20 de set de 2011

DEMo falando de honestidade é "piada" - diz Lula

Quando os repórteres do PIG tiveram oportunidade de fazer perguntas ao presidente Lula, em Salvador (onde recebeu o título de doutor honoris causa da Universidade Federal da Bahia), foram incomodá-lo com a atual pauta de uma nota só: denúncias de corrupção.
Lula disse que o tema corrupção não deve dominar a agenda do governo (como quer a oposição e a imprensa, para paralisar o Brasil): "Eu não me assusto, porque a corrupção passou a ser o único tema da direita do Brasil".
Continuou, dizendo que a corrupção só aparece quando é investigada, e a presidenta Dilma Rousseff está fazendo o que tem que fazer. "Ninguém pense que ficará impune se fizer alguma coisa errada... Se ela souber, ela vai passar a vassoura", brincou.
Mas Lula também criticou algumas acusações sem cabimento da oposição e da imprensa: "De repente, você vê o PFL (DEMo) falando em honestidade. Aí, você não sabe se é piada..."
Ele disse também que quando o político não tem culpa no cartório, precisa enfrentar as denúncias. "Político tem de ter casco duro... Se o político tremer a cada vez que alguém disser alguma coisa errada dele, se ele não enfrentar a briga para provar que estava certo, as pessoas vão sair (do governo) mesmo."
Leia Mais ►

A maldição conservadora e a invenção do guasca

Antes de entrar no tema que quero comentar, chamo a atenção para o “Desfile Cívico-Militar do Vinte de Setembro” (conforme consta da programação dos seus organizadores, os dirigentes do MTG – Movimento Tradicionalista Gaúcho) que se desenrola hoje, precisamente 20 de setembro de 2011.
Quero sublinhar a ênfase na expressão “cívico-militar” dado pelo MTG, em pleno século 21. Me explico. Ninguém desconhece a filiação positivista-comtiana dos republicanos brasileiros, na segunda metade do século 19. No Rio Grande do Sul, onde a República aconteceu depois de uma revolução cruenta que durou de 1893 a 1895, os positivistas foram mais radicais e, por isso, mais exitosos do que no resto do Brasil. Julio de Castilhos e os militantes do Partido Republicano Rio-Grandense (PRR) modificaram completamente o cenário político e social do estado mais meridional do País. No RS não houve a chamada troca de placa: sai a Monarquia dos Bragança, entra a República constitucional. Aqui, houve a mais completa e absoluta troca da elite no poder. Sairam os velhos estancieiros pecuaristas da Campanha, entrou uma composição de classes formada por uma pequena burguesia urbana, uma classe média rural, profissionais liberais e colonos de origem europeia da região serrana.
Os positivistas sulinos, fiéis aos ensinamentos dogmáticos de Auguste Comte, propugnavam – como o mestre – pela superação das fases pregressas da Humanidade. À fase militar-feudal deve seguir-se a fase industrial da Humanidade. Ou seja, à fase militar corresponderia a insurreição farroupilha de 1835-45 contra o Império do Brasil, agora – com o advento republicano – estávamos, pois, na hora de criar condições para o desenvolvimento e o progresso material que se daria por um processo intensivo de industrialização manufatureira.
Vejam, pois, que os tradicionalistas do século 21 continuam com os olhos fixos num passado praticamente feudal, marcadamente militarista, embora não tenhamos experimentado, de forma hegemônica e total, esse modo de produção pré-capitalista no Brasil.
Um dos formuladores intelectuais do que chamamos de ordem delirante do atraso – o pensamento tradicionalista da estância – foi Ramiro Frota Barcellos. Na obra “Rio Grande, tradição e cultura” (1915), o cachoeirense é de uma clareza solar quanto aos propósitos enfermiços do tradicionalismo estancieiro: “O que agora se verifica, mercê do atual movimento tradicionalista, é a transposição simbólica dos remanescentes dos ‘grupos locais’, com suas estâncias e seus galpões para o coração das cidades. Transposição simbólica, mas que fará sobreviver, na mais singular aculturação de todos os tempos, o Rio Grande latifundiário e pecuarista”.
Qualquer semelhança com o enclave da bombacha e da fumaça que anualmente acampa, no mês de Setembro, no Parque da Harmonia, em plena área central de Porto Alegre, não é mera coincidência. A “mais singular aculturação de todos os tempos”, como premonitoriamente afirma Ramiro Barcellos. Neste caso, “aculturação” é sinônimo de regressismo e estagnação.
É sobre isso que eu quero comentar brevemente.
Quando estudantes em São Paulo, Júlio de Castilhos e Assis Brasil chegaram a fundar um chamado “Clube 20 de Setembro”, que promoveu estudos – com algumas publicações - sobre o movimento farroupilha da primeira metade do século 19. Curiosamente, Castilhos abandonou as pesquisas sobre a guerra civil que varreu o Rio Grande por dez longos anos. Assis, em 1882, publicou a obra “História da República Rio-Grandense”. Por algum motivo, carente de melhores investigações, tanto os positivistas do PRR, quanto os liberais sulinos não foram muito enfáticos no culto farrapo. Tal fenômeno veio a ocorrer somente depois da Segunda Guerra, em Porto Alegre, no meio estudantil secundarista urbano do Colégio Estadual Julio de Castilhos. Daí se difundiu como rastilho de pólvora sob a forma dos onipresentes Centro de Tradição Gaúcho – CTG, que são clubes de convivência social onde se cultua o passado sob a forma fixa da mitologia farrapa, tendo como matriz formal a estética e o ethos do latifúndio da pecuária extensiva de exportação – subordinado à cadeia mercantil dos interesses hegemônicos ingleses na América do Sul. Quando os tradicionalistas se ufanam do pretensioso espírito autônomo e emancipado do chamado 'gaúcho' tout court, se referem ao Império dos Bragança, mas esquecem a dependência econômica e subordinação negocial estrita com os interesses ingleses, via portos de escoamento no Prata (Montevideo e Buenos Aires).
[Das relevantes realizações modernizantes do castilhismo-borgismo foram a estatização e incremento do porto de Rio Grande, bem como a encampação das ferrovias controladas por capitais europeus, de forma a dotar o estado de infraestrutura e fomentar o desenvolvimento, sem depender do Rio ou do Prata.]
A grande data a comemorar no Rio Grande do Sul é o 20 de Setembro, que marca o início da insurreição farroupilha (é um equívoco chamá-la de “revolução”, uma vez que os rebeldes foram derrotados pelo Império e não ocorreu nenhuma modificação política, social ou econômica na província sulina depois de 1º de março de 1845, na chamada Paz de Ponche Verde). Se houve revolução no sentido rigoroso e clássico do termo, esta ocorreu a partir da promulgação da Constituição Rio-Grandense, e da posse do governador (então, presidente do Estado) Julio de Castilhos, no dia 14 de julho de 1891. Meses depois, os conservadores e latifundiários alijados do poder, eternos aliados e sustentáculos da Monarquia, deram início à luta armada contra os jovens que governavam o Rio Grande (Castilhos tinha 30 anos quando assume a presidência do estado). A partir da revolução cruenta, se inicia um processo de grandes modificações e modernizações no RS. Em 1902, já com Borges de Medeiros no poder, depois da morte precoce de Castilhos, o estado passou a tributar com impostos progressivos as terras privadas, bem como reaver dos estancieiros as imensas glebas públicas apropriadas ilegalmente durante todo o século 19.
A hegemonia política do castilhismo-borgismo perdura até a década de 1930. Getúlio Vargas foi presidente do estado de 1928 a 1930, quando sai para o Catete, e já deixa um governo mais conciliador com os conservadores da Campanha.
É intrigante, pois, que a apropriação do imaginário social tenha se dado pelo lado dos conservadores e não pelas forças burguesas, progressistas e renovadoras do Rio Grande do Sul.
Eric Hobsbawn e Terence Ranger que estudaram o fenômeno da chamada “invenção das tradições” suspeitam que quando ocorrem mudanças sociais muito bruscas e profundas, produzindo novos padrões com os quais essas tradições são incompatíveis, inventam-se novas tradições e novos imaginários de identidade social e cultural. Para os dois autores britânicos, a teoria da modernização pode sim conceber que as mudanças operadas pela infraestrutura da sociedade demandem tradições inventadas no plano da superestrutura.
Neste sentido, a revolução burguesa positivista-castilhista de inspiração saint-simoniana, introdutora do Estado-Providência, mobilizou somente as instâncias da infraestrutura (base material e econômica), deixando uma vasta lacuna, um boqueirão ideológico, diríamos, na esfera da superestrutura.
Assim, teria restado um formidável vácuo em distintos setores da vida social e no espírito dos indivíduos, como nas artes, no pensamento político, no Direito, na identidade, nas subjetividades individuais e de grupos, na cultura e no imaginário como um todo. O homem é, antes de tudo, um animal simbólico, e este domínio da razão e da cultura foi deixado vago, motivado, talvez, pelas duras urgências da vida real, mas também – suspeito eu – pelo próprio autoritarismo do poder estendido do castilhismo-borgismo.
O tradicionalismo seria, assim, um desagravo mítico-ideológico dos derrotados de 1893/95, os mesmos derrotados de Ponche Verde. Uma vingança de classe – a do latifúndio subalterno e associado – contra a modernização burguesa do positivismo pampeiro, seria isso? Uma maldição contra o futuro do Rio Grande? “Vocês estarão condenados a viver no passado, em meio à fumaça e o cheiro de esterco, festejando derrotas, e considerando heróico, cavalgando durezas e incomodidades, e considerando genuíno, fruindo uma arte primária e mambembe, e considerando autêntico, cultuando velhos ressentimentos e considerando lúcido, ignorando o rico mosaico cultural da província e considerando o tradicionalismo de matriz latifundiária como a síntese de tudo. Vocês são os gaúchos, velhos vagabundos redimidos, são os heróis de um passado que nunca existiu” – foi a sentença de fogo dos que trouxeram o tradicionalismo como vanguarda do atraso no pensamento guasca.
Cristóvão Feil
Leia Mais ►

Editora Abril apostou pesado, e perdeu feio!

