15 de out de 2011

Nós, os inimigos

O mentor: Darke Figueiredo e a mulher. O general coordenou a confecção do documento
Em 24 de abril de 2009, sob as barbas do então presidente Lula e com o apoio do ministro da Defesa, Nelson Jobim, o Exército do Brasil produziu um documento impressionante. Classificado internamente como “reservado” e desconhecido, até agora, de Celso Amorim, que sucedeu a Jobim no ministério, o texto de 162 páginas recebeu o nome Manual de Campanha – Contra-Inteligência. Trata-se de um conjunto de normas e orientações técnicas que reúne, em um só universo, todas as paranoias de segurança herdadas da Guerra Fria e mantidas intocadas, décadas depois da queda do Muro de Berlim, do fim da ditadura e nove anos após a chegada do “temido” PT ao poder.
Há de tudo e um pouco mais no documento elaborado pelo Estado Maior do Exército. A começar pelo fato de os generais ainda não terem se despido da prática de espionar a vida dos cidadãos comuns. O manual lista como potenciais inimigos (chamados no texto de “forças/elementos adversos”) praticamente toda a população não fardada do País e os estrangeiros. Citados de forma genérica estão movimentos sociais, ONGs e os demais órgãos governamentais, de “cunho ideológico ou não”. Só não explica como um órgão governamental pode estar incluído nesse conceito, embora seja fácil deduzir que a Secretaria de Direitos Humanos, empenhada em investigar os crimes da ditadura, seja um deles.
O manual foi liberado a setores da tropa por força de uma portaria assinada pelo então chefe do Estado Maior, general Darke Nunes de Figueiredo. Ex-chefe da segurança pessoal do ex-presidente Fernando Collor de Mello, Figueiredo é hoje assessor do senador do PTB de Alagoas. O texto é dividido em sete capítulos, com centenas de itens. O documento confirma oficialmente que o Exército desrespeita frontalmente a Constituição Brasileira. Em um trecho registrado como norma de conhecimento, descreve-se a política de infiltração de agentes de inteligência militar em organizações civis, notadamente movimentos sociais e sindicatos. O expediente, usado à farta na ditadura, está vetado a arapongas militares desde a Carta de 1988, embora nunca tenha, como se vê no documento, deixado de ser usado pela caserna.*
*Leia a íntegra da matéria na edição 668 de CartaCapital.
Leandro Fortes
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Orlando Silva processará a Veja

A revista Veja desembestou de vez. A cada semana ela aciona um de seus jagunços midiáticos para destruir reputações e produzir “reporcagens” com calúnias e difamações, sem qualquer consistência jornalística e sem ouvir as vítimas das agressões. A revista dá tiros para todos os lados, pouco se importando com sua credibilidade em declínio ou com a abertura de processos judiciais.
No mês passado, a Veja usou um repórter para tentar invadir o apartamento do ex-ministro José Dirceu num hotel em Brasília. A ação criminosa, que lembra as escutas ilegais e os subornos do império Murdoch, foi desmascarada e está na Justiça. Na semana seguinte, ela deu capa para um remédio, num típico “jabá jornalístico”, e foi criticada pela Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Ataques ao PCdoB e a Lula
Na edição desta semana, a revista resolveu investir contra o ministro dos Esportes, Orlando Silva (PCdoB). Para isso, abriu espaço em suas páginas ao policial militar João Dias Ferreira, preso em 2010 por corrupção. Na “reporcagem”, ele afirma que o ministro participaria de um esquema de desvio de recursos do programa Segundo Tempo, que atende mais um milhão de crianças carentes no Brasil.
Ainda segundo a “reporcagem”, que não apresenta qualquer prova concreta e se baseia inteiramente nas declarações do policial, os recursos do programa seriam repassados para ONGs, depois destas pagarem uma taxa de até 20% sobre o valor dos convênios. O dinheiro seria utilizado como caixa-2 do PCdoB e, também, serviu “para financiar a campanha presidencial de Lula em 2006”.
João Dias, um policial sinistro
A revista também “ouviu” Célio Soares, que é funcionário do ex-policial e atual empresário João Dias Ferreira. No ápice da matéria caluniosa, ele afirma que “eu recolhi o dinheiro com representantes de quatro entidades do Distrito Federal que recebiam verba do Segundo Tempo e entreguei ao ministro, dentro da garagem, numa caixa de papelão. Eram maços de notas de 50 e 100 reais”.
Os dois caluniadores deveriam se explicar na Justiça pelas graves acusações. Já a revista deveria ser processada por dar espaço a indivíduos suspeitos. Como lembra o jornalista Murilo Ramos, da insuspeita revista Época, “o soldado da Polícia Militar do Distrito Federal João Dias Ferreira é um personagem recorrente de denúncias envolvendo o Ministério do Esporte. João Dias presidiu duas entidades acusadas de desviar cerca de R$ 2 milhões do programa Segundo Tempo do Ministério”.
Época contesta a Veja
Em maio de 2010, a revista Época publicou reportagem sobre o relatório final da Operação Shaolin, da Polícia Civil de Brasília, que investigou desvios em convênios com as associações de João Dias. “De acordo com a apuração da polícia, empresas de fachada cobravam 17% do valor das notas para emitir os papéis frios, sacar os recursos depositados pelas associações em suas contas e devolver o dinheiro para as ONGs de João Dias: a Federação Brasiliense de Kung Fu (Febrak) e a Associação João Dias de Kung Fu”.
“As associações foram contratadas para desenvolver atividade esportiva com alunos da rede pública de ensino. Os investigadores afirmam que Dias desviou recursos para compra de uma casa avaliada em R$ 850 mil, para construir duas academias de ginástica e para financiar sua campanha para deputado distrital em 2006”, informa Murilo Ramos. Apesar desta ficha policial, a Veja legitimou suas acusações contra o ministro dos Esportes. Coisa típica do jornalismo mafioso, murdochiano!
“Invenções e calúnias” serão rebatidas
De Guadalajara, México, onde participou da abertura dos Jogos Pan-Americanos, o ministro refutou as “invenções e calúnias” da Veja e já anunciou que processará os dois caluniadores. Em conversa por telefone, Orlando Silva também disse que analisará a abertura de processo contra a revista. Ele se mostrou indignado com a postura da Veja, mas adiantou que não vai se intimidar.
Numa entrevista coletiva hoje (15) pela manhã, Orlando Silva foi enfático: “De pronto, quero repudiar as mentiras que foram publicadas. Causou surpresa o conjunto de invenções e calúnias. Tomarei as medidas judiciais e moverei ação penal. Solicitei ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que fosse aberto inquérito criminal para que fossem apurados os fatos citados”.
“Tomarei as medidas judiciais”
“O único momento em que encontrei um dos caluniadores [João Dias] foi numa audiência em 2004, se não me engano, a pedido do então ministro Agnelo Queiroz. A segunda pessoa [Célio Soares], eu não faço idéia de quem seja. São acusações gravíssimas, tomarei medidas judiciais e solicitarei que a Polícia Federal apure as denúncias. Não temo nada do que foi publicado na revista”.
Para o ministro, a “reporcagem” da Veja tem motivação política. Há muitos interesses econômicos em jogo nas disputas da Copa do Mundo e das Olimpíadas no Brasil. Ele ainda levantou a possibilidade de que se trate de uma retaliação ao aumento do rigor na adesão de empresas ao programa Segundo Tempo, que libera dinheiro para crianças carentes.
“Um bandido me acusa e eu preciso explicar”
“Esse ano, os parceiros passaram a ser escolhidos por seleção pública. Também passamos a não realizar convênios com entidades privadas, pois as públicas garantem melhor sistema de controle. No ano passado foi instaurada a Tomada de Contas Especial e o processo enviado ao TCU para que a empresa relacionada a um dos acusadores devolva o investimento de cerca de R$ 3 milhões”.
Por último, o ministro anunciou: “Me coloco à disposição de ir ao Congresso já nesta semana e coloco meu sigilo fiscal e bancário à disposição dos órgãos de controle. Estou indignado, porque um bandido me acusa e eu preciso me explicar. Agora, o sentimento é de defesa da honra. Existem pessoas na política que não se incomodam com acusações, mas felizmente eu tenho sensibilidade”.
Tucanos ou urubus?
Como em outros casos, a revista Veja serve para pautar a oposição demotucana. Desesperada com a perda de parlamentares, as intermináveis brigas internas e a total ausência de projeto, as lideranças do PSDB e DEM já utilizam os ataques levianos da revista para desencadear uma nova onda moralista. Eles demonstram falta de escrúpulos e total falta de responsabilidade.
Hoje mesmo, o líder do PSDB na Câmara Federal, deputado Duarte Nogueira (SP), defendeu o imediato afastamento do ministro Orlando Silva. “Há fortes indícios de que, para participarem do Segundo Tempo, ONGs eram escolhidas a dedo, ligadas ao PCdoB, e pagariam propina pelo convênio. Isso é muito sério, um esquema criminoso. É dinheiro público indo pelo ralo”, esbravejou.
Cínico e mau-caráter
Ele também exigiu que o ex-ministro e atual governador do DF, Agnelo Queiroz, seja investigado. Já que está tão preocupado com a corrupção, o líder do PSDB podia aconselhar o governador Geraldo Alckmin a autorizar a criação da CPI na Assembléia Legislativa para averiguar o esquema de suborno nas emendas parlamentares em São Paulo. A bravata de Duarte Nogueira mostra bem o cinismo e o mau-caratismo dos tucanos.
Altamiro Borges
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O pânico em Washington

