24 de set de 2011

Brasil em 31º no ranking da carga tributária 2010

Compilei os dados da carga tributária de 183 países relativa a 2010. Muita gente precisa ver isto, principalmente os políticos da oposição e comentaristas econômicos da velha mídia.
A primeira tabela mostra a carga de impostos com relação ao Produto Interno Bruto (PIB), com dados da organização conservadora The Heritage Foundation. O Brasil ficou no 31º lugar em carga tributária. Existem 30 países com carga tributária maior que a do Brasil. Destes, 27 são países de grande desenvolvimento humano, europeus em geral.
Aí, confrontada com a realidade, a velha mídia vai dizer: "Ah, mas a população não vê o resultados dos impostos recolhidos". Para este tipo de mentalidade, preparei a segunda tabela, com os países ordenados pela arrecadação per capita. O Brasil está em 52º lugar em arrecadação per capita, recolhendo 5 vezes menos que os países desenvolvidos.
Querem nível de vida escandinavo com arrecadação de emergente? É a pobreza, estúpido!
Aí vão dizer: "A situação estaria bem melhor se não fosse a corrupção!". Será? Um estudo da Fundação Getúlio Vargas mostrou que a corrupção impacta 2% (dois por cento) de nosso PIB. Na década, o TCU apanhou 7 bilhões de reais por ano em corrupção, mas a sonegação fiscal anual atinge 200 bilhões de reais, segundo pesquisa de um instituto de estudos tributários. Por que o movimento "Cansei 2.0" não vai às ruas contra a sonegação, que é 28 vezes pior que a corrupção? Espero que se indignem 28 vezes mais...
Essa neo-UDN!
José Antonio Meira da Rocha
No Blog do Saraiva
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Contra fotos, não há argumentos!

O tucano no ninho!
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Como Ratzinger XVI foi recebido na Alemanha

Ratzinger, a cada país europeu que visita, chama multidões que protestam contra a influência indevida que a ICAR tem nas sociedades. Quem se recorda de Wojtyla não pode deixar de reparar que o ambiente em volta do catolicismo está mudando radicalmente.
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Murdoch paga US$ 3,2 mi. E a Veja?

O império midiático de Rupert Murdoch, News Corp, anunciou nesta semana que pagará 3 milhões de libras (US$ 3,2 milhões) para encerrar o caso envolvendo o extinto tablóide “News of the World”, que invadiu a caixa postal de uma jovem assassinada em 2002. Dois milhões de libras irão para a família Dowler e cerca de 1 milhão será doado a uma instituição de caridade.
A iniciativa do conglomerado mafioso, acusado de milhares de grampos ilegais e de subornos de policiais e políticos, visa limpar a imagem da empresa. A família Dowler sequer abriu processo contra a News Corp, mas ela se antecipou para evitar o pior. Outras vítimas das escutas telefônicas já acionaram a Justiça e o parlamento britânico discute novas sanções contra o Murdoch.
Escutas ilegais e subornos
Em 2002, o tablóide “News of the World” invadiu o correio de voz do telefone celular de Milly Dowler, de 13 anos, que estava desaparecida e foi assassinada. A iniciativa visou aumentar a tiragem do jornal sensacionalista. A revelação da ação criminosa, no início deste ano, revoltou a sociedade britânica. Aos poucos, descobriu-se que escutas ilegais e subornos eram práticas comuns.
Fruto do escândalo, o tablóide do grupo Murdoch, que tinha 168 anos de existência, foi fechado em julho passado. Dois executivos da News Corp renunciaram e editores e diretores foram presos. A cúpula da polícia britânica, envolvida nas ações ilegais do império midiático, também sofreu baixas. E até o primeiro-ministro britânico, David Cameron, foi acusado de ser capacho de Murdoch.
Repórter da Veja confessa o crime
Enquanto o império midiático de Rupert Murdoch sofre abalos no Reino Unido, na Austrália e até nos EUA, aqui no Brasil a Editora Abril, que publica a abjeta revista Veja, continua leve e solta. Nesta semana, a Polícia Civil do Distrito Federal concluiu o inquérito que apura a tentativa do repórter da revista de invadir o apartamento utilizado pelo ex-ministro José Dirceu em Brasília.
Em depoimento na 5ª Delegacia de Polícia, em 6 de setembro, o próprio jornalista Gustavo Ribeiro confessou que tentou invadir o quarto do Hotel Nahoum. Diante de fotografias do circuito interno, o repórter de Veja reconheceu as imagens como sendo suas e, inclusive, confessou que acessou o andar privativo através da escada, já que o elevador possui cartão de acesso.
O Murdoch brasileiro
A investigação – que colheu vários outros depoimentos e também se apoiou nas imagens do circuito interno do hotel – será agora encaminhada ao Juizado Especial Criminal de Brasília. Para o dirigente petista José Dirceu, o inquérito comprova que o repórter e a revista cometeram graves crimes. “Gustavo Ribeiro é réu confesso da tentativa de invasão da minha privacidade”.
“O repórter e a revista a qual trabalha, Veja, extrapolaram todos os limites éticos para publicar matéria de capa acusando-me de conspirar contra a presidenta Dilma Rousseff. Seria apenas mais uma matéria sem amparo na realidade, não fossem as práticas ilícitas utilizadas pela revista... A espionagem que a Veja acobertou é flagrante violação ao princípio constitucional do direito à intimidade e à privacidade e infringe o Código Penal. Não difere das práticas do finado jornal britânico News of The World”.
Altamiro Borges
No Blog do Miro
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Truculência do governo mineiro acirra quadro político no Estado

O Movimento Minas Sem Censura registra sua preocupação com os níveis de radicalização promovidos pelo governo do Estado, contra os servidores da educação em luta por seus direitos. A mais recente demonstração dessa truculência pode ser sintetizada em três eventos: a ação governista na mídia, o uso do Ministério Público Estadual e da Justiça para atacar os servidores e a imposição de um projeto de lei que confronta a norma federal e liquida a carreira dos servidores. Tudo isso, à base do recrudescimento da violência policial, com o uso de cassetetes, balas de borracha e gás lacrimogêneo, que se somam à atividade de espionagem já denunciada.
Os partidos e movimentos sociais que integram o Movimento Minas Sem Censura devem implementar ações, em diversas esferas, buscando reconstituir a legítima atribuição das instâncias e poderes públicos em Minas:
1) Que o Ministério Público Estadual retome suas prerrogativas constitucionais e aja para que o governo do Estado cumpra a Lei do Piso. Como, aliás, o independente MP do Rio Grande do Sul já o fez.
2) Que a Justiça estadual aja de forma idêntica.
3) Que o poder executivo estadual assuma sua responsabilidade de governo, para o qual foi eleito, visando solucionar o problema do Piso Salarial da Educação, retirando – inclusive – o provocativo projeto de lei em atabalhoada tramitação na ALMG.
4) E que o parlamento mineiro assuma postura mais ativa na busca da superação do impasse colocado.
O Movimento Minas Sem Censura estuda medidas judiciais que podem chegar, inclusive, ao pedido de intervenção federal no estado. Dado que o governo dá demonstrações cabais de incapacidade de condução das negociações e tratativas necessárias à resolução dos problemas com os servidores.
Belo Horizonte, 20 setembro de 2011.
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Entrevista com José Eduardo Cardozo

