27 de out de 2011

Entrevista com Ivan Proença, ex-capitão do regimento presidencial de Jango

Estudantes encurralados em um prédio, envoltos por fumaça e com fuzis militares apontados para suas cabeças. Foi esta a cena que Ivan Cavalcanti Proença, então Capitão do Regimento Presidencial de João Goulart, encontrou no Largo do Caco, na manhã do dia 1º de Abril de 1964.
Naquele dia – e não no dia 31 – houve, no Brasil, um golpe de Estado. Não só militar, mas também civil, visto que apoiado pela classe média urbana – definida por Proença como “classe me engana que eu gosto, que não vai para o paraíso” – e patrocinado por empresas privadas (muitas estrangeiras), como ele garante. “Não foi um golpe do povo”, frisa ele. O “crime” daqueles estudantes foi serem contra este golpe, o “crime” de Proença foi defender as cabeças deles.
Deparando-se com a cena, Proença mobilizou a tropa que estava sob seu comando para evacuar o prédio, conseguindo salvar até o último estudante. Cecília Coimbra, atual presidente do “Tortura Nunca Mais – RJ”, e outros membros do Grupo, foram alguns dos jovens salvos por ele naquele dia.
Proença, que é autor do livro “O Golpe Militar e Civil de 64” (Oficina do Livro, 2004), concedeu entrevista exclusiva ao “Quem tem medo da democracia?”, onde relembra esta história, comentando ainda: Lei de Anistia, Comissão da Verdade e o que há de democracia no Brasil atual.
Para ele, nosso Exército tem uma história patriótica, que foi manchada de sangue em 64. Lamenta não ter conseguido capturar os militares golpistas que encontrou. Ao contrário disto, ao voltar ao quartel, imediatamente difamado por um colega de farda, ele é que foi preso. “Se eu soubesse, não teria voltado”.
Depois de passar cerca de 50 dias na prisão, lhe foi dada uma chance de perdão, mas queriam em troca seu silêncio diante das atrocidades que viu. Não aceitando, teve seus direitos militares cassados e passou mais de 20 anos sendo perseguido na vida civil.
Sobre uma ditadura anistiar a si própria, garante: “Isso não existe no mundo jurídico em lugar nenhum”. E completa: “Na verdade, foi tudo para beneficiar os torturadores e assassinos”. Descreve a Lei de Anistia como “ilegal e ilegítima”, além de bem restrita para ele: foi promovido, por ser oficial, havendo porém “restrições de cursos e tempo de serviço”. E destaca que, além de tudo, foi uma anistia “elitista”, já que não anistiou “as praças” (soldados, cabos, sargentos e sub-tenentes). Fato que ele define como “vingativo e odiento”.
Sobre a “Comissão da Verdade”, levando em conta a falta de punição aos torturadores, aos quais ele chama de “escória”, pergunta: “Verdade para quem? Por que ser fiel àquela Lei de Anistia? Abre precedente na história do Brasil… Os caras deitaram e rolaram e nada acontece?”
Proença sugere que os nomes escalados para a Comissão deveriam ser “repensados” e alerta que há muitos “militares de pijama, velhos reacionários”, que “pregam a não aceitação da Comissão, acusam e agridem verbalmente desde a presidente da República a toda a classe política que luta por uma verdadeira reparação dos crimes da ditadura, e ameaçam com novos golpes”. Segundo ele, estes militares “insuflam tropas, porque ainda têm poder de influência no Exército”. E “ainda fazem festas pra homenagear os torturadores”. Para ele, é preciso “intervir na educação do militar”. Assegura que lhes falta uma “cultura ampla, geral e irrestrita”.
Comenta que, “em nome de uma suposta atitude democrática”, há militares querendo intervir na Comissão. Comissão esta que vê com pouco otimismo: “É remota a idéia de se fazer justiça. Ainda mais se não houver a abertura dos arquivos”.
Diz que “a sociedade tem que saber o que aconteceu” e rechaça a expressão “revanchismo”: “Isso seria se torturássemos os torturadores”, afirma citando o Dr. Hermann Baeta, famoso advogado.
Cúpula militar, imperialismo americano, poder econômico – banqueiros, latifundiários, empresários – e midiático, em especial Rede Globo, são, para ele, os maiores responsáveis pela manipulação da informação e incitação de golpes. “Foram todos cúmplices em 64”, garante.
Vindo para 2011, Proença disse ter ficado “satisfeito” com a eleição de Cristina Kirchner, na Argentina. Sobre a atuação de Dilma, considera que vai “muito bem” e que lhe parece “mais firme do que Lula, com mais atitude”. Comentou sobre o caso do ministro dos esportes, Orlando Silva, “denunciado por um bandido”.
Afirmou que Dilma “teve razão” quando disse que “não se deve comemorar a morte de nenhum líder”, referindo-se a Kadafi, que Proença acredita ter sido executado. “Ele (Kadafi) foi um covarde, ditador, que fez horrores, mas fizeram com ele também uma barbaridade. Quer dizer, é olho por olho, dente por dente?”, pergunta-se Proença. “Até os nazistas foram julgados!”, completa.
Embora otimista quanto ao atual governo, Proença considera que o Brasil está “muito longe” da democracia com que sonhavam os estudantes que ele salvou e também de ter uma “identidade cultural”. Lamenta o fato de que Collor, Maluf e Sarney ainda “estão aí”, e concorda com quem diz que a juventude “alienada” de hoje é “conseqüência dos 20 anos” (64/84). Mas pondera que não adianta mais colocar a culpa na ditadura.
“Já passaram mais de 20 anos e não houve grandes transformações. A educação continua um horror! Há uma ânsia indevida de se cursar faculdade! Esse contexto está todo errado! O mercado passa a ser gente. E gente passa a ser objeto. Há uma relação muito estranha entre o saber, a cultura, a educação propriamente dita, e o mercado dominante”, lamenta Proença, apontando, como saída, que a “juventude tenha mais reflexão, livre-arbítrio”. E conclui: “A gente não conta com os meios de comunicação. Longe disso. Mas é preciso que aqueles que crêem num Brasil mais democrático façam um trabalho junto à juventude. Alguma coisa tem que ser feita para criar consciências críticas na sociedade! É preciso criar meios de enfrentamento: uma entrevista como esta, palestras, a atuação de um professor”.
Abaixo, três vídeos com a filmagem da entrevista completa:
Esta entrevista é a continuação de uma série sobre a ditadura. Clique aqui para conferir as anteriores.
Ana Helena Tavares é editora do site “Quem tem medo da democracia?”.
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Brasil deve se impor à Fifa na Copa, diz Jennings

