13 de out de 2011

É isso, Aécio?

Folha de São Paulo detona Aécio Neves e diz:" como se dirigir um país fosse tão simples quanto escapar de um bafômetro"
SÃO PAULO - Por ossos do ofício, resolvi ler a entrevista concedida pelo senador tucano Aécio Neves ao "Estado de S. Paulo", publicada no domingo passado. Esperava identificar ali alguma ideia relevante, a favor ou contra, pouco importa, mas alguma ideia capaz de estimular o debate político. A depender do vazio demonstrado pelo eventual adversário, o PT pode dormir tranquilo por vários anos no poder.
Globalizadas ou não, até novelas e pessoas de instrução modesta incorporaram ao repertório assuntos como recessão e estratégias de crescimento; soluções para evitar o desemprego; Ocupe Wall Street; União Europeia; crise financeira global; corrupção; quebradeira de bancos.
Não seria exigir demais que alguém, no enésimo lançamento de sua candidatura à Presidência, apresentasse opiniões sobre este universo tão vasto. Duas penosas páginas depois, a decepção é absoluta.
Em vez disso, nós e a repórter somos maltratados por frases como: "Decisão correta no momento errado é uma decisão errada"; "Será o futuro versus o passado"; "Ou vamos todos unidos de verdade ou não teremos êxito"; "Política é arte de administrar o tempo"; "O projeto original que trouxe o Brasil até aqui é do PSDB, mas o que está em execução agora é um software pirata".
Ao longo do palavrório, nem mesmo a lógica fica de pé. Aécio defende a ênfase no "legado do PSDB e do nosso futuro", mas diz que o principal desafio dos tucanos é "refundar o PSDB em seu discurso". Entendeu?
Bandeira mesmo, apenas uma. "Vamos lutar contra o aparelhamento da máquina pública", como se os tucanos fossem virgens à beira do altar, ou como se dirigir um país fosse tão simples quanto escapar de um bafômetro. Ainda assim, e supondo que o desejo fosse sincero, desaparelhar a máquina a favor de que plataforma, de que propostas, de que objetivos, de que projeto social?
É mais simples convocar Carlos Lacerda para ocupar a tribuna.
Ricardo Melo
Folha de S.Paulo
No Aposentado Invocado
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O Estadão contra Bruno Covas

Este ingênuo blogueiro ainda não conseguiu descobrir o motivo, mas o jornal da família Mesquita já decidiu que não quer o neto do ex-governador de São Paulo como candidato a prefeito de São Paulo.
Num jornal como o Estadão um repórter não costuma ser pautado para checar no site de um deputado, no caso Bruno Covas, qual a quantidade de emendas parlamentares que ele teria aprovado.
E digo mais, dificilmente um repórter se daria essa missão se alguém não tivesse cantado a bola.
Na cobertura política, cantar a bola é quando, em geral, um aliado do investigado entrega o caminho das pedras.
Diz, assim como não quer nada: “olha, parece que o Bruno Covas conseguiu aprovar 8,2 milhões de emendas em 2010, o que é quatro vezes mais do o governo libera para os deputados. Eu ouvi que tem um dossiê rolando com esses dados”.
O repórter ingênuo, como este ingênuo blogueiro, então pergunta: “E você sabe quem fez isso? Será que ele topa me passar esse estudo?”
O atencioso interlocutor passa o contato, mas “implora” para você não dizer pra ninguém que foi ele quem te deu o caminho das pedras.
Ingenuamente você vai falar com a pessoa que teria feito esse trabalho. Ele faz cara de espanto, pergunta quem te disse isso, resmunga e tal.
Você (pra manter as aparências do jogo) ingenuamente fala ficou sabendo nos corredores. E o tal assessor passa o dossiê completo da história. Como se ele não tivesse combinado com a pessoa que te apitou a história.
Claro, que você fica na miúda. Vai pra redação e informa a chefia.
Quando a matéria atinge gente graúda, a decisão passa pelo último andar.
E só se o veículo achar que alguém vai te furar é que ele dá um jeito de publicar sem destaque. Quase que derrubando a pauta, ao liberá-la.
Não foi o que aconteceu no caso dessa matéria do Estadão. O jornal jogou Bruno Covas aos leões. Mandou-o para o paredão;
Um amigo meu que conhece muito bem um candidato que foi derrotado nas últimas eleições presidenciais diria, que isso é coisa dele.
Eu, como não tenho informações de bastidores e nem conheço a fera tão bem, não digo nada.
Mas é bom prestar atenção nessa história.
PS1: Eu não estou dizendo que o repórter do Estadão não fez o serviço direito e nem que o suposto roteiro acima tenha sido o vivido por ele. Só quero registrar que em muitos momentos as coisas se desenvolvem assim.
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Libya - Um relato pessoal