"Vou coibir abusos e desvios de conduta da Polícia"
O ministro da Justiça diz que não aceitará excessos que violem direitos individuais, não importando se o réu é rico ou pobre, político ou não
MENOS HOLOFOTE
Cardozo promete coibir "operações espetaculosas" da PF que propiciem "julgamento midiático"
Desde que assumiu o comando do Ministério da Justiça, o ex-deputado José Eduardo Cardozo tem lidado com um problema bastante delicado, que é a relação do governo com a Polícia Federal. Apesar dos conflitos de autoridade, principalmente durante a Operação Voucher, o ministro garante que o convívio com a PF é bom e diz que zelará pela autonomia do órgão. Mas adverte que punirá com rigor excessos que resultem em violação dos direitos individuais de qualquer acusado, seja político, seja empresário ou cidadão comum: “Jamais serei tolerante com abusos e desvios de conduta.” Ele afirma que, se de um lado garantirá a autonomia da PF, de outro vai coibir “operações espetaculosas que propiciem julgamento midiático e contrariem o estado de direito”.
Em entrevista exclusiva à ISTOÉ, Cardozo também descarta as especulações sobre o afastamento do diretor-geral da PF, Leandro Coimbra, garantindo que o delegado não sairá do cargo. Chama os rumores a respeito de “uma boa peça de humor”. Na verdade, o ministro, que também é advogado e professor de direito administrativo, tem outras prioridades em sua gestão. Revela que, embora não seja um alvo tradicional, o Brasil está reunindo esforços para se prevenir contra atos terroristas durante eventos como a Copa do Mundo. E anuncia um inédito programa de integração entre os órgãos de segurança e as Forças Armadas. “Os alvos são os crimes de fronteira, como o tráfico de drogas e de armas”, diz.
"Em nenhum momento tive qualquer desavença com
o diretor-geral da PF, Leandro Coimbra. Eu o indiquei"
"Toda vez que se faz uma campanha de desarmamento, o nível de homicídios cai.
Há uma relação entre o número de armas em circulação e o de homicídios"
Istoé - No governo Dilma Rousseff, a PF perdeu a força que exibiu durante o mandato de Lula?
José Eduardo Cardozo - Discordo. A PF está dando continuidade ao trabalho que vinha desenvolvendo no governo Lula, quando ganhou outra dimensão, com melhores equipamentos, aumento de salários e garantia de autonomia. Os dois governos têm a mesma linha. E, claro, a nós cabe zelar e garantir a autonomia da PF, mas dentro dos limites da lei. Jamais serei tolerante com abusos e desvios de conduta.
Istoé - Na Operação Voucher, houve polêmica sobre o uso de algemas. O sr. concorda que houve excesso por parte dos agentes federais?
José Eduardo Cardozo - Embora alguns países tenham por hábito algemar toda e qualquer pessoa presa, no Brasil essa discussão acabou ensejando uma regulamentação do Supremo Tribunal Federal. Ao Ministério da Justiça cabe fazer cumpri-la. Se a autoridade policial utilizar a algema indevidamente, não importa se o réu é rico ou pobre, político ou não político, cabe a nós pedir a apuração rigorosa e a punição desse policial. Se por um lado nós garantimos a autonomia da PF, de outro proibimos abusos ou operações espetaculosas que propiciem julgamento midiático e contrariem o estado de direito.
Istoé - Mas, no caso específico da Operação Voucher, houve ou não abusos?
José Eduardo Cardozo - Há normas internacionais e o próprio manual da PF diz que nenhum policial pode subir numa aeronave com arma municiada. Isso traz a necessidade de que, segundo essas regras, aquele que vai ser transportado por via aérea seja algemado justamente para que o policial tenha possibilidade de controle durante o voo. No caso de uma rebelião, de uma agressão ou de uma situação indesejável, o policial teria muita dificuldade de controlar se as pessoas não estivessem algemadas. Até agora não chegou nenhuma informação de uso de algemas fora dessa situação.
Istoé - O sr. concorda com quem atribui a polêmica das algemas à reação de setores da sociedade antes impunes?
José Eduardo Cardozo - Não diria que é uma reação das elites, mas é sempre bom lembrar que a lei vale para todos. Pouco importa quem seja a pessoa presa. Se houver uso indevido, agiremos com grande rigor, punindo as autoridades policiais que atuarem indevidamente.
Istoé - Então não haverá mais tratamento privilegiado?
José Eduardo Cardozo - O Brasil vive sob uma cultura de impunidade. Quando alguém que tem poder político ou econômico acaba tolhido em sua liberdade, há uma ruptura dessa tradição perversa. E, em consequência, há mais luzes e divulgação pela mídia. A lei vale para todos e será cumprida em toda a sua dimensão, mas coibindo eventuais abusos.
Istoé - É verdade que o Palácio do Planalto está sofrendo pressões políticas para afastar o diretor-geral da PF, Leandro Coimbra? Ele será substituído?
José Eduardo Cardozo - Eu garanto que não há nenhum fundo de verdade nessas especulações. Em nenhum momento tive qualquer desavença com Coimbra. A indicação dele foi minha e garanto que foi uma excelente escolha. É um excelente policial, sério, digno, competente, que respeita profundamente a instituição que dirige. Quero é fortalecê-lo. As especulações são curiosas, uma boa peça de humor.
Istoé - Os agentes da PF acabaram de aprovar um indicativo de greve por melhores salários. Isso não desgasta o diretor-geral?
José Eduardo Cardozo - É legítimo que os servidores façam suas reivindicações, da mesma forma que o governo tem de agir de acordo com sua capacidade orçamentária. Vivemos um momento de crise internacional. A equipe econômica diagnosticou claramente a situação e nos informou da impossibilidade de prever no Orçamento do ano que vem qualquer aumento salarial para qualquer servidor público federal. Informamos isso à PF.
Istoé - Como reagir se a PF parar?
José Eduardo Cardozo - Democraticamente. O direito de greve está previsto na Constituição. Se acontecer, dialogaremos com o servidor e buscaremos uma saída, respeitando o direito de todos os envolvidos.
Istoé - As recentes manifestações populares não são um recado de que esgotou-se a paciência da sociedade com os repetidos casos de corrupção? A faxina ética vai continuar?
José Eduardo Cardozo - O combate à corrupção não é um programa de governo. É um dever. Não pode se afastar das ações cotidianas daqueles que governam. Seria errado imaginar que a nossa diretriz de governo seria combater a corrupção. Mas é correto imaginar que nós temos como dever natural o combate a qualquer tipo de desvio ou de práticas ilícitas.
Istoé - Pode-se esperar, então, o reforço do combate à corrupção?
José Eduardo Cardozo - O governo fará tudo o que estiver a seu alcance para cumprir seu dever. Não é reforço. Tudo aquilo que estiver ao nosso alcance será feito como uma ação cotidiana que se espera de qualquer governante.
Istoé - O tráfico voltou a desafiar o Exército no Alemão. As UPPs e os Territórios da Paz estão perdendo força?
José Eduardo Cardozo - A política de segurança do Rio de Janeiro é competente, planejada e bem executada. Mas não podemos ter ilusões: a briga contra o crime organizado é permanente.
Istoé - O que o governo federal fará para enfrentar essas situações?
José Eduardo Cardozo - Temos de reforçar cada vez mais a cidadania, com equipamentos públicos, políticas sociais e aperfeiçoa­mento da atividade policial. Mas imaginar que as coisas vão se resolver como num passe de mágica seria muita ingenuidade.
Istoé - Qual o efeito da campanha de desarmamento na redução da criminalidade?
José Eduardo Cardozo - Toda vez que se faz uma campanha de desarmamento, o nível de homicídios cai. Há uma relação direta entre o número de armas em circulação e o de homicídios. É um engano brutal imaginar que a posse da arma garante a defesa do cidadão e evita a violência. O criminoso conta sempre com o fator surpresa. É errado conceber a arma como instrumento de defesa. Ela é de ataque.
Istoé - Ainda em relação à criminalidade, quais são os planos do governo Dilma para reduzir o caos no sistema carcerário?
José Eduardo Cardozo - Vamos lançar um grande plano de ampliação de unidades prisionais. O detalhamento será anunciado em breve pela presidente Dilma. Mas já está pronto e aprovado. Será R$ 1 bilhão de investimentos para ampliar e gerar novas vagas nos presídios estaduais.
Istoé - O que mais o governo pretende fazer para reduzir a violência? Qual será a contribuição da PF e das Forças Armadas?
José Eduardo Cardozo - Considerando que o tráfico de drogas e de armas está intimamente ligado à violência, o controle da fronteira é peça central no plano de combate. A parte mais importante será a integração das forças de segurança pública com as Forças Armadas. Nunca tivemos isso em planos de ações compartilhadas contra o crime comum. Criamos uma sala de comando no Ministério da Defesa para traçar as linhas de atuação. A PF terá o comando da Operação Sentinela para agir com o apoio logístico militar em 30 pontos vulneráveis detectados na fronteira.
Istoé - Onde entram exatamente os militares?
José Eduardo Cardozo - Eles têm o comando da Operação Ágata, com o apoio do Ministério da Justiça. É uma operação sigilosa, com data previamente marcada, que implicará o deslocamento de grandes contingentes militares para pontos da fronteira. A primeira foi na fronteira com a Colômbia. Não posso falar agora por causa do sigilo, mas nos próximos dias teremos a Ágata II. Os alvos são todos os crimes e os pontos críticos de fronteira: tráfico de drogas, de armas, de pessoas e contrabando.
Istoé - O STJ anulou, alegando falha processual, o processo sobre a Operação Boi Barrica, que investigou o filho do senador José Sarney, no Maranhão. A Polícia Federal errou?
José Eduardo Cardozo - A informação que eu recebi é de que a decisão do Superior Tribunal de Justiça, nesse caso, se deveu a uma avaliação de que seria insuficiente a motivação feita pelo juiz responsável pelo deferimento das escutas. Portanto, a questão se prendeu a um vício meramente processual e atribuído à decisão do próprio magistrado que autorizou as escutas. Nessa perspectiva, não posso dizer que houve um erro da Polícia Federal.
Istoé - Como o sr. avalia a saída de cinco ministros em menos de nove meses de governo?
José Eduardo Cardozo - Acredito que num governo é absolutamente normal a substituição de membros da equipe. E é claro que, no governo federal, é absolutamente natural que ministros, por sua vontade ou por decisão da presidente da República, deixem seus cargos. Não me parece que seja correto falar que a saída dos ministros ensejou uma crise. Foram substituições normais, que acabam acontecendo naturalmente por circunstâncias das mais diversas ao longo de um governo.
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''Embora haja socialistas no PT, ele perdeu sua referência socialista''

