9 de nov de 2011

Jô Soares cai da cadeira

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"Vou fumar maconha hoje". Será que vão prender Snoop Dog?

Famoso rapper americano faz show hoje no Rio; ele provoca e alimenta debate sobre uso da maconha no Brasil; antes da invasão da USP, três estudantes foram detidos por um baseado; não está na hora de repensar a legislação?
A provocação do rapper Snoop Dog, que se apresenta nesta noite no Rio de Janeiro, vem em boa hora para incendiar a discussão que os estudantes da USP tentaram levar a cabo. Ainda que não tenham optado pela saída mais razoável (“uh! uh! vamo invadir!”), os universitários se propunham a debater a legalização da maconha. Afinal, a confusão da USP começou depois que três alunos fumando baseado foram detidos pela Policia Militar. Agora, o que se pergunta é: os policias vão invadir o palco do Vivo Rio e levar Snoop Dog algemado?
“Ninguém me pediu isso (para não fumar maconha). Vou fumar. Muito!”, prometeu o cantor norte-americano. A pedra que Snoop Dog cantou hoje já está rolando na sociedade brasileira há muito tempo. Nas universidades, discute-se como a descriminalização da erva afetaria o tráfico de drogas. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defende a revisão da legislação brasileira e se empenha hoje na formulação de uma política global sobre drogas. O debate sobre a cannabis sativa, no entanto, continua um tabu.
Os manifestantes da USP foram tachados de “maconheiros mimados”. De fato, foram invasores da Reitoria. E depredaram patrimônio público. [Ou foi a PM quando invadiu?] Mais de 70 foram presos. Diante da opinião pública, essas ações certamente desqualificam o sujeito. O argumento deles – pró-liberdade – acaba soando como um objetivo egoísta. É a galera que puxa o beque!
Mas não, não é só a galera que puxa o beque que quer refletir sobre o uso de drogas no Brasil. Artistas, intelectuais, jovens, idosos, políticos, a la esquerda, a la direita, trazem essa discussão na agenda. A maconha deve ou não ser legalizada? Com a descriminalização, o tráfico não sai perdendo? Por que fumar maconha ainda é considerado mais grave que fumar o cigarro legal – que mata uma pessoa a cada seis minutos, de acordo com a Organização Mundial de Saúde?
Essas são perguntas que precisam ser feitas, pensadas e debatidas. Por estudantes, policiais e toda a sociedade. Pense a respeito e dê sua opinião nos Comentários. Depois, é claro, de assistir ao “maconheiro mimado” da noite: Snoop Dog!
Diego Iraheta_247
No Blog do Amoral Nato
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FHC defende "recato" no uso de maconha na USP, mas critica repressão

O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso (PSDB) lamentou, na noite desta quarta-feira (09), a detenção de 72 estudantes que ocupavam a reitoria da USP, numa operação da Polícia Militar.
- O episódio na USP foi lamentável do começo ao fim. Uma coisa é defender a regulação do uso de drogas, mas pior ainda foi usar isso como pretexto para invadir a reitoria. A reitoria então tem razão - disse FHC, na sessão de autógrafos do DVD do documentário "Quebrando o Tabu", na livraria Saraiva, do shopping Higienópolis.
Questionado se a polícia deveria ter detido os três estudantes usuários de maconha, o ex-presidente defendeu o "recato":
- Depende, porque a lei especifica quantidades diferentes... Mas eu acho que tem que ter um certo recato. O fato de você estar ali abertamente é uma provocação, não vejo razão para isso.
Entretanto, durante o debate com os presentes ao lançamento do DVD de "Quebrando o Tabu", do diretor Fernando Grostein de Andrade, FHC criticou, de forma genérica, a ação repressiva:
- A repressão não funciona, só piora o problema.
Citou o exemplo do México e concluiu, no final:
- Se você puser na cadeia, vai aumentar o consumo. Não é a cadeia que vai resolver.
Dayanne Sousa
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Quem mandou cair no mundo Presidente Lula???

O "maquinista" Ênio Barroso, do blog PTrem das Treze e blogueiro ano de 2011 aclamado no II Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, fez esse belíssimo vídeo para emocionar a todos e dar muitas lições de vida, para Lula e para todos nós! #TeimaLula!
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Com 100% dos votos de PT, PMDB e PSD, Câmara aprova nova DRU

Deputados aliados atendem apelo de Dilma Rousseff e aprovam, em primeiro turno, Desvinculação das Receitas da União, que desfalca seguridade social, até 2015. Em sessão que entrou pela madrugada por ação oposicionista, PT e PMDB mostram fidelidade total ao Planalto. PSD exibe vocação governista e vota inteiro com Dilma. Para governo, crise global exige DRU. Segundo Guido Mantega, crise começa a afetar emergentes.
BRASÍLIA – O plenário da Câmara aprovou na madrugada desta quarta-feira (9) a renovação, até 2015, da Desvinculação das Receitas da União (DRU), que permite ao governo usar como quiser 20% da arrecadação. Atendendo a apelo da presidenta Dilma Rousseff, que na segunda (7) reunira aliados e invocara a crise global para cobrar a prorrogação da DRU, deputados governistas desaguaram votos no projeto, aprovando-o por 369 (62 acima do mínimo necessário) a 44.
Foi a primeira votação de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) no governo Dilma em que havia interesse direto da presidenta. Como PECs exigem número alto de votos para ser aprovadas (ao menos 307 dos 513 deputados), a DRU funcionou como uma espécie de teste sobre a coesão e a fidelidade da base aliada do Planalto. E o saldo foi positivo para Dilma.
Os dois maiores partidos aliados da presidenta e com as bancadas mais numerosas no Congresso foram 100% fiéis ao governo. PT e PMDB tiveram elevado grau de comparecimento (mais de 95%) numa sessão que entrou pela madrugada e não registraram votos contra a DRU nem abstenções.
Saído das entranhas da oposição a Dilma para manter com ela uma relação amistosa, o recém-criado PSD, quarto maior partido da Câmara (o terceiro é o PSDB), mostrou toda a vocação governista. Deu todos os votos a favor do projeto de interesse da presidenta.
Entre os demais partidos dilmistas, as traições foram as esperadas, dado o deputado em questão. No PP, quinto maior na Câmara, o deputado-militar Jair Bolsonaro (RJ), que acha que a presidenta foi “terrorista”, votou contra. No PR, sexto maior e que se declara “independente” mas na prática apoia Dilma, registrou-se voto “não” de Anthony Garotinho (RJ), que se diz oposicionista.
No PDT, os dois deputados que pediram à Procuradoria Geral da República que apure denúncia de corrupção contra o ministro do próprio partido, Carlos Lupi (Trabalho), também deram votos contra Dilma, Miro Teixeira (RJ) e Reguffe (DF). No PSB, Luíza Erundina (SP), que anda decepcionada com a Comissão da Verdade que foi à sanção presidencial, também ficou contra. Não houve defecções no PCdoB, que recentemente teve de aceitar uma troca no ministério do Esporte.
Já nas hostes oposicionistas, só um deputado do PPS e um do PSOL contrariaram os líderes e apoiaram a renovação da DRU por mais quatro anos. PSDB e DEM foram integralmente contra Dilma.
Fator crise global
O governo conta com a DRU na crise porque um quarto do dinheiro que o mecanismo vai tirar da seguridade social (previdência, assistência e saúde) será usado para pagar juros da dívida pública (superávit primário). Para o governo, não ter a DRU agora seria um mau sinal para um “mercado” que já anda desconfiado da capacidade de países europeus pagarem suas dívidas.
Durante o dia, antes da votação, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, dissera que a crise “não está sendo resolvida satisfatoriamente” e que teria ficado até “um pouco pior”, dado o agravamento da situação na Itália. Segundo ele, a crise já começa a afetar países emergentes – mas não o Brasil -, com especuladores ensaiando fuga de dólares. E se os emergentes, que hoje são o motor do crescimento mundial foram mesmo atingidos, aí a situação internacional vai ficar bem pior.
Além disso, o próprio governo montou uma estretágia de usar a crise global para derrubar a taxa básica de juros do Banco Central, a maior do planeta, que requer superávit primário polpudo.
Mas não foram só os argumentos “globais” do governo que estimularam a fidelidade da base aliada de Dilma na votação da DRU. Desde a semana passada, que o governo começou, enfim, a liberar recursos para emendas parlamentares, gastos colocados no orçamento a pedido de deputado e senador destinados a uma determinada obra. Até agora, nada tinha sido liberado.
A aprovação DRU terá de ser concluída nesta quarta-feira (9), com a votação de pontos específicos pelo plenário da Câmara. Para tentar atrapalhar ao máximo a votação, os adversários de Dilma apresentaram uma série de pedidos de votações específicas, além de terem usado todas as possibilidades regimentais para atrasar a votação da PEC.
A sessão de votação da DRU começou por volta das 18h da terça (8) e só terminou depois das 2h da manhã.
Encerrada a votação dos pontos específicos, a Câmara terá de aprovar a DRU mais uma vez, antes de mandar o projeto ao Senado, já que se trata de uma mudança na Constituição.
André Barrocal
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A hiena ri de quê?

