22 de set de 2011

Entrevista da presidenta Dilma em NY

Presidenta Dilma Rousseff durante coletiva de imprensa no Hotel Waldorf Astoria. 
Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
Uma viagem com muitos compromissos e com resultados positivos para o Brasil. Foi assim que a presidenta Dilma Rousseff resumiu os quatro dias de trabalho em Nova York, onde participou, entre outros compromissos, da Assembleia Geral da ONU, momento em que entrou para a história como a primeira mulher a abrir o Debate Geral desde a fundação das Nações Unidas.
Durante entrevista coletiva concedida no início da tarde desta quinta-feira (22/9), no Waldorf Astoria Hotel, a presidenta Dilma fez um relato dos compromissos em que participou na cidade americana, incluindo oito encontros bilaterais com chefes de Estado e de Governo e três reuniões na ONU – uma relativa a doenças crônicas não transmissíveis, uma outra relativa à questão do empoderamento das mulheres, e a terceira sobre segurança nuclear.
Ela falou, ainda, sobre temas de interesse nacional e global, como a crise financeira internacional, assunto mais recorrente na conversa com os jornalistas. Dilma Rousseff reiterou que o Brasil está pronto para resistir à crise, ainda que não imune a efeitos indiretos, e lembrou da solidez em que o país se encontra. “Nós temos bancos saudáveis, nós temos uma situação diferenciada”, disse. Veja alguns trechos da entrevista coletiva:
Crise financeira
“Esperamos que a crise seja resolvida. Nós não somos responsáveis pela crise e não somos aqueles que sofrem a crise diretamente. Não somos. Não há a menor dúvida. Mas também não se pode alegar que não soframos as consequências indiretas da crise. Sofremos. Primeiro, porque o mercado internacional reduz, não é? Ele se reduz, na medida em que as economias desenvolvidas diminuem o tamanho de seus mercados, na medida em que há desemprego, na medida em que há contração da demanda. Sofremos as consequências e, como sofremos as consequências, julgamos que temos todos os direitos de participar e de discutir as saídas.”
Encontro do G-20
“Julgamos que o G-20, na França, tem de tratar das questões relativas à nova configuração tanto dos organismos multilaterais, também, quanto a configuração das soluções para a saída dessa crise, que eu não acredito que seja passível de ser dada pela ação de uma economia ou de um grupo pequeno de países. Acho que é uma questão que nós temos de procurar a solução conjuntamente nos moldes, até muito bem feitos, daquele momento em 2008/2009, quando o mundo reagiu de forma organizada e coordenou políticas macroeconômicas.”
No Blog do Planalto
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Americanos e seu conhecimento em geografia....

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No Na Práxis
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"Melhor Clube do Mundo" terá franquia em Balneário Camboriú

Vencedor de nada menos que 10 prêmios de melhor club do mundo, o Space Ibiza vai desembarcar no Brasil. A terceira franquia da marca no mundo, e primeira nas Américas, será inaugurada no segundo semestre de 2012, em Balneário Camboriú, Santa Catarina. Para lançar esta grande novidade e apresentar detalhes do projeto, será realizada uma festa de lançamento, exclusiva para convidados, no próximo dia 11 de outubro, no Parador Beach Club, na Praia do Estaleirinho, em Balneário Camboriú.


Neste evento especial, o Space B. Camboriú começará a ser revelado para um seleto grupo de convidados, que terão o privilégio de começar a saborear esta experiência única. Somente nesta festa do dia 11/10, vão ser divulgados detalhes como a localização exata do club, panoramas do projeto, previsão para data de abertura e sócios. Até lá, o grupo de empresários catarinenses que está à frente do empreendimento mantém segredo sobre estes detalhes e tudo mais que cerca o empreendimento.



Sobre o Space Ibiza
Fundado em 1989 por Pepe Roselló, o Space Ibiza é um dos melhores e maiores clubs de música eletrônica do planeta. Faz parte das grandes instituições da música eletrônica da ilha espanhola e também de todo o mundo, tendo residentes como Carl Cox e Armin Van Buuren, além de festas que lançam tendências e deixam marcas indeléveis em toda a vida noturna mundial. Muito criteriosa com sua política de abertura de franquias, possuí apenas duas filiais em funcionamento, uma em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e outra em Sharm, no Egito.
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Estudo projeta alta de 43,1% no preço mundial do petróleo até 2020

O descompasso entre o crescimento da demanda e a incorporação de novas reservas causará um aumento de 43,1% no preço mundial do petróleo até 2020. Para o etanol, a perspectiva é ainda maior e aponta para uma alta de 125,9% no período.
No Brasil, as altas serão significativamente menores, chegando a 18,7% para o petróleo e 7% para o etanol até o fim da década. A conclusão é do estudo "Brasil sustentável - Perspectivas dos mercados de petróleo, etanol e gás", divulgado hoje pela Ernst & Young Terco em parceria com a FGV Projetos. O material revela que os preços em trajetória ascendente vão limitar o desenvolvimento de praticamente todas as economias do mundo, gerando um hiato de 0,52 ponto percentual em relação ao crescimento potencial do PIB mundial a cada ano até o fim da década.
O estudo afirma ainda que esta década será marcada por um crescimento econômico mundial ainda dependente do petróleo, com uma demanda global crescente e movimentos insuficientes de substituição e eficiência energética, além de um aumento de oferta incerto e concentrado a partir de 2015.
"O petróleo, no longo prazo vai seguir uma trajetória ascendente. A época de petróleo barato realmente se esgotou", disse Fernando Blumenschein, da FGV Projetos. "Existe uma perspectiva de elevação de preços contínua na próxima década", acrescentou.
No Brasil, a alta dos combustíveis dependerá da disposição política em repassá-la ao consumidor. O controle exercido pela Petrobras sobre os preços da gasolina e do álcool praticados ao consumidor põe o Brasil, segundo o estudo, em uma condição privilegiada em relação ao resto do mundo no que diz respeito ao impacto dos combustíveis sobre o desempenho do PIB nacional e sobre a inflação.
Guilherme Serodio
No Valor
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O trabuco cambial

Não foi preciso esperar muito para ver o poder do que chamamos ontem aqui de “o trabuco” do Banco Central no mercado cambial.
Hoje, dia de novo tremor nos mercados mundiais, a turma aqui foi pro desespero e o dólar chegou a um nível absolutamente injustificável: R$ 1,96.
E, além da especulação, o que explica isso?
Em primeiro lugar, que há gente precisando comprar a este valor porque está devendo em dólar e não fez contratos de hedge suficientes para se prevenir de variações cambiais de curto prazo porque acreditou – sabe-se lá porque – que a queda do dólar ia continuar indefinidamente, o que as nossas autoridades econômicas cansaram de avisar que não seria assim.
De outro, que tem muito movimento especulativo, como sempre, no mercado futuro de câmbio.
As primeiras entradas no mercado do Banco Central como vendedor – coisa que não acontecia desde 2009 – foram para “sentir a pressão”. E a pressão furou. Em poucos minutos a cotação passou a apresentar resultado negativo em relação a ontem – outro dia de pressões – e a moeda americana caiu a R$ 1,84.
O BC ofereceu R$ 2.7 bilhões em dólar futuro. Não chegou a mexer com o mercado à vista, o que será um segundo capítulo.
Depois, à tarde, a pressão voltou, em escala menor O mercado parece estar convidando o BC para uma queda de braço nas cotações, tentando projetar um dólar futuro que só se confirmará com uma quebra econômica internacional.
Tirando os enforcados em dólar, o resto é aposta econômica. E, claro, contra a economia brasileira.
Mas não há sinais de que isso venha a acontecer, além dos naturais prejuízos que uma crise mundial traz, inevitavelmente.
Mas os indicadores não são, aqui, de retração da atividade, apenas de desaceleração. O desemprego estável em 6% divulgado hoje pelo IBGE (e menor que há um ano, quando era de 6,7%) e a continuidade da alta real da arrecadação de impostos e contribuições também anunciada hoje pelo Tesouro – 8,1% acima da de agosto de 2010, em valor real – não autorizam a ver qualquer encolhimento da economia.
É o que registam as estimativas do Serasa Experian (veja o gráfico) sobre a atividade econômica, antecipando a variação do PIB. Note que o consumo das famílias voltou a subir e agora, com importações mais caras, isso vai representar um alento para o setor industrial.
Hoje, ainda em Nova Iorque, Dilma Rousseff disse que o Brasil vai seguir tomando medidas cambiais, mas com prudência. “”Neste momento, que é um momento de volatilidade dos mercados, de nervosismo dos mercados, a nossa atitude é de calma, tranquilidade e de estabilizar todo o processo” , disse.
Correto. A hora é de dizer que quem ficar nervosinho vai ter problemas. E manter sobre a mesa o “trabuco” cambial de que o Banco Central dispõe. Menos para usar do que para mostrar que está disposto a usar.
Fernando Brito
No Projeto Nacional
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CAIXA tira do ar Machado branco e se desculpa