Entrevista especial com Lincoln Secco

Foi lançado no último mês pela Ateliê Editorial o livro História do PT. A IHU On-Line entrevistou por e-mail o autor da obra, Lincoln Secco, que explica seu trabalho: “não havia uma história do PT que contemplasse as distintas fases do partido, da formação ao poder. Eu quis escrever um ensaio fácil de ser lido e conciso o suficiente para os jovens militantes e estudiosos da nossa história recente. Por isso, o livro traz um histograma das tendências do PT e até um glossário do jargão petista”. A partir de suas pesquisas, Secco chega à conclusão de que o Partido dos Trabalhadores, ao contrário do que diziam seus documentos, “teve uma típica trajetória de um partido social democrata desde o início”. Na opinião do historiador, “o PT mimetizou a democracia eleitoral brasileira e isso inclui poder econômico e o jogo de celebridades do mundo midiático”.
Lincoln Secco, historiador, é professor da USP e membro do Conselho Editorial da revista Perseu, além de colaborador da revista Teoria e Debate.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – Qual foi o propósito do livro “História do PT”?
Lincoln Secco – Não havia uma história do PT que contemplasse as distintas fases do partido, da formação ao poder. Eu quis escrever um ensaio fácil de ser lido e conciso o suficiente para os jovens militantes e estudiosos da nossa história recente. Por isso, o livro traz um histograma das tendências do PT e até um glossário do jargão petista.
IHU On-Line – Nessa perspectiva, o que lhe chamou a atenção revisitando a história do PT?
Lincoln Secco – O PT, ao contrário do que diziam seus documentos, teve uma típica trajetória de um partido social democrata desde o início. É claro que nas condições e especificidades brasileiras do fim do século XX. Eu mesmo não pensava isso. Quando era militante do partido nos anos 1980-1990, eu considerava que o PT era um partido socialista em disputa e que ele poderia vir a ser uma agremiação de vanguarda revolucionária.
IHU On-Line – Na avaliação do senhor, qual foi a contribuição de cada um dos grupos fundadores do PT: sindicalistas, membros da igreja progressista e militantes provenientes de grupos de esquerda que combateram a ditadura? É possível identificar contribuições específicas da cada um deles para o PT?
Lincoln Secco – No meu livro eu desdobrei as três fontes de formação do PT que você citou e acentuei as contribuições de cada uma. Creio que, ao lado de sindicalistas e militantes católicos, tiveram importância também os intelectuais, os “dissidentes” do MDB, os remanescentes da luta armada e os trotskistas (no caso dos dois últimos é importante separá-los, pois vieram de tradições distintas). Mas é claro que, sem o movimento sindical do ABC e a conjuntura de crise econômica internacional, seria difícil que o PT surgisse.
IHU On-Line – Qual é o peso de Lula no PT?
Lincoln Secco – Há muita especulação sobre o lulismo hoje. Eu considero que Lula e o PT formam um par indissociável. Especialmente depois de 2006, Lula ficou muito além do PT em termos eleitorais. Mas não é verdade que o partido não tenha vida própria e que seja totalmente manipulado por Lula. O PT precisa mais de Lula do que o contrário, é verdade, mas Lula seria inconcebível sem o seu partido. Suas políticas sociais que lhe deram amplo respaldo popular vieram todas de um acúmulo de discussões ou práticas administrativas petistas anteriores. Se é inegável que ninguém no PT consegue tanta audiência popular quanto Lula, isso vale, na verdade, para qualquer partido. Qual político brasileiro atual está acima de Lula?
IHU On-Line – O PT está também se tornando um partido de caciques?
Lincoln Secco – As tendências petistas garantiam não só a originalidade do partido como o debate democrático. Curiosamente, quando o PT adotou critérios democráticos como o Processo de Eleição Direta, o debate diminuiu e a participação das bases também. Em minha opinião, o PT mimetizou a democracia eleitoral brasileira e isso inclui poder econômico e o jogo de celebridades do mundo midiático.
IHU On-Line – O PT se transformou de um partido de militantes em um partido de funcionários?
Lincoln Secco – A militância do PT renovou-se pouco e perdeu sua influência na vida interna. Mas é preciso observar que, mesmo nas condições de uma base cheia de funcionários de gabinetes, funcionários de cargos de confiança, etc., a militância não é passiva. Pouca gente prestou atenção à “revolta de Sumaré”. Em julho houve o primeiro Encontro das Macrorregiões paulistas e ali a maior parte dos delegados presentes revoltou-se contra a direção partidária e negou-se a aprovar uma aliança com o PSD do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Por outro lado, é claro que a militância pode se revoltar sem mudar muita coisa. Mas eu perguntaria: qual partido hoje tem um número importante de militantes? Quando a participação militante no PT e na esquerda declinava nos anos 1990, não era só a conjuntura neoliberal que causava isso. Houve uma mudança estrutural assinalada pela Revolução da Informática e nós ainda não sabemos como isso afeta o interesse no trabalho político voluntário e no quotidiano em geral. Hoje, nós usamos diariamente um tempo muito grande na internet, no celular, etc. Parte de nossas discussões e decisões são tomadas por e-mail. Há 15 ou 20 anos, muitos militantes do PT não tinham nem telefone fixo em casa, só que os comícios e passeatas de rua eram para centenas de milhares de pessoas. Atualmente, só manifestações religiosas ou festivas alcançam tal número. No entanto, as rebeliões do Egito, Tunísia, Grécia, Espanha, Chile, etc. demonstram que ainda há motivos para ocupar as praças. Mas os partidos de esquerda, cujo modelo é do século XIX, não parecem capazes de liderar os protestos.
IHU On-Line – Como o senhor interpreta as decisões do 4º Congresso Nacional do PT? Há novidades?
Lincoln Secco – O encerramento do IV Congresso do PT em 2011 chegou a me surpreender. O PT mostrou que ainda tem vida interna. Mais surpreendente do que a importantíssima quota de 50% para mulheres na direção do partido, foi a decisão de que a partir de 2014 vereadores, deputados estaduais e federais só podem ter três mandatos consecutivos e os senadores, dois mandatos. Tal resolução não existe em nenhum partido brasileiro. No entanto, no dia seguinte alguns parlamentares já desrespeitaram publicamente a norma, afirmando que era só uma “orientação”. Veja que até uma medida que sequer afeta os políticos petistas atuais causa em parte deles forte oposição.
IHU On-Line – Fazendo um balanço dos já mais de trinta anos do PT, o que permanece fiel às suas raízes e o que mudou substancialmente?
Lincoln Secco – O PT no governo realizou muito do que dizia em suas resoluções anteriores. O mercado interno de massas era a base do governo democrático e popular. Por outro lado, embora haja socialistas no PT, ele perdeu sua referência socialista.
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Redes sociais têm poder sobre conteúdo publicado pelo usuário