Acusado de mandar matar a juíza Patrícia Acioli, o tenente-coronel PM Cláudio Luiz, foi visto rindo durante o julgamento nesta quarta-feira, em  tribunal do Rio de Janeiro.
Foto: Alexandre Vieira/Agência O Dia
No Maria da Penha Neles!
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O poder do diálogo

Caco Bressane
No Nota de Rodapé
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Guerra de ilusões e fantasmas na USP

Quem chegasse à 91a. delegacia de Policia Civil de São Paulo, na manhã de ontem encontraria um ambiente de paz. Na rua, três ônibus de cortinas negras, fechadas, traziam os 70 estudantes detidos que, pouco a pouco, seriam chamados a prestar depoimento sobre a invasão da reitoria da USP. No lado de dentro, delegados e policiais conversavam com os primeiros repórteres que apareceram.
A idéia, disse um delegado, era denunciar os estudantes por um ato de desobediência, incontornável depois que eles não acataram a ordem da Justiça de deixar a reitoria.
O passo seguinte seria um “Termo Circunstanciado de Ocorrencia”, documento que é menos relevante do que o célebre Boletim de Ocorrencia usado até para batida de automóvel. Feito isso, se dizia, eles seriam enviados para casa.
Ao meio dia, a conversa havia mudado. Chamado para atuar nessas horas, o deputado estadual do PT Adriano Diogo compareceu a um encontro fechado com tres delegados e uma delegada envolvidos diretamente no caso. O deputado me pediu para acompanhá-lo como testemunha.
Naquele momento, pretendia-se enquadrar os estudantes em três artigos. Além da desobediência, haveria o dano qualificado de patrimonio, em função de depredações encontradas na reitoria, e até por crime ambiental, por causa de pinturas nas paredes. (Ao longo do dia, essa postura mudaria mais uma vez e se abandonaria a acusação por crime ambiental.)
“NÃO CHEGAMOS AOS CABEÇAS’
Na reunião com Adriano Diogo, os delegados disseram que eram crimes graves. Avisaram que iriam pedir a prisão provisória dos estudantes e que já estavam procurando presídios onde pudessem ser alojados. Lembrando que a única hipótese de escapar era pagar a fiança, que, estipulada inicialmente em R$ 1050, fora rebaixada para um salário minimo, um deles disse: “dificilmente todos poderão ir para um mesmo lugar. Eles serão divididos. Quem sabe tenham de passar a primeira noite aqui.”
Uma explicação para a mudança de atitude é tecnica. Decidira-se por uma punição branda logo cedo, quando não havia sido feito um levantamento completo dos estragos na reitoria. “Depois se viu que a coisa era mais grave,” disse um assessor da Secretaria de Segurança. Mas ganhou curso em conversas entre pessoas envolvidas com a desocupação uma explicação política: os policiais foram instruídos a aplicar punições mais duras como parte de um esforço de imagem do governador Geraldo Alckmin. Como a maioria da população não enxerga o movimento dos estudantes com simpatia, uma reação considerada enérgica seria uma forma de associar Alckmin com uma preocupação em defesa da ordem. “Até segunda ordem a ordem é dar o exemplo,” me disse, ironico, um policial envolvido no caso.
No encontro com Adriano Diogo, um dos delegados falou que as redes sociais deixavam claro que havia muito repúdio da população contra os estudantes. É um argumento estranho, já que o grau de periculosidade de uma pessoa não pode ser medida por sua aprovação maior ou menor no Ibope, nas colunas sociais ou na internet. O problema são os fatos.
O deputado perguntou se não era uma punição demasiada. ”Ainda é pouco,” disse um delegado, que acrescentou, num tom que embutia até uma certa possibilidade de ampliar os interrogatórios e quem sabe, as investigações: “ainda não chegamos aos cabeças,” acrescentou, referindo-se aos sindicatos de funcionários da USP que mantém um convívio estreito com as organizações dos estudantes.
Um pouco antes, a policia montou uma dessas vitrines fotograficas com parte do material encontrado na reitoria. Eram caixas de fogos de artifício, que um jornal descreveu erradamente como morteiro. Também foram exibidas meia duzia de garrafas de coquetéis Molotov. Os estudantes negam que tivessem levado o material para lá.
No encontro com o deputado, o mesmo delegado prosseguiu: “não enquadramos posse de arma de fogo. Seria pior ainda para eles, pois é inafiançável.”
A sentença era dura: “eles vão ter o que procuraram.”
O tom da conversa era este. Por uns minutos, parecia que estávamos diante de uma equipe policial que acabara de apanhar um grupo subversivo dos anos 60 e 70. Minha impressão era que montara-se uma combinação de enganos.
Lá fora, muitos estudantes diziam — com convicção — que seu movimento expressa a alvorada de um levante popular, exemplo do que acontece com a insurreição estudantil no Chile, a revolta dos indignados na Espanha, a ocupação de Wall Street e tudo mais. Na sala com os delegados, ouvia-se argumentos típicos da polícia política do regime miltar.
Os confrontos políticos fazem parte da vida em sociedade. São mais claros e produtivos quando seus protagonistas sabem do que falam. Tornam-se confusos e desgastantes quando se baseiam em ilusões.
A sensação ali na delegacia era de um espetáculo no qual nenhum dos protagonistas tinha idéia do enredo que estava representando. Não é obrigatório ter consciência de tudo o tempo inteiro. Mas quando enganos mútuos acontecem é mais fácil caminhar-se para o erro e o desastre.
As pessoas tomam iniciativas e atitudes sem base no conhecimento da realidade, o que torna difícil atingir objetivos pretendidos. Ao contrário do que ocorreu em outras situações políticas, quando os estudantes eram aplaudidos ao fazer passeatas nas grandes cidades, hoje eles estão fechados em seu próprio mundo, como se conversassem apenas com eles mesmos.
Isso se reflete em sua atitude em relação a USP, a mais respeitada universidade do país, sonho tão distante da vida da maioria dos brasileiros que eles sequer conseguem imaginar que seus filhos possam alcançá-lo, um dia.
Ao sabe que iria me levar para a 91a. delegacia, o taxista lembrou que o rádio havia noticiado que este seria o destino dos estudantes e observou: “aquele movimento deles tá meio fraquinho, né…”
Andando pela delegacia, Adriano Diogo não conseguia evitar um leve riso ironico ao relembrar a origem da ocupação da reitoria. “Os conservadores do PSOL e do PSTU eram contra,” diz ele, mudando o tom de voz na palavra “conservador,” mencionando a sigla mais à esquerda do Congresso brasileire e uma organização de atuação extraparlamentar, que rompeu com a CUT e hoje anima uma corrente sindical agressiva e voluntariosa, o Comlutas.
Estudantes ligados ao PSOL e ao PST, que dirigem do DCE, eram contrários a invasão da reitoria. Numa assembléia tumultuada, onde cada parte acusa a outra de dar mais um golpe em deliberações estudantis, os alunos favoraveis assumiram os trabalhos e decidiram fazer a invasão.
Um dirigente de uma das tendencias mais antigas dentro do Partido dos Trabalhadores apareceu na delegacia para encontrar dois militantes que participaram da invasão sem saber direito por que. “Nós discutimos e explicamos porque não deviamos apoiar essa ação. Mas, depois que a assembléia aprovou a invasão, eles acabaram entrando no bolo.”
O mundo estudantil sempre teve a fisionomia de um aquário mas, neste caso, as particularidades parecem maiores do que a média. As duas ou três organizações que estiveram à frente da invasão da reitoria exibem um radicalismo que um dia teve suas ligações com o pensamento de Leon Trotski, o primeiro líder comunista a reconhecer que o regime saído da revolução russa de 1917 caminhava para um fracasso que poderia produzir um retorno ao capitalismo.
Eles detestam a mídia, questionam a distribuição de renda ocorrida nos últimos anos como puro consumismo. Uma estudante me disse que a luta deles é difícil porque estão combatendo “essa democracia.”
A fraqueza desses estudantes em relação a própria massa estudantil é enorme. Nas últimas eleições para o DCE, uma chapa conservadora mostrou uma presença que não se via há muitas décadas. A maioria dos observadores acredita que só irá crescer na próxima eleição.
Há concretamente um choque de civilizações entre estudantes e a PM. Habituada a fazer seu trabalho junto às parcelas humildes da população, que não tem meios de defesa nem canais de denúncia e reivindicação, ao atravessar a universidade a PM entra em rota de colisão com um mundo diferente, com outros códigos e discursos — e mais poder de retaliação.
Em vez de encontrar cidadãos socialmente indefesos, os soldados estão diante de brasileiros e brasileiras que tem outra condição social. As estatisticas informam que as universidades públicas estão longe de constituir um abrigo exclusivo de filhinhos de papai, como sustentam os advogados de sua privatização, mas são uma instituição que abriga pessoas que estão condenadas a agir e reagir como personagens de nossa elite cultural.
Essa possibilidade de resistência dificulta a aplicação, nas universidades, do simples jogo bruto que é comum em outros lugares. Ontem ouvi três histórias de violência que chamaram a atenção:
1- Uma estudante de Filosofia me disse que passou 40 minutos de pavor e
agressão, por volta das cinco da manhã, quando começou a desocupação. Foi arrastada e jogada no chão, teve sua câmara de filmar e fotografar quebrada. Ao gritar por socorro, foi silenciada com um instrumento de borracha enfiado em sua boca. Mais tarde, apertaram seu pescoço com um cassetete. Quando me deu um depoimento, chorou várias vezes e mostrou o lábio com manchas internas escuras, que eram marcas da agressão, disse.
2- Um estudante de Letras contou que foi apanhado pela PM do lado de fora da reitoria. Derrubado, foi algemado, enquanto um PM usava o pé para apertar sua cabeça contra o chão. O pai deste estudante, um funcionário público, disse que viu imagens da cena na câmara de um cinegrafista de TV que cobria a cena. “Minha mulher também viu e não pára de chorar até agora. Era tão estranho ver aquela cena que eu não conseguia acreditar que fosse meu filho.”
3 – Um terceiro estudante me mostrou um corte no supercilio esquerdo por baixo de um curativo grosseiro, com esparadrapo. Disse que fora agredido por um PM durante a desocupação da reitoria. “Ele me acertou com um escudo,” disse o estudante.
PROTESTO COM APOIO DE MINISTRO
Entrevistei o major PM Sofner, da Comunicação Social. Perguntei sua avaliação sobre estes depoimentos. O major me disse que haviam apurado e que não era nada sério. Perguntei especificamente sobre o depoimento daquela estudante que foi arrastada, empurrada, jogada no chão. Ele me disse que não era verdade mas que estavam investigando. A impressão era de pura formalidade diante de um jornalista.
Vamos combinar que não há comparação possível entre a violencia cotidiana da PM contra a população humilde de São Paulo e das grandes cidades brasileiras. Por essa critério, a atuação dos policiais com os estudantes poderia ser classificada como educadíssima.
O ministro da Educação e candidato a prefeito de São Paulo Fernando Haddad – antigo aluno da USP – condenou publicamente a invasão, um apoio que os estudantes comemoravam discretamente em volta daqueles onibus em que ficaram detidos durante 17 horas. Talvez não haja mais curioso sinal dos tempos do que um protesto estudantil com apoio de ministro da Educação. Mas uma aluna reclamou que Haddad não precisava ter dito que a universidade “não é cracolandia, pois nós não achamos que seria correto fazer na cracolandia o que fizeram na USP.”
O esforço de criminalização dos estudantes inclui a técnica de dizer e repetir a besteira de que eles não passam de maconheiros interessados em livrar-se da PM para fumar seus baseados à vontade. É injusto, mentiroso e irresponsável. Basta ler jornais para ter uma idéia das mazelas que envolvem a Polícia Militar e é importante que se discuta isso. A PM tem uma postura agressiva em relação a estudantes, quando poderia ter uma atuação mais ponderada. Precisa ser controlada e dirigida e isso cabe à quem responde por seus serviços, a reitoria.
Mas não concordo com sua reivindicação, ”Fora PM.”
Como a maioria dos brasileiros, acho que a segurança é um direito da população e um dever do Estado. A população quer tranquilidade para trabalhar, andar pela rua, divertir-se. A menos que se prove que os dados divulgados são falsos, o que não se fez até o momento, a entrada da PM na USP trouxe benefícios evidentes neste quesito.
Sei que a corporação acumula um comportamento violento e autoritário que vai muito além do razoável. Isso está errado e é inaceitável.
O debate sobre segurança é atual e tem uma dimensão nacional. Mas nenhuma proposta de reforma ou mesmo reconstrução da PM, autoriza que se dispense o serviço da corporação.
A boa educação política ensina que é preciso separar as coisas. Numa democracia, todos precisam aprender isso.
A presença da PM na universidade não pode servir de desculpa para agressões contra estudantes.
Paulo Moreira Leite
No Vamos combinar
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O supra-sumo do jornalismo brasileiro