Em entrevista exclusiva ao Congresso em Foco, jornalista escocês que denunciou escândalos na federação mundial de futebol e na CBF diz que o Brasil não precisa se curvar às exigências feitas que ferem a sua soberania
"Mandem eles tomar no ..." Essa é a sugestão de
Andrew Jennings para o Brasil com relação às
exigências da Fifa
A Copa do Mundo é nossa, e não da Fifa. Assim se pode resumir a opinião do jornalista escocês Andrew Jennings sobre o campeonato mundial de futebol que o Brasil sediará em 2014. Para Jennings, o Brasil deve aproveitar o momento de fragilidade da Federação Internacional de Futebol Associação (Fifa) para impor suas atuais leis e não admitir nenhuma retirada de direitos, como prevê o projeto de Lei Geral da Copa. Jornalista da rede de televisão britânica BBC, Andrew Jennings tem sido uma dor de cabeça constante para a Fifa. Autor do livro Jogo Sujo – o mundo secreto da Fifa, ele denunciou esquemas de corrupção na federação de futebol, que resvalaram também na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e em seu presidente, Ricardo Teixeira. Na quarta-feira (27), esteve na Comissão de Educação e Desporto do Senado para uma audiência pública. No mesmo dia, concedeu uma entrevista exclusiva ao Congresso em Foco. Segundo ele, a Fifa não tem escolha: ou faz a Copa no Brasil ou não faz em lugar nenhum devido ao pouco tempo que resta para o Mundial de 2014. Some-se isso à crise financeira européia e norte-americana e à falta de estrutura de países como Rússia e Catar. O apelo turístico do Brasil é infinitamente maior, asseverou Jennings.
“São dois anos e meio. O tempo é curto, e você está apertado por ela para fazer a Copa de qualquer forma. A essa altura, ninguém além do Brasil pode ou gostaria [de sediar a Copa]”, afirmou ele. O momento não poderia ser melhor para o Brasil impor suas condições, disse o jornalista. “Na guerra, você ataca quando o inimigo está fraco”. Ele acha que a presidenta Dilma Rousseff está com a posse da bola. “Este é o melhor momento para a presidenta Dilma dizer: ‘Nós adoramos a Copa, nós vamos fazer o máximo para ganhar a Copa do Mundo, mas nós governamos este país’.”
Jennings disse que os congressistas também devem endurecer com a Fifa porque ela está “na mão” do Brasil. Para ele, os parlamentares que analisam o projeto da Lei Geral da Copa no Congresso não devem aceitar as imposições da Fifa que afrontam as normas brasileiras, como o fim da meia-entrada para estudantes, a permissão para venda de bebidas alcoólicas nos estádios, o comércio exclusivo da Fifa ao redor das arenas e a transferência de responsabilidades sobre os problemas que acontecerem para o governo federal (o Estatuto do Torcedor exige que o organizador do evento seja responsável por qualquer problema durante as partidas).
Ele criticou o fato de os brasileiros não protestarem contra a isenção de impostos já aceita pelo Congresso. Lembrou que a Holanda rejeitou essa proposta quando disputou a sede de uma Copa – mas ficou sem o Mundial.
“Bandido e ladrão”
Na entrevista com o site, Jennings também não poupou o presidente da CBF, Riscardo Teixeira. Os adjetivos usados por ele para qualificar Teixeira são fortes: “bandido” e “ladrão”. Para Jennings, Teixeira deveria ser retirado do comando da organização da Copa de 2014. Sobraram críticas pesadas também para o presidente da Fifa, Joseph Blatter, e para o ex-chefão da entidade João Havelange, ex-sogro de Teixeira.
Andrew Jennings é um dos mais conhecidos repórteres investigativos britânicos. Hoje, ele comanda a revista “Panorama”, da BBC de Londres, programa de TV no qual noticiou que Teixeira, Havelange e outros cartolas do futebol internacional admitiram à Justiça terem recebido subornos nos anos 90. Essa é apenas uma das suas reportagens polêmicas. Em 1989, ele denunciou a Scotland Yard, agência de investigação da Inglaterra, no livro Sctoland Yard’s Cocaine Connection (A Conexão Scotland Yard da Cocaína). Os organizadores dos Jogos Olímpicos foram seus alvos em dois livros, The Lord of The Rings, Power, Money and Drugs in the Modern Olympics (O Senhor dos Anéis, Poder, Dinheiro e Drogas nos Jogos Olímpicos Modernos) e The New Lords of The Rings (Os Novos Senhores dos Anéis).
Sobre as denúncias contra a Fifa, o jornalista afirma acreditar que em no máximo um ano a Suprema Corte da Suíça vai dar ganho de causa à rede de televisão e liberar investigação policial sigilosa que contém mais detalhes dos fatos já noticiados. Leia abaixo o que disse Andrew Jennings ao Congresso em Foco:
Congresso em Foco – De acordo com suas reportagens, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, admitiu à Justiça suíça ter recebido subornos. No que isso pode atrapalhar a organização da Copa do Mundo de 2014?
Andrew Jennings – Pode atrapalhar em várias coisas. Um bandido profissional não pára de roubar. Não é apenas uma ocasião em que ele recebeu várias propinas. Aqui no Brasil vocês têm uma série de evidências que estão sendo investigadas. Não há dúvida nenhuma de que ele é um corrupto. Um excelente trabalho do jornalista Juca Kfouri descobriu que contratos sigilosos foram feitos pela CBF (ele é a CBF) que utilizam dinheiro público e a CBF recebe uma parte dos lucros. O problema para o Brasil agora é vocês têm a Copa do Mundo. Há uma atenção internacional muito maior sobre Teixeira e sobre o Brasil do que jamais houve no passado. O nome dele agora é presença constante nos noticiários mundiais, seja pelas histórias originadas aqui no Brasil e também por histórias que têm a ver com as investigações que a Fifa sofre no momento. O escândalo está em todas as partes. Desde o relatório do senador Álvaro Dias em 2001 [Jennings refere-se à CPI do Futebol]. E também têm as histórias que vêm da Suíça, onde a Fifa está sendo investigada com essas histórias de propina.
O que falta saber?
Quando você está falando de ladrão, existe a possibilidade de existirem crimes dos quais a gente ainda não sabe. Mas o que vai acontecer com certeza é a publicidade que vai ser dada à investigação que corre na Justiça suíça. Para lembrar: existe esse relatório da polícia, que é confidencial, no qual o Teixeira e o Havelange admitiram ter recebido suborno. Esse relatório é confidencial até o momento, mas ele vai ter que ser tornado público. A BBC tomou as iniciativas legais. Tem muita mídia suíça envolvida. Nós já ganhamos o primeiro round desse processo. Teixeira apelou, entrou com recurso. Nós vamos ganhar a sentença na próxima instância. Nós esperamos que isso vá à Suprema Corte. Os advogados da BBC disseram que vamos ganhar, mas que pode levar até 12 meses para a Suprema Corte suíça decidir. Há jurisprudência. A Corte da Suíça já declarou que é um assunto de interesse público. Então, é certeza que isso vai acontecer.
Aqui no Brasil há um projeto de Lei Geral da Copa, feita em acordo com a Fifa, o Ricardo Teixeira e o Ministério do Esporte. O projeto encontra-se em discussão no Congresso. Entre as medidas, há várias coisas que contrariam normas brasileiras para os eventos esportivos locais, como o repasse da responsabilidade do organizador do evento para o governo federal, a permissão de venda de bebidas alcoólicas nos estádios. A Inglaterra aceitaria isso? A Alemanha aceitou isso?
A Inglaterra aceitou alguns dos termos. Mas o governo jamais vai dizer para a população o que eles aceitaram e o que eles não aceitaram. A Holanda, quando estava disputando com a Bélgica, publicou todos os documentos. E foi um sentimento de comoção pública. Eu fui fazer uma filmagem na Holanda e conversei com um professor de direito tributário lá. O professor me disse: “Você pensa que os paraísos fiscais estão no Caribe, mas a Fifa está tentando criar paraísos fiscais dentro do meu próprio país”.
A Holanda aceitou os termos da Fifa?
Não. As exigências tributárias deles afetavam a União Européia.
A Alemanha aceitou alguma coisa na área tributária?
Acho que sim. Não sei os detalhes na Alemanha. A questão é simples aqui: quem governa este país é a Fifa ou o governo federal?
Mas o problema é o risco de o país, ao não ceder, perder a chance de sediar a Copa do Mundo.
Não há nenhuma chance de isso acontecer. Nenhuma chance. Primeiro: qual outro país poderia sediar?
Os Estados Unidos.
Se o Brasil não aceitasse seria por não ter aceitado a corrupção e as imposições da Fifa contra a sua soberania. O Brasil não aceita essas condições e os Estados Unidos aceitam? Então, o Brasil não aceita porque existe corrupção na Fifa e os Estados Unidos vão aceitar? Não acho que isso seja provável.
Argentina, Peru, Colômbia…
Tem uma outra razão. Eles têm bilhões de dólares? São dez homens corruptos no comando da Fifa na Suíça. Três desses dez são latinoamericanos. O mundo ama o Brasil. Vocês não declaram guerra a ninguém, vocês não invadem ninguém, vocês têm o melhor futebol do mundo, uma cultura fenomenal, o clima é ótimo. Blatter falaria alto, mas na hora jamais faria isso. O mundo diria: “Porque o Brasil não aceitou Ricardo Teixeira no comando da CBF, não aceitou as mudanças na legislação tributária, vocês tiram a Copa de lá?”
O Brasil aceitou as mudanças na lei tributária. O que está em jogo agora são outras mudanças.
Não deveriam ter aceito as mudanças na legislação tributária. E deveriam estar criticando isso porque vocês são um país soberano. E fica aí outra razão pela qual os Estados Unidos não aceitariam. Lá, a estrutura tributária é estadual. Na Inglaterra, você tem uma legislação tributária para o país inteiro. Nos EUA, são 50 estados e cada um tem sua legislação. Não chegariam a um acordo único como no Brasil. Se você olhar nas avaliações para a Copa de 2022, o Catar falou “ok” para tudo, porque eles não são um país democrático, eles estão preparados para comprar a Copa do Mundo.
Então? Catar, Rússia, México, não assumiriam isso?
México não poderia. Eles não têm o dinheiro. E você não vai a um país onde 25 pessoas levam um tiro por dia.
A violência no Brasil é alta.
No México, é diferente. O México teria que construir estádios. O México não poderia fazer e os EUA não gostariam.
Absolutamente nenhum país teria condições e o desejo de assumir uma Copa além do Brasil?
Nós vamos tolerar os corruptos e assumir o Teixeira?
E se eu for um país de corruptos?
Você sabe quanto custa? Nenhum país europeu aceitaria. E o resto do mundo não pode pagar.
Alemanha?
Os alemães ficariam malucos com essa possibilidade. Quem são os maiores críticos da Fifa hoje? Os alemães. Custa muito dinheiro. Você perde turistas. Eles falam essa grande mentira. “Todas essas pessoas vão vir pro seu país”. Tem alguma verdade nisso. Mas os turistas não vêm. Imagine que você é um estrangeiro, vindo para o país não exatamente para a Copa. Você gostaria de visitar os lugares turísticos do Brasil. Você gostaria de encontrar um milhão de torcedores de futebol bêbados? Aeroportos cheios deles? Você ganha nos fãs, mas perde nos turistas. E tem muitos estudos acerca disso. Nós estamos falando de uma grande quantia de dinheiro, num tempo de recessão mundial. Eu não sei a situação do Brasil, mas a Europa… A Alemanha está brigando com o [Sílvio] Berlusconi [presidente da Itália] porque não querem pagar para eles, a Espanha… Nós não temos dinheiro.
O senhor recomendaria que os deputados e senadores do Brasil endurecessem com a Fifa porque eles têm a Fifa “na mão”?
Eles têm, porque é muito tarde para irem embora. Realmente, eles têm a Fifa na mão. Temos 2012, 2013 e metade de 2014. São dois anos e meio, e você está pressionado para tudo ficar pronto de qualquer forma. Mas ninguém mais pode. Pode ou gostaria. Veja a situação dos EUA, cortando investimentos públicos. Vai gastar num jogo de futebol?
O que se tem em jogo é: liberar bebida nos estádios, proibir a meia-entrada para estudantes, repassar as responsabilidades para o governo federal e fechar o comércio ao redor dos estádio exclusivamente para a Fifa…
Manda eles tomar no rabo [mostra o dedo médio]!
Considerando tudo isso, é a hora de “enfiar a faca no pescoço” da Fifa?
Na guerra, você ataca quando o inimigo está fraco. Não quando ele está forte. Esse é o melhor momento para a presidenta Dilma dizer: “Nós adoramos a Copa, nós vamos fazer o máximo para ganhar a Copa do Mundo, mas nós governamos esse país”. Vocês têm um governo eleito, eleições livres, ninguém vai dizer o que vocês têm que fazer. A Copa do Mundo no Brasil celebra várias coisas. Celebra o Brasil, celebra a emergência como uma potência econômica mundial, celebra que vocês, apesar de ainda estarem construindo instituições, vieram de um longo período de ditadura militar. Lula foi preso, Dilma foi presa e outros muitos. Vocês saíram dessa situação. Eu sei que vocês têm problemas com corrupção, leva tempo para restaurar a democracia após o período ditatorial. Mas vocês estão indo nesse caminho. E como vamos chamar o Teixeira. Ele é um brasileiro orgulhoso? Ou ele é um invasor da Fifa que quer se meter com tudo? Na Inglaterra, nós banimos os hoolingans [torcedores violentos]. Se você for condenado numa corte inglesa por ser um hoolingan, que é contra o interesse público, você nunca mais vai a um jogo de futebol. Você é banido dos estádios. Tudo o que o Ricardo Teixeira está fazendo é contra os interesses do Brasil. Por que não baní-lo da Copa do Mundo? Como um estrangeiro, eu não preciso convencer você ou ninguém do Brasil. Vocês sabiam disso antes de eu vir aqui. Eu pego notícias do mundo inteiro que envolvem a mesma coisa que eu estou dizendo. E não tem ninguém dizendo que eu estou errado. “Não, senhor Jennings, Ricardo Teixeira é um homem honesto”. Por que não pega a lógica disso pra frente, tira ele, a filha dele, o advogado. Você sabe mais do que eu. Eu só sei isso. O mundo inteiro sabe o que eu sei.
Eduardo Militão
No Congresso em Foco
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Dilma foi vítima da política feita com fígado de Teixeira

