25 de out de 2011

Lei dos Médios ou barbárie!

Ontem, dia 24 – ao noticiar a vitória esmagadora de Cristina Kirschner – o JN repercutiu a direita argentina e seu PiG afirmando que, com a conquista da maioria no Senado e na Câmara, a presidente terá poderes de rainha. “Cresce o temor de que ela reduza mais ainda a liberdade de imprensa ou até cale a imprensa de vez”.
Quer dizer que, quando um governo dá certo, quando a economia vai bem, quando o “feel good” da maioria se manifesta nas urnas – significa que NÃO há liberdade de imprensa? Liberdade de imprensa é golpe de estado e governo militar? Liberdade de imprensa é inflação? Desemprego? Recessão? Liberdade de imprensa é o modelo neoliberal que levou EUA e Europa à bancarrota?
Os argentinos não esquecem fácil. Na mesma época em que o Brasil sofria nas mãos de FHC, os argentinos passavam fome. Aqui e lá, trabalhadores qualificados, de nível superior, faziam filas enormes para vagas de qualquer coisa. Lembro bem de um episódio ocorrido no Rio. A prefeitura havia aberto algo como 200 vagas para gari. Formou-se uma fila gigantesca, que dava voltas em quarteirões. As pessoas acamparam como se fossem a um show de rock… A situação era tão bizarra, que a Globo foi lá e entrevistou as pessoas da fila. Tinha de tudo. Comerciante, advogado, médico, engenheiro, professor… e – como dizia o professor Raimundo – o salário era “ó”…
Dá vontade de rir, vendo Bonner com aquele olhar de bom menino dando o recado subliminar da Globo: respeitar a constituição, que proíbe cartel, monopólio, propriedade cruzada etc, é CENSURA!
A Globo pode comprar o futebol e determinar ao torcedor o horário do jogo que lhe convier. Mesmo que isso signifique chegar em casa de madrugada em plena quarta feira. O PiG pode destruir a carreira de quem lhe der na telha. Quem não gostar que entre na justiça. Como foi o caso de Nelson Luiz Conegundes de Souza, que perdeu o emprego, foi achincalhado pelos colegas de trabalho e caiu em desgraça por causa de uma reporcagem mentirosa da Folha. Levou 13 anos – 13 ANOS!!! – para que se fizesse justiça e o jornal finalmente fosse obrigado a se retratar!
A situação do PiG argentino é curiosa. Especialmente a do grupo Clarín, a Globo deles. Não há um pingo censura, e sim, o total desprezo de Kirschner por eles. Não existe cordialidade ou relacionamento de aparências. É muito claro: a presidente não fala com o PiG. Não dá entrevista. É radical neste ponto. Sua campanha foi feita sem debates nos estúdios das emissoras de rádio ou TV. Sem jornais e revistas dando apoio. E venceu de forma arrasadora.
Na Argentina, é o PiG que rasteja atrás da presidente Kirschner para transmitir cerimonias oficiais, eventos diversos com a presença de ministros, governadores, prefeitos e diversas personalidades. São como paparazzi buscando uma imagem, um áudio, qualquer coisa que possa lhes render audiência e até algum sentido para sua existência.
Quando o governo precisa falar com a população, manda o vídeo de sua mensagem para ser exibido em rede com data e hora marcadas. Se um jornal ou revista publicar mentiras, calúnias etc, sem provas, é obrigado a se retratar no dia seguinte. Não há esquema de recurso, recurso do recurso, instância superior, supremo, desvios e lentidão burocrática. De resto, são livres para apresentar a programação ou publicar o que bem entenderem. O público que use o controle remoto e compre ou não suas publicações.
Com ampliação do número de veículos de mídia, sua diversidade e o crescimento da Internet, os velhos oligopólios midiáticos estão em franca decadência. Porque não sabem fazer o trabalho deles sem manipular e mentir – como nos “bons tempos” da ditadura militar do general Videla.
A regulamentação da mídia argentina – a chamada Ley de Médios – NÃO foi uma imposição. Foi um processo transparente – introduzido depois de ampla discussão com a sociedade e aprovado pelo senado e pelo povo argentino. É baseado em modelos americanos e europeus. Aliás todos os países desenvolvidos e verdadeiramente democráticos tem a sua Lei dos Médios. Só o Brasil ainda permite que 4 famílias controlem tudo o que você vê e lê há um século. Isso quer dizer que seus pais e seus avós também leram e viram as versões dos fatos que os Marinho, Civita, Mesquita e Frias quizeram. É óbvio que não pretendem abrir mão deste monopólio e vão estrebuchar, acusar, distorcer, chamar de censura – tudo enfim – que puder evitar ou adiar ao máximo um processo que visa democratizar os meios de comunicação.
Eu entendo os motivos do PiG. E ele entende os meus. Por isso nunca nos entenderemos sem a Lei dos Médios brasileira.
Leia Mais ►

Entre a imprensa e Lula, Dilma fica com Lula

Pressionada por todos os lados, a presidente Dilma Rousseff resolveu dar um tempo - exatamente para mostrar ao mundo que não decide sob pressão.
O problema é saber quanto tempo ela vai levar para fazer o que até as paredes do Palácio do Planalto, que não são surdas, já sabem faz tempo: tirar Orlando Silva do Ministério do Esporte.
De um lado, estavam toda a grande imprensa brasileira, a FIFA e a CBF, querendo a cabeça de Orlando Silva de qualquer jeito; de outro, o aliado PCdoB apoiado pelo ex-presidente Lula, que recomendou ao partido e ao ministro para irem à luta e não abrirem mão do Ministério do Esporte.
Não estou aqui revelando nenhum segredo de Estado, até porque não os tenho. Quem anunciou o apoio incondicional de Lula foi o próprio presidente do PCdoB, Renato Rabelo, em discurso durante ato público promovido na mesma noite de sexta-feira em que o ministro ganhou um "voto de confiança", uma sobrevida concedida por Dilma.
A presidente mal tinha acabado de chegar da sua viagem à África, sem tempo nem para desarrumar as malas, e todo mundo já estava anunciando a demissão de Orlando Silva, até o mané do secretário-geral da Fifa, Jérome Valcke, que se achou no direito de antecipar em Zurique a troca do ministro do Esporte brasileiro, antes mesmo de Dilma recebê-lo em audiência.
Resultado: Orlando Silva entrou no gabinete da presidente da República cheio de moral, disposto a se manter no cargo e anunciando que tinha todos os documentos para provar sua inocência, mas não foi por isso que ele ficou, nem mesmo por contar com o apoio do padrinho Lula.
Foi, simplesmente, porque Dilma não pode trocar ou manter ministros a pedido de terceiros. Exageraram na dose, e ela resolveu se dar um prazo para esperar os resultados da varredura que mandou fazer no Ministério do Esporte e reunir documentos dos orgãos de controle do próprio governo, do TCU, da CGU e da PGR.
Desta vez, não será a imprensa a anunciar como vitoriosa a queda do sexto ministro de Dilma em menos de dez meses de governo, nem será apenas pelas acusações do ex-aliado à revista "Veja".
Será Dilma, no momento em que ela achar mais conveniente. Mas não passa, na pior das hiopóteses, da reforma ministerial prevista para o começo do próximo ano.
Pouco importa se ele recebeu ou não dinheiro pessoalmente na garagem do ministério, o que me parece inverossível, e é evidente que não aparecerá nenhum recibo ou vídeo para provar a entrega da propina.
O fato é que Orlando Silva não tem a menor condição política nem moral de permanecer no cargo pelo conjunto da obra, pela enxurrada de casos comprovados de desvio de dinheiro público envolvendo ONGs de camaradas como o soldado João Dias, funcionários do Ministério do Esporte, dirigentes e militantes do PCdoB, um esquema de roubalheira que está em funcionamento faz muitos anos no país inteiro.
Por isso, o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, pediu ao Supremo Tribunal Federal a abertura de inquérito sobre os "malfeitos" tanto na administração de Orlando Silva, como na de seu antecessor, Agnelo Queiroz, que assumiu o ministério em 2003, na cota do PCdoB, e depois se bandeou para o PT e se elegeu governador de Brasília.
Mais do que ninguém, a presidente Dilma sabe que a situação do ministro do Esporte é insustentável e indefensável _ no mínimo, por omissão, por não saber o que se passa sob as suas barbas.
"Ele não resistiria a mais uma denúncia nova", teria dito a presidente a interlocutores durante a viagem de segunda-feira a Manaus. Entre eles estava o ex-presidente Lula, que viajou com Dilma de Brasília a Manaus no avião presidencial e de lá foi para o México.
Já escrevi aqui várias vezes e repito: pelo que conheço dos dois, não há a menor chance de que a definição do caso Orlando Silva, seja qual for, possa abalar a relação entre Lula e Dilma. Os dois sabem que jogar um contra o outro é o principal objetivo da imprensa hoje, e sabem também que um precisa do outro para defender a continuidade do projeto político que chegou ao poder em 2003.
Perdem seu tempo os coleguinhas que a todo momento procuram encontrar divergências entre eles e acusam Lula de interferir demasidamente no governo da sucessora. Ambos se respeitam e são, acima de tudo, amigos fraternos.
Toda vez que a oposição midiática ou partidária, o secretário-geral da FIFA e o presidente da CBF, e quem mais for, estiverem de um lado, e Lula, de outro, podem ter certeza de que Dilma ficará com Lula. E a aliança dos dois se fortalece.
Em tempo
Ministro sob suspeição
No começo da tarde desta terça-feira, a ministra do STF Carmem Lúcia Antunes Rocha, uma das figuras mais sérias que conheço no tribunal, abriu inquérito para investigar as suspeitas de envolvimento do ministro do Esporte, Orlando Silva, nos esquemas de corrupção da pasta, atendendo a pedido do procurador-geral da República, Roberto Gurgel.
Os seguidores do PCdoB que aportaram neste blog desde a semana passada para me criticar, deveriam acompanhar com mais cuidado o noticiário e não ficar brigando com os fatos.
No mínimo, o ministro Orlando Silva está agora, oficialmente, sob suspeição. Como poderá atuar em nome do Brasil nas negociações sobre a Copa do Mundo e as Olimpiadas marcadas para o nosso país?
Leia Mais ►