Folha reúne burguesas reacionárias para planejar estratégias para o golpe
Da construção de creches à invasão da reitoria da USP. Foi ampla a pauta do encontro do Grupo de Ação em Cidadania, composto por socialites de São Paulo, ontem à tarde, no bairro dos Jardins.
Marcado por e-mail como uma "reunião política", o encontro foi promovido para discutir o combate à corrupção.
Antes mesmo de todas as convidadas chegarem ao local, algumas lideranças femininas da elite paulista já debatiam com entusiasmo a desocupação da reitoria da USP, ocorrida no início da manhã de terça.
Foi lindo ver estampada em botox e peeling a ideologia das damas que marcharam com Deus pela liberdade na juventude e hoje, com outros modos - mas as mesmas intenções -, seguem coerentemente seu caminho em defesa da ditadura.
E o encerramento do vídeo, com a "não-elite" limpando o chão foi por demais eloquente! Uma edição digna de um Coppola!
O ex-governador Cláudio Lembo fala sobre essa raça maldita em 18 de maio de 2006, logo após os ataques do PCC:
"A burguesia é cínica e perversa", diz Lembo
Sobre a elite brasileira
"O Brasil é um país que só conheceu derrotas. Derrotas sociais... Nós temos uma burguesia muito má, uma minoria branca muito perversa"
"Em suas lindas casas dizem que vão sair às ruas fazendo protesto. Vão fazer protesto nada! Vão é para o melhor restaurante cinco estrelas com outras figuras da política nacional fazer o bom jantar".
"Nossa burguesia devia é ficar quietinha e pensar muito no que ela fez para esse País".
Esse país tem que deixar de ser cínico. Vou falar a verdade, doa a a quem doer, destrua a quem destruir, por que acho que só a verdade vai construir este País".
Sobre a reação da elite paulistana
"O que eu vi em entrevistas da Folha de S. Paulo foram dondocas dizendo coisinhas lindas. Todos são bonzinhos publicamente. E depois exploram a sociedade, seus serviçais, exploram todos os serviços públicos. Querem estar sempre nos palácios dos governos porque querem ter benesses do governo".
Assista ainda a um outro depoimento brilhante:

Para finalizar:

Com Esquerdopata e Maria da Penha Neles!
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SP: Guarda Municipal demonstra todo seu preparo e valentia

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Neymar fica no Santos: Neto “errou” novamente

Neto, comentarista da BAND, afirmou que Neymar assinou contrato com o Real Madrid, em seu blog.
Sabemos todos que, mais uma vez, se equivocou.
A grande dúvida é saber que fatores estariam levando o ex-atleta a errar tanto nos últimos meses?
Irresponsabilidade, incompetência ou inconfessáveis motivações?
Tenho certeza que o leitor deste blog, inteligente, sabe bem qual é a resposta.
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A inflação na China

A taxa de inflação anual da China caiu em Outubro para 5,5%, face a 6,1% em setembro. É o terceiro mês consecutivo em que o Índice de Preços no Consumidor desce.
A produção industrial cresceu ao ritmo anual mais baixo num ano, dando sinais de um pequeno abrandamento na segunda maior economia mundial.
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A atualidade de Fausto