“Não se faz política com o fígado”. Ulisses Guimarães tinha lá suas contradições, mas perto de tantos por aí, era uma Madre Teresa de Calcutá de virtudes. E cunhou uma das maiores frases, aqui repetida no início desse texto para definir o sentimento que deve guiar a política e os políticos. Política deve ser feita com cabeça, e se não for pedir demais aos nossos representantes, alma e coração. Ao menos um pouquinho...
Dilma gosta da frase. Já repetiu a máxima do Velhinho algumas vezes. Não sei o que ela está sentindo agora, nesse momento em que é vítima de política rasteira, da maior expressão de uma política feita com o fígado, com bílis, com o perdão da palavra feia. Porque tudo está tão claro...Enquanto alguns perdem tempo em comentários bairristas, preferem vibrar com um Rio de Janeiro passado pra trás, ou com Porto Alegre surrupiada, lá da Suíça o todo poderoso Ricardo Teixeira deve morrer de rir.
Preparou sua vingança com azeite quente, e traçou sua estratégia com o fígado, com ódio, como costuma fazer com quem cruza seu caminho. O mesmo que gritava com ódio uma vez em um hotel do Rio exigindo cabeças de jornalistas para executivos subservientes, o mesmo que é implacável com quem costuma ser voz dissonante e ousa buscar a verdade...Esse mesmo, passou a mão em 190 milhões de brasileiros. Inclusive a Presidenta.
Que ousara uma postura de independência, soberana diante do déspota e da Fifa. O troco veio caro. E está claro na escolha de sedes e tabela de Copa das Confederações e Copa do Mundo: a revoada do canarinho ao ninho tucano é estrategicamente pensada, vingança, vendeta de filme, de Poderoso Chefão. É duro acreditar que a obtusidade de alguém nessa hora pode pensar em bairrismos bobinhos para entender a revoada para São Paulo e Minas Gerais sem pensar em política feita com o fígado, sem pensar em vingança.
O cenário foi milimetricamente pensado. Com o fígado. Em pleno processo eleitoral de 2014, em curso para eleições de presidentes e governadores, a seleção estará preferencialmente no ninho tucano, BH e SP aquinhoadas generosamente. O resto é bobagem, como todo “ismo”. Bairrismo, racismo, fascismo...A essência da decisão é por aqui. Feita com o fígado.
A tragédia, a conseqüência dessa política feita com o fígado sim, é o inexplicável afastamento do cenário do Maracanã. O templo estuprado, o santuário onde o desdentado e o gravatinha se misturavam, destruído em sua alma para...Para nada! Pela bílis de um déspota e pela sede de alguns abutres subservientes, que agora, vítima do próprio déspota, devem se olhar no espelho envergonhados ao constatar que tomaram uma volta.
Dilma tem uma história de lutas, forjada na ponta da faca nas masmorras sórdidas da ditadura. Não acredito que vá se dar por satisfeita em ter sido vítima da política do fígado. Em tomar uma volta. Como diz o cancioneiro de sua Minas natal, “temos pólvora, chumbo e bala, o que nós queremos é guerrear”. Os próximos capítulos prometem e dão alguma esperança.
E se, em algum momento de sanidade nesse país onde cada vez o fígado se sobrepõe ao coração e alma na política, e até mesmo a cabeça, quem sabe voltamos a ter alguma dignidade...E aí então, queria ter alguma esperança de que alguém olhasse pro meu Maraca...Destruído pelo fígado dos vendilhões do templo, com o beneplácito dos subservientes prefeitinho e governador. Os mesmos que agora sentem a mão alheia passadas no traseiro.
Lúcio de Castro
No ESPN
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Aldo Rebelo por Aécio Neves

Aldo Rebelo por Aécio Neves 01.03.2008

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Lula agradece aos internautas pelos parabéns

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva completou 66 anos nesta quinta-feira (27). A data foi celebrada por ele em uma pequena cerimônia com funcionários do Instituto Lula, na sede da organização, em São Paulo.
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Obama prepara guerra com Irã

A administração Obama anunciou duas semanas atrás que um desastrado vendedor de carros usados iraniano-americano conspirou com um agente do governo americano que se fazia passar por representante de cartéis de drogas mexicanos para assassinar o embaixador saudita em Washington.
O anúncio suscitou reações altamente céticas de especialistas de todo o espectro político aqui.
Mas, mesmo que parte dessa história se revele verdadeira, o tratamento dado a acusações desse tipo é inerentemente político. Por exemplo, a comissão sobre o 11 de Setembro do governo investigou as ligações entre os atacantes e a família reinante saudita, mas se negou a trazer a público os resultados.
A razão disso é óbvia: existe sujeira ali, e Washington não quer criar atritos com um aliado-chave. E não esqueça que se trata de cumplicidade com um ataque em solo americano que matou 3.000 pessoas.
Contrastando com isso, a administração Obama deu grande destaque à especulação um tanto quanto dúbia de que "os mais altos escalões do governo iraniano" teriam tido envolvimento com a alegada conspiração. O presidente Obama então anunciou que "todas as opções estão sobre a mesa", o que é um conhecido código indicativo de possível ação militar. Trata-se de um discurso extremista e perigoso.
O professor da Universidade de Michigan Juan Cole, respeitado estudioso do Oriente Médio, aventou a hipótese de Obama estar procurando um confronto militar para ajudá-lo a se reeleger, diante de uma economia estagnada e do alto índice de desemprego. É possível, com certeza. Lembre que George W. Bush usou o período que antecedeu e preparou a Guerra do Iraque para conquistar as duas Casas do Congresso na eleição de 2002.
Ele nem precisou partir para a guerra. O período de preparação dos espíritos para a guerra funcionou perfeitamente para ele alcançar sua meta principal: todos os problemas mais importantes para os eleitores - a recuperação sem empregos, a seguridade social, os escândalos corporativos - sumiram do noticiário durante a temporada eleitoral. Os assessores do presidente Obama com certeza entendem essas coisas.
É claro que essa especulação mais recente, dando a entender que pode levar a uma ação militar, pode ser apenas parte da preparação de longo prazo para a guerra contra o Irã. Uma vez que isso é feito, é difícil impedir a guerra de acontecer; e, uma vez lançadas essas guerras, elas são ainda mais difíceis de concluir, como demonstram dez anos de guerra inútil no Afeganistão.
É por isso que iniciativas internacionais para fazer recuar a marcha em direção à guerra, como a proposta de troca de combustível nuclear feita por Brasil e Turquia em 2010, são tão importantes.
Recentemente o governo iraniano se propôs a parar de enriquecer urânio se os EUA fornecerem urânio para seu reator de pesquisas médicas, de que precisa para tratar pacientes com câncer. Esse urânio não poderia ser usado para armas.
O Brasil é um dos poucos países que têm a estatura internacional e o respeito necessários para ajudar a desativar esse confronto. Só podemos esperar que ele faça mais tentativas de poupar o mundo de mais uma guerra horrível.
Mark Weisbrot, economista codiretor do Center for Economic and Policy Research, em Washington.
No Boca no Trombone
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Dilma precisa começar um novo ciclo político

