5 de out de 2011

O triste fim do neurologista "milagroso" criado pela Veja

O jornalismo irresponsável da Veja transformou o médico José Roberto Pagura em milagroso, no maior neurologista brasileiro, no homem capaz de ressuscitar condenados. Criou-se essa lenda a partir de dois engodos criados pelo próprio Pagura: o suposto salvamento da modelo Cláudiz Liz, vítima de um ataque anafilático, e o suposto salvamento de Osmar Santos, vítima de acidente de automóvel.
Para incensá-lo, a revista não se pejou de tentar destruir duas reputações: a da Clínica Santé (que salvou de fato Cláudia Liz) e a Santa Casa de Lins (que salvou Osmar Santos).
Na época denunciei as duas tramas.
Luis Nassif
Ex-secretário de Esportes de São Paulo é indiciado por formação de quadrilha
Pagura, que é médico, também responderá por falsificação de documentos; ele é acusado de ter recebido por plantões que nunca deu em hospital de Sorocaba
Pagura deixou o governo de São Paulo
após denúncia de fraude
Ayrton Vignola/AE
José Maria Tomazela / SOROCABA, SP - O Estado de S.PauloO ex-secretário de Esportes, Lazer e Juventude do Governo de São Paulo, o neurocirurgião Jorge Roberto Pagura, foi indiciado nesta quarta-feira, 5, no inquérito que apura fraudes em licitações e pagamentos indevidos por plantões médicos no Conjunto Hospitalar de Sorocaba (CHS). Pagura foi ouvido por promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) na sede do Ministério Público de São Paulo. Ele saiu da audiência sem dizer nada, por orientação de seu advogado, que entende que a investigação é nula. De acordo com o MPE, Pagura responderá a inquérito pelos crimes de formação de quadrilha e falsificação de documentos. O advogado Frederico Crissiuma de Figueiredo alega que ele não cometeu nenhuma irregularidade.
O médico é acusado de ter recebido por plantões que nunca deu no hospital de Sorocaba. As fraudes causaram as prisões de 12 pessoas em junho deste ano - todas foram libertadas dias depois e respondem ao inquérito em liberdade. Pagura não foi preso, mas assim que as investigações se tornaram públicas, ele pediu demissão do cargo ao governador Geraldo Alckmin. Durante as investigações o ex-secretário foi apanhado numa escuta telefônica conversando com o ex-diretor do CHS, Roberto Salim, sobre os plantões. Segundo a investigação, Salim propõe que Pagura assine o ponto de frequência em outro hospital. "O seu ponto está sob controle, mas daí vamos tomar cuidado. Semana que vem vamos pôr em algum lugar mais seguro", afirma Salim, durante a gravação.
A Polícia Civil também encontrou num armário da Diretoria Regional de Saúde de Sorocaba folhas de controle da frequência de Pagura nos plantões entre 2009 e 2010, mas ele não teria comparecido para dar expediente. De acordo com o advogado, seu cliente era secretário de Estado no período da investigação e só poderia ter seu sigilo telefônico quebrado pelo Tribunal de Justiça (TJ) de São Paulo, e não pela justiça de Sorocaba, como ocorreu. "Entendo que a investigação é nula e, se ele prestasse depoimento, estaria convalidando a ilegalidade", disse. Apesar disso, Crissiuma Filho juntou ao inquérito cópias dos esclarecimentos prestados por Pagura em sindicância aberta pelo Ministério da Saúde para apurar as denúncias. "Está bem claro ali que meu cliente nunca fez nem recebeu por plantões no hospital de Sorocaba. Ele era contratado para prestar assessoria na instalação de um centro de neurocirurgia e pediu a rescisão do contrato assim que foi nomeado para a Secretaria."
Promotores e delegados da Polícia Civil também ouviram nesta quarta em Sorocaba, o depoimento do ex-diretor do CHS, Sidney Abdalla, acusado da prática de irregularidades em licitações. Ele depôs na companhia de três advogados. Eles disseram que Abdalla não teve qualquer participação no esquema de fraudes e, desde o início, colabora com as investigações. O ex-diretor foi indiciado pelos crimes de favorecimento em licitações, prorrogação ilegal de contratos e formação de quadrilha. O inquérito, que já tem mais de 40 indiciados, deve ser enviado este mês à Justiça.
Leia Mais ►

Nicolelis fala sobre estudo publicado na Nature

O estudo publicado hoje na Nature demonstra com macacos que é possível recriar a sensação de textura através de microestimulação no córtex cerebral. Pode explicar como isso funcionaria em seres humanos?
A ideia é criar um sexto sentido. Ele vai possibilitar que o paciente recobre a sensação táctil ao usar uma veste robótica, podendo identificar o tipo de terreno que está pisando ou a textura de um objeto que segura com uma mão biônica. Nós treinamos o cérebro de dois macacos a aprender um novo código, para reconhecer texturas.
Como a nova descoberta será integrada à veste robótica que pode possibilitar que quadriplégicos voltem a andar?
A veste terá sensores de pressão que criarão um padrão, e esse padrão será traduzido em um estímulo elétrico proporcional a textura dos terrenos ou objetos. Tudo isso é entregue ao cérebro, que funciona como um reconhecedor de padrões e associa a nova sensação. Partindo da mesma lógica, outras pesquisas podem levar identificação da temperatura, por exemplo, tornando as próteses biônicas mais sensíveis.
O nosso experimento provou pela primeira vez que é possível criar uma interface cérebro-máquina-cérebro, possibilitando que criemos um exoesqueleto robótico para que pacientes paralisados possam receber feedbacks do mundo exterior e com isso recobrarem a sensação táctil através de sensores. Já havíamos feito uma previsão teórica de que isso era possível, mas ainda não havíamos feito uma demonstração que provasse, e isso muda com o estudo publicado na Nature. Vencemos um grande desafio tecnológico: os estímulos são enviados ao cérebro ao mesmo tempo em que registramos a atividade elétrica do córtex. Ao mesmo tempo que os sinais elétricos do cérebro podem ser usados para controlar o avatar do corpo, o órgão pode receber um feedback do que esse avatar encontra no espaço virtual.
Na pesquisa, os macacos controlaram com os sinais elétricos dos seus cérebros um cursor em um tela, que movimentaram e usaram para indicar padrões de textura. Houve algum estranhamento dos animas na interação direta com o computador?
Pelo contrário. Agora nós temos a evidência de que os animais assumem esses corpos virtuais como se fosse o corpo deles. Em poucos minutos eles já sentem que estão habitando esse novo corpo. Eles conseguiram identificar os padrões muito rapidamente, por isso acreditamos que seres humanos devem ter uma resposta ainda mais rápida. O cérebro gera um modelo que incorpora todas as ferramentas que ele usa e molda o corpo que é reconhecido como sendo próprio. Temos a confirmação disso com esse estudo, pois o animal passa a usar o corpo virtual realmente como se fosse o deles.
O que tudo isso muda no projeto Walk Again e no plano de fazer um tetraplégico dar o pontapé inicial da Copa do Mundo de 2014?
Estou propondo ao governo e tenho sinalização de eles querem participar de um projeto de seis anos para demonstrar o projeto Walk Again para o mundo, envolvendo a Copa do Mundo e as Olimpíadas a ser realizadas aqui no Brasil. Queremos fazer demonstrações gradualmente mais complexas do exoesqueleto robótico desenvolvido no Walk Again e que fará um tetraplégico voltar a andar.
Quais os próximos passos para a concretização do projeto?
O governo federal deve anunciar nos próximos dias um apoio para trazermos o projeto para Natal, para Campus do Cérebro. Lá nós já temos um avatar realístico do corpo completo de um macaco, agora teremos que criar um modelo igual para o ser humano. Com ele poderemos e treinar os pacientes quadriplégicos a interagir com um avatar do corpo. Será como o 'Flight Simulator' (jogo de simulação e treino para pilotos de avião) do avatar que será usado depois pela pessoa.
Leia Mais ►

