6 de nov de 2011

FHC, os tucanos e sua tradição “republicana”

A Folha de 7 de abril de 1992 e os pés do pavão Fernando Henrique
Desculpem voltar ao tema deste post aqui, mas não posso deixar de ajudar os leitores com o exemplo de prática republicana e moral que prega o senhor Fernando Henrique Cardoso.
Já nem vou falar na entrega criminosa que fez do patrimônio e das riquezas naturais deste país, porque não há mais nada a dizer sobre isso que agrave a sua condição de vendilhão da pátria.
Quero apenas mostrar o cinismo com que apregoa sua própria honradez e aponta nos outros o fisiologismo.
Era abril de 1992. Os escândalos de corrupção já pipocavam no Governo Collor. Alguns falsos, como o que, meses antes, derrubara o então Ministro da Saúde Alceni Guerra, pelos “crimes” de dialogar com Leonel brizola, governador do Rio de Janeiro, e comprar bicicletas da marca Caloi e não as Monark, onde a Globo tinha interesses. Outros, não, como as denúncias envolvendo Paulo Cesar Farias, que vinham desde outubro do ano anterior.
Naqueles dias, a cúpula do PSDB negociava com o governo Collor sua entrada no Governo, que estava enfraquecido. As condições não eram políticas públicas ou decisões programáticas, mas entregar o Itamaraty, uma ocupação ao gosto do senhor Fernando Henrique Cardoso e a Secretaria de Desenvolvimento Regional, uma “secretaria que fura poço” à ala menos cult do partido, comandada por Tasso Jereissati.
Dois tucanos, para a sorte de FHC, se opuseram ao plano: Mário Covas e Ciro Gomes, que não queria ver o partido acusado de fisiológico.
Sorte porque, um mês depois, começava o movimento pelo impeachment do presidente ao qual a emplumada tucanada estava louca por aderir.
Claro, cheia de razões republicanas, não é?
Fernando Brito
No Tijolaço
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Como parar de se importar com os trolls e seguir a vida

Você os vê em todo lugar que vai na internet: usuários anônimos que nunca têm nada a dizer além de comentários grosseiros, mal-educados e fora do assunto, cujo único propósito é te deixar com raiva. A única cura é parar de se importar, mas isso nem sempre é fácil na prática. Vejamos algumas dicas.
A palavra “troll” enquanto verbo da língua inglesa, deriva de uma técnica de pesca que consiste em jogar uma isca na esperança de fisgar um peixe – que é exatamente o que os trolls de internet fazem. Eles usam frases grosseiras e outras técnicas para tentar “fisgar” alguém, o que acontece quando a pessoa fica irritada e responde. O único objetivo deles é te irritar, assim como o seu irmão fazia quando te cutucava sem parar ou repetia tudo o que você dizia. Eles frequentemente se associam a pessoas poderosas para sentirem-se também mais poderosos.
A atividade de trollar na internet começou nos newsgroups da Usenet há muito tempo, mas hoje eles estão por todos os lugares. Fóruns, YouTube, blogs, Twitter, Facebook. O problema é que atualmente todos nós estamos sujeitos aos trolls. Isso significa que ignorá-los se torna cada vez mais difícil, já que você tende a estar mais emocionalmente investido nas coisas que diz, e também que eles têm muito mais mídias por onde atacar. Estas são algumas das coisas que podem te ajudar a criar uma resistência aos trolls e parar de se preocupar com o que os malditinhos estão dizendo na internet. (Foto: um remix baseado em uma original de Peter Bernik.)
A regra de ouro: não alimente os trolls
Você provavelmente já ouviu essa frase diversas vezes. Ela é a regra fundamental de participação em qualquer comunidade online, e não sem razão. Ignorar é e sempre foi, definitivamente, a melhor estratégia. A maioria dos trolls se alimenta do confronto – afinal, seu objetivo único é chamar atenção –, por isso, quanto menos atenção você der a eles, melhor. Se você estiver em um ambiente que tenha estas funções, dê uma avaliação negativa ao comentário, denuncie e/ou bloqueie, depois siga com a sua vida.
É extremamente tentador, mas resista à vontade de responder. Não responda nem mesmo para desmascará-lo como um troll. Mesmo um comentário simples como “favor, pare” ou “vá embora, troll”, chama mais atenção para os comentários dele, engordando a “conversação”, ou mesmo, no caso dos fóruns, mover o tópico para o topo. Se um troll olha para o seu computador um pouco depois e não vê nenhuma resposta, ele vai procurar chamar atenção em outra freguesias. Demonstrar para ele que você pode ser fisgado, mesmo de leve, é pedir para sofrer mais.
Eles não estão atacando você, mas sim o tédio
Uma das maneiras mais fáceis de identificar um troll é pela sua completa falta de razão. Eles são ofensivos de propósito e sem motivo, apenas para causar uma reação em você, em vez de defenderem um ponto de vista genuíno com argumentos relevantes. Nas suas frases, você perceberá uma atitude forte de “eu estou certo e todo o resto do mundo está errado”. Chris Shiflett, do Swiss Miss, explica melhor do que eu:
A lição que eu aprendi é estar atento com aqueles que se orgulham de não gostar de algo. Os que pensam que criticar é igual a ter bom gosto. Estas pessoas raramente têm bom gosto, então as opiniões delas não importam.
Então, lembre-se: mesmo que o que você tenha feito não seja a melhor coisa do mundo, quem não conseguir falar isso sem um mínimo de simpatia, quem parecer se orgulhar de criticar você, essas pessoas têm opiniões que não importam. Pode muito bem ser o caso de você ter criado uma obra de arte, e eles serem apenas moleques.
Ele diz que não é necessária nenhuma sofisticação para ser um crítico escroto, e está completamente certo – se não há nada de valor em uma frase, você não deveria dar a esta frase valor nenhum. Não deixe os “haters” te afetar; eles estão raivosos porque estão entediados e sem o que fazer, não porque você tenha feito algo mal feito.
Eles não valem a energia gasta brigando contra eles
No fim das contas, você realmente precisa gastar a sua energia se preocupando com o que meia dúzia de desocupados estão falando sobre você? Não. O blogueiro Scott Stratten explica o conceito de “moeda emocional” e como ele se relaciona com o trato com os trolls:
Em resumo, você tem uma quantidade limitada de emoção. Ela deve ser gasta com pessoas que a valorizam, que valorizam você, não com um moleque qualquer que está revoltado por qualquer outro motivo e desconta em estranhos na internet. Há muitas pessoas que valorizam muito mais o investimento do seu tempo.
Só porque a internet está cheia dessas pestes, não significa que ela não esteja cheia de pessoas incríveis também. O tempo que você passa alimentando trolls com as suas respostas é um tempo que você poderia estar gastando tendo discussões importantes com pessoas melhores, ou mesmo fora da internet. Você quer mesmo gastar a sua energia em algo que não traz absolutamente nada de bom?
Aprenda a rir da situação
Uma atitude positiva pode te fazer suportar quase tudo. Apesar de ser possível aprender a se segurar para não responder aos trolls, é quase impossível ignorá-los completamente – mesmo que você tome atitudes para destrollizar a sua internet. A melhor estratégia para manter a sua sanidade intacta é aprender a ter um senso de humor a respeito disso. Pode ser um pouco insensível te aconselhar a simplesmente ficar mais casca grossa, mas o fato é que funciona. Susannah Breslin, uma colaboradora da Forbes, disse uma vez: “se te baterem com frequência na cabeça, você para de sentir”. É bem verdade. Lembre-se que se você é trollado com uma frequência maior, isso significa que as pessoas estão te percebendo em uma posição de poder maior também. Alguma coisa certo você está fazendo.
Como responder, quando você responder
Eu recomendo que você não responda trolls nunca, em hipótese alguma, mas se você acabar fazendo isso, pode tentar evitar a discussão em si. Se você usar a bondade contra eles, vai confundi-los com maior facilidade. O desenvolvedor de software Shlomi Fish explica como, usando o exemplo de um troll que critica uma linguagem de programação em um fórum:
É bem simples:
1. Pergunte a ele o que ele quer dizer:
  • “Por que você acha que Python é ruim? Quais você acha que são os problemas dela?”
2. Concorde com ele (usando linguagem mais suave):
  • “Sim, Perl é uma linguagem muito boa, e eu concordo que Python tem seus problemas em comparação com ela.”
  • “Tudo bem você preferir Perl, nós te aceitamos mesmo assim.”
Isso fará o troll perder um pouco do gás e quem sabe até se identificar com você.
Alguns podem discordar deste método – eu pessoalmente acho que é melhor ignorar e pronto –, mas se você já estiver preso em um argumento com um deles, pode tentar essa estratégia de ser legal com ele, tal qual um Ursinho Carinhoso, para escapar.
Aprenda a diferenciar críticas construtivas de trollagens
Por último, é importante mencionar que, como eu disse antes, há alguns casos em que alguém pode ser grosseiro e te criticar fortemente, mas fazer isso não por maldade, apenas por falta de tato. Se você conseguir extrair algo de construtivo, ou argumentos válidos, daquele comentário pode valer a pena responder. Ser desagradável não é exatamente a mesma coisa que ser um troll (apesar de todo troll ser desagradável), então às vezes pode ser o caso de dar um voto de confiança para alguém antes de decidir ignorá-lo completamente. Ele pode estar apenas escolhendo as palavras erradas para te criticar construtivamente.
Isso exige um tanto de prática e condicionamento, mas o objetivo principal é simplesmente parar de se importar tanto com o que os outros pensam, especialmente aqueles que não têm nada de útil para oferecer. Se você tiver mais dicas para lidar com trolls, seja na internet ou na vida real, compartilhe com a gente nos comentários.
Whitson Gordon
No Gizmodo Brasil
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A Matemática da Reforma