Gilberto Maringoni fez um trabalho didático na “Carta Maior”: expôs as principais capas de “Veja”, de 1993 a 2010. O período cobre exatamente os dois mandatos de FHC e os dois mandatos de Lula.
A comparação visual é impressionante. Ao lado das capas, Maringoni faz uma pequena análise do conteúdo. Nem precisava. As imagens quase falam por si. Lula é tratado com desrespeito: pé no traseiro, barriga de fora, a faixa de presidente enrolada feito venda nos olhos do presidente. FHC aparece austero, professoral, um estadista.
Mais que isso. Os escândalos na era FHC levam para a capa os pivôs dos escândalos: Ricardo Sérgio, Mendonção, Sérgio Motta… Uma exceção: Eduardo Jorge, secretário particular aparece ao fundo da imagem resignada de FHC, sob a chamada de capa quase amiga: “as ligações e os negócios do ex-assessor que estão fazendo um estrago na imagem do presidente”. Ou seja, FHC não tem nada com isso, mas a revista alerta que o ex-assesor está atrapalhando a boa imagem do estadista. Assim, de amigo para amigo.
Os escândalos da era Lula são escândalos de Lula. Sempre. Lula carrega Zé Dirceu feito um peso já em 2004 (FHC jamais carregou Ricardo Sérgio nas capas de “Veja”; mas o livro de Amaury vem aí pra contar bem essa história); a imagem de Lula se desfaz na capa da revista, em 2005; depois, as manchetes do “Mensalão” (“Ele sabia?” , “Quando e como Lula foi alertado”), sempre com a figura de Lula na capa. Com FHC e a compra de votos para a reeleição, nada parecido. Ninguém perguntou se FHC “sabia”?
E a tentativa (obsessiva?) de arrasar a imagem do PT e dos movimentos sociais: a estrela petista na capa uma, duas, três vezes. Sempre a se desmilinguir. O MST como grande inimigo. E o “polvo” (PT? povão?) a ameaçar a República (ou a ameaçar aqueles amigos de “Veja” que não conseguem voltar ao Palácio?).
As imagens coletadas por Maringoni são também, e isso me ocorre agora, as imagens de uma derrota clamorosa. Nunca um órgão de imprensa apostou tantas fichas em derrotar um presidente e um partido. Nem Carlos Lacerda foi tão longe contra Vargas, porque não tinha os recursos visuais das capas de “Veja”.
A turma do esgoto, instalada na Marginal Pinheiros, usou e abusou dos recursos visuais. E das mentiras (dólares de Cuba, contas de Lula no exterior…). E perdeu. Duas vezes. Ou três vezes, se contarmos 2002, 2006 e 2010.
A história das capas de “Veja” é a história do preconceito (quem não se lembra da “mulher, nordestina” – cruz, credo – que pode decidir a eleição em 2006?). Preconceito derrotado. É a história de um discurso de ódio. Derrotado. “Veja” e sua máquina de manipulações foram derrotadas de forma espetacular. Isso é o mais impressionante na coletânea feita pelo Maringoni.
Isso tudo não absolve o PT e Lula de seus erros. Maringoni, aliás, nem é do PT. Faz opopsição pela esquerda, no PSOL. Mas é daqueles que não perderam o juízo e sabem que o inimigo principal não está no lulopetismo. Basta olhar para as capas de “Veja” para saber que ali está não apenas um inimigo feroz da esquerda e dos movimentos sociais. A “Veja” é inimiga do Brasil. Ela e suas capas odiosas e odientas. Derrotadas.
Tão derrotadas como Ali Kamel da Globo – com o delegado Bruno em 2006 e a bolinha de papel em 2010. Mas a “Veja”, é preciso reconhecer, foi muito mais longe que Kamel. Ele é mais sutil, mais inteligente. A “Veja”, não. É boçal. Bom saber e ver que a boçalidade odiosa de “Veja” foi derrotada.
O mais incrível é que “Veja” segue a alimentar o discurso de que o PT e o lulismo querem calar a imprensa. Hehe. Se houvesse “projeto autoritário”, a “Veja” não estaria aí até hoje. Lula e o PT ganharam da “Veja”, na bola. Sem tapetão.
O que choca é outra coisa: o lulismo e o PT seguem a alimentar o monstro. É o que diz Maringoni:
“A visão de Veja é a visão da extrema direita brasileira. Tem uma tiragem de um milhão de exemplares e é lida por muita gente. Entre seus apreciadores está, surpreendentemente, o governo brasileiro. Este não se cansa de pagar caríssimas páginas de publicidade para uma publicação que o achincalha com um preconceito de classe raras vezes visto na imprensa. Freud deve explicar.”
Rodrigo Vianna
No Escrevinhador
Leia Mais ►

Três mentiras de uma mídia deslembrada

Outra semana começou e nossa mídia, tão cheia de “princípios editoriais”, esqueceu mesmo de dois desmentidos e uma confirmação de verdade que rolou na semana passada. Mas como pode! Os assuntos permaneceram nas páginas de suas revistas, jornais, rádios e tvs durante semanas! O que pode ter gerado a amnésia pigmidiática?
  • Roberto Jefferson nega ao STF a existência do mensalão.
  • “Empresário” (o Quícoli da campanha passada)  pede desculpas ao PT por mentiras no Jornal Nacional.
  • Repórter da Veja realmente tentou violar o quarto de José Dirceu em hotel.
No Maria da Penha Neles!
Leia Mais ►

Faltaram apenas 261,7 mil assinaturas para o PSD virar partido

Em novo documento enviado ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), a vice-procuradora-geral Eleitoral, Sandra Cureau, (foto), diz que o PSD, partido do Kassab, não conseguiu reunir o número mínimo de assinaturas de apoio para sua criação.
Segundo ela, das cerca de 482 mil necessárias, a sigla obteve apenas 220,3 mil - ou 45,6% do total.
Cureau enviou um quadro, mostrando que em 11 dos 22 tribunais onde assinaturas foram registradas, não se cumpriu os "requisitos legais para o cômputo do apoiamento necessário".
A procuradora diz que isso ocorreu nos TREs (Tribunais Regionais Eleitorais) dos seguintes Estados: Alagoas, Bahia, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Pernambuco, Rondônia, Roraima e São Paulo.
Na maioria dos casos, ela argumenta que o partido apresentou "certidões esparsas expedidas por Zonas Eleitorais (...) que não atendem ao disposto na legislação em regência". No caso específico de São Paulo, Cureau ainda afirma que, dentre as assinaturas apresentadas, encontram-se "muitas em duplicidade, muitas sem atestar a veracidade".
"Inclusive, há decisão da Corregedoria [do TRE-SP] solicitando correção em dados das certidões", finaliza.
No documento, de oito páginas, a procuradora também repete o argumento de que é contra a criação do partido se não puder investigar as possíveis falhas no processo de registro. Para que os integrantes do PSD possam concorrer nas eleições do ano que vem o TSE deverá aprovar sua criação até o dia 7 de outubro deste ano.
Felipe Seligman
No Folha
Leia Mais ►

Óh, Coitado!

Dono abandona Camaro em porto por não poder pagar novo IPI
A medida que elevou o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) dos carros importados em 30 pontos percentuais na última sexta-feira (16) pegou diversos empresários do setor desprevenidos, além de consumidores que optaram pela importação direta e independente - a operação pode sair mais barata por não haver atravessadores.
Muitos que se submetem ao burocrático e demorado do processo de compra de um carro no exterior, no entanto, enxergam essa como a única maneira de adquirir o carro dos sonhos pelo valor disponível naquele momento.
Foi o caso de um administrador de Dracena (SP), que prefere não revelar o sobrenome. Gustavo, 29, diz que investiu todas as suas economias para trazer, dos EUA, um Chevrolet Camaro, que agora ficará abandonado no porto por ele não ter os R$ 25 mil extras que o governo pede de imposto para legalizá-lo.
"Já tinha vendido até minha moto e meus dois carros para conseguir juntar os R$ 172 mil do valor original do esportivo. Agora não tenho mais de onde tirar", conta.
No Falha de S.Paulo
Fica a pergunta:
Será que Gustavo não pretendia pagar o IPVA e seguro obrigatório?
Leia Mais ►

DEMos entram na Justiça (mais uma vez)

agora contra mais empregos no Brasil, e na defesa de seus carrões importados com menos impostos
O DEMo ingressará na Justiça com uma ação contra o aumento de 30% no IPI (Imposto sobre Produto Industrializado) para carros importados, determinado pelo governo Dilma.
A medida tomada pelo governo foi para enfrentar a concorrência desleal estrangeira, garantindo empregos para metalúrgicos da indústria automobilística e de auto-peças nacionais.
Os senadores Demóstenes Torres (GO) e José Agripino Maia (RN), além do líder do partido na Câmara, deputado ACM Neto, alegam ajuste da alíquota "abusivo".
Abusivo para quem? Para os ricos que importam BMW's, Mercedes, Audi, Ferraris, Land Rover's?
José Agripíno Maia (DEMo/RN) declarou ao TSE em 2010 possuir um BMW modelo 645 Cabrio no valor de R$ 300 mil, e mais um Merceder CL 500 no valor de R$ 330 mil.
BMW modelo 645 Cabrio
Merceder CL 500
Captiva Sport
Demóstenos Torres (DEMo/GO) declarou possuir um Captiva Sport no valor de R$ 102 mil (confira aqui). O carro é importado do México pelo GM do Brasil.
ACM Neto (DEMo/BA) diz ter um Honda e um Toyota (confira aqui). Não especificou os modelos. O Honda foi declarado com o valor de R$ 120 mil.
Os metalúrgicos mexicanos, alemães e asiáticos já são gratos aos senadores e deputado do DEMos pela preferência. Só não esperavam a surpresa de ganharem de presente três lobistas dentro do Congresso brasileiro a favor de seus interesses, e contrários aos dos metalúrgicos brasileiros.
Zé Augusto
Leia Mais ►

