12 de set de 2011

Sociedade médica deplora irresponsabilidade da Veja

A SBEM informa aos associados que enviou uma carta à Revista Veja em função da reportagem publicada na semana passada. O conteúdo da carta - abaixo - não foi divulgado no site da SBEM porque a diretoria está aguardando um posicionamento da revista. A diretoria da SBEM Nacional e a Comissão de Comunicação Social compartilham das providências e pedem aos associados que aguardem a publicação do conteúdo no site. Posteriormente, o texto ficará disponível para utilizar nos sites das Regionais.
À Revista Veja,
A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia vê com preocupação a reportagem “Parece Milagre!”, que estimula o uso, não autorizado pelas agências reguladoras, do medicamento liraglutida, com a finalidade exclusiva de emagrecimento. No momento, a única indicação reconhecida para este produto é o tratamento do diabetes. Estudos estão sendo realizados em relação ao seu emprego no tratamento da obesidade acompanhada de complicações, mas ainda não foram publicados os resultados do acompanhamento de um número suficiente de pacientes para que esta indicação terapêutica seja aceita. Enquanto isso não acontecer, não concordamos com a prescrição da liraglutida para perda de peso em pessoas não portadoras de diabetes.
A obesidade é uma doença crônica que pode ter graves consequências. Seu tratamento é difícil e são poucos os recursos terapêuticos disponíveis. Matérias como “Parece Milagre!” induzem a população a acreditar em uma solução mágica para este grave problema, o que não é verdade. Liraglutida é um medicamento novo e ainda serão necessários vários anos de farmacovigilância para correta avaliação de seus efeitos a longo prazo. A Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia se prontifica a assessorar os órgãos de imprensa nos assuntos referentes aos distúrbios endócrinos e metabólicos, de modo a evitar que informações sem embasamento científico sejam veiculadas à população.
Atenciosamente,
Dr. Airton Golbert
Presidente da SBEM
Dr. Ricardo Meirelles
Presidente da Comissão de Comunicação Social da SBEM
Daniel Pedrini
No Nassif
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Coletiva explica morte da Juíza Patrícia Acioli

Em coletiva realizada nesta segunda-feira, dia 12, um mês após a morte da juíza Patrícia Lourival Acioli, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, desembargador Manoel Alberto Rebêlo dos Santos, anunciou que o crime foi elucidado. No domingo, dia 11, foi decretada, no plantão judiciário do 2º NUR, a prisão temporária de três policiais militares acusados de participar do assassinato da magistrada: o tenente Daniel dos Santos Benitez Lopes e os cabos Sergio Costa Junior e Jefferson de Araujo Miranda.
“Sempre tive certeza de que tal crime não ficaria impune e que a Polícia Civil estava preparada para apurar o caso. Um fato como este não atinge apenas o magistrado, atinge um poder do Estado, atinge a própria democracia”, disse o presidente do TJRJ.
Também participaram da coletiva o secretário de Estado de Segurança, José Mariano Beltrame; o procurador-geral de Justiça, Cláudio Lopes; a chefe da Polícia Civil, delegada Martha Rocha; o delegado Felipe Ettore da Delegacia de Homicídios; o secretário de Estado chefe da Casa Civil, Régis Fichtner; o secretário-geral do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Fernando Florido Marcondes; o presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), desembargador Nelson Calandra; e o presidente da Associação dos Magistrados do Estado do Rio (Amaerj), desembargador Antônio César Siqueira, entre outras autoridades.
De acordo com o delegado Felipe Ettore, da Delegacia de Homicídios, os PMs decidiram matar a juíza porque receberam a notícia de que poderiam ser decretadas as suas prisões em um processo da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, em que eles são acusados de matar um jovem no Morro do Salgueiro, em São Gonçalo, e de tentar forjar um auto de resistência.
“Eles achavam que executando a vítima poderiam evitar a decretação da prisão. O que eles não sabiam é que no mesmo dia 11 de agosto, antes do crime, a juíza já tinha decretado a prisão dos três policiais”, declarou o delegado.
O secretário de Estado de Segurança, José Mariano Beltrame, também contou que foi determinada a apreensão de todas as armas de calibre 38 e 40 do 7º BPM (São Gonçalo). “O que nos interessa é a busca da verdade. Temos a obrigação de atuar e enfrentar um crime sério como este onde a Justiça é atingida. A resposta vai ser dada e já estamos muito bem encaminhados neste sentido”, ressaltou.
Já o procurador-geral de Justiça, Cláudio Lopes, disse que as investigações estão coletando provas muito consistentes para que o Ministério Público possa oferecer a denúncia contra os acusados. “Já temos o motivo e indícios bem fortes do envolvimento desses três policiais militares. Gostaria de parabenizar a Polícia Civil pela resposta em um prazo razoável diante de um crime que merece uma investigação mais profunda”, completou.
Fonte: TJ/RJ
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Presidenta Dilma Rousseff sanciona PLC 116/2010

A presidenta Dilma Rousseff sancionou nesta segunda-feira (12/9) o PLC 116/2010, que cria novas regras para o serviço de TV por assinatura. Foram vetados dois dispositivos. Um deles transferia do Ministério da Justiça para os programadores a definição dos critérios de classificação indicativa. O outro veto previa a possibilidade de cobrança para os serviços de atendimento telefônico ao consumidor ofertado pelas distribuidoras. As informações são da Casa Civil da Presidência da República.
Seguem, em destaque, os artigos vetados:
Art. 11. Nenhum conteúdo veiculado por meio do Serviço de Acesso Condicionado será exibido sem aviso, antes de sua apresentação, de classificação informando a natureza do conteúdo e as faixas etárias a que não se recomende.
§ 1o O Ministério da Justiça fiscalizará o disposto no caput e oficiará à Ancine e à Anatel em caso de seu descumprimento.
§ 2o A Anatel oficiará às distribuidoras sobre os canais de programação em desacordo com o disposto no caput, cabendo a elas a cessação da distribuição desses canais após o recebimento da comunicação.
§ 3º A distribuidora deverá ofertar ao assinante dispositivo eletrônico que permita o bloqueio da recepção dos conteúdos transmitidos.
§ 4º Os critérios e formas de divulgação da classificação de que trata o caput serão definidos pelas programadoras.
CAPÍTULO VIII
DOS ASSINANTES DO SERVIÇO DE ACESSO CONDICIONADO
Art. 33. São direitos do assinante do serviço de acesso condicionado, sem prejuízo do disposto na Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990 (Código de Defesa do Consumidor), e nas demais normas aplicáveis às relações de consumo e aos serviços de telecomunicações:
I – conhecer, previamente, o tipo de programação a ser exibida;
II – contratar com a distribuidora do serviço de acesso condicionado os serviços de instalação e manutenção dos equipamentos necessários à recepção dos sinais;
III – ter à sua disposição serviço de atendimento telefônico gratuito ou com tarifação local ofertado pelas distribuidoras, sendo que, durante o horário comercial, as empresas disponibilizarão aos consumidores atendimento pessoal por meio desse serviço, nas condições estabelecidas pela regulamentação;
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Mídia quer “faxina”, mas omite combate à sonegação

A grande mídia, por conveniência política, há muito tempo vem promovendo uma cruzada contra a corrupção. Um dos argumentos apresentados para colocar a corrupção no centro da luta política é o dano econômico que ela causa, especialmente às políticas e serviços públicos.
No entanto, uma comparação racional demonstra que a sonegação fiscal e o pagamento de juros representam ônus muito maiores ao País e a sua população.
Embora seja muito difícil se mensurar os prejuízos financeiros causados pela corrupção, há estimativas variadas. Segundo a Fundação Getúlio Vargas , os custos anuais gerados pela corrupção no Brasil estariam em torno de US$ 3, 5 bilhões. Para a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG), tais custos ascenderiam a cerca de R$ 10 bilhões anuais. Recentemente, a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo ( Fiesp) divulgou uma estimativa, com base na suposta redução do PIB causada pela corrupção, que coloca os custos diretos e indiretos ( investimentos não realizados) da corrupção em R$ 51 bilhões, a preços de 2011.
Entretanto, estudo feito por amostragem de empresas autuadas, uma metodologia muito mais consistente, elaborado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBTP) em 2009, com dados de 2008, estimou o custo direto da sonegação fiscal no Brasil em cerca de R$ 200 bilhões, ou 32% do orçamento, na época. Com base no orçamento de 2011, tal número ascenderia a cerca de R$ 600 bilhões.
Em relação aos juros, o Brasil teve de pagar cerca de R$ 190 bilhões, no ano passado. Se incluirmos todos os encargos financeiros da União (juros, amortizações, emissão de novos títulos, etc.) os gastos ascenderiam a cerca de R$ 460 bilhões. Observe-se que as famílias e empresas pagaram ao redor de R$ 150 bilhões em juros, somente no primeiro semestre deste ano. Parte desse dinheiro poderia ter sido direcionado para investimentos e consumo, estimulando a economia e gerando muitos empregos.
Não obstante esse prejuízo econômico-financeiro muito maior, a grande mídia não coloca em evidência a imprescindível luta contra a sonegação fiscal e as taxas de juros estratosféricas. Pelo contrário, faz campanha contra a redução dos juros e pela contração da base tributária. Devido à difundida mitologia neoliberal, empresários, ainda que corruptores e sonegadores , são apresentados como vítimas de um Estado “agigantado e ineficiente”, ao passo que políticos e funcionários públicos, mesmo quando honestos e dedicados, são mostrados como invariavelmente corruptos, a fonte de todos os males do País.
Mesmo no âmbito da luta contra a corrupção, a grande mídia só dá destaque a casos que envolvem o governo, ainda quando não representam grandes danos financeiros. Assim, a operação no Ministério do Turismo, para averiguar desvios em torno de R$ 3 milhões, mereceu imenso espaço midiático. Entretanto, outra operação da Polícia Federal, a operação Alquimia, que desbaratou uma quadrilha de empresários que fraudou os cofres públicos em mais de R$ 1 bilhão, suscitou somente pequenas notas da imprensa. Dois pesos, duas medidas.
Obviamente, a mídia conservadora também não divulga que, hoje em dia, as instituições destinadas ao combate à corrupção (Polícia Federal, Controladoria Geral da União, Ministério Publico, Procuradorias, Tribunal de Contas da União etc.) estão muito mais atuantes do que em passado recente ( alguém imaginava operações da Polícia Federal feitas diretamente em ministérios, sem o conhecimento da própria Presidenta, há dez anos atrás?). De fato, houve grande evolução, em relação ao tempo em que algumas operações da Polícia Federal eram dirigidas de dentro do Palácio do Planalto e não se investigava muita coisa, especialmente contra o governo. Porém, tal evolução, que resulta inevitavelmente no aumento do número de casos visíveis de corrupção, é apresentada distorcidamente como uma grave deterioração do quadro da corrupção no País.
Assim, o neoudenismo que tomou conta do Brasil alimenta-se de oportunismo político e informações distorcidas e falsas. A tentativa canhestra de impor à Presidenta a “faxina” da Esplanada esconde da população que a luta perene contra a corrupção tem de ser feita essencialmente por instituições independentes de controle e pelo aumento da transparência. Ocultam-se da população também as informações, facilmente comprováveis, sobre o fortalecimento dessas instituições e a promoção da transparência que vêm ocorrendo no governo Lula/Dilma. Outro dado que não é mostrado à população tange à relação simbiótica que há entre sonegação e corrupção.
Não se pode deixar que a luta contra corrupção seja uma bandeira desse Tea Party (uma referência aos ultraconservadores republicanos dos EUA) brasileiro. É preciso mostrar os dados reais sobre o combate à corrupção no País e de que maneira esse fenômeno está associado à forma como o capitalismo se desenvolveu no país. Isso a grande imprensa e a oposição jamais farão.
Marcelo Zero é assessor técnico da Liderança do PT no Senado e sociólogo, mas que pede que não esqueçam o que escreve.
No PT no Senado
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O jornalismo, a corrupção e o PT

