4 de out. de 2011

Mino sobre a Veja: "Criei um monstro"

O mediador levou cerca de cinco minutos para fazer as devidas apresentações e relembrar apenas algumas das experiências profissionais vividas pelo convidado da noite de abertura da 19 Semana de Jornalismo da Faculdade Cásper Líbero. Ele subiu ao palco e, ao receber o microfone, confessou que naquelas situações fica sempre tentado a cantar "Strangers in the night", imortalizada na voz de ninguém menos que Frank Sinatra. A plateia (o auditório estava lotado) se animou e insistiu, entoando o tradicional coro de "canta, canta!". "A tentação é forte. Mas vou conter a empolgação. Resistirei", recusou elegantemente o jornalista Mino Carta, diretor de redação da revista CartaCapital. O que se ouviu então, e durante quase as duas horas seguintes, foram sinceras e mais do que relevantes lições sobre elementos e princípios do (bom) Jornalismo.
Mino reconheceu que não seria exatamente portador de boas notícias. Apesar de vislumbrar que no longo prazo o Brasil será um país feliz e muito importante no cenário internacional, ressaltou que ainda não alcançamos tal estágio justamente por conta de nossas elites - que classifica como uma das piores e mais atrasadas do mundo. "A elite herdeira do ideal da Casa Grande cuidou para que as coisas por aqui continuassem medievais. É assim que nossas oligarquias sobrevivem".
Por consequência lógica, completou Mino, o jornalismo não escapa desse cenário. Expressa e representa o que somos, como somos, os nossos conflitos - e atrasos. Ele citou como exemplo a cobertura feita pela mídia grande na semana passada a respeito do título de doutor honoris causa recebido pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condecorado pelo Instituto de Estudos Políticos de Paris (Sciences Po, uma das instituições mais importantes e renomadas do mundo na área), por conta da "revolução econômica e social pacífica promovida no Brasil nos últimos oito anos".
Na entrevista coletiva ocorrida após a homenagem, repórteres brasileiros presentes à cerimônia faziam questão de não esconder o inconformismo com a conquista. Como lembrou Mino, um deles perguntou ao diretor do Instituto francês como era possível alguém receber o título sem que jamais tivesse lido livro algum... Um segundo questionou: como entregar algo tão grandioso a alguém que permitiu a corrupção em larga escala? E um terceiro ainda explicitou que era inexplicável que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso não tivesse alcançado o mesmo grau. "Essas perguntas provam muita coisa", alertou Mino, reconhecendo que Lula, durante os dois mandatos, deixou de promover mudanças que o jornalista considerava importantes, mas também destacando que o balanço final que faz da "Era Lula" é positivo, além de reforçar que a eleição e o governo de um ex-metalúrgico significaram um divisor de águas na História do país, pela simbologia que carregam. "Naquele momento, indignados, os jornalistas estavam expressando o discurso dos patrões e claramente manifestando seu ódio de classe", confirmou. "Os donos de nossos meios de comunicação adorariam viver em uma democracia sem povo. E somos o único país do mundo onde jornalista chama o patrão de colega", completou, contrariado.
Sem minimizar a importância da universidade, Mino disse que é nas redações que se aprende a ser jornalista. Para tanto, segundo ele, é preciso reunir alguns talentos. O primeiro: lidar bem com o vernáculo. Segundo: desenvolver sólido conteúdo moral. Foi nesse momento que Mino recordou de seus tempos de enfrentamento com a ditadura militar, quando, revelou, entendeu com profundidade a serventia do jornalismo - se não para mais nada, para narrar as histórias daquele tempo horroroso, a partir do viés dos vencidos, daqueles que não tinham voz.
Mino contou que foi também durante os anos de chumbo que leu "Entre o passado e o presente", da filósofa alemã Hannah Arendt. De forma bem resumida, na obra a pensadora analisa a verdade que cada um carrega consigo - "são nossas opiniões ou tentativas de interpretação", diferenciou o jornalista, para em seguida acrescentar: "mas há uma verdade factual, contra a qual o jornalista não pode brigar". Mino fez uma pausa e tomou um longo gole d'água. "Tomei água. Eis uma verdade factual. É a ela que o jornalista deve fidelidade canina. É mais um fundamento básico da profissão". A partir do fato, o desafio é dar voz a todos os envolvidos, de maneira plural, sem preconceitos - e a opinião do repórter, admite Mino, pode até ser evidenciada, desde que honestamente anunciada como tal.
Para o diretor de redação de Carta Capital, no entanto, o jornalismo brasileiro não respeita essa premissa básica do buscar a verdade factual. "Omite quando convém ao dono do veículo, ao político, ao empresário. Isso quando não patrocina conscientemente a distorção, a invenção, a mentira. E dizia Hannah Arendt que, quando uma verdade vai ao fundo do mar, não pode mais ser recuperada", lamentou. Por fim, Mino fez questão de dizer com muita convicção que o jornalista precisa ainda ser movido por candente espírito crítico, para fiscalizar os poderes - os donos do poder, como diria Raymundo Faoro- e todos eles, não apenas o político.
Um aluno na plateia perguntou: se o cenário será diferente no longo prazo, o senhor consegue avaliar de onde virão as transformações? Mino foi incisivo: não tem fórmulas mágicas. Mas reconheceu que as mudanças passam pela democratização, pela regulamentação e pelo controle social da mídia. "É procedimento absolutamente normal em outros países democráticos. É indispensável para definir limites e deveres", afirmou. O problema, completou, é que os barões da mídia não querem nem pensar nessa hipótese e, sempre que o debate vem a público, saem gritando "estão querendo nos censurar, cercear a liberdade de expressão". O governo então recua, acomoda-se, lamentou mais uma vez Mino. Para ele, é uma dinâmica semelhante àquela que resultou na criação da Comissão da Verdade. "É difícil acreditar que, do jeito como foi concebida, poderá mesmo revelar alguma coisa". E fulminou, sem tergiversar: "O problema é que o poder, inclusive o petista, adora aparecer na TV Globo e dar entrevistas para as páginas amarelas da revista Veja".
Sobre a revista semanal da editora Abril, que Mino Carta ajudou a idealizar e a criar, ainda no final dos anos 1960, em plena época de terror da ditadura, o jornalista não dourou a pílula: "Veja é hoje monstruosa, hedionda. Eu criei um monstro". Para ilustrar, e mais uma vez provocado pela plateia, ele citou a recente matéria de capa sobre as "relações perigosas" do ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu. "Pois é, não tenho admiração divina alguma pelo senhor José Dirceu. Mas com aquele texto o que Veja conseguiu foi só imitar à perfeição o jornalismo feito por Rupert Murdoch. Mas o que esperar da Veja? É assim mesmo. É a Veja", disparou.
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Gershwin

Curioso (isso não se vê com muita frequência)...a obra de um compositor judeu (Gershwin), executada (sublimemente, aliás) por um maestro japonês(Osawa), um trio de solistas negros (Marcus Roberts Trio) e uma orquestra branca (Berliner Philharmoniker)... o resultado é... magnífico, uma das melhores versões de Rapsody in Blue que já vi, e a mais criativa, sem dúvida.
PapaMideNite3
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Resposta ao acadêmico sem livro

Hoje, sou brindado com os ataques do senhor Merval Pereira em sua coluna. Natural, ele se incomoda demais com os políticos que não lhe são sabujos, em busca da “honra” de ser citado pelo lorde, onipresente nas telas, páginas e sons do império Globo.
Ele tem o direito de citar quem quiser. O Globo é o seu castelo e nele o nosso sublorde pode receber quem quiser.
Não pode, porém, mentir e agir movido exclusivamente por seus ódios.
Porque Merval, que não me ouviu para escrever, diz que sou exceção na bancada do Estado do Rio por “pensando estar ajudando a presidente Dilma, defende publicamente que o Estado do Rio, que ele deveria representar e defender, abra mão de recursos que são seus para conseguir um acordo com os demais estados”.
Naturalmente tirou isso de um dos muitos desvãos sombrios de sua mente.
Merval, o “herói do Rio de Janeiro”, que nunca abriu a boca que o bigode lhe oculta para enfrentar os que discriminaram e perseguiram o Rio de Janeiro quando Brizola governou este estado – era mais fácil e agradável discriminar e perseguir o próprio Brizola – sabe que se não houver acordo, como não houve quando se aprovou a emenda Ibsen, o Rio corre o risco de perder até mesmo o que já recebe. É obvio que, e certamente com o meu voto pela manutenção do veto de Lula, 46 deputados federais e três senadores não podem fazer maioria no Congresso. Mas isso não lhe importa, porque ele e o império a que serve jamais se importaram com o Rio de Janeiro.
De onde este senhor tirou a ideia de que defendo que o Rio “abra mão de recursos que são seus”? Desde o início tenho afirmado que não é correto que se retirem os recursos que já pertencem ao Rio, e qualquer leitor deste blog sabe disso. Outra coisa, e bem diferente, é aceitar novas regras de divisão para o petróleo novo que virá do pré-sal, ainda não licitado e sobre o qual o nosso direito será o que a lei prever. E foi isso que provocou a reação da esmagadora maioria do Congresso e levou à aprovação da emenda Ibsen, por 369 a 72. Repetir a intransigência só levará à mesma reação e a um resultado semelhante.
Mas Merval não liga, acha até bom para insuflar o Rio contra Dilma.
O argumento de “abrir mão de recursos que são seus”, é curioso, no raciocínio – se é que se pode chamá-lo assim – de Merval, só serve para nós. A União, é claro, deve abrir mão de recursos que são seus. E, quem sabe, os defensores da emenda Ibsen possam usar o mesmo argumento, pois com a queda do veto de Lula, os recursos também serão seus.
Aliás, Merval já escreveu, há um ano, sobre a “traição” de Lula a Cabral. E Lula não traiu coisa alguma, assumiu o ônus de vetar a emenda.
Quanto a me chamar de deputado sem voto, espero ter conseguido mais alguns com os ataques de Merval, para somar aos 55 mil que tive. Se assumi, como primeiro suplente, o mandato, foi por confiança da presidenta Dilma e do Governador Sérgio Cabral na lisura de minhas posições e na honradez de meus atos. Aliás, estive ontem com o governador e não lhe ouvi qualquer queixa sobre minha posição. E o deputado Zveiter, devidamente informado do que penso, disse diante de todos que não tinha razão para deixar a secretaria do Trabalho.
Portanto, Merval dá um tiro n´água. A vontade de vingar-se do nome Brizola o leva a este transtorno. E a um comportamento rastaquera.
Merval pode chamar-me de deputado sem voto, embora eu os tenha tido em maior quantidade do que diversos deputados. Não brigo com os fatos, e sou um suplente em exercício. Se não tem como me atacar moralmente, senão falseando minhas posições, partir para este tipo de argumento é desqualificar-se.
Eu não parto para o mesmo tipo de agressão, chamando-o de “acadêmico sem livro”, porque, afinal, ele já publicou uma compilação de seus artigos em O Globo, que certamente está entre as mais importantes obras da literatura brasileira, ao ponto de levá-lo à Casa de Machado de Assis. Portanto, como se vê, é detentor de um talento literário que se ombreia ao de seu inspirador, Roberto Marinho.
Deputado Brizola Neto
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Discurso da presidenta Dilma na Europalia

