30 de out de 2011

Ocupa Sampa, ação direta contra a editora Abril e a Veja

O que o PIG não mostra.
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Protocolos dos Sábios do Sião, aqui, não!

Tem gente querendo reprisar a farsa dos Protocolos dos Sábios de Sião na política brasileira. Pouco importa que haja emprego e que as crianças pobres do Recife não expilam lombrigas pela boca nos sinais de trânsito. A farsa está na invenção de um inimigo bestial a ser revelado e denunciado como responsável por uma suposta onda gigantesca de corrupção.
Há uma grande conspiração em curso no Brasil. Trata-se da conspiração do PT e da esquerda em geral para assaltar o bolso das famílias, para imporem um modo politicamente correto de pensar, para censurarem o machismo, a homofobia, o sexismo e o nosso direito de andar armados. Essa gente quer assaltar os cofres públicos para nos fazer pagar impostos, com os quais eles só fazem roubar e enriquecer, enquanto eu me sinto vilipendiado e cada vez mais envergonhado. Nunca houve tanta corrupção neste país, nunca. É aquela coisa do pobre que jamais teve algo e que agora se lambuza, minha avó já dizia. Aqui, comediante é levado a sério, só porque é fascista, homofóbico, machista e age contra a lei, enquanto os políticos, ah, os políticos, esses seguem sem ser levados a sério. Por isso eu gosto mesmo é do Bolsonaro, inclusive. Ele vem sendo vítima do festival de autoritarismo e corrupção que assolam este país. Esses petralhas que estão mais preocupados em atacar a liberdade de imprensa do que em governar o país. Sim, porque o país só vai bem graças a Fernando Henrique, que não fosse ele, esses petralhas iam ver. O PT não faz nada que preste e só rouba o nosso dinheiro. O filho de Lula é milionário, Dilma sabe e acoberta Orlando Silva, aquele moleque safado que está podre de rico, caiu porque é culpado, óbvio.
Outro dia um jornal muito importante disse no seu editorial que o país precisava de uma limpeza ética! Eu concordo! Cresce no país a consciência de que chega de tudo isso que aí está! E ainda querem mais imposto para a saúde, e fraudam até provas de ensino médio, que são de alta importância para os nossos filhos! Como eles terão certeza de que entrarão por seus próprios méritos na Universidade? Não basta ter direitos negados pelas vagas dadas de presente – às nossas custas – a quem se diz negro (como se houvesse racismo no Brasil, ora essa!), aos desqualificados das escolas públicas e, pasmem, para indígenas. Chega! Está na hora da nossa marcha, da marcha pela dignidade, contra essa gente que quer mandar em nós, que quer controlar o nosso modo de pensar, que pretende ganhar dinheiro às minhas custas e fazer demagogia com os impostos que eu e minha família e você paga!
Diariamente a Carta Maior recebe comentários de leitores que compartilham o balaio de enunciados contraditórios acima. Essa babilônia de crenças incompatíveis, que não sobrevivem a um inquérito minimamente lógico a respeito da relação entre uma e outra reina na mídia e, até aqui, parece apavorar setores poderosos do governo. Trata-se de uma onda de depravação consciente e deliberada, que convida a barbárie para uma grande orgia semântica, voltada para criar uma farsa. Não porque é contra o PT ou o governo ou a esquerda. A farsa está na invenção de um inimigo a ser revelado e denunciado como responsável pelas ameaças e fragilidades que o poder vem enfrentando. Mas que poder? O da mídia, o do tal do PIG, o da CIA e do FMI? E que fragilidades?
O Protocolo dos Sábios de Sião é uma farsa criada por um serviçal do Czar Nikolai II para tentar, sem sucesso, enfrentar as ameaças ao seu poder. Essa farsa, da virada do século XIX para o XX, denuncia a existência de um grupo de judeus que se reúnem e deliberam como controlar o mundo. Eles traçam planos e estabelecem metas para a empreitada. O texto é tão autêntico que todo judeu denega a sua veracidade, revelando, assim, a sua força, dizem as sumidades de todo tipo que acreditam nessa mentira.
O modelo desse embuste é muito simples e imbecilizante: ele mobiliza o medo do lobo mau que habita as memórias infantis apontando um inimigo ao mesmo tempo genérico e específico que introduz, contamina e assegura a permanência de todo o mal na floresta, quer dizer, na sociedade. Na Rússia czarista, eram os judeus. Depois, no nazismo, eram os judeus comunistas, porque, como se sabe, a Revolução de 17 foi coisa de judeu, segundo nos disse Hitler, o sábio. Já na década de 30, quando as trevas do stalinismo assaltaram o Partido Comunista, os Protocolos foram recuperados, porque ali estariam claros os planos trostskistas – portanto judeus – para atacar o guia dos povos.
Quando os delinquentes argentinos que agora estão sendo condenados (finalmente) deram o golpe de estado em 1976, com a missão de exterminar a esquerda, usaram essa bíblia de oligofrenia e irracionalidade para levarem a cabo o extermínio de aproximadamente 30 mil pessoas. Talvez fosse o caso dizer que, no caso da Argentina dos anos Videla-Massera – com o auxílio de refugiados nazi –, da Alemanha nazista e da barbárie stalisnista os tais sábios de Sião tenham aumentado um pouco o número. Porque somando esse horrores se chega na casa dos milhões de “sábios”. Mas não é o caso dizer, quando se respeita a verdade e a razão que viabiliza o seu acesso.
A Política e a inocência são e devem ser inimigas desde a gestação. Disso obviamente não se segue que a Política seja coisa de bandidos; só as pedras são inocentes, disse Hegel, dessa vez com razão: disso se segue que a defesa da inocência é a defesa de uma quimera, não apenas do reino que seria próprio às coisas do poder, mas do da razão. A origem da reclamação de inocência e pureza no mundo está na crônica mítica do pecado original, a primeira corrupção que teve sua CPI vendida pelo governo de Deus, no caso em tela.
Até hoje há gente séria da teologia que debate se Adão levou a serpente a sério por curiosidade intelectual ou por desejo. A primeira vertente de interpretação defenderia que o livre arbítrio dos homens deriva da sua racionalidade; a segunda vertente, que deriva do seu desejo. Mas a coisa mais importante é que a liberdade dos homens, na qual, aliás, veio a se fundar a Política, não deriva nem pode derivar da inocência. Já na sua origem, a liberdade tem a ver com as condicionalidades da contingência.
É claro que não é por isso que o Ministro x ou y cai ou não; por isso se torna evidente, apenas, que a gritaria por inocência não é nem pode ser inocente: ou tem alguma racionalidade, ou tem um desejo incontrolável. Em ambos os casos, é o poder, e não a inocência e a pureza de intenções, que organiza a sua inteligibilidade.
Essas observações também vigoram quanto ao PT e aos seus aliados, em tempo. Não são poucos os que se lembram dos anos 90, no Brasil. Mas eu lembro como se fosse ontem do quanto me indignava com o PT, com o PCdoB e com muitos outros da oposição ao governo Fernando Henrique e Paulo Renato, no MEC de então, naqueles anos tristes. Enquanto a Vale do Rio Doce era entregue à iniciativa privada com financiamento do BNDES, enquanto a CSN e as companhias de energia elétrica eram entregues, enquanto bancos públicos estatais eram praticamente doados, enquanto tudo isso acontecia com o discurso de que era para se qualificar o Estado e este, no período em que o dinheiro das supostas vendas de patrimônio público deveriam estar entrando nos seus cofres, definhava, com os banheiros nas universidades fedendo e os professores doutores ganhando salários ridículos, o que fazia a esquerda, em geral?
Denunciava a corrupção e berrava por CPIs, no Congresso. Eram poucos os que, à esquerda, investigavam e buscavam, amiúde, diagnosticar a destruição que estava em curso no país e que apontavam as dificuldades que viriam pela frente, não apenas para um eventual governo do PT, mas para o país mesmo - este que não se resume ao bolso e ao imaginário classe média cuja vida é do tamanho do sábado com uísque e os amigos, para reclamar do que a revistinha semanal declara.
No início dos anos 2000 e no começo da primeira gestão de Lula na presidência ficou claro que essa tática tinha sido inconsequente: a destruição do Estado, o definhamento da República e o sequestro de seu financiamento pela política parasitária do sistema financeiro causaram uma gigantesca confusão em muitos que, como eu, tinham apostado na interdição do horror que assolou o país nos anos 90. A confusão não acabou, mesmo que muito daquele horror tenha sido revertido, pelo menos quanto ao futuro ou às gerações posteriores às dos beneficiários do Bolsa Família, quanto ao futuro da pesquisa, da Universidade, da ciência, do financiamento público-estatal por meio dos bancos públicos do Estado, do PAC, do Minha Casa, Minha Vida, da redução das desigualdades, enfim, de tudo isso que se tornou o Brasil, dos últimos 6 anos para cá, ao menos.
E qual é a inconsequência, mesmo? É trazer a farsa dos Protocolos dos Sábios de Sião para a cena Política. A inconsequência, que emergiu na mais regressiva e violenta campanha eleitoral da jovem democracia brasileira, em 2010, é convidar o adão de antes da maçã para juiz das coisas do poder. Pouco importa que ditadura alguma leve a sério a pesquisa e a universidade, como se leva a sério no Brasil, hoje. Não interessa à imbecilidade que não entendeu o que aconteceu há quinze anos, saber o que realmente aconteceu no Ministério dos Esportes hoje ou no do Planejamento, em 1995. Pouco importa que haja emprego e que as crianças pobres do Recife não expilam lombrigas pela boca nos sinais de trânsito. Nada importa que a abundância tenha se tornado regra até para a classe média, mesmo que nos cartões de crédito. Não se preocupam com o valor, sobretudo nas próprias vidas, do automóvel, desde que se angustiem com os impostos a pagar. Desde que os Sábios de Sião sejam os culpados.
É desnecessário e inútil dizer o quanto esse convite à orgia semântica dos Protocolos dos Sábios de Sião é depravado e perigoso. É desnecessário porque na mídia das oito famílias abundam declarações com documentos e atas das reuniões dos Sábios que conspiram para prejudicar as pessoas de bem deste país. E é inútil porque parte do PT aceitou esse convidado indecente, o adão de antes da maçã, para juiz da Política. Então, não é útil, aqui, lembrar que não adianta denunciar a mídia das 8 famílias, nem lembrar que houve, sim (mesmo que seja verdade), um gigantesco e brutal saque do erário no processo de privatização. Não se combate a criação de monstros com uma briga de arquibancada. Na melhor das hipóteses, a briga contra o tal do PIG enche o saco de quem pensa e quer saber o que diabos está acontecendo, até mesmo quando não se tem mais muita esperança de que se vai, afinal, ter alguma ideia do que realmente ocorreu com aquela licitação ou com aquela fraude declarada numa manchete daquele panfleto com papel jornal.
A história dos Protocolos dos Sábios de Sião não parece nem próxima do fim, mas isso não implica que o seu uso seja ou deva ser triunfante. Porque a única vitória dessa irracionalidade é a destruição e o empobrecimento, a morte e a barbárie. No início dos anos 2000, o Rio Grande do Sul foi sequestrado pelos profetas que denunciavam uma grande conspiração petista para destruir a propriedade, os valores das famílias de bem e as mentes das criancinhas. O que aconteceu aqui não se compara à tragédia argentina nem ao horror alemão e nem mesmo ao stalinismo, obviamente.
Mas é um bom exemplo de um estado que, “livre dos Sábios de Sião”, empobreceu, destruiu suas escolas, sucateou os serviços públicos, empobreceu no campo e dilacerou-se nas cidades, com o aumento da violência e do tráfico. É um exemplo de emburrecimento midiático, de estupidez cultural, de indigência literária, de depauperamento geral.
Não dá para dizer quem é o Nikolau II da vez, no Brasil. Quem está exatamente frágil e quem se sente ameaçado, porque a confusão não é pouca e porque o governo não parece estar contribuindo muito para elucidar o estado do que é racional e do que não pode sê-lo. Mas dá para dizer, e se deve dizer, que essa imbecilidade dos balaios de crenças contraditórias e incompatíveis deve ser combatida.
Aqui, na Carta Maior, essa farsa não tem vez.
Katarina Peixoto é doutoranda em Filosofia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. E-mail: katarinapeixoto@hotmail.com
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Cuba na Unesco