Uma narrativa recorrente em certos ambientes, e reproduzida à exaustão em não poucos veículos de comunicação, aponta a ascensão do Partido dos Trabalhadores a cargos de mando no país como o ponto inicial da corrupção no país. Tudo se passa como se tivéssemos vivido, até 2002, em uma ilha de administradores probos e políticos campeões da moralidade pública.
O estabelecimento de uma relação direta entre a ascensão do PT a postos de governos e a entronização da corrupção como pauta primeira da preocupação nacional é mais do que uma embromação histórica. E é também algo mais do que mera luta política, como apreendem, equivocadamente, os petistas. No curto prazo, é a única forma de garantir visibilidade pública para quem já não tem como garanti-la através da elaboração de alternativas políticas e econômicas para o país. Mas, e aí tocamos no que é fundamental: o apelo moralista contra a corrupção supostamente desencadeada pelo petismo (antes, por suposto, essa era uma prática inexistente no país) é a trilha mais fácil a ser seguida por setores jornalísticos que perderam a condição de mediadores culturais privilegiados no país.
O jornal Folha de São Paulo é a melhor expressão dessa derrocada cultural da imprensa brasileira. Antes, ponto de apoio para um jornalismo que expressava uma reflexão criativa da vida política nacional, o jornal paulista foi se deixando encurralar nesse triste e patético lugar social de um jornalismo que, sob a decoração modernosa, não se diferencia muito das "críticas" moralistas proferidas em programas popularescos de TV. Não fossem as referências esparsas a um ou outro pensador legitimado no mundo acadêmico, que distância existiria entre alguns dos textos produzidos pelos colunistas do jornal e os discursos do Pastor Malafaia?
Ora, não é o petismo o responsável pela sua ascensão da corrupção ao topo da pauta do jornalismo pátrio. Uma de suas causas está na própria configuração atual da atividade política. Dado que a midiatização da atividade é a via quase única para o resgate de alguma legitimidade, os políticos se tornaram prisioneiros da "imprensa". Tanto é assim que não poucos dentre eles atuam e se pensam como celebridades. Que todos os principais legislativos tenham criado as suas próprias emissoras de rádio e tv, essa outra expressão da irresistível força da visibilidade midiática sobre a atividade política.
Paradoxalmente, maior visibilidade e pouca diferenciação no que diz respeito a propostas substantivas contribuíram para que a busca da distinção tivesse como referentes quase exclusivos a moral e a estética. Some-se a isso o cansaço geral para com as tarefas necessárias para o fermento da esfera pública e o que emerge? Uma forma de se "fazer política" (e jornalismo diário) que tem na denúncia do governo de plantão a sua única razão de ser.
Se um ator com veleidades de patrocinador de reformas sociais e econômicas ocupa um posto de governo, aí então estão dadas as condições para o cerco moralista ao "poder". Não há muita novidade nisso, é bom que se frise. Repete-se no Brasil nestes últimos anos, com todas as tinturas de mais uma farsa tropical, o que ocorreu na Espanha na segunda metade da década de 1980. Quando da primeira ascensão do PSOE ao governo. Naquele tempo, determinado jornal espanhol conseguiu pespegar no partido do então Primeiro-Ministro Felipe Gonzalez a marca da corrupção. Com isso, pavimentou o caminho para a ascensão do direitista PP. Lá, como cá, a direita encontrou no moralismo a forma de aparecer na vida política. Que setores supostamente críticos tenham incorporado essa pauta nestas plagas, eis aí uma confirmação da assertiva definitiva de Lévi-Strauss: "os trópicos são menos exóticos do que démodés".
Exemplar do que apontei mais acima é uma coluna de autoria do jornalista Fernando Barros e Silva, publicada no sábado passado no jornal Folha de São Paulo. Encimada pelo título "Toninho do PT, 10 anos depois", a coluna consegue ser surpreendente, mas não exatamente pela argúcia analítica. Poucas vezes se leu em um grande jornal algo tão irresponsável e leviano. Tendo o assassinato de Toninho, então Prefeito de Campinas pelo PT, em 2001, como mote do texto, o jornalista lança insinuações sobre quem seria o verdadeiro responsável pela morte do saudoso político campineiro. E conclui atirando no seu alvo preferido: "Não sabemos ainda a resposta. Mas sabemos quem matou a honestidade quando chegou no poder em Campinas, em Santo André, no país".
Parafraseemos o colunista. Qual o futuro de um jornalismo que, desacreditado no seu papel de mediador cultural, vai se reduzindo à condição de pregador moralista? Também não sabemos a resposta. Mas sabemos quem matou a objetividade analítica no jornalismo paulista.
Edmilson Lopes Júnior é professor de sociologia na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
No Terra Magazine
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Se não é ilegal, é imoral, Senador tucano!



Siga @senadorFlexa, (Flexa Ribeiro - PSDB-PA), dê RT e concorra a um par de ingressos para o Superclássico das Américas no Mangueirão! Regras aqui: http://kingo.to/Oq8
É a promoção que o "nobre" senador tucano Flexa Ribeiro está fazendo twitter.
Muito bem! Governo do Estado gasta uma grana pra trazer esse jogo pra cá, alimenta os cofres do Ricardo Teixeira e o senador amigo do governador ainda quer barganhar uns amiguinhos virtuais...!!
Era só o que faltava, viu!
A pergunta é: se ele compra seguidores no twitter, o que faz com eleitores em véspera de eleição?
No FaloPorqueTenhoBoca
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Ariano Suassuna revela detalhes de sua obra