Laicismo na Grécia

Abertura do Parlamento grego
Zeus protege a Grécia
Leia Mais ►

Grupo de parlamentares atua como partido religioso

João Campos: evangélicos e católicos
 se dão muito bem no Congresso
O Estado brasileiro é laico, o que significa, entre outras coisas, que política e religião não podem se misturar, mas na prática existe um partido pautado pelos líderes religiosos mais conservadores.
Esse partido religioso informal é formado por cerca de cem parlamentares católicos e evangélicos - uma bancada, portanto, significativa. Eles agem em conjunto no monitoramento de 368 projetos da Câmara e do Senado para influenciar sua tramitação não de acordo com o programa do partido legalmente constituído de cada um deles, mas por orientação de seus pastores e bispos.
Entre os projetos monitorados, destacam-se os que criminalizam a homofobia, a união civil entre homossexuais, abortos legais e a proposta de divórcio pela internet, com o mínimo de burocracia.
Os parlamentares religiosos abusam de recursos regimentais contra esses projetos, retirando-os de pauta ou rejeitando-os, em dois exemplos.
Eles se unem na defesa de outros projetos, como o do Estatuto do Nascituro, que prevê o pagamento de um salário mínimo a quem ficar grávida de estupro.
O deputado João Campos (PSDB-GO), coordenador da bancada evangélica, disse ao jornal O Globo que não há ou são muito poucas as discordâncias entre os parlamentares evangélicos e católicos.
“Foi-se a época em que nós nos estranhávamos no Congresso”, disse. “Hoje trabalhamos juntos na proteção da família e da vida.”
O “partido da religião” tem sido aceito com naturalidade pela Justiça Eleitoral e pela sociedade, com poucas vozes de indignação, como a da procuradora Simone Andréa Barcelos Coutinho.
Em recente artigo, ele afirmou que as representações religiosas no Congresso Nacional são incompatíveis com o Estado laico. “O Poder Legislativo é um dos Poderes da União; se não for o Legislativo laico, como falar-se em Estado laico?”
Leia Mais ►

Requião terá de indenizar Bernardo por danos morais

Ex-governador acusou ministro de ter proposto, em 2007, superfaturamento em uma obra ferroviária
A juíza da 3ª Vara Cível de Curitiba, Adriana de Lourdes Simette, condenou o senador Roberto Requião (PMDB-PR) a pagar indenização de R$ 40 mil, por danos morais, ao ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. No ano passado, como governador, Requião acusou Bernardo de ter proposto, em 2007, superfaturamento em uma obra ferroviária. Segundo ele, a obra custaria R$ 150 milhões e o então ministro do Planejamento teria falado em financiamento de R$ 550 milhões.
Requião falou sobre a denúncia em reunião 
transmitida ao vivo pela TV Educativa
Beto Barata - AE
"Não se pode admitir que estas pessoas públicas ajam de forma desconectada da realidade, criem factoides, lancem dúvidas, sem que antes haja um mínimo de fundamento fático para tal", disse a juíza na sentença. Requião divulgou a denúncia em reunião de secretários, transmitida ao vivo pela Televisão Educativa. Posteriormente, continuou a atacar Bernardo em redes sociais. Pelo mesmo assunto, Requião responde a ação criminal. Ele deve depor no dia 18 no Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo o advogado de Bernardo, Luiz Fernando Pereira, a sentença foi rápida porque a juíza não viu necessidade de novas provas, em razão de ter sido incluído no processo um documento enviado pelo governo estadual ao governo federal, pleiteando o mesmo valor citado pelo ministro. "Assim, se o próprio governo estadual divulgava valores de R$ 550 mil para a obra, relativo ao ano de 2007, o discurso de existência de superfaturamento por proposição semelhante que teria sido apresentada pelo autor perde totalmente qualquer lastro", disse a juíza.
A juíza também levantou dúvidas sobre as intenções do ex-governador em apresentar tardiamente a denúncia. "Deveria ter sido levado ao conhecimento dos órgãos de controle em 2007 e não apenas propagandeada às vésperas da definição do quadro de concorrentes para o Senado dentro do Estado do Paraná", afirmou. "O que se leva em conta é o requerido ter usado tal fato como argumento político para atacar a idoneidade pública do autor e, por consequência, afetar politicamente aquele ou algum membro de sua família".
A mulher de Bernardo, Gleisi Hoffmann, era uma das candidatas ao Senado, mesmo cargo pretendido por Requião. Ambos foram eleitos e Gleisi foi chamada para a chefia da Casa Civil da Presidência da República. A decisão ainda não foi publicada, mas cabe recurso. O advogado de Requião nessa causa, René Dotti, não estava no escritório hoje. O senador está em viagem ao exterior.
No Estadão
Leia Mais ►

A ponta do queixo

– Ju é incapaz de matar uma mosca – dizia a Marinei sobre seu marido Juvenal.
Não era elogio. Não era atestado da boa índole do Juvenal. Era crítica. Na última vez que tentara matar uma mosca com um jornal enrolado, o Juvenal quebrara um vaso que ela amava. E a mosca sobrevivera.
– Esse daí é uma plasta – dizia a Marinei, indicando o Juvenal com a ponta do queixo.
O que mais magoava o Juvenal era a ponta do queixo. O “esse daí” ele ainda aguentava. Depois de 15 anos de casamento, o “esse daí” era inevitável. O que doía mesmo era a ponta do queixo. Ele não merecia mais nem ser apontado com um dedo.
Ele pedia:
– Pare de me criticar em público, Marinei.
– Por quê? Nossos amigos todos sabem que você é uma plasta mesmo.
– Você não imagina do que eu sou capaz, Marinei.
– Imagino sim, Ju. Você é capaz de nada. Na-da.
Aquilo também magoava. “Nada” com as sílabas separadas. Aquilo doía. A Marinei ia ver.
Um dia, num bar, os dois numa mesa de quatro, veio um moço e sentou-se numa das cadeiras livres. E perguntou se a Marinei estava com alguém.
– Estou com ele – disse a Marinei, indicando o Juvenal com a ponta do queixo.
– Eu falei “alguém” – disse o moço.
O Juvenal pulou do seu lugar, pegou o moço pela frente da camisa e o arrastou até a entrada do bar, sob tabefes. Atirou-o na calçada e ainda o despachou com um pontapé na bunda. (Depois, quando Juvenal e o moço se encontraram para acertar as contas, o moço se queixou. O pontapé na bunda não tinha sido combinado. O pontapé na bunda era desnecessário). De volta à mesa, Juvenal encontrou a Marinei de olhos arregalados.
– Ju!
Ela não disse “meu herói!”. Mas seus olhos disseram.
Mas 15 anos de desdém são 15 anos de desdém, e os velhos hábitos morrem devagar, e bastou o Juvenal errar outra mosca com o jornal enrolado e quebrar o vidro da cristaleira para a Marinei chamá-lo de pamonha, paspalhão, imprestável, desastrado e, na frente dos amigos, apontá-lo com o queixo e dizer “Sabem o que esse daí andou aprontando desta vez?”
– Eu faço uma loucura, Marinei.
– Faz nada. Na-da.
– Olha que eu faço uma loucura!
– Que loucura? Que loucura?
Juvenal pensou na coisa mais louca que poderia fazer para impressionar a Marinei. Incapaz de matar uma mosca? Uma plasta? Ela ia ver do que ele era capaz. Iria matá-la. Era isso! A perseguiria como a uma mosca, com um ferro dentro de um jornal enrolado, e a mataria. Tudo para ver de novo a admiração em seus olhos.
Em tempo: Juvenal não conseguiu matar a Marinei, mas demoliu a casa tentando.
Luís Fernando Veríssimo
Leia Mais ►

Morre Steve Jobs, fundador da Apple

Leia Mais ►

Rio: população vai fazer “faxina" na TV Globo

A "lavagem da Rede Globo" faz parte das comemorações da Semana Internacional pela Democratização da Mídia, que acontece entre os dias 17 e 21 de outubro, com programação em todo o país. A “faxina” na Globo acontece na quarta (19), no Jardim Botânico, a partir das 13 horas. As pessoas estão sendo convidadas pelo Facebook .
Traga sua vassoura, seu cartaz e junte-se a nós!” Este é mote do evento, que promete: “a população do Rio de Janeiro fará a faxina que a Rede Globo merece.”
Os organizadores do ato são o RioBlogProg, FALE-Rio, UEE-RJ, DCE FACHA e UJS.
Participe!
A Semana Internacional pela Democratização da Mídia, que apresentará programação intensa em todo o país, terá como tema principal o Marco Regulatório das Comunicações, atualmente aberto à consulta pública no link http://www.comunicacaodemocratica.org.br/Mídia
A consulta estará aberta até o dia 7 de outubro. A versão consolidada deve ser lançada no dia 18 de outubro, Dia Mundial da Democratização da Comunicação.
Qualquer cidadão pode entrar no link e participar da consolidação da nova plataforma do marco regulatório, veja como:
  • Na página A Plataforma você pode ler o texto completo. Clique nos títulos de cada parte ou de cada diretriz para contribuir em relação àquele item;
  • Você pode inserir uma nova contribuição ou responder a uma contribuição já publicada;
  • As contribuições podem ser propostas de alteração, inclusão ou supressão de trechos, e preferencialmente devem vir acompanhadas de uma justificativa;
  • Se quiser sugerir um item que não esteja contemplado entre as 20 diretrizes da plataforma, apresente a proposta na página Diretrizes fundamentais;
  • Contribuições gerais sobre a Plataforma, que não se encaixem em nenhum dos outros itens, devem ser publicadas em (contribuições gerais).
Leia Mais ►