A apreciação do anteprojeto de reforma política preparado pelo deputado Henrique Fontana (PT-RS) foi adiada para a semana que vem. Se nada de novo acontecer, ela deverá ocorrer na terça feira, quase um mês depois da data inicialmente estipulada.
Não há problema no fato de a Câmara estar levando mais tempo que o previsto na discussão da matéria. Se há uma coisa de que ela não precisa é pressa. Ao contrário.
Embora enfrente resistências, a proposta de financiamento público exclusivo continua andando, seja na Câmara, seja no Senado. É possível que sofra modificações, mas conta com o apoio dos partidos da base, além do endosso de lideranças como Lula e a simpatia de entidades como a CNBB, a OAB e a ABI.
O que está emperrando a tramitação do anteprojeto é outro ponto, igualmente polêmico e relevante: a mudança do sistema eleitoral.
Na primeira versão, o eleitor votaria duas vezes para deputado federal, estadual (ou distrital) e vereador, uma na lista preordenada da legenda (ou coligação) de sua preferência, outra no nome de algum candidato. Em cada partido (ou coligação), o número de parlamentares a eleger seria calculado dividindo-se a soma pelo quociente eleitoral. Metade das vagas seria preenchida de acordo com a lista partidária, metade segundo o montante de votos nominais.
A intenção, parece óbvio, seria aproveitar as vantagens dos dois tipos principais de voto proporcional, de “lista aberta” (no qual se vota em candidatos) e de “lista fechada” (onde o voto é dado nos partidos). É um modelo que existe em alguns países, mas foi recebido com desconfiança pelo sistema político.
Entre outras objeções, argumentou-se que tornaria ainda mais complicado o ato de votar, ao obrigar o eleitor a dar até oito votos nas eleições gerais (presidente, governador, dois senadores, dois votos para deputado federal, dois para deputado estadual ou distrital).
A ideia foi abandonada e uma nova proposta elaborada. Segundo essa, adotaríamos a chamada “fórmula d`Hondt” - de “maiores médias”, que divide o voto total de cada partido pelos divisores 1, 2, 3 .... e aloca cadeiras de acordo com o quociente alcançado -, mas preservaríamos a eleição de parte dos candidatos de forma nominal e parte de acordo com o voto de legenda. Ainda será discutida na Comissão.
Existem, mundo afora, dezenas de sistemas eleitorais, o que é prova de que nenhum é perfeito. Se houvesse um, todos os países já o teriam.
O que vamos fazer com o nosso depende de algumas decisões mais profundas. Depende do que queremos de nossa democracia.
Se quisermos o bipartidarismo, com predomínio do candidato sobre o partido e com o voto motivado, fundamentalmente, pela localidade (e não pela ideologia ou qualquer outra dimensão), fiquemos com o voto distrital “puro”. Se acharmos que não precisamos de partidos e preferirmos câmaras preenchidas por “campeões de voto”, vamos para os “distritões”.
Se acreditarmos que a democracia exige os partidos, mantenhamos o voto proporcional. Há vantagens e desvantagens de tê-lo com lista aberta ou fechada.
Se desejarmos partidos fortalecidos, adotemos o voto em lista fechada, cuidando, na legislação partidária, de reduzir o risco do mandonismo interno. Se considerarmos necessário que a representação política reflita clivagens relevantes na sociedade, temos que ir além, adotando listas fechadas com cotas (fixando cotas de gênero ou outras).
Se formos de opinião que existe um número pequeno de partidos, podemos modificar a legislação, permitindo que os partidos que não alcançaram o quociente eleitoral participem do “reparte das sobras” - as cadeiras que restam depois da aplicação do quociente partidário (se um partido tem direito a 4,99 cadeiras, ganha quatro e as 0,99 são consideradas “sobras”). É isso que propõe o anteprojeto de Henrique Fontana e que tramita no Senado.
Se entendermos que nosso sistema eleitoral, com seus quase 70 anos, pode ser melhorado sem ter de ser reinventado, cuidemos de identificar onde intervir e busquemos os remédios mais simples. Talvez não precisemos ser matemáticos para compreender o que fazer.
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
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Tanita Tikaram & Mark Isham

Atendendo a inúmeros pedidos do Laulo Lobelto Roquinel:
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Tanita Tikaram

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Crise europeia anuncia turnê pelo Brasil

Angela Merkel atendeu às exigências do FMI e vestiu-se de Lady Gaga
DUBLIN – Com o mercado de shows em países emergentes aquecido e a penúria geral do Velho Continente, o líder humanitário Bono Vox convocou seus pares para uma turnê mundial que vai exportar os dividendos da crise econômica europeia. "Levaremos nossa entourage de investidores, especuladores e políticos para 32 países emergentes. Será um festival de IPOs, derivativos e venda de títulos públicos", explicou o vocalista do U2.
Batizada de Stock in Rio, a etapa carioca acontecerá em janeiro em terreno alugado por Roberto Medina e Eike Batista. Sting, Sinnead O´Connor, Biafra e as meninas cantoras de Petrópolis confirmaram presença no Palco Mundo. Do lado esquerdo, a Wall Street (antiga Rock Street) emulará uma rua de casas penhoradas de Nova Orleans. Ali, os interessados em merchandising poderão levar para casa ações de empresas gregas, notas promissórias de bancos irlandeses e títulos públicos italianos.
No Palco Sunset acontecerão encontros de peso. Os organizadores já confirmaram os duetos de Silvio Berlusconi & Angela Merkel, Mahmoud Abbas & Benjamin Netanyahu e Elton John & Bolsonaro.
No final do dia, as bolsas europeias despencaram com a confirmação de Claudia Leitte no set list. Sandra Annengerg comentou: "Que deselegante!"
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Não há cenário mais favorável à liberdade de imprensa que na Venezuela, diz ex-ministro de Chávez

