10 de out de 2011

O transe de Aécio

A religiosidade de Aécio
Depois do registro da ombusdskinna da Folha de São Paulo, que reclamou por seus artigos autolaudatórios, Aécio Neves assina um outro tipo de texto nesta segunda-feira, 10 de outubro de 2011.
Até o estilo muda: frases e expressões como, a padroeira “parece singrar suavemente sobre o mar de cabeças devotas”, “eletricidade emocional”, “conversível branco com estofamento de couro vermelho” e outros tró-ló-lós indicam a pretensão, aeciana, de se credenciar à Academia Brasileira de Letras. Que não anda lá muito criteriosa assim. Mas esse é outro assunto.
O cenário da prosa de hoje teria ocorrido durante a procissão de Nossa Senhora de Nazaré, em Belém, 1985. Nela, Tancredo dividia com Nossa Senhora, as atenções da multidão, segundo o neto em transe. Que formava um cordão com mais de um milhão de pessoas, em torno do Aero Willys onde estavam, “agasalhados pelo afeto da multidão”, ele e o avô. Insinua ele que a multidão o reconhecia e o “agasalhava”. Risível pretensão. Detalhe: eram mais de dois milhões de pessoas a pé, sendo impossível o “desfile” em carro aberto, que só ele viu!
Ah, a multidão, segundo o texto, saudava Tancredo como o “presidente da redemocratização”, numa campanha que “arrebatava corações e mentes dos brasileiros”. Aécio funde, de forma leviana, a assassinada campanha pelas “Diretas Já”, com o início titubeante da “campanha” pelos votos no restrito colégio eleitoral. Registre-se: a intensa devoção no Círio de Nazaré sempre acolheu manifestações políticas: em 1985, as duas que pontificaram foram pela reforma agrária e contra a discriminação racial. A manifestação política pró-Trancredo ocorrera no Sindicato dos Estivadores, à margem do evento religioso.
Mas, vamos lá. A gororoba de seu escrito é para dizer que Tancredo abdicaria de toda aquela “popularidade”, em nome das reformas estruturais, algumas delas antipáticas que teria que fazer, mas que distinguiriam o estadista. Aquele que não se rende a interesses paroquiais. Como quem recebe um espírito, ele foi longe buscar uma frase antes inaudita, do avô.
A escorregadela advinda da referência depreciativa às paróquias, em meio a um artigo tão cheio de fé e religiosidade, é perdoada. Ato falho de quem usa e abusa da fé alheia para introduzir seu sermão político.
Ao final, ele insinua que Dilma não é estadista. Que ele aprendeu a lição do avô. Logo, ele seria estadista. Silogismo aristótélico de primeiro grau.
Primeiro, ele poderia dizer qual medida antipopular que Tancredo adotou em Minas Gerais, abdicando de sua popularidade, que aliás só ocorrera em face de sua agonia e morte trágica. Em dois anos de seu governo (1983/84), nenhuma ousadia foi cometida. Tancredo não era dado a ousadias.
Em segundo, falando de interesses paroquiais, ele poderia descrever o porquê de ter nomeado como presidente da CODEMIG em Minas Gerais, o dono do jatinho que fica à sua disposição, ou as nomeações de Papaléo Paes (AP), Jungmann (PE), ou Wilson Santos (MT) como “aspones” em empresas públicas mineiras. Isso sem falar em dezenas de “fichas-sujas” impostos ao governo de seu sucessor, sendo que alguns deles condenados, outros com bem indisponíveis, alguns presos e muitos outros sob investigação.
Achando que sua historiografia farsesca passará impune, Aécio tenta se apresentar como “líder” político desde 1985. Chegou a bancar um documentário, que foi retirado do ar da TV Cultura de São Paulo, onde ele era apresentado como líder da juventude nas Diretas-já (SIC). Na verdade, à época, ele liderava boas festas em Belo Horizonte. Elegeu-se no rastro da comoção pela morte do avô. Deputado-surfista, nunca propôs as reformas ousadas que ele agora diz serem necessárias. Como governador sucateou o estado de Minas Gerais, que se afunda numa dívida de 70 bilhões!
Seus artigos cifrados e criptografados dizem, para poucos que entendem, o seguinte: eu acabarei com direitos trabalhistas, férias anuais, passarei a aposentadoria para os 70 anos, liquidarei a estabilidade de servidores públicos concursados, venderei o BB, a Caixa e a Petrobrás etc. É isso que resta aos “estadistas” neoliberais!
Eis o recado subliminar que ele manda à agiotagem financeira, às grandes construtoras, aos usineiros, ao FMI e similares. De quem pretende ser pároco.
No Minas Sem Censura
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Evangélico afirma ter sido violentado por pastor da Quadrangular de Maceió

O pastor Luiz, o acusado, ainda
não deu à imprensa a sua versão
Anderson da Luz Rocha, 42, está movendo um processo na Justiça contra o pastor João Luiz (foto) sob a acusação de ter sofrido abuso sexual dele em sua mocidade, de 1984 a 1990, em Paranaguá, ali bem perto de Antonina (PR), terra de "Ornitorrincos".
Luiz é da Igreja do Evangelho Quadrangular em Alagoas e vereador em Maceió pelo DEM. Rocha é também pastor, só que da Igreja Besteda. Ele disse que relatou o abuso à polícia em agosto de 2007. O caso tramita em segredo de Justiça.
Rocha contou que quando tinha 16 anos procurou Luiz para dizer que gostaria de ser pastor. “Ele disse que eu poderia ficar na igreja durante as manhãs, e eu aceitei.”
Falou que Luiz o tratava muito bem. “Me dava roupa e comida, e eu achei que isso era porque ele era um homem de Deus.”
O assédio acabou se transformando em um relacionamento homoafetivo. Em troca, Rocha ganhava “roupas e perfumes caros”.
Em 1988, Luiz convidou Rocha para morar em Maceió. “Ele disse que acabaria comigo se eu não aceitasse.”
“O Luiz me obrigava a ter relações sexuais com ele. Mas chegou a um ponto em que eu não aguentava mais e falei que iria embora”, afirmou. “Fiz um escândalo e disse que, se ele não me deixasse ir, eu contaria para a mulher dele”.
Rocha voltou para o Paraná em 1990.
Ele afirmou que não foi à polícia antes porque se sentia intimidado. “Eu era um jovem pobre, filho de empregada doméstica negra e ele era um pastor conhecido.”
Ainda agora, disse Rocha, ter de levar o caso judicial adiante é penoso. “Tive de contar para minha esposa e a família dela.” Falou estar sofrendo pressão dos advogados do pastor.
Os jornalistas procuraram Luiz para que desse a sua versão, mas não foi localizado.
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Quando a crítica vira só má vontade

O melhor remédio pra quando se está há muito tempo sem postar é dar uma olhada nos jornais brasileiros. Rapidinho as mãos começam a coçar e escrever torna-se inevitável…
No caso, nem precisei buscar a edição de Zero Hora, à qual só teria acesso daqui de Londres se pagasse por uma assinatura que chegaria no Brasil. Recebi por e-mail e comento aqui.
A mim soa estranho quando um jornalista reclama de excesso de participação popular nas decisões de um governo. Uma coisa é questionar se o programa que o governo estadual vai lançar em novembro – “Governador Pergunta”, complementar ao já existente “Governador Responde”, que incentiva a contribuição dos indivíduos com ideias que devem passar a ser consideradas na implementação de políticas, vai de fato ser efetivo. Outra é desmerecer essa opinião dos cidadãos, como fez Rosane de Oliveira na edição de ontem (9/10) da Zero Hora, logo depois de uma matéria quase que exclusiva sobre o programa. Pior ainda é quando isso é feito com o único objetivo de criticar por criticar.
A jornalista disse que o secretário de Saúde do governo do RS, Ciro Simoni, por ser médico, entendia melhor que ninguém qual era o problema da saúde pública. Ok, o objetivo aqui não é questionar a competência do secretário. Ela deixou implícita a opinião de que o único problema é falta de vontade política. Além de desmerecer a participação cidadã, ela simplifica a questão, que é extremamente complexa. Para ela, o problema é estritamente financeiro. Sem dinheiro, sem médicos, sem saúde. Como o governo aplica 7% do orçamento em saúde, quando deveria aplicar 12% (e ela não menciona que o orçamento foi aprovado no governo anterior), não há solução. Ela ignora que é possível, com pouco ou muito dinheiro, investir bem ou mal. Parece não estar interessada em dar às pessoas a possibilidade de falar sobre onde elas acham que é mais necessário aplicar o dinheiro que, afinal de contas, é delas. Esquece que o governo existe, de forma bastante simplista e utópica, para organizar as questões sociais e fazer as coisas acontecerem, e não centralizar as decisões e tomá-las sozinho em nome de todos.
Rosane opta por simplesmente não avaliar as possibilidades positivas de mais um canal de participação popular. Ela decide negá-lo antes de que ele sequer exista. Críticas, ok, são boas para que se possa melhorar, aperfeiçoar sempre, em qualquer área. E eu as tenho também neste caso. Mas as minhas dizem respeito aos limites que esse modelo ainda impõe. A participação deveria e poderia ser mais ampla, apesar de eu achar de uma extrema vanguarda a utilização de canais digitais para incluir a sociedade no processo político do governo. Engraçado é quando a crítica é por participação demais, não de menos.
A coluna da página 10 ainda tenta confundir o leitor fugindo do foco. É evidente que o “norte do governo Tarso Genro” foi dado antes da eleição do ano passado, com a elaboração do programa de governo e a definição de uma linha política. Mas também é verdade que é possível manter uma linha política e abrir espaço para que sua implementação seja constantemente discutida e melhorada. Até porque a linha política do governo inclui a participação. A participação é parte do programa, não contraditória a ele.
Criticar é uma coisa; mas mudar de opinião para criticar por qualquer motivo, sem concender o benefício da dúvida, não passa de má vontade. Perigoso para o jornalismo em uma democracia. Especialmente aquele que se diz isento.
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A íntegra da coluna assinada por Rosane de Oliveira:
Risco de frustração
Todas as formas de participação popular são bem-vindas numa democracia, mas não se pode vender a ilusão de que quem decide os rumos do governo é o cidadão que vota pela internet numa lista de prioridades ou participa de uma assembleia. O norte do governo Tarso Genro foi dado por sua equipe ainda na campanha eleitoral. O plano de governo é o fio condutor dos programas que ganharam a etiqueta de prioritários. O poder da participação popular ainda é reduzido, apesar de todos os instrumentos criados no Piratini para popularizar o rótulo de governo digital.
O projeto Governador Pergunta – A Primeira Assembleia Digital do Brasil, que será lançado em novembro, tem tudo para se transformar em sucesso de marketing, no Brasil e no Exterior. É questionável, no entanto, a utilidade de se mobilizar a população, pela internet ou pessoalmente, para que diga como se pode melhorar o atendimento e o acesso à saúde pública. Os gestores sabem muito bem o que falta aos usuários do Sistema Único de Saúde. Por ser médico, o secretário estadual da Saúde, Ciro Simoni, sabe melhor do que ninguém. Não precisa fazer pesquisa. Sabem, também, que para atender às demandas mínimas da população é preciso ter recursos.
Soa estranho o governo consultar a população para saber o que fazer para melhorar o acesso à saúde pública e se comprometer a “adotar as 50 propostas mais votadas”, se o Estado aplica menos de 7% da receita líquida em saúde, quando deveria aplicar 12%. Com dinheiro, Estados e municípios poderiam contratar mais médicos para programas de prevenção e mais especialistas para reduzir as filas, comprar equipamentos de última geração para oferecer diagnósticos mais precisos, aumentar a oferta de leitos, reduzir o tempo de espera nas emergências, oferecer melhor qualidade no atendimento à gestante e ao idoso, tornar realidade as maravilhas prometidas numa campanha eleitoral.
O excesso de canais para a sociedade se comunicar com o governo traz um risco ao futuro da consulta popular: o da frustração, se as demandas não forem atendidas por falta de dinheiro.
Cris Rodrigues
No Somos Andando
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Rafinha não dançou por machismo, mas por mexer com gente rica