Vender a alma ao diabo é um tema recorrente e atual, e quase não mencionamos a figura de Fausto. Quem sabe, por medo de tê-lo à frente ou dentro de nós. O personagem de Fausto é um dos mais excelsos e perfeitos para a compreensão dos homens. Principalmente dos homens iludidos com o próprio saber. E o poder.
Quase todos conhecem a história do "Fausto", de Goethe (1749-1832) ou, quem sabe, de Marlowe (1564-1593). Com as devidas variações, o enredo é o mesmo e se passa em torno de um homem sábio, que ao chegar à velhice, tenta compensar de alguma forma o tempo despendido nos livros e em pesquisas, fazendo, então, um pacto com o Demônio. Em troca da mocidade perdida, ele promete a sua colaboração com as forças do mal.
É uma espécie de fábula, com origens na Idade Média européia, mas que acentua um aspecto: Fausto não é um qualquer. Seu saber, seus títulos - tudo o leva a crer que se julga um "primus inter pares". É um homem diferenciado, digamos. Goethe, em pessoa, era esse diferenciado: nele coabitavam o naturalista - nome genérico de um cientista voltado à botânica, à mineralogia etc. - com o poeta, o artista plástico, o teórico das cores e tudo mais que se possa imaginar em relação à arte. Não parece importar, enfim, essa relação: milhares de teóricos e estudiosos altamente capacitados dedicaram-se e vão se esfalfar sobre o drama do poeta alemão - principalmente. Nada a acrescentar, portanto.
Mas Ítalo Calvino explicava a sua preferência pelos clássicos, a partir da eternidade deles. Não parece haver, de fato, como fugir da persistência do Dom Quixote em cada um do nós, por exemplo; e o personagem Fausto parece existir tanto no homem que vende a consciência - o jornalista antes de esquerda, hoje de direita (o vice-versa acontece, mas é bem mais raro; e por razões óbvias), quanto no colega que ontem se solidarizava com a categoria - mas que hoje, guindado à condição de chefia, a todo o momento confirma o adagio português: "Para conheceres o vilão, dê-lhe o bordão" . É uma história pra lá de conhecida que, no entanto, se reproduz a com a mesma insistência com que, mesmo os incréus - obrigam-se a considerar "a eternidade do demônio".
Não parece uma situação irrelevante, essa a da existência de um mal a nos acicatar. Karl Marx e Sigmund Freud são, sem duvidam, ponderáveis em suas teorias: o "inferno dos outros" se faria a partir do sistema (Marx), ou do instintos (Freud). Dizer que o diabo laicizou-se naturalmente, é uma questão dos tempos e dos costumes. Não vivemos na Idade Média. O demo não seria aquele ser encruado, com um rabo em forma de flecha na ponta, os pés de cabra e a cabeça, devidamente ornada com pelo menos dois cornos. Já, agora, diabo, sem dúvida, veste Praga; ou a culpa era de seus pais que o maltratavam?
As próprias variações em torno dos temas marxistas ou freudianos - e há uma infinidade delas, devidamente enfeixadas em livros que, se não confirmam a existência do "Coisa Ruim", reafirmam a pergunta: como explicar o cronista que sabe estar mentindo, mas que mesmo assim se assume para além do bem e do mal - tudo em troca da ilusão do dinheiro e da fama como forma de alcançar a juventude eterna, a ilusão de que, fora da notabilidade, da notoriedade - nada vale nada; ou antes, vale tudo? Vender a alma ao diabo, em suma, é um tema recorrente; e quase não mencionamos Fausto. Quem sabe, por medo de tê-lo à frente ou dentro de nós.
Talvez seja essa a questão mais pertinente. Na verdade, talvez seja a única questão: de todos os sete pecados capitais, não há um só que não convirja para a figura de Fausto. Mas o personagem tem uma característica inescapável, que é o seu saber. A grande contradição reside aí. Platão pregava a sabedoria como resposta às questões políticas. Desde que o governo fosse de sábios - e não há ninguém que reivindique a sabedoria suprema, fora da filosofia - a administração da coisa público pelos filósofos seria sempre a resposta adequada da sociedade. De fato, parece ser assim. Mas Fausto, homem sábio, não hesitou em fazer o acordo com o demônio. Seria demais concluir que o homem culto não é necessariamente o mais indicado para gerir a coisa pública?
Há dúvidas, porque se a alternativa a Fausto, é o boçal, o homem que despreza o saber, a coisa pode descambar também: Hitler tinha a certeza de que dominava tudo e se for levado em conta seu êxito inicial, até se explica a ilusão de muitos. O homem que melhor encarnou o espírito da Revolução Francesa foi Robespierre. Era culto; para alguns, de um brilhantismo invulgar. Foi durante sua governança que se instaurou o período chamado "do Terror", em que mais de trinta mil pessoas foram guilhotinadas. Augusto Pinochet foi quase inigualável em sua sanha assassina: matou - e comprovadamente - roubou o quanto pode. Era um homem que se deliciava com a ópera, a grande ópera. Devia se comover às lágrimas na cena da "Tosca", de Puccini, quando o personagem título verifica que o revolucionário a quem ela ama, foi fuzilado por suas idéias.
Stalin não lhe ficou atrás - mas havia quem dissesse que a sua estirpe era de outra linha - um grosseirão. Não é um exemplo de todo convincente; interessava-se pela arte e mandou matar muita gente por não concordar com as músicas, as poesias e os quadros que eles compunham. Já Stroessner - o ditador sanguinário do Paraguai que morreu no Brasil, muito bem obrigado, teria sido um perfeito casca-grossa - tanto, quem sabe, quanto Pol Pot, do Camboja- que não podia ouvir falar em cultura sem sacar o seu revólver.
Goethe acertou em tudo ao fazer de Fausto um homem culto, refinado de um saber superior. Ve-mo-lo a cada instante encarnado, tanto no professor que não dá notas a seu aluno por este não lhe prestar as loas que ele lhes acha devidas, quanto no executivo rico que se sente no direito de xingar ou de despedir uma pobre faxineira por ter desconfiado de que ela não lhe foi suficientemente submissa. Talvez a palavra "fáustica" não se preste à senhora rica que maltrata a empregada negra e pobre: fausto tem a ver com a ilusão do próprio, quando compactuou com o diabo. A coisa toda, em suma, teria que contar com a ilusão do poder e da riqueza. O jornalista venal, o policial corrupto, o empresário entorpecido pela riqueza, seriam todos fáusticos em suas comemorações. Balzac descreve bem uns e outros; eles se deliciam com o sucesso. Os acólitos não deixam de saudá-los na fila infinda do beija-mão.
A ironia é que Goethe em pessoa foi um gênio incensado. Era um gênio até onde a palavra alcança descrever um homem sábio, detentor de inúmeros talentos, mas, sobretudo, o literário. Como Cervantes, ele imortalizou um personagem símbolo - somos todos ainda que não publicamente, ora Fausto ora Dom Quixote. Goethe percebeu com a sua quase onisciência a importância do livro de Cervantes. Dizem que aprendeu o espanhol só para usufruí-lo em sua grandiosidade. Mas nunca desceu ao quixotismo - pelo menos não de modo a ser saudado por isso. Pelo contrário, enquanto pode, manteve a sua posição na Corte; e foi bom que o Duque de Weimar o cobrisse de honrarias e de privilégios. Goethe recompensou-o à altura.
Quando as autoridades máximas de Weimar lhe possibilitaram fazer um jardim - Goethe esmerou-se em construir uma obra-prima. Só não agradou Beethoven que foi seu contemporâneo e que, quase quixotescamente, não se deixava levar muito pela vaidade, como acontecia com Goethe. Quando pode, apontou em Goethe aquela parte de Fausto que persistia em sua personalidade: o gosto pelas "lantejoulas da corte" como disse o músico, textualmente, a respeito de seu colega poeta. Enfim, não há notícia de que o músico tivesse em alta conta o Dom Quixote - mas enquanto pode julgar - e todos podemos julgar - não deixou de imitar no quixotismo de sua surdez - o pior imaginável para um músico - a vaidade do outro. Que foi um gênio, mas que não superou a vanitas vanitatis - a vaidade das vaidades de seu personagem - um dos mais excelsos e perfeitos para a compreensão dos homens. Principalmente dos homens iludidos com o próprio saber. E o poder.
Enio Squeff, artista plástico e jornalista.
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Presidenta Dilma recebe atletas do Pan de Guadalajara