Discurso de Miguel Diaz-Canel, Ministro da Educação Superior de Cuba na Assembleia Geral da Unesco:
“O mundo vive indignado. Os povos se rebelam contra as injustiças e as promessas vazias. Se indignam pelas frustrações acumuladas e pela ausência de esperanças. Se rebelam contra um sistema devastador que já não pode seguir enganando com um falso rosto humano. Um sistema que continua marginalizando as maiorias excluídas, em benefício de um punhado de privilegiados que possuem tudo. Que não repara no resgate de banqueiros corruptos que multiplicam seus lucros, enquanto diminuem os recursos para a educação, a saúde ou a criação de empregos.
A crise do sistema capitalista é sistêmica e multisetorial. É crise financeira, econômica e social e também ética. Os poderosos apostam na guerra como recurso de sua salvação. Repartem o mundo entre si impunemente e encarregam a tarefa à belicosa OTAN. Ainda não terminaram de destruir a Líbia e já ameaçam a Síria. Quem de nós irá segui-los?
São as guerras de novo tipo com armas que se chamam “inteligentes” mas que matam e destroem indiscriminadamente. São guerras de conquista para se apropriar dos recursos energéticos e minerais com os quais oxigenar suas vorazes economias. Com a cumplicidade de seus empórios midiáticos, que agem também como armas no combate, pretendem convencer-nos da “mudança de regime” e da “responsabilidade de proteger”. É a nova filosofia colocada em prática para o mesmo objetivo de continuar explorando-nos.
A única ofensiva que não podem livrar suas armas nem suas vorazes empresas, a única contenda legítima que não estão dispostos a empreender, é a necessária contra a fome, o analfabetismo, a incultura e a pobreza para, efetivamente, democratizar a democracia, proteger os excluídos e mudar a atual ordem mundial.
A UNESCO, que na sua carta constitutiva declarou; “dado que as guerras nascem na mente dos homens, é na mente dos homens que devem se erigir os baluartes da paz˜, está chamada a desempenhar um papel de vanguarda na incansável luta por um mundo melhor, em que os seres humanos possam viver livres do temos e da ignorância.
É na UNESCO onde devem levantar-se as armas da educação, da ciência e da cultura para lutar pela paz e pela compreensão mútuas, para que as bombas deixem de matar e mutilar os seres humanos, para que não se destruam as escolas, nem os museus, para que a ciência progrida nos laboratórios e a cultura enriqueça o mundo espiritual. Para que as gerações presentes e futuras possas desfrutar da beleza única e irreprodutível do sistema e seus mais de 900 lugares de patrimônio mundial.
Para isso é preciso refundar a Organização e será necessário fazê-lo com maios pressa e decisão. A reforma em curso, que empreendeu nossa ativa e enérgica Diretora Geral, necessita chegar até os próprios cimentos da instituição. Deve ser profunda e radical. Deve reposicionar e tornar mais visível nossa ação. Deve sair dos escritórios burocráticos para chegar às pessoas comuns e atender suas necessidades elementares, aquelas que temos como mandato.
A educação tem que ser a verdadeira prioridade das prioridades, tanto no compromisso político como no financeiro. É inadmissível que no mundo existam quase 800 milhoes de analfabetos, dos quais 2/3 são mulheres. É inadmissível que quase 70 milhões de crianças não tenham uma escola onde receber a luz da educação.
Cuba, pobre e bloqueada, com seu método de alfabetização “Eu Posso, Sim”, conseguiu em pouco tempo e com escassos recursos, mas com enorme paixão solidária, alfabetizar 5.706.082 pessoas em 28 países da América Latina e Caribe, África, Europa e Oceania. Agradecemos à Diretora Geral seu reconhecimento à eficácia deste programa como método de cooperação Sul-Sul, assim como sua disposição reiterada de acolher as boas práticas no âmbito da educação.
A 36 Conferência Geral deve deixar estabelecidas as pautas da mudança e do reposicionamento da UNESCO no sistema multilateral.
A Conferência deve se pronunciar ademais, e esperamos que o faça de maneira clara e inequívoca, em relação a um tema de transcendental importância: a admissão da Palestina como Estado membro da UNESCO. Não se trata de uma opção. Resulta uma obrigação ética e moral diante da cruel e prolongada injustiça que sofre o povo palestino. Cuba deseja reiterar seu firme e decidido apoio à solicitação da Palestina e espera que a decisão de seu ingresso à UNESCO contribua aos objetivos da paz e da universalidade que animam à nossa organização.
Não devo concluir minhas palavras, sem reclamar e exigir, em nome do povo cubano, a libertação de nossos cinco heróis, quatro deles injustamente prisioneiros em prisões do império e um, René, cumprindo uma pena adicional des três anos falsamente denominada “liberdade vigiada”.
Cuba, que segue firmemente comprometida com a UNESCO e com os valores que esta representa, confina na liderança da Diretora Geral, para o fortalecimento e refundação da Organização.
Emir Sader
No Carta Maior
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Pega, Mata e Come