Parceria para Governo Aberto

“A grande mudança social hoje vivida por meu país não seria possível sem o engajamento da própria sociedade”
Cerimônia em NY marca lançamento oficial da Parceria para Governo Aberto, uma iniciativa internacional que pretende difundir e incentivar globalmente práticas governamentais como transparência orçamentária, acesso público à informação e participação social. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR
Durante o lançamento oficial da Parceria para o Governo Aberto – ação multilateral, copresidida por Brasil e Estados Unidos –, nesta segunda-feira (19), em Nova York, a presidenta Dilma Rousseff afirmou que a transparência na gestão pública é um importante instrumento para o fortalecimento das democracias no mundo. Ela citou o uso das redes digitais na promoção de governos mais transparentes e acessíveis aos cidadãos, e na melhoria dos serviços públicos de Educação, Saúde, Segurança e Meio Ambiente.
Dilma Rousseff falou sobre a experiência brasileira na gestão pública e combate à corrupção e disse que o país endossa a Declaração de Princípios sobre o Governo Aberto. Para ela, uma gestão transparente não depende apenas de se permitir o acesso individual à execução do Orçamento do Estado ou o acompanhamento da lisura e da racionalidade da ação dos agentes públicos; trata-se, também, de assegurar a prestação de contas, a fiscalização e a participação de toda a sociedade.
“Nos últimos anos, ampliou-se o espaço de diálogo na gestão da coisa pública no Brasil, graças à implantação da consulta participativa. Desde 2003, o governo brasileiro realizou 70 conferências nacionais temáticas, nas mais diversas áreas, envolvendo a interação com cinco milhões de pessoas, em cinco mil municípios. Evidentemente, a grande mudança social hoje vivida por meu país não seria possível sem o engajamento da própria sociedade brasileira”.
A presidenta informou que o governo brasileiro recorreu a consultas públicas para a preparação de planos e programas de governo, entre os quais o Plano Plurianual 2012/2015 e as propostas brasileiras para a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. Disse, também, que o Congresso Nacional discute um projeto de lei destinado a regulamentar o acesso às informações públicas, com regras transparentes e prazos menores para o sigilo de documentos.
Ela falou ainda sobre os instrumentos brasileiros de combate à corrupção, e citou o Ministério Público, a Controladoria-Geral da União e a Inteligência da Polícia Federal como instituições eficientes para “identificar e corrigir, com eficiência cada vez maior, os problemas de gestão, quando ocorrem”.
“Conta-se também com a posição vigilante da imprensa brasileira, não submetida a qualquer constrangimento governamental. As ações do governo nessa matéria são firmes e permanentes. Fui muito clara desde o discurso de posse, em janeiro, quando afirmei que meu governo não terá compromisso com o erro, o desvio e o malfeito”.
Leia Mais ►

Estadão mata o português

Leia Mais ►

Que ninguém durma…

O ex-ministro Delfim Netto publica hoje, no Valor Econômico, um artigo onde desenha um quadro completo e terrível da situação econômica mundial. vale a pena ser lido, para entendermos melhor a extensão dos problemas das economias centrais. O título, que traduzo aí em cima, é de uma ária de Turandot, ópera de Puccini, em que a Princesa Turandot submete os seus pretndentes a decifrar enigmas, ao preço de suas próprias vidas.
Nessun dorma…
É um fato conhecido que os competentes economistas alemães representam a fina flor do mais extremo monetarismo ao qual somam uma boa dose de conservadorismo. Foram ferozmente contra as concessões (com implicações econômicas) feitas por Helmut Kohl, quando aproveitou uma janela semiaberta e teve a coragem de reunificar a Alemanha, objetivo político de longo prazo absolutamente desdenhado pelos “puristas econômicos”.
Quando a Alemanha decidiu participar do euro, 150 dos seus mais reconhecidos acadêmicos publicaram um célebre manifesto contra, com bons argumentos, mas que de novo ignorava solenemente o objetivo político de longo prazo, que era a pacificação de um continente que durante os últimos mil anos foi atormentado por guerras.
Os argumentos eram respeitáveis e mostravam que o sucesso do euro dependia de um rigoroso controle da situação fiscal de cada país, preliminar para a construção de uma área monetária ótima: absoluto controle fiscal, liberdade de movimentos da mão de obra e de capitais e a cessão da emissão das moedas nacionais a um banco central autônomo, com uma nova unidade monetária, com relação à qual as taxas de câmbio de cada país seriam irrevogavelmente fixadas.
Eram contra, porque não acreditavam que os países se submeteriam a tal disciplina. Para impô-la, foi formalmente estabelecido e aprovado no acordo de Maastricht, que precedeu a introdução do euro, que: 1) nenhum país poderia ter déficit nominal superior a 3% do PIB; e 2) uma relação dívida/PIB maior do que 60%.
Por que não funcionou? Porque os governos de vários países (em particular da Grécia) mentiram, como suspeitavam os economistas alemães! Ilidiram aquelas condições com a conivência do sistema financeiro internacional e das agências de risco. Tudo veio à tona depois da “quebra” do Lehman Brothers, quando a “rede de patifarias” escondida nos derivativos tóxicos explodiu na cara dos bancos centrais, sob o nariz dos quais ela se realizara. É cada vez mais evidente que esses não se recuperaram do choque: nem o Federal Reserve dos EUA, nem o BCE da Eurolândia sabem, até agora, o que fazer.
Nos EUA, parece que começa a haver uma mudança. Mais de uma dezena de instituições financeiras, que ativamente (com a conivência das agências de risco) assaltaram os incautos aplicadores, começam a ser investigadas e, seguramente, algumas serão responsabilizadas criminalmente. Trata-se de um problema moral, que não pode mais ser escondido pelo governo Obama como foi até agora.
Tardiamente, ele propõe ao Congresso um novo pacote de estímulos para diminuir o sofrimento de 25 milhões de honestos trabalhadores (15 milhões com desemprego aberto e 10 milhões semiempregados), que acabaram desempregados com a política econômica (inspirada por distintos acadêmicos comprometidos com o sistema financeiro) que “salvou” os desonestos administradores.
Até agora, o presidente do Fed, Ben Bernanke, não disse a que veio: apenas repete, repete e repete o velho refrão, “farei o que tenho de fazer”. Continua indeciso sobre como atender ao seu duplo mandato: manter alto o nível de emprego e manter baixa a taxa de inflação.
Leia Mais ►

Charge online - Bessinha - # 815

Leia Mais ►

STJ inocenta Arruda. Agora ele pode ser Vice do "Cerra"

O STJ deixa
Saiu no Estadão:
Após decisão do STJ, provas de quatro operações da PF estão sob forte ameaça
Defesa de personagens como os ex-governadores José Roberto Arruda (DF) e Pedro Paulo Dias (AP) recorre à Justiça e aponta similaridade com interceptações da Boi Barrica, anuladas pela corte
Vannildo Mendes, de O Estado de S.Paulo
BRASÍLIA – Quatro grandes operações da Polícia Federal estão em risco no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A decisão da corte de anular as provas da Operação Boi Barrica fez crescer a mobilização de importantes bancas de advocacia do eixo Rio-São Paulo-Brasília em favor dos réus apanhados nas operações Voucher, Navalha, Mãos Limpas e Caixa de Pandora. Em todos esses casos, já há no STJ recursos nos mesmos moldes do que obteve sucesso e anulou a Boi Barrica.
Entre os personagens acusados de corrupção e desvio de dinheiro público que esperam fulminar as provas obtidas pela Polícia Federal estão os ex-governadores do Distrito Federal José Roberto Arruda (sem partido), preso na Operação Caixa de Pandora, e do Amapá, Pedro Paulo Dias (PP), apanhado pela Operação Mãos Limpas, além dos envolvidos na Operação Voucher, que derrubou a cúpula do Ministério do Turismo.
“Pedi a anulação de todo o inquérito. A maior prova da inocência do meu cliente (José Roberto Arruda) é que até hoje o Ministério Público não o denunciou”, afirmou o criminalista Nélio Machado. Ele alega vícios no processo, entre os quais grampos ilegais e espera que a jurisprudência do STJ contribua para o descarte das provas. “Toda decisão que reconhece ilegalidade e abuso na coleta de provas gera jurisprudência nova”, enfatizou.
Segundo Machado, Arruda sofreu devassa completa em sua vida, a partir dos grampos ilegais de um criminoso – o ex-secretário de Relações Institucionais do DF Durval Barbosa, delator do esquema conhecido como “mensalão do DEM”. “As demais interceptações estão fora de contexto e derivam de uma prova inicial viciada”, acrescentou. A seu ver, embora não possa fazer analogia com o caso de Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), cuja decisão não conhece integralmente, ele disse que “foram violadas as garantias constitucionais” do ex-governador Arruda.
Boi Barrica. No caso da Boi Barrica, os ministros da 6.ª Turma do tribunal consideraram ilegais interceptações telefônicas feitas durante as investigações, o que no entender do STJ contamina as provas contra os réus, entre os quais Fernando Sarney, acusado de crimes financeiros e lavagem de dinheiro.
Aguardam ansiosos na fila os réus da Operação Voucher, que pôs na cadeia, em agosto, a cúpula do Ministério do Turismo. “A Justiça e a polícia não podem passar por cima da lei e sair ampliando o tempo e o leque de interceptações como se fossem filhotes”, criticou o advogado Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakai, que atuou na defesa do ex-secretário executivo do Turismo Frederico Silva da Costa, o Fred, preso e apontado como cabeça do esquema.
O advogado aponta “fraude na interpretação do áudios” de conversa telefônica em que Fred ensina o empresário Fábio de Mello a montar um instituto para receber recursos públicos e ressalta que “o importante é a fachada”.
O STJ tinha acabado de confirmar a súmula vinculante: rico não pode ser sequer investigado, quanto mais preso ou algemado.
A súmula foi primeiro escrita, no recesso, quando o ex-Supremo Presidente Supremo do Supremo, Gilmar Dantas deu dois HCs Canguru ao banqueiro condenado Daniel Dantas, no espaço record de 48 horas (um feito comparável aos de Usain Bolt).
De lá para cá, os tribunais superiores parecem confirmar aquela tese notavel de um assessor de Daniel Dantas, registrada no horário nobre do jornal nacional: o problema é na primeira instância, porque lá em cima ele tem “facilidades”.
A notícia do Estadão é um bálsamo para os planos do Padim Pade Cerra para 2014.
Ele sempre quis o Arruda para Vice, como testemunha vídeo inesquecível de Alexandre Maluf Garcia: vote num careca e leve dois.
Depois, o destino o levou para o Álvaro Dias – aquele plagiador do PiG – e o Índio da Costa, que ninguém sabe por onde anda (como se interessasse saber).
Fica então assim combinado.
O STJ fecha a Polícia Federal.
Os criminosos do colarinho branco vão celebrar com um baile no mesmo salão nobre em que o Conjur lança suas edições especiais!
Os criminosos e seus doutos advogados.
Viva o Brasil!
Em tempo: quando a PF do ministro Zé (clique aqui para entender por que o chamam de Zé) Cardozo vai apurar o que aconteceu no Hotel Naoum, em Brasília? Vai esperar achar o áudio do grampo? Tá com medo da Veja?
Paulo Henrique Amorim
No Conversa Afiada
Leia Mais ►

