24 de out de 2011

Anonymous responde à Veja

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Vídeo esclarecedor sobre a CPMF e o jeito tucano de governar

Ex-Ministro da Saúde Adib Jatene fala da palavra empenhada de FHC e da gestão de Serra

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Policial diz que não tem provas específicas contra Orlando e Agnelo

Ao prestar novo depoimento nesta segunda-feira (24) à Polícia Federal, o policial militar João Dias Ferreira disse que não possui provas do envolvimento direto do atual ministro do Esporte, Orlando Silva, e de seu antecessor, Agnelo Queiroz, no suposto esquema de desvios de recursos públicos da pasta.
Dias levou 13 arquivos de áudio e 4 ofícios emitidos pelo Ministério que, segundo ele, trazem “informações contraditórias” sobre a fiscalização dos repasses de verbas. Conforme o policial, o material envolveria assessores da cúpula do ministério. ”É natural que a minha defesa se baseie no pessoal com quem eu sempre tive contato, que são o pessoal da fiscalização, técnicos e o pessoal jurídico, coordenadores gerais e o partido”, disse Dias, em relação às provas que teria contra integrantes do ministério.
Ao chegar para depor, Ferreira afirmou que não tinha gravações do próprio ministro, mas de assessores ligados a ele. “Se a reunião é feita no sétimo andar, na secretaria executiva, se a reunião é feita sobre assunto do Segundo Tempo, se a reunião é feita com a cúpula, não tem para onde correr, é diretamente interesse do ministério” disse.
O policial militar é o pivô das denúncias contra Orlando Silva, acusado de comandar um suposto esquema de desvios do programa Segundo Tempo. Em reportagem publicada pela revista Veja na semana passada, ele disse que o ministro teria recebido um pacote com notas de R$ 50 e R$ 100 na garagem do ministério.
Orlando se defende dizendo que a denúncia é uma “reação” à cobrança do ministério, que pede a devolução, por supostas irregularidades, de R$ 3 milhões recebidos pelas ONGs do policial de convênios com o Ministério do Esporte.
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El papel genocida de la OTAN

Esa brutal alianza militar se ha convertido en el más pérfido instrumento de represión que ha conocido la historia de la humanidad.
La OTAN asumió ese papel represivo global tan pronto la URSS, que había servido a Estados Unidos de pretexto para crearla, dejó de existir. Su criminal propósito se hizo patente en Serbia, un país de origen eslavo, cuyo pueblo tan heroicamente luchó contra las tropas nazis en la Segunda Guerra Mundial.
Cuando en marzo de 1999 los países de esa nefasta organización, en sus esfuerzos por desintegrar Yugoslavia después de la muerte de Josip Broz Tito, enviaron sus tropas en apoyo de los secesionistas kosovares, encontraron una fuerte resistencia de aquella nación cuyas experimentadas fuerzas estaban intactas.
La administración yanki, aconsejada por el Gobierno derechista español de José María Aznar, atacó las emisoras de televisión de Serbia, los puentes sobre el río Danubio y Belgrado, la capital de ese país. La embajada de la República Popular China fue destruida por las bombas yankis, varios de los funcionarios murieron, y no podía haber error posible como alegaron los autores. Numerosos patriotas serbios perdieron la vida. El presidente Slobodan Miloševiс, abrumado por el poder de los agresores y la desaparición de la URSS, cedió a las exigencias de la OTAN y admitió la presencia de las tropas de esa alianza dentro de Kosovo bajo el mandato de la ONU, lo que finalmente condujo a su derrota política y su posterior enjuiciamiento por los tribunales nada imparciales de La Haya. Murió extrañamente en la prisión. De haber resistido unos días más el líder serbio, la OTAN habría entrado en una grave crisis que estuvo a punto de estallar. El imperio dispuso así de mucho más tiempo para imponer su hegemonía entre los cada vez más subordinados miembros de esa organización.
Entre el 21 de febrero y el 27 de abril del presente año, publiqué en el sitio web CubaDebate nueve Reflexiones sobre el tema, en las que abordé con amplitud el papel de la OTAN en Libia y lo que a mi juicio iba a suceder.
Me veo por ello obligado a una síntesis de las ideas esenciales que expuse, y de los hechos que han ido ocurriendo tal como fueron previstos, ahora que un personaje central de tal historia, Muammar Al-Gaddafi, fue herido de gravedad por los más modernos cazabombarderos de la OTAN que interceptaron e inutilizaron su vehículo, capturado todavía vivo y asesinado por los hombres que esa organización militar armó.
Su cadáver ha sido secuestrado y exhibido como trofeo de guerra, una conducta que viola los más elementales principios de las normas musulmanas y otras creencias religiosas prevalecientes en el mundo. Se anuncia que muy pronto Libia será declarada “Estado democrático y defensor de los derechos humanos”.
Me veo obligado a dedicar varias Reflexiones a estos importantes y significativos hechos.
Proseguirá mañana.
Fidel Castro Ruz
Octubre 23 de 2011
6 y 10 p.m.
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Esqueceram-se dos corruptores

A reportagem de capa da Veja (26/10) sobre a indignação contra a corrupção tem o mérito de constatar que o grande catalisador das manifestações realizadas em várias cidades brasileiras foi a reação da presidente Dilma Rousseff às primeiras denúncias graves de corrupção em seu ministério. A figura simbólica de presidente tem muita força em qualquer lugar, talvez mais ainda num país em que tanta coisa importante acontece de cima para baixo.
À luz dessa relação de causa e efeito, o confronto de ideias entre partidários e adversários das manifestações perde o sentido quando é cavalgado por, respectivamente, oposicionistas e situacionistas. Esses opinadores atribuem aos manifestantes inspirações e propósitos que eles não têm.
Lição do barão
A revista apresenta uma numerologia vazia. Primeiro, porque o cálculo do montante de corrupção é uma conta necessariamente falsa, já que corrupção é crime e, portanto, feita sem registro. Os números que se conhecem reportam-se aos casos investigados, pequena parte do todo. Segundo, porque não explica como chegou ao número de R$ 85 bilhões (2,3% do PIB) drenados anualmente pela corrupção. Menciona uma “estimativa” da Fiesp – cujas bases metodológicas são desconhecidas – de R$ 720 bilhões garfados em dez anos.
Terceiro, porque a tradução dos R$ 85 bilhões em obras e atividades que essa soma permitiria realizar é mera fantasia para ilustrar a reportagem. Como se fosse possível escolher uma só dessas opções e jogar nela todo esse inexistente dinheiro.
O mais curioso é, entretanto, um “esquecimento”: Veja não diz uma palavra sobre o papel decisivo de grandes empresas privadas na corrupção. Não são só os corruptos que ficam mais ricos. Os corruptores ficam ainda mais ricos. Cabe a frase com que o Barão de Itararé ironizava o dito de Augusto Comte segundo o qual cada vez mais os vivos são governadores pelos mortos: “Os vivos são cada vez mais governados pelos mais vivos”.
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Banda Larga

