13 de nov de 2011

Preconceito Social: Problema de Saúde Pública?

 Ganhe 10 minutos assistindo este vídeo 
Este vídeo foi criado na Oficina de Filmagem da Casa Jovem, com apoio das ONGs Amigos da Vida (www.ilsorrisodeimieibimbi.org), Viramundo (www.viramundo.org) e CO2 (www.www.theco2.org). O patrocínio é da TIM©.
Foi feito inteiramente por iniciativa de jovens moradores da comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro, preocupados com a questão do preconceito social, que muitas vezes apresenta-se camuflado e não ousa dizer o seu nome.
Seu título, provocativo, sugere a natureza doentia do preconceito. Sua oportunidade é tanto maior agora, quando as forças da ordem acabam de tomar a Rocinha, alegando tê-lo feito em nome dos moradores.
Leia Mais ►

Fordlândia, a mais americana das cidades no coração da Amazônia

Dirigido pela dupla Marinho Andrade e Daniel Augusto, o documentário Fordlândia será um dos participantes do Festival Internacional de Luanda, Angola.
A película, com 51 minutos de duração, será exibida no próximo dia 21.
Ela conta a história da cidade sonhada por Henry Ford, para dominar a floresta amazônica.
O cineasta Marinho Andrade embarca no próximo sábado (dia 19) para ver de perto a reação da plateia africana ao assistir ao filme.
Abaixo, o trailer da excelente obra.

..
No Blog do Jeso
Leia Mais ►

SWU: a farsa ambiental e seus interesses privados

No festival da sustentabilidade, o lixo se acumula
Num festival que teve lances patéticos, como o cantor Neil Young cantando "Happy Birthday to you" para o Planeta Terra, o que realmente está em jogo é a colonização mental da juventude brasileira; leia o artigo de Claudio Julio Tognolli
Um fantasma ronda o mundo: a farsa de que o superaquecimento global só ocorre por fatores endógenos, ou a emissão de poluentes na terra. No Brasil só há dois intelectuais que apontam a ideologia por detrás disso: Gildo Magalhães dos Santos Neto, da História, e Aziz Ab Saber, da Geografia, ambos da USP. Fatores extra-terra conduzem ao superaquecimento: como as fases de hiper-expansão do sol, a cada seis mil anos, como a que ora vivemos. Os vikings, antes de descerem Mar do Norte abaixo, paravam, para construir seus barcos, num local chamado Terra Verde, por acaso Groenlândia, que vem de “Green Land”. A natureza na Terra Verde era laboriosa em construir madeiras de primeira cepa. Mas ela se congelou. Uai: por que se congelou? A quem interessa dizer que a Terra pode acabar por superaquecimento gerado por fatores apenas “internos”? Interessa a uma elite neoliberal. Há 80 anos começaram a tramar a ideia de que oferecer um literal e figurativo fim do mundo pelo superaquecimento era a forma de congelar os futuros países desenvolvidos. Queriam, e ainda querem, que Brasil, Índia e China sejam eternos exportadores de matéria prima. Trata-se da mais nova-velha ideologia: fazer o povão engolir goela abaixo que o desenvolvimento já atingiu os seus limites. Querem ver na Amazonia um território “internacional”. Eis todo o babalaô do ex-vice dos EUA, Al Gore, com aquela cascata (comprada por ele de uma assessoria de imprensa), lastreado em seu “Uma verdade inconveniente”.
O festival SWU ("Starts with you" ou "Começa com você"), que movimentou milhões com inserções pagas, mas disfarçadas na mídia, é um subproduto desse tipo de golpe. Não é para menos que Neil Young abriu o cascatol cantando “parabéns” para a Terra. Querem tornar o rock algo passivo, com babacas defendendo a todo o custo a preservação da terra, e o conseqüente congelamento do desenvolvimento do parque industrial brazuca. Querem-nos eternos exportadores de grãos. Querem-nos enxergando que o superaquecimento global só se dá por fatores da terra e do homem. Isolam a Terra do resto do universo. Veja você: até James Lovelock, criador da famosa Hipótese Gaia (segundo a qual o ser humano é um dos “órgãos” do corpo que é a Mãe Terra), agora defende a energia nuclear. E expõe ao osso os babacas do Partido Verde (que usam em suas propagandas políticas os moinhos de vento eólicos). Saiba você: um moinho de vento eólico consome dez mil toneladas de concreto para ser construído. Em toda a sua existência, o moinho de vento eólico jamais produzirá energia limpa que compense a poluição gerada para poder produzir as milhares de toneladas de concreto que o erigiram...
Toda essa babaquice da preservação da terra a todo o custo foi lentamente engendrada por um bando de intelectuais “New Age”. O trabalho não é novo, mas com subprodutos novíssimos. A pré-coerência ideológica que se consome no SWU tem epígonos famosos e antigos. Datam da Escola de Copenhaque: composta de físicos que defendiam que a base do universo é o “caos”. E já que o caos é imutável, referem, não nos resta modificar nada: apenas surfar o caos. Físicos como Wolfgang Pauli, Niels Bohr, o filósofo Bertand Russell, deram as mãos com o misticismo de Jung: vindicavam que deveríamos adotar o Taoísmo como preceito fundamental. Justamente o Taoísmo que, ao contrário do confucionismo (uma teoria da ação) prevê o que os chineses chamam de “wu wei”, ou não ação. Defendiam a meditação. Postulavam que a natureza resolve as coisas “sozinha” –justamente o que os neoliberais pregam, a existência da “mão invisível” do mercado, tão defendida por Adam Smith. Todos esses calcetas, da preservação da Terra, supõem-se místicos do caos. Grandes intelectuais do Primeiro Mundo há anos estão envolvidos na ideologia que tenta engessar, com esse tipo de droga, o desenvolvimento do parque industrial de nações emergentes, como o Brasil. Apesar de serem roqueiros, amam no fundo que o Brasil idololatre o “agrobrega” e o “sertanojo”, porque é ao “campo” que o Brasil pertence. Trata-se de um cadinho cultural de místicos que amam Paulo Coelho, e vêem na Terra uma entidade capaz de gerar babalô místico-mágico. É necessário aqui fazer uma pausa sobre o guru dessa moçada, Wolfgang Pauli, de resto o pensador predileto de Fritjof Capra, autor do incensado “O Tao da Física”.
Veja a barbaridade que chegou a resgatar. Para os neoplatônicos, a causa de todas as mudanças era a anima mundi , a alma do mundo. As ciências experimentais do renacimento e a ideia da causalidade substituíram a anima mundi. A divisão entre alma e matéria é posta em caixa alta por Descartes, que passa a distinguir nitidamente a “substância pensante” (res cogitans) e substância caracterizada pela sua extensão no espaço, ou matéria (res extensa). Wolfgang Pauli passa a tentar destruir o cartesianismo. Diz que a teoria dos quanta substituiu isso, referindo que cada sistema individual é substancialmente livre e não sujeito a leis. É o que ele chama de “irracionalidade do real”. Pauli volta ao medieval pré-cartesiano. Refere que é necessário voltarmos ao irracional para que se fuja dos a priori. Nesse sentido, disse: “Temos de tentar despir a túnica de Nesso que a revolução do século XVII teceu. É tempo de reconhecer o elemento irracional da realidade – e o lado obscuro de Deus” . Karl Jung, de resto co-autor de Pauli, torrou sua existência em tentar fazer crer a todos que a psicanálise e o oculto poderiam ser duas faces da mesma moeda, cujos destinos seriam loucamente prefixados por um universo essencialmente caótico e não-linear. As tentativas de Pauli, junto a Jung, de tentar nivelar, lado a lado, a pulsões do Id com certo “livre-arbítrio” dos elétrons, consistiram numa potente tentativa de retorno ao mundo pré-cartesiano da anima mundi. E Einstein, ao ver tudo isso, escreveu: “Não posso suportar a ideia de que um elétron exposto a um raio de luz possa, por sua própria e livre iniciativa, escolher o momento e direção segundo a qual deve saltar. Se isso fosse verdade, preferia ser sapateiro ou até empregado de uma casa de jogos em vez de ser físico”.
Em 1968 o industrial italiano Aurelio Peccei fundou o Clube de Roma, quando se falou a primeira vez em desenvolvimento sustentável. (veja aqui) Por que você acha que o Príncipe Charles, e outros milionários de países de primeiro mundo, são patrocinadores e padroeiros do WWF? Porque a nova ideologia faz uso de ongueiros preservadores da natureza para drogar jovens com a febre anti-desenvolvimentista. Neil Young, que há duas semanas saiu nas Páginas Amarelas de Veja, veio aqui no SWU com um único papel: ele é agente do capetalismo (sic) internacional, contra o desenvolvimento do parque industrial brasileiro.
Assista, abaixo, ao patético vídeo em que Neil Young canta "Happy Birthday to you" para a Terra.
No Brasil 247
Leia Mais ►