Falo quase todos os dias (pelo Skype) com a Lybia. Amigos em Tripoli, Sirte, Bani Walid, Sebha, Misrata.. também muitos refugiados em Túnis, no país vizinho. Gente que conhecia há alguns anos, mas a maioria conhecia há pouco tempo, quando os conflitos começaram. Uma rede que se formou, de solidariedade e respeito mútuos, entre líbios e pessoas comuns (muitos jornalistas, como eu) que verdadeiramente queriam saber notícias sobre o que acontecia na Libya e que iam encontrando pessoas, parentes, amigos, alguém que conhecia alguém.
O motivo? Não há até o momento notícias confiáveis nas grandes redes, a maioria de nós não confia nelas. Nós por força do óbvio, os líbios, por pura indignação (com as mentiras constantes). É fácil entender. Não é possível para qualquer rede de televisão em países que estão bombardeando a Libya, fazer uma cobertura minimamente imparcial. Dentre os outros, a maioria esmagadora, inclusive o Brasil, em função do custo de manter um correspondente ininterrupto, apenas repetem o que dizem as mesmas agências de notícias dos países envolvidos com a ação militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte - OTAN.
Há ainda uma grande rede de notícias no mundo árabe, Al Jazeera, que até esse momento, vinha sendo o fiel da balança, o grande "intérprete" do mundo árabe (e em alguns casos, do contexto islâmico) para o mundo ocidental. Até que o país "alvo" fosse um inimigo do príncipe do Qatar, dono da rede Al Jazeera e... membro da OTAN! Restam apenas duas com coberturas feitas in loco: a RT da Rússia e a TeleSur, latino americana. As duas, dando um show de cobertura desde o início dos conflitos na Libya, mas silenciadas por seus tamanhos diminutos, em relação à outras redes, ou mesmo pela acusação de "cúmplices" de Gaddafi (ou seja, não está do lado de Obama, Sarkozy ou Cameron, está contra). Fora o idioma que dificulta a muitos (brasileiros, por exemplo) a acompanhar o que acontece por elas. Nessa guerra midiática onde a maioria serve a interesses políticos e econômicos, um pouco de inglês e o acesso à internet, permitem a comunicação direta com as fontes, sem intermediários.
Um desses amigos é esse na foto acima. Mohanned Magam, em foto tirada na cobertura do hotel que sediava a imprensa, em Tripoli, com a praça em frente tomada pelo povo e suas bandeiras verdes. Um estudante de ciência política da Universidade de Tripoli, que pegou em armas para defender sua cidade e morreu, não vítima de um combate direto com os ditos "rebeldes", mas por via aérea, atingido por um míssel da OTAN, que matou também vários amigos que estavam próximos a ele.
Depois de passar meses conversando com esse garoto, de 23 anos, um líder estudantil, empolgado com a esperança, aliás, com a certeza na vitória de seu país, contra o que ele chamou de "conspiração", ou uma "tentativa de manchar a imagem" da vida que tinham por lá, foi inevitável uma crise de lágrimas quando soube de sua morte. Meu irmão mais novo tem a idade dele e sua única preocupação é tocar bateria em sua banda de rock.
Demorei a acreditar que era verdade. Tive que perguntar, no Facebook, a vários de seus amigos e obter uma confirmação de um que falou com sua mãe, por telefone, semanas depois. Ainda assim, olho para essa foto e penso em como estamos vivendo em um mundo estúpido...
É inacreditável que homens como Obama ou Sarkozy durmam tranquilos em seus travesseiros com tantas mortes sob sua responsabilidade. É inacreditável que o planeta inteiro ainda aceite os mesmos argumentos usados na guerra do Iraque e assista pela TV, impassível, ao genocídio que acontece na Libya há meses. Bush configurou-se em Obama, personagens diferentes, para países diferentes, mas uma mesma história de morte e apropriação de recursos que alimentam sistemas financeiros falidos e retroalimentam a indústria bélica - eterna salvadora do modelo capitalista - agora com a nossa audiência globalizada, em horário nobre. Há muitos níveis de omissão e conivência com o que acontece agora na Libya. Mas como sempre, precisamos que ataquem nosso quintal para sermos capazes de nos importar.
E lendo o que escrevi acima, vejo o quanto é difícil usar uma linguagem "jornalística" ou "racional" para descrever tudo isso. Mas aceitei esse desafio de um amigo "do exílio", de tentar pelo menos blogar os relatos que recebo, talvez como forma de acompanharmos mais de "perto" as transformações, agora inevitáveis, a que o povo líbio está submetido, e que definitivamente NÃO estamos assistindo pela TV. Aliás, parte da minha indignação, de cidadãos líbios e de profissionais de imprensa independentes, tem sido a observação da atitude submissa e conivente de colegas que em nome da preservação de seus empregos, incorporaram o discurso geral. Mas isso caberia em um livro, talvez. Um case e tanto.
Por outro lado, percebo o quanto é surreal que a informação neste mundo globalizado nos permita vermos um filme em nosso sofá, sabendo que alguém do outro lado, passa a noite em claro em meio a bombas de verdade. E, sim, eu sei que Gaza já vive isso há décadas, hostilizada quase que diariamente por soldados das forças especiais israelenses. Mas a Libya não vivia uma guerra, não vivia uma ameaça mínima que fosse, o povo sequer contava com uma, viviam no país reconhecido pela ONU em 2007 como o maior IDH de seu continente, reconhecido como "um dos maiores combatentes do terrorismo", um lugar sem impostos, aluguéis, com TODO o aparelho de Estado público e gratuito, com água abundante no meio do deserto do Sahara, de maioria islâmica (sem embates religiosos, como acontece em outros países) e bem, creio que já é possível perceber que essa história de "povo querendo ser salvo de um ditador sanguinário" já demonstrou ser uma das maiores furadas da história contemporânea. Um engodo, que grande parte do mundo comprou e que resultou em um país arrasado e agora alvo de uma disputa de butim. Jihadistas, membros da Al Qaeda (irônicamente alçados à "parceiros" dos países da coalizão), mercenários, líbios opositores, tropas britânicas e do Qatar e, claro, Sarkozy e Obama que já sabem qual será sua cota na partilha.
Hoje falei com a viúva inconsolável de um dos amigos mortos na Libya. Um bem humorado professor universitário, orientador de mestrados na área de pesquisas em biologia - que há poucos meses me dizia pelo skype que tentava ajudar seu governo a combater uma ainda improvável invasão estrangeira, enquanto preparava provas para seus alunos, imaginando como a maioria dos líbios, que tudo não passaria de negociações diplomáticas. Médico veterinário e biólogo, passou cerca de oito anos se especializando no Brasil, na USP e na UnB, entre os anos 80 e 90. Amava o Brasil e aqui fez amigos, como eu e muitos outros. Eu sequer sabia o que dizer para ela, me limitei a ouvir seu desabafo.
De Tripoli, ela informou que nada voltou ao normal. Pelo contrário, o caos está por todos os lados. Não há previsão de retorno às aulas, não há comida, remédios, sobra medo..
O "novo governo" que se anuncia pelos meios de comunicação num embate midiático constante com membros do governo Gaddafi (e o próprio) - que também não deixam de ocupar espaços na mídia local e do mundo árabe - mantém controle de alguns bairros com neuróticos sentinelas que atiram em tudo que vêem auxiliados por bombardeios constantes da OTAN e que "abrem" caminho para as milícias, numa ação coordenada inédita na história humana. Há também muita tensão com corajosos soldados do exército líbio que teimam em seguir na resistência mesmo sem as ordens de seus comandantes.
Minha amiga sequer sai de casa há meses. Sem o marido, tenta proteger os dois filhos, ainda menores de 14 anos. Não há esperança, apenas apreensão. Quando ele ainda estava vivo, depois de iniciada a invasão estrangeira de fato, sua família se limitou a permanecer por semanas totalmente incomunicável, em silêncio, em seu apartamento, esperando que não fossem atingidos pela artilharia antiaérea dos "rebeldes" que miravam aleatoriamente nos prédios residenciais de Trípoli.
Depois de sua morte e de passar alguns dias tentando sepultar o companheiro, numa capital mergulhada em guerra civil, só lhe restou manter-se no apartamento escondida com seus filhos e apenas esperar que novos ventos tragam a tranquilidade necessária para realizar as cerimônias islâmicas de despedida do seu ente querido ou simplesmente, tocar a vida em frente.
Soldados do CNT (o autoproclamado "Conselho Nacional de Transição") que rondam Tripoli, em sua maioria, não são libios mas mercenários contratados pela OTAN, Qatarianos e soldados das forças especiais britânicas. Existe uma dificuldade na comunicação, piorada com a tensão constante. Grande parte dos milicianos, segundo ela, apesar de falarem árabe, não são nativos (como se fossem os portugueses de Portugal, para nós) por isso muitas discussões acabam em morte. É uma fórmula trágica fácil de imaginar. Eles mantém guarda nas ruas, para evitar que algum cidadão se "indisponha" com o "novo" regime que estão implantando. Qualquer resistência termina em bate-boca e agressões que chegam à morte com facilidade num país em guerra e sem qualquer policiamento ou estrutura de segurança em funcionamento.
Ela relatou ainda que milicianos do CNT tentam identificar ex-funcionários do governo anterior para interrogatórios e execuções sumárias. Tudo isso, com o silêncio das "Nações Unidas". Aliás, com a garantia de assento no Conselho de Segurança da ONU para os assassinos!
Nesse momento a maioria da população deseja apenas que a guerra acabe logo, seja com quem for. Não aguentam mais a pressão. Querem suas vidas de volta. Ao mesmo tempo, parte da população silenciada durante o dia, impedida de hastear suas bandeiras, forma redes de denúncia na internet (a maioria em língua árabe) e grupos de resistência noturna para sabotar as milícias do CNT.
Que povo é esse que resiste há meses à tão "esperada salvação"? É impressionante o discurso construído para legitimar o genocídio das forças estrangeiras sobre a Libya! O único resultado visível da "ação humanitária" da OTAN nesse país africano, são corpos espalhados pelas ruas, hospitais em colapso e um medo incessante. Uma GUERRA incessante... como podemos acreditar numa "liberdade" há tanto tempo sonhada com as imagens espalhadas na internet de violência, desespero, tragédia, diariamente?
Há alguns anos acompanhava a guerra no Líbano pela TV, com um amigo libanês que falava da sua impotência em ver tudo de longe sem poder fazer nada. Agora entendo o que é isso.
Uma única decisão mudaria o curso dessa história: cessar o investimento na morte. Somália, Etiópia, Haiti, poderiam ser alimentados por anos com o que estão investindo para destruir a Libya! Mas esse, aqui no mundo real, não é o objetivo dos senhores da guerra.
Quando estive na Tunísia, fronteira com a Libya, falei pela última vez com Mohhaned pelo Skype, avisando que pretendíamos chegar logo à Tripoli e que poderíamos conversar pessoalmente. A OTAN tinha iniciado o bombardeio dos postos de fronteira, o início ao cerco, mas nós não tínhamos ainda a dimensão do que estava por vir. Quando comentei que era chato aquele "atraso" ele me respondeu com um smile ao final, "don´t worry, you will pass the border soon". Tenho certeza agora de que nós atravessamos, cada um à sua maneira, essa fronteira.
Juliana Medeiros
No Substantivu Commune
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Wanessa, Buaiz e o bebê: R$ 100 mil de Rafinha