Sabe aquela foto do seu cachorro que fez sucesso entre os amigos no Facebook? E se ela fosse usada em uma propaganda, sem que você fosse consultado nem recebesse nada por isso? Pode?
Em teoria, sim. E, se você achava que não, é porque nunca deu atenção aos termos de uso e às políticas de privacidade da rede social.
Tal regra não é exclusividade do Facebook. Quem tem conta no Twitter, no Google+ ou no Orkut permite, ao clicar "li" e "aceito" no cadastro, que esses serviços usem, quase sem restrições, as informações pessoais ali publicadas - até para integrar anúncios. Apesar de prevista nas letras miúdas do regulamento dos quatro sites, essa política não torna nenhum deles responsável pelo conteúdo publicado por usuários, como ficou claro em decisão do Superior Tribunal de Justiça.
Na semana passada, a corte isentou o Google de indenizar um usuário que teve um perfil falso criado no Orkut. Decidiu-se que os sites não são obrigados a fiscalizar previamente o conteúdo.
"O provedor só é responsável, se, depois de notificado, não tomar nenhuma atitude", diz Victor Haikal, especialista em direito digital do escritório PPP Advogados.
Os contratos têm outros pontos controversos, como a liberdade que as redes têm de alterar as regras a qualquer momento, sem notificar os usuários, e alguns insólitos, como a restrição (legalmente nula no Brasil) de uso do Facebook por quem já cumpriu pena por crime sexual.
Quem possui contas nessas quatro redes sociais supostamente leu mais de 160 mil caracteres de regras.
Como mostra o quadro abaixo, é mais do que Gabriel García Márquez precisou para, em 1981, contar a "Crônica de uma Morte Anunciada".
Sem Desculpa
A extensão dos contratos não atenua as consequências da quebra das cláusulas. Ao aceitar os termos sem lê-los, o usuário "foi negligente", diz Haikal. "Você precisa cumprir o contrato. 'Ah, é arbitrário...' Mas você concordou."
Em julho, o programador Michael Lee Johnson publicou anúncio no Facebook para ganhar seguidores no Google+. Todos os seus anúncios foram removidos da rede social.
A exclusão está amparada pelo contrato do Facebook, segundo o qual o site pode remover "qualquer anúncio, por qualquer motivo".
Outro item polêmico que aparece nos contratos é o compartilhamento de informações com terceiros. Quem entra numa rede social por meio de um aplicativo criado por outra empresa autoriza que esta veja seus dados.
Mudanças nas ferramentas oferecidas, se amparadas pela lei, também podem ser feitas à vontade, já que os termos não detalham cada serviço. Há alguns anos, o Orkut criou, sem notificação, um recurso que permite ao usuário ver quem visitou seu perfil. A novidade irritou internautas.
"Temos um compromisso com a transparência, e o recurso foi introduzido nesse sentido. O usuário poderia ativar ou desativar essa funcionalidade quando quisesse", diz Felix Ximenes, diretor de comunicação e políticas públicas do Google Brasil. 
No Falha
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Charge online - Bessinha - # 822

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As cobaias humanas de Israel

Médicos denunciam que Israel testa suas novas armas na população da Faixa de Gaza, provocando mutilações, queimaduras e ferimentos
O garoto de 13 anos joga futebol com os amigos na tarde ensolarada. De repente, aviões israelenses surgem no céu. Os meninos não têm tempo nem de correr: um míssil cai sobre eles.
A ambulância chega rapidamente e os leva ao hospital Al-Shifa, o maior da Cidade de Gaza, a capital da Faixa de Gaza. Alguns dos garotos estão inconscientes. Outros estão mortos.
As vítimas, em sua maioria, são mulheres
e crianças - Foto: GHN
Dias depois, o médico Ayman Al Sahbani, diretor do departamento de emergências do hospital, mostra o menino de 13 anos na cama de um cubículo cheio de aparelhos médicos. Vários pontos do corpo, todo coberto por faixas brancas, estão plugados nos aparelhos. Uma perna apoia-se numa espécie de mesinha de ferro. Os braços estendem-se ao lado do corpo. Só os braços. As mãos foram perdidas no ataque israelense.
“Quando o pessoal do socorro o trouxe, pensei que ele estivesse morto. Então o ouvi gritar: ‘Ai, mamãe!’. Levei-o de imediato para a sala de cirurgia e o operei. Várias vezes. Já faz cinco dias, e ele continua vivo. Tem queimaduras terríveis e estilhaços de metal por todo o corpo. Será que vai poder jogar futebol de novo? Não tenho ideia.”
Ninguém sabe quem é o garoto. E essa é uma situação comum nos hospitais. Os feridos chegam, queimados, mutilados, os corpos perfurados por pedaços de metal, e são atendidos por médicos e enfermeiros exaustos, angustiados, tentando fazer com que o pouco material de que dispõem seja suficiente para todos.
Novas armas
Ali, no setor de emergência cheirando a antisséptico, o ruído dos ventiladores mistura-se ao bipe dos monitores e aos passos apressados dos profissionais cuja tarefa é salvar as vidas daqueles que chegam. A identidade dos feridos é o que menos importa nessa hora.
“As vítimas, em sua maior parte, são mulheres e crianças”, explica o médico Al Sahbani. “Vítimas civis”, ressalta. “Chegam aos pedaços, alguns queimados de tal modo que se tornam irreconhecíveis. Há 20 crianças aqui, com ferimentos que nunca vi, nem na Operação Chumbo Fundido, quando observei pela primeira vez as queimaduras provocadas pelo fósforo branco. As armas de agora são piores, causam lesões terríveis, despedaçam pés, pernas, mãos, enchem os corpos com centenas de pequenas peças de metal.”
Operação Chumbo Fundido foi o nome dado aos ataques israelenses contra a Faixa de Gaza entre dezembro de 2008 e janeiro de 2009, que causaram cerca de 1.500 mortes, em sua grande maioria, de civis.
Al Sahbani continua, depois de uma pausa: “Meu filho de 11 anos me pergunta por que isso acontece, por que Israel nos ataca assim. O que posso responder a ele?”.