O integrante do CQC, que fez piada de péssimo gosto com Wanessa Camargo, já falara coisas piores. Agora mexeu com esposa de milionário, que ameaçou tirar anúncios da TV Bandeirantes. Ninguém classificou caso como atentado à liberdade de expressão. Já quando ministra condena comercial de lingerie machista, o coro é um só: “Censura”!
Qual é o problema com a suposta piada de Rafinha Bastos? Ele antes já exibira todas as cores de seu mau gosto e nada acontecera.
Todos conhecem a pérola, não? O apresentador aproveitou-se de uma bola levantada pelo chefe da cena do programa Custe o que Custar (CQC), Marcelo Tas, sobre a gravidez da cantora Wanessa Camargo, e cortou ligeiro: “Eu comeria ela e o bebê, não tô nem aí”. Foi logo acompanhado por risos e caretas de seus colegas de vídeo, Tas e Marco Luque .
A grosseria foi ao ar dia 19 de setembro. A TV Bandeirantes, que exibe o programa, levou duas semanas para decidir o que fazer. Em 3 de outubro, o apresentador foi suspenso da bancada. Não se sabe se voltará.
Não foi a primeira vez que Rafinha exerceu sua – digamos - sutileza. Em entrevista à revista Rolling Stone, em maio de 2011, ele saiu-se com esta: “Mulheres feias deveriam agradecer caso fossem estupradas, afinal os estupradores estavam lhes fazendo um favor, uma caridade”.
A gracinha com as feias não rendeu ao gaúcho de dois metros de altura nada além de protestos de movimentos femininos. Mas a liberdade com a cantora custou-lhe até agora, além do posto no programa, o cancelamento de shows e o rompimento de alguns contratos de publicidade. Rafinha perdeu grana com a brincadeira.
Pensamento vivo
Repetindo: qual o problema com as tiradas do rapaz de 34 anos, num universo midiático em que o mau gosto, a boçalidade e o “politicamente incorreto” passaram a ser valores em si?
Rafinha vive num tempo em que as demonstrações de preconceito, como as do apresentador de outro programa de entretenimento da mesma emissora, Boris Casoy, não têm consequências maiores. Todos se recordam da fineza do jornalista ao desqualificar dois garis que apareceram em seu programa para desejar boas festas, no final de 2009. Sem saber que os microfones estavam abertos, ele foi ao ponto: "Que merda: dois lixeiros desejando felicidades do alto da suas vassouras. O mais baixo na escala do trabalho".
O artista do CQC também sabe que o pensamento vivo de gente como o deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ) recebe destacada acolhida em grandes meios de comunicação. Sua entrevista à revista Playboy, em junho último, é pródiga em preciosidades. Segue um exemplo: “Moro num condomínio, de repente vai um casal homossexual morar do meu lado. Isso vai desvalorizar minha casa!”.
Outro luminar da intelectualidade midiática, o ex-compositor Lobão, por sua vez, exibiu os músculos cerebrais em um festival de cultura em São Francisco Xavier (São José dos Campos, SP), também em junho. Após demonstrar criteriosamente que toda a música popular brasileira não tem nenhum valor, ele sentenciou: “A gente tinha que repensar a ditadura militar. Essa Comissão da Verdade que tem agora. (…) Que loucura que é isso? Aí tem que ter anistia pros caras de esquerda que sequestraram o embaixador, e pros caras que torturavam, arrancavam umas unhazinhas, não?”.
Os exemplos são infindáveis. Rafinha provavelmente é leitor de Reinaldo Azevedo, o blogueiro de Veja, que, em março de 2010, durante uma palestra no afamado Instituto Millenium, em São Paulo, externou sua particular concepção de liberdade de expressão: “A imprensa tem que acabar com o isentismo e o outroladismo, essa história de dar o mesmo espaço a todos”. Na mesma oportunidade, o cineasta aposentado Arnaldo Jabor lançou o desafio de “impedir politicamente o pensamento de uma velha esquerda que não deveria mais existir no mundo”. Impedir o pensamento... muito bom!
A baixaria televisiva contaminou até mesmo as campanhas eleitorais. Continuam na memória de todos os ataques da campanha de José Serra à Dilma Rousseff, em 2010, sobre o tema do aborto. Em Nova Iguaçu (RJ), Monica Serra, esposa do então candidato tucano, disse o seguinte sobre a petista: "Ela é a favor de matar as criancinhas".
Dois anos antes, a campanha de Marta Suplicy (PT) à prefeitura de São Paulo já havia colocado em dúvida a sexualidade de seu oponente, ao dizer: “Você sabe mesmo quem é o Kassab? Sabe de onde ele veio? Qual a história do seu partido?” Em seguida, aparece a foto do prefeito: “Sabe se ele é casado? Tem filhos?”
Bem acompanhado
Rafinha está em boa companhia. Deve se sentir incentivado para exercer seu rosário de preconceitos. Provavelmente pensa estar “quebrando paradigmas”, investindo contra o estabelecido e externando uma rebeldia adolescente, que lhe granjeia grande popularidade e bons cachês.
Ridicularizar e humilhar quem tem poucas chances de se defender, em uma sociedade com desigualdades abissais como a brasileira, é um grande negócio. Prova isso a lista de clientes dos shows do moço, que constam de sua página na internet. São elas Votorantim, Bosch, Agroceres, LG, HP, Ernst & Young, IBM, Banco Real, Vivo, Springer Carrier, Cargil, Unilever, Motorola, Chevrolet, Sherwin Williams, Valor Econômico, Bunge, GNT (Globosat), Jornal O Estado de S. Paulo, Coca-Cola, Bradesco, ESPM etc. Segundo a Veja, ele foi visto em mais de 730 comerciais somente neste ano.
Rafinha faz parte de uma tendência do humor televisivo, que se abriu após a chegada dos humoristas do Casseta e Planeta ao vídeo. A linhagem envolve também o programa Panico (da Rede TV!) e outros imitadores, além do Zorra Total, da Globo. Todos se dizem distantes da política, independentes e praticantes de um humor anárquico e sem freios. Nem mesmo a participação de Marcelo Tas como palestrante em um encontro da juventude do DEM ,em novembro de 2008, ou de Marcelo Madureira nas palestras hidrófobas do Instituto Millenium, os comprometem, segundo eles, com idéias que não as próprias.
Acima da cintura
Num panorama desses, repetimos: qual o problema de Rafinha Bastos?
O problema é que o garoto bateu acima da cintura.
Tudo bem desancar garis, a esquerda que foi à luta nos anos da ditadura, exaltar a parcialidade da imprensa e atacar homossexuais e outros grupos vulneráveis.
Não pode é investir contra o topo da pirâmide social.
Rafinha cometeu esse pecado. Wanessa Camargo é casada com Marcus Buaiz, 31 anos, herdeiro de um dos maiores conglomerados empresariais do Espírito Santo, o Grupo Buaiz, que completa 70 anos em 2012. O grupo é formado pela TV Vitória (afiliada da Rede Record), por duas rádios, pelo Nova Cidade Shopping Center, por várias empresas de alimentação (Café Número Um, Moinho Três Rios e Moinho Vitória), pela Buaiz Importação e Exportação, pela incorporadora Meca e pela Automóbile Comércio de Veículos, entre outras.
Marcus Buaiz transferiu-se para São Paulo, onde é proprietário de casas noturnas e restaurantes, além de uma empresa de marketing esportivo, a 9INE, em parceria com o ex-jogador Ronaldo Fenômeno. Segundo o jornal A Gazeta, de Vitória, o empresário e seu sócio teriam ameaçado tirar anúncios do programa, após a performance de Rafinha Bastos. “Um comercial de 30 segundos no CQC custa 130 mil reais. Já um merchandising pode custar de 240 mil a dois milhões e 400 mil reais, sem incluir cachês”, diz a publicação.
Com tudo isso, a Bandeirantes podou Rafinha Bastos de sua programação.
Dois pesos
O curioso da história é que intenção semelhante, de retirada de um comercial de lingerie do ar, por parte da ministra da Secretaria Nacional de Políticas para Mulheres, Iriny Lopes (PT), foi classificada como censura por colunistas de imprensa e até por colegas seus na Esplanada dos Ministérios.
Na peça, em três versões, Gisele Bündchen faz as vezes de uma esposa prestes a dar uma péssima notícia ao marido: estourou o limite do cartão de crédito, bateu o carro ou informa que sua mãe virá morar com eles. É um machismo digno dos anos 1950. Os publicitários da agência Giovanni+DraftFCB devem ter achado o máximo a própria criação. No clima de boçalidade modernosa, não há problema na mulher bonita, mas dependente do marido provedor, invocar seus atributos eróticos para conseguir o que quer.
Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, a representante governista assim se manifestou: “A propaganda caracteriza como correto a mulher dar uma notícia ruim apenas de lingerie e errado estar vestida normalmente. Essa definição de certo e errado caracteriza um sexismo atrasado e superado”.
A ação da ministra está a quilômetros de distância das ameaças que teriam sido feitas pelo marido de Wanessa Camargo ou pela ação da Bandeirantes, que sem mais tirou Rafinha do ar. Iriny apenas solicitou ao Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar) a suspensão da peça publicitária.
O mundo desabou sobre sua cabeça, com insinuações sobre estética feminina e inveja da modelo.
O caso Rafinha Bastos é pedagógico. No Brasil, além das mulheres, qualquer minoria pode ser atacada. Menos uma: a minoria dos endinheirados.
Gilberto Maringoni, jornalista e cartunista, é doutor em História pela Universidade de São Paulo (USP) e autor de “A Venezuela que se inventa – poder, petróleo e intriga nos tempos de Chávez” (Editora Fundação Perseu Abramo).
No Carta Maior
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Atlético-MG na zona de rebaixamento e jogador pode ser preso