As “folhices” da FAlha

Afora a “casquinha” manipulatória da capa, colocando uma caricatura de Dilma com “cara de repreensão” do lado da manchete que afirma que “58% dos alunos da USP aprovam a PM do campus”, a matéria de hoje da Folha é um livrinho ilustrado para crianças, daqueles que faz lembrar a piada sobre Assis Chateaubriand dizendo a um diagramador “moderninho”: “meu filho, você sabe quanto custa um centímetro no meu jornal?”.
São sete historinhas que demonstrariam ao leitores como Dilma é autoritária, grosseira e intolerante. E sete conselhos para quem for tratar com ela.
Vejam: ela teve o desplante de reclamar de um dos militares que funciona na ajudância de ordens por não haver um guarda-chuva quando saía para a abertura da Assembléia Geral da ONU. Ou de querer que, sobre economia, fale o Ministro da Economia. O ministro das Relações Exteriores é colocado na posição de alguém que estaria mais preocupado com a “adaptação da família” de um representante diplomático brasileiro a Washington do que com a posição do país na OEA.
Os “conselhos” aos interlocutores da presidente são um primor: “conheça o tema do qual vai tratar”…Jesus, será possível o contrário? Será que o Dr. Frias chama seus auxiliares para ou vir um “ah, chefe, eu pedi uma reunião com o senhor mas não tive tempo de estudar o que ia dizer-lhe”…
Tem mais: aconselha os ministros a não darem palpite sobre outras áreas de governo. Já imaginaram o que aconteceria com todos mundo falando o que quer sobre os outros? Nem precisa imaginar um governo, pense apenas num time de futebol onde os atacantes saem dando entrevistas dizendo como deve jogar a defesa ou criticando o goleiro. Ou um zagueiro dizendo que a defesa está bem, mas os atacantes jogam mal…
Enfim, duas páginas destinadas, exclusivamente, a firmar uma impressão de pessoa rude.
E que a condição feminina faria com que, na presidência, uma mulher pudesse ser considerada uma dispersiva e deixasse de lado os temas de governo para ficar se preocupando com futilidades e que isso precisa ser “midiaticamente” anulado por uma imagem autoritária.
O pior é que, pelo tipo de historinhas selecionado, tem toda a pinta de ser escrito com a “ajuda luxuosa” de quem acha que os fatos são nada e a imagem na mídia é tudo. Ou que pensa que um Governo é algo como “A Fazenda” ou o “Big Brother Brasil”.
Não sei porque, mas tive a impressão de estar lendo duas páginas daquela antiga seção de anedotas que as “Seleções do Reader´s Digest” usava para completar os espaços vazios no final de alguma matéria.
Leia Mais ►

A polícia francesa - de primeiro mundo


Uma mulher de 85 anos está em estado de choque, depois da polícia francesa ter arrombado a porta de casa pela segunda vez em 15 dias.
Tudo aconteceu em Marselha. Tanto num caso, como noutro os agentes estavam no encalce de homem armado que se escondeu no prédio onde vivia a octogenária. A filha nem quer acreditar:
"A minha mãe ligou-me a chorar para me dizer que tinha voltado a destruir a porta. Eu disse: não é possível. Duas vezes é demais. Tentei tranquilizá-la porque estava assustada e não conseguia dormir" afirma a filha.
Leia Mais ►