Lula ganha 6º honoris causa e pode receber mais 55 títulos

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebe hoje, na capital baiana, seu sexto título de doutorado honoris causa, desta vez na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Além disso, outras universidades nacionais e internacionais aprovaram o oferecimento de outras 55 honrarias do mesmo título a Lula. Se aceitar todas elas - o título só é válido após cerimônia na instituição - o petista vai chegar a um total de 61 homenagens.
Lula ainda no fim deste ano deve receber o sétimo e o oitavo títulos, respectivamente na Sciences Po, na França, e na Politécnica de Lausanne (Suíça). Os doutorados por receber foram aprovadas pelos conselhos universitários de instituições do Exterior mas, para valer, é necessária a cerimônia. O honoris causa é concedido a pessoas eminentes, que não necessariamente possuam um diploma universitário, mas que tenham grande destaque em suas áreas.
O primeiro título do ex-presidente foi concedido em janeiro deste ano pela universidade de Viçosa, em Minas Gerais. Lula recebeu a segunda em Coimbra, Portugal, em março. Em julho, o Estado natal dele concedeu outras três homenagens: na Universidade de Pernambuco (UPE), na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e na Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE).
Ainda tem mais!

Leia Mais ►

O Oportuneysta

Leia Mais ►

Um milhão de dólares para jantar com Dilma

A mídia está noticiando meio encabulada, aquilo que qualquer cidadão com QI superior a zero já percebeu. O Brasil há um bom tempo já não tem mais o complexo de vira-latas ao qual estávamos tão acostumados até o início dos anos 2000.
Naquela época o Ministro das Relações Exteriores tirava os sapatos para entrar no aeroporto dos EUA e era tratado como lixo por um simples funcionário da alfândega. Imagine o que faziam com ele os altos escalões da plutocracia mundial?
Na data de hoje, de pires na mão, a Europa pede pelo amor de Deus que compremos seus títulos, para que saiam da crise. Nós e o restante dos Brics.
Como a mídia claro, quer tirar o brilho do Brasil, se esquece de mencionar que o líder dos Brics (aliás, o FUNDADOR) é o Brasil. Sendo assim, joga no colo da China todo o respaldo que puder. Tudo para desacreditar os trabalho do ex-operário e de Celso Amorim, acusado pelo imprensalão submisso brasileiro, de ser "radical".
Hoje sabemos como valeu a pena ser "radical". Se tivessemos feito como queria Mirian Leitão e a vassalagem brasileira, estariamos quebrados agora. Muito mais quebrados do que os antigos países ricos. O que nossa imprensa pregava era o aumento do comércio com EUA e Europa. Na contramão, Lula disse que aumentariamos com a África e os outros consumidores mais pobres. Estávamos então diversificando o negócio. Por quê colocar todos os ovos na mesma cesta? A cesta caiu no chão. Os ovos do México, Canadá e Chile se quebraram. Os nossos, não. A aposta de Lula e de Amorim estava corretíssima, como se viu.
Pra matar FHC de inveja, megaempresários estadunidenses pagaram 1 milhão de dólares para poderem se sentar à mesa com Dilma e ouvir o que ela tem a dizer. E ver se ela dá uma brecha para que tragam capital de investimento (e não só de especulação) para nossas terras. Capital de investimento gera emprego. O de especulação, gera fuga de divisas e desemprego. Igualzinho nos anos tucanos, quando pagávamos 39% de juros ao ano e em dois anos e meio, duplicávamos a dívida pública brasileira. O Brasil era o paraíso dos especuladores e José Serra ainda teve a coragem de dizer que na crise de 2008, Lula estava errado.
Perdidos, os tucanos nos Estados se esfacelam em lutas primárias pelo poder.
Nada como um dia depois do outro!
Leia Mais ►

Privatização da Água em Santa Catarina

Assembleia vota nesta terça-feira venda das ações da Casan em Santa Catarina
Governo afirma que vai investir em saneamento, e a oposição quer manter plebiscitos
O futuro da Casan vai ser decidido terça-feira na Assembleia Legislativa. Pela manhã, as comissões de Constituição de Justiça e de Finanças votam em conjunto as propostas que acabam com a necessidade de plebiscito para venda de ações da empresa e autorizam o governo a negociar 49% da estatal para um sócio privado. À tarde, o plenário deve votar as mudanças, sob protestos já anunciados de sindicalistas e funcionários da Casan.
São dois os projetos que devem viabilizar a principal aposta do governador Raimundo Colombo (DEM-PSD) para capitalizar a Casan e avançar os índices de saneamento básico no Estado — hoje apenas 16% dos catarinenses tem acesso a esgoto, 13% se for levada em conta a área atendida pela estatal. O primeiro projeto altera a Constituição Estadual para que deixe de ser obrigatória a realização de plebiscito para venda de ações da empresa. O outro autoriza o negócio em si.
Ambos os projetos receberam caráter de urgência para serem analisados e serão votados juntos na terça-feira. Relator da proposta de emenda constitucional (PEC), Dado Cherem (PSDB) já tem o relatório pronto. O tucano mudou o texto para preservar o plebiscito para venda de ações da Celesc — incluída no projeto pelo governo estadual. Para a Casan, o plebiscito seria necessário apenas se resultassem em perda do controle acionário da empresa.
— Em 49% das ações o governo vai ter liberdade para trabalhar e buscar parceiros privados ou públicos — afirma Cherem.
Análise das emendas
O relator do projeto que autoriza a venda das ações é José Nei Ascari (DEM-PSD). Ele já deu parecer favorável à legalidade do negócio e nesta segunda-feira analisa as três emendas apresentadas por outros deputados. Uma delas, de Dado Cherem, pede apenas que fique claro no texto aprovado o compromisso da Casan com a universalização do atendimento de água e esgoto e com o menor preço possível das tarifas.
Polêmica maior devem gerar as emendas apresentas pelos deputados de oposição. As bancadas do PT, do PC do B e do PDT assinam o pedido para que a venda das ações da Casan só possa ser feita para outras empresas públicas.
— A CCJ, a rigor, não pode mergulhar na análise do mérito da proposta. Mas como a emenda foi apresentada na comissão, vou analisar. Tenho dúvidas se essa restrição à participação de empresas no leilão é constitucional. A tendência é a rejeição — antecipa Ascari.
O deputado Amauri Soares (PDT) apresentou emenda à PEC mantendo os plebiscitos para qualquer venda de ações da Casan e da Celesc e ampliando a restrição para todas as estatais catarinenses. O pedetista admite que não acredita na aprovação das alterações, mas garante que a pressão sobre os deputados governistas será forte — a exemplo do que aconteceu na audiência pública em que as propostas foram discutidas, em agosto.
— Teremos mobilização de funcionários da Casan e da Celesc, além de outros setores, como os funcionários da saúde — diz Soares.
E eu com isso?
Para o consumidor, a vendas de ações da Casan é uma boa notícia, desde que as projeções do governo com o negócio se concretizem. Por três motivos principais
1) O mercado de ações é para onde as empresas vão atrás de dinheiro mais barato para financiar investimentos de longo prazo, fugindo dos juros cobrados pelos bancos. A Casan tem R$ 240 milhões em caixa hoje, mas vai precisar chegar a R$ 1,5 bilhão até 2014 para oferecer tratamento de água e esgoto a 45% dos municípios que atende. Além de ampliar a cobertura do serviço, que tem impacto direto na saúde pública, a lógica é que quanto menor o custo para criar a infraestrutura, incluindo-se aí o custo financeiro, menor seja a tarifa cobrada.
2) A entrada de um sócio privado na empresa deve melhorar a gestão da própria empresa. É o tipo de pressão que se vê, por exemplo, na Celesc. O grande objetivo de uma empresa de capital aberto, sempre, é gerar retorno aos acionistas, meta que se sobrepõe a eventuais interesses políticos. Esse sócio figuraria como um fiscalizador importante, garantindo que os recursos sejam aplicados da melhor maneira possível. Além disso, o governo manterá a maioria das ações, o que lhe dará a palavra final
3) Não faltarão interessados nas ações da Casan. Serviços de utilidade pública serão sempre atrativos, porque, nem nas piores crises, a Casan deixa de faturar. Como é uma concessão, o consumidor não pode simplesmente trocar de empresa.
O que está em debate
Propostas originais
— Proposta de emenda constitucional acabaria com necessidade de aprovação da Assembleia e consulta popular para a venda de ações da Casan e da Celesc.
— Outro projeto autorizava o governo estadual a recomprar ações da Casan em poder de Codesc e SCPAR e a vender até 49% das ações da empresa para um sócio estratégico, com experiência na área de saneamento.
Como vai ficar
— A Celesc foi excluída da proposta de emenda constitucional. Para a Casan, o governo fica dispensado de autorização Legislativa e consulta popular até o limite de venda de 49% das ações. O plebiscito permanece para o caso de perda do controle acionário.
— Foi incluída no projeto da venda das ações a obrigatoriedade de que a Casan busque a universalização dos serviços de água e esgoto e que seja guiada pela "modicidade das tarifas".
O que a oposição quer
— Emenda do deputado Amauri Soares (PDT) mantém a obrigatoriedade de autorização Legislativa e consulta popular para venda de ações da Celesc e da Casan e estende a restrição às demais empresas estatais catarinenses.
— Emenda coletiva pede que a venda das ações da Casan só possa ser feita para empresas estatais ou mistas, desde que controladas pelo poder público. Permite ainda que as ações sejam oferecidas a instituições financeiras estatais, como Banco do Brasil e BNDES, como caução em troca de investimentos.
Leia Mais ►