Amigos e amigas,
Dentro de 4 dias o Conselho Diretor da Anatel estará finalmente votando na resolução de qualidade para a banda larga. A boa notícia é que nós estamos conseguindo passar o nosso recado, os conselheiros estão recebendo as nossas mensagens e a campanha está repercutindo nos corredores da Anatel. A campanha está ganhando o Brasil e já saímos em dezenas de artigos no país todo.
Falta muito pouco para conseguirmos os parâmetros de qualidade que tanto almejamos, por isso vamos aumentar a pressão.
Envie uma mensagem pessoal sua para o Conselho Diretor, e-mails: joao.rezende@anatel.gov.br, sardenberg@anatel.gov.br, emiliaribeiro@anatel.gov.br e jarbas@anatel.gov.br
Participe do tuítaço dia 26/10 concentração às 16h:
@brasil_ANATEL: garanta a qualidade da banda larga! #qualidadeja http://bit.ly/nVxtSY
@brasil_ANATEL: chega de receber só 10% da velocidade contratada #qualidadeja http://bit.ly/nVxtSY
@brasil_ANATEL SIM ao limite de 80% de ocupação da rede #qualidadeja não dá para vender se não tem para entregar http://bit.ly/nVxtSY
@brasil_ANATEL Chega de problemas na banda larga! #qualidadeja http://bit.ly/nVxtSY
Brasil tem a Banda Larga mais cara do mundo:http://bit.ly/qEREpz E não tem fiscalização de qualidade @brasil_ANATEL#QualidadeJa
Divulguem o link da campanha: www.idec.org.br/campanhas/qualidadeja
Faça parte da Campanha Banda Larga é um direito seu! http://campanhabandalarga.org.br
Esta é apenas uma batalha dentre muitas outras até conseguirmos garantir uma banda larga barata, de qualidade e para todos. Vamos mostrar para o governo e as empresas de telecom que lutaremos até o final pelos nossos direitos à comunicação!
Veridiana Alimonti
Idec e Campanha Banda Larga
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A quem interessa a preservação do voto inseguro?

O Supremo Tribunal Federal deu um passo alarmante para derrubar a adoção do voto impresso a partir das eleições de 2014. A mudança, criada na mini-reforma eleitoral de 2009, foi suspensa liminarmente depois de intenso lobby dos tribunais eleitorais. Acolhendo suas demandas, o STF ignorou relatório divulgado em março por um Comitê Multidisciplinar Independente condenando o sistema atual e recomendando várias alterações, das quais a impressão do voto é inclusive a menos complexa.
A urna eletrônica permanecerá vulnerável enquanto não houver registro físico do voto digitado. Sabendo que todo sistema eletrônico é falho e sujeito a violações diversas, as principais democracias do planeta continuam preferindo o velho e bom pedaço de papel. O Brasil decide seu futuro através de um mecanismo temerário. Eis a que nos referimos quando apontamos os perigos da tribunocracia que domina o país.
Além de corroborar uma ilusão que nenhum rapazote com acesso à internet leva a sério, o TSE e seus defensores menosprezam a inteligência do contribuinte ao difamar o voto físico através de argumentos sofríveis como a quebra de sigilo, “o papel engasga na máquina” e “os custos são muito altos”. Esqueçamos por um momento que a identificação dos eleitores no recibo seria quase impossível e que o Poder Público empenhou centenas de milhões de reais com o novo dispositivo de identificação biométrica (além do que já gastou no método em vigor), e indaguemos: quanto deveria custar a segurança eleitoral do país? A economia e a praticidade compensam as incertezas de um procedimento que deveria ser infalível?
Os ministros do STF parecem crer que o triunfo do voto eletrônico reside na falta de problemas registrados a cada eleição. Pois se enganam. Existem sim diversas ocorrências suspeitas em todo o país, cuja divulgação trava no descaso das autoridades regionais e no temor da imprensa de escancarar um sistema tão elogiado. E, mais importante, o êxito de uma técnica de apuração deveria ser a completa ausência de riscos. Mesmo que demore séculos para ocorrer, um único episódio negativo pode causar uma pane institucional de conseqüências imprevisíveis. Não que alguém fosse perceber eventuais trapaças, ou mesmo admiti-las publicamente.
Mas por que não vemos um debate nacional sobre o tema?
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Manifesto pela despatologização das identidades trans

O Conselho Regional de Psicologia de São Paulo (CRP SP) apoia a Campanha Internacional Stop Trans Pathologization-2012, pela despatologização das identidades trans (travestis, transexuais e transgêneros) e a sua retirada dos catálogos de doenças, o DSM - Manual Diagnóstico e Estatístico das Doenças Mentais, da Associação Americana de Psiquiatria, cuja versão revista surgirá em 2012, e a CID - Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde, da Organização Mundial de Saúde, que sairá em 2014.
Historicamente, o Conselho Regional de Psicologia de São Paulo tem buscado a promoção e a garantia dos Direitos Humanos. Em 1999, o Conselho Federal de Psicologia publicou a Resolução CFP 01/99, que normatiza a atuação d@s psicólog@s em relação à questão da orientação sexual, considerando que a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio e nem perversão.
A Psicologia é uma ciência que lida com a sexualidade humana e @s psicólog@s são frequentemente chamad@s a responder sobre o tema. A Resolução 01/99 coloca o compromisso ético d@s psicólog@s em contribuir para a extinção do preconceito contra lésbicas, gays e bissexuais. Porém, travestis, transexuais e transgêneros também são vítimas da discriminação homofóbica (ou transfóbica) e as questões referentes à identidade de gênero têm sido apresentadas para a Psicologia, que se depara com a necessidade de refletir sobre o tema e se posicionar.
A décima revisão da Classicação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10, Organização Mundial da Saúde, 1993), a mesma que retirou a homossexualidade da categoria das doenças, incluiu os "transtornos da identidade sexual" (F64), dentre os quais encontram-se o "travestismo" e o "transexualismo". As mais recentes versões do Manual Diagnóstico e Estatístico das Doenças Mentais (DSM - IV, APA, 1994; DSM-IV-TR, APA, 2000) também patologizam as manifestações de gênero que fogem ao binômio homem/mulher, classi cando-as dentro do diagnóstico amplo de "transtorno da identidade de gênero" (F64.x).
Em 1997, o Conselho Federal de Medicina (CFM) aprovou a resolução 1.482/97, autorizando as chamadas "cirurgias de transgenitalização" para o tratamento de transexuais no Brasil. Em 2008, o então ministro da Saúde, José Gomes Temporão, instituiu, no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), o "Processo Transexualizador", da portaria MS 1.707, regulamentado pela portaria 457 (Ministério da Saúde, 2008). Em 2010, o CFM publicou uma nova resolução sobre a assistência a transexuais no Brasil (Resolução 1.955/2010), passando a considerar que os procedimentos de retiradas de mamas, ovários e útero no caso de homens transexuais deixam de ser experimentais e podem ser feitos em qualquer hospital público e/ou privado que sigam as recomendações do Conselho.
Embora a instituição do chamado "Processo Transexualizador" no SUS tenha sido uma grande conquista, entendemos que o acesso à saúde é um direito de tod@s e que a assistência médica e psicológica a pessoas trans, o tratamento hormonal e cirúrgico pelos serviços públicos de saúde não devem estar condicionados a um diagnóstico psiquiátrico.
Defendemos o princípio da integralidade do SUS, considerando uma concepção positiva de saúde, em que a mesma não é sinônimo de ausência de doença, e, sim, do bem estar bio-psíquico-social das pessoas.
Os Estudos de Gênero e as próprias experiências vividas por pessoas trans demonstram que a concepção binária de gênero presente no ocidente e o alinhamento entre sexo, gênero e desejo não são algo "natural". A idéia da existência de dois gêneros opostos, feminino e masculino, baseada na diferença entre os sexos, é algo construído culturalmente. A realidade de sexo, de gênero e do corpo não pode ser imposta. Ela tem que ser observada nas formas e nas experiências do indivíduo e do grupo.
As sexualidades, os gêneros e os corpos que não se encaixam no binarismo convencional (masculino/feminino, macho/fêmea) não podem servir de base para uma classicação psicopatológica. A normatividade do binarismo de sexo e de gênero só permite aos deslocamentos, como a transexualidade, a travestilidade, o crossdressing, as drag queens, serem vistos como maneiras de existir desviantes, criando-se categorias linguísticas e psiquiátricas que conferem inteligibilidade à vivência destas pessoas. Portanto, numa concepção que desnaturalize o gênero, a pluralidade das identidades de gênero refere possibilidades de existência, manifestações da diversidade humana, e não transtornos mentais.
Ser considerad@ um@ "doente mental" só traz sofrimento à vida de quem possui uma identidade de gênero trans. Apesar de considerar que vivências como a transexualidade e a travestilidade podem e, em geral, geram muito sofrimento, entendemos que isto tem mais a ver com a discriminação do que com a experiência em si. A patologização das identidades trans fortalece estigmas, fomenta posturas discriminatórias e contribui para a marginalização das pessoas. A "doença" trans é social: é a ausência de reconhecimento destas pessoas como cidadãs, é a ausência de reconhecimento de seu direito de existir, de amar, de desejar e de ser feliz.
Retirar o rótulo de "doente mental" das pessoas trans, signi cará devolver a elas uma potência perdida na idéia de que são "seres desviantes", proporcionando uma abertura para que possam se apropriar de suas identidades e desenvolver sua autonomia.
Defendemos:
- A não medicalização da sociedade;
- A retirada do "transtorno de identidade de gênero" dos manuais internacionais de diagnóstico;
- Que o direito à mudança de nome e sexo nos documentos de identificação não seja condicionado a um tratamento obrigatório ou diagnóstico;
- O investimento na formação de profissionais qualificad@s para o atendimento integral para tod@s.
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Do Contrato Social