Um pregador de golpes de Estado

O nome dele é Roger Noriega (foto), um linha-dura que ocupou o cargo de subsecretário do Departamento de Estado no governo de George W. Bush e de embaixador dos Estados Unidos na Organização dos Estados Americanos (OEA).
Notoriamente vinculado ao complexo industrial militar norte-americano, Noriega volta e meia é convocado pela mídia de mercado para dar recados de grupos que se utilizam de expedientes de todos os tipos na defesa de poderosos interesses econômicos.
Pois bem, a revista Veja, sempre ela, divulgou entrevista em que Noriega faz previsões suspeitas envolvendo o Brasil. Segundo este estimulador de golpes nas Américas, o Brasil dá cobertura e serve de base para o terrorismo internacional.
Noriega, que segue como funcionário do Departamento de Estado, ainda por cima acusa o Brasil de ser complacente e apoiar o terrorismo na Tríplice Fronteira. Esta região, por sinal, volta e meia aparece no noticiário com matérias requentadas acusando a existência de células terroristas árabes.
A própria revista Veja já publicou matérias do gênero em várias ocasiões. Aí vem Noriega para voltar ao tema que o governo brasileiro já investigou e concluiu a improcedência das acusações.
Dá ou não dá para desconfiar que a nova investida de Noriega é suspeita?
Além de fazer duras críticas aos presidentes da Venezuela, Hugo Chávez, da Bolívia, Evo Morales e Rafael Correa do Equador, Noriega previu nas páginas da Veja que o Brasil será alvo de atentados durante a Copa do Mundo, sugere ainda que o governo mude sua política externa e rompa os elos com os três dirigentes sul americanos mencionados.
Noriega, que em abril de 2002 foi um dos estimuladores da tentativa de golpe de estado contra o presidente Hugo Chávez, está mais uma vez se intrometendo indevidamente em assuntos internos de um país soberano e no fundo tenta provocar pânico ao fazer previsões com base em coisa alguma, o que também levanta a suspeita segundo a qual serviços de inteligência dos EUA, a CIA e outros, podem estar preparando algum atentado terrorista para incriminar os governos dos países que não rezam pela cartilha de Washington. Ele na prática procura preparar a opinião pública a aceitar o argumento de que Venezuela, Bolívia e Equador representam um perigo para o Brasil.
E, de quebra, Noriega ainda afirma que as embaixadas do Irã incrementam células terroristas na América Latina.
Pelos antecedentes deste funcionário do Departamento de Estado todo o cuidado é pouco. Nesse sentido, representantes de vários movimentos sociais reunidos em Brasília chamaram atenção para as declarações de Noriega. Pediram providências imediatas do governo brasileiro e chegaram até a pedir que o embaixador dos EUA no Brasil, Thomas Shannon, seja considerado persona non grata. Para estes movimentos, a adoção de tal medida seria uma forma de demonstrar que o Brasil não aceita passivamente intromissões indevidas em questões internas.
Não contente com a entrevista publicada na Veja, Noriega andou fazendo declarações de caráter golpista em outras plagas. Empolgado com o desfecho das ações militares da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) na Líbia, Noriega mais uma vez deitou falação contra o governo constitucional da Venezuela.
Fez mais uma previsão, a de que Chávez não teria mais de seis meses de vida e que a sua morte provocaria o caos no país petrolífero devido a confrontos entre apoiadores e opositores do presidente venezuelano, o que justificaria uma intervenção militar dos EUA. No portal Inter American Security Watch, ao pregar abertamente a intervenção ele declara textualmente que “as autoridades dos Estados Unidos devem estar preparados para lidar com o impacto de uma situação de turbulência a curto prazo em um país onde se compra 10 por cento do nosso petróleo”.
Não é a primeira vez que Noriega se manifesta sobre a doença de Chávez. No mês de setembro chegou a afirmar que “deveríamos nos preparar para um mundo sem Chávez”. As declarações de Noriega então entraram em contradição com a dos médicos de Chávez assegurando que ele reagia bem ao tratamento a que vinha sendo submetido contra o câncer,
Por coincidência ou não, poucas horas antes da declaração de Noriega sobre o estado de saúde de Chávez, o governo venezuelano denunciava a presença de um submarino no litoral do país.
Na verdade, Noriega exerce a função de estimulador de setores golpistas latino-americanos e se os governos silenciarem a respeito, o referido funcionário do Departamento de Estado continuará ocupando espaços na mídia de mercado para sugerir retrocessos e tentar fazer com que o continente retorne ao período tenebroso dos anos 70.
Roger Noriega é mesmo uma figura nefasta ao processo democrático latino-americano.
Em tempo: o recorde da semana em termos de deturpação da história ficou por conta de um colunista de O Globo que comparou o ato público organizado pelo governo do Estado do Rio contra o projeto ilegal sobre os royalties do petróleo com a passeata dos 100 mil. O que disse Zuenir Ventura é realmente uma ofensa à geração 68 que lutou com o que estava ao seu alcance contra a ditadura.
Mário Augusto Jakobskind
Leia Mais ►

Igreja dá posse ao Governo grego

Quando o poder vem de Deus o povo fica nas mãos do Diabo
No Diário Ateísta
Leia Mais ►

CNJ divulga informações sobre processos contra juízes

Em nota, o presidente do conselho, Cezar Peluso, destacou que a medida dará maior transparência aos processos disciplinares contra juízes e desembargadores em todos os tribunais
A população já pode acompanhar o andamento de processos administrativos contra magistrados em tramitação nas corregedorias dos tribunais de Justiça dos estados. As informações estão disponíveis no portal do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Segundo nota divulgada neste sábado (12) no site do CNJ, até sexta-feira (11) à tarde, o novo sistema apontava a existência de 693 processos e sindicâncias em andamento nas corregedorias de Justiça dos estados. O Sistema de Acompanhamento de Processos Disciplinares contra Magistrados é atualizado a todo momento. No quadro apresentado ontem, o Tribunal de Justiça do Estado do Piauí aparecia com o maior número de processos, 211, seguido por São Paulo, com 134. Em terceiro lugar estava o Amazonas, com 59 processos.
Na nota publicada pelo CNJ, o presidente do conselho, Cezar Peluso, que também preside o Supremo Tribunal Federal (STF), destaca que a medida dará maior transparência aos processos disciplinares contra juízes e desembargadores em todos os tribunais.
Por enquanto, o sistema está sendo alimentado apenas pelos tribunais estaduais. A ideia é que a Justiça Federal e a Justiça do Trabalho também participem do sistema, colocando à disposição do público informações de processos disciplinares em seus respectivos tribunais.
Os dados dos processos disciplinares – número e tipo do processo, motivo, andamento – podem ser acessados no site no CNJ, no endereço http://www.cnj.jus.br/presidencia.
No Agência Brasil
Leia Mais ►

Espanha é a bola da vez

Separados no nascimento
Depois da Grécia e da Itália, governo espanhol, de Jose Luiz Zapatero, será o próximo a cair
Enquanto a Primavera Árabe derruba ou ameaça ditadores no norte da África e no Oriente Médio, um inédito Outono Europeu derruba em sequência líderes políticos. Depois de George Papandreou e Silvio Berlusconi, a próxima vítima da degola é José Luiz Rodríguez Zapatero.
No poder há sete anos, Zapatero e o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) enfrentam eleições gerais na Espanha já preparados para o pior: deixar o Palácio Moncloa, sede do poder de Madri, expulsos pela impopularidade causada pela austeridade extrema, a recessão crônica e uma taxa de desemprego digna de guerra, a maior da Europa Ocidental no momento: 21,5%.
Pesquisas de opinião divulgadas nesta semana anunciam uma ampla vitória do Partido Popular (PP), de centro-direita, e de seu líder, Mariano Rajoy. Segundo as sondagens da semana, Rajoy tem cerca de 46% dos votos e deve somar 195 deputados, de um total 350.
Ao derrubar Zapatero, a crise na Europa fará sua oitava vítima desde novembro de 2008. Antes dele, caíram Geir Haarde, na Islândia; Gordon Brown, no Reino Unido; Brian Cowen, na Irlanda; José Sócrates, em Portugal; Iveta Radicova, na Eslováquia; George Papandreou, na Grécia; e Silvio Berlusconi, na Itália. Todos sofreram pressões simultâneas da opinião pública e dos mercados financeiros por não terem sido capazes de evitar o contágio pela turbulência. Para Philippe Dessertine, professor de economia do Institut de Haute Finance, da França, não adianta culpar as bolsas de valores. "Não são os mercados que ganham influência. O problema é que nós não respondemos a eles."
Leia Mais ►