Em dezembro de 2012, quando os venezuelanos optarem pela continuação ou o fim da Revolução Bolivariana, o governo do presidente Hugo Chávez e a oposição terão travado mais uma batalha que irá muito além dos comícios e manifestações de rua típicas de uma corrida presidencial. As disputas de opinião, mais uma vez, terão os meios de comunicação como um dos palcos principais.
Entre os mais influentes atores que já começaram a se articular para essa batalha midiática está o ex-militar e ativista político Jesse Chacón, que por anos foi o encarregado de lidar com um dos setores mais delicados e criticados da era Hugo Chávez: as comunicações e a relação do governo com a imprensa. Chacón esteve no olho do furacão do conflito midiático que culminou com a não-renovação de concessão da RCTV, até então principal e mais tradicional rede de TV venezuelana – no entanto, quase nunca é lembrado por ter renovado a concessão de suas principais concorrentes, igualmente opositoras ao governo.
Ex-ministro das Comunicações da Venezuela participou do 1º Encontro Mundial de Blogueiros, em Foz do Iguaçu
Nessa entrevista exclusiva ao Opera Mundi, ele defende com unhas e dentes a democracia de seu país e o compromisso do governo com a liberdade de imprensa e de expressão. “Não posso encontrar um cenário mais favorável à liberdade de imprensa como esse”, disse.
Após deixar o governo, Chacón passou a se dedicar ao GISXXI, um instituto de pesquisas independente, que realiza levantamentos sobre temas como segurança e também pesquisas eleitorais. A última realizada, em setembro, mostrou que Chávez seria reeleito com 58% dos votos. Além disso, Chacón e seu instituto passaram a mostrar especial interesse pelo poder e a influência das novas mídias sociais. Atualmente, a Venezuela é o quinto país do mundo em usuários do Twitter proporcionalmente à sua população, de acordo com pesquisa divulgada pela ComScore em abril (atrás de Holanda, Japão, Brasil e Indonesia).
Seu interesse e seus textos produzidos a respeito do tema o trouxeram ao Brasil para participar do 1º Encontro Mundial dos Blogueiros, em Foz do Iguaçu, no último final de semana. Nesta segunda-feira, em um café da manhã realizado na Embaixada da Venezuela em Brasília, Chacón falou sobre a luta do governo venezuelano para provar continuamente o livre exercício do jornalismo em seu país – camuflado, segundo ele, por uma antiga disputa pelo poder envolvendo empresários e os grandes grupos da mídia.
Por que os meios de comunicação fazem uma oposição tão ferrenha a Chávez e aos conceitos da Revolução Bolivariana?
Isso ocorre porque o país passou por momentos críticos de uma guerra que envolveu o Estado e os veículos tradicionais de comunicação. Quando Chávez chegou ao poder e começou a implantar suas reformas, contrariou todo o setor empresarial, foi organizado um grupo sob forte influência da embaixada norte-americana, um órgão que crê ter o poder de tomar o controle de um país por uma via distinta à da eleição.
A partir de dezembro de 2000 a janeiro de 2001, juntam-se a ela a oposição política, parte da Igreja Católica e toda a estrutura dos grandes meios de comunicação – redes de televisão, jornais e a imprensa escrita – com a finalidade de acelerar a saída de poder do presidente. Em abril de 2002, a mídia promoveu e organizou um golpe de Estado. E há provas de que ele foi premeditado. No dia 11 de abril, todos transmitiram o discurso de um general [Nelson Gonsalez Gonsalez] declarando em rede nacional que o presidente iria deixar o governo. Mas acontece esse discurso foi preparado e gravado dois dias antes, na casa de um empresário do ramo jornalístico e transmitido naquela hora como se fosse ao vivo.
E ao mesmo tempo houve a greve dos petroleiros.
Sim. O presidente retornou ao poder e imediatamente chamou a todos para um grande diálogo nacional. Ele poderia ter simplesmente fechado os canais, naquele momento ele tinha todas as condições para fazê-lo. Mas os mesmos grupos de comunicação organizaram uma greve no setor petroleiro no final de 2002, que levou a produção da Venezuela em dezembro daquele a zero barris! Essa greve só terminou em março de 2003, e todos os indicadores negativos da economia naquele período foram produto dela. Em plena greve, os donos das mídias fizeram uma coletiva de imprensa anunciando que se se uniriam a ela, paralisando suas atividades. Tivemos dois meses sem televisão. É como se aqui a Globo não transmitisse mais novelas, futebol, mais nada. Tudo o que aparecia eram anúncios convocando a população à greve.
O resultado desse golpe de Estado foi um distanciamento muito forte. Porque uma coisa é que um meio se oponha ao governo. Outra é que ele planifique e execute a saída desse governo eleito democraticamente. São duas coisas totalmente diferentes. Aqui é mais difícil de entender essa situação. Não conheço a realidade brasileira, mas, se a mídia é em sua maioria, de oposição, não chegam a planejar um golpe de Estado.
A partir de então, alguns meios começam a deixar essa linha agressiva de tentar derrubar o presidente fora da via do voto e a situação normalizou-se. Agora o que fazem é empurrar uma visão distinta da sociedade e um candidato diferente de Chávez. Se ele ganhar a eleição, ok. Mas tudo concentrado no aspecto eleitoral e não na desestabilização institucional, como tentaram entre 2000 e 2004.
Existe liberdade de imprensa nos 12 anos de República Bolivariana da Venezuela?
Há total liberdade. Avançou-se muito nos últimos tempos, só que agora há espaço para todos, não apenas grupos hegemônicos. As grandes rádios e os jornais, por exemplo, são, em grande maioria, contra o governo.
Mas depois de 2004, elas fazem uma oposição mais moderada?
Podemos dizer que chegamos a um estágio que, em sua maioria, não há conflitos com os meios. Televen tem sua programação e seus programas de opinião não têm nada de favorável ao governo. Venevisón é uma TV regional privada e também é outro exemplo. Na imprensa escrita há três grandes jornais de circulação nacional: o El Nacional e El Universal e o Últimas Noticias. Há maior equilíbrio no Últimas Notícias, mas nos dois primeiros, faça um levantamento das manchetes, durante o período de uma semana, um mês, verá que, no mínimo, 90% são contra enquanto, com sorte, encontrará a chance de encontrar 10% favoráveis. Não posso encontrar um cenário mais favorável à liberdade de imprensa como esse.
Houve porém, outro episódio polêmico. Em 2007, Chávez não renovou a concessão da RCTV, um canal que lhe fazia fortíssima oposição.
É diferente. Quando o Estado não renovou com a RCTV, tinha uma justificativa jurídica. Essa concessão foi entregue para 25 anos, e a lei dá a prerrogativa ao Estado para não renová-la. Pode-se estar ou não de acordo com as razões para renovar ou não renovar, discutir do ponto de vista político. Mas é uma prerrogativa do Estado. E dentro dela, qual é a razão que alega o Estado juridicamente? Que a Constituição o obriga a criar um canal de serviço público. Quando o prazo dessa concessão venceu, a RCTV ocupava o melhor espaço radioelétrico de propagação de sinal. E é mais importante para o Estado criar um canal de serviço público do que renovar uma concessão privada. Este foi o princípio. O canal hoje que está no lugar da RCTV é o TVes (Televisora Venezuelana Social), o maior transmissor de esportes e de espaços culturais na Venezuela. Ela abre também o canal para produtores nacionais independentes de audiovisual.
Esta decisão de não renovar a concessão, por mais clara que esteja seu amparo frente à lei, não abre um precedente perigoso para que outras emissoras opositoras sejam descontinuadas?
Para começar, todas as redes de alcance nacional já foram renovadas.
Só ocorreu com a RCTV?
Sim, pela justificativa da qualidade de sinal. Agora, o que o Estado não pode fazer é aplicar a mesma justificativa para as demais. Na época do fim da concessão da RCTV, o mesmo se passava com a Venevisión e VTV (concessões renovadas em maio de 2007 por cinco anos. No mesmo dia foram renovadas concessões das redes regionais Televisora Andina de Mérida e Amavisión de Puerto Ayacucho; e cinco emissoras de rádio).
A Televen renovou pelo mesmo período um ano mais tarde. (na época, Chacón, então ministro de Telecomunicações e Informática afirmava que não haveria concessão com prazo superior a cinco anos). Naquela situação, o Estado teria que renovar com duas e eliminar uma. Novos prazos de concessões vão vencer no futuro. O Estado segue com a prerrogativa da decisão, a renovação não é automática, mas criteriosa. Ela terá uma avaliação do Estado para renová-la.
Não se debate na Venezuela alguma renovação ou modernização da Lei Resorte (Lei de Responsabilidade Social no Rádio e na Televisão) de 2006?
Não há problema nas leis, o desafio é materializá-las. O objetivo da Lei Resorte era romper com os monopólios. Criou-se uma figura que se chama produtor nacional independente. Do total da grade de uma emissora de rádio ou televisão, há uma porcentagem que tem que ser ocupada por produções nacionais independentes. Ou seja, embora uma pessoa fosse dona de uma concessão, uma parte da programação desse meio – estamos falando de audiovisual – seria utilizada por alguém que não fosse controlado por ele. O grande problema para tudo isso é a dificuldade de se produzir esse conteúdo para a televisão.
Criou-se um fundo para apoiar esses produtores, correspondente a 0,5% bruto dos impostos de todo o setor. Mas esse espaço ainda é incipiente e não produz o suficiente para alcançar o espaço previsto na lei. Se conseguirmos consolidar essa produção independente, isso ajudará para propagar mensagens muito mais diversas nos meios. E isso é mais importante do que tentar uma modificação na lei.
Também criamos as rádios e televisões alternativas e comunitárias, sem enfoque no lucro, muito diferentes do conceito das estações comerciais. Na Argentina, historicamente, há uma briga muito grande porque a lei argentina obrigava que a única maneira de ter uma rádio e televisão era que ela tivesse fins comerciais. Organizações sociais ou fundações não podiam. Por exemplo, um grupo afro-descendente da Venezuela monta sua estação, sem fins lucrativos, é considerado alternativo. Mas a figura legal que a maneja é uma fundação da comunidade, que a cada dois anos é renovada por eleição. É um conceito nada fácil de implementar. Temos nesse momento 36 experiências de televisão comunitária. Em rádio, temos cerca de 300 habilitadas e, em processo de habilitação cerca de outras 600. Logo teremos mil. O que tem menos controle por parte do governo são essas rádios. Fizemos escola na maneira de se evitar os monopólios na comunicação, sobretudo em rádios.
E como ficou a relação da sociedade venezuelana com a grande imprensa?
O Golpe do Estado e a greve petroleira nos afetaram muito economicamente. Creio que os venezuelanos, como sociedade, passaram a ter uma educação mais crítica em relação aos meios de comunicação. A grande maioria dos que creem ou dos que não creem no que leem, a favor ou contra o governo, sempre buscam uma segunda opinião. Conseguimos, graças ao Golpe de Estado promovido pela mídia, que os venezuelanos não acreditem em tudo o que sai na telinha. E isso é um avanço.
Essa possibilidade de procurar outros pontos de vista foi facilitado com o crescimento da internet e o surgimento das redes sociais?
Sem dúvida. A internet se converteu em uma ferramenta de debate político muito ricana Venezuela. Primeiro graças ao surgimento de páginas novas. Surgiram desse movimento o Aporrea, o La Patilla, tantos outros.
E o fenômeno do Twitter?
Sim, porque na Venezuela ele é mais forte do que o Facebook, que é uma ferramenta mais multimídia, mais orientado a difundir. Já o Twitter é mais horizontal. E, na Venezuela, temos grandes debates via Twitter. Antes, dizia-se que, na Venezuela, “todo mundo tinha um celular”. Agora, “quase todo venezuelano tem uma conta Twitter”. Somos a quinta população no mundo em percentagem da população, segundo lugar na América Latina em números de contas.
E é importante lembrar que ele não alcança somente as camadas mais ricas da população. Ao contrário, ele se popularizou e converteu-se em uma ferramenta massiva de intercâmbio e opinião. Isso é algo que outros países ainda não conseguiram. É muito rico, digno de ser estudado.
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Lady Gaga: espelho de nosso cotidiano