Lanceiros Negros

Leia Mais ►

“Abril negociou com a ditadura para entregar a Realidade em troca da Veja”

Quando tinha 10 anos de idade, o garoto José Hamilton Ribeiro, nascido na pacata cidade paulista de Santa Rosa do Viterbo, sofria de uma enfermidade chamada “osteomielite”, inflamação nos ossos que o obrigava a contar com a ajuda de uma muleta para apoiar a perna esquerda. Mesmo com restrições, o menino não deixou de confirmar que sua vocação era a reportagem. “Caiu um avião perto da minha cidade. Imagina! Se hoje já é notícia, naquela época então nem se fala. A molecada saiu correndo para ver o acidente e eu não pensei duas vezes, mesmo com dificuldades fui ver o que tinha acontecido”.
Vinte e três anos depois, em 1968, aquela mesma perna esquerda que precisava da ajuda da muleta na infância foi ferida, quando Zé Hamilton – então repórter da revista Realidade – pisou em uma mina na cobertura da guerra do Vietnã. “Depois que tudo passou eu fiz essa associação. Me dei conta de que perdi aquela mesma perna que, quando criança, precisava apoiar com uma muleta. Isso é simbólico para mim, pois, com 10 anos de idade eu estava sendo intuitivamente um repórter, indo até o fato, observando, perguntando e depois contando da melhor maneira possível”. A história de Zé comprova o que o jornalista defende: ser repórter é vocação.
Hoje, com mais de 50 anos de profissão e como repórter especial do “Globo Rural”, Zé diz que não é um repórter que lida com técnica e economia no agronegócio, mas tem a função de retratar a “alma do homem do campo”. Tarefa que, muitas vezes, dá trabalho aos companheiros de equipe: “tem um câmera que trabalha comigo e até reclama de que eu me aproximo muito das fontes”.
É com vigor e lucidez que o “príncipe dos repórteres” – como é chamado por seus contemporâneos – falou à IMPRENSA, contando o que o motiva aos 50 anos de profissão. Comentou sobre a cobertura de guerras e conflitos nos dias atuais, lembrou dos tempos de revista Realidade e a atual situação do jornalismo brasileiro, que segundo ele, “não anima muito”.
O “príncipe dos repórteres”
IMPRENSA – Com mais de 50 anos de carreira, você ainda está em busca da grande reportagem?
José Hamilton Ribeiro – Buscar a grande reportagem faz parte da minha rotina. Tenho uma lista das 10 que quero fazer e, quando realizo uma, acrescento outra. É uma lista permanente de reportagens especiais, que demoram por que demandam planejamento e condições do veículo para me mandar.
IMPRENSA – Tem algum tema ou entrevistado específico?
Ribeiro – Eu ainda quero fazer uma reportagem sobre a Guerra do Paraguai e descobrir o que o Brasil ainda tem de resquícios deste importante momento da América do Sul.
IMPRENSA – Como se sente vendo uma matéria sua inscrita em um prêmio como o Emmy de TV no ano passado?
Ribeiro – O departamento de jornalismo da TV Globo escolheu cinco reportagens para concorrer a esse prêmio e uma era minha. Para mim é muito gratificante o fato de a emissora ter escolhido, em um colégio de tantos jornalistas competentes uma matéria minha.
Cobertura de conflitos
IMPRENSA – Quando você olha hoje para as coberturas de guerras e conflitos lembra muito de sua época?
Ribeiro – Hoje eu vejo que cada vez mais o jornalista de guerra está restrito. A tecnologia de comunicação de alguns exércitos está muito avançada, e mais: os grandes exércitos do mundo aprenderam que a atuação da imprensa em uma guerra é muito importante e, ao descobrirem isso, passaram a fazer uma vigilância rigorosa de tudo o que é publicado pelos jornalistas e correspondentes que acompanham as tropas.
IMPRENSA – Como você conviveu e convive com os traumas físicos e psicológicos?
Ribeiro – Eu tive três medos no Vietnã depois do acidente com a perna: primeiro, o medo de morrer, e, quando eu fui levado para o hospital, eu vi que não morria mais; o segundo, era de tornar-me uma pessoa com uma deficiência física de tal gravidade, que não pudesse mais ganhar a vida com o meu trabalho e ser dependente; por último, o terceiro, era de ficar marcado como um repórter que fez somente a cobertura do Vietnã e nada mais. O primeiro passou assim que eu fui socorrido. O segundo, logo que cheguei ao hospital e na cadeira de roda comecei a entrevistar os médicos e enfermeiros para a matéria que eu estava fazendo. E o terceiro, eu resolvi aqui no Brasil, trabalhando e tendo reconhecimento da qualidade de meu trabalho.
A revista que marcou uma geração
IMPRENSA – Qual era a receita da revista Realidade? O que a transformou em um símbolo do jornalismo?
Ribeiro – Ela foi se moldando em suas circunstâncias. O que deu à Realidade uma característica original foi o contexto histórico daquele momento. Parece que, na década de 1960 [a Realidade foi criada em 1966], tudo aconteceu no mundo: a pílula, o movimento hippie e o estudantil, a libertação da mulher, a luta dos americanos no Vietnã e muitos outros acontecimentos. E se você olhar muita das coisas que ainda acontecem no Brasil começaram naquele momento. Acredito que isso contribuiu para que a Realidade fosse bem sucedida, além do bom jornalismo, é claro.
IMPRENSA – Por qual motivo ela acabou?
Ribeiro – O AI-5 [Ato Institucional] é de dezembro de 1968 e a revista começou a cair em janeiro de 1969. Quer dizer: a censura chegou até nós. Até então, a Editora Abril acreditava na Realidade e bancava toda essa rebeldia que nós tínhamos, mas, a partir do AI-5, ela recuou e passou a apostar em um novo produto chamado revista Veja, que vinha sendo cultivada internamente. A Editora Abril negociou com a ditadura para entregar a cabeça da Realidade em troca de abrir caminho para a Veja.
IMPRENSA – Pessoalmente, como foi lidar com o fim da revista?
Ribeiro – Desde os 20 anos de idade eu estava na linha de frente da imprensa, seja por ter atuado na Folha de S.Paulo ou na Abril. Com este momento da censura, eu perdi espaço na grande imprensa. Se já era difícil fazer jornalismo, imagine ser jornalista investigativo na época da ditadura. À época, fui para o interior fazer reforma gráfica de jornal, implantar computadores. Como não podia mexer com conteúdo, fui trabalhar com a forma em Ribeirão Preto, Rio Preto e depois Campinas.
A atual situação do jornalismo
IMPRENSA – O jornalismo de hoje tem espaço para uma nova revista Realidade?
Ribeiro – Eu acho que o brasileiro se acostuma rápido até com o que é ruim. Então, a pessoa está acostumada com o que é de baixa qualidade. Automaticamente, quando você oferece coisa boa, ele corre para ela. Nos dias de hoje, a Realidade só daria certo se você tivesse uma redação proporcional àquela que nós tínhamos, com qualidade, salário, condições de produção e de reportagem. Se ela desse certo, acredito que ainda conseguiria mudar o espectro da imprensa, assim como aconteceu nos Estados Unidos e Inglaterra. Se o primeiro mundo consegue fazer, a gente também deve aspirar.
IMPRENSA – Quando você olha hoje para o mercado editorial brasileiro tem algo que se aproxima do projeto da Realidade?
Ribeiro – Na área da grande reportagem eu não estou muito entusiasmado, não. Eu acho que o momento do Brasil é do jornalismo de papel, jornal propriamente dito. Eu acho que é esse o grande momento da imprensa brasileira.
IMPRENSA – De que maneira você enxerga essa onda do jornalismo investigativo e das grandes reportagens?
Ribeiro – A expressão repórter “super herói” é uma coisa enganosa por que o repórter que pensa que é um lobo solitário acaba sendo só um solitário. O repórter depende de estrutura tanto da redação como da empresa; então, é uma ilusão pensar na figura solitária do repórter.
Luiz Gustavo Pacete, do do Portal Imprensa
No Escrevinhador
Leia Mais ►