Senador babão perde o decoro com lingerie

Bem que a gente avisou que o anúncio de lingerie da Gisele Bündchen, além de imprópria, de mau-gosto, estava dirigido ao público consumidor errado.
Em vez de agradar as mulheres, empolgou um senador babão.
O Senador Zezé Perrella (ex-PFL/MG e atual PDT), amigo de Aécio Neves (PSDB/MG), chegou a perder o decoro em seu twitter:
Perdeu o decoro ao referir-se com xingamento a uma mulher, a ministra Iriny Lopes.
Fez apologia da vulgaridade e submissão para as mulheres em geral.
Foi desrespeitoso com mulheres vulneráveis (chamando de pobres... coitadas...) e, no mínimo, infeliz ao atribuir as críticas como se fosse "coisa" de gay.
Somando o "conjunto da obra", o resultado final da baixaria é o senador passar pelo ridículo de se auto-caracterizar como "babão", com um linguajar espanta-mulher que só... deixa pra lá.
Perrella chegou ao senado como suplente, assumindo a cadeira de Itamar Franco (PPS/MG), já em meio a escândalos. Tudo "graças" as articulações de Aécio Neves (PSDB/MG) nas coligações de 2010.
Leia Mais ►

Confirmado: Serra veio mesmo de Marte

Parece brincadeira, mas não é. José Serra deve ter mesmo batido a cabeça e perdeu o pouco de decência e coerência que ainda restava naquela caixola.
Eis que em seu atônito blog (veja aqui, se quiser rir), ele escreveu que Lula deixou uma herança maldita para Dilma. A taxa de juros e o real sobrevalorizado.
Deve estar brincando, só pode. Quando seu amigo e mentor estava no governo, a taxa de juros chegou a 39% ao ano. Nem no maior delírio "jurístico " de Lula a taxa chegou a dois terços disso. Hoje a taxa pode não ser a melhor do mundo, mas ainda assim é menor do que a mais baixa praticada por Don Fernando, O Vendilhão da Pátria.
E não só isso, a taxa mais baixa de toda a história do Brasil foi sim, aplicada por Lula.
E o dólar?
O que houve com Serra, veio do "exílio" no Chile só em 2002 pra concorrer às eleições? Ou ele esqueceu de que de 1994 até 1999 o Brasil suportou um câmbio irreal de um para um? Cada real valia um dólar?
O que tem Serra naquela cabeça bonita? Só cabelos? Mais nada?
Depois não sabe porque o próprio PSDB não lhe dá mais trela. A medicina chama isso de síndrome de munchausen.. Serra quer sempre estar na vitrine, não importa fazendo o quê.
Leia Mais ►

Índice de desconfiança ao PIG aumenta pelo segundo ano consecutivo

Leia Mais ►

Decisão de Tribunal da Europa deve afetar a Premier League

O Tribunal de Justiça Europeu (TJE) determinou nesta terça-feira (04/10) que os fãs de futebol da União Europeia poderão escolher a opção mais barata para assistir a jogos na televisão, independemente de acordos para exclusividade em difusão nacional.
Tudo começou com o caso envolvendo Karen Murphy, dona de um pub em Portsmouth, na Inglaterra, que começou a exibir jogos do Campeonato Inglês usando um decodificador de TV grego, que custava um décimo do preço que ela teria de pagar por uma assinatura da Sky Sports, que detém os direitos da competição em território inglês.
Um alto tribunal britânico procurou uma análise do tribunal europeu, sediado em Luxemburgo. A corte comunicou que “legislação nacional que proíbe a importação, venda ou uso de cartões de decodificador externo é contrária à livre prestação de serviços e não pode ser justificada”.
A decisão que atinge o Campeonato Inglês pode ter ramificações mais amplas de como os direitos de transmissão de esportes e outros eventos de entretenimento são vendido no continente.
Especialistas alertaram que ligas de esportes podem passar a oferecer pacotes pan-europeus com altos preços, potencialmente afetando os torcedores de mercados menores. Assim, os detentores dos direitos aumentariam o valor dos contratos com países estrangeiros para evitar qualquer risco em seu mercado doméstico.
“Na prática, a Premier League (Campeonato Inglês) agora terá de decidir como vai querer renegociar os seus direitos.
Pode haver algumas dúvidas se terão planos de contingência prontos para serem executados e diversas opções disponíveis. Seja uma licitação pan-europeia, seja vendendo apenas em certos países da União Europeia ou elaborando um plano para criar um canal próprio, eles vão decidir a melhor forma de maximizar o valor de seu produto minimizando qualquer perda de receita”, afirmou o advogado especializado em mídia esportiva Daniel Geey ao canal de televisão britânico BBC News.
A recomendação do tribunal europeu ainda precisa ser comunicada às cortes britânicas, mas a orientação inclui um ponto que é favorável à Premier League. Para exibição em pubs, o tribunal disse que momentos da transmissão como as sequências de abertura, o tema oficial da Premier League e algumas imagens gráficas são “obras” protegidas pelo copyright e seu uso necessita de autorização da liga.
“Vamos tomar nosso tempo para estudar e compreender o significado integral do julgamento e como ele pode influenciar na futura venda dos direitos audiovisuais do Campeonato Inglês na Europa. Estamos satisfeitos que a recomendação deixa claro que as transmissões de jogos que contêm obras protegidas em pubs precisam de autorização da Premier League.
Atualmente, apenas Sky e ESPN estão autorizadas para fazer tais transmissões”, disse a liga inglesa por meio de um comunicado.
“A Premier League vai continuar a vender os seus direitos audiovisuais de uma forma que melhor atenda às necessidades dos nossos fãs em toda a Europa e os mercados de transmissão que lhes servem, mas que também seja compatível com a lei europeia”, concluiu.
No Tirando a Limpo
Leia Mais ►