STJ admite casamento entre pessoas do mesmo sexo

Em decisão inédita, a Quarta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), por maioria, proveu recurso de duas mulheres que pediam para ser habilitadas ao casamento civil. Seguindo o voto do relator, ministro Luis Felipe Salomão, a Turma concluiu que a dignidade da pessoa humana, consagrada pela Constituição, não é aumentada nem diminuída em razão do uso da sexualidade, e que a orientação sexual não pode servir de pretexto para excluir famílias da proteção jurídica representada pelo casamento.
O julgamento estava interrompido devido ao pedido de vista do ministro Marco Buzzi. Na sessão desta terça-feira (25), o ministro acompanhou o voto do relator, que reconheceu a possibilidade de habilitação de pessoas do mesmo sexo para o casamento civil. Para o relator, o legislador poderia, se quisesse, ter utilizado expressão restritiva, de modo que o casamento entre pessoas do mesmo sexo ficasse definitivamente excluído da abrangência legal, o que não ocorreu.
“Por consequência, o mesmo raciocínio utilizado, tanto pelo STJ quanto pelo Supremo Tribunal Federal (STF), para conceder aos pares homoafetivos os direitos decorrentes da união estável, deve ser utilizado para lhes franquear a via do casamento civil, mesmo porque é a própria Constituição Federal que determina a facilitação da conversão da união estável em casamento”, concluiu Salomão.
Em seu voto-vista, o ministro Marco Buzzi destacou que a união homoafetiva é reconhecida como família. Se o fundamento de existência das normas de família consiste precisamente em gerar proteção jurídica ao núcleo familiar, e se o casamento é o principal instrumento para essa opção, seria despropositado concluir que esse elemento não pode alcançar os casais homoafetivos. Segundo ele, tolerância e preconceito não se mostram admissíveis no atual estágio do desenvolvimento humano.
Divergência
Os ministros Antonio Carlos Ferreira e Isabel Gallotti já haviam votado com o relator na sessão do dia 20, quando o julgamento começou. O ministro Raul Araújo, que também acompanhou o relator na sessão da semana passada, retificou seu voto. Segundo ele, o caso envolve interpretação da Constituição Federal e, portanto, seria de competência do STF. Para o ministro, o reconhecimento à união homoafetiva dos mesmos efeitos jurídicos da união estável entre homem e mulher, da forma como já decidido pelo STF, não alcança o instituto do casamento. Por isso, ele não conheceu do recurso e ficou vencido.
Raul Araújo defendeu – em apoio a proposta de Marco Buzzi – que o julgamento do recurso fosse transferido para a Segunda Seção do STJ, que reúne as duas Turmas responsáveis pelas matérias de direito privado, como forma de evitar a possibilidade de futuras decisões divergentes sobre o tema no Tribunal. Segundo o ministro, a questão tem forte impacto na vida íntima de grande número de pessoas e a preocupação com a “segurança jurídica” justificaria a cautela de afetar o caso para a Segunda Seção. A proposta, porém, foi rejeitada por três a dois.
O recurso foi interposto por duas cidadãs residentes no Rio Grande do Sul, que já vivem em união estável e tiveram o pedido de habilitação para o casamento negado em primeira e segunda instância. A decisão do tribunal gaúcho afirmou não haver possibilidade jurídica para o pedido, pois só o Poder Legislativo teria competência para insituir o casamento homoafetivo. No recurso especial dirigido ao STJ, elas sustentaram não existir impedimento no ordenamento jurídico para o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Afirmaram, também, que deveria ser aplicada ao caso a regra de direito privado segundo a qual é permitido o que não é expressamente proibido.
No STJ
Leia Mais ►

Charge online - Bessinha - # 873

Leia Mais ►

A luta indígena em Santa Catarina

Um júri popular definiu, na última terça-feira (18/10), que oito pessoas da etnia Kaikang são as culpadas pela morte do fazendeiro Olices Stefani, ocorrida em fevereiro de 2004, na cidade de Abelardo Luz, durante um conflito envolvendo agricultores e indígenas. 
A decisão é estranha porque, segundo o Conselho Indigenista Missionário - Cimi, não foram apresentadas provas quanto a quem realmente foi o autor do disparo que acabou matando o fazendeiro na madrugada daquele carnaval. Mesmo assim, quatro deles foram condenados a seis anos de prisão pelo assassinato e outros quatro, condenados a nove anos, acusados também de cárcere privado. Segundo Jakson Santana, do Cimi, de Chapecó, a condenação não se sustenta e é muito mais uma condenação ao movimento dos indígenas pela demarcação de suas terras do que da morte em si. “Qualquer pessoa poderia ter matado o fazendeiro. Era madrugada, no meio do nada. Não há provas de que foram os índios.”
A morte de um dos mais importantes fazendeiros da cidade de Abelardo Luz, que era também representante do Sindicato Rural, se deu num contexto de conflito, quando, em fevereiro de 2004 os Kaigang ocuparam uma fazenda na luta pela demarcação de suas terras ancestrais. Havia um processo correndo na Funai, mas tudo estava parado, como é comum quando se trata das terras indígenas. Desde 1998 esse grupo de Kaigang estava acampado em uma pequena extensão de três hectares, esperando que suas terras fossem definitivamente demarcadas para que pudessem viver em paz. Historicamente a etnia Kaigang ocupava um vasto território que vai desde a região do Rio Tietê, em São Paulo, até o Rio Grande do Sul. Com a expansão das fronteiras agrícolas, essa etnia foi sendo empurrada para outros espaços e muitos grupos foram completamente dizimados. A chegada dos colonos estrangeiros, que vinham para o Brasil acreditando nas belas propagandas que o governo fazia, de terra boa, fértil e vazia, acabaram sendo os principais algozes, pois, ao chegarem se deparavam com a fúria dos autóctones. E, visando garantir seus direitos – oferecidos pelo Estado – não se furtavam de matar e “limpar a área”. Não bastasse isso ainda havia os aventureiros, que adentravam o Brasil profundo grilando terra e arrasando a vida que por ali estivesse.
Na cidade de Abelardo Luz, oeste de Santa Catarina, os conflitos de terra são seculares. Mas, no que diz respeito aos Kaigang, foi na década de 50 que o próprio Serviço de Proteção ao Índio (SPI) deu a pá de cal na expulsão dos indígenas da área conhecida como Toldo do Imbu, hoje reivindicada pelos Kaigang. Segundo lembranças de um velho índio que era chefe do grupo na região, Otávio Belino, compiladas por Egon Heck, do Cimi: “naqueles dias eles chegaram, com jagunços armados, e foram colocando todas as nossas coisas num caminhão. Eles nos caçaram e tiraram todo mundo da terra, amarrado. Essa terra sempre foi nossa”.
Mas, como conta Belino, os índios foram tirados à força, com o apoio dos grandes proprietários da região, que hoje assumem uma posição de vítimas. Foi por conta dessa história que, nos anos 90, os Kaigang recrudesceram a luta por aquilo que era deles por direito. A Funai abriu processo para regularizar a área, não sem antes haver toda uma articulação promovida pelos poderosos da região para impedir, até porque as terras roubadas dos índios hoje estão na mãos – em maior volume – dos grandes fazendeiros. É certo que existem pequenos produtores também vivendo na área, mas esses não são os maiores entraves à demarcação. Ressarcidos, eles poderão seguir com suas vidas de pequenos agricultores, já que não são exploradores capitalistas. O que pega mesmo é a pequena parcela de grandes proprietários que transformaram as terras indígenas em empresas rurais.
O crime
A situação que acabou na morte do fazendeiro Olices Stefani é cercada de fatos confusos. Os 250 Kaigangs que lutavam pela demarcação de suas terras decidiram ocupar uma fazenda à margem de uma estrada, visando pressionar a Funai, uma vez que o processo estava engavetado e eles estavam morrendo à míngua num espaço minúsculo, no qual não podiam sequer plantar. A ocupação já durava três dias e havia levantado polvorosa na cidade. Os fazendeiros, liderados pelo Sindicato Rural, pressionavam o governo para que os indígenas fossem retirados, afinal, uma ocupação sempre acaba rendendo debates e isso não seria bom para os que se diziam “donos” da terra que era, na verdade, dos índios. Quatro dias depois da ocupação, em pleno carnaval, por volta da uma hora da manhã, os fazendeiros entraram na fazenda ocupada. O que se seguiu só os que lá estavam podem contar. No meio da madrugada, assustados, os Kaigang imaginaram que seriam massacrados, afinal, a jagunçagem é bem conhecida por aqueles que lutam pelos seus direitos. O fato é que houve um disparo e o fazendeiro acabou morto. Mas, ninguém sabe quem disparou. Os indígenas negam que tivessem armas. O fazendeiro, segundo relatos do Cimi, tinha muitos desafetos na região. “Quem pode garantir que não tenha sido um crime a calhar. E além de tudo, botando a culpa nos índios. Tudo é muito obscuro. E o que esses fazendeiros foram fazer na ocupação, de madrugada, em pleno carnaval?” Essas perguntas ficam sem resposta.
Um seminário promovido pelo Senado Federal, na Assembléia Legislativa de Santa Catarina, poucos dias depois do conflito, dá conta de como o governo e os fazendeiros estavam lidando com a questão indígena no local. Diz o representante do secretário da Agricultura de SC, Ari Neoman: “Estamos no centro do problema, já que de um lado estão os agricultores, que produzem não apenas para comer, mas também para exportar, aumentando a balança comercial do país. E de outro os índios, que necessitam de suas terras para viver”. Ou seja, quem teria mais poder aí? Os índios ou os que aumentam a balança comercial?
Também participou da reunião o representante do prefeito de Seara, procurador Paulo Vantuin, que disse ser um absurdo a Funai querer aumentar as terras indígenas de 900 para 5 mil hectares, pois isso prejudicaria 1.300 pessoas que ocupam a região. E argumenta: “Entendemos também a situação dos índios, mas as famílias que estão na região há mais de cem anos não podem sair tão prejudicadas.” Ora, os indígenas, que vivem ali há centenas de anos, podem?
O fazendeiro Ilson de Sousa foi mais longe e falou que há uma “indústria da criação de áreas indígenas no país”. Exigindo a prisão desses que, segundo ele, formam a tal indústria, ainda “acusou” os Kaignag de não trabalharem e também de possuírem carros, celulares e imóveis. “Se os índios têm tudo isso, para que querem mais terras?” Se isso fosse um argumento válido então caberia aqui também perguntar se ele mesmo, o fazendeiro, tem celular, carro e não trabalha (quem trabalha são os empregados), por que precisa também das terras? Isso mostra o tremendo desconhecimento da realidade cultural dos indígenas e mais, expressa o preconceito, o racismo e a intolerância. Nada mais natural num grande proprietário de terra.
O hoje
O fato é que o resultado daquela madrugada obscura foi a morte de um fazendeiro e, agora, a condenação de oito Kaigang. Os indígenas seguem afirmando que não mataram o fazendeiro. Não há provas contundentes de que foram eles, mesmo assim estão condenados. A defesa diz que vai apelar, pois só o argumento de que não há como saber quem atirou, inviabiliza uma condenação. Mesmo assim, o caso haverá de arrastar-se. Os indígenas Albari José Oliveira Santos, Valdecir Oliveira Santos, Mauri Santos Oliveira e Vanderlei dos Santos tiveram penas de nove anos, e Marciano Oliveira dos Santos, César Galvão, Vanderlei Felizardo e Claudir da Silva tiveram penas de seis anos.
A condenação tampouco “resolve” a questão dos conflitos de terra naquela região, porque esse não é um caso de polícia. A demarcação das terras Kaigang é direito de um povo que, como bem lembra o velho chefe Belino, foi retirado à força de seu lugar de vida, para que as terras pudessem ser vendidas pelo próprio estado. Hoje, as famílias de grandes e pequenos proprietários que reivindicam estar na terra há décadas, precisam compreender que ela lhes foi vendida de forma irregular e ilegalmente, à custa da violência e da morte. Já os que simplesmente grilaram a terra, esses não devem nem ser escutados.
O triste episódio daquele fevereiro de 2004 pelo menos fez com que a questão dos Kaigang saísse da gaveta. O processo que estava parado seguiu seu rumo. Já foi feito o levantamento fundiário e começam a ser pagas as benfeitorias que foram feitas na área. A coisa ainda está emperrada porque os fazendeiros ainda tentaram, em 2007, pedir a nulidade da portaria que estabelece a demarcação. Não conseguiram. Segundo o Cimi de Chapecó, vivendo na área que será dos Kaigang existem em torno de 70 famílias, duas ou três com mais de 60% das terras.
No grupo dos Kaigang vivem 250 almas, ainda acampadas numa estreita faixa de três hectares. Os acusados da morte do fazendeiro seguem em liberdade, uma vez que a condenação ainda não esgota o assunto. A luta dos povos indígenas pela recuperação de seus territórios e de viver a vida a seu modo ainda está bem longe de terminar. E, muito mais do que vencer nos tribunais, há que vencer o racismo, o preconceito e a completa ignorância que existe sobre o mundo dos reais donos dessa terra.
Fonte: CIMI
No Indígenas em Ação
Leia Mais ►