Os "gênios", e certamente limpinhos, que são responsáveis pelo marketing da Caixa Econômica Federal resolveram deixar de veicular a publicidade onde o escritor, mulato, Machado de Assis era interpretado por um ator branco.
A empresa emitiu uma nota acerca do desrespeito praticado:
A Caixa Econômica Federal informa que suspendeu a veiculação de sua última peça publicitária, a qual teve como personagem o escritor Machado de Assis. O banco pede desculpas a toda a população e, em especial, aos movimentos ligados às causas raciais, por não ter caracterizado o escritor, que era afro-brasileiro, com a sua origem racial.
A CAIXA reafirma que, nos seus 150 anos de existência, sempre buscou retratar, em suas peças publicitárias, toda a diversidade racial que caracteriza o nosso país. Esta política pode ser reconhecida em muitas das ações de comunicação, algumas realizadas em parceria e com o apoio dos movimentos sociais e da Secretaria de Política e Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) do Governo Federal.
A CAIXA nasceu coma missão de ser o banco de todos, e jamais fez distinção entre pobres, ricos, brancos, negros, índios, homens, mulheres, jovens, idosos ou qualquer outra diferença social ou racial.
Confira abaixo, a sórdida política do embranquecimento praticada pela Caixa:
No Mídia Caricata
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O oportunismo de Yoani Sánchez

A multipremiada blogueira Yoani Sánchez acrescentou novas pérolas ao ciberbestiário, conforme o apresentado em sua antológica entrevista ao historiador francês Salim Lamrani[*]. Leia aqui a entrevista publicada neste ContextoLivre, em 15 de abril de 2010.
Em diálogo com o jornal porto-riquenho El Nuevo Dia, a senhora Sánchez investe contra o povo cubano, a quem atribui o comportamento daqueles que, como ela, só pensam com o bolso:
"Digamos que haja uns 10% de pessoas que acreditam realmente no sistema, que estão próximos aos governantes. Há uns 10% no outro extremo, que acreditam que é preciso ser completamente desmontado. Em média, uns 80% que se move de um lado para outro, segundo sopra o vento, porque o oportunismo penetrou muito fundo no país. Se amanhã Raúl Castro disser que os salários vão ser aumentados em 40 pesos cubanos, esses 80% estarão com os 10% que aplaudem; se depois de amanhã, Castro disser que o café não será mais puro, mas misturado com grão-de-bico, esses 80% passarão para outro lado".
Ao que parece, preocupada em perder destaque na imprensa da metrópole, após documentos revelados por Wikileaks, que demonstraram sua subordinação ao governo dos Estados Unidos, esta pessoa agora deprecia seus compatriotas diante de um jornal da colônia que os EUA mantêm no Caribe.
Para maior subserviência, ela se declara a serviço de quem usurpou a independência do povo de Porto Rico e quer converter Cuba em uma colônia estadunidense.
Se "o oportunismo calou fundo o país", os que atuam como Yoani Sánchez levaram a maior parte, atuando "de acordo como sopra o vento' dos dólares que recebem por agradar ao Tio Sam.
Embora a entrevista tenha o dramático nome de "Cuba: últimas imagens do naufrágio", é a credibilidade da senhora Sánchez que não tem mais remédio, após as referidas revelações de Wikileaks. Certamente, o entrevistador relata que falaram "sem medo" e deve ser por isto que a palavra Wikileaks não aparece em nenhuma parte...
Ciberbestiário de Yoani Sánchez
* Entrevista realizada pelo investigador francês Salim Lamrani com Yoani Sánchez e publicada no sítio Rebelión, em abril de 2010, cujas declarações, em alguns momentos, relembram as de Bush:
- (A lei de Ajuste Cubano dos EUA contra Cuba não é ingerência porque) há fortes relações. Jogamos beisebol em Cuba como nos Estados Unidos.
- Privatizar, não gosto deste termo porque tem uma conotação pejorativa, mas colocar em mãos privadas, sim.
- Não diria que (o lobby fundamentalista de Miami, sic) são inimigos da pátria.
- Pensei que com que aprendi na Suíça, regressando a Cuba eu poderia mudar as coisas.
- Estas pessoas que estão a favor das sanções econômicas (a população de seu país) não são anticubanas. Penso que defendem Cuba segundo seus próprios critérios.
- (A questão ds Cinco presos nos Estados Unidos) não é um tema que interessa à população. É propaganda política.
- (O caso Posada Carriles) é um tema político que não interessa às pessoas. É uma cortina de fumaça.
- (Os Cinco) O governo cubano disse que não desempenhavam atividades de espionagem e sim que estavam infiltrados em grupos cubanos para evitar atos terroristas. Mas o governo cubano sempre disse que estes grupos estavam vinculados a Washington.
- Muitos escritores latino-americanos mereciam o prêmio Nobel de Literaturas, mais que Gabriel Garcia Márquez.
- (Já houve uma invasão dos EUA em Cuba) Quando?
- Os Estados Unidos desejam uma mudança de governo em Cuba, mas é o que desejo também.
- O regime (de Batista que assassinou 20.000 cubanos) era uma ditadura, mas havia uma liberdade de imprensa plural e aberta.
- Foi apresentado pelos Estados Unidos o financiamento da oposição como uma realidade, o que não é o caso... Podemos admitir que o fato de financiar uma oposição seja uma prova de ingerência.
- Cuba é uma ilha sui generis. Podemos criar um capitalismo sui generis.
Iroel Sánchez, do blog La Pupila Insomne
* Tradução de Sandra Luiz Alves.
No Blog do Miro
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Como a Universal lava o dinheiro dado pelos fiéis

Há quinze anos, promotores tentam provar que os bispos da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), liderados por Edir Macedo, usam as doações de fiéis para financiar, de modo fraudulento, a compra de empresas e agigantar um conglomerado de comunicação que tem como principal finalidade ampliar a influência religiosa e política desse ramo evangélico.
Em 1º de setembro, o Ministério Público Federal de São Paulo (MPF-SP) denunciou Edir Macedo e três integrantes da cúpula da Iurd por formação de quadrilha, estelionato, duas modalidades de evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Eles são o bispo Paulo Roberto Gomes da Conceição, a diretora financeira Alba Maria da Silva da Costa e o ex-deputado federal João Batista Ramos da Silva, que também presidiu a Iurd no Brasil. Macedo é o líder mundial da igreja.
A acusação do MPF veio à tona nesta segunda-feira. Agora, a Justiça vai decidir se aceita a denúncia e abre uma ação penal contra os integrantes da Universal. Macedo e os outros três denunciados são acusados pelo MPF de comandar e se beneficiar da lavagem de dinheiro arrecadado em cultos entre 1999 e 2005 – o período investigado. “Os pregadores valem-se da fé, do desespero ou da ambição dos fiéis para lhes venderem a ideia de que Deus e Jesus Cristo apenas olham pelos que contribuem financeiramente com a igreja”, cita o procurador da República Silvio Luís Martins de Oliveira.
Segundo a denúncia, o dinheiro das doações foi remetido ilegalmente do Brasil para os Estados Unidos e para o Uruguai, onde foi parar em contas bancárias abertas por empresas sediadas em paraísos fiscais. Criadas entre 1991 e 1992, as empresas offshore são a Investholding, sediada nas Ilhas Cayman, no Caribe, e a Cableinvest, na ilha Jersey.
Doleiros participaram da operação por intermédio das empresas de câmbio Diskline e IC, com escritórios em São Paulo e no Rio de Janeiro. Eles convertiam os reais que eram arrecadados junto aos fiéis em dólares depositados nas contas bancárias das offshores em Miami, Nova York e Montevidéu. Depois, o dinheiro era reconvertido em moeda nacional e aplicado na compra de veículos de comunicação no Brasil, todos registrados em nome de bispos e pessoas ligadas à Iurd. Em junho de 2005, João Batista Ramos da Silva foi descoberto quando tentava embarcar em um jatinho de Brasília para São Paulo com 10 milhões de reais em espécie.
A denúncia demonstra que a Iurd declarou ao Fisco somente uma parte do que arrecada nos cultos, apesar da a igreja ter imunidade tributária. Entre 2003 e 2006, a Universal declarou ter recebido mais de 5 bilhões de reais em doações. Segundo testemunhas, no entanto, o valor pode ser bem maior. “A Iurd parece aplicar junto à Fazenda Pública uma política que, nos moldes do que prega aos seus fiéis, também pode ser caracterizada como ‘dizimista’: declara à Receita apenas parte do que efetivamente arrecada”, diz o procurador na denúncia.
Empréstimos
De acordo com a investigação do MPF, depois de passar pelas contas das offshores, o dinheiro, devidamente legalizado, era remetido de volta ao Brasil na forma de investimentos e aquisição de cotas societárias de empresas de fachada criadas pelo grupo. Os endereços principais eram a Cremo e a Unimetro. A novidade desta vez, é que a investigação apurou que os dirigentes também se beneficiavam de “empréstimos” das offshores.
Antes, a suspeita era de que apenas laranjas e pessoas de menor expressão na hierarquia eram usadas no esquema. Mas, entre 2003 e 2006, sustenta a procuradoria, a Cremo fechou três empréstimos de quase dez milhões de reais para Alba Maria da Silva da Costa. Só sete milhões de reais foram registrados. Em outra operação, a Cremo adquiriu um jatinho executivo para a Rádio Record. A investigação sugere que a Universal e as empresas fazem parte do mesmo conglomerado.
O procurador encaminhou cópia da denúncia à área cível da Procuradoria da República em São Paulo solicitando que seja analisada a possibilidade de cassação da imunidade tributária da Iurd.
Defesa
A advogada Denise Provasi Vaz, do escritório Moraes Pitombo, que representa a Iurd e o bispo e ex-deputado federal João Batista Ramos da Silva, afirmou que a defesa ainda não teve acesso ao conteúdo da denúncia apresentada pelo MPF-SP. Para ela, as alegações contra os clientes de seu escritório são “ressuscitadas”. “Outras com o mesmo teor foram apresentadas, sem sucesso, ao longo dos últimos anos”, diz. A advogada lembra que, como há recursos pendentes para determinar qual tribunal tem legitimidade no caso, a denúncia do MPF pode novamente dar em nada.
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A neblina é densa no horizonte de Serra