Mário Soares: "Uma manifestação de militares... É algo que deve impressionar"

Soares revelou: o BCE não empresta a pobres,
pois pretende apenas ganhar fortunas em juros
Falando na conferência sobre o Futuro na Europa, na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa, Mário Soares afirmou que há uma “relativa conformidade” enquanto as manifestações forem dirigidas pelos sindicatos, porque fazem parte do “jogo político e social”. “Mas desta vez deu-se um passo muito importante. Temos uma manifestação dos militares. E não é uma coisa fácil, é algo que deve impressionar as pessoas, que têm de refletir e têm de agir, dizendo o que pensam e insistindo para que as coisas tomem o seu caminho”, argumentou. “E agora vamos cortar nas Universidades Públicas? Para irem lá para fora, como alguém já disse: vão para o estrangeiro. Mas isso é coisa que se faça? E o resto da nossa fortuna? Vamos vender as nossas jóias, as grandes empresas que nos dão lucro?”, questionou. Mário Soares também instou a que se pense “para que servem os sacrifícios”. O antigo líder do PS garantiu que, com os seus valores, “não tolera” que Portugal seja um dos países europeus com mais “desigualdades” e criticou o caminho dos “cortes no Serviço Nacional de Saúde, nas Universidades e no emprego”.
Mário Soares recordou que o apoio internacional “não foi uma esmola dada a um pobre”, mas um negócio que dará “fortunas” a quem emprestou o dinheiro. “[Os elementos da troika] não podem vir governar o nosso país, não é essa a função de estrangeiro sobretudo quando não há um governo europeu. Porque é que eles mandam? Eu tenho as minhas dúvidas acerca disso”, afirmou. Mário Soares defendeu uma “rutura” e o fim do domínio dos mercados: “Os mercados não podem mandar nos Estados, são os Estados que mandam nos mercados. Mas o que sucede é que muitos dos dirigentes dos Estados estão feitos com os mercados”. O antigo dirigente não poupou criticas ao Tratado de Lisboa, que “nasceu velho, com deficiências e diz asneiras”, sublinhando a necessidade de ser alterado para dar mais poderes ao Banco Central Europeu. “Os dirigentes vão compreender. A senhora Merkel [chanceler alemã], por mais tacanha que seja, e é bastante, e o senhor Sarkozy [presidente francês], por mais bailarino que seja, e também é bastante, vão perceber que tudo os empurra para sair da situação, senão serão vítimas”, disse.
No A Máfia Portuguesa
Leia Mais ►

Hotel terá que indenizar indígenas exibidos como atração

O Tribunal Superior do Trabalho rejeitou recurso do River Jungle Hotel (Ariaú Amazon Towers), hotel no Estado do Amazonas voltado ao turismo sustentável, e manteve decisão reconhecendo como seus empregados um grupo de índígenas que, durante cinco anos, fez apresentações aos hóspedes. Também confirmou uma condenação por danos morais devido ao “sofrimento, à subordinação e à dependência” pelo qual passaram e a uma situação que, segundo o processo, “beirava o trabalho escravo”.
Em seu site, o hotel diz que recebeu as gravações do filme “Anaconda” e foi base tanto para realities como “Survivor”, da CBS americana, e “La Selva de los Famosos”, da Antena 3 espanhola, como “para vários eventos empresariais e educativos, com o intuito de desenvolver o conhecimento e educação sobre a Amazônia”. E explica que entre as atrações estão “visita a tribo indígena, andar de carrinhos elétricos sobre as passarelas, sobrevivência na selva, visita às comunidades locais, visita à casa de nativos, entre outros”.
De acordo informações do TST, o grupo de 34 adultos, adolescentes e crianças da etnia tariano foi contatado em dezembro de 1998 por um representante do hotel para fazer apresentações de rituais indígenas para os hóspedes em um local a oito minutos de lancha da sede. A remuneração dos índios, segundo o processo, era alimentação (insuficiente para o grupo) e um “cachê” de R$ 100,00 por apresentação, dividido entre os adultos. Os custos dos materiais envolvidos nas apresentações – que ocorriam três ou quatro vezes por semana – ficava por conta dos indígenas.
Não raro, os turistas tentavam tocar nos seios das mulheres, segundo depoimento do grupo prejudicado. No contato com os hóspedes, eles não podiam falar português e eram proibidos de circular no hotel. Ainda de acordo com os depoimentos, a alimentação era feita com restos da comida do hotel, “muitas vezes podre, o que ocasionava muitas doenças nas crianças”. E quando não havia apresentação, o grupo também não recebia essa comida.
Em 2003, a Funai constatou as dificuldades vividas pelas comunidades locais, como pobreza e falta de escolas para as crianças, gerando repercussão na imprensa de Manaus. A partir daí o hotel, dispensou os índios sem nenhuma forma de compensação trabalhista.
Na ação civil, o Ministério Público do Trabalho e o Ministério Público Federal pediram o reconhecimento da relação de emprego, o pagamento de todas as verbas trabalhistas devidas e uma indenização por dano moral no valor de R$ 250 mil, pelos constrangimentos e pela utilização indevida da imagem dos indígenas em campanhas publicitárias sem autorização.
A Vara do Trabalho de Manacapuru reconheceu o vínculo empregatício e condenou o hotel, incluindo indenização por danos morais no valor de R$ 150 mil (R$ 50 mil pelo uso da imagem e R$ 100 mil pelo sofrimento, subordinação e dependência). A decisão foi mantida pelo Tribunal Regional do Trabalho, que considerou a total dependência dos índios em relação ao hotel, de quem recebiam diesel, alimentos e condução conforme a conveniência do hotel, em situação que “beirava o trabalho escravo”.
Agora, a Primeira Turma do TST seguiu o voto do relator, ministro Lélio Bentes Corrêa, negou provimento ao agravo de instrumento, confirmando a condenação.
A defesa do hotel questionou a legitimidade do MPT para representar em juízo o grupo de indígenas, que, segundo o empregador, teriam que ser representados pela União, obedecendo ao Estatuto do Índio e o Estatuto da Funai. O relator, porém, observou que os indígenas eram interessados e não autores da ação, tornando-se irrelevante a discussão sobre quem deveria representá-los em juízo.
O hotel também alegou ausência de subordinação necessária para se estabelecer o vínculo empregatício. Para ele, a relação teria ocorrido “casualmente” a pedido dos próprios índios – que podiam ir e vir livremente e vender seus produtos de artesanato. Questionou, também, a condenação por dano moral por considerar que não havia comprovação de repercussão negativa da publicação das fotografias na mídia.
O relator confirmou o vínculo, já apontado nas instâncias anteriores, e afirmou que “os danos morais decorreram não só do uso indevido da imagem, mas também do sofrimento impingido ao grupo indígena a partir da exploração do trabalho em condições precárias”.
Para ver o processo, clique aqui.
Com informações da Assessoria de Comunicação Social do Tribunal Superior do Trabalho.
Leia Mais ►