Reforma política tem que ser debate de gente grande

Eleger a política, entendida como o sistema representativo constituído pelo voto direto, secreto e livre, como o ente corrupto por excelência da nossa tenra democracia, é desservir a democracia. Todas as instituições estão em xeque quando a sociedade se propõe a fazer um debate mais amplo sobre as distorções do sistema.
Em 1971, durante o período mais sombrio da ditadura militar, o do governo Emílio Garrastazu Médici, foi promulgada a Lei Orgânica dos Partidos Políticos, a de número 5682. Condizente com a ideia "revolucionária" que levou ao golpe de 1964, de que a política democrática era intrinsicamente corrupta e os políticos, desonestos por princípio, foram definidas regras financeiras muito rígidas para os partidos. Teoricamente, foi instituído o financiamento público: as únicas duas legendas com direito a funcionamento legal, o MDB e a Arena, mantinham os partidos com um fundo composto por multas e penalidades aplicadas no decurso das eleições, recursos orçamentários e doações particulares (desde que destinadas a todo o fundo, e não a partido político). Nem o partido, nem o candidato, podiam receber recursos diretamente de empresas públicas ou privadas, ou de entidades de classe ou sindicais.
A distribuição era feita de uma forma que favorecia francamente o partido do governo, a Arena, enquanto a legenda não despencou ladeira abaixo, junto com o "milagre econômico" e a popularidade dos governos militares: 80% dos recursos eram distribuídos proporcionalmente ao número de cadeiras na Câmara dos Deputados e apenas 20% divididos igualmente entre os dois partidos.
A lei foi mantida após o fim do bipartidarismo, em 1979. E foram essas as regras que comandaram as primeiras eleições presidenciais diretas do período democrático, em 1989. Sem a possibilidade de financiamento privado legal, apeado num partido de ocasião, o PRN, e portanto sem grande participação no fundo público, e disposto a vencer com a ajuda das novíssimas técnicas de marketing político, o então governador de Alagoas, Fernando Collor de Mello, usou outros instrumentos. Dois anos depois, a CPI do PC Farias, o nome do tesoureiro de sua campanha e intermediário das conversas entre primeiro o candidato, depois o poder público, e os financiadores de campanha, chegaria à conclusão de que havia sido inaugurado, junto com o voto secreto e direto para presidente, o caixa dois de campanha.
A conclusão, após o processo de impeachment do presidente Collor, em 1992, era a de que a impossibilidade de financiamento privado de campanha acabou por estimular o financiamento eleitoral por debaixo dos panos.
Em 1995, a Lei 9096 alterou a anterior. Criou um fundo partidário, instituindo recursos orçamentários correspondentes a R$ 0,35 por eleitor inscrito (valor de 1995), também levando em conta os critérios de composição da bancada da Câmara Federal: 99% do fundo é, até hoje, distribuído de acordo com a bancada federal dos partidos; 1% é dividido igualmente entre todos os partidos. Além disso, a lei permitiu que os partidos e candidatos recebessem diretamente doações de pessoas físicas ou jurídicas, desde que os recursos fossem declarados à Justiça Eleitoral.
Dezesseis anos e vários escândalos depois, a discussão sobre o financiamento de campanha torna-se o centro do debate, novamente como a solução para todos os problemas do sistema político brasileiro. O financiamento público, de fato, democratiza as condições de disputa eleitoral, mas se for tomado separadamente, sem que se leve em conta as outras variáveis de nosso sistema político, corre o risco de ser responsabilizado, daqui a alguns anos, por outros desmandos políticos.
O fundo público de campanha é uma solução democrática para o problema, desde que o financiamento privado não seja visto exclusivamente como único problema da política brasileira, e os partidos políticos como os grandes responsáveis por todos os seus males. Segundo as crenças pré e pós-redemocratização, os partidos são, em princípio, os agentes da corrupção.
A ideia de que todo político, porque eleito, é corrupto, é uma demonização, uma quase caricatura. Para a média da opinião pública, o político é aquele que, em princípio, achaca empresários bem-intencionados, que são obrigados a comprar a boa vontade de governos futuros, contribuindo para as campanhas. Não existe a ideia de que corruptos e corruptores são parte do mesmo sistema político.
Se as empresas usam caixa dois para financiar campanhas, é por duas razões: primeiro, porque dispõem de caixa dois; segundo, para não ficarem expostas futuramente, quando tiverem interesses atendidos pelo governo, ou assumidos por um parlamentar. A primeira coisa a se considerar, num sistema político com financiamento público, é que as instituições devem coibir caixa dois das empresas, sob pena de manterem o caixa dois dos partidos (além, é lógico, de provocar evasão fiscal e de divisas). Os mesmos partidos que combatem com violência o financiamento público de campanha foram os mesmos que lutaram com a mesma virulência contra a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), um instrumento importante de controle do caixa das empresas, sob o argumento de que o país não aguentava pagar mais impostos. Se fosse mantida, a CPMF teria feito muito mais pelo sistema político, por dar instrumentos de controle de empresas e partidos, do que todas as medidas punitivas que foram tomadas ao longo de muitos escândalos, que acabam virando letra morta por conta das dificuldades de apuração dos delitos. Os instrumentos de controle do Estado sobre a renda das empresas - e portanto arrecadação de impostos - é fundamental nesse debate.
Outro tema que entra timidamente no debate da reforma política é a forma de distribuição desses recursos. Da forma como tradicionalmente é dividido o fundo partidário no país, as legendas maiores são as mais beneficiados pelos recursos. Um partido pequeno, com um nome competitivo mas com poucos deputados na bancada federal, terá certamente dificuldades de ter um candidato a presidente, por exemplo, se for instituído um fundo público exclusivo para campanha sem que se altere as regras de distribuição dos recursos - a não ser que lance mão de recursos de caixa dois. Da mesma forma, uma legenda em crescimento terá condições limitadas à sua participação no fundo para aumentar a sua bancada federal - e, assim, sua participação no fundo.
Atualmente, os partidos de direita têm condições privilegiadas de captação de dinheiro privado para as eleições, inclusive para as eleições parlamentares. Os partidos com maiores chances de vitória também. Caso seja instituído o financiamento público de campanha, sem que se altere as regras de distribuição de recursos, os partidos maiores sempre começarão a disputa eleitoral em condições privilegiadas.
Para que as chances de corromper e ser corrompido se reduzam, o sistema político jamais deve ser olhado como um ente que paira acima das demais instituições e dos demais setores da sociedade. Devem ser pensadas soluções que reduzam o poder corruptor das empresas e aumentem o poder de fiscalização da sociedade e das instituições públicas sobre o poder econômico privado e os eleitos, e também sobre as instituições que mediam esta relação, os partidos politicos. As instituições de controle e fiscalização devem ter agilidade. A Justiça deve julgar e condenar.
Eleger a política, entendida como o sistema representativo constituído pelo voto direto, secreto e livre, como o ente corrupto por excelência da nossa tenra democracia, é desservir a democracia. Na democracia, cada poder tem que assumir o seu papel: o Executivo, o Legislativo e o Judiciário. E todas as instituições estão em xeque quando a sociedade se propõe a fazer um debate mais amplo sobre as distorções do sistema. Não consta que as instituições de controle não sujeitas ao voto estejam em melhor situação do que as definidas pela escolha popular.
Maria Inês Nassif, colunista política, editora da Carta Maior em São Paulo.
Leia Mais ►