Numa petição que acaba de sair do forno, o casal precificou em cem mil reais a honra atingida pelo humorista; é a primeira vez que um bebê ainda no ventre pede indenização por danos morais; ações criminais estão sendo preparadas.
É com uma frase do filósofo grego Aristóteles que o casal Wanessa Camargo e Marcos Buaiz inicia a querela judicial contra o humorista Rafinha Bastos. “As pessoas que tendem para o excesso na arte de gracejar são considerados bufões vulgares, esforçando-se para provocar o riso a qualquer preço”, ensinava o mestre grego. Citando Aristóteles, o advogado Manuel Alceu Affonso Ferreira, um dos mais tradicionais de São Paulo, pede uma indenização de R$ 100 mil por danos morais causados pelo humorista ao casal e ao próprio bebê, ainda no ventre de Wanessa – “a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro”, lembra o advogado.
Pela primeira vez na história do Direito brasileiro, um bebê, ainda no ventre materno, entra com uma ação de indenização por danos morais. “Consorciado aos pais, os autores MARCUS e WANESSA, também o nascituro por eles gerado adere ao polo ativo dessa impetração ressarcitória”.
Para quem não se lembra, a “piada” de Rafinha Bastos atingiu os pais e também o feto. “Comeria ela e o bebê”, disse Rafinha, no CQC, programa do qual já se demitiu.
Fornicação
Na petição, Manuel Alceu recorre a expressões de efeito para desqualificar o humorista. Cita a sua “cafajestice chinfrim” e fala que ele parlapateou sua vontade de com ela (Wanessa) fornicar, chegando ao inimaginável cúmulo de nessa cópula abranger ao bebê. O advogado lembra ainda que, após o episódio, na sua conduta posterior, o humorista não demonstrou qualquer sinal de arrependimento em relação ao que disse.
Além dos R$ 100 mil, o casal Marcos Buaiz, Wanessa Camargo e seu bebê reivindicam ainda que Rafinha pague até as custas do advogado da família – ou seja, do próprio Manuel Alceu.
Esta petição, à qual o leitor do 247 tem acesso em primeira mão, tem a data de hoje.
Nos próximos dias, sairão do forno as ações criminais.
Claudio Julio Tognolli
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Americanos ou Estadunidenses?

Os cidadãos e cidadãs dos Estados Unidos têm o mau hábito de referir-se a seu país como a “América” e a si mesmos como “americanos”. Simplesmente desprezam o fato elementar de que o continente americano é formado por três porções – a América do Norte, a América Central e a América do Sul – e é integrado por numerosos países e não apenas pelos Estados Unidos. Todos os povos desses países são tão americanos quanto o dos Estados Unidos.
Há quem imagine que, referindo-se a “norte-americanos” em vez de “americanos”, resolve a designação equivocada e arrogante. Quem pensa assim, negligencia outro fato elementar: o de que a América do Norte não é integrada somente pelos Estados Unidos, mas também pelo Canadá e pelo México. Os povos desses países são tão norte-americanos quanto o dos Estados Unidos.
Quem reduziria a “Europa” à França, 
por exemplo, e chamaria os franceses 
simplesmente de “europeus”?
A designação adequada para referir-se ao território dos Estados Unidos, ou a seus cidadãos, cidadãs e habitantes, ou a suas instituições, criações e história, é a de estadunidenses. É um adjetivo mais longo e menos eufônico, poderão objetar alguns acomodados à referência tradicional e arraigada, mas é o adjetivo correto. Quem reduziria a “Europa” à França, por exemplo, e chamaria os franceses simplesmente de “europeus”?
As designações dos Estados Unidos como “América” e dos estadunidenses como “americanos” ou “norte-americanos” são tão reiteradas que até estadunidenses críticos e progressistas acabam escorregando inadvertidamente nessas referências presunçosas e imperiais. Mais lamentavelmente ainda, elas têm sido tão repetidas que acabaram sendo copiadas pelos demais povos americanos numa introjeção passiva e irrefletida.
A crítica a esse hábito secular pode parecer uma picuinha desimportante. Mas ele reforça, mesmo que inadvertidamente, nos estadunidenses, sua conhecida prepotência e, nos demais povos americanos, uma acomodação subserviente e perigosa. Não há motivos que justifiquem a aceitação dessa tentativa de usurpação, mesmo que simbólica, de nossos direitos comuns sobre o território, a história e as criações das Américas.
Todos nós somos americanos e ao mesmo tempo argentinos, brasileiros, cubanos, mexicanos e estadunidenses. A disparidade atual de riqueza e de força entre nossos países não legitima essa apropriação cultural.
As expressões idiomáticas não são inocentes nem inócuas, como parecem. Considere-se, por exemplo, o uso indiscriminado que se passou a fazer do termo “terrorismo” para desqualificar qualquer ato ou movimento armado de resistência às tiranias violentas e às diversas formas, também armadas, de opressão nacional e social.
Por mais difícil que seja, comecemos a praticar um pequeno ato quotidiano de resistência cultural, recusando-nos a identificar os Estados Unidos com as Américas e a tratar os estadunidenses como os únicos americanos ou norte-americanos, chamados a modelar os demais países e povos de nosso continente segundo seus interesses, escolhas e tradições.
Habituemo-nos a chamar os Estados Unidos de Estados Unidos e seus cidadãos, habitantes e instituições de estadunidenses – como são. Recuperemos nossa estima e nossa autonomia.
Duarte Pereira, 72 anos, é jornalista e escritor, especial para o Nota de Rodapé e Correio da Cidadania.
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Nota Pública sobre o projeto de lei do novo Código Florestal

A ASSOCIAÇÃO JUIZES PARA A DEMOCRACIA - AJD, entidade não governamental e sem fins corporativos, que tem por finalidade trabalhar pelo império dos valores próprios do Estado Democrático de Direito e pela promoção e a defesa dos princípios da democracia pluralista, a propósito do PLC 30/2011, em trâmite no Senado Federal (PL 1876/99, aprovado na Câmara), vem a público manifestar o seguinte:
A tutela (“PRESERVAÇÃO E RECUPERAÇÃO”) do meio ambiente e dos “processos ecológicos essenciais” e a provisão de manejos ecologicamente sustentáveis são deveres incondicionais do Poder Público por determinação expressa da Constituição Federal, a teor do disposto em seu artigo 225. E um meio ambiente ecologicamente equilibrado é, por disposição constitucional, essencial à sadia qualidade de vida das presentes e futuras gerações, motivo pelo qual induvidosa a condição de DIREITO FUNDAMENTAL da tutela socioambiental, instrumento que é de efetividade da DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA, sendo essa, por sua vez, fundamento da República Federativa do Brasil (art. 1, III da CF/88).
É por isso que Constituição brasileira exige estudos prévios de impacto ambiental para qualquer obra ou atividade potencialmente causadora de significativa degradação ambiental, o que implica, inexoravelmente, a mesma exigência quando se trata da alteração de toda uma legislação protecionista das florestas brasileiras. Contudo, esse estudo, oficialmente, não existe.
O que existe é a tentativa desesperada da comunidade científica em ser ouvida para tentar impedir a aprovação do PLC 30/2011, que acarretará (a) riscos à própria continuidade da Floresta Amazônica, que tem influência na regulação do clima e na preservação dos recursos hídricos de todo o país, (b) a extinção de mais de 100 mil espécies em risco de extinção e de biomas inteiros, (c) a escassez dos recursos hídricos, (d) a desertificação, (e) a potencialização das enchentes e (f) desmoronamentos em áreas urbanas. Além disso, a aprovação desse projeto implicará a impossibilidade do cumprimento da obrigação internacional que o Brasil JÁ ASSUMIU, na COP15 de Copenhagen, de redução de emissão de CO2 na atmosfera.
Essas conclusões vêm dos estudos do grupo de trabalho formado pela SBPC - Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e ABC - Academia Brasileira de Ciência[1], das cartas publicadas por cientistas, em julho e setembro de 2010, na Revista Science (“Legislação brasileira: retrocesso em velocidade máxima?” e “Perda de Biodiversidade sem volta”), e, ainda, do Comunicado n. 96 do IPEA - Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada da Secretaria de Assuntos Estratégicos do Governo Federal [2].
E os cientistas também garantem que, paralelamente aos impactos insanos do PLC 30/2011, os recursos naturais de que (ainda) dispomos têm grande valor econômico, havendo inúmeras alternativas sustentáveis - e ainda mais rentáveis - à sua exploração, bastando, para isso, a implementação de políticas públicas de manejo sustentável, notadamente junto à agricultura familiar, tal como determina a Constituição Federal.
Além disso, esses cientistas garantem, ainda, que a produção alimentícia brasileira só estará, de fato, ameaçada, se os recursos a ela imprescindíveis (solo, água, clima, biodiversidade) não forem preservados. Ou alguém duvida de que sem água e solos férteis faltará alimentos ao ser humano?
Não há tempo para prosseguir com esse sistema de produção agropecuária que se desenvolve às custas das máquinas, dos venenos e, notadamente, da degradação ambiental.
A hora de refletirmos é agora!
A hora de ouvirmos as advertências alarmantes da ciência é agora!
A AJD diz NÃO ao PLC 30/2011, por sua patente inconstitucionalidade material, à luz dos dados científicos desvelados, e protesta por sua rejeição, ou, por ora, ao menos, que o Senado Federal conceda à ciência o prazo solicitado (mínimo de dois anos) para elaboração aprofundada de estudos técnicos de impactos ambientais, que sirvam de subsídios técnicos e públicos às alterações legislativas pretendidas.
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Divirta-se assistindo aqui o programa do PSDB que vai passar na TV