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FHC e seus Papéis

Com a elegância de sempre, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso voltou a escrever nos jornais dominicais. Por mais que o tempo passe, não perde a capacidade de expressão.
Dessa feita, seu objeto foi a corrupção. Com o título “Corrupção e Poder”, a ideia central do artigo é que a corrupção, antes “episódica”, teria se tornado “um sistema” nos governos do PT.
Instalado na época de Lula, sobreviveria no atual, ainda que Dilma “esboce uma reação” contrária. Para FHC, estaríamos “(...) diante de um sistema político que começa a ter a corrupção como esteio, mais que simplesmente diante de pessoas corruptas”.
O texto reflete a dificuldade que o ex-presidente tem de conciliar os dois papéis diferentes a que as circunstâncias o levam. De um lado, ser algo até coerente com sua biografia acadêmica: um ex-presidente que não se ocupa dos embates políticos do cotidiano e intervém na vida nacional apenas quando é necessária uma palavra de sobriedade e sabedoria. De outro, ser uma liderança partidária como as demais, envolvida na luta ideológica com os adversários.
Não é surpresa que enfrente problemas tentando ser as duas coisas, pois os papéis são, mesmo, contraditórios. É impossível querer falar em nome de todos se muitos são vistos como inimigos.
A atração que sente pelo lugar de estadista, acima do bem e do mal, é nítida na sua participação em instituições que congregam “líderes globais independentes”, como diz o material de divulgação de uma delas, os “Anciãos”. Fundada por Nelson Mandela, essa reúne dez personalidades que atuam na defesa de causas sociais e humanitárias, para “oferecer sua influência coletiva e experiência em apoio à paz mundial, contribuir para o enfrentamento das principais causas do sofrimento humano e promover os interesses comuns da humanidade”. Como se vê, nada mais distante do que é a atuação de um líder partidário.
No site da organização, FHC se apresenta como ex-presidente que “implementou importantes programas de reforma agrária, redução da pobreza e que melhoraram significativamente a saúde e a educação (no Brasil); um aclamado sociólogo e advogado global da reforma da política relativa às drogas”.
Exageros à parte, há verdade nesse resumo de sua vasta biografia. E não há nada de mal no orgulho que sente de estar junto a personagens da importância ética e moral dos Anciãos (Desmond Tutu, Kofi Annan, Jimmy Carter, entre outros).
O problema é que Fernando Henrique não consegue dizer não a seus correligionários e à vontade de ser o porta-voz das oposições, nem que seja para apenas externar suas mágoas contra Lula e o PT.
Por mais que o seduzam os grandes fóruns internacionais suprapartidários, não resiste à tentação de desempenhar papéis menores.
O conflito entre o “aclamado sociólogo” e o político é visível no artigo do último domingo. Em “Corrupção e Poder”, mal se percebe o primeiro.
Em alguns momentos, é quase constrangedor, como quando procura justificar a famosa frase do ex-ministro Roberto Cardoso Alves - “é dando que se recebe”-, desculpando-a como inócua: “referia-se a nomeações (...) que eventualmente poderiam levar à corrupção, mas em si mesmas não o eram”.
Como se Fernando Henrique, líder do governo Sarney no Congresso, ignorasse o que se passava ao seu redor e se iludisse achando que a indicação de apadrinhados para cargos no governo fosse um fim em si mesmo.
Em outros, o texto é um exercício de ficção. Sem o dizer, parece querer se referir a seus dois governos quando afirma que “antes, o desvio de recursos roçava o poder, mas não era condição para seu exercício”. E que, “agora”, “os partidos exigem ministérios e postos administrativos para obter recursos que permitam sua expansão”.
Ou se esqueceu ou imagina que ninguém se lembra do que ocorreu naqueles tempos, quando diversos ministérios, alguns dos de maior orçamento, fizeram parte de acordos semelhantes aos que o PT fez quando chegou ao governo. Lula pode ser culpado de muitas coisas, mas não de ter inventado as regras desse jogo.
A corrupção é um problema antigo e relevante de nosso sistema político. Ela existe na administração federal, nos estados e nos municípios, no Legislativo e no Judiciário.
À frente do governo de oito estados e centenas de prefeituras, o PSDB lida com ela no dia a dia. Seu principal intelectual não tem o direito de pretender que ela nasceu ontem e está restrita ao governo federal.
Para o Brasil, melhor seria se FHC fosse um sábio ancião, daqueles que não se permitem ser ligeiros. O primeiro passo para enfrentar a corrupção é acabar com a brincadeira de que ela é culpa dos outros.
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
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A Reforma Política e o avanço da democracia

Não existe, em todo o mundo, um sistema eleitoral que possa ser considerado perfeito. Na verdade, todo modelo eleitoral tem distorções. No caso brasileiro, alguns números são eloquentes para demonstrar o quanto estamos distantes de um modelo mais equilibrado, pois convivemos com anomalias que tornam a Reforma Política necessária para qualificar e aperfeiçoar o sistema democrático no país.
Vamos aos números: em 2002, os gastos declarados por partidos e candidatos nas campanhas para Presidente da República, governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais totalizaram R$ 827,6 milhões; em 2010, esse valor pulou para R$ 4,89 bilhões, um crescimento de 591% em 8 anos, contra uma inflação acumulada no período de 50%. A preocupação aumenta quando se analisa a relação entre gastos de campanha versus resultado eleitoral.
A análise das prestações de contas dos candidatos a Deputado Federal, em 2010, mostra que, entre os 513 eleitos, 369 (72% do total) foram os que mais gastaram nas campanhas. Ou seja, o sistema atual não oferece igualdade de oportunidades sendo cada vez mais difícil um pobre ou um representante de setores populares chegar ao parlamento.
O financiamento privado, ao tornar as campanhas cada vez mais caras e desiguais entre os candidatos, tem afastado muita gente boa da política e tem dado cada vez mais força ao poder econômico, em detrimento das ideias, propostas e história de vida dos candidatos. O financiamento privado tem sido forte gerador de corrupção.
Em contraste com a situação atual, com o financiamento público exclusivo de campanha estaremos contribuindo para que a população possa experimentar um novo modelo, com critérios transparentes para a distribuição dos recursos aos estados, municípios e partidos políticos.
Pela nossa proposta, do total de recursos destinados ao financiamento das campanhas, 25% serão distribuídos entre os partidos de forma igualitária, e os 75% restantes serão distribuídos em função do resultado das eleições anteriores.
Será muito mais fácil para a população, os meios de comunicação e os próprios atores políticos envolvidos na disputa acompanharem - em um sítio específico administrado pelo TSE - a aplicação desses recursos pelas diversas candidaturas.
O chamado “caixa 2” terá muito mais dificuldade para influenciar no resultado das eleições, pois estamos prevendo sanções severas para os infratores, inclusive a prisão.
Em função do conjunto de problemas e distorções que o sistema político atual tem apresentado com o consequente desgaste da credibilidade da política no país, defendo que a Reforma Política seja votada com urgência. Continuar conivente com o sistema atual não me parece razoável.
Henrique Fontana, deputado pelo PT-RS, é relator da Comissão Especial da Reforma Política na Câmara dos Deputados.
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Rede Globo, como sempre, com a polícia da Ditadura e contra os estudantes

Em uma reporcagem de seis minutos e meio, a Rede Globo, através de seu principal telejornal, mostrou mais uma vez com clareza de que lado da sociedade está.
Nunca esteve nem nunca estará ao lado dos oprimidos, dos contestadores, nunca estará ao lado da mudança.
Está ao lado dos opressores, das elites, da alienação e da conservação reacionária. Nesta terça-feira esteve ao lado de uma polícia militarizada, herdada da Ditadura Militar, e esteve contra os estudantes que protestavam contra a truculência dessa polícia.
A reporcagem narra o caso em que a USP foi ocupada pela Polícia Militar e estudantes saíram presos de sua universidade. É o mundo ao avesso, que tanto agrada a esse setor da mídia.
A narração, obviamente, também foi ao avesso: “A Polícia Militar retirou os estudantes que haviam invadido (…), começou Fátima Bernardes, antes de chamar a reportagem de José Roberto Burnier.
A matéria que foi ao ar é uma típica reportagem de guerra. Não poderia deixar de ser assim, se lembrarmos que a PM, altamente militarizada, treinada pela ditadura brasileira, vê sua ação como o simples confronto com o inimigo. Não há, ali, função efetiva de proteção social, mas de ataque.
Burnier, tal qual correspondente de guerra, vai caminhando e falando, escondido atrás dos policiais, como se os estudantes estivessem prontos a abrir fogo. Em nenhum momento ele se põe ao lado dos estudantes, nunca narra a história pela visão deles.
Quando a polícia invade a universidade, Burnier e seu cinegrafista ficam para trás, e as imagens veiculadas são, então, as cedidas pela PM. “A polícia diz que” é o mote geral.
“A manifestação começou quando a polícia prendeu três estudantes com maconha no fim do mês passado”, diz o repórter, esvaziando o debate que se deu com tanta intensidade na última semana. O protesto inicial e a ocupação não se deram em defesa do uso de maconha no campus, mas contra a truculência policial.
A tese da maconha como motivação fundamental das manifestações é reforçada em mais dois momentos.
Primeiro, uma imagem mostra um estudante fumando. Em seguida, já com os estudantes presos e levados em um ônibus para a delegacia, um deles explica a preferência por permanecer no ônibus, e o único trecho veiculado, sem qualquer necessidade, é “aqui a gente conversa com vocês, aqui a gente pode fumar o nosso cigarro”.
Nesse momento já era outro repórter, Alan Severiano, quem conduzia a matéria, direto da delegacia para onde foram levados os “criminosos”. Quando Alan está falando para a câmera, vê-se ao fundo um estudante balançando um livro vermelho. Esse mesmo livro fora retirado da bolsa e exibido por outro rapaz, no momento da prisão.
Naquele momento, o texto da matéria dizia: “Na saída (da USP), um último protesto”. E acabava por aí. Em nenhum dos dois casos houve a preocupação em esclarecer que protesto era aquele, que livro era aquele. Depois da mentira sobre as razões do protesto, agora a omissão.
Mas houve ainda tempo para mais silêncios de quem deveria informar. Antes de Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, líder do PSDB e integrante da Opus Dei, dar a mais longa declaração de toda a reportagem (20 segundos), o Jornal Nacional editou para dez segundos a leitura de uma nota dos estudantes presos.
Também foi de dez segundos o tempo para a vazia resposta do major da PM. A edição mostrou o seguinte trecho da nota: Resistimos e nos obrigaram a entrar em salas escuras, agrediram estudantes. Levaram uma das estudantes para a sala ao lado, que gritou durante trinta minutos.
O trecho completo, ocultado pela Globo, retirado da nota publicada na íntegra no site da revista Caros Amigos: Resistimos e nos obrigaram a entrar em salas escuras, agrediram estudantes, filmaram e fotografaram nossos rostos (homens sem farda nem identificação). Levaram todas as mulheres (24) para uma sala fechada, obrigando-as a sentarem no chão e ficarem rodeadas por policiais homens com cacetetes nas mãos. Levaram uma das estudantes para a sala ao lado, que gritou durante trinta minutos, levando-nos ao desespero ao ouvir gritos como o das torturas que ainda seguem impunes em nosso país. Tudo isso demonstra o verdadeiro caráter e o papel do convênio entre a USP e a polícia militar.
A reporcagem do Jornal Nacional:
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Nova tática da PM tucana: anonimato.
Policiais militares sem identificação. Agentes do Estado repressor tucano livres para cometer crimes. PM não é sinônimo de segurança, mas de medo!
No Mídia Caricata
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Los temores ante Brasil, el nuevo imperio americano