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Juiz critica monopólios na mídia e aponta manipulação em cobertura da RBS

O presidente da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris), João Ricardo dos Santos Costa, criticou a cobertura que o jornal Zero Hora fez de um seminário sobre liberdade de imprensa e Poder Judiciário, em Porto Alegre. A matéria sobre o evento omitiu a parte do debate relacionada aos monopólios de comunicação. “Esse é um caso paradigmático: em um evento promovido para discutir a liberdade de imprensa, a própria imprensa comete um atentado à liberdade de imprensa ao omitir um dos principais temas do evento", diz o juiz em entrevista à Carta Maior.
No dia 21 outubro, a Associação Nacional dos Jornais (ANJ) e a Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris) promoveram, em Porto Alegre, um seminário para discutir liberdade de imprensa e Poder Judiciário. O convite para o encontro partiu da ANJ que já promoveu um debate similar junto ao Supremo Tribunal Federal (Ver artigo de Venício Lima, Direito à comunicação: o “Fórum” e a “Ciranda”). Os interesses temáticos envolvidos no debate não eram exatamente os mesmos. Enquanto que a ANJ e as suas empresas afiliadas estavam mais interessadas em debater a liberdade de imprensa contra ideias de regulação e limite, a Ajuris queria debater também outros temas, como a ameaça que os monopólios de comunicação representam para a liberdade de imprensa e de expressão.
O jornal Zero Hora, do Grupo RBS (e filiado a ANJ) publicou no sábado (24/10/2011) uma matéria de uma página sobre o encontro. Intitulada “A defesa do direito de informar”, a matéria destacou as falas favoráveis à agenda da ANJ – como as da presidente da associação, Judith Brito, e do vice-presidente Institucional e Jurídico da RBS, Paulo Tonet – e omitiu a parte do debate que tratou do tema dos monopólios de comunicação. Na mesma edição, o jornal publicou um editorial furioso contra o governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, acusando-o de querer censurar o jornalismo investigativo (Ver matéria: Tarso rechaça editorial da RBS e diz que empresa manipulou conteúdo de conferência). No mesmo editorial, o jornal Zero Hora apresentou-se como porta-voz da “imprensa livre e independente” e afirmou que “a credibilidade é a sua principal credencial”.
Agora, dois dias depois de o governador gaúcho acusar a RBS de ter manipulado o conteúdo de uma conferência que proferiu no Ministério Público do RS, omitindo uma parte que não interessava à construção da tese sobre a “censura ao jornalismo investigativo”, mais uma autoridade, desta vez o presidente da Ajuris, João Ricardo dos Santos Costa, vem a público criticar uma cobertura da RBS, neste caso, sobre o evento promovido em conjunto com a ANJ. A omissão da parte do debate relacionada ao tema do monopólio incomodou o presidente da Associação de Juízes.
“Esse é um caso paradigmático: em um evento promovido para discutir a liberdade de imprensa, a própria imprensa comete um atentado à liberdade de imprensa ao omitir um dos principais temas do evento que era a discussão sobre os monopólios de comunicação”, disse João Ricardo dos Santos Costa em entrevista à Carta Maior.
Na entrevista, o presidente da Ajuris defende, citando Chomsky, que “o maior obstáculo à liberdade de imprensa e de expressão são os monopólios das empresas de comunicação”. A “credibilidade” reivindicada pela RBS no editorial citado não suporta, aparentemente, apresentar a voz de quem pensa diferente dela. “O comportamento do jornal em questão ao veicular a notícia suprimindo um dos temas mais importantes do debate, que é a questão dos monopólios, mostra justamente a necessidade daquilo que estamos defendendo”, destaca o magistrado.
Carta Maior: Qual foi o objetivo do seminário sobre Liberdade de Imprensa e Poder Judiciário e quais foram os principais temas debatidos no encontro realizado dia 21 de outubro em Porto Alegre?
João Ricardo dos Santos Costa: A Ajuris foi procurada pela Associação Nacional de Jornais (ANJ) para promover um evento com o objetivo de debater liberdade de imprensa e o Poder Judiciário. A relação se justifica pelo grande número de questões que chegam ao Judiciário envolvendo a atividade jornalística. Essas questões envolvem, muitas vezes, decisões que limitam a divulgação de certas matérias. Pois bem, fomos procurados para fazer esse debate que gira em torno de dois valores constitucionais: a liberdade de expressão e a independência do Judiciário. Para alguns haveria um aparente conflito entre esses dois princípios. Nós nos dispomos, então, a construir por meio do debate o que significa a convivência desses dois valores em sociedade democrática. Esse foi o grande desafio que esse evento pretendia enfrentar.
Há duas posições veementes neste debate. De um lado há aqueles que não admitem nenhum tipo de cerceamento à informação; de outro, há aqueles que não admitem qualquer tipo de restrição ao trabalho do Judiciário. Do ponto de vista constitucional, cabe ao Judiciário solucionar todos os conflitos, inclusive os que envolvem a imprensa. A imprensa não está fora das regulações judiciais. Há um embate muito forte entre essas duas posições. Se, de um lado, a ANJ buscou explorar o tema da liberdade de imprensa sob a ótica da atividade judicial, nós buscamos fazer um debate sobre a questão constitucional da liberdade de imprensa, no que diz respeito à distribuição de concessões aos veículos de comunicação.
Carta Maior: Por que a Ajuris decidiu abordar o tema da liberdade de imprensa sob essa ótica?
João Ricardo dos Santos Costa: Chomsky tem dito que o maior obstáculo à liberdade de imprensa e de expressão são os monopólios das empresas de comunicação. Não só ele, aliás. Vários pensadores contemporâneos dizem a mesma coisa. Para nós, esse é o cerne da questão. Hoje não há pluralidade, não há apropriação social da informação. O que existe é o interesse econômico que prepondera. Os editoriais são muito mais voltados aos negócios. Hoje mesmo, o editorial de um jornal local [Zero Hora/RBS] expressa preocupação com a vitória de Cristina Kirchner na Argentina dizendo que seria um governo populista que teria explorado o luto [pela morte de Néstor Kirchner] para se reeleger.
Há toda uma preocupação sobre o que representa esse governo para os negócios das empresas de comunicação, em especial no que diz respeito ao conflito entre o governo argentino e o grupo Clarín. A sociedade brasileira só tem conhecimento do lado da empresa de comunicação. A visão do governo argentino sobre esse tema nunca foi exposta aqui no Brasil.