 Entrevista especial com Thiago Soares 

Lady Gaga, por sua performance e ousadia, causa interesse não só nos fãs de cultura pop. A própria academia, com seus pesquisadores, começa a se interessar em estudar o fenômeno Lady Gaga. Thiago Soares é um deles. Em entrevista concedida pessoalmente à IHU On-Line, o docente afirma que Gaga encena o lugar do “seja o que você quiser” ou “faça do jeito que quiser”. “E esse acaba sendo um discurso muito oportuno hoje em dia no momento em que temos tão poucas ideologias contra as quais lutar”.
Além disso, continua, “essa coisa da Lady Gaga ser um personagem me parece que é uma das questões mais fortes nas nossas relações contemporâneas. Hoje, nós somos avatares no Twitter, no Facebook; podemos criar fakes, postar como ‘anônimos’, ou seja, as identidades estão muito moduláveis. Podemos nos ‘fantasiar’ daquilo que quisermos nas redes sociais, na internet e, também, na vida. Daí a importância de Lady Gaga ‘jogar’ com as identidades, ‘brincar’ com seu corpo. Ela está reproduzindo uma prática que é bastante comum no nosso cotidiano”.
Thiago Soares é doutor em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela Universidade Federal da Bahia – UFBA e professor do Departamento de Comunicação e Turismo – Decomtur, da Universidade Federal da Paraíba – UFPB. Possui graduação em Jornalismo pela Universidade Federal de Pernambuco – UFPE e mestrado em Letras pela mesma universidade.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – O que faz de Lady Gaga um ícone pop?
Thiago Soares – O destaque que Gaga ocupa na mídia hoje e a forma com que se posiciona na indústria fonográfica creio que sejam aspectos fundamentais para entendê-la na cultura pop. Essas lógicas de ame/odeie; a forma como ela utiliza a cultura midiática, as performances que realiza, a forma como usa o videoclip, os instrumentais da televisão, da internet... Tudo isso aciona o lugar de destaque dela dentro da cultura pop. Porque não é a questão apenas de ocupar um espaço, é ocupar um lugar de destaque; é como essas formas de legitimação dela funcionam na engrenagem midiática. Falar de Lady Gaga é pensar esse lugar de destaque que ela está ocupando hoje nas instâncias midiáticas.
IHU On-Line – Qual seria a razão para que Gaga explore tanto em seus clipes aspectos cristãos, especialmente católicos?
Thiago Soares – Temos que pensar a questão da religiosidade na cultura pop. Lady Gaga não está criando nada de novo. Agora, ela está fazendo de uma forma bastante emblemática, usando em videoclipes, performances, shows. Mas, por exemplo, a Madonna já fez isso. Esta deu um beijo num santo negro em “Like a prayer” na década de 1980. Então, 30 anos atrás, a rainha do pop já fez esse questionamento em torno da relação da igreja como elemento de polemizar a cultura midiática. A Lady Gaga traz à tona novamente esse discurso, por isso que ela é tão comparada com Madonna, porque traz elementos já utilizados anteriormente pela cantora, como questões religiosas, como dispositivo de reconfiguração.
IHU On-Line – Nesse sentido, em que aspectos Lady Gaga difere e se aproxima de Madonna?
Thiago Soares – Lady Gaga tem muitas semelhanças com questões de performance, de composição; ela compõe as próprias músicas dela, é produtora. Tem uma coisa muito parecida com a Madonna sonoramente também. As músicas são parecidas. São baladas e canções pops com apelo midiático muito forte, sintetizador; música eletrônica, dançante... Então, tem toda uma semelhança.
Mas também é preciso pensar as diferenças entre as duas. Se formos pensar do ponto de vista da trajetória, Gaga tem um caminho muito diferente do da Madonna. Esta encena talvez aquela utopia do sonho da cantora que chegou a Nova Iorque com pouco dinheiro; entregou uma fita cassete na gravadora que a descobriu. Gaga não. Ela já era produtora antes mesmo de ser cantora. Ou seja, já estava dentro dos mecanismos da indústria e isso a difere muito de Madonna, que encenou todo aquele sonho e utopia da cantora que seria descoberta pela indústria.
Lady Gaga, por sua vez, usou dos mecanismos da indústria já como uma forma de se inserir na música mesmo. Ademais, os discursos das duas são muito distintos. Madonna sempre teve uma preleção muito racional, defendeu causas (negros, gays etc.). Já Lady Gaga fala em monstros... em bandeiras menos claras talvez.
IHU On-Line – Como analisa a extravagância e o visual “over” de Gaga? Qual é o sentido dessa mise-en-scène?
Thiago Soares – Um fator que faz com que Gaga tenha uma importância muito grande na cultura midiática hoje é que ela entende ser tudo performance e leva isso ao extremo. Os vestidos dela de noite, por exemplo, são três vezes maiores que os outros. Ela sai na rua para comprar um cachorro quente toda montada, porque sabe que vai ser fotografada, que pode gerar repercussões etc. Ou seja, o que faz Lady Gaga importante, essa coisa over da roupa dela etc., é porque ela está levando a questão da performance ao extremo. Está reconhecendo que tudo o que fazemos é performatizado. E ela materializa isso, na moda e na música.
IHU On-Line – Você afirma que Lady Gaga é, em si, uma simulação, performance e uma personagem que se insere num contexto mais pós-moderno, niilista. Poderias explicar melhor tais aspectos?
Thiago Soares – Niilista é aquele que questiona as coisas, mas não sabe muito o quê. A Lady Gaga é um pouco isso. Ela fala muito, por exemplo, que os fãs são “monstrinhos” dela. Então, qual a questão dos monstros? É se sentir à parte da sociedade. Mas, em quê de fato? Acredito que o novo álbum dela, o Born this way, está mostrando certa clareza no discurso gay dela.
Mas a cantora tem ainda muitas sombras que não sabemos. Ela está reclamando da vida, porém, não sabemos muito bem de quê. Há certo discurso niilista nisso. É aquele tipo de pessoa que quer lutar, mas não sabe contra quê. É um pouco a nossa luta na contemporaneidade. Vivemos em uma sociedade tão individualista, que não sabemos muito bem contra o quê lutar, quem é nosso inimigo. Gaga acaba mostrando a problemática de nossa era mesmo. Apesar de não gostar muito do termo pós-modernidade, acredito que ele, para que possamos entender Lady Gaga, seja útil.
IHU On-Line – Há uma identificação dos jovens com Lady Gaga, uma projeção? Em que sentido?
Thiago Soares – Sim, muito grande. Creio que essa coisa do jovem está muito atrelada ao discurso individualista de autoajuda que Lady Gaga tem. Discursos individualistas, do tipo “Seja diferente”, acabam causando certo engajamento em torno da cultura jovem muito forte, sobretudo naquele que não tem um propósito.
IHU On-Line – Há um quê de burlesco nas aparições de Gaga. Mais do que chocar, ela diz ser ela mesma quando “se monta” para os shows. Como percebe a questão da identificação dos jovens com esse figurino e esse personagem?
Thiago Soares – Acredito que há um fator muito interessante nesse aspecto, e muito ligado à cultura gay também. Por exemplo, se Madonna encenava o lugar e poder da mulher, Gaga, por sua vez, encena o lugar do “seja o que você quiser” ou “faça do jeito que quiser”. E esse acaba sendo um discurso muito oportuno hoje em dia no momento em que temos tão poucas ideologias contra as quais lutar.
Além disso, essa coisa da Lady Gaga ser um personagem me parece que é uma das questões mais fortes nas nossas relações contemporâneas. Hoje, nós somos avatares no Twitter, no Facebook; podemos criar fakes, postar como “anônimos”, ou seja, as identidades estão muito moduláveis. Podemos nos “fantasiar” daquilo que quisermos nas redes sociais, na internet e, também, na vida. Daí a importância de Lady Gaga “jogar” com as identidades, “brincar” com seu corpo. Ela está reproduzindo uma prática que é bastante comum no nosso cotidiano.
IHU On-Line – Percebe influências de Madonna nos figurinos e na obsessão camaleônica de Lady Gaga? Por que a aparência é tão importante em suas apresentações?
Thiago Soares – É Madonna, mas acredito ser também uma necessidade midiática de se fazer interessante. Acredito que essa necessidade camaleônica não é uma relação direta de Madonna com Gaga. Parece-me que é uma necessidade de reconfiguração do próprio sistema de consumo dessas celebridades no campo da indústria da música. Creio que a aparência é relevante em suas apresentações porque Gaga leva ao extremo a ideia de que a performance é essencial na aparição da cultura pop. Para ela, performatizar está em todos os ambientes da vida. Está quando ela sai de casa, aparece na MTV, está no videoclip; quer dizer, essas instâncias estão todas semelhantes e ocupam espaço de valor dentro da lógica dela, que são muito parecidas e bastante análogas.
IHU On-Line – Por que Gaga “deu certo” e Ke$ha, que segue um visual trash, por vezes parecido com o de Gaga, não tem a mesma projeção ou impacto?
Thiago Soares – Não seria sensato atestar que “Ke$ha não deu certo”. Ke$ha tem projeção sim, mas sua trajetória na dinâmica midiática ainda é bastante inferior à da Lady Gaga. Se pensarmos em músicas como “Tik tok”, “We r who we r” e “Blow”, por exemplo, temos faixas que foram exaustivamente tocadas e tiveram seus clipes também muito bem exibidos. As matrizes performáticas de Lady Gaga e de Ke$ha são, de fato, bem parecidas. Elas flertam com o trash, com o grotesco, com a “bagaceira”. Mas acho que a Lady Gaga cerca seu discurso de uma carga mais “artística” e “autoral”. Ke$ha ainda está ligada a uma premissa de que é “nova” no campo das cantoras musicais...
IHU On-Line – Gaga disse que a cultura pop é sua religião, e para isso é preciso acreditar que seu trabalho nunca está finalizado, e que a arte é algo que transcende, que transforma. Em que medida essa concepção muda a forma como o artista pensa a arte na pós-modernidade?
Thiago Soares – Lady Gaga mistura tudo no seu trabalho: arte, comércio, performance, ficção, realidade. Tudo se amalgama e vira esse “caldo” interessante para a cultura pop. Na verdade, como estratégia de diferenciação, Lady Gaga se aproxima do campo da arte, da performance, do happening, para ocupar espaço midiático. É preciso pensar a questão da “cultura pop como uma religião” a partir da retranca do engajamento que as duas propõem.
Shows pop são, em certa medida, momentos de adoração dos ídolos, assim como a coisa da religião.
A questão da pós-modernidade pressupõe entender a arte e comércio sem limites claros, borrando suas “bordas”. Lady Gaga é assim: O que nela é arte, o que é comércio? Que corpo é aquele? Onde começa o personagem e onde termina a performer? Até quando ela vai durar? Essas são questões centrais para se pensar Gaga a partir de uma retranca pós-moderna.
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Presidente israelita Simon Peres admitiu o uso da força contra o Irã.

