21 de out de 2011

Refúgio de Canalhas

“Quem é Charles Augustus Milverton, Holmes? O maior canalha de Londres, Watson”, responde Sherlock Holmes. O maior detetive de todos os tempos não economizou no adjetivo ao qualificar o sujeito, cuja ocupação era achacar pessoas honradas.
Chamo também de canalhas, aqueles que maculam a honra alheia plantando mentiras em veículos de comunicação. A pistolagem moderna – mesmo que ainda existam pistoleiros – chama-se reportagem caluniosa, uma matéria jornalística, imputando um crime a alguém, sem nenhuma prova material. É de pensar que esses textos são feitos apenas por crápulas que escrevem em Blogs de aluguel. Mas não é. A prática está disseminada em grandes veículos de comunicação, que estão rompendo com as mais elementares regras do jornalismo. Não estou me referindo ao caso do ministro dos esportes, nem sobre comentários de leitores em artigos e matérias em geral.
Falo dos órgãos de imprensa que estão entrando no mesmo nível de marginalidade dos adversários que combatem; usando os mesmos métodos vergonhosos de seus acusados; a mesma prática suja dos homens públicos envolvidos em falcatruas, e isso é muito ruim. Governo é para apanhar. A imprensa tem que fiscalizar, escarafunchar, desmascarar, bater mesmo. Outra coisa é colocar pessoas honradas no mesmo saco dos sujos, imputando-lhes crimes para atingir outrem. Essa prática é mercenária.
Ninguém é ingênuo, ao ponto de pensar que órgãos de imprensa e jornalistas não têm lado e que, a verdade não seja sacrificada em nome de interesses, sejam eles quais forem. Mesmo nos EUA e Inglaterra, a imprensa age assim. O velho inescrupuloso, Rupert Murdoch, dono de um império de comunicações, é prova disso. A diferença é que, nesses países, a justiça funciona, e os caluniadores pagam caro por suas canalhices.
Costumo dizer em rodas de conversa, debatendo nossos problemas, que, no Brasil, você gira, gira, discutindo coisas e, no final, conclui que nossas desgraças são causadas pela ineficiência do nosso estado de direito. Nossa justiça é ruim, muito ruim. Não temos como deter a corrupção no Brasil, em suas múltiplas formas, se não punirmos as pessoas. A Inglaterra deu certo por isso, e a Grécia está agonizando por que é corrupta.
Difamadores de aluguel sempre existiram, jornais venais também. Há cinco séculos, um caluniador chamado Aretino vendia sua verve a quem pagasse mais. Era contratado por nobres para destruir a reputação de seus inimigos, com seus panfletos difamatórios. Aretino chegou a ser apunhalado e espancado por suas vítimas, várias vezes.
A imprensa é livre e deve permanecer assim. Tudo que for visto de errado deve ser denunciado, principalmente na esfera pública. Mas o que fazer com os caluniadores e defensores de bandidos, contratados para espalhar mentiras, escondidos nas redações? Infelizmente, o refúgio para esses canalhas, como diria o Dr. Johnson, no Brasil, é o poder judiciário, que, na sua incompetência, não os pune como deveria.
Que ninguém pense que estou atacando o trabalho fiscalizador da imprensa séria. Do mesmo jeito que bato em homens públicos corruptos, todas as semanas, neste espaço, é meu dever também acusar o jornalismo nefasto.
Shakespeare nos disse em Medida por Medida: “Nem a grandeza, nem o poder, neste mundo mortal, podem escapar da calúnia que fere pelas costas e ataca a mais branca das virtudes.”. E pergunta: “Que Rei é bastante poderoso para conter o fel de uma língua caluniadora?”. A resposta é, nenhum!
No passado, os ofendidos defendiam sua honra em duelos com pistolas, mas a lei proibiu a prática. Hoje, apenas os caluniadores podem usar pistolas e atirar pelas costas. No Brasil, a justiça garante!
Theófilo Silva é articulista colaborador da Rádio do Moreno.
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Mutassim Kadafi capturado vivo - mas aparece morto (VÍDEO)

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Orlando Fica

Ministro apresenta explicações sobre denúncias à presidenta e diz que Dilma reafirmou “confiança e solidariedade”
Brasília – Terminou há pouco a reunião da presidenta Dilma Rousseff com o ministro do Esporte, Orlando Silva. Ao final do encontro, no Palácio do Planalto, que começou às 19h, o ministro disse que apresentou à presidenta um relatório contestando ponto a ponto as denúncias feitas pelo policial militar João Dias Ferreira em reportagem da revista Veja.
"Nós conseguimos provar a atitude correta que temos no Ministério do Esporte", disse Orlando Silva. O ministro também falou que ofereceu a quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico, segundo ele, “porque quer a transparência máxima”.
De acordo com Orlando Silva, a presidenta Dilma sugeriu serenidade e paciência e reafirmou “confiança e solidariedade”. A parte final da reunião de cerca de uma hora e meia, segundo o ministro, foi dedicada a assuntos do ministério.
Luciana Lima
No Agência Brasil
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Pobre Líbia. Sucessor de Kadafi, é o pior ministro de Kadafi.

Kadafi já foi muito popular, amado por seu povo, quando era um líder progressista: fez a reforma agrária, investiu as riquezas, sobretudo do petróleo, para a educação e saúde, e enfrentou o imperialismo, em vez de se deixar ser corrompido por ele. A Líbia se tornou o país com maior índice de desenvolvimento humano da África, e foi o mais rico país muçulmano. Tudo graças a políticas nacionalistas e populares.
Nos últimos anos, aparentemente sob influência de seu filho que era preparado para sucedê-lo, mas tinha idéias corrompidas pelo imperialismo, implantou políticas neoliberais, privatizou, cortou subsídios de alimentos. Desde 2007 quem chefiava a equipe econômica de Kadafi era Mahmoud Jibril (guarde esse nome, que ele voltará ao fim do texto), uma espécie de José Serra, neoliberal adestrado na Universidade de Pittsburgh (EUA).
O desemprego aumentou e o custo de vida também. A popularidade de Kadafi decaiu. Tornou-se um conservador, e só é bom conservar o que está bom. A Líbia estava piorando. Que precisava de mudanças, não se dicute, mas não mudanças para pior. E é o que está acontecendo é piorar.
Em novembro de 2010 na cimeira (encontro) África/União Européia, Kadafi ameaçou voltar ao nacionalismo e independência na política externa: disse que o FMI e o Banco Mundial destruíram a África, e disse que a palavra terrorismo também pode ser aplicada ao receituário neoliberal destas entidades, da mesma forma que se aplica à Al Qaeda de Bin Laden.
Disse que a África, na falta de parceria em pé de igualdade com a Europa, poderia voltar-se para os BRIC's (Brasil, Rússia, India e Chinja) e outros países da América Latina.
Em 2011, surgiram as rebeliões na Tunísia e Egito. Kadafi sempre enfrentou minorias de oposição rebelde, e os EUA e Europa resolveram aliarem-se a eles, fornecendo armas, mercenários e bombardeios da OTAN. Mahmoud Jibril (aquele nome acima) desertou do governo de Kadafi e aliou-se aos "rebeldes".
Kadafi foi derrubado, e entrou no rol da história como aqueles que morreram sem se render, como Saddan Hussein. Por mais que sejam demonizados na imprensa ocidental, e que tenham suas responsabilidades na violação de direitos humanos da oposição, o fato é que foram dois líderes nacionalistas (na maior parte do tempo) que não se renderam às potências imperialistas e, mais cedo ou mais tarde, seus povos irão inspirar-se nesta resistência.
Mas e quem assume na Líbia? O primeiro ministro é Mahmoud Jibril, aquele nome que pedi para se lembrarem acima: o neoliberal adestrado nas universidades estadunidenses, que até março de 2011, foi justamente o ministro de Kadafi responsável por agradar a elite imperialista e arruinar a sua popularidade. Pobre Líbia, será espoliada nesta década, como a América Latina foi nos anos 90.
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PF informa que até agora não recebeu provas materiais de João Dias