E aí vem uma questão fundamental relacionada à liberdade de imprensa. O problema não é o que os meios de comunicação veiculam, mas sim o que omitem. Esse é o grande problema a ser superado.
Carta Maior: E esse tema foi debatido no seminário?
João Ricardo dos Santos Costa: No nosso evento, eu lembro de uma fala do deputado Miro Teixeira. Ele disse que a história da censura envolve o cerceamento de grandes pensadores da humanidade, como Descartes, Locke, Maquiavel, Montesquieu, entre outros. Citou isso para exemplificar os danos sociais dessa censura. Mas hoje o que nós observamos é que os grandes pensadores contemporâneos são cerceados não pelos censores que existiam antigamente, mas pelos próprios detentores dos meios de comunicação. Os grandes meios de comunicação não veiculam, não debatem hoje os grandes pensadores da humanidade. Nomes como Amartya Sem, Noam Chomsky, Hobsbwan, entre outros, não têm suas ideias discutidas na mídia, não são procurados para se manifestar sobre as grandes questões sociais. Não são chamados pela grande mídia para dar sua opinião e o que acaba prevalecendo é o interesse do capital financeiro, que é aquele que não vai pagar a conta da crise.
Eu dou esse exemplo para demonstrar a gravidade do problema representado por esse monopólio, esse interesse econômico preponderante sobre o direito à informação. Esse interesse diz incessantemente para a sociedade que a única saída para superar a crise atual é por meio do sacrifício dos mais pobres e dos setores médios da população. Não se toca na questão do sacrifício do setor financeiro. Este setor não pode ter prejuízo. Quem vai ter prejuízo é a sociedade como um todo, mesmo que isso atinja direitos fundamentais das pessoas.
Então, esse debate sobre a democratização dos meios de comunicação é extremamente importante e deve começar a ser feito de forma transparente para que a sociedade se aproprie do que realmente está acontecendo e que possa ter autonomia em suas decisões e mesmo influenciar a classe política que hoje está entregue aos grandes financiadores de campanha que são os mesmos que fornecem a informação enlatada que estamos recebendo. Nós, da Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul, estamos propondo esse debate para a sociedade.
Carta Maior: Esse debate que o senhor relatou não apareceu na cobertura midiática do encontro pelo grupo RBS, que participou do mesmo. O jornal Zero Hora dedicou uma página ao encontro, com uma matéria intitulada “A defesa do direito de informar”, sem fazer nenhuma menção a essa parte do debate envolvendo os temas do monopólio e da democratização dos meios de comunicação. Como é que a Ajuris, que propôs esse debate, recebe esse tipo de cobertura?
João Ricardo dos Santos Costa: O comportamento do jornal em questão ao veicular a notícia suprimindo um dos temas mais importantes do debate, que é a questão dos monopólios, mostra justamente a necessidade daquilo que estamos defendendo. É como eu disse antes: o problema maior é aquilo que é omitido, aquilo que não é revelado. Esse é um caso paradigmático: em um evento promovido para discutir a liberdade de imprensa, a própria imprensa comete um atentado à liberdade de imprensa ao omitir um dos principais temas do evento que era a discussão sobre os monopólios de comunicação. Nós não vamos nos omitir em tratar desse assunto por mais dolorido que ele possa ser. É evidente que não é um assunto que deva ser banalizado. Ele é o mais importante de todos. Estamos tratando de pluralidade de pensamento.
Carta Maior: No debate, o deputado federal Miro Teixeira defendeu que a liberdade de imprensa é um direito absoluto. Qual sua opinião sobre isso?
João Ricardo dos Santos Costa: Eu compartilho a ideia de que não há nenhum direito absoluto, não pode haver. Neste contexto de monopólio, menos ainda. Liberdade absoluta de imprensa em um contexto onde sequer a Constituição Federal é cumprida. no sentido de proibir a existência de monopólios. É algo completamente daninho à democracia. Outra coisa com a qual eu também não concordo , envolvendo esse debate, é a afirmação do ministro Marco Aurélio Buzzi (do Superior Tribunal de Justiça) de que nós temos liberdade até para matar. Nós não temos liberdade para matar. Não vejo, dentro da nossa organização jurídica e de sociedade, que tenhamos liberdade para matar. Do fato de, no Código Penal brasileiro, “matar alguém...pena de tanto a tanto” aparecer como uma expressão afirmativa, não se segue o direito de matar. Nós não podemos matar e não podemos violar o Direito. Não temos essa liberdade. Não temos a liberdade de tirar a liberdade das outras pessoas. O direito individual não chega a esse radicalismo que se pretende com essa afirmação de que a liberdade de imprensa é um direito absoluto.
Carta Maior: A ANJ realizou recentemente, no Supremo Tribunal Federal (STF), um seminário semelhante a este realizado no Rio Grande do Sul. Há, portanto, uma óbvia preocupação com a posição do Poder Judiciário neste debate. Qual é, na sua avaliação, o papel do Judiciário neste contexto?
João Ricardo dos Santos Costa: O fato de se debater, em primeiro lugar, é um grande caminho para amadurecer esses institutos que, aparentemente, estão colidindo, na sociedade. É lógico que o Judiciário, nesta e em outras grandes questões da sociedade brasileira, tem sido provocado a se pronunciar. Muito pela ineficiência do Poder Legislativo. O STF tem decidido sobre questões que o Legislativo se mostra incapaz de resolver: união homoafetiva, aborto, demarcação de terras indígenas, células-tronco, entre outros. A pressão envolvendo esses temas está vindo para cima do Judiciário. E o Judiciário, por sua formatação de autonomia e independência, ele se mostra menos vulnerável a pressões. Decidir é da essência do Poder Judiciário, desagradando um dos lados em litígio.
Quando esse lado é muito poderoso, os danos à instituição podem ser pesados. Numa decisão, por exemplo, que contraria os interesses de um monopólio de comunicação, esse monopólio joga todo esse seu poder para atingir a credibilidade do Judiciário como instituição. Creio que aí aparece um outro grande debate que deve ser feito sobre até que ponto esse tipo de postura não corrói a nossa democracia.
Marco Aurélio Weissheimer
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Sobre fim dos jornalistas, na acampada