Tucano privatiza até a polícia

A histórica Polícia Militar corre o risco com as privatizações tucanas.
O comandante-geral da PM, coronel Marcos Teodoro Scheremeta, disse ontem que está preparando um projeto que tira policiais militares do atendimento ao 190, colocando em seu lugar funcionários terceirizados.
“Por que uma função não estratégica, como o primeiro atendente, o suporte técnico ou a pessoa que cuida do no-break não pode ser um contratado? Hoje a polícia não pode contratar”, questiona o comandante.
Scheremeta diz que já está conversando com várias empresas e que pretende que o projeto esteja pronto, para ser apresentado ao secretário estadual de Segurança Pública no começo do ano que vem.
“Estamos conhecendo muito e ouvindo mais ainda. Para a Copa, um sistema digital vai ter que estar pronto”, afirma.
De acordo com o comandante, os atendentes seriam supervisionados por
policiais. Outra vantagem seria que os PMs, hoje no telefone, poderiam assumir postos nas ruas.
“Seria um redirecionamento para outras funções. O número de atendentes hoje é muito grande”, diz.
Um possível contrato, além do atendimento no 190, pode servir também
para gerenciamento de bancos de dados, acesso on-line a informações sobre os suspeitos.
“Hoje nosso sistema é analógico”, conta.
Leia Mais ►

Metrô Rio de Janeiro

Metrô, já em construção, que ligará o Leblon à Barra da Tijuca
..
Leia Mais ►

Fundação Roberto Marinho - Ministério do Turismo: Convênio suspeito

A Fundação Roberto Marinho fez um convênio com o Ministério Turismo, e recebeu R$ 17 milhões dos cofres públicos de 2009 até o primeiro semestre deste ano (confira aqui).
Com o dinheiro, a ONG ligada à TV Globo deveria qualificar 80 mil profissionais, autônomos e estudantes de turismo, gastronomia e hotelaria, em cursos on-line de inglês e espanhol, para a Copa de 2014.
Esse projeto recebeu o nome de Olá, Turista! e já encerrou suas atividades.
No entanto não existe na internet inteira, nem no site da ONG (sem qualquer prestação de contas com transparência), nem nos sites de controle do governo federal, nem no TCU, nenhuma prestação de contas disponível (pelo menos até o momento) para o cidadão saber como esses R$ 17 milhões foram gastos e se de fato foram treinadas 80 mil pessoas, ajudando a combater a corrupção e o desvio do dinheiro público.
Mas o twitter oficial do projeto "Olá, Turista!" traz uma informação alarmante: para quem deveria ter treinado 80 mil pessoas, estava com dificuldades em encontrar guias de turismo que fizeram o curso:
Está na hora da CGU auditar e o TCU examinar com rigor estas contas. E, se confirmadas as suspeitas, exigir o dinheiro de volta aos cofres públicos de convênios se propondo a treinar dezenas de milhares de pessoas, e só treinam uns "gatos pingados".
Zé Augusto
No Amigos do Presidente Lula
Leia Mais ►

Ajuda de Brics a ricos tem 'lado mitológico', diz jornal

Brics se reunirão em paralelo à reunião do FMI, 
em Washington
Uma reportagem nesta segunda-feira no diário espanhol El País afirma que existe um "lado mitológico" na mobilização de países emergentes para resgatar financeiramente os países europeus em crise.
Mais que econômica, a mudança no equilíbrio de poder global em favor dos emergentes tem também uma dimensão política, afirma o jornal.
"O mundo mudou o centro de gravidade do norte e ocidente para o sul e oriente. A globalização dispersou o poder, tão concentrado até agora, na fortaleza americana, por todo o sistema internacional", diz o jornal, em uma segunda reportagem sobre o mesmo tema.
"A mesma supremacia que se conquista, se perde. Perderam os assírios para os persas e estes, para os macedônios, que, por sua vez, acabaram cedendo-a para os romanos", raciocina o autor.
"Em tempos mais recentes não foi diferente: do império espanhol a supremacia passou ao britânico, e após a Segunda Guerra Mundial, do britânico ao americano, que durante meio século a defendeu frente ao soviético, finalmente vencido".
O jornal vê nesta jornada uma coincidência com a mitologia contida no Livro de Daniel, segundo a qual a "faculdade de conduzir a história", como disse um historiador francês do início do século 20, passaria de povo a povo ajustando-se à rotação do sol, de leste a oeste.
"Neste ponto, a leitura política da decisão dos Bric poderia se sobrepor à mitológica: segundo a profecia do Livro de Daniel, neste momento o império do mundo corresponderia de novo à Ásia, depois de haver completado uma rotação de três milênios por outros continentes."
Brasil, Rússia, Índia e China discutirão nesta segunda-feira, em Washington, nos EUA, uma possível compra de títulos europeus denominados em euro para fortalecer as economias que utilizam a moeda comum.
Para o El País, a proposta "não é tanto um ato generoso dos países emergentes para com as potências declinantes", já que grande parte dos recursos dos primeiros está investido nos últimos.
"Na hipótese dantesca de um colapso financeiro mundial, é difícil prever quem seriam os ganhadores; os perdedores, em qualquer caso, seriam os países quebrados e, em seguida, seus credores."
No BBC Brasil
Leia Mais ►