E já se foram seis. Pelas mãos da imprensa, os titulares da Casa Civil, Transportes, Defesa, Agricultura, Turismo e Esporte deixaram suas pastas apenas neste ano. Sinal de pujança da mídia ou de execração pública desenfreada? A verdade está no meio do caminho.
Não há como negar o bom trabalho de jornais e revistas - especialmente o da Folha e o da “Veja”- na revelação de falcatruas com o dinheiro público, de enriquecimento suspeito ou de vaidade extremada (caso de Nelson Jobim). De motel pago com diárias do governo federal a convênios-fantasmas para atender crianças carentes, apareceram vários motivos para a “faxina” de Dilma Rousseff.
O último varrido do poder foi Orlando Silva, que, na quarta-feira, depois de 11 dias seguidos de protagonismo no noticiário político, sucumbiu. Não há dúvida de que, no mínimo, uma série de irregularidades germinava no Ministério do Esporte, o que pode ser considerado motivo suficiente para trocar o titular.
Mas, no afã de dar o último tiro, atropelou-se várias vezes o bom jornalismo. No dia 18, na esteira do UOL, a Folha e seus concorrentes publicaram reportagens sobre a compra de um terreno em Campinas pelo ex-ministro. Ressaltou-se o montante pago à vista: R$ 370 mil, o que não é uma cifra astronômica para um funcionário público no topo da carreira e que afirma não ter outros imóveis.
Levantava-se também a suspeita de que a Petrobras viesse a favorecer Orlando Silva, retirando da área dutos de gás que passam por ali. A estatal nega qualquer intenção desse tipo. Nada havia, portanto, a denunciar - ou seja, nada que merecesse ser publicado. A praga do “linchamento midiático” atacou de novo quatro dias depois, quando a manchete da Folha trazia mais uma acusação: “Esporte cobrou 10% de propina, afirma pastor”. O denunciante, filiado ao PP, dizia que funcionários do Ministério do Esporte o procuraram para pedir propina depois que um convênio da sua ONG foi aprovado.
O entrevistado não apresentou provas e tinha muitos motivos para ter raiva: as contas de sua entidade foram rejeitadas, e a renovação do contrato com o governo, indeferida. O mesmo poderia ser dito do policial João Dias, que desencadeou a fritura de Orlando Silva, mas ele tinha acesso à cúpula do ministério, citava vários nomes e apresentou depois gravações.
Se dependessem de fontes idôneas, os repórteres estariam em maus lençóis. A maioria dos malfeitos emerge de interesses contrariados, quase sempre de aproveitadores do erário em surtos momentâneos de cidadania. Isso não pode ser álibi, porém, para estender o microfone a qualquer um que levante a voz contra os políticos.
Anteontem, a precipitação ”denuncista” se manteve com a história de que Apolinário Rebelo, irmão do novo ministro, Aldo Rebelo, foi citado como beneficiário de um suposto esquema de desvio de dinheiro. Era outra acusação, sem provas, do policial falastrão, que merecia um registro, mas nunca o destaque dado: foi o texto principal em uma página de Poder e ocupou, por horas, a manchete da Folha.com.
É preciso cuidado com a cultura do escândalo. Acusação baseada em uma só fonte, sem documentos, é o início do trabalho do repórter, não o seu fim - mesmo no noticiário político, onde, infelizmente, se atira a esmo e se acertam mais corpos do que se esperava.
Suzana Singer, jornalista de 44 anos, é a décima profissional a ocupar o cargo de ombudsman na Folha.
No Falha
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Aquecimento global começa a castigar estadunidenses

Pedestres caminham pelo Central Park, em Nova York. À direita, Al Gore discursa.

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Charge online - Bessinha - # 880

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Os Anos Dourados da Era FHC

Primeiro mandato FHC – 1995-1998
17 de fevereiro de 1995

29 de novembro de 1995

21 de maio de 1997

05 de novembro de 1997

19 de novembro de 1997

06 de maio 1998

07 de outubro de 1998

18 de novembro de 1998

25 de novembro de 1998
Segundo mandato FHC – 1999-2002
21 de janeiro de 1999

10 de março de 1999



21 de abril de 1999

28 de abril de 1999

05 de maio de 1999

06 de junho de 1999

09 de fevereiro de 2000

05 de abril de 2000

19 de julho de 2000

09 de agosto de 2000

11 de abril de 2001

02 de maio de 2001

16 de maio de 2001

06 de junho 2001

09 de maio de 2002

29 de maio de 2002
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Juventude tucana mineira faz campanha com chapéu alheio

Grupo de classe média alta, estrategicamente montado, atua nos bastidores e incorpora-se ao mundo oficial do Estado
Integrantes da "Turma do Chapéu" participam de evento ao lado de Anastasia e Alberto Pinto Coelho
Eles fazem parte de um grupo estrategicamente montado para turbinar as campanhas eleitorais dos caciques tucanos em Minas. Conhecidos como “Turma do Chapéu”, esses jovens de classe média alta saltaram dos bastidores da política para o mundo oficial do Estado. À frente do grupo está o subsecretário de Estado de Juventude, Gabriel Azevedo, que acumula as funções executivas da pasta com um trabalho diário de dirigente partidário em Minas Gerais.
Por meio das redes sociais na internet, Gabriel agenda reuniões e viagens da juventude do PSDB, organiza eventos, apresenta um programa de transmissão de vídeo ao vivo para os jovens tucanos de todo o país e ainda escreve artigos para blogs e sites do PSDB. Paralelamente, ele participa de reuniões da juventude do PSDB no interior e ainda rebate matérias da imprensa e críticas de opositores ao Governo do Estado.
O Hoje em Dia acompanhou durante uma semana o trabalho virtual de Gabriel. Em todas as horas de todos os dias é possível acessar os programas e as agendas da “Turma do Chapéu” postados pelo subsecretário de Juventude. “Atenção! Nota para a equipe da ‘Turma do Chapéu’ que irá acompanhar o deputado João Leite: não será nessa terça, será no dia 18”, postou no dia 10 de outubro, às 17h30. Pouco depois, outro recado para a juventude tucana. “Projeto Seguindo os Passos da JPSDB. Conosco o deputado estadual Bonifácio Andrada”.
Gabriel e outros membros da “Turma do Chapéu” também usam o horário comercial para “bombarem” a internet com mensagens divulgando programas do Governo do Estado. “Casos de dengue diminuem 97% em Minas. Bom demais, professor Anastasia. Qual outro Estado reduziu tanto? Algum?”. Essa mensagem foi postada em uma quarta-feira (26), às 17 horas, seguida de outra. “Hora extra com a ‘Turma do Chapéu’. Atenção ‘Turma do Chapéu’: mensagem importante e urgente no grupo de e-mails. Carga. 17:45”, postou o subsecretário na última quinta-feira. Até reuniões de pauta são organizadas durante o expediente, como Gabriel divulgou em seu perfil às 18 horas de uma segunda-feira (24).
A Subsecretaria de Juventude é subordinada à Secretaria de Esportes e Juventude, encabeçada pelo deputado licenciado Braulio Braz, e funciona na Cidade Administrativa, onde Gabriel conta com uma sala e secretária particular. Além dele, outros três membros da turma também ocupam cargos no Governo do Estado.
Apesar de estar à frente dos holofotes, desde o início deste ano, Gabriel sempre circulou nos bastidores das campanhas políticas. Ex-presidente da JPSDB, ele também atuou nas campanhas de 2006, 2008 e 2010.
Estudante de jornalismo, também é proprietário de uma agência de comunicação chamada Cavalaria 2.0, que prestou serviços a deputados federais de Minas. Segundo informe divulgado pela Câmara dos Deputados, de 2009 – data a partir da qual os gastos dos parlamentares vêm sendo divulgados – até 2010, Gabriel chegou a receber R$ 28.565 de verba indenizatória do deputado tucano Paulo Abi-Ackel. No mesmo período, o atual subsecretário de juventude recebeu R$ 37.900 do deputado federal Antônio Roberto (PV). As notas de “serviços de divulgação parlamentar” são emitidas no nome de Gabriel. De acordo com ele a empresa está inativa desde que assumiu o cargo de subsecretário no Governo. “Sempre tive minha empresa, mas ela está inativa desde que entrei para o Governo”.
Parte do fundo partidário sustenta a ‘Turma’
A “Turma do Chapéu” é uma iniciativa do PSDB nacional e sobrevive, segundo Gabriel Azevedo, com repasses da legenda e parte do fundo partidário. “Como o fundo partidário tem, segundo a legislação eleitoral, seu destino pré-definido, os repasses que recebemos também são provenientes de outras fontes de arrecadação”, diz. Ele destacou que não são feitas doações diretas para o grupo e que a “Turma” funciona separadamente da Juventude do PSDB em Minas.
O fundo partidário é medido a partir do número de parlamentares eleitos pelo partido. Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a dotação orçamentária do PSDB para 2011 é de R$ 22.893.585,31, divididos para todos os estados. É com esses repasses que a legenda avaliza projetos ousados dos chapeleiros. São exemplos a transmissão ao vivo de programas através da internet, farto material de divulgação, jantares e festas em fazendas, com direito a muita comida, bebida, câmeras e entrevistas com os chapeleiros. As fotos dos eventos são divulgadas por eles na internet.
Ganha destaque o projeto “Aprendendo o Brasil em 27 lições”, lançado este ano e que vai dar a um grupo de sete jovens a chance de conhecer os 27 estados do Brasil. Além de terem a possibilidade de conhecer as culturas dos estados, os viajantes participarão de palestras, seminários e eventos levando a proposta partidária do PSDB para 2014.
Líder do projeto, Gabriel Azevedo explica que os jovens vão viajar durante dois meses, usando automóveis e balsas. Além disso, vão ficar em albergues e casas de conhecidos. “De Manaus para Belém, por exemplo, eles ficarão quatro dias descendo o Rio Amazonas de barco. Não é turismo. Planejamos de uma maneira que ficasse viável”, explicou.
O projeto conta com uma home page própria, material de divulgação para ser entregue em universidades além da produção e edição de vídeos. Parte dos participantes, durante visita à Assembleia Legislativa, chegou a levar um cartaz criticando a postura do deputado de oposição Rogério Correia (PT).
Líder concilia dupla função
Subsecretário de Juventude e líder da “Turma do Chapéu”, Gabriel Azevedo garante que tem cumprido sua função pública e que ela não está sendo prejudicada por sua militância política. “Você pode verificar na minha agenda. Cumpro com todas minhas obrigações. Minha carga horária no serviço público é extensa”, diz.
Quanto às postagens em redes sociais, Gabriel explica que gasta poucos segundos para postar as mensagens. “Eu tenho habilidade. Faço tudo muito rápido, gasto uns 15 segundos para postar uma informação.” Existe ainda, segundo explicou Gabriel, um grupo de chapeleiros que não exerce cargo no Governo e que fica responsável por trabalhar a comunicação da turma durante a semana. Ele negou que tenha feito reuniões ou convocações durante o expediente de sua função pública. Sobre os encontros e reuniões partidárias, ele informou que elas costumam ocorrer aos sábados. “Os encontros são só nos fins de semana, principalmente aos sábados”.
Ele disse que o grupo conta atualmente com 100 jovens e que nem todos são filiados. Quanto às especulações de apadrinhamento político dos jovens na estrutura do Governo, Gabriel nega e frisa: “Tem apenas quatro da turma no Governo. Já os membros da juventude do PSDB não podem ser considerados afilhados, pois também têm jovens de outras legendas no Governo”.
Ana Flávia Gussen
No Hoje em Dia
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Aznar apoyará a la "oposición cubana" en un acto organizado por la Fundación George Bush