O livro da vida de Ariano Suassuna está próximo de cumprir um doloroso roteiro de avanços e recuos ao longo de mais de três décadas de trabalho intenso. Escrito à mão e depois passado para a máquina e para o computador capítulo a capítulo, o livro levou o escritor a rejeitar muitas de suas versões, desde as primeiras, ainda na década de 1980, como se perseguisse a perfeição. Mas agora, ele mesmo confessa, em entrevista exclusiva ao Correio, que não há mais tempo para prorrogar os prazos que deu a si mesmo para encerrar a obra. “Já anunciei tanto que vou publicar em tal dia e em tal ano que daqui a pouco ninguém mais vai acreditar em mim”, disse, bem-humorado, na residência de Casa Forte, no Recife, no começo da semana passada. “Este vai ser o livro da minha vida e quero dar o máximo de mim.” A obra reúne o teatro, a poesia e a narrativa de ficção do autor de A pena e a lei.
Ariano — que divide o tempo entre o cargo de secretário de Cultura de Pernambuco e a feitura do livro —, mantém a aparência frágil no corpo alto e magro que a idade confere a todos, mas, aos 84 anos, completados em junho, guarda uma reserva de energia de fazer inveja a muitos jovens. Escreve diariamente envolto em um ritual de silêncio e prece, caminha, deita-se, senta-se na cadeira próxima a uma velha mesa de madeira em um dos quartos da casa, cuja entrada sempre foi vedada a jornalistas e fotógrafos, e avisa que abriu uma exceção, mas não se pode mexer em nada. Há pilhas e mais pilhas de manuscritos em volta do escritor e quando ele apruma a caligrafia de sua alma sertaneja e posa para as fotos, a impressão que dá é a de que recupera o estado de graça da abstração literária que o gesto de escrever confere ao criador. O verbo adormecido na memória estala no silêncio das pedras do sertão que o converteram no homem e no escritor que é: fiel a Deus, ao sonho e à palavra.
Neste novo livro o leitor vai se deparar com a leitura do mar de Ariano, além do sertão, com o brilho da memória incendiada por dores e risos. É o espaço onde ele resgata também o som das rabecas e dos pífanos, o estribilho dos galopes do passado e onde imprime as marcas de um cordel iluminado pelas lembranças da infância — muitas delas amargas e impossíveis de serem sublimadas até mesmo pela força da literatura. “Você sabe que passei a minha vida sofrendo, mas sou um homem da esperança”. Suassuna parece estar em paz consigo mesmo e com o mundo que o desafiou com a treva e a luz, a um só tempo. Parece estar mais tranquilo, aliviado por ter perdoado os assassinos de seu pai, João Suassuna, morto a tiros em 1929, e por saber que está perto do ponto final na obra ainda sem nome, mas que deve ser publicada em 2012 pela Editora José Olympio.
Juventude
Nesta entrevista ele conta por que interrompeu a segunda parte de A pedra do reino, diz que este livro é um segredo entre ele, as pedras sertanejas e Deus, onde Quaderna volta para decifrar o grande enigma da vida. “Esse enigma é o desconhecido, a vida, a morte, a injustiça social, o sofrimento e tudo isso só será revelado depois da morte. Eu acredito nisso”. Ele afirma que uma das fontes que o move à crença no Brasil e na sua cultura é a juventude. Ele está empolgado com a volta das aulas-espetáculos e com a interiorização dos eventos no estado de Pernambuco. “Já fiz 64 cidades e aonde eu chego vibro com a presença dos jovens”.
Na próxima quarta-feira, dia 14, o poeta, romancista e dramaturgo Ariano Suassuna estará em Brasília para reeditar mais uma aula, desta vez em homenagem aos servidores de o Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas (Ipea). Em outro momento, ainda em setembro, será a vez do Supremo Tribunal Federal (STF) conhecer um pouco da força, do riso e da fantasia que leva Suassuna a ser um homem da esperança e da confiança na união do país por meio do sonho, da beleza, da verdade e da justiça social.
A obra, a pedra e o enigma
Depois de anunciar diversas vezes a data de lançamento de seu novo livro e em seguida recuar, o escritor paraibano Ariano Suassuna, 84 anos, resolveu fazer um acordo com a editora José Olympio e parar de falar sobre o ponto final de uma obra que considera o livro de sua vida. Em entrevista ao Correio, Suassuna confessa que tem de terminar logo a narrativa a qual está consumindo, de forma interminável, mais de 30 anos de sua existência. “Não tenho mais nem idade para escrever, este é o plano literário de minha vida, o último livro.” Apesar da insistência no diálogo das datas, ao longo da entrevista, em sua casa, no Recife, Suassuna deixou escapar apenas que publicará a obra até o fim de 2012. Um livro que funde romance, poesia e teatro, música, cordel e artes plásticas, como se agora o sonho de Quaderna, de passar a limpo a sua vida e a sua tentativa de reconstruir o país e o sertão, por meio do sonho e da fantasia, virasse verdade. Como se a obra circulasse agora entre o sertão e o mar, e vice-versa, e reunisse erros e revisões em prosa e verso, sobre a interpretação do Brasil, a religião, a realidade e o sentido da ficção. Entre outras revelações, o autor de farsa da boa preguiça, revela, pela primeira vez a um veículo de jornalismo, que conseguiu, enfim, perdoar os assassinos de seu pai, João Suassuna, ex-governador da Paraíba, morto a tiros por adversários políticos, em 1929. “Foi difícil, mas consegui. Se eles estão no inferno e se dependessem de uma decisão minha, eles saem agora”. Para Suassuna, o Brasil melhorou, em termos de indicadores sociais, mas a reforma moral e ética na política ainda vai demorar.
Ariano, gostaria de começar falando sobre O rei degolado, a segunda parte de A pedra do reino, projeto que o senhor deixou inconcluso e que agora pretende retomar com o novo livro. Por que interrompeu o romance tão repentinamente?
É que, lá pela década de 50 do século passado, eu resolvi escrever um livro sobre meu pai (João Urbano Pessoa de Vasconcelos Suassuna, que foi presidente da Paraíba de 1924 a 1928) chamado A vida do presidente Suassuna, cavaleiro sertanejo, mas a carga de sofrimento foi muito grande e eu desisti. Foi quando, em 1958, comecei a tomar as notas daquilo que seria, depois, O romance da pedra do reino. Bom, eu escrevo mais de uma versão das coisas, como você sabe, e uma delas eu dei a Germana, minha irmã, para ler. Aí ela disse: ‘Ariano, você notou que a morte do padrinho de Quaderna (em A pedra do reino) é a morte de João Dantas?’. Eu não tinha percebido e então eu vi que estava escrevendo uma coisa muito autobiográfica. Depois que ela chamou a atenção para isso, na versão seguinte eu acentuei um pouco esse tom, mesmo sem notar. Não que os Quadernas sejam os Suassunas ou que os Garcias-Barreto sejam os Dantas-Villar, porque são recriações ficcionais e caricaturais das duas famílias. Inclusive, meu bisavô era um homem violento, como o próprio avô de Quaderna era (dom Pedro Sebastião Quaderna). Bom, então eu terminei A pedra do reino e comecei a escrever O rei degolado, mas, eu percebi que aquilo que existia de autobiográfico se acentuou tanto, em minha opinião, que passou da medida, sabe?
Por quê?
Se prestar a atenção, o Quaderna que está em O rei degolado é um Quaderna completamente diferente do Quaderna de A pedra do reino...
É um Quaderna mais trágico, mais sofrido.
Exatamente. Mas aí quem estava falando não era mais Quaderna, era Ariano, entendeu? Por isso eu desisti. Parei com O rei degolado porque não era mais Quaderna que falava, era Ariano. Eu cheguei a escrever duas partes, além dessa, que foram publicadas em folhetins, no Diario de Pernambuco. A primeira é Ao sol da Onça Caetana e a segunda chama-se As infâncias de Quaderna. Mas vou recuperar tudo nesse romance inacabado.
Quando é que o senhor, finalmente, vai publicar esse livro?
Rapaz, eu já respondi isso tantas vezes que eu fico meio sem jeito, não sabe? Daqui a pouco ninguém acredita mais nesse livro (risos). Por isso mesmo não tenho mais a menor confiança em datas e não vou mais anunciar quando vou publicar.
Por que essa demora?
Você sabe que eu tenho um espírito muito exigente. Então, eu quero terminar esse livro de uma maneira que eu tenha dado o máximo de mim. Porque eu não tenho mais nem idade mais para continuar escrevendo. Esse é o livro da minha vida e é o meu último. Então eu só publico quando eu estiver completamente convicto de que eu dei o máximo de mim. Quem quiser ler que espere.
Já está com mais de mil páginas?
Olhe, eu não posso lhe falar, não. Depois desses anúncios todos, eu prometi à minha editora (José Olympio) que não ia falar mais nada. Vou repetir apenas o que já disse: o livro é a reunião de toda a minha obra, uma revisão de tudo o que fiz. Porque uma coisa que sempre me incomodou é que eu sou mais conhecido como dramaturgo, menos como romancista e completamente desconhecido como poeta. Em minha opinião, contudo, a minha poesia é a matriz criadora de tudo que escrevi.
Vamos falar agora sobre o sertão: por onde a gente passa não se vê por lá mais vaqueiros a cavalo, eles agora só andam de moto. Como vê essa transformação?
Olhe, eu acho que é uma coisa inevitável e é comum. Pois o homem sertanejo que anda de moto é o mesmo que andava e anda de cavalo em algum lugar. O ser humano é o mesmo, embora haja uma transformação evidente. Se o meu sertão pintado nos meus romances, peças teatrais e poesia é um sertão bruto, despojado e pobre, é exatamente por isso que ele é um reino. É exatamente isso que me dá coragem para enfrentar as coisas e lutar para que a pobreza e a miséria não continuem a castigar esse sertão. Os heróis da minha epopeia serão sempre estes da terra pedregosa, crestada pelo sol e enriquecida pela força humana de lá. O sertão sempre será, para mim, um território sagrado e todos que pisarem nele terão que respeitá-lo como um lugar sagrado.
Mas será que o sertão mítico e encantado de Suassuna só vai existir agora na ficção, na poesia e na memória?
Mas isso não é suficiente? Se não for, eu vou tentar fazer o meu sertão do meu jeito, certo? Se o que eu escrever prestar, fica. Do mesmo jeito que a gente lê Dostoiévski (não estou me comparando a ele, não, mas somente me colocando na mesma linhagem) pensando na Rússia de seu tempo. Porque Dostoiévski é profundamente ligado à sua geografia, à sua cultura, assim como Tolstói, como Gogol. Eles só poderiam escrever o que escreveram lá na Rússia. O Dom Quixote só poderia ser escrito na Espanha de Cervantes. Mas a Espanha de Cervantes não é a de hoje mais não. Dom Quixote, pelo menos, ficou e fixou a Espanha do tempo dele. Proust trata disso muito bem nos livros de Em busca do tempo perdido. Ele sente o passar do tempo, ele sente o tempo modificando inapelavelmente aquilo que ele conheceu menino, mas ele diz: ‘Eu consegui me segurar nesse tempo’; é tanto que o último volume se chama O tempo recuperado. Os seis primeiros são Em busca do tempo perdido. Se eu conseguir fazer uma obra de qualidade, mostrando que o que está nela era e é o sertão, o meu sertão, então eu fiz o que estava ao meu alcance.
O problema que vejo em relação ao sertão de hoje é o mesmo da cidade, com a desvalorização cultural. O senhor não acha que isso empobrece a terra e representa uma espécie de falência dos valores?
Mas isso é a passagem do tempo. Isso é apenas uma mudança e eu não acredito na noção de progresso em arte. Antigamente o pessoal achava que um pintor do século 18 era necessariamente melhor do que um pintor do século 13. Ora, se a pessoa fizer uma boa obra, ela vai ser contemporânea eterna de todas as gerações. Não existe progresso em arte, existe mudança. Agora, não acho que nenhum progresso tecnológico, ou econômico, modificou nem vai modificar a essência do ser humano no sertão ou na cidade. O que interessa é fazer uma obra boa, mesmo que esse sertão mude.
A ideia central de A pedra do reino é um sertão “terrivelmente belo”, como diz Quaderna. Esse contraste entre o terrível e o belo é explorado exaustivamente em tudo o que o senhor escreveu e isso serve para a própria vida que, segundo o mesmo Quaderna, é um jogo perdido. Ainda pensa assim?
Quando eu me expresso assim sobre o sertão, estou pensando em Plotino (pensador egípcio, autor de As Enéadas, nascido provavelmente em 270, d.C.) que interpretou o sentido da beleza como sendo a intensificação do ser e da verdade. Ele afirma que “a beleza é os seres em máximo de ser” e eu carreguei isso para dentro de minha ideia de sertão. Por isso Quaderna afirma que o sertão é a mais verdadeira das coisas, e, por isso, terrivelmente belo, de uma beleza convulsa, ás vezes destruidora e mortal, mas uma beleza viva e do bem.
Há mais de 20 anos, numa entrevista de 1987, o senhor estava decepcionado com a classe política brasileira. Mudou de opinião?
Eu acho que melhorou muito, embora as mudanças morais da humanidade sejam lentas, é um processo tudo isso. Vejo que a distância que separa os privilegiados dos despossuídos no Brasil não está resolvido, é claro, mas está muito menor. No governo Lula, a gente atingiu o índice mais baixo de pessoas submetidas à miséria, que era 35%, quando ele assumiu. Hoje, está em 18%, o que ainda é um horror. Mas nunca na história brasileira houve uma redução da miséria como essa. Então, eu ainda tenho esperança.
Mas nesses casos de corrupção, de ética política, o senhor acha que mudou também?
Como eu disse, as mudanças sociais e políticas são lentas. Pois, normalmente, nós temos uma tendência a identificar o tempo histórico com o tempo da nossa biografia. A mudança moral, principalmente, o progresso moral e político da humanidade não mudam na velocidade que nós queremos. Vou lhe dar um exemplo: entre os grandes generais da antiguidade, Júlio César era considerado um sujeito altamente generoso e magnânimo porque, no tempo dele, os generais, quando tomavam uma cidade, cortavam as duas mãos de todos os homens válidos para que eles não pegassem em armas novamente. Júlio César só cortava uma e com isso foi considerado um sujeito generosíssimo (risos). Mas foi o Cristo que mudou isso quando ele disse que somos todos irmãos, filhos do mesmo Deus. Então, já se passaram dois mil anos e quando chegamos ao século 20, aparecem um Hitler, que matou 6 milhões de judeus, e um Stalin, que fuzilou 10 milhões de pessoas. Mas é isso, a evolução da humanidade é lenta por natureza. Então eu acho que o Brasil do jeito que está hoje, está melhor, sim.
Notei na releitura de O rei degolado que o senhor, de certa forma, faz uma crítica aos conceitos de Euclides da Cunha em relação ao sertanejo, quando Quaderna afirma que, “na maior parte dos casos, o perdão do sertanejo é quase sempre falta de coragem para a vingança...”
Não, não, na verdade ele se rebela, é mais uma maneira de dizer que ele, assim como o autor, tem horror à hipocrisia. Veja que ele disse “na maior parte dos casos”. Você sabe dos problemas que vivi e passei a vida toda sofrendo com isso. Mas eu me declaro um cristão, sou filho do Cristo e sei que Cristo manda que a gente perdoe os inimigos.
O senhor perdoou os assassinos de seu pai?
Olhe, na minha visão atual eu teria de perdoar os assassinos de meu pai, mas isso não é fácil, não (pausa)... É muito difícil, entende? Inclusive, você pode ver, no Auto da Compadecida, a vingança está transmutada, mas ela está lá. No entanto, quando eu tinha mais ou menos 80 anos, eu pensei o seguinte: eu não acredito na eternidade do inferno. Eu acredito no inferno, mas não na sua eternidade. Porque se houvesse inferno absoluto e eterno, o demônio seria tão poderoso quanto Cristo. A redenção de Cristo não seria total, e eu acho que ela foi. Acho que no fim das contas, até o demônio será perdoado. Então, você tem a saída do inferno para o purgatório e do purgatório para o céu. Acho que não pode haver punição total e absoluta, senão seria o demônio igual a Deus. E absoluto mesmo só existe Deus, ao menos para mim.
É um homem do perdão, é isso?
Sim. Quando eu completei 80 anos, como eu disse, eu me fiz uma pergunta sobre os assassinos do meu pai (João Suassuna foi morto a tiros no Rio de Janeiro quando Ariano tinha 4 anos) e concluí que, se eles estão no inferno, a essa altura, e se depender de uma decisão minha, eles saem hoje mesmo (com emoção).
O senhor se sentiu melhor com isso?
Muito melhor.
Essa atitude tem muito a ver com o que a sua mãe (dona Rita de Cássia) defendia e tentou passar para o senhor e seus irmão: o sentido da não vingança...
Foi exatamente isso. Mas, ela mesma, um dia, quando já tinha passado dos 90 anos, chegou junto de mim e disse: “Meu filho, eu consegui perdoar os assassinos de seu pai”. Veja bem, conseguiu isso aos 92 anos. E eu fui influenciado por ela, sim. No fim, chegamos à conclusão de que a vingança é um sentimento menor, negativo, e se você se apegar a ela, se iguala ao outro.
Voltando a Quaderna e Suassuna, esse choque entre autor e personagem é sempre inevitável. O senhor disse uma vez que Quaderna era um personagem secundário em A pedra do reino, mas que ele insistiu tanto em ser o personagem principal, que acabou conseguindo...
É verdade, é verdade, ele me venceu (risos).
Quaderna diz em uma das partes de O rei degolado que a história que ele narra é apenas um esboço, como se estivesse antecipando esse livro que o senhor está fazendo, e que um dia o sonho vai unir o país. Esse dia ainda está muito distante?
Sim, está, e não sei se esse sonho vai unir o país e a humanidade, mas a ideia é essa. A história humana é uma caminhada ao absoluto; é lenta e passa por muitos percalços.
O senhor acha que esse livro sai dentro de alguns meses?
Olhe, eu acho que para o ano ele sai. Eu acho que agora ele sai.
Um dos sonhos de Quaderna é descobrir, dentro de As pedras do reino, em Belmonte (PE), o grande segredo. Que segredo é esse?
É o segredo da vida, o enigma do mundo e da vida, que é feito do que a gente ignora, do desconhecido, do injusto, porque tudo na vida é um nó. Eu já disse em um soneto que só depois da morte eu saberei o segredo que me persegue, porque o laço do destino não houve quem desatasse. Para mim, então, é esse nó de agonia uma só busca, embora não haja uma clarificação completa desse segredo. Mas é isso, porque solução não tem, não. E eu acho que esse conhecimento (do enigma, do sentido da vida) a gente só vai ter depois da morte com a união com Deus. Porque a vida não tem sentido nenhum, do ponto de vista humano. Por isso que foi necessária a vinda do Cristo.
Por quê?
Porque ele, sendo filho de Deus, nos abriu o caminho. A questão é que a humanidade é um ser em processo. Um ser em caminho, em direção ao absoluto e esse caminho quem abriu foi o Cristo.
O que o levou a modificar tanto esse livro?
Nele, pela primeira vez, eu consigo juntar meu romance, meu teatro e minha poesia. Então, é o livro da minha vida. Estou passando a limpo tudo o que eu fiz, tudo o que vivi e o que pensei.
No Correio Braziliense
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Codex Alimentarius — Controle Populacional Sob o Disfarce de Proteção ao Consumidor