Uma das respostas possíveis seria cruel demais para uma criança: Israel está testando, mais uma vez, suas novas armas em alvos vivos. Em seres humanos que há mais de 60 anos vivem sob ocupação israelense, e que antes disso sofreram massacres e expulsões, e viram suas casas e cidades serem destruídas ou tomadas por grupos paramilitares sionistas.
Como lembrou o diretor do departamento de emergências do hospital Al-Shifa, não é a primeira vez que essas substâncias são experimentadas na população de Gaza. Israel admitiu o uso do fósforo branco em 2006 e em 2008- 2009, na Operação Chumbo Fundido. O que os sionistas não contaram, porém, foi a adição de metais tóxicos ao fósforo branco.
Metais cancerígenos
Mas o New Weapons Committee (NWRG), grupo de pesquisadores, acadêmicos e profissionais de mídia que estuda os efeitos das novas tecnologias de guerra, descobriu e divulgou. Embora a mídia corporativa não tenha dito uma única palavra sobre isso, o relatório do NWRG foi publicado em maio de 2010 e está à disposição de quem quiser consultá-lo: www.newweapons.org/files/20100511pressrelease_eng.pdf.
De acordo com o informe, análises em tecidos humanos enviados ao comitê por médicos de Gaza, retirados de “ferimentos provocados por armas que não deixam fragmentos nos corpos das vítimas”, encontraram “metais tóxicos e cancerígenos, capazes de produzir mutações genéticas. [...] Isso mostra que foram utilizadas armas experimentais, cujos efeitos ainda são desconhecidos”.
Movimentação de ambulâncias diante do hospital
Al-Shifa, o maior da Cidade de Gaza - Foto: GHN
A pesquisa seguiu dois estudos anteriores do NWRG. O primeiro, publicado em 17 de dezembro de 2009, estabeleceu a presença de metais tóxicos em áreas ao redor das crateras provocadas pelo bombardeio israelense na Faixa de Gaza. O último, publicado em 17 de março de 2010, apontou a presença de metais tóxicos em amostras de cabelo de crianças da região.
Ambos indicam contaminação ambiental, agravada pelas condições de vida naquele território, que propiciam o contato direto com o solo. Os abrigos expostos ao vento e à poeira, devido à impossibilidade de reconstrução das moradias – Israel não permite a entrada de materiais de construção e ferramentas necessárias – também facilitam o contato com as substâncias tóxicas espalhadas no ambiente.
Danos à saúde
O trabalho, realizado pelos laboratórios das universidades Sapienza de Roma (Itália), Chalmers (Suécia) e Beirute (Líbano), foi coordenado pelo NWRG e comparou 32 elementos encontrados nos tecidos das vítimas. “A presença de substâncias tóxicas e cancerígenas nos metais detectados nos ferimentos é relevante e indica riscos diretos para os sobreviventes, além da possibilidade de contaminação ambiental”, diz o relatório.
“Alguns dos elementos encontrados são cancerígenos (mercúrio, arsênio, cádmio, cromo, níquel e urânio); outros são potencialmente carcinogênicos (cobalto e vanádio); e há também substâncias que contaminam fetos (alumínio, cobre, bário, chumbo e manganês). Os primeiros podem produzir mutações genéticas, os segundos podem ter o mesmo efeito em animais (ainda não há comprovação em seres humanos), os terceiros têm efeitos tóxicos sobre pessoas e podem afetar também o embrião ou o feto em mulheres grávidas”, alerta o documento.
Há mais, segundo o relatório de 2010: “Todos os metais, encontrados em quantidades elevadas, têm efeitos patogênicos em humanos, danificando os órgãos respiratórios, o rim, a pele, o desenvolvimento e as funções sexuais e neurológicas”.
Paola Manduca, professora e pesquisadora de genética da Universidade de Gênova e porta-voz do NWRG, comentou, referindo-se às análises do material recolhido em 2006 e 2008-2009: “Concentramos nossos estudos nos ferimentos provocados por armas que, segundo os médicos de Gaza, não deixavam fragmentos. Queríamos verificar a presença de metais na pele e na derme. Suspeitava- se que esses metais estivessem presentes nesse tipo de armas [que não deixam fragmentos], mas isso nunca tinha sido demonstrado. Para nossa surpresa, mesmo as queimaduras provocadas por fósforo branco contêm alta quantidade de metais. Além disso, a presença desses metais nas armas implica que eles se dispersaram no ambiente, em quantidades e com alcance desconhecidos, e foram inalados pelas vítimas e por aqueles que testemunharam os ataques. Portanto, constituem um risco para os sobreviventes e para as pessoas que não foram diretamente atingidas pelo bombardeio”.
Testes bélicos
Um risco de longo alcance: um dos metais utilizados, o urânio, radioativo, é utilizado em usinas nucleares e na produção de bombas atômicas. Ele tem vida útil de aproximadamente 4,5 bilhões de anos (urânio 238) e 700 milhões de anos (urânio 235).
Em relação aos ataques atuais, de agosto de 2011, pesquisadores do NWRG comentaram, ao ver imagens de feridos, transmitidas por uma estação de TV de Gaza, que o exército israelense parecia utilizar as mesmas armas da Operação Chumbo Fundido. Engano. As de agora são mais devastadoras, segundo o médico Ayman Al Sahbani, do hospital Al-Shifa.
E permitem concluir que a nova investida contra Gaza não está ligada apenas à tentativa de tirar os indignados israelenses dos noticiários ou de deter os foguetes que brigadas como a Jihad Islâmica atiram no sul de Israel. Os ataques também servem ao propósito de observar os efeitos da mistura de novas substâncias, às quais se acrescentou a tecnologia das bombas de fragmentação.
O médico Al-Sahbani deplora a situação, pedindo que o mundo todo conheça o drama de Gaza e faça algo para detê-lo. “Somos humanos e só queremos viver com liberdade, trabalhar corretamente, ver nossos filhos crescerem livres, como em outros países”, declara. “Em outros países, as crianças jogam futebol, nadam em piscinas sem o risco de ser bombardeadas, amputadas e mortas, como acontece em Gaza. Que tipo de vida é esse para uma criança?” (com informações de Julie Webb- Pullman, do portal Scoop Independent News, diretamente de Gaza)
Baby Siqueira Abrão de Ramallah (Palestina)
Para o Brasil de Fato
No Maria da Penha Neles!
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A marcha da insensatez