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Os paraísos fiscais e a hipocrisia do G20

Na cúpula de 2009, o G20 definiu como prioridades a reforma do sistema financeiro e o combate aos paraísos fiscais. De lá para cá o balanço é vergonhoso. Os paraísos fiscais são só estão mais ativos do que nunca, como, sobretudo, seguem funcionando ativamente em países como Suíça e Luxemburgo e em potências mundiais como EUA, Japão e Inglaterra. Cerca de 800 bilhões de euros saem dos países do Sul todos os anos para esses paraísos fiscais.
O sistema financeiro, os paraísos fiscais, os impostos às transações financeiras, o nível de decisão dos países emergentes, os temas que deviam ocupar o centro da cúpula do G20 ficaram na sombra. A crise grega engoliu a sexta cúpula do G20 celebrada na luxuriosa cidade de Cannes, na Costa Azul francesa. A agenda da cúpula foi se modificando sob o peso da crise da dívida. A última versão da reunião dos países ricos e emergentes devia estar consagrada a apresentar uma rota de fuga para tirar do marasmo os 17 países da zona do euro e o passo forçado da economia mundial e ao papel que poderiam desempenhar na retomada econômica do planeta as nações emergentes como o Brasil e a China.
Não aconteceu nem uma coisa nem outra. O eixo franco-alemão monopolizou a cúpula mediante uma sólida ofensiva contra o Primeiro Ministro grego Yorgos Papandreu, para obrigá-lo a aceitar o plano de ajuste europeu em troca de um novo pacote de ajuda europeu de 8 bilhões de euros, sem passar por um referendo que, frente à surpresa geral, Papandreu sugeriu antes da cúpula. O espetáculo final mostrou o que os analistas internacionais vem anunciando há anos: o Ocidente se desloca para as suas margens. O vespertino francês Le Monde reumiu muito bem a situação com a manchete de seu editorial de primeira página: "Em Cannes, o festival das novas potências".
Os ricos de antes, EUA e União Europeia, tem os bolsos vazios e nadam em um mar de inoperância disfarçado com um aluvião de boas intenções. Frente a eles, Brasil e China se afirmam como um eixo de sólida responsabilidade. O G20 representa 90% das riquezas mundiais, recorda o Le Monde. O editorial destaca sem concessões que esta cúpula "consagrou como nunca o novo mapa da geoeconomia mundial". A Europa está pendurada no fio grego e os Estados Unidos em seus déficits abismais.
Atenas é uma vítima indefesa: a Grécia está de joelhos, com uma crise política interna de grandes proporções que pode conduzir à demissão de Papandreu, bloqueado pelas greves, a um passo de sair do euro e com as caixas vazias. A luta pelo plano de ajuste, os oito bilhões de euros de ajuda à Grécia, o referendo adiantado por Yorgos Papandreu, a zona vermelha em que estão a Itália e a Espanha, dois países por sua vez membros do G20 e da zona do euro, e a extensão da crise da dívida ao conjunto da zona do euro varreram a agenda do G20.
Apesar da mudança de rumo forçada pela densidade dos desarranjos mundiais, cabe perguntar-se qual é verdadeiramente a influência real que tem o G2O nas realidades do planeta, em um contexto onde os países emergentes que integram o G20 também se vêem ilhados em suas demandas pela própria dinâmica da crise. A resposta cabe em um exemplo tomado das medidas adotadas pelo G20 há dois anos. Os dois grandes cavalos de batalha do G20 ficaram no nada: a reforma do sistema financeiro mundial e os paraísos fiscais.
Este último tema é o mais ilustrativo da inoperância política das grandes potências que compõem o G20. Se o saneamento do sistema financeiro e a idéia de introduzir um imposto sobre as transações financeiras permanecem como meros discursos, o combate contra os paraísos fiscais deu lugar a um pacote de medidas adotadas na cúpula do G20 que se celebrou em Londres em abril de 2009. Desde então até agora, o balanço é vergonhoso. Os paraísos fiscais não só são mais frutíferos que antes mas, sobretudo, na lista dos mais fluídos figuram países ocidentais como a Suíça ou Luxemburgo, e potências mundiais como os Estados Unidos, o Japão, a Alemanha e a Grã Bretanha.
A campanha francesa “Ajudemos o dinheiro a sair dos paraísos fiscais”, lançada antes da cúpula francesa do G20, revela que 800 bilhões de euros saem dos países do sul a cada ano. O território britânico das Ilhas Virgens conta com 23.000 habitantes, mas tem 830.000 empresas registradas através das quais se lava dinheiro, se evita o pagamento de impostos e outras tantas transações ilícitas.
A organização internacional Tax Justice Network, TJN (Rede mundial pela justiça fiscal), sintetizou em um informe publicado antes da cúpula de Cannes o fracasso rotundo de todas as disposições adotadas pelo G20 em Londres. A Tax Justice Network analisou 73 jurisdições e sua atuação nos mercados financeiros. As conclusões são veementes: no índice sobre a “opacidade financeira” das 73 jurisdições, a Suíça ocupa o primeiro lugar. A TJN destaca que a Confederação helvética “reúne as condições ótimas para esconder a evasão fiscal internacional, a lavagem de dinheiro e outras transações financeiras ilícitas”.
Pior ainda: a TJN esclarece que, na verdade, o primeiro paraíso fiscal do planeta é. . . a Grã Bretanha. De fato, se fosse atualizado o índice sobre a opacidade financeira, incluindo as ilhas britânicas de Jersey e Guernsey, se conclui que “o Reino Unido é o primeiro paraíso fiscal do mundo e se constitui atualmente no ator de maior peso no que se refere ao sigilo bancário”. Separado, o Reino Unido ocupa a décima terceira posição, Jersey a sétima, as ilhas Virgens britânicas a décima primeira e Guernsey aparece na posição número 21.
A classificação elaborada pela Rede mundial pela justiça fiscal através de 15 parâmetros apresenta outra surpresa: A Alemanha e os Estados Unidos (dois membros do G20) figuram entre os 10 Estados mais opacos.
Washington está na quinta posição e Berlin na nona. Nessa mesma lista, Luxemburgo figura na terceira posição, Hong Kong na quarta, o Japão na oitava e a Bélgica na décima quinta. A frase pronunciada pelo presidente francês na cúpula de Londres é irreal... e irrealizável: ”a era do sigilo bancário terminou”, tinha dito Nicolas Sarkozy em abril de 2009. Mas a era continua pujante.
A investigação da Tax Justice Network põe ao descoberto uma evidência: o intercâmbio de informação mediante centenas de acordos bilaterais subscritos desde 2009 não serviu para nada. Pelo contrário, a maioria dos paraísos fiscais recupera mais dinheiro que antes da famosa missa de 2009. O índice da Tax Justice Network foi elaborado segundo duas medidas: os obstáculos que se colocam diante dos pedidos de informação por parte das autoridades de outros países e a relevância da jurisdição no mercado financeiro global. A investigação depois qualifica de 0 a 100 pontos o comportamento das jurisdições investigadas em uma quinzena de temas que vão desde a publicação de dados, o sigilo bancário até o registro de fundações.
As já célebres Ilhas Caimã, Jersey, Belize, Barbados ou Gibraltar estão sendo alcançadas por Luxemburgo, Estados Unidos, Japão ou Alemanha. O G20 tinha se proposto a revisar a eficácia de sua política contra os paraísos fiscais na cúpula de Cannes. A crise da zona do euro corre o risco de dilatar a análise. No entanto, os dados proporcionados pela campanha francesa “Ajudemos o dinheiro a sair dos paraísos fiscais” e pela Rede mundial pela justiça fiscal provam que nada mudou, que o mal se incrementou e que aqueles que respaldam medidas contra os paraísos fiscais, no seio do próprio G20, são os mesmos que depois, atrás da porta, contribuem para a sua expansão.
Eduardo Febbro - Correspondente da Carta Maior em Paris
Tradução: Libório Junior.
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Ignacio Ramonet: 'Cenário para taxação de transações financeiras nunca foi tão favorável quanto agora'