Faz uns 15 anos que o PSDB apresenta os mesmos líderes nacionais em seus programas. É verdade que dessa vez eles abriram um pouco mais de espaço para o FHC, que andava meio esquecido enquanto o povo não esquecia dele.
Agora que já passou um bom tempo do seu governo, o PSDB resolveu trazê-lo à tona de novo.
Eu sei que os leitores deste ingênuo blogue são bem-humorados, por isso não poderia perder a oportunidade de antecipar o programa do PSDB que vai ao ar em rede nacional na noite de hoje. Espero que se divirtam com frases como: “infelizmente a inflação voltou”, “juros nas alturas”, “exportando empregos”, “nove anos no governo... (o careca que falou isso esqueceu que em SP os tucanos estão há 17 no governo), “gestão eficiente” etc, etc.
No Blog do Rovai
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YouTube retira vídeo da CET-Rio para dar exclusividade à Globo

 Post atualizado 

O filme da câmera da Companhia de Engenharia de Tráfego do Rio de Janeiro que registra o momento da explosão de lanchonete nesta manhã, foi retirado do YouTube. 
Ou seja, as imagens do acidente, captadas por uma companhia pública da Prefeitura do Rio de Janeiro, só podem ser vistas através da privada da Rede Globo.
~ o ~
Encontrado vídeo ainda disponível:
Explosão no centro do Rio de Janeiro de restaurante por vazamento de gás na Praça Tiradentes
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A covardia do Reinaldo cabeção

O ator José de Abreu, simpatizante do PT, tuitou que uma marcha que tem Reinaldo Azevedo, colunista de Veja, como seu incentivador, é corrupta na essência. Irado, Reinaldo reagiu, perdendo as estribeiras, mas não ao ponto de dar nome aos bois (o que poderia lhe render um processo judicial). Eis o que disse Reinaldo sobre José de Abreu, sem citá-lo:
“Até um ator do terceiro ou quarto escalão da TV Globo, que vive de braços dados com notórios detratores da emissora, um desclassificado que deve estar lá por conta de alguma cota (partidária talvez), um mamador asqueroso de dinheiro público, até esse vagabundo petralha decidiu atacar as marchas contra a corrupção. E, de quebra, me xingou também porque, como é público e notório, apóio os protestos. Urubus quando se sentem ameaçados vomitam e começam a soprar nervosamente. É o caso desse asqueroso: sempre fazendo o trabalho de sopro. Um ladrão que vive de joelhos!” (Brasil 247)
Pois é, o que esperar de uma campanha contra a corrupção tendo como ideólogo Reinaldo Azevedo e apoiada por Antonio Carlos Magalhães, Neto, Álvaro Dias e outros do mesmo balaio?
Nada, digo eu, essa gente não quer acabar com corrupção nenhuma, são lídimos representantes do que há de mais retrógrado no país.
O Reinaldo vive defendendo os torturadores da ditadura militar e se diz democrata. O Zé de Abreu pode até estar errado, Reinaldinho, mas foi homem de dar nome ao boi, com chapéu ridículo e tudo; já vossa corajosa pessoa não teve tamanha hombridade. Talvez, se o país estivesse sobre jugo de seus "democratas aliados" você mandasse um deles dar um "corretivo democrático" no Zé. Pessoalmente, cara a cara, não creio que tenha coragem.
Covarde! Bem claro: Reinaldo Azevedo você é um covarde!
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Lula ao vivo, hoje às 21 h (horário de Brasília)

Mesmo incomodando muita gente, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai receber mais uma condecoração.
É o prêmio World Food Prize, pelo reconhecimento aos esforços do seu governo no combate à fome e à pobreza no Brasil.
Convidamos a todos para assistir a cerimônia de entrega do prêmio, que vai acontecer hoje à noite na capital de Iowa (EUA) e será transmitida pelo site http://www.icidadania.org/ao-vivo/
A cerimônia de premiação começa às 21h (horário de Brasília) desta quinta-feira, 13 de outubro.
Além disso, Lula fará uma conferência que será às 11h de sexta-feira, 14 de outubro, também com transmissão pelo site http://www.icidadania.org/ao-vivo/
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Situação econômica faz com que poucos brasileiros protestem contra a corrupção

SÃO PAULO - A primavera dos brasileiros já passou. Essa é a opinião de especialistas ouvidos na quarta-feira pelo GLOBO, que apontaram como grandes momentos de mobilização as Diretas Já, nos anos 80, e o Fora Collor, nos anos 90. O movimento contra a corrupção, que tem saído da internet para ganhar as ruas como aconteceu ontem em diversas cidades brasileiras, no entanto, está longe de ser uma nova primavera.
- Nossa primavera foi o momento das Diretas, quando 1,5 milhão foi às ruas. O que são cinco mil pessoas reunidas em São Paulo ou 13 mil em Brasília? É muito pouco. Sem organicidade, esse movimento não vai crescer. As manifestações ganham força se tiveram algo orgânico, como partidos e sindicatos - afirma o cientista político Carlos Mello, do Insper.
Nossa primavera foi o momento 
das Diretas, quando 1,5 milhão foi às ruas.
O que são cinco mil pessoas reunidas
em São Paulo ou 13 mil em Brasília?
É muito pouco
Professor titular de Ética e Filosofia Política na Universidade de São Paulo (USP), Renato Janine Ribeiro afirma que um problema para a mobilização do país contra a corrupção é que as pessoas são contra a corrupção, mas dos partidos alheios:
- O problema na luta contra a corrupção é que ela está tomada pelos partidos. E é uma lástima que as pessoas usem isso contra o partido oposto.
Para Janine Ribeiro, não se pode comparar o movimento contra a corrupção com movimentos como a Parada Gay:
O problema na luta contra a corrupção é
que ela está tomada pelos partidos
- Na Parada Gay, todos estão celebrando a vida. Quando se está lidando com uma coisa suja, como a corrupção, não há toda essa euforia. Acho essa comparação inoportuna e um tanto moralista.
Janine Ribeiro, Carlos Mello e o cientista político David Fleischer, da UnB, apontam que o momento econômico brasileiro colabora com a desmobilização:
- A economia é um fator para a desmobilização. Quando a economia está positiva, com aumento do salário médio e menos desemprego, isso alivia a barra dos brasileiros que, por natureza, são mais pacíficos e conciliadores- diz Fleischer.
Para Fleischer, uma mobilização de massa precisa contar com "o elemento da opressão financeira", como tem ocorrido na Espanha, na Inglaterra e nos Estados Unidos.
- Nós já tivemos nossas primaveras, como as Diretas Já e o Fora Collor. Eram momentos em que os brasileiros não estavam aguentando mais.
Janine Ribeiro lembra que, nesses momentos, o Brasil estava com graves problemas econômicos e que a indignação nas ruas não era apenas política.
A economia é um fator 
para a desmobilização
- Infelizmente, parece que o ponto crucial, o determinante, é a situação econômica. Realmente, eu gostaria que tivéssemos derrubado Collor pela corrupção e não pela crise econômica, mas não foi isso o que ocorreu.
Segundo Carlos Mello, em momentos de crise econômica, "a corrupção passa a ser intolerável".
- Mas o momento é desmobilizador, com desemprego de 6% e com algum crescimento econômico. Na Espanha, na Inglaterra e nos Estados Unidos, a crise empurrou as pessoas para as ruas. Agora, aqui, estão exigindo espírito cívico demais para um mundo que não tem mais esse civismo - diz Mello.
Para Mello, não se pode dizer que os brasileiros não saem às ruas simplesmente porque na Espanha os "indignados" tomaram as praças.
- Os espanhóis se mobilizam agora, mas aguentaram 40 anos de regime franquista - afirma Mello.
Tatiana Farah
No O Globo
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O discreto charme dos “Cansados” de São Paulo