Estou saindo da acampada do 15-0 na Cinelândia e uma jovem jornalista, de um velho jornal carioca, me aborda. Depois de perguntar nome, idade, ocupação, vai direto ao ponto:
— O que vocês propõem, qual é a pauta de reivindicações do movimento?
— Acho que mais importante é perguntar o que o movimento faz, o que ele produz e, mais importante ainda, como ele faz e produz. A forma é diferente.
— Tá, mas, pode dar um exemplo…
— Por exemplo, aqui se está experimentando fazer uma mídia de maneira que não precisemos mais de jornalistas e jornalismo. — respondo sem tom de provocação, mas ela reage com uma atitude de condescendência, que é o pior tipo de arrogância.
— Sei, porque a mídia é golpista e tal, e vocês não, são os revolucionários. O jornalismo vai continuar existindo de um jeito ou de outro.
— Se o jornalismo surgiu há alguns poucos séculos, ele pode acabar também, as coisas mudam. E não entraria no mérito se é golpista, acho que seja mais simples e menos conspiratório: é porque você não é livre enquanto jornalista, a sua reportagem não será livre, esse movimento no fundo também é pra você.
— Claro que não. Por quê?
— Você tem um chefe, uma pauta, uma carreira, uma edição centralizada dos textos, você não escreve o que deseja e sobre o que deseja e, mais importante, como deseja; tem uma linha editorial, tem que respeitar certa forma de escrever, de construir e selecionar os fatos, tem truques e convenções impostos de fora pela profissão do jornalismo, do jornalismo sério. Por isso que a nova mídia tem que ser pós-jornalista e quando o jornalista vem pra nova mídia, ele precisa largar essa identidade e esses macetes. Se a nova mídia reproduz o mesmo jornalismo no formato 2.0, não é nova. — e ela vai anotando, condescendente.
— Então o melhor é deixar tudo para o estado, estatizar?
— Se fosse isso, a gente não estaria aqui acampado, teria procurado os partidos pra disputar o estado. Acho que a mídia não será livre quando toda ela for estado, mas quando todos formos mídia. Todo mundo pode colaborar numa narrativa em comum. A gente tá cansando de ouvir que no mundo socialista não tinha imprensa livre e é verdade. Mas não é muito diferente daqui. Lá na Romênia do Ceausescu o controle era mistificado pelo interesse público e o estado, e aqui ele é mistificado pela livre iniciativa, que qualquer um é livre pra montar uma empresa jornalística ou mudar de emprego, mas no fundo, aqui e na Romênia, é o mesmo jornalismo, ou seja, a falta de liberdade pra falar e de criatividade em comum. Se você for a favor da linha dos seus chefes, está bem, é livre, mas experimenta colocar opiniões verdadeiramente contrárias e que incomodam, ou então a fazer diferente, aí te censuram na certa. Claro que eles vão falar que no texto você perdeu a objetividade dos fatos, que está muito carregado de opiniões e achismos, que está político, ou horror, que está ideológico. Como se o fato e o jeito de montar esse fato que eles querem, e o modo como ensinam e pautam seus jornalistas, como prometem a carreira profissional, já não fosse a ideologia em primeiro lugar. E aí se você tem a opção de aceitar ou mudar pra outro jornal no mesmo formato controlado por outra família de poderosos, então não vai mudar muito. Você está num ciclo vicioso que se chama liberdade de imprensa, mas essa democracia não é real. Por isso quando a Acampada toma a palavra e faz diferente, essa é uma proposta importante. — nessa hora, a jornalista mudou a expressão, talvez tenha se dado conta que não ia me pegar no contrapé tão fácil, então tentou uma última.
— Então você quer extinguir o jornalismo, isso não é complicado, não é totalitário?
— É tão totalitário quanto o fato que esta entrevista não vai aparecer no seu jornal amanhã.
E não apareceu mesmo.
Bruno Cava
No Quadrado dos Loucos
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A maior reforma da educação profissional já feita no Brasil

O governo federal investirá, até 2014, R$ 24 bilhões na capacitação de jovens e adultos, informou hoje (24) a presidenta Dilma Rousseff no programa Café com a Presidenta, ao falar sobre o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e ao Emprego, que entra em vigor nos próximos dias. Ela destacou que serão 8 milhões de vagas em cursos de formação técnica e profissional para estudantes do Ensino Médio de escolas públicas e para trabalhadores; 5,6 milhões para cursos de curta duração, destinados à qualificação profissional de trabalhadores; e outras 2,4 milhões de vagas para cursos técnicos voltados aos estudantes do Ensino Médio, com duração mínima de um ano.
O Pronatec prevê, segundo a presidenta, que 30% dos recursos destinados à ampliação da oferta de educação profissional e tecnológica sejam aplicados nas regiões Norte e Nordeste, e reserva 5% das vagas para formação de pessoas com deficiência. Outra novidade é a reserva de 1,1 milhão de vagas para os beneficiários do plano Brasil sem Miséria. Para isso, o governo federal atuará em parceria com as prefeituras, que serão responsáveis pela participação da população adulta do Bolsa Família no programa.
Dilma Rousseff disse ainda que o governo está construindo 208 novas unidades dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia, sendo que 35 delas ficarão prontas ainda em 2011, e fazendo parceria com o sistema S – Senai e Senac – que, só este ano, irá ampliar a oferta de cursos profissionalizantes gratuitos para 630 mil vagas.
“Além disso, investimos R$ 1,7 bilhão na construção de 176 escolas técnicas estaduais, e também na reforma, ampliação e compra de equipamentos de outras 543 unidades. O Pronatec também vai financiar cursos técnicos em escolas privadas de educação profissional, como faz hoje com o Ensino Superior, por meio do Fies, o Fundo de Financiamento Estudantil. Além disso, Luciano [Seixas, apresentador], com o Pronatec, os investimentos das empresas em educação profissional não serão mais tributados”, informou.
Durante o programa, a presidenta comentou também a realização, no último fim de semana, do Exame Nacional do Ensino Médio. Cerca de 4 milhões de estudantes fizeram as provas do Enem, “que vem se tornando a maior porta de entrada para universidade no Brasil”.
“Para você ter uma ideia, as notas do Enem são o critério utilizado para distribuição, por ano, de 150 mil vagas do ProUni. E de outras 150 mil vagas nas universidades federais. São também a porta de entrada para a seleção das bolsas de estudos para os estudantes que irão se beneficiar do programa Ciência sem Fronteira. Cem instituições públicas, sabe, Luciano, já usam o Enem na seleção de seus estudantes. E esse número tende a crescer a cada ano.”
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Disputa olímpica