A procuradoria de Milão pediu nesta segunda-feira por uma condenação de três anos e oito meses de reclusão ao jogador brasileiro Mancini, acusado de violentar sexualmente uma modelo brasileira depois de uma festa, na Itália.
O meia de 31 anos voltou ao Brasil para jogar pelo Atlético-MG no início deste ano, depois de ter defendido Roma, Inter de Milão e Milan no futebol italiano.
Segundo a acusação, Mancini e a modelo brasileira se conheceram durante uma festa organizada por Ronaldinho Gaúcho em um local de Milão, na madrugada de 8 para 9 de dezembro do ano passado. Na época, os dois jogadores brasileiros estavam atuando pelo Milan.
De acordo com a procuradoria de Milão, Mancini se aproveitou do estado de embriaguez da mulher brasileira em questão para obrigá-la a ter relações com ele. Após a suspeita de agressão sexual, a mulher de 30 anos foi atendida em um centro médico local e em seguida oficializou a acusação contra o jogador.
A procuradoria de Milão pediu também 10 meses de prisão a Geraldo Eugenio do Nascimento, de 56 anos, um amigo de Mancini que foi acusado de tentar persuadir a jovem a retirar a denúncia e de atrapalhar as investigações sobre o caso.
Os advogados de Mancini asseguraram, durante o processo judicial, que a relação sexual entre o jogador e a modelo brasileira ocorreu em comum acordo entre as partes. Já em uma entrevista concedida em fevereiro, o atleta afirmou que estava sendo vítima de uma "farsa".
A sentença do caso está prevista para ser anunciada no próximo dia 28 de novembro, um dia depois de o Atlético-MG, atual time de Mancini, disputar a penúltima rodada do Campeonato Brasileiro, no qual o clube hoje tenta se livrar do risco de rebaixamento.
No Brasil, já se notabilizaram por envolvimentos em escândalos sexuais o atual técnico Cuca (Grêmio), o jogador Brandão (Grêmio), Luxemburgo, Danrlei (Grêmio) e agora Mancini.
Não publicaremos comentários histéricos de gremistas e de integrantes da galoucura lobotomizados.
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Dawson Ilha 10

Dawson Ilha 10, a última produção do consagrado diretor Miguel Littín, cineasta nomeado duas vezes ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, estréia no Brasil em novembro após importantes indicações a prêmios do cinema internacional.
O filme foi selecionado pelo Chile para representar o país no Oscar e no Globo de Ouro. Em 2009, Dawson Ilha 10 integrou a Seleção Oficial do Festival Internacional de Cinema de Roma. Além disso, foi um dos quatro filmes a competir pelo prêmio Goya de Melhor Filme Hispano Americano (2010).
Antes mesmo de ser finalizado, Dawson Ilha 10 já havia conquistado cinco prêmios no Festival de Guadalajara na categoria “Guadalajara Construye”, destinada a filmes em processo de finalização.
Para retratar momentos de isolamento e incertezas dos presos políticos detidos pela ditadura de Auguste Pinochet na Ilha Dawson, o filme utiliza uma estética que dialoga com o psicológico dos personagens. O frio, a solidão e o medo do esquecimento criam uma atmosfera cenográfica melancólica, cinzenta e ao mesmo tempo delicada, que tornam Dawson Ilha 10 um filme diferente dos outros que abordam a pesada temática de períodos ditatoriais.
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Educação gratuita 'vence' plebiscito no Chile

Ao mesmo tempo, estudantes confirmam saída da mesa de negociações com o governo, e Piñera insiste que está aberto ao diálogo
Segundo os primeiros resultados, que levam em conta a 
apuração de 723 mil votos, 95% responderam serem a favor
da educação gratuita
Como esperado, a grande maioria dos que compareceram para votar em um plebiscito extraoficial no Chile apoiaram uma educação gratuita e que dê fim ao lucro abusivo de empresários do setor, reforçando o movimento que há cinco meses luta por reformas.
Segundo os primeiros resultados, que levam em conta a apuração de 723 mil votos, 95% responderam “Sim” à pergunta sobre a implantação de uma educação pública e gratuita, o que pressupõe uma mudança completa do atual sistema, que está ancorado em uma oposição entre público e privado, sem o gratuito.
O plebiscito foi convocado pelos movimentos que representam alunos e professores e, por isso, não tem caráter oficial, embora sirva como mais um instrumento de pressão contra o presidente Sebastián Piñera, que vem se desgastando com o episódio. Dos que compareceram às milhares de zonas de votação em todo o país, 95% deles se mostraram a favor da realização de um plebiscito que imprima ao setor educacional o que for definido pela população.
O percentual dos que se declararam a favor de desmunicipalizar a educação foi de 92%, o que significa realizar outra mudança significativa no sistema criado pelo ditador Augusto Pinochet, e até hoje vigente. Seguindo o modelo neoliberal, o governo de Pinochet decidiu adotar um sistema de incentivos às escolas públicas, sob controle dos municípios, e às privadas, sob controle de empresários. A crença era de que o Estado deveria unicamente apoiar a competição entre os colégios, o que os tornaria melhores.
Mas, para os estudantes chilenos, esta proposta vem resultando em um sistema calcado na desigualdade e na má qualidade, que serve principalmente ao enriquecimento dos empresários que recebem os subsídios estatais. Os manifestantes querem que as escolas do ciclo básico voltem a ser de controle federal.
Outra questão é devolver a gratuidade ao ensino superior. Atualmente, tanto as universidades públicas quanto as privadas são pagas, o que acaba por endividar os jovens, comprometendo parte de sua vida adulta.
Sem negociação
Em assembleia que durou sete horas, os estudantes decidiram no domingo (9) retirar-se da mesa de negociação aberta recentemente pelo governo. A decisão foi tomada após a segunda reunião, na qual, segundo os representantes do movimento, em nada se avançou, e o governo demonstrou que não cederá quanto à gratuidade da educação. Felipe Bulnes, ministro de Piñera para o setor, apontou que aceitava dar bolsas aos 40% mais pobres, uma proposta que já havia sido apresentada há meses – e rejeitada. Em paralelo, foi aprovada uma nova paralisação nacional, de 48 horas, entre os dias 18 e 19 deste mês.
“Nós não apenas exigimos a gratuidade como também a responsabilidade do Estado na educação”, assinalou a presidente da Federação dos Estudantes da Universidade do Chile, Camila Vallejo. “Não estamos dizendo que os pobres financiem os ricos, mas que os ricos, que representam cinco por cento da população, devem financiar a educação mediante uma reforma tributária”.
Em sua casa de descanso, no lago Ranco, a 900 quilômetros de Santiago, Piñera evitou comentar as críticas por tirar férias em meio à crise. “O governo tem um compromisso claro e firme: assegurar a todos educação de qualidade. E, aos que necessitam, educação gratuita”.
João Peres
No Rede Brasil Atual
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Aécim Malvadeza