O Codex Alimentarius (uma expressão latina que significa Código Alimentar) é uma organização muito malcompreendida sobre a qual a maioria das pessoas (incluindo quase todos os congressistas) nunca ouviu falar, e muito menos compreende a verdadeira realidade dessa organização de comércio extremamente poderosa. A partir de seu próprio sítio na Internet, em http://www.codexalimentarius.net, o propósito altruísta da comissão é “proteger a saúde dos consumidores, garantir práticas justas no comércio de alimentos e promover a coordenação de todas as normas alimentares seguidas pelas organizações governamentais e não-governamentais internacionais.” O Codex é um empreendimento controlado de forma conjunta por duas agências da ONU: a FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura) e a OMS (Organização Mundial da Saúde).
Um Breve Histórico do Codex
A história do Codex teve início em 1893, quando o império austro-húngaro decidiu que precisava de um conjunto específico de diretrizes para que os tribunais julgassem os casos relacionados com alimentos. [1]. Esse conjunto regulatório de determinações tornou-se conhecido como Codex Alimentarius e foi implementado eficazmente até a queda do império em 1918. Em uma reunião da Organização das Nações Unidas (ONU) de 1962, decidiu-se que o Codex deveria ser reimplementado em todo o mundo de modo a proteger a saúde dos consumidores. Dois terços do financiamento para o Codex vêm da FAO, e um terço da OMS.
Em 2002, a FAO e a OMS tiveram sérias preocupações a respeito da direção do Codex e contrataram uma consultoria externa para determinar seu desempenho desde 1962 e para designar que direção a organização de comércio deveria seguir. [2] A firma de consultoria concluiu que o Codex deveria ser imediatamente descartado e eliminado. Foi neste momento que as grandes indústrias perceberam o pleno potencial monetário dessa organização e exerceram sua influência poderosa. O resultado atualizado foi um relatório com linguagem amenizada que propunha que o Codex tratasse de 20 preocupações diversas dentro da organização.
Desde 2002, a Comissão do Codex Alimentarius cedeu secretamente seu papel como uma organização pública internacional para a proteção da saúde e do consumidor. Sob a direção das grandes indústrias, o único propósito sub-reptício do novo código é aumentar os lucros para os rolos compressores empresariais globais e, ao mesmo tempo, controlar o mundo por meio dos alimentos. A compreensão implícita da nova filosofia é que se você controla os alimentos, então consegue controlar o mundo.
O Codex Agora
Os EUA são o país mais dominante que está por trás da agenda do Codex e seu único propósito é beneficiar os interesses multinacionais, como as grandes companhias farmacêuticas, o grande agronegócio, as grandes indústrias químicas, etc. No último encontro em Genebra, Suíça, os EUA assumiram a presidência do Codex, o que facilitará uma exacerbação da distorção da liberdade para a saúde e dará continuidade à promulgação de desinformações e mentiras sobre os organismos geneticamente modificados (transgênicos) e nutrientes, ao mesmo tempo que cumpre a agenda tácita do controle populacional. A razão por que os EUA continuam a dominar o Codex é porque outros países acreditam, equivocadamente, que esse país possua as tecnologias mais modernas e de maior segurança no que se refere aos alimentos, de modo que tudo o que os EUA pedem, seus aliados (União Europeia, Argentina, Brasil, Canadá, México, Austrália, Malásia, Indonesia, Japão e Cingapura) quase sempre seguirão.
Muitos dos países que desejam participar e expressar suas opiniões não recebem a permissão para comparecer às reuniões do Codex, pois os EUA negam a maior parte dos vistos para esses representantes sempre que acharem apropriado. Muitos desses países (África do Sul, Suazilândia, Quênia, Gana, Egito, Camarões, Sudão e Nigéria) percebem que o Codex foi alterado e deixou de ser uma organização benevolente e voltada para a produção de alimentos, para se transformar em uma organização fraudulenta, letal e ilegítima. O fato de as reuniões do Codex serem realizadas em todo o mundo também não é acidente e permite que os EUA mantenham seu controle rígido sobre a agenda do Codex, pois os países menos economicamente viáveis não conseguem comparecer.
A Verdadeira Ameaça
Enquanto a agenda esotérica da mídia está ocupada levando o medo aos corações das pessoas em todo o mundo, enfocando o terrorismo, o aquecimento global, a salmonelose e a escassez de alimentos, as ameaças reais estão clandestinamente se tornando realidade. Em breve, tudo aquilo que você põe na boca (com a exceção dos remédios, é claro), será regulamentado pelo Codex Alimentarius, inclusive a água. As normas do Codex são uma total afronta às liberdades para comer alimentos puros e saudáveis, e não têm validade jurídica internacional. Por que devemos nos preocupar? Essas normas, que logo se tornarão obrigatórias, se aplicarão a todos os países-membros da Organização Mundial do Comércio (OMC). Os países que não seguirem as normas poderão sofrer pesadas sanções comerciais. Algumas normas do Codex que entrarão em vigor a partir de 31 de dezembro de 2009 e que, depois de iniciadas, se tornarão completamente irrevogáveis, incluem as seguintes [2]:
  • Todos os nutrientes (vitaminas e minerais) serão considerados toxinas/venenos e deverão ser removidos de todos os alimentos, pois o Codex proíbe o uso de nutrientes para “prevenir, tratar ou curar qualquer condição ou doença”.
  • Todos os alimentos (inclusive os orgânicos) deverão ser irradiados, removendo todos os nutrientes tóxicos dos alimentos (a não ser que consumidos localmente e crus).
  • Os nutrientes permitidos estarão limitados a uma Lista Positiva, criada pelo Codex, que inclui nutrientes “benéficos”, como o flúor (3.8 mg diárias) que é obtido a partir do refugo ambiental. Todos os outros nutrientes estarão proibidos em todos os países que aderirem ao Codex. [2].
  • Todos os nutrientes (por exemplo, CoQ10, Vitaminas A, B, C, D, zinco e magnésio) que têm algum impacto positivo na saúde serão considerados ilegais pelo Codex e deverão ser reduzidos a quantidades desprezíveis para a saúde humana. [3].
  • Você não conseguirá obter esses nutrientes em parte alguma do mundo, nem mesmo com uma receita médica.
  • Todas as orientações sobre nutrição (incluindo aquelas escritas e enviadas pela Internet, matérias de jornais ou conselhos orais dados a uma pessoa amiga, membro da família, ou qualquer pessoa) serão ilegais. Isto inclui as reportagens do NaturalNews sobre vitaminas e minerais, e todas as consultas com os nutricionistas.
  • Todas as vacas produtoras de leite serão tratadas com o hormônio recombinante do crescimento bovino, fabricado pela Monsanto.
  • Todos os animais usados para a produção de alimentos serão tratados com antibióticos potentes e hormônios do crescimento exógeno.
  • Haverá a reintrodução dos pesticidas organo-persistentes, que são cancerígenos e mortais, e que foram banidos em 1991 por 176 países em todo o mundo (inclusive pelos EUA), incluindo 7 dos 12 considerados como os piores pela Convenção de Estocolmo Sobre Pesticidas Organo-Persistentes (por exemplo, o hexaclorobenzeno, o toxafeno e o aldrin). Esses pesticidas serão permitidos novamente nas plantações e em níveis elevados. [4].
  • Serão permitidos níveis tóxicos e perigosos (0.5 ppb) de aflotoxina no leite produzido devido à presença de mofo no alimento dos animais. A aflotoxina é o segundo composto cancerígeno mais potente conhecido (excetuando a radiação).
  • Uso compulsório dos hormônios de crescimento e dos antibióticos em todos os rebanhos e também na criação de peixes.
  • Implementação em escala mundial dos alimentos geneticamente modificados (transgênicos) e sem a necessidade de especificar essa origem no rótulo dos produtos, nas plantações, animais, peixes e nas árvores.
  • Níveis elevados de resíduo dos pesticidas e inseticidas que são tóxicos ao homem e aos animais.
Alguns exemplos dos níveis de segurança potenciais permitidos pelo Codex incluem [2]:
  • Niacina — limite máximo de 34 mcg diárias (a dose diária eficaz é de 2000 a 3000 mcgs).
  • Vitamina C — limite máximo de 65 a 225 mcg diárias (a dose diária eficaz é de 6000 a 10000 mcgs).
  • Vitamina D — limite máximo de 5 microgramas diárias (a dose diária eficaz é de 6000 a 10000 microgramas).
  • Vitamina E — limite máximo de 15 IU de alfa tocoferol somente por dia, embora o alfa tocoferol sozinho já tenha sido implicado em danos às células e seja tóxico para o organismo (dosagem diária de tocoferóis mistos incluem de 10000 a 12000 IU).
A Porta Está Aberta Para o Codex
Em 1995, a FDA (Food and Drug Administration), dos EUA, criou uma política ilegal determinando que as normas internacionais (isto é, o Codex) suplantassem as leis americanas sobre os alimentos, mesmo se essas normas estivessem incompletas. [5] Além disso, em 2004, o governo fez aprovar o Acordo de Livre Comércio com a América Central (chamado de CAFTA), que é ilegal sob as leis americanas, porém é juridicamente legal sob as leis internacionais, e requer que os EUA se conformem ao Codex em dezembro de 2009. [6].
Depois que essas normas forem adotadas, não haverá meios possíveis de retornar às normas do passado. Uma vez que a aderência ao Codex inicie em qualquer área, enquanto o país permanecer membro da Organização Mundial do Comércio, o Codex será totalmente irrevogável. Essas normas se tornam então impossíveis de serem rejeitadas, modificadas ou alteradas de qualquer forma. [1, 2 e 7].
Controle populacional em troca de dinheiro é o modo mais fácil de descrever o novo Codex, que é administrado pelos EUA e controlado pelas grandes indústrias químicas e farmacêuticas de modo a reduzir a população para um nível sustentável de 500 milhões — uma redução de aproximadamente 93% do nível atual. A FAO e a OMS têm a audácia de estimar que apenas com a introdução da nova diretriz sobre vitaminas e minerais, haverá pelo menos 3 bilhões de mortes (1 bilhão de fome e mais 2 bilhões de doenças degenerativas e evitáveis por causa da má nutrição, como por exemplo, o câncer, doenças cardiovasculares e diabetes).
Alimentos empobrecidos, desmineralizados, carregados de pesticidas e irradiados são o modo mais rápido e eficiente de provocar um surto lucrativo de desnutrição e das doenças degenerativas e evitáveis, para as quais o curso de ação mais apropriado será sempre os produtos farmacêuticos. Lucrar com a morte é o novo nome do jogo. As grandes companhias farmacêuticas estavam aguardando esta oportunidade há anos.
Luta e Reação
A Dra. Rima Laibow, que é a diretora médica da Natural Solutions Foundation, entrou com uma ação na justiça contra o governo dos EUA e continua a participar de todos os encontros do Codex, ao mesmo tempo em que luta pela liberdade na área da saúde. No último encontro do Codex, em Genebra, algumas vozes contrárias se levantaram, dizendo que estavam cansadas de verem os EUA pressionarem todos os outros países com sua agenda de controle populacional. Os representantes do Brasil e da China declararam que, quando países pequenos e não-representados não conseguirem participar dos encontros do Codex (porque seus representantes tiveram o visto recusado pelos consulados dos EUA, ou por falta de recursos financeiros), então toda decisão tomada em sua ausência é inválida. Como resultado, em breve o Codex poderá rachar sob o peso de sua própria corrupção, porém a pressão precisa ser aplicada unilateralmente).
A Dra. Rima também tem se reunido com delegados de outros países e está conseguindo conscientizá-los a respeito de algo chamado Normas Particulares. Essas normas permitem que os países criem padrões mais seguros e mais elevados do que as normas prescritas pelo Codex. Obviamente, esta não é uma tarefa muito difícil e muitos países podem aparentemente contornar as diretrizes irrevogáveis e incorretas que o Codex está tentando implementar em 31 de dezembro de 2009. [7].
O Que Você Pode Fazer?
O único modo de evitar esses eventos cataclísmicos é lutar pela disseminação do conhecimento para todas as pessoas em seu círculo de relacionamentos. Não importa se elas ainda estão adormecidas ou hipnotizadas pela escravização da vida diária, ou se estão ocupadas demais para prestarem atenção — o tempo para acordar é agora. O governo dos EUA e a mídia amestrada estão tentando manter as pessoas distraídas enquanto todas essas normas terríveis e compulsórias estão sendo aprovadas dissimuladamente. É hora de tomar uma atitude e você pode fazer isso acompanhando as últimas informações sobre o Codex.
Outro modo eficaz de fazer sua voz ser ouvida é escrever para seu representante no Congresso. Se você enviar uma mensagem de correio eletrônico, ela será contada como 13.000. O Congresso acredita que para cada pessoa que separa tempo para escrever para um deputado ou senador, existem 13.000 outras pessoas que compartilham uma opinião similar, mas que não tiveram tempo para expressá-la. É muito importante que uma ação ágil e veemente seja tomada agora. Os tempos estão mudando rapidamente e, a não ser que nos unamos nesta questão, teremos de começar a pensar em cultivar nosso próprio alimento em um futuro próximo, para evitarmos o extermínio.
Referências:
1. Bauman, D. E., Nutricide: Criminalizing Natural Health, Vitamin, and Herbs, 2005, The Natural Solutions Foundation.
2. Laibow, R. E., “Neutraceuticide” and Codex Alimentarius: The Death of Nutritional Medicine, Alternative & Complementary Therapies, 2005. 11(5): pág. 223-229.
3. Codex Guidelines for Vitamin and Mineral Food Supplements. [citado em 10 de julho de 2008]. Disponível em http://www.chfa.ca/media/pdf_files/.
4. Convenção de Estocolmo Sobre Poluentes Organo-Persistentes [citação extraída em 10/7/2008]. Disponível em http://chm.pops.int/
5. Diário Oficial, 11 de outubro de 1995 (Volume 60, Number 196). [citação extraída em 10/7/2008]. Disponível em http://www.fda.gov/oia/IH_policy.html
6. Central America Dominican Republic Free Trade Agreement. [citação extraída em 10/7/2008]. Disponível em http://www.wola.org/index.php?&opti.
7. Laibow, R. E. Natural Solutions Foundation Codex Commission Report. [citação extraída em 10/7/2008]. Disponível em http://www.healthfreedomusa.org/.
8. Laibow, R. E., Dispatch #9 — Post-Codex Video #5 from Dr. Laibow: Propelling us into the future. [citação extraída em 10/7/2008]. Disponível em http://www.healthfreedomusa.org.
Dr. Gregory Damato
No Fim dos Tempos
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Documentário sobre a discussão entre homossexualidade e religião