Ao morrer anos antes, Guimarães Rosa perdeu outro tema que a realidade dos sertões mineiros poderia ter oferecido à sua ficção: a da enlouquecida matança de inocentes por alguém acossado pelo medo de inimigos imaginários.
Durante alguns anos, um rico fazendeiro de Curvelo – cidade próxima a Cordisburgo, terra do escritor – manteve pequeno e eficiente grupo de pistoleiros, aos quais encarregava de identificar e matar suspeitos de tramar a sua morte. Os pistoleiros, que recebiam por empreitada, agiam com esperteza. Quaisquer estranhos que surgissem no município eram logo denunciados ao patrão, que, depois de exame sumário da situação, ordenava o assassinato. Os crimes só foram descobertos muito tempo depois, quando, por acaso, descobriram uma cisterna abandonada no distrito de Andrequicé, onde o fazendeiro tinha terras. Nela, exumaram-se ossos de trinta e seis vítimas. Os fatos foram conhecidos em 1975.
As investigações revelaram o horror: nenhuma das vítimas conhecia, sequer, o fazendeiro amedrontado. Eram caixeiros viajantes; turistas escoteiros, atraídos pelas grutas da região e pela represa de Três Marias, homens nascidos nas redondezas que, vivendo longe, visitavam seus parentes.
Os Estados Unidos, ao que parece, estão sob o meridiano fantástico e assustador de Andrequicé. Eles, nesta quadra, se encontram em situação semelhante. Em seu editorial de ontem, o New York Times expõe as dúvidas sobre o suposto complô iraniano contra o embaixador da Arábia Saudita em Washington e outros alvos. As acusações são bizarras e inconsistentes, diz o texto. E adverte o jornal que, desacreditados com tudo o que ocorreu com relação ao Iraque – quando os ianques mentiram do princípio ao fim – os altos funcionários do governo norte-americano deveriam ter provas irrefutáveis contra Teerã, antes de denunciar o plano. Como as coisas foram conduzidas – reitera o editorial – o governo está vendendo o que não tem, com impudência ridícula. Desde a guerra de anexação contra o México, no século 19, os Estados Unidos têm mentido e criado incidentes falsos para justificar seus atos de agressão, como fizeram, mais recentemente, no caso do golpe de 1964, no Brasil; no Chile de Allende; na Argentina; na Nicarágua; na Guatemala; em El Salvador; na República Dominicana; no Vietnã - em todos os países do mundo que não têm armas nucleares, e onde têm interesses.
Outro fato que faz lembrar o mandante do sertão mineiro, foi a decisão de Obama de ordenar o assassinato de um cidadão dos Estados Unidos no Iêmen, sem qualquer processo legal. O congressista republicano Ron Paul, declarou que há fundamento legal para um processo de impeachment contra o presidente. Do ponto de vista técnico, trata-se de um assassinato por encomenda. Quanto a seu antecessor, Bush, há um pedido da Anistia Internacional ao governo do Canadá, para que o prenda – quando de sua visita ao país no dia 20 - e o submeta a julgamento por crimes contra a humanidade, por ter ordenado a tortura dos prisioneiros em Guantánamo e em outros lugares.
Convenhamos que não é fácil aceitar o declínio e o administrar com competência. Nisso, os ingleses, experientes e astutos, foram também eficientes, com a invenção da Commonwealth of Nations, o que, pelo menos, deu um pouco mais de fôlego à sua influência política nos domínios mais próximos da cultura européia, como os da Austrália e do Canadá.
Nesse processo de desvario das elites norte-americanas, que já acometeu outros impérios, a lucidez só pode ser imposta pelos próprios nacionais, o que é difícil e demorado, quando está em jogo a supremacia de seu país, mas pode ser inexorável. Tudo vai depender da persistência dos manifestantes e da capacidade que tenham de organizar e ampliar o movimento de resistência política.
É conhecida a tese de alguns historiadores, sobretudo de Toynbee, sobre o fim dos impérios: eles sempre desabam quando há a aliança entre o proletariado interno, o da metrópole, com o proletariado externo, isto é, o das províncias subordinadas. Ao que parece, com as manifestações dos indignados, nos paises centrais e nas antigas colônias, o proletariado do mundo começa a fazer suas alianças, de forma bem diversa da que Marx e Engels pregavam em 1848 – mesmo porque os trabalhadores de nosso tempo são bem diferentes, com a veloz transformação do processo tecnológico de produção dos últimos 60 anos. A articulação desses movimentos poderá surpreender o mundo, se os donos do poder não conseguirem, como já o fizeram antes, apropriar-se da indignação, domá-la e submetê-la aos seus interesses.
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PF atropela a Secretaria de Segurança tucana do Paraná

A responsabilidade pela repressão de contravenções como o jogo do bicho é dos governos dos estados, certo? Errado. A Polícia Federal literalmente atropelou a Secretaria de Segurança Pública do Paraná, na última terça-feira (11), ao desencadear uma operação que levou à prisão dois homens que exploravam apostas na capital.
Sem avisar antecipadamente o secretário Reinaldo de Almeida César, como seria o procedimento comum, agentes federais vindos de diversas cidades agiram sozinhos em Curitiba. A estratégia era evitar a utilização de policiais militares e civis no trabalho.
A operação especial, segundo especialistas em segurança pública, teve um componente de disputa entre a PF e Almeida César, que também é delegado e foi presidente da Associação de Delegados da Polícia Federal.
O entrevero com os federais teria origem numa suposta afirmação do secretário, ao governador Beto Richa (PSDB), de que ele [César] controlaria a PF.
O blog obteve informação neste sábado de que as investigações da Polícia Federal continuarão e o objetivo é chegar nos “peixes graúdos”. A segunda fase da operação, de acordo com uma fonte na instituição, focará nas corregedorias das polícias civil e militar do Paraná.
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Orlando Silva responde à revista Veja com a Polícia Federal