O inferno astral do neoliberalismo

O que está ruim ainda tem a chance de ficar pior. A crise profunda do neoliberalismo tem tido como efeito político a ressurreição do conservadorismo. Se os novos liberais perderam força, os conservadores tomaram muito de seu espaço. A última vez em que isso aconteceu foi após a I Guerra Mundial, com o nazismo e do fascismo.
O velho liberalismo romântico
O neoliberalismo é uma ideologia, uma visão de mundo. Mais precisamente, é uma visão de mundo adepta do individualismo, da competição, do Estado mínimo e da primazia do mercado, o que justifica sua filiação ao velho liberalismo. O que havia de novo nesse liberalismo?
O velho liberalismo de Adam Smith reservava funções claras ao Estado, mesmo que sumárias, como a defesa do território, a proteção (que hoje preferimos chamar de segurança pública), o recolhimento de impostos e a política monetária. Mas nenhum liberal clássico, ao defender o indivíduo, deixava de olhar a sociedade como um todo. A liberdade individual supostamente promoveria o bem estar da sociedade. Smith externava preocupação com o fato de que seus concidadãos, que vestiam o mundo, estavam em farrapos.
Para o neoliberalismo, porém, não existe sociedade; o que existe são indivíduos (frase de Margareth Thatcher, ex-primeira ministra do Reino Unido). Não existe serviço público que não possa e não deva ser prestado por empresas privadas (frase de David Cameron, atual primeiro ministro britânico).
Para o liberalismo clássico, as corporações eram um problema a ser atacado. “A riqueza das nações”, de Adam Smith, criticava a proteção estatal às companhias comerciais, que exerciam atividades mercantis de forma monopolística, financiadas e escoltadas com recursos públicos. Para o novo liberalismo, as corporações são “a firma” e são equiparadas aos indivíduos. São pessoas jurídicas e têm por trás de si acionistas (indivíduos). Ao contrário da versão original, para o neoliberalismo a riqueza dos indivíduos é apátrida, e não uma riqueza “das nações”.
Outro fator de novidade do neoliberalismo era a globalização, uma marcha tida como inexorável para o domínio absoluto do globo por essas grandes corporações (comerciais, industriais, mas sobretudo financeiras). Bem diferente da ideia de divisão internacional do trabalho, que tinha como base as nações e o trabalho, e não as empresas e os fluxos financeiros. Romanticamente, Smith apontava um caminho para cada país encontrar seu lugar ao sol, produzindo de acordo com sua vocação. Deve-se dar um desconto ao romantismo de Adam Smith, pois ele era contemporâneo da poesia de Lord Byron, da música de Beethoven, da pintura de Delacroix. O mundo respirava romantismo por todos os lados e parecia que o progresso salvaria a todos.
A visão do neoliberalismo não é nada romântica. Os neoliberais são realistas até o último fio de cabelo. Eles são herdeiros da mutação genética introduzida no velho liberalismo pelo darwinismo social de Herbert Spencer, na segunda metade do século XIX. Sua vinculação a Friedrich Hayek tem traços claros que os colocam mais como apóstolos da lei do mais forte do que da lei do livre mercado.
Ascensão e queda do neoliberalismo
A construção do neoliberalismo desenrolou-se aos soluços, com inúmeros sobressaltos. Ele sobreviveu em estado vegetativo por décadas, até ganhar uma dimensão política avassaladora com o tridente formado por Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha, nos anos 1980, personificado nas lideranças de Ronald Reagan, Margareth Thatcher e Helmut Kohl.
Sua força política empunhava um ideário econômico agressivo, cuja síntese mais propalada tornou-se conhecida como o “Consenso de Washington”.
O ciclo do neoliberalismo, quase como um ciclo biológico tradicional, durou cerca de vinte e cinco anos. É difícil encontrar hoje em dia algo que não traga sinais dessa herança. Mesmo com seus abalos, ao final dos anos 1990, ele ainda ganhou uma sobrevida por meio de governos da autointitulada “terceira via”. Sob este guarda-chuvas está uma legião composta pelos democratas nos EUA (Bill Clinton), socialdemocratas da Europa (Tony Blair, no Reino Unido; Gerhard Schröder, na Alemanha; Lionel Jospin, na França; Massimo D’Alema, na Itália) e parte da América Latina (como Fernando Henrique Cardoso, no Brasil; Carlos Andrés Perez, na Venezuela; Carlos Menem, na Argentina; e todos os governos da Concertación chilena).
O inferno astral
O neoliberalismo sofreria um profundo abalo e entraria definitivamente em seu inferno astral a partir de 2008, quando se ouviu um dobre de finados não na periferia do sistema, mas na catedral do capitalismo, em Nova York. Era o enterro da Lehman Brothers Holdings Incorporated.
Mas uma das características do neoliberalismo, além da ousadia e do cinismo, é a teimosia. Ele insistia em disputar projetos políticos e em ganhar eleições com seus arautos. Neles residiam as últimas esperanças de dar a volta por cima, recobrar as energias e reinventar formas de acumulação que evitassem que o capitalismo carregasse a pecha de ser um grande prejuízo para a vida da maioria dos mortais.
Para a surpresa dos incautos, o neoliberalismo conseguiu eleger novos garotos-propaganda. Na pátria-mãe, o Reino Unido, David Cameron; no Chile, Sebastián Piñera; na Alemanha, Angela Merkel.
O Reino Unido é o exemplo mais retumbante do fracasso estrutural do neoliberalismo. Sua política econômica tem como eixo a redução de serviços públicos e a tentativa de desmonte de estruturas de Estado, uma retórica persistente, mas pouco efetiva. O inglês mantém um alto grau de prestação de serviços públicos estatais. Conjunturalmente, a inflação está em alta, com as projeções beirando os 5% - pois é, eles não vão cumprir a meta de inflação, que por lá está fixada em 2%. O desemprego não só está em alta, como é o maior dos últimos dois anos.
A Escócia de Adam Smith, em má homenagem ao credo neoliberal, ostenta um grande número de serviços públicos gratuitos à população. Seu Estado de bem-estar social faz inveja ao dos ingleses. Os escoceses já haviam conseguido um parlamento próprio e agora têm ganhado mais adeptos em favor de sua independência. A política de desmonte, do governo Cameron, tem ajudado em muito a aumentar a adesão à proposta de secessão. As receitas da Escócia são suficientes para mostrar que, se alguém pode sair perdendo com a separação, é a Inglaterra.
No País de Gales, a seção local do partido conservador cogita até trocar de nome e reclama de sua associação ao legado de Margareth Thatcher. A má fama do thatcherismo, segundo pesquisas, os prejudica eleitoralmente.
No Chile, Piñera enfrenta as maiores manifestações desde Pinochet. Além dos estudantes nas ruas, grande parte dos moradores das cidades do sul do país, dependentes do gás subsidiado para se proteger do frio, protesta contra o reajuste do produto e o encarecimento do custo de vida.
Na Alemanha, Merkel tem feito pouca coisa que pode ser considerada verdadeiramente neoliberal. Tanto que até seu companheiro de partido, Helmut Kohl, lhe faz críticas sistemáticas. Os socialdemocratas alemães parecem bem mais apegados ao neoliberalismo e dizem que a Alemanha vai pagar caro pelas “vacilações” de Merkel, que deveria ser mais dura em cobrar ajustes rigorosos em toda a zona do Euro.
O conservadorismo e seu contraponto
Mas a hora não é dada a comemorações. O que está ruim ainda tem a chance de ficar pior. A crise profunda do neoliberalismo tem tido como efeito político a ressurreição do conservadorismo. Se os novos liberais perderam força, os conservadores tomaram muito de seu espaço. A última vez em que isso aconteceu foi após a I Guerra Mundial, com o nazismo e o fascismo.
O conservadorismo tem como bandeiras o combate aos imigrantes, o protecionismo, o militarismo e o gasto social seletivo. Quer reduzir a prestação de serviços públicos e trocá-los por cheques, “vouchers” e descontos de imposto de renda, mas não exatamente por razões privatistas. Há um duplo propósito. Torna possível financiar empresas privadas nacionais para prestar serviços públicos essenciais e fecha a porta aos imigrantes, que vivem na ilegalidade e não podem receber esses benefícios focalizados.
O conservadorismo que tem no “Tea Party”, dos EUA, seu movimento mais proeminente, é protecionista, nacionalista, militarista, xenófobo, intolerante Os neoliberais não são a fonte desses cacoetes. Seus vícios originais são outros, embora aceitem compartilhá-los, principalmente o militarismo, se isso justificar vantagens competitivas.
Neoliberais apoiam a imigração como forma de atrair talentos de qualquer parte do mundo e reduzir o custo da mão-de-obra, assim como para manter uma ampla parcela de trabalhadores apartada de direitos sociais. São a favor do direito de mulheres muçulmanas escolherem se querem ou não usar a burka, pois sua proibição desrespeita a liberdade individual. São cautelosos quanto ao militarismo, pois seus gastos são elevados. Henry Kissinger e James Baker escreveram, meses atrás, um artigo condenando a intervenção na guerra da Líbia, com base em um cálculo da relação custo-benefício para os Estados Unidos.
Na crise financeira de 2008, os neoliberais foram, em grande medida, “liquidacionistas”, como o velho Hayek pregava. Disseram que os bancos em dificuldades deveriam ser deixados à sua própria sorte e quebrarem, se preciso fosse.
Se há um contraponto político ao conservadorismo, ele ronda a América do Sul. Está pelo Brasil, Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia, Venezuela, Equador e Peru. Com defeitos, limitações, tibiezas e inúmeros problemas. Na Europa e nos Estados Unidos, os movimentos de esquerda são de uma espontaneidade sem luxemburguismo (o da Rosa, não o do Vanderley). Dependem de associações civis pouco conectadas à luta política nacional e têm um profundo descrédito pelos partidos, inclusive os de ultraesquerda, afogados em sua própria retórica e empacados em sua falta de projeto.
Antonio Lassance é pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) e professor de Ciência Política. As opiniões expressas neste artigo não refletem necessariamente opiniões do Instituto.
Leia Mais ►

Salvando a Grécia

Ninguém quer presente de grego. Você não sabe se a conta é você quem paga
No Éramos6
Leia Mais ►

Grécia - Semana de decisões 'heróicas'

Até o final de setembro, as ruínas da Antiguidade talvez despontem como a última dimensão intacta da sociedade grega. A esperança de que os ministros das finanças do euro, reunidos na Polônia neste fim de semana, pudessem redefinir a estratégia de socorro às economias falidas da UE esfumou-se.
Em rota de colisão com os apelos do próprio emissário de Obama ao encontro, Timothy Geithner, que pediu a inversão da ênfase em cortes para um programa emergencial de incentivos, a ortodoxia personificada em Angela Merkel reafirmou a doutrina da purgação: os que precisam de ajuda terão que extraí-la de seu próprio metabolismo exaurido.
Aportes de recursos prometidos pelo acordo de resgate de 160 bi de euros assinado com Atenas em 21 de julho somente desembarcarão nos cofres gregos mediante exudações adicionais de sangue, suor e lágrimas. E isso terá que acontecer nos próximos dias. Ou horas. A pressão do calendário apertou o passo. O Estado grego já não tem mais dinheiro para pagar salários e aposentadorias.
O PIB anualizado cravou uma queda superior a 7% no 2º trimestre; há 3 anos a economia grega encontra-se em recessão e caminha para um novo mergulho em 2012. O desemprego oficial tangencia os 17%. O número de suicídios saltou 40% desde o início da crise. Cidadãos desesperados se imolam em praça pública ateando fogo ao próprio corpo.
A Roche suspendeu a entrega de medicamentos para tratamento de câncer aos hospitais. Motivo: falta de pagamentos. É sobre essa montanha desordenada de desespero e falência branca que a cegueira ortodoxa exige um novo degrau de cortes e renúncias. Não há qualquer remoto vestígio de racionalidade ou coerência macroeconômica nisso.
Estamos no terreno das trevas, diria Maria da Conceição Tavares, ali onde a ganância se sustenta exclusivamente pela coerção e o aniquilamento. E Papandreu sinaliza sua adesão ao butim. Depois de atear fogo ao próprio corpo, o que mais resta à sociedade grega senão ir às ruas e reassumir o controle do seu próprio destino?
No Carta Maior
Leia Mais ►