Entrevista de Roque Barbiere na Assembleia de SP

Roque Barbiere (PTB) é o delator de um suposto esquema de venda de emendas na Assembleia de São Paulo
O deputado Roque Barbiere (PTB) concedeu entrevista coletiva nesta terça-feira (4) em que reafirmou a acusação de que parlamentares da Assembleia Legislativa de São Paulo enriqueceram negociando emendas com prefeituras e fazendo lobby para empreiteiras.
Sem dizer nomes, ele se referiu à Assembleia paulista como camelódromo. "Isso é igual camelô, cada um tem um jeito". "Para os mais antigos, não é surpresa. Se fingir que é surpresa, é hipocrisia", reiterou.
Leia abaixo a íntegra da entrevista coletiva do deputado Roque Barbiere:
Jornalista: O senhor pretende ir lá na quinta-feira na comissão [de Ética] ou mandar por escrito?
Roque Barbiere: Estou pensando em fazer por escrito para não ter dúvida sobre o que foi dito. Por escrito fica fácil, se eu falei x coisas.
Jornalista: Neste escrito você vai dar algum nome?
Nenhum nome, nem com o revólver na cabeça. Meu objetivo não é dedurar ninguém é acabar com a prática. dar a ela mais transparência.
Jornalista: Mas não precisa mostrar alguns casos?
Tem caso de gente que até já morreu. por que que adianta citar?
Jornalista: No primeiro momento, o senhor disse que ia citar dois ou três nomes. Depois um nome.
Isso, conforme a conversa no Ministério Público.
Jornalista: Já está marcada essa conversa?
Eu acabei de chegar do hospital. Que eu fui pai, minha nenezinha nasceu prematura. Parece que o promotor já mandou um convite. Eu ainda nem vi isso com os meninos porque eu acabei de entrar aqui, mas como já mandou, eu vou atender, ele foi gentil. Eu posso escolher a hora e o lugar, porque o deputado tem essa prerrogativa, mas não quero fazer uso dela não. Assim que eu quiser falar com ele eu vou lá onde ele estiver.
Jornalista: O senhor teme ser punido? porque disseram que se o senhor não apresentar nomes, o senhor vai ser punido.
Que me punam. É só ler a matéria do Estadão para ver se eu falei mentira. A não ser que o Estadão seja mentiroso. Leia o Estadão de hoje que tem uma reportagem sobre um assessor de um deputado que estaria não sei que época vendendo emenda. Vocês da imprensa tem que ajudar, não é ficar buscando nome que nem vampiro, que vocês gostam de f... alguém. Não é isso aí. É ajudar acabar com essa prática. Vocês não veem todo dia em Brasília? É o ministro que liberou dinheiro para uma ONG, que a mulher uma empregada doméstica nunca teve empresa, que a sede da empresa é uma casinha na Coab. E são milhões de reais. Pagamento não deveria ter emenda. Nós vivemos isso aqui. Até 2005 não tinha emenda. Passamos o governo Fleury inteiro sem emenda, o governo Covas sem emenda, um dos governos do Geraldo sem emenda, daí surgiram as emendas, que aparentemente parece que é bom, mas não é. é ruim.
Jornalista: Quando o senhor disse que tinha vizinho do senhor que estava comercializando emenda, o senhor estava se referindo a vizinho de região?
A vizinhos que já passaram por aqui e depois foram lá para o meu lado e ficaram ricos não estão mais aqui. Não existe vizinhos de gabinete meu.
Jornalista: Eram vizinhos de região?
Vizinhos que se tornaram vizinhos depois de sair daqui e enriqueceram.
Jornalista: Ex-deputados?
É... Eu estou contando história de 20 e tantos anos.
Jornalista: Mas o senhor tem conhecimentos de deputados aqui nesta Casa que exerçam essa prática?
Neste ano, nesta legislatura, nenhuma. Os meninos que chegaram agora. Metade da Assembleia tomou posse há seis meses.
Jornalista: E a outra metade?
A outra metade alguns deles, não a outra metade toda dentre os quais eu me incluo, desde 2005 se utilizam das emendas. Uns bem, outros, mal. E a emenda é um mal.
Jornalista: O senhor não acha melhor dizer um nome?
Não. Porque se tirar o A e colocar o B e deixar o mesmo sistema, quem garante que o B não vai fazer a mesma coisa?
Jornalista: Então ajuda a gente entender melhor como funciona esse esquema. O senhor falou que tem empreiteiras que comercializam... o senhor pode detalhar?
Tem várias maneiras. Isso é igual camelô. Cada um vende de um jeito. O que está errado. O que vocês tinham que ajudar o país, a sociedade e o povo de São Paulo, é acabar com a emenda. Qual a utilidade da emenda? Por que ter emenda? Como ela surgiu? Qual a vantagem? Ou para o governo ou para a população que o deputado tenha emenda? Aqui são 94 e em Brasília são 513.
Jornalista: No caso específico das empreiteiras que o senhor citou na TV TEM. Como funciona?
Cada um tem uma maneira. Eu não sei, eu nunca vendi emenda. Eu não sei te explicar como ela funciona. Cada um tem uma maneira, cada um tem um preço. Eu disse lá que a grande maioria é de gente boa e volto a dizer isso. E eu acredito nisso. Se eu achasse que a grande maioria era de malandro, eu já tinha ido embora daqui.
Jornalista: Agora, o deputado procura a prefeitura ou a prefeitura procura o deputado?
Os prefeitos que comentam com a gente.
Jornalista: Mas quem procura quem? É a empreiteira que procura?
Tanto faz. Isso é o de menos. Qual é a importância disso?
Jornalista: Mas só para a gente entender, o esquema nasceu aqui ou da prefeitura?
Tanto faz. De repente, é um prefeito desesperado por causa de verba, de repente é a empreiteira para fazer um bom negócio. Mas o pior vocês não estão enxergando. É ter emenda. Ninguém vai garantir que 100% dos que utilizam as emendas o façam corretamente. Você falou de cassar o meu mandato. Só se vocês me provarem que 0% ao longo do tempo que eu estou aqui fez isso. Daí, não precisa cassar. Eu mesmo renuncio.
Jornalista: Desde o momento que essa notícia veio à tona, que tipo de pressão o senhor sofreu?
Nenhuma. Nenhuma. Nem de colega. Nenhum tipo de ameaça. Outro dia ligou um repórter e perguntou: deputado, quem vai ser seu advogado? Advogado por que? Não sou réu, não. Eu não fui pego com uma sacola de dinheiro e para diminuir minha pena, eu estou delatando os meus colegas. Eu estou fazendo uma denúncia para mudar o sistema. E aqui, para os mais antigos, não é nenhuma surpresa o que eu falei. Se fingir de surpresa, é por hipocrisia.
Jornalista: Tinha a informação de que o senhor estava disposto a vir pessoalmente ao Conselho de Ética, mas o deputado Campos Machado pediu ao senhor que não viesse.
Não, não. O Campos é meu companheiro, meu amigo. Não me pediu nada, nada. Ninguém manda em mim. Quem mandava em mim era minha mãe e já morreu. O que eu não quero é ficar falando isso todo dia, que para vocês da imprensa pode ser necessário, mas para resolver o problema que eu quero, ou acaba com as emendas, ou dá mais transparência a elas. Agora, o governo está dando mais transparência. Se o governo está dando mais transparência agora, é porque não era tão transparente antes, concorda comigo? Tem lógica meu raciocínio? Agora, estão dando mais transparência. Agora, estão vendo a minha para onde foi, a dos outros deputados.
Jornalista: Tinha uma outra informação que o senhor estaria incomodado com alguns deputados que não são da região e estavam levando emendas para o seu reduto eleitoral.
Não. Nada disso. Eu sobrevivo, é meu trabalho. Eu peço voto para as pessoas da minha região. Elas votam ou não em mim. Eu tenho 32 anos de mandato, seis de vereador, dois de vice-prefeito, fui prefeito interino duas vezes e me elegi deputado seis vezes. Basicamente lá na minha região. Supostamente, para o meu orgulho, alguma utilidade eu tive para a região, se não, não votariam em mim. Recurso não tenho, milionário eu não fui, artista eu não sou, meio bonitão, mas nem tanto. Não teria porque votar em mim. Não vale a pena essa sangria de querer o sangue de alguém porque não vai resolver o problema, vai saciar naquele momento só. Vai continuar fazendo a mesma coisa.
Jornalista: O senhor não acha que vai frustrar. Que vai passar aquela imagem ruim da Casa? Ninguém vai ser responsabilizado?
Eu acho que estou fazendo um bem para a Assembleia. Que eu estou defendendo a Assembleia, coisa que outras pessoas deveriam fazer. Está ouvindo? Eu acho que eu estou defendendo a Assembleia.
Jornalista: Mas sem culpar ninguém, não pode ficar para toda a Assembleia?
Não, não vai. A corregedora lá do CNJ não quis dizer que são todos os juízes bandidos de toga. Todo mundo entendeu. Até o presidente do Supremo entendeu o que ela está querendo dizer, porque não pode dar uma liminar de manhã e de tarde cassar a liminar, com argumento que surgiram novos argumentos. Quais argumentos surgiram? Dá para imaginar, né. E é uma meia dúzia que faz isso em todos os segmentos.
Jornalista: Deputado, depois que o senhor deu aquela entrevista, aquele depoimento, o Estadão trouxe uma matéria que relata ter ouvido uma história semelhante. O que o senhor achou da declaração do Bruno [Covas]?
Eu vi um pedaço que ele falou que um dia um prefeito liberou uma emenda de R$ 50 mil, para saber para quem dar, ele mandou dar para Santa Casa. Eu acredito ser bastante verdadeira. É possível isso aí. Essa pratica da emenda leva esse tipo de situação aí.
Jornalista: O senhor é favor que acabe essas emendas ou dê transparência?
Transparência seria um atenuante. O ideal para o povo de São Paulo e para o próprio governador, seria uma maravilha acabar com emenda.
Jornalista: Mas os deputados iriam continuar indo nas secretarias pedindo que os prefeitos firmassem...
É isso que o deputado tem que fazer e eu fiz a vida toda. Pegar o prefeito na mão. E ir lá na secretaria, o prefeito faz o pleito dele e escolhe a prioridade, não eu. E o secretário responde se vai atender ou não, eu só abro a porta. Sabe que a maioria dos secretários faz hoje com a gente?
Vamos supor que você seja um prefeito. Fala o nome de uma cidade?