Desgastado internamente por decisões de campanha e pela segunda derrota para o PT na disputa presidencial, José Serra fracassou ao tentar retomar áreas de influência no PSDB nacional. O ex-governador não tem mais espaço nacional no PSDB. E o seu "Plano B", o PSD do prefeito Gilberto Kassab, alçou voos próprios que não credenciam seu criador a ir além da capital paulista no apoio a Serra.
Candidato derrotado do PSDB à Presidência da República no ano passado, José Serra hoje é um tucano sem poleiro. Desgastado internamente por decisões de campanha e pela segunda derrota para o PT na disputa presidencial, fracassou ao tentar retomar áreas de influência no PSDB nacional. Os cardeais do partido - Serra excluído do concílio - preferiram manter no comando nacional o inexpressivo Sérgio Guerra a arriscar abrir espaço de poder para o ex-governador, um político que levou ao limite, nas eleições passadas, sua vocação desagregadora.
O ex-governador não tem mais espaço nacional no PSDB. E o seu "Plano B", o PSD do prefeito Gilberto Kassab, alçou voos próprios que não credenciam seu criador a ir além da capital paulista no apoio a Serra. Integrantes do novo partido consideram que o prefeito pode cumprir seus compromissos passados com o ex-governador se ele decidir disputar as eleições para prefeito. Para aí. A vocação governista com que nasce o PSD não aconselhariam a apoiar Serra contra o governador Geraldo Alckmin, numa disputa pelo governo do Estado, ou ir na direção contrária a da presidenta Dilma Rousseff, na disputa pela reeleição.
No PSDB paulista, Serra perdeu terreno na capital, onde tinha mais influência que Alckmin, e não expandiu seus domínios para o interior, reduto alckmista. A avaliação no núcleo tucano paulistano é que o PSDB não pode recusar a Serra a legenda para a prefeitura, se ele quiser, mas nem o partido gostaria que isso acontecesse, dado o alto grau de rejeição ao seu nome acusado por pesquisa do instituto DataFolha há duas semanas, nem o próprio ex-governador parece disposto a correr o risco de uma derrota municipal num momento em que está particularmente fraco. Isso inviabilizaria por completo qualquer tentativa futura de retomar uma carreira política nacional.
A estratégia de fazer o PSDB paulistano engolir um dos poucos serristas que restaram, o senador Aloysio Nunes, como candidato à prefeitura, caiu pela total falta de interesse do próprio senador. O espaço está aberto para a disputa entre dois nomes da órbita de influência de Alckmin, seus secretários José Anibal e Bruno Covas, na disputa pela legenda do partido à prefeitura.
Os destinos de Serra e do PSD dificilmente se encontrarão no âmbito nacional porque, afirma um dos seus articuladores, "o partido nasce com uma grande vocação governista". Em São Paulo, para cumprir a sua vocação, tem que ser Dilma Rousseff - não existe possibilidade de acordo com o governador tucano, com quem Kassab disputou a prefeitura, com o apoio de Serra, em 2008. O único caminho para acordo seriam ambos se unirem em torno de uma candidatura Serra, o que é altamente improvável. Sem essa alternativa, o PSD deve caminhar em faixa própria lançando um candidato.
No resto do país, o partido já exerce sua vocação governista de maneira plena. Nos redutos dos governadores de partidos da base de apoio de Dilma, o PSD, na grande maioria, conseguiu unir, de forma conveniente, dois governismos, o estadual e o federal. O governador Jaques Wagner (PT) ajudou a formação do partido na Bahia; Marcelo Déda (PT), em Sergipe; Eduardo Campos (PSB), em Pernambuco e Cid Gomes (PSB) no Ceará. No Rio, o partido foi montado com a ajuda de um governador e um prefeito governistas no plano federal, Sérgio Cabral (PMDB) e Eduardo Paes (PMDB). No Maranhão, foi constituído na órbita de influência da governadora Roseana Sarney (PMDB). No Piauí, está ligado ao governador Wilson Martins (PSB); na Paraíba, ao governador Ricardo Coutinho (PSB).
No Rio Grande do Norte, que tem a única governadora do DEM, Rosalba Ciarlini, e no Pará, com o tucano Simão Jatene, ambos de oposição ao governo federal, o PSD nasce apoiando o governo do Estado e o governo federal, ao mesmo tempo. Em Santa Catarina, o próprio governador, Raimundo Colombo, aderiu ao novo partido. Segundo um dos organizadores da nova legenda, o PSD apenas sera oposição estadual, de fato, no Acre e no Amapá.
Os interesses nacionais do PSD, portanto, não credenciam Kassab a se comprometer com Serra além das fronteiras da capital paulista. Os interesses nacionais do PSDB não convergem para Serra. Este é o horizonte do adversário de Dilma Rousseff nas eleições presidenciais do ano passado.
Maria Inês Nassif
No Carta Maior
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UBS e a máfia rentista da Europa

Na semana passada, o maior banco da Suíça, o UBS, anunciou um rombo de US$ 2 bilhões – cerca de R$ 3,5 bilhões. De imediato, o funcionário Kweku Adoboli, lotado no escritório de Londres, foi preso, acusado de ter feito operações financeiras fraudulentas. O banco tenta limpar a sua imagem. Joga toda a culpa no detido e garante que os seus clientes não sofrerão qualquer prejuízo.
Mas a sujeira é visível. Evidencia o caos em que se transformou o sistema financeiro mundial, totalmente desregulamentado pelos sucessivos governos neoliberais, e responsável pelo brutal agravamento da crise capitalista. Adoboli trabalhava com as complexas operações de derivativos – uma malandragem dos banqueiros e rentistas para especular com papéis futuros.
A ditadura do capital financeiro
A mesma picaretagem é feita por outros grandes bancos do planeta. Não é para menos que vários estão sob suspeita. Há boatos de fraudes e quebradeiras em outras instituições financeiras – o melhor seria chamá-las de instituições criminosas, mafiosas. Nem mesmo o baque da crise econômica de 2008 serviu para corrigir as distorções deste sistema corroído, apodrecido.
Diante do sinal de alerta dado pela fraude no UBS, os governos da Suíça e Reino Unido, atingidos pelo escândalo, anunciaram que adotarão “medidas duras” de controle dos bancos. É puro jogo de cena. O capital financeiro manda nestes governos. O primeiro-ministro britânico, David Cameron, inclusive foi eleito com o apoio dos banqueiros. A Suíça é o reino da libertinagem financeira.
A reação histérica dos banqueiros
O risco de novos controles gerou a imediata e histérica reação da oligarquia financeira. O Instituto de Finanças Internacionais (IIF), associação que reúne 440 dos maiores bancos mundiais, afirmou que “as novas regras vão dificultar ainda mais a recuperação da economia” e ainda prognosticou - ou ameaçou – o aumento das taxas de juros para compensar as perdas do sistema bancário.
A ameaça de novos controles, como já foi dito, era só jogo de cena. Nesta semana, a União Européia anunciou que “decidiu adiar” a adoção de regras mais rigorosas. Segundo o espanhol Joaquín Almunia, comissário da EU, “não seria seguro” colocar em vigor agora tais medidas. Ao invés de punir os agiotas financeiros, os governos decidiram foi dar mais ajuda aos criminosos.
Salvamento com dinheiro público
A exemplo do que ocorreu quando da quebra do Lehman Brothers, em setembro de 2008, os cinco bancos centrais de países ricos anunciaram uma ação conjunta de “salvamento” do sistema financeiro. Os BCs da zona do euro, EUA, Japão, Reino Unido e Suíça vão, nos próximos três meses, fornecer uma linha ilimitada em dólar para os bancos europeus, ameaçados de quebradeira.
Na prática, o sistema capitalista, no seu atual estágio, está totalmente financeirizado. Os especuladores geram o caos na economia e ainda recebem bilhões dos cofres públicos. O UBS, por exemplo, perdeu € 50 bilhões na crise de 2008 e só saiu do buraco com a ajuda do dinheiro do governo suíço – ou melhor, do povo suíço. Na sequência, o banco ainda demitiu de 3,5 mil funcionários.
“Tensões sociais borbulhando”
Essa é a lógica do sistema. Enquanto a oligarquia financeira especula, frauda e assalta os cofres públicos, a miséria vitima bilhões de pessoas no planeta. Mas a paciência tem limite. Até a nova diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Christine Lagarde, está preocupada com “as tensões sociais borbulhando abaixo da superfície”.
Para ela, “o alto desemprego, perene, sobretudo entre os jovens; a austeridade fiscal que erode as proteções sociais; a sensação de injustiça e de que os mercados têm prioridade sobre a economia real, alimentam a crise de confiança”. Não dá mesmo para confiar num sistema que “socorre” os agiotas financeiros e exclui milhões de desempregados e miseráveis no planeta!
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PF vai à Justiça pelo direito de algemar