Prêmio 'Jabuti': Os critérios inaceitáveis do tracajá despombalizado (ou a difícil arte de agradar um jabuti caquético)

Depois de me esguelar por sete anos na produção dum calhamaço de 640 páginas de puro conteúdo histórico, me classifiquei para a final do mais tradicional prêmio literário brasileiro.
Mas aí, um tal de jurado “B” resolveuesculhambar meu trabalho e, de tantos zeros, Pedro e os Lobos acabou em 5º lugar.
Enquanto um dos três juízes me deu três dez, o outro me deu três zeros, e nos mesmos quesitos.
Para a trinca esquizofrênica que analisou meu livro, ou ele é uma jóia rara ou é um verdadeiro lixo.
Quando resolvi mesclar a biografia de um ex-guerrilheiro com a história recente do Brasil achei que estava tendo uma grande sacada. Afinal, boa parte da nossa juventude ― e porque não dizer da velhitude também ― não tem a menor idéia do que se passou nas entranhas da guerra sem regras travada contra o regime implantado à ferro e fogo partir do último dia de março de 1964.
Foram sete anos de trabalho, onde cruzei o Brasil entrevistando personagens e revirando arquivos. Só com o Pedro Lobo e sua família foram trinta e sete horas de gravação. Fora isso, devorei uma centena de livros, teses e dissertações e assisti a todos os filmes produzidos sobre a época.
Sem patrocínios ou apoio de uma grande editora, optei por vender tudo o que tinha, inclusive minha casa, pra sobreviver durante esse tempo e bancar a edição do livro. Mas aí, um jabuti totalmente despreparado para ser o farol da produção literária nacional surge no meu caminho.
E um dos jurados escalado pelo tal quelônio resolveu esculhambar com minha obra. O mardito deu zero pela relevância do tema, zero pela qualidade de informações e apuração de fontes e zero pela clareza e objetividade do texto. Dos cinco quesitos propostos, ele deu a nota mínima para três ― veja a tabela de notas na Carta Aberta que está no final desta postagem.
Acho que nunca tomei tantos zeros juntos na vida. Isso porque tem uma grande armadilha embutida na escala de notas adotada pelos organizadores do Prêmio. Ali, disfarçadamente, zero é oito redondo e um mediano cinco vira nove. Assim, ninguém percebe o massacre de obras respeitáveis.
Assalto ao Poder, do jornalista Carlos Amorim, O Cardeal e o Repórter, do jornalista Ricardo Carvalho e Os Sertões ― Um livro reportagem de Fabiana de Moraes foram zerados sistematicamente pelo alucinado tracajá. Até o mestre Luiz Fernando Veríssimo tomou nota mínima pela desimportância do tema de Um Papo Sobre o Tempo.
Se entre os dez classificados os zeros foram salpicados como orégano em pizza, imaginem qual foi o tratamento dado às quarenta e tantas obras descartadas só na categoria livro-reportagem pelos juízes na primeira fase do processo de seleção.
Assim, em nome da dignidade do trabalho dos quase três mil inscritos no Prêmio deste ano, se esse concurso não for anulado quem vai parar no fundo do brejo é o tal do Jabuti. Coitado, com 53 anos, o famoso tracajá me parece novo demais pra morrer assim, atolado na descrença popular.
Leia abaixo a íntegra da Carta Aberta que estou enviando à imprensa e aos companheiros prejudicados pra ver se alguém mais se habilita a comprar essa briga comigo.
Carta aberta à imprensa e ao público leitor
Fiquei em 5º lugar na etapa final do Prêmio Jabuti de 2011 na categoria Reportagem. Indignado com algumas das notas Zero atribuídas ao meu trabalho e ao trabalho de meus colegas envolvidos na disputa, me sinto no dever de protestar.
Pra começar, a escala imposta pelo regulamento do concurso começa na nota oito e, fracionada, se estende até Dez. Este artifício tende a fazer com que sublimemos as notas mais baixas, já que, desde os tempos dos bancos escolares lidamos com a clássica escala que vai de Zero a Dez. Por exemplo, na escala jabotiniana, 8,50 equivale ao 2,50 da escala tradicional e, um oito redondo, a Zero.
Para não advogar só em causa própria, começo analisando o que aconteceu com o livro Assalto ao Poder, do jornalista Carlos Amorim. Na primeira fase, a obra recebeu dos dois jurados que a qualificaram para a final uma sequência significativa de notas Dez. Isso a colocou na condição de franca favorita ao prêmio.
Na etapa final, entretanto, o terceiro jurado entrou em cena torpedeando o trabalho de Amorim, sistematicamente.
Considerando a relação entre narcotráfico e poder um assunto deveras desimportante, este “especialista” escalado pela direção do Jabuti deu ao quesito Relevância do Tema nota 3,00, ou seja, 8,60 na escala adotada pelo Jabuti.
O cruel foi o 0,50 que o mesmo jurado atribuiu ao item Manejo do Texto, paradoxalmente contemplado com a nota máxima pelos seus dois colegas de banca.
Para se ter uma idéia da discrepância, as notas finais de Assalto ao Poder, usando-se a clássica escala de Zero a Dez, ficaram assim:
Com isso, a obra ficou em segundo lugar perdendo a estatueta de melhor livro-reportagem para 1822, de Laurentino Gomes.
No caso do meu trabalho, Pedro e os Lobos ― Os Anos de Chumbo na trajetória de um guerrilheiro urbano, a coisa foi ainda pior. Um dos jurados, o “B”, o brindou com tantos Zeros, que o livro acabou em 5º lugar.
De cara, o “Senhor B” já torceu o nariz para o tema. Na concepção desse “especialista” a história recente do Brasil não tem a mínima importância. Episódios como a renúncia de Jânio, a deposição de Jango e todo o período que os militares estiveram no poder ― incluindo aí, as ações de guerrilha urbana e rural, a tortura de presos políticos, a edição do AI-5, a censura, os movimentos populares pela anistia, as greves do ABC e o movimento pelas Diretas Já ― não merecem uma abordagem literária.
Pretendendo deixar muito claro esse seu ponto de vista, “B” tascou um retumbante Zero, isso mesmo, Zero ― ou oito redondo na escala proposta pelo Prêmio ― ao quesito Relevância do Tema da obra Pedro e os Lobos. O curioso é que esse mesmo jurado atribuiu nota máxima ao tema abordado por Laurentino Gomes em seu 1822.
Por esse prisma, a Independência do Brasil é uma matéria da mais alta relevância, enquanto o período que vai da posse de Jânio Quadros na presidência da República ao fim do governo João Figueiredo ― embutidos aí mais de vinte anos de ditadura ― não vale nada além dum Zero.
Para meu espanto, o “Jurado B” leu e releu Pedro e os Lobos – são duas as leituras previstas no regulamento durante o processo de classificação – e acabou por dar Zero também ao quesito Clareza e Objetividade do Conteúdo. Na visão deste “especialista”, meu trabalho não passa dum emaranhado ininteligível de dados desconexos.
O pior foi o Zero dado por “B” ao quesito Qualidade das Informações e Apuração de Fontes. Poxa! Para escrever o livro, ao longo de sete anos, cruzei o Brasil entrevistando personagens envolvidos na resistência armada contra os militares. Só com o Pedro Lobo e sua família foram trinta e sete horas de gravação.
Fora isso, li cerca de uma centena de livros, teses e dissertações sobre o tema e atravessei meses enfurnado em arquivos ― como o do antigo Dops de São Paulo, do Dops carioca, do Edgard Leuenroth da Unicampe os do SNI, CIEX e CENIMAR em Brasília ― revirando pastas, analisando processos e garimpando documentos.
Não bastasse esse trabalho de pesquisa, procurei assistir a todos os filmes e documentários produzidos sobre o tema e folheei incontáveis exemplares de jornais e revistas atrás de notícias e artigos que pudessem melhorar o meu trabalho. E tudo isso está muito bem registrado ao longo das 640 páginas do livro.
Mas o senhor “B”, em sua miopia crítica, leu e releu Pedro e os Lobos e nada viu que valesse pelo menos um atenuante meio. E aí foi outro Zero, a seco mesmo. Se pudesse ter acesso à identidade desse tal “Jurado B” ― o regulamento prevê apenas a divulgação do nome dos juízes em ordem alfabética -, não titubearia em perguntar:
― O que eu precisaria ter adicionado à minha pesquisa para merecer ao menos um mísero meio ponto no quesito Qualidade das Informações e Apuração de Fontes? ― E para atingir um Dez então, o que o senhor recomendaria que eu acrescentasse?
Considero que esse juiz tem todo o direito de ter odiado meu trabalho. Agora, ir distribuindo Zeros ao longo dos quesitos sem acrescentar qualquer décimo que os atenue, me parece um gravíssimo desatino. Afinal, ele dispunha duma escala fracionada que contemplava, no mínimo, uma graduação de dezoito alternativas entre a nota mínima e a máxima.
Acredito que só um livro em branco poderia merecer o tratamento dado a Pedro e os Lobos pelo “Senhor B”. E meu livro, em absoluto, não é composto duma sequência de folhas vazias. Estão nele 216.384 palavras razoavelmente alinhavadas ao longo de 640 páginas. Nesse texto se sucedem depoimentos inéditos, relevantes fatos históricos, citações de outros autores, além de poesias e trechos de músicas que marcaram um dos períodos mais conturbados da nossa história.
E todo este material foi organizado por alguém que se formou em jornalismo pela Escola de Comunicação e Artes da USP, universidade onde também cursou História. Portanto, o Zero dado a este quesito por um jurado anônimo, que nunca vai ter sua identidade ou formação acadêmica revelada é, em qualquer análise, totalmente inaceitável.
A discrepância das notas do “jurado B” em relação aos seus colegas fica evidente quando se olha o quadro das avaliações de Pedro e os Lobos na segunda e última fase do Jabuti. Usando a escala de Zero a Dez, temos:
Convenhamos, pelas notas mostradas acima, dá pra ver que o "B" faz absoluta questão de caminhar na contramão, ou não tem a menor noção do que está fazendo.
Voltando à análise dos juizes em relação ao trabalho dos colegas, se percebe outro grave problema nas notas atribuídas ao O Cardeal e o Repórter. O livro do jornalista Ricardo Carvalho levou três Zeros. Dois deles pela total, na opinião dos juízes, desimportância do tema. Convenhamos, dar Zero pra uma sequência de entrevistas com dom Paulo Evaristo Arns, o cardeal que tanto lutou pelos direitos humanos no Brasil é, no mínimo, um imenso pecado.
Outra obra execrada pelo júri do Jabuti na fase final foi Os Sertões ― Um livro reportagem de Fabiana de Moraes. Um dos “especialistas” a serviço do Prêmio, sem dó nem piedade, mandou-lhe uma saraivada de quatro notas mínimas. Zero pela Relevância do Tema, Zero para a Qualidade de Informação e Apuração de Fontes, Zero na Clareza e Objetividade do Conteúdo e Zero no Manejo do Texto. Isto, se considerando que o trabalho foi classificado para a fase final em 7º lugar, num universo de quase sessenta livros inscritos na categoria.
Nesta insana distribuição de notas mínimas, até a obra assinada por Luiz Fernando Veríssimo, Zuenir Ventura e Arthur Dapieve acabou contemplada. É difícil de entender como o tema de Um Papo Sobre o Tempo, escrito por trinca tão significativa do nosso universo literário, possa ter importância Zero.
Não estamos diante de um prêmio qualquer. O Jabuti tem 53 anos ― por coincidência, a minha idade ― e ainda goza de grande reputação. Portanto, proponho aos seus organizadores que cancelem, ao menos, esta segunda e definitiva etapa de classificação e, que uma nova equipe de jurados seja montada a partir da indicação de editores de cultura dos principais órgãos de imprensa brasileiros.
Só com uma nova avaliação das obras, desta vez com uma banca de jurados comprovadamente qualificada e a partir de critérios técnicos transparentes, o nosso querido Jabuti vai conseguir se salvar do brejo da desmoralização.
João Roberto Laque
21 de outubro de 2011
No Terra Brasilis
Leia Mais ►