Monte Aprazível. Porque em Birigui o cara é um xarope do cacete. Quero uma quadra poliesportiva. Então, eu tenho que ir com você na Secretaria de Esportes. Eu, deputado lá da tua região, marco uma audiência com o secretário. Hoje, sabe o que o secretário vai falar? Pô, prefeito eu estou sem orçamento, o deputado faz uma emenda para ele, você tem lá as suas emendas...porque você não apresenta uma emenda para eles...o secretário te recusa a dar o recurso com a desculpa que o deputado tem a emenda que poderia te atender ao invés dele.
Jornalista: Quando o senhor disse que no Ministério Público, dependendo de como for a conversa, o senhor pode dar um nome ou não? O que que faria dar um nome ou não?
Você está querendo intimidar. Você nunca leu o Jânio Quadros? Uma vez foram perguntar para ele porque ele renunciou, um cabeludo lá perguntou. Um rapaz intimidado ia dar muito trabalho. O filho usou aborrecimento, eu não quero ter nenhum dos dois com você.
Jornalista: Em dezembro o senhor mandou um ofício para a Casa Civil com 4 perguntas, na época do Marrey.
Jornalista: Da data ele lembrou. O senhor teve resposta?
Nenhuma.
Jornalista: O que levou o senhor a fazer esse requerimento? O senhor queria informação sobre o que?
Sobre ONGs e fundações.
Jornalista: Tinha emendas.
Eu tinha notícias da rádio-peão de que ONGs e fundações não muito decentes estariam recebendo emendas de deputados e fiquei curioso e quis saber quais eram. Eu não sei se era ONG verdadeira, ONG que funciona, não me deram a resposta.
No âmbito do Estado.
Jornalista: Por que o senhor não fez o trâmite comum?
Eu apoio o governo. Não quero esculhambar o governo. Eu queria a resposta. Eu fui amigo. Podia fazer isso pela tribuna da Assembleia.
Jornalista: O Estadão apurou que o senhor viu alguma coisa errada na TV Assembleia...
Não é que eu teria visto, eu vi. E não entendi. Talvez o promotor possa me responder isso aí. Quem transmitia essa TV Assembleia, que na minha opinião não deveria existir, que nem a mãe da gente assiste a TV Assembleia e se assistisse teria que internar ela correndo, custa uma fortuna para o povo de São Paulo.
Aí, estranhamente, a TV Cultura parou de transmitir, não sei se venceu contrato ou não. Ficou quietinha. E aí a Mesa diretora da Assembleia contratou emergencialmente - qual a emergência de uma TV Assembleia? - sem licitação, uma fundação, onde um dos diretores trabalhava aqui na Assembleia não sei com quem. E era ao mesmo tempo diretor da fundação. Esquisito, né? Ou não?
Jornalista: Quem é essa pessoa?
Um tal de Luchete. Eu não conheço pessoalmente. Esse grandão jornalista aí fora pode falar quem é, eu não sei dizer quem é.
Jornalista: Você acha que a TV custa caro demais?
Eu acho que não deveria nem existir, rapaz. Dava para fazer um pronto-socorro oftalmológico que era bem mais útil para a população de SP que TV Assembleia.
Jornalista: Ela custou 15 milhões por 9 meses.
Eu acho dinheiro jogado fora. Se fosse um real eu acho que era dinheiro jogado fora. Para que TV Assembleia? Você assiste? No interior agora tem TV Câmara. mas ninguém assiste e custa caro.
Jornalista: O senhor mesmo falou que é da base governista. O senhor imaginou que pudesse constranger o governo?
Não tive essa intenção. Se constrangeu o problema é dele, porque eu não sou empregado dele, só apoio. Na minha opinião, já faço muito de apoiar.
Jornalista: O senhor acha que deveriam publicar as emendas anteriores?
Acho que não publicou por desorganização. Não é por maldade ou desonestidade. O PSDB é ruim para se comunicar, eles não se comunicam nem entre eles. É o partido que eu apoio, mas é uma verdade o que eu estou dizendo. Mas não creio em nada na desonestidade do governador. Não é do perfil dele. Nem do Serra eu acho desonesto. Eu aprendi a gostar dos tucanos porque são sérios, são inteligentes. Mas o que mata são as penas, a vaidade.
Jornalista: O senhor já teve um aborrecimento com os secretários da Casa Civil anteriores?
Nenhum. Sempre os respeitei e sempre me respeitaram.
Jornalista: O que o senhor acha da instalação do conselho de ética ou CPI?
Jornalista: Você acredita em CPI? Acredita que vai dar alguma coisa.
Quem é contra o governo enxerga o que não existe, quem é favor, finge que não viu.
Conselho de Ética já é diferente. É um número menor, mais reduzido, mais bem escolhido.
Jornalista: Tem muito menos poderes para convocar pessoas. As pessoas são convidadas.
Pode convocar sim senhor.
Eles não têm medo. Me conhecem há 20 anos. É respeito.
Jornalista: Todos disseram que o senhor é muito brincalhão. Foi uma brincadeira? Está arrependido?
Não é que sou brincalhão, sou bem humorado, é diferente. Brincalhão é o Tiririca, que disse que não ia piorar. Eu achei que ele era o único político que não ia mentir. Mas está piorando. Mas está ficando. Mas eu só fã dele.
Jornalista: O senhor acha que a investigação no MPE vai conseguir andar sem o senhor dizer, citar nomes?
Eu posso dar a ele algum tipo de informação que eu prefiro. Não é que não posso dar a vocês, porque se der para vocês vai sair no jornal, todo mundo vai esquecer, você sabe que é assim. E lá eles podem encaminhar mais.
Jornalista: Está disposto a fazer?
Depende da maneira que eu for tratado. Se o promotor for uma pessoa séria, eu vou levar um caso concreto para ele que envolve a Assembleia. E tem um parecer de um promotor falando que está tudo ok. Eu acho que não está. Se for um promotor sério, eu vou levar um caso para ele, que eu não vou dizer para vocês qual é, que ele vai olhar e ver que o colega errou, se ele fechar os olhos para isso, para que vou dar mais informação para ele?
Jornalista: Isso envolve colega ou ex-colega?
Ambos. O esquema de emendas começou em 2005. Antes não tinha emenda.
Foi na ocasião que o Rodrigo Garcia se elegeu presidente. Não quer dizer que foi ele, mas foi daí pra frente.
Jornalista: Rodrigo é de Votuporanga. Existe alguma ligação com as empreiteiras que operam lá?
Não vejo dessa maneira. Então, porque teve restituição dessas emendas.
Não foi discutido em plenário, simplesmente foi implantado. Certamente o governo deve ter concordado, se o governo não quiser, não paga nenhuma delas. Foi meio um pacto para manter a calma entre Executivo e Legislativo. O que é ruim, torna um refém do outro.
Jornalista: Alguém das construtoras procurou o senhor?
Não. Isso é licitação. Não adianta procurar. Eu quero acabar com o sistema.
Jornalista: Colegas deputados ligaram para o senhor ao longo desse processo com medo de que o senhor fale algo?
Não. Só disseram: sou seu amigo, conte comigo, não fica preocupado não.
Jornalista: O senhor procurou deputados?
Nenhum. Só o Campos. Ele é meu líder.
Jornalista: O que ele pediu?
Não pediu nada.
Jornalista: Quando o senhor deu a primeira entrevista em Araçatuba, o senhor deixou escapar essa informação?
O rapaz queria entrevistar, é inteligente.
Jornalista: O que o senhor se orgulha?
Na Assembleia tem um percentual que age errado. Aí foi parar no Estadão...Como eu vou ser contra o governo? Não tem razão de ser.
Eu não fui pego roubando e vou denunciar os outros. E digo mais e está autorizado qualquer pessoa investigar o que fiz com as emendas.
Jornalista: O senhor disse que não é nenhuma surpresa. Por que o senhor não denunciou antes?
Eu achei que seria algo bom.
Jornalista: Existe essa indicação de empreiteiras?
Tem quem faz, filho. Existe mil maneiras de se fazer coisa errada. Isso é igual a fazer sexo, tem mil maneiras de fazer, cada um escolhe a sua maneira.
Jornalista: O fato é que virou um negócio?
Para uma pequena parcela, virou um negócio. Mas o fato é que contamina a todos. Ninguém se beneficia. Torna um Poder refém do outro.
Jornalista: Sabe o que esse cara fez?
No que a imprensa podia ser útil. No parlamento não tem que ter emenda.
Eu achava mais produtivo. Conseguia fazer com que as políticas.
Jornalista: Na região do senhor, tinha essa questão de indicação de emendas?
Não é nada específico na minha região. Isso acontece a nível de Estado e de país. Vocês que noticiam essas coisas e verdadeiras. Não viu o que aconteceu no Turismo, Dnit, etc..
Jornalista: O senhor acha esquisito que parlamentar destine verbas para uma região que não tem voto?
Essa lei tinha que mudar. Não tinha que ter carta-convite, não tinha que ter ata. Carta-convite é lei federal.
Jornalista: O deputado que destina emenda para região que não tem voto. É a mesma empreiteira?
Mas não é ele quem contrata. É bastante esquisito.
Jornalista: O fato do parlamentar indicar a emenda isso significa que ele está buscando voto, mas aí parlamentar indica emenda e ele não tem um voto se quer no município. O que leva o parlamentar fazer isso?
Eu falei para o Secretário do Planejamento de São Paulo, que é uma pessoa super honesta, de quem eu sou fã, que chama doutor Emanuel [Fernandes], para mim de uma integridade acima de qualquer suspeita: eu disse para ele, o dia que eu, Roquinho, destinar um milhão para São José dos Campos, eu nunca fui a São José, nem sei ir... Viu como é fácil controlar, não precisa eu ficar dando nome.
Tive essa conversa com Emanuel, tive essa mesma conversa com a delegada Rose, que é minha amiga, que foi uma grande deputada, primeira delegada da mulher acho que do país, sobre esse teor, essa coisa de emenda tem que ter cuidado, o deputado não pode destinar emenda para lugar que nem sabe onde fica. Tem algo de estranho nisso.
Jornalista: Isso foi no começo da gestão? Foi.
Tive audiência com Emanuel e com delegada Rose, coisa de quatro meses atrás.
Nesta audiência eu falei de eu colocar uma emenda de um milhão para São José dos Campos. Qual seria motivo? Eles concordaram comigo, que iriam tomar providência, que teriam cuidado.
Não noticiei mal feito. Eu disse para ficarem arisco para não que não acontecesse.
Jornalista: E a Casa Civil?
Eles concordaram comigo. Disse que iriam ficar atentos. Tinha a Rose que era adjunta.
Leia Mais ►