STF julga nesta quinta-feira recurso do Sindicato dos Policiais Federais contra a limitação no uso das algemas; intenção é evitar críticas como as que ocorreram na Operação Voucher
A Polícia Federal quer salvo-conduto para garantir o uso de algemas nas operações policiais e na escolta de presos. O Supremo julga nesta quinta-feira (22) recurso do Sindicato dos Policiais Federais que questiona a limitação do emprego de algemas. A entidade alega que a proibição aumenta o perigo da atividade profissional e coloca em risco a vida e o direito à liberdade de locomoção dos policiais federais.
A Súmula Vinculante 11, editada em agosto de 2008, limita o emprego do equipamento. O uso de algemas durante operações da PF, ou de qualquer outra polícia, só é permitido quando os presos oferecem resistência ou ameaçam fugir. Outra possibilidade é quando há perigo à integridade física dos presos ou de terceiros, além de risco aos policiais.
A norma definiu que o policial poderá algemar presos apenas se estes tentarem fugir ou colocar em risco o agente ou outras pessoas.; Ou seja, se oferece perigo aos policiais ou a terceiros.
Em agosto, o ministro Gilmar Mendes, do STF, classificou como “lamentável” o uso de algemas em presos da Operação Voucher, da Polícia Federal, que investigou desvio de verbas no Ministério do Turismo.
Na ocasião, alguns presos foram fotografados algemados em Brasília enquanto eram conduzidos para o avião que os levou para a prisão em Macapá (AP). Gilmar Mendes disse que o Ministério da Justiça precisaria reagir a esse tipo de abuso.
“Eu acho esse episódio de todo lamentável. Os senhores conhecem bem a minha posição. Na presidência do Supremo Tribunal Federal, eu chamei atenção para os abusos que estavam sendo cometidos nessas várias operações. O STF deu aquela resposta com aquela súmula 11 das algemas e acredito que é preciso realmente reagir”, declarou o ministro.
Imediatamente, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, mandou ofício ao diretor-geral da PF, Leandro Daiello. Cardozo pediu explicações sobre o uso de algemas na execução das ordens de prisões temporárias e preventivas.
Na época, a PF negou as acusações de uso indevido de algemas na Operação Voucher. Em nota, a instituição disse que o uso de algemas ocorreu “com estrita observância da Súmula Vinculante de número 11 do Supremo Tribunal Federal, que determina sua utilização para segurança do conduzido e da sociedade, ao invés de proibi-la terminantemente”.
Fernando Porfírio
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Afinal, o que quer a imprensa?

A maioria dos grandes meios de comunicação da América Latina está em conflito aberto com os presidentes eleitos de muitos países, trazendo à tona o debate sobre deveres, limites e responsabilidades da informação. Em nome de uma suposta liberdade de imprensa, os meios rejeitam qualquer tipo de regulamentação, sempre acusada de censura, e afirmam que já existem os canais de controle da sociedade sobre possíveis erros ou excessos cometidos pelos jornais, revistas e emissoras de rádio e televisão.
Um destes caminhos seria a Justiça comum. Um cidadão, político, artista, jogador de futebol ou o que seja, teria a lei a seu lado para exigir reparações no caso de se sentir ofendido ou injustiçado. A situação não é tão simples assim, já que os danos que uma matéria mal apurada ou mal intencionada podem causar são, muitas vezes, irreparáveis. Ter o seu nome estampado nas páginas como ladrão, corrupto ou assassino é uma mancha difícil de apagar, mesmo que a Justiça venha a estabelecer alguma reparação, geralmente de caráter pecuniário. Os meios de comunicação não costumam se desculpar por seus erros e o que se resolve nos tribunais não merece grande espaço nos noticiários.
O recurso à Justiça foi a opção tomada pelo presidente do Equador, Rafael Correa, contra um artigo do jornalista Emilio Palacio, no jornal El Universo, no qual afirmava que o dirigente máximo do país teria ordenado "fogo à vontade contra um hospital cheio de civis e inocentes" durante a rebelião policial de setembro de 2010, quando o próprio Correa foi mantido por 12 horas como refém no mesmo hospital, cercado pelos revoltosos.
De vítima do que foi considerado tentativa de golpe de Estado e que valeu a Correa a solidariedade de vários presidentes latino-americanos e até de líderes conservadores mundiais, como o francês Nicolas Sarkozy, o presidente do Equador passou a "assassino de lesa humanidade", que, de acordo com o articulista do El Universo, poderia vir a ser processado por futuros presidentes.
Correa entrou com processo contra o jornal em março deste ano e, em julho, decisão de primeira instância condenou três diretores do jornal e o jornalista Emilio Palacio a três anos de prisão e multa de US$ 40 milhões por injúria. As duas partes recorreram. Os advogados de Correa consideraram a quantia insuficiente, pois o dano causado seria irreparável, já que o editorial ficaria nos anais da história, nas bibliotecas do país e do mundo e permanentemente na internet. Os advogados do jornal pediram nulidade do processo, considerando decisão incompleta por fixar multa mas não a responsabilidade penal da empresa.
Decisão de segunda instância, nesta semana, confirmou a condenação e o caso vai agora à Corte Nacional de Justiça. "Tudo isso foi muito duro mas necessário", afirmou Correa após a decisão. Seus advogados já tinham afirmado após a primeira decisão que pela primeira vez na história do país tinha sido eliminado o "direito ao insulto" e que qualquer cidadão seria capaz de exigir que sua honra fosse restaurada.
A história poderia ter sido diferente se o jornal tivesse provas de que Correa mandara abrir fogo contra o hospital, o que normalmente se exige do bom jornalismo. Depois, poderia ter sido mais responsável e evitado a publicação do texto diante da gravidade das acusações e da falta de sustentação do que era afirmado. Nada disso foi feito. Os gestores do jornal se eximiram da responsabilidade sobre o artigo e propuseram uma retificação escrita pelo próprio presidente, que a recusou, considerando a proposta um insulto à inteligência.
A decisão judicial pode levar ao fechamento do jornal, com muitos prejuízos envolvidos. Correa anunciou que não pretende ficar com um tostão do dinheiro a ser pago e cogita utilizá-lo para garantir o emprego dos jornalistas que lá trabalham. O radicalismo da situação reflete bem o que acontece em boa parte da América do Sul. A grande imprensa tem ou teve problemas com Correa, com Lula, com Evo e com Chavez, desde que se candidataram à presidência de seus respectivos países.
Os dirigentes da grande mídia costumam atribuir os conflitos a um caráter ditatorial dos presidentes legitimamente eleitos, mas parece muito mais que não aceitam a ascensão ao poder de líderes populares, que buscam acabar com privilégios e reduzir as desigualdades e a pobreza no continente.
Mair Pena Neto
No Direto da Redação
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Juntando os "Cacos"

Há duas teses sobre a participação de Caco Barcellos no programa "Em Pauta", da Globo News, no início desta semana. A primeira sustenta que a direção quis correr o risco ao levá-lo para o estúdio ao vivo e deixar que ele falasse à vontade. A segunda é que não pensaram que o jornalista fosse capaz de tal surpresa, diante de circunstâncias tão adversas que o jornalismo da emissora enfrenta.
Precisamos examinar bem, primeiro, quem é Caco Barcellos e do que ele é capaz. Caco nasceu e cresceu na periferia de Porto Alegre durante os anos de chumbo. Testemunhou na infância várias atrocidades praticadas por policiais contra os pobres. Foi taxista e militou na imprensa alternativa nos anos 70. Apesar da cara de mocinho, Caco já passou dos sessenta, acreditem!
O que o leitor acha de um repórter que é capaz de se disfarçar de morador de rua durante uma semana para fazer uma reportagem? Isso mesmo, dormir no papelão, ficar sem banho e barba, apenas com a roupa do corpo e um saco de lixo para lá e para cá? Esse é o repórter sobre o qual estamos falando. E é por essas e outras que se transformou num ícone do jornalismo brasileiro.
Obstinado, passou oito anos examinando arquivos da polícia de São Paulo, para produzir talvez o melhor livro-reportagem da história do país: o Rota 66. Um documento oportuno até para ajudar os parlamentares e governantes a entenderem a importância da instalação no país da Comissão da Verdade.
O livro faz um retrato de como a polícia torturou e matou muitas vezes sem prova alguma, apenas por diversão. E inventou um termo que até hoje é aceito pelas polícias de todo país, sobretudo a paulista, como permissão para matar: a chamada resistência seguida de morte. Sua investigação ajudou a identificar mais de quatro mil vítimas da Rota, que aliás segue matando.
Caco também retratou a ditadura Somoza, na Nicaragua, apesar do livro ser pouco conhecido entre nós, lamentavelmente. Em Abusado, o dono do Morro Dona Marta, seu best seller, nosso repórter desmascara a cumplicidade entre traficantes e policiais no Rio, e fala sobre as relações delicadas do tráfico com a comunidade.
Acho que ficou claro para todos porque Caco Barcellos não aceita mordaças. Com mais tempo quero desenvolver um pouco melhor, agora, a relação dele com a emissora, que nunca foi fácil, com o Schroder, seu avalista, e analisar sua participação nos episódios mais recentes: a vaia que levou na Avenida Paulista e sua participação no programa Em Pauta.
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Senador, tome uma aula de CIEP. Ou de memória