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Depois do Rock in Rio...

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Lei "Pai d'Égua": pérola do ridículo

Reproduzo esse preciosismo, que deverá entrar para os anais legislativos brasileiros como exemplo de espalhafatismo cultural e de um parlamento que não está preparado para defender, realmente, a sociedade que representa: seja por reduzir a identidade e a cultura a formas icônicas banais, enfraquecendo-as; seja por reduzir a dimensão conflitiva da cultura e da sociedade a padrões superficiais de identidade. Será que, depois dos escândalos havidos, ninguém tem nada melhor para fazer na Assembléia Legislativa do Estado do Pará?
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Blairo com bens bloqueados. É terra que não acaba mais

Ao lado do ex-secretário de Saúde, Marcos Henrique Machado, ele também teve quebra do sigilo fiscal por improbidade administrativa na contratação da empresa Home Care Medical
O senador e ex-governador de Mato Grosso, Blairo Maggi, do PR, e o desembargador do Tribunal de Justiça (TJ-MT) e ex-secretário de Saúde, Marcos Henrique Machado, tiveram a quebra do sigilo fiscal e o bloqueio de bens, em até R$ 9,8 milhões, decretados, ontem, pela Justiça Federal em Mato Grosso, segundo a Rádio CBN.
Blairo Maggi e Marcos Machado são acusados pelo Ministério Público Federal (MPF) de improbidade administrativa na contratação da empresa Home Care Medical Ltda, no primeiro mandato de Blairo como governador (2003-2006). De acordo com o MPF, teria ocorrido superfaturamento na contratação de serviços para a Secretaria Estadual de Saúde.
O senador matogrossense é o maior produtor de soja do mundo, com fazendas que somam mais de 150 mil hectares. Além do grupo Amaggi, ele também é proprietário da Hermasa, empresa que faz o transporte de grãos em barcaças na Amazônia.
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A sangria da Telefônica

Com preços mais altos e cultura monopolista, empresa, comandada aqui por Antonio Carlos Valente, sofre debandada de clientes. Espanhois buscam alternativas
É delicada a situação da operadora Telefônica em seu país natal. No último mês, de acordo com dados publicados pelo jornal El Pais, a empresa Movistar, marca usada pelo grupo Telefônica em suas operações de telefonia celular em todo o mundo, exceto o Brasil, perdeu 100 mil clientes de voz, além de 26 mil conexões de banda larga.
Com a Espanha em crise, os clientes têm deixado o nacionalismo de lado e buscado ofertas mais vantajosas de concorrentes – tida como uma empresa de cultura monopolista, a Telefônica pratica os preços mais altos do mercado.
Em um ano, a participação de mercado da Movistar na Espanha caiu de 43,5% para 40,6% na telefonia móvel. Na banda larga, houve queda de 53,7% para 50,3%.
No Brasil, a Telefônica, comandada por Antonio Carlos Valente, ex-diretor da Anatel, é também líder de mercado nas telefonias fixa e móvel, com a antiga Telesp e a Vivo. Mas a empresa vem sendo cada vez mais assediada por concorrentes, como TIM e Claro.
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Brizola e os royalties

O grande amigo Apio Gomes, companheiro e fiel guardião da memória dos quase 600 textos publicados por Leonel Brizola em seus “tijolaços”, manda uma preciosa contribuição a esta história dos royalties do petróleo.
Pouca gente sabe, mas se o Rio não recebia nada pelo petróleo da Bacia de Campos. Conseguiu, a duras penas, ter o mesmo tratamento legal do petróleo extraído de outras áreas.
Deixemos que o próprio Leonel Brizola explique:
“O Congresso Nacional deverá estar decidindo, neste momento, sobre os chamados “royalties” do petróleo. O povo do Rio de Janeiro precisa saber, em detalhes, o que vem se passando com esta importante questão. Trata-se de uma causa mais que justa; um direito mesmo das populações de cujos estados se extrai petróleo, em terra ou em suas plataformas marítimas.(…)
Ao aprovar este projeto, o Congresso inspirou-se na legislação original que instituiu a Petrobras. Efetivamente, a Lei 2004/53, em seu artigo 27, § 4º, determinou que aos estados e municípios onde houvesse extração de petróleo caberia uma participação de 5%, também a título de indenização pelos problemas e transtornos decorrentes. Estes foram os objetivos e o espírito da Lei. Não se estabeleceu o mesmo em relação às plataformas submarinas porque, à época, não se previa este tipo de exploração. Tratou-se, por conseguinte, no atual projeto, de estender, com os mesmos fundamentos, benefícios e direitos já reconhecidos e consagrados em lei, há cerca de 30 anos. (28 de setembro de 1984.)
Só que, mesmo aprovado o projeto, o Congresso não derrubou o veto então Presidente João Figueiredo.
Veio a Nova República e José Sarney, cumprindo (na aparência) o compromisso firmado por Tancredo Neves com Brizola, retirou o veto. Retirou, mas não pagou.
“Como é do conhecimento de todos, o Governo Federal, através da Petrobras, deveria ter repassado ao Estado, no dia 2 deste mês, a quota correspondente aos royalties do petróleo do 1º semestre deste ano (cerca de 150 milhões de cruzados - nota: US$ 10, 7 milhões). É o que determina a lei. No dia 2 último, oficiamos ao Presidente da Petrobras, indicando a conta do Estado no Banco do Brasil, onde estes recursos do povo do Rio de Janeiro deveriam ser depositados. O Sr. Presidente da Petrobras informou que dependia de uma determinação do Conselho Nacional do Petróleo. Fomos ao Presidente do CNP, o qual nos declarou que o assunto está sendo discutido no Planalto (Ministro Marco Maciel) e no Ministério de Minas e Energia (Ministro Aureliano Chaves). Recolhemos a informação de que o pagamento ao Estado dependeria de uma nova lei (!). O Presidente Sarney sancionou a lei dos royalties em Campos, comprometendo, frente ao povo fluminense, a sua própria palavra. Se dependiam de alguma regulamentação para entregar estes recursos aos municípios, por que não tomaram estas providências nestes quase quatro meses? Mas, no caso do Estado, a rigor, não existe razão alguma para novas exigências. Não há o que regulamentar. A Petrobras sabe o óleo e o gás que extraiu e dispõe dos preços. Basta um simples cálculo, isto é, 1,5% sobre este total; e nada mais, senão depositar estes recursos em nome do Estado. O que se pretende, afinal?” (25 de abril de 1986)
O que se pretendia era não pagar os royalties enquanto Brizola estivesse no Governo. Seis meses depois, ele escrevia:
“Foram anos de luta. Aprovação unânime do Congresso. O Presidente Sarney veio a Campos promulgar a Lei. Vetou a restrição introduzida pelos politiqueiros do PMDB–PFL para que os pagamentos só se realizassem a partir do segundo semestre (eleições…) Vejam: este é o espírito e a letra da decisão presidencial. Antecipar e não retardar os pagamentos. Acima de tudo era a palavra do Primeiro Magistrado da Nação. E que se verificou? Quando, no dia 2 de abril, procuramos receber a primeira quota, nos termos da lei e do compromisso solene do Presidente da República, nos deparamos com esta vergonha. Todos se escusavam, pois ficaram quatro meses sem tratar do assunto. Há muito já deviam estar combinados. Foi, então, que mandaram um novo projeto de lei para o Congresso. Uma nova lei para regulamentar outra lei, invocando falsas razões. No caso do Estado, a lei é auto-aplicável. O que não queriam e não querem é repassar estes recursos ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, por mesquinhas preocupações eleitoreiras. O Sr. José Sarney demonstrou ser um presidente fraco. Permitiu que o facciosismo e a politicagem tivessem mais peso que a sua palavra. O que é isso se não uma política discriminatória? E mais ainda, um procedimento faccioso e lesivo ao interesse público. Aos cúmplices que vivem aqui e se nutrem do Rio de Janeiro, não adianta argumento algum. As Organizações Globo, por exemplo, chegam a ponto de não considerar este episódio um fato jornalístico, digno de seu noticiário. Nos primeiros dias de abril, deveriam repassar ao Estado cerca de Cz$ 300 milhões (300 bilhões de cruzeiros). Daqui a uma semana, deviam estar repassando quantia igual. Tudo indica que o repasse de outubro também não será feito. Aí temos, portanto, quase 1 bilhão de cruzados (1 trilhão de cruzeiros – nota: cerca de US$ 75 milhões ) subtraídos à população e à economia do Estado do Rio de Janeiro. Entrego ao sereno julgamento da população este vergonhoso episódio.”
Os royalties do petróleo, afinal, só foram pagos ao Rio de janeiro quando Moreira Franco instalou-se no Palácio Guanabara.
Quem viveu esta história de discriminação não pode concordar que o Rio perca aquilo que levou tanto tempo para conquistar. Do mesmo modo que não pode, por uma questão de justiça, deixar de reconhecer que há tanto petróleo no pré-sal que não se pode pretender, para ele, o mesmo tratamento que se dava a jazidas muito menores.
Não existiam as participações especiais e os valores das receitas eram, como você viu, muitíssimo inferiores aos atuais, que chegam perto de US$ 6 bilhões, no total. Mesmo com a inflação do dólar nestes 25 anos, não são quantias comparáveis. Mesmo menores, porém, fizeram muita falta ao Estado.
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O Dever e a Coragem