Esquizofrenia política em Minas Gerais
Reproduzo abaixo um vídeo da fala do Deputado Estadual Sávio Souza Cruz (PMDB) durante reunião ordinária realizada no dia 24/03/2011 no Plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais - ALMG.
O deputado, que é integrante do bloco de oposição ao governo "Minas Sem Censura", fala sobre a "esquizofrenia política" que se implantou em Minas Gerais desde a primeira gestão de Aécio Neves. Segundo ele, tanto a Imprensa quanto o Judiciário estariam encabrestados pelo Governo do Estado na gestão do PSDB, e a Assembléia Legislativa teria se tornado uma "Assembléia Homologativa", o que configuraria um verdadeiro estado de exceção.
Cléber Sérgio de Seixas
No Observadores Sociais
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Dia Mundial da Saúde Mental

Em 10 de outubro é comemorado o Dia Mundial da Saúde Mental. Pela oportunidade, cabem algumas reflexões importantes em torno da Lei 10216/01, a lei da Reforma Psiquiátrica.
Nas últimas décadas, a saúde mental vem passando por avanços significativos no Brasil, no que diz respeito às políticas públicas de acolhimento e atenção à pessoa em sofrimento psíquico. Avanços que estão consolidando um agrupamento de políticas públicas extra-hopitalares, em contraponto ao modelo segregacionista dos espaços asilares, centrado nos hospitais psiquiátricos.
Esses modelos asilares, condenados ao longo da história por sacrificar e condenar a pessoa com sofrimento psíquico ao isolamento e a segregação, fazem com que a Reforma Psiquiátrica brasileira ganhe mais espaços nas administrações públicas que absorveram o espirito comunitário e, principalmente, aprenderam a ter como eixo central de oferta dos seus serviços o compromisso com os direitos humanos.
Mas, na medida em que o avanço da rede substitutiva amplia a sua capacidade e capilaridade na oferta do acesso ao atendimento, através dos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), Centro de Atenção Psicossocial Álcool e outras Drogas (CAPS AD), Residências Terapêuticas (RTs), Centros de Convivências (CECO), Consultórios de Rua, dentre outras ações que visam o fortalecimento dos laços sociais, a rede também sofre a tentativa de desmonte por setores conservadores da sociedade.
Poderíamos elencar vários motivos pelos quais a Reforma Psiquiátrica sofre a tentativa de retaliação e de desmonte por parte de alguns gestores públicos. Mas, fundamentalmente, um dos motivos que mais elucidam a resistência da implementação de outra perspectiva de atenção, centrada na comunidade, são os interesses econômicos que, com a terceirização dos serviços públicos e a captura dos interesses públicos pelos privados, enriquecem os empresários da loucura.
Somente na região de Sorocaba, que desde a década de 70 se tornou um polo manicomial brasileiro, no ano passado, foram investidos aproximadamente 40 milhões de reais em sete manicômios. Dinheiro público destinado a práticas ultrapassadas e serviços precários, que condenam a autonomia do sujeito e o fortalecimento de laços sociais das pessoas atendidas. Segundo um estudo realizado pelo Fórum da Luta Antimanicomial de Sorocaba, de 2004 até o primeiro semestre de 2011, foram registradas mais de 800 mortes nesses hospitais psiquiátricos de Sorocaba e região. Este número é o dobro do registrado nos grandes hospitais psiquiátricos do resto do Estado de São Paulo (acima de 200 leitos).
Assim como em Sorocaba, vários estados brasileiros apresentam um retrocesso nas políticas públicas na área da saúde mental. Um exemplo – e diga-se de passagem, o mais assustador depois do período da ditadura militar – é política de higienização adotada pelo governo Sérgio Cabral, no Rio de Janeiro. De forma arbitrária, se retira compulsoriamente as pessoas em situação de rua, tentando justificar a oferta de tratamento para as pessoas que fazem o uso de drogas. Essa política de perseguição e caça aos usuários, também vem sendo orquestrada pelo governo paulista.
Temos vários desafios postos e ainda, muitas resistências a serem feitas, para que políticas truculentas e excludentes não tenham mais espaço em nossa sociedade. Mas a luta antimanicomial brasileira também tem muito para comemorar, com os significativos avanços promovidos ao longo das lutas travadas pelos direitos humanos. Vale relembrar, que no inicio da década de 90, o Brasil contava com aproximadamente 100 mil leitos em manicômios e hoje, 70% desses leitos já foram extintos do país e substituídos por serviços ancorados nas diretrizes da Lei 10216/01.
Lucio Costa - Fórum da Luta Antimanicomial de Sorocaba - FLAMAS
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A chacina da Otan na Líbia

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Sindicato denuncia McDonald´s por exploração de trabalhadores

Diretor diz que rede pode ter cometido "um ou outro deslize", que seria exceção à regra
O diretor de relações governamentais da rede de fast food, 
declarou que "talvez a empresa tenha cometido um outro deslize"
(Foto: Geraldo Magela/ Agência Senado)
A rede de fast food McDonald´s é acusada pelo sindicato dos trabalhadores em comércio, hospedagem e gastronomia de São Paulo, o Sinthoresp, de exploração de funcionários. A denúncia foi feita durante audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado, nesta segunda-feira (10). Conforme a denúncia, em períodos de menor movimento em suas unidades, a empresa mantém trabalhadores em uma "sala de break", à disposição da rede, mas sem receber nada. Além disso, haveria caso de, em determinados meses, funcionários receberem menos de R$ 230.
O diretor de relações governamentais do McDonald´s, Pedro Parizi, disse durante a audiência que a rede tem 40 mil funcionários no país "e talvez tenha cometido um ou outro deslize". "As exceções não podem se tornar marcar de uma empresa", afirmou. "Se isso aconteceu, estamos aqui para dialogar."
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Os motivos desta onda de greves que cobre o país

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Serra: morreu politicamente em perfeito estado de saúde

A matéria abaixo, sobre José Serra, é um primor.
Desde que perdeu as eleições, Serra foi encolhendo dia a dia, semana a semana. Perdeu o PSDB de São Paulo, primeiro o do estado, depois o da capital. Perdeu o PSDB nacional. Mais que isso: viu-se escorraçado de qualquer decisão partidária. Perdeu o PSDB, o DEM, sem ganhar o PSD. Ficou apenas com o PPS. Ou seja, com quase nada.
Conseguiu apenas prêmios de consolação, um cargo sem mando no PSDB nacional, uma Secretaria da Cultura e a Fundação Padre Anchieta, no estadual. Mais nada. Rigorosamente: mais nada!
No plano nacional, está em tal petição de miséria que até seu aliado Roberto Freire ofereceu-lhe o albergue do PPS.
Mas a matéria diz que está ótimo, porquer tuita, palestra sobre temas nacionais e "sempre teve mais cabeça estratégica do que tática". Como assim? Qual a estratégia? Perder todas as batalhas nunca fez de ninguém um estrategista vitorioso. Em futebol existe a figura do "campeão moral", a que Telê fez jus. Mas Serra, nem isso.
O homem que, mesmo sendo candidato derrotado do partido nas últimas eleições, não logrou juntar mais do que três (!) seguidores com votos - Freire, Aloisio e Jutahi - é apontado como grande estrategista e político que pensa o Brasil.
Luis Nassif
No Advivo
De O Estado de S. Paulo
Serra, do 'até breve' ao 'aqui estou'
Ex-governador saúda fiéis no Círio de Nazaré
Gabriel Manzano
Diante da multidão, que se emocionava ao ver a imagem de Nossa Senhora Aparecida levada pelas ruas de Belém do Pará, no Círio de Nazaré, o ex-governador José Serra não economizou palavras. "É um grande ato de fé, que à distância a gente não tem ideia de como é. Milhões de pessoas na rua, que se organizam sem precisar de muita organização". Enquanto Aécio Neves passava o fim de semana descansando em Cláudio, no interior mineiro, Serra disparava mensagens pelo Twitter em que definia a procissão como "a maior manifestação religiosa do Brasil e talvez do mundo".
Estava claro, ali, o que o ex-governador paulista queria dizer com aquele "até breve" do final de seu discurso de 31 de outubro do ano passado, em que reconheceu a derrota para Dilma Rousseff. Ele mostrava que, para um derrotado, a campanha eleitoral começa na noite da derrota.
Nestes 11 meses e meio, Serra se dedicou a um minucioso exercício de visibilidade programada. Marcou presença em seu blog e fez do Twitter uma janela permanente. Definiu rapidamente seu foco, avisando logo ao PSDB que não quer saber da candidatura à Prefeitura paulistana em 2012. Ao mesmo tempo debruçou-se com vigor, na mídia e em palestras, sobre temas nacionais - drogas, reforma política, segurança, turismo, câmbio. Pode-se dar o desconto de que ele foi sempre uma cabeça mais estratégica do que tática. Olha mais a floresta que a árvore.
Mas esses são precedentes muito convenientes. Foi às lideranças nacionais do PT que ele se dirigiu, nos últimos meses, ao criticar a reforma política que corre na Câmara. Suas críticas à política econômica partem de declarações feitas por Mantega ou pela presidente Dilma. Numa recente crítica ao trem-bala, compara-o com cinco ou seis grandes projetos, todos de caráter nacional. No seu GPS só cabe o mapa do Brasil. Ou seja, a briga pela vaga do PSDB em 2014 está apenas começando. /Colaborou Carlos Mendes
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Charge online - Bessinha - # 852

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Zizek na ocupação de Wall Street

