1 de out de 2011

Song Around The World

Vi o post "Isso é globalização: sons do mundo todo no Playing for Change", no blog Conexão Brasília Maranhão, e lembrei-me de que já havia postado aqui.
A proposta é tão simples quanto genial: reunir músicos de todos os cantos do mundo, com os instrumentos mais diferentes e “exóticos” possíveis, alguns famosos, muitos artistas de rua, vários anônimos, tocando clássicos do reggae, do rock, do blues e do pop, além de algumas canções nem tão conhecidas, mas igualmente lindas.
O resultado mais visível do projeto é algo de encher os olhos (de lágrimas, inclusive): belíssimos vídeos que não apenas encantam e alegram a alma, mas nos oferecem uma pequena amostra do que poderia ser um mundo verdadeiramente globalizado – onde não apenas moedas e mercadorias, mas, sobretudo, pessoas e experiências culturais transitem e dialoguem livremente, sem fronteiras.
Do Pelourinho em Salvador para a majestosa Havana, de Nova Iorque ou Nova Orleans – com o carismático e sensacional Grandpa “Vovô” Elliott cantando e tocando sua gaita mágica às margens do Mississipi – para um quintal na África do Sul ou em Israel, e então para Livorno (Itália) ou para algum lugar no interior da Espanha. Das favelas ou praias cariocas para os lindos parques no interior da Argentina, da tropicaliente Jamaica para Tóquio ou Paris ou Toulouse. Da minha tão querida e saudosa Santiago de Cuba para a Cartagena das Índias ou Bogotá. De Katmandu no Nepal a Barcelona ou a Dublin, na Irlanda, passando pela Índia, e para tantos outros países e cidades.
Uma viagem musical e visual fantástica que transforma em dançarino até o dono do mais seco dos corações.
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"Pedro e os Lobos" é finalista do 'Jabuti'

O livro Pedro e os Lobos – Os Anos de Chumbo na trajetória de um guerrilheiro urbano, do jornalista João Roberto Laque, acaba de ser indicado para a final do mais tradicional prêmio literário brasileiro
Em apuração realizada pela Câmara Brasileira do Livro no último dia 21, Pedro e os Lobos foi apontado como um dos finalistas ao Jabuti na categoria livro-reportagem. E a indicação vem a calhar num momento em que o país é governado por uma ex-companheira de Pedro Lobo na luta armada e se discute a implantação de uma comissão da verdade no Congresso para apurar os crimes acontecidos durante a ditadura militar.
A obra narra, com linguagem ágil e envolvente, todo o período que vai da posse de Jânio Quadros ao fim do governo João Figueiredo. E, para levar ao leitor um painel dos 'Anos de Chumbo' a partir da ótica da guerrilha, o autor usa como fio condutor a vida de Pedro Lobo de Oliveira, um dos mais aguerridos combatentes urbanos da época.
Laque diz que a maioria dos brasileiros ainda desconhece os detalhes da guerra travada entre os combatentes da esquerda armada e os militares nesse período. “Na última campanha presidencial, por exemplo, cansei de ouvir a frase: — Se a Dilma foi presa no passado, é porque alguma coisa ela fez. Então, essa mulher não pode ser presidente do Brasil! Isso é fruto de pura desinformação.”
O jornalista acredita que, a partir dessa indicação e do possível prêmio, seu trabalho ganhará mais visibilidade. “Existe um enorme preconceito por parte da grande imprensa e das redes de livrarias em relação a obras literárias produzidas de forma independente. Com este aval dado pelos jurados do Jabuti, colocando meu nome ao lado de grandes ícones do jornalismo literário, como Laurentino Gomes, Luís Fernando Veríssimo, Zuenir Ventura e Ricardo Kotscho, ganho a possibilidade de tentar quebrar essas barreiras”.
Saiba mais sobre o livro acessando:
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Kassab, o PSD, o lulismo, a classe C e Jânio Quadros!

Gilberto Kassab é a principal liderança e representante de uma Direita oportunista que percebeu para a direção em que os ventos da política e da sociedade brasileira estão soprando.
Justamente por isso, Kassab e o PSD são muito mais perigosos do que o 'trio de ferro enferrujado' do PSDB/DEM/PPS, que perderam o trem-bala da história, mergulhando num anti-lulismo e num anti-petismo histérico e pré-histórico, totalmente obsoleto, e que assusta e afasta os setores populares beneficiados pelo governo de Lula e do PT, ou seja, a chamada 'classe C' ou 'nova classe média'.
Estes segmentos populares, que ascenderam social e economicamente durante o governo Lula, graças às políticas de inclusão social e política promovidas pelo mesmo, são muitos conservadores (em sua imensa maioria), principalmente em questões religiosas e de comportamento.
Grande parte desta 'nova classe média' é muito influenciada e segue líderes e movimentos políticos-religiosos de nítido perfil conservador, como o famoso 'bispo' Silas Malafaia.
Algumas igrejas e seitas evangélicas (não são todas... Por isso não vamos generalizar a crítica, ok?), que são especialistas em promover a 'Teologia da Prosperidade', possuem e defendem, em muitos aspectos, um discurso medieval, falando cobras e lagartos contra o 'casamento gay', o aborto e outras práticas e comportamentos' mais liberais.
Tais igrejas e seitas chegam ao extremo de defender que eles têm o direito de discriminar e de praticar, abertamente, um preconceito descarado e deslavado contra tais grupos mais liberais da sociedade e da população. Criminalizam, por exemlo, as mulheres que recorrem à prática do aborto, só faltando defender que elas sejam queimadas vivas em praça pública, como ocorria na época da Inquisição.
É verdade que muitas Igrejas, seitas e líderes evangélicos não concordam com tal discurso e tampouco o reproduzem, como ficou claro na última eleição presidencial, quando muitas das suas lideranças repudiaram o discurso teocrático e medieval do candidato tucano, José Serra, e apoiaram abertamente a candidatura de Dilma Rousseff.
Kassab e os políticos conservadores que criaram e ingressaram no PSD (e que são, grosso modo, originários do PSDB, DEM e PPS) perceberam que o discurso anti-lulista e anti-petista já não permite vencer eleição presidencial alguma.
O 'sapo barbudo' não assusta mais ninguém, com exceção de alguns grupelhos de fanáticos de extrema-direita e de uma Grande Mídia retrógrada e golpista, cujo poder continua grande, mas que já não consegue influenciar tanto a população, pelo menos no que diz respeito à Lula e, agora, à presidenta Dilma, cuja popularidade voltou a subir, segundo a mais recente pesquisa CNIQIbope, mesmo com toda a artilharia midiática contra o seu governo. Dilma parece ter adquirido a mesma capacidade de resistir a ataques que o presidente Lula possuía. Como o teflon, nada gruda neles.
Mas, penso que isso se deve a dois fatores fundamentais, que são:
A) Nenhuma das acusações envolveram, até o momento, o ex-presidente Lula e a atual presidenta Dilma;
B) O excelente momento econômico e social do Brasil deve-se ao trabalho de Lula e Dilma, em especial, e a população reconhece isso.
Logo, o 'lulismo' já foi absorvido pela imensa maioria da população brasileira. Até porque, tal fórmula política conseguiu combinar, e muito bem, o crescimento econômico, a promoção da justiça social e o respeito às liberdades democráticas fundamentais. Nunca tivemos um governo tão brutalmente atacado pela Grande Mídia como nestes 8 anos de governo Lula. Nem Vargas e nem Jango sofreram tanto com ataques tão brutais e violentos da Grande Mídia conservadora e golpista.
Como Lula fez um governo extremamente bem avaliado pelos brasileiros, graças às sua políticas de redistribuição de renda que beneficiaram aos trabalhadores e aos mais pobres, o discurso anti-lulista e anti-petista do PSDB/DEM/PPS foi para a lata de lixo da história. Ninguém mais leva esse discurso patético à sério, com a exceção de alguns grupelhos de fanáticos de extrema-direita e de elitistas preconceituosos que consideram Reinaldo Azevedo, Miriam Leitão, Arnaldo Jabor e Diogo Mainardi como as maiores sumidades intelectuais da história humana.
Kassab foi um dos líderes políticos que percebeu isso claramente e, justamente por isso, decidiu criar uma nova legenda, o PSD. Esta irá procurar repetir a fórmula política bem-sucedida de Jânio Quadros, na eleição presidencial de 1960.
Jânio conseguiu a proeza, naquela eleição, de atrair o voto da classe média conservadora e udenista, usando de um discurso moralista (todos aqui se lembram do 'Varre, Varre, Vassourinha', é claro), e dos operários. Como ele fez isso? Jânio mandou os seus seguidores criarem comitês 'Jan-Jan' (Jânio-Jango) por todo o país. Ao fazer isso, Jânio conseguiu convencer os operários de que a sua candidatura não representava nenhum ameaça para os direitos sociais e trabalhistas que eram a principal herança de Getúlio Vargas e por cuja ampliação e aprofundamento Jango e o PTB lutavam, através da defesa das 'Reformas de Base'.
Desta maneira, Jânio obteve uma fácil e tranquila vitoriosa sobre a candidatura do Marechal Lott, de quem Jango era o vice. Mas, como era possível, naquela época, votar no Presidente e no Vice de chapas distintas, a estratégia de Jânio foi muito bem sucedida.
Aliás, a sigla PSD não foi escolhida ao acaso pelo atual prefeito paulistano.
Afinal, ela remete ao PSD do período 1945-1965, que era um partido conservador e moderado, tal como pretende ser o 'novo' partido criado por Kassab.
Além disso, a principal liderança do PSD de 1945-1965 foi o ex-presidente JK, que implantou a indústria automobilística, construiu Brasília e fez o país crescer cerca de 10% ao ano, em média, durante o seu govenro (1056-1961). E JK conseguiur fazer tudo isso dentro das regras do jogo democrático, mesmo tendo enfrentado três tentativas de Golpes de Estado organizados pela Direita udenista da época (em 1955, 1956 e em 1959).
Kassab também tenta, assim, se apropriar da imagem e da história política de um presidente da República, JK, e de um governo do qual, até hoje, o povo brasileiro guarda boas lembranças, devido ao rápido crescimento do país que tivemos em sua administração.
E Kassab/PSD também tentam repetir, agora, a estratégia janista vitoriosa de 1960, com um discurso moralista (que agrada à classe média conservadora e udenista) e de defesa das conquistas sociais e econômicas da Era Lula-Dilma (como o aumento do poder de compra, a conquista de um emprego com carteira assinada, a participação no mercado consumidor, entre outras), o que atrairia o apoio dos lulistas conservadores que integram esta 'classe C'.
Com isso, Kassab e o PSD representam, a partir de agora, e no médio prazo, a mais séria ameaça à hegemonia política do PT e dos partidos de Centro e de Centro-Esquerda que estão coligados à ele desde o governo Lula (PMDB, PP, PTB, PR, PC do B, PDT, PSB), embora acredite que isso não irá acontecer já.
Em um primeiro momento, é muito provável que Kassab e o PSD procurem se mostrar confiáveis ao eleitorado lulista da 'nova classe média', apoiando as políticas sociais dos governos Lula-Dilma.
Enquanto isso,eles também irão procurar ampliar a sua penetração junto à 'classe C', ou nova classe média, fazendo um discurso conservador e religioso ao mesmo tempo, deixando clara a sua posição conservadora com relação à temas como o 'casamento gay' e o aborto, entre outros, que são muito valorizados pelos segmentos populares mais conservadores e que votaram Lula em 2006 e em Dilma em 2010.
É verdade que Serra já tentou usar dessa estratégia na eleição presidencial de 2010.
Mas, ele foi prejudicado, e desmoralizado, pela sua brutal incoerência. oportunismo e hipocrisia, pois ele e os partidos que o apoiaram fizeram uma oposição radical e intolerante contra Lula e as políticas deste durante 8 longos anos. Logo, como poderiam ter mudado tão radicalmente de opinião e em tão curto período de tempo?
Tal reviravolta, tipicamente oportunista, foi bem explorada pela campanha de Dilma, principalmente no 2o. turno, quando mostrou reportagens em que Serra havia atacado o Bolsa-Família e o PSDB defendia a entrega do petróleo do pré-sal para empresas estrangeiras.
Assim, a postura de Serra acabou não convencendo o eleitorado lulista da 'classe C', mesmo que este não conhecesse Dilma muito bem, visto que esta disputava a sua primeira eleição.
É provável, portanto, que a 'classe C' conservadora votou em Dilma mais por acreditar na palavra de Lula, de que apenas ela saberia dar sequência ao seu governo, do que por estar inteiramente convencida de que Dilma fosse a melhor opção.
Desta maneira, Serra foi derrotado, mesmo sendo um velho conhecido do eleitorado brasileiro.
Enquanto isso, Kassab não carrega esse estigma de opositor radical das políticas de Lula e de Dilma, muito pelo contrário.
Na verdade, ele tem procurado se mostrar como uma liderança política moderada, centrista, de valores conservadores, mas que não despreza as conquistas sociais e econômicas da Era Lula-Dilma. E assim Kassab espera se fortalecer politicamente a ponto de, em um futuro não muito distante, se viabilizar politicamente como um forte candidato ao governo do estado de SP (já em 2014) e, posteriormente, à Presidência da República (talvez em 2018).
Tal estratégia será bem-sucedida? Isso somente o tempo dirá.
Afinal, nunca se pode esquecer daquele imortal ensinamento do famoso filósofo popular brasileiro, que foi o genial Mané Garricha. Na Copa do Mundo de 1958, Garrincha perguntou ao então técnico Feola: "O sr. já combinou com o adversário"?, logo após ouvir uma longa explanação do técnico da Seleção sobre como chegar à linha de fundo e cruzar a bola para a área da URSS a fim de que o centroavante Vavá - 'o peito de aço' - pudesse marcar o gol.
E o 'adversário', neste caso da estratégia política de Kassab/PSD, é o povo brasileiro.
A este, portanto, caberá a última palavra nessa história.
Marcos Doniseti
No Guerrilheiro do Entardecer
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O impostor impostômetro