Como torturar um baianeiro‏

Como Bessinha, mistura de baiano com mineiro:

No Bicho Maluka Beleza
Leia Mais ►

Charge online - Bessinha - # 901

Leia Mais ►

Dilma cobra rigor na apuração de vazamento na Bacia de Campos

Governo diz que está acompanhando e apoiando todas as providências de responsabilidade da empresa Chevron Brasil para interromper o vazamento
A presidenta Dilma Rousseff determinou atenção redobrada e uma rigorosa apuração das causas do vazamento de óleo que atingiu o Campo de Frade, na Bacia de Campos. A presidenta ainda pediu rigor na apuração das responsabilidades, diz a nota divulgada na noite desta sexta-feira (11) pela Secretaria de Imprensa da Presidência da República.
O governo disse que está acompanhando e apoiando todas as providências de responsabilidade da empresa Chevron Brasil para interromper o vazamento.
De acordo com a nota, o governo está acompanhando as providências por meio do Ministério de Minas e Energia, da Agência Nacional de Petróleo (ANP) e da Marinha do Brasil.
No Agência Brasil
Leia Mais ►

Se fosse a Petrobras…Mas é a Chevron

A Sedco 706, plataforma de perfuração da mesma empresa
do acidente do Golfo,  nas proximidades da qual ocorreu
o acidente da Chevron
Ainda não se pode dizer quais são as causas do acidente que provocou o vazamento de, ao que parece, uma pequena quantidade de petróleo no campo de Frade, operado pela petroleira norteamericana Chevron, a 350 km do litoral fluminense.
Mas algumas coisa já se pode dizer, sim.
A primeira é que a empresa demorou pelo menos 24 horas a admitir o problema e, quando o fez, foi por uma nota marota, dizendo que se tinha detectado o vazamento “entre o campo de Frade e o de Roncador – que é operado pela Petrobras - quando, na verdade, ele se deu bem próximo de uma de suas plataformas de perfuração, a Sedco706, da Transocean, a mesma proprietária da Deepwater Horizon, que provocou o acidente no Golfo do México, segundo informações do Valor Econômico.
A segunda é que esta história de falha geológica é algo que precisa ser muito bem apurado, pois não é provável que falhas geológicas capazes de provocar um derramamento no mar – e que, portanto, não podem ser em grande profundidade na rocha do subsolo, porque haveria, neste caso, um provável tamponamento natural – possam deixar de ser percebidas nos detalhados estudos sísmicos que precedem a perfuração.
A terceira, e mais importante, é que não houve um tratamento escandaloso do assunto pela mídia, como certamente haveria se o campo em questão fosse operado pela Petrobras. A estaaltura, até os peixes do oceano estariam dando declarações contra e empresa. Aliás, mesmo com o vazamento da Chevron, o destaque nos jornais é para a queda de 26% no lucro da Petrobras, mesmo sabendo que essa queda é essencialmente contábil , pela desvalorização cambial ocorrida desde agosto e que não se repetirá no último trimestre, dando à empresa um lucro recorde em sua história.
Por isso, foi extremamente acertada a posição da presidenta Dilma Rousseff de determinar a investigação rigorosa do caso. O petróleo de nosso litoral pode ser explorado sem danos ao meio ambiente e deve se-lo, qualquer que seja a empresa a fazê-lo.
E a imprensa, tão zelosa e meticulosa quando se trata da nossa Petrobras, certamente não está dando pouca importância ao caso por se tratar da Chevron, uma multi com boas reações de diálogo com o senhor José Serra, como revelou o Wikileaks.
É importante que se apure, porque um acidente no leito oceânico é imensamente mais grave que um provocado por um desengate de mangueira ou rompimento de duto. Estes, assim que se fecham as válvulas, cessa, mesmo que tenha sido grande. Um vazamento no leito oceânico, no poço ou na estrutura geológica que o rodeia é mais sério, pois exige, como se viu no Golfo, complicadíssimos e demorados procedimentos de vedação para ser detido.
Por sorte, parece ter sido de pouca monta. Mas a sorte é um elemento com que não se pode contar neste tipo de atividade.
Acidente ao lado do “motel marinho” da Chevron
A plataforma Sedco 706, alugada pela Chevron, sendo usada, segundo o
Wall Street Journal. como "motel marinho" para outra plataforma
no Mar do Norte, em 1999.
O que está acontecendo no vazamento de óleo junto ao poço da Chevron, no Campo de Frade, ao largo do Rio de Janeiro tornou-se, como ontem determinou a presidenta Dilma Rousseff, um caso de investigação e de duras providências.
Ontem, a gente já destacava que a história tem muitos pontos estranhos.
O Campo de Frade, um dos mais produtivos do Brasil, foi descoberto pela Petrobras em 1986, ams só declarado comercial pela ANP em 1998, um ano antes de seu controle ser transferido, numa operação conhecida como “farm-in” , para a Chevron.
Lá, o petróleo ocorre em profundidades de cerca de 3 mil metros e, mesmo estes, tiveram de ser desviados, durante suas perfurações, e o estudo de impacto ambiental previaque todos eles seriam revestidos durante a perfuração, para evitar a penetração do óleo nas falhas geológicas.
Elas estão registradas aqu, no relatório apresentado pela Chevron ao Ibama: “o poço 3-TXCO (Texaco-Chevron)-3D foi perfurado contíguo com o 4-TXCO-2D. Devido às
dificuldades técnicas e à proximidade da falha, foram perfurados 3 desvios(sidetracks) neste poço “.
Porque a Crevon, com um horizonte de perfuração bem-sucedido a 3 mil metros contratou uma sonda com capacidade de perfurar até 7.600 metros de profundidade, alugando por US$ 315 mil dólares dia. Muito abaixo do preço das modernas sondas.
O Wall Street Journal descreve, em 2008, a plataforma Sedco 706, que opera na área do acidente em Frade e tem hoje 35 anos de idade, como um equipamento que “não era adequado para modernas perfurações em águas profundas. Não era mesmo a ser utilizado para perfurar mais. Ela estava atracado no Mar do Norte, ligada a outro equipamento por uma passarela. Foi um quarto de dormir flutuante para os trabalhadores do petróleo, uma espécie de motel marinho”.
Até agora não temos informações básicas, sobre a profundidade em que se fazia a perfuração e sobre o que está sendo feito para deter o vazamento.
Ou a empresa estava fazendo uma prospecção na camada do pré-sal e aconteceu a infiltração no solo dos reservatórios superiores do pós-sal ali presentes?
So o que se sabe é que a Chevrom depois de ter minimizado o episódio – e dizer que ele seria um fenômeno natural - a quantidade de admitida pela empresa agora chega a 100 mil litros de óleo - ou 104 metros cúbicos – o que já não é nenhuma “gotinha”, sobretudo se considerarmos que, vindo o vazamento do solo ocêanico , a mais de um quilômetro de profundidade, o derramamento vai exigir dias para ser detido.
A história está mal-contadíssima e não parece haver sinais de que teremos aqui empenho da imprensa em esclarecer.
Leia Mais ►