Desgoverno PSDB: As 62 panes no metrô. De dez/2007 à out/2011

De dezembro de 2007 até hoje, já foram registradas, pelo menos, 62 panes graves nas linhas do metrô paulista (quadro acima).
Na verdade, todas estas panes comprovam a fragilidade do sistema que a Bancada do PT na Assembleia Legislativa denuncia há tempos. Caso o governo tucano não tome providências imediatas, o metrô paulista entrará em colapso.
Leia Mais ►

Suprema Corte dos EUA decide que baixar um arquivo não é o mesmo que executá-lo num player

A Suprema Corte dos Estados Unidos deu nesta segunda-feira um passo polêmico na direção de uma nova legislação para a comercialização e distribuição de música na internet. O órgão manteve a decisão de que um download tradicional de arquivo sonoro na rede não pode ser definido como execução pública de um trabalho musical gravado, nos termos da legislação americana de direitos autorais. Os juízes se recusaram a revisar a decisão tomada por um tribunal federal de recursos em Nova York.
A American Society of Composers, Authors and Publishers (Ascap), organização sem fins lucrativos de arrecadação de direitos autorais, recorreu à Suprema Corte com a alegação de que a decisão da instância inferior traria profundas implicações para o setor de música, uma vez que custaria a seus 295 mil membros dezenas de milhões de dólares em possíveis receitas de direitos autorais a cada ano.
A Ascap alega que mais de 390 mil compositores, letristas e editores de música nos EUA licenciam suas obras exclusivamente por intermédio da organização, que responde por cerca de 45% das obras musicais executadas online, conforme revelam documentos admitidos como parte do processo agora encerrado.
O governo federal dos EUA contestou o recurso. O procurador-geral americano Donald B. Verrilli Jr. alegou que a decisão do tribunal de recursos era correta e se enquadrava ao senso comum e à política mais sensata quanto aos direitos autorais. Na decisão da Suprema Corte consta que "o argumento do apelante reflete um mal-entendido no escopo da questão, ignorando importantes distinções entre os diferentes tipos de transmissões digitais".
Decisão impõe limite para royalties
A Ascap vinha argumentando que downloads digitais também representavam execuções públicas de obras, pelas quais os detentores de direitos autorais deviam ser remunerados. No entanto, tanto o juiz federal de primeira instância quanto o tribunal de recursos rejeitaram o argumento.
O que estava sendo debatido era uma seção da lei de direitos autorais segundo a qual a "execução" de um trabalho consiste em recitar, expor, tocar, dançar ou encenar a obra, diretamente ou por meio de qualquer dispositivo ou processo.
"Uma obra musical não é recitada, exposta ou tocada quando uma gravação - seja ela eletrônica ou de outra ordem - é entregue a um potencial ouvinte", decidiu o tribunal de recursos.
O procurador-geral Verrilli apoia essa interpretação, e afirma que o download em si não constitui execução da obra, e que esta não é "tocada" durante o procedimento digital de transferência dos dados digitais que compõem o arquivo sonoro.
Segundo a "Bloomberg", a decisão impõe limites sobre os royalties que empresas de internet como Yahoo e RealNetworks devem pagar a autores de músicas sobre material baixado da rede. Contudo, muito embora a Ascap não possa mais exigir compensações em nome de seus membros pelo simples ato de fazer o download, os detentores dos direitos autorais ainda podem pedir royalties pelas novas cópias de uma canção que eventualmente sejam criadas durante o processo de download ou depois dele.
Leia Mais ►

Desmatamento da Amazônia cai 38% em agosto

Queda ocorreu apesar do período de seca, quando desmatadores podem entrar mais facilmente na mata
Ibama intensificou neste ano a fiscalização 
na Amazônia/Ibama
A intensificação da fiscalização contra a derrubada ilegal da floresta neste ano apresenta resultados. O desmatamento na Amazônia Legal caiu 38% em agosto, em relação ao mesmo período de 2010, e 21% na comparação com julho deste ano. Esse foi o menor desmatamento para o mês, desde 2004, registrado pelo sistema Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Entre julho de 2009 e agosto de 2010 foi registrada uma área desmatada de 7 mil km² - 6,2% menos do que no mesmo período de 2008 e 2009.
Desde janeiro, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) intensificou a fiscalização, aplicou R$ 1,2 bilhão em multas, apreendeu 226 caminhões, 40 mil m ³ de madeira em toras e 21 mil em madeira serrada. Com as ações, o desmatamento foi reduzido, mesmo durante a seca, que favorece o acesso e facilita a retirada de madeira. “Agosto é um mês em que, tradicionalmente, o desmatamento costuma crescer", avalia diretor do Departamento de Políticas de Combate ao Desmatamento do Ministério do Meio Ambiente, Mauro Pires.
Poucas nuvens
A pouca cobertura de nuvens, a menor dos últimos três anos, favoreceu a precisão dos mapas colhidos pelos satélites. "São dados muito mais confiáveis e que revelam que as estratégias de combate ao desmatamento estão surtindo efeito", avaliou o diretor do Inpe, Gilberto Câmara.
Os números do Inpe indicam ainda que o novo perfil de desmatamento vem se firmando. Em vez da derrubada em grande escala, que predominou até a instituição do Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia Legal, em 2004, o desmate agora é em pequenas áreas.
Operações retiram recursos dos desmatadores
Neste ano, o Ibama mantém duas operações permanentes de combate ao desmatamento ilegal: a Disparada e a Guardiões da Amazônia, que buscam retirar recursos dos desmatadores de modo a reduzir o poder de ação e as vantagens econômicas com a atividade ilegal. A Disparada visa a retirada de gado das áreas de proteção ambiental. A Guardiões da Amazônia tem como estratégia a descapitalização do infrator, por meio das multas, apreensão dos bens envolvidos na atividade ilegal, no embargo da área e corte no crédito público.
Ao mesmo tempo, a União promove a Arco Verde, com o foco na regularização fundiária e no estímulo à produção sustentável nos 48 municípios prioritários para as ações de redução do desmatamento.
No Secom
Leia Mais ►

EnerguMerval!

Merval e seu caráter
O senhor Merval Pereira volta hoje à carga. Diz que eu “recuei”, “abdiquei”, “voltei atrás” de minhas posições e “aderi” à defesa do Rio de Janeiro.
O senhor Merval Pereira é um primor de caráter.
Ele tem sempre uma boa explicação: não foi ele quem errou, os fatos é que erraram.
Foi assim quando, em 1989, em plena campanha presidencial, publicou uma foto de um homem com uma foto de Leonel Brizola e disse que era o traficante “Eureka”.
Como o homem não era traficante, mas um líder da comunidade, José Roque Ferreira, Merval preferiu não pedir desculpas e alegar que um policial informou que era um traficante, como alegou à época ao ombudsman da Folha, Caio Túlio Costa.
Em lugar de esclarecer, segundo a Folha, o Globo passou a investigar Ferreira, para arranjar algo que o envolvesse como o tráfico.
Esta história ainda será contada com mais detalhes.
Qualquer leitor do blog, inclusive os muitos que manifestam uma posição contrária a qualquer ressarcimento especial ao Rio de Janeiro e que “me batem” a valer por isso, sabe que só tive uma posição, sempre.
Bastaria consultar a pesquisa do blog e ver. Está público, registrado e datado.
Mas a postura de Merval é aquela que Tulio Costa descreveu sobre o que fez O Globo naquele episódio:
“Sem reconhecer objetivamente que errou – na esperança de que ao guardar a decisão da Justiça o tempo passe e o assunto morra. “O Globo” perde ainda mais pontos. Não há demérito em recolher erros. Está certo, o jornal deu espaço ontem tanto para Brizola quanto para o rapaz ofendido, mostrou em título e chamada de capa que o secretário de Polícia Civil do Rio diz que não há informações sobre seu envolvimento com tráfico. No entanto, não reconheceu o erro porque ainda não se acha de todo errado apesar das evidências em contrário”.
Não vou ficar aqui tecendo comentários sobre a postura de Merval. Limito-me a transcrever o que diz dela um seu ex-colega, Paulo Nogueira, ex-diretor editorial da Editora Globo:
“Merval é, basicamente, contra tudo que Lula fez, do Bolsa Família às cotas universitárias. Se Lula inventar a cura do câncer, Merval vai atacar. Seu poder de persuasão pode ser facilmente medido nas urnas. Se eu fosse candidato, torceria para que Merval fosse contra mim.
Ao lado de Ali Kamel, ele é um dos mais fiéis reprodutores do ideário da família Marinho. (Esperemos para ver se Kamel não vira futuramente um imortal.)
Numa carta célebre a um editor, o barão da imprensa Joseph Pulitzer disse o seguinte: “Espero que você pense, pense, pense!!! (…) Que compreenda que todo editor depende do proprietário, é controlado pelo proprietário, deve veicular os desejos e as idéias do proprietário. (…) Sua função é pensar, o mais próximo possível, no que você pensa que eu penso.”
Merval – e nem Kamel – teriam que ouvir isso. Lembro que, nas reuniões do Conselho Editorial da Globo das quais participei entre 2006 e 2008, os dois pareciam disputar entre si quem era campeão em pensar como a família Marinho pensa.“
Então, ficamos assim: eu com uma cadeira de deputado “por deferência”, como ele diz, do governador Sérgio Cabral e da Presidenta Dilma e de 55 mil votos, ele fica com a cadeira na ABL por sua vasta e reconhecida obra literária e por seus poderes telepáticos e depois mediúnicos, que mostram que as grandes devoções sobrevivem à morte dos idolos.
Leia Mais ►