No próximo ano, Londres sediará as Olimpíadas, mas este ano, entre 5 e 8 de outubro, a cidade realizou a 41 WorldSkills Competition — as Olimpíadas Mundiais do Ensino Técnico.
Durante quatro dias, 944 competidores, de 51 países de todos os continentes, disputaram medalhas em provas que simulam o dia a dia do trabalho em 46 profissões.
Para receber a medalha de ouro, prata ou bronze na sua especialidade, os estudantes precisavam demonstrar habilidades técnicas e pessoais para executar as tarefas dentro de padrões internacionais de qualidade e no prazo estipulado.
Em um imenso galpão onde estavam montadas as 46 oficinas, o público assistia a jovens disputando qual deles seria o melhor cozinheiro, costureiro, mecânico, torneiro, jardineiro, webdesigner, joalheiro, marceneiro, carpinteiro, pedreiro e tantas outras profissões.
Algumas das profissões em disputa despertavam mais ou menos a atenção do público que acompanhava e torcia por seu país como numa competição esportiva. Mas era uma Olimpíada diferente, porque, além da medalha, como em um esporte, os concorrentes criam e produzem; saem com empregos garantidos graças ao desempenho de uma habilidade profissional.
Cada coreano vencedor recebe um prêmio de cem mil dólares. Não é por acaso que outra vez a Coreia foi o país que recebeu mais medalhas. O Brasil ficou em segundo lugar.
O honroso segundo lugar do Brasil se deve especialmente ao trabalho do Senai, que enviou 23 alunos, e do Senac, que enviou 5. Foram essas duas instituições que deram a formação aos brasileiros que participaram do maior torneio de educação profissional e tecnológica do mundo.
Os 28 estudantes da equipe brasileira conquistaram seis medalhas de ouro, três de prata, duas de bronze e dez certificados de excelência.
As medalhas de ouro foram conquistadas por Wilian de Souza (DF), em mecânica de refrigeração; Natã Barbosa (SC), webdesign; Rodrigo Ferreira da Silva (RJ), joalheria; Gabriel D’Espíndola (PR), eletrônica industrial; Guilherme Augusto (SP), desenho mecânico em CAD; e a dupla gaúcha Maicon Pasin e Christian Alessi, em mecatrônica.
Se nossas escolas técnicas federais tivessem participado, certamente teríamos um número ainda maior de campeões. O número de campeões realmente crescerá quando o Brasil fizer duas coisas.
Primeiro, quando der mais importância ao Ensino Fundamental. No mundo de hoje, para ter um bom Ensino Técnico, o aluno precisa ter tido uma boa base no Ensino Fundamental, conhecer os princípios da aritmética, álgebra, geometria e saber um pouco de inglês. Temos grandes campeões graças ao Senai e ao Senac, mas o número dos que puderam disputar — apenas 28 estudantes — foi pequeno.
Imagine se, no lugar de apenas alguns milhares, tivéssemos milhões de jovens na escola técnica, todos eles com uma boa formação fundamental.
Em segundo lugar, quando os jovens, os pais e os governos entenderem que, de hoje em diante, um bom emprego será mais seguro para quem tiver uma boa formação técnica do que para quem possuir um deficiente curso universitário.
No Brasil, ainda dividimos a educação entre Universidade e Nada, como se o futuro estivesse apenas no Ensino Superior. Mas, quando se analisa o apagão de mão de obra de que o Brasil padece, percebe-se que a verdadeira falta é de profissionais técnicos, e não de profissionais universitários.
Por isso, se você quer um bom futuro para seu filho, deve pensar também em uma universidade, mas pense antes em um bom curso técnico. Com sua profissão garantida, com emprego certo, ele poderá pensar em um curso superior, para atender a vocação, mas não por causa do salário, que poderá ser maior como técnico especializado.
Para melhorar o Ensino Fundamental, é preciso que os governos percebam a importância da boa escola, desde a primeira infância, e também que as famílias estejam atentas, visitem a escola e cobrem a qualidade educacional. Para ressaltar a importância do Ensino Técnico seria bom que o Brasil assistisse ao espetáculo da competição entre os alunos no WorldSkills.
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, com o apoio das federações estaduais, apresentou em Londres proposta para sediarmos a 43 WorldSkills, em 2017.
Até lá temos algum tempo para que as famílias incentivem os jovens na escolha de cursos técnicos, de modo a que a nação brasileira faça sua revolução educacional, criando um Ensino Fundamental de qualidade para todos.
Cristovam Buarque, senador (PDT-DF)
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Presidenta inaugura Ponte Rio Negro e assina proposta para prorrogar Zona Franca de Manaus

Ao lado do ex-presidente Lula, presidenta Dilma inaugura a ponte Rio Negro, em Manaus.
Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
A presidenta Dilma Rousseff inaugurou hoje (24) a Ponte Rio Negro, que liga Manaus ao município de Iranduba (AM). Com 3,5 quilômetros de extensão, é a maior ponte estaiada do Brasil em águas fluviais, somando 400 metros os trechos suspensos por cabos. Um multidão enfrentou o calor para participar da cerimônia de inauguração do empreendimento no dia em que a capital amazonense comemorou seus 342 anos.
“Essa ponte mostra que é possível fazer com que aqui se gere empregos e, ao mesmo tempo, se preserve o meio ambiente”, disse a presidenta Dilma sobre a obra que levou três anos e dez meses para ser concluída, e gerou 3,4 mil empregos diretos.
O empreendimento começou ainda no governo do ex-presidente Lula, que também participou da inauguração. “Hoje é dia de alegria. Valeu a pena”, afirmou ele.
Na cerimônia, a presidenta Dilma Rousseff também assinou Proposta de Emenda Constitucional e Projeto de Lei para prorrogar por 50 anos a Zona Franca de Manaus e ampliá-la à Região Metropolitana. Os textos serão enviados ao Congresso Nacional.
“É o reconhecimento da situação do povo do Amazonas e também do que representam a floresta e a biodiversidade, essa imensa riqueza”, ressaltou a presidenta.
Ponte Rio Negro – Após a cerimônia de inauguração, a presidenta Dilma atravessou, de carro, os 3,5 quilômetros da ponte sobre o Rio Negro. O empreendimento custou R$ 1,099 bilhão, o que inclui obras complementares, como a construção de 7,4 quilômetros de acessos viários do lado de Manaus e de Iranduba, e a implantação dos sistemas de proteção dos pilares contra choque de embarcações, de sinalização náutica e de iluminação da ponte e de seus acessos.
Do total de recursos aplicados, R$ 586 milhões foram financiados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e R$ 513 milhões do Governo do Amazonas.
No Blog do Planalto
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Discurso de Cristina Kirchner

La presidenta Cristina Fernández de Kirchner se dirigió al país desde la sede del Frente para la Victoria en el hotel Intercontinental de Buenos Aires, al ser reelecta para un nuevo mandato presidencial hasta el año 2015.
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A vitória do Kirchnerismo: Perdeu Urubóloga, perdeu!