O snob do Barão

O impagável Barão de Itararé, nascido Aparício Torelly, gaúcho de Rio Grande, 1895-1971, expunha suas diatribes no jornal A Manha, oferecendo ao leitor coqueteis de ficção, realidade, ironia e espiritualidade. Tal qual o notável humorista americano Ambrose Bierce (1842-1913), apreciava definir termos diversos. Só que, enquanto Bierce mais opinava ácidamente sobre a palavra eleita, o Barão definia meeesmo - mas sempre despertando no leitor a indagação: verdade ou ficção?
A origem da palavra Snob (esnobe) - A Universidade de Oxford, na Inglaterra, era o estabelecimento de ensino preferido pelos nobres para a educação de seus filhos. Contam que ali havia um professor que fazia uma severa distinção entre os alunos pertencentes à aristocracia e os que descendiam da classe burguesa. Na lista dos alunos, esse professor, para dar o tratamento a cada um, de acordo com a sua origem, costumava escrever, com letra miudinha, depois do nome dos alunos plebeus, esta anotação: "S.nob.", que era a abreviação das palavras latinas "Sine nobilitate", isto é, sem nobreza.
Esta é a origem da palavra "snob", que se emprega em muitos idiomas para qualificar um indivíduo que se quer dar ares de nobre, sem sê-lo.
No Dodó Macedo
Leia Mais ►

Economia e Área Social no PSDB

Quem prestou atenção na programação do último encontro nacional tucano, realizado no Rio de Janeiro no início da semana, deve ter reparado em uma coisa: a desproporção no “peso” de suas duas mesas.
O evento foi promovido pelo Instituto Teotônio Vilela, o órgão de estudos e pesquisas do PSDB, e seu título era “A Nova Agenda – Desafios e Oportunidades para o Brasil”. Segundo os realizadores, o objetivo era responder a uma “indagação profunda”: “Para onde vai o Brasil? Que Estado pretendemos, que futuro vislumbramos?”.
Estava organizado em duas mesas, uma sobre economia, outra sobre a “área social”. Na primeira, não se estabeleciam divisões temáticas ou setoriais. Ninguém estava escalado para falar sobre questões monetárias, fiscais, de política industrial, comércio exterior ou qualquer assunto específico. Os convidados podiam, aparentemente, falar sobre o que quisessem.
Na segunda, ao contrário, as regras eram rígidas. Havia um especialista para cada assunto: educação, saúde, segurança pública e previdência social. Sob a presidência de um economista, os membros da mesa deviam se ater ao que conheciam, sem se meter na seara do outro.
A visão de que a economia forma um todo – compreensível, apenas, se for considerada na sua inteireza-, e a “área social” é uma justaposição de partes estanques - construída por somatório -, é, em si, algo que revela uma maneira questionável de conceber o Estado e suas responsabilidades. Mas não é o aspecto que mais chama atenção.
Mais interessante é o perfil e a composição das duas mesas. Olhando-as, podemos entender melhor o que é hoje o PSDB e quais seus dilemas para ser (voltar a ser) uma alternativa capaz de levar a maioria do país a votar em seu candidato a Presidente da República.
No fundo, era isso que os tucanos queriam discutir, e não debater os temas propostos. Pelo clima na platéia, pela presença de suas principais lideranças (até o ex-governador José Serra resolveu aparecer, inesperadamente), foi mais uma pajelança política que um evento técnico.
A mesa sobre economia era recheada de notáveis. Só ex-presidentes do Banco Central, havia três, um dos quais também ex-presidente do BNDES. Dois exibiam no currículo a paternidade do Plano Real, como seus “formuladores”ou “implementadores”.
Todos são ou foram figuras de destaque no setor financeiro, donos de corretoras ou banqueiros. Em resumo, personagens com trânsito livre na elite econômica e relevante experiência no setor público.
Sem menosprezar qualquer um dos integrantes da mesa “social” (pois todos são figuras respeitáveis no meio acadêmico), seu perfil era outro: pesquisadores universitários, cientistas sociais, com trajetória menos destacada em cargos de governo. Um havia ocupado a presidência do IBGE - normalmente reservada a pessoas vindas de carreiras parecidas.
Para deixar ainda mais clara a diferença, quem coordenava essa mesa também era da “turma do real”.
Na hora de exibir seus economistas ilustres, o PSDB não parece ter problemas. Os há de sobra, entre ministros, assessores e amigos de FHC. O difícil é escolher.
Mas, e se tiverem que convidar participantes para uma “mesa social”? Quem são os tucanos famosos? Quais figuras do primeiro escalão dos governos do PSDB poderiam ser chamados? Quem é a intelligentsia tucana na área social? É tão limitada a escolha que, com a ausência de Paulo Renato, não resta (quase) ninguém (lembrando que Serra não aceitaria nem passar perto de uma mesa desse tipo, para não se sentir “diminuído”).
O desequilíbrio entre as mesas no evento tucano talvez seja circunstancial, mas pode ser a manifestação de uma característica “mais profunda” do PSDB (ainda que não de todo ele): considerar que a economia (vista como a veem seus integrantes) é o centro da ação de governo, o núcleo verdadeiramente importante do que deve ser feito.
A “área social” é matéria de segunda classe, mesmo se valorizada no plano retórico.
É isso que pensa do PSDB a maioria da opinião pública e ele apenas reforça o estereótipo, comportando-se como nessa oportunidade. Enquanto permanecer com a imagem de partido obcecado com a economia e um discurso meramente residual para a área social, não irá longe.
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
Leia Mais ►