For The Bible Tells Me So (EUA, 2007), estreou no Sundance Festival, baseia sua narrativa a partir do ponto de vista de seis familias extremamente religiosas - incluindo os pais do anglicano Gene Robinson, primeira pessoa abertamente gay ordenado a bispo por uma denominação cristã - e suas experiências pessoais em lidar com a identidade sexual de seus filhos, em contraponto à sua fé. A cada declaração percebemos que seja qual for a opinião sobre a homossexualidade ou a Bíblia, as coisas mudam de escopo quando estas afetam, de alguma forma, a base familiar.
O documentário também lida com os textos bíblicos, suas incongruências (é citado o famoso trecho de Leviticos que declara a homossexualidade como uma abominação e diz o mesmo sobre quem come camarão) e a ignorância da grande massa que lê a Bíblia em pedaços, influenciados por sua própria educação. Além de mostrar o medo pelo desconhecido, sentimento alimentado por séculos pela fé cristã.
Por fim, For The Bible coloca no centro do debate a pergunta: é uma escolha ou não (ser gay)? O filme assume essa pergunta de maneira criativa e divertida, através da utilização de uma humorada animação.
ASSIM ME DIZ A BÍBLIA
Vi o documentário Assim me Diz a Bíblia (For the Bible Tells Me So, de Daniel Karslake) logo que saiu em dvd, quando eu morava nos States. E imediatamente fiquei fascinada pelo filme.
Na realidade, faz três anos que quero escrever sobre ele. Agora que descobri que não é difícil encontrá-lo na internet, não tenho mais desculpas.
Como sou uma ateia assumida, o que a Bíblia diz ou deixa de dizer não me diz respeito. Não quero que os religiosos se metam na minha vida, nem quero me meter na deles. Mas fico indignada ao ver que um documento tão importante ? e com tamanho ar de autoridade por ser o livro sagrado, a palavra de Deus ? é usado pra justificar e fomentar o ódio contra muita gente.
Sempre soube que a religião cristã, assim como todas as outras, considera a mulher como inferior ao homem (Deus é Pai, só padres podem rezar missa, freira não pode ser papa, Eva é a culpada de tudo, Deus fez o homem a sua imagem e semelhança, e a mulher veio depois etc). Afinal, estudei em colégio católico. E pra mim, pessoalmente, seria incompatível ser feminista e cristã ao mesmo tempo (me dei conta disso quando eu tinha 13 anos).
Entendo que a Bíblia foi escrita num contexto extremamente machista, e não pelo Todo Poderoso, mas por barbudões de carne e osso mesmo. Porém, gosto de pensar que a gente evoluiu de lá pra cá. Sei que tem quem creia que a vida era muito melhor quando bebês nasciam em manjedouras, ao lado de vaquinhas. Mas a expectativa de vida na época não chegava aos 33 anos. Estamos melhor agora, acredite.
Como sabemos, uma das maiores vítimas dos intérpretes literais da Bíblia é o homossexual. Deve existir muito preconceito contra gays, já que as igrejas insistem em fazer da homofobia sua principal bandeira. Às vezes me parece que esse discurso do ódio é o único merchandising de várias crenças. E não me venha dizer que as religiões amam o gay e só odeiam seu pecado. Pra mim amar é aceitar. Imagina se eu chegasse pro maridão e dissesse "Eu te amo, lindão, mas não tolero que você seja careca"! Causa pra divórcio, certo? E, pelas religiões em geral serem tão intolerantes com os gays, não compreendo como algum gay ainda possa querer fazer parte de uma comunidade que quer mudá-lo a qualquer custo. Mas gays são pessoas como outras quaisquer e têm o direito de serem contraditórias.
O lindo documentário começa desconstruindo o discurso de que a escritura deve ser levada ao pé da letra. Vários depoimentos de líderes religiosos citam exemplos. Se a gente realmente crê que a Bíblia diz que a homossexualidade é uma abominação e que Deus a condena, então deve levar outras partes literalmente também, não? Tipo: um homem se masturbar e desperdiçar a sementinha sagrada é um crime capital. Já vender sua filha como escrava é ok. Comer camarão é o terror, Deus castiga! Trabalhar no sábado merece a morte. E adoro a parte em que a Bíblia diz que a gente deve doar tudo que tem aos pobres! Porque, né, eu não vejo nenhum desses intérpretes literais fazer isso. Pelo contrário: parece que quanto mais eles moldam a escritura aos seus preconceitos, mais dinheiro eles ganham.
Um dos argumentos que eles usam é que a homossexualidade faz os gays infelizes. É verdade que muitos adolescentes gays se suicidam ou tentam se suicidar. Agora, isso é porque eles se odeiam por serem gays ou porque a sociedade os despreza e atormenta? Se você é pai ou mãe, jura que você prefere ter seu filho morto do que aceitá-lo como ele é, já que a sexualidade de cada um não é uma opção? Pô, não é uma frescura. Não é que eu acordei um dia e falei "Oba, vou ser hétero!". Eu nasci assim e sinto muito, não consigo me ver me sentindo sexualmente atraída por alguém do mesmo sexo. Tudo bem com você eu ser assim? Você me perdoa? Ah, tudo bem, porque eu sou hétero! Então como não aceitamos que os gays já nasçam com sua orientação sexual?
Ao mesmo tempo, compreendo que muitos gays não gostem dessa defesa da homossexualidade pelo viés de "não ser uma opção". Porque e se fosse uma opção? Alguém tem o direito de discriminar uma pessoa por uma opção que ela faz e que não interfira na vida dos outros? Além do mais, essa defesa de "nasci negro, me aceite como sou" nunca funcionou com os negros. Os racistas não olham pros negros e pensam "Uau, é mesmo, nasceu negro, então deve ter os mesmos direitos que os brancos". Quem é intolerante com uma pessoa é intolerante com todas ? tanto faz se o alvo do preconceito nasceu assim ou escolheu ser assado.
O incrível é que o documentário consegue contestar o conceito furado de "Deus odeia gays" entrevistando apenas gente muito religiosa. Mas se ficasse só nisso, discutindo a escritura, Assim Diz não teria tanta força. O que o faz o filme realmente tocante, que me faz chorar baldes e deveria comover qualquer pessoa com um mínimo de sensibilidade, é que ele entra na vida de algumas famílias. Sabe aquele que é o grande pesadelo de um preconceituoso, "O que você faria se seu filho fosse gay?". Bem isso. São ouvidas cinco famílias muito religiosas que descobriram que seu filho era gay ou sua filha era lésbica.
Devo admitir que preciso lutar pra não ficar com raiva de pais que não aceitam seus filhos. Mas não é fácil pra eles também. Precisamos de vez em quando nos colocar no lugar deles. Como tanta gente, eles crescem ouvindo que não há nada pior que a homossexualidade (um dos entrevistados no doc diz que o ódio em relação às mulheres é o combustível da homofobia. É o medo do homem, um ser privilegiado, ser tratado como mulher. Que horror isso acontecer a um homem numa sociedade patriarcal!). E de repente tá lá, um filho gay. Pais necessitam de tempo para amadurecer.
E, infelizmente, às vezes eles nunca amadurecem, ou não amadurecem a tempo. A parte mais comovente do doc é de uma mãe que não aceitou que sua filha fosse lésbica.
Depois que a filha lhe comunicou sua orientação sexual, o relacionamento entre as duas foi por água abaixo. E, em 97, a moça se matou. Isso transformou radicalmente a mãe, que sentiu-se muito arrependida por não ter apoiado sua filha. A mãe virou ativista GLBT. É tristérrimo quando ela lê um trecho da carta que a filha lhe enviou, e sua resposta atravessada nas linhas de "vou continuar te amando, mas jamais aceitarei que você seja lésbica". Glupt. Nó na garganta geral.
Eu adoraria ver um documentário como Assim Diz a Bíblia feito no Brasil, com famílias brasileiras sendo entrevistadas sobre como aceitaram (ou rejeitaram) seu filho gay. Tenho fé que gente boa, por mais preconceituosa que seja, não renega o filho. Apesar de, claro, a homossexualidade ser um grave distúrbio. Tanto quanto a heterossexualidade.
Documentário "Por que a Bíblia me diz Assim" - For The Bible Tells Me So (EUA, 2007)(Legendado)
No Boca no Trombone
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Dilma é Dilma, Lula é Lula