A já esperada troca de Orlando Silva por Aldo Rebelo, ambos do PCdoB, no Ministério do Esporte pode ser o último capítulo de um ciclo político, o do presidencialismo de coalização, inaugurado após a redemocratização do país pelo governo acidental de José Sarney, em 1985, e que está com o prazo de validade vencido.
A sociedade brasileira clama por uma nova forma de fazer política e montar governos, que não seja baseada apenas em verbas e cargos, com o loteamento da Esplanada dos Ministérios em cotas partidárias no sistema de "porteira fechada".
Com certeza, nem Dilma Rousseff aguenta mais este troca-troca de seis por meia dúzia. Em menos de dez meses de governo, a presidente já se viu obrigada a dar a conta a seis ministros de diferentes partidos, sem conseguir montar uma equipe minimamente coesa e competente para administrar o país.
Tudo bem que Dilma se elegeu a bordo de uma monumental coligação partidária e governa praticamente sem oposição, mas nem assim ela consegue ter uma semana de paz para se dedicar às grandes questões nacionais.
A maior parte do tempo da presidente neste seu primeiro ano foi dedicada à administração de crises provocadas por denúncias de corrupção em diferentes ministérios - ou melhor, de "malfeitos', como ela prefere.
O fato é que a pauta política foi dominada pelo cai-cai e a substituição de ministros, o que não resolveu nenhum dos problemas anteriores e criou outros. Nos últimos cinco meses, isto aconteceu uma vez a cada 50 dias.
Ninguém consegue governar o país desse jeito. Como nenhum partido reúne condições de governar o Brasil sozinho, é evidente que qualquer governo precisa montar alianças para se eleger e ter maioria no Congresso.
O problema é que não dá mais para utilizar os mesmos métodos do toma-lá-dá-cá que está na raiz de todos os escândalos passados, presentes -  e, se nada for feito, futuros.
Cabe a Dilma Rousseff, agora, com a força do apoio popular que as pesquisas demonstram, dar um basta a essa situação, enterrar esse ciclo.
Para isso, precisa estabelecer novos critérios na construção de uma nova maioria - de preferência, com gente decente - e estabelecer os requisitos mínimos de competência, probidade e compromissos com o país, tanto de partidos como dos nomes indicados para os ministérios.
Se o fizer logo, passa para a história. Se adiar por muito tempo, por mais concessões que faça, não terá assegurada a tão falada governabilidade - ao contrário, poderá ver esvaziado o seu poder e inviabilizar a reeleição.
Em vez de ficar a reboque dos fatos e remontar seu governo no varejo partidário cada vez que um ministro inviabiliza sua própria permanência, a presidente Dilma poderia aproveitar a anunciada reforma ministerial prevista para janeiro e, desta vez, agir no atacado.
Por que os mesmos partidos têm que ficar para sempre com os mesmos ministérios, perenizando as mesmas práticas, apenas trocando Orlando por Aldo ou Pedro por Gastão? Onde está escrito isso?
Gostaria de ver a presidente Dilma fazer a primeira reunião ministerial de 2012, após a reforma, com caras e propostas novas capazes de dar novas esperanças aos brasileiros que votaram e confiam nela para devolver dignidade e honradez à atividade política.
Fazer um governo de continuidade como este para o qual ela foi eleita em 2010, graças ao apoio decisivo do então presidente Lula e dos seus 80% de aprovação popular, não significa que nada possa ser mudado.
Ao contrário, para preservar as conquistas sociais e econômicas da última década, é preciso criar novas bases para a relação entre o governo, os partidos e a sociedade, aprimorar os controles na administração e avançar na direção de um enfrentamento permanente aos maus hábitos de privatização pessoal e partidária dos recursos públicos.
É enorme, eu sei, o desafio colocado para a presidente que nunca sonhou em ser presidente, mas os últimos dias, semanas e meses demonstraram à exaustão que não é possível eternizar esse sistema político viciado, emendando uma crise na outra.
Não há escolha: é mudar ou mudar e dar início a um novo ciclo político. Quem pode dar o sinal e o exemplo é a presidente da República, Dilma Rousseff.
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Guarda Municipal de Piracicaba prende elemento de alta periculosidade

SP: Professora aciona Guarda Municipal e menino de 3 anos vai parar na delegacia
SÃO PAULO - A Guarda Municipal (GM) de Piracicaba, a 168 km de São Paulo, foi chamada na manhã desta quarta-feira até a creche Branca de Azevedo, na Rua do Rosário, no Centro da cidade, para conter um menino de 3 anos de idade durante uma briga com a professora. De acordo com a GM, a educadora reclamou que a criança havia lhe dado um chute, além de ter dado um soco em um vidro da sala. O caso foi parar na delegacia.
A avó da criança, Rute Camargo, reclamou da maneira como o caso foi tratado.
- Me ligaram e eu fui até a creche. Meu neto é hiperativo, ele realmente dá mais trabalho. Mas eu cheguei aqui e ele, uma criança de 3 anos, estava sendo tratado como se fosse um bandido, com três guardas municipais em volta da cadeira em que ele estava sentado. Isso é um absurdo - contou.
- Precisava ter chamado a GM e ter feito tudo isso? É uma criança - questionou.
Rute disse, ainda, que o garoto está na creche desde março de 2010. Questionada se outros fatos semelhantes envolvendo o neto já aconteceram no local, ela explicou que a troca de uma professora trouxe os problemas.
- Nunca tinha tido problema antes. Trocou uma professora daqui e começou com isso. Quase toda semana alguém liga da creche agora reclamando dele. Estão perseguindo meu neto - disse.
- Nós fomos para a delegacia registrar o boletim de ocorrência do caso, pois não é a primeira vez que isso acontece, segundo os relatos - disse o comandante do pelotão escolar da GM, Narzi.
Foram também para a delegacia a professora envolvida, a diretora e a assistente social da creche, a avó e a mãe da criança, além do próprio garoto.
O boletim de ocorrência foi registrado na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) como ocorrência não-criminal. Segundo o delegado que atendeu o fato, Haroldo Fernando Amaral, uma cópia do registro será encaminhada para o Conselho Tutelar e para a Vara da Infância e Juventude para que os órgãos ajudem e orientem a mãe da criança.
A diretora da creche e a professora não quiseram falar.
- Estou orientada a não dizer nada. Não posso te falar nem o nome da diretora - disse uma funcionária que atendeu a ligação.
A assessoria de imprensa da Prefeitura de Piracicaba informou que a creche é particular e não faz parte do quadro de instituições mantidas pela cidade.
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Serra faz tucanos perderem direito de veicular programa nacional


O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) condenou hoje o PSDB à perda do direito de veicular o próximo programa nacional da legenda e também 12,3 minutos de inserções ao longo da programação televisiva. As propagandas deveriam ser transmitidas entre o final deste ano e o início do próximo. O programa nacional seria veiculado na primeira metade de 2012.
O TSE decidiu punir o partido ao concluir que a propaganda veiculada pela sigla no primeiro semestre de 2010 foi usada com o objetivo de promover a candidatura de José Serra, que disputou no ano passado a Presidência da República. O espaço é reservado aos partidos para divulgação da atividade das legendas e não para propaganda de candidatos. O tribunal também decidiu multar o PSDB em R$ 50 mil e José Serra em R$ 20 mil.
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A Charge da Charge

Quebraram o pulso do Estado de Direito
Charge sobre a charge de Chico Caruso publicada em 27/10/2011
É preciso manter o "bom humor" e não perder a piada, afinal, seria cômico se não fosse trágico, alguém ser condenado sem comprovação de culpa e antes mesmo dos ritos normais.
PS. Se eu aparecer com o pulso quebrado, chamem um ortopedista. Agora, se eu for processado pelo PIG, não façam nada, eu serei condenado e não vai adiantar nada saírem em minha defesa. Se eles fazem isso com um Ministro de Estado, o que não podem fazer com um ninguém igual a mim.
No 007BONDeblog
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O "Filho de África" reclama as jóias da coroa de todo um continente