“A Polícia Federal informa que até agora não recebeu do policial militar João Dias Ferreira, autor de denúncias sobre a existência de um esquema de corrupção no Ministério do Esporte, nenhum documento ou gravação que possa resultar em prova material para embasar as investigações sobre o caso que envolve o ministro da pasta, Orlando Silva. A informação foi confirmada nesta sexta-feira (21/10) pela Agência Brasil no Departamento de Polícia Federal, no Instituto Nacional de Criminalística e nas superintendências da PF no Distrito Federal e em São Paulo.
Ao deixar a Superintendência da Polícia Federal no DF, onde prestou depoimento por mais de sete horas na quarta-feira (19), João Dias disse ter entregue “alguns materiais, algumas provas, algumas degravações e alguns documentos fraudados emitidos pelo ministério”. Além disso, ele prometeu entregar novos documentos e áudios na segunda-feira (24).
Em matéria publicada pela revista Veja, o militar denunciou um esquema de corrupção no Programa Segundo Tempo, que repassa recursos para incentivar a prática de esportes entre crianças de baixa renda. Segundo a publicação, o próprio ministro recebeu dinheiro desviado do programa, em troca da liberação de recursos para uma organização não governamental.”
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Quando as mulheres acham mulheres atraentes

Estudo feito pela Boise State University aponta que
45% das mulheres entrevistadas já beijaram
outras mulheres
Estimados leitores, de todos os gêneros, marcas, modelos, cor, tamanho, preferência clubística ou gastronômica, pânico em Detroit, como diria David Bowie.
O que os estudos do Instituto de Pesquisas Carneiro da Cunha já apontavam há algum tempo agora é ciência da boa e comprovado pela Universidade de Boise, Idaho, nos Estados Unidos: mulheres hetero, sessenta por cento delas, caros leitores, caras leitoras, sentem atração por outras mulheres.
Em não estamos falando de mulheres homossexuais, mas mulheres hetero, que pegam, matam e, ocasionalmente comem esses estropícios também conhecidos como nós, homens. Mulheres hetero, quando apreciam o corpo, a alma, e outras qualidades igualmente espirituais de outras mulheres podem, muito tranquilamente estarem fantasiando sobre uma e outra em trajes de oncinha e se debatendo em um cenário de Ultimate Fighting sobre gel. Essas mulheres!
O estudo da Boise State University detalha melhor a coisa: 45% das mulheres pesquisadas já beijaram outras mulheres, e não parece que na bochecha ou em um feliz aniversário, mas se admirando pra caramba, durante uma festinha na empresa, no clube, na praia ou no campo. 50% já tiveram fantasias sexuais com outras mulheres, provavelmente muito mais do que as que fantasiam sexualmente com esses trastes também conhecidos como homens - que raramente justificam uma boa fantasiada, tão óbvios que são, tadinhos.
Agora, caiu aqui com a Playboy, caros leitores: a Boise State University, como o nome sugere, fica em Boise. Boise, para os poucos que ainda não sabem, fica em Idaho. Idaho, batatais leitores, é famoso pelas batatas, e nem um pouco pela liberalidade em qualquer assunto que não seja fritas com ketchup, maionese ou mostarda. Se em Boise é assim, imaginem aqui ao nosso redor. Se americanas, que podem ser acusadas de tudo, menos de sensualidade excessiva, são assim, imaginem as brasileiras. As americanas precisam se vestir de oncinha para parecerem que sentem alguma coisa pelo sexo com quem quer que seja, ou com o que quer que seja. As nossas são onças, que saem por aí fazendo de conta que se civilizaram nos últimos anos, mas só fazendo de conta.
Que medo de sair às ruas, caros leitores! Quero dizer, que medo, se eu tivesse a sorte e o bom senso de ter nascido mulher, coisa que obviamente me escapou na época certa. E acho que passou o momento para bisturis, no meu caso ao menos.
O Instituto Carneiro da Cunha de Estudos Sobre Praticamente Todas as Coisas já tinha apontado para essa tendência há algum tempo. Tanto que em breve sai um livro intitulado "Primeira Vez e Muitas Vacas", escrito por esse que vos atormenta, que aborda exatamente esse tema, mesmo que não lá tão cientificamente quanto o pessoal de Boise, Idaho.
Homens não são de nada, caros leitores. Nós chegamos ao mundo ancorados por um pênis, que além de balançar ridiculamente pra lá e pra cá e sentir muito frio ou timidez nos momentos de exposição, também não nos deixa em uma situação muito impressionante nos melhores momentos. Somos, sinceramente, esquisitos pra caramba. O tal pênis, que Freud erroneamente acreditava ser uma inveja das mulheres era, na maior parte de tempo, motivo de riso delas, que entre outras coisas, nadam melhor do que a gente por falta de resistência ao avanço hidrodinâmico. Tudo que o nosso glorioso apêndice nos proporciona nesses momentos é nos levar mais para um lado ou outro da piscina. Mas ele nos prende, caros leitores, a um e um papel somente. Ou somos heteros, ou somos gays, e, com a nossa tradicional falta de imaginação, se não somos isso, também não somos mais nada.
Mulheres, super e ultra poderosas, livres de entulhos, se deslocam livremente, escolhendo e beijando quem bem entendem, mulheres inclusive, que além de igualmente deusas e poderosas, usam perfume.
Para nossa sorte, essas predadoras naturais são onívoras, o que nos mantém no seu cardápio de preferências, ufa! Mas nada impede a evolução natural das coisas de fazê-las irem mais para lá, e menos para cá. Nós não temos assim tanta energia, e nos distraímos se houver Barça x Qualquer Coisa. Não nos concentramos em beijar partes como costas e tendões em geral, e elas ficam muito, muito irritadas com essa nossa falta de sensibilidade para o que importa. Somos os piores amantes do mundo, com exceção dos moluscos, talvez. Pensando bem, porque somos moluscos, boa parte do tempo.
Sei não, mas os dados assustam. Por enquanto, seguimos com algum valor de mercado, mas acho que essas pesquisas deveriam servir de aviso. Ou nos aprumamos e aprendemos a valorizar o que importa para as mulheres - tipo tudo -, ou em breve vamos poder, no máximo assistir. E com mais um tempo, quem sabe, caros leitores, nem isso. Fica o aviso.
Marcelo Carneiro da Cunha é escritor e jornalista. Escreveu o argumento do curta-metragem "O Branco", premiado em Berlim e outros importantes festivais. Entre outros, publicou o livro de contos "Simples" e o romance "O Nosso Juiz", pela editora Record. Acaba de escrever o romance "Depois do Sexo", que foi publicado em junho pela Record. Dois longas-metragens estão sendo produzidos a partir de seus romances "Insônia" e "Antes que o Mundo Acabe", publicados pela editora Projeto.
No Terra Magazine
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Banqueiro bandido continua “pilhando” as riquezas nacionais

O deputado Delegado Protógenes (PCdoB-SP) denunciou, nesta quarta-feira (19), a “pilhagem” das riquezas nacionais e do dinheiro público na Justiça brasileira. Para o parlamentar, a liberação do judiciário para que as empresas do banqueiro bandido Daniel Dantas compre ações da Vale do Rio Doce foi uma afronta à Constituição da República e, em especial, às normas processuais.
Protógenes lembrou que as empresas do “banqueiro bandido” foram investigadas na operação Satiagraha e identificadas como autoras de crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, crimes contra o sistema financeiro e contra o sistema tributário nacional.
Leia a matéria Dantas recupera espaço na Valepar no Valor Econômico.
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As razões que explicam o sucesso de Cristina Kirchner