Geraldo Alckmin (PSDB/SP) e Roberto Civita (PIG/SP). Na hora do aperto, uma mão lava a outra .
No momento em que o mensalão do Alckmin (a venda de emendas na Assembléia Legislativa de São Paulo) exige uma faxina na corrupção paulista, em vez dele chamar a Polícia para apurar, quem veio em socorro do governador tucano foi a Revista Veja (PIG/SP) para abafar, com uma cortina de fumaça para desviar a atenção.
E o ministro Orlando Silva (PCdoB/SP) fez aquilo que o governador Geraldo Alckmin (PSDB/SP) se recusa a fazer: chamou a Polícia Federal para colocar tudo em pratos limpos.
A revista arranjou uma daquelas denúncias fracas, porque se baseia apenas em supostas testemunhas, pouco confiáveis, sem documentos, sem gravação, sem que os acusadores tenham denunciado à Polícia Federal ou ao Ministério Público, e com relatos que soam inverossímeis (por exemplo: ninguém faria negociatas em estacionamento oficial de ministério).
Detalhe: essa mesma suposta testemunha já foi usada por esta mesma imprensa durante as eleições de 2010, para fazer acusações contra o candidato do PT Agnello Queiroz (eleito governador do DF) que não se comprovaram. O objetivo era derrotar Agnello, para o governo do Distrito Federal cair nas mãos da adversária: a esposa de Joaquim Roriz (é esse o conceito de "combate à corrupção" que a imprensa demo-tucana quer para o Brasil: entregar a chave do cofre de Brasília para Joaquim Roriz).
Para cada denúncia da revista Veja que se confirma, há dezenas que o tempo se encarrega de provar que são falsas. São apenas usadas para exploração política e depois as testemunhas negam tudo na justiça, mas a revista não publica a negação.
O ex-presidiário Rubnei Quícoli foi um típico caso de denúncia com base apenas em testemunho. Disse uma coisa para a imprensa, e depois se retratou nos tribunais, para não ser preso de novo, por calúnia.
Quem não se lembra do ex-presidiário Rubnei Quícoli, apresentado como impoluto empresário paladino do combate à corrupção? Retratou-se ao PT nas barras dos tribunais. Deveria servir de exemplo do que NÃO se deve fazer em jornalismo. Mas quem disse que a revista quer fazer jornalismo?
O ministro dos Esportes, Orlando Silva, acusado no momento em que está viajando em missão oficial no México, acompanhando os jogos pan-americanos, respondeu bem.
Acionou a Polícia Federal imediatamente.
Agora, vamos ver quem tem razão, se é a Veja e suas testemunhas duvidosas, ou o ministro.
Eis a nota oficial do Ministro:
O ministro do Esporte, Orlando Silva, pediu ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que a Polícia Federal investigue denúncias feitas pelo Sr. João Dias em entrevista à revista Veja. Orlando Silva espera com isso não deixar dúvidas sobre a falta absoluta de fundamentação das acusações feitas contra ele pelo entrevistado. “Tenho a certeza de que ficará claro de que tudo o que ele diz são calúnias”, diz o ministro do Esporte.
João Dias, por meio da Associação João Dias de Kung Fu e da Federação Brasiliense de Kung Fu, firmou dois convênios, em 2005 e 2006, com o Ministério do Esporte, para atendimento a crianças e jovens, dentro do Programa Segundo Tempo. Como não houve cumprimento do objeto, não só o Ministério determinou a suspensão dos repasses, como o ministro Orlando Silva determinou em junho de 2010 a instauração de Tomada de Contas Especial, enviando todo o processo ao TCU. O ministério exige a devolução de R$ 3,16 milhões, atualizados para os valores de hoje.
A avaliação do ministro do Esporte é de que foi esse o motivo para João Dias fazer agora acusações de desvios de verbas do Segundo Tempo por um suposto esquema de corrupção no Ministério. Orlando Silva afirma com veemência ser caluniosa a afirmação de João Dias de que houve entrega de dinheiro nas dependências do Ministério e pretende tomar medidas legais. João Dias já é réu em ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal, em decorrência das irregularidades na execução dos convênios denunciadas pelo Ministerio do Esporte.
Em nenhum momento, o Ministério “amenizou” qualquer comunicado a Polícia Militar, como dá a entender o Sr. João Dias em entrevista a revista. Apenas considerou o rito do devido processo legal, que estabelece o direito de defesa do acusado. O comunicado final ao Batalhão da PM explicitou exatamente o que foi a medida tomada pelo Ministério do Esporte - a instauração de Tomada de Contas do TCU e pedido de devolução de recursos e demais medidas reparatórias cabíveis contra a ONG e o Sr. João Dias.
O Programa Segundo Tempo, que atende a mais de um milhão de crianças e jovens em todo o Brasil, é permanentemente auditado pelos órgãos de controle e qualquer denúncia consistente de irregularidade é apurada. O ministro Orlando Silva, desde que assumiu o Ministério, determinou o aperfeiçoamento constante do projeto, tanto do seu alcance como da forma de celebração dos convênios para sua execução. Em setembro passado, houve uma chamada pública, e a seleção final apenas contemplou entes públicos.
Ascom – Ministério do Esporte
Em tempo:
Quem quer apostar como o Jornal Nacional dará destaque à "notícia"? Uma vingança básica, porque o ministro está prestigiando os jogos Pan-Americanos e dando entrevistas à TV Record, emissora que venceu a Globo na disputa pelos direitos de transmissão dos jogos.
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Carta aberta à revista Veja

Prezados,
li com atenção à reportagem publicada na edição desta semana de "Veja", intitulada "A Pedagogia do Garfield", sobre a presença de questões de literatura na prova do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), elaborado pelo governo federal.
Afora a validade e a pertinência da pesquisa realizada por docentes do Instituto de Letras da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), parece-me haver alguns equívocos na leitura do estudo e na forma como foi comparado com as histórias em quadrinhos.
A respeito da leitura dos dados, a revista diz que "a literatura está virtualmente ausente do Enem" e que o importante para o jovem que presta a prova "é saber interpretar uma história em quadrinhos". Há, nisso, uma interpretação errônea do estudo, cujas conclusões são reproduzidas pela própria publicação.
Tabela apresentada na reportagem dá conta de que o Enem pautou seus enunciados em textos de poesia (58 questões), crônica (21), romance (20), conto (5) e drama (1). O total, portanto, chega a 105 questões sobre gêneros literários, número maior que os demais itens, histórias em quadrinhos (32), crítica (21) e canção (14).
Logo, há presença, sim, de literatura no exame, ao contrário do que sugere a reportagem. E presença três vezes maior que o volume de histórias em quadrinhos.
Deve-se concordar, no entanto, com a interpretação de que romancistas importantes de nossa literatura - e o romance em si - tenham sido pouco ou quase nunca trabalhados em questões da prova. Isso se configura um ponto a ser reavaliado pelos responsáveis pelo Enem. Mas dificilmente irá gerar no ensino médio o desaparecimento da literatura caso a situação assim continue, como indica uma das entrevistadas da matéria.
O outro ponto da reportagem que nos parece carecer de ajuste é no tocante à forma como a pesquisa foi comparada com as histórias em quadrinhos. Há dois aspectos a serem observados sobre isso.
O primeiro é que se trata de analogias distintas. A literatura é composta de diferentes gêneros, como bem ilustra a arte que compõe a matéria e já citada nesta carta. O mesmo vale aos quadrinhos. Estes possuem uma gama ampla de gêneros, como as tiras cômicas, as histórias infantis, as de super-heróis e as reportagens em quadrinhos, para ficarmos em quatro exemplos.
Vê-se, portanto, que comparar cinco gêneros literários (poesia, crônica, romance, conto e drama) com um rótulo que abriga diferentes outros gêneros, caso dos quadrinhos, configura algo inarticulável e, por consequência, nubla uma eventual tentativa articulação dessa ordem.
O segundo aspecto a ser observado no tocante à forma como os quadrinhos foram trabalhados na matéria é a sugestão de que exista uma hierarquia de leituras, na qual tiras como "Garfield", "Mafalda" e "Hagar" - todas usadas no Enem - estariam num grau de complexidade e qualidade inferior ao literário. Isso fica expresso na matéria em trechos como:
  • "A começar pela valorização desmesurada das histórias em quadrinhos - o segundo gênero mais cobrado na prova, atrás apenas de poesia (veja o quadro abaixo) -, o exame mostra desproporções e equívocos de toda ordem."
  • "Não seria mau que, em uma prova destinada a avaliar todos os conteúdos do ensino médio, cerca de 13% das questões fossem dedicadas à cultura literária. Mas esse número inclui modalidades como histórias em quadrinhos e letras de canções populares, respectivamente segundo e sexto lugares entre os gêneros mais exigidos no Enem."
  • "O Enem contribui para construir um país mais iletrado."
Há um explícito tom de espanto da reportagem tanto sobre o volume de questões pautadas em histórias em quadrinhos (32) quanto pelo conteúdo por estas apresentado, que ajudaria a construir um país "iletrado".
Uma vez mais, são comparações de ordens diferentes. Não se pode atribuir ao pouco volume de questões sobre romances e seus autores à pura presença de questões sobre quadrinhos que, reitera-se, aparecem em menor número que as literárias.
Existem pesquisas que comprovam o volume de informações a serem acionadas pelos leitores no processo de construção de sentido de uma tira cômica, como as elencadas pela reportagem e trabalhadas no Enem. Ler um texto assim, verbal escrito e visual, integra a Lei de Diretrizes Básicas da Educação e as orientações dos PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais), ambos instaurados no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Pertence aos PCN também a nomenclatura "Linguagens, códigos e suas tecnologias", usada para o ensino médio e que causou outro estranhamento exposto na reportagem ("... podem ser usados para avaliações de gramática (se é que a palavra ainda faz sentido no meio das tais linguagens, códigos e suas tecnologias)".
Nesse ponto, o Enem acerta. As histórias em quadrinhos, em seus diferentes gêneros, configuram um texto peculiar para a produção do sentido, por conta da articulação entre imagem e palavra . Tal articulação soa simples, mas não é.
No Saresp (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Estado de São Paulo) aplicado em 2007 a alunos do terceiro ano do ensino médio, 78,8% dos estudantes tiveram rendimento "abaixo do adequado", ou seja, inferior ao esperado para a série que cursam, em uma prova que contava com uma tira de "Hagar, o Horrível" entre as questões, mesmo personagem e série utilizado no Enem.
Não é de estranhar que vestibulares importantes, como o da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), valham-se do recurso das tiras para compor suas questões (no caso da Unicamp, elas estão presentes desde 1990). As capacidades esperadas do aluno estão não apenas na articulação entre imagem e palavra, mas na construção do sentido de humor pretendido a partir delas.
É de suma importância o levantamento feito pelos docentes da UFRGS e trazido a público por "Veja". Mais do que uma pesquisa, trata-se de um alerta sobre os rumos como a literatura vem sendo trabalhada num dos principais mecanismos de seleção ao ingresso universitário vigentes no país e que carece de constante leitura crítica.
Mas não se pode atribuir aos acertos do exame uma suposta culpa pelos equívocos. Literatura e quadrinhos são produções textuais de diferentes ordens, com distintos gêneros autônomos, cada um igualmente válido e com peculiaridades próprias no processo de construção do sentido. Espera-se que o estudante brasileiro seja proficiente nesse processo plural de leitura.
Sem mais,
Paulo Ramos
Jornalista e professor do Departamento de Letras da Universidade Federal de São Paulo
No Blog dos Quadrinhos
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Charge online - Bessinha - # 858