Senador Cristovam Buarque, o senhor ontem disse, na tribuna do Senado, que “o educador Paulo Freire (1921-1997) ficaria frustrado com a educação no Brasil se ainda fosse vivo”.
Por isso, sinto-me no direito de dizer que se Leonel Brizola e Darcy Ribeiro fossem vivos, ficariam não tristes, mas indignados com suas declarações, hoje, a O Globo.
Acho até, Senador, que o convidariam para tomar uma aula de Ciep. Porque o nosso querido amigo deve andar lendo sobre eles nos livros errados ou – é mais provável – nas páginas de O Globo, onde ele hoje é o personagem do artigo do “lord” Merval Pereira, homem dotado de tanto amor pelos pobres que, se pudesse os mandaria todos para o céu.
Porque só isso ou a manipulação – que não foi desmentida até agora, porque no site do senador só achei foram fotos do Merval – explicaria a declaração que se lhe atribui, entre aspas, e que reproduzo:
“A História nos dá a chance de sermos líderes da construção desse novo Brasil (de acordo, Senador). Os CIEPs do Brizola falharam ao focar na unidade escolar e na arquitetura, e não na cidade inteira: nos professores, no conteúdo, nos equipamentos”.
Senador, senador, quem lhe contou semelhante bobagem? Foi o Merval Pereira, aquele que publicou a foto de um homem negro com um retrato de Brizola e disse que era um traficante?
Fica até feio para o senhor, que se diz um tão grande admirador de Darcy Ribeiro, imaginar que ele pudesse ser um energúmeno de achar que escola se resumia a prédio.
O senhor deveria ler, em vez do imortal Pereira, a infelizmente mortal Tatiana Memória – que já nos deixou – e foi a principal auxiliar de Darcy Ribeiro na implantação do Programa Especial de Educação, ao qual os Cieps se vinculavam.
Lá o senhor vai ver que cada CIEP recebia, em valores de hoje, meio milhão de reais em mobiliário, equipamento de cozinha, material administrativo, equipamentos médicos e dentários e – preste atenção, Senador - material de áudio, vídeo e livros para sua biblioteca, além de material e equipamentos esportivos. Isso é “arquitetura”, Senador?
E como é que o senhor diz que não se focava no professor, se o Programa celebrou um convênio com a Universidade Estadual para fornecer bolsas de estudo com 1.600 horas em Cursos de Atualização para professores no final de formação. Cada um deles permanecia por quatro horas em prática pedagógica com sua turma enas outras quatro fazia seu Curso de Atualização, com material impresso e programação de televisão preparados para esse fim. É, Senador, professor também de horário integral, metade do tempo dando aulas e na outra metade se aperfeiçoando. Onde é que no Brasil, Senador, o senhor já viu uma coisa destas?
“Entre 1991 e 1993, cerca de 9.000 professores bolsistas fizeram nos CIEPs seus Cursos de Atualização, com resultados surpreendentes para o aproveitamento dos alunos. O professor bolsista se mostrou de uma assiduidade quase total e de uma enorme dedicação às suas tarefas pedagógicas.”, conta Tatiana, que não se informou sobre os CIEPs pelo jornal O Globo, mas lá dentro deles, trabalhando todo santo dia.
E quando foi feito um concurso para professores, 30 mil deles se inscreveram, para apenas 8 mil aprovações. Insuficientes para preencher o quadro de 12.500 professores aberto para o Ciclo Básico e para Ginásios Públicos que funcionavam nos Cieps. “A prova de redação foi a grande responsável pelos altos índices de reprovação. Novos professores, formados por escolas inadequadas, já não sabem mais escrever”, constatou com tristeza Tatiana.
E os CIEPs não eram feitos só de professores, não. Estes eram 46 por CIEP, ajudados por mais 34 funcionários – merendeiras, serventes, zeladores, encarregado de manutenção e mães sociais que cuidavam, à noite, das crianças que não tinham uma casa para onde ir. E estas escolas eram abertas, nos finais de semana, para toda a comunidade, para suas festas, reuniões, atividades e até para curtirem a piscina, como essa que o senhor vê na foto.
Senador, informar-se sobre os Cieps pelo O Globo, dá neste tipo de visão distorcida, de que aquilo era um prédio vazio. E que aquilo foi um fracasso, porque não fez diferença. Sabe, Senador, o senhor deveria se informar sobre o que Moreira Franco e Marcello Alencar, assim que sucederam aos governos de Brizola, fizeram com os Cieps. Aliás, o senhor sabe, porque foi o mesmo que fizeram com seu programa de Médico de Família aí no DF: entraram no Palácio, pegaram a caneta e detonaram tudo que levou anos para ser feito.
Aí usaram o argumento de que o programa era de inspiração cubana. Aqui, de que aquilo era um desperdício, escola de luxo para pobre. Depois de ler o texto da Tatiana Memória, o senhor podia ler o de outra professora que trabalhou no programa, Lúcia Velloso, sobre a maneira “global” de falar dos Cieps:
”Comprovar que a culpa do fracasso é do pobre sempre seduz a classe média e é uma boa receita de sucesso. Ainda mais quando as reportagens omitem dados e manipulam imagens para reforçar o consenso fácil que herdamos da escravidão: para que gastar recursos com a educação popular? Os pobres não conseguem bons resultados na escola mesmo quando se oferece a eles uma escola de luxo; veja-se o exemplo dos Cieps: dos 21 alunos da primeira turma, só um passou para a faculdade. As reportagens quiseram mostrar que o ciep é caro, que o projeto arquitetônico é mal resolvido, que foram desperdiçados recursos e, pior que tudo, que esta escola não garante bom desempenho. Para isso foram criadas personagens exemplares através de histórias de vida de alunos da primeira turma com intenção de comprovar seu fracasso, utilizando como critério de qualidade chegar ao ensino superior. O que se mostrou, ao contrário do que o jornal pretendia, foi que a proporção de alunos que completou o ensino médio é maior entre aqueles que permaneceram no ciep até completar a 4ª. série.”
Mas talvez, Senador, baste ao senhor ler aquilo que o senhor mesmo escreveu e que, talvez na alegria do convescote com um dos mais reacionários porta-vozes da elite brasileira, tenha lhe fugido da memória. Então, a gente ajuda o senhor a lembrar:
“O Ciep, de Brizola e Darcy Ribeiro, foi a mais transformadora das políticas sociais brasileiras. Todas as crianças teriam aulas do começo da manhã ao final da tarde. Desenvolveriam seus talentos, independentemente da renda da família. Se esse programa tivesse sido adotado nacionalmente, o Brasil seria hoje diferente”.
Pois não é que começa assim o artigo escrito pelo senhor, publicado no Correio Braziliense de 28 de fevereiro de 2009. Está aqui, no seu antigo portal de internet, para o senhor conferir. E o seu argumento de que deveria ter sido feito “por cidade”, se o senhor se informar direitinho, verá que foi seguido aqui: 70 por cento dos Cieps foram feitos no Rio, Baixada e Niteroi/São Gonçalo, onde está concentrada a maior carência. Só que o Rio, Senador, ao contrário de Brasília, não tem a pobreza circunscrita ao entorno: está por toda a parte, muito mais até que os CIEPs.
A sua proposta de fazer escolas boas em “cidades de porte pequeno”, com tradição educacional e (não sei como se enquadraria legalmente este critério) “cujos prefeitos e governadores (sic) apresentem história de compromisso com a educação”, francamente, é um total disparate em termos logísticos, administrativos e pedagógicos. Porque ela perpetua o que o senhor mesmo aponta como pecado essencial: “quando a educação é distribuída desigualmente, ela termina sendo o berço da desigualdade”.
Senador, como o senhor é um homem suficientemente inteligente para reconhecer erros, corrija os seus, inclusive os de memória.
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Mas por que não?