Ontem estive na Paulista para tratar de um assunto no SESI e me deparei com aquela turma do “Movimento Cansei” preparando o bloco para “se manisfestar” em frente ao MASP.
Os organizadores dizem que não pertencem a nenhum partido político e, estrategicamente, não se identificam como os ridículos “cansados” de 2007. Mas eram eles, sim. A maioria. Bastava olhar para as roupas, os óculos escuros de grife, os iPhones, Tablets, filmadoras, notebooks… Todos gravando imagens para publicar no Youtube… De apolíticos, havia duas ou três dúzias de crianças e adolescentes misturados a eles. Todos com cara de peixe fora d´agua, curtindo uma onda diferente…
Parei e fiquei observando. Não havia negros ou mulatos. Não havia ninguém que sequer lembrasse um operário. Será que essa gente nunca vai aprender que o Brasil é MUITO maior do que o bairro deles?
Eram umas 300 pessoas divididas em pequenos grupos, cada um deles cuidando do seu “kit-manifestação”. O resto era transeunte ou curioso passeando em dia de feriado ensolarado. Retoca a faixa aqui, a pintura no rosto ali, muitos cartazes com as palavras de ordem que o PiG repercutiria mais tarde e, claro, alguns repórteres fazendo a cobertura do “grande evento”.
Era bem provável que a maioria dos participantes morasse nas imediações. Afinal, o MASP fica em frente aos bairros classe média alta dos jardins. Será que se deslocariam até a zona leste para fazer essa manifestação “apartidária”? Afinal, como alguns gritavam, “São Paulo é do povo”, “ O povo unido jamais será vencido”. Por que então não se aproximam do POVO da zona leste, das favelas da periferia?
Não sei como foi essa coisa em Brasília. Mas esses aí eu conheço há mais de 40 anos. São aqueles que odeiam povo viajando de avião, nordestino comprando casa em São Paulo através do Minha Casa, Minha Vida, amigos solidários dos covardes agressores de gays e outras minorias e – é bom lembrar bem – são SEPARATISTAS. Usariam o Brasil para eleger Serra e, a partir daí, seu ideal seria “livrar” São Paulo deste mesmo Brasil.
Me aproximei mais e caminhei entre eles tentando encontrar algum rosto conhecido (sim, conheço gente que não vota no PT!). Nada, ninguém conhecido. Uma mulher com um pacote de panfletos na mão e com ares de pertencer à comissão organizadora do evento se aproximou de mim e me deu o folheto. Percebi que ela queria me “enturmar com a galera”…
– Você veio participar da manifestação? – perguntou-me de forma quase maternal.
Embora já soubesse do teor, li rapidamente o conteúdo do panfleto e lá estava o que mais denunciava as verdadeiras intenções dos organizadores:
Um dos itens, colocado como “reivindicação” pedia “cadeia para os mensaleiros”. Quais mensaleiros? Deixa eu adivinhar: aqueles que foram acusados, julgados e condenados pelo PiG em 2005, à partir da denúncia de Roberto Jefferson tão desprovida de provas que o próprio Jefferson viria a negar tudo e chamar sua denúncia de “retórica sem fundamento” em setembro de 2011? Negativa que certamente os “cansados” nem ouviram falar – já que o PiG escondeu? (veja aqui)
– A quais mensaleiros vocês estão se referindo? – provoquei.
– Delúbio, Zé Dirceu… o Congresso Nacional está cheio de corruptos! E como se fosse me contar um segredo ou pronunciar algum palavrão, aproximou-se com intimidade que não lhe concedi em momento algum e sussurrou: “Lula, Dilma”…
Movimento apartidário… sei. A mulher já se preparava para desembuchar argumentos que leu no PiG quando lhe devolvi o panfleto com desprezo. Deixei-a falando sozinha e saí andando. Já estava cansado dos cansados. Ainda pude ouvi-la perguntando: “Você é petista?” Quase voltei para responder: “Por que? Quem não é da sua turma é necessariamente petista?
Saí de lá imaginando os esquemas. A mídia divulga e amplifica. As câmeras da Globo fecham neles preenchendo a tela de gente. Assim, é possível fingir que está lotado e informar qualquer número de presentes. Mas a Globo não vai entrar nessa enquanto não sentir firmeza. Já bastou o mico da bolinha de papel…
Se a coisa engrena e o povão entra junto… Mas pera lá! O mundo está desmoronando em crise financeira e o Brasil na contramão, assobiando uma valsa. Acham mesmo que trarão o povo para as ruas para derrubar a presidenta Dilma? O povo foi às ruas impichar Collor porque o cara simplesmente confiscou a grana de todo mundo. Bem ou mal, nos últimos anos nossa situação (e principalmente do povão) é exatamente oposta.
É claro que muita gente compareceu com a melhor das intenções. Principalmente os mais jovens. É claro também que o governo de São Paulo jamais permitirá que qualquer CPI vá adiante sobre a denúncia do deputado Roque Barbieri – PDT – por exemplo. Ou a do Rodoanel, da Alstom… Sabe-se que centenas de CPIs foram engavetadas nos últimos 20 anos em São Paulo. Mas até quando os golpistas do “Cansei” travestidos de “Marcha contra a corrupção” vão conseguir esconder seu propósito real?
Em tempo, para relaxar, deixo dois vídeos que valem pelo humor:
No O Que Será Que Me Dá?
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Que tal entregar a saúde pública à igreja?