As investigações sobre a morte da juíza Patrícia Acioly conduzem a angustiosas reflexões sobre a insegurança no Brasil e no mundo. Em primeiro lugar, temos a perversão das forças policiais de segurança, infectadas pelos atos criminosos, que não se limitam aos cabos e soldados, mas chegam à cúpula de certas corporações, como é evidente na Polícia Militar do Rio de Janeiro. Essa abjeta contaminação dos policiais – que, apesar de sua gravidade, não compromete senão parcela das tropas – é explicada, por muitos especialistas, como produto do tráfico de drogas e de outras formas do crime organizado. Isso nos leva à questão que exige atitude corajosa dos estados nacionais: a das drogas. Não é necessário registrar o emprego dos narcóticos em rituais religiosos, para entender que as drogas fazem parte do humano viver. O que tornou grave o consumo foi a sua inclusão no circuito capitalista, ou seja, sua transformação em mercadoria.
Isso ocorreu no século 19, e trouxe, como primeira e gravíssima conseqüência, a Guerra do Ópio, quando a Inglaterra e outras potências européias massacraram a China e transformaram o grande país em colônia, ao impor, manu militari, o consumo da droga, comercializada por empresas européias, e produzida na Índia, da qual fazia parte o Paquistão, e no Afeganistão.
Nenhuma droga é mais consumida e mais danosa ao mundo contemporâneo do que a cocaína. Os povos andinos mastigam as folhas da coca há milênios, a fim de aliviar as penosas condições do altiplano, com a rarefação do ar. O alcalóide favorece a absorção do oxigênio e combate a fadiga. Foi a partir dessas qualidades medicinais, que o químico alemão Albert Niemann conseguiu isolar o princípio ativo da planta, com o nome de cocaína, em 1859-60. Depois de ser usada como anestésico, a cocaína foi também empregada para combater o vício da heroína, tido como muito mais danoso. Mas foi a partir de 1883 que o consumo da droga entrou no circuito comercial. O farmacêutico italiano Ângelo Mariani misturou cocaína ao vinho, a fim de produzir um tônico fortificante, indicado para a cura da tuberculose. O Vinho Mariani foi consumido e elogiado por grandes personalidades, mostrando que a Coca-Cola, que foi sua continuidade, teve precedentes de marketing em que se inspirar. Entre outros consumidores, que aconselhavam seu uso, se encontrava o Papa Leão XIII, escritores como Robert Louis Stevenson e cientistas como o próprio Freud. A Coca Cola nasceu diretamente do Vinho Mariani, e, até hoje, como foi revelado sem desmentidos, em sua fórmula se emprega o extrato de coca. Relembre-se que a empresa mantinha, se ainda não mantém, uma plantação de coca na Bolívia, que foi preservada da erradicação dos cultivos, promovida pelos Estados Unidos há alguns anos.
A combinação entre o tráfico de drogas, o crime organizado e a corrupção assustadora dos meios policiais, está transformando o México em um pesadelo cotidiano e permanente. Antes que a situação em nosso país se torne tão grave, como a do grande vizinho do Norte, teremos que enfrentar o problema com decisão e coragem. É necessário legalizar o uso das drogas, por mais que essa decisão encontre a oposição das almas bem intencionadas. Seria bom que o Estado dispusesse do poder de exterminar o tráfico e eliminar o consumo de drogas, e evitar as conseqüências infernais de seu comércio clandestino. Como isso não ocorre, o melhor será legalizar a produção e comercialização de todas elas, sob a administração direta dos estados interessados. O consumo da droga deve ser tratado como um problema de saúde pública, assim como são tratados os casos de psicopatia. Os viciados, sem prejuízo do tratamento de desintoxicação e de ajuda psicológica para que abandonem o hábito, devem ter o direito de comprar a droga e a consumirem sob assistência hospitalar. Com a legalização e transparência do consumo e comércio das drogas, não haverá mais o terror das chacinas de pequenos traficantes, nem a promiscuidade entre os chefes do tráfico, a polícia e as autoridades civis.
O caso da juíza Patrícia Acioly é emblemático. Ela foi rigorosa, contra os policiais que assassinavam pessoas inermes. Não foi a primeira personalidade do mundo judiciário a morrer pela sua coragem no dever de julgar. Os juízes criminais, bem como os membros do Ministério Público, vivem em constante sobressalto, sob ameaça, e não esmorecem no cumprimento de seu dever na defesa da sociedade.
O Estado tem sido incapaz de proteger os seus magistrados, da mesma forma que há casos comprovados de apodrecimento do poder judiciário, seja pela corrupção, seja pela violência, como ocorreu em Sobral, no Ceará, em 2005, quando o juiz de Direito Pedro Percy Barbosa de Araújo matou o trabalhador José Renato Coelho Rodrigues, modesto vigia de um Supermercado, por motivo mais do que fútil: o vigia se negara a abrir a porta, já fechada, às 22,30, para o comprador qualificado. O juiz, depois de atendido, foi a seu carro, buscou a arma e matou friamente o trabalhador com dois tiros na nuca. Condenado a 15 anos, o magistrado teve o benefício do destino, e morreu três anos depois – aos 57 anos. Viver, mais do que nunca, é hoje privilégio do acaso.
Outros magistrados foram corruptos comprovados, como o juiz do Trabalho Nicolau dos Santos Neto, que continua vivo, em prisão domiciliar, pela sua saúde precária, aos 83 anos.
É necessário o rigoroso cumprimento da ordem da lei – desde que ela seja equânime e não ad personam, como costuma ocorrer entre nós, quando as leis se aprovam para beneficiar determinadas pessoas, como ocorreu no governo Fernando Henrique com a reeleição e o projeto de privatizações.
As leis que promovam a igualdade de direitos, e deveres, entre todas as pessoas são a única esperança de que tenhamos alguma paz e justiça na sociedade dos homens.
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Os tempos mudam

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Em agosto, produção industrial varia -0,2%