O momento econômico favorável que vive a Argentina é uma das principais razões para explicar a reeleição da presidenta que, segundo as pesquisas, deve ocorrer neste domingo. Os números da economia seguem em alta, com uma alta do PIB, prevista para 8,3% este ano. Este fato permitiu realizar um gasto social que melhorou significativamente a vida das pessoas por meio de medidas políticas de promoção do emprego e do poder aquisitivo, como o aumento do salário mínimo, programas sociais revolucionários como a Bolsa Universal por Filho, ou de medidas de aceitação universal como a transmissão de jogos de futebol pela TV pública.
No domingo, 23 de outubro, Cristina Fernández de Kirchner será reeleita – quase com certeza – presidenta da Argentina para o período 2012-2015. Isso é o que indicam diversas pesquisas que circulam no campo político argentino e apontam índices que variam de 50% a 57% da votação para ela e uma ampla diferença em relação aos seus adversários diretos. Neste cenário, a mandatária e o movimento que representa – kirchnerismo – podem se converter no processo político mais extenso da história democrática argentina.
Tudo indica que os 29 milhões de argentinos que irão às urnas neste domingo darão seu respaldo a um modelo conduzido primeiro por Néstor Kirchner (2003-2007) e depois por Cristina Fernández, que foi capaz de reconstruir a autoridade pública e relegitimar a representação política após a crise econômica de 2001, enfrentando uma série de problemas vinculados à férrea oposição dos meios de comunicação hegemônicos, escândalos de corrupção, lutas internas, polarização política e, em especial, a morte de seu líder natural ocorrida em outubro de 2010.
Mas, qual são mesmo os fatores que explica o favoritismo de Cristina Fernández de Kirchner neste domingo?
Muitos analistas concordam que o momento econômico favorável que vive o país é a chave para explicar a reeleição. Os números da economia seguem em alta, com uma melhora do Produto Interno Bruto, prevista para 8,3% este ano. Este fato permitiu realizar um gasto social que melhorou significativamente a vida das pessoas por meio de medidas políticas de promoção do emprego e do poder aquisitivo, como o aumento do salário mínimo, programas sociais revolucionários como a Bolsa Universal por Filho, ou de medidas de aceitação universal como a transmissão de jogos de futebol pela TV pública.
Nos círculos econômicos se reconhece o crescimento sustentável que o país mantem desde 2008 e suas consequentes medidas de redução da dívida, diminuição da pobreza e fortalecimento do consumo. Ainda que se reconheça a existência de alguns problemas estruturais que elevam o risco e abrem incógnitas para o futuro como a política monetária e a inflação.
Ao contrário de Europa e Estados Unidos, que apostaram em medidas impopulares para mitigar a crise econômica, a Argentina apostou no gasto público. Em setembro, o salário mínimo cresceu cerca de 25%. A ajuda econômica para as famílias pobres cresceu 23%. Além disso, foram mantidos os subsídios para o setor energético e o transporte, e o governo aumentou as pensões dos aposentados.
Uma das características deste modelo é que ele privilegiou o desenvolvimento interno sobre o investimento estrangeiro. No terreno internacional, alinhou-se com a postura anti-neoliberal da América Latina e tratou de estabelecer um eixo sulamericano com o Brasil, a partir do Mercosul. Seu papel no fortalecimento dos acordos regionais foi reconhecido quando Néstor Kirchner foi eleito secretário geral da União de Nações da América do Sul (Unasul), em 4 de maio de 2010, cargo que ocupou até sua morte.
Outro aspecto para entender o triunfo de CFK é sua oposição. Ante aquilo que a socióloga argentina Beatriz Sarlo, autora do livro “A audácia e o cálculo. Néstor Kirchner 2003-2010”, chamou de “hegemonia cultural do kirchnerismo”, a oposição política, leia-se partidos e grupos dissidentes, não foram capazes de articular uma proposta de governo e de condução do país que superasse as amplas expectativas geradas pelo governo. “É a causa política que, além da economia, contribui para explicar o triunfo da presidente”, sustentou o analista Rosendo Fraga.
Cristina Fernández conseguiu desmembrar a oposição e reduzi-la a sua mínima expressão. “O cenário pós-eleitoral abre uma fase inédita para uma oposição sem rumo”, destacou o jornal Perfil na edição do último fim de semana. Dispersão, fragmentação e maus resultados explicam o caminho incerto que tomaram as forças políticas contrárias ao governo. A frase que melhor descreve esse momento é do candidato Eduardo Duhalde: “Somos um saco de gatos. As pessoas têm razão em desconfiar”.
Para o analista político, Lucas Carrasco, o triunfo do kirchnerismo é explicado por sua conformação: um conjunto heterogêneo que lidera a única corrente política existente hoje com iniciativa própria, programa de governo, visão de mundo, sujeito social e modelo de país. Um conglomerado com adesão social majoritária e multicolor. Desde 2003, esse movimento conseguiu sustentar sua proposta com a construção metódica de quadros políticos próprios que, mais do que peronistas, são kirchneristas. Esse fato dota esse grupo de um sentido de pertencimento que é legitimado não só pelo voto fiel dos partidários do peronismo – trabalhadores, sindicalistas, mundo popular -, mas também pelo de setores da classe média seduzidos pelo modelo de governo.
A socióloga Beatriz Sarlo explica que há um voto identitário que é um voto peronista, cada vez mais débil. Há um voto entusiasta que está acima e abaixo na pirâmide social. “Os argentinos votam hoje em função do presente, não em função do passado ou do futuro”. Para Lucas Carrasco, as pesquisas que mostram isso, são pouco sérias. “Há crença difundida entre analistas, mas esses mesmos analistas, há seis meses, diziam que o kirchnerismo estava esgotado. Não acredito, verdadeiramente, que essas afirmações pouco substanciais digam algo significativo para a análise, para a produção política de sentido. E o kirchnerismo é audacioso neste terreno, como em outros”, acrescenta.
O aspecto carismático da presidenta também desempenhou um papel preponderante em sua ampla aceitação. Para o consultor Carlos Fara, “a presidenta tem dotes intelectuais e de oratória muito importantes, acima da média dos líderes políticos atuais e demonstrou também ter uma elevada capacidade de aprendizado”. Com o panorama praticamente definido, os olhares apontam para 2015. Em círculos oficiais e opositores menciona-se a possibilidade de que Cristina busque uma reforma constitucional que lhe permita postular um terceiro mandato consecutivo.
Um fator pertinente da análise é de caráter emocional. A multidão que compareceu à despedida de Néstor Kirchner, protagonizada “pelos corpos e vopzes do povo, com seus trabalhadores, donas de casa, profissionais, produtores e, princinpalmente, jovens que o reconheceram como herói”, como assinala o Licenciado em Ciência Política, Sebastián Artola, deu forma a uma nova maioria social de respaldo ao governo. Esse foi um componente gravitacional muito forte no último ano na Argentina, desde a morte de Kirchner. “O governo usou muito melhor os fatores emotivos e sentimentais do voto, cada vez mais importantes, segundo estudos internacionais”, assinalou Fraga.
A multiplicação da mensagem em defesa do governo, e a utilização das redes sociais para isso é outro ponto que deve ser destacado. Como sustenta Lucas Carrascos, hoje, o uso das redes sociais para massificar a mensagem da presidenta não é superior à média de qualquer país com desenvolvimento médio em tecnologia, inclusão social e tecnológica. No entanto, o que ocorreu é que houve um rechaço muito forte dos meios de comunicação concentrados no conflito com o campo em 2008. A lógica desses meios era desabastecer as cidades, contra a alta de impostos que o governo queria impor às multinacionais exportadoras. Na Argentina, como em qualquer país capitalista, os meios de comunicação estão fortemente concentrados e aplicam a lógica de maximização e financeirização que conduz ao pensamento único. O kirchnerismo questionou esse modelo. Em seus momentos iniciais, muitos jornalistas, escritores, intelectuais, militantes, etc., usaram a internet para difundir visões opostas àquela desse modelo hegemônico que partia da diversificação do capital até o apoio irrestrito à ultra-direita desestabilizadora e golpista”.
Francisco Luque - Correspondente da Carta Maior em Buenos Aires
Tradução: Katarina Peixoto
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Crianças são socialistas, os pais que estragam

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Hospital do Coração esclarece