O filósofo e escritor esloveno Slavoj Zizek visitou o acampamento do movimento "Ocupar Wall Street," no parque Zuccotti, em Nova York. “Estamos testemunhando como o sistema está a se autodestruir”, disse, num discurso que o portal Esquerda.Net traduziu o Aldeia Gaulesa publicou e reproduzimos abaixo:
Durante o crash financeiro de 2008, foi destruída mais propriedade privada, ganha com dificuldades, do que se todos nós aqui estivéssemos a destruí-la dia e noite durante semanas. Dizem que somos sonhadores, mas os verdadeiros sonhadores são aqueles que pensam que as coisas podem continuar indefinidamente da mesma forma.
Não somos sonhadores. Somos o despertar de um sonho que está transformando-se num pesadelo. Não estamos a destruir coisa alguma. Estamos apenas a testemunhar como o sistema está a autodestruir-se.
Todos conhecemos a cena clássica do desenho animado: o coiote chega à beira do precipício, e continua a andar, ignorando o fato de que não há nada por baixo dele. Somente quando olha para baixo e toma consciência de que não há nada, cai. É isto o que estamos a fazer aqui.
Estamos a dizer aos homens de Wall Street: “hei, olhem para baixo!”
Em Abril de 2011, o governo chinês proibiu, na TV, nos filmes e em romances, todas as histórias que falassem em realidade alternativa ou viagens no tempo. É um bom sinal para a China. Significa que as pessoas ainda sonham com alternativas, e por isso é preciso proibir este sonho. Aqui, não pensamos em proibições. Porque o sistema dominante tem oprimido até a nossa capacidade de sonhar.
Vejam os filmes a que assistimos o tempo todo. É fácil imaginar o fim do mundo, um asteróide destruir toda a vida e assim por diante. Mas não se pode imaginar o fim do capitalismo. O que estamos, então, a fazer aqui?
Deixem-me contar uma piada maravilhosa dos velhos tempos comunistas. Um fulano da Alemanha Oriental foi mandado para trabalhar na Sibéria. Ele sabia que o seu correio seria lido pelos censores, por isso disse aos amigos: “Vamos estabelecer um código. Se receberem uma carta minha escrita em tinta azul, será verdade o que estiver escrito; se estiver escrita em tinta vermelha, será falso”. Passado um mês, os amigos recebem uma primeira carta toda escrita em tinta azul. Dizia: “Tudo é maravilhoso aqui, as lojas estão cheias de boa comida, os cinemas exibem bons filmes do ocidente, os apartamentos são grandes e luxuosos, a única coisa que não se consegue comprar é tinta vermelha.”
É assim que vivemos – temos todas as liberdades que queremos, mas falta-nos a tinta vermelha, a linguagem para articular a nossa ausência de liberdade. A forma como nos ensinam a falar sobre a guerra, a liberdade, o terrorismo e assim por diante, falsifica a liberdade. E é isso que estamos a fazer aqui: a dar tinta vermelha a todos nós.
Existe um perigo. Não nos apaixonemos por nós mesmos. É bom estar aqui, mas lembrem-se, os carnavais são baratos. O que importa é o dia seguinte, quando voltamos à vida normal. Haverá então novas oportunidades? Não quero que se lembrem destes dias assim: “Meu deus, como éramos jovens e foi lindo”.
Lembrem-se que a nossa mensagem principal é: temos de pensar em alternativas. A regra quebrou-se. Não vivemos no melhor mundo possível, mas há um longo caminho pela frente – estamos confrontados com questões realmente difíceis. Sabemos o que não queremos. Mas o que queremos? Que organização social pode substituir o capitalismo? Que tipo de novos líderes queremos?
Lembrem-se, o problema não é a corrupção ou a ganância, o problema é o sistema. Tenham cuidado, não só com os inimigos, mas também com os falsos amigos que já estão a trabalhar para diluir este processo, do mesmo modo que quando se toma café sem cafeína, cerveja sem álcool, sorvete sem gordura.
Vão tentar transformar isto num protesto moral sem coração, um processo descafeinado. Mas o motivo de estarmos aqui é que já estamos fartos de um mundo onde se reciclam latas de coca-cola ou se toma um cappuccino italiano no Starbucks, para depois dar 1% às crianças que passam fome e fazer-nos sentir bem com isso. Depois de fazer outsourcing ao trabalho e à tortura, depois de as agências matrimoniais fazerem outsourcing da nossa vida amorosa, permitimos que até o nosso envolvimento político seja alvo de outsourcing. Queremos de volta.
Não somos comunistas, se o comunismo significa o sistema que entrou em colapso em 1990. Lembrem-se que hoje os comunistas são os capitalistas mais eficientes e implacáveis. Na China de hoje, temos um capitalismo que é ainda mais dinâmico do que o vosso capitalismo americano. Mas ele não precisa de democracia. O que significa que, quando criticarem o capitalismo, não se deixem chantagear pelos que vos acusam de ser contra a democracia. O casamento entre a democracia e o capitalismo acabou.
A mudança é possível. O que é que consideramos possível hoje? Basta seguir os média. Por um lado, na tecnologia e na sexualidade tudo parece ser possível. É possível viajar para a lua, tornar-se imortal através da biogenética. Pode-se ter sexo com animais ou qualquer outra coisa. Mas olhem para os terrenos da sociedade e da economia. Nestes, quase tudo é considerado impossível. Querem aumentar um pouco os impostos aos ricos? Eles dizem que é impossível. Perdemos competitividade. Querem mais dinheiro para a saúde? Eles dizem que é impossível, isso significaria um Estado totalitário. Algo tem de estar errado num mundo onde vos prometem ser imortais, mas em que não se pode gastar um pouco mais com cuidados de saúde.
Talvez devêssemos definir as nossas prioridades nesta questão. Não queremos um padrão de vida mais alto – queremos um melhor padrão de vida. O único sentido em que somos comunistas é que nos preocupamos com os bens comuns. Os bens comuns da natureza, os bens comuns do que é privatizado pela propriedade intelectual, os bens comuns da biogenética. Por isto e só por isto devemos lutar.
O comunismo falhou totalmente, mas o problema dos bens comuns permanece. Eles dizem-nos que não somos americanos, mas temos de lembrar uma coisa aos fundamentalistas conservadores, que afirmam que eles é que são realmente americanos. O que é o cristianismo? É o Espírito Santo. O que é o Espírito Santo? É uma comunidade igualitária de crentes que estão ligados pelo amor um pelo outro, e que só têm a sua própria liberdade e responsabilidade para este amor. Neste sentido, o Espírito Santo está aqui, agora, e lá em Wall Street estão os pagãos que adoram ídolos blasfemos.
Por isso, do que precisamos é de paciência. A única coisa que eu temo é que algum dia vamos todos voltar para casa, e vamos voltar a encontrar-nos uma vez por ano, para beber cerveja e recordar nostalgicamente como foi bom o tempo que passámos aqui. Prometam que não vai ser assim. Sabem que muitas vezes as pessoas desejam uma coisa, mas realmente não a querem. Não tenham medo de realmente querer o que desejam. Muito obrigado.
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Qual juventude?