No fim da década de 1990, enquanto os governos e a opinião pública mundial defendiam em uníssono os princípios mais extremos do liberalismo, um jornalista espanhol radicado na França ousou desafiar esses conceitos.
Diretor da tradicional revista Le Monde Diplomatique desde 1991 (cargo que ocupou até 2008), esteve na linha de frente do ativismo altermundialista. Um editorial seu de 1997, influiu na criação do grupo anticapitalista ATTAC (Associação pela Taxação de Transações Financeiras por Ajuda aos Cidadãos), cujo objetivo de cobrar um imposto no mundo das finanças foi duramente atacado na época.
Ignacio Ramonet conversa com estudantes e professores na Universidade de Brasília sobre os novos rumos da mídia
O mundo dá voltas. Nessa sexta-feira (04/11), o encontro de cúpula do G20, grupo das maiores economias do planetas, passou a considerar seriamente a hipótese, como mais uma alternativa à crise financeira que atingiu o primeiro mundo desde 2008. Outras ideias que Ramonet criticava, como a opção da centro-esquerda europeia em seguir pela terceira via, uma coabitação entre a social-democracia com o neoliberalismo, também estão cada vez mais em pauta, e uma nova alternativa política começa a ser encontrada na América Latina.
Em passagem pelo Brasil, onde participou do 1º Encontro Mundial dos Blogueiros, em Foz do Iguaçu, e de um debate promovido pela Alba (Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América) na Universidade de Brasília, Ramonet concedeu uma entrevista exclusiva ao Opera Mundi, no qual abordou apalavra mais em moda no mundo contemporâneo: crise.
Longe de se restringir à economia, Ramonet mostra que o mundo também passa por um vazio de ideias e uma transformação sem precedentes na maneira de se comunicar, deixando o jornalismo tradicional sem rumo – o que não é necessariamente uma mudança positiva.
O sr. acredita que a social-democracia, após optar pela Terceira Via e o neoliberalismo no fim do século XX se encontra em crise de identidade? Como fazer para que seus partidos voltem a ser uma real alternativa política na Europa?
Não há dúvida que isso ocorre. A grave crise econômica e social a qual vive a Europa deve-se, em parte, ao fato de que não haver uma verdadeira alternativa à política econômica que rege o continente nos últimos 30 anos.
Isso ocorre porque a social-democracia se converteu à tese neoliberal, que consiste em dizer que, em matéria de Economia, não há outra alternativa possível: o mercado e os investidores privados antes de tudo. O Estado não tem nada a dizer e a deixa completamente nas mãos do setor privado. Pode haver alguma diferença em questão de moral, liberdades, expansão (da União Europeia), certos aspectos do Estado de bem-estar social, etc. Mas na Economia não se mexe.
Com essa atitude, chegamos à crise atual sem qualquer solução. E note que foram os países governados pelos social-democratas que se encontram em situação mais grave na Europa: Giorgos Papandreou, na Grécia, do Pasok (Partido Socialista Pan-helênico) e atual presidente da Internacional Socialista, José Luis Zapatero, na Espanha (Partido Socialista Operário Espanhol) e até recentemente perder a eleição, José Sócrates, em Portugal (Partido Socialista).
No meu ponto de vista, a social-democracia precisa ser refundada e se questionar. Assim como fizeram no passado Tony Blair (ex-premiê britânico pelo Partido Trabalhista) e Gerhard Schröder (ex-chanceler alemão pelo Partido Social-Democrata), que foram os teóricos dessa tese da Terceira Via, ou seja, imitar a direita na Economia e ser diferente no resto. Hoje temos que sair dessa alternativa. E muitos socialistas concordam que é preciso sair dessa prisão intelectual.
E esses socialistas já começaram a se organizar em torno de um movimento ou ainda estão perdidos?
Não vejo um movimento organizado nesse sentido. Nem houve qualquer menção na última reunião da Internacional Socialista realizada em Madri, onde o próprio (ex-presidente brasileiro) Lula participou.
Na Grécia (foto), como em toda a Europa, partidos da social-democracia são cobrados nas ruas por seus próprios eleitores
Mas é importante lembrar que a social-democracia latino-americana foi também partidária do neoliberalismo. E isso começou a mudar a partir da Venezuela. E por que? Porque o dirigente social-democrata mais importante da região no início dos anos 1990, Carlos Andrés Pérez, adotou uma terapia do choque, que provocou uma explosão social no país a partir de 1989. Como conseqüência, surgiu uma forte oposição pela qual Hugo Chávez foi eleito democraticamente, defendendo que as propostas da social-democracia não eram mais válidas.
Podemos dizer que a integração da América Latina deveria seguir os mesmos passos percorridos pela UE (União Europeia) ou deve escolher seu próprio caminho?
Acho há lições que podem ser tiradas. Quando Lula esteve em Paris para receber o título de Doutor Honoris Causa no Instituto de Ciências Políticas, ele disse que a União Europeia é um “patrimônio democrático da humanidade”. E tem razão.
A União Europeia é uma construção muito interessante porque, nos dois últimos séculos, o continente era sinônimo de um campo de batalha. Era onde as guerras ocorriam, as duas guerras mundiais, a Revolução Russa, o Holocausto, todos os grandes horrores da humanidade se passavam lá. Mas depois da construção da UE, tornou-se talvez a mais pacífica. E isso foi uma conquista muito importante.
Mas, sob o ponto de vista econômico, decisões como o abandono da soberania dos Estados-membros nos colocaram à véspera de uma catástrofe.
Os latino-americanos devem, certamente, avançar nos aspectos da integração. A região ficará mais forte e influente se conseguir se articular. Mas não acho que devam adotar uma moeda única. Talvez partir para a solução de uma moeda comum, como a Alba (Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América) com o Sucre. É um sistema de compensação: você paga com uma moeda que na prática não existe, mas que permite saber o valor do produto, sem precisar recorrer ao dólar, euro ou outra moeda estrangeira. Era assim na Europa antes do Euro, com o sistema monetário europeu. E é viável.
De outra parte, a integração política deve ser feita com prudência. Avançar reduzindo ao máximo as diferenças entre os países, mas ter em conta as realidades dos povos e das nações, que na região possuem uma história mais recente (do que a Europa). Deve-se tentar conservar os benefícios da integração e rejeitar o que não deu certo. E a experiência europeia pode ser um exemplo muito útil para os latino-americanos nesse sentido.
Acredita que a adoção de taxas para transações econômicas, como a Taxa Tobin, há tantos anos defendida pelo Sr., se encontram atualmente em um cenário mais propício do que o passado?
Nunca foi tão favorável. Quando eu defendi publicamente a ideia pela primeira vez, em 1997, diziam que era uma loucura, uma utopia. Todos os países recusaram.
Mas, a partir do momento em que a crise iniciada em 2008 se agravou, de pouco a pouco vemos muitos economistas e chefes de Estado que defendem essa cobrança. O próprio Parlamento Europeu pediu sua criação. Sarkozy a defende em toda reunião. Merkel também. Só o Reino Unido é contra.
Mas eles preferem que seja uma medida temporária, com prazo de validade.
Sarkozy a quer agora, como a quis em 2008, mas os mercados não deixaram.Agora ele voltou com a ideia, porque todos estão sem dinheiro para pagar as dívidas soberanas. Com um imposto dessa natureza, a Europa teria a cada ano cerca de 150 bilhões de dólares. Teríamos resolvido o problema da dívida grega. Permitiria criar um fundo de ajuda financeira para eles. Eu defendia um fundo de ajuda aos países em desenvolvimento, mas só para os europeus deve servir.
Quando compramos um produto qualquer, todos pagamos um imposto por ele. Até uma garrafa d’água tem seu valor agregado. Ao mesmo tempo, quando se compra dez bilhões de euros, não se paga nada. Isso não é normal. Por isso a Taxa Tobin é um assunto mais do que atual. Ela também criaria um freio no mercado de câmbio.
Nunca precisamos tanto criar essa taxa, nem nunca estivemos tão prontos.
Mas há quem queira impedi-la. Afinal, do que vive o Reino Unido? Nem de matéria-prima nem de indústria, mas do mercado financeiro. Seu grande produto é a Bolsa. Os britânicos são contra ela, mas isso é problema deles. Eles não estão na zona Euro, portanto esse imposto pode ser aplicado somente à região.
Os Estados Unidos também não gostam da ideia, pois tem uma tradição liberal. Na Europa, quem obtém algum lucro com o dinheiro aplicado em ações paga uma pequena taxa,de valor insuficiente. Já um operário que trabalha em uma linha de montagem paga muito mais impostos do que alguém que vive de ações. Mas pelo menos esse capital é taxado na Europa. Só que nos EUA, não se paga nada. Tudo o que você ganhar na Bolsa é taxa zero! É outra cultura.
Em sua participação no 1º Encontro Mundial dos Blogueiros, em Foz de Iguaçu no último fim de semana, o sr. disse que as mudanças provocadas pelo surgimento das novas mídias sociais criava um cenário “entre a luz e a sombra”. Por que essa disparidade?
Por um lado, as mídias sociais são um fenômeno altamente positivo. É uma possibilidade de os cidadãos intervirem em debates que antes só eram restritos a quem a grande mídia quisesse. Quem quiser se expressar pode contar com essa possibilidade. Antes, era muito mais difícil. Era necessário encontrar um veículo ou uma rádio que te convidasse, etc. Hoje isso mudou.
Não havia nem o mesmo espaço para tanto.
Sim, hoje é diferente. Globalmente, a internet é uma ferramenta de fácil utilização e barata. Mesmo que se necessite comprar um mínimo de equipamento, é possível gerir um veículo com recursos cada vez mais reduzidos. Trata-se de uma reviravolta considerável e que pode ser considerado altamente positiva. Essa é o lado da “luz”.
Há, no entanto, o lado “sombrio”. Também não podemos simplesmente acreditar que essa transformação na maneira de se comunicar ocorra sem que novas corporações sejam as grandes beneficiadas. Entre as principais temos o Facebook, o Twitter, o Google.
Às vezes não nos damos conta que, toda vez que utilizamos essas novas mídias, estamos tornando essas corporações cada vez mais lucrativas. Você pode ligar para um amigo para planejar a “grande revolução anti-capitalista”. Para a empresa de telefonia poço importa, está ótimo, ela lucra com a sua chamada.
Também não devemos acreditar que, ao conseguirmos oferecer a possibilidade de qualquer pessoa expressar sua opinião, que chegamos à era da democratização da comunicação. Sim, ela está mais acessível, mas os cidadãos produzem nem são fonte dessas informações. Eles participam, na realidade, nos comentários.
Em terceiro lugar, deve-se considerar que todo esse sistema é vigiado. Quando você se exprime através das novas mídias sociais ou por novas tecnologias de informação, está entregando informações que poderão ser rastreadas.
Há tanto aspectos positivos quanto negativos. Em Foz do Iguaçu, embora estivéssemos em um encontro de blogueiros progressistas, lembrei a todos que há colegas de todas as características políticas: progressistas e conservadores; revolucionários e reacionários. O fato de ser um blogueiro não faz de você necessariamente num rebelde.
Claro, o que ocorreu na Tunísia e no Egito foi muito positivo. Porém, pelo mundo, nem sempre é assim. É um sistema de dupla face.
O senhor acredita que o jornalismo tradicional se encontra em crise em razão dessa nova dinâmica e da ação de internautas independentes que o sr. chama de "webatores"?
Acredito que o jornalismo vive atualmente sua crise mais grave. Sempre foi difícil fazer o bom jornalismo, nunca foi moleza. Também nunca tivemos uma “era de ouro” na profissão, um tempo em que fosse maravilhoso ser jornalista, que se trabalhasse sem arranjar problemas com empresas e políticos. Jamais.
Mas essa crise é sem precedentes, especialmente para a imprensa escrita. Por uma simples razão: estamos numa faze de transformação do ecossistema midiático, e causa um problema de identidade.
Se todo mundo faz jornalismo, se todos os "webatores" fazem jornalismo, em que o jornalista faz diferença, no que ele é especial? Por exemplo, o que diferencia um repórter de um grande jornal brasileiro de um blogueiro? Não há tanta diferença. E é muito possível que determinado blogueiro alcance um público muito maior e genérico do que um jornalista ligado a um veículo tradicional.
'Webactors', ou ciberativistas, tiveram grande influência na derrubada dos regimes da Tunísia e do Egito, como no caso da Praça Tahrir
E essa crise de identidade não é só do jornalista, mas também de sua profissão. Porque veículos como o Wikileaks mostraram que o jornalismo tradicional não funciona. Que o jornalista tradicional não esteve à altura de descobrir uma informação de conteúdo sigiloso que, por sua vez, o Wikileaks foi capaz de revelar.
É uma crise sob muitos aspectos, também como os grandes grupos de comunicação. Nunca na história em tão pouco tempo, tivemos tantos jornais fechando, ou pelo menos decidindo encerrar suas atividades na versão em papel. Aqui tivemos o Jornal do Brasil, mas nos Estados Unidos são dezenas e dezenas: 120 jornais já fecharam, entre eles muitos tradicionais, fundados no século XIX, de histórias centenárias.
A mudança desse ecossistema provoca a extinção de uma forma de jornalismo. Assim como o fim do Período Jurássico provocou pó fim dos dinossauros.
Essa nova era da informação e da mídia contribuiu para mudanças sociais em alguns países? O sr. já citou a influência deles na queda dos regimes da Tunísia e Egito. Mas e na América Latina, em especial nos casos da Venezuela e do Equador?
Na América Latina, nem tanto.
Em relação a esses dois países, ocorre um outro fenômeno muito importante: uma guerra entre a mídia local e o governo. E isso também ocorre na Bolívia e na Argentina. Mas não se trata de uma guerra entre as novas mídias contra as antigas, onde cada uma ficaria de um lado.
O que realmente importa é a vontade desses Estados em constituir um sistema midiático mais equilibrado. Antes, esses sistemas eram quase exclusivamente privados. Agora tentam criar uma coabitação entre o privado e o público. Essa é a razão do conflito. Na América Latina,os atores dessa nova comunicação se encontram na mídia comunitária. E são muito fortes nas rádios.
Os "webatores" latino-americanos, até o momento, não fizeram tanta diferença, não se uniram como uma força coletiva. Estão espalhados nos dois cantos, uns defendem os meios públicos, outros os privados.
E os serviços de informação pública nesses países, como as novas agências públicas de informação, são satisfatórios? Como assegurar a independência deles?
Não acho que as novas mídias criadas nos setores públicos desses países, como as rádios e redes de televisão, sejam perfeitas. Assim como as do setor privado nunca foram. Mas eles participam de uma vontade de equilibrar as mídias, de colocar à disposição do cidadão mídias que não sejam empresariais, garantidas pelo Estado. Com frequência, é o governo quem as comandas, mas elas normalmente têm a uma vocação independente.
Em Brasília, Ramonet fez duras críticas à mídia tradicional: 'O objetivo dos grande veículos de comunicação é domesticar seus usuários'
Funciona da mesma maneira que a escola pública: ela é subvencionada pelo Estado, mas seus programas são destinados a todos. Os professores não estão a favor ou contra o governo. Eles estão a serviço da Educação e dos alunos. E é assim que as mídias públicas precisam ser encaradas.
E o caso específico de Cuba?
Bom, aí é totalmente diferente! Porque em Cuba lá não há pluralidade na mídia. Não existem jornais, rádios e televisões que exprimam um ponto de vista contrário ou hostil ao governo.
Isso não significa que lá não exista liberdade de expressão. Há muito espaço para debates e discussões.
Mas por quê não na mídia? Porque Cuba vive uma situação peculiar, por isso devemos considerá-la um caso à parte. Enquanto os Estados Unidos continuarem com uma posição de agressão, inclusive midiática, como por exemplo faz com a Rádio Martí, na Flórida [opositora radical do regime cubano financiada pelo governo norte-americano], política e econômica, Cuba será um país que tomará precauções para se defender.
Eu já publiquei um livro com uma entrevista de Fidel Castro, onde ele mesmo admite que não existe liberdade de imprensa em Cuba. Por quê? Porque, segundo ele, “nas circunstâncias em que nos encontramos, não podemos permitir que os inimigos venham a nos atacar e criticar”. Se as condições mudarem, ou seja, os EUA renunciarem ao embargo como já foi determinado pela ONU (Organização das Nações Unidas), então Cuba será um país completamente diferente.
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Taxa de juros é a menor em 17 anos