A respeito da matéria "Consumidor comprou bermuda com logomarca do Hospital do Coração de Balneário Camboriú", publicada ontem aqui, o Hospital do Coração informa o seguinte:
Conforme conversamos via telefone, nós também estamos averiguando os fatos da notícia, pois da forma como foram divulgados não fazem sentido.
A confecção de nossas roupas de cama é toda feita em Brusque-SC, e quando precisam ser descartadas, ou são queimadas na caldeira da própria lavanderia, ou pedimos que a confecção transforme os lençóis em paninhos para limpeza.
Ao pesquisar o histórico da confecção das nossas roupas de cama, descobrimos uma única ocasião onde foram feitas em São Paulo. Sem querer culpar ninguém sem provas, esta parece ser até o momento a única alternativa do tecido ter sido disponibilizado para terceiros, uma vez que eles primeiro estampam o pano e depois fazem o recorte das peças, sobrando com a confecção seus retalhos. Imaginamos que estes últimos podem ter sido comercializados.
Nada explica o ocorrido, pois também achamos um absurdo alguém repassar a logomarca de terceiros. Assim como, um outro alguém reutilizá-las em confecção de roupas e acreditar que não haverá conseqüências.Porém, no intuito de confortar a comunidade, explicamos que assim como os uniformes, as roupas de cama, quando bem higienizadas, não podem transmitir nenhum tipo de contaminação. E ressaltamos ainda que o tecido apresentado na imagem da notícia aparenta ser novo, pois a estampa não está nada desbotada.
Em nome da instituição, quero lhe agradecer pela oportunidade de resposta. 
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Royalties do pré-sal: Aécio esquece Minas e defende o Rio

3 DE AGOSTO DE 2010 – Candidato a senador por Minas Gerais, Aécio Neves defende publicamente a distribuição dos royalties do pré-sal de modo mais igualitário, diminuindo a fatia que caberia aos estados produtores em benefício das demais unidades da federação. Na ocasião, Aécio disse: “A nova produção deve ser distribuída equanimente entre todos os estados brasileiros com o critério da população e da renda. Não adianta nada você criar um país com várias divisões. Se você concentra apenas nos estados produtores, vamos ter uma educação diferenciada nesses estados, uma saúde diferenciada nesses estados. O pré-sal é uma grande oportunidade de o Brasil ser mais igual e investirmos mais, principalmente em educação e saúde.”
29 DE SETEMBRO DE 2010 – Aécio encerra sua campanha ao Senado, segundo ele, tomado pelo sentimento de responsabilidade com Minas. Naquele dia, no programa de TV, aos 24 segundos (veja abaixo), o candidato disse: “Vi renascer em mim, ainda mais fortes, os sentimentos de Minas, que têm sempre me acompanhado. O sentimento de afeto, o sentimento de respeito pelos mineiros. O sentimento de responsabilidade para com Minas”.
28 DE SETEMBRO 2011 – Um ano depois daquela fala, eleito e empossado, Aécio já não defendia Minas Gerais na questão da divisão dos recursos do pré-sal. Naquele dia, o tucano subiu à tribuna do Senado e defendeu, sim, os interesses do Rio de Janeiro. No vídeo da TV Senado, aos 29 segundos (assista abaixo), Aécio afirma: “Não se pode pensar em alterar as regras de distribuição dos royalties promovendo a retirada de recursos de Estados e municípios produtores, uma vez que esse direito foi e é assegurado pela Constituição a esses Estados. (…) Digo isso porque não será tirando de nenhum Estado produtor – especial do Rio de Janeiro – recursos que nós vamos redefinir ou refundar a Federação no Brasil”.
19 DE OUTUBRO DE 2011 – Na quarta feira, finalmente o Senado votou o projeto dos royalties do pré-sal. Foi um duro embate. Aécio atuou como aliado do Rio, fazendo às vezes de quarto senador fluminense, deixando Minas, na prática, com apenas dois representantes.

Ao final, a despeito do esforço de Aécio, venceram os Estados não produtores.
Fica a dúvida: o que terá acontecido com aquele “sentimento de responsabilidade com Minas”?
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Chega de sangue

Diante da imagem de Kadafi trucidado, e dos aplausos de Mrs. Clinton e de dirigentes franceses, ao ver o homem seminu e ensangüentado, recorro a um testemunho indireto de Henri Beyle – o grande Stendhal, autor de Le Rouge e le Noir – de um episódio de seu tempo. Beyle foi oficial de cavalaria e secretariou Napoleão por algum tempo. Em 1816, em Milão, Beyle ficou conhecendo dois viajantes ingleses, o poeta Lord Byron e o jovem deputado whig John Hobhouse. Coube a Hobhouse relatar o encontro, no qual Beyle impressionou a todos os circunstantes, narrando fatos da vida de Napoleão. São vários, mas o que nos interessa ocorreu logo depois da volta do general a Paris, em seguida à derrota em Moscou. Durante uma reunião do Conselho de Estado, da qual Beyle foi o relator, descobriu-se que Talleyrand havia escrito três cartas a Luís de Bourbon, que restauraria, dois anos mais tarde, o trono. As cartas, que se iniciavam com o reconhecimento de vassalagem, no uso do pronome “Sire”, revelavam que o bispo já conspirava contra o Imperador. Os membros do Conselho decidiram que Talleyrand devia ser castigado com rigor – ou seja, condenado à morte. Só um homem, e com a autoridade de “arquichanceler” do Império, Cambacérès, se opôs, com voz firme: Comment? toujours de sang? Napoleão, que estava deprimido com as cenas de seus soldados mortos no campo de batalha, ficou em silêncio.
O sangue que se verteu no século passado devia ter bastado, mas não bastou. Iniciamos este novo milênio com muito sangue e a promessa de novas carnificinas. O cinismo dos que exultam agora com a morte de Kadafi, ao que tudo indica linchado pelos seus inimigos, após a captura, dá engulhos aos homens justos. Os que levaram a ONU a aprovar os bombardeios brutais da OTAN contra a população líbia haviam sido, até pouco tempo antes, parceiros do coronel na exploração de seu petróleo, indiferentes a que houvesse ou não liberdade naquele país. Mas Kadafi não era apenas o ditador megalômano, que vivia no luxo de seus palácios e que promovia festas suntuosas para o jet-set internacional. Ele fizera radical redistribuição de renda em seu país, mediante uma política social exemplar, com a criação de universidades gratuitas, a construção de hospitais modernos e com a assistência à saúde universal e gratuita. Quanto à repressão, ele não foi muito diferente da Arábia Saudita e de outros governos da região, e foi muito menos obscurantista para com as mulheres do que os sauditas.
Apesar das cenas horripilantes de Sirte, que fazem lembrar as de Saddam Hussein aprisionado e, mais tarde, enforcado, além das usuais que chegam da África, há sinais de que os homens começam a sentir nojo de tanto sangue. É alentador, apesar de tudo, que o governo de Israel tenha aceitado acordo com os palestinos, para a troca de prisioneiros. É também alentador que os bascos hajam renunciado à luta armada e preferido o combate político em busca de sua independência. E é bom ver as multidões reunidas, em paz, em todos os paises do mundo, contra os ladrões do sistema financeiro internacional – não obstante a violência, de iniciativa de agentes provocadores, como ocorreu em Roma,e a costumeira brutalidade policial, na Grécia, na Grã Bretanha e nos Estados Unidos.
Há, sem dúvida, os que sentem a volúpia do cheiro de sangue, associado à voracidade do saqueio. A reação atual dos povos provavelmente interrompa essa ânsia predadora dessas elites européias e norte-americanas – exasperadas pela maior crise econômica dos últimos oitenta anos e ávidas de garantir-se o suprimento de energia de que necessitam e a preços aviltados.
É preciso estancar a sangueira. O fato de que sempre tenha havido guerras não significa que devemos aceitá-las entre as nações e entre facções políticas internas. Como mostra a História, o recurso às armas tem sido iniciativa dos mais fortes, e diante dele só cabe a resistência, com todos os sacrifícios.
No fundo das disputas há sempre os grandes interesses econômicos, que se nutrem do trabalho semi-escravo dos povos periféricos, como se nutriram grandes firmas alemãs, ao usar judeus, eslavos e comunistas, como escravos, em aliança com Hitler.
A frase é um lugar comum, mas só o óbvio é portador da razão: os que trabalham e sofrem só querem a paz, para que usufruam da vida com seus amigos, seus vizinhos, suas famílias.
O odor do sangue é semelhante ao odor do dinheiro, e excita os assassinos para que trucidem e se rejubilem com a morte – como se rejubilaram ontem, diante do corpo humilhado de Kadafi, a Secretária de Estado dos Estados Unidos e os arrogantes franceses. Há três dias, em Trípoli, a senhora Clinton disse a estudantes líbios, que esperava que Kadafi fosse logo capturado ou morto. Nem Condoleeza Rice, nem Madeleine Albright seriam capazes de tamanho desprezo pelos direitos de qualquer homem a um julgamento justo. Esse direito lhe foi negado pelas hordas excitadas por Washington e Paris, com a cumplicidade das Nações Unidas – e garantidas pelas armas da OTAN.
Não que Kadafi tenha sido santo: era um homem insano, e tão insano que acreditou, realmente, que os americanos, italianos e franceses, quando o lisonjeavam, estavam sendo sinceros.
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Veja quem ganha e quem perde na troca de prisioneiros palestinos pelo militar israelense