Mas os carros chineses não iam fugir do Brasil?

A fábrica da Chery em Jacareí vai funcionar a partir de 2013
Embora não esteja em vigor, por decisão do STF – como é rápido o STF nestas questões, não é? -a elevação da alíquota do IPI já está produzindo efeitos. Hoje, segundo o Valor, a montadora chinesa Chery aunciou seus planos de acelerar a construção de sua fábrica em Jacareí (SP), pedindo prazo para se adaptar ao índice de 65% de nacionalização dos veículos. Na mesma região do Vale do Paraíba, do lado fluminense, virão a Nissan , a Man – divisão de caminhões VW – e a expansão da Peugeot Citröen, fora a fábrica de máquinas da Hyundai, em Itatiaia.Aliás, seria bom o pessoal que acha o trem-bala uma tolice olhar essa evidente tendência à reocupação industrial do eixo Rio-São Paulo, não é?
Ah, e tem também Renault no Paraná, a JAC Motors na Bahia, a BMW em São Paulo…todas de uns meses para cá. Claro, ninguém quer ficar fora do quatro mercado automotivo do planeta.
Em tudo há possibilidade de acordo, se houver mesmo a intenção de fabricar aqui, gerando uma cadeira de fornecedores local, que pode, esta sim, receber diferimento tributário e repassar em preços para as montadoras.
Nem mesmo as que vão pagar IPI, como a luxuosíssima Rolls Royce, que acaba de anunciar uma filial de revenda aqui de seus carros para super-ricos. Vai ser bom, porque a turma do “Cansei” vai morrer numa boa grana para comprar, com esta carga tributária monstruosa, os seus brinquedinhos de R$ 2 milhões.
Ah, isso é a versão básica.
Leia Mais ►

Aécio e a “aritmética civilizatória”

Mais um texto na seção “opinião” do jornal Folha de São Paulo e o senador Aécio Neves investe em temas diversificados, sob o guarda-chuva da sustentabilidade.
Ele discorre sobre problemas de saneamento no Brasil, salta para os desafios mundiais em termos de acesso à água tratada, ao consumo consciente, ao combate ao desperdício. E repete coisas que qualquer criança de sete anos sabe: se permanecer o padrão de consumo e desperdício atuais, para atender a toda a população da Terra, precisaríamos de vários planetas. Como sempre, tudo blá-blá-blá.
É um artigo vacina. É que o portal “Último Segundo” trouxe a seguinte manchete na semana passada: “Com 23% de tratamento de esgoto, Minas derruba média do Sudeste”. Na matéria, que pode ser acessada via qualquer sistema de busca na internet, fica claro que o ex-governador de Minas Gerais pouco, ou nada, fez em termos de suas recentes preocupações com sustentabilidade ambiental, acesso à água tratada e combate ao desperdício.
Como ele não pode acusar o governo Lula de não ter investido o suficiente para superar os desafios postos, para o tema, ele fala como se fosse um líder mundial e cita, aleatoriamente, dados da Agência Nacional de Águas (ANA). O Governo Lula, de fato, não investiu o suficiente para dar conta das demandas postas. O problema é que a crítica ao petista traria imediatamente três comparações: com o governo FHC, com sua passagem pela Câmara e com o governo de Minas Gerais, sob seu comando. Se o BNDES não tivesse reaberto os financiamentos às companhias estaduais, por oito anos barrados no governo FHC, sem qualquer contestação do deputado Aécio, Minas não teria investido quase nada.
Resta, então, um texto confuso, assistemático e sem norte. E sua incursão pelos dramas ambientais do planeta Terra só adquire sentido como álibi: se o problema é mundial, seus déficits como governante se explicam nesse quadro.
Mas, vejamos algumas pérolas:
“Na aritmética civilizatória, que cresce em proporção e velocidade alucinantes, a realidade é dramática.”
“O dado de acesso à água é concreto, mas também simbólico e só pode ser compreendido dentro de um contexto de desafios maiores.”
A primeira frase é desconexa: a tal aritmética civilizatória (lembra-se da “eletricidade emocional, de um texto anterior?) bem que poderia ser crescimento exponencial, agravada pelo cálculo de fractal, ou quem sabe pelo integral e pelo tró-ló-ló...
A segunda, diz que além de concreto, o dado, também é simbólico. Toda coisa concreta e toda abstrata sempre terão uma simbologia. Platitudes pleonásticas.
E dizer que tudo isso só pode ser compreendido num contexto mais amplo é tão novo quanto a reflexão posta por Hegel, há mais de duzentos anos, quanto ao universal, ao particular e ao singular. Três dimensões que integram a noção de totalidade dos fenômenos. Simplificando: tudo será sempre compreendido em seu contexto mais amplo.
Finalmente, vamos chamá-lo a botar os pés no chão. Por Minas Gerais vai passar um mineroduto do Eike Batista, seu amigo. Discutido e operado em seu governo. A água que vai empurrar o minério para o Espírito Santo sairá das sub bacias do São Francisco, já debilitado por mais de um século de mau uso. E Aecim Malvadeza desconsiderou os dramas planetários ao anunciar o “grande empreendimento”.
Tenha dó, senador!
Leia Mais ►

Egito condena usuário do Facebook a três anos de prisão

Redes sociais incomodam os radicais islâmicos 
Um Tribunal de Justiça do Cairo (Egito) condenou no sábado (22) Ayman Yousef Mansour a três anos de prisão e de trabalho forçado por ter “insultado intencionalmente a dignidade da religião islâmica no Facebook”. Entidades de defesa de direitos humanos vão recorrer da decisão como o argumento de que a acusação é vaga.
Mansour foi preso em agosto para aguardar a decisão judicial. Ele foi enquadrado em artigo do código penal que pune quem insultar religião.
Para o Tribunal, Mansour usou a rede social para depreciar “o Corão Sagrado, a verdadeira religião do Islã, o profeta do Islã e os muçulmanos”. A informação é da agência oficial de notícias MENA, que não detalhou as ofensas.
Em 2007, o blogueiro Karim Amer já tinha sido condenado à prisão por ofender a junta militar que governa o país e o profeta Maomé.
Leia Mais ►