A medida que Brasil gana peso e influencia en el mundo entero, una pregunta incómoda comenzó a asomar en algunos rincones de América Latina: ¿está renaciendo un afán "imperialista" en el gigante de la región?
El temor a un Brasil con planes de hegemonía está lejos de ser algo nuevo en Sudamérica, pero en los últimos tiempos parece cobrar vigor ante el auge económico del país y la enorme expansión de sus negocios en el vecindario.
De la mano de créditos estatales, las empresas brasileñas tienen hoy una presencia inédita en el subcontinente en diversos proyectos de infraestructura. Y, como mostró en las últimas semanas un plan para construir una carretera en Bolivia financiada por Brasil, a veces también generan resistencia.
La idea de que Brasil ejerce un liderazgo político en la región es cada vez menos discutida y expertos en política brasileña admiten que el país ha buscado en los últimos años ocupar espacios que dejó vacíos Estados Unidos en el subcontinente.
Brasil tendrá que tener mucho cuidado para no transformar la predominancia (regional) en hegemonía, que no nos conviene"
Henrique Cardoso, ex presidente de Brasil
Pero también comienzan a escucharse advertencias sobre los riesgos que implicaría para ese país ser percibido o convertirse en el mandamás de Sudamérica, donde la tradicional hegemonía de Washington causó tantas disputas.
"Brasil tendrá que tener mucho cuidado para no transformar la predominancia (regional) en hegemonía, que no nos conviene", dijo el expresidente brasileño Fernando Henrique Cardoso en una entrevista con BBC Mundo.
"Eso genera una actitud de conflicto y no es necesario que se produzca una tensión permanente para que el país crezca", explicó.
"Expansionista e imperialista"
Brasil ha ido ganando presencia en foros globales
como el G-20.
Cardoso negó que Brasil pretenda establecer alguna forma de "imperialismo" en Sudamérica, pero admitió que en algunas partes de la región ya existe la impresión de que el país pretende ir hacia una hegemonía.
De hecho, la última encuesta anual de Latinobarómetro realizada en 18 países de América Latina y divulgada a fines de octubre, indicó que Brasil es el país percibido con mayor liderazgo en la región.
En general, esa idea la expresan dos de cada 10 latinoamericanos, pero en vecinos de Brasil como Argentina o Uruguay la comparten más de la mitad de los habitantes, según el estudio. En Centroamérica, en cambio, se señala a Estados Unidos como el principal líder regional.
Aunque Latinobarómetro concluyó que Brasil también es visto como el país "más amigo" de la región (13% así lo creen) las críticas a su papel en Sudamérica también han sido notorias en los últimos meses.
"Bolivia ve a Brasil como un país expansionista e imperialista", dijo el expresidente boliviano Carlos Mesa en un seminario organizado en julio por Cardoso, según el diario Valor Económico.
"Lejos de Dios"
Ollanta Humala, que este año alcanzó la presidencia de Perú tras recibir asesoramiento de dos brasileños vinculados al Partido de los Trabajadores de Rousseff, alertó antes de ser electo sobre la relación de su país con Brasil.
"El peso de Brasil va a seguir aumentando, entonces nosotros no necesitamos decir que queremos un liderazgo: esto viene por el peso específico de Brasil y nadie puede impedir esto."
Rubens Barbosa, ex embajador de Brasil
"No queremos repetir con Brasil el proverbio mexicano que dice que la desgracia de México es estar tan lejos de Dios y tan cerca de Estados Unidos", dijo Humala en abril al diario brasileño Folha de San Pablo.
Humala se quejó en particular de que los brasileños quisieran aprovechar la debilidad de las fuerzas productivas peruanas para comprar empresas en el país. "No queremos patrones, queremos socios", manifestó.
En Paraguay, el periódico ABC Color afirmó en un editorial de noviembre de 2010 que "el imperialismo brasileño" seguiría intacto en el gobierno de Dilma Rousseff, aludiendo a temas bilaterales sensibles como el uso de la energía que produce la hidroeléctrica binacional de Itaipú.
"Nadie puede impedir"
Un diplomático brasileño que trabaja en temas regionales en la Cancillería de su país descartó que exista inquietud en el gobierno de Rousseff por estas opiniones sobre Brasil en la región.
Diplomáticos brasileños niegan que el país tenga
planes de hegemonía regional.
"Nuestra preocupación es trabajar para que todos tengan los beneficios de un crecimiento económico que va beneficiar a toda la región", aseguró el diplomático a BBC Mundo, pidiendo el anonimato por la sensibilidad del tema.
También negó que Brasil tenga planes de hegemonía regional. "Esa es una preocupación de artículos que salen en la prensa e intentan hacer una intriga", sostuvo.
Rubens Barbosa, exembajador de Brasil en Washington y Londres, consideró natural que algunos vean con recelo a su país, que tiene cerca de 200 millones de habitantes, y el crecimiento de su economía, llamada a ser la quinta global en la próxima década.
Barbosa, que preside del consejo de comercio exterior de la Federación de industrias del estado de San Pablo (FIESP), vaticinó que esa desconfianza "va a seguir y quizás hasta aumente".
"Estados Unidos no tiene una pretensión de ser una potencia hegemónica: es una potencia hegemónica", comentó. "El peso de Brasil va a seguir aumentando, entonces nosotros no necesitamos decir que queremos un liderazgo: esto viene por el peso específico de Brasil y nadie puede impedir esto".
En suspenso
Sin embargo, han surgido señales de que algunos planes multimillonarios brasileños en Sudamérica pueden enfrentar obstáculos difíciles ante las dudas que provocan.
Algunos proyectos impulsados por Brasil han
generado fuerte resistencia en países como Bolivia.
En Bolivia, en medio de fuertes protestas, el presidente Evo Morales decidió parar un plan para que la empresa brasileña OAS construyera una carretera atravesando una reserva natural del país.
El proyecto había levantado el rechazo de grupos indígenas que chocaron violentamente con la policía y manifestaciones contra el "imperialismo" frente a la embajada brasileña en La Paz.
Algunos opositores al plan vial creen que Brasil sería el gran beneficiario de esa carretera porque le permitiría aumentar su comercio, pero el gobierno de Rousseff sostuvo que el proyecto sería importante para la "integración nacional de Bolivia".
En Argentina, la provincia de Mendoza suspendió temporalmente en junio otro megaproyecto brasileño de la minera Vale para producir potasio con inversiones de más de US$ 2.000 millones, aduciendo incumplimiento de normas locales.
Y en Perú, el anterior gobierno de Alan García canceló en junio la licencia provisoria a un consorcio integrado por empresas brasileñas para construir una hidroeléctrica en Inambari, al sur del país.
La mano del BNDES
El proyecto de Inambari es parte de un acuerdo binacional de 2008 para construir seis hidroeléctricas en la Amazonía peruana que calmen la creciente sed brasileña de energía, pero también desató protestas locales.
Ésta, al igual que muchas otras inversiones de compañías brasileñas en la región, contaría con financiamiento del estatal Banco Nacional de Desarrollo (BNDES) de Brasil.
Entre 2001 y 2010, los desembolsos de créditos del BNDES para proyectos de infraestructura de empresas brasileñas en América Latina y el Caribe aumentaron más de mil por ciento, según cifras proporcionadas por el banco.
Está previsto que esos desembolsos vuelvan a crecer este año y alcancen cerca de US$ 860 millones. Algunos analistas creen que el banco ha pasado a ser una herramienta de poder brasileño en la región.
El vacío de Washington
Brasil también ha buscado afianzar en los últimos años sus acuerdos de cooperación con países sudamericanos, por ejemplo en el combate al narcotráfico en Bolivia tras un pacto alcanzado en marzo.
"La hegemonía será un desdoblamiento del propio crecimiento y fuerza económica que Brasil alcance"
Geraldo Cavagnarii, coronel retirado
El diario boliviano El Día opinó entonces en un editorial que "los términos en los que Brasil toma las riendas del combate al narcotráfico en Bolivia son casi idénticos a los que tenía la (agencia estadounidense antidrogas) DEA antes de que fuera expulsada del país".
Cardoso admitió que Brasil puede estar ocupando a su manera espacios que Estados Unidos abandonó en los últimos tiempos debido a sus propios problemas económicos y sus guerras en Irak y Afganistán.
"Probablemente sí, pero no en el sentido de los americanos que eran más bien hegemónicos. O sea, se metían también en el control político. Brasil en ese aspecto tiene una posición más suave", comparó el expresidente.
"Conquista el mundo"
Brasil acogerá la celebración del Mundial de Fútbol
2014 y Los Juegos Olímpicos de 2016.
La idea de llegar a ser un gran poder internacional está asociada a la concepción misma de Brasil, el único país latinoamericano con un pasado imperial, algo que según expertos dejó una huella en sus relaciones con la región.
Y, ahora que Brasil gana presencia en foros globales como el G-20 o la Organización Mundial del Comercio, reaparecen en el discurso político las referencias a "un país que también crece y que conquista el mundo", como dijo la presidenta Rousseff el 16 de septiembre para marcar los 1.000 días hacia el Mundial de fútbol 2014.
Aunque los brasileños evitan izar por el momento la bandera de la hegemonía latinoamericana, algunos creen que esto podrá comenzar a ocurrir si el país continúa su ritmo de expansión.
Geraldo Cavagnari, un coronel retirado brasileño fundador del núcleo de estudios estratégicos en la Universidad de Campinas, cree que esa pretensión puede ser hasta natural para los países con "perfil de potencia".
"¿Se abandonó la idea de una potencia hegemónica? No, no se abandonó (aunque) no se dice nada de eso. Sólo que en la actualidad estamos mucho más preocupados en desarrollar la economía y consolidar la democracia", dijo Cavagnari a BBC Mundo.
"La hegemonía", agregó, "será un desdoblamiento del propio crecimiento y fuerza económica que Brasil alcance".
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Se não pode vencê-los, chame-os de irresponsáveis