Morte de Kirchner altera quadro político atual e a sucessão
A morte do ex-presidente Nestor Kirchner altera completamente o quadro político da Argentina. Ele era o pré-candidato à presidência da República na eleição do ano que vem numa alternância combinada com sua mulher, a presidente Cristina Kirchner.
Na verdade, altera o quadro de poder na Argentina no momento, porque os dois governaram juntos no mandato dela, com inclusive preponderância dele sobre ela. Houve um momento no começo do governo em que ela só cuidava de questões protocolares, ficando a maior parte do tempo na Residência de Olivos enquanto ele governava, Kirchner é que comanda a relação do governo com os sindicatos e o Partido Justicialista.
Para o bem e para o mal, os dois se misturaram. A tal ponto que ele esteve envolvido em escândalos do governo e nos projetos mais polêmicos. No La Nacion de hoje um artigo do jornalista Luis Majul dizia que em 2012 ou Kirchner estaria na cadeia ou na Casa Rosa.
O projeto do casal era aumentar o controle sobre a imprensa, para eliminar críticas, aumentar o crescimento - este ano o país está crescendo - esconder a inflação através de manipulação dos dados, intensificar o caráter populista do Partido Justicialista e reelegê-lo no ano que vem.
Como será o governo de Cristina sem ele é uma incógnita porque apesar de ela ter feito uma carreira política prévia ela se deixou eclipsar por ele. Recentemente aumentaram os rumores de atritos entre os dois, mas a união deles politica parecia indissolúvel. Até que a morte os separou.
A Argentina deve aprofundar a crise e a divisão passadas as emoções da despedida. Hoje é o dia em que os argentinos estavam em feriado nacional para ajudar o trabalho do Censo. Uma pesquisa que - parece incrível vendo da perspectiva do censo brasileiro - estava sendo considerada suspeita de ser usada para manipular os dados para a eleição do ano que vem, e por isso é objeto de campanha de boicote.
Assim, dividida, fragmentada, em delicado momento político, a Argentina perde o ex-presidente que a tirou da última e devastadora crise de 2001/2002. Sem ele, acaba o Kirchnerismo.
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Lula acompanha inauguração de ponte em Manaus e viaja ao México para receber outro prêmio

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva viaja nesta segunda-feira (24) para Manaus, onde acompanhará a cerimônia de inauguração da ponte sobre o Rio Negro pela presidenta Dilma Rousseff e pelo governador Omar Aziz, que convidou o ex-presidente para participar do evento.
A ponte sobre Rio Negro ligará Manaus à cidade vizinha de Iranduba. É a maior ponte da Amazônia, com 3.595 metros de extensão. A data da inauguração coincide com o aniversário da cidade, que completa 342 anos.
Na terça-feira (25), o ex-presidente recebe na Cidade do México o prêmio Amalia Solórzano, concedido a uma personalidade que se destacou no trabalho pelo desenvolvimento do seu país. O prêmio é concedido pelo Centro Lázaro Cárdenas y Amalia Solórzano. A cerimônia será às 19:00 (horário local) no Palácio de Minería, Segundo Cuauhtémoc Cárdenas, o prêmio será concedido à Lula por ele ter promovido, durante seu governo, as causas da paz, da integração latino-americano e da redução da exclusão social. Causas que o Centro pretende promover no México.
No México Lula também participará da IX Cumbre de Negócios, na cidade de Querétaro. O evento é um forum que reúne lideranças políticas e empresariais para debaterem os rumos do México. Lula falará na terça-feira (25) de manhã, antes da participação no evento do presidente mexicano Felipe Calderón.
Na quarta-feira (26) o ex-presidente retorna para São Bernardo do Campo.
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Cristina derrota o PiG. Não dá a menor bola pra ele

O PIG brasileiro tem um problema com a Cristina Kirchner.
Se o amigo navegante tiver o infortúnio de só ler o PiG brasileiro, estará convencido de que Cristina Kirchner é a maior derrotada na eleição deste domingo na Argentina.
Um dos melhores jornais do mundo, El País, da Espanha, leva a Cristina a sério.
E explicou um dos motivos da popularidade dela:
Cristina ignora e menospreza o PiG.
Cristina, como se le conoce popularmente, ha cerrado la campaña sin conceder una sola entrevista, sin aceptar un solo debate en televisión y sin conceder el más mínimo reportaje. Su estrategia de comunicación consiste en no someterse nunca a ruedas de prensa y en utilizar directamente la televisión para hacer llegar sus mensajes, rodeada de fieles, en actos oficiales o semi oficiales que, en muchas ocasiones, se transmiten en cadena por prácticamente todas las emisoras. El resultado, si se hace caso a los sondeos, ha sido magnifico.
Cristina não vai à festa da revista Exame, editada pela Abril, que publica aquele detrito de maré baixa.
Cristina não faz omelete na tevê do Clarín.
Nem implora para dar entrevista à GloboNews.
Ah, que inveja da Argentina, onde o marido da Cristina mandou para a rua os ministros do Supremo que o Menem nomeou.
Onde o Coronel Ustra vai morrer na cadeia.
Onde o Bernardo fez a Ley de Medios.
Que inveja!
Paulo Henrique Amorim
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O papel deletério dos "analistas" econômicos

No final dos anos 90, ouvi do ex-presidente do Banco Central Gustavo Loyolla que ele era um "jurista" - explicou: defensor dos juros altos.
É o mesmo que um médico se autodenominar "antibiotiquista" - defensor do antibiótico para qualquer circunstância. Juros e antibióticos são adequados para algumas circunstâncias, não para todas. Mas Loyolla se denominava "jurista" para qualquer circunstância.
No BC, era especialista em normas, não em macroeconomia. Assim como o ex-MInistro da Fazenda Maílson da Nóbrega nunca foi. No entanto, mesmo não sendo pensadores, jamais tendo desenvolvido trabalhos teóricos de peso sobre o tema - como, por exemplo, Pérsio Arida e André Lara Resende, Yoshiaki Nakano e Chico Lopes - tornaram-se as fontes mais ouvidas pela imprensa especializada.
A atual crise econômica levou a um duro balanço nos Estados Unidos sobre as razões para a opinião pública e especializada não terem previsto o maremoto que se avizinhava. E constatou-se o uso indiscriminado de especialistas acadêmicos contratados para dar uma vestimenta "científica" a teses cujo único objetivo era a de favorecer grandes investidores.
Em geral, eram acadêmicos notáveis, premiados, com teses sofisticadas - embora falsas.
No Brasil, esse jogo de legitimação do mercado se deu com personagens brandindo argumentos primários.
Anos atrás, por exemplo, o IBGE soltou um estudo mostrando que 55% dos aposentados e pensionistas eram arrimo de família, graças ao aumento do salário mínimo.
Significava que, além de amparar seus aposentados, o aumento do SM permitiu grandes avanços na educação, saúde, segurança pública - ao impedir que as famílias se desagregassem, por falta de recursos, seus membros ficassem subalimentados, doentes, as crianças não frequentassem escola e acabassem nas malhas do crime organizado ou de rua.
Em vez de celebrar esses efeitos, a Tendências Consultorias incumbiu um de seus economistas, José Márcio Camargo, de refutar a tese. Camargo pegou então um ex-aluno - que trabalhava no IPEA - e escreveram, juntos, um trabalho tentando demonstrar que o aumento do salário mínimo aumentaria a propensão à vagabundagem por parte dos dependentes de aposentados.
O trabalho não conseguiu demonstrar nenhuma das hipóteses pretendidas. Nas famílias com aposentados era maior o número de jovens estudando, menor os que nem trabalhavam nem estudavam.
No entanto, o trabalho terminava atropelando suas próprias constatações e dizia-se, nas conclusões que, embora não comprovado, havia indícios de que as teses eram corretas.
Hoje em dia, há consenso entre os pesquisadores sérios de que grande parte do avanço econômico brasileiro nos últimos anos se deveu à formação de um novo mercado de consumo, impulsionado pelo Bolsa Família, aumento do salário mínimo, e programas sociais como Luz Para Todos, Pronaf, saneamento básico.
Essa talvez seja a face mais atrasada do país, economistas brandindo um suposto discurso internacionalista - como se representassem a modernidade - e, no entanto, sendo tão anacrônicos quantos o pensamento mais atrasado da Velha República.
Luis Nassif
No Advivo
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O Mecanismo Europeu de Estabilidade