O reitor do Santuário Nacional de Aparecida pediu ao ministro da Saúde que não distribua camisinhas nas escolas públicas, afirma o Painel da Folha de S. Paulo de hoje.
Sabedoria divina que arrepia. Até porque, como todos sabemos, jovens só fazem sexo por causa do preservativo grátis. Sim, ela, a camisinha, é a responsável por tirar da inocência milhões todos os anos. Sem a dita, viveriam uma vida de castidade, dedicada às boas causas. Mas não! Enquanto o pecado em forma de látex lubrificado estiver à espreita de nossos adolescentes, feito o Tranca-Rua, o Tinhoso, o Cramulhão mangando Jesus no deserto, não haverá paz.
E o Estado, ao distribuir essas sementes da luxúria, é como a serpente que ofereceu o fruto da árvore proibida à Eva, levando ao conhecimento do bem e do mal. Pobre Adão! Pobres rapazes tirados da castidade por culpa de garotas que repetem o pecado original!
Sem esquecer dos padres acusados de molestar sexualmente de crianças, levados à tentação por conta de anúncios libidinosos de preservativos.
Malditas sejam todas as camisinhas! Antes delas, não havia sexo antes do casamento, muito menos cópula que não fosse com o sagrado intuito da procriação.
Com base no doce raciocínio do clérigo, proponho algo revolucionário: fechar as fábricas de preservativos. Jontex, Olla, Preserv, Blowtex… Isso acabaria com todas as doenças sexualmente transmissíveis, como a Aids, noves fora os filhos indesejáveis.
Enfim, vamos entregar a questão da saúde pública aos cuidados da Igreja Católica. Certamente, ela terá a coragem de pôr em prática ações que o Estado não toma. Os problemas sociais serão resolvidos com base no Código de Direito Canônico e, por que não, na reedição da bula Cum ad nihil magis, do Santo Ofício. Por exemplo, condenar médicos que fizerem abortos, mesmo que nos raros casos previstos em lei, a uma eternidade de privações no limbo – já que não se fazem mais fogueiras em praças públicas como antigamente – vai por um ponto final na questão.
Revolucionário, nesse sentido, foi o então arcebispo de Olinda e Recife José Cardoso Sobrinho, que excomungou os médicos envolvidos no aborto legal feito por uma menina de nove anos, 1,36 m e 33 quilos, grávida de gêmeos do padrastro que a estuprava desde os seis anos de idade.
“Os adultos, quem aprovou, quem realizou esse aborto, incorreu na excomunhão. A Igreja não costuma comunicar isso. Agora, a gente espera que essa pessoa, em momentos de reflexão, não espere a hora da morte para se arrepender”, disse em 2009. Amém.
O mesmo vale para o uso – e, quiçá – distribuição gratuita de preservativos. O arcebispo da Paraíba, Aldo Pagotto, suspendeu o deputado federal e padre Luiz Couto (PT-PB) de suas funções como sacerdote porque ele defendeu o uso da camisinha e os homossexuais.
Enfim, tudo isso seria engraçado, apenas fait divers em colunas de jornais se, em épocas de eleições, os candidatos não vendessem sua alma à igreja na busca por votos, prometendo em troca a manutenção do controle simbólico sobre o corpo dos cidadãos.
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Charge online - Bessinha - # 855

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Oposição apática alivia problemas de Dilma

Deveria ter sido um cenário de sonho para qualquer partido de oposição -um governo abalado por escândalos, ministros se demitindo semanalmente, uma economia em declínio e uma presidente parecendo às vezes estar sem contato com a realidade.
Mas ao invés de aproveitar a ocasião, a oposição brasileira pareceu ter murchado diante de uma crise que assolou o governo Dilma Rousseff por vários meses e que resultou na demissão de cinco ministros.
Isso tem ajudado o governo a escapar relativamente incólume e renovou uma crise de confiança na aliança de oposição centrista, fora do poder há quase uma década, e que parece mais longe de voltar ao governo do que nunca.
"A oposição tem sido incompetente, na melhor das hipóteses. Está dividida e completamente divorciada do grosso da população", Gustavo Fruet, outrora parlamentar do PSDB recém-migrado para o partido da coalizão governista PDT para concorrer a prefeito de Curitiba no ano que vem.
Dilma e a coalizão governista venceram com facilidade as eleições de outubro passado, ajudados por uma economia em ascensão e a enorme popularidade de seu mentor Lula.
Os partidos da oposição conquistaram menos de 30 por cento das cadeiras do Congresso e desde então só decaíram, perdendo liderança, unidade e mais assentos no Congresso à medida que um número crescente de legisladores deserta.
Como resultado, Dilma tem sido capaz de fechar feridas em sua dividida coalizão e se concentrar em uma economia que sente o rescaldo da turbulência financeira global.
Também pode significar uma ameaça ainda menor da oposição ao PT e seus aliados em pleitos locais no ano que vem e na corrida presidencial de 2014.
O PSDB é amplamente visto como merecedor do crédito por ter iniciado a recuperação econômica brasileira nos anos 1990 sob Fernando Henrique Cardoso, que estabilizou a inflação e introduziu reformas que agradaram aos mercados.
Desde que perdeu a presidência para Lula em 2002, entretanto, a agremiação sofre para se conectar a classes em rápida expansão que se beneficiaram do crescimento econômico e dos generosos programas sociais de Lula, que teve sucesso em apresentar seus antagonistas como elitistas que privatizariam estatais e apoiariam grandes corporações.
Falta de Líderes
Isso deveria mudar com Aécio Neves, visto como candidato natural por muitos após a última derrota de José Serra, mas seu desempenho até agora decepcionou -ele quase desapareceu da arena pública, limitando-se a discursos ocasionais de seu assento no Senado e uma coluna semanal em um grande jornal.
"Aécio provavelmente é a maior decepção da oposição. A ideia de que o PSDB, com sua experiência de governo, iria liderar a oposição foi totalmente estilhaçada, ela está atormentada por disputas internas", disse André Pereira César, analista de política da consultoria CAC em Brasília.
A dependência de fundos do governo, a possibilidade de que o ainda enormemente popular Lula possa retornar para concorrer em 2014 e a falta de líderes carismáticos são algumas das razões da hemorragia da oposição.
O DEM, segundo maior partido de oposição do país e vocalizador dos interesses do empresariado, na prática foi cindido pela decisão do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, de fundar sua própria agremiação, o PSD, atraindo mais de 50 deputados na Câmara e 600 prefeitos, muitos deles da oposição a Dilma. O PSD já mostrou sinais de que apóia a coalizão governista, dizem analistas.
O pequeno mas articulado Partido Verde, que emplacou a ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva em terceiro lugar na disputa presidencial do ano passado, também desertou as fileiras opositoras e busca estreitar os laços com o governo de Dilma.
Embora Dilma não possua o carisma de Lula, manteve sua reputação de competência e parece ter ganho algum crédito entre os eleitores pela sua postura rígida contra a corrupção, motivo das demissões em seu gabinete.
Como Lula em 2003, ela se recuperou de uma queda de popularidade no início do mandato, e a aprovação de 71 por cento em uma pesquisa de opinião de setembro caiu como um golpe na moral da oposição.
Os escândalos dos últimos meses adiaram a agenda de reformas de Dilma no Congresso, incluindo uma série de medidas pró-crescimento nas indústrias de petróleo e mineração e um aumento nos impostos.
Mas o destino destes projetos de lei está muito mais ligado à sua habilidade de sanar relações com sua coalizão do que com a capacidade da oposição de bloqueá-los.
Várias tentativas opositoras para deslanchar uma CPI da corrupção fracassaram. As duas únicas derrotas do governo -o código florestal e a taxação sobre transações financeiras- foram devidas menos à oposição e mais aos parlamentares vira-casaca de sua coalizão.
"Muitos legisladores da oposição estão resignados com o fato de que não têm votos para fazer nada significativo no Congresso", disse Cristiano Noronha, analista da consultoria política Arko Advice em Brasília.
Raymond Colitt
Reuters
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Murdoch, rei do PiG, marreta circulação do jornal. É o jornalismo declaratório