Todo o temor dos setores de centro-esquerda nas eleições do ano passado residia no fato de a candidata ungida por Lula, Dilma Rousseff, não ter as mesmas qualidades do ex-presidente. Os primeiros nove meses de governo, todavia, mostram que, em alguns casos, ela transformou suas desvantagens em vantagens.
O talento de Luiz Inácio Lula da Silva para lidar com as multidões; sua expertise em diálogo, adquirida nas mesas de negociação com os patrões como sindicalista; a ascendência sobre o PT, por ter sido, desde a criação do partido, a ligação entre os quadros de esquerda e as massas; e até um tendência ao pragmatismo acabaram concentrando todos os elementos de governabilidade em suas mãos, nos seus dois mandatos (2002-2010).
O carisma e o talento político, e algumas apostas bem sucedidas - que permitiram a inclusão de grandes contingentes pobres à sociedade de consumo - se sobrepuseram a condições extremamente desfavoráveis do seu mandato. Lula lidava com uma elite política rachada ao meio: na base de apoio, tinha que lidar com a política de clientela de partidos tradicionais, à direita ou ao centro; na oposição, com um udenismo que tinha grande potencial de instabilização do regime. Sem fazer o governo dos sonhos da esquerda de seu partido ou dos movimentos sociais, a guinada à direita do PSDB e o "lulismo" das bases acabaram limitando a ação dos grupos mais radicais. Seu vínculo com a CUT também neutralizou o movimento sindical.
Todo o temor dos setores de centro-esquerda nas eleições do ano passado residia no fato de a candidata ungida por Lula, Dilma Rousseff, não ter as mesmas qualidades. A presidenta eleita não tem vínculos históricos com o PT ou com os movimentos sociais, não tem prática de negociação - nem no movimento sindical, nem com os partidos políticos - e não é uma líder popular. Os primeiros nove meses de governo, todavia, mostram que, em alguns casos, ela transformou suas desvantagens em vantagens. Depois de oito anos de governo de um líder político como Lula, era obrigatória a reautonomização dos partidos e dos movimentos sociais.
A crise política e a radicalização à direita do PSDB e do PFL juntaram esses atores em torno de Lula. O governo Dilma acena para uma certa organização da vida institucional, pelo menos no que se refere às forças que deram apoio orgânico à sua candidatura. A disputa política tende a ser menor no cenário institucional e se desloca para a sociedade. Governo vira governo, partido vira partido, movimento sindical vira movimento sindical e movimentos sociais viram movimentos sociais.
O Congresso do PT, realizado no início de junho, é um exemplo. O partido saiu da toca e construiu sua própria agenda política, com itens que o governo não necessariamente assumirá, como a regulamentação da mídia. A reforma política, se comove governo e partido, está nas mãos do partido: a opinião pública precisa estar convencida disso e a luta se dá no Legislativo, entre os partidos políticos. A CUT reassumiu a bandeira da redução da jornada de trabalho sem o correspodente corte em salários. O MST aproveitou uma evidente preferência do governo por medidas destinadas ao incentivo da produção na propriedade familiar, tem sido ouvido nas suas reivindicações por crédito e tecnologia para assentados e deve colocar a reforma agrária no campo de luta social (até hoje não foi feita nenhuma desapropriação para fins de reforma agrária no governo Dilma).
Sem grandes vínculos com o partido e com os movimentos sociais historicamente ligados a Lula, Dilma tem gasto mais tempo com eles do que seu antecessor. O ex-presidente entendia esses setores como uma extensão de seu mandato. E tinha o "lulismo" como amortecedor de demandas mais radicais. Desde o episódio dos "aloprados" - em 2006, a Polícia Federal deu flagrante em petistas que tentavam comprar um dossiê contra o candidato ao governo pelo PSD, José Serra - , Lula botou a direção do PT na geladeira. O deputado Ricardo Berzoini, então presidente do partido, amargou o desgaste do episódio junto ao governo até o fim de seu mandato na presidência do PT. Quando José Eduardo Dutra, quadro da confiança de Lula, assumiu a presidência petista, a campanha eleitoral já estava em andamento. O PT se concentrou nas eleições; Lula, no governo e nas eleições.
Com uma composição muito elástica da base parlamentar, Lula evitou conversar diretamente com os movimentos sociais. O que garantiu um certo controle sobre os movimentos mais radicais foi a radicalização à direita da oposição. Não havia interesse desses setores me enfraquecer o governo, depois de terem sofrido um período negro de criminalização nos governos tucanos. A CUT também perdeu o poder de ação, embora os trabalhadores do setor público tenham mantido alguma militância.
Dilma devolveu poder à direção do PT, ao abrir um contato direto com o atual presidente da agremiação, Rui Falcão. Abriu sua agenda para políticos. E, além de ter conversado pessoalmente com líderes de movimentos sociais, manteve o canal aberto com esses setores via Gilberto Carvalho, nomeado secretário-geral, que tem um diálogo inquestionável com eles.
O racha do DEM, o PSD, também foi um grande presente para a presidenta. Com uma base parlamentar muito grande, os pequenos partidos de direita tendem a ser neutralizados com os novos integrantes da base. O governo também pode se dar ao luxo de abrir mão de parte dos votos do PMDB para aprovar matérias de seu interesse. Tanto é assim que a presidenta tem feito as mudanças no Ministério a cada escândalo, devolvendo aos partidos da base o ônus pelo desgaste dos malfeitos dos titulares das pastas por eles indicados.
É certo que muita água vai correr debaixo da ponte até terminar o primeiro mandato de Dilma - e mais água ainda se ela conseguir a reeleição. Mas o fato é que os primeiros meses de seu governo mostram que Dilma é Dilma e Lula é Lula. Cada um lida com as dificuldades de governo com as qualidades que possui.
Maria Inês Nassif, colunista política, editora da Carta Maior em São Paulo.
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Charge online - Bessinha - # 800

