11 de set de 2011

The Beatles

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Regular a mídia é preciso: O caso Ricardo Gomes em O Dia

Quais são os limites éticos da imprensa?
Um jornal de grande circulação do Rio de Janeiro, O Dia, publicou em sua capa uma imagem do técnico do Vasco, Ricardo Gomes, cheio de tubos e em seu leito no hospital.
A imagem pode apresentar, de acordo com quem vê ou como quem mostra, diversas possibilidades de leitura. Da maneira como o jornal publicou, na capa e com grande destaque, suplanta qualquer texto que a apresente e busca, acima de tudo, criar a comoção gratuita e irresponsável sobre o drama de uma personalidade pública e de seus familiares e amigos.
O jornal não informou, procurou criar apenas polêmica.
Vendeu milhares de exemplares a partir de uma foto que, segundo o comunicado do Hospital em que está internado o treinador de futebol, foi conseguida de maneira ilegal. Sem a autorização dos familiares de Ricardo Gomes, seus responsáveis neste momento.
Este caso lembra, observando as dimensões dos fatos e os contextos em que as vítimas deste tipo de jornalismo foram envolvidas, os atos de espionagem criminosa da revista Veja contra José Dirceu em um hotel de Brasília.
Ricardo Gomes aparece exposto, totalmente a mercê de uma prática condenável de um tipo de jornalismo que não obedece limites e, a todo custo, busca alcançar resultados positivos para os seus negócios.
Regular a mídia é preciso
Regular para criar mecanismos que evitem a repetição de casos como este e que os mesmos permaneçam impunes.
A imprensa tem que averiguar, investigar e denunciar, mas com responsabilidade e ética, para que suas teses sejam legítimas e estejam a serviço da democracia, sem se sobrepor ao Estado de direito e às liberdades individuais.
É preciso tornar a imprensa democrática e moralmente exemplar, a serviço da sociedade e respeitando padrões éticos para tratar seu maior ativo, a informação.
Confira o comunicado do Hospital Pasteur sobre o caso:
Hospital Pasteur, 10 de setembro de 2011.
Em relação às imagens divulgadas hoje (10), pelo Jornal O Dia/Marca, do paciente Ricardo Gomes, a direção do Hospital Pasteur e a família de Ricardo Gomes manifestam grande repúdio e indignação por esse tipo de publicação, na qual expõe a privacidade do paciente.
O hospital esclarece que, é veementemente contra a sua política qualquer tipo de veiculação de imagens de pacientes internados, sem a prévia autorização dos mesmos, ou de seus representantes legais. Além disso, as fotos divulgadas no jornal O Dia/Marca de hoje, não retrataram o atual quadro de saúde do paciente. Ricardo Gomes está lúcido, colaborativo, respira espontaneamente, pronuncia algumas palavras e fica grande parte do dia sentado em poltrona, fatos que contradizem totalmente as imagens publicadas por esses veículos.
Vale ressaltar, que durante todo esse período de internação do paciente Ricardo Gomes, o Hospital Pasteur vem mantendo uma rotina de informação pública de seu quadro de saúde, através da emissão de boletins médicos diários, pela sua assessoria de imprensa. Contudo, a filosofia do hospital sempre esteve respaldada na transparência, no respeito, na ética e na preservação da privacidade do paciente e seus familiares.
Essa forma de divulgação sensacionalista, desrespeitosa e agressiva compromete o vínculo de confiança entre as instituições, além de desgastar todo um processo sério e competente de terapêutica e acolhimento.
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Goleadas deste domingo

Leandro Damião fez 3 gols e arrasou o Palmeiras na vitória do Internacional no Pacaembu.
Sem dificuldades, Coritiba ignorou boa fase do Botafogo no Brasileiro e aplicou goleada no Couto Pereira.
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En ocho minutos fue desmontada en Twitter otra mentira con afán de campaña de Yoani Sánchez y Pardo Lazo