A 14 de Outubro, o presidente Barack Obama anunciou o envio de forças especiais americanas para a guerra civil do Uganda. Nos próximos meses, tropas de combate americanas serão enviadas para o Sudão do Sul, Congo e República Centro-Africana. Obama assegurava também, satiricamente, que estas apenas "actuarão" em "auto-defesa". Com a Líbia securizada, está então em marcha uma invasão americana do continente africano.
A decisão de Obama é descrita pela imprensa como "bastante invulgar", "surpreendente" e até como "esquisita". Nada está mais longe da verdade. É a lógica própria à política externa americana desde 1945. Recordemos o caso do Vietname. A prioridade era então fazer frente à influência da China, um rival imperial, e "proteger" a Indonésia, considerada pelo presidente Nixon a "maior reserva de recursos naturais da região" e como "o maior prémio". O Vietname estava simplesmente no caminho dos EUA; a chacina de mais de 3 milhões de vietnamitas e a destruição e envenenamento daquela terra era o preço a pagar para alcançar este objectivo. Como em todas as invasões americanas posteriores, um rastro de sangue desde a América Latina até ao Afeganistão e ao Iraque, a argumentação era sempre a da "auto-defesa" e do "humanitarismo", palavras há muito esvaziadas do seu significado original.
Em África, diz-nos Obama, a "missão humanitária" é ajudar o governo do Uganda a derrotar o Exército de Resistência do Senhor (LRA), que "assassinou, violou e raptou dezenas de milhares de homens, mulheres e crianças na África Central". Esta é uma descrição exacta do LRA, que evoca múltiplas atrocidades administradas pelos próprios Estados Unidos, como é disso exemplo o banho de sangue que se seguiu, nos anos 60, ao assassinato perpetrado pela CIA do líder congolês Patrice Lumumba, democraticamente eleito, ou ainda a operação da CIA que instalou no poder aquele que é considerado o mais venal tirano africano, Mobutu Sese Seko.
Recursos da África em hidrocarbonetos
Outra justificação de Obama também parece ridícula. Esta é a "segurança nacional dos Estados Unidos". O LRA esteve a fazer o seu trabalho sujo durante 24 anos, com interesse mínimo dos Estados Unidos. Hoje ele tem pouco mais de 400 combatentes e nunca esteve tão fraco. Contudo, "segurança nacional" estado-unidense habitualmente significa comprar um regime corrupto e criminoso que tem algo que Washington deseja. O "presidente vitalício" de Uganda, Yoweri Museveni, já recebe a parte maior dos US$45 milhões de "ajuda" militar dos EUA – incluindo os drones favoritos de Obama. Este é o seu suborno para combater uma guerra por procuração contra o mais recente e fantasmático inimigo islâmico da América, o andrajoso grupo al Shabaab na Somália. O RTA desempenhará um papel de relações públicas, distraindo jornalistas ocidentais com as suas perenes histórias de horror.
No entanto, a principal razão para a invasão americana do continente africano não é diferente daquela que levou à guerra do Vietname: É a China. Num mundo de paranóia servil e institucionalizada, que justifica aquilo que o general Petraeus, o antigo comandante norte-americano e hoje director da CIA, chama um estado de guerra perpétua, a China está a substituir a Al-Qaeda como a "ameaça" oficial americana. Quando entrevistei Bryan Whitman, secretário de estado adjunto da Defesa, no Pentágono no ano passado, pedi-lhe para descrever os perigos actuais para os EUA no mundo. Debatendo-se visivelmente repetia: "Ameaças assimétricas … ameaças assimétricas". Estas "ameaças assimétricas" justificam o patrocínio estatal à lavagem de dinheiro por parte da indústria militar, bem como o maior orçamento militar e de guerra da História. Com Osama Bin Laden fora de jogo, é a vez da China.
A África faz parte da história do êxito chinês
Onde os americanos levam drones e destabilização, os chineses levam ruas, pontes e barragens. O principal interesse são os recursos naturais, sobretudo os fósseis. A Líbia, a maior reserva de petróleo africana, representava durante o governo Kadafi uma das mais importantes fontes petrolíferas da China. Quando a guerra civil começou e a NATO apoiou os "rebeldes" fabricando uma história sobre supostos planos da Kadafi para um "genocídio" em Bengazi, a China evacuou 30 mil trabalhadores da Líbia. A resolução do Conselho de Segurança da ONU que permitiu a "intervenção humanitária" por parte dos países ocidentais, foi sucintamente explicada numa proposta dos "rebeldes" do Conselho Nacional de Transição ao governo francês, divulgada no mês passado pelo jornal Libération, na qual 35% da produção de petróleo Líbia eram oferecidos ao estado francês "em troca" (termo utilizado no texto em questão) do seu apoio "total e permanente" ao CNT. O embaixador americano na Tripoli "libertada" Gene Cretz, confessou: "Sabemos bem que o petróleo é a jóia da coroa dos recursos naturais líbios"
A conquista de facto da Líbia por parte dos Estados Unidos e dos seus aliados imperiais é o símbolo da versão moderna da "corrida à África" do século XIX.
Tal como na "vitória" no Iraque, os jornalistas desempenharam um papel fundamental na divisão dos líbios entre vítimas válidas e inválidas. Uma primeira página recente do Guardian mostrava um líbio "pró-Kadafi" aterrorizado e os seus captores de olhos brilhantes que, como intitulado, "festejavam". De acordo com o general Petraeus, existe hoje uma guerra da "percepção... conduzida continuamente pelos meios de informação"
Durante mais uma década, os Estados Unidos procuraram estabelecer um comando militar no continente africano, o AFRICOM, mas este foi rejeitado pelos governos da região, receosos das tensões que daí poderiam advir. A Líbia, e agora o Uganda, o Sudão do Sul e o Congo, representam a oportunidade dos Estados Unidos. Como revelou a Wikileaks e o departamento americano de estratégia contra-terrorista (National Strategy for Counterterrorism – White House), os planos americanos para o continente africano são parte de um projecto global, no quadro do qual 60 mil elementos das forças especiais, incluindo esquadrões da morte, operam já em mais de 75 países, número que aumentará em breve para 120. Como já dizia Dick Cheney no seu plano de "estratégia de defesa": Os Estados Unidos desejam simplesmente dominar o mundo.
Que esta seja a dádiva de Barack Obama, o "filho de África", ao seu continente é incrivelmente irónico. Não é? Como explicava Frantz Fanon no seu livro "Pele negra, máscaras brancas", o que importa não é a cor da tua pele, mas os interesses que serves e os milhões de pessoas que acabas por trair.
John Pilger
No Resistir.info
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Alô, senhores! A banda larga do Brasil é um lixo

Os chefões da internet no Brasil, Antonio Carlos Valente (Telefonica), Carlos Jereissati (Oi), Luca Luciani (TIM) e Carlos Slim (Claro), oferecem uma banda larga de péssima qualidade aos usuários brasileiros; movimento #QualidadeJa chegou aos Trending Topics do Twitter
A qualidade da banda larga no Brasil é péssima. Para se ter ideia, uma pesquisa publicada em setembro deste ano mostrou que num ranking de 224 países, o Brasil ocupa o 163° lugar no que diz respeito a velocidade da internet. Com um “ritmo” de 105 Kbps, o País está atrás de nações extremamente pobres como Nigéria, Haiti, Etiópia e Paquistão. Outra pesquisa publicada neste mês diz ainda o que todos os internautas brasileiros já sabem: a internet do País não está preparada para suportar as exigências atuais dos usuários.
Revoltados, os consumidores lideraram nesta quarta-feira um movimento virtual impulsionado pelo Instituto de Defesa do Consumidor pela defesa da banda larga no Brasil. Chamada de “tuitaço”, a campanha citou no Twitter a hashtag #QualidadeJa, além de direcionar o perfil da Agência Nacional de Telecomunicações (@brasil_ANATEL) na rede social. Engrossando o coro, as 90 entidades participantes da campanha "Banda Larga é um direito seu!", também do Idec, também participaram. Além do Twitter, os usuários enviaram uma mensagem para a Anatel por meio do site da campanha. Nos últimos 15 dias, foram enviadas aos conselheiros da Agência cerca de sete mil mensagens, segundo o Idec.
Nesta quinta-feira, 27, haverá votação de critérios de atendimento, capacidade de rede e variações máximas de velocidade no serviço de acesso à internet pelo Conselho Diretor da Anatel. Como existe uma pressão das empresas prestadoras do serviço de banda larga, o Idec resolveu tomar a frente da ação popular para que os interesses dos consumidores também sejam levados em consideração.
Qualidade insatisfatória
Uma pesquisa feita pelo Inmetro em junho releva que muitos quesitos das bandas largas brasileiras estão em nível insatisfatório. A principal crítica é em relação à disponibilidade do serviço. Segundo o estudo, a margem tolerável de sete horas para que a rede fique fora do ar foi ultrapassada. A legislação defende que a prestadora desconte no pagamento valor proporcional ao tempo em que estava indisponível.
Foi notada também constante perda de dados durante a conexão, problema que causa lentidão, interrupção de fluxo de dados, imagens congeladas e ruídos durante a comunicação. Já a empresa americana Pando Networks divulgou dados que colocavam a velocidade da internet no Brasil como uma das piores do mundo. A taxa de 105 Kbps é inferior a países como Etiópia (112 Kbps) e Haiti (128 Kbps).
Mesmo com a má qualidade, um estudo da UNCTAD (Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento), entidade da ONU, mostrou que a internet no País continua sendo a mais cara do mundo. Enquanto por aqui cada Mbps da banda custa cerca de U$60,00, a mesma velocidade na Turquia, por exemplo, custa a metade do preço, e um vietnamita precisa desembolsar apenas U$ 6,00.
No Brasil 247
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Dilma comemora aniversário com Lula em São Bernardo