El ex presidente del Gobierno español, José María Aznar, tiene previsto asistir el próximo jueves a un encuentro de la oposición cubana que tendrá lugar en Dallas (Texas).
El evento está organizado por varias fundaciones, entre ellas la que lleva el nombre del ex presidente de Estados Unidos George W. Bush, quien entre sus recientes fechorías contra Cuba promueve "la primavera árabe".
El secretario general del Partido Popular Europeo (PPE), Antonio López Isturiz, explicó que Aznar mostró su disposición a asistir a esta sesión sobre la oposición cubana en cuanto tuvo conocimiento de su celebración.
Además de la Fundación George Bush, otras fundaciones vinculadas al partido republicano y varios “think tanks” detractores de la Revolución Cubana que operan en Florida participan en la organización de esta jornada que también cuenta con el apoyo del Partido Popular Europeo.
Tres opositores cubanos asistirán a este evento y viajarán posteriormente a Washington con un delegado del Partido Popular Europeo para mantener diferentes reuniones con congresistas demócratas y republicanos.
Recientemente Aznar ha pedido a Occidente que invada a Cuba, en nombre de la “libertad” y la defensa de los civiles inocentes (¡!).
Contrario a la mayoría de los españoles, el ex presidente, calificado por una influyente revista como uno de los peores mandatarios del mundo, refiriéndose a al movimiento de los Indignados dijo que "no es más que un movimiento marginal antisistema, vinculado a grupos de extrema izquierda; su representatividad no es importante en la vida española".
Ese es José María Aznar.
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As redes sociais e a internet deram ao mundo um novo fôlego em termos de cidadania