Revolução Farroupilha: disputa entre oligarquias

Os lanceiros de cor negra foram recrutados, principalmente, entre os negros campeiros, domadores e tropeiros das charquedas. Divididos em 1º e 2º Corpo, foram decisivos em muitas batalhas da Revolução Farroupilha. A participação dos negros terminou de forma trágica em 14 NOV1844, na traição de Porongos, com o massacre dos lanceiros. Desarmados um dia antes por ordem de David Canabarro, os negros foram alvo fácil para as tropas do Império sob o comando de Francisco de Abreu, o Moringue.
A Revolução Farroupilha (ou Guerra dos Farrapos), enquanto fenômeno histórico, encontra-se situada dentro de uma relação de causalidade. Ou seja, a Revolução Farroupilha se deu em razão de determinadas causas e, da mesma forma, produziu resultados que se prestaram, em novo ciclo, como causas de outros acontecimentos futuros. E esse movimento, como qualquer movimento histórico, foi contraditório, contradição essa que impulsionou e deu contornos à sucessão de fatos que marcaram o Rio Grande do Sul.
Trato nesse espaço das principais motivações que estimularam a Revolução Farroupilha.
O primeiro reinado que surgiu por conta da independência do Brasil (1822), foi marcado por três movimentos políticos contraditórios. De um lado, estavam os portugueses que viviam no Brasil, defensores da reconolização. Um segundo grupo, responsável pela sustentação política da independência, entendia que a construção do Brasil como país independente exigia um governo central forte. Já uma terceira tendência, formada pela classe dominante agrária das províncias periféricas, sustentava uma forma de governo descentralizada (matiz liberal?), havendo uma divisão entre esse grupo: uns eram monarquistas, outros republicanos.
Foi com a instituição da regência, resultante da abdicação de Dom Pedro I, que o grupo defensor de um governo centralizado efetivamente chegou ao poder, passando a controlar o processo político. Eram latifundiários escravistas, que surfavam na onde do café, produto de exportação. Esses “barões do café” pretendiam uma monarquia unitária e centralizada, porque assim poderiam controlar a política e a economia consoante os seus interesses (com vistas à exportação de café).
Em solo sul-rio-grandense, a aristocracia agrária pós-independência, também formada por latifundiários escravistas [1], organizou a produção mediante o desenvolvimento da pecuária, voltada para a fabricação do charque [2]. Esse charque, diferentemente do café, era produzido para consumo no mercado interno brasileiro.
No âmbito político, o centralismo foi sentido desde o primeiro reinado. O presidente da Província de São Pedro do Rio Grande do Sul [3] era designado pelo governo central. Esse presidente nomeado governava segundo os ditames da aristocracia cafeeira. Aqui se produzia charque, mas o governante de plantão deveria preocupar-se com os interesses dos produtores de café.
A quebra de um mito se apresenta. É lugar comum afirmar que o descontentamento da elite sul-rio-grandense se dirigia ao governo central, uma figura abstrata, sem rosto, “maligna” por natureza. Ora, na verdade houve uma disputa entre duas oligarquias: os latifundiários sulinos do charque [4] se sentiam excluídos das decisões políticas e econômicas tomadas pelos latifundiários do café, esses últimos encastelados no poder estatal imperial. O centralismo era a forma pela qual a aristocracia do café, que comandava o Estado, mantinha o seu domínio sobre outras aristocracias periféricas.
A situação da oligarquia sulina se agravou com a privação em relação ao “gado uruguaio”. Com a independência do Uruguai e a perda da Província Cisplatina (1828), o gado uruguaio deixou de rumar para as charqueadas sul-rio-grandenses, tomando outro destino: os saladeiros platinos. Isso provocou uma crise de demanda de gado, em prejuízo da economia dos latifundiários do charque, que já havia, em nome do Império do Brasil, suportado a guerra com argentinos pela posse da Banda Oriental - e os prejuízos decorrentes desse conflito.
De acordo com a Constituição de 1824, caberia ao governo central fixar qual o percentual das vendas efetuadas pelas províncias lhe seria destinado. Dessa forma, as charqueadas acabavam por financiar a produção de café. A aristocracia periférica auxiliava, contra a sua vontade, os cafeicultores a acumular capital.
A mesma política era adotada em relação aos impostos. Suas alíquotas eram definidas de acordo com os interesses dos latifundiários do café. Exemplo clássico disso foi a cobrança de pesado imposto de importação sobre o sal, insumo fundamental para a produção do charque. Com o sal mais encarecido, o charque gaúcho acabava competindo em condições desfavoráveis em relação ao charque platino (que pagava imposto menor na alfândega, viabilizando sua importação). Com isso, a oligarquia do charque não conseguia produzir excedentes. Ora, tais medidas nada mais eram do que uma estratégia dos barões do café para manterem sua hegemonia política e econômica [5].
Outro ponto que indignava a oligarquia sul-rio-grandense estava fincado na questão militar. Embora a camada dominante sulina fornecesse seus peões (soldados), cavalos e alimentos para as pelejas fronteiriças, sustentando as guerras, os altos comandos das tropas eram exercidos por comandantes designados pelo governo central. Isso representava um desprestígio para a aristocracia local.
O poder central, diante da reação das oligarquias provinciais, fez concessões, como o Ato Adicional de 1834, permitindo às províncias constituírem o Poder Legislativo. Mas isso não foi considerado suficiente para o Rio Grande, em face da manutenção de um Presidente que não defendia os interesses dos estancieiros gaúchos.
Assim, em 1835, foi iniciada a Revolução Farroupilha, que se plasmou, na sua origem, como uma disputa política, econômica e militar entre a oligarquia sul-rio-grandense do charque e a oligarquia do café, cuja disputa principal (para os sulinos) era a ampliação do mercado interno brasileiro para o seu produto principal, o charque. Ainda almejava-se, secundariamente, a independência política em relação ao centro [6].
A separação da Província de São Pedro não era consensual entre os farroupilhas. Ora, o projeto republicano e separatista poderia colocar em risco o objetivo principal de quem sustentava a revolta (os estancieiros): vender sem barreiras a produção das charqueadas para o resto do Brasil. Uma ruptura total, como a separação do Rio Grande, poderia comprometer esse propósito. Essa contradição - de interesses econômicos e políticos - permeou o pensamento dos insurretos em boa parte da guerra (assim como o tema da substituição da mão-de-obra escrava pela assalariada) [7].
Houve momento em que a tese liberal e republicana predominou [8]. Nesse período da refrega, os revolucionários proclamaram a República Rio-Grandense [9]. A contradição entre republicanos e estancieiros não republicanos vinha se resolvendo (mesmo que precariamente) pela tese da criação de uma federação de repúblicas separadas do (que restasse do) Império, o que viabilizaria um “mercado interno” entre estados independentes, mas federados [10].
Essa visão de construção de uma federação de repúblicas, que permitisse à oligarquia do charque vender o seu produto, permitiu que a ação revolucionária fosse levada até Santa Catarina, com a proclamação da República Juliana. A perspectiva de apropriação de um porto também decorreu dessa idéia de federação.
O Império, pressentindo o “conflito do Prata” (na Argentina, confronto entre o setor rural, liderado por Rosas, e a burguesia portenha; no Uruguai, Manoel Oribe derrotava Fructuoso Rivera, com planejamento da entrega do país para a Argentina), concluiu que necessitava novamente da força militar organizada pela oligarquia sul-rio-grandense. Daí surgiram as condições para as aristocracias em conflito se apaziguarem, traindo-se com isso os ideais republicanos e separatistas. Como conseqüência do acordo (e também em decorrência do conflito cisplatino), foram gestados os pressupostos matérias e infra-estruturais para a pecuária gaúcha rumar ao seu apogeu. Mas isso é um assunto que exige abordagem própria.
***
[1] Naquele momento histórico, o modo de produção predominante no Brasil era o escravista. As relações assalariadas, que surgiram com o modo de produção capitalista, são implantadas mais adiante.
[2] A apropriação econômica da terra por parte dos estancieiros resultou da apropriação militar: em cada nova área conquistada nas pelejas fronteiriças, havia distribuição de sesmarias para a criação de gado. As clãs familiares, enriquecidas com as terras e o gado, passaram a pressionar o centro a fim de obter poder, numa estratégia que buscava a consolidação da riqueza dessa aristocracia sulina. 
[3] A Província de São Pedro do Rio Grande do Sul surgiu em 1821, ocupando o território antes pertencente à Capitania de São Pedro do Rio Grande do Sul.
[4] O movimento farroupilha ocorreu nos limites dos interesses da classe dominante pecuarista, latifundiária e escravocrata sulina. Afirmar que foi uma luta em nome (e pelos interesses) de peões e escravos é uma impostura histórica, embora esses integrantes das tropas tivessem seus anseios de liberdade.
 [5] Os estancieiros sulinos propuseram ao Império o aumento da tributação sobre a exportação de charque estrangeiro. Mas essa medida, que diminuía a concorrência entre o produto nacional e o importado, contrariava interesses dos principais compradores brasileiros - os cafeicultores, que detinham as concessões das lavras de mineração e os produtores de cana-de-açúcar. O incremento no preço do charque, insumo para alimentação dos escravos, reduziria a lucratividade, porque significava maior dispêndio com a mão-de-obra.
[6] Inegavelmente havia no movimento uma ala liberal-radical, de orientação republicana, federalista e contra a escravidão. 
[7] O Rio Grande havia sofrido diversas tentativas de criação de uma República. Têm-se as tentativas de Alexandre Luís de Queirós e Vasconcelos, que chegou a proclamar a República em três oportunidades no início do século XIX. Ainda se tem notícia da “Sedição de 1830”, que buscou substituir a Monarquia pela República em Porto Alegre.
[8] Nessa ocasião, operou a influência ideológica de italianos carbonários refugiados, como o cientista Tito Lívio Zambeccari e o jornalista Luigi Rossetti. Impossível omitir, também, a presença do revolucionário Giuseppe Garibaldi, italiano que embora não integrasse os carbonários, participou de movimentos republicanos na Itália.
 [9] Com o fim da Sabinada (Bahia) e da Revolução Liberal de 1842 (São Paulo), lideranças liberais se deslocaram para auxiliar os farrapos, trazendo consigo um reforço ideológico liberal.
 [10] Um detalhe interessante: a República Rio-Grandense não tinha apoio nas áreas colonizadas pela recente imigração alemã, que não dependia do charque.
***
Referência bibliográfica:
COSTA, Gustavo Marangoni da, Entre contrabando e iniquidades: outros aspectos da República Juliana - Laguna - 1836-1845, Florianópolis, UFSC, 2006. 
FLORES, Hilda Agnes Huber. Alemães na Guerra dos Farrapos, EDIPUCRS, Porto Alegre, 1999.
LAZZAROTTO, Danilo. História do Rio Grande do Sul. Editora Unijui, Ijui, 1998.
PESAVENTO, Sandra Jatahy. História do Rio Grande do Sul. Mercado Aberto, Porto Alegre, 1997, 8ª ed. 
PESAVENTO, Sandra Jatahy. Farrapos, liberalismo e ideologia. In: DACANAL, José Hildebrando (org): A Revolução Farroupilha: História e Interpretação. Porto Alegre, Mercado Aberto, 1997, 2ª ed. 
PICCOLO, Helga I. L., Da descolonização da República: a questão do separatismo versus federação no Rio Grande do Sul no século XIX. 
Leia Mais ►