"Por que avaliar por meio de testes 'objetivos'?"
(Foto: Margarida Neide/Futura Press)
Artigo de Carlos Eduardo Bindi, "educador e diretor do Grupo Etapa" (está no rodapé), publicado na Folha de S.Paulo (18/09/2011), afirma que São Paulo ficou atrás do Rio e de Minas no ranking do ENEM devido a critérios de avaliação que ele questiona. Conforme sua informação, a média final resulta de duas notas: uma é a média de quatro provas objetivas e a outra é a nota atribuída à redação.
Segundo ele, se a nota da redação tivesse peso idêntico à das outras (um quinto, não metade), os resultados mudariam. Por exemplo, uma escola do Mato Grosso que ficou em 19º lugar cairia para o 103º. Seguido o mesmo critério, S. Paulo ficaria em primeiro, o Rio, em segundo e Minas, em terceiro lugar, se consideradas as 100 melhores escolas do país.
Tudo bem, tudo bem. Pode-se discutir os critérios de avaliação escolar de muitos pontos de vista. Minha primeira pergunta será sempre a mesma, para começar: por que avaliar por meio de testes "objetivos"? Só porque a correção é mecânica e não dá margem a erro, ou a avaliações ditas subjetivas? Mas alguém já deu uma olhada nas alternativas propostas nos testes? Com raras exceções, é um festival que tem tudo, menos criatividade.
Mas faço ao Sr. Bindi uma provocação: não seria melhor perguntar por que os estudantes de S. Paulo têm avaliação pior que os de outros estados na prova escrita? Por que o diretor do Etapa não propõe revisar critérios de ensino em sala de aula para que a escrita passe a ter de fato um papel crucial? Não dá para simular escrita! Simulados não passam de uma forma de simular que se ensina. Parecem treinamento, a pior de todas as "mensagens" escolares.
Adendo: no dia seguinte, segunda-feira, o jornal dedicou matéria relativamente longa à questão. A maioria dos "especialistas" concorda com Bindi (a matéria está no Caderno Quotidiano). Ah, os especialistas! Eles têm errado tanto! As agências de avaliação de risco nos deram 2008; os especialistas em educação estão mantendo o analfabetismo há séculos!
O mesmo jornal noticiava que a Anhanguera comprou a Uniban por 510 milhões (a matéria está no Caderno Poder).
Parece que não, todas essas coisas têm tudo tem a ver.
Sírio Possenti é professor associado do Departamento de Linguística da Unicamp e autor de Por que (não) ensinar gramática na escola, Os humores da língua, Os limites do discurso, Questões para analistas de discurso e Língua na Mídia.
No Terra Magazine
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Ministério do Turismo cobra a devolução de R$ 80 milhões de convênios irregulares

RIO - Força-tarefa do Ministério do Turismo cobra a devolução aos cofres públicos de R$ 80 milhões referentes a quase 500 convênios irregulares firmados pela pasta entre 2003 e 2009. De acordo com o site Congresso em Foco, a maior parte do dinheiro (R$ 52 milhões) é cobrada de organizações não governamentais, sindicatos e associações de classe, referente a 300 convênios com a Pasta. Outros R$ 20 milhões recaem sobre 145 prefeituras. Mais de R$ 5 milhões são reivindicados de órgãos estaduais. Essas instituições estão proibidas de receber novos recursos do ministério enquanto não regularizarem a situação. Os convênios foram fechados na gestão dos ministros Walfrido dos Mares Guia (PTB), Marta Suplicy (PT) e Luiz Barretto, também indicado pelo PT.
A verba foi repassada para a realização de eventos populares, como festas juninas, carnaval, micaretas, feiras agropecuárias, rodeios, shows de música, competições esportivas, congressos e cursos de treinamento com o objetivo de promover o turismo. Os valores cobrados variam de R$ 196,84, cobrados de um instituto de Brasília que organizou a terceira edição de um rodeio gospel, a R$ 2,5 milhões reivindicados de uma ONG que organizou uma feira nordestina em São Paulo, em 2007.
O Congresso em Foco levantou os dados a partir do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi) e do Portal da Transparência, da Controladoria Geral da União (CGU). Ainda segundo o site, o Ministério do Turismo já recuperou R$ 15,8 milhões originários de convênios considerados inadimplentes, desde o início do ano.
Na terça-feira, a Procuradoria da República no Distrito Federal abriu inquérito civil público para apurar a notícia de que o ex-ministro do Turismo, Pedro Novais, teria pago salários de sua governanta particular com dinheiro público . Novais deixou o cargo na semana passada e reassumiu o mandato de deputado federal pelo PMDB do Maranhão. Outra denúncia também provocou a queda: o motorista da mulher dele seria funcionário público desviado da função - ou seja, também recebia salário com dinheiro público para exercer atividade privada.
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Jovens jornalistas: criados com os lobos

Tinha menos de dois anos de formado o jovem repórter que tentou invadir o apartamento de José Dirceu no Hotel Nahoum. Pelo que soube em Brasília, voltou para a casa da mãe.
Não sei a idade do repórter da Folha que iludiu a confiança do tio, no caso Battisti. Mas foi exposto de forma fatal pelo próprio tio, em um artigo demolidor. E inspirou um artigo da ombudsman do jornal, no qual afirmava que era ingenuidade confiar em jornalistas. Tornou-se exemplo de como não se deve confiar em jornalistas. Dificilmente conseguirá fontes dispostas a lhe passar informações relevantes.
A campanha eleitoral do ano passado expôs outros jovens jornalistas, alguns com belo potencial, mas que tiveram a imagem afetada no alvorecer de suas carreiras, por conta de métodos inescrupulosos empregados em suas reportagens.
Culpa deles? Apenas em parte. Esse clima irracional foi fomentado por chefias que não se pejaram em jogar os repórteres aos lobos.
Processo semelhante ocorreu na campanha do impeachment, mas com resultados inversos. Uma enorme quantidade de mentiras divulgada, aceita pelos editores e pelos leitores sob o álibi de que valia qualquer coisa contra Collor. Foi um período vergonhoso para a mídia, no qual os escândalos reais não eram apurados, mas divulgava-se uma enxurrada de mentiras que não resistiam a um mero teste de verossimilhança. Dizia-se que Collor injetava cocaína por supositório, que ficava em estado catatônico e precisava ser penetrado por trás por um assessor, que fazia macumba nos porões do Alvorada.
Os que mais mentiram se consagraram, ganharam posições de destaque em seus veículos. Premiou-se a mentira e a falta de jornalismo, porque os escândalos reais demoravam mais para serem apurados e nem de longe de aproximavam do glamour da notícia inventada.
Processo similar ocorreu durante e após a campanha do mensalão. Surgiu uma nova geração de repórteres sem limites, hoje em dia utilizados pelas chefias para atingir adversários através da escandalização de fatos normais.
Agora, em plena era da Internet, ocorre o inverso. Esses jovens ambicionam a manchete, a aprovação das chefias, o curto prazo. Mas o registro de seus malfeitos estará indelevelmente registrado na Internet. A médio prazo, será veneno na veia para suas carreiras.
Pior, está-se criando uma geração de jornalistas para quem o jornalismo virou um vale-tudo: vale mentir, inventar, enganar, espionar, supor sem comprovar.
A reação de Caco Barcelos na Globonews nada teve de política ou ideológica - no programa sobre a tal Marcha Contra a Corrupção, depois editado para tirar suas afirmações mais impactantes contra o mau jornalismo. Ao denunciar esse jornalismo declaratório, simplesmente fazia uma defesa do jornalismo que aprendeu a praticar, de respeito aos fatos, de apuração das denúncias, de cautela nas acusações.
Em muitos outros jornais há uma geração de jornalistas mais velhos formados sob esses princípios, mas que a falta de opções obriga a se calar ante tais abusos. Há igualmente uma jovem geração saindo do forno das faculdades que entendeu a diferença entre os princípios jornalísticos e esse arremedo que a era Murdoch lançou sobre a mídia mundial - especialmente sobre a brasileira.
No final dos anos 80, quando a mídia brasileira abraçou o jornalismo sensacionalista, considerava-se ter entrado em linha com os grandes veículos globais - para quem a notícia é espetáculo, não serviço público.
Nos últimos anos, Roberto Civita importou de forma chocante o padrão Murdoch para a mídia brasileira - rapidamente imitada por outros jornais carentes de personalidade jornalística própria. A cada dia que passa, esse estilo - ainda que influenciando setores mais desinformados - parece cada vez mais velho e anacrônico.
Muitos dizem que o problema da velha mídia é não saber como se colocar nas novas tecnologias. Penso que é outro: é ter desaprendido as lições do velho jornalismo legitimador.
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Caso Folha x Falha

Audiência no Congresso Nacional será em outubro
Os deputados da Comissão de Legislação Participativa, da Câmara dos Deputados, decidiram a data da Audiência Pública em Brasília, para debater o processo da Folha de São Paulo contra o blog sátira Falha de S.Paulo, que saiu do ar após o jornal reclamar uso indevido da marca. A audiência foi marcada para o dia 26 de outubro, às 14h30, no Congresso Nacional.
A reunião foi solicitada pelo deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) e aprovada por unanimidade pelos parlamentares da comissão.
Além dos irmãos Lino e Mário Ito Bocchini, autores do blog, Otávio Frias Filho (dono do jornal), Sérgio Dávila (editor-execuitivo), Vinicius Mota (secretário de redação) e Taís Gasparian (advogada que assina o processo que censurou o blog), foram convidados para o debate. A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Federação Nacional de Jornalistas (FENAJ) e a Comissão Nacional de Justiça (CNJ) também estão entre os convidados. A Folha ainda não confirmou presença.
A Folha questiona o uso do logo da marca na sátira dos irmãos Lino e Mário Bocchini. Segundo o jornal, o ato configura concorrência parasitária. Por outro lado, os blogueiros afirmam que nunca tiveram interesse comercial com a página, apenas satirizar o jornal.
Ambas as partes já se reuniram em uma audiência conciliatória, sem sucesso. Na ocasião, a advogada do veículo afirmou que os blogueiros poderiam voltar com a página caso não usassem mais o logo, as fontes, conteúdo, fotos, nada registrado ou que caracterize o projeto gráfico do jornal. Mas não houve acordo porque Mario e Lino acreditam que essas restrições impedem a paródia.
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Supremo pode autorizar hoje processo contra Maluf