Entrevista com Sérgio Guerra

Presidente do PSDB admite que a sigla precisa de mudanças estruturais se quiser voltar a disputar o Palácio do Planalto em 2014 com chances de interromper o ciclo do PT no poder
Desde que recebeu, na semana passada, os resultados da pesquisa que aponta o favoritismo da presidente Dilma Rousseff para a disputa pelo Palácio do Planalto em 2014, o PSDB foi para o divã. Com os elementos positivos e negativos da legenda em mãos, a maioria de seus líderes está convicta de que, ou a sigla promove mudanças internas profundas, ou chegará à próxima corrida presidencial com fôlego ainda menor do que o verificado no ano passado.
O foco na Presidência da República é o principal motivo para, em 7 de novembro, os tucanos anunciarem uma reestruturação interna e a antecipação de calendários, inclusive a data da escolha do presidenciável, prevista para 2012, tão logo terminem as eleições municipais. E, nesse quesito, em entrevista exclusiva ao Correio, o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, fala com tamanha ênfase da necessidade de “algo novo” dentro do ninho tucano que deixa transparecer o nome do senador Aécio Neves (MG) como o primeiro da fila, da mesma forma que desconversa quando questionado sobre a possibilidade de José Serra voltar a concorrer ao Planalto. “Se ele (Serra) quiser, o partido analisará, mas ele não coloca isso”, diz o deputado pernambucano.
Guerra cita ainda uma série de jovens candidatos a prefeito por todo o país, que representam a renovação dos quadros do PSDB.
A reinvenção do tucanato
O que levou o PSDB a precipitar essa caminhada rumo a 2014?
Ninguém se apresentou efetivamente como candidato. No partido, muita gente acha que devemos escolher nosso presidenciável com brevidade para que representemos uma alternativa de poder. Mas não houve lançamento, nem escolha de nome. Do meu ponto de vista, a situação deverá estar resolvida tão logo sejam concluídas as eleições municipais. Defendo isso há muito tempo. O presidente Fernando Henrique também defendia isso lá atrás.
Então foi um erro, nas últimas eleições, deixar a escolha para o último segundo?
Não. Primeiro, foi escolha do próprio Serra, do candidato. Ele deixou claro que só trataria disso quando saísse do governo (José Serra se desincompatibilizou do cargo de governador de São Paulo no fim de março de 2010 para concorrer à Presidência da República). Segundo, houve intensa movimentação de dois pré-candidatos, José Serra e Aécio Neves, que percorreram o país inteiro. Terceiro, porque as pesquisas davam com muita clareza a preferência pelo nome de Serra, o que, de alguma forma, já antecipava a escolha dele.
Mas agora as pesquisas indicam Dilma muito bem e Aécio praticamente já se coloca como uma alternativa. Pelo menos isso é o que foi veiculado na semana passada… 
Aécio era pré-candidato antes. Tão logo as últimas eleições de presidente foram encerradas, o nome dele apareceu naturalmente como possível presidenciável para 2014. Agora, ele disse uma única frase: que, se tivesse que ser candidato, gostaria de enfrentar o Lula. A partir daí, inferiram que ele era candidato lançado.
E o Serra? Onde ele se encaixa?
Serra não disse até agora que é candidato a coisa nenhuma. O Serra tem andado pelo Brasil quase todo, escrito semanalmente. O pensamento dele tem grande influência no partido. Quanto ao projeto pessoal dele, não saberei responder. Mas ele tem envergadura para qualquer projeto.
E se ele quiser a Presidência?
O partido certamente analisará o assunto. Mas ele não manifesta esse desejo e isso não está em discussão. Vamos cuidar do tema depois das eleições municipais. Na verdade, o PSDB é o sonho de consumo de muitos brasileiros. Aparentemente, o produto não tem a qualidade que gostariam. Não é fácil responder a sonhos. Por isso, há tantas críticas. As pessoas, às vezes, nos comparam àquilo que elas gostariam que nós fossemos.
Quais são os empecilhos para responder aos sonhos?
O PSDB enfrenta uma máquina muito poderosa. Os petistas e essa maioria que eles arregimentaram mudaram a ética da política no Brasil. Se antes havia alguns desvios de conduta, eles agora estão generalizados. Enfrentar essa máquina não é fácil. Ainda mais quando tem uma liderança como o Lula, que veio do povo, que fala como o povo e é inteligente, um líder muito forte. E nós temos uma ética, não torcemos contra o Brasil, não apostamos no “quanto pior, melhor”. Não queremos que o governo da Dilma seja um desastre, nada disso. Ao contrário, se a gente puder ajudar para que governe bem, vamos ajudar. Então, essa atitude nova demora a ser reconhecida, mas há elementos na sociedade que apontam nesse reconhecimento. A sociedade acha que somos sérios, que temos competência. Nos estados, somos mais bem avaliados onde governamos. Nossos gestores são vistos como os mais competentes. São elementos que podem fazer a diferença. E isso tudo tem que estar associado a um projeto novo, de muita energia.
A pesquisa, que mostrou esses elementos, falou ainda da falta de bandeiras…
A pesquisa demonstra que tivemos ganhos importantes no governo FHC e que não divulgávamos essas conquistas nem no governo nem depois dele com a intensidade que deveríamos ter feito. Durante todo esse período, erramos na comunicação do partido. Ao longo do governo Lula, nos oito anos de uma comunicação poderosa, muitas vezes até ilegal, o PT apareceu como dono de algumas bandeiras que eram nitidamente nossas. A pesquisa mostrou isso, e ainda apontou que o governo Dilma não tem alicerces seguros.
Por exemplo?
Das pessoas ouvidas, 40% acham que Dilma combate a corrupção. E 40% acreditam que ela não combate. Em vários pontos, fica claro que a questão da corrupção aparece associada ao PT. E o PT, no passado, era o partido dos puros, daqueles que perseguiam os corruptos. Eles perderam esse patrimônio. O que de fato existe, e de uma maneira muito clara, é uma popularidade do PT e da suas lideranças que têm duas razões centrais. A primeira, os programas de benefícios sociais, que são, na realidade, os programas que o PSDB fez, mas ampliados. Em segundo, um certo ambiente macroeconômico que ainda favorece o Brasil.
O PSDB passa a impressão de continuar adiando uma disputa interna que agora parece inevitável entre Serra e Aécio ou entre alas do partido…
Em 2002, Serra foi candidato, sem muita disputa. Em 2006, Geraldo Alckmin foi candidato. Serra não quis. Em 2010, Aécio fez uma carta, na qual reconhecia que as condições de favorabilidade de Serra nas pesquisas deveriam prevalecer na escolha dele como candidato. O fato de ter pessoas disputando o direito de ser candidato a presidente da República de forma alguma deveria nos prejudicar. O que nos prejudica é a falta de um ambiente democrático que faça dessas discussões e dessas disputas algo ordinário e plausível. Faltou democracia interna e instâncias múltiplas que organizassem esse processo de escolha.
O que seria essa democracia interna? O que falta para chegar a ela?
Nesse momento, passa por uma grande reforma do partido, pelo surgimento de novas lideranças que vão se apresentando à sociedade, pela realização de prévias onde for preciso, pela criação de uma série de secretarias que vão interagir com a população. São reformas que vamos anunciar em 7 de novembro. Não é à toa que, nessa eleição para as prefeituras, muitos nomes novos vão se colocando.
Que reforma é essa que o partido fará?
Teremos duas mudanças importantes: estrutura e intervenção sobre situações estaduais que estão insustentáveis. Vamos mudar e todo mundo vai ajudar. O próprio Fernando Henrique acha que tem que mudar tudo e é mais radical do que nós. O que deseja é o novo projeto do PSDB para o futuro. A agenda que está aí foi a que nós fizemos, que Lula desenvolveu e expandiu. Temos que olhar para frente. Não podemos ficar disputando com Lula o que já é visto como dele. A proposta é ousada e vamos ousar.
Qual a influência de FHC, hoje, no partido? 
Agimos muito em função das orientações dele, mas ele não entra nos detalhes.
E como o PSDB lida com essa aproximação entre Dilma e FHC?
Dilma trata Fernando Henrique de forma republicana, civilizada e equilibrada. Fernando Henrique trata a presidente Dilma da mesma forma. Isso é perfeitamente normal.
Mas a bancada do PSDB não gostou quando FHC disse que os tucanos deveriam apoiar a faxina...
Fernando Henrique esteve certo em quase tudo, mas ali errou na dose. Ele estava movido pela convicção sincera de que Dilma estava fazendo um esforço, e que nós deveríamos apoiar esse esforço. Mas o fato é que o que ela fez foi uma reação ao PR. Não reagiu ao PMDB e, muito menos, ao PT. A demissão de Palocci, por exemplo, foi arrancada pelo povo, pela sociedade, contra a vontade da presidenta.
Denise Rothenburg
Paulo de Tarso Lyra
No Aposentado Invocado
Leia Mais ►