Lula: “Quero ajudar Dilma em 2014″

Duas semanas depois de ficar sabendo que está com câncer na laringe, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva mostra seu estado de ânimo ao falar dos planos para o futuro:
"Quero estar forte em 2014 para ajudar a reeleger a Dilma"", contou em meio a uma conversa de mais de duas horas na tarde deste sábado, na sala do seu apartamento, no centro de São Bernardo do Campo, o mesmo onde morava antes de ser eleito presidente da República.
Lula só não se conforma de não conseguir comer seus pratos prediletos. Tinha pedido uma feijoada para o almoço, cortou tudo em pedaços pequenos, mas não conseguiu comer. O tratamento de quimioterapia provoca-lhe enjôos e o fez perder o sabor dos alimentos.
"Gostaria de entrar num freezer e só sair quando terminar essa quimioterapia...", brincou ele, ao relatar suas dificuldades com a nova rotina imposta pela doença, sem perder o bom humor.
Fora isso, Lula percebeu que já começou a perder cabelos no alto da cabeça e está conformado com a idéia de que também ficará sem a barba que cultiva desde o final dos anos 1970.
A voz já voltou ao normal e ele está com muita vontade de falar, principalmente do cenário político para as eleições de 2012. Lula até já gravou, na última sexta-feira, sua participação no programa do PT que irá ao ar em dezembro.
Seu objetivo imediato é convencer o PMDB a repetir em São Paulo a aliança que elegeu Dilma no ano passado.
Ao lado da mulher, Marisa, o ex-presidente lembra que nunca ficou tanto tempo sem sair de casa. Tinha várias viagens ao exterior marcadas até o final do ano, mas teve que cancelar tudo até fevereiro.
Daqui a dez dias, ele inicia a segunda sessão de quimioterapia, um tratamento penoso que o deixa com um gosto ruim na boca. "A Dilma me falou que isso passa rápido. São só três sessões. Quer dizer, um terço já passou...".
No final da tarde, o casal Silva recebeu a visita do casal Luiz Marinho, velhos amigos e vizinhos de chácara na represa Billings. A "vó" Marília, sogra de Marisa no seu primeiro casamento, que vive com a família, preparou o café. Sandro, o filho do meio dos dois, deu plantão junto ao telefone que não parava de tocar.
Fiquei feliz de reencontrar Lula com a mesma disposição de sempre, elevando o tom de voz para convencer os outros de que seus argumentos estão certos, em especial quando se queixa do noticiário da imprensa, uma discussão que a gente sempre tinha nos primeiros anos de governo.
A queixa é a mesma: a imprensa só se interessa em dar notícias ruins, não mostra o que acontece de bom no país. Para provar, pega o relatório que recebeu esta semana sobre o programa "Luz para todos", um dos orgulhos do seu governo, que superou a marca de 3 milhões de famílias atendidas.
Quando as visitas já estavam se despedindo, chegou a filha Lurian com dois dos netos de Lula. Dali a pouco era hora de jantar, tentar comer alguma coisa além de carne moída, arroz e ovo frito. O velho Lula continua de bem com a vida, apesar de tudo.
Vida que segue.
Leia Mais ►

E agora, Ophir?

Presidente da OAB, que organiza “marcha contra corrupção” é acusado de receber R$ 1,5 mi em salário ilegal
O presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Ophir Filgueiras Cavalcante Júnior, aparece constantemente nas cameras de TVs discursando contra a corrupção, ou entregando documentos contra políticos no STF, pede impeachment de prefeito, e também foi um dos idealizadores da "Marcha contra a corrupção" em setembro deste ano. No entanto, notícia publicado na Folha deste domingo, mostra que Ophir Filgueiras, também tem laços e participa da corrupção que ele diz combater.
Presidente da OAB é acusado de receber R$ 1,5 mi em salário ilegal
Ação pede retorno de licença remunerada paga pelo Pará por 13 anos
ELVIRA LOBATO
DO RIO
O presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), Ophir Filgueiras Cavalcante Júnior, é acusado de receber licença remunerada indevida de R$ 20 mil mensais do Estado do Pará. A ação civil pública foi proposta na semana passada por dois advogados paraenses em meio a uma crise entre a OAB nacional e a seccional do Pará, que está sob intervenção.
Um dos autores da ação, Eduardo Imbiriba de Castro, é conselheiro da seccional. Segundo os acusadores, Ophir Cavalcante, que é paraense, está em licença remunerada do Estado há 13 anos - o que não seria permitido pela legislação estadual -, mas advoga para clientes privados e empresas estatais. Eles querem que Cavalcante devolva ao Estado os benefícios acumulados, que somariam cerca de R$ 1,5 milhão.
Cavalcante é procurador do Estado do Pará. De acordo com os autores da ação, ele tirou a primeira licença remunerada em fevereiro de 1998 para ser vice-presidente da OAB-PA.
Em 2001, elegeu-se presidente da seccional, e a Procuradoria prorrogou o benefício por mais três anos. Reeleito em 2004, a licença remunerada foi renovada. O fato se repetiu em 2007, quando Cavalcante se elegeu diretor do Conselho Federal da OAB, e outra vez em 2010, quando se tornou presidente nacional da entidade. Segundo os autores da ação, a lei autoriza o benefício para mandatos em sindicatos, associações de classe, federações e confederações. Alegam que a OAB não é órgão de representação classista dos procuradores. Além disso, a lei só permitiria uma prorrogação do benefício.
Intervenção
Em 23 de outubro, o Conselho Federal da OAB afastou o presidente e os quatro membros da diretoria da seccional do Pará após acusações sobre a venda irregular de terreno da OAB em Altamira.
Leia Mais ►