 Gripe faz Dilma cancelar viagem 

SÃO PAULO - A presidente Dilma Rousseff embarca nesta quinta à noite para São Paulo para comemorar o aniversário de 66 anos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula deverá receber Dilma em sua casa, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista.
A assessoria da Presidência confirmou que a viagem está agendada, mas não forneceu detalhes. A viagem da presidente é exclusivamente para visitar Lula, já que Dilma não tem agenda pública em São Paulo nesta tarde nem na sexta-feira.
Segundo a assessoria do ex-presidente, Lula deve receber apenas alguns amigos em sua casa, mas sem festa.
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Aprenda com Waack como tornar-se informante de governo estrangeiro

O caso da recente divulgação pelo site de documentos sigilosos Wikileaks de que o jornalista Wiliam Waack atuava como uma espécie de consultor informal do Departamento de Estado norte-americano coloca de imediato a seguinte indagação: como um jornalista chega ao ponto de colocar-se em contato com autoridades internacionais ou círculos de poder que estariam muito aquém da possibilidade de um profissional comum?
A princípio, para os mais desavisados, o acesso a grupos socialmente influentes por parte de jornalistas poderia ser interpretado como refletindo a competência profissional ou talento de quem o alcança. Algo como o caso do ex-presidente do Bradesco, Amador Aguiar, que havendo ingressado num banco como office boy chegou à presidência da Instituição.
Mas o profissional de imprensa não mexe com dinheiro nem com saberes de algum modo especializado que lhe permita diferenciar-se dos seus pares a ponto de chegar ao pináculo do mercado de trabalho em que atua apenas por mérito próprio.
Lidam com informação, algo que nem eu nem você fazemos leitor, no esforço cotidiano de ganharmos o pão. Porque ocupamo-nos com atividades produtivas, não nos é dado chegar antes que qualquer outro mortal à gênese de acontecimentos que influenciarão o destino de milhares senão milhões de pessoas.
Mas o jornalista tem essa oportunidade. E a cria à partir do contato, num primeiro momento, e a associação, logo em seguida, com um outro tipo de agente que tanto quanto ele tem na informação o recurso fundamental para a ascensão social e o enriquecimento rápido. Esse agente é o político, parceiro e verdadeiro sócio de negócios informais no tráfico da informação.
Eis o primeiro fator que faz um jornalista ascender dentro da emissora em que atua: o bom trânsito com políticos. E todos que chegam à posição que Waack chegou, começaram suas prestigiosas carreiras atuando como assessores de imprensa de algum político ou figurão do meio, para depois projetarem-se escada acima nas posições de maior visibilidade da empresa responsável pela telinha.
Lembre-se à propósito que Waack ele mesmo foi assessor de figuras influenciais do PSDB antes que chegasse, na voragem do governo FHC, à bancada de comentaristas da Rede Globo.
O segundo passo para se dar bem, uma vez articulado com políticos, é vender os frutos dos bons contatos que se tem no mundo da política dentro da emissora. Não apenas para alimentar o noticiário, como poderia pensar algum ingênuo, mas para conduzir dentro dela a ação de lobbies econômicos que cedo permita traduzir em polpudas contas publicitárias as amizades seladas em gabinetes e corredores do legislativo.
Imagine então que você leitor tenha contato com dado figurão da cena política e encontre-se na chamada zona do agrião (beirada do perímetro donde jogadores fazem cestas) de uma emissora de televisão.Naturalmente lá colocado talvez pelas mãos pouco desinteressadas desse mesmo político, pelas quais também passaram muitos temas de interesse do grupo de comunicação que o contratou.
Não devemos nos esquecer de que o objeto de exploração comercial desse tipo de negócio, a comunicação, é uma concessão pública e, portanto, altamente dependente de regulações controladas por políticos.
Pois bem, como o mesmo político negocia de modo contumaz com grandes empresas que estão sempre interessadas em descobrir formas de interferir em decisões de governo que as favoreça ou que no mínimo não as prejudique, fica fácil para ele político encaminhar os dirigentes dessas empresas para o departamento comercial da emissora, com o propósito de acertar uma boa campanha publicitária.
O diretor comercial da emissora, por sua vez, grato pelo faturamento, haverá de recomendar você ao diretor de jornalismo que se esforçará por gratificá-lo por cada anunciante carreado à área comercial. Sim, uma espiral ascensional de felicidade com a qual, por infelicidade, você apenas poderá sonhar.
Nesse toma lá dá cá, chegamos ao último elo da cadeia de tráfico de influência de que se alimenta o inicialmente humilde jornalista, agora já bem sucedido apresentador, até que veja sua influência na emissora de TV crescer na exata proporção da remuneração e dos espaços que consegue abrir à fortiori (e por causa disso) em instituições governamentais nacionais e internacionais.
Afinal, não se deve deixar escapar que quando no estágio mais avançado da carreira é ele apresentador que decide quem irá participar dos programas televisivos, quais temas serão enfocados e como serão abordados.
É desse modo que não há como deixar de concluir que se valem de práticas excusas aqueles que gritam contra a corrupção todos os dias nas bancadas de telejornais noturnos. Vendem por preço módico aquilo que informam a você ao mesmo tempo em que intermedeiam os interesses do político em busca de ganho fácil, do empresário sequioso por lucro e da direção da emissora pronta a faturar com novos anúncios.
Somos nós os bobalhões desse noticiário de mau gosto. Ou acha que os Waack, Sardemberg, Leitão, Merval e “tutti quanti “vivem de salários como vivemos eu e você?
No Brasil que Vai
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Deputado Aldo Rebelo vai assumir o Ministério do Esporte

O deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP) será o novo ministro do Esporte. O anúncio foi feito hoje (27) pela ministra-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Helena Chagas.
O convite foi feito pela presidenta Dilma Rousseff em reunião esta manhã no Palácio da Alvorada. Convite aceito, o novo ministro deu uma rápida declaração à imprensa.
“Fui convidado pela presidenta Dilma para comandar o Ministério do Esporte, agradeci a confiança e eu aceitei como um desafio. A presidenta me recomendou conduzir o Ministério com todos os desafios da Copa do Mundo e das Olimpíadas”, disse Aldo Rebelo.
A nomeação do novo ministro do Esporte será publicada amanhã (28) no Diário Oficial da União.
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A Líbia que eu conheci