 Entrevista especial com Paulo Faustino 

Regular não significa controlar ou censurar, diz Paulo Faustino à IHU On-Line, ao comentar o debate acerca da regulação da mídia brasileira. Para ele, a condução da discussão sobre o tema é confusa porque as empresas de comunicação argumentam que o Estado quer controlar a mídia. A autodefesa e o receio em criar um marco regulatório para mídia brasileira acontecem porque “se tem um temor de implantar modelos que existem em outros países latino-americanos, os quais podem induzir a um modelo mais estatizante. Os meios de comunicação têm medo de que, com a regulação, o Estado crie mecanismos para controlar a mídia. Mas isso não é regulação, é outra coisa”.
No que se refere à criação de mecanismos para controlar os conteúdos da internet, Faustino menciona que é difícil criar regras para a rede, porque “a internet é, por natureza, um espaço que nasce completamente livre”.
Em visita ao Brasil para lançar o livro Gestão estratégica e modelos de negócio: o caso da indústria de mídia (MediaXXI/Formalpress), Faustino conversou com a IHU On-Line pessoalmente e se diz otimista em relação às redes sociais, porque elas têm sido um instrumento importante para o cidadão exercer a cidadania. Através das articulações online, aponta, “as mensagens fluem rapidamente e criam correntes de opiniões internacionais, estimulando as pessoas a lutarem pelos seus direitos. Este é o mundo novo e muito interessante do ponto de vista de uma sociedade democrática”.
Paulo Faustino é especialista em economia, gestão e políticas públicas dos media. Atualmente é docente na Universidade Católica Portuguesa e na Universidade do Porto.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – Como o senhor vê as propostas de regular a mídia? Que eixos deveriam fazer parte de um marco regulatório?
Paulo Faustino – Tenho uma visão geral da questão da regulação da mídia. Penso que, por um lado, o debate brasileiro está desfocado e não é esclarecedor, porque a visão das empresas de comunicação já está impregnada na população. Elas argumentam que a regulação vai controlar a mídia. Mas a regulação não serve para controlar, e, sim, criar regras de funcionamento de forma a beneficiar, em última análise, o cidadão, o consumidor da informação.
Compreendo, de certa maneira, porque há esse receio de regular a mídia no Brasil. Em parte, ele acontece porque se tem um temor de implantar modelos que existem em outros países latino-americanos, os quais podem induzir a um modelo mais estatizante. Os meios de comunicação têm medo de que, com a regulação, o Estado crie mecanismos para controlar a mídia. Mas isso não é regulação, é outra coisa.
Corregulação e autorregulação
Quando se fala em regulação, deve se falar também em corregulação e autorregulação. Quer dizer, a autorregulação é um mecanismo de iniciativa da sociedade civil para regular um conjunto de regras que sejam conhecidas por todos que atuam no setor. Um exemplo disso é o Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária – Conar. A corregulação é a correlação entre as entidades reguladoras e os regulados, no sentido de criarem regras para ambos.
A regulação pode ser benéfica para o país, para o cidadão e para as instituições. Em Portugal e na Europa as empresas de mídia recorrem às agências de regulação para protestar sobre algo que consideram não ter sido uma boa prática de um veículo concorrente. A regulação tem que ser pedagógica, ao mesmo tempo em que é punitiva. Nesse sentido, deve, por um lado, compreender a dimensão econômica das instituições, mas também considerar que as empresas de comunicação lidam com fatos e, portanto, o produto que resulta de uma empresa de comunicação social tem um impacto maior do que o produto de uma empresa de serrotes, por exemplo. Por isso a mídia deve ser regulada e vigiada pelos estados e cidadãos. O Estado, por outro lado, deve evitar uma intervenção muito ativa, ou seja, não deve querer regular tudo ao mesmo tempo. O que importa é criar um quadro geral da regulação que dê folga para as empresas atuarem, mas que permita ao Estado a possibilidade de censurar aquilo que acredita ser uma má prática.
IHU On-Line – Como fica a regulação de sites independentes, por exemplo?
Paulo Faustino – A questão dos sites independentes na internet deve ser tratada em outro nível de abordagem e é um desafio para todas as sociedades, porque a regulação eletrônica é muito complexa, já que, além dos conteúdos, devem ser considerados aspectos técnicos. Por outro lado, é difícil criar mecanismos porque a internet é, por natureza, um espaço que nasce completamente livre.
IHU On-Line – No caso da China, a população não tem acesso a vários conteúdos. Esse caso se configura como censura?
Paulo Faustino – Sim. O problema é este: toda vez que se tomam medidas de regulação, há o risco de se configurar uma censura. É preciso cada vez mais que, nas escolas, as pessoas sejam educadas para lidar com as mídias. Do ponto de vista técnico e jurídico, é muito difícil criar mecanismos de regulação, porque a internet é uma rede global. Há muitas investigações sobre isso, mas a conclusão é sempre a mesma: regular a internet é uma complexidade tremenda.
A regulação da internet só pode ser feita através do desenvolvimento da tecnologia. Empresas como o Google e outras, que possuem software, poderiam tentar criar algumas regras ou um sistema de crepitação automática de conteúdos. Elas, no entanto, não têm interesse em fazer isso.
IHU On-Line – Percebe alguma tendência política de criminalizar sites independentes e, de certa forma, a internet?
Paulo Faustino – Nos países da Europa e nos Estados Unidos, apesar de haver uma preocupação com a internet, não tem havido a iniciativa de criar regras, justamente por se pensar que tal poderia se configurar como censura. Por outro lado, a preocupação com o uso da internet é evidente em determinados países árabes e na China. Eles argumentam que é preciso regular a internet, mas praticam a censura e cortam a liberdade de expressão das pessoas com o argumento de regular os conteúdos que são prejudiciais para a sociedade.
IHU On-Line – Como avalia a articulação das pessoas através das redes sociais, especialmente no mundo árabe e na Espanha? Vê nas redes um potencial para se buscar um novo modelo democrático?
Paulo Faustino – Sim. Do ponto de vista da tentativa de conquistar um mundo melhor, as redes sociais são um instrumento para o cidadão exercer a cidadania. Elas permitem a mobilização das pessoas, o que é um aspecto importante. Além disso, as mensagens fluem rapidamente e criam correntes de opiniões internacionais, estimulando os cidadãos a lutarem pelos seus direitos. Este é o mundo novo e muito interessante do ponto de vista de uma sociedade democrática. Hoje em dia vai ser cada vez mais difícil os governos cortarem o contado de um país com o exterior. Claramente as redes sociais e a internet deram ao mundo um novo fôlego em termos de cidadania.
Evidentemente, temos de refletir se é legítimo, mesmo tendo esta liberdade de publicação, publicar documentos que supostamente são segredos de Estado. Isso nos leva à questão de definir o que deve ser ou não segredo de Estado. Essa é uma discussão muito complicada. Por princípio, alguns dizem que o Estado não pode ter segredos, que os governos precisam ser transparentes; mas admito que alguns assuntos devem ser reservados. Nesse sentido, o WikiLeaks lança um debate do que deve ou não ser conhecido pelo público.
IHU On-Line – Como vê o debate sobre o direito autoral no Brasil? Na era digital, do software livre, como esse tema deve ser abordado?
Paulo Faustino – O direito autoral, por princípio, deve estar presente em qualquer tipo de criação intelectual, mas vejo esse debate de duas formas. A internet é mais livre do que a mídia tradicional. Entretanto, os empregadores aproveitam determinada criação de um autor e a adaptam em outros suportes. Isso não é negativo, mas o debate é: em que medida as pessoas que criaram essas peças deveriam receber um valor adicional pela sua criação e pela publicação em vários meios de comunicação? As empresas veem essa questão de outra forma e, portanto, criam contratos com os jornalistas, com os criadores de conteúdo, para que produzam materiais que serão publicados em diferentes plataformas.
Os jornalistas que produzem conteúdo acham essa situação injusta porque supostamente, na lógica clássica antiga, as pessoas trabalhavam para um único meio. Entretanto, as empresas argumentam que os jornalistas são contratados para produzir conteúdo, até porque elas estão cada vez mais multimídias.
Do ponto de vista da internet, é complicado regular as pessoas que fazem copy paste e que têm uma criação intelectual baseada em outros autores. Em Portugal foi descoberto o caso de uma jornalista que traduzia alguns artigos e fazia pequenas alterações no texto, publicando-os na revista New Yorker como sendo de sua autoria.
Sou editor de livros e, em 2006, fui para a China participar de uma conferência. Para minha surpresa, ao visitar uma livraria, vi o livro de um amigo traduzido para o chinês, e ele não fazia a mínima ideia disso. A questão dos direitos autorais na China é um assunto muito novo e pouco discutido. Na Europa e nos Estados Unidos esse tema é discutido com frequência e começa a ganhar uma base jurídica; está começando a existir uma interiorização ética da necessidade de produzir direitos de autor.
Direito autoral
O papel das agências de clippings não é muito discutido no Brasil, mas na Europa, está sendo constituída uma associação para gerenciar os conteúdos reproduzidos pelas agências. Desse modo, elas terão de pagar o direito autoral da reprodução dos conteúdos dos jornais, porque os veículos argumentam que, ao digitalizarem os conteúdos, as pessoas deixaram de comprar jornais, e, por outro lado, alegam que o direito autoral precisa ser reivindicado.
A sofisticação da questão do direito autoral vai ser mais efetiva quando as empresas reivindicarem esse direito. Estão tentando instalar isso nos Estados Unidos, mas ainda é um movimento informal. Seguramente, tal questão vai evoluir para uma legislação concreta e as empresas de clipping terão que pagar uma comissão de utilização dos conteúdos.
IHU On-Line – Qual a contribuição da internet para a democratização da comunicação e da informação?
Paulo Faustino – Há duas grandes correntes sobre o papel dos conteúdos na internet do ponto de vista do impacto social. Uma acredita que a internet aumentou o pluralismo da mídia e, com isso, a sociedade teve acesso a uma diversidade de conteúdos e de emissores de conteúdos. Por outro lado, há quem acredite que os conteúdos mais influentes ainda são adquiridos pelas grandes empresas de mídia. Quando a News Corporation entrou no negócio das redes sociais, muitos defenderam que haveria ainda mais concentração da informação no mundo.
Em todo o caso, acredito que pensamos somente nas influências dos conteúdos em função de sua audiência. Às vezes, um jornal online ou uma rádio comunitária têm um poder de informação muito superior à sua audiência. Ou seja, o poder não é diretamente proporcional à audiência. A partir dessa perspectiva, penso que o mundo ganhou mais e se tornou mais plural. Os movimentos do mundo árabe são exemplo disso.
IHU On-Line – Que políticas públicas seriam fundamentais para as mídias, considerando a proliferação da internet e o surgimento de novos blogs e sites independentes?
Paulo Faustino – As soluções não são fáceis de encontrar. É importante educar as pessoas, sensibilizá-las a serem honestas intelectualmente. As crianças deveriam aprender que o direito autoral é algo que deve ser preservado, que é bom uma pessoa ser intelectualmente correta. Também é fundamental educar as pessoas para o consumo, para aprenderem a consumir com consciência.
As políticas públicas devem ser desenhadas em função das características de cada país, mas devem obedecer às boas práticas internacionais. Caso o Brasil avance no debate sobre o marco regulatório, deverá seguir como base os casos da Europa e dos Estados Unidos e não os da América Latina, que possui modelos mais estatizantes de regulação. Independentemente da política pública implementada, o importante é garantir a transparência.
IHU On-Line – Em seu livro, o senhor menciona que as empresas de comunicação devem investir em novas estratégias a partir da internet. A que se refere especificamente?
Paulo Faustino – Abordo algumas transformações dos modelos de negócios das empresas de mídia e o esforço que elas estão fazendo para criar outros sites com o objetivo de compensar a perda de publicidade. No Brasil, este cenário ainda não é tão notório.
Também menciono os desafios enfrentados pela mídia para abordar, de uma forma indireta, a questão da responsabilidade social, que está em correspondência com aspectos da regulação, aspectos da boa convivência com a sociedade. Obviamente que a atividade-fim das empresas é gerar lucro, mas elas precisam estar atentas à responsabilidade social.
O livro faz uma análise dos modelos de negócio dos vários segmentos: televisão, imprensa e rádio, mas de fato, percebe-se que as empresas são cada vez mais multimídias. Nesse sentido, a internet está desafiando as mídias tradicionais para encontrarem alternativas não somente do ponto de vista de financiamento, mas também do ponto de vista de utilizar a internet para criar alternativas de acordo com o perfil das empresas.
IHU On-Line – Que perspectiva vislumbra para a comunicação a partir da internet? Como vê o futuro da profissão de jornalista diante das redes sociais?
Paulo Faustino – Na Europa e nos Estados Unidos, as últimas gerações já assimilaram a nova forma de trabalho determinada pela internet. Os jovens saem da faculdade e não criticam isso. As implicações que a internet gerou no mundo do trabalho são percebidas essencialmente pelas pessoas que foram educadas a fazer produção jornalística de outra forma.
Penso que a internet em si não precariza o trabalho. Ele é precarizado pela conjuntura adversa e pelas mudanças que ocorreram na sociedade. As empresas de mídia viveram muitos anos de prosperidade ao lançarem um produto no mercado. Hoje em dia existem outras formas complementares e mais baratas de promover um produto.
Por outro lado, as empresas estão investindo cada vez mais na comunicação fora das mídias, como marketing, mala direta, relações públicas e realização de eventos. Toda essa dinâmica está fazendo com que haja uma migração do investimento publicitário de mídia tradicional para a mídia alternativa. Essa atitude gera um problema de financiamento para as empresas da mídia tradicional, que não possuem tantos recursos como tinham no passado para pagarem melhores salários e empregarem mais pessoas. As empresas, portanto, investem mais em publicidade e contratam menos jornalistas. É uma situação preocupante. Por outro lado também, é importante ter em conta que o jornalismo online está criando novos perfis de empregos. Há empregos que se destroem, mas outros são criados.
O problema é que vivemos em uma sociedade muito racional, muito orientada por prazos e resultados, e as empresas também são pressionadas para obterem resultados rápidos e terem lucratividade. A racionalidade nas empresas conduzirá à precariedade e à diminuição dos empregos.
Se fizéssemos um balanço sobre a empregabilidade, veríamos que é necessário mudar o conceito e, em vez de falarmos em jornalistas, deveríamos pensar em profissionais da comunicação. Evidentemente, existem diferenças, mas do ponto de vista da criação e do emprego, foram criadas novas atividades ligadas à comunicação. Hoje em dia, há cada vez mais pessoas formadas em Comunicação trabalhando em empresas.
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Manifestar-se Contra a Corrupção