Em agosto de 2011, o índice da produção industrial registrou variação negativa de 0,2% em relação ao mês anterior, na série livre de influências sazonais, praticamente eliminando o acréscimo de 0,3% observado em julho.
Na comparação com igual período do ano passado os índices da indústria foram positivos: 1,8% em agosto de 2011, resultado mais elevado desde maio último (2,5%), e 1,4% no acumulado do período janeiro-agosto de 2011. A taxa anualizada, índice acumulado nos últimos doze meses, manteve a trajetória descendente iniciada em outubro de 2010 (11,8%), ao passar de 2,9% em julho para 2,3% em agosto.
A publicação completa da pesquisa pode ser acessada nesta página aqui.
O setor industrial permaneceu em agosto com o quadro de menor ritmo produtivo observado nos últimos meses, expresso não só na variação negativa de 0,2% frente ao patamar do mês anterior, mas também no ligeiro acréscimo assinalado em julho (0,3%). Ainda na série com ajuste sazonal, a evolução do índice de média móvel trimestral reforça o quadro de menor dinamismo do setor industrial, uma vez que o setor industrial volta a marcar resultado negativo nesse mês, após ficar ligeiramente positivo no mês anterior. Na comparação contra igual período do ano anterior, o setor industrial apontou resultado positivo no índice mensal de agosto, após registrar queda em julho. Vale destacar a influência do efeito calendário, já que agosto de 2011 teve um dia útil a mais que igual mês do ano anterior. Na análise dos índices por quadrimestres, a produção industrial cresce há seis períodos consecutivos, mas com clara diminuição no ritmo de crescimento, ao assinalar expansão de 1,6% nos quatro primeiros meses de 2011 e 1,2% no período maio-agosto, após registrar 18,0% no primeiro quadrimestre do ano passado, 10,7% no segundo e 4,1% no último, todas as comparações contra igual período do ano anterior.
Entre os ramos, 11 tiveram queda e 16 registraram alta em agosto
Na formação da taxa de -0,2% observada na passagem de julho para agosto, 11 das 27 atividades pesquisadas apontaram redução na produção, com o principal impacto negativo sobre a média global vindo do setor de alimentos (-4,6%). Vale destacar também as pressões negativas registradas por edição e impressão (-7,8%), que devolveu parte dos 15,8% assinalados em julho último, material eletrônico, aparelhos e equipamentos de comunicações (-5,9%), outros produtos químicos (-1,6%), borracha e plástico (-2,4%) e máquinas, aparelhos e materiais elétricos (-3,2%). Por outro lado, entre os 16 ramos que ampliaram a produção, as influências mais relevantes sobre o total da indústria foram observadas nos setores de máquinas e equipamentos (3,0%), fumo (38,3%), impulsionado em grande parte pelo prolongamento da safra, veículos automotores (1,0%), farmacêutica (2,4%), perfumaria, sabões e produtos de limpeza (4,7%) e celulose e papel (1,5%).
Entre as categorias de uso, ainda na comparação com o mês imediatamente anterior, bens de consumo duráveis (-2,9%) apontou a queda mais acentuada em agosto de 2011, eliminando o crescimento de 2,6% registrado em julho último. Os segmentos de bens de consumo semi e não duráveis (-0,9%) e de bens intermediários (-0,2%) também mostraram índices negativos, com o primeiro devolvendo parte dos 3,2% assinalados em julho, e o segundo acumulando perda de 2,4% nos últimos três meses de queda na produção. O setor produtor de bens de capital, ao avançar 0,9%, foi o único que registrou expansão na produção nesse mês, após crescimento de 2,0% no mês anterior.
Média móvel trimestral ficou em -0,4%
Com o resultado negativo na passagem de julho para agosto, o índice de média móvel trimestral voltou a mostrar queda, com o trimestre encerrado em agosto reduzindo em 0,4% o nível de julho, após ficar praticamente estável no mês anterior (0,1%). Por categorias de uso, com exceção de bens de capital, que avançou 0,7% em agosto, os demais segmentos assinalaram taxas negativas, com destaque para bens intermediários, que apontou a maior queda entre julho e agosto (-0,8%), vindo a seguir os setores produtores de bens de consumo duráveis e de bens de consumo semi e não duráveis, ambos com redução de 0,3% nesse mês.
Produção industrial avança 1,8% na comparação com agosto de 2010
Na comparação com igual mês do ano anterior, a produção global da indústria assinalou expansão de 1,8% em agosto de 2011, revertendo a queda de 0,7% observada em julho. O resultado desse mês teve perfil disseminado de crescimento, já que todas as categorias de uso e 17 das 27 atividades investigadas sustentaram taxas positivas. Vale citar que agosto último (23 dias) teve um dia útil a mais que igual mês do ano anterior (22). Entre os setores, as contribuições positivas mais relevantes sobre a média da indústria vieram de veículos automotores (5,8%), edição e impressão (17,2%), máquinas e equipamentos (5,6%), fumo (78,3%), outros equipamentos de transporte (13,6%), material eletrônico, aparelhos e equipamentos de comunicações (10,7%) e bebidas (7,3%). Nessas atividades sobressaíram a maior produção dos itens: caminhões, caminhão-trator e veículos para transporte de mercadorias; livros; centros de usinagem, máquinas de lavar e fornos microondas; fumo processado; aviões e motocicletas; televisores; e refrigerantes, cervejas e chope. Por outro lado, os impactos negativos mais significativos sobre a média geral vieram de outros produtos químicos (-5,5%), têxtil (-15,4%) e alimentos (-2,4%), pressionados pela menor fabricação de herbicidas para uso na agricultura no primeiro ramo, de tecidos de algodão, roupas de banho e fios de algodão no segundo, e açúcar cristal e sucos concentrados de laranja no último.
Entre as categorias de uso, ainda na comparação agosto de 2011/ agosto de 2010, os resultados foram positivos, com bens de capital (8,6%) assinalando ritmo bem superior ao do total da indústria (1,8%), impulsionado principalmente pelo crescimento no subsetor de bens de capital para equipamentos de transporte (18,4%), seguido por bens de capital para fins industriais (10,5%) e para construção (13,8%). Nesses subsetores sobressaíram a maior fabricação dos itens caminhões, caminhão-trator para reboques, aviões e veículos para transporte de mercadorias, no primeiro grupamento, centros de usinagem para trabalhar metais e máquinas e equipamentos para indústria de celulose, no segundo, e aparelhos carregadoras-transportadoras, tratores para terraplenagem e motoniveladores no último. Por outro lado, bens de capital para energia elétrica (-17,6%), para uso misto (-3,2%) e agrícola (-7,2%) exerceram os impactos negativos no total da categoria de uso.
O desempenho de bens de consumo semi e não duráveis ficou 2,1% acima do de agosto de 2010, revertendo dois meses consecutivos de taxas negativas nesse tipo de comparação. Esse resultado foi explicado em grande parte pelos avanços nos grupamentos de alimentos e bebidas elaborados para consumo doméstico (3,9%), outros não duráveis (3,7%) e carburantes (2,3%), impulsionados em grande parte pela maior fabricação de refrigerantes, cervejas e chope, no primeiro setor, livros no segundo, e gasolina no último. Por outro lado, o grupamento de semiduráveis (-8,9%) exerceu a influência negativa nessa categoria de uso, pressionado especialmente pela menor produção de calçados de plástico e de roupas de banho.
Ainda no confronto com igual mês do ano anterior, avançando abaixo da média da indústria (1,8%), figuraram ainda os segmentos de bens de consumo duráveis (1,5%) e de bens intermediários (0,6%). No primeiro setor, as influências positivas vieram da maior fabricação de eletrodomésticos (17,0%), tanto os da “linha branca” (19,1%) como os da “linha marrom” (24,1%), de motocicletas (23,6%), de artigos do mobiliário (10,8%) e de telefones celulares (2,4%), uma vez que os automóveis (-8,8%) mostraram recuo na produção. O acréscimo de 0,6% observado em bens intermediários frente a agosto de 2010 foi impulsionado sobretudo pelos avanços vindos dos produtos associados às atividades de veículos automotores (11,4%), produtos de metal (8,0%), celulose e papel (3,4%), minerais não metálicos (3,6%) e indústrias extrativas (0,9%), enquanto as principais pressões negativas foram registradas por outros produtos químicos (-5,4%), alimentos (-8,5%), têxtil (-12,7%) e refino de petróleo e produção de álcool (-1,0%). Nessa categoria de uso, vale citar também os resultados positivos vindos dos grupamentos de insumos típicos da construção civil (4,9%) e de embalagens (2,2%).
No acumulado em 2011, 16 dos 27 ramos de atividade tiveram crescimento
No indicador acumulado para o período janeiro-agosto de 2011, a taxa global de 1,4% foi explicada, principalmente, pelo desempenho positivo da maioria (16) dos vinte e sete setores pesquisados, com destaque para a contribuição positiva vinda de veículos automotores (5,7%), impulsionado pelos resultados positivos da maior parte dos produtos investigados no setor (aproximadamente 80%). Vale citar também os avanços assinalados em outros equipamentos de transporte (11,7%), edição e impressão (7,2%), minerais não metálicos (4,3%), máquinas e equipamentos (2,1%), farmacêutica (3,9%), indústrias extrativas (2,5%), material eletrônico, aparelhos e equipamentos de comunicações (6,2%) e equipamentos de instrumentação médico-hospitalares, ópticos e outros (12,5%). Nesses setores, sobressaíram a maior produção de caminhões, veículos para transporte de mercadorias e caminhão-trator; aviões e motocicletas; livros e revistas; ladrilhos e placas de cerâmica e cimentos “portland”; aparelhos carregadoras-transportadoras, máquinas e equipamentos para indústria de celulose, motoniveladores e fornos microondas; medicamentos; minérios de ferro; telefones celulares; e relógios. Por outro lado, os ramos de produtos têxteis (-14,3%), outros produtos químicos (-3,2%), alimentos (-1,3%) e calçados e artigos de couro (-9,5%) exerceram as principais pressões negativas sobre a média da indústria, influenciados em grande parte pelos itens roupas de banho e tecidos e fios de algodão; herbicidas para uso na agricultura; açúcar cristal e sucos concentrados de laranja; e calçados de plástico e de couro, respectivamente.
Entre as categorias de uso, ainda no índice acumulado no ano, os resultados permaneceram positivos com o segmento de bens de capital (5,6%) confirmando o maior dinamismo em 2011, ao apontar crescimento bem acima do total da indústria (1,4%), sustentado em grande parte pela maior produção de bens de capital para equipamentos de transporte. O setor produtor de bens de consumo duráveis, que avançou 1,8% frente a igual período do ano anterior, também assinalou expansão acima da média global, enquanto bens intermediários (0,6%) e bens de consumo semi e não duráveis (0,6%) registraram os avanços mais moderados entre as categorias de uso.
No IBGE
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Retrato da elite brasileira através de um artista em estado crítico

Acioli - Nada a declarar


Direção: Gustavo Acioli
2003 - Ficção, cor, 9 minutos, 35 mm, Brasil.
Elenco: Bruce Gomlevsky e Júlia Carrera. Participação Especial: Gabriel Brasileiro Palmeira
Direção e Roteiro: Gustavo Acioli
Produção: Lara Pozzobon e Diego Catta Preta
Fotografia e câmera: Paulo Castiglione
Montagem: Alexandre Rocha
Captação e edição de som: Luís Eduardo Carmo
Direção de Arte: Débora Butruce
Maquiagem: Martin Macias Trujillo
Música original: Gustavo Acioli
Arranjo: Leo Guimarães
Prêmios:
Melhor Roteiro - Festival de Brasília 2003 (competindo em 16mm)
Melhor Filme - Cine PE 2004 (competindo em 16mm)
Melhor Direção – 8º FAM (Florianópolis Audiovisual Mercosul – 2004)
Melhor Filme - Mostra Inimaginável 2004 (Belém – PA)
Melhor Filme Júri Popular - CineEsquema Novo 2004 (Porto Alegre RS)
Melhor Ator - Festival de Vitória 2004
Melhor Filme e Melhor Ator – Festival de Curitiba 2004
Melhor Filme Prêmio do Público - Festival do Rio 2004
Apoio:
Decine/CTAv/FUNARTE, Afinal Filmes, Ateliê da Imagem, Hotel Novo Mundo, Fuji Film, Complexo B, Água Fênix.
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Plano Nacional de Banda Larga: os limites da negociação