 Post Atualizado 

Una joven tuitera cubana identificada como Rosa Alejandra desmontó en ocho minutos la campaña de desinformación contra Cuba que trataron de protagonizar Yoani Sánchez y Orlando Luis Pardo Lazo.
Ambos “disidentes” mintieron con fines manipulativos al decir por sus cuentas de Twitter que en una iglesia habanera varias personas se encontraban secuestradas.
La muchacha desmintió desde su Twitter que francotiradores estuvieran apostados en las azoteas de su bario y que niños corrieran peligro dentro de la iglesia.
Desde su casa, la estudiante contó que varias personas entraban y salían del lugar, sin altercado alguno. Ella logro subir un vídeo a la Red.
Vídeo que subio a la red Rosa Alejandra:
~o~
NOTA OFICIAL sobre incidente en Iglesia Evangélica Pentescostal
El templo de la Iglesia Evangélica Pentecostal, ubicado en Infanta y Santa Marta, en Centro Habana, presenta desde hace varios días una situación inusual, al mantenerse de manera prolongada dentro de la iglesia más de 60 personas, entre ellas 19 menores y 4 embarazadas, que se encuentran en un retiro a puertas cerradas. Estas personas, reunidas por su propia voluntad en el templo desde el pasado 21 de agosto, fueron convocadas por Braulio Herrera Tito, a quien su denominación religiosa lo separó como pastor, por razones de índole interna, desde mayo de 2010.
Ante esta situación, un grupo de familiares acudieron a las autoridades, preocupadas particularmente por los niños, que no están asistiendo a la escuela, y por las embarazadas, que no reciben la atención médica prescrita para ellas.
En virtud de estas circunstancias, se han sostenido conversaciones con familiares, líderes religiosos y algunos miembros de la congregación. También, se ha protegido el recinto y ofrecido atención médica.
Después de varios contactos con quienes dirigen el retiro, un equipo médico valoró la salud de las embarazadas, que han decidido permanecer allí. Se les alertó que una estancia prolongada, sin atención especializada, pudiera afectar la salud de las gestantes. Igualmente, fue trasladada la preocupación de que el tiempo transcurre sin que los niños asistan a la escuela.
Las autoridades del orden público mantendrán la protección de la seguridad ciudadana para evitar cualquier incidente y ofrecen disculpas a la población por las molestias ocasionadas.
Se ratifica la disposición de continuar las gestiones necesarias para una solución favorable a este hecho, cuyo origen es ajeno a nuestras autoridades, que reiteran la voluntad de colaborar en ese sentido con los familiares, la comunidad y los representantes de las instituciones religiosas involucradas.
No Islamia e La Isla Desconocida
Atualizado com imagens do Blog Limpinho & Cheiroso:
A manipuladora
A esclarecedora
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Jimmy Page

Frédéric Chopin - Prelude in E-Minor nº 4 - Opus 28
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A marcha que a Globo não mostra na TV

O jornalista Caco Barcellos da Rede Globo, foi hostilizado durante à Marcha da Liberdade (Marcha da maconha). Caco realizava uma reportagem para o programa profissão repórter. A Globo não mostrou a manifestaçao
A marcha da liberdade ocorreu em São Pualo no mês de maio . A primeira vez que se tentou realizar a passeata, a Polícia Militar reprimiu com bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e balas de borracha. A manifestação só aconteceu depois que organizadorees fecharam um acordo com a PM, para que fosse trocado o nome de marcha da maconha pela liberdade de expressão.
No Amigos do Presidente Lula
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Espanhol é guru da direita latino-americana