A palavra “manifestar” tem uma etimologia curiosa, que pode nos ajudar a entender porque determinados temas fazem com que as pessoas se manifestem, enquanto outros não.
Como muitas do português, ela vem do latim, e sofreu poucas modificações na sua evolução. Não é difícil imaginar sua proveniência: manufestare, composta pelo substantivo manus (mão) e o verbo festare (cortar, separar), presente em defendere (afastar, repelir) e offendere (machucar, ferir). Originariamente, queria dizer “pegar com as mãos”.
Desde a Roma Antiga, “manifesto” - manifestus em latim - é sinônimo de “claro”, “evidente”, “provado”, “palpável”. O elemento festus, que aparece também em infestus (hostil, inimigo), nada tem a ver com a palavra homófona, que quer dizer “festa”, “feliz”, “ (essa provem da raiz indo-européia dhes, de sentido religioso, de onde vem fanum (templo) e feria (dia de repouso cerimonial).
Subjacente à ideia de manifestar-se, está, portanto, a de evidenciar-se através da ruptura, dar-se a conhecer pela diferença. Provocar a atenção dos outros, mostrando não ser igual.
Ir para a rua dançar no carnaval, seguindo um trio elétrico, não é, portanto, uma manifestação, mesmo que atraia a curiosidade alheia. Nem acompanhar seu time do coração quando desfila pela cidade, depois de vencer um campeonato. Nos dois casos, o que há é, apenas, festejar.
Na política, manifestar-se envolve uma tomada de posição. É dizer “sim” a alguma coisa. Consequentemente, “não” a outras. E querer fazer com que alguém ouça o recado.
Sem adversários, sem aqueles a quem o “não” é direcionado, é impossível afirmar. Não se toma posição sem contraposição. A quem atrairíamos, a quem convenceríamos, se ninguém está do outro lado? Se todos estão de acordo?
Alguém vai para a rua manifestar-se a favor do Brasil? Só se aparecer algo que o ameace. Se “interesses externos”, por exemplo, colocarem o país em risco. Se houver alguém que o deprecie, o humilhe.
Seria possível uma manifestação a favor da incompetência no serviço público? Que houvesse gente que fosse acampar na frente do Congresso, na Cinelândia ou na Praça da Sé, para mostrar que está do lado de funcionários despreparados, preguiçosos ou mal-educados? É porque isso não faz sentido que essa manifestação nunca existiria.
Há quem se pergunte por que os brasileiros (salvo pequenas minorias) não se manifestam contra a corrupção. Por que, apesar das perorações dos principais veículos de comunicação, a maioria das pessoas não se motiva a participar das manifestações que, vez por outra, são convocadas.
A resposta é simples. Quase ninguém se manifesta contra porque ninguém se manifesta a favor. Não há atenção a ser ganha, não há alguém a ser convencido, catequizado.
Para levar a maioria da população às manifestações anticorrupção, não basta mostrar que ela existe, denunciá-la. É preciso convencê-la de que alguém a quer, gosta dela, a defende. Que haja a “pró-corrupção”.
Quando a oposição ao governo Dilma, seja política, seja a que é feita por alguns veículos de comunicação, mostra, por exemplo, que cinco ministros saíram em meio a denúncias de corrupção, não faz mais que o esperado. Mas não é suficiente para provocar a “indignação” das pessoas.
A razão é que elas não acreditam que Dilma estivesse de acordo com o que, aparentemente, seus ex-ministros tinham feito. Tanto não estava, que os demitiu.
Indignar-se contra quem? Manifestar-se contra os corruptos? Mas quem os defende? Salvo o Justo Veríssimo, nem o mais ladrão dos larápios.
Nos últimos vinte anos, tivemos dois presidentes que enfrentaram graves turbulências provocadas por denúncias de corrupção. Um sofreu impeachment, o outro se reelegeu no ano seguinte e se tornou a maior liderança popular de nossa história.
A vasta maioria da população se convenceu de que Collor era culpado pela corrupção em seu governo e se beneficiava pessoalmente dela. No mensalão, apenas uma minoria pensava assim de Lula.
Collor enfrentou manifestações, caras pintadas e camisas pretas, porque as pessoas temeram que o sistema político não fizesse nada se elas ficassem caladas. Não houve uma só contra Lula.
A população brasileira rejeita completamente a corrupção. É lenda que vote em quem “rouba, mas faz”. E se manifesta quando tem certeza da responsabilidade de alguém.
Não há manifestações contra Dilma porque as pessoas não a veem como adversária. Para elas, a presidente é uma aliada.
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
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O Globo torce e distorce... até no futebol

O tempo passa, o tempo voa e as organizações Globo não perdem o vício da parcialidade em seu noticiário, agravado pela informação deturpada. Até nas páginas esportivas encontramos tal deformação.
Quer ver um exemplo? Na última quinta-feira, um dia depois dos jogos das equipes cariocas na Copa Sul-Americana, que eliminou da competição Flamengo e Botafogo, e classificou o Vasco, mandava o jornalismo honesto e imparcial que se desse o devido destaque à vitória do Vasco, único vencedor e o último time do Rio na competição, sobretudo porque reverteu um placar negativo de 3 a 1, quando enfrentou o Aurora, na Bolivia, no primeiro jogo, para uma vitória por 8 a 3, no jogo de volta, em São Januário.
Só o fato de uma vitória por placar dessa magnitude já mereceria o devido registro, mas o Globo Online ignorou solenemente e optou por destacar em manchete que a Copa Sul-Americana não desperta interesse, e o subtítulo em letras pequeninas: “Vasco é o único brasileiro ainda na competição”.
Quando você clica para ler a matéria, a nova manchete é ainda mais perversa: “Eliminação de Fla e Botafogo com reservas em campo mostra que Sul-Americana ainda não pegou no Brasil”.
Perceberam a má-fé? Bastou o Flamengo, time sabidamente do coração do fundador do jornal, Roberto Marinho, e dos herdeiros do império, para que a competição fosse relegada ao lixo, algo de somenos importância.
Além de maldosa, a manchete induz o leitor a acreditar que o Flamengo foi eliminado porque escalou uma equipe reserva, o que é no mínimo uma meia verdade. Qualquer torcedor que acompanha o noticiário esportivo sabe que o Flamengo tomou uma lavada de quatro a zero, do Universidad do Chile, jogando em casa, com seu principal jogador em campo, Ronaldinho, o famoso R10 das baladas cariocas.
Ora, tendo levado uma surra em casa do Universidad do Chile, o time nem em sonhos teria como reverter esse placar lá em Santiago. Daí a opção pela escalação de jogadores reservas. Estratégia, aliás, utilizada por todas as equipes, inclusive o vitorioso Vasco, fato que passou despercebido pelos autores da matéria.
A matéria tenta desavergonhadamente justificar a eliminação Flamengo com argumentos e informações deturpadas. Além disso, usa a tática traiçoeira de desqualificar a competição, como na história da raposa e as uvas. E já determinou que ela não interessa aos clubes brasileiros, como se vê pelo tom afirmativo da pergunta que submete à opinião dos leitores: “por que a Copa Sul-Americana ainda não pegou entre os clubes brasileiros?”.
Não pegou porque o Flamengo foi eliminado, responderam centenas de leitores nos comentários sobre a matéria, que não estão mais disponíveis na página online do jornal. Claro, o torcedor não é trouxa e odeia esse partidarismo clubístico do jornal dos Marinho.
Está certo que se queira criticar o calendário da Copa Sul-Americana, cujos jogos coincidem com a reta final do Brasileirão, mas tentar justificar a eliminação do “time da casa” e desmerecer a vitória de outro desqualificando a competição não é um jornalismo ético... nem honesto.
E ai a gente fica sempre com aquela dúvida: se no noticiário esportivo, o Globo torce e distorce informações, de acordo com seu interesse, o que será que ocorre no noticiário político e econômico? Respostas para a seção de cartas do jornal.
PS. Não encontrei ilustração ligando o Globo ao Flamengo, só a com o logotipo da TV Globo. Mas acho que o leitor entenderá que não faz diferença.
Eliakim Araujo
No Direto da Redação
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A estratégia política do denuncismo