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A entrevista de Dilma ao Fantástico

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Aclamação para os verdadeiros vitoriosos da revolução de Rupert

Em 13 de Setembro é inaugurada em Londres uma das maiores feiras de armas do mundo, com o apoio do governo britânico. Em 8 de Setembro, a Câmara de Comércio e Indústria de Londres apresentou uma antevisão intitulada "Médio Oriente: Um mercado vasto para companhias britânicas de defesa e segurança". O patrocinador foi o Royal Bank of Scotland, um grande investidor em bombas de estilhaçamento (cluster). Segundo a Amnistia Internacional, as vítimas de bombas de estilhaçamento são 98 por cento civis e 30 por cento crianças. O Royal Bank of Scotland recebeu £20 milhões de dinheiro público. No anúncio para a festa de armas do banco lê-se: "O Médio Oriente é uma das regiões com o maior número de oportunidades para companhias britânicas de defesa e segurança. A Arábia Saudita... é o principal importador de defesa do mundo, tendo gasto US$56 mil milhões em 2009... uma região muito valiosa a visar".
Tais são as prioridades do governo de Cameron depois da grande vitória "humanitária" na Líbia. Como declarou outrora Margaret Thatcher: "Alegrem-se!" E como os banqueiros e mercadores de armas aumentam a graduação dos seus óculos, não vamos esquecer os heróicos pilotos da RAF que tornaram a Líbia nossa outra vez pela incineração de incontáveis "elementos pró Kadafi" nos seus lares, camas e clínicas, nem os desconhecidos apoiantes da indústria britânica de drones em Menwith Hill , Yorkshire , que, antes e depois do almoço, providenciam a informação de alvos dos drones de modo a que mísseis Hellfire possam arrasar lares e sugar o ar para fora de pulmões, uma especialidade. E aclamações para o sítio de teste de drones da QuinetiQ, em Aberporth, e para a UAV Engines Limited, em Lichfield.
A missão humanitária do ocidente não está totalmente terminada. Cerca de seis meses depois de conseguir uma resolução das Nações Unidas autorizando "a [protecção] de civis e áreas populadas civis sob a ameaça de ataque", a NATO (OTAN) está a despejar bombas de fragmentação sobre Sirte populada por civis e outro "redutos de Kadafi" onde, diz um repórter do Channel 4 New, "até que cortem a cabeça da cobra, os líbios não se sentem seguros". Cito isto não pela sua qualidade Orwelliana mas como um exemplo do papel do jornalismo em justificar antecipadamente os "nossos" banhos de sangue.
Isto é a Revolução de Rupert, afinal de contas. Nestes dias a imprensa de Murdoch já não utiliza a palavra "insurgentes" como pejorativa, como fazia antes. A acção na Líbia, diz The Times, é "uma revolução... tal como as revoluções costumavam ser". Que isto é um golpe de uma ganga de ex-comparsas e espiões de Muammar Kadafi em conluio com a NATO dificilmente é notícia. O auto-designado "líder rebelde", Mustafa Abdul Jalil, era o temido ministro da Justiça de Kadafi. A CIA dirige ou financia a maior parte do resto, incluindo velhos amigos da América, os mujadeen islâmicos que desovaram a al-Qaeda.
Contam aos jornalistas só o que eles precisam saber: que Kadafi estava prestes a cometer "genocídio", do que não há evidência, ao contrário da abundante evidência de massacres "rebeldes" de trabalhadores negros africanos falsamente acusados de serem mercenários. A transferência secreta feita por banqueiros europeus do Banco Central da Líbia de Tripoli para a Bengazi "rebeldes" a fim de controlar os milhares de milhões do petróleo do país foi um roubo gigantesco de pouco interesse.
A totalmente previsível acusação a Kadafi perante o "tribunal internacional" em Haia evoca a charada do agonizante "bombista de Lockerbie", Abdelbaset Ali Mohmed al-Megrahi, cujo "crime odioso" foi posicionado para promover as ambições do ocidente na Líbia. Em 2009, Al-Megrahi foi devolvido à Líbia pela autoridades escocesas não por razões misericordiosas, como foi relatado, mas porque o seu há muito aguardado recurso teria confirmado a sua inocência e descrito como ele foi tramado pelo governo Thatcher, como revelou o memorável desmascaramento de Paul Foot. Como antídoto para a propaganda actual, insto-o a ler uma demolidora perícia forense da "culpa" de el-Melgrahi e seu significado político em Dispatches from the Dark Side: on torture and the death of justice (Verso) da eminente advogada de direitos humanos Gareth Peirce.
Não se deve minimizar a ditadura odiosa de Kadafi, um destino para as "rendições" do MI6 como ficamos agora a saber. Mas o seu ódio não tem relação com a violação do seu país por caricaturas imperiais tais como Nicholas Sarkozy, um islamófobo napoleónico cujos serviços de inteligência quase certamente montaram o golpe contra Kadafi. Telegramas diplomáticos dos EUA divulgados pelo WikiLeaks revelam o pânico do ocidente sobre a recusa de Kadafi a entregar a maior fonte de petróleo na África e as suas aberturas à China e à Rússia.
A propaganda confia não só em Murdoch como também em vozes aparentemente respeitáveis que induzem à amnésia histórica. The Observer, o qual ainda tem de pedir desculpas pela sua catastrófica promoção de não existentes armas de destruição em massa no Iraque, está sob o domínio da "honrosa intervenção" de Sarkozy e Cameron e dos seus motivos "humanitários e emotivos". Seu colunista político Andrew Rawnsley completa um impressionante feito duplo. Como nos recorda o Media Lens, em 2003 Rawnsley escreveu acerca do Iraque: "A portagem da morte não foi tão alta como fora amplamente receado". Um milhão de iraquianos mortos depois, Rawnsley insiste em que, na Líbia "a Grã-Bretanha actuou bem" e "o número de baixas civis infligidas pelos ataques aéreos parece ter sido misericordiosamente ligeiro". Conte isso aos líbios com seres amados aniquilados pelos Hellfires amigos das corporações.
A NATO (OTAN) atacou a Líbia para conter e manipular um levantamento geral árabe que apanhou os dominadores do mundo de surpresa. Ao contrário dos seus vizinhos, Kadafi chegou ao poder pela negação do controle ocidental das riquezas naturais do seu país. Por isto, ele nunca foi esquecido e a oportunidade para o seu fim foi agarrada da maneira habitual, como mostra a história. O historiador americano William Blum tem mantido o registo. Desde a segunda guerra mundial, os Estados Unidos esmagaram ou subverteram movimentos de libertação nacional em 20 países e tentaram derrubar mais de 50 governos, muitos deles democráticos, e lançaram bombas sobre 30 países, e tentaram assassinar mais de 50 líderes estrangeiros.
Alegrem-se!
John Pilger
No Resistir.info
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A luta armada do povo colombiano é também nossa luta