Na contramão da onda rosa, líderes orientados pelo marqueteiro Antonio Sola foram eleitos no México e Haiti
Estrategista deve emplacar presidente da Guatemala no pleito de hoje e pretende atuar no Brasil em 2012
Se a América Latina tem hoje no marketing petista tipo exportação de João Santana uma referência para as campanhas de esquerda, do outro lado do ringue, em nome dos conservadores do continente, está o estrategista espanhol Antonio Sola, (foto).
Vencedor no México com Felipe Calderón em 2006, com o azarão Michel Martelly neste ano no Haiti e prestes a emplacar o general reformado Otto Pérez Molina no pleito de hoje na Guatemala, Sola ironiza: apesar da onda vermelha ou rosa no continente, ele tem trabalho.
Na consultoria Ostos & Sola, uma associação com a também espanhola Glória Ostos, ele é o que leva o braço do marketing político que fatura entre US$ 10 e US$ 12 milhões ao ano.
A empresa tem sede em Madri - bastante próxima do Partido Popular espanhol -, filiais em Miami e trabalhos na África. Mas é na América Latina que a coisa tomou mais impulso. Sola e sua equipe, além dos países citados anteriormente, trabalham no Equador, para pleitos regionais da Colômbia em outubro e na República Dominicana.
Sola viajou recentemente a Buenos Aires para se encontrar com o ex-presidente Eduardo Duhalde, que queria que ele capitaneasse sua campanha contra Cristina Kirchner. Ele declinou, diz, por excesso de trabalho.
A esmagadora maioria dos clientes são candidatos conservadores, com quem, diz, "trabalha bastante à vontade pelas afinidades profissionais e pessoais".
O espanhol de origem andaluz faz estilo bom moço, de sorriso fácil, mas não se queixa, e até desfruta, da reputação de "gênio do mal", odiado pelos esquerdistas.
O caso mais emblemático é o mexicano, quando colou no esquerdista do PRD Antonio Manuel López Obrador o slogan "é um perigo para o México", há cinco anos.
Naturalizou-se mexicano para não ser deportado. O que diz de ser vinculado a campanhas sujas?
"Não me incomoda de jeito nenhum. Acredito que as campanhas de contraste são altamente positivas e constroem democracia. Ajudam a decidir o voto. Como no Brasil sabem por conta do futebol, é tão importante saber atacar como saber defender".
E ele segue na metáfora: "Acho que se deve jogar duro. Se fazemos uma jogada mais dura, que nos sancionem, que mostrem cartão amarelo".
Sola, de 39 anos e fazendo campanhas políticas desde os 18, aceita a provocação de ser chamado de antípoda político de João Santana. "Adoraria que pudéssemos competir em uma grande liga de mundial de consultores políticos porque creio que isso ajudaria a construir melhores ofertas políticas e opções melhores de governo", responde, profissionalíssimo.
A meta da empresa é desembarcar no Brasil em 2012. Sola esteve neste ano no Rio e em São Paulo com políticos do PSDB e afirma que a estratégia de penetração vai ser trabalhar com um sócio brasileiro. "O Brasil tem muitos talentos e creio que temos coisas que aportar."
A atuação da empresa na Venezuela é tratada com discrição, uma prevenção contra represálias e cobranças de visto de trabalho. Sola diz que está em conversações com pré-candidatos da oposição do país, mas não revela nomes. A sua conta no Twitter dá uma pista: tem uma entusiasta menção à campanha da deputada Maria Corina Machado, rumo às primárias oposicionistas em fevereiro.
Corina está longe de ser uma favorita da contenda, até agora, mas subiu de 3% a 7% no último mês, segundo levantamento da empresa venezuelana Datanálisis.
Sola sabe que vencer nas urnas na Venezuela no ano que vem - contra um dos melhores marqueteiros da história recente do continente, o próprio Hugo Chávez - seria sua consagração.
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Johnny Rivers

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Reportagem desmente, mais uma vez, supostas agressões às Dama$ de Branco

Dama$ $aindo da SINA
Uma reportagem televisiva transmitida aqui desmentiu alegações de uma campanha mediática contra Cuba no estrangeiro sobre supostas agressões de agentes da ordem contra um grupo de mulheres no oriental município de Palma Soriano.
Vizinhos do lugar e filmagens do ocorrido mostraram a total ausência de repressão policial a uma manifestação de nem uma dúzia de mulheres vestidas de branco, apesar de que emitiam consignas contra a Revolução, destacou o Noticiário Nacional de Televisão.
As imagens mostraram quando elas saíam sem dificuldade alguma à rua da casa onde tinham se concentrado e eram resguardadas pela polícia de qualquer excesso de cidadãos irritados por considerá-las parte de um plano desestabilizador promovido pelos Estados Unidos.
A reportagem incluiu opiniões dos residentes nas cercanias do lugar recusando as versões de meios estrangeiros sobre o lançamento de gases lacrimogênios e de atropelos às mulheres envolvidas ao mesmo tempo que qualificaram como uma provocação o incidente teatralizado por elas.
Uma das pessoas entrevistadas pela televisão disse que "os polícias criaram cordões para evitar que essas mulheres fossem agredidas por algum indignado" e outra destacou a intenção que elas tinham de provocar desordens para contribuir à campanha contra Cuba no exterior.
A reportagem referiu-se também a lista de "presos políticos" em Cuba publicada onde, como um produto da apressada invenção, aparecem os nomes de figuras do futebol internacional e de pintores do século XVIII.
A nota televisiva culminou reproduzindo declarações de Ileana Ros Lehtinen, presidenta do Comitê de Relações Internacionais da Câmera de Representantes dos Estados Unidos, demandando reverter a situação em Cuba com o uso da força, na mesma forma da utilizada pela OTAN na Líbia.
No OpenSante
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Charge online - Bessinha - # 797

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Terrorismo midiático: a tentativa de desmoralização da presidenta Dilma na capa do UOL