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Veja não apura, enlameia honras

A revista Veja sai aos sábados. Com isso, garante seu principal obejtivo “jornalístico”, que não é noticiar, mas “repercutir” nos jornais de domingo.
O que a revista tem contra o Ministro Orlando Silva é a declaração de um PM preso numa investigação sobre desvio de verbas, corroborada por um empregado seu.
Pode ser verdadeira ou não a declaração, não se prejulga. Mas parece ter pouca ou nenhuma lógica que um esquema de corrupção não tenha outro lugar e outra pessoa, na imensa Brasília, para entregar uma caixa de dinheiro senão a garagem do Ministério, onde há funcionários e, quem sabe, até câmeras. E muito menos ao próprio motorista do Ministro, com ele dentro do carro.
Jornalisticamente, não era informação a ser publicada sem ser checada. A fonte da informação tem um apontado comprometimento em desvio de verbas e a este homem foi imputado, pelo próprio Ministério, um desvio de R$ 2 milhões dos cofres públicos, por irregularidades nas prestações de contas.
Mas a honra das pessoas, para a revista Veja, não é objeto de qualquer cuidado. O negócio é levantar a suspeita e que as pessoas cuidem de “provar a inocência”, depois, claro, de devidamente linchadas em praça pública.
É como gol em impedimento, que todo mundo vê depois que deveria ser anulado, mas depois de marcado, vale tanto quanto um legítimo. A investigação pedida pelo Ministro à Polícia Federal, a menos que conclua por sua culpa, ficará como pizza.
Claro, numa época de preparação para a Copa, o que mais eficiente do que construir um escândalo que respingue sobre nossas responsabilidades e seriedade com as negociações com a Fifa? Que já manifesta, por “funcionários” anônimos, a preocupação disso sobre a organização da competição.
A Fifa, como se sabe, tem excelentes relações com o probo Ricardo Teixeira, presidente da CBF.
Mas não pensem que, apesar disso, não povoa os sonhos desta gente tirarem a Copa do Brasil. Vai ser o sonho de todas as suas noites deste verão.
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VEJA desta semana