Colono judeu atira vinho em idosa palestina
Ganham o Hamas, Síria, Iran, Rússia, China e o Hizbullah.
Perdem os Estados Unidos e seus satélites europeus, Israel e Arábia Saudita.
Mahmoud Abbas, o presidente da Autoridade Nacional Palestina não perde e nem ganha.
A troca foi um jogo de xadrez mal calculado pelos dirigentes sionistas.
Com a troca, Israel esperava desqualificar Abbas como interlocutor em sua determinação pelo reconhecimento do Estado Palestino na ONU.
Para Israel, de acordo com o raciocínio tacanho de seus dirigentes, isso seria um golpe mortal.
Justiça feita aos Estados Unidos.
Em nenhum momento eles apoiaram a troca, mas nada fizeram para impedi-la.
Porque eles também precisavam desqualificar o dirigente palestino.
Mas temiam fortalecer o Hamas.
Ao que tudo indica nem Israel e nem Estados Unidos percebem as mudanças que vêem ocorrendo no mundo diariamente.
O problema para os palestinos agora são os colonos euro-sionistas que invadem suas terras, avançando fortemente armados.
Com apoio dos militares que lhes fornecem armas e treinamento.
Não sem receio, é verdade.
Temem ser capturados para servir de moeda de troca.
E por que não?
Idosa palestina sendo agredida por adolescentes judeus
No Blog do Bourdoukan
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A participação dos jovens nos movimentos sociais

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Juiz quer delegado especial só para juízes

Saiu na Folha:
TJ quer tratamento especial para juiz suspeito de infração em SP
O presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, José Roberto Bedran, quer a criação da figura de um “delegado especial” para cuidar de ocorrências que envolvam juízes e desembargadores. O pedido foi feito à Secretaria de Estado da Segurança Pública.
A informação é da reportagem de Flávio Ferreira publicada na edição desta sexta-feira da Folha. A reportagem completa está disponível para assinantes do jornal e do UOL (empresa controlada pelo Grupo Folha, que edita a Folha).
A proposta foi revelada em sessão do TJ anteontem, na discussão sobre a promoção ao cargo de desembargador do juiz Francisco Orlando de Souza, 57, detido sob suspeita de dirigir embriagado e sem habilitação no dia 9. Ele foi detido e liberado no mesmo dia. O magistrado nega que estivesse bêbado.
De acordo com o texto, o desembargador diz que a medida evitará que incidentes sejam explorados por jornais. Em São Paulo, juízes e desembargadores não podem ser levados a delegacias e a ocorrência tem de ser comunicada ao TJ. O tratamento especial com delegado exclusivo, porém, não está previsto.
Após ser procurado ontem pela Folha, Bedran negou que sua intenção seja restringir o trabalho da imprensa. A ideia do “delegado especial”, afirmou, é para evitar a divulgação de fatos “distorcidos” ou “sensacionalistas”.
E ainda querem fechar o CNJ.
Viva o Brasil!
Paulo Henrique Amorim
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Charge online - Bessinha - # 868

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Você é quem paga, Sarney é quem manda

Lei que estatiza a Fundação José Sarney foi encaminhada ontem para sanção da governadora do Maranhão, Roseana Sarney, sua filha; de acordo com o texto, a renda e o patrimônio da entidade passarão para o Estado, mas quem manda mesmo é o presidente do Senado
A lei que estatiza a Fundação José Sarney foi encaminhada ontem para sanção da governadora Roseana Sarney (PMDB-MA). Entre os 11 artigos, ela estabelece a troca da razão social da entidade - que passa a se chamar Fundação da Memória Republicana Brasileira. Mesmo assim, o senador José Sarney (PMDB-AP), pai da governadora, foi confirmado como patrono da fundação, com poderes para indicar dois dos oito membros de seu conselho curador - e esse direito é hereditário.
Ainda de acordo com o texto da lei, a renda e todo o patrimônio da entidade passará para o Estado. A fundação estará ligada à Secretaria da Educação e caberá ao conselho curador decidir sobre doação do patrimônio e a extinção da entidade sem a necessidade de consulta ao governo estadual.
A lei estabelece ainda que os objetivos da nova fundação são a pesquisa e o registro de fatos da história do Brasil e do Maranhão; o estudo e o debate dos problemas brasileiros, em especial dos maranhenses; a defesa, a preservação e a divulgação do patrimônio histórico e cultural, material e imaterial, do povo brasileiro, das nações ibero-americanas e lusófonas, e a promoção da amizade e do intercâmbio cultural entre seus povos.
A hereditariedade de indicação de conselheiros, a posse dos 15 mil itens da época em que Sarney foi presidente da República - como uma limusine Ford Landau - e a possibilidade de doação e extinção da entidade sem necessidade de consulta ao governo é que são os termos polêmicos da lei. O texto não sofreu nenhuma emenda e foi aprovado pela Assembleia na quarta-feira.
Mesmo assim, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) no Maranhão está discutindo a possibilidade de entrar com uma ação direta de inconstitucionalidade contra a estadualização da entidade e já há uma data marcada para essa definição. “O caso será decidido na próxima reunião do conselho, marcado para o dia 27 de outubro”, disse o presidente da seccional Maranhão da OAB, Mario Macieira.
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Nota do PCdoB