Como o WWF se infiltrou no IPCC - Parte 1

O que é o WWF?
Nos Estados Unidos e Canadá as iniciais WWF representam o World Wildlife Fund. Em outros lugares, esta organização chama-se o Fundo Mundial para a Natureza.
O WWF é um grupo de lobby ativista. Em seu site encontram-se declarações como:
"É quase impossível exagerar a ameaça da mudança climática". (Ver aqui,).
A visão do WWF de um futuro eco-amigável inclui uma camada inteiramente nova de regulação, burocracia, e o direito internacional. Ou, como esta frase do WWF:
"Um quadro jurídico global ... para garantir que os governos possam verificar os atos uns dos outros". (Ver aqui).
Membros do público eleitor nunca foram perguntados se querem pagar por esta nova camada de burocracia, se eles querem viver sob suas restrições, ou se eles acham que é mesmo uma boa idéia. O WWF parece que advinha e sabe o que é melhor para todos nós.
É importante compreender que, o WWF poderia ter sido uma pequena empresa, mas este não é mais o caso. Ele cresceu e se transformou num grande grupo empresarial, com escritórios em 30 países, que emprega uma equipe de 5.000 (veja a última página deste PDF). O ramo dos EUA do WWF sozinha emprega:
Um Diretor Executivo de Finanças Internacionais
um Vice-Presidente de Negócios e Indústria
um vice-presidente sênior de transformação do mercado e
um Gerente de Programa de Relações com o Governo
Mesmo ramo que também inclui:
Um diretor de Política Climática Internacional
Diretor-Gerente da Mudança Climática
Diretor-Gerente da Adaptação Climática
Um Diretor de Comunicações Mudanças Climáticas
UMm Cientista Sênior de Adaptação Climática e
Um especialista em Alterações Climáticas
Em 2010, o braço do WWF nos EUA teve receita operacional de US $ 224 milhões - pouco menos de um quarto de bilhão de dólares. Sim, é isso aí.
A título de comparação, as receitas operacionais da filial para a Anistia Internacional nos EUA totalizaram US $ 36 milhões - menos de um sexto desse montante (ver página 29 aqui).
De acordo com a seu relatório anual de 2010, a rede internacional do WWF teve receita operacional de € 524.963.000. Convertidos em dólares dos EUA que é apenas a "tímida" quantia de três quartos de um bilhão. Em um ano.
Ao contratar alguém novo para levar a adiante a iniciativa climática global do WWF, ele recentemente fez o que os fundos de hedge e do Fundo Monetário Internacional fazem quando buscam pessoas extremamente bem preparadas - ele colocou um anúncio de meia página na revista The Economist.
Em outras palavras, o WWF é uma organização obscenamente rica. E dinheiro, como eles dizem, fala. Quando se está no negócio de lobby e o dinheiro é abundante, tratam-se os amigos muito bem, de fato. Refeições agradáveis, quartos de hotel agradáveis, viagens para locais exóticos - e só o céu sabe o que mais.
O que me levou ao Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).
A Unidade de Recrutamento
No final de 2004, na época em que o trabalho estava começando sobre o que tornaria o relatório do IPCC de 2007 um ponto de referência, o WWF lançou uma campanha de recrutamento. Ele criou um órgão paralelo - o Climate Witness Scientific Advisory Panel ( Painel Científico Consultivo de Testemunhas Climáticas) - e, em seguida, sistematicamente mirou nos cientistas filiados ao IPCC.
Não está claro o que o processo de cooptação envolveu, precisamente - ou os que se juntaram em que ano ou em que ordem - mas no final de 2008, o WWF disse que havia recrutado 130 principais cientistas do clima, principalmente, mas não exclusivamente, a partir do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas ... [ver p. 2 º desta PDF]
Um documento de oito páginas elaborado em 2008 aconselhou os cientistas a quem o WWF ainda estava cortejando que havia "oportunidades para um maior envolvimento em uma série de outras atividades do WWF, "incluindo" a participação em conferências, fóruns ou workshops e interação com a mídia. "Além disso", uma "futura colaboração entre o WWF e instituições de pesquisa" seria uma possibilidade.
É difícil acreditar que qualquer cientista que se preze tenha alguma coisa a ver com o Painel das Testemunhas do Clima depois de ler essas oito páginas. O WWF afirma sem rodeios, abertamente, que o objetivo do painel é de aumentar no público o senso de urgência . Essa frase em particular é usado quatro vezes na página final.
Numa maneira notavelmente franca e prática o WWF diz que quer inspirar uma forte ação sobre as mudanças climáticas na comunidade. Nosso objetivo é construir um movimento de pessoas ... que querem ser ativos no combate a esta ameaça.
Ninguém, portanto, mentiu para estes "especialistas em mudança climática." Ninguém amenizou o que realmente estava acontecendo. O WWF explicitamente lhes disse que queria sua ajuda para assustar o público para que o WWF pudesse construir um movimento .
Cientistas que se juntam ao painel do WWF são obrigados a preencher um formulário que indica sua vontade de avaliar depoimentos que o WWF coleta das pessoas comuns que acreditam que tenham detectado pessoalmente as mudanças climáticas causadas pelo homem.
A glorificada pesquisa de opinião pública que o WWF usa para montar esses depoimentos pode ser visto aqui. Declará-la como uma situação embaraçosa, que não passa de um lixo anticientífico, isto é o mínimo que se pode dizer.
As pessoas são convidadas para relatar se pessoalmente observaram mudanças nas precipitações de chuva, de neve, na temperatura da água do mar, e nas correntes oceânicas. Porém investigações sérias - tais como: Você manteve um longo, cuidadoso, registro escrito? - estão longe de serem encontradas.
O WWF convida estas pessoas para atribuir "conseqüências" para as mudanças que eles acreditam que já testemunharam pessoalmente. Eles fazem todos os tipos de perguntas para uma mulher de meia idade na rua ou uma avó em uma vila rural do Terceiro Mundo, dificilmente numa situação boa para responder de forma confiável. Um exemplo: Houve alterações na biodiversidade marinha?
A pergunta pode até ser sobre a distribuição das espécies e as migrações?
Em seguida, o WWF convida os seus entrevistados para assinalarem que conseqüências para a saúde humana que eles acham que estão diretamente ligados às mudanças climáticas, que eles acreditam ter testemunhado. Se a malária aumentou? Sobre doenças transmitidas pela água? E aqui está o meu favorito - tem havido uma mudança na radiação ultravioleta?
O WWF explica aos cientistas que eles estão tentando recrutar que a única coisa que eles precisam fazer é a "revisão por pares" (“peer-review”) desses depoimentos para os níveis de coerência com o conhecimento científico atual dos impactos das mudanças climáticas ... A função primária de um membro do Painel Científico Consultivo é para verificar a base científica das histórias das Testemunhas Climáticas que o WWF coleta por todo o mundo para garantir que elas sejam consistentes com a literatura de "revisão por pares" sobre os impactos das mudanças climáticas caso já estejam acontecendo hoje em uma região particular.
O público preenche cinco páginas de perguntas, mas os cientistas são informados que eles serão solicitados para avaliar
"histórias de Testemunhas do Clima" de uma página são enviados a nós por membros do público.
Em outras palavras, os dados que os cientistas recebem primeiro foram "embalados" pelos ativistas. Este fato, por si só, invalida todo o exercício.
O WWF informa a esses cientistas que, caso tenham problemas, eles receberão uma bela recompensa:
A participação no programa Voluntários do Clima é voluntária e, em contrapartida, reconheceremos a sua contribuição em nosso site global, assim como citaremos o seu nome abaixo de todas as histórias dos Testemunhas do Clima [sic] que você fez a revisão.
Então, por que pessoas que são suficientemente inteligentes para terem um título de PhD não percebem que este é um péssimo negócio? Você trabalha para nós de graça e, em troca nós vamos usar a sua ilibada reputação científica e vinculá-lo na nossa campanha cientificamente falida para amedrontar e manipular o público.
Nós vamos prestar-lhe o grande serviço de anunciar, no nosso site global, que ninguém nunca mais poderá considerá-lo alguém confiável. Vamos usar o nosso orçamento de vários milhões de dólares para anunciar ao mundo que você deve ser um político corrupto ou um caipira simplório.
Ah, mas talvez eu não estou sendo inteiramente justa. Há uma linha a mais nesse parágrafo. Nele se lê:
O WWF também está buscando oportunidades para promover a nova pesquisa da mudança climática então por favor não hesite em contactar o Gestor de Testemunha do Clima para mais informações.
Continua.
Acréscimo 1:
Enquanto o WWF é chocantemente realista sobre como comprometer a reputação dos cientistas que recruta é no entanto profundamente consciente da necessidade de gerenciar cuidadosamente a sua própria imagem.
O documento de recrutamento de 8 páginas destinadas a cientistas inclui uma seção em que se:
Nós pedimos que vocês procurem o prévio consentimento da sua pessoa de contato ... se você quiser usar o WWF Climate ou o logotipo do programa Testemunhas (Witness) ou nomes, ou fazer uma referência à sua participação no programa Testemunhas do Clima (Climate Witness). [Ver p. 6]
Que atrevimento!
Acréscimo 2:
Na página um, o Formulário de Entrevista Testemunhas do Clima (Climate Witness) faz duas perguntas para os membros do público que lhes dão enorme incentivo para exagerar as suas observações. Primeiro, eles perguntam:
Você está preparado para viajar para a sua capital para o evento Testemunhas do Clima se os custos foram reembolsados? [Sic]
Tradução: você não gostaria de ganhar uma viagem gratuita para algum lugar que você nunca conseguiria visitar de outra forma?
Descaradamente, a WWF, em seguida, sobe a aposta:
Você está preparado para viajar para o estrangeiro para um evento de Testemunhas do Clima se os custos foram reembolsados?
Donna Laframboise
Tradução e ilustração: Maurício Porto
Fonte: No Frakking Consensus
No Terrorismo Climático
Leia Mais ►

Serra estuda publicar livro com história de sua vida


Deu na Folha:
O ex-governador de São Paulo José Serra (PSDB) consultou amigos sobre a ideia de publicar um livro com a história de sua vida, informa a Mônica Bergamo. Ainda não é certo que ele levará a obra adiante.
Com seu vasto currículo (editor chefe da revista Veja, sócio do Banco Opportunity, sócio da CCR, Ecovias e Vale, pastor e padre ao mesmo tempo), creio que ele não necessita de sugestões para o título do livro, mas mesmo assim vou ajudar:
“Hitórias de Zé Bolinha”
“Não se abandona um líder ferido na estrada”
“Como perder as eleições para um ‘poste’”
“Grandes Privatizações, Grandes Negócios”
Paulo Preto já disse que escreverá o prefácio.
Leia Mais ►

Charge online - Bessinha - # 872

Leia Mais ►

O velho discurso dos velhos de sempre...