Agora contra o voto secreto, decisiva conquista democrática.
No Rio de Janeiro, na tarde de 20 de setembro, houve a segunda rodada de manifestações contra a corrupção no País. A primeira, no dia 7, foi simultânea às solenidades da Independência. Em Brasília, calcularam 25 mil pessoas presentes na marcha pela Esplanada dos Ministérios. O número pode ter sido engordado por aqueles que foram ver o desfile oficial.
De qualquer forma, na capital do País, nas imediações do Congresso Nacional, ocorreu o movimento mais numeroso, simultaneamente ao que ocorria também em outros estados da federação.
No Rio, desta vez, o palco dos manifestantes foi a praça da Cinelândia, no centro da cidade. Os organizadores, confiantes nas redes sociais, anunciaram que haveria cerca de 30 mil pessoas. Compareceram, aproximadamente, 2,5 mil, segundo cálculos do comando da Polícia Militar.
Nessa “multidinha”, antônimo popular de multidão, alguns erguiam vassouras, símbolo da faxina moralista de Jânio Quadros, aquele cidadão conturbado que ocupou a Presidência da República por sete meses, antes de renunciar. Outros empunhavam cartazes propondo a transformação da corrupção em crime hediondo e pregando o fim do voto secreto no Congresso, onde, por sinal, acaba de ser criada a Frente Parlamentar em Defesa do Voto Aberto, cuja vanguarda é o PSOL, partido nascido da costela do PT, formado em reação moral ao “mensalão”.
Essas manifestações, à direita e à esquerda, expressam em conjunto uma insensata demonização da política.
O “voto aberto” entrou em pauta em 2005, após os episódios do chamado “mensalão” e “sanguessugas”.
Depois de amputado o ritual da presunção de inocência com a lei chamada de “Ficha Limpa” atacam, agora, o voto secreto no Parlamento, implantado para garantir a independência dos integrantes do Legislativo diante de tentativas de interferência e pressões do Executivo. Eventualmente, esse sistema pode livrar parlamentares da camisa de força da própria disciplina partidária, como pode ocorrer em casos de objeção de consciência.
No Brasil, o voto secreto foi introduzido pela Constituição de 1934 para garantir, essencialmente, deliberações sobre vetos e contas do presidente da República. Não por outra razão, a Carta Autoritária de 1937, outorgada por Getúlio Vargas, proibiu o voto secreto. O sistema foi restabelecido na Constituição de 1946, após o Estado Novo.
Essas idas e vindas indicam com clareza que o sistema é uma conquista democrática. Com ele o parlamentar fica imune às pressões da mídia ou mesmo da “opinião pública” que, como mostra a história, segue, às vezes, caminhos alternativos à democracia política.
Um dos episódios mais marcantes na trajetória do voto secreto ocorreu, em 1968, durante a ditadura. A Câmara dos Deputados negou pedido de licença para o governo processar o deputado Marcio Moreira Alves. Mais da metade da Arena, partido da base de sustentação política dos militares, acompanhou o MDB, partido de oposição. O resultado só foi possível pelo voto secreto malgrado, na sequência, ter sido editado o AI-5 e fechado o Congresso.
Essa cínica pregação moralista, promovida por interesses variados, arrasta pessoas de boa-fé desatentas às lições da história do Brasil. Manifestações semelhantes, em 1954 e 1964, por exemplo, fizeram parte do funeral da democracia no País.
Mauricio Dias
No CartaCapital
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Sobre um "poste" que virou Nobel da Paz