Dando seguimento às investidas que buscam desestabilizar o exitoso governo da presidenta Dilma Rousseff, o campo político reacionário do país associado a veículos dos monopólios de comunicação realiza uma covarde campanha difamatória contra o ministro do Esporte, Orlando Silva. Espalham calúnias de um farsante, João Dias Ferreira, um indivíduo desqualificado, processado pelo Ministério Público Federal e que, inclusive, já foi preso por corrupção. Atacam, também, a honra do PCdoB com o objetivo de desacreditá-lo. Instauraram contra o ministro e o Partido uma espécie de “tribunal de exceção” que se arvora no direito de, em rito sumário e sem provas, julgar e condenar. Este expediente é uma agressão à democracia brasileira.
Essa verdadeira “caçada” empreendida contra o ministro Orlando e, também, ao Partido, foi desencadeada no último dia 15, pela revista Veja. É algo comparável às criminosas investidas de que os comunistas foram vítimas à época de períodos autoritários da nossa história. Depois de uma semana, as acusações lançadas contra o ministro do Esporte continuam sem provas. Tais provas não apareceram e nem vão aparecer, como sustentou com firmeza e serenidade o ministro nas audiências da Câmara dos Deputados e do Senado Federal às quais se dirigiu por sua própria iniciativa. Nas duas Casas do Congresso Nacional, recebeu o apoio uníssono dos partidos da base do governo e o tratamento respeitoso de setores da própria oposição. Ao contrário da denúncia, nunca houve a audiência do ministro com o farsante para pactuar acordos. Aliás, uma das motivações das criminosas atitudes de João Dias deriva do fato de o ministro Orlando ter encaminhado ao Tribunal de Contas da União (TCU) um expediente para que ele devolva mais de três milhões de reais desviados do Programa Segundo Tempo. Quanto à “bombástica” denúncia da revista Veja de que o ministro teria recebido “propina” na garagem do Ministério, essa “bomba” estourou no próprio “colo” da revista. É uma mentira tão descarada que o próprio farsante já recuou. “Não. E em nenhum momento falei que eu vi o ministro receber”, conforme declarou ao jornal Folha de S. Paulo.
Fica nítido que o material da revista Veja e de outros veículos de comunicação não se pauta pela busca de esclarecimentos. Trata-se de detratar, inapelavelmente, uma liderança de destaque dos comunistas, para assim atingir o PCdoB. É completamente falsa a acusação de que há vínculo entre as finanças do Partido e ONGs. O caráter pérfido dessa campanha é a tentativa de alvejar, com mentiras deslavadas, um partido de 90 anos, embandeirado do socialismo no Brasil, vibrante com suas bandeiras que comovem os trabalhadores e a juventude, sem manchas em sua história, salvo as manchas vermelhas do sangue de seus inúmeros mártires e heróis abatidos nas lutas contra as ditaduras que infestaram a história brasileira.
Sublinhamos que o PCdoB defende e apoia o ministro Orlando Silva. A gestão do ministro fortalece o esporte no Brasil e deu uma dimensão importante a um Ministério que, praticamente, não existia. Uma das provas disso é a participação da delegação brasileira nos Jogos Pan-Americanos que ora se realizam no México. É a maior delegação brasileira já enviada ao exterior para essa competição. A delegação tem tido um bom desempenho com a conquista de destacadas medalhas. Orlando teve um papel relevante para o Brasil sediar a Copa do Mundo e as Olimpíadas. Mas, as ações para garantir com eficácia e lisura estes dois mega eventos, obviamente, contrariam interesses de grupos poderosos. O porte que hoje tem o Ministério do Esporte provoca cobiça. Destes aspectos podem emanar motivações mais de fundo para os ataques que ora recebe.
Aos trabalhadores, aos partidos e ao movimento social, às legendas da base aliada do governo, transmitimos a certeza de que, baixada a poeira da calúnia, a verdade irá prevalecer sobre a mentira. Ficará demonstrado que essa orquestração – de grandes veículos dos monopólios que controlam a comunicação e dos setores políticos mais reacionários do país contra os comunistas – vem da crescente força política e social de nossa histórica legenda. O fortalecimento de um Partido revolucionário como o PCdoB incomoda os poderosos. Essa armação faz parte de um objetivo mais amplo dos reacionários de barrar o fortalecimento das forças democráticas e progressistas e golpear o governo da presidenta Dilma Rousseff quando ela lidera com êxito a defesa do Brasil ante os efeitos danosos da crise capitalista mundial.
O PCdoB, com apoio do povo e de seus aliados, defenderá de modo implacável a dignidade de sua legenda e de suas lideranças. As direções, o coletivo militante, as lideranças do movimento social, os parlamentares, todos somos chamados a realizar uma campanha em defesa do Partido. Devemos ir ao encontro do povo, dos trabalhadores, dos amigos, apresentando a verdade e combatendo a mentira. Uma campanha com uma propaganda esclarecedora e afirmativa do legado dos comunistas em defesa do Brasil e dos brasileiros.
Brasília, 20 de outubro de 2011
A Comissão Política Nacional do Partido Comunista do Brasil, PCdoB
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Blog do acusador de Orlando Silva demonstra perfil neurótico

Nas denúncias mentirosas da Veja e tudo o que se publicou contra o ministério dos Esportes, tendo como base o blog do acusador João Dias Ferreira, chama atenção que nenhum jornal deu o link para o tal blog (Rota de Colisão). Não é para menos. O blog do PM revela uma pessoa neurótica que lança acusações a centenas de pessoas sem uma única prova. O áudio/vídeo com uma ameaça contra o diretor do BRB, Alair Martins, revela como são frágeis e inconsistentes aquilo que João Dias chama de provas.
Veja no blog Rota de Colisão e tire suas próprias conclusões.
No OniPresente
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Uern expulsa três estudantes de medicina por forjarem baixa renda em sistema de cota

A Uern (Universidade Estadual do Rio Grande do Norte) inicia nesta quinta-feira (20) a matrícula de estudantes que herdaram as vagas de três ex-universitários expulsos do curso de medicina por fraudes no sistema de cotas para alunos de baixa renda.
Segundo a universidade, os três alunos foram desclassificados e tiveram as matrículas anuladas depois que a Comperve (Comissão Permanente de Vestibular) descobriu que eles forjaram a renda das famílias para ingressarem no curso por meio das vagas destinadas a pessoas pobres. Os alunos estavam matriculados em vagas destinadas a estudantes oriundos de escolas públicas, e dois deles já cursavam nas turmas iniciadas em 2009 e 2010.
A Uern explicou que os estudantes não vão poder sequer aproveitar o histórico escolar, pois toda a vida acadêmica na universidade ficará inativa. "Além da perda da vaga, o MP (Ministério Público) instalou um inquérito policial, onde os mesmos são acusados por fraude. Encaminhamos o resultado ao MP que segue com abertura do inquérito convocando essas pessoas implicadas e efetivamente enquadrando as mesmas por falsidade ideológica", disse o coordenador da Comperve, José Egberto Mesquita Pinto Júnior, complementando que os alunos podem pegar de um a cinco anos de prisão.
Agora, com a expulsão dos universitários, a Uern reabriu as três vagas e chamou o primeiro classificado de cada vestibular ocorrido nos últimos três anos. Estão convocados Ronaldo Cesar Aguiar Lima, aprovado em 2009, Aline Naiara Azevedo da Silva, em 2010, e Amadeu Benicio Leite, em 2011.
Os três convocados devem apresentar a documentação necessária, de acordo com o edital do Processo Seletivo Vocacionado, para matrícula nesta quinta-feira ou na sexta-feira (21), na secretaria da Faculdade de Ciências da Saúde (FACS). Os universitários já começam a cursar medicina no 2º semestre letivo da Uern, programado para iniciar no dia 16 de novembro.
A Uern explica que o sistema de cotas social aplicado na universidade destina 50% das vagas iniciais distribuídas por campus, núcleo, curso, habilitação, turno e semestre. “As demais vagas são preenchidas em obediência à classificação geral dos candidatos, independente da rede de ensino de origem”, afirmou Pinto Júnior.
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O funk do dízimo

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JN editou episódio Orlando Silva como lhe convinha

Orlando Silva
Não tem jeito, não adianta esperar mudança, nem jornalismo no Jornal Nacional da Rede Globo. A edição de ontem noticiou como lhe convinha o caso do ministro do Esporte, Orlando Silva. Para tanto editou fala da presidenta Dilm Rousseff de uma forma que deixou dúbia sua posição e a do governo em relação ao episódio.
Mas, a gente ainda tem de se conformar, porque o jornal de maior audiência no país deu voz às razões do ministro Orlando Silva e, num ponto, foi muito claro: afirmou, textualmente, que João Dias, o soldado ongueiro (suas ONGs têm de devolver R$ 3 milhões aos cofres públicos) de Brasília, não apresentou até agora as provas que diz ter contra o titular da Pasta do Esporte. Nenhuma prova, de nada. E ainda disse que não presenciou nunca a suposta entrega de dinheiro.
"Nós temos de apurar os fatos, investigar. Se apurada a culpa das pessoas, puni-las. Isso não significa demonizar quem quer que seja, muito menos partidos que lutaram no Brasil pela democracia. Dizer que o governo está fazendo julgamento de um partido é uma tolice. O meu governo respeita o Partido Comunista do Brasil e acha que [o partido] tem quadros absolutamente importantes para o país. Nós não vamos entrar nesse processo que é absolutamente irracional".
A fala real não é a do JN
O trecho acima é a fala real - não a editada no JN - da presidenta sobre o caso do ministro. Respondia sobre as denúncias contra o titular do Esporte e, até. no que foram mais longe, nessa história de que o governo descartou o PC do B da base aliada que o partido integra há nove anos.
A presidenta queixou-se, ainda - e é óbvio que também essa parte a Globo não deu -, de notícias publicadas na imprensa sobre observações que ela teria feito relativas à situação do ministro Orlando Silva.
"Eu li com muita preocupação as notícias do Brasil. Primeiro, pelo grau de imprecisão nas observações a respeito do governo. O governo não fez, não fará nenhuma avaliação e julgamento precipitado de quem quer que seja. Eu não falei com ninguém e vazam aspas minhas. A gente tem que ter um processo sistemático de investigação e apuração de todos os malfeitos. É preciso sempre se supor a presunção da inocência das pessoas"", afirmou.
Vejam, aqui , toda a reportagem do JN sobre o caso Orlando Silva e, também, a rede nacional de rádio e TV do PC do B veiculada ontem na qual o partido fornece os esclarecimentos sobre o episódio.
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OTAN/NATO na Líbia