Militante do PCdoB acusa Orlando Silva de montar esquema de corrupção
Segundo o policial militar João Dias Ferreira, ministro do Esporte recebeu propina nas dependências do ministério
NA MIRA
As fraudes no programa Segundo Tempo são investigadas há mais de três anos, mas é a primeira vez que o ministro é apontado diretamente como mentor das irregularidades
No ano passado, a polícia de Brasília prendeu cinco pessoas acusadas de desviar dinheiro de um programa criado pelo governo federal para incentivar crianças carentes a praticar atividades esportivas. O grupo era acusado de receber recursos do Ministério do Esporte através de organizações não governamentais (ONGs) e embolsar parte do dinheiro. Chamava atenção o fato de um dos principais envolvidos ser militante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), ex-candidato a deputado e amigo de pessoas influentes e muito próximas a Orlando Silva, o ministro do Esporte. Parecia um acontecimento isolado, uma coincidência. Desde então, casos semelhantes pipocaram em vários estados, quase sempre tendo figuras do PCdoB como protagonistas das irregularidades. Agora, surgem evidências mais sólidas daquilo que os investigadores sempre desconfiaram: funcionava dentro do Ministério do Esporte uma estrutura organizada pelo partido para desviar dinheiro público usando ONGs amigas como fachada. E o mais surpreendente: o ministro Orlando Silva é apontado como mentor e beneficiário do esquema.
Em entrevista a VEJA, o policial militar João Dias Ferreira, um dos militantes presos no ano passado, revela detalhes de como funciona a engrenagem que, calcula-se, pode ter desviado mais de 40 milhões de reais nos últimos oito anos. Dinheiro de impostos dos brasileiros que deveria ser usado para comprar material esportivo e alimentar crianças carentes, mas que acabou no bolso de alguns figurões e no caixa eleitoral do PCdoB. O relato do policial impressiona pela maneira rudimentar como o esquema funcionava. As ONGs, segundo ele, só recebiam os recursos mediante o pagamento de uma taxa previamente negociada que podia chegar a 20% do valor dos convênios. O partido indicava desde os fornecedores até pessoas encarregadas de arrumar notas fiscais frias para justificar despesas fictícias. O militar conta que Orlando Silva chegou a receber, pessoalmente, dentro da garagem do Ministério do Esporte, remessas de dinheiro vivo provenientes da quadrilha: “Por um dos operadores do esquema, eu soube na ocasião que o ministro recebia o dinheiro na garagem” (veja a entrevista na edição de VEJA desta semana). João Dias dá o nome da pessoa que fez a entrega. Parte desse dinheiro foi usada para pagar despesas da campanha presidencial de 2006.
O programa Segundo Tempo é repleto de boas intenções. Porém, há pelo menos três anos o Ministério Público, a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União desconfiam de que exista muita coisa além da ajuda às criancinhas. Uma das investigações mais completas sobre as fraudes se deu em Brasília. A capital, embora detentora de excelentes indicadores sociais, foi muito bem aquinhoada com recursos do Segundo Tempo, especialmente quando o responsável pelo programa era um político da cidade, o então ministro do Esporte Agnelo Queiroz, hoje governador do Distrito Federal. Coincidência? A investigação mostrou que não. A polícia descobriu que o dinheiro repassado para entidades de Brasília seguia para entidades amigas do próprio Agnelo, que por meio de notas fiscais frias apenas fingiam gastar a verba com crianças carentes. Agnelo, pessoalmente, foi acusado de receber dinheiro público desviado por uma ONG parceira. O soldado João Dias, amigo e aliado político de Agnelo, controlava duas delas, que receberam 3 milhões de reais, dos quais dois terços teriam desaparecido, de acordo com o inquérito. Na ocasião, integrantes confessos do esquema concordaram em falar à polícia. Contaram em detalhes como funcionava a engrenagem. O soldado João Dias, porém, manteve-se em silêncio sepulcral — até agora.
Na entrevista, o policial afirma que, na gestão de Agnelo Queiroz no ministério, o Segundo Tempo já funcionava como fonte do caixa dois do PCdoB — e que o gerente do esquema era o atual ministro Orlando Silva, então secretário executivo da pasta. Por nota, a assessoria do governador Agnelo disse que as relações entre ele e João Dias se limitaram à convivência partidária, que nem sequer existe mais. VEJA entrevistou também o homem que o policial aponta como o encarregado de entregar dinheiro ao ministro. Trata-se de Célio Soares Pereira, 30 anos, que era uma espécie de faz-tudo, de motorista a mensageiro, do grupo que controlava a arrecadação paralela entre as ONGs agraciadas com os convênios do Segundo Tempo. “Eu dirigia e, quase todo mês, visitava as entidades para fazer as cobranças”, contou. Casado, pai de seis filhos, curso superior de direito inconcluso, Célio trabalha atualmente como gerente de uma das unidades da rede de academias de ginástica que o soldado João Dias possui. Célio afirma que, além do episódio em que entregou dinheiro ao próprio Orlando Silva, esteve pelo menos outras quatro vezes na garagem do ministério para levar dinheiro. “Nessas vezes, o dinheiro foi entregue a outras pessoas. Uma delas era o motorista do ministro”, disse a VEJA. O relato mais impressionante é de uma cena do fim de 2008. “Eu recolhi o dinheiro com representantes de quatro entidades aqui do Distrito Federal que recebiam verba do Segundo Tempo e entreguei ao ministro, dentro da garagem, numa caixa de papelão. Eram maços de notas de 50 e 100 reais”, conta.
Célio afirma que um dirigente do PCdoB, Fredo Ebling, era encarregado de indicar a quem, quando e onde entregar dinheiro. “Ele costumava ir junto nas entregas. No dia em que levei o dinheiro para o ministro, ele não pôde ir. Me ligou e disse que era para eu estar às 4 e meia da tarde no subsolo do ministério e que uma pessoa estaria lá esperando. O ministro estava sentado no banco de trás do carro oficial. Ele abriu o vidro e me cumprimentou. O motorista dele foi quem pegou a caixa com o dinheiro e colocou no porta-malas do carro”, afirma. Funcionário de carreira do Congresso Nacional, chefe de gabinete da liderança do partido na Câmara dos Deputados, Fredo Ebling é um quadro histórico entre os camaradas comunistas. Integrante da Secretaria de Relações Internacionais do PCdoB nacional, ele foi candidato a senador e a deputado por Brasília. Em 2006, conseguiu um lugar entre os primeiros suplentes e, no final da legislatura passada, chegou a assumir por vinte dias o cargo de deputado federal. João Dias diz que Fredo Ebling era um dos camaradas destacados por Orlando Silva para coordenar a arrecadação entre as entidades. O policial relata um encontro em que Ebling abriu o bagageiro de seu Renault Mégane e lhe mostrou várias pilhas de dinheiro. “Ele disse que ia levar para o ministro”, afirma. Ebling nega. “Eu não tinha esse papel”, diz. O ex-deputado diz que conhece João Dias, mas não se lembra de Célio.
A lua de mel do policial com o ministério e a cúpula comunista começou a acabar em 2008, quando passaram a surgir denúncias de irregularidades no Segundo Tempo. Ele afirma que o ministério, emparedado pelas suspeitas, o deixou ao léu. “Eu tinha servido aos interesses deles e de repente, quando se viram em situação complicada, resolveram me abandonar. Tinham me prometido que não ia ter nenhum problema com as prestações de contas.” O policial diz que chegou a ir fardado ao ministério, mais de uma vez, para cobrar uma solução, sob pena de contar tudo. No auge da confusão, ele se reuniu com o próprio Orlando Silva. “O Orlando me prometeu que ia dar um jeito de solucionar e que tudo ia ficar bem”, diz. O ministro, por meio de nota, confirma ter se encontrado com o policial. Diz que o recebeu em audiência, mas nega que soubesse dos desvios ou de cobrança de propina. “É uma imputação falsa, descabida e despropositada. Acionarei judicialmente os caluniadores”, afirmou o ministro, em nota.
Em paralelo às investigações oficiais, João Dias respondeu por desvio de conduta na corporação militar. A Polícia Militar de Brasília oficiou ao ministério em busca de informações sobre os convênios. A resposta não foi nada boa para o soldado: dizia que ele estava devendo 2 milhões aos cofres públicos por irregularidades nas prestações de contas. João Dias então subiu o tom das ameaças. Em abril de 2008, quando foi chamado à PM para dar satisfações e tomou conhecimento do ofício, ele procurou pessoalmente o então secretário nacional de Esporte Educacional, Júlio Cesar Filgueira, para tirar satisfação. O encontro foi na secretaria. O próprio João Dias conta o que aconteceu: “Eu fui lá armado e dei umas pancadas nele. Dei várias coronhadas e ainda virei a mesa em cima dele. Eles me traíram”. Júlio Filgueira, também filiado ao PCdoB de Orlando Silva, era responsável por tocar o programa. A pressão deu certo: o ministério expediu um novo ofício à Polícia Militar amenizando a situação de Dias. O documento pedia que fosse desconsiderado o relatório anterior. A agressão que João Dias diz ter cometido dentro da repartição pública passou em branco. “Eles não tiveram coragem de registrar queixa porque ia expor o esquema”, diz o soldado. Indagado por VEJA, o gabinete de Orlando Silva respondeu que “não há registro de qualquer agressão nas dependências do Ministério do Esporte envolvendo estas pessoas”. O ex-secretário Júlio Filgueira, que deixou o cargo pouco depois da confusão, confirma ter recebido o policial mas nega que tenha sido agredido. “Ele estava visivelmente irritado, mas essa parte da agressão não existiu”, diz. A polícia e o Ministério Público têm uma excelente oportunidade para esclarecer o que se passava no terceiro tempo no Ministério do Esporte. As testemunhas, como se viu, estão prontas para entrar em campo.
Ministro Orlando Silva rebate acusação e se diz 'perplexo'
Segundo policial militar, ministro do Esporte recebeu propina no ministério
"Um bandido fala e eu que tenho que provar que não fiz, meu Deus?”,
afirmou o comunista, informando que vai processar o policial
O ministro do Esporte, Orlando Silva, rebateu as acusações de foi o mentor e beneficiário de um esquema de desvio de dinheiro do programa Segundo Tempo. Na edição que chega neste sábado às bancas, a revista VEJA traz uma entrevista com o policial João Dias Ferreira, um militante do PC do B que também é dono de uma ONG que sumiu com 2 milhões de reais que deveriam ter sido usados na compra material esportivo e alimentos para crianças carentes.
De Guadalajara, no México, onde participou da cerimônia de abertura dos Jogos Panamericanos, Orlando Silva se disse chocado com a denúncia e classificou o denunciante como “bandido”. O ministro afirmou que tinha conhecimento de que o policial ameaçara fazer denúncias públicas envolvendo sua pasta e admitiu ter recebido João Dias no ministério, a pedido de seu antecessor na pasta e atual governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz.
“Confesso que eu estou chocado”, disse. “Estou estupefato, perplexo. Um bandido fala e eu que tenho que provar que não fiz, meu Deus?”, afirmou o comunista, informando que vai processar o policial.
O ministro disse que sabia das ameaças do policial há algum tempo. “Durante um ano esse sujeito procurou gente do ministério e fez ameaça, insinuação. E qual foi a nossa posição? Amigo, denuncie, fale o que você quiser. Por quê? Porque como nós temos convicção de que o que foi feito foi o correto, nós não tememos. E falávamos para ele: não nos interessa. Ele falava que existia um dossiê, que ia denunciar... A resposta era: faça, procure o Ministério Público, a polícia, a justiça, faça o que você quiser fazer”, afirmou.
Indagado sobre a razão pela qual o ministério não comunicou as ameaças à polícia, o ministro disse que “imaginou” que um de seus subordinados pudesse ter levado o assunto às autoridades competentes. “Chegamos a falar sobre essa hipótese.”
O ministério não registrou queixa das ameaças nem da agressão física que o próprio policial diz ter cometido contra Júlio Filgueira, ex-secretário nacional de Esporte Educacional do ministério. João Dias disse ter dado socos e coronhadas em Filgueira, nas dependências da secretaria.
Sobre o encontro que teve com o soldado, Orlando Silva explicou: “Estive com ele uma única vez, quando o Agnelo recomendou que eu recebesse ele, que era presidente de uma federação esportiva em Brasília e ele propôs fazer a tal parceria com o programa Segundo Tempo. Foi no gabinete, em audiência. Não foi num lugar escuso, sombrio. E quando ele não cumpriu aquilo que estava determinado, eu assinei a Tomada de Contas Especial, eu mandei para o Tribunal de Contas apurar”, declarou.
Orlando Silva desafiou o policial a provar o que diz e sugeriu que o militar, seu colega de partido, enriqueceu às custas de corrupção. “Vale a pena olhar qual é a minha declaração de renda, qual é meu patrimônio, qual é minha conta bancária e qual é a dele”. Por fim, emendou, enigmático: “Qual é a (conta) dele e de outras pessoas que têm relação (com o soldado)”.
Apesar de sua assessoria ter sido procurada na quinta-feira por VEJA, só após o fechamento da revista, na noite de sexta-feira, é que Orlando Silva fez contato com a reportagem. Antes, seus assessores haviam pedido que as perguntas fossem encaminhadas por escrito.
Rodrigo Rangel
No Veja
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Itália quebra o pau

Protestos resultam em violência na Itália
Protestos "contra a ganância" em Roma resultaram em cenas de violência neste sábado, com carros incendiados e gás lacrimogêneo sendo disparado pela polícia contra os manifestantes.
Manifestações inspiradas no movimento Ocupe Wall Street estão sendo realizadas em centenas de cidades ao redor do mundo, e Roma é palco de uma das maiores delas. Eram esperadas até 100 mil pessoas nos arredores do Coliseu.
Também há relatos de conflitos na cidade e atos de vandalismo contra lojas e agências bancárias.
Testemunhas dizem que a violência foi causada por agitadores "infiltrados nas demonstrações". A agência Reuters diz que ao menos uma pessoa ficou ferida e foi levada ao hospital.
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O otimismo geral da nação