 Entrevista especial com Marcelo Branco 

O Plano Nacional de Banda Larga proposto pelo governo federal brasileiro pretende expandir o acesso à internet banda larga a 40 milhões de pessoas no país. Mas as negociações do Ministério de Comunicações com as operadoras de telecomunicações têm causado mal-estar entre os defensores da neutralidade na internet. Entre eles, Marcelo D’Elia Branco, (foto), ativista pela liberdade do conhecimento e ex-diretor da Campus Party Brasil, que critica o “acordo” prévio o qual, segundo ele, pode garantir às empresas de telecomunicações a implantação do Plano Nacional de Banda Larga no país.
“O principal erro desse acordo é a tentativa de fazer com que as teles recebam dinheiro pelo volume de conteúdos acessados pelo usuário. Até hoje, dentro da lógica de funcionamento da internet, quem pode cobrar pelos conteúdos na rede é o gerador de conteúdo e não as operadoras. A partir do acordo firmado com o Ministério das Comunicações, as teles, além de ganharem pela largura da banda que oferecem, pela velocidade de transmissão, passarão a limitar a quantidade de conteúdo que o usuário pode baixar durante o mês”, explica ele na entrevista a seguir, concedida à IHU On-Line por telefone.
Branco também defende que estados e municípios participem do Plano Nacional de Banda Larga, já que os governos estaduais e municipais são os que mais gastam com serviço de telecomunicações e acesso à internet. “Qual vai ser a participação do estado do Rio Grande do Sul, por exemplo, no Plano Nacional de Banda Larga, visto que têm estruturas da Companhia Estadual de Energia Elétrica – CEEE, da Cia de Processamento de Dados do Estado do Rio Grande do Sul – Procergs? O governo do estado tem investido muito dinheiro com serviços de Telecomunicações. (...) Se uma empresa tem uma conta gigantesca com um fornecedor, ela tem o poder de barganhar algumas vantagens em uma negociação. Com certeza o maior cliente de Telecom do Rio Grande do Sul é o governo do estado. Então, qual é o papel do governo Tarso nessa discussão?”
Marcelo D’Elia Branco foi por três anos diretor da Campus Party Brasil. Consultor para sociedade da informação, ele é fundador e membro do projeto Software Livre Brasil e também ocupa o cargo de professor honorário da Cevatec – Peru, além de ser membro do conselho científico do Programa Internacional de Estudos Superiores em Software Livre, na Universidade Aberta de Catalunha. Seu blog pode ser acessado pelo link http://softwarelivre.org/branco.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – Em que consiste o Plano Nacional de Banda Larga – PNBL? Quais as vantagens e desvantagens do Plano, considerando-se a realidade brasileira? Ele apresenta metas e garantia de qualidade?
Marcelo Branco – O Plano Nacional de Banda Larga é uma grande expectativa em função da importância que tem a banda larga para o desenvolvimento do país. Não se trata apenas de uma questão de acesso à internet. Da mesma maneira que o Brasil precisa resolver a questão de infraestrutura dos aeroportos, dos estádios de futebol para a Copa, precisa definir por onde vão trafegar as informações e como a estrutura de banda larga irá se expandir pelo país.
A banda larga no Brasil é muito cara, de baixa qualidade e não chega a todos os lugares como deveria chegar. Expandir o acesso à internet é o grande desafio. O Plano Nacional de Banda Larga, anunciado desde o governo do presidente Lula, gerou uma enorme expectativa na sociedade e talvez seja um dos projetos mais esperados do governo da Dilma.
IHU On-Line – Como vê o acordo firmado entre o Ministério das Comunicações com empresas de telecomunicações para que elas toquem o Plano Nacional de Banda Larga, e a notícia de que as teles foram autorizadas a reduzir a velocidade se o usuário ultrapassar 300 megabytes de download por mês? Esse acordo põe em xeque a democratização da internet?
Marcelo Branco – Tenho críticas em relação ao acordo, pois ele tem pontos muito ruins. O lado positivo do acordo é ofertar uma banda larga de 1 MB por 35 reais, porque isso força a concorrência a oferecer internet com mais velocidade por um preço menor. Algumas operadores estão oferencendo 1 MB por menos de 35 reais.
Por outro lado, o plano tem aspectos negativos. Um deles diz respeito a quanto de 1 MB é real. A Agência Nacional de Telecomunicações – Anatel tem que regulamentar essa questão. Parece que a Anatel está trabalhando na perspectiva de garantir que 60% da banda vendida pelas operadoras seja garantida como banda real.
O principal erro desse acordo é a tentativa de fazer com que as teles recebam dinheiro pelo volume de conteúdos acessados pelo usuário. Até hoje, dentro da lógica de funcionamento da internet, quem pode cobrar pelos conteúdos na rede é o gerador de conteúdo e não as operadoras. A partir do acordo firmado com o Ministério das Comunicações, as teles, além de ganharem pela largura da banda que oferecem, pela velocidade de transmissão, passarão a limitar a quantidade de conteúdo que o usuário pode baixar durante o mês.
Essa possibilidade de limitar o acesso ao conteúdo quebra o paradigma da internet. O acordo define que 300 MB é o máximo que um usuário pode baixar no mês. Ao atingir 300 MB no mês, o usuário terá de navegar com uma velocidade muito baixa ou pagará um valor a mais à operadora para aumentar a velocidade de acesso à internet. Então, a operadora, além de cobrar pela velocidade, terá um taxímetro e cobrará pelo volume de conteúdo baixado – o qual não pertence a ela.
Esse acordo é inaceitável e o governo precisa revê-lo urgentemente, pois ele introduz um princípio de quebra da neutralidade na rede. As operadores de telecomunicação podem cobrar por qualidade de serviço, pela velocidade maior, mas não podem cobrar pelo volume de conteúdos que passam pela sua canalização.
1 MB não é compatível com a lógica da internet
O usuário do plano popular do governo (1 MB por 35 reais) terá duas alternativas: terá uma internet superlenta ou terá que pagar mais às operadoras para conseguir uma conexão mais rápida. Comercialmente, para as operadoras essa limitação de 300 megas no plano é um excelente negócio, porque certamente a maioria das pessoas contratará um montante extra. Espero que esse acordo das teles com a Ministério das Comunicações não seja um Plano de Banda Larga, mas sim uma primeira negociação do governo com as operadoras.
Quando falamos em 1 MB, estamos falando em download, ou seja, o quanto a pessoa terá de banda para baixar um arquivo. 1 MB tem apenas 128k de subida de sinal, o que significa isso? 128k é uma velocidade muito baixa dentro da lógica da internet, a qual não serve mais somente para ler e-mail e visitar sites. Hoje em dia, a internet é 2.0, é interativa, e os usuários da rede cada vez mais postam conteúdo. Com 128k é muito difícil postar vídeos no YouTube. O ideal é que a rede seja simétrica, que se tenha a mesma possibilidade e qualidade de baixar e postar conteúdos.
Lobby para acabar com a neutralidade da rede
Na semana passada iniciou-se um lobby muito forte em torno das teles. No Futurecom, em São Paulo, Ethevaldo Siqueira, que sempre defendeu a privatização da Telebras, foi porta voz das teles na seguinte afirmação: “Não é mais possível a internet brasileira crescer sem frear, diminuir velocidade ou sobrepassar conteúdos de vídeo na rede”.
O fluxo de informações que trafega dentro da internet não pode ser tratado de forma discriminada. Isto é, os conteúdos de dados que estão trafegando, seja audio, vídeo ou texto em linguagem html, não podem ter um tratamento diferenciado. Essa é a lei da internet. Todo arquivo que entra na rede disputa o tráfego com os demais conteúdos.
Antigamente, as operadoras de telecomunicações cobravam pelos serviços diferenciados: telefonia para São Paulo-SP custava um valor, telefonia para Canoas-RS, outro, vídeo tinha outro preço, etc. A internet não é uma rede de telecomunicações; ela veio para quebrar esse paradigma. A internet é neutra e esse é um princípio defendido por Tim Berners-Lee, o criador da web.
A afirmação de Ethevaldo Siqueira e a gritaria das teles aponta que há um lobby poderoso em cima do Ministério das Comunicações, em cima da Anatel, para que a neutralidade na rede seja abolida, para que não entre no Marco Civil como um direito do cidadão. As teles querem controlar o fluxo de informações dentro das redes. Assim, o vídeo do concorrente vai ser baixado de modo mais lento do que o vídeo do cliente da operadora, por exemplo.
IHU On-Line – Como vê o corte no orçamento da Telebras?
Marcelo Branco – O corte do orçamento da Telebras é algo preocupante. Num primeiro momento, a presidente Dilma anunciou que a Telebras teria 1 bilhão de reais à disposição para investimento. Os parlamentares reduziram o valor para aproximadamente 300 milhões de reais. Esse orçamento não reflete a prioridade do Plano Nacional de Banda Larga e o papel da Telebras nesse processo de expansão. O orçamento destinado à empresa deveria ser maior.
Quero deixar claro que não acredito e não defendo que todo o Plano de Banda Larga deve ser conduzido pelo governo. O Plano Nacional de Banda Larga deve ser um esforço do poder público, incluindo uma forma de enquadrar o setor privado, para que tenhamos uma banda larga mais barata e de qualidade.
Com a redução do orçamento da Telebras, a empresa não consegue estimular, através dos serviços prestados, para que suas concorrentes privadas baixem o preço da tarifa da internet. Quanto mais a Telebras tiver a possibilidade de construir uma infraestrutura que concorra com aquela das teles privadas, o custo de acesso à internet será barateado.
O Plano Nacional de Banda Larga é um plano estratégico para o governo da Dilma e, portanto, deveria constar no PAC. É estranho que um plano anunciado como prioritário no governo federal não conste no orçamento do PAC. Para a aceleração do crescimento do Brasil, a expansão da banda larga é importante. Recursos do PAC deveriam ser destinado para a melhoria da banda larga.
Lei geral das telecomunicações
Algumas pessoas pensam que o governo federal deveria mudar o regime de exploração de banda larga, que hoje é considerado um serviço de valor agregado, um serviço privado. Se fosse um regime público, na visão dos defensores, seria mais fácil para o governo controlar esse serviço e enquadrar as teles. Não concordo com essa ideia de que o regime público seria a melhor saída para enquadrar o serviço de banda larga, pois isso criaria uma burocracia e uma série de regras de como e quais empresas poderiam prestar serviço de banda larga no Brasil. Essa ideia do regime público coloca uma barreira muito grande para pequenos e médios provedores de serviços de banda larga no Brasil.
Conversei com Cezar Alvarez, do Ministério das Comunicações, e ele disse que o acordo com as teles não consiste em um Plano Nacional de Banda Larga. Aconteceu apenas uma primeira negociação, mas o governo terá que pressionar mais as teles porque, nessa primeira rodada de negociação, as teles sairam ganhando.
IHU On-Line – Além da falta de investimento na Telebras, o que tem dificultado a expansão e o barateamento da internet no Brasil?
Marcelo Branco – O que tem dificultado o barateamento e a expansão da internet é a falta de interesse comercial das operadoras. Elas não têm interesse em atender regiões onde, comercialmente, não obterão lucros. Não existe nenhum mecanismo que enquadre as teles para que elas cumpram um plano de metas.
Por outro lado, a ação da Anatel em São Paulo-SP, por exemplo, não é boa. E estamos falando da capital mais importante do país. Os usuários dos planos de banda larga reclamam que a conexão da internet cai com frequência. Falta firmeza da Anatel para cobrar qualidade dos serviços oferecidos por operadoras privadas.
Não há como fazer um plano de banda larga, no Brasil, a curto ou a médio prazo sem contar com as operadoras. Mesmo que vários governos começassem a operar no setor de telecomunicações, na oferta de banda larga para os usuários finais, mesmo que tivesse orçamento sobrando para isso – o que não é a realidade –, demoraria muito tempo para que a banda larga chegasse até o usuário final. Não é fácil construir uma rede de banda larga com fibras ópticas e rádios em um país com as dimensões do Brasil.
IHU On-Line – Além da utilização de recursos privados, em que consiste um aperfeiçoamento do Plano Nacional de Banda Larga?
Marcelo Branco – Deveria haver mais participação dos estados e municípios, que são os principais interessados no Plano Nacional de Banda Larga. Não vi, no Plano Nacional de Banda
Larga, investimentos e tampouco cobrança e controle em relação à banda larga dos estados e municípios. Participei da construção da primeira rede de banda larga de Porto Alegre em 1998, a qual funciona até hoje com uma conexão de 150 MB.
Qual vai ser a participação do estado do Rio Grande do Sul, por exemplo, no Plano Nacional de Banda Larga, visto que têm estruturas da Companhia Estadual de Energia Elétrica – CEEE, da Cia de Processamento de Dados do Estado do Rio Grande do Sul – Procergs? O governo do estado tem investido muito dinheiro com serviços de Telecomunicações. Por isso as contas, por exemplo, do Banrisul, da administração direta, das principais estatais em serviços de telecomunicações contratadas pelas operadoras privadas precisam ser um elemento de pressão em cima das operadoras para que elas prestem um serviço de melhor qualidade e com preços mais baratos. Se uma empresa tem uma conta gigantesca com um fornecedor, ela tem o poder de barganhar algumas vantagens em uma negociação. Com certeza o maior cliente da Telecom do Rio Grande do Sul é o governo do estado. Então, qual é o papel do governo Tarso nessa discussão?
IHU On-Line – A partir do Plano Nacional de Banda Larga, qual a expectativa em relação à inclusão digital?
Marcelo Branco – As metas do governo de mais 40 milhões de pessoas terem acesso a banda larga é fantástico. Se o plano atingir as metas previstas, o Brasil será o país do futuro.
IHU On-Line – Quais são as principais reivindicações do Movimento Mega Não?
Marcelo Branco – A neutralidade na rede é a nossa principal luta nesse momento. Nos Estados Unidos, o FCC, que é a Anatel deles, sofre também uma forte pressão para quebrar a neutralidade da internet.
Existe um lobby das operadoras de telecomunicações privadas para se quebrar a neutralidade. Há uma preocupação no Brasil de que a Anatel passe a regulamentar a internet. O comite gestor da internet BRASIL é um exemplo de gestão para outros países e para a governança internacional da rede.
Seria inadmissível que um órgão como a Anatel passasse a regulamentar a internet no Brasil. A Anatel deve cuidar das teles, e está cuidando mal. A intenção das teles e da Anatel é padronizar a internet com uma lógica do passado e cobrar pela distância, pelo volume de tráfego.
IHU On-Line – Qual sua expectativa em relação ao 1º Fórum da Internet no Brasil, que acontecerá nos dias 13 e 14 de outubro, em São Paulo?
Marcelo Branco – A expectativa é a melhor possível. Esse é um Fórum importante, organizado pelo Comitê Gestor da Internet. A nossa principal luta é reafirmar a neutralidade na rede e o apoio ao Marco Civil da internet, que foi enviado pelo governo federal ao parlamento brasileiro. Este texto foi construído de forma colaborativa, com a participação da sociedade civil durante todo o ano de 2010.
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Primeiro Comunicado Oficial do "Ocupar Wall Street"