Saiu no Globo:
Diretor ligado a Murdoch cai por escândalo no ‘Wall Street Journal’
LONDRES – Andrew Langhoff, um dos principais executivos europeus do grupo News Corp., do empresário de mídia Rupert Murdoch, pediu demissão na quarta-feira. A decisão ocorre após uma série de reportagens do jornal britânico “The Guardian”, que revela um esquema fraudulento para elevar o volume de circulação do principal jornal do grupo, o “Wall Street Journal”.
E no inglês Guardian, que denunciou o escândalo no império Murdoch, desde os grampos do News of the World:
Wall Street Journal circulation scam claims senior Murdoch executive
Andrew Langhoff resigns as European publishing chief after exposure of secret channels of cash to help boost sales figures
Um diretor do Murdoch na Europa fazia a seguinte trapaça.
Oferecia “matérias-púlpito” a empresas na Europa.
(Matérias-púlpito são em geral do gênero declaratório – clique aqui para ler aula magna do Caco Barcellos sobre o preconceito de classe do PiG e da Justiça brasileira.)
Em troca, as empresas compravam assinaturas do Wall Street Journal.
A circulação do jornal do Murdoch subia.
Com isso, Murdoch cobrava mais caro pelos anúncios.
E as empresas e seus presidentes ficavam mais famosos (e tinham bônus mais altos ), ao descer do púlpito.
É assim que funciona o PiG.
Quer dizer, o Rei do PiG.
Paulo Henrique Amorim
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Universitários saem às ruas sem roupa contra reforma do ensino superior

Bogotá (Colômbia) - Estudantes universitários, professores e membros de movimentos sociais realizaram, nesta quarta-feira, uma manifestação contra o projeto governamental de reforma do ensino superior na Colômbia. Em Bogotá, universitários sairam às ruas sem roupa.
O protesto ocorreu em diferentes cidades do país e faz parte da greve contra a reforma.
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Rede Globo sem nenhum compromisso com a informação


A partir de amanhã, o PAN será transmitido com exclusividade pela RECORD. Com isso surgiram rumores de um boicote da Globo ao PAN.
A GLOBO NÃO TRANSMITIRÁ UMA VÍRGULA SOBRE O EVENTO.
Por enquanto são rumores. Dentro em pouco saberemos se os boatos se confirmam.
Pelo histórico da GLOBO, é bem provável que esta história seja verdade.




No Tô de Olho Malandragem
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O que o PIG esconde


Um milhão de sírios que se juntaram em Damasco contra as provocações imperialistas e em defesa do governo.
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Quem coloca o cão na coleira: Civita ou Sirotsky?

Portal iG, que já foi de Daniel Dantas, dos fundos de pensão e agora pertence aos empresários Sergio Andrade e Carlos Jereissati, donos da Oi, está à venda. Ficará com a Abril, de Roberto Civita (esq.), ou com a RBS, de Nelson Sirotsky (dir.)
Eis o que os jornalistas de “esquerda” e que se intitulam “blogueiros sujos” poderão dizer após a leitura deste artigo: “Agora, é só colocar o P na frente e mudar o nome para PIG”. Sim, o iG, um dos maiores portais de internet do Brasil, está à venda e tem dois potenciais compradores: Roberto Civita, dono da editora Abril e editor-responsável por Veja, e Nelson Sirotsky, presidente do grupo RBS, sócio da Rede Globo na região Sul do Brasil. “PIG”, um neologismo criado pelo jornalista Paulo Henrique Amorim, ele próprio ex-iG, designa o chamado “Partido da Imprensa Golpista”. E contra o PIG haveria a brigada dos “blogueiros sujos”, liderada, entre outros, pelo próprio Amorim.
O iG é um dos casos mais fascinantes da história recente do jornalismo brasileiro – e ainda busca um porto seguro. Nasceu, na virada do milênio, quando a operadora de telefonia Brasil Telecom era controlada pelo banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, que contratou o publicitário Nizan Guanaes e o jornalista Matinas Suzuki, para “revolucionar o jornalismo brasileiro”, como se dizia à época. Assim nasceu o jornal Último Segundo, dirigido por Leão Serva, que se tornou um dos carros-chefes do iG. Nizan e Matinas também apostaram em sites de celebridades e de ensaios sensuais, como o Morango.
Em 2005, o iG passou por sua primeira guinada radical, quando os fundos de pensão das empresas estatais assumiram o controle da Brasil Telecom, no lugar de Daniel Dantas. A partir deste momento, atacar o ex-dono passou a ser uma das prioridades do portal, que contratou colunistas mais alinhados com o PT, mas com estilos bem distintos, como Paulo Henrique Amorim, Luís Nassif e Ricardo Kotscho. E, nos três anos seguintes, o iG também participou ativamente de uma disputa societária para definir quem ficaria no comando da supertele nacional, fruto da fusão entre Oi e Brasil Telecom: uma ala do PT defendia o comando com os fundos de pensão estatais e outra ala propugnava pela entrega da supertele ao empreiteiro Sérgio Andrade, da Andrade Gutierrez, e ao empresário Carlos Jereissati, dono da rede de shoppings Iguatemi. Venceram os doadores de campanha.
Limpeza geral
Aconselhados pelo jornalista Mario Rosa, ex-editor de Veja e hoje um consultor focado em gestão de crises, Carlos Jereissati e Sergio Andrade passaram a montar a nova equipe do iG em 2008. A intenção era despolitizar o portal e profissionalizá-lo. Assim, foram atraídos jornalistas de renome, como Eduardo Oinegue, ex-redator-chefe de Veja, Guilherme Barros, ex-colunista da Folha, e Luciano Suassuna, ex-diretor da Istoé, além de vários outros editores renomados, como Tales Faria e Jorgemar Félix, no maior “arrastão” recente da imprensa brasileira.
Nas eleições de 2010, o iG também trouxe inovações relevantes, como uma pesquisa diária de intenção de votos, em parceria com o instituto Vox Populi. Mas, depois da vitória de Dilma Rousseff, o portal começou a enxugar seus custos. Oinegue deixou o comando, que foi entregue ao jornalista Beto Gerosa, e passou a ser consultor da dupla Andrade-Jereissati, assim como Mário Rosa. Depois disso, a Portugal Telecom entrou no bloco de controle da Oi e passou a questionar a presença de um grupo de conteúdo numa empresa de telecomunicações. Operadoras de telefonia são concessionárias de serviços públicos e não podem entrar em bolas divididas – o que o jornalismo, muitas vezes, exige.
Agora, a tarefa de encontrar um comprador para o iG foi entregue ao executivo Pedro Ripper, ex-presidente da Cisco, que entrou em contato com potenciais compradores. Além dos grupos RBS e Abril, também foi sondado o Yahoo, mas a disputa restringe-se aos dois primeiros grupos nacionais.
A RBS, de Nelson Sirotsky, aposta alto na internet, com a Zero Hora digital, mas ainda é percebida como um grupo eminentemente sulista. A Abril já teve várias experiências distintas na internet e hoje a maior parte do conteúdo de suas revistas é pago e fechado, enquanto o iG aposta num modelo gratuito e compartilhável. Mas Civita talvez esteja mudando sua estratégia rumo a um modelo mais aberto.
De todo modo, a possível venda do iG marcaria uma separação entre produtores e distribuidores de conteúdo. De um lado, as empresas jornalísticas. De outro, as operadoras de telecomunicações.
Leonardo Attuch
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Depois de Maluf, chega a vez do conselheiro Robson Marinho explicar sobre lavagem de dinheiro