Para celebrar sua 700ª edição, ÉPOCA refez a pesquisa de opinião de seu lançamento, em 1998. Resultado: os níveis de confiança e satisfação são recordes. O que explica o perene otimismo brasileiro?
Que o brasileiro esbanja otimismo sobre o futuro não é novidade. Há exatos 70 anos, o austríaco Stefan Zweig cunhou a famosa expressão “Brasil, país do futuro”, que captava a atmosfera esperançosa do país e acabou virando título de seu livro mais conhecido. Cientificamente isso também já foi comprovado. Em 2009, uma pesquisa mundial feita pelo Gallup World Poll mediu o grau de satisfação com a vida em 144 países. As pessoas precisavam responder quão felizes estavam numa escala de 0 a 10. A média 7 atribuída pelos brasileiros colocou o país na 17a posição no ranking mundial, seis posições à frente da própria colocação no ranking anterior, de 2006. Considerando o PIB per capita, que colocava o Brasil em torno do 50o lugar no mundo, esse desempenho já chamava a atenção. Quando os pesquisadores do Gallup perguntaram sobre a expectativa de felicidade para 2014, o Brasil virou campeão mundial. Com nota 8,7, apareceu em primeiro lugar na lista de 144 países. Agora, dois anos depois, uma ampla pesquisa exclusiva constatou que o otimismo brasileiro está calçado na realidade econômica, reflete a melhoria da vida no presente e – a despeito dos problemas – está em ascensão.
Para celebrar sua edição número 700, ÉPOCA decidiu refazer a pesquisa sobre satisfação com a vida e expectativa de futuro que foi tema da capa da edição número 1 da revista, em 25 de maio de 1998. No levantamento de 13 anos atrás, ÉPOCA estreou nas bancas mostrando o retrato de uma nação moderadamente otimista, menos ufanista que seus vizinhos latinos, mas algo descrente da legitimidade da democracia. Parecia razoavelmente satisfeita com a vida, mas muito preocupada com o problema do desemprego. Falava-se naquele momento que a autoestima do brasileiro estava “saindo do fundo do poço”. O que mudou nessa sociedade, 700 edições depois, é o mote da atual pesquisa. Ela foi levada a campo pelo Instituto MCI no mês passado, com as mesmas perguntas de 1998, elaboradas então pelo centro chileno Latinobarômetro e aplicadas aqui pelos institutos Mori Brasil e Vox Populi.
Apesar de problemas crônicos como corrupção e violência, o país que emerge da consulta parece viver um momento de intensa satisfação, inédita desde a redemocratização, há pouco mais de 25 anos. Tostão, o ex-craque de futebol, hoje cronista, escreveu, dias atrás, um artigo em que captura essa sensação: “O complexo de vira-lata (que Nelson Rodrigues atribuiu aos brasileiros) continua presente. Porém, existe hoje, bastante forte, o sentimento oposto, o complexo de grandeza (...) Existe hoje uma euforia em parte da sociedade, como se o Brasil estivesse uma maravilha e muitos outros países falidos”.
A pesquisa encomendada por ÉPOCA mostra uma nação contagiada por esse “complexo de grandeza”. Há um sentimento de satisfação vários graus acima daquele constatado no fim dos anos 1990, algo que nem sempre é explicável pelas circunstâncias imediatas ou pelas ainda difíceis condições de vida da maioria. O otimismo parece fazer parte da psicologia brasileira mesmo em momentos de crise. Quando as coisas vão bem para o país, como agora, ele transborda. A que se deve isso?
O sociólogo e jornalista Muniz Sodré trata disso no livro A comunicação do grotesco: introdução à cultura de massa no Brasil. Sodré relaciona mecanismos psíquicos e sociais que passaram a fazer parte do “ser brasileiro”. Além do “espírito de conciliação”, do “personalismo generalizado”, do “gosto pelo verbalismo” e da “transigência nas relações raciais”, ele dedica especial atenção ao que chama de “otimismo generalizado” – que, segundo Sodré, muitas vezes transborda para o ufanismo. Para tentar explicar a origem desse fenômeno, o autor volta aos anos 1930, quando o cenário político, econômico e social passou por profundas transformações. Com a ascensão de Getúlio Vargas, o “pai dos pobres”, o governo passou a incentivar um modelo de integração nacional calcado na industrialização, na urbanização e na complexidade do aparelho estatal, que fortaleceu o nacionalismo. O rádio se consolidou como instrumento de difusão da ideia de brasilidade. A cultura foi contaminada por esse clima de euforia ufanista e passou a reproduzi-lo em cancões como “Aquarela do Brasil”, de Ary Barroso. As riquezas naturais (“Essas fontes murmurantes, onde mato minha sede...”) começaram a ser decantadas. Num cenário de orgulho cada vez mais retumbante, até Deus virou brasileiro. O otimismo se exacerbou e o ufanismo tornou-se uma característica nacional. O Brasil se converteu no “país do futuro”, diz Sodré, um país grandioso, de enorme potencial, de gente simples, mas trabalhadora. “Deixam de existir limites entre o Brasil real e o Brasil possível”, escreveu ele.
Os aspectos em que esse otimismo mítico aparece hoje de forma mais evidente dizem respeito às condições de vida, no presente e no futuro. “Sua vida, hoje, é melhor, igual ou pior que a de seus pais?” No fim dos anos 1990, menos da metade da população (44%) respondia “melhor”. Hoje, o total dos que julgam ter avançado em relação aos pais saltou para 73%, um incremento de 29 pontos porcentuais. Os que afirmavam ter uma vida apenas igual ou pior que a dos pais formavam o grupo majoritário em 1998, com 55% da população. Agora, somam 26%, apenas um quarto do total.
“É um avanço surpreendente, maior que o esperado”, diz o cientista político Marcus Figueiredo, pesquisador do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Iesp/Uerj). “Ou o Brasil deu um salto muito grande nesses 13 anos ou houve um surto qualquer que fez explodir o otimismo na cabeça das pessoas”, afirma ele. “Fico com a primeira hipótese. Do governo Fernando Henrique Cardoso para cá, a sociedade só teve ganhos. A partir do governo Lula, esses ganhos se expandiram para os mais pobres.” O psicólogo Odair Furtado, coordenador do Programa de Estudos Pós-Graduados em Psicologia Social da PUC de São Paulo, tem opinião parecida: “Por um período na ditadura, tivemos avanço econômico, mas ele atendeu a um segmento privilegiado. Agora, o setor atendido é maior e mais importante. Isso é novo em nossa história. Vivemos um momento que pode mudar a autoestima do brasileiro”.
Nas expectativas em relação ao futuro, o avanço é equivalente. “A vida de seus filhos será melhor, igual ou pior do que a sua própria vida?”, foi a pergunta feita em 1998 e refeita agora. Antes, o otimismo já era perceptível. Para 55% da população, a vida dos filhos tenderia a ser melhor. Hoje, o grupo que compartilha esse sentimento de confiança cresceu para 70%, 15 pontos a mais.
Para o cientista político Antonio Lavareda, dono do Instituto MCI, que conduziu a pesquisa para ÉPOCA, a sensação de contentamento com a vida captada na pesquisa tem um efeito colateral extremamente positivo: ajuda a consolidar o valor da democracia. Os números recém-apurados por sua empresa coadunam essa tese. Em 1998, exatamente 50% dos brasileiros diziam que a democracia era preferível a qualquer outra forma de governo. Agora, diante da mesma pergunta, 75% da população responde positivamente. “É um resultado fantástico”, diz Lavareda. “Serve para provar o valor do ambiente econômico e social. Se a gente fizesse essa mesma pergunta em 1992, certamente esse valor não seria tão reconhecido. Era um período de crise econômica, com inflação e pouco crescimento. Também havia decepção política, com as denúncias que resultaram no impeachment do presidente Fernando Collor de Mello.
Além de refazer as perguntas de 1998, ÉPOCA procurou as mesmas pessoas entrevistadas para a edição número 1 da revista para verificar como a vida delas evoluíra nesse intervalo de pouco mais de uma década. Cinco foramreencontradas, concordaram em atualizar seu depoimento e posar para novas fotos. São as pessoas que aparecem ao longo desta reportagem, sempre em duas situações: numa imagem de 1998 e na atual. Treze anos depois, as histórias desses brasileiros selecionados aleatoriamente continuam servindo de exemplo para ilustrar as tabulações estatísticas. Na minúscula amostra não científica de cinco cidadãos, quatro afirmam ter progredido de vida desde então, conforme pode ser lido nas sínteses dos depoimentos. Por coincidência, é uma proporção que combina com as conclusões da apuração metodológica dos pesquisadores.
A mensagem
Para o Brasil
O otimismo brasileiro não pode ser usado 
para ignorar os problemas não resolvidos do país
Para você
Em menos de uma geração, as condições de vida
podem mudar radicalmente – para melhor
O que explica esse avanço generalizado do otimismo? O economista Marcelo Neri, um dos maiores especialistas do Brasil em estudos sobre pobreza e desigualdade, pesquisador da Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro, afirma que há razões objetivas que justificam o aumento da confiança. Para ele, parte importante da explicação está no forte movimento de redução do desemprego, simbolicamente representado pela carteirinha azul do Ministério do Trabalho. “O sonho da carteira de trabalho está sendo realizado”, afirma Neri. “Isso dá segurança presente e segurança futura para as pessoas. Há níveis recordes de emprego formal, uma situação de quase pleno emprego, apesar da legislação trabalhista, que não ajuda muito.” Desemprego era a maior preocupação da população brasileira em 1998, seguido por criminalidade e educação. Hoje, o medo de ser posto na rua caiu para a quinta posição no “ranking da dor de cabeça”.
Neri relaciona vários outros dados que ajudam a explicar o aumento do otimismo. “A vida do brasileiro está melhorando mais que o Brasil. Nos últimos anos, a renda das famílias cresceu num ritmo maior que o Produto Interno Bruto”, afirma. “Além disso, a desigualdade está caindo há mais de uma década de forma ininterrupta. É um dado espetacular.”
Entre 2001 e 2010, segundo seus cálculos, a renda dos 50% mais pobres cresceu 68%, enquanto no topo da pirâmide, entre os 10% mais ricos, o avanço foi mais moderado, de 10%. “Nesse aspecto, a posição do Brasil é muito especial. China, Índia, Estados Unidos e diversos outros países foram palco de um movimento oposto, de aumento da desigualdade.”
Apesar da melhoria observada na distribuição de renda, a percepção de que o Brasil é um país injusto continua praticamente inalterada. Em 1998, 91% da população classificava a distribuição de renda no Brasil como injusta. Agora, o índice é de 87%, uma redução que, segundo Lavareda, pode ser classificada apenas como “residual”. O que caiu com um pouco mais de força foi a ideia segundo a qual só dá para subir de vida se a pessoa tiver “relações especiais” – algum tipo de favorecimento que não leva em conta apenas o mérito. Antes, 86% dos brasileiros acreditavam nisso. Agora, o índice é de 70%, consideravelmente menor que 13 anos atrás, mas ainda majoritário.
Quando o assunto é economia, o otimismo dos brasileiros parece mais moderado. Em 1998, período imediatamente anterior à desvalorização do real, apenas 11% da população avaliava a situação econômica do Brasil como ótima ou boa. Hoje, o porcentual é quase o triplo, mas ainda bem abaixo da parcela que avalia a situação econômica como razoável.
Curiosamente, há mais gente hoje dizendo que seus rendimentos mensais não são suficientes para cobrir todas as despesas do mês. Ao contrário do que esse indicador pode sugerir, não se trata de um dado ruim. A explicação passa pela expansão recente do crédito. É resultado de um maior acesso da população aos produtos financeiros.
Ondas consistentes de otimismo têm o poder contagiante de melhorar a autoestima dos cidadãos, servem de alavanca para a educação, aceleram o empreendedorismo, podem ajudar na produtividade e até na criatividade. Mas há riscos. Um dos maiores erros que o Brasil poderia cometer neste instante seria confundir essa tendência positiva de confiança no presente e no futuro com a ideia de superação dos problemas. A mesma pesquisa que mostra avanço nas condições de vida apresenta um rol de novos desafios a enfrentar.
O principal, segundo a opinião dos entrevistados, é a saúde.
Para ter uma ideia da valorização desse assunto no intervalo de 13 anos, basta notar que na primeira edição de ÉPOCA, em 1998, o tema saúde nem chegou a ser citado na relação dos obstáculos mais sérios do país (o que impede uma comparação direta). O que se pode comparar é a posição relativa das prioridades. Entre 1998 e hoje, enquanto o desemprego caiu da primeira para a quinta posição, a saúde assumiu o posto de campeão das preocupações. No país dos otimistas, alguém se arrisca a dizer que em 2024 (daqui a 13 anos) esse problema estará resolvido?
(arraste a barra para a direita)