Inquérito que corre em segredo de justiça está na pauta do STF; deputado e mais oito são acusadas de desviar dinheiro das obras da av. águas espraiadas, em sP; formação de quadrilha e lavagem de dinheiro; tudo para as ilhas jersey
Está prevista para esta quinta-feira (22) a decisão que pode transformar Paulo Maluf em réu pelos crimes de lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. O inquérito 2471, que corre em segredo de justiça, entrou na pauta do STF. O relator é o ministro Ricardo Lewandowski.
O caso envolve investigação para apurar irregularidade na última gestão de Maluf como prefeito (1993-1996). O deputado e mais oito pessoas são acusadas de desviar dinheiro das obras da Avenida Águas Espraiadas para contas no paraíso fiscal de Jersey, no Reino Unido. Maluf sustenta que nunca teve conta no exterior.
Maluf foi denunciado pelo Ministério Público Federal pela montagem de um complexo esquema de formação de quadrilha com o objetivo de lavar dinheiro oriundo de corrupção. A denúncia foi apresentada a 3ª Vara Federal Criminal de São Paulo, especializada em crimes financeiros, mas, com a eleição de Maluf para a Câmara dos Deputados, a competência passou para o STF.
Segundo a denúncia, parte do dinheiro proveniente das obras da Avenida Águas Espraiadas, na zona sul de São Paulo, foi para a conta Chanani, em Nova Iorque, e de lá para quatro contas no paraíso fiscal de Jersey, no Reino Unido, de onde migraram para sete fundos de investimento na mesma ilha. O dinheiro depois foi investido na Eucatex, empresa da família do ex-prefeito.
Além de Maluf, o MPF denúncia a mulher do ex-prefeito, Sylvia Lutfalla Maluf; os quatro filhos do casal, Flávio, Ligia, Lina e Otávio; a mulher de Flávio, Jacqueline Coutinho Maluf; e o marido de Ligia, Maurílio Miguel Maurílio Curi.
Fernando Porfírio
No Brasil 247
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Em busca da razão perdida

O presente sempre angustiou os homens, desde que há registros históricos, e sempre houve os que temiam o futuro, tanto quanto os que nele punham a esperança da espécie. Da mesma forma, não faltaram, e ainda não faltam, os que sonham com o retorno à improvável Idade do Ouro, que permanece arraigada na alma dos homens, e encontra a sua versão mais radical dentro das fronteiras do paraíso bíblico.
Sofrer e sonhar, esperar e temer, lutar e resistir, são as condições que o ato de viver nos impõe. A vida não é projeto dos deuses, nem condenação cósmica. A vida é feita pelos homens, e só por eles, e a história, com seus acertos e desatinos, não é bruxa, nem fada: ela é decidida, em cada minuto, pela vontade dos homens e pelos fatos que essa vontade determina.
O que torna mais pesada a angústia de nosso tempo é a magnitude dos problemas sociais. O mundo inflou nestes últimos 200 anos, com o consumo exacerbado dos bens não renováveis, pelo menos de acordo com os nossos conhecimentos atuais, e suas conseqüências. Uma coisa é resultado da outra: as descobertas científicas tornaram mais fácil a exploração da natureza e o aumento da população, mediante o aprimoramento da medicina, melhor nutrição, mais conforto. Infelizmente, tais conquistas da inteligência não se fizeram universais. A fome e as endemias convivem com a ostentação e o luxo dos muito ricos. Embora em certas regiões do mundo a miséria seja estatisticamente maior, não há cidade imune da qual o sofrimento insuportável tenha sido expulso. Enquanto um só ser humano não tiver direito ao pão de seu dia, à dignidade de um teto para a noite, ao respeito de seu semelhante, o mundo continuará sendo inóspito.
Assim como, no século 18, alguns pensadores discutiam o envelhecimento das idéias do Renascimento (embora o termo só viesse a ser criado por Michelet bem depois, em meados do século 19), há algumas décadas que o Iluminismo vem sendo analisado por autores importantes. Alguns pensadores marxistas encontram, em seus postulados, os germes do totalitarismo, ao mesmo tempo em que os nazistas e os fascistas continuam a atribuir à Revolução Francesa (que foi a sua expressão política), a origem das idéias, que consideram desprezíveis, como as da igualdade, da liberdade e da imperfeita democracia moderna.
Seria bom que retornássemos ao Iluminismo, e examinássemos seus acertos e suas falhas. Conseqüência natural do Renascimento, o Iluminismo foi um dos grandes momentos da inteligência dos homens. Ele se iniciara no século 17, e estava associado ao crescimento da burguesia como classe emergente e aspirante ao domínio político dos estados europeus. Antes que os franceses lhe dessem o grande impulso com a publicação da Enciclopédia, obra titânica do esforço pessoal de Diderot, o Iluminismo já crescia com os ingleses Milton, Locke, Hobbes, que associaram suas inquietações humanísticas aos projetos políticos, sem os quais a filosofia é inútil diversão da mente.
Se fosse possível resumir o sumo da razão do Iluminismo, talvez a encontrássemos ainda no século 17, com a frase linear de Spinoza, quando, em seu Tratactus Theologico-Politicus, diz que, ao examinar a vida, o comportamento e as crenças humanas, é necessário non ridere, non lugere, neque detestare, sed intelligere. Não devemos rir, nem lamentar ou detestar, mas entender. O Iluminismo, ao separar a inteligência da fé e distinguir a ciência – ou seja, o conhecimento – da religião, foi a busca do entendimento, o retorno à filosofia prática dos grandes gregos.
A inteligência, tanto no Renascimento, quanto no Iluminismo, esteve a serviço da política, em seu melhor e em seu pior sentido. É provável que a exaustão da inteligência, que encontrou o momento alto na Idade Moderna com a Enciclopédia e os excelsos pensadores do século 18, seja responsável pela assustadora crise dos estados contemporâneos. No Renascimento, os príncipes se cercavam de intelectuais, os uomini d’ingegnio, como foram Dante e Da Vinci, da mesma forma que buscavam seus chefes militares, os condottieri, entre eles, Castruccio Castracani, um dos modelos de Maquiavel, e os lendários Sforza. Durante o Iluminismo, os pensadores não estiveram perto do trono, porque eles estavam, como servidores da razão, contra o Estado absolutista, principalmente na França dos últimos luízes.
Para entender a anemia política dos estados de nosso tempo, é necessário examinar o desengajamento da maioria dos intelectuais de hoje, sem esquecer que a própria inteligência se encontra em crise.

Cique aqui e leia a continuação.
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Para não esquecer

Imagino que a escrita nasceu da necessidade de não esquecer. O primeiro pré-homem que pensou "preciso me lembrar disto" deve ter olhado em volta procurando alguma coisa que ele ainda não sabia o que era. Era um pedaço de papel e uma Bic.
Claro que para chegar ao papel e à esferográfica tivemos que passar antes pelo risco com vara no chão, o rabisco com carvão na parede da caverna, o hieróglifo no tablete de barro etc. Mas a angústia primordial foi a de perder o pensamento fugidio ou a cena insólita.
Pense em quantas ideias não desapareceram para sempre por falta de algo que as retivesse na memória e no mundo. A história da civilização teria sido outra se, antes de inventar a roda, o homem tivesse inventado o bloco de notas.
As espécies que não desenvolveram a escrita valem-se da memória intuitiva. O salmão sabe, não sabendo, o caminho certo para o lugar onde nasceu e onde deve depositar seus ovos. Dizem que o elefante guarda na memória tudo que lhe acontece na vida, principalmente as desfeitas, mas vá pedir que ele bote seu ressentimento no papel.
Já o homem pode ser definido como o animal que precisa consultar as suas notas. Nas sociedades não letradas as lembranças sobrevivem na recitação reiterada e no mito tribal, que é a memória ritualizada. As outras dependem do memorando.
E mesmo com todas as formas de anotação inventadas pelo homem desde as primeiras cavernas, inclusive o notebook eletrônico, a angústia persiste. Estou escrevendo isto porque acordei com uma boa ideia para uma crônica e botei a ideia num papel.
Normalmente não faço isto porque sempre esqueço de ter um bloco de notas à mão para não esquecer a eventual ideia e porque sei, intuitivamente, que se tivesse o bloco de notas à mão a ideia viria no chuveiro. Mas desta vez a ideia coincidiu com a proximidade de um pedaço de papel e um lápis e anotei-a assim que acordei. Não exatamente a ideia mas uma frase que me faria lembrar da ideia. Estou com ela aqui. "Conhece-te a ti mesmo mas não fique íntimo."
E não consigo me lembrar de qual era a ideia que a frase me faria lembrar.
Algo sobre os perigos da autoanálise muito aprofundada? Sobre o pensamento socrático? Ou o quê? Não consigo me lembrar. Um consolo, numa situação destas, é pensar que se a ideia não é lembrada é porque não era tão boa assim. Mas geralmente se pensa o contrário: as melhores ideias são as que a gente esqueceu. O que é terrível.
Luís Fernando Veríssimo
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Desemprego tem o menor nível para agosto desde 2002