Os manifestantes de Nova York votam, em Assembleia Geral, um documento de claro conteúdo anticapitalista.
Por Assembleia Geral de Nova York [02.10.2011 11h21]
Este comunicado foi votado unanimemente pelos membros do Ocupar Wall Street, por volta das 20:00 do dia 29 de setembro. É nosso primeiro documento oficial. Temos outros três em preparação, que provavelmente serão lançados nos próximos dias: 1) uma declaração de demandas do movimento; 2) princípios de solidariedade; 3) documentação sobre como formar o seu próprio Grupo de Ocupação de Democracia Direta.
Este é um documento vivo. Você pode receber uma cópia oficial da última versão pelo e-mail c2anycga@gmail.com.
Ao nos reunirmos em solidariedade para expressar um sentimento de injustiça massiva, não devemos perder de vista aquilo que nos reuniu. Escrevemos para que todas as pessoas que se sentem atingidas pelas forças corporativas do mundo saibam que somos suas aliadas.
Unidos como povo, reconhecemos a realidade: que o futuro da raça humana exige a cooperação de seus membros; que nosso sistema deve proteger nossos direitos e que, ante a corrupção desse sistema, resta aos indivíduos a proteção de seus próprios direitos e daquElas de seus vizinhos; que um governo democrático deriva seu justo poder do povo, mas as corporações não pedem permissão para extrair riqueza do povo e da Terra; e que nenhuma democracia real é atingível quando o processo é determinado pelo poder econômico. Nós nos aproximamos de vocês num momento em que as corporações, que colocam o lucro antes das pessoas, o interesse próprio antes da justiça, e a opressão antes da igualdade, controlam nosso governo. Nós nos reunimos aqui, pacificamente, em asssembleia, como é de direito nosso, para tornar esses fatos públicos.
Elas tomaram nossas casas através de um processo de liquidação ilegal, apesar de que não eram donos da hipoteca original.
Elas receberam impunemente socorro financeiro tirado dos contribuintes, e continuam dando bônus exorbitantes a seus executivos.
Elas perpetuaram a desigualdade e a discriminação no local de trabalho, baseados em idade, cor da pele, sexo, identidade de gênero e orientação sexual.
Elas envenenaram a oferta de comida pela negligência e destruíram a agricultura familiar através do monopólio.
Elas lucraram com a tortura, o confinamento e o tratamento cruel de incontáveis animais não-humanos, e deliberadamente escondem essas práticas.
Elas continuamente arrancaram dos empregados o direito de negociar melhores salários e condições de trabalho mais seguras.
Elas mantiveram os estudantes reféns com dezenas de milhares de dólares em dívidas pela educação, que é, em si mesma, um direito humano.
Elas consistentemente terceirizaram o trabalho e usaram essa terceirização como alavanca para cortar salários e assistência médica dos trabalhadores.
Elas influenciaram os tribunais para que tivessem os mesmos direitos que os seres humanos, sem qualquer das culpabilidades ou responsabilidades.
Elas gastaram milhões de dólares com equipes de advogados para encontrar formas de escapar de seus contratos de seguros de saúde.
Elas venderam nossa privacidade como se fosse mercadoria.
Elas usaram o exército e a polícia para impedir a liberdade de imprensa.
Elas deliberadamente se recusaram a recolher produtos danificados que ameaçavam as vidas das pessoas, tudo em nome do lucro.
Elas determinaram a política econômica, apesar dos fracassos catastróficos que essas políticas produziram e continuam a produzir.
Elas doaram enormes quantidades de dinheiro a políticos cuja obrigação era regulá-las.
Elas continuam a bloquear formas alternativas de energia para nos manter dependentes do petróleo.
Elas continuam a bloquear formas genéricas de remédios que poderiam salvar vidas das pessoas para proteger investimentos que já deram lucros substanciais.
Elas deliberadamente esconderam vazamentos de petróleo, acidentes, arquivos falsificados e ingredientes inativos, tudo na busca do lucro.
Elas deliberadamente mantiveram as pessoas malinformadas e medrosas através de seu controle da mídia.
Elas aceitaram contratos privados para assassinar prisioneiros mesmo quando confrontadas com dúvidas sérias acerca de sua culpa.
Elas perpetuaram o colonialismo dentro e fora do país.
Elas participaram da tortura e do assassinato de civis inocentes em outros países.
Elas continuam a criar armas de destruição em massa para receber contratos do governo.
Para os povos do mundo,
Nós, a Assembleia Geral de Nova York que ocupa Wall Street na Praça Liberdade, os convocamos a que façam valer o seu poder.
Exercitem o seu direito a assembleias pacíficas; ocupem os espaços públicos; criem um processo que lide com os problemas que enfrentamos; e gerem soluções acessíveis a todos.
A todas as comunidades que formem grupos e ajam no espírito da democracia direta, nós oferecemos apoio, documentação e todos os recursos que temos.
Juntem-se a nós e façam com que suas vozes sejam ouvidas.
Estas demandas não são exaustivas.
Original aqui. Mais fotos aqui.
Tradução de Idelber Avelar
No Revista Fórum
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A culpa é dos gays