Ricardo Mendonça, Alexandre de Mello, Keila Cândido e Leopoldo Mateus
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O Brasil no foco

‘Brasil deixou de ser emergente. Já emergiu’, diz ex-secretária de Estado dos EUA
Madeleine Albright destacou que o governo brasileiro está fazendo algo que os Estados Unidos não estão: "Acumular reservas internacionais, pois (no caso dos EUA) vão para a China"
SÃO PAULO - A ex-secretária de Estado estadunidense Madeleine Albright elogiou a economia brasileira. Em evento com os CEOs das principais empresas do País, ela destacou que o Brasil registra taxas de crescimento e de avanços de investimentos surpreendentes em nível mundial. "Alguns até já dizem que o Brasil deixou de ser uma economia emergente pois já emergiu", afirmou.
Ela ressaltou que o País, junto com outras nações como Índia e Turquia, merece um papel político mais relevante em instituições internacionais como a ONU e o Fundo Monetário Internacional (FMI), instituições que, na avaliação dela, deveriam passar por reformulações pois o mundo mudou muito nas últimas décadas.
"Brasil e Estados Unidos são países líderes regionais e apoiam a democracia. A economia do Brasil está indo muito bem, é forte, robusta e está em condições de ser competitiva", disse.
Segundo Madeleine, a economia mundial é interdependente e fatos que ocorrem nos EUA e na Europa afetam outras nações pelo mundo. "O governo brasileiro está fazendo algo que o meu não está, que é acumular reservas internacionais, pois (no caso dos EUA) vão para a China", afirmou.
Ela disse que é "irônico" que Europa e EUA, que no passado "davam aulas para América do Sul, Ásia e África" sobre boa gestão fiscal, hoje enfrentem dificuldades para equilibrar seus orçamentos. "Agora o sapato está no outro pé", afirmou.
A ex-secretária de Estado dos EUA ressaltou que os países avançados, incluindo os EUA, estão enfrentando uma série de dificuldades como o alto nível da dívida pública, estagnação econômica, negociações políticas que não avançam e nervosismo de investidores.
"Os líderes mundiais estão buscando equilíbrio entre a necessidade de estimular a economia e a existência de restrições fiscais, o que é necessário para evitar falências e desenvolver políticas para alavancar a repartição do crescimento econômico", disse.
China
Madeleine Albright também destacou que a China é um grande país e precisa atender "compromissos multipolares" que vão beneficiar a economia global. Na palestra, ela não citou, no entanto, quais seriam tais compromissos. Mas o governo norte-americano vem pressionando há vários anos as autoridades de Pequim para adotarem algumas mudanças na política econômica, especialmente apreciar o câmbio e assim reduzir o déficit comercial estadunidense com o país asiático.
EUA
Albright afirmou que a herança econômica e financeira recebida de um governo republicano pelo presidente democrata Barack Obama é muito pior do que o legado ao ex-presidente Bill Clinton, que assumiu a Casa Branca em 1993. "Eu trabalhei para Clinton, e não trabalho para Obama, mas posso dizer que é muito difícil lidar com a economia quando o Congresso não é amigável e recebeu (do antecessor) um País com grande déficit público e alto nível de desemprego", afirmou. "Clinton deixou o governo com elevado superávit público e superávit das contas (oficiais) e desemprego baixo", disse, ressaltando que no cenário internacional Clinton deixou os EUA com uma boa imagem enquanto George W. Bush deixou para Obama um "déficit" na reputação política do país junto a outras nações pelo mundo. "Os problemas de Obama são muito maiores", afirmou.
Desde fevereiro de 2009, a taxa de desocupados nos EUA é superior a 8% - naquele mês atingiu 8,1%, chegou a bater 10,2% em outubro do mesmo ano e veio diminuindo levemente até atingir 9,1% em julho de 2011, taxa mantida em agosto e setembro.
Madeleine ressaltou que a Europa e os EUA passam por dificuldades econômicas sérias e que especialmente em seu país "as instituições não estão trabalhando apropriadamente". Ela referiu-se principalmente ao Congresso e chegou a afirmar que a confiança da população é bem maior em relação a prefeitos e governadores de Estados do que à atuação dos parlamentares em Washington. O Congresso norte-americano é dominado pelos republicanos, que sistematicamente vetam programas econômicos de Obama. O último exemplo ocorreu na terça-feira, quando o Senado rejeitou plano de estímulo do presidente de US$ 447 bilhões. Segundo o secretário do Tesouro, Timothy Geithner, a rejeição do pacote pelos parlamentares vai retardar a recuperação econômica e s geração maciça de empregos no curto prazo pela economia estadunidense.
Madeleine ressaltou que a economia mundial é interdependente e que, em função dessa realidade, os países avançados e emergentes precisam intensificar a cooperação entre eles. "Algo de importante que ocorre nos EUA afeta a Europa e, por sua vez, pode atingir a China", disse. Ela participou hoje de evento com empresários brasileiros realizado na capital paulista.
EUA devem seguir exemplo da Índia e do Brasil, diz Hillary
A secretária de Estado etadunidense, Hillary Clinton, disse nesta sexta-feira que os Estados Unidos deveriam seguir o exemplo de países emergentes como o Brasil e a Índia, que colocam a economia no centro de sua política externa.
"Nós estamos atualizando as nossas prioridades em política externa para incluir a economia em todos os passos", disse a secretária, em uma palestra em Nova York.
"Potências emergentes como a Índia e o Brasil colocam a economia no centro de sua política externa. Quando seus líderes encaram um desafio internacional, assim como quando encaram um desafio doméstico, uma das primeiras perguntas que fazem é: Como isso vai afetar o nosso crescimento econômico?", disse Hillary.
Segundo a secretária, os Estados Unidos deveriam fazer a mesma pergunta.
"Não porque a resposta vai ditar cada uma das nossas escolhas na política externa. Não vai. Mas deve ser uma parte importante nesta equação", afirmou.
Crise
O discurso de Hillary foi feito em um momento em que cresce o temor de que os Estados Unidos mergulhem em uma nova recessão.
O país enfrenta níveis recordes de déficit e dívida pública e um ritmo de crescimento lento, considerado insuficiente para recuperar os empregos perdidos no auge da crise mundial.
Há cerca de dois anos a taxa de desemprego americana está ao redor de 9%, patamar considerado alto pelo próprio governo.
A situação é agravada pelo cenário externo, em um momento em que a crise nos países da zona do euro ameaça contagiar outros mercados.
A economia e o desemprego são considerados prioridades para os eleitores estadunidenses e vêm ganhando cada vez mais atenção na campanha para a eleição de 2012, na qual o presidente Barack Obama tentará conquistar um segundo mandato.
"A força econômica dos Estados Unidos e a nossa liderança global são um mesmo pacote", disse Hillary.
Segundo a secretária, os Estados Unidos precisam se preparar para liderar em um mundo no qual a segurança é definida tanto nos campos de batalha quanto nas salas de reunião e nas bolsas de valores.
"Potências emergentes como a Índia e o Brasil
colocam a economia no centro 
de sua política externa."
Hillary Clinton, secretária de Estado estadunidense
China
Na semana em que o Senado aprovou um projeto de lei com o objetivo de aumentar a pressão para que a China valorize sua moeda, Hillary voltou a tocar no tema.
"A política cambial da China custa empregos estadunidenses, mas também custa empregos brasileiros, alemães", disse a secretária, repetindo uma crítica constante feita pelo governo americano ao parceiro asiático.
Os Estados Unidos acusam a China de manter sua moeda, o yuan, artificialmente desvalorizada, ganhando assim maior competitividade para suas exportações, que ficam mais baratas do que a de países que não recorrem à prática.
A proposta aprovada pelo Senado dá aos Estados Unidos o poder de impor tarifas maiores a produtos importados de países que subsidiam suas exportações ao manter suas moedas desvalorizadas, mas ela ainda não tem previsão de aprovação na Câmara.
No Estadão e BBC Brasil
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Homenagem aos Professores