O Troféu Frango para Malafaia

Cuidado. Silas Malafaia pode “arrombar” você
Criei, anos atrás, o humorado Troféu Frango para premiar bizarrices em geral – quem é leitor deste blog já está acostumado com ele. Hoje, o Frango vai para o pastor Silas Malafaia:
..
Pensei muito antes de ofertar o Troféu Frango ao líder da Igreja Vitória em Cristo. Dois colegas jornalistas de grandes redações que acompanham a sua trajetória me perguntaram se isso não seria redundante, chover no molhado. Sim, o polêmico líder religioso é conhecido por declarações bizarras na defesa de uma visão conservadora, para dizer o mínimo. Seus discursos, não raras vezes, ultrapassam o limite da responsabilidade, confundindo liberdade religiosa e de expressão com uma guerra intolerante de ódio à diferença.
Desta vez, ele (novamente) passou dos limites. Em entrevista à revista Época, disse que iria “funicar” (sic), “arrombar” e “arrebentar” Toni Reis, presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT).
Malafaia ameaçou processar Toni por conta de um vídeo em que o pastor aparece dizendo: “É para a Igreja Católica entrar de pau em cima desses caras, baixar o porrete em cima”. Malafaia estaria se referindo ao um grupo de homossexuais que, segundo ele, teriam ridicularizado símbolos católicos na Parada Gay de São Paulo. Na sequência, o vídeo traz uma reportagem a respeito das agressões contra um casal gay que sofreu na avenida Paulista, em São Paulo.
Sobre o caso, disse: “Eu vou arrebentar o Toni Reis. Eu não tenho advogado de porta de xadrez. A minha banca aqui de advogados é uma das maiores que tem. Eu vou funicar (sic) esse bandido, esse safado.” E completou: “baixaria do movimento gay” é “coisa de bandido” e de “mau caráter”. E depois de falar da queixa crime, completou: “Eu vou arrombar com esses…” No final da matéria no site da revista, é possível ouvir o áudio da entrevista.
Toni e a associacão encaminharam o material ao Ministério Público Federal para checar se o caso configura incentivo à violência e à discriminação.
Em nota oficial, a ABGLT afirmou que: “É notória a incitação da violência contra homossexuais perpetrada por Silas Malafaia em seu programa televisivo. Boa parte de suas intervenções extrapolam o limite razoável, porque constituem-se em violações dos direitos humanos, notadamente os princípios da igualdade, da dignidade da pessoa humana e do pluralismo. A liberdade de expressão e a liberdade religiosa devem ser respeitadas. Porém, não devem estar acima dos demais direitos fundamentais consagrados na Constituição Federal. Canais de televisão são concessões públicas. Não podem dar guarida a conteúdos discriminatórios”.
Também disse que “o que o pastor Malafaia faz é agredir milhões de brasileiros, desqualificar seus estilos de vidas, seu modo de amar, sua afetividade e sexualidade. Trata-se de uma verdadeira cruzada que destila ódio. Discursos discriminatórios são dispositivos que alimentam cada agressão homofóbica, cada assassinato, cada violação de direitos que acontece no Brasil”.
De tempos em tempos, homossexuais são espancados e assassinados nas ruas só porque ousaram ser diferentes da maioria. Enquanto isso, seguidores de uma pretensa verdade divina taxam o comportamento alheio de pecado e condenam os diferentes a uma vida de inferno aqui na Terra.
Pessoas como Malafaia dizem que não incitam a violência (“E o senhor Tony Reis que me aguarde. Vai ter que provar na justiça que sou homofóbico”, afirmou em nota). Não é a sua mão que segura a faca, o revólver ou a lâmpada fluorescente, mas é a sobreposicão de seus argumentos ao longo do tempo que distorce o mundo e torna o ato de esfaquear, atirar e atacar banais. Ou, melhor dizendo, “necessários”, quase um pedido do céu. São pessoas como Silas que alimentam lentamente a intolerância, que depois será consumida pelos malucos que fazem o serviço sujo.
Afinal, fundamentalismo não é monopólio de determinada religião.
Coloquemos a culpa na herança do patriarcalismo português, no Jardim do Éden e por aí vai. É mais fácil justificar que somos determinados pelo passado do que tentar romper com uma inércia que mantém homens, ricos, brancos, heterossexuais em cima e mulheres, pobres, negras e índias, homossexuais em baixo. A reflexão, aceitar conhecer o outro e entendê-lo, que é o caminho para a tolerância, é difícil para alguns. É mais fácil seguir a manada e dar porrada.
Arrebentar, funicar (sic), arrombar… Enfim, expressões de um homem de Deus.
Leia Mais ►

Heróis retroativos

Glass e Steagall não eram uma dupla de cantores folclóricos como Simon e Garfunkel ou o nome de uma empresa famosa como Black e Decker. Mas, embora ninguém saiba muito a respeito deles, foram nomes importantes na recente vida econômica dos Estados Unidos e, por consequência, do mundo.
Os dois eram congressistas e autores de uma lei que proibia os bancos comerciais de também serem bancos de investimento e limitava a sua ação no mercado financeiro às tarefas bancárias tradicionais.
Foi a revogação da Lei Glass e Steagall que permitiu aos bancos inventarem mil e uma maneiras de lucrar com o jogo sem controle do capital, uma farra que deu no estouro do Lehman Brothers e foi o começo da crise que nos abala até hoje.
Glass e Steagall deram sua breve contribuição à história das boas intenções frustradas e desapareceram, vencidos pelo lóbi da ganância. Não sei se ainda vivem ou ainda são congressistas. Talvez tenham formado uma dupla folclórica.
O caso deles é o da inconformidade de uma minoria, a dos banqueiros, mal explicada e transformada numa reivindicação geral.
Coisa parecida aconteceu no Brasil com a CPMF. A boa ideia do então ministro, dr. Jatene, de taxar transações financeiras para financiar a saúde pública, falhou porque o dinheiro arrecadado na sua curta vigência estava sendo usado pelo governo para tudo menos a saúde pública, mas principalmente porque os mais incomodados com a contribuição forçada, a minoria que movimentava grandes quantias, conseguiram demonizá-la a tal ponto que até quem não tinha movimentação bancária alguma a esconjurava.
A maioria aderiu sem pensar ao lóbi do dinheiro inconformada contra a CPMF, que se bem administrada continua sendo uma boa e justa ideia.
Nos Estados Unidos parte da revolta dos manifestantes contra Wall Street e tudo que ela representa se deve à falta de decisão do Barack Obama em enfrentar as financeiras. A desregulação continua.
Ainda não se viu nas manifestações nenhuma faixa dizendo “Onde estão Glass e Steagall agora que precisamos deles?”, mas os dois têm tudo para se transformar em heróis retroativos. Se a lei deles tivesse vingado, nada disto teria acontecido.
Luís Fernando Veríssimo
Leia Mais ►

A vida britânica de Marilyn Monroe

Marylin Monroe regressa a grande tela com a estreia mundial do filme "A minha semana com Marilyn". A atriz Michelle Williams assumiu o desafio de encarnar o ícone de Hollywood.
O filme retrata a semana que Marilyn Monroe passou em Londres para rodar «O Príncipe e a Corista». Um período durante o qual a atriz experimenta o estilo de vida britânico e foge às rotinas e à pressão de Hollywood.
Leia Mais ►