Latuff
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Kadafi teria morrido com bala nas entranhas

Versão de médico que analisou o corpo do ex-ditador e de seu filho contradiz à divulgada pelo primeiro-ministro interino da Líbia, na qual Kadafi teria sido morto devido a uma bala na cabeça
As versões de como teria morrido Muamar Kadafi são conflitantes e ainda mostram certo descompasso após o alvoroço causado pela queda definitiva do ex-ditador líbio. Após analisar o corpo do ex-líder e de seu filho, o médico Dr. Ibrahim Tika afirmou à TV Al Arabiya que a causa primária da morte de Kadafi teria sido uma bala nas entranhas.
A versão contradiz à que foi anunciada pelo primeiro-ministro interino na tarde desta quinta-feira, na qual Kadafi teria morrido devido a uma bala atingida na cabeça. Mahmoud Jibril disse ainda que o episódio aconteceu durante uma troca de tiros, em Sirte.
Ibrahim Tika citou uma bala que causou um ferimento na cabeça, mas esta, segundo ele, não ficou alojada. Quanto ao filho de Kadafi, Mo’tassim, foi alvejado no peito e na região do pescoço, além de outras lesões nas costas e na perna.
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Alguns cariocas estão com medo de tomar banho

Vi no Interrogações

Ao estimado amigo Saraiva.
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João Dias: fonte da Veja é assassino?

A revista Veja e seus “calunistas” amestrados, com o seu jornalismo de esgoto, podem ter entrado em outra fria. No episódio da tentativa de invasão do apartamento do dirigente petista José Dirceu num hotel de Brasília, a ação mafiosa foi desbaratada e virou caso de Polícia, que concluiu seu inquérito. O ex-ministro já anunciou que processará a revista e o repórter criminoso.
Já no episódio do linchamento público do ministro Orlando Silva, a principal fonte da Veja se enrola a cada dia que passa. Agora, surge a denúncia de que o João Dias teria assassinado um policial que investigava suas maracutaias. A informação bombástica foi publicada no final da noite desta quinta-feira (20) no sítio Brasil-247 – que nem morre de amores pelo ministro Orlando Silva:
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Pivô da crise nos esportes está ligado a assassinato
Dois anos atrás, em outubro de 2009, um policial foi assassinado em Brasília. Luiz Carlos Ferreira Soares, que tinha o apelido de Clark, foi encontrado morto num Renault Clio, com um tiro no peito e a cabeça virada para trás. Sem explicações para a morte, a polícia civil do Distrito Federal fechou a investigação concluindo pela hipótese de latrocínio.
Um detalhe no corpo de Clark chamou a atenção dos investigadores, mas jamais foi investigado a fundo. O policial tinha o pulso quebrado. De acordo com uma testemunha, Michael Vieira da Silva, Clark havia sido vítima do policial João Dias, mestre em artes marciais e também na técnica relacionada à quebra do pulso – o que pode levar à morte.
O motivo: Clark investigava as fraudes no Ministério dos Esportes e o policial João Dias, que recebeu R$ 2 milhões do governo para a sua ONG, era um dos alvos. A Operação da qual Clark participava se chamava Kung-Fu. Tempos depois, ela foi rebatizada como Shaolin e acabou levando João Dias à prisão...
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A mídia investigará o assassinato?
João Dias, principal fonte da inescrupulosa revista Veja, é alvo do inquérito 47406, da Polícia Federal. Ele é acusado por lavagem de dinheiro, apropriação indébita e formação de quadrilha. Ele desviou mais de R$ 2 milhões do Ministério do Esporte. Usou parte desta grana para comprar uma mansão de luxo em Sobradinho, carros importados e duas academias de ginástica.
Por isso, foi penalizado pelo Ministério, que exigiu ressarcimento dos recursos aos cofres públicos. Desesperado, ele partiu para a vingança e chantagem. A Veja deu guarita ao criminoso. Agora, surge a denúncia de que ele participou de um assassinato. Será que a revista investigará o caso? Será que Fantástico, da TV Globo, reconhecerá que deu espaço para uma pessoa acusada de homicídio?
Altamiro Borges
No Blog do Miro
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Novo filme mudo celebra história de Holywood

Depois da estreia nos festivais de Cannes e de Londres, "O Artista" chega em breve às salas de cinema europeias. O filme de Michel Hazanavicius é uma comédia romântica sobre a transição entre o cinema mudo e o falado.
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15 Outubro 2011: grande vitória dos Indignados

Foi a primeira grande manifestação realizada em 24 horas em todo o mundo, contra os responsáveis pela crise capitalista que faz dezenas de milhões de vítimas.
Pormenor do 15 de Outubro em Portugal.
Foto de Paulete Matos
Desde Fevereiro de 2003 é a primeira vez que um apelo a uma acção internacional numa data determinada recebe um tal eco. Em Espanha, donde a iniciativa partiu, perto de 500.000 manifestantes desfilaram nas ruas de cerca de 80 cidades diferentes – dos quais 200.000 ou mais em Madrid1. Em cinco continentes se assistiu a acções populares. Mais de 80 países e cerca de um milhar de cidades viram desfilar centenas de milhares de jovens e adultos em protesto contra a gestão da crise económica internacional por governos que acodem em socorro de instituições privadas responsáveis pela derrocada e que dela tiram proveito para reforçar políticas neoliberais: despedimentos em massa nos serviços públicos, sangrias nos serviços sociais e respectivo orçamento, privatizações maciças, atentados contra os mecanismos de solidariedade colectiva (sistemas públicos de pensão de reforma, direito ao subsídio de desemprego, negociações colectivas entre assalariados e patronato, etc.). Por toda a parte o reembolso da dívida pública é o pretexto utilizado para reforçar a austeridade. Por toda a parte os manifestantes denunciam os bancos.
Em Fevereiro de 2003 assistimos à maior mobilização internacional para tentar impedir uma guerra: a invasão do Iraque. Mais de 10 milhões de pessoas reuniram-se em inumeráveis manifestações em todo o planeta. Depois disso, a dinâmica do movimento altermundialista nascido ao longo dos anos 1990 abrandou progressivamente, sem no entanto desaparecer por completo.
Neste 15 de Outubro de 2011, manifestaram-se um pouco menos de um milhão de pessoas, mas trata-se duma enorme vitória, porque é a primeira grande manifestação realizada em 24 horas em todo o mundo, contra os responsáveis pela crise capitalista que faz dezenas de milhões de vítimas.
A crise financeira e económica iniciadas nos EUA em 2007 estendeu-se principalmente à Europa a partir de 2008. A crise da dívida, que era coisa dos países em desenvolvimento, deslocou-se para os países do Norte. Esta crise está ligada à crise alimentar que ataca vastas regiões dos países em desenvolvimento desde 2007-2008. Acresce a crise climática que afecta principalmente as populações do Sul do planeta. Esta crise sistémica exprime-se igualmente ao nível institucional: os dirigentes dos países do G8 sabem que não têm meios para gerir a crise internacional, por isso reuniram os do G20. Estes por sua vez há três anos demonstram serem incapazes de encontrar soluções válidas. Esta crise adquiriu uma dimensão civilizacional. Pô-la em causa significa pôr em causa o consumismo, a mercantilização generalizada, o desprezo pelos impactes ambientais das actividades económicas, o produtivismo, a procura de satisfação dos interesses privados em detrimento dos interesses, dos bens e dos serviços colectivos, a utilização sistemática da violência pelas grandes potências, a negação dos direitos elementares dos povos, como o da Palestina… Muitas vezes é o capitalismo que está no centro do que é posto em questão.
Nenhuma organização centralista convocou esta manifestação. O movimento dos Indignados nasceu em Espanha em Maio de 2011, após as rebeliões tunisinas e egípcias dos meses antecedentes [e após a espantosa manifestação de 12 de Março em Portugal, que deixou toda a gente de boca aberta ao pôr na rua, num só dia, quase meio milhão de pessoas indignadas, ou seja, cerca de 4% da população portuguesa]. Este movimento estendeu-se à Grécia em Junho de 2011 e a outros países europeus. Atravessou o Atlântico Norte desde Setembro de 2011. Evidentemente uma série de organizações políticas e de movimentos sociais organizados apoiam o movimento, mas não o conduzem. A sua influência é limitada. Trata-se de um movimento largamente espontâneo, jovem na sua maioria, com um enorme potencial de desenvolvimento que inquieta fortemente os governos, os dirigentes das grandes empresas e todos os polícias do mundo. Pode alastrar como fogo num molho de palha, ou morrer em cinzas. Ninguém sabe.
O 15 de Outubro de 2011, o apelo à mobilização, reuniu sobretudo manifestantes dos países do Norte e não poupou os centros financeiros do mundo inteiro, o que é prometedor. O movimento dos Indignados desencadeou uma dinâmica muito criativa e emancipadora. Se ainda não fazes parte, procura juntar-te a ela, ou lançá-la se ainda não existe no local onde vives. Interconectemo-nos para uma autêntica emancipação.
Traduzido por Rui Viana Pereira, publicado no site do CADTM
Éric Toussaint, doutorado em Ciências Políticas, presidente do CADTM da Bélgica. Dirigiu com Damien Millet o livro colectivo La dette ou la vie [A Dívida ou a Vida], Aden-CADTM, 2011. Participou no livro da ATTAC Le piège de la dette publique. Comment s’en sortir [A Armadilha da Dívida Pública. Como Escapar], ed. Les liens qui libèrent, Paris, 2011.
1 Escrevo estas linhas em Madrid, onde participei nesta imponente manifestação de 200.00 pessoas.
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Empresa de telefonia é condenada a pagar R$ 10 milhões de indenização