Tucanos desanimados
O Banco Central (BC) está testando o menor nível de juro real no Brasil desde que foi lançado o plano Real. A taxa real desconta a inflação esperada dos juros cobrados. Na média de outubro, o juro real caiu para 4,5%. Os juros prefixados de 360 dias entre grandes empresas e bancos ficaram em 10,5%. Deduzindo-se a expectativa de inflação do IPCA nos próximos 12 meses, de 5,7%, chega-se aos 4,5%.
Para o BC, a queda do juro real é compatível com a volta do IPCA para bem perto do centro da meta de inflação, de 4,5%, no final de 2012. A instituição conta com a desaceleração da economia pela alta anterior da Selic, a taxa básica de juros, pelas medidas macroprudenciais de contenção do crédito e pela política fiscal mais apertada.
Mas, além disso, o BC vê um gradual processo de declínio da chamada "taxa neutra" de juros, que é o juro real que não estimula nem desestimula a demanda. Quanto menor a taxa neutra, mais baixa pode ser a Selic que mantém a inflação sob controle. "O juro neutro é importante, as pessoas têm de prestar mais atenção nisso", diz uma fonte da equipe econômica.
O juro real brasileiro se manteve acima de 10% do início do plano Real até o final de 2003. Nesse período, várias vezes a taxa real atingiu níveis estratosféricos, acima de 20% ou mesmo de 30%. A partir de 2004, o juro real oscilou bastante, mas com uma tendência geral de queda. A crise global de 2008 e 2009, porém, provocou uma redução mais forte do juro real, com a queda rápida da Selic, e em julho de 2009 chegou-se a um mínimo de 4,8%.
A taxa real voltou a subir com o reaquecimento da economia, até um máximo de 7,1% em maio de 2011. No entanto, com a surpreendente decisão de cortar a Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) no final de agosto, o BC desencadeou uma nova rodada de queda da taxa real de juros. De uma média de 6,1% em agosto, ela despencou para 4,7% em setembro e 4,5% em outubro.
Rumo aos 2%
Para o economista Julio Gomes de Almeida, do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industria (Iedi) e ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, o fraco crescimento projetado da economia brasileira em 2011 e 2012, em torno de 3% ao ano, cria uma oportunidade para se reduzir ainda mais o juro real. Ele acha possível inclusive chegar aos 2% no fim do mandato da presidente Dilma Rousseff, como o governo havia prometido. Para isso, porém, diz Gomes de Almeida, seria necessário ampliar o investimento público, especialmente em infraestrutura, e incentivar o investimento privado, para remover gargalos inflacionários.
Fernando Dantas
No Estadão
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O Irã e a perigosa aposta de Israel