É evidente que o sistema tributário brasileiro precisa ser repensado e reestruturado com uma nova legislação
Em abril de 2005, a Associação Comercial de São Paulo (ACSP) criou um painel eletrônico que anualmente calcula os impostos arrecadados pela União, estados e municípios. Apelidado de impostômetro, o painel está instalado na sede da ACSP e tornou- se umas das principais peças publicitárias da campanha das elites pela diminuição dos impostos cobrados no país. Para isso, não lhe faltam espaços na mídia. Em setembro, quando o painel registrou a cifra de R$1 trilhão de impostos pagos pelos brasileiros, meia dúzia de palhaços – assim estavam caracterizados - assoprando apitos em frente ao painel, apareceram como sendo uma manifestação popular nas principais mídias da imprensa burguesa.
Alinhado com esse interesse da classe dominante, o PTB paulista está usando seus espaços na mídia para também atacar a cobrança de impostos. Esforça-se para fazer a população acreditar que levará para casa mais comida e remédios se os impostos diminuírem. Se a burguesia, com seus partidos políticos de aluguel, estivesse realmente preocupada em resolver os problemas que afetam o povo, não seríamos um país campeão em desigualdade social e não ocuparíamos a 72ª posição no ranking da Organização Mundial de Saúde (OMS) de investimentos em saúde.
É evidente que o sistema tributário brasileiro precisa ser repensado e reestruturado com uma nova legislação. Não para atender a elite, já abastada de riquezas e privilégios.
Para o professor João Sicsu, do Instituto de Economia do Rio de Janeiro, o sistema tributário brasileiro é injusto e regressivo, possui uma estrutura concentradora, uma vez que sacrifica mais os de baixo e alivia os de cima. Por isso, para Sicsu, há a necessidade de mudanças, a fim de que o país tenha um sistema tributário socialmente justo, que adquira um caráter distributivo da riqueza, que possibilite o Estado adotar gastos públicos, que promova a igualdade de acesso e oportunidades à população e que impeça as grandes riquezas de se evadirem do país, legal ou ilegalmente, com o objetivo de se eximir de seu dever contributivo.
O Instituto Nacional de Estudos Socioeconômicos (Inesc) estima que cerca de US$ 60 bilhões saíram do Brasil diretamente para paraísos fiscais em 2009. Certamente essa fortuna não alimentou os dados do impostômetro da ACSP.
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), num estudo recentemente apresentado, atesta que 47,3% da carga tributária advém de impostos sobre consumo e 26% da folha salarial. Já a renda contribui apenas com 19,8% e a propriedade e as transações financeiras com míseros 4,9%. As famílias brasileiras mais pobres gastam 32% da sua renda em impostos. Já a carga tributária das famílias mais ricas é de 21%.
Ainda de acordo com o professor Sicsu, o atual sistema tributário assegura isenção de pagamentos de impostos sobre jatinhos, helicópteros e lanchas; o imposto sobre heranças, cobra alíquotas em torno de 4%; nos países desenvolvidos, pode chegar a 40%. Em 2010, do total da receita federal de R$ 826.065 milhões, o Imposto Territorial Rural (ITR) contribuiu com R$ 536 milhões, ou seja, 0,07% do total. É sobre essa estrutura tributária que os idealizadores do impostômetro exigem mudanças?
Não restam duvidas, no entanto, que a elite, mais uma vez, conseguiu aprisionar o Congresso Nacional aos seus interesses, na hora de definir o aumento de recursos financeiros para o setor de saúde. Há o consenso de que setor precisa de mais verba. Mas, com receio da mídia, os parlamentares não aprovaram a Contribuição Social da Saúde (CSS), proposta pela presidenta Dilma Rousseff. Pela proposta, seria cobrado apenas 0,1% da movimentação financeira, medida que garantiria quase R$ 20 bilhões para a saúde. E o tributo seria cobrado de quem recebe acima do teto previdenciário, hoje estabelecido em R$ 3.589. Ou seja, cerca de 95% da população estaria isenta do tributo. Mesmo assim o Congresso se rendeu à impostura do impostômetro.
A coragem e clareza política que faltaram aos parlamentares, manifestaram-se no diretor geral do Hospital do Coração (Hcor) e ex-ministro da Saúde, Adib Jatene, quando, em entrevista à Carta Maior, foi enfático ao afirmar que “quem controla a mídia faz a população acreditar que a carga tributária é insuportável. Mas, se você tirar a Previdência Social do orçamento, e a Previdência é um dinheiro dos aposentados que o governo apenas administra, vai ver que a nossa carga tributária está abaixo de 30%. É pouco para um país como o Brasil.”
As necessidades do povo brasileiro exigem dos governantes a ousadia de aprofundar as ações que promovam o combate à pobreza e assegurem a transferência de renda e universalização dos direitos à saudade, educação e moradia. Vencer esses desafios certamente exigirá enfrentar os interesses dessa elite idealizadora de impostômetros, depositária de riquezas nos paraísos fiscais e sem nenhuma identificação com os interesses do país e do povo brasileiro.
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Encontro tucano