Confesso que um sorriso sarcástico formou-se na boca quando vi, no assunto da mensagem por e-mail, o título da matéria principal do serviço de newsletter do portal Comunique-se. Tratava-se de da divulgação de um levantamento feito pela Associação Nacional de Jornais (ANJ) que dizia que um percentual maior que 70% dos jornalistas em redação já haviam sido chamados à atenção pelas empresas onde trabalham por conta de postagens em redes sociais. Ainda de acordo com o tal levantamento, essa “chamada de atenção” não fora por acaso, mas porque os profissionais não sabem dividir opinião da profissão e o tempo entre trabalho e navegação.
Em outras palavras, a pesquisa diz que a culpa por tantos jornalistas passarem por situações ruins (algumas que resultaram em suas demissões) em suas empresas de comunicação, relacionadas com redes sociais, acontece basicamente por culpa dos próprios profissionais. Será mesmo? Será que nossos bravos jornalistas são tão pueris, infantis e inconsequentes a este ponto? Como disse na mesa-redonda “Eu tuito, tu facebookas, ele bloga”, do curso de comunicação social do Centro Universitário do Norte (Uninorte), onde tive a oportunidade de participar nesta quinta-feira (27/10), uma das piores coisas que se faz é a generalização. Portanto, assim como não posso afirmar que nem todos são, de fato, responsáveis, posso também defender a ideia de que nem todos são irresponsáveis.
Não tenho dados para refutar “o levantamento”, mas também não posso crer que ele esteja 100% correto. E um ponto que me chama a atenção: é o dedo da ANJ na questão. Ora, o que é a ANJ senão um “clube do Bolinha” formado pelos representantes dos jornalões desse país? Trata-se, portanto, de um grupo que defende os interesses dos jornais, e não necessariamente do jornalismo. Dos jornalistas, então, nem se fala. Não seria surpreendente, neste sentido, crer que a ANJ estaria apenas resguardando os interesses daqueles que representa. E os que ela representa, os jornais, não têm lá muita tolerância à liberdade que os profissionais alcançaram na internet, sem as amarras editoriais impostas. Não por acaso, muitos desses veículos criaram regras de uso de redes sociais para jornalistas.
Vamos a alguns trechos da matéria do Comunique-se (grifos meus):
“O uso das redes sociais é uma realidade nas redações brasileiras. Mas a maioria dos jornalistas não sabe dividir a opinião da profissão e o tempo entre o trabalho e a navegação. Esse é o quadro das redações dos veículos brasileiros, conforme o levantamento da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), divulgado no Seminário Comunicação Digital, promovido pela ANJ e pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), nesta quarta-feira (26/10) em São Paulo.
A falta de cautela é um cenário recorrente nos veículos, afirma a gerente de pesquisas do Grupo RBS Elaine Lesch. ‘O estudo da ANJ mostra que 90% das empresas têm perfis nas redes sociais, 70% já tiveram que chamar a atenção dos jornalistas pelo seu uso e 40% delas já tiveram problemas com o que é postado lá, seja por elas (a conhecida ‘trollagem’) ou por seus funcionários’, explica.
Outra questão abordada nos painéis é a forma como os jornalistas se portam nas redes sociais. Para a editora de mídias sociais da RBS, Bárbara Neckel, falta um pouco de bom senso aos profissionais de comunicação. ‘E o jornalista diz: ‘Mas é meu perfil pessoal!’ ‘Não tem como separar, comunicação é o nosso negócio, não podemos ser ingênuos nos espaços virtuais e nem deixar de ser gente, que tem uma vida lá fora’, completa Bárbara.
Liberdade de expressão e bom senso
O jornalista especializado em comunicação digital, Marco Chiaretti, endossa que a falta de critérios é fatal. ‘O jornalista profissional não deve fofocar nas redes sociais o que fala na mesa do bar. O problema é que podemos ficar com medo, ainda mais os jovens, de contar histórias por causa da repercussão nas redes.’
A editora de mídias sociais da Folha.com, Mary Persia, tem esperança nas boas práticas no uso das redes pelos jornalistas do grupo em que trabalha, mesmo quando, inevitavelmente, há um deslize. ‘A gente aprende fazendo, não tem jeito. Mas quando erramos, é interessante para o leitor da Folha noticiarmos quando uma gafe da casa acontece.’
Para o jornalista e doutor em Ciências da Comunicação, Caio Tulio Costa, a liberdade de expressão deve existir e o bom senso do jornalista, também. ‘Sou contra leis que impeçam a liberdade de expressão. E acho que todos devem ser responsabilizados por tudo o que escrevem. O jornal tem o direito de ter suas regras, mas não de dizer o que o jornalista pode ou não fazer’, diz.”
Os jornais sabem impor suas verdades
Com exceção da fala do jornalista Caio Tulio Costa, ponderada e sensata, todas as outras personagens – principalmente RBS e Folha – me causaram frouxos de risos, para não dizer úlceras de raiva. Ora, não é incrível que representantes de veículos que tratam informação como produto, que manipulam a notícia quando bem entendem e fazem tudo o que for necessário para manter o capital patrimonial e político de seus grupos intacto (na contramão dos interesses coletivos), falem de postura? Quer dizer, é somente a postura do jornalista que está em pauta? O que dizer da postura do grupo de comunicação?
O fato, meus caros, é que existe uma realidade bem mais nebulosa e contraditória que nos diz o levantamento feito pela ANJ. Como não compro gato por lebre e sempre fui bom em brincadeiras de quebra-cabeça na infância, fiz o dever de casa e liguei os pontos. O levantamento da ANJ – que supostamente descobriu que são irresponsáveis e sem postura (e ponto final) os 70% dos jornalistas que enfrentaram problemas nas empresas por conta de redes sociais – não me parece outra coisa além de tentar de justificar o injustificável: a censura imposta aos profissionais por meio das regras de uso de redes sociais.
Quer saber o motivo? Leia o artigo “Por que os jornais temem tanto os jornalistas?”, publicado n’A Identidade Bentesno dia 13 de junho deste ano e republicado no dia 20 do mesmo mês, no Observatório da Imprensa. É longo, mas creio que fui bem claro quanto ao que penso. O resumo da ópera é: os jornais sabem como poucos preparar o terreno para impor suas verdades.
Mário Bentes é jornalista
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Deputada que acusa governador do DF é cria de Joaquim Roriz