É curioso como está se processando o xadrez político. Em muitos aspectos, lembra bastante o pré-64 - o que não significa necessariamente que o desfecho será o mesmo.
Dilma assumiu pretendendo acabar com a polarização política dos últimos anos. Fez acenos em direção aos jornais, colocou-se acima dos partidos e do próprio PT, afastou-se dos sindicatos - no início, com imprudência, depois com cuidado - e da blogosfera.
Um dos pontos centrais da sua estratégia foi o de aceitar as denúncias contra Ministros. Fez como o lutador de judô que calibra o golpe aproveitando o embalo do adversário.
Nas primeiras rodadas, acumulou pontos. Na sequência, o jogo está indefinido. Essa estratégia fortaleceu o denuncismo de forma nunca vista desde a campanha do "mensalão". Aparentemente a presidente saiu ilesa, por não estar no centro do fogo que está consumindo seus ministros.
Só aparentemente. O ímpeto redobrado com que a velha mídia coloca os ministros em fila e os vai fuzilando conseguiu criar no seio da classe média midiática o mesmo clima do "mar de lama" de Getúlio e Jango.
Repito: não significa que o desfecho será o mesmo. Significa que o cadinho de cultura para um golpe é o mesmo.
Por que se usa a palavra "golpe" com tanta semcerimônia? Pela relevante razão de que, quando se adota o "denuncismo" como estratégia política única, o caminho democrático só é viável quando se tem um candidato competitivo empunhando a bandeira - como Jânio Quadros, por exemplo. Nas circunstâncias atuais, não existe um Jânio no meio do caminho da oposição.
Assim como em 1964, não há uma oposição política com musculatura, com projetos claros de poder, candidatos competitivos. José Serra é carta fora do baralho. Nos seus primeiros movimentos, Aécio Neves não mostrou estatura política. Geraldo Alckmin não conseguirá avançar além da província.
Candidatos de maior potencial - como Eduardo Campos - estão fora, por enquanto, do leque de alianças da velha mídia, além de ser de um Estado fora do eixo politico do sudeste. Resta o quê, então?
A história, quando se repete em tempo real, permite um estupendo aprendizado. A partir do que ocorre agora, é possível mergulhar no passado, intuir sobre o que foi o dia a dia político de outras crises, como as que tolheu Vargas e Jango, ou mesmo como teria sido a habilidade política de JK, toureando as diversas tentativas de golpes.
A história é um jogador de xadrez caprichoso, que vai utilizando as circunstâncias para redefinir o papel das peças do tabuleiro. Jornalistas, políticos, de história de lutas contra a intolerância, contra o arbítrio, de repente são colocados em um novo papel, intolerante, fora do reino das ideias, para se situar exclusivamente na tática de salientar a corrupção, no "mar de lamas", no perigo Chávez, utilizando o mesmo repertório que o grande Afonso Arinos - um oposicionista civilizado - considerava fora de moda em 1964.
Naqueles tempos, havia as Forças Armadas no fim da estratégia.
E agora? Confesso que não sei.
Numa ponta tem-se o avanço das novas mídias, novos grupos jornalísticos tirando a influência da velha mídia, novos jornais de papel, os portais exercendo um contraponto ao menos no reino da audiência e da publicidade.
Mas é inegável que a ideologia predominante do jornalismo formal ainda é pautado pelo pacto dos quatro - Globo, Abril, Folha e Estadão. E é inegável que, fora de períodos eleitorais, a opinião pública midiática permanece com inegável influência.
Por seu lado, a blogosfera ainda fala para uma militância. Faz o contraponto, desconstroi factóides, mas não forma opinião ainda, a não ser a dos convertidos.
Na física (ou na química) há determinados corpos em equilíbrio até que ocorre um fato qualquer que provoca o desequilíbrio. Esses movimentos mudam totalmente a força dos agentes internos.
O pilar do equilíbrio atual é o quadro econômico razoavelmente estável. Em caso de crise econômica - uma hipótese por enquanto (felizmente) fora do horizonte - esse cadinho de indignação plantado diariamente pela velha mídia terá desfechos imprevisíveis. Há amplo espaço no horizonte para a ampliação ilimitada da radicalização.
Será um belo desafio para Dilma Rousseff e seu maior aliado, Lula.
Luís Nassif
No Advivo
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Vem fogo sobre a Petrobras

Os jornais vão cair em cima da Petrobras, embora nada vá se alterar para o consumidor nas bombas de gasolina.
A empresa anunciou que reajustará o valor cobrado pela gasolina “A”, a pura, vendida nas refinarias, e que depois recebe a adição de etanol anidro.
Passa de R$ 1,09 para R$ 1,20 o litro.
Resultado de nossa necessidade de importar gasolina, por falta de capacidade de refino, depois de passarmos quase 20 anos, antes que o governo Lula tivesse aprovado um plano de construção de várias delas – a de Itaboraí, a de Pernambuco e do Maranhão. A do Ceará ainda não teve as obras iniciadas.
A gasolina importada custa à Petrobras R$ 1,35 por litro. Ou seja, um prejuízo de 20 centavos a cada litro.
Não importa que este reajuste não vá ser repassado – ou, ao menos, não tem razão para ser – ao consumidor, porque o Governo reduziu a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, a Cide, nos mesmos valores do reajuste.
Nem que, dois anos atrás, a Petrobras tenha reduzido o preço nas refinarias e o Governo aumentado a Cide.
Muito menos ainda que a empresa precise ter equilíbrio para seguir seu plano de investimentos, de US$ 225 bilhões em quatro anos.
Enfraquecer a Petrobras é uma causa para essa gente.
Pudera, está em jogo muito dinheiro no nosso pré-sal e só enfraquecendo a estatal há chance de beliscar nacos maiores dele.
Quer ter uma ideia do quanto? Veja, lá em cima, este gráfico da U.S. Energy Information Administration (EIA), mostrando o que é previsto de aumento na produção de petróleo no Brasil e no resto de todo o mundo, não considerados os países pertencentes à Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep, ou Opec, na sigla em inglês).
O fogo, portanto, é pesado.
Fernando Brito
No Projeto Nacional
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Charge online - Bessinha - # 879

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Praga de urubu não pega

Segue áudio da Lucia Hippolito debochando, torcendo e comemorando a doença do Lula. Inacreditável. Aparece coisas do tipo:
“… não é surpresa tendo em vista o abuso da fala do Presidente que jamais teve um exercício de fonoaudiologia, de nada disso, e tava no palanque todo santo dia, tabagismo, alcoolismo..”
“…o presidente Lula sempre teve aquela voz feia…”
Essa demonstração de euforia por vislumbrar uma possibilidade de finalmente calar o Lula, demonstrada pela Lucia Hippolito, é um um sinal de extrema fraqueza, porque, além de tudo, deixa transparecer que lhe resta como única possibilidade de felicidade a morte do Lula. Tudo isso mostra a pequenez dos porta-vozes da direita e como Lula é grande.


E, por falar em alcoolismo, escute essa mesma "comentarista" tentando criticar Lula e tire suas conclusões.
"Olha Lolito..." O "telefone está piscando..."
Gerson Carneiro
No Maria da Penha Neles!
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Era Uma Vez... Um Jovem do PSDB!