Caciques do PSDB participaram de um encontro de governadores tucanos em Goiânia, para discutir os rumos do partido
Governadores tucanos partido se reuniram para discutir estratégia que será adotada corrigir erros e melhorar imagem para voltar ao poder em 2014
Sete dos oito governadores do PSDB se reuniram nesta sexta-feira (30) em Goiânia (GO) e disseram que o partido espera voltar ao poder na disputa presidencial de 2014.
Os tucanos admitiram, no entanto, que ainda não existe dentro da legenda um consenso sobre a estratégia que será adotada para alcançar seu objetivo.
O governador do Paraná, Beto Richa, disse que o PSDB precisa resgatar seus feitos e melhorar a comunicação com o eleitor. Para ele, a imagem dos tucanos “é boa, mas poderia ser melhor”.
- O PSDB construiu as bases para a economia, a estabilização da moeda, a rede de proteção social e o Brasil conquistou o respeito internacional. O problema é que pecou muito na comunicação com a sociedade.
Durante o encontro, os governadores também avaliaram a imagem do partido junto à opinião pública. O cientista político Antonio Lavareda apresentou uma pesquisa sobre a sigla, mas os resultados não foram divulgados.
Richa afirmou que o partido deve aproveitar o atual momento, em que está na oposição, para analisar os próprios erros.
- Aparentemente, há programas do PSDB que são consistentes e eficientes. Mas, somente agora, estando na oposição, é que podemos observar as nossas falhas e ter oportunidade para corrigi-las.
Os governadores evitaram abordar questões polêmicas, como as críticas feitas pelo senador Aloysio Nunes Ferreira, de São Paulo, que disse ter sido excluído do programa partidário do PSDB paulista.
Questionado, Richa disse que o assunto deveria ser respondido pelo governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que por sua vez também não quis comentar.
- É um tema partidário e deve ser respondido pelo presidente do PSDB de São Paulo.
O presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra (PE), minimizou a polêmica ao dizer que Aloysio vai aparecer no programa nacional do PSDB, nos próximos dias.
Ao final da reunião, os governadores emitiram um documento com uma agenda de seis tópicos, que irão nortear a atuação do partido em relação à sociedade e ao governo da presidente Dilma Rousseff.
O combate à corrupção, melhorias na área da saúde, redução dos juros e revisão do sistema tributário são alguns dos temas citados pelos tucanos.
A "Carta de Goiânia"
"Os governadores de São Paulo, Minas Gerais, Tocantins, Paraná, Alagoas, Roraima, Goiás e, por delegação, do Pará, reunidos em Goiânia, divulgam e reiteram seus compromissos com o País, com os Estados e, sobretudo, com a sociedade brasileira, propondo conjuntamente:
1. Defesa intransigente da restauração da Federação, cujo Pacto Federativo vem sofrendo insuportáveis e progressivas ameaças em face do aumento de demandas e despesas, ao tempo em que vê suas receitas cada vez menores com forte concentração em poder da União;
2. Reiteração dos princípios da democracia social, legalidade, transparência, combate sistemático à corrupção a partir de seus próprios exemplos, segurança jurídica, inclusão social, inovação e pesquisa, sustentabilidade ambiental, energia limpa, democratização de oportunidades, inclusão econômica (microcrédito, qualificação profissional, formação tecnológica e emprego);
3. Foco na melhoria das ações de saúde e cobrança permanente em relação aos reduzidos repasses e valores praticados pelo SUS;
4. Repasse de valores de compensação da Lei Kandir, referentes a 2011 (R$ 1.95 bilhão) e alocação no orçamento de 2012 de valores para ressarcimento - aos estados, no montante de R$ 11,5 bilhões, correspondente à metade das perdas decorrentes da desoneração de ICMS sobre as exportações;
5. Repactuação do endividamento dos Estados com a União, com redução do comprometimento da dívida intralimite, adoção do IPCA como índice de correção e redução dos juros contratuais;
6. Solicitação à Presidente da República de agenda para discussão destes e outros temas relevantes com os governadores dos estados brasileiros.
Alimentados por grande esperança no Brasil, manifestamos nossa confiança no amadurecimento da Democracia, na geração de oportunidades para todos os brasileiros e na perpetuação de valores e princípios que promovam a eficiência e a justiça social."
Assinam a “carta”: Geraldo Alckmin (SP), Antônio Anastasia (MG), Beto Richa (PR), Marconi Perillo (GO), Teotônio Vilela (AL), Siqueira Campos (TO), José de Anchieta (RR) e por delegação, Simão Jatene (PA).
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Líbia e Colômbia: farsas da mídia