 Um comentário de quem conhece o tema 

Que juventude?
É comum lermos formulações sobre os gargalos do desenvolvimento do Brasil. Não há estudo ou matéria jornalística que não elenque o tema da formação educacional e qualificação profissional dos jovens como problema a ser enfrentado para o Brasil crescer de maneira sustentável. É também comum vermos jovens estampados nas capas dos jornais em matérias sobre tráfico e consumo de drogas ou violência urbana. Adolescentes assassinos rendem semanas de campanha pela redução da maioridade escolar. Mau desempenho brasileiro nas avaliações educacionais também. Mas, concretamente, que projeto temos para a juventude brasileira e o que a juventude quer para si?
Abaixo discorro sobre polêmicas envolvendo o recém aprovado Estatuto da Juventude. Fiquei surpresa com o impacto de sua aprovação na mídia. Mais ainda com o ataque a essa legislação que trata de enfrentar problemas tantas vezes denunciados pela própria mídia. Vou às questões.
- de onde surgiu esse relatório?
O projeto aprovado tramita há sete anos na Câmara. Foi objeto de duas comissões especiais. Ambas foram presididas pelo deputado Tucano Lobbe Neto e relatas pelo deputado Reginaldo Lopes e depois por mim.
Esse relatório foi construído por mais de vinte deputados e contou com a MAIOR PARTICIPAÇÃO POPULAR DA HISTÓRIA (com base no portal edemocracia). Depois disso, o Plenario da câmara aprovou por unanimidade. Ou seja, todos os deputados concordaram.
Não existe o relatório da Manuela. Ele é da Câmara.
- Jovem até os 29?!?
Segundo a ONU são jovens aqueles com até 29 anos de idade. Como e por que? Juventude é fase construída socialmente. E a principal característica é ser a etapa de preparação para a vida que levaremos por todo o período em que seremos adultos. Por isso, o recém aprovado Estatuto da juventude trabalha com três momentos: jovens adolescentes, jovens e jovens adultos. Não são todos iguais. Mas são etapas complementares preparatórias para a vida adulta.
Esse é o reconhecimento por parte do Estado de que existe sim uma fase preparatório, que essa fase é distinta. Como é distinta a vida adulta ou a terceira idade.
-quais direitos?
O Estatuto conta com mais de 40 artigos. Uma parte de direitos e outra de consolidação do sistema nacional de juventude (deixando de ser vontade de governos e passando a ser de Estado).
A primeira parte chamou atenção pela meia entrada. As demais foram solenemente ignoradas pela mídia.
Vejam só:
a meia entrada tomou essa proporção em função das negociações com a FIFA. Mas seria correto o congresso parar de fazer leis em função de 40 dias de evento? Não. Além disso, a parte é genérica, deixando claro que precisaremos regulamentar. Um debate inicial! Terá subsidio? Eu defendo que sim. Como será executado? Temos que discutir. Mas não é brincadeira. Basta dizer que a meia entrada pode voltar que os ataques são cruéis. Como de fosse um CRIME garantir a educação integral para a juventude. Mas não é dessa juventude que cobramos qualificação, formação, nível intelectual? Acaso sabemos que a maior parte não freqüenta estabelecimentos culturais por falta de dinheiro?
Acho super justa a preocupação com elevação de preços para os demais. Por isso defendo subsidio. Mas não seria legal os jornalistas terem me perguntado?
A segunda polêmica girou em torno da meia passagem. Acaso não sabem que grande parte da evasão escolar é por causa do transporte? Acaso não sabem que a lei não garantia transpore para ensino médio e superior? Acaso não sabem que a medida que garantimos vagas em escolas técnicas e ensino superior (com Prouni, por exemplo) aumenta a problema desses jovens com transporte público? Acaso leram o texto? Não me parece.
Enquanto isso A aprovação do Estatuto, além do que representa para a juventude do País, representa um grande avanço e mostra a superação de um antigo entrave.
Falo do acordo inédito que construímos entre a bancada evangélica e a bancada que defende os direitos da comunidade LGBT no Congresso.
A aprovação do texto – elaborado com todas as bancadas e aprovado com consenso – permitiu que, pela primeira vez na história da Câmara, viabilizássemos um acordo entre as duas bancadas.
O concerto que conquistamos – com muito diálogo, interlocução, que representa e respeita o que defendem os dois grupos – vira uma página da nossa história. O resultado: superamos antigas barreiras e mantivemos no texto o combate ao preconceito e a inclusão da educação sexual nas escolas. Ou seja, garantimos constitucionalmente – também pela primeira vez –direitos para a comunidade LGBT. Evangélicos e comunidade LGBT chegaram a um entendimento que nos conduz a um novo patamar em função de um objetivo maior e comum a todos: reconhecer a importância do Estado garantir direitos e políticas públicas para os jovens brasileiros.
Quem viu isso? Quem deu essa notícia? não li.
Por isso gente, peço atenção ao que lêem. Enfrentar interesses poderosos não é fácil.
E, estranhamente, quando surge uma legislação que não trata aos jovens como bandidos ou marginais muitos caem em cima. Pensem. Porque será?
Que juventude querem? Eu quero aquela livre!
Manuela D'Avila, deputada federal do PC do B do Rio Grande do Sul
No BoladeMeiaBoladeGude
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O estatuto do absurdo

 Um comentário de quem desconhece o tema 

Com uma definição elástica para classificar jovens, que se estende até os 29 anos, o Estatuto da Juventude aprovado pela Câmara dos Deputados traz mais absurdos do que o festival de meias-entradas que criou polêmica durante a semana.
Estrategicamente inclusos entre seus 60 artigos estão a adoção de cotas para o ensino superior, elegantemente chamada de políticas afirmativas, matéria que deveria, no mínimo, ser objeto de emenda constitucional, e outros ardis que parecem pouco, mas não são.
Entre eles, a destinação obrigatória de 30% dos recursos do Fundo Nacional de Cultura para projetos voltados a jovens, sabe-se lá o que isso quer dizer. Traz ainda, como era de se prever, regras para a mídia: a criação em redes de rádio e televisão de horários especiais voltados para a realidade social do jovem. Outra incógnita.
Nas meias-entradas, a discussão girou quase que exclusivamente em torno da Copa 2014. Mas é muito mais do que isso. Intromete-se nas esferas estadual e municipal, tanto no que diz respeito aos ingressos para eventos artístico-culturais quanto no transporte público. Esse, aliás, um privilégio difícil de justificar.
Jovens estudantes passam a pagar 50% das passagens intermunicipais e interestaduais, independentemente da finalidade da viagem. Um estranho benefício que obriga os acima de 30 a custear o transporte até de marmanjos de 29 anos.
Não menos absurdo é garantir aos designados como jovens-adolescentes (15 e 16 anos), jovens-jovens (18 a 24 anos) e jovens-adultos (25 a 29 anos) direitos assegurados a todos os indivíduos, jovens ou não. Reescreve-se nos artigos, parágrafos e incisos que os jovens não serão discriminados por etnia, raça, cor de pele, cultura, origem, idade, sexo. Garante-se ainda a liberdade de reunião, de idéias e de expressão. Ora, estranho seria se não assegurasse o que a Constituição já consagra.
A lei, que ainda terá de ser votada pelo Senado, define dezenas de obrigações do Estado. Põe no papel um país imaginário. Muito distante do país que na mesma semana da aprovação do estatuto viu os resultados pífios do ProJovem.
Nos últimos seis anos, o programa federal destinado a resgatar jovens que estão fora da escola torrou R$ 3 bi. Na versão urbana, formou menos de 210 mil alunos, apenas 38%. Na área rural, 59 mil, só 1%. Com fiscalização perto de zero, há desvio de recursos, indícios de corrupção.
Nada que um estatuto resolva.
O Brasil é uma nação jovem, uma democracia jovem. Assim como muitos jovens, usa a juventude para justificar seus tropeços. E abusa nos piores vícios. Nada que um estatuto resolva.
Mary Zaidan, jornalista, trabalhou nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo, em Brasília. Foi assessora de imprensa do governador Mario Covas em duas campanhas e ao longo de todo o seu período no Palácio dos Bandeirantes. Há cinco anos coordena o atendimento da área pública da agência 'Lu Fernandes Comunicação e Imprensa, @maryzaidan
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Placar da Fome: Brasil é tricampeão

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Há pouco mais de uma semana do Dia Mundial da Alimentação, a ActionAid lança seu Placar da Fome, que faz a classificação dos países que melhor estão combatendo as crises alimentar e climática.
Pelo terceiro ano consecutivo o Brasil ocupa o primeiro lugar de um ranking de 28 países analisados.
Esse ano, o estudo On the brink: who´s really fighting the looming climate and hunger crisis? analisou apenas os países em desenvolvimento a partir de seu preparo e capacidade para erradicar a fome e a desnutrição em um contexto de três crises concomitantes: volatilidade dos preços dos alimentos; exaustão dos recursos naturais e mudanças climáticas. O estudo comparou os compromissos legais, apoio à agricultura familiar e sustentável, proteção social, e equidade de gênero e planos de adaptação à mudança climática. O placar também analisou quais os países mais vulneráveis aos efeitos dos preços, exaustão de recursos e mudanças climáticas, sendo o Brasil um dos seis menos vulneráveis.
Nas edições anteriores desse placar da fome, em 2009 e 2010, o Brasil também foi considerado o país em desenvolvimento com maior progresso.
O país conquistou o primeiro lugar devido a combinação de suas políticas de proteção social, com o resgate de 40 milhões de pessoas da pobreza; marco legal com a inclusão do Direito à Alimentação na Constituição Federal e a criação do Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional; apoio a agricultura familiar, com uma dotação de 16 bilhões de reais para o plano safra 2011-2012 da agricultura familiar; e plano para adaptação a mudanças climáticas.
Apesar de importantes progressos como o investimento em agricultura familiar, que produz 70% dos alimentos consumidos pela população, é preciso avançar mais na distribuição de terra e no controle do desmatamento, onde amargamos recordes muito negativos”, analisa Adriano Campolina, Coordenador Executivo da ActionAid Brasil.
O Brasil possui uma das distribuições mais desiguais do mundo. Cerca de 3,5% dos proprietários detém 56% da terra arável, enquanto os 40% mais pobres mal possuem 1%. Além disso, 75% ds emissões brasileiras de gases de efeito estufa são causadas pela destruição das florestas.
“Para de fato vencer a fome e proteger quem produz alimentos, o governo brasileiro deve promover um modelo de desenvolvimento que coloque limite à expansão indiscriminada e não regulada do agronegócio, controle a destruição das nossas florestas, redistribua terra e particularmente garanta que a produção de agrocombustíveis não aumente os preços nem concorra com a produção de alimentos”, conclui Campolina.
Desafios para o mundo
A conclusão do Placar da Fome 2011 é que estamos prestes a enfrentar um forte agravamento da situação da fome no planeta. São mais de um bilhão e meio de pessoas sob risco de crise alimentar causada pelo clima. Existe também a previsão de um novo aumento dos preços dos alimentos, que deverá levar mais de 44 milhões à pobreza. A crescente demanda por biocombustível, produzido a partir de trigo, soja, milho e cana-de-açúcar, significa que os preços dos alimentos continuarão subindo a menos que países ricos encontrem fontes alternativas de energia.
As previsões de alterações climáticas são alarmantes e têm o potencial de inviabilizar ganhos impressionantes referentes ao setor agrícola do país, como a diminuição drástica na escala da produtividade. O impacto disso será sentido em nível global, uma vez que o Brasil é o principal exportador de café, carne bovina, soja, suco de laranja, e outros produtos agrícolas.
O que fazer
No Brasil
O país ainda possui 16 milhões de pessoas na miséria. Ainda é necessário avançar na consolidação de políticas de proteção social e segurança alimentar e nutricional e aprofundar o apoio aos agricultores familiares com melhor acesso a crédito e assistência técnica, recursos hídricos adaptados ao semiárido e ampliação de mercado para a produção desse setor. Sobretudo, é preciso investir mais em um modelo sustentável de agricultura que respeite o meio ambiente e evite o agravamento de efeitos climáticos adversos.
Cinco passos para acabar com a fome no Brasil:
  • Ampliar proteção social para incluir os 16 milhões de pessoas em pobreza extrema com políticas adequadas e desenhadas para elas.
  • Ampliar e aprimorar o apoio a agricultura familiar, com melhor acesso a crédito e assistência técnica, sobretudo com foco em agricultura sustentável.
  • Fazer a reforma agrária.
  • Evitar a flexibilização do código florestal, que aponta para insustentabilidade ambiental.
  • Conter a expansão desregulada de monoculturas como cana-de-açúcar e soja.
  • Conter o desmatamento, que responde por 75% das emissões brasileiras de gases de efeito estufa.
O Brasil também deve usar sua liderança no plano internacional para defender políticas globais de combate à fome baseadas no apoio a produção agrícola local por agricultores de pequena escala; formação de estoques de alimentos nacionais e regionais; e regulação dos mercados para evitar especulação com preços dos alimentos.
No mundo
Internacionalmente, os líderes mundiais, a se reunirem no próximo mês para o G20, devem incluir a crise no topo da agenda, e dar passos concretos em relação às seguintes medidas:
  • Aprovar planos nacionais que sejam suficientemente ambiciosos, que estejam focados no apoio aos agricultores pobres, principalmente mulheres, e que venham acompanhados de programas de proteção social para garantir que as famílias não sucumbam quando os preços sobem ou as colheitas são perdidas.
  • Proteger a frágil base de recursos naturais da qual depende nossa segurança alimentar, com apoio a agricultura sustentável.
  • Eliminar metas de biocombustíveis que estão causando grilagem de terras na África, Ásia e Américas.
  • Criar soluções amortizadoras da crise dos preços dos alimentos, tais como programas de proteção social e estoques de alimentos nacionais e regionais.
  • Deter o caos gerado pelas mudanças climáticas, com uma redução de pelo menos 40% das emissões dos países desenvolvidos até 2020 e aumento do seu compromisso de financiamento com, no mínimo, US$ 200 bilhões anuais, e mudar a estratégia em relação aos biocombustíveis, eliminando as metas e subsídios de produção que colocam em risco a segurança alimentar e oferecem pouco ou nenhum benefício ambiental.
No ActionAid
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Voto Obrigatório e Voto Facultativo