Allsång på Skansen (Sing Along em Skansen), é um show sueco realizado em Skansen em Estocolmo, no verão. O público supostamente canta junto com convidados musicais, com canções conhecidas em sueco. O show começou em 1935 em pequena escala – cerca de cinqüenta pessoas na platéia. Hoje, cerca de 10.000-15.000 pessoas vêm a cada performance.
Caso o vídeo não apresente as legendas em português automaticamente, clique em "CC" e escolha o idioma.
No Bule Voador
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Charge online - Bessinha - # 842

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Ex-deputado estadual vendia emendas, diz testemunha à Corregedoria de SP

Segundo depoimento, José Antonio Bruno (DEM), (foto), recebeu, em 2009, maços com notas de R$ 100 por ter intermediado liberação de verbas; acusado nega
“Vi Fabrício entregar nas mãos do deputado José Antonio Bruno (DEM) um maço de notas de R$ 100”, afirmou a testemunha C.A.A.V., em depoimento na Corregedoria-Geral da Administração (CGA). As notas de R$ 100 teriam origem em suposto esquema de venda de emendas parlamentares na Assembleia Legislativa de São Paulo, denunciado pelo deputado Roque Barbiere (PTB).
A cena relatada ocorreu em agosto de 2009, enfatiza o depoente, que se identifica como “pastor evangélico autônomo”. O depoimento reforça ainda mais a denúncia de Barbiere, segundo quem deputados estaduais paulistas negociam sua cota de verbas no Orçamento do Executivo, por meio das emendas, com prefeitos e empreiteiras.
Ainda conforme o depoente, um homem identificado apenas como “Fabrício” frequentava o gabinete do parlamentar, mas não era funcionário: “Houve uma oportunidade em que Fabrício chegou muito eufórico na sede do gabinete, cumprimentou a todos e entrou direto na sala do deputado”, relata.
A porta da sala de Bruno ficou entreaberta. “Então, eu ouvi ele (Fabrício) dizer ao deputado José Antonio Bruno: ‘Deputado, tá aqui a emenda’. Ato contínuo eu vi Fabrício entregar nas mãos do deputado um maço...”
Zé Bruno, como é conhecido, exerceu mandato no período 2007-2010. Deixou o Legislativo estadual em março passado e hoje se dedica à Resgate, sua banda musical. Ele é guitarrista e vocalista.
O ex-deputado nega ter recebido valores em troca de emendas. “Não faço isso”, afirmou. Porém, ele próprio disse suspeitar que um ex-assessor seu, que identifica apenas como “Cremonesi”, participasse de negociações para a venda de emendas.
Os nomes são apontados em procedimento da CGA, a corregedoria vinculada diretamente ao governador. A CGA está na estrutura da Casa Civil. Atua na prevenção e no combate à corrupção nos órgãos da administração. A investigação da CGA não mira a Assembleia, nem poderia. Não é sua competência institucional vasculhar a vida de parlamentares. Mas a apuração foi aberta porque a preocupação do governo é se o episódio pode ter provocado alguma lesão aos cofres públicos do Estado.
Comissões
Oficialmente, a CGA informou que conduz uma apuração preliminar. A corregedoria vai se manifestar “no momento oportuno”. Seus primeiros movimentos revelam que não existe nenhum convênio, ou assinatura de repasse de verba atendendo a indicação de Zé Bruno no exercício 2010.
C.A.A.V. foi ouvido por uma equipe de seis corregedores, sob comando do delegado da Polícia Civil João Batista Palma Beolchi.
A testemunha disse que trabalhou no gabinete de Zé Bruno de fevereiro de 2009 a maio de 2010, como auxiliar parlamentar. Ele contou que certa ocasião foi “isolado” depois que se recusou a repassar parte de seu salário para o deputado. “Em meados de abril de 2010 eu fui chamado à sala do deputado, o qual me informou que a partir do mês seguinte uma parte do meu salário deveria ser repassada a ele. Eu não concordei com isso e 15 dias depois, fui exonerado.”
“Deixei de participar de reuniões como costumeiramente fazia”, relata. “Tanto nas reuniões no gabinete como nas nas sedes dos municípios os participantes passaram a ser apenas a chefe de gabinete Fran, Cremonesi, o prefeito, o deputado e, vez por outra, Fabrício.”
Ele declarou que “sabia pelos comentários correntes que o objetivo dessas reuniões era obter comissões para liberação das emendas”.
No Estadão
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Para que servem as faculdades de Jornalismo?

Eu estava na lanchonete da faculdade, entre uma aula e outra, tomando um café e lendo uma revista. O menino aproximou-se, sentou na minha frente e me perguntou:
– Você estuda aqui?
Balancei a cabeça, negativamente.
– O que você faz?
O menino deveria ter uns 11, 12 anos.
– Sou professor de Jornalismo, respondi.
– E o que se ensina no curso de Jornalismo?
Falei das disciplinas de redação, rádio, TV, fotografia, teoria da...
– Entendi, – ele me interrompeu – mas o que o aluno aprende no curso?
O moleque tinha um quê de arrogante.
– Por que você quer saber? Você lá tem idade para prestar vestibular?
– Sou curioso – ele respondeu.
Quando eu ia explicar, com paciência e educação, ele se levantou, disse que precisava ir e se foi. Mas a pergunta ficou: o que se aprende no curso de Jornalismo?
Poderia ter respondido que, basicamente, se aprendem técnicas, teorias e ética. E, com isso – entre outras coisas –, aprende-se a produzir textos jornalísticos. Escrever ainda é a base da profissão. Porém, boa parte das 470 faculdades de Jornalismo espalhadas pelo Brasil não alcança esse objetivo. Elas estão falhando vergonhosamente.
É o que afirma pesquisa realizada pelo Núcleo Brasileiro de Estágios (Nube), com 10 mil candidatos de diferentes cursos universitários, entre 1º de janeiro e 31 de agosto deste ano.
O teste consistia em escrever um ditado de 30 palavras, permitindo até seis erros. Os estudantes de Engenharia obtiveram os melhores resultados, com “apenas” 12,5% de reprovação. Os estudantes de Comunicação Social, incluindo os de Jornalismo, ficaram nas últimas posições, com uma reprovação de 65,3%. Se isso não é o fundo do poço, alguém diga o que é.
Seria ingênuo jogar toda a responsabilidade nas faculdades de Comunicação. Esse resultado é também consequência de um ensino fundamental muito precário. Entretanto, surge uma dúvida a partir dessa pesquisa: se as faculdades não podem mudar esse quadro, se não conseguem ensinar a base da profissão aos alunos, por que elas continuam existindo?
Continuavam existindo, principalmente, por causa do diploma – que deixou de ser obrigatório para o exercício da profissão. Obrigatório, para a profissão, deveria ser uma sólida formação humanística. É isso que torna a faculdade imprescindível.
Infelizmente, de maneira geral, os cursos estão estruturados como um campo de treinamento para o mercado, “o último estágio da evolução humana”. Para entrar no mercado, dizem os manuais, é preciso seguir as regras, e não importa se elas são, algumas vezes, injustas, hipócritas e burras.
Há alguns anos, durante debate numa escola de Comunicação, uma estudante afirmou: “estou na faculdade para ter um diploma e fazer contatos”, opinião compartilhada por boa parte da plateia. O objetivo da estudante, compreensível, torna-se preocupante, porque evidencia que o ato de aprender – talvez o ato mais sublime do ser humano e a razão de ser de todas as escolas – não era uma prioridade, ou melhor, nem era importante.
Como também não é importante, pelo que parece, debater a democratização da informação, num país onde a mídia é controlada por algumas famílias. A base da democracia é uma imprensa livre e competente. A pluralidade de ideias, estimulada pelo jornalismo, é o motor que faz a democracia caminhar e evoluir. Porém, não existe pluralidade quando há um monopólio dos meios de comunicação.
O Sul do país é um exemplo emblemático: A Rede Brasil Sul (RBS), a mais antiga afiliada da Rede Globo, possui 20 emissoras de tevê, 24 emissoras de rádio, oito jornais, além de mais de uma dezena de produtos de plataforma digital.
Essa concentração é uma iniquidade. Todavia, os cursos de Jornalismo, com honrosas exceções, estão empenhados em treinar os estudantes para serem aceitos nessa engrenagem. E é melhor para eles, segundo essa concepção, nem saber o quão prejudicial ela é para a sociedade.
Não tenho solução para o desafio que se impõe às faculdades de Jornalismo atualmente, e, se a tivesse, abriria a minha própria. Mas tenho algumas ideias com relação às práticas pedagógicas, que não dependem diretamente da estrutura institucional. Essa prática se sustenta em quatro saberes: procurar, ver, ouvir e contar (irei detalhá-los num próximo texto).
O fundamento de todos esses saberes é a curiosidade. Por isso, acredito que a grande missão do professor é “provocar curiosidade”, o primeiro passo de uma reflexão crítica. Como lembra Rubem Alves, é necessário que o estudante veja no professor alguém curioso, a começar por aquilo que o próprio aluno diz e faz.
Existem muitas maneiras de desenvolver a curiosidade, e a mais prazerosa que conheço é por meio da leitura. A boa leitura pode propiciar, além do prazer imenso, novas perspectivas de ver e de entender o mundo. O leitor é, em essência, um curioso e será, provavelmente, questionador e crítico.
A curiosidade, de alguma forma, estimula a sensibilidade. Quem está questionando e se questionando sobre as coisas à sua volta, torna-se sensível a este mundo. Não é, lógico, um passo automático, mas um passo possível.
Além disso, é preciso estimular a ruptura dos padrões, para que os alunos escrevam sem amarras, sem manuais, tentando encontrar seus próprios caminhos – indicando a eles textos jornalísticos inteligentes e criativos, que revelem as infinitas possibilidades de se contar uma história.
Uma das funções do jornalismo, até que se prove o contrário, é contar uma história real, e contá-la bem, com precisão, honestidade e, se possível, com algum charme, tentando alcançar “a melhor versão possível da verdade”, como ensinou Carl Bernstein. A propósito, muitos estudantes concluem o curso sem saber quem é Carl Bernstein.
Hoje, dois anos depois, gostaria de reencontrar aquele “menino da lanchonete”. Se ele mantiver a curiosidade, terá plenas condições de se tornar um bom jornalista, se assim o quiser. Mas, cá entre nós, se for esperto, fará coisa mais interessante na vida. Talvez, ele faça algum curso de exatas e possa escrever, sem erros grosseiros, um ditado de 30 palavras.
Fernando Evangelista é jornalista.
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Metade dos prefeitos mineiros está sendo investigada