No mesmo domingo, 25 de setembro, em que os aviões da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) se aproximavam das 24 mil “operações de patrulha aérea” contra a Líbia, incluídas 8.941 missões de ataque para “proteger civis”, as agências internacionais reforçavam o bombardeio midiático.
Despejando desinformações, o jornalismo teleguiado buscava inocular o vírus da apatia e da alienação em massa enquanto tratava de transformar a vítima em culpada, a ação genocida em caridade, o invasor em libertador.
Com o propósito de atender aos monopólios do dinheiro, das armas e da palavra, a “notícia” tinha de ser bombástica para se impor: “Corpos de 1270 são achados em fossa comum na Líbia”. “A descoberta somente foi possível porque um simpatizante do regime de Muammar kadafi detido horas antes apontou o local exato. A fossa comum fica perto da prisão de Abu Saleen. Os corpos encontrados na fossa poderiam pertencer aos presos massacrados pelo regime de Kadafi em 1996”, dizia a nota da agência espanhola Efe, rapidamente mimetizada sem o mínimo de critério e o máximo de estardalhaço.
A mesma imprensa que nada vê, ouve ou fala sobre o bombardeio a hospitais e o assassinato em massa de mulheres e crianças pelos EUA/Otan ou procura encobrir o acordo de sangue por petróleo, por meio do qual os fantoches se comprometeram a conceder 35% do ouro negro da Líbia aos franceses em troca do reconhecimento do “governo” do auto-denominado Conselho Nacional de Transição (CNT). A mesma mídia que estende um manto de silêncio sobre o cerco criminoso a Sirte e à crise humanitária provocada pelos bombardeios “cirúrgicos” que estão arrasando com a infraestrutura da cidade natal do líder líbio, que continua resistindo sem água potável, energia elétrica, alimentos ou remédios.
Mentiras e mais mentiras
A orquestração da “fossa” fez do boato um “fato”, repetido mil e uma vezes como verdade absoluta e inconteste pelos grandes conglomerados privados e suas emissoras de rádio e televisão, jornais e revistas. Horas depois, médicos líbios que foram até a prisão em Trípoli, acompanhados de vários meios de comunicação, incluindo uma desiludida e cabisbaixa CNN, tiveram de desmentir a notícia. A suposta fossa, “com mais de mil cadáveres”, era falsa, mais uma invenção publicitária dos marionetes da Otan. Os fragmentos ósseos não eram de humanos, mas de animais. Desconsertados, os propagandistas do império optaram pelo silêncio, confessando através da omissão o medo pânico que sentem diante da verdade.
Na Colômbia, o terrorismo de Estado está institucionalizado e os números falam por si: nos últimos 10 anos foram assassinados mais de 2.778 sindicalistas, sendo cometidos mais de 11 mil atos de violência. Nada menos do que 60% dos assassinatos de sindicalistas do mundo ocorreram no país, que tem um Tratado de Livre Comércio (TLC) com os EUA e onde bases militares ianques – e suas empresas - avançam a ritmo de câncer terminal pelo território.
Ali, a cerca de 200 quilômetros ao sul de Bogotá, foi descoberta no ano passado uma vala comum na pequena cidade de La Macarena com centenas de cadáveres produzidos pelo exército colombiano. “O comandante do Exército nos disse que eram guerrilheiros mortos em combate, mas o povo da região nos falou de muitos líderes sociais, camponeses e comunitários que desapareceram sem deixar rastro”, declarou o jurista Jairo Ramírez, secretário do Comitê Permanente pela Defesa dos Direitos Humanos na Colômbia, que acompanhou uma delegação de parlamentares espanhóis ao local. “O que vimos foi arrepiante, de causar calafrios. Uma infinidade de corpos e na superfície centenas de placas de madeira de cor branca com a inscrição NN (sem identificação) e com datas de 2005 até hoje”, acrescentou.
A mídia que propagandeia os feitos humanitários da luta dos paramilitares de direita contra os “terroristas” – como são chamados os patriotas colombianos – é a mesma que incentiva o genocídio dos patriotas líbios pelos “rebeldes” – como qualifica os mercenários dos EUA e da Otan.
Cadáveres e mais cadáveres
Registrem ou não os grandes conglomerados midiáticos, até recentemente haviam sido descobertos cerca de 2.500 cadáveres em fossas espalhadas pela Colômbia, dos quais foram reconhecidos tão somente 600, identificados e entregues aos seus familiares. Todos os demais eram NN.
Diferente do país norte-africano onde as agências noticiosas diziam ter chegado ao local por intermédio de “um simpatizante do governo de Kadafi” – a fim de enlamear e incriminar o líder da revolução verde -, a localização destes cemitérios clandestinos na Colômbia somente foi possível devido a relatos de membros dos esquadrões da morte, fascistas com nome e sobrenome, beneficiados pela Lei de (IN)Justiça e Paz que trocou confissões de psicopatas por microscópicas penas.
Um dos assassinos que decidiu destampar o bueiro cavado e cevado por bilhões de dólares made in USA do “Plano Colômbia”, John Jairo Rentería admitiu ter enterrado pelo menos 800 pessoas. “Todos tínhamos que aprender a desmembrar, a esquartejar aquela gente. Muitas vezes isso era feito com as pessoas ainda vivas”, relatou.
Em agosto de 2010, pouco depois de uma audiência pública em La Macarena, foi informada “a suposta detenção, desaparição e execução extrajudicial da senhora Norma Irene Perez, identificada com o CC 40.206.080, de quem não se voltou a ter conhecimento desde o dia 7 de agosto de 2010, entre 7h e 8h da manhã, quando dirigia-se a sua casa depois de sair de uma assembleia com a junta de ação comunal da referida localidade. Posteriormente seu corpo foi encontrado nas estranhas circunstâncias no dia 13 de agosto de 2010 na jurisdição de La Unión, do município de La Macarena, do departamento de Meta. A comunidade afirma que o exército encontra-se na aldeia dos oásis, local próximo de onde ocorreu o fato”.
Agricultora, mãe de quatro crianças, Norma era presidenta do Comitê de Direitos Humanos de La Unión e membro do comitê regional de direitos humanos da região de Guayabero do departamento do Meta, onde há uma base militar dos EUA, mas nenhum órgão de imprensa.
Conforme relataram Felipe Cantera e Laura Bouza, que participaram da audiência pública, os testemunhos de vizinhos e familiares das vítimas, deixaram “em evidência as ameaças de morte, torturas, assassinatos, execuções extrajudiciais e desaparições forçadas – conhecidas e mal chamadas de ‘falsos positivos’ pelo exército”. Esta era a senha para que os civis fossem identificados como “guerrilheiros mortos em combate” e levados por helicópteros do exército até o cemitério de La Macarena. “O óbvio é que não se pode negar o que salta aos olhos. Na atualidade, os meios de comunicação oficiais colombianos têm a digital da família Santos, que hoje em dia é o presidente da Colômbia e anteriormente era seu ministro da Defesa”.
Cifrões e mais cifrões
Da mesma forma que na Líbia as transnacionais buscam tomar de assalto o petróleo, na Colômbia diferentes empresas estrangeiras buscam explorar 200 mil hectares da região de La Macarena e convertê-la em área para o monocultivo de agrocombustível, como a palma africana. Além disso, conforme denuncia o movimento sindical e social, o departamento de Meta é a porta da Amazônia e de todo o controle genético da zona, abrindo caminho para o transporte de minérios e de petróleo até a capital.
De acordo com documentos “desclassificados” pelo governo dos EUA (jargão técnico que indica a liberação oficial de informações secretas), mais da metade dos recursos do Plano Colômbia em 2009 foram direcionados a multinacionais norte-americanas para desenvolver, promover e impulsionar a guerra irregular no país sul-americano. Conforme a advogada americana-venezuelana Eva Golinger, os documentos comprovam que houve uma “privatização total da guerra na Colômbia”. “Essas transnacionais mercenárias não têm a obrigação de responder legalmente a nenhum sistema judicial do mundo. Em outras palavras, gozam de total imunidade", acrescentou.
Na lista foram encontradas 31 multinacionais estadunidenses ligadas ao Departamento de Estado mas que, apesar de serem empresas americanas contratadas pelo Pentágono, não estão sujeitas a nenhuma lei pública dos EUA. "Como parte do acordo binacional, na Colômbia têm imunidade total, ou seja, não respondem a ninguém por seus crimes, ações e operações".
Entre as empresas de maior relevância destacam-se a Lockheed-Martin, gigante do complexo industrial-militar que tem 95% de seu orçamento anual vinculado ao Departamento de Defesa dos EUA, a Dyn Corp International – que tem no currículo a participação na Guerra do Vietnã, contra a insurgência de El Salvador e no Golfo Pérsico -, a Oackley Network (que entrega softwares de monitoração de internet), a tristemente célebre ITT - transnacional de telecomunicações comprometida até a medula no golpe de estado contra Salvador Allende no Chile - e o Grupo Rendón, que elabora campanhas que mexem com “operações psicológicas” na mídia.
Seu proprietário, John Rendon, é um dos propagandistas preferidos de Washington por seus métodos de mentira, difamação e calúnia. É dele a invenção da história da soldado Jessica Lynch, de 19 anos, que teria sido resgatada das garras de Saddam em um hospital de Bagdá durante a segunda guerra do Golfo, em 2003. Empenhado em satanizar o presidente iraquiano, o “guerreiro da informação” e “dirigente de percepções” inventou que Jessica havia sido capturada durante uma “batalha sangrenta”, mas por ter resistido como uma leoa foi “torturada e estuprada” por sádicos médicos iraquianos. Na verdade, foram os médicos que doaram seu próprio sangue para salvar a vida da soldada invasora, tendo sido levada ao hospital pelas tropas especiais iraquianas.
Na Colômbia, entre as multinacionais que apostaram suas fichas nos grupos de extermínio para limpar o terreno e facilitar sua entrada no território de La Macarena está a petroleira BP, iniciais da British Petroleum. Muito conhecida na Líbia, ao lado da francesa Total, da espanhola Repsol YPF e da italiana Eni. Todas, igualmente, bastante parceiras de certa mídia. E de seus crimes.
Leonardo Severo
No Blog do Miro
Via Blog do Saraiva
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Quando discípulos renegam mestres, mas seguem suas lições