Pelo voto obrigatório
Recentemente, discuti com jovens estudantes, em Belo Horizonte, o livro que escrevi com Mário Sérgio Cortella, Política: para não ser idiota. Sabemos que hoje se debate a reforma política. Para os partidos, a questão principal é como eleger os deputados. Para os cidadãos, as questões principais são a da fidelidade partidária, que o Judiciário acabou impondo, e a do voto obrigatório ou não. Os jovens a quem falei, tendo na sua maioria entre 17 e 19 anos, racharam pela metade na questão do voto. Dos dois lados, argumentaram bem. Este mês, exponho aqui argumentos a favor do voto obrigatório. Na próxima coluna, defenderei o voto facultativo. (leia a seguir)
Por que o voto, que é direito, seria também obrigação? Porque é a principal expressão de uma sociedade democrática. A democracia é o regime no qual o cidadão tem mais liberdades. Mas essas liberdades não caem do céu. São construídas por nós. "Nós" quer dizer: todos nós. A democracia é o único regime em que todos são iguais em direitos. Ou seja, todos os eleitores são considerados adultos, maiores de idade. O poder é conferido pelos cidadãos. Por isso, a democracia não admite pa ter na lismo, condescendência, clien te lismo. Cidadão é quem participa ativamente da construção da cidade - civitas, pólis - isto é, do Estado. É o contrário do súdito, o subdictus, aquele que está debaixo do dizer alheio. Nas monarquias, despotismos e ditaduras, há alguém que supostamente protege ou cuida dos outros. Já os cidadãos, sendo iguais, não podem ser tutelados. Não podemos ser tratados como crianças. O chefe de governo não é pai da pátria nem dos cidadãos.
Assim, na democracia, temos responsabilidade. Se não quisermos votar por acharmos a política ruim, corrupta, insatisfatória, estaremos errados. Porque a quem posso responsabilizar, se a política é má? Cabe a "nós" mudá-la. Se ela é assim, é porque a deixamos ser assim. Pode até ser que nossa política esteja mal devido a problemas do passado; mas, mesmo assim, o futuro é nossa responsabilidade. Não escolhi o passado político nem pessoal, porque não escolhi nascer rico ou pobre, bonito ou feio; mas depende de mim o que, de agora em diante, farei com isso. Então, se meu país vai mal, cabe a nós mudá-lo para melhor. Daí que votar seja uma obrigação ética. Daí que votar seja apenas um indicador de uma obrigação ética mais abrangente, que é de participar da vida pública o mais possível.
Estas são razões fortes pelo voto obrigatório. Em função delas, pelo menos 20 países obrigam a votar, entre eles, Austrália, Bélgica, Costa Rica, Itália. Na maior parte deles, é verdade que não há punição para quem se abstém. O dever é moral. Mas, como se vê, não é só no Brasil que há o voto obrigatório, e há bons argumentos em seu favor.
Temos também um aspecto prático, pragmático. Em países onde há forte desigualdade social, como nos Estados Unidos, o voto facultativo gera um círculo vicioso. Quem não vota - negros, hispânicos, pobres, semianalfabetos - acaba não sendo representado. Os políticos não têm interesse em defender os interesses dos não eleitores. Assim, esses vão ficando cada vez mais excluídos - e, excluídos, votam ainda menos. É por isso que existe nos EUA um movimento pelo voto obrigatório: ele levaria a uma inclusão social maior dos mais pobres.
Vemos, portanto, razões tanto teó ricas quanto práticas para defender a obrigatoriedade do voto, por antipática que seja a uma parte da população. Mas, para equilibrar as coisas, na próxima coluna vamos ver como se justifica o voto facultativo. Não é uma questão de certo ou errado. E, como é um tema candente, vale a pena aprofundar a discussão.
Renato Janine Ribeiro é professor titular de ética e filosofia política na Universidade de São Paulo (USP) 
~ o ~
Experimentar o voto facultativo
Reforma política é um assunto de que se fala com frequência, mas nunca se sabe bem de que se trata. Na verdade, porém, temos no Brasil apenas duas ou três reformas políticas, se tanto, que realmente estão no horizonte. Uma é a dos partidos e analistas políticos: como eleger os deputados federais, pergunta-se. Mudar sua forma de escolha acarretaria, espera-se, melhor representação e, sobretudo, menos corrupção. Daí que esse tema esteja ligado à questão do financiamento eleitoral. O PSDB defende o voto distrital, o PT a manutenção do voto proporcional, só que em lista fechada. A reforma política que provém dos partidos resume-se nisso. Voltaremos a ela, numa próxima coluna.
Porque há outra "reforma política", nunca formalizada, de poucas chances, mas que vem de baixo para cima - ou, pelo menos, aparece em cartas de leitores e em conversas de bar. Não é assumida pelos partidos. Aliás, não é apenas uma, são duas reformas políticas. A primeira já está valendo. É a fidelidade partidária. Não por acaso, o Congresso nunca a regulamentou, apesar de constar da Constituição. Foi regulada pelo STF. Falta, claro, aplicá-la; por ora, não passa de palavras.
A outra é o voto facultativo.
Votar deve ser obrigação ética, não punitiva
Não quer dizer que as mesmas pessoas defendam a fidelidade partidária e o voto facultativo. Creio que, em nome da ética, a grande maioria dos eleitores é a favor de que o eleito não saia do partido pelo qual foi escolhido. Por sinal, essa é a única reforma política que é ética de ponta a ponta. Com raras exceções, não há como defender que uma pessoa se eleja pela oposição e passe para o governo.
Já no caso do voto facultativo, não sei qual a sua popularidade. É o preferido dos leitores que escrevem aos jornais, o que é um indicador interessante. Mas muitos desses eleitores, provavelmente de classe média, parecem mais empenhados, não em ter o direito de não votar, mas em que os pobres não votem. Já li cartas afirmando que, se o voto fosse facultativo, quem "não tem consciência política" não votaria. Obviamente, quem "não tem consciência política" é simplesmente quem discorda de nós... Esse é um discurso velho, conservador, que lembra o século XIX, quando se temia que uma maioria de pobres mexesse nas leis tributárias, no orçamento, em suma, na desigualdade.
Uns meses atrás, discutindo com 200 alunos do cursinho vestibular Pré-Federal, em Belo Horizonte, vi que a maioria deles era pelo voto obrigatório - não uma enorme maioria, mas uma maioria clara. É um dado interessante.
Mesmo assim, creio que poderíamos tentar uma experiência com o voto facultativo. Nosso país não é o único a ter o voto obrigatório. Austrália, Bélgica, Costa Rica, Itália também o têm. Mas, em sua maior parte, eles não punem os que deixam de votar. Já o Brasil os castiga com um penduricalho de restrições mesquinhas, como por exemplo a dificuldade para tirar passaporte. Penso que, de duas uma: ou o voto é tão importante, para que todos construam a coisa pública, a "res publica", que deveríamos punir seriamente quem não vota - por exemplo, impondo uma semana de trabalho numa ONG - ou então o melhor é largar os penduricalhos e investir no caráter fortemente ético da obrigação cívica. Não há democracia sem cidadãos. Portanto, devemos ensinar a todos, desde cedo, que defender a república é uma obrigação - ética - de todos.
Poderíamos fazer um teste. Manteríamos o voto obrigatório na Constituição. Ela não prevê punições, que estão em leis, as quais foram somando as pequenas restrições a que aludi (e uma multa irrisória). Mas suspenderíamos as leis punitivas por um ciclo eleitoral, isto é, por um ano de eleições municipais e outro de eleições gerais. E veríamos no que dá.
Será que realmente despenca a participação eleitoral, com o voto facultativo? Não sei. É consenso que votamos com mais ânimo para o Executivo do que para o Legislativo - mas, como se trata da mesma eleição, a abstenção sempre será a mesma. Mas o importante é pôr os partidos para trabalhar. Como disse em coluna anterior, hoje eles têm a reserva de mercado de nosso voto. Temos que votar; portanto, em quem votamos? Já se os partidos tiverem de se empenhar para mostrar aos eleitores que o voto é importante e traz resultados, a mudança terá valido a pena.
É claro que teria de haver punições severas, para quem tentasse impedir alguém de votar - inclusive de forma indireta, por exemplo, induzindo ou instigando o eleitor a trabalhar o dia inteiro das eleições. Mas, se conseguirmos manter um índice elevado de participação eleitoral, o resultado será precioso: enfatizaremos o caráter ético e não punitivo da obrigação eleitoral, promoveremos uma grande pedagogia cívica e, finalmente, teremos certeza de que as pessoas votam por convicção. Acredito, aliás, que será baixo o número de abstenções. Justamente devido à obrigatoriedade, temos longa tradição de voto. Creio que a obrigação legal de votar completou seu papel, e pode, hoje, se tornar um dever puramente ético.
Insisto: seria bom tratar-se de uma experiência. A lei suspenderia as punições por duas eleições sucessivas. Depois, as sanções voltariam a vigorar - salvo o caso de nova lei, que as suprima em definitivo. Assim, os defensores do voto obrigatório nada teriam a temer. O ônus de aprovar o fim definitivo das punições será de quem quiser extingui-las. Se não houver uma lei nova após quatro anos, retorna-se ao statu quo da obrigatoriedade. E poderemos testar todos os riscos dessa mudança - que, com certeza, será mais comentada nas cartas de leitores do que tem sido o debate entre o voto distrital e a lista fechada.
Renato Janine Ribeiro é professor titular de ética e filosofia política na Universidade de São Paulo.
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Charge online - Bessinha - # 851