Em agosto, desocupação foi de 6,0%


A taxa de desocupação de agosto de 2011 foi estimada em 6,0% para o conjunto das seis regiões metropolitanas, mesmo valor da verificada em julho. Essa é a menor taxa estimada para um mês de agosto desde o início da série (2002). Frente a agosto de 2010, quando a taxa foi estimada em 6,7%, ocorreu queda de 0,7 ponto percentual. A população desocupada (1,4 milhão de pessoas) ficou estável em relação ao mês anterior. Quando comparado com agosto do ano passado, registrou queda de 10,0% (correspondendo a menos 160 mil pessoas nessa condição). A população ocupada, em agosto de 2011 (22,6 milhões), não apresentou variação significativa frente a julho. No confronto com agosto do ano passado, verificou-se aumento de 2,2%, o que representou um acréscimo de 488 mil ocupados no intervalo de 12 meses. O número de trabalhadores com carteira de trabalho assinada no setor privado (11,0 milhões) não assinalou variação na comparação com julho. Esta estimativa, frente a agosto de 2010, apresentou elevação (7,5%), o que representou um adicional de 764 mil postos de trabalho com carteira assinada em 12 meses.
O rendimento médio real habitual dos ocupados (R$ 1.629,40) apresentou alta de 0,5% em comparação com julho. Frente a agosto do ano passado, o poder de compra dos ocupados cresceu 3,2%. A massa de rendimento médio real habitual dos ocupados (37,2 bilhões) ficou 1,4% acima da registrada em julho e cresceu 5,6% em relação a agosto de 2010. A massa de rendimento real efetivo dos ocupados (R$ 36,9 bilhões) estimada em julho de 2011 cresceu 1,4% no mês e 5,7% no ano.
A Pesquisa Mensal de Emprego é realizada nas regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. A publicação completa da pesquisa pode ser acessada na página
Desocupação permanece estável nas seis regiões pesquisadas
Regionalmente, a taxa de desocupação não assinalou variação significativa na comparação com julho último. Frente a agosto de 2010, foram registradas quedas nas Regiões Metropolitanas de Recife (2,3 pontos percentuais) e de Salvador (2,8 pontos percentuais).
Na análise regional, em relação a julho, o contingente de desocupados revelou um quadro de estabilidade em todas as regiões pesquisadas. No confronto com agosto de 2010, ocorreram variações apenas nas Regiões Metropolitanas de Recife e de Salvador, onde as quedas atingiram 25,0% e 25,1%, respectivamente.
Nível de ocupação fica em 53,9%
O nível da ocupação (proporção de pessoas ocupadas em relação às pessoas em idade ativa), estimado em agosto de 2011 em 53,9% no total das seis regiões, ficou estável frente a julho e também apresentou estabilidade em relação a agosto do ano passado. Regionalmente, na comparação mensal, todas as regiões metropolitanas mantiveram resultados estáveis, com exceção do Rio de Janeiro, onde o indicador passou de 50,6% para 51,8% (1,2 ponto percentual). Frente a agosto do ano passado, ocorreu variação significativa apenas na Região Metropolitana de Recife, onde este indicador subiu 1,5 ponto percentual (de 45,4% para 46,9%).
Analisando-se o contingente de ocupados, segundo os grupamentos de atividade econômica, de julho para agosto de 2011, não ocorreu variação significativa em nenhum dos grupamentos nesse período. No confronto anual, ocorreram acréscimos em três contingentes de trabalhadores: Construção, 7,2% (118 mil pessoas); Comércio, reparação de veículos automotores e de objetos pessoais e domésticos e comércio a varejo de combustíveis, 3,2% (132 mil pessoas) e Serviços prestados à empresas, aluguéis, atividades imobiliárias e intermediação financeira, de 5,0% (169 mil pessoas). Os demais grupamentos não se alteraram no período.
Na comparação anual, rendimento médio aumenta em cinco das seis regiões
O rendimento médio real habitual dos trabalhadores na análise regional, em relação a julho subiu 1,8% em Recife e 3,8% no Rio de Janeiro. Apresentou queda em Salvador (1,4%), Belo Horizonte (0,8%), São Paulo (0,5%) e em Porto Alegre (1,1%). Na comparação com agosto de 2010, houve crescimento em Salvador, 4,5%, Belo Horizonte, 3,5%, Rio de Janeiro, 7,5%, São Paulo, 0,8% e Porto Alegre, 3,8%. Apenas em Recife, ocorreu queda 1,0%.
Na classificação por grupamentos de atividade, o maior aumento no rendimento médio real habitualmente recebido em relação a agosto de 2010 foi no referente a Indústria extrativa, de transformação e distribuição de eletricidade, gás e água (6,6%).
Na análise do rendimento domiciliar per capita, houve aumento de 5,2% em comparação com agosto do ano anterior, com destaque para o Rio de Janeiro (10,7%).
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Financiamento público e referendo são os únicos consensos

Lula conversa com Temer em encontro suprapartidário sobre reforma política no Palácio do Jaburu, em Brasília
Embora sem consenso, o relatório do deputado Henrique Fontana (PT-RS) será aprovado no dia 5 de outubro na comissão especial da Câmara que trata da reforma política. Os partidos concordaram em votar favoravelmente o parecer, mas sem compromisso com a aprovação do texto no plenário, especialmente os aspectos considerados mais polêmicos.
A decisão foi tomada ontem em reunião realizada no Palácio do Jaburu, residência oficial do vice-presidente da República, da qual participaram, além de Michel Temer, que é presidente licenciado do PMDB, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o relator da reforma e representantes de cinco partidos: PT, PMDB, PSB, PDT e PCdoB. Juntos, os cinco teriam votos suficientes para aprovar o texto de Fontana.
Deveria ser uma reunião para celebrar o grande acordo entre o PT e o PMDB em favor do financiamento misto das campanhas (público e privado) e o “distritão”, teses defendidas pelo PMDB, e o voto em lista partidária fechada e pré-ordenada, como quer o PT (”distritão” é um sistema pelo qual é eleito o candidato a deputado mais votado de cada Estado). A reação dos médios e pequenos partidos inviabilizou o acordo. Lula compareceu a pedido do PT. No final, houve consenso sobre alguns pontos, numa tentativa de impedir que a reforma seja descartada antes de chegar ao plenário.
O primeiro é que seja qual for a reforma aprovada, se ela for efetivamente votada, será submetida a um referendo popular. A segunda foi o financiamento de campanha, que será exclusivamente público. A ideia do fundo misto foi descartada. Lula propôs que os valores do fundo que financiará a eleição seja calculado pela divisão do que foi gasto na eleição anterior pelo número de eleitores votantes.
Temer sugeriu então que o fundo seja constituído exclusivamente de recursos orçamentários alocados ao fundo partidário, já existente. A votação no plenário vai dirimir a dúvida.
Outro aspecto consensual foi o fim das coligações para as eleições proporcionais (vereadores, deputados estaduais e deputados federais), desde que o projeto permita a criação de federações de partidos, que deverão ser mantidas pelo prazo de pelo menos três anos. A eleição será proporcional para as Câmaras de Vereadores, Assembleias estaduais e a Câmara dos Deputados – caiu por terra a tese do “distritão”.
Lula defendeu na reunião que, para a reforma ter êxito, precisa ser feita por partes, pois um projeto global reúne contra eles todo tipo de resistências. O governador de Pernambuco, Eduardo Campos, foi em outra direção: acha que a reforma pode ser aprovada de uma vez, desde que estabeleça prazos longos de implantação – pelo menos a partir das eleições marcadas para 2018.
O vice-presidente do PSB, Roberto Amaral, criticou o “distritão” como um “instrumento para acabar com as minorias”, algo que o regime militar também tentou e não conseguiu.
Também ontem, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), anunciou que o financiamento público exclusivo das campanhas eleitorais foi aprovado pela comissão, na reunião do dia 24 de agosto, quando a proposta foi votada, mas o anúncio do resultado gerou dúvidas.
Com a decisão anunciada ontem por Eunício, os senadores Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), que foi relator, Demóstenes Torres (DEM-GO), líder do DEM, e Flexa Ribeiro (PSDB-PA) comunicaram que irão colher as assinaturas necessárias (um décimo dos senadores) a que o projeto seja votado no plenário.
Por se tratar de matéria votada em caráter terminativo, o projeto seria encaminhado diretamente à Câmara, se não houvesse recurso para levar a matéria ao plenário.
No dia 24 de agosto, a CCJ votou o parecer de Nunes Ferreira, que foi contrário ao financiamento público exclusivo. A proposta havia sido aprovada por comissão especial criada pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para propor uma reforma política. Na votação, houve empate na comissão (9 a 9) e coube a Eunício dar o voto de minerva. Ele votou contra o parecer – portanto, a favor do financiamento público.
Um outra proposta sobre o assunto, apresentada em voto em separado do senador José Pimentel (PT-CE), também foi rejeitada.
O presidente da CCJ, então, designou o líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), para ser relator do vencido, ou seja, dar o parecer oral sobre o resultado da votação. O pemedebista deu parecer determinando o arquivamento das propostas, o que deu margem à interpretação de que todas as matérias discutidas, inclusive o projeto original, haviam sido arquivadas. E esse foi o resultado anunciado por Eunício, ao final da reunião. Após protestos dos senadores favoráveis ao financiamento público, principalmente do PT, do PMDB e PSB, o próprio Renan recorreu e pediu revisão da decisão de Eunício.
Colaborou Raquel Ulhôa
Raymundo Costa
No Valor
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