O caráter internacionalista do conflito armado colombiano
Durante os oito anos do governo narco-paramilitar de Álvaro Uribe Vélez (o 82º capo das drogas na lista da Defense Intelligence Agency (DIA), do próprio Pentágono), este dedicou todas as suas energias em tentar acabar com a insurreição guerrilheira comunista das FARC-Exército do Povo e “domesticar” (como um simples problema interno) o conflito social, político e armado, tratado-o com uma ótica reducionista, como se se tratasse de uma expressão delinquencial e ligado à suposta “luta contra o terrorismo”.
Em outras palavras, o “bom regime”, com seu “pobre Estado” sendo atacado por “forças terroristas”, devia se defender do “inimigo interno”, inclusive cometendo crimes.
Enquanto esse discurso era “assumido” pela opinião pública, graças a “jornalistas” a serviço do narco-paramilitarismo, como José Obdulio Gaviria (primo-irmão do capo Pablo Escobar Gaviria) e Ernesto Yamhure, o governo, com um aparato policial de inteligência bem “ajustado” interceptou ilegalmente os telefones de muitos organismos internacionais, que eram os olhos do que é conhecido como “comunidade internacional”, olhos esses que observavam “de perto” o conflito armado colombiano.
Nem o representante da ONU se salvou dos “grampos” (chuzadas). Outros organismos internacionais sofreram a mesma experiência, incluindo outro tipo de guerra suja, mais sutil, mas efetiva, como a coação, intimidações ou ameaças veladas, impedindo-lhes de entrar em certas regiões da Colômbia e asfixiando-os até tornar a situação inviável para eles para, em seguida, “convidá-los a partir” por falta de condições de segurança para realizar seu trabalho investigativo.
Lembremos que a Colômbia é um dos países mais observados pela ONU, que mantém cinco relatores especiais. E, quando estes chegam ao país, o governo procura fazer com que não tenham acesso à informação sobre o verdadeiro terrorismo: o Terrorismo de Estado. São impedidos de visitarem as regiões onde ocorreram os massacres, fazendo com que não tenham acesso a testemunhas, enfim, que não possam documentar as práticas de Terrorismo de Estado.
Estes relatores ficam em Bogotá e só vêem imagens Power Point oficiais com os dados enganosos da versão oficial do conflito. Isso também acontece com algumas ONGs internacionais e com alguns jornalistas, que armam novelões a partir de seu hotel em Bogotá.
Uribe botou para correr todo mundo, inclusive os mediadores internacionais de países amigos da Colômbia, que foram taxados, segundo a cartilha oficial, como colaboradores do terrorismo. Liquidada toda possibilidade de mediação, isolado o conflito do mundo, Uribe se dedicou a isolar a própria Colômbia do mundo, ficando com seu único aliado, seu amo e patrão norte-americano. Brigou com a Venezuela e inclusive muitas vezes tentou iniciar uma agressão armada contra a república irmã. Não duvidou um instante em ordenar o ataque ao Equador, pisoteando todo o direito internacional e todos os tratados internacionais que o próprio Estado colombiano assinou.
Com o atual presidente Santos (ex ministro da defesa de Uribe responsável pelo ataque ilegal ao Equador, que matou o Secretário de Relações Internacionais das FARC-Exército do Povo, cmte Raúl Reyes) as coisas continuam com o mesmo conteúdo, embora suas manifestações públicas tenham mudando. Passamos de uma linguagem mordaz de “coronel fazendeiro” à etiqueta do country club e dos alfaiates ingleses. Mas ambos são os mesmos “encarnados e esculpidos”. Com roupagens diferentes.
Santos continua procurando esconder o conflito colombiano, indo mais além: acabou conseguindo neutralizar o próprio presidente Chávez (que havia reconhecido oficialmente o caráter legítimo e beligerante das FARC-Exército do Povo em 2008), neutralização essa que havia iniciado com Uribe com a chantagem das “provas” obtidas dos famosos “computadores atômicos” (confiscados ilegalmente no ataque ao Equador, “provas” julgadas ilegais e sem validez alguma pela própria Corte Suprema da Colômbia).
Tão mafioso e chantagista o Estado colombiano que o atual inquilino da Casa de Nariño (sede da Presidência da República), Juan Manuel “Chuck” Santos, conseguiu infiltrar (sem uma reação do Brasil e demais países? Por quê?) a própria UNASUL com a senhora María Emma, neutralizando a “liderança” da Venezuela, intimidando-a e obrigando-a a mudar alguns discursos anteriores.
Com essa política internacional bem tramada pelo regime colombiano, contando com as inconsistências e vacilações ideológicas de Chávez (pressionado por quem?), “Chucky” Santos acabou legitimando o golpe de Estado em Honduras, levando esse país de volta ao seio da OEA (esse obsoleto ministério das neo-colônias ianques), de onde tinha sido expulso depois do golpe de 2009 contra o Presidente Constitucional Manuel Zelaya, ressuscitando um cadáver e colocando-o de novo nas mãos de Obama e, de passagem, legitimando um presidente golpista. “Três coelhos com uma única cajadada!”
Enquanto isso ocorre, Santos instrumentaliza a suposta boa amizade com Chávez para continuar expandindo sua “operação condor” nativa, estendendo a repressão e o terrorismo de Estado além fronteiras colombianas.
Foi nesse contexto e dinâmica que o nosso diretor, Joaquín Pérez Becerra, foi seqüestrado na Venezuela e entregue aos aparatos terroristas do Estado colombiano.
Santos se jacta dissimuladamente com muita ironia e em privado por ter conseguido “dobrar a munheca” do ingênuo Chávez. E, para completar, sua ministra de relações exteriores, Holguín, está “encantada” com o da Venezuela, Nicolás Maduro, que está se curvando aos encantos da beleza colombiana, deixando de lado o que se joga no xadrez político com uma oligarquia criminosa e mafiosa como a colombiana.
A neutralização de Chávez implica em vários perigos para o processo político venezuelano, especialmente quando Chávez se deixa rodear de tantos incompetentes e ineptos como Maduro e como Andrés Izarra, ministro das comunicações, embora este não seja propriamente o tema destas reflexões.
Continuemos: escondido e isolado o conflito armado colombiano, a oligarquia do país se sente desobrigada de certos compromissos assumidos internacionalmente e projeta para o mundo a imagem de democracia madura, apta para o investimento estrangeiro (inclusive brasileiro). E essa “confiança investidora” se traduz em uma entrega total de nosso patrimônio ao capital monopolista internacional. A elite econômica oligárquica procura isolar (esconder) o conflito armado interno ao mesmo tempo em que amplia seus contatos e relações econômicas e políticas para legitimar seu projeto hegemônico de economia de mercado dependente.
Diante disso tudo, a tarefa dos colombianos que estamos comprometidos com a saída política para o conflito, é ler o mapa mundi e não perder de vista a perspectiva e a contextualização internacional em torno da solução política para o conflito colombiano.
Continuar com essa visão simplista e provinciana do conflito não ajuda em nada, ao contrário, facilita o trabalho do regime oligárquico.
É necessário contextualizar internacionalmente o conflito armado colombiano por várias e simples razões:
1. As potências capitalistas mundial mantêm uma luta sangrenta pelo controle das matérias primas do terceiro mundo, particularmente da América Latina.
2. Na divisão internacional do trabalho pelo capital monopolista, países de “capitalismo tardio” e periférico como a Colômbia, Brasil e outros, foram designados para cumprir o papel de provedores de matérias primas (petróleo, esmeraldas, aço, minério de ferro, aço, alumínio, cobre, ouro, banana, café, soja, carne, flores, madeiras de lei, etc.;) sem valor agregado, dada a dependência tecnológica de nossos países.
3. Os monopólios multinacionais (que não transferem suas tecnologias), além de não estarem criando empregos nos países em vias de desenvolvimento onde atuam, ainda nos poluem com seus agrotóxicos e emissões de gases contaminantes, deixando-nos o custo ecológico que isso implica para as atuais e futuras gerações.
4. O problema internacional da produção, tráfico, comércio e consumo de drogas.
5. O grau de intromissão e ingerência política, ideológica, diplomática e militar que assumem os países capitalistas centrais que investem em nossos recursos estratégicos e na economia em geral.
6. A doutrina da OTAN (“direito de proteger-R2P”) e a instrumentalização da ONU para promover guerras sob pretextos de “proteção de civis”, não passa de uma reciclagem atualizada do velho sistema de mandatos da outrora Sociedade de Nações, no qual os países capitalistas ocidentais se arvoram no direito de tutelar povos e países e impor-lhes seus modelos de “democracia ocidental”.
Mas poderíamos continuar enumerando “N” aspectos que nos demonstram que o conflito social, político e armado colombiano se inscreve sim em uma LUTA INTERNACIONAL DOS POVOS POR SUA EMANCIPAÇÃO. E não estamos sós nessa luta.
O conflito colombiano está mesmo vinculado umbilicalmente ao que ocorre atualmente no mundo inteiro. Portanto, cabe a todos os povos e movimentos sociais e revolucionários latino-americanos construirmos laços de solidariedade entre nós para, em seguida, consolidá-los organicamente com os setores sociais populares europeus, norte-americanos e mundiais, claro.
Os sindicatos (para ficar em um só exemplo) devem internacionalizar seu trabalho. Uma multinacional alemã que não respeita os direitos de seus trabalhadores em território alemão não vai respeitar também na Colômbia, no Brasil ou em Singapura. Portanto, os trabalhadores alemães, colombianos, brasileiros ou singapurenses têm sim uma luta e interesses comuns únicos, internacionalista.
Cabe-nos lutar para fazer com que os trabalhadores de outros países, principalmente os brasileiros, tomem conhecimento e consciência da situação dos trabalhares e do movimento sindical colombiano e, nesse sentido, que também outros povos e trabalhadores de outros países conheçam a realidade vivida diariamente pelo povo irmão colombiano.
Torna-se necessário que muitos militantes internacionalistas, parlamentares, partidos de esquerda, sindicatos, organizações e movimentos sociais e populares visitem as regiões colombianas onde atuam os esquadrões da morte paramilitares (braço armado do narcotráfico) a serviço do Terrorismo de Estado oficial e vejam com seus próprios olhos como continuam intactos e mobilizados (foram oficialmente “desmobilizados” a partir de 2003 no regime uribista), agora reativados para massacrarem opositores em época pré-eleitoral.
O mundo precisa tomar consciência do que realmente acontece aqui na Colômbia. Urge que trabalhemos todos juntos para nos contrapor e neutralizar o marketing (terrorismo midiático) global e o lobby que o regime mafioso faz junto a governos (embaixadas), Unasul, Celac, parlamentos e justiça, além de enviar agentes encobertos e adidos militares de suas embaixadas para dar palestras e conferências a empresários e polícias, além de oferecer treinamento e doutrinação policial na Colômbia. Uma intromissão verdadeiramente vergonhosa de um regime títere do imperialismo ianque.
É necessário que pensemos em organizar uma Comissão Internacional que vá visitar os prisioneiros políticos do regime e comprovem a ignomínia e podridão do sistema carcerário colombiano atual.
Nesta urgente tarefa, os exilados e a emigração colombiana no exterior têm um papel importante a desempenhar todos os dias, unidos pela solidariedade internacional à luta do povo colombiano, que é também nossa luta.
Esta é uma tarefa de todos nós.
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