O Mecanismo Europeu de Estabilidade (MEE) não é tanto um mecanismo e sim uma nova administração da União Europeia. O objetivo declarado é fornecer empréstimos (sob condições estritas) a países do euro que já não podem cumprir suas obrigações financeiras. Ele retomará as tarefas do Mecanismo Europeu de Estabilidade Financeira e o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira, mais conhecidos pelos seus nomes em inglês: European Financial Stabilisation Mechanism (EFSM) e European Financial Stability Facility (EFSF). 
O MEE será gerido por um Conselho de Governadores, composto pelos 17 ministros das Finanças dos países do euro situados na União Europeia.
O MEE é o novo ditador europeu. Quando quer, e tão frequentemente quanto quiser, ele pode simplesmente exigir a países da zona euro que paguem bilhões em 7 dias! Ele pode arruinar um governo em menos de uma semana!
Se por golpe de estado entendermos a tomada do poder real e a limitação do poder do Parlamento nacional democraticamente eleito, então o tratado do MEE é um golpe de estado nos 17 países simultaneamente.
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Berzé

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O Mal do Brasil

Desde o século XIX, quando começamos a nos definir como país, começamos a procurar a raiz de nossos males. A construção de uma identidade nacional brasileira é inseparável dessa busca.
É como se, entre o destino imaginado de potência e a realidade mesquinha que se percebia, se interpusesse um obstáculo. Corretamente identificado e tratado, ele poderia ser removido, assim permitindo que nossas vocações fossem plenamente realizadas.
A história do pensamento social brasileiro é marcada por sucessivas tentativas de encontrar essa raiz, a partir da qual todos os problemas se tornariam inteligíveis.
Ninguém se iludiu achando que havia só uma, mas foi comum a convicção de que era possível descobrir a causa fundamental do drama nacional (no máximo, a combinação das duas ou três que o explicavam).
A saúva, formiga que poucos, hoje em dia, sequer conseguem identificar, já foi candidata ao posto. Ficou conhecida quando Saint Hilaire, um dos mais importantes viajantes estrangeiros a percorrer o Brasil e que aqui esteve nos anos 1810 e 1820, declarou que “Ou o Brasil acaba com a saúva ou a saúva acaba com o Brasil”.
Duzentos anos depois, nem uma coisa, nem outra aconteceu. O Brasil não terminou e as saúvas ainda aborrecem os agricultores.
Mas a verdadeira fama do inseto veio no século passado, quando Macunaíma formulou seu catastrófico diagnóstico: “Pouca saúde e muita saúva, os males do Brasil são!”. Mário de Andrade brincava com a frase do viajante francês e fazia uma crítica ao chamado higienismo, característico do pensamento médico e de alguns setores conservadores do período.
Para os higienistas, o atraso do Brasil era consequência das doenças que tornavam os brasileiros indolentes, passivos e resistentes à modernização. Somente uma revolução sanitária poderia salvar-nos, difundindo novos comportamentos, erradicando tradições e medicando a população.
Como dizia Monteiro Lobato, a principal voz literária do movimento, era preciso acabar com a “velha praga”, o “piolho da terra”, o “funesto parasita”, o Jeca Tatu.
A ideia de que a doença (entendida nesses termos) é o “mal nacional” se parece a outras que conhecemos antes e depois em nossa história política e intelectual. A miscigenação, a herança ibérica, o psiquismo transmitido pelos portugueses, a desnutrição, já ocuparam o lugar.
E todas tiveram sua implicação terapêutica. Se o problema, por exemplo, era o “peso exagerado” de “raças inferiores” (como acreditava Oliveira Vianna), o remédio seria encorajar a imigração de europeus do norte.
Se éramos subdesenvolvidos pela tradição ibérica de desvalorizar a iniciativa individual (como queria Tavares Bastos), podíamos importar instituições norte-americanas. Se tudo decorria da falta de nutrientes na dieta dos brasileiros (como imaginava Josué de Castro), podíamos distribuir merendas balanceadas aos escolares.
Hoje, só aumenta a proporção dos que acham que conhecem a causa do “problema brasileiro”. No senso comum, a corrupção se tornou a grande vilã, a culpada por tudo que acontece de ruim.
As pessoas pouco informadas são as que mais acreditam nisso. Nas pesquisas, as menos interessadas e de menor participação política é que mais tendem a concordar com teses simplistas.
A ideia de que a corrupção é a raiz de nossos problemas costuma andar de braços dados com a impressão de que o governo pode tudo e só deixa de fazer o que deveria por sua causa.
Quem pensa assim supõe que a saúde, a educação, a segurança, são precárias porque há corrupção. Se não, haveria dinheiro para elas.
A oposição sabe que a tese é falsa. A mídia oposicionista deveria sabê-lo. Mas ambas a sustentam, pois acham que isso enfraquece o governo.
Em apoio, usam estatísticas sem pé nem cabeça. Como a da FIESP, que estima, usando metodologia inteiramente questionável (pois se baseia nas percepções do empresariado captadas em pesquisas de opinião), que o custo anual da corrupção no Brasil seria de R$ 70 bilhões (isso, se tivéssemos zero de corrupção, o que não existe em nenhum país do mundo).
Na explicação de porque a população não tem boas políticas de saúde, educação ou qualquer coisa, as causas são diversas. Perde-se (muito) mais por falta de planejamento e administração, por não qualificar e pagar melhor os servidores, pela incompetência e a burocracia crônicas, que com a corrupção.
Lutar contra ela é tarefa cotidiana de todo governo. Mas dizer que a corrupção é o mal do Brasil apenas desvia a atenção. O problema brasileiro (e de todo país) é que não há um só problema.
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi.
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