Não se trata mais de hipótese: os falcões americanos e o governo britânico estão dispostos a apoiar ação militar de Israel contra o Irã, embora grande parte da opinião pública israelita advirta que essa aventura é arriscada. Aviões militares de Israel fazem manobras no Mediterrâneo e já se fala no emprego de mísseis de alcance médio contra o suposto inimigo. Seus líderes da extrema-direita, entre eles religiosos radicais, estimulam os cidadãos, com o argumento de que se trata de uma luta de vida ou morte.
Toda cautela é pouca na avaliação política da questão de Israel. Em primeiro lugar há que se separar o povo judaico do sionismo e do Estado de Israel - que parece condenado a sempre fazer guerra. Como disse um de seus grandes pensadores, se todos os estados possuem um exército, em Israel é o exército que possui o estado. É explicável que, com sua história atribulada e as perseguições sofridas, sobretudo no século 20, sob a brutalidade nazista, os judeus se encontrem na defensiva. Isso, no entanto, não autoriza a insânia de sua política agressiva contra os palestinos em particular, e contra os muçulmanos, em geral.
A política belicista de Israel, alimentada pelos fundamentalistas, e estimulada pelos interesses norte-americanos, tem impedido a paz na região. Os palestinos são tão semitas quanto os judeus, embora muitos dos judeus procedentes da Europa não sejam semitas em sua origem étnica, posto que convertidos a partir do século VIII. Os dois povos poderiam viver em paz, se o processo de ocupação da Palestina pelos judeus europeus tivesse seguido outra orientação. Mas o passado não pode ser mudado. Sendo assim, é tempo para o entendimento entre os dois povos – mas para parcelas das elites de Israel e seus patrocinadores americanos, a guerra é um excelente negócio. Sem a guerra, a receita de Israel – um território pobre de petróleo, tão próximo das mais pejadas jazidas do mundo – seria insuficiente para manter seu poderoso e bem remunerado exército e suas elites dirigentes, contra as quais começam a mover-se também os indignados, e com razão.
Israel nasceu sob o ideal de um sistema socialista baseado na solidariedade dos kibbutzim, mas hoje não se distingue mais dos países capitalistas. Os ensandecidos partidários da ação militar contra Teerã talvez imaginem que essa iniciativa tolha o reconhecimento do Estado da Palestina pela ONU, mas deixam de atentar para os grandes riscos da operação, apontados pelos judeus de bom senso. Em primeiro lugar há uma questão ética em jogo, que o mundo já medita há muito tempo: por que Israel pôde desenvolver as suas armas nucleares, e os outros países da região não podem investigar o aproveitamento do conhecimento nuclear para fins pacíficos? Em visão mais radical, mas nem por isso contrária à ética: porque Israel dispõe de 200 ogivas nucleares e os outros países não podem dispor de armas atômicas? O que os faz tão diferentes dos outros? Se o Estado de Israel se sente ameaçado pelos vizinhos, os vizinhos também têm suas razões para se sentirem ameaçados por Israel.
Façamos um rápido exercício lógico sobre as conseqüências de um ataque aéreo – que já não se trata de hipótese, mas de timing – de Israel às instalações nucleares do Irã. Como irão reagir a Rússia e a China e, antes das duas grandes potências, o que fará a Turquia? A Grã Bretanha, segundo informou ontem The Guardian, já está estudando participar de uma expedição contra o Irã e só o governo dos Estados Unidos – exceto alguns falcões - está relutante. Haveria, assim, uma aliança inicial entre Sarkozy, Cameron e Netanyahu contra o Irã. Talvez os europeus e os próprios norte-americanos vejam nesse movimento uma forma de superar o acelerado descontentamento de seus povos contra a submissão dos estados aos banqueiros larápios. O encontro de um bode expiatório, como parece a propósito a antiga Pérsia, poderia ser uma forma de buscar a unidade interna de ingleses, franceses, norte-americanos – e judeus. É ingenuidade imaginar que o provável ataque se concentrará nas instalações de pesquisa nuclear. Uma vez iniciada a agressão, ela não se limitará a nada, e se repetirá o holocausto da Líbia, com seus milhares de mortos e feridos, em nome dos “direitos humanos” dos ricos.
O mapa geopolítico de hoje é um pouco diferente do que era em 1948 e 1967, quando se criou o Estado de Israel e quando ele se ampliou para além das fronteiras estabelecidas pela comunidade internacional.
É assustador pensar em uma Terceira Guerra Mundial, com novos atores em cena, entre eles possuidores das armas apocalípticas, como a China, o Paquistão e a Índia. Diante da insanidade de certos chefes de Estado de nosso tempo, é uma terrível probabilidade – e com todas as conseqüências impensáveis.
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Sindicato responsabiliza TV Bandeirantes pela morte de cinegrafista

Gelson Domingos
io de Janeiro - O Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro responsabilizou a TV Bandeirantes pela morte do repórter cinematográfico Gelson Domingos, de 46 anos, ocorrida hoje (06). Ele foi atingido no peito por um tiro de fuzil durante a cobertura de uma operação da Polícia Militar contra o tráfico de drogas na Favela de Antares, em Santa Cruz, na zona oeste da cidade.
Gelson Domingos usava um colete à prova de balas, mas o projétil ultrapassou a proteção. Para a presidenta do sindicato, Suzana Blass, a morte do cinegrafista foi uma tragédia anunciada, porque os coletes fornecidos pelas empresas de comunicação não resistem a tiros de fuzil. Ela disse que o sindicato pode recorrer à Justiça para obrigar a Bandeirantes a amparar a família de Domingos.
“Isso [o colete] é uma maquiagem. Os coletes não oferecem segurança para o profissional porque não protegem contra os tiros de fuzil, a arma mais usada pelos bandidos e também pela polícia no Rio. E as emissoras só dão o colete porque a convenção coletiva de trabalho estabeleceu que o equipamento é obrigatório em coberturas de risco."
Suzana Blass disse que o sindicato propôs às empresas de comunicação a criação de uma comissão de segurança para acompanhar a cobertura jornalística em situações de risco, mas que a proposta não foi aceita. “Sabemos que as condições oferecidas são precárias, mas as empresas alegam que a comissão seria uma ingerência no trabalho delas e que iriam sugerir um outro formato, mas até agora nada ofereceram."
“Também já pedimos que as empresas de comunicação façam um seguro diferenciado para as coberturas de risco, mas elas responderam que já protegem seus funcionários e classificaram a proposta do sindicato como uma interferência em seu trabalho”, acrescentou Blass.
Outro problema, segundo ela, é que muitas empresas contratam operadores de câmera externa para exercer a função de repórter cinematográfico, porque os salários são menores, o que acarreta em prejuízos no resultado do trabalho.
Para Suzana Blass, além da falta de condições de trabalho, o profissional de comunicação convive diariamente com uma questão cultural, pois está sempre em busca da melhor imagem. “Com isso, ele acaba aceitando o trabalho sem pensar no risco que vai correr, sem pensar na necessidade de se prevenir contra os acidentes e também para não ficar com fama de "marrento" caso se recuse a cumprir a pauta."
Gelson Domingos, 46 anos, também trabalhava na TV Brasil e deixa mulher e três filhos. Ele e o repórter Paulo Garritano ganharam, no ano passado, menção honrosa na 32ª edição do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, na categoria TV Documentário, com a série sobre pistolagem no Nordeste, exibida no programa Caminhos da Reportagem.
Cristiane Ribeiro
No Agência Brasil
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A resposta de Lupi à Veja

A atitude do Ministro Carlos Lupi diante das denúncias publicadas, mesmo sendo partidas da Veja, foi correta e inteligente .
Não apenas afastou o assessor Anderson Santos, acusado pela revista, como pediu um inquérito da Polícia Federal e anunciou o pedido ao Ministério Público de uma investigação.
Lupi tem razão em dizer que as denúncias não podem ficar no anonimato e deu uma informação muito relevante ao site do jornalista Sidney Rezende: o tal instituto Epa, citado pela Veja, nem mesmo teria recebido recursos do ministério.
“Quando questionado sobre o Instituto Êpa, com sede em Rio Grande do Norte, Carlos Lupi afirmou que a instituição não recebeu nenhum recurso, mas que mesmo com a denúncia anônima ele irá abrir um inquérito para apurar os fatos.
“Também não é verdade, ela (Instituto Êpa) nem recebeu recurso. Eu não vejo fundamento nenhum. Mas de qualquer maneira, mesmo não fazendo pré-julgamento, acho que tem que fazer uma apuração. Já mandei abrir um inquérito sobre esse fato, não acredito na veracidade dele”, completou o ministro.
É bom que Lupi tenha tomado a ofensiva no caso. São os acusadores que têm de provar o que dizem, quando apontam atos desonestos. Se há irregularidades, quem participa delas que responda pelo que faz. Agora, não dá para julgar acusações que, até agora, não têm sequer autoria.
Se é fato, que se apure e puna. Se é só mais uma “onda”, não vai ser no grito que a Veja, desta vez, vai levar.
E nem espere contar com as disputas partidárias para levar água ao moinho de uma nova crise. Ainda há gente que não faz política atacando a honra alheia.
Se a Veja tem provas ou indícios além de declarações anônimas, que os publique. Se não tem, que as investigações públicas sirvam de base para responsabilizá-la judicialmente por isso.
Fernando Brito
No Tijolaço
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Os discos voadores do ator Carlos Vereza

Esta semana o Portal IG entrevistou o ator Carlos Vereza em seu apartamento no Rio de Janeiro. Na entrevista, o ator, entre outras revelações, disse que já viu vários discos voadores; e que um espírito teria lhe revelado que “os extraterrestres do bem estão limpando a crosta terrestre das bombas atômicas que explodem no sul do oceano Pacífico”.
O ator, que se apegou à doutrina espírita, diz ainda que é um “médium intuitivo”. Tal dom Carlos Vereza costuma explicitar no seu blog Nas Veredas do Vereza, como por exemplo num post sob o título Nova e última oportunidade publicado em agosto de 2010. No texto, o ator, um assumido anti-petista, diz que Lula teria a última chance de se redimir ante as suas “perversas vidas pretéritas” nas quais, segundo ele, o líder petista teria exercido poder absolutista em desfavor da população.
Na entrevista, o ator resolveu ceder ao Portal IG um vídeo (que mantinha em sigilo até então) com o registro de uma das aparições de discos voadores. A cena, registrada pelo assessor de Vereza, mostra dois “discos voadores” sobrevoando o Rio de Janeiro. Ao fundo do vídeo, dá para ouvir as vozes de Vereza e de uma amiga expressando grande emoção diante do que testemunhavam – e celebram e agradecem aos extraterrestres aquela “grande honra espiritual. Em certa altura Vereza comenta: “ele sabe que nós estamos olhando”.
Os “discos voadores” do vídeo são dois aviões. É muito comum tal efeito visual no amanhecer ou entardecer do inverno, quando o sol está escondido no horizonte e o céu se contra límpido. Assim, com o fundo (céu) mais escurecido, o calor das turbinas no vapor frio, quando atingido pela luz solar, causa o efeito chamado tecnicamente de esteira de condensação. Pesquise no Youtube por “esteira de condensação” que há diversos vídeos parecidos.
Maluco beleza fuma bagulho estragado e vê disco...  

Nota do Esquerdopata: eu flagrei esse OVNI o mês passado, mas não conversei com os ocupantes telepaticamente...
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