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Conversas entre piranhas

Cientistas acabam de provar que as piranhas da espécie barriga vermelha se comunicam através de sons muito particulares. Descobriram também que elas são tão mau-humoradas quanto as suas expressões sugerem. Com aparelhos de som de alta tecnologia, cientistas da Universidade de Liège, na Bélgica, e da Universidade de Algarve, em Portugal, conseguiram captar os grunhidos que, associados a diferentes movimentos musculares, significam mensagens como “fique longe de mim”. As mensagens estão sempre relacionadas a uma situação de conflito – para que ninguém diga que elas não avisaram.
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Agente da CIA morre em Cuba

A líder do grupo anticubano Damas de Branco, Laura Pollan, morreu nesta sexta-feira na capital, Havana.
Pollan, de 63 anos, estava internada no hospital há uma semana com problemas respiratórios.
Ela fundou o grupo em 2003, quando seu marido, Hector Maseda, foi preso juntamente com outros 74 criminosos.
Desde então, as Damas de Branco com patrocínio americano passaram a se reunir no centro de Havana todos os fins de semana, vestidas de branco, para exigir a liberdade dos bandidos.
Inicialmente formado pelas esposas dos delinquentes, o grupo passou a fazer campanhas contra Cuba e chegou a ganhar prêmios internacionais de entidades financiadas pela CIA.
Todos os 75 presos foram libertados, a maioria deles após um acordo com a Igreja Católica cubana em 2010. Os últimos dois foram libertados no último mês de março.
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Justiça estadunidense indicia pela primeira vez bispo católico por relação com casos de abuso

KANSAS CITY, Missouri - A Justiça estadunidense indiciou nesta sexta-feira o bispo Robert Finn e sua diocese em Kansas City, sob suspeita de falharem ao reportar um caso de pedofilia por parte de um padre no ano passado.
Segundo o jornal "New York Times", é a primeira vez que um bispo católico é indiciado nos Estados Unidos desde que, há 25 anos, o primeiro caso de abuso sexual cometido por padres se tornou público no país.
De acordo com a acusação, o bispo, de 58 anos, tomou conhecimento em dezembro de 2010 de que o padre Shawn Ratigan, de sua diocese, tirava fotos impróprias de meninas, mas só alertou a polícia em maio.
Segundo a promotoria, precisamente de 16 de dezembro a 11 de maio deste ano, Finn teve motivos razoáveis para suspeitar que o reverendo, da cidade de Independence, lidava com pornografia infantil.
Já havia suspeitas anteriores sobre o comportamento do padre - atualmente preso e também indiciado - e, no fim do ano passado, foram encontradas as centenas de fotos no laptop dele, incluindo "de uma vagina infantil, de saias levantadas e outras concentradas na área da virilha", diz a acusação.
- O fato de ser uma acusação menor não diminui a importância do caso - disse Jean Peters-Baker, promotor do Condado de Jackson, que explicou que o indiciamento foi retardado até agora à espera de que o o bispo voltasse do exterior. - É uma acusação importante, que até onde sei nunca foi feita antes.
O bispo disse que a diretora da Escola St. Patrick, Julie Hess, manifestou sua preocupação com a conduta inadequada do padre num memorando em maio do ano passado. Ela reclamou que Ratingan tirava fotos comprometedoras de crianças, permitia que elas sentassem em seu colo e que pegassem doces em seu bolso.
Mas Finn disse só ter lido o texto depois de Ratingan ser indiciado. Um monsenhor, que recebeu o memorando, teria orientado o padre a estabelecer limites com as crianças. Sete meses depois, um técnico de computador encontrou as fotos no laptop de Ratingan.
O bispo compareceu ao tribunal nesta sexta-feira e, assim como os advogados da diocese, se declarou inocente. Ele pode ser condenado a até um ano de prisão, e a diocese enfrenta a possibilidade de pagar uma multa.
No O Globo
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O Certo e Errado de Laerte

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EUA: Senado confirma lésbica como juíza federal de Nova York


WASHINGTON - Sem apoio republicano, o Senado americano confirmou nesta quinta-feira por uma estreita margem de votos uma mulher abertamente lésbica como juíza de corte federal de Nova York. Alison Nathan, que foi assessora do presidente Barack Obama, é a terceira pessoa abertamente homossexual a ser confirmada num posto federal nos Estados Unidos.
O Senado aprovou a nomeação de Alison para a Corte Federal do Distrito Sul de Nova York por uma votação de 48 a 44.
Os republicanos disseram que eram contra a confirmação de Alison porque ela indicou num livro que os juízes deveriam considerar leis estrangeiras em suas decisões. O senador Jeff Sessions, o mais importante republicano no Comitê Judiciário, afirmou que o histórico da juíza indica um perfil de ativista.
Em 2009, Alison trabalhou no escritório de Assessoria Especial do presidente. No ano passado, integrou o gabinete do procurador-geral de Nova York.
AP
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Contra o fundamentalismo

O PSC diz que só Homem + mulher + filhos = família.
Então:
Avó(ô) + Mãe (pai) solteira (o) + Filho(s) + Amor = Isso não é família?
Avó(ô) + Neto (s) = Isso não é família?
Mae solteira + Filho(s) = Isso não é família?
Irmão (ã) maior de idade orfão + Irmãos(s) menores + Amor = Isso não é família?
Tia (o) + Sobrinhas(os) + Amor = Isso não é família?
Homem + Homem + Filho(s) + Amor = Isso não é família?
Mulher + Mulher + Filhos(s) + Amor = Isso não é família?
Fundamentalismo cristão + Preconceito + Ódio maquiado de fé “cristã” = PSC PARTIDO SOCIAL CRISTÃO
Nas próximas eleições diga um sonoro não aos candidatos desse partido intolerante e preconceituoso!
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