Uma Juventude Perdida
É Triste!
No O Cachete
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O dia do Saci Pererê

Não há nada mais servil do que se deixar dominar culturalmente. Quando a força das armas vem, pode-se até entender. Mas quando o domínio se dá de forma sub-reptícia, via cultura, parece mais letal. O Brasil vive isso de forma visceral. A música estadunidense invade as rádios e a juventude canta sem entender a mensagem. No comércio abundam os nomes de lojas em inglês e até as marcas de roupa ou sapato são na língua anglo-saxônica, “porque vende mais” dizem as atendentes. Nas vitrines, cartazes de “sale”, ou “50% off” embandeiram a escravidão cultural. E tudo acontece automaticamente, como se fosse natural. Não é!
Outra prática que vem invadindo as escolas e até os jardins de infância é a comemoração do Halloween, o dia das bruxas dos estadunidenses. Lá, no país de Obama, esta data, o 31 de outubro, é um lindo dia de festividades com as crianças, no qual elas saem fazendo estripulias, exigindo guloseimas. Tudo muito legal dentro da cultura daquele povo, que incorporou esta milenar festa irlandesa lá pelo início do 1800. Nesta festa misturam-se velhas lendas de almas penadas, de gente que enganou o diabo e outras tantas comemorações pagãs. Além disso, hoje, ela nada mais é do que mais uma boa desculpa para frenéticas compras, bem ao estilo do capitalismo selvagem, predador.
Aqui no Brasil esta festa não tem qualquer razão de ser, exceto por conta das mentes colonizadas, que também associam o Halloween ao consumo. Não temos raízes celtas, nem irlandesas ou inglesas. Nossas raízes são outras, Guarani, Caraíba, Tupinambá, Pataxó... Nossos mitos – e são tantos – guardam relação com a floresta, com a vida livre, com a beleza. O mais conhecido deles é ainda mais bonito, fala de alegria e liberdade. É o Saci Pererê. Uma figurinha buliçosa que tem sua origem nas lendas dos povos originários, como guardião das generosas florestas que garantiam a vida plena das gentes. Com a chegada dos povos das mais variadas regiões da África, o menino guardião foi agregando novos contornos. Ficou negro, perdeu uma perna e ganhou um barrete vermelho na cabeça, símbolo da liberdade. Leva na boca um cachimbo (o petyngua), muito usado pelos mais velhos nas comunidades indígenas. Sua missão no mundo é brincar, idéia muito próxima do mito fundador de quase todas as etnias de que o mundo é um grande jardim.
Pois é para reviver a cada ano as lendas e mitos do povo brasileiro que vários movimentos culturais e sociais usam o 31 de outubro para comemorar o Dia do Saci. Com atividades nas ruas, as gentes discutem a necessidade da libertação - coisa própria do Saci - das práticas culturais colonizadas. Ao trazer para o conhecimento público figuras como o Saci, o Caipora, o Boitatá, o Curupira, a Mula Sem Cabeça, todos personagens do imaginário popular, busca-se, na brincadeira que é próprias destes personagens mitológicos, incutir um sentimento nacional, de brasilidade, de reverência pela cultura autóctone. Não como sectária diferença, mas como afirmação das nossas raízes.
Em Florianópolis, quem iniciou esta idéia foi o Sindicato dos Trabalhadores da UFSC, que decidiu instituir o 31 de outubro como o Dia do Saci e seus amigos. Assim, neste dia, durante vários anos, os mitos da nossa gente invadiam as ruas, não para pedir guloseimas, mas para celebrar a vida. Tendo como personagem principal o Saci, o sindicato discutia a necessidade de valorizarmos aquilo que é nosso, que tem raiz encravada nas origens do nosso povo. Mas, agora, sob outra direção, que não conspira com estas idéias de nacionalismo cultural, o Saci não vai sair com a pompa usual.
Mas, não tem problema, porque ainda assim, prenunciando seu dia, por toda a cidade, se ouvirão os loucos estalos nos pés de bambu. É porque dali saem, às carreiras, todos os Sacis que estavam dormindo, esperando a hora de brincar com as gentes. Redemoinhos, ventanias, correrias e muito riso. Isso é o Saci, moleque danado, guardião da floresta, protetor da natureza. Ele vem, com seus amigos, encantar o povo, fazer com que percebam que é preciso cuidar da nossa grande casa. Não virá pela mão do Sintufsc, mas pelo coração dos homens, mulheres e crianças que estão sempre em luta contra as maldades do mundo. O Saci é protetor da natureza e vai se unir a todos nós, os que batalham contra os vilões do amor. Ah Saci, eu vou te esperar... Que venhas com o vento sul...
Elaine Tavares
No Blog do Turquinho
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Charge online - Bessinha - # 878

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Mulher de visão

Caros confrades e estimados numerários, supranumerários e agregados,
Há pouco mais de um mês, no dia 21 de setembro, nossa musa pitonisa, a sempre sorridente e otimista Míriam Leitão, fazia mais uma de suas previsões certeiras:
“A Alta do dólar afeta outros preços e pressiona inflação. Com o dólar em alta e mais pressão sobre os preços, a inflação deve subir mais. O gráfico fala por si: a moeda americana subiu 17% em 14 dias; ontem, mais de 4%. Em julho, estava em R$ 1,50; e agora, em R$ 1,86. Ontem, bancos e consultorias começaram a enviar para seus clientes uma revisão total das previsões de inflação. Acham que, se continuar nesse nível, a inflação realmente estoura a meta este ano e está comprometida para 2012.”
Touché!! Muito bem Míriam, a verdade deve ser jogada na cara da camarilha vermelha do BC!! Devemos prestar homenagens e tecer loas a nossa pitonisa vidente e suas previsões científicas, sempre na mosca. Como disse um telespectador: “quando a gente vê Míriam na TV, torcendo pelo Brasil, exalando emanações positivas, nos dá uma enorme vontade de lutar contra o comunismo ateu que nos assola, e derrubar a búlgara.” Futura membro da ABL, nossa mensageira da felicidade é reconhecida até no exterior por suas previsões científicas, onde já presta consultoria e assistência. Alvíssaras!

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Carta de Foz do Iguaçu

O 1º Encontro Mundial de Blogueiros, realizado em Foz do Iguaçu (Paraná, Brasil), nos dias 27, 28 e 29 de outubro, confirmou a força crescente das chamadas novas mídias, com seus sítios, blogs e redes sociais. Com a presença de 468 ativistas digitais, jornalistas, acadêmicos e estudantes, de 23 países e 17 estados brasileiros, o evento serviu como uma rica troca de experiências e evidenciou que as novas mídias podem ser um instrumento essencial para o fortalecimento e aperfeiçoamento da democracia.
Como principais consensos do encontro – que buscou pontos de unidade, mas preservando e valorizando a diversidade –, os participantes reafirmaram como prioridades:
- A luta pela liberdade de expressão, que não se confunde com a liberdade propalada pelos monopólios midiáticos, que castram a pluralidade informativa. O direito humano à comunicação é hoje uma questão estratégica;
- A luta contra qualquer tipo de censura ou perseguição política dos poderes públicos e das corporações do setor. Neste sentido, os participantes condenam o processo de judicialização da censura e se solidarizam com os atingidos. Na atualidade, o WikiLeaks é um caso exemplar da perseguição imposta pelo governo dos EUA e pelas corporações financeiras e empresariais;
- A luta por novos marcos regulatórios da comunicação, que incentivem os meios públicos e comunitários; impulsionem a diversidade e os veículos alternativos; coíbam os monopólios, a propriedade cruzada e o uso indevido de concessões públicas; e garantam o acesso da sociedade à comunicação democrática e plural. Com estes mesmos objetivos, os Estados nacionais devem ter o papel indutor com suas políticas públicas.
- A luta pelo acesso universal à banda larga de qualidade. A internet é estratégica para o desenvolvimento econômico, para enfrentar os problemas sociais e para a democratização da informação. O Estado deve garantir a universalização deste direito. A internet não pode ficar ao sabor dos monopólios privados.
- A luta contra qualquer tentativa de cerceamento e censura na internet. Pela neutralidade na rede e pelo incentivo aos telecentros e outras mecanismos de inclusão digital. Pelo desenvolvimento independente de tecnologias de informação e incentivo ao software livre. Contra qualquer restrição no acesso à internet, como os impostos hoje pelos EUA no seu processo de bloqueio à Cuba.
Com o objetivo de aprofundar estas reflexões, reforçar o intercâmbio de experiências e fortalecer as novas mídias sociais, os participantes também aprovaram a realização do II Encontro Mundial de Blogueiros, em novembro de 2012, na cidade de Foz do Iguaçu. Para isso, foi constituída uma comissão internacional para enraizar ainda mais este movimento, preservando sua diversidade, e para organizar o próximo encontro.
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