AÉCIO NEVES andou se estranhando com JOSÉ SERRA, 
mas nem por isso o tucano mineiro virou marxista-leninista-guevarista.
Existem dois tipos de relações entre discípulos e mestres que podem nos fazer refletir sobre a herança intelectual destes sobre aqueles.
Uma é quando o discípulo bajula seu mestre, o elogia bastante e o diz seu seguidor, mas, no entanto, esquece de seguir até mesmo as lições mais básicas.
Outra é quando o discípulo rompe formalmente com seu mestre, passa a falar mal dele para os outros, mas segue fielmente todas as suas lições.
Muitos acreditam que o discípulo torna-se fiel ao seu mestre no primeiro caso, enquanto no segundo há uma ruptura entre os dois. Todavia, é justamente o segundo caso, quando o discípulo rompe formalmente com seu mestre, mas, mesmo brigado com ele, segue fielmente suas lições.
Isso se explica porque neste caso a missão do mestre se cumpriu no discípulo, mesmo com as relações rompidas.
É o que vemos na pseudo-esquerda brasileira, detentora de ideias, valores, padrões e procedimentos herdados tanto de certos projetos do regime militar quanto de práticas vigentes durante governos conservadores como os de José Sarney, Fernando Collor e Fernando Henrique Cardoso.
É notório o caso do professor mineiro Eugênio Arantes Raggi, ou apenas Eugênio Raggi. Reacionário, ele no entanto tentava impressionar os outros criticando, em várias de suas mensagens, desde figuras como Cabo Anselmo quanto ACM e Sarney e até mesmo a Rede Globo ele criticava, apesar dele feliz da vida participar do portal Globo Esporte.Com.
Recentemente, teve outro caso, o de Pedro Alexandre Sanches, "filhote" da Folha de São Paulo, que no texto "A Bahia plural é filha da axé-music", publicada na Caros Amigos deste mês, chamou o jornal de "cracolândia" e ainda fez críticas a ACM e FHC.
No entanto, Sanches, em vários de seus textos, provou que ele mantém intata a herança ideológica da FSP. Seus artigos mostram, claramente, ecos de Francis Fukuyama, Auguste Comte, Fernando Henrique Cardoso (Teoria da Dependência) e até do país-fantasia de Ali Kamel. Isso apesar de Pedro Sanches "plantar" referenciais de esquerda para enfeitar seus textos e ocultar qualquer ranço de sua visão neoliberal sobre o tema cultura popular.
Chega a ser engraçado quando esses pensadores do brega-popularesco dizem que ninguém é obrigado a gostar desses ídolos da pseudo-cultura "popular", mas é obrigado a reconhecer sua "genialidade" (sic). Em contrapartida, dissemos que ninguém é obrigado a gostar dos mestres da direita, mas se seguem suas lições, são de todo modo seus seguidores e herdeiros.
Cabo Anselmo também "criticava" o imperialismo quando, em 1964, surgiu do nada com seu esquerdismo de fachada, seduzindo os colegas da Marinha brasileira que o ouviam, naquela revolta dos sargentos no Rio de Janeiro, naqueles idos de março. Só depois se descobriu que de esquerdista Cabo Anselmo nada tinha, e ele andava muito bem de mãos dadas com o "imperialismo" que tanto dizia condenar.
Em muitos casos, criticar os mestres é uma forma de forçar a barra de certas pessoas em dados oportunismos. Nos últimos dez anos, o pseudo-esquerdismo pegou a todos de surpresa, porque na véspera muitos dos pseudo-esquerdistas estavam felizes apoiando o grupo tucano-pefelista de então.
Mas como Lula foi eleito, muitos vieram na carona do presidente bonachão e, depois, com Dilma Rousseff em campanha, na carona da primeira presidenta do país. Mantém conservadinhos, no seu freezer existencial, seus ideais neoliberais bem guardados, mas usados eventualmente como quem tira a garrafa de água da geladeira quando se está com sede num dia quente.
"Falem mal, mas falem de mim", disse certa vez Getúlio Vargas. Mas a frase poderia ser aplicada, num outro contexto, para demotucanos diante da aparente repulsa dos pseudo-esquerdistas de ocasião, pouco seguros em desmentir qualquer direitismo latente ou mesmo explícito em suas ideias, mas impulsionados a falar mal dos antigos mestres pela boca pequena, pelo palavreado frágil.
Talvez nem admitam que FHC, ACM, Collor, Sarney, Kamel, os Frias, os Marinho e os Civita sejam seus mestres. Ou Fukuyama, Comte, Eugênio Gudin, Roberto Campos. E, por outro lado, queiram adular de Antonio Gramsci a Emir Sader, mesmo quando, no fundo, discordam violentamente de suas ideias.
Tudo pelo agrado dos outros. No próximo julgamento, os pseudo-esquerdistas apenas dirão que "são contraditórios" e que "a contradição é inerente à natureza humana". Pode ser, mas a contradição não é desculpa para o triunfo da incoerência e da insensatez.
Alexandre Figueiredo
No Mingau de Aço
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Ranking de público com os 100 clubes de futebol das séries A, B, C e D

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A Hope ensina: como ser imbecil

Eu quero ser rápida. Um mesmo assunto rende muitos textos nos blogs em geral, e sempre acabo acreditando que o meu em nada acrescentará. Mas vamos lá.
A tal propaganda de Gisele Bunchen pra mim reforça aquilo que já estamos carecas de saber: A publicidade é machista. A desculpa que já ouvi de alguns profissionais do ramo é de que pesquisas são feitas e revelam que o famigerado "público alvo" gosta mesmo de piadinha machista. Vovó incentivando a liberdade sexual da neta, por outro lado, vira motivo de catarse publicitária.
Já mulherzinha escrava e gostosa, com a qual novamente nos brinda Gisele Bundchen, é sucesso:
De fato, os publicitários tem certa razão. Qual o público-alvo da Hope e da Sky? A nossa fofíssima classe média, que pode pagar por uma calcinha de no mínimo R$ 18,00 e um pacote de tv por assinatura de no mínimo R$ 49,90. Parcela da sociedade que tem uma tendência maior ao conservadorismo, posto que direitos "adquiridos" lhes trazem o medo da castração do "conquistado". Mudança, abertura, igualdade de direitos, assustam. Mulheres podem até trabalhar e estudar, mas o ideal mesmo é que se casem "bem". Mas não é só isso.
Nossa sociedade é de fato ainda muito conservadora, não negarei isso. Mas questiono o papel da publicidade neste caso. É a velha história do ovo e da galinha, o que vem antes? O machismo das pessoas se deve ao comercial? Ou o comercial reflete o machismo existente na sociedade?
Sim, a sociedade vem antes da publicidade, o machismo nem se fala, então tá tudo certo? Não.
Pois a TV, o comercial, por seu poder de influenciar massas, deve incorporar consciência social crítica. O comercial machista, para mim e outras tantas mulheres pessoalmente ofensivo inclusive, perpetua o status quo machista, do self made man que possui um autômato estilizado e reprodutor a que costumam chamar de mulheres.
A responsabilidade da publicidade, neste caso e em muitos outros, é zero. Legitima a violência contra mulher, por ser ela esta "coisa" que apenas consome e reproduz (pra eles), legitima o papel da mulher objeto, que pode ser desrespeitada, posto que não pensa em nada além de chantagear um marido burro a realizar seus medíocres desejos.
Somos mais do que isso. Todos, homens e mulheres. (E eu queria ser rápida...)
Mas não me surpreende, pois a idiotização das pessoas, a transformação de seres inteligentes em meros "consumidores", é que fabrica este tipo de propaganda. Aliás de onde veio a propaganda mesmo? Ah, sim, do início da criação, dentro das primeiras grandes indústrias do século XX e suas problemáticas de gestão, da diversificação de produtos de acordo com segmentos de clientes, lá nas indústrias automobilísticas, principalmente. A Ford teve muitos problemas quando a Renault inovou com os carros por segmentos, e teve que rebolar para mudar a gestão e se livrar do outrora desejo de consumo Ford T, pretão clássico.
Foi onde nasceu fortemente o estudo publicitário em si, as tais pesquisas por segmentos de consumo, embora antes já houvessem anúncios de mercadorias nos jornais e publicações.
Meu ponto é: tudo termina no capitalismo em si, o machismo constantemente reafirmado é parte de seu controle.
A Hope quer saber é dos seus lucros, e possivelmente pode ter exigido da agência publicitária, que também só quer garantir o seu quinhão, bem como Gisele Bundchen, algo deste nível esdrúxulo de mau-gosto.
Mulheres, feminismo, violência, consumo, alienação? Não são preocupações deles. Seus lucros, sim. Nem que para isso tenham que negar que a sociedade pode até ser conservadora, mas está se transformando graças às lutas desse bando de chatos, que não aceitam serem tratados como idiotas.
E esta imagem, pra mim, resume tudo:
Foto: Donna Kether
Binah
No Náuseas!
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Rio aprova inclusão de ensino religioso nas escolas

Contrariando um parecer do Conselho Municipal de Educação, a prefeitura do Rio conseguiu aprovar a inclusão do ensino religioso no currículo das escolas públicas cariocas. O projeto de lei cria aulas opcionais para diferentes denominações religiosas e abre 600 vagas para professores da área. A partir de 2013, o impacto no orçamento do município será de R$ 15,7 milhões por ano.
Aprovado por 28 votos a cinco, o texto estabelece a adoção de aulas facultativas para os estudantes do Ensino Fundamental da rede municipal. Os pais decidirão se os alunos devem assistir às aulas e poderão escolher a designação religiosa de sua preferência.
Segundo o projeto, os professores serão contratados após concursos públicos, mas deverão ser "credenciados pela autoridade religiosa competente, que exigirá deles formação religiosa obtida em instituição por ela mantida ou reconhecida".
Em fevereiro, o Conselho Municipal de Educação - responsável pelo acompanhamento da política educacional do município - aprovou um parecer que rejeitava a inclusão da religião nas escolas. O objetivo era reafirmar o "caráter laico da escola pública", uma vez que a adoção do ensino religioso é alvo de uma ação de inconstitucionalidade no Supremo Tribunal Federal (STF).
"Lamento profundamente a decisão dos vereadores. Para atender aos anseios de grupos religiosos, a prefeitura ignorou a avaliação que havia sido feita por um órgão formado por educadores", criticou a professora Rita Ribes Pereira, integrante do Conselho Municipal e especialista em educação infantil.
O projeto foi enviado à Câmara pelo prefeito Eduardo Paes (PMDB), que se baseou na Constituição para propor a alteração no currículo escolar. Segundo o artigo 210, a religião deve ser uma das disciplinas do Ensino Fundamental.