Celina Leão, a deputada distrital que acusa o governador Agnelo Queiroz (PT) de receber propina de um lobista, entrou para a política do Distrito Federal pela porta do gabinete de Joaquim Roriz, ex-governador da capital e inimigo político do petista.
Ela foi secretária de Juventude na última gestão de Roriz, em 2006. Depois, foi chefe de gabinete de Jaqueline Roriz, filha do ex-governador, que foi deputada distrital na legislatura passada.
Pelas mãos da família Roriz, Celina se elegeu com menos de 8.000 votos no ano passado. Responde a inquérito no TRE (Tribunal Regional Eleitoral) sob acusação de ameaçar cortar benefícios sociais de quem não votasse nela --sua assessoria diz não haver provas do suposto crime.
Hoje, Jaqueline é deputada federal. Ela e Celina, que antes se apresentavam como "amigas", não se falam mais.
O rompimento definitivo foi em março, quando Jaqueline quase foi cassada após aparecer em vídeo recebendo dinheiro das mãos de Durval Barbosa, o delegado que delatou o mensalão do DEM e derrubou o ex-governador José Roberto Arruda.
O clã Roriz ficou ressentido com Celina, que não defendeu a ex-chefe e só falou sobre o escândalo para contestar acusação de que teria se beneficiado de esquema montado na administração de Samambaia, cidade satélite do DF e reduto dos Roriz.
Celina disse que as denúncias foram plantadas pelo PT em retaliação à sua oposição ao governo de Agnelo.
Após o rompimento com o clã Roriz, a deputada distrital trocou o PMN, comandado por Jaqueline, pelo PSD do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.
Ela disse que precisava alçar voo próprio, mas ainda mantém contato com figuras que foram próximas à família que a lançou na política.
Um de seus principais assessores foi funcionário da ex-deputada Eurides Brito, secretária de Educação de Roriz, flagrada escondendo dinheiro do mensalão do DEM.
No Falha
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Chico Vigilante acusa distritais de pagarem por denúncia durante plenária

As últimas denúncias que envolvem o governador Agnelo Queiroz viraram debate na sessão plenária da Câmara Legislativa nesta terça-feira (8/11). A sessão começou por volta das 16h com o deputado Chico Vigilante (PT) entregando um documento que aponta que o ex-funcionário da indústria União Química Farmacêutica Daniel Tavares teria procurado a Comissão dos Direitos Humanos, presidida pela deputada Celina Leão (ex-DEMo agora PSD), no último dia 23, um domingo, para fazer uma denúncia contra o governador Agnelo Queiroz. Para confirmar a denúncia, o lobista teria pedido dinheiro e um bom emprego à distrital, pois teria de sair da cidade.
Vigilante disse ser estranho uma presidente de Comissão ouvir alguém no domingo. Ainda pelo fato de ele ter pedido dinheiro e Celina não tê-lo denunciado. A distrital Celina Leão retrucou, dizendo que só o ouviu porque Tavares pediu urgência por sentir-se ameaçado.
Chico Vigilante também afirmou, no plenário, que recebeu um vídeo de uma entrevista de Tavares a uma rede de televisão do Distrito Federal, em que o lobista conta que as distritais Eliana Pedrosa (DEMo) e Celina Leão teriam oferecido R$ 400 mil para confirmar a denúncia contra o governador Agnelo Queiroz.
Além dos R$ 400 mil, Vigilante disse que o lobista também iria receber uma mesada de R$ 10 mil por um ano e um aluguel em Águas Claras, no valor de R$ 4 mil. De acordo com o distrital do PT, Tavares teria recusado a proposta. Ainda na entrevista, segundo Chico Vigilante, Tavares afirma que não há nenhuma acusação contra Agnelo Queiroz.
A deputada Eliana Pedrosa, por sua vez, contou que ela e Daniel Tavares já se conheciam e que ele a procurou no domingo (23/10) para contar sua história. "Ele disse que vinha sendo ameaçado, que um carro o perseguia constantemente e ele chegou a registrar um boletim de ocorrência em uma cidade do Entorno do DF", contou. Pedrosa disse que, com medo, ele a procurou.
Celina e Pedrosa dividiram o microfone para se defender da acusação. Celina colocou-se à disposição para que a alegação de Vigilante fosse comprovada. "Sugiro, inclusive, uma quebra de sigilo telefônico de nós duas (Celina e Eliana)", disse a distrital. "Eu fui testemunha da situação na qual Tavares se encontrava. Ele deu detalhes em linha de tempo", afirmou. Celina foi veemente ao refletir que, independentemente de ser proprina ou empréstimo, tal conduta não é aceitável de um diretor da Anvisa (cargo que Agnelo ocupava à época). "Isso não é o papel de um homem no cargo em que ele [Agnelo] estava".
Em outro vídeo divulgado nesta tarde, o lobista Daniel Tavares diz que não aceitou fazer nenhuma denúncia contra o governador Agnelo Queiroz. Confira trecho do depoimento de Tavares no vídeo abaixo.
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Coronel Teixeira devia ser algemado ao sair do Congresso

Mais uma do coronel Teixeirão e seu jagunço
Getty Images
A arrogância de Ricardo Teixeira está se tornando um insulto ao povo brasileiro. Dizer, em depoimento na Câmara, que o Congresso não deve se preocupar com a soberania nacional diante do "evento único" que é a Copa do Mundo é pra ele sair do plenário algemado.
Esse tipo de pensamento é típico de quem sempre viveu fora da lei. Não por acaso, esse senhor responde a dezenas de acusações de tráfico de influência, suborno, chantagem, corrupção e desvio de dinheiro público. É um gângster, nunca é demais repetir.
Mesmo escanteado e humilhado pela presidente Dilma, não perde a pose de senhor de engenho. Ou cangaceiro, usando uma palavra mais adequada aos seus modos.
Ao lado do secretário-geral Jérôme Valcke, outro jagunço da Fifa, o coronel Teixeirão sustenta com petulância seu discurso truculento. Estão pouco se lixando se os interesses do país vão ser aviltados apenas para garantir os lucros indecentes da "entidade máxima" do futebol mundial.
O Brasil vai torrar R$ 70 bilhões em "investimentos" para viabilizar os US$ 4 bilhões que a Fifa vai embolsar com esse "único evento". E ainda ficam, os capitães do mato, dando chibatadas nas nossas leis, governantes e torcedores.
É um verdadeiro bando tomando de assalto um país. Mereciam ser deportados a pontapés. Aí, sim, eles aprenderiam o que é soberania nacional.
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Fifa propõe ingresso "popular" em lugar de meia-entrada

Em relação a polêmica da "meia-entrada", Jérôme Valcke sugeriu a criação 
de uma categoria especial, a categoria 4 com ingresso a preço popular
(Foto: Leonardo Prado/ Agência Câmara)
Secretário da Fifa afirma que outros países abriram brechas e autorizaram a venda de cerveja nos estádio durante os jogos. Ele pede que Brasil faça o mesmo.
Em audiência pública na Câmara dos Deputados nesta terça-feira (8), o secretário-geral da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Jérôme Valcke, admitiu que a Fifa "não gosta" da ideia de meia-entrada, mas disse que é um problema técnico e não financeiro. Ele admitiu que há possibilidade de ingresso "popular", sugerindo uma categoria especial que teria direito a ingressos a US$ 25 (cerca de R$ 43).
Valcke afirmou que a possibilidade foi discutida em conversa que teve com a presidente Dilma Rousseff para discutir o projeto da Lei Geral da Copa de 2014. Na ocasião, ele disse ter concordado com uma reivindicação da presidente, que era a meia-entrada para maiores de 60 anos, em respeito ao Estatuto do Idoso. Valcke afirmou que a Fifa não quer mexer em leis nacionais. Por isso, ele sugeriu a criação da categoria especial (chamada categoria 4).
A ideia é separar 10% dos ingressos a essa categoria, da qual fariam parte idosos e estudantes. O secretário-geral advertiu, entretanto, que será preciso encontrar uma forma de esses ingressos com preços mais baixos não serem comprados por cambistas nem por pessoas que possam pagar o preço normal. Já o ministro Aldo Rebelo afirmou que não há nenhum impasse que não possa ser resolvido com negociações.
Comércio de cerveja
Sobre a polêmica em abrir ou não uma brecha para venda de cerveja nos estádios durante a Copa, já que no Brasil é proibido, Valcke afirmou que até na Rússia e no Catar, países em que a venda de bebida alcoólica é rigorosamente proibida em estádios, houve uma exceção para a Fifa. “Foi considerado que a Copa é um evento particular e que excepcionalmente o álcool seria comercializado nos estádios”, afirmou.
“Temos esse acordo com nossa parceira Budweiser, de venda de álcool controlada nos estádios. A venda controlada significa, por exemplo, que a cerveja é vendida em copos de plástico e não em garrafas ou latas, que podem ser utilizadas como armas”, disse ele.
Ambulantes
Valcke disse que a Fifa não vai interferir no comércio de ambulantes nas proximidades dos estádios. Ele explicou que haverá um perímetro de segurança de aproximadamente um quilômetro em torno dos estádios, no qual as marcas dos patrocinadores da Copa serão protegidas. Entretanto, segundo ele, essa regra se aplica a empresas e não a vendedores ambulantes.
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