paçoca Cebola
Leia Mais ►

A anarquia da felicidade

Para muitos gregos, o que têm feito vão continuar a fazer, ainda com mais convicção: não pagam impostos. A impunidade está garantida pela falta de dinheiro ou bens. Quando não se tem nada, o que nos podem tirar? Há um poder enorme conferido pela pobreza. Ainda maior quando se descobre que se pode viver feliz com muito pouco.
O Governo está a incluir impostos nas contas da electricidade. E a cortar o abastecimento a quem deixa de pagar. Em resposta, organizou-se um movimento, apoiado pelos sindicatos, para fazer ligações directas aos postes e centrais.
A desobediência está a alastrar-se. Com uma certa volúpia. As pessoas têm prazer em não cumprir nada. Em Atenas, fuma-se em todos os cafés, bares, restaurantes, locais de trabalho, apesar da lei que o proíbe. Os motociclistas circulam com o capacete debaixo do braço.
Há um limite abaixo do qual ninguém aceita viver. A felicidade não se pode impor por decreto, mas a infelicidade também não. Se o contrato social deixa de servir a uma das partes, quebra-se, como qualquer contrato. A ideia de que uma geração pode ser sacrificada é absurda por definição. Sacrificada a quê?
Ninguém entende como podem os gregos viver submetidos a tanta pressão. Pois a explicação é esta: à margem das notícias, eles já estão a libertar-se.
No Farplex
Leia Mais ►

A luta contra o ventre da barbárie capitalista

Com o arsenal nuclear existente, uma escalada militar global terá consequências imprevisíveis. Mais uma vez o mercado se aproxima do ventre que pariu a Besta. Os primeiros dias de novembro acenam para um perigoso redesenho do cenário internacional.
Liga Árabe suspende a Síria; Israel, com o apoio dos EUA, se prepara para atacar o Irã; consórcio franco-alemão toma o poder na Grécia e ameaça soberania italiana; corporações midiáticas censuram repressão policial aos movimentos sociais nos EUA. Com o arsenal nuclear existente, uma escalada militar global terá consequências imprevisíveis. Mais uma vez o mercado se aproxima do ventre que pariu a Besta. Os primeiros dias de novembro acenam para um perigoso redesenho do cenário internacional.
O roteiro, de tão açodado, não deixa qualquer espaço para dúvidas quanto aos reais interesses que movem as marionetes do teatro macabro. O relatório da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) contendo acusações contra o governo do Irã foi divulgado um dia antes de a imprensa inglesa anunciar que o governo de Benjamin Netanyahu planeja uma ampla ofensiva contra as instalações iranianas. Estados Unidos e União Européia prontamente defenderam a adoção de medidas adicionais. São muitas as variáveis em jogo, mas há dados conjunturais que não podemos ignorar.
Em primeiro lugar, é preciso voltar no tempo, para entender o xadrez geopolítico no Oriente Médio. É fundamental reconhecer os motivos que levariam o governo israelense, respaldado pelo imperialismo norte-americano na região, a jogar todo o seu peso em uma aventura bélica de alto risco. E estes motivos só podem ser encontrados na derrota dos EUA na revolução iraniana e, principalmente, na derrocada militar do seu então representante, o Iraque, frente às massas iranianas imbuídas (apesar dos desvios da direção islâmica) de uma proposta anti-imperialista. Passados tantos anos, é plausível trabalharmos com essa hipótese? A resposta é afirmativa.
Se na época, a derrota não veio sozinha, mas sim juntamente com um ascenso dos trabalhadores na região, que passava pelo surgimento do movimento "Paz Agora" em Israel – primeiro movimento de massa israelense a questionar a própria essência do Estado de Israel como um "estado policial" dos EUA – o fato que atualiza o quebra-cabeças foi a bem sucedida ofensiva diplomática do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmud Abbas, pedindo ao Conselho de Segurança o reconhecimento de um Estado independente. Somando-se a isso a adesão da Palestina como membro pleno da Unesco, as reações foram imediatas: os Estados Unidos suspenderam seu apoio financeiro à entidade. E Israel, sabotando qualquer possibilidade de paz, acelerou o processo de colonização em Jerusalém Oriental.
A perspectiva de isolamento, ainda que conte com o apoio incondicional dos principais países da União Européia, levou os ianques e seus títeres, a organizarem uma aventura ousada e perigosa que, se levada a cabo, contará com o apoio do Partido Trabalhista, de "oposição", em Israel. O alcance desta operação, com toda sorte de atrocidades que comporta, liberará forças que dividirão mais ainda a própria sociedade israelense e a comunidade judaica em geral.
Os ensaios fascistas, que se alastram perigosamente em escala mundial, precisam ser detidos e só serão evitados com o movimento de protesto de milhões de pessoas e governos progressistas, unidos com um único objetivo: banir as guerras, banir as armas de extermínio, impondo, pela força dos povos, a paz e o desarmamento. A luta contra o ventre que pariu inúmeras Bestas é cada vez mais um confronto contra a lógica capitalista.
Gilson Caroni Filho é professor de Sociologia das Faculdades Integradas Hélio Alonso (Facha), no Rio de Janeiro, colunista da Carta Maior e colaborador do Jornal do Brasil.
Leia Mais ►