~ o ~
O que diz o Art. 210 da Constituição Federal de 1988:
Art. 210. Serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental, de maneira a assegurar formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos, nacionais e regionais.
§ 1º - O ensino religioso, de matrícula facultativa, constituirá disciplina dos horários normais das escolas públicas de ensino fundamental.
§ 2º - O ensino fundamental regular será ministrado em língua portuguesa, assegurada às comunidades indígenas também a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem.
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Corvos e urubus

Repararam que tem gente, que se diz de esquerda, mas que só aparece para criticar a gente de esquerda? Nunca contra a direita, o que quer que esta faça. São especialistas em jogar álcool em qualquer foguinho dentro da esquerda.
Nunca reconhecem vitórias, conquistas, avanços. São apenas prenúncios de derrotas, traições, retornos da direita – cuja culpa será sempre denunciada como responsabilidade da esquerda. Adoram as derrotas, quanto maior, melhor, porque a culpa é dos outros, não importa que o povo seja quem pague o preco.
São ótimos para fazer balanços de derrotas, mas nunca sabem propor alternativas e nunca conseguem dirigir processo algum. São sempre críticos. Espécies de urubus, especialistas em carniças. Corvos, que auguram sempre catástrofes.
Não dá para ter respeito por alguém que se diz de esquerda, mas não está em todas as paradas da luta contra a direita. Aí ficam quietos, espreitando para atacar a esquerda, seja porque não é suficientemente radical, seja porque não derrotou de forma radical e definitiva a direita. Eles mesmos, não são capazes de afetar o poder da direita, nem estão centralmente preocupados com isso, lhes importa sobretudo as “traições” da esquerda.
Numa circunstância grave como a da Bolívia atualmente, por exemplo, colocam para fora o rancor com Evo Morales e sua liderança, como antes tiveram essa atitude contra Lula no Brasil. Todos “traíram”, incluídos Hugo Chaves, Rafael Correa, Pepe Mujica, os Kirchner, Fernando Lugo, Mauricio Funes, só eles são puros. Só que o povo não acha isso, de forma que essa gente nunca consegue formar movimentos populares com forte participação do povo, não dirigem nenhum processo, não conseguem citar um caso em que suas ideias levaram a vitórias e a avanços.
Não elogiam a reforma agrária, a nacionalização das minas, a Assembleia Constituinte postas em prática por Evo. Não apoiam as medidas de política externa soberana do Brasil, no reconhecimento da Palestina, na mediação do Irã, no apoio a Cuba. Só denúncias, porque seu universo não é a luta geral do povo, mas o universo restrito da esquerda. Não fazem luta de massas, só luta ideológica. Não constroem força política para que a esquerda avance, sempre tratam de dividir.
Os conflitos na esquerda, no campo popular, tem que ser discutidos e tratados como conflitos entre tendências de esquerda, mais moderadas ou mais radicais, sem desqualificações que caracterizem os outros como fora do campo da esquerda. Esta atitude é o primeiro passo que leva a assimilar outras tendências da esquerda à direita e assumir equidistância em relação a elas.
Numa situação de crise como a da Bolívia atualmente, tudo o que podemos desejar é que se chegue a um acordo político entre o governo e setores do movimento indígena que estão em enfrentamento aberto. Nem o governo é de direita, nem os movimentos indígenas fazem o jogo da direita. É nesse marco que devemos almejar que sejam enfrentados os conflitos.
Como no Brasil, deve-se criticar o governo e o PT no que se diverge, e apoiar nos pontos comuns. Fazer frente única no que há de comum, a começar na luta contra a direita. E criticar naquilo em que ha divergências. Considerando que são diferenças no campo da esquerda e não é possível equidistância entre o governo e a oposição, o PT e a direita.
Emir Sader
No Carta Maior
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Economist: Os gols contra do Senhor Futebol

O Brasil espera que a Copa do Mundo de 2014 promova sua imagem, mas a federação de futebol do país está envolta em sujeira
É o único país que jogou todas as fases finais da Copa do Mundo e ganhou cinco vezes, mais que qualquer outro. E assim o Brasil se sente meio dono do torneio, que vai sediar em 2014. Outra vitória, bom futebol e uma atmosfera de festa satisfariam as demandas dos fãs locais, assim como de muitos dos esperados 600 mil turistas de fora. Mas, para o governo brasileiro, o período que antecede o torneio não está indo bem.
Está ficando claro que as melhorias prometidas nos precários sistemas de transporte não vão significar muito. Dos 49 planejados sistemas de transporte urbano nas cidades-sede o trabalho começou em apenas nove. As reformas dos aeroportos também estão fora do prazo e mais da metade será de ajustes temporários. O governo está tentando reduzir as expectativas. Numa entrevista a CartaCapital, uma revista semanal, a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, disse que as melhorias do sistema de transporte urbano não eram essenciais para o sucesso do campeonato. Miriam Belchior, a ministra do Planejamento, sugeriu que o governo poderia decretar feriado nos dias de jogos para evitar congestionamentos.
Sepp Blatter, o presidente da FIFA, o órgão que governa o futebol mundial, escreveu para a sra. Rousseff demonstrando preocupação. Mas a sra. Rousseff é que tem motivo para se preocupar com a FIFA. Justamente quando ela está fazendo o melhor que pode para limpar a política do país — demitiu quatro ministros sob acusação de corrupção — a Copa do Mundo está sendo administrada por uma das figuras mais manchadas. E as alegações de sujeira continuam surgindo.
Ricardo Teixeira, que é presidente do Comitê Organizador Local e membro do comitê executivo da FIFA, tem sido o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) desde 1989. Ele é protegido de João Havelange, que comandou a FIFA por quase um quarto de século, até 1998. O sr. Teixeira tem enfrentado acusações de corrupção por anos. Em 2001 investigações do Congresso brasileiro sobre corrupção no futebol encontraram irregularidades num acordo arranjado pelo sr. Teixeira pelo qual a Nike, uma empresa de material esportivo norte-americana, patrocina a seleção nacional. A CPI do Congresso sugeriu ao promotor público o indiciamento dele sob 13 acusações, inclusive desfalque, lavagem de dinheiro e sonegação de impostos. Todas foram subsequentemente abandonadas. (A Nike diz que o contrato “era totalmente legal em essência e espírito”).
O Panorama, um programa de TV da BBC, acusou o sr. Teixeira e o sr. Havelange de terem recebido propinas nos anos 90 relacionadas a direitos de marketing em jogos. No início deste ano Lord (David) Triesman, o homem que comandou a candidatura fracassada da Inglaterra para sediar a Copa do Mundo de 2018, disse que o sr. Teixeira pediu dinheiro em troca de voto.
Numa entrevista à revista Piauí, uma publicação mensal brasileira, o sr. Teixeira negou as acusações da BBC. Ele disse que os ingleses estavam “putos porque perderam” e que ele teria sua vingança contra a BBC: enquanto estiver na CBF e na FIFA, “eles não vão passar da porta”. Ele se gabou que em 2014 faria “as coisas mais escorregadias, impensáveis, maquiavélicas, como negar credenciais de imprensa, barrar o acesso, mudar o horário de jogos”. O ministro dos Esportes, Orlando Silva, prometeu aos jornalistas que todos serão tratados com justiça e terão permissão para fazer seu trabalho.
Uma investigação da FIFA absolveu o sr. Teixeira das alegações feitas pelo Lord Triesman. O sr. Havelange não respondeu às alegações da BBC. Mas o Comitê Olímpico Internacional, do qual o sr. Havelange é membro e que tem padrões éticos mais estritos que a FIFA, está investigando. Nesta semana um promotor brasileiro declarou que vai pedir à polícia para verificar se o sr. Teixeira é culpado de lavagem de dinheiro e crimes fiscais.
Vendendo jogos
Outro escândalo em andamento se refere a um jogo amistoso entre Brasil e Portugal em Brasília em novembro de 2008. Associados do sr. Teixeira receberam milhões pelo evento. Na mesma época alguns deles assinaram contratos se comprometendo a pagar grandes somas ao sr. Teixeira por motivos que permanecem obscuros. Seis meses antes da partida Sandro Rosell, que agora é presidente do Barcelona, o campeão da Europa, se tornou diretor da Ailanto, uma firma de marketing esportivo fundada no Rio de Janeiro pouco antes.
O sr. Rosell tem feito negócios com o sr. Teixeira por muitos anos: ele se mudou para o Brasil como diretor de marketing esportivo da Nike em 1999 para gerenciar as relações da empresa com a CBF. Uma semana antes do jogo de Brasília, o governo do Distrito Federal assinou um contrato para pagar à Ailanto cerca de 9 milhões de reais (4 milhões de dólares, na época) pelos direitos de marketing e outros serviços não muito bem definidos, inclusive transporte e acomodação dos jogadores dos dois times. (O então governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, foi mais tarde preso e acusado pela Polícia Federal de corrupção relacionada a outras questões).
O negócio agora está sendo investigado por superfaturamento e corrupção. O promotor público de Brasília disse que recebeu relatórios de gastos para o jogo de cerca de 1 milhão de reais — e que de qualquer forma tinha sido a Federação Brasiliense de Futebol (FBF), uma afiliada da CBF, que tinha feito os gastos. Também diz que apesar do governo do Distrito Federal ter comprado os direitos do jogo, o dinheiro da venda de ingressos foi para a FBF. A força policial de Brasília foi aos endereços da Ailanto no Rio de Janeiro e apreendeu documentos.
Além destes negócios foram feitos outros três cujos objetivos não são imediatamente óbvios. A Economist tem cópias do que parecem ser os contratos dos três negócios. Um datado de março de 2009 é o compromisso de Vanessa Precht, uma brasileira que já trabalhou no Barcelona FC e que era sócia do sr. Rosell na Ailanto, de alugar uma fazenda do sr. Teixeira no Rio de Janeiro por 10 mil reais mensais por cinco anos. A Rede Record, uma rede de TV do Brasil, visitou a fazenda em junho e não conseguiu encontrar ninguém que tinha ouvido falar da srta. Precht. Dois congressistas brasileiros pediram uma investigação para estabelecer se o negócio foi uma forma da srta. Precht devolver ao sr. Teixeira parte do dinheiro que a Ailanto ganhou no amistoso Brasil-Portugal.
Os outros dois contratos foram assinados separadamente em julho de 2008 pelo srs. Teixeira e Rosell com Cláudio Honigman, um financista que é sócio do sr. Rosell numa outra empresa de marketing esportivo brasileira, Brasil 100% Marketing. O sr. Honigman se comprometia a pagar 22,5 milhões de reais a cada parceiro para comprar de volta opções de 10% das ações da Alpes Corretora, uma empresa de São Paulo, que de acordo com os contratos teria vendido as opções anteriormente aos dois. Um porta-voz da Alpes Corretora disse à Economist que o sr. Honigman nunca teve qualquer direito sobre qualquer ação da companhia. Os srs. Rosell e Teixeira se negaram a responder a este artigo. O advogado do sr. Honigman disse que não tinha conseguido contatar o cliente. A srta. Precht não respondeu ao nosso pedido de entrevista.
Os pomposos líderes do futebol internacional tradicionalmente são intocáveis: a FIFA é a própria lei. O sr. Teixeira manteve sua posição no topo de futebol brasileiro apesar de alegações anteriores de corrupção. Mas desta vez pode ser diferente.
Os advogados da FIFA estão tentando bloquear a publicação de um relatório do promotor público do cantão suiço de Zug sobre uma investigação criminal a respeito de pagamentos recebidos por autoridades do alto escalão da FIFA nos anos 90. A defesa oficial é de que receber comissões então não era ilegal sob a lei suiça. Mas uma vez que o dinheiro era da FIFA, o promotor investigou indivíduos que o embolsaram por má administração e apropriação indébita. A investigação foi suspensa quando dois acusados pagaram de volta 5,5 milhões de francos suiços (6,2 milhões de dólares) ao cantão, que repassou o dinheiro à FIFA e a instituições de caridade. Os dois acusados negaram que tenham cometido crimes.
O relatório foi arquivado a pedido dos advogados dos acusados. Assim, a identidade deles não foi revelada, embora o advogado de um deles tenha dito que seu cliente é um homem velho de saúde frágil que não tem mais cargo oficial. Isso parece descrever o sr. Havelange, que tem 95 anos de idade e é o presidente honorário da FIFA. A suprema corte de Zug vai decidir nas próximas semanas sobre petições de jornalistas que querem a divulgação do relatório. A Economist entrou em contato com o escritório do sr. Havelange no Rio de Janeiro para tratar destas questões, mas ele se negou a conversar conosco.
Também dentro do Brasil o solo está se movendo sob o sr. Teixeira. A sra. Rousseff nomeou Pelé, o jogador mais famoso do Brasil, como embaixador honorário do governo para a Copa do Mundo e está tentando congelar o sr. Teixeira. O comitê organizador deixou Pelé de fora da lista de convidados para o sorteio da Copa do Mundo em julho. A sra. Rousseff trouxe Pelé com ela e também fez muito da cerimônia de 16 de setembro que marcou 1000 dias antes do pontapé inicial. “Com todo respeito à FIFA e à CBF”, a sra. Rousseff disse à CartaCapital, “o rosto [do torneio] no Exterior será o de Pelé”.
Tradução: Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
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S e SE gostam mais da Dilma que o NE. PSDB de SP definha