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‘Não contém fermento populacional’

Ministra vai à rádio explicar mudanças no Bolsa Família
e acalmar os neomalthusianos que temem
'multiplicação de pobres'. 
Foto: lza Fiuza/Agência Brasil
Porque às vezes é preciso desenhar para deixar claro: leite com manga não dá dor de barriga; entortar o olho no vento não provoca vesguice; fazer a barba depois do almoço não resulta em congestão; apontar o dedo pra lua não estoura verruga; casca de pão não encrespa o cabelo e semente não cria pé de melancia na barriga.
A ciência desmente alguns mitos, mas a estupidez (essa imune à razão), não. Ao conceder entrevista nesta quinta-feira 22, a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, teve que explicar novamente que dois mais dois não são oito. Em outras palavras, que a ampliação de três para cinco crianças beneficiárias do Programa Bolsa Família não é estímulo para que os casais tenham mais filhos a partir de agora. “Não conheço nenhum especialista ou conhecedor do assunto que acredite que a ampliação de um benefício de 32 reais vá levar à ampliação da taxa de natalidade. Pelo contrário, há oito anos, o Bolsa Família tem repassado recursos com a parcela variável, atingindo crianças, e o que tivemos foi a redução da taxa de natalidade, inclusive na população pobre e extremamente pobre”, destacou. O benefício, vale lembrar, deve atingir 1,2 milhão novas crianças.
Segundo a ministra, “todo mundo que já teve filho sabe o quanto custa uma criança” e é “difícil alguém achar que 32 reais por mês possam estimular uma pessoa a ter filho”.
O deputado Salim Curiati (PP),
para quem Bolsa Família incentiva
população pobres a colocar
bandido no mundo
Nem todos. Em 23 de agosto último, o deputado estadual Antonio Salim Curiati (PP), malufista das antigas, entrou na lista dos indicados ao prêmio Relincha Brasil 2011 por sua análise sobre a relação entre política social e onda de assaltos, do qual se tornara vítima naquele dia: “A Dilma vem falar do Bolsa Família. Aí você agracia a comunidade carente, e eles começam a ter filhos à vontade. É preciso controlar a paternidade”.
Sergio Cabral, o governador fluminense que chamou a favela da Rocinha de “fábrica de produzir marginais”, não faria melhor.
Curiati, médico de 83 anos, talvez não tenha tido tempo na vida para conviver com muitas famílias “carentes” – aqueles seres que provavelmente só conhecera por ouvir falar e que povoavam as entradas de serviço de seu consultório, mansão ou gabinete na Assembleia Legislativa. Sociologia de botequim tem dessas lógicas.
Acampamento onde vivem beneficiários
do Bolsa Família no entorno de Brasília:
para Curiati e seguidores, uma fábrica 
de produção de bebês.
Foto: Elza Fiúza/Agência Brasil
Mas, como demonstrou a ministra Campello, é sempre bom explicar (ou desenhar): crianças e adolescentes não devem trabalhar, devem estar na escola, e a melhor forma de o Estado garantir o acesso à escola é garantir recursos para direitos básicos, como a alimentação. Faltou dizer que não, não há essência da fertilidade num cartão de plástico de 32 reais nem fermento para a explosão populacional.
Parece convincente, e é possível pensar que uma professora da quinta série não fosse mais didática. Por via das dúvidas, é melhor aparecer de quando em quando na rádio para explicar aos doutos neomalthusianos o que é mito e o que é má fé. A outra solução (mais trabalhosa, e talvez mais eficiente) é tirar as mangas, o leite, o espelho, o barbeador e as famílias menos abastadas de perto do deputado Curiati e seguidores. Nunca se sabe o que a ignorância, quando afrontada ou intimidada, é capaz de produzir.
Matheus Pichonelli
Formado em jornalismo e ciências sociais, é subeditor do site de CartaCapital e colaborador da revista desde maio de 2011. Escreve sobre política nacional, cinema e sociedade. Foi repórter do jornal Folha de S.Paulo e do portal iG. Em 2005, publicou o livro de contos 'Diáspora'.
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A Pesquisa do PSDB