Nelson Mandela assim que foi libertado foi agradecer a Kadafi 
o seu apoio ao povo sul-africano contra o regime do aparheid.
Estive na Líbia em setembro de 1979, por ocasião do décimo aniversario da Revolução que levou Kadafi ao poder.
Me acompanharam na ocasião o cinegrafista Luis Manse e o operador de Nagra Nelson Belo, Belo (por onde andarão?).
Estávamos ali pelo Globo Repórter, do qual eu era o diretor em São Paulo.
Primeira surpresa. O hotel, para onde o governo nos enviou, estava totalmente ocupado por diplomatas.
Perguntei ao embaixador do Brasil a razão dessa concentração.
A resposta me surpreendeu ainda mais.
Na Líbia de Kadafi, os aluguéis estavam proibidos.
Os líbios que não tivessem casa, era só solicitar que o governo imediatamente providenciava a construção de uma.
O pais era um imenso canteiro de obras.
E mais: Uma lei em vigor, a Lei do Colchão, determinava que, qualquer cidadão líbio que soubesse da existência de casa alugada, era só atirar um colchão no quintal que a casa passava a ser sua.
Inúmeras embaixadas sofreram com essa lei já que foram ocupadas por líbios.
O próprio embaixador me contou na ocasião que a embaixada brasileira não ficou imune a essa lei.
Um motorista líbio que ali trabalhava informou a um amigo que ainda não tinha casa, que a embaixada do Brasil era alugada.
Imediatamente esse amigo atirou um colchão e reivindicou a propriedade( uma mansão que pertencia a um italiano que retornou à Itália apos a subida ao poder de Kadafi).
O governo líbio precisou intervir para evitar maiores dissabores.
O Brasil acabou ganhando a embaixada e o líbio uma casa nova.
Isto tudo aconteceu na década de 70, quando a Líbia era uma potência riquíssima, com apenas 3 milhões de habitantes, em quase 1.800.000 quilômetros quadrados.
Os líbios, por lei, eram proibidos de trabalhar como empregados de estrangeiros.
O líbio que não quisesse trabalhar recebia o equivalente, valores de hoje, a cerca de 7 mil dólares por mês.
E mais: médico, hospital e remédios era tudo de graça.
Ninguém pagava escola e o líbio que quisesse aperfeiçoar seus estudos fora do país ganhava uma substancial bolsa.
Conheci muitos desses líbios na França, Itália, Espanha e Alemanha, e outros países onde estive como jornalista.
A bela Tripoli antes da invasão dos Estados Unidos e da OTAN
Estamos em Tripoli, ano 1979.
Esta noite quase não consegui pegar no sono.
No hotel onde estava hospedado, alem dos diplomatas e alguns jornalistas, estavam também delegações de países africanos de língua portuguesa.
Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, etc.
E foram eles que não me deixaram pegar no sono já que, sabendo que eu teria um encontro com Kadafi no dia seguinte, queriam que eu lhe pedisse mais explicações sobre o socialismo Líbio.
Disseram que nunca haviam visto algo igual. Nem mesmo em livros.
Ficaram admirados com a Lei do Colchão, com a assistência medica, remédios e educação tudo gratuito.
E pelo fato de ninguém ser obrigado a trabalhar na Líbia e mesmo assim receber uma remuneração “ fantástica” no dizer de um angolano.
Prometi que tentaria obter uma resposta, desde que, de fato, eu conseguisse falar com Kadafi, por saber que ele era imprevisível e não poucas vezes deixou jornalistas aguardando ad infinitum.
Antes, preciso esclarecer que as portas dos apartamentos dos hotéis não possuíam fechaduras.
Por isso todos podiam entrar no apartamento de todos razão pela qual nossos apartamentos eram sempre “visitados”.
Perguntei ao gerente do hotel a razão da falta de fechaduras.
Respondeu que na Líbia não havia ladrões como na “época da colonização italiana e por isso as fechaduras eram prescindíveis”.
Mas um diplomata me esclareceu que a falta de fechaduras era para que os “fiscais” do governo pudessem entrar a qualquer hora do dia ou da noite para ver se não havia mulheres “convidadas” nos apartamentos.
“Porque, prosseguiu o diplomata, os líbios até hoje falam que durante a colonização italiana e o reinado de Idris, os hotéis serviam apenas para orgias”.
No dia seguinte me preparo para o encontro com Kadafi.
Manse, com a sua câmera e Belo com seu gravador Nagra me aguardavam ao lado do elevador.
Com cara de sono, reclamaram que seus apartamentos foram “penetrados” umas três vezes de madrugada e foi um susto só.
O carro enviado pelo governo nos esperava na entrada, mas Manse queria tomar mais um cafezinho.
Entrei no carro e aguardei.
Cinco minutos depois Luis Manse, com sua inseparável câmera chegava sozinho.
Perguntei pelo Belo, ele disse que o imaginava comigo.
Perguntei ao nosso acompanhante se ele havia visto o nosso companheiro.
Imediatamente ele foi à portaria perguntar.
Um rapaz simpático respondeu que tinha visto Belo acompanhado por dois policiais uniformizados a caminho da praça que ficava a uns cinqüenta metros do hotel.
Fiquei preocupado, imaginando o pior.
Jornalista acompanhado por policiais no Brasil nunca era um bom augúrio.
Kadafi ao lado de seu eterno ídolo, o presidente Násser do Egito
Belo e os dois policiais estão parados ao lado de um reluzente carro Mercedes Benz novinho em folha.
Perguntei o que estava acontecendo.
Um dos policiais me disse que o meu companheiro não parava de apontar a chave do carro na ignição. E que eles não sabiam a razão, pois Belo não falava o árabe e nem eles o “brasileiro”.
Então era por isso que eles saíram juntos do hotel.
Nada preocupante.
Belo me explicou e eu traduzi para o policial que ele, ao ver a chave na ignição, ficou preocupado de alguém roubar o carro.
Os dois policiais começaram a rir e disseram tratar-se de um carro abandonado.
Era um costume no país.
Quem não gostasse do carro bastava abandoná-lo com a chave dentro. O interessado podia levá-lo.
Essa era a Líbia da época.
Muita fartura, nenhuma miséria e a abundância ao alcance de todos.
Alias isso podia se observar nas pessoas.
Os mais velhos, que viveram sob o domínio dos colonialistas e durante a monarquia, eram pessoas alquebradas, corpo seco.
As crianças e os jovens eram saudáveis e alegres.
Só para se ter uma idéia da Líbia sob Kadafi, tudo custava mais ou menos o equivalente a 3 dólares.
Havia supermercados gigantescos, mas nada era vendido a varejo.
Quem quisesse arroz, por exemplo, pagava 3 dólares pelo saco de 50 quilos.
Tudo era nessa base.
Fomos visitar o parque industrial de Trípoli e eu pedi para conhecer uma tecelagem.
Perguntei como era a relação com os clientes e um técnico alemão que ali se encontrava para montar o maquinário, começou a rir.
“Os líbios são loucos”, me disse. E completou: “eles não vendem nada aqui por metro, somente a peça inteira. E para qualquer um que entrar na fábrica e pedir”.
Perguntei o preço da peça: 3 dólares a peça de 50 metros...
Mas se você, por exemplo, quisesse comprar uma gravata, qualquer uma, o preço mínimo era o equivalente a 200 dólares.
Um cachimbo, 300 dólares.
Ou seja, todo produto que que lembrasse os colonizadores e, de acordo com eles, representasse ou sugerisse consumo supérfluo, era altamente taxado.
Bebida alcoólica, nem pensar. Dava prisão sumária.
E foi o que aconteceu com dois jornalistas argentinos, cuja “esperteza” os remeteu ao porto e ali compraram de um cargueiro, uma garrafa de uísque.
Um dos funcionários do hotel sentiu o bafo e os denunciou.
É verdade que eles não foram presos, porque eram convidados do governo.
Mas não puderam entrevistar ninguém, muito menos o Kadafi...
E nós só soubemos disso porque o embaixador do Brasil, uma figura simpaticíssima, uma noite nos convidou para a Embaixada e, ali, nos ofereceu um uísque de não sei quantos anos (guardado a sete chaves num cofre), que Manse e Belo acharam delicioso.
Claro que eu também bebi um gole, apesar de detestar uísque.
Seja de que marca for, de que ano for.
Sempre me lembrou o gosto de iodo.
Evidentemente não faria uma desfeita ao embaixador tão solícito.
Não estalei a língua porque aí seria demais.
Antes de nos despedirmos, o embaixador nos ofereceu um litro de leite para cada um, pois segundo ele o leite disfarçaria o nosso hálito.
Na porta, perguntei ao embaixador se ele poderia nos dar um depoimento.
“O Kadafi é um Gênio”, respondeu.
Surpreso, perguntei.
O senhor considera o Kadafi um Gênio?
Sim! Um Gênio!
Kadafi libertou as mulheres alistando-as nas Forças Armadas
Então o senhor considera Kadafi um Gênio?
Sim! Respondeu o embaixador. Um Gênio! E amanhã o senhor vai ter uma prova disso.
Não entendi.
Amanhã vai haver um desfile em comemoração ao décimo aniversario da Revolução. Assista e veja se não tenho razão.
O dia seguinte amanheceu glorioso. E eu já estava preocupado.
Se o país vai parar para comemorar o décimo aniversário da Revolução, será que Kadafi vai encontrar tempo para a entrevista?
A população lotava a praça e as ruas onde seriam realizados os desfiles.
Um fato me chamou a atenção.
Havia milhares de meninas adolescentes com uniformes militares prontas para o desfile.
Sorriam um sorriso que somente as adolescentes possuem.
Impressionante a sua alegria.
Foi assim que Kadafi libertou as mulheres, que antes não podiam atravessar a porta de casa e nem tirar as vestimentas que cobriam seu corpo de cima abaixo, me confidenciou o embaixador.
É ou não um gênio?
Essas adolescentes saem de casa bem cedinho usando o uniforme militar e retornam para suas casas no fim do dia. Elas só não dormem no quartel.
E têm autorização para não tirar o uniforme.
Depois do serviço militar elas jamais voltam a se vestir como anteriormente.
Então é por isso que as mulheres líbias se vestem como as ocidentais?
Mas vez ou outra deparamos com mulheres com roupas tradicionais.
Terminado o desfile, um membro do governo me diz que Kadafi nos receberia não mais em Trípoli, mas em Benghazi, a bela cidade mediterrânea.