O colapso do sistema econômico

Leia Mais ►

Justiça Eleitoral diploma João Capiberibe como senador

O ex-governador João Capiberibe (PSB) foi diplomado senador nesta segunda-feira pelo Tribunal Regional Eleitoral do Amapá, um ano depois de ter sido eleito. Capiberibe é o principal adversário do grupo político do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), no Amapá.
Na quarta-feira, Capiberibe deverá apresentar o diploma à Mesa Diretora do Senado e Sarney terá o prazo máximo de cinco sessões para empossá-lo.
No Senado, deverá ocupar a vaga do senador Gilvam Borges (PMDB-AP), aliado de Sarney. Gilvam está licenciado e em sua cadeira está seu irmão Geovani Pinheiro Borges (PMDB).
Capiberibe foi eleito em 2010 para o Senado com 130,4 mil votos, mas foi impedido de assumir o mandato depois de ser enquadrado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na Lei da Ficha Limpa.
Em 2005, Capiberibe, então senador, e sua esposa, a deputada federal Janete Capiberibe (PSB), foram acusados de suposta compra de votos nas eleições de 2002 e perderam o mandato.
Em 2010, o casal concorreu com o registro indeferido pelo TSE por conta da condenação. Neste ano, porém, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que a Lei da Ficha Limpa não valeria para a eleição de 2010. Janete tomou posse em julho.
Ex-prefeito de Macapá e ex-governador do Amapá por dois mandatos, Capiberibe registrou sua diplomação no Twitter. “Hoje é o dia! Está chegando ao fim meu segundo exílio, que já dura seis anos”, escreveu no microblog.
Capiberibe e Janete são pais do governador do Amapá, Camilo Capiberibe (PSB).
Cristiane Agostine
No Valor
Leia Mais ►

Fernando Rodrigues acorda e tem ataque de sinceridade , seu emprego está ameaçado na Folha

O Brasil profundo
BRASÍLIA - A República completou 122 anos ontem no Brasil. E o publicitário Nizan Guanaes usou sua coluna na Folha (leia aqui) para procurar uma empregada doméstica que soubesse cozinhar.
"Uma Dona Flor, mas que não precisa ter o corpo da Sônia Braga - precisa é cozinhar", explicou.
Bem-sucedido, Nizan Guanaes diz ser um entusiasta do Brasil contemporâneo. Mas é fascinante como até em cabeças como a dele sobrevive um pedaço renitente do Brasil antigo, profundo.
Esse criptopreconceito vem sempre pendurado em algum elogio. O publicitário louva o país no qual "as pessoas querem ter seu próprio negócio, abraçar profissões 'mais nobres'. E isso é ótimo para elas e para o país". Mas ele, ainda assim, quer a sua cozinheira para fazer aquela "grande e vasta comida brasileira".
Nizan reconhece que o país passa por uma "mudança transformadora". Por isso, admite estar na "desesperadora e cafajeste situação de desejar a cozinheira do próximo".
Em certa medida, o publicitário repete o ato falho de Delfim Netto num programa de TV neste ano. O ex-ministro já se notabilizara durante a ditadura militar por sugerir que o bolo precisava crescer e só depois ser repartido com a população. O diagnóstico delfiniano agora é outro: "Há uma ascensão social visível. A empregada doméstica, que felizmente não existe mais, está desaparecendo. Quem teve este animal, teve. Quem não teve, nunca mais vai ter".
Delfim se desculpou. Em momento algum, desejou referir-se "à classe das empregadas domésticas de maneira pejorativa".
Nizan também deve ter redigido seu texto de boa-fé. Quer dar emprego a alguém. "É fruto do bom momento econômico do Brasil." Só que, ao escolher as palavras do seu "Procura-se uma grande cozinheira", o publicitário mostra, de forma involuntária, como é resiliente o velho Brasil no nosso cotidiano.
Leia Mais ►