O ansioso blog não acredita em pesquisa no Brasil, porque o mercado é dominado por subsidiários do PiG – Globope e Datafalha.
Mas, não deixa de se divertir por conta de quem nelas acredita.
Clique aqui para votar na trepidante enquete “O que Cerra achou do IBOPE da Dilma?”.
Por exemplo: o PiG anuncia que no último IBOPE a popularidade da Presidenta é maior no Sul e Sudeste do que no Nordeste.
Ué, cadê o voto da miséria?, o voto do Bolsa Família, com que o PiG justificava a popularidade da Dilma no Nordeste?
Como explicar agora?
Será por que o Rio Grande do Sul, o Paraná e Santa Catarina são os estados mais miseráveis do Brasil e ninguém sabia?
Outro aspecto interessante do noticiário do PiG neste sabado é o definhamento acelerado dos tucanos de São Paulo.
Clique aqui para ler “PSDB – tudo menos Cerra e São Paulo”.
O senador Aloysio 300 mil protesta veementemente no twitter e na primeira página do Estadão: ele e o Cerra foram solenemente ignorados no programa do partido para a tevê.
São Paulo, pouco a pouco, volta ao que sempre foi: à subalternidade política.
Passado o efeito eleitoral do Plano Real e a incorporação do PiG ao partido, São Paulo volta a ser o que sempre foi na História política da República.
Segundo time.
Paulo Henrique Amorim
No Conversa Afiada
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Camisinha medidora

Pois é pessoal, a criatividade é a alma do negócio e mais uma palhaçada criativa foi lançada.
Mas tome cuidado, em alguns casos o uso dessa camisinha causa risos descontrolados.
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Faxina na PM do Rio

Chefe da PM troca 13 no comando; corregedorias têm reforço para investigar patrimônio
Após tomar posse sem qualquer solenidade militar , o novo comandante-geral da PM, coronel Erir Ribeiro da Costa Filho, dedicou seu primeiro dia no posto a trocar a equipe. A primeira providência foi exonerar todos os coronéis da cúpula da corporação. Já houve troca em, pelo menos, 13 comandos. Enquanto isso, as corregedorias das polícias Civil e Militar já receberam reforço de pessoal e gratificações para investigar a evolução patrimonial de policiais suspeitos de corrupção. De acordo com o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, o governo aguarda apenas um parecer da Procuradoria Geral do Estado (PGE), que vai analisar uma forma legal para o processo, pois a lei federal que trata de improbidade só permite investigações de patrimônio de servidores com cargo comissionado. Segundo Beltrame, que na sexta-feira participou da comemoração do primeiro ano da UPP do Morro do Turano, no Rio Comprido, as sindicâncias só serão feitas em caso de condutas suspeitas.
- A sindicância patrimonial nada mais é do que a relação entre o que a pessoa faz, o que o trabalho proporciona e o patrimônio que ela auferiu. E temos que fazer sempre com fundadas razões. As corregedorias poderão analisar situações patrimoniais dos servidores e já receberam reforço para isso, tanto de gratificação quanto de efetivo. Al Capone foi preso não pela polícia, e sim pela Receita Federal - disse, referindo-se ao gângster que dominou o crime organizado em Chicago na década de 30, mas que foi julgado e condenado por sonegação fiscal.
E, na troca da PM, nem mesmo o comando das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) foi poupado: o coronel Rogério Seabra Martins substituirá o coronel Robson Rodrigues da Silva, que vai assumir o Estado-Maior Administrativo. E as mudanças não vão parar por aí.
Já foram afastados o coronel Álvaro Garcia (ex-comandante interino da PM e ex-chefe do Estado-Maior), o coronel Marcus Jardim (do 3º Comando de Policiamento de Área, Baixada), o coronel Paulo Mouzinho (1º CPA, capital menos Zona Oeste), o coronel Ricardo Quemento (Diretoria de Finanças), o coronel Sérgio (do Serviço Reservado), entre outros. Além deles, entregaram os cargos o coronel Carlos Milan (do Estado-Maior Administrativo) e o coronel Carlos Milagres (chefe de Gabinete). Sete coronéis, que estavam na cúpula, sequer vão ganhar novos cargos. Eles vão ser reformados ou, caso ainda não tenham tempo de serviço suficiente, ficarão lotados na Diretoria Geral de Pessoal (DGP), conhecida como "geladeira".
Batalhões especiais sob novo comando
Depois de uma reunião que durou toda a manhã fora do QG da PM e teve continuidade na sala do comandante, alguns nomes para o primeiro escalão da PM foram anunciados. O coronel Luiz Castro vai assumir o comando do 1º CPA). Já o coronel Frederico Caldas será o responsável pelo Setor de Relações Públicas. Para o Departamento de Logística da corporação, foi escolhido o coronel Carlos Mendes. Outros nomes, segundo o comandante do Estado-Maior da PM, coronel Alberto Pinheiro Neto, serão anunciados nos próximos dias.
Também ficou decidida a criação do Comando de Policiamento Especializado, que vai agregar o Bope e os batalhões de Choque, Florestal, de Polícia Rodoviária, de Turismo e o Regimento de Polícia Montada. O coronel Robson Batalha, que está no 4 CPA (Niterói), não teria aceitado a assumir a corregedoria. O coronel Waldir Soares, que estava no Batalhão de Choque, foi o escolhido para o cargo, um dos mais delicados da nova gestão devido ao envolvimento de policiais em crimes.
Para o 6º CPA (interior fluminense), quem vai é o coronel Maurício Salles Rodrigues. Para a Diretoria Geral de Finanças, irá Rogério Leitão. O coronel Paulo Frederico ocupará a Coordenadoria de Comunicação Social no lugar do coronel Íbis de Oliveira, que seguirá para a Academia de Polícia Dom João VI.
Secretário diz que comandante terá autonomia
O secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, disse na sexta-feira achar saudável que haja mudanças na polícia. Ele afirmou ainda que o novo comandante-geral da PM, coronel Erir Ribeiro da Costa Filho, terá autonomia, mas também precisará assumir a responsabilidade por suas decisões.
- O coronel Costa Filho e seu Estado-Maior têm a minha confiança e autonomia. Eles vão sempre me dever responsabilidade e compromisso, e deverão assumir suas decisões.
Beltrame disse que não fez qualquer recomendação especial à nova cúpula da PM:
- A orientação está dada há quatro anos: pacificação em áreas conflagradas, diminuição dos índices de criminalidade e demostrações firmes de que não há qualquer tipo de pacto com desvio de conduta.
Perguntado se foi surpreendido com a recente crise na PM, o secretário destacou que o problema é antigo:
- Estamos mexendo em instituições que chegaram aqui com Dom João. Temos que analisar isso, avançar e criar novas metodologias. São vários os problemas: de logística, infraestrutura e tecnologia.
Busca por novos professores começa este mês
O secretário anunciou ainda que, em 1º de janeiro, os cursos de formação de policiais civis e militares receberão uma nova grade curricular, voltada para direitos humanos, sociologia e antropologia.
- Os cursos serão direcionados a uma polícia que quer paz, que demonstra sair de uma ação de guerra para uma ação de prestação de serviços. Mês que vem (outubro), vamos fazer uma chamada para formar um banco de talentos. Qualquer pessoa poderá participar desse banco, de onde sairão os professores das duas corporações.
No O Globo
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Governo tucano tenta esvaziar caso de emendas