O mantra da vez de uma certa parcela da esquerda conservadora e tradicional é que os jovens que estão nas ruas do mundo inteiro organizando protestos, ocupando praças, derrubando ditaduras e questionando o sistema financeiro estão perdidos. Não têm proposta e não sabem para onde levar seus movimentos.
São os mesmos que diziam há algum tempo que a juventude de hoje era individualista, não se mobilizava, não ia às ruas e que só estava preocupada em consumir.
É impressionante a capacidade de análise política desses setores. E é mais impressionante ainda como esse discurso se reproduz geração após geração.
Os jovens de ontem que se filiam a essas correntes tradicionais, acabam reproduzindo os mesmos discursos que os jovens de anteontem utilizaram contra eles. É o tal do avesso, do avesso, do avesso. Ou seja, vai pra cá e para lá, mas se acaba voltando para o mesmo lado.
Há algo novo acontecendo na prática política internacional e que vem sendo gestado desde 1999, quando aconteceu a Batalha de Seattle. É um movimento que escapa à lógica dos líderes tradicionais, porque de alguma forma em muitas partes do mundo os partidos supostamente à esquerda se tornaram fiéis escudeiros da manutenção do status quo.
Ou há grande diferença entre Democratas e Republicanos nos EUA? Ou o governo de Zapatero, do Partido Socialista Espanhol, implementou uma agenda pactuada com os movimentos sociais do país? Ou se na França o PS vier a derrotar Sarkozy o país vai romper com a política internacional dos EUA? Ou a oposição a Berlusconi é algo, por assim dizer, animadora?
Sem contar o que aconteceu na Grécia, que está implementando uma agenda ultra-liberal, sendo que o primeiro ministro, George Papandreou, é do Partido Socialista, Pasok.
Não seria o caso de se perguntar se não são os partidos que se dizem à esquerda que estão completamente sem rumo ao invés de fazer essa acusação à juventude que está nas ruas?
Os movimentos que hoje estão montando barracas, ocupando praças, mobilizando-se pela internet e conseguindo em alguns casos, como no do Egito, derrubar ditaduras históricas, são o novo que garante o frescor necessário para o processo de transformação.
A tentativa da mídia brasileira, em especial da revista Veja, em insuflar algo parecido no Brasil beira o ridículo.
Mas também beira o ridículo quem por conta disso acaba generalizando todas as ações e desqualificando-as.
É preciso buscar entender esse processo, muito mais complexo e difuso do ponto de vista político. Mas também muito interessante para se pensar em novas estruturas de poder. Combatê-lo com discursos preconceituosos e supostamente radicais é coisa de quem tem medo do novo. E isso não é novo, garanto.
Leia Mais ►

Clã Richa busca a hegemonia no Paraná

Governador Beto Richa já nomeou a mulher Fernanda e o irmão Pepe para secretarias vitais, enquanto prepara o filho Marcello para ser prefeito de Curitiba; a política ancorada no sobrenome do pai lembra o Maranhão de Sarney
O Paraná não é o Maranhão, mas, aos poucos, o sobrenome Richa começa a se tornar tão onipresente na terra das araucárias quanto é Sarney no seu mundo particular. Beto Richa, governador tucano que conta com quase 70% de aprovação popular, conseguiu emplacar em postos chave do governo paranaense nada menos que sua mulher Fernanda e seu irmão José “Pepe” Richa. Segundo a oposição, a família, que é herdeira do prestígio do velho José Richa, líder do antigo MDB e depois fundador do PSDB, controla 80% do orçamento paranaense. De acordo com os tucanos, no entanto, Fernanda e Pepe administram verbas de R$ 602 milhões, que representariam 2,39% do orçamento total. Ainda assim, é bastante dinheiro em mãos de um clã que trata a política como assunto de família.
Fernanda, filha de um dos fundadores do Bamerindus, banco que quebrou durante o Plano Real, é Secretária de Assistência Social e responsável pela gestão de programas federais no Paraná, como o Brasil sem Miséria. Pepe responde pela secretaria de Infraestrutura e Logística, que cuida de portos, estradas e aeroportos. Ou seja: enquanto o irmão administra grandes obras e a relação com as empreiteiras, a esposa cuida da assistência social. E Beto pode se dedicar à política, num momento em que há certa fadiga com as lideranças tradicionais do PSDB, como José Serra e Aécio Neves. O Paraná nunca fez presidenciáveis, mas Beto sonha em ser uma alternativa em 2018, depois de dois possíveis mandatos como governador.
Se isso não bastasse, Beto e Fernanda também preparam o filho primogênito Marcello, de 25 anos, para a política. Na prefeitura de Curitiba, ocupada por Luciano Ducci, mas comandada na prática pela família Richa, Marcelo ganhou a Secretaria Municipal do Esporte, Lazer e Juventude. Beto, a princípio foi contra, mas Fernanda fez questão de colocar o filho no caminho da política. E hoje Marcello é também presidente da juventude do PSDB. Em Curitiba, 27% da população, de 1,8 milhão de pessoas, tem entre 15 e 29 anos de idade. Administrando programas ligados à cultura e ao esporte, Marcello deve se cacifar para ser candidato a prefeito de Curitiba em 2016 – no ano que vem, a família fará de tudo para garantir a reeleição de Ducci, do PSB. E, se este vencer, Marcello poderá migrar para uma secretaria com ainda mais visibilidade.
O prestígio de Richa
Em 2004, quando se elegeu prefeito de Curitiba pela primeira vez, Beto se emocionou ao lembrar o pai, que havia morrido um ano antes e não chegou a ver o filho chegar ao poder. José Richa enxergava no primogênito “Pepe” um talento natural para a política, mas foi Beto quem sobressaiu.
No começo da carreira, o principal ativo dos irmãos era o sobrenome. José Richa, político carismático, foi um dos grandes amigos pessoais de lideranças tucanas, como Fernando Henrique Cardoso, José Serra e Mario Covas. Era talvez o político mais próximo do núcleo duro tucano, fora de São Paulo. Depois disso, no entanto, Beto construiu seu próprio caminho e, como prefeito de Curitiba, metrópole que é a principal trincheira dos Richa, recebeu boas avaliações do eleitorado.
Eleição decisiva
Confirmar o domínio de Curitiba é parte essencial do projeto político da família Richa. E a capital paranaense terá uma das eleições mais importantes do País. De um lado, Luciano Ducci, com apoio maciço da máquina estadual. De outro, o ex-tucano Gustavo Fruet, que ingressou no PDT, e será candidato com apoio do PT – um apoio que inclui até o casal de ministros paranaenses Paulo Bernardo e Gleisi Hoffmann, uma vez que ela será a adversária de Beto Richa em 2014, na disputa para o governo estadual.
Recentemente, todos estiveram lado a lado, quando a presidente Dilma Rousseff foi ao Paraná lançar o projeto do metrô de Curitiba. Beto foi tratado de maneira extremamente calorosa pela presidente, mas sua equipe cometeu um deslize, na transmissão da cerimônia, ao cortar o discurso de Dilma – o que estremeceu a relação entre o governo do Paraná e o governo federal.
Foi apenas um primeiro sinal de que a guerra será intensa nos próximos meses.
Leia Mais ►

Folha censura e depois foge da Justiça

O Conversa Afiada reproduz e-mail que recebeu do deputado Paulo Pimenta:
Folha de S. Paulo recusa ir à audiência na Câmara dos Deputados debater caso de censura imposto ao blog Falha
A Folha de S. Paulo se negou a participar da audiência pública que será realizada nesta quarta-feira (26) pela Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados para debater o caso de censura imposto pelo jornal paulista ao blog Falha de S. Paulo. Por meio de nota, assinada pelo diretor de redação, Otávio Frias Filho, pelo editor-executivo, Sérgio Dávila, e pelo secretário de redação, Vinicius Mota, a Folha de S. Paulo informa “declinar” do convite por “discordar de seus pressupostos”. Também convocada para representar a Folha, a advogada que assina a ação contra o blog Falha, Tais Gasparin, alegou viagem ao exterior.
Autor do requerimento, o deputado federal Paulo Pimenta afirma que mesmo com a ausência da Folha aos debates a audiência será realizada. “Cada vez que um veículo jornalístico tem sua atuação limitada pela ação do Poder Judiciário, fala-se em censura, e a grande mídia e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) bradam em favor da liberdade de expressão no país. É curioso, nesse caso, que a Folha, ao se sentir atingida, tenha buscado o caminho da justiça para calar a os irmãos Lino e Mário Bochini e, além disso, não se tenha visto qualquer tipo de movimento na imprensa contestando a ação da Folha”, critica o parlamentar.
O deputado Pimenta disse ainda “lamentar” que a Folha tenha se manifestado apenas por meio de uma nota, perdendo a oportunidade de prestar esclarecimentos à sociedade brasileira e promover um debate “qualificado” sobre liberdade de expressão. “Em mais esse episódio, fica revelada a postura contraditória do jornal paulista, ao se negar a dar informações de suas ações, justo a Folha que existe e sobrevive do ato de informar. Um jornal que diz estar a serviço do Brasil, não deveria agir como se estivesse acima dos brasileiros”, avalia o deputado Pimenta.
Para um dos criadores do blog Falha de S. Paulo, Lino Bochini, a atitude da Folha de S. Paulo já era esperada. “A Folha foge desse debate, eles dizem que defendem liberdade de expressão mas não suportaram ser criticados por um blog, como o Falha de S. Paulo. Parece que o autoritarismo ainda faz parte da marca deste jornal, que apoiou a ditadura no Brasil e se sente intimidada quando provocada publicamente”, diz Lino.
Folha x Falha
Em setembro de 2010, os irmãos Mário e Lino Ito Bocchini criaram o blog Falha de S.Paulo, uma paródia ao jornal paulista. Após um mês no ar, o jornal entrou na Justiça para tirar o blog do ar. Além de cassar o endereço na web, a Folha abriu um processo contra os criadores do site, pedindo indenização em dinheiro por danos morais.
Leia Mais ►