Robson Marinho
O Tribunal de Contas é um órgão auxiliar do Legislativo.
Os seus membros são escolhidos política e partidariamente. Como se fossem órgãos do Poder Judiciário, os membros dos Tribunais de Contas possuem as garantias da vitaliciedade e da irredutibilidade de vencimentos. A inutilidade dos tribunais estaduais e municipais são conhecidas de todos.
Dois exemplos, de passado remoto e próximo, mostram como é atrativo e disputado o cargo de ministro (Tribunal de Contas da União) ou conselheiro (tribunais estaduais e municipais).
Primeiro exemplo. No Estado de São Paulo, um senador recém-eleito, Orlando Zancaner, renunciou para virar conselheiro vitalício do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo. Trocou seis anos do Senado da República pela vitaliciedade e pela influência política exercida por um conselheiro de um tribunal de contas. Zancaner, que já não está entre nós, renunciou tão meteoricamente ao Senado que na cidade de Catanduva, onde nasceu, a avenida que o homenageia chama-se deputado Orlando Zancaner, a ignorar os títulos de senador eleito e conselheiro.
O outro exemplo é lamentável. No mês passado, vários políticos empenharam-se, de corpo e alma, para uma vaga aberta no Tribunal de Contas da União. Um dos candidatos ao cargo vitalício era o deputado federal Aldo Rebelo, do Partido Comunista do Brasil, e que tentou emplacar por lei da sua autoria o Dia do Saci Pererê.
Em busca de apoio, Aldo Rebelo compareceu no aniversário de Paulo Maluf. Venceu a mãe do governador de Pernambuco e Rebelo reforçou os laços de amizade com Paulo Maluf. A propósito, Maluf é réu em processo por lavagem de dinheiro à época que era prefeito da capital de São Paulo. Pela acusação que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), Maluf desviou dinheiro da prefeitura para fora do país.
Como tem função de aprovar contratos vultosos, um membro de tribunal de contas tem de estar atento para evitar a aproximação de corruptores. Mais ainda, tem de ter vida financeira transparente.
Ontem, em São Paulo, o conselheiro Robson Marinho, mais uma vez, tentou sem sucesso impedir a quebra do seu sigilo bancário e fiscal. A Suíça revela que Robson Marinho mantém nos seus bancos US$3 milhões sem origem conhecida.
Robson Marinho foi secretário do governador Mario Covas. Comandou a Casa Civil e foi para o Tribunal de Contas com apoio tucano, pois mantinha filiação ao PSDB.
Marinho acha que não deve satisfações a ninguém e, por recurso de agravo de instrumento, tentou derrubar a decisão da juíza Maria Gabriella Pavlópoulos Spaolonzi. A pedido do Ministério Público, em sede de ação cautelar ajuizada pelos promotores Sílvio Marques e Saad Mazloum, da Procuradoria de Proteção ao Patrimônio Público e Social, a juíza Maria Gabriella determinou a quebra de sigilo de Robson Marinho.
No agravo, Marinho alegou ter já ocorrido prescrição fiscal. Não se trata, como revelou o desembargador Edson Ferreira ao julgar o agravo de instrumento, de ação fiscal, mas de “enriquecimento ilícito a detrimento do erário”. A 12ª Câmara do Tribunal de Justiça de São Paulo, por unanimidade, negou o agravo de Marinho.
Os procuradores Marques e Mazloun apuram e recolheram fortes indícios de o dinheiro de Robson Marinho na Suíça ter origem ilegal. Apura-se “comissão” paga pela multinacional francesa Alstom, que vende turbinas e composições para o metrô paulistano. No mínimo, houve evasão fiscal, ou seja, dinheiro sem causa conhecida mandado ao exterior
Marinho nega ter dinheiro na Suíça, mas a sua conta foi lá bloqueada. No recurso de agravo.
Há mais de dois anos, a Alstom vem sendo investigada pela Justiça da Suíça e da França. No caso de Robson Marinho, a sua situação ficou insustentável no Tribunal de Contas.
Wálter Fanganiello Maierovitch
No Sem Fronteiras
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As razões do movimento

O movimento de protesto nos Estados Unidos teve ontem um dia diferente em Nova Iorque: piquetes de centenas de pessoas se manifestaram às portas de cinco dos maiores milionários de Manhattan, começando pela casa de Rupert Murdoch. Outras residências visitadas foram as dos banqueiros Henry Paulson, Jamie Dimon, David Koch, e Howard Millstein – todos eles envolvidos nos grandes escândalos de Wall Street, e socorridos por Bush. Os lemas foram os mesmos: que tratassem de devolver o que haviam retirado da economia popular.
A polícia limitou-se a conter, com barreiras, os manifestantes. Mas a mesma coisa não ocorreu em Boston. A polícia municipal atuou com extrema violência durante a madrugada de ontem, atacando, com porretes, dezenas de manifestantes e ferindo dois veteranos de guerra, um deles, de 74 anos, ex-combatente no Vietnã. O “Occupy Together” atingiu mais de 1.200 cidades norte-americanas, em preparação para as grandes concentrações nacionais no próximo sábado, dia 15.
Conforme o jornalista americano David Graeber, em incisivo artigo publicado pelo The Guardian, os jovens, e também homens maduros, vão às ruas nos Estados Unidos em busca de empregos, de boa educação, de paz, é certo, mas querem muito mais do que isso. Eles contestam um sistema que deixou de servir aos homens, para servir apenas aos banqueiros e a um capitalismo anacrônico. “Para que serve o capitalismo?”, é uma de suas perguntas. Eles contestam um sistema baseado no consumo supérfluo de uns fundado na negação das necessidades básicas de 99% da população de seu país. Descobriram que o seu futuro, os seus sonhos, o seu destino e a sua vida foram roubados pelo sistema que deixou de ser democrático.
Os neoliberais no mundo inteiro fazem de conta que esses protestos nada significam, e muitos deles continuam sem perceber o que está ocorrendo. Tem sido sempre assim na História. Na noite de 4 de agosto de 1789, quando, a Assembléia revolucionária da França aboliu os privilégios feudais da nobreza, Luis 16, que seria guilhotinado menos de três anos depois, escreveu em seu diário: hoje, nada de novo. Como bem registrou Paul Krugman, em seu artigo no New York Times, os manifestantes não são extremistas: os verdadeiros extremistas são os oligarcas, que não querem que se conheçam as fontes de sua riqueza.
Não percebem os políticos o processo revolucionário em marcha que, de uma forma ou de outra, atingirá todos os países do mundo. Ao globalizar-se, pela imposição do sistema financeiro, a economia, globalizou-se a reação dos povos ao sistema totalitário e criminoso. Seria a hora de um entendimento entre os estadistas do mundo, a fim de chamar os especuladores à razão e colocar o Estado ao serviço da justiça, retornando-o à sua natureza original. Na Europa e nos Estados Unidos o que se vê é o Estado socorrendo os banqueiros fraudulentos, e os ricos insistindo na receita neoliberal clássica, de ajustes fiscais, de redução dos serviços sociais, do arrocho salarial e da demissão sumária de imensos contingentes de trabalhadores, a fim de garantir o lucro dos especuladores.
Nos anos oitenta, os paises emergentes de hoje, entre eles o Brasil, estavam atolados em uma dívida internacional marota, gerada pela necessidade de rolar os bilhões de eurodólares, e não dispunham de recursos. Mme Thatcher disse que o Brasil teria que vender as suas terras e florestas, a fim de pagar o que devia. Hoje, trinta anos depois, a Grécia está vendendo tudo o que pode, até mesmo monumentos históricos, enquanto parcelas de seu povo começam a passar fome.
Quando os africanos morrem de fome e de epidemias, como voltaram a morrer agora, não há problema. Para os brancos, europeus ou americanos, é alguma coisa que não lhes diz respeito. A África não é outro continente: é outro mundo. Mas, neste momento, são brancos, de cabelos louros e olhos azuis, como os manifestantes de Boston – jóia da velha aristocracia da Nova Inglaterra – que vão às ruas e são espancados pela polícia. A revolução, como os próprios manifestantes denominam seu movimento pacífico, está em marcha.
Há é certo, algumas providências na Europa, como a estatização do banco belga Dexie, mas se trata de um paliativo, quando Trichet, o presidente do Banco Central Europeu recomenda injetar mais dinheiro no sistema financeiro privado. Mais astuto, o governo da China reforçou a presença estatal no sistema financeiro, aumentando a sua participação nos bancos de que é acionista majoritário.
E o mundo se move também na política. Abbas – o presidente da Autoridade Nacional Palestina, que luta pelo reconhecimento pela ONU de seu Estado nacional - em hábil iniciativa, esteve anteontem e ontem em Bogotá. Ele fez a viagem a Colômbia, sabendo que dificilmente o apoiariam: o país hospeda bases militares americanas e, ontem mesmo, um comitê do Senado, em Washington, aprovou o Tratado de Livre Comércio entre os dois países. Assim, o presidente Juan Manuel Santos limitou-se a declarações protocolares de apoio à paz no Oriente Médio, o que não impedirá a caminhada da História.
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