PSDB foca redes sociais e reúne 'pais do Real' em resgate a FHC
O PSDB decidiu investir pesado em comunicação, com ênfase nas redes sociais, e fará um seminário no Rio de Janeiro, em outubro, reunindo os "pais do Real", para resgatar o legado do governo Fernando Henrique Cardoso e lançar seu novo programa. As decisões foram tomadas a partir das conclusões de uma pesquisa comandada pelo cientista político e marqueteiro Antonio Lavareda, apresentada ontem à cúpula da legenda, em Brasília.
De acordo com o levantamento, o PSDB ainda tem bom recall das áreas de Saúde e Educação na gestão FHC. Além disso, a pesquisa apontou empate técnico, com dianteira numérica para os tucanos na gestão: para 15%, o PSDB tem quadros mais qualificados, contra 13% que atribuem a qualidade ao PT.
Apesar de os dados sobre corrupção serem favoráveis ao PT (31% disseram que o governo FHC era mais corrupto, contra 21% que viram mais corrupção sob Lula), o partido foi aconselhado por Lavareda a insistir no discurso da ética-qualidade apontada como mais importante num partido por 56% dos ouvidos.
O seminário do Rio, marcado para 28 de outubro, está sendo organizado pelo ITV (Instituto Teotonio Vilela), sob coordenação do economista Edmar Bacha. O evento terá outros "pais do Real", como Pedro Malan, André Lara Resende e Pérsio Arida, e os ex-presidentes do Banco Central Armínio Fraga e Gustavo Franco. O nome do seminário -"PSDB: o Legado e o Futuro"- já mostra a intenção revisionista do período FHC.
Bacha comanda o grupo que está atualizando o programa do PSDB. A ideia é centrar fogo em propostas para educação básica e saúde."Temos de recuperar nosso legado. Mostrar que, se o Brasil está melhor depois de Lula, é porque o PSDB combateu a inflação lá atrás e preparou as bases", afirmou o senador Aécio Neves (MG).
O tucano, que deve subir o tom de suas falas, disse que o PT não fez "nada de estruturante" pelo país e que deixa como legado "o aparelhamento e o uso da máquina".Segundo ele, o PSDB tem de focar na comunicação, sobretudo nas redes sociais, para se apresentar como opção.
As novas diretrizes devem dar o tom dos programas do partido na TV. Em São Paulo, amanhã, FHC dividirá o espaço com o governador Geraldo Alckmin. O ex-governador José Serra só aparecerá no programa eleitoral do fim do ano, em dezembro.
Dilma na cabeça
A presidente Dilma seria eleita no primeiro turno, no caso de novas eleições presidenciais, mantidos os mesmos candidatos de 2010. No ano passado, a presidente obteve 46,9% dos votos válidos. Se o pleito fosse agora, Dilma teria 59% dos votos. A votação do tucano José Serra cairia de 32,6% para 25%. Também perderia densidade a candidatura de Marina Silva (ex-PV), de 19,3% para 15%. Os dados são da pesquisa encomendada pelo PSDB.
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Merval imortal

O acadêmico Eduardo Portella, ministro da Educação de João Figueiredo e secretário da mesma pasta no Governo Moreira Franco, ao saudar o ingresso de Merval Pereira na Academia Brasileira de Letras, definiu bem o papel do novo imortal como “substituto” da oposição:
“Diante da ineficiência das oposições, quem segura a flama da consciência crítica no país são os jornalistas. É aí que existe um núcleo vigoroso de contestação racional do poder. É importante distinguir a consciência moral da bravata. O Merval é uma pessoa que pratica a denúncia tranquila, na qual o vigor moral se impõe por ele mesmo, dispensando os adjetivos exaltados”.
De fato, a onipresença midiática de Merval Pereira, somada ao ar aristocrático, o fazem parecer alguém que, de sua cátedra de pretensão, é capaz de ditar ordens aos mortais. Sua imparcialidade é tanta que sempre está do mesmo lado, o de lá.
Então, agora que deslustra a já tão opacizada Casa de Machado de Assis, que saiba possa ler o que o bruxo do Cosme Velho escreveu em seu fantástico O Alienista:
(…) Estando os loucos divididos por classes, segundo a perfeição moral que em cada um deles
excedia às outras, Simão Bacamarte cuidou em atacar de frente a qualidade predominante. Suponhamos um modesto. Ele aplicava a medicação que pudesse incutir-lhe o sentimento oposto; e não ia logo às doses máximas,— graduava-as, conforme o estado, a idade, o temperamento, a posição social do enfermo. Às vezes bastava uma casaca, uma fita, uma cabeleira, uma bengala, para restituir a razão ao alienado; em outros casos a moléstia era mais rebelde; recorria então aos anéis de brilhantes, às distinções honoríficas, etc. Houve um doente poeta que resistiu a tudo.
Simão Bacamarte começava a desesperar da cura, quando teve a idéia de mandar correr matraca para o fim de o apregoar como um rival de Garção e de Píndaro.
— Foi um santo remédio, contava a mãe do infeliz a uma comadre; foi um santo remédio.
No Tijolaço
Merval Pereira toma posse na Academia Brasileira de Letras sem nunca ter escrito um livro
O picareta Merval Pereira substitui o escritor de verdade Moacyr Scliar na cadeira 31 da ABL (Academia Brasileira de Letras). Em sua longa (61 anos) e inútil vida jamais escreveu nenhuma obra literária: publicou dois livros com coletâneas de seus horrendos artigos escritos para jornais. Se tivessem algum valor jornalístico suas "obras" teriam sido premiadas em sua área, mas ninguém jamais pensou numa ofensa dessas ao jornalismo.
Além de seu lixo impresso destaca-se como insuflador do ódio e disseminador da burrice nas organizações Globo de rádio e TV. Uma vergonha para uma academia que destaca-se por nunca ter tido a menor vergonha em lamber as botas do poder elegendo ditadores, políticos e, agora, jornalistas de esgoto.
Imaginem o cheiro
No Esquerdopata
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Nasa confirma queda de satélite na Terra; pedaços teriam atingido Canadá

Foto da Nasa mostra satélite do tamanho de um ônibus
que foi retirado de funcionamento em 2005
O Satélite de Pesquisa da Alta Atmosfera (UARS, na sigla em inglês) entrou na atmosfera e caiu na Terra, confirmou a Nasa neste sábado (24). Por sua conta no Twitter, a agência espacial americana assegura que seus "restos caíram na Terra" entre 0h23 e 2h09 de Brasília, mas não detalha o local do impacto.
Segundo mensagens divulgadas do Twitter, mas ainda não confirmadas, algumas partes do satélite teriam caído na cidade canadense de Okotoks, no sul de Calgary. O UARS tem o tamanho de um ônibus e pesa mais de 5,5 toneladas, mas a Nasa voltou a insistir na sexta-feira (23) que o risco para a segurança das pessoas é "muito remoto".
"O satélite estava passando sobre Canadá e África, assim como sobre vastas zonas dos oceanos Pacífico, Atlântico e Índico", explica a Nasa. A agência espacial acrescenta que "o momento preciso da entrada na atmosfera e o local do impacto não são conhecidos com certeza".
A agência garante que desde o começo da era espacial não foi registrado nenhum caso de pessoa ferida por um objeto espacial, que desta vez tinha chance de um em 3,2 mil de atingir alguém.
Os cientistas haviam calculado que o satélite se despedaçaria ao entrar na atmosfera e que pelo menos 26 grandes pedaços suportariam as altas temperaturas do reingresso e cairiam sobre a Terra.
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A sabedoria dos doutores da Igreja

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É Primavera

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