Charge online - Bessinha - # 843

Leia Mais ►

A Política e as Pesquisas

As pesquisas de opinião a respeito de temas políticos e governamentais são parte de nossa cultura desde o fim da ditadura militar. Não que inexistissem antes, pois elas chegaram ao Brasil ainda no começo dos anos 1950. Mas seu uso só se difundiu e consolidou após a redemocratização.
Ao longo da década de 1980, elas passaram de coadjuvantes, com importância às vezes secundária, a um papel mais central. Seja nas eleições, seja na aferição dos sentimentos da população, tornaram-se elemento habitual no debate das questões nacionais.
Nas primeiras eleições diretas para governador, em 1982, elas chegaram a ser decisivas em, pelo menos, um lugar. No Rio de Janeiro, se não houvesse (muitas) pesquisas apontando que a maioria do eleitorado pretendia votar em Leonel Brizola, talvez tivesse se consumado uma fraude contra ele, pelo que ficou aparente durante a apuração.
O tristemente célebre “caso Proconsult”, de uma empresa contratada para fazer a totalização dos votos e que iria beneficiar o candidato do PDS - o preferido dos militares, da elite carioca e do sistema Globo de comunicação - só veio à tona pela inverosimilhança dos números que começaram a ser divulgados, face à expectativa gerada pelos resultados disponíveis.
Não deixa de ser curioso que um político que se tornou, mais tarde, um notório descrente das pesquisas tivesse vencido sua primeira eleição depois do exílio ajudado por elas.
Em que pese uma história de quase 30 anos, o sistema político tem uma relação ambígua com as pesquisas. Quer seja entre profissionais do ramo ou na imprensa, predomina um sentimento de que são uma espécie de “mal necessário”, algo que precisa ser usado, mas só na hora em que é inevitável.
Quando chega esse momento, no entanto, mais que uso, temos abuso. É o que ocorre nos períodos eleitorais, especialmente na época das eleições para presidente e governador. Nos meses que as antecedem, a discussão política e o noticiário se afunilam tanto que só se fala nelas na véspera.
Fora dessas oportunidades, o sistema consome muito menos pesquisas que o padrão internacional. Os veículos de comunicação, de âmbito nacional ou regional, prescindem delas na cobertura política, talvez por julgar que o ponto de vista da opinião pública não é tão relevante.
(Há quem diga que o problema é apenas a falta de dinheiro, mas não parece uma hipótese provável, pois, se a mídia considerasse importante o investimento, a verba não faltaria.)
Em um ano não eleitoral como este, a opinião pública só conhece os resultados de três ou quatro pesquisas nacionais contratadas por órgãos de imprensa. Outras são custeadas por organismos de representação patronal, com intervalos longos e, nem sempre, regulares, o que faz com que alguns suspeitem de que são encomendadas ao sabor dos interesses de seus dirigentes.
Nosso padrão para com as pesquisas é marcado, portanto, pelo excesso e a falta: ora pesquisas demais, ora de menos. São superabundantes nas eleições e escassas no restante do tempo.
Apesar disso, desempenharam papel fundamental no jogo político dos últimos anos, particularmente da metade do segundo mandato de Lula até o presente.
Se, nestes primeiros meses de governo Dilma, não tivéssemos as (poucas) pesquisas que temos, o clima político seria completamente diferente. Sem elas (como a mais recente do Ibope, que mostrou que a avaliação de Dilma estava em ascensão), sem saber que a presidente conta com a aprovação da vasta maioria do país, o que estaria acontecendo?
Prevaleceria a versão que a chamada “grande imprensa”, imbuída da missão de derrotar o “lulopetismo”, apresenta diariamente. Mesmo que satisfeito, objetivamente, com Dilma (como tinha estado com Lula), o cidadão talvez hesitasse em dizê-lo, imaginando que estava isolado e que só ele tinha uma boa opinião do governo. Inversamente, as oposições suporiam que contam com o apoio da maioria.
Sem as pesquisas, Dilma não teria algo que Lula também teve, uma “âncora de popularidade”, necessária para construir e manter uma coalizão governativa nas condições institucionais vigentes. Se o Congresso só tivesse esses jornais e revistas para ler, se sentiria no dever de providenciar o impeachment da presidente.
Elas são falíveis e sujeitas a muitas críticas. Mas, em um país como o nosso, as pesquisas acabam por contribuir, de forma nada irrelevante, para com a democracia.
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
Leia Mais ►

A realidade da Reforma Agrária na Campanha gaúcha

Júlia Aguiar produziu um vídeo-documentário sobre a reforma agrária no extremo Sul do Brasil, como parte de sua dissertação de mestrado em Geografia na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Com a assistência-geral de André de Oliveira e realização do Coletivo Catarse, o documentário procura mostrar a situação produtiva dos territórios de reforma agrária na região de Santana do Livramento, bioma Pampa.
O trabalho parte de uma contradição inicial: cerca de 70% dos alimentos in natura consumidos pela população de Santana do Livramento são importados de Porto Alegre, viajando mais de 500 quilômetros por via rodoviária, quando há cerca de 1.000 famílias assentadas na região, produzindo ou podendo produzir alimentos. O documentário procura entender por que isso acontece e mostrar o que os assentados estão produzindo, como se organizam e os obstáculos que enfrentam para que a sua produção chegue à cidade. Um retrato obrigatório para todo mundo que trabalha com e pela Reforma Agrária.
FICHA TÉCNICA
Direção geral: Julia Aguiar
Assistência-geral: André de Oliveira
Pesquisa: Julia Aguiar
Orientação: Prof. Álvaro Heidrich
Apoio: PosGea – UFRGS / Capes
Realização: Coletivo Catarse
Duração: 35 min. Ano: 2011
No RS Urgente
Leia Mais ►

BBC deixa de usar aC e dC; jornal do Vaticano reage

As emissoras de TV e de rádio da BBC (British Broadcasting Corporation) deixaram de usar as abreviaturas aC (antes de Cristo) e o dC (depois de Cristo) como referências históricas, substituindo-as, na tradução para o português, por "antes da era comum" e "era comum".
A BBC informou que decidiu pela mudança por se tratar de uma empresa ligada ao Estado, que é laico, e também em respeito às pessoas de outras religiões.
O jornal L'Osservatore Romano, porta-voz do Vaticano, reagiu com uma contundência que não lhe é habitual. Disse que a empresa optou pela “hipocrisia historicamente insensata”.
"Muitíssimos não cristãos disseram que não se sentem ofendidos pela datação tradicional, pelo aC e dC”, disse o jornal.
“O que está bem claro é que o respeito a outras religiões é só um pretexto [da BBC], porque o que se pretende é apagar qualquer marca do cristianismo na cultura ocidental”, disse o L'Osservatore.
A até o final da tarde desta terça-feira (4), a BBC não tinha comentado o artigo do jornal. O Vaticano já vinha acusando a emissora britânica de ter tomado uma postura nitidamente antirreligiosa, principalmente em relação ao catolicismo.
Recentemente, a Austrália determinou que as referências aC e dC fossem retiradas dos livros didáticos, em uma medida que deverá entrar em vigor em 2012. O arcebispo Peter Jensen, de Sidney, taxou a decisão de “uma tentativa absurda” de expulsar Jesus Cristo da história.
Leia Mais ►