Base de Alckmin na Assembleia convida, e não convoca, Roque Barbiere; Bruno Covas deve falar só na Comissão de Meio Ambiente
A base do governo na Assembleia Legislativa de São Paulo atuou ontem, na primeira reunião do Conselho de Ética sobre a suposta venda de emendas parlamentares, para evitar que o deputado Roque Barbiere (PTB) vá ao órgão submeter-se às perguntas dos parlamentares e para blindar o secretário de Meio Ambiente, Bruno Covas (PSDB).
O encontro foi secreto, a pedido do deputado Campos Machado (PTB), um dos membros do conselho. “Não vou aceitar essa questão de democracia. Isto é demagogia”, disparou. A base governista, que tem maioria no conselho, aprovou a proposta por seis votos a dois. As manifestações contrárias foram dos dois petistas da comissão.
O conselho aprovou um convite para que Roque Barbiere deponha na próxima quinta-feira. Por não se tratar de uma convocação, o deputado não é obrigado a comparecer. Durante a reunião, Campos Machado propôs que Barbiere preste depoimento por escrito em um prazo de até 30 dias a partir do momento em que for notificado do convite. A proposta foi vista por alguns parlamentares como uma tentativa da base de protelar as explicações e esvaziar as denúncias.
Durante todo o tempo, o líder do PTB insistiu que Barbiere tem de ser tratado como denunciante, e não como denunciado, o que implicaria que ele não pode vir a ser convocado a dar explicações. Como o regimento interno e o Código de Ética da Assembleia são vagos a respeito das prerrogativas do conselho, é provável que essa tese prevaleça.
Caso Covas, Simultaneamente à reunião do Conselho de Ética, o líder do PSDB, Orlando Morando, negociou a ida de Bruno Covas à Comissão de Meio Ambiente na próxima terça-feira. O secretário deverá tratar de questões relativas à sua pasta e também dos relatos que fez sobre uma tentativa de um prefeito de lhe pagar propina. A estratégia da base, neste caso, é esvaziar a necessidade de outro depoimento de Covas – no Conselho de Ética – e evitar que seu nome conste do relatório final sobre as acusações de venda de emenda.
O conselho volta a se reunir na quinta-feira que vem para apreciar os requerimentos do PT e do PSOL, que pedem o convite ao secretário Bruno Covas, ao deputado Major Olímpio (PDT) e aos ex-secretários da Casa Civil Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), hoje senador, e Luiz Antonio Guimarães Marrey.
No Estadão
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Presidente da Renault/Nissan afirma que nova taxação para carros importados contribui para o desenvolvimento do Brasil

Presidenta Dilma Rousseff recebe em audiência o presidente mundial da Renault/Nissan, Carlos Ghosn.
Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
O presidente mundial da Renault/Nissan, Carlos Ghosn, afirmou neste sábado (1/10) que considera totalmente razoável a medida anunciada pelo governo federal de aumentar o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para carros que não tenham pelo menos 65% de conteúdo nacional. Carlos Ghosn concedeu entrevista coletiva no Palácio do Planalto, após encontro com a presidenta Dilma Rousseff em que anunciou novos investimentos da empresa no Brasil.
“A decisão do governo de aumento de IPI é um incentivo para as montadoras produzirem localmente, sem nenhuma dúvida. Não só de produzir localmente, mas também de ter uma taxa de localização acima de 65%, o que é uma taxa de localização totalmente normal. Para dar um exemplo, a taxa de localização na China é de 90%, a taxa de localização na Índia é de 90%. Então 65% de conteúdo local é um nível que nós consideramos totalmente razoável para quem quer realmente contribuir para o desenvolvimento do Brasil.”
Ghosn destacou o potencial crescente do mercado brasileiros para a indústria automobilística e informou que a Renault/Nissan pretende ampliar as vendas no país, saindo dos atuais 6,5 % de participação no mercado para mais de 13% até 2016. Para isso, ele assegurou forte ampliação da oferta de veículos e preços “bem acessíveis” ao consumidor.
“Hoje nós consideramos o Brasil, que é o quarto mercado mundial automobilístico, como um dos mercados mais estratégicos em termos de desenvolvimento em quantidade, mas também de desenvolvimento tecnológico”, afirmou.
Nova fábrica
O presidente mundial do grupo confirmou investimentos na ampliação da fábrica da Renaut em São José dos Pinhais, no Paraná, e a construção de uma fábrica da Nissan em Resende, no estado do Rio de Janeiro. Nesta semana, a empresa irá anunciar os investimentos para a ampliação e construção das fábricas, bem como o número de empregos que serão criados.
Ghosn disse, ainda, que a reunião com a presidenta Dilma foi um oportunidade para informá-la da atuação da Renaut/Nissan no mundo, especialmente em “termos de desenvolvimentos de carros elétricos”. Sobre esse tema, o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante – que participou da coletiva ao lado dos governadores Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro, e Beto Richa, do Paraná; e dos prefeitos José Rechuan Júnior, de Resende (RJ), e Ivan Rodrigues, de São José dos Pinhais (PR) – informou que a presidenta Dilma solicitou um estudo para verificar a possibilidade de participação do carro elétrico na matriz de transporte brasileira.
“Ainda não há decisão do governo sobre isso, mas temos o compromisso de estudar”, completou o ministro.

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Enquanto isso a GloboNews destaca que a JAC, (grande anunciante da Rede Globo), suspende fábrica no Brasil até que governo reveja aumento do IPI. Assista aqui.
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Vídeo do assalto da ANATEL a UFRJ - Universidade Federal do Rio de Janeiro

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Canibal tucana Ana Cristina Luzardo de Castro é condenada

Em 16 de outubro de 2006, ao chegar a um dos bares mais tradicionais da região, o Jobi, a publicitária Danielle Corrêa Tristão foi hostilizada e teve a ponta do dedo anelar esquerdo arrancada ao ser mordida pela jornalista Ana Cristina Luzardo de Castro, 39.
A publicitária vestia uma camisa com a inscrição "Lula, sim". O Leblon é um dos bairros em que mais são vendidas camisetas com os dizeres "Lula, não. Abaixo a corrupção".
A venda das camisetas anti-Lula está concentrada em bares do bairro. "Uso para ver se a galera se toca e não vota no Lula", justificou o mecânico Edgar Freire Machado Guimarães.
"Quando eu, meu marido e dois amigos chegamos ao bar, fomos vaiados e hostilizados por causa da camiseta "Lula, sim" que vestíamos. O garçom até nos pediu que não nos sentássemos, mas resolvemos ficar em uma mesa do lado de fora. Durante todo o tempo, fomos alvos de bolinhas de papel vindas de diversas partes e de aviõezinhos feitos com santinhos do candidato Geraldo Alckmin. Teve até um senhor que me ameaçou com um prato", afirmou Danielle.
Dani cercada de perigosos petralhas
"Depois de pagar a conta, fui ao banheiro, dentro do bar, e, ao sair, duas mulheres se deram o direito de tirar meu chapéu. Temendo confusão, meu marido me puxou para fora, mas as duas vieram correndo atrás de mim. Uma delas me agarrou pelos cabelos e acabou mordendo meu dedo. Quando percebi, a mão já estava sangrando, e parte do dedo estava no chão", disse a publicitária.
A canibal foi condenada a coisa nenhuma, mas perdeu sua condição de primária. Na próxima vez que tentar expor suas "opiniões" com os dentes irá para a cadeia.
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