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Dilma envergonha o país na Europa

É impressionante a capacidade que certas pessoas tem de meter o bedelho onde não são chamadas e infelizmente no Brazil essa característica é mais acentuada.
Depois do Apedeuta nonadélico que passeou pela Europa usurpando títulos, diplomas, prêmios e polpudas gratificações por onde passou, legitimamente pertencentes a FHC, agora é a vez de sua títere também dar seus pitacos em assuntos que não lhes devem respeito.
Quando o tema é economia do lar todos nós homens bons sabemos perfeitamente que as donas de casa são campeãs, exceto quando tem um cartão de crédito ou conta em lojas de roupas intimas (como a Gisele), mas quando o assunto é finanças internacionais somente os homens com diploma de curso superior e MBA entendem o assunto.
Pois bem , em mais uma cena vergonhosa para nossa nação a búlgara que usurpou o poder do mais preparado dos economistas resolveu dar conselhos sobre economia e como superar a pseudo - crise econômica no primeiro mundo. Como se ela realmente entendesse de mercado e finanças internacionais, citando até o Brazil das décadas de 80 e 90, que diga-se de passagem foi bem governado naqueles saudosos anos (que saudades do over night), quando Bresser , Malan e cia sabiam oque era bom para nossa economia e implementavam as medidas certas para garantir o bom desempenho da economia, a baixa inflação e o emprego pleno. A nação está horrorizada diante da falta de discrição e insubmissão perpetrada por vil criatura, que só porquê sabe fazer uma omelete acha que tem gabarito para tratar de economia com grandes administradores.
Penso eu como deve ter ficado constrangido o primeiro ministro belga ao ouvir tais despautérios.
Com certeza os bons homens de olhos azuis e alva tez já possuem a fórmula para debelar todas e quaisquer crises que possam surgir no horizonte e não precisam dos conselhos tupiniquins , ao invés de se preocupar com a vida econômica alheia, Dilma deveria voltar para o Brazil, passar uma semana no salão de beleza e depois tentar controlar o monstro da inflação, o desemprego recorde e outras mazelas que permeiam seu desgoverno, e vou mais além, deveria ela demitir o Mantega e chamar Dom FHC que entende tudo de economia e um pouco mais, assim este país teria salvação.
Por T. Mello Rego
No Prof. Hariovaldo Almeida Prado
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Pegos na Black Ops, Sheik, Latino e Belo têm histórico de encrencas

Sheik, do Corinthians, já é investigado por lavagem de dinheiro; Diguinho tem passado de brigas em boates; Latino sofre acusação por estupro, cujo processo corre em segredo de Justiça; e Belo só está livre pelo regime de progressão
“Sou um atleta e não um maloqueiro. Sou um trabalhador. Foi tudo esclarecido”, disse o jogador Emerson Sheik, titular do Corinthians, em entrevista ao jornal O Globo. O jogador corintiano, o volante Diguinho, do Fluminense, o meia Kleberson, do Atlético Paranaense, e os cantores Latino e Belo tiveram seus carros confiscados na sexta-feira, 7, durante a maior operação realizada pela Polícia Federal este ano no país – a Black Ops.
A megaoperação resultou na prisão de ao menos 13 pessoas, entre elas três PMs e um israelense procurado pela Justiça americana sob acusação de lavagem de dinheiro e tráfico de drogas. De acordo com as investigações, a quadrilha importava carros usados e os vendia como novos, para lavar dinheiro obtido com a exploração de caças-níqueis. Os veículos vinham dos Estados Unidos e eram importados ilegalmente.
Não é a primeira vez que Emerson Sheik tem problemas com a Polícia Federal. No dia 20 de janeiro de 2006, Sheik foi preso por agentes da Polícia Federal no Aeroporto Internacional Tom Jobim, na Ilha do Governador, no Rio de Janeiro, quando tentava embarcar para os Emirados Árabes com documentos falsos. Em uma certidão de nascimento falsa, que foi usada para emitir o passaporte, havia a informação de que ele nascera em 6 de dezembro de 1981, em Nova Iguaçu, com o nome Márcio Emerson Passos, mas sua certidão de nascimento original diz que ele nasceu em 6 de setembro de 1978, com o nome Márcio Passos de Albuquerque. A justiça brasileira pediu a quebra de sigilo fiscal do jogador, que também é acusado por lavagem de dinheiro. Os crimes de lavagem de dinheiro e evasão de divisas podem levar a penas que variam de dois a dez anos.
Entre os envolvidos na operação, o cantor Belo tem o maior histórico de problemas com a justiça. Ele foi acusado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro por envolvimento com traficantes cariocas. Em 30 de dezembro de 2002, Belo foi condenado a oito anos de prisão — por tráfico de drogas, associação para o tráfico e porte ilegal de armas. O cantor cumpriu pena em regime fechado. Em março de 2006 foi concedido a progressão para o regime semi-aberto.
A vida polêmica do cantor Latino continua movimentando as colunas de fofocas. Ele também já esteve envolvido em escândalos policiais. Em julho do ano passado, Latino foi acusado de estupro pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais. O caso teria acontecido após um show na cidade de Liberdade, quando uma menor de 13 anos teria sofrido abusos cometidos por ele em seu camarim. A investigação corre em segredo de Justiça. Caso Latino venha ser condenado, a pena pode variar entre oito e 15 anos de reclusão.
Os escândalos protagonizados pelo volante do Fluminense, Diguinho, também são frequentes no mundo do futebol. Em novembro do ano passado, durante a festa de aniversário do goleiro Fernando Henrique, Diguinho se envolveu em uma discussão que culminou numa briga com três rapazes. Os homens agrediram o volante, que acabou machucando a mão. Os rapazes não prestaram queixa, mas o jogador chegou a ser advertido pela diretoria do clube. Frequentador assíduo da noite carioca, Diguinho foi agredido por torcedores durante um treino do Fluminense, em novembro de 2009. Cerca de 30 integrantes de uma facção organizada do time carioca invadiram o campo das Laranjeiras para cobrar o volante. Na confusão, Diguinho levou um soco no estômago.
A trajetória do meia Kleberson, outro acusado de ter comprado um carro de luxo da quadrilha desbaratada, é marcada por hábitos discretos. O jogador foi revelado pelo Atlético-PR. Em 2004, foi vendido para clube inglês Manchester United, onde tornou-se o primeiro jogador brasileiro da agremiação. Dois anos mais tarde, retornou ao Brasil, de contrato assinado com o Flamengo. Durante o Campeonato Brasileiro deste ano, o jogador foi emprestado para o clube que o revelou. O mandado de apreensão do carro do jogador foi cumprido às 6h na casa dele – e surpreendeu a todos. O carro de Kleberson, um modelo Jeep Hummer, que teria sido importado ilegalmente dos Estados Unidos, foi levado para a Receita Federal. Segundo a assessoria da PF, Kleberson teria agido de "boa fé" e atendido tranquilamente o pedido dos policiais.
A investigação da operação Black Ops contou com o apoio de agências de inteligência de Israel, da Inglaterra e dos Estados Unidos. De acordo com agentes da Polícia Federal, entre os veículos apreendidos estão uma Lamborghini e um Ford Mustang 500. Os veículos foram encaminhados à Receita Federal e ficarão à disposição da Justiça.
Manuela Menezes
No Brasil 247
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