Painho Nizan procura uma cozinheira para lhe abanar

Publicitário transforma artigo de opinião em classificado depois de constatar que o Brasil progrediu e que ficou difícil encontrar empregados domésticos; quem quiser cozinhar para ele, pode mandar o currículo para nizan@africa.com.br
O publicitário Nizan Guanaes, dono da agência África, que trabalha a imagem de marcas como Itaú e Brahma, acaba de descobrir, por experiência própria, que o Brasil progrediu muito nos últimos anos. O motivo: ele não tem conseguido encontrar uma cozinheira que lhe atenda. “Não é mais fácil encontrar empregados domésticos no nosso prezado país”, diz Nizan, em artigo publicado nesta terça-feira na Folha de S. Paulo.
Mas como Nizan precisa de uma cozinheira para as festas de fim de ano, ele decidiu transformar seu espaço de opinião num classificado de emprego. Deu até o seu email – nizan@africa.com.br – para quem estiver disposto a enviar um currículo. O artigo faz com que Nizan se pareça com o “Painho”, personagem de Chico Anysio, que vivia cercado de baianas, sempre prontas a lhe abanar. Leia, abaixo, o texto do publicitário, que traduz uma nova realidade econômica brasileira – uma realidade que aproxima a Casa Grande da Senzala e reduz a oferta de cozinheiras para famílias abastadas.
Mas, antes, um vídeo de John Lennon, chamado "Woman is the nigger of the world", que, se Nizan conhecesse, poderia ter evitado a publicação do seu malfadado artigo:
Agora, sim, o artigo de Nizan na Folha:
Procura-se uma grande cozinheira
NIZAN GUANAES
Estou há anos procurando uma cozinheira de mão-cheia. Uma Dona Flor, mas que não precisa ter o corpo da Sônia Braga -precisa é cozinhar mesmo. Fazer aquela grande e vasta comida brasileira. E se ainda souber fazer comida baiana, melhor ainda. Um bom mal-assado, uma feijoada como se come lá nas festas do terreiro do Gantois.
Não precisa saber cozinha francesa e italiana. Porque a cidade já dispõe de grandes restaurantes para isso.
Precisa, sim, de leitão a pururuca, de sequilhinhos, de um belo bolo de laranja. Tendo mão e alma boa, não precisa nem ter gênio bom. Basta ser divina. Como a cozinheira da grande estilista Lenny Niemeyer, que faz todos os domingos o melhor almoço do Brasil.
Escrevo este artigo porque acredito muito na força mobilizadora da mídia impressa, dos jornais que todos os dias entram na nossa casa cedinho gritando as notícias em silêncio.
Escrevo também para lembrar que os primeiros anúncios publicitários feitos neste país foram de coisas triviais como vender um burro, achar um cão perdido ou buscar uma cozinheira.
O peixe que um anúncio vende pode ser vender um carro, um perfume, recrutar uma cozinheira, mas anúncios são feitos para vender o peixe.
Os melhores anúncios são aqueles que se não se esquecem disso.
Que não se esquecem de que a propaganda foi feita para chamar a atenção da pessoa, para reter o leitor, o telespectador. Como você já está lendo este texto por alguns parágrafos, é sinal de que estou sendo bem-sucedido nessa função.
O título "Procura-se uma grande cozinheira" é chamativo. Porque é inesperado. Sobretudo no caderno Mercado da Folha.
Títulos têm de ser inesperados, senão ninguém lê anúncio. E as pessoas, como você bem sabe, não nasceram para ler anúncios.
A chamada é verdadeira. Não é propaganda enganosa. Porque preciso de fato de uma cozinheira.
É verdade que a quituteira que procuro talvez não leia este caderno. Mas a Folha é o jornal mais lido em todo o país e certamente deve ter alguém entre seus leitores que pode conhecer a minha prenda.
Estamos chegando ao final do ano, ao período de Natal, as pessoas estão imbuídas do espírito natalino e podem fazer essa boa ação para um ex-gordo como eu.
Portanto, se você conhece uma grande cozinheira, mande um e-mail para nizan@africa.com.br. É óbvio que preciso de referências. Melhor ainda se forem de gourmets ou gordos, de pessoas de colesterol e acido úrico altos.
A razão do meu desespero por uma cozinheira é fruto do bom momento econômico do Brasil.
Como em qualquer país que se preze, graças a Deus não é mais fácil encontrar empregados domésticos no nosso prezado país.
As pessoas querem ter seu próprio negócio, abraçar profissões "mais nobres". E isso é ótimo para elas e para o país.
É uma mudança transformadora, que nos impacta das melhores maneiras possíveis, mas também nos coloca na desesperadora e cafajeste situação de desejar a cozinheira do próximo.
Peço aos leitores que sejam solidários comigo e aos jovens redatores de propaganda que lembrem o que o grande guru da propaganda David Ogilvy me ensinou: propaganda é para vender.
Ela tem de ser sedutora, confiável e vendedora como um bom corretor de imóvel. Seja o anúncio de um celular, seja o anúncio procurando uma cozinheira, ele tem de ter impacto, eficiência e graça.
Se não entretém, não chama a atenção e não vende, não é boa propaganda. Propaganda tem de ter molho e sal. E ser feito por gente que tem boa mão.
Espero que este artigo-anúncio classificado atinja seus objetivos. E que graças à força da Folha e de santo Expedito eu encontre a minha tão sonhada cozinheira.
Aliás, cozinheira anda tão difícil que hoje a gente não pede mais para santo Expedito, a gente pede é para santo Antônio.
Leia Mais ►

Violência acaba com debate sobre Síria

Leia Mais ►