A operadora recusou-se a fornecer identificação de um funcionário que cometeu crime de racismo pela internet
O Ministério Público Federal em Minas Gerais (MPF/MG) obteve a condenação da Telemar Norte Leste S/A (nome de fantasia Oi) ao pagamento de indenização no valor de R$ 10 milhões por danos morais difusos. É uma das maiores indenizações por dano moral já aplicada pelo Poder Judiciário. A sentença foi proferida na Ação Civil Pública nº 2009.38.09.001720-7 ajuizada perante a Justiça Federal de Varginha, sul de Minas Gerais.
Nela, o MPF relata que a Telemar/Oi recusou-se, sistematicamente, a cumprir ordens judiciais para identificação de funcionário da empresa que, durante o horário de serviço, utilizara equipamento do local de trabalho para cometer racismo pela internet. O crime foi praticado por meio de mensagens de apologia ao nazismo publicadas em uma comunidade virtual sediada no site de relacionamentos Orkut. Além de divulgar mensagens de apologia ao regime liderado por Hitler, a página propagava xingamentos e ofensas a pessoas negras, incitando ao ódio e à discriminação racial.
No início das investigações, a Telemar/Oi identificou, com base no número de IP, que a comunidade tinha sido criada por um morador da cidade de Varginha/MG. No entanto, ao verificar as datas e horários de acessos do usuário ao site, o MPF constatou que o computador estaria instalado em endereço diverso daquele apontado pela empresa. Intimada a prestar esclarecimentos, a Telemar informou então que os acessos partiram de terminais instalados em seu próprio prédio.
A Justiça requereu que a empresa prestasse novas informações para identificação e qualificação do usuário, de modo que ele pudesse ser investigado e denunciado pelo crime. A Telemar/Oi ignorou a ordem judicial e não enviou nenhuma resposta. O pedido judicial foi reiterado por mais duas vezes, sem resposta.
Após quase um ano de protelação, e advertida quanto à adoção das medidas judiciais cabíveis no caso de não-atendimento, a empresa finalmente respondeu, alegando ser impossível a identificação do funcionário, em virtude do "grande lapso temporal" transcorrido e de "questões técnicas operacionais de estilo".
"Essa resposta foi, no mínimo, uma afronta ao Poder Judiciário, e, em consequência, a toda a coletividade", afirma o procurador da República Marcelo Ferreira. "O alegado lapso temporal foi causado pela própria empresa, que não se desincumbiu de prestar as informações necessárias à apuração do autor do crime."
O MPF ajuizou então ação civil pública pedindo que a Telemar/Oi fosse condenada ao pagamento de indenização por dano moral coletivo. "Ao deixar de cumprir as requisições judiciais, a empresa foi responsável por causar a impossibilidade de punição do crime. Esses atos, e suas consequências, geram na coletividade a sensação de impunidade, de descrédito nas instituições que promovem a Justiça", diz o procurador da República.
O juiz federal da Subseção de Varginha concordou com o MPF. Para ele, a atitude da empresa "não apenas pôs em descrédito a atuação do Poder Judiciário, mas também a do Ministério Público como titular da ação penal, e da própria Anatel como órgão fiscalizador dos serviços de telefonia e multimídia".
Contradições - O magistrado chama atenção para as várias contradições em que incorreu a empresa ao longo do processo.
De início, no próprio momento em que identificou que os acessos haviam ocorrido em seus próprios computadores, a Telemar já se adianta, e sem falar da impossibilidade de identificação do usuário, menciona apenas a existência de "fatores de risco" que poderiam comprometer a confiabilidade das informações.
Posteriormente, ao ser intimada a prestar essas informações, ela alega ser impossível a identificação do usuário em virtude não só do "lapso temporal", que teria ocasionado a perda dos dados, como também da suposta falta de condições técnicas.
Recentemente, no entanto, ao contestar a ação, a Telemar/Oi afirma que o decurso de tempo teria ocasionado melhorias técnicas que lhe possibilitaram identificar o terminal de onde as mensagens teriam partido e que esse computador ficava disponível, em suas dependências, para utilização do público em geral. Assim, segundo ela, qualquer pessoa poderia ter cometido o crime, sem a participação da empresa e de seus funcionários.
Para o juiz, se o decurso de tempo propiciou melhorias técnicas que permitiram a identificação do terminal identificação que anteriormente não teria sido possível exatamente pela alegada falta de condições técnicas, então o lapso temporal, ao invés de impedir, ajudaria no cumprimento da ordem judicial.
Do mesmo modo, foi comprovado que o prédio da Telemar em Varginha/MG nunca ofereceu serviços de lan house, sequer venda de celulares. Além disso, os acessos teriam ocorrido fora do horário de expediente, provavelmente por pessoa que tinha acesso ao prédio após o encerramento das atividades de atendimento ao público.
"O que causou estranheza foi o fato da requerida não atender às diversas determinações judiciais e deixar de empreender os procedimentos necessários à identificação do agente, resumindo-se em defender veementemente que não se tratava de funcionário de seus quadros", observa o juiz.
Ele afirma ainda que, como única detentora das informações, "entendo que a empresa concessionária de um serviço público que se recusa a fornecer os dados necessários à persecução penal deve ser duramente punida civil e penalmente (através de seus dirigentes), sobretudo por exercer função estatal delegada, a fim de inibir outras condutas no mesmo sentido, ainda mais ao se considerar que a Telemar já responde a um sem-números de processos pelas mais diversas condutas de variadas naturezas, o que demonstra que as medidas que vêm sendo aplicadas não têm inibido a reiterada prática de atos danosos".
Por isso, declara que "a condenação ao pagamento de indenização por dano moral é a única medida passível de ser aplicada como forma de inibir novas práticas desse jaez", e fixa o valor de R$ 10 milhões com base também nas graves consequências da ação/omissão da empresa e em sua capacidade econômica.
Anatel - Durante o trâmite da ação, o juiz oficiou à Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL) para adoção de providências quanto aos fatos. A Anatel chegou a instaurar procedimento administrativo para apuração de descumprimento de obrigações, que terminou arquivado.
No MPF
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