O esporte e o poder

Como quase todas as atividades sociais, os esportes — e, principalmente, o futebol — passaram a ser administrados pelas razões do capitalismo, e se tornaram um dos maiores negócios do mundo. A Fifa não é, e faz tempo, uma associação mundial de federações nacionais de futebol, mas o centro de um oligopólio internacional dessa modalidade do show-business.
Os velhos e tradicionais clubes, ricos uns, pobres outros, não pertencem mais aos milhares de associados. Eles decidiam, em eleições periódicas, quais deles deveriam encarregar-se da direção das entidades, da administração do patrimônio, da escolha dos técnicos e da contratação de jogadores. Hoje, no mundo inteiro, quase todos os clubes têm dono. Quando não o têm diretamente, subordinam-se a contratos de patrocínio e de publicidade que expulsam das decisões os torcedores.
Devemos partir dessa constatação para tratar dos problemas que a presidente Dilma Rousseff está enfrentando, diante das denúncias de corrupção contra o Ministério dos Esportes. Em um negócio bilionário, como é o da realização de um campeonato mundial de futebol, todas as cautelas são poucas.
Uma vez que assumimos o compromisso de sediar a Copa, temos que tratar seriamente do assunto, e é preciso que uma força de trabalho, excepcional, e interministerial, cuide das providências governamentais, e atue com firmeza, na defesa de nossa soberania, da segurança do evento, e da lisura de todos os procedimentos que envolvam o dinheiro público. É uma situação excepcional que exige tratamento excepcional.
Se o ministro dos Esportes é responsável por algum desvio de conduta ética, cabe às autoridades apurar os fatos e, assim fazendo, levar o caso aos tribunais — depois de afastar o suspeito do cargo. Razão tem a presidente: ela não pode atuar sob a imposição das acusações, sem que essas denúncias sejam realmente comprovadas — ou se fundem em evidências convincentes. Ela agiu assim em todos os casos ocorridos em seu governo de dez meses.
Atuou dessa forma diante das denúncias contra o chefe de sua Casa Civil, um dos próceres do maior partido de sustentação do governo. Deu-lhe todas as oportunidades para desmentir os fatos. Infelizmente, seus argumentos não sensibilizaram a opinião pública, porque confessaram o inadmissível, que ele se enriquecera em pouco tempo, prestando consultoria a firmas que deviam ser mantidas em segredo. Se o ministro fora vítima de fogo amigo, de que há indícios fortes, isso não interessa ao país. Na defesa do Estado, a presidente agiu com firmeza, e o demitiu.
Os outros casos foram tratados da mesma forma: os acusados dispuseram de tempo para desmentir as denúncias; não o fazendo, foram compelidos a afastar-se. Com o ministro Nelson Jobim os motivos foram outros, e ela, na defesa do governo e de sua autoridade como chefe de Estado, não hesitou em afastá-lo.
Há quem, pela imprensa e pela internet, conceda mais força ao ministro dos Esportes pelo fato de ter sido secretário geral de Agnelo Queiroz — então seu colega de partido — que ocupava o cargo. Como Agnelo entrou para o PT e se elegeu governador do Distrito Federal, o ministro Orlando Silva estaria blindado.
Ora essa blindagem é tênue. Muito mais blindado, se aceitamos a metáfora, se encontrava o ministro Antonio Palocci. O cargo de governador do Distrito Federal não absolve ninguém de erros passados, se erros houve no caso, nem dá ao titular o poder de arbitrar o comportamento da presidente da República.
A presidente Dilma Rousseff, ao contrário do que previam alguns de seus adversários, está demonstrando invulgares virtudes políticas. Ela tem sido paciente, mas firme; mantém o natural respeito e amizade para com o seu antecessor, o presidente Lula, mas isso não a impede de governar com autonomia – a autonomia que lhe foi conferida pelo voto popular. E é à Nação de brasileiros que ela tem que prestar contas, dia a dia, até que passe a faixa a seu sucessor, ou sucessora.
Imposição do famoso Consenso de Washington, o tal “terceiro setor”, constituído de organizações não governamentais, tem sido, em alguns casos, além de perigosa inserção estrangeira nos assuntos nacionais, ao assumir prerrogativas do Estado, sem a legitimidade do voto, mas com recursos do orçamento, tornaram-se o espaço ideal para o desvio de recursos públicos.
É necessário dar um fim a essas organizações, criadas a partir do fundamentalismo mercantil, da globalização, do neoliberalismo. O Estado não pode delegar sua responsabilidade a terceiros.
Leia Mais ►

El papel genocida de la OTAN (Segunda parte)

Hace algo más de ocho meses, el 21 de febrero del presente año, afirmé con plena convicción: “El plan de la OTAN es ocupar Libia”. Bajo ese título abordé por primera vez el tema en una Reflexión cuyo contenido parecía fruto de la fantasía.
Incluyo en estas líneas los elementos de juicio que me llevaron a esa conclusión.
“El petróleo se convirtió en la principal riqueza en manos de las grandes transnacionales yankis; a través de esa fuente de energía dispusieron de un instrumento que acrecentó considerablemente su poder político en el mundo”.
“Sobre esa fuente de energía se desarrolló la civilización actual. Venezuela fue la nación de este hemisferio que mayor precio pagó. Estados Unidos se hizo dueño de los enormes yacimientos con que la naturaleza dotó a ese hermano país.
“Al finalizar la última Guerra Mundial comenzó a extraer de los yacimientos de Irán, así como de los de Arabia Saudita, Iraq y los países árabes situados alrededor de ellos, mayores cantidades de petróleo. Estos pasaron a ser los principales suministradores. El consumo mundial se elevó progresivamente a la fabulosa cifra de aproximadamente 80 millones de barriles diarios, incluidos los que se extraen en el territorio de Estados Unidos, a los que ulteriormente se sumaron el gas, la energía hidráulica y la nuclear”.
“El derroche del petróleo y el gas está asociado a una de las mayores tragedias, no resuelta en absoluto, que sufre la humanidad: el cambio climático.”
“En diciembre de 1951, Libia se convierte en el primer país africano en alcanzar su independencia después de la Segunda Guerra Mundial, en la que su territorio fue escenario de importantes combates entre tropas alemanas y del Reino Unido…”
“El 95 % de su territorio es totalmente desértico. La tecnología permitió descubrir importantes yacimientos de petróleo ligero de excelente calidad que hoy alcanzan un millón 800 mil barriles diarios y abundantes depósitos de gas natural. […] Su riguroso desierto está ubicado sobre un enorme lago de agua fósil, equivalente a más de tres veces la superficie de Cuba, lo cual le ha hecho posible construir una amplia red de conductoras de agua dulce que se extiende por todo el país.”
“La Revolución Libia tuvo lugar en el mes de septiembre del año 1969. Su principal dirigente fue Muammar al-Gaddafi, militar de origen beduino, quien en su más temprana juventud se inspiró en las ideas del líder egipcio Gamal Abdel Nasser. Sin duda que muchas de sus decisiones están asociadas a los cambios que se produjeron cuando, al igual que en Egipto, una monarquía débil y corrupta fue derrocada en Libia.”
“Se podrá estar o no de acuerdo con el Gaddafi. El mundo ha sido invadido con todo tipo de noticias, empleando especialmente los medios masivos de información. Habrá que esperar el tiempo necesario para conocer con rigor cuánto hay de verdad o mentira, o una mezcla de hechos de todo tipo que, en medio del caos, se produjeron en Libia. Lo que para mí es absolutamente evidente es que al Gobierno de Estados Unidos no le preocupa en absoluto la paz en Libia, y no vacilará en dar a la OTAN la orden de invadir ese rico país, tal vez en cuestión de horas o muy breves días.
“Los que con pérfidas intenciones inventaron la mentira de que Gaddafi se dirigía a Venezuela, igual que lo hicieron en la tarde de ayer domingo 20 de febrero, recibieron hoy una digna respuesta del Ministro de Relaciones Exteriores de Venezuela, Nicolás Maduro…”
“Por mi parte, no imagino al dirigente libio abandonando el país, eludiendo las responsabilidades que se le imputan, sean o no falsas en parte o en su totalidad.
“Una persona honesta estará siempre contra cualquier injusticia que se cometa con cualquier pueblo del mundo, y la peor de ellas, en este instante, sería guardar silencio ante el crimen que la OTAN se prepara a cometer contra el pueblo libio.
“A la jefatura de esa organización belicista le urge hacerlo. ¡Hay que denunciarlo!”
En esa temprana fecha me había percatado de lo que era absolutamente obvio.
Mañana martes, 25 de octubre, hablará nuestro canciller Bruno Rodríguez en la sede de las Naciones Unidas para denunciar el criminal bloqueo de Estados Unidos contra Cuba. Seguiremos de cerca esa batalla que pondrá en evidencia una vez más la necesidad de poner fin, no solo al bloqueo, sino al sistema que engendra la injusticia en nuestro planeta, dilapida sus recursos naturales y pone en riesgo la supervivencia humana. Prestaremos atención especial al alegato de Cuba.
Proseguirá.
Fidel Castro Ruz
Octubre 24 de 2011
5 y 19 p.m.
Leia Mais ►