E que nos buscariam de madrugada pra viajarmos os 600 quilômetros que separam as duas cidades.
Fico sabendo nesse dia que a energia elétrica que ilumina o país é de graça.
Ninguém recebe a conta de luz, seja em casa ou no comércio.
E quem tiver aptidão para empresário, pode buscar os recursos necessários no banco estatal e não paga nenhum centavo de juros.
A divisão da riqueza do país com sua população, em nome do islamismo, criou um sério problema para os demais países muçulmanos, principalmente Arábia Saudita.
E desde então, Kadafi nunca poupou os dirigentes sauditas que acusou de terem se apossado de um país que jamais lhes pertenceu e de serem “infiéis que conspurcavam o verdadeiro islamismo”.
“Trocaram o Profeta pelo petróleo”.
Pela primeira vez usava-se o Alcorão contra aqueles que se diziam seus defensores.
Os sauditas, acuados, só conseguiam dizer que ele era “comunista”.
Kadafi respondia que ele apenas seguia o Alcorão ao pé da letra.
Várias revoltas começaram a eclodir na Arábia Saudita e países do Golfo.
Estados Unidos e mídia associada começaram a arregaçar as mangas.
Era preciso defender a vassala Arábia Saudita e transformar Kadafi num pária.
Na volta ao hotel, dou de cara com revolucionários da África do Sul. Estavam na Líbia em busca de fundos para lutar contra o apartheid.
A bela Benghazi, antes da invasão dos EUA-OTAN
Vamos falar francamente.
Eu estava me esforçando para realizar um programa que dificilmente seria exibido.
Naquela época o Globo Repórter registrava uma audiência enorme, entre 50 e 65, com pico de 72.
Alem do mais, vivíamos sob o tacão da ditadura.
Mas já que estávamos lá, vamos tocar o barco e ver no que vai dar.
À noite, no hotel, alguém abre a porta e me pergunta se posso conversar um pouco.
Era o chefe da delegação de Guiné-Bissau e estava empolgado. Nunca imaginara conhecer um país como a Líbia.
Perguntou como foi o meu encontro com Kadafi.
Respondi que o encontro seria no dia seguinte em Benghazi.
Enquanto conversávamos, um “fiscal” do governo, entra no quarto e nos cumprimenta sorridente.
Dá uma olhada rápida e com aquele sorriso de comissária de bordo, nos agradece e vai embora.
Mal passaram 10 minutos e a porta novamente é aberta. Um jornalista do Rio de Janeiro, meu vizinho de quarto entra desesperado.
- Uma coca cola pelo amor de Deus. Meu reino por uma coca-cola. Vou descer até saguão, alguém precisa me informar onde consigo comprar coca cola nesse país de birutas.
E nem esperou o elevador. Desceu pela escada mesmo.
- Maluco esse seu vizinho, me confidenciou o guine-bissauense (é assim mesmo que se diz?). E além do mais ainda ofendeu Shakespeare.
Em seguida ele me revela que conheceu muitos revolucionários de países diferentes que se encontravam na Líbia em busca de recursos.
Inclusive sul africanos.
- Entregaram uma carta de Nelson Mandela para o Kadafi pedindo para ele não esquecer seus irmãos africanos, respondeu feliz dando a entender que eles foram atendidos.
Novamente o “fiscal” com sorriso de comissária de bordo entra. Desta vez para nos convidar a assistir no salão do hotel a um filme sobre os “horrores” da herança colonialista.
Na verdade não era um filme, mas um documentário de 15 minutos e se a ideia era para que a plateia se indignasse, o efeito foi o contrário.
O documentário mostrava a noite em Trípoli. Garotas seminuas andando nas ruas em busca de clientes, “inferninhos”, cabarés, bebidas alcoólicas, muitas bebidas, e por aí vai.
E o pior, terminada a exibição vários aplausos da plateia, principalmente de jornalistas, pedindo a volta dos colonizadores...
Isso sim é que era época boa, exclamou o jornalista carioca, agora ao lado de um colega mineiro que completou: “eta paizinho que nem coca-cola tem”.
Quatro da manhã somos acordados. Do aeroporto de Tripoli seguimos para Benghazi, onde finalmente vamos entrevistar Kadafi.
“Sobreviverei ao meu verdugo” - Omar Moukhtar o herói nacional da Líbia, 
preso e arrebentado pelos colonialistas italianos
Quando desembarcamos em Benghazi, a belíssima Benghazi, tamareiras enfeitavam suas praias.
Estavam ali como os coqueiros nas praias do nordeste.
Era colher e comer tâmaras dulcíssimas.
Um jornalista suíço que chegara a Benghazi uma semana antes, me confidenciou que não deveria perder um casamento. Qualquer um, disse.
Estava realmente deslumbrado com a festa e o que o deixou mais impressionado, é que os noivos, depois da cerimônia, recebem um envelope do governo com o equivalente a 50 mil dólares de presente.
Bem, essa era a Líbia que pouca gente conhecia e a mídia ocidental não fazia nenhuma questão de mostrá-la.
E não poderia, pois como explicar a seus leitores que havia ascendido ao poder um jovem coronel que não utilizou a riqueza em benefício próprio?
Pelo contrario.
Havia dividido a riqueza com a população do país.
Que não queria ver ninguém sem teto, sem fome, sem educação e sem muitas outras coisas mais.
Eu, naturalmente, iria sem dúvida nortear a minha entrevista a partir desses pontos.
Mas antes da entrevista, fomos a três festas com músicos árabes de diversos países.
E haja doce.
E haja suco.
E nem um “uisquinho”, lamentavam alguns jornalistas que, sinceramente, acho que estavam no país sem saber porque e para que.
As festas corriam em tendas beduínas, algo que Kadafi sempre prezou.
Finalmente cara a cara com Kadafi.
Em sua tenda.
Aparentava cansaço.
Alguns dos assuntos discutidos:
1 - Socialismo líbio;
2 - Educação;
3 - Reforma agrária;
4 - Moradia
5 - Alinhamento
6 - Arabismo
7 - Socialismo chinês, soviético, cubano;
8 - Apoio aos movimentos revolucionários;
9 - Che Guevara;
10 - Estados Unidos;
11 - Brasil;
12 - Liberação feminina
13 - Reencarnaçao de Omar Moukhtar.
A entrevista, que seria de 40 minutos, durou mais de duas horas e creio que passaríamos a noite conversando se ele não fosse a toda hora solicitado.
Naturalmente a Globo achou melhor não colocar o programa no ar, pois poderia melindrar a ditadura.
Foi feita uma proposta para que um programa de 15 minutos fosse ao ar no Fantástico.
Foi realizada a reedição, mas o programa teria sido proibido pelos censores oficiais da ditadura (civil-militar-midiatica.)
Tudo culpa da ditadura.
Será?
Óh céus! óh terrra! Quando nos livraremos desse sistema putrefato?
Qual foi o grande erro de Kadafi?
Eu não tenho a menor dúvida.
Foi acreditar nos euro-estadunidenses e desistir de sua bomba atômica.
Os pacifistas que me perdoem.
Aqui não se trata de incentivar a produção de ogivas nucleares, mas de persuasão.
O Brasil que tome jeito e comece a produzir a sua.
Caso contrário, a própria mídia brasileira, associada ao Império, fará de tudo para que o país seja invadido e ocupado.
Kadafi não ficou rico, como os produtores de petróleo do Golfo.
Dividiu a riqueza do país com a população.
Apoiou todos os movimentos revolucionários de esquerda do mundo.
Inclusive os brasileiros.
Em nenhum momento esqueceu a população negra da África.
E da África do Sul, onde, em agradecimento, um neto de Nelson Mandela chama-se Kadafi.
Quando Nelson Mandela tornou-se o primeiro presidente da África do Sul em 1994, o então presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton fez de tudo para que Mandela parasse com os agradecimentos quase diários a Kadafi pelo seu apoio à luta dos revolucionários africanos.
"Os que se irritam com nossa amizade com o presidente Kadafi podem pular na piscina", respondeu Mandela.
O presidente de Uganda Yoweri Museveni afirmou que "quaisquer que sejam as falhas de Kadafi, ele é um verdadeiro nacionalista. Prefiro nacionalistas do que marionetes de interesses estrangeiros".
E disse mais:
" Kadafi deu contribuições importantes para a Líbia, para a África e para o Terceiro Mundo. Devemos lembrar ainda que, como parte desta forma independente de pensar, ele expulsou bases militares britânicas e americanas da Líbia após tomar o poder".
Alem disso, o ex-líder líbio também teve papel importante na formação da União Africana (UA).
A principal coordenadora da guerra contra a Líbia, Hillary Clinton, andou pela África pregando abertamente o assassinato de Muamar Kadafi.
Como não teve sucesso, começou a recrutar mercenários.
Alias foram esses mercenários, inclusive os esquadrões da morte colombianos, que lutaram na Líbia. E eles não foram dizimados graças à Organização Terrorista do Atlântico Norte (OTAN) e EUA.
Quem puder pesquisar, quando Kadafi nacionalizou as empresas petrolíferas e os bancos, a mídia Ocidental referia-se a ele com Che Guevara Árabe.
Antes de ser deposto e linchado pelos mercenários a mando dos terroristas OTAN e EUA, a Líbia possuía o maior índice de desenvolvimento humano da África, e até hoje maior que o do Brasil.
E o que pouca gente sabe, em 2007 inaugurou o maior sistema de irrigação do mundo.
Transformou o deserto (95% da Líbia) em fazendas produtoras de alimentos.
Alias, assim que subiu ao poder os líbios que quiseram produzir alimentos receberam terra, equipamentos, sementes e 50 mil dólares para sobreviver até a safra.
Foi uma Reforma Agrária total e irrestrita.
Ele também pressionou pela criação dos Estados Unidos da África(EUA) para rivalizar com os eua e união européia.
Ele lutou por uma África una: “Queremos militares africanos para defender a África. Queremos uma moeda única. Queremos um só passaporte africano".
Lamentavelmente esqueceu a Bomba Atômica. E pagou por isso.
As nações que se emancipar que pensem nisso.
E abaixo você ouve os presidentes Hugo Chaves, Evo Morales, Rafael Correa e Fernando Lugo...cantando Hasta Siempre, em homenagem a Che Guevara. Eles também que se cuidem.
O video foi postado originalmente por Regina schmitz no Facebook.
Georges Bourdoukan
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