Matéria de domingo publicada no jornal O Tempo revela que mais da metade dos prefeitos mineiros estão sofrendo investigação pelo Ministério Público Estadual (MPE): dos 853 prefeitos de Minas, 443 são investigados em pelo menos um processo pela Procuradoria de Justiça de Combate aos Crimes Cometidos por Agentes Políticos Municipais.
De acordo com o Ministério Público de Minas, os crimes mais comuns cometidos por prefeitos são fraude em licitação, desvio de verba, crime ambiental e contratação irregular de servidores.
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BB faz as malas para São Paulo e irrita Dilma

Transferência de diretorias de Brasília para a capital paulista esvazia economia do Distrito Federal; cérebro por trás da mudança é o vice-presidente Ricardo Oliveira, que mora em São Paulo; no Planalto, dirigentes do banco terão que se explicar
É quente o clima na maior instituição financeira do Brasil. Sem que a presidente Dilma Rousseff tivesse sido minimamente alertada, o Banco do Brasil aprovou uma mudança radical em sua estrutura, que transfere algumas de suas diretorias mais importantes, como a de Marketing e a de Pessoa Jurídica, de Brasília para São Paulo. Tudo foi planejado pelo vice-presidente de Governo, Ricardo Oliveira, que hoje é o segundo homem mais forte do banco, atrás apenas do presidente Aldemir Bendine. Oliveira, que vem de uma família de funcionários do BB, praticamente nasceu no banco e alcançou o segundo posto mais alto da hierarquia da instituição. Ele é paulista, vive em São Paulo, não gosta de viajar a Brasília e foi o principal articulador da mudança. E já que Maomé não vai à montanha, a montanha vai a Maomé.
Ricardo Oliveira se tornou o homem forte do Banco do Brasil, quase uma eminência parda, em função da proximidade com o ministro Gilberto Carvalho, ainda no governo Lula. Foi ele quem levou a Gilberto a sugestão de que Aldemir Bendine, o “Dida”, assumisse a presidência, em meio à crise internacional. E foi uma escolha acertada, uma vez que Dida teve a coragem de reduzir spreads bancários e elevar a concessão de crédito em plena crise, tomando o espaço de bancos privados – graças a isso, o BB superou o Itaú Unibanco e voltou a ser o maior do País.
Extremamente discreto, Ricardo Oliveira não se deixa fotografar. Até recentemente, o site corporativo do Banco do Brasil exibia fotos dos vice-presidentes, menos a dele. Hoje, não há mais a foto de ninguém, até porque a situação anterior era bastante estranha. E ele, com muita habilidade, vem conseguindo eliminar da diretoria vários nomes que eram ligados ao sindicalismo paulista – em especial, ao ex-presidente da entidade, Ricardo Berzoini. Um exemplo foi a demissão de José Luis Salinas, que era vice-presidente de Tecnologia da Informação por indicação de Berzoini. Portanto, não faz sentido a informação de que a mudança no BB vem sendo conduzida por Berzoini em função de interesses eleitorais em São Paulo, conforme vem sendo plantado na imprensa, uma vez que o ex-presidente do Sindicato dos Bancários perdeu todo o poder que tinha na instituição. O motivo é bem mais prosaico.
Faz sentido?
Em tese, a reestruturação do Banco do Brasil pode até fazer sentido. Na área de marketing, que é comandada pelo diretor Armando Medeiros e irá administrar mais de R$ 450 milhões em 2012, as agências de publicidade e os principais veículos de comunicação estão em São Paulo. Mas todos também mantêm estruturas em Brasília. No caso da vice-presidência de Pessoa Jurídica, as maiores empresas do País também concentram suas sedes em São Paulo. Mas num mundo conectado, e de comunicação rápida, nada impediu que o Banco do Brasil se tornasse o maior do País na concessão de crédito estando em Brasília. Além disso, há não muito tempo, o BB fez questão de concentrar todas as suas diretorias em Brasília, trazendo inclusive setores que eram sediados no Rio de Janeiro, como a área internacional.
Na via contrária, outro grande grupo financeiro, a Caixa Seguros, que é o braço privado da Caixa, administrado pelo grupo francês CNP Assurance, mantém sua sede em Brasília, e faz questão de reforçar sua identidade brasiliense. E, hoje, se alguém perguntar ao governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, que é petista, ou aos bancários de Brasília, quem está melhor na fita – Caixa ou BB – a resposta é óbvia.
Pedido de explicações
A presidente Dilma, que tem perfil controlador, evidentemente, não gostou da mudança. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, também não. E determinou que seu secretário-executivo, Nelson Barbosa, que é membro do conselho de Administração do Banco do Brasil, apurasse o que está acontecendo. Outra ministra que ficou irada foi Gleisi Hoffmann, da Casa Civil. E note-se que ela é casada com o também ministro Paulo Bernardo, que só não é presidente do Banco do Brasil porque não tem diploma de ensino superior – e o estatuto do BB veta que pessoas nessa condição assumam o comando.
Ouvido pelo jornal Correio Braziliense, o vice-presidente Paulo Rogério Cafarelli disse que a mudança é uma questão de sobrevivência, em função da concorrência. Mas o fato é que o BB, nos últimos anos, tem apresentado resultados até melhores do que o de bancos privados, como Itaú, Bradesco e Santander.
O que vários diretores do BB têm dito, sob a condição do anonimato, é que não há risco de uso político do Banco do Brasil nas eleições municipais de 2012 e que todos os laços com Berzoini foram cortados.
Mas o fato concreto é que, ao menos neste caso, Berzoini é inocente.
O Maomé que não vai à montanha é também Ricardo, mas tem outro sobrenome.
Oliveira.
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Porque o PSD não quer Serra

Há uma lista infindável de fatores que desaconselham o PSD a receber José Serra.
O primeiro, é que Serra não tem nada a oferecer.
Certa vez, nos anos 80, Guilherme Afif Domingos – um dos melhores quadros políticos da direita – me esclareceu a respeito da capacidade de Paulo Maluf em arregimentar seguidores: "Ele tem credibilidade no mercado político futuro", disse ele. A credibilidade decorria de dois fatores: tinha potencial político e cumpria a palavra empenhada.
Serra não tem mais futuro político nem se distingue pela lealdade partidária e pessoal. Na verdade, é um ególatra altamente desagregador – conforme o PSDB está testemunhando.
O segundo fator é a falta de discurso político.
Um partido vive de bandeiras. Desde início dos anos 90 Serra é um vazio cercado de ghost writers – que já debandaram. Não tem noção mínima sobre nenhum dos temas portadores de futuro: gestão, inovação, educação, desenvolvimentismo. Sua retórica atual consiste em analisar qualquer ato de governo e apontar o que a medida não contempla - recurso de um primarismo intelectual clamoroso -, com uma superficialidade tal que é incapaz de entender as contraindicações das medidas que abraça por efeito-oposição.
Hoje em dia, a imagem de Serra está indissoluvelmente ligada ao obscurantismo religioso, à intolerância, à dissimulação, tudo o que o PSD quer esconjurar para se firmar como um centro-direita civilizado.
O terceiro fator é a incapacidade de agregar mais quadros técnicos ao partido.
Kassab já tem o que queria, os quadros tucanos que Serra legou quando deixou a prefeitura. E que continuarão com ele simplesmente porque Serra não lhes oferece mais nenhuma perspectiva política.
Por outro lado, o que menos Kassab deseja é a volta dos quadro barras-pesadas que fazem parte do círculo íntimo de Serra – como Andrea Matarazzo e a ex-vereadora Soninha Francine. Nos tempos em que assumiu a subprefeitura da Lapa, Soninha tinha o hábito de desfeitear Kassab na frente de outros subprefeitos, para mostrar que estava acima dele e do lado direito de Deus Pai – Serra. O mesmo comportamento, aliás, de Andréa.
Além disso, quando a campanha eleitoral desnudou o político infame que era, Serra perdeu também qualquer capacidade de aglutinar pensadores social-democratas ligados à Universidade, sem nunca ter conseguido convencer os pensadores mais conservadores.
As ligações com Serra tornaram-se tão comprometedoras que o próprio FHC teve que se afastar dos seus maus fluidos, para não afetar definitivamente sua imagem.
O quinto fator é que a influência de Serra sobre a velha mídia é declinante. Ele nada mais tem a oferecer além de dossiês sobre adversários, esquemas de espionagem e aliados incômodos.
Como não existe vácuo em política, em breve a velha mídia estará caminhando rumo a Aécio Neves ou outro pré-candidato que venha a preencher o espaço da oposição.
Por tudo isso, o habilidoso Kassab certamente já deve ter definido sua estratégia. Não se afasta formalmente de Serra, aguardando que as próprias indecisões dele o confinem e a seus seguidores ao seu espaço político real, que não é maior que uma Kombi.
Luis Nassif
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