"Faxina" e "Dilmona" na piada carregada de ódio e preconceito do UOL
Quando a gente pensa que já viu de tudo, em termos de baixaria e de manipulação, o PIG – Partido da Imprensa Golpista – se supera e consegue apresentar um lixo ainda maior, disfarçado de “jornalismo” nas manchetes que estampa. Remexendo esse lixo, você encontra todo tipo de má fé, de ódio, de preconceito, de calúnia e de difamação.
Arquivo da montagem tosca tem nome de "arte"
para o site...
O olhar perspicaz e atento da blogueira feminista Rosângela Basso não deixou passar a mais nova tentativa de desmoralização da presidenta Dilma Rousseff (PT) na capa do site UOL nesta manhã de sábado. O UOL postou uma montagem com a foto da presidenta no palanque oficial do 7 de Setembro em Brasília, colocando a seu lado um Marcos Valério com cartaz em que se lê: “Dilmona é pra varrer e não voar. Se voar, é bruxa”. Do outro lado de Dilma, uma mulher abraça e fala ao ouvido da presidenta, como quem se posiciona ali para tirar uma foto. O próprio termo “faxina” que o noticiário político costuma fazer uso para se referir às medidas enérgicas de Dilma no combate à corrupção e no apuro de denúncias levantadas, cai como uma luva no gosto do PIG num governo comandado por uma mulher. Típico!
... Já a foto do carro de Vettel foi salva 
com nome do fotógrafo e da agência.
As mensagens que o PIG tenta passar têm um único objetivo: afetar a alta popularidade da chefe da Nação, seja colando o escândalos do Mensalão e denúncias de corrupção no palanque presidencial, seja associando conteúdos homofóbicos, quando carimba um rótulo homossexual na imagem – Dilmona, abraçada a uma mulher. E a montagem tosca mereceu destaque entre as chamadas de notícias do site, ou seja, o espaço consagrado às principais manchetes, dividido com a pole position de Sebastian Vettel na Fórmula 1, os temporais em Santa Catarina e as “musas” do Brasileirão.
O arquivo da foto da tragédia em SC também
é identificado pelo crédito do fotógrafo...
Da onde vem tanto ódio e ataque de terror? O PIG que pareceu ter dado trégua à Dilma logo após sua eleição e posse, que chegou a dedicar atenção ao ex-presidente Lula e foi mirando os ministros (em especial as ministras) para cercar Dilma, como se estivesse em um grande tabuleiro de xadrez, volta com toda força a destilar seu veneno contra a presidenta. Da forma mais vil e violenta que lhe é peculiar. E isso acontece justamente uma semana após o 4º Congresso Nacional do PT deliberar como pauta de debate nacional o marco regulatório da mídia e a liberdade de expressão, ampliando o horizonte sobre o que se convencionou chamar de comunicação social e que não é mais compatível com a concentração de poder e renda nesse setor estratégico ao desenvolvimento com inclusão social.
... E até a montagem "artística" das musas
do Brasileirão foi creditada devidamente.
Agora, está tudo muito claro! Não justifica, mas elucida de onde vem o tiro e o calibre do perigo. Qualquer relação com a presepada da cobertura sobre a troca de tiros no Complexo do Alemão esta semana, como tentativa de se desfazer – e por que não dizer frustrar? – dos avanços por lá não soam como mera coincidência. Aliás, o UOL também resgatou em meio ao episódio sua brincadeirinha de bang-bang predileta: e a imprensa em geral, os coletes azuis do “medo”. A mais usual ferramenta de manipulação de todos os tempos.
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Com que roupa eu vou, no samba que você me convidou


Na dúvida pode-se ir sem também
As candidatas do concurso Miss Universo, que será realizado pela primeira vez no Brasil na noite desta segunda-feira, 12, são profissionais em desfilar suas belezas naturais - ou não - por aí.
Uma delas, porém, mostrou mais do que devia durante uma visita oficial à quadra da escola de samba Rosas de Ouro, em São Paulo.
O pequeno deslize gerou uma saia mais justa do que o vestido laranja-coral que Catalina usou na ocasião. A organização do Miss Universo a advertiu oficialmente, mas ela, apesar dos indícios fotográficos, negou estar sem lingerie.
Mas há também quem apoie o descuido.
Uma página no Facebook foi criada em homenagem à desinibida Catalina. Entitulada Catalina Robayo - Miss Universo sem Calcinha, a página conta com o engajamento de cerca de 300 internautas, fãs de última hora da modelo.
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O PT e o Sistema Eleitoral

Na Resolução aprovada em seu 4º Congresso, realizado no começo do mês, o PT dedica uma seção inteira ao tema da reforma política. Natural, pois era de esperar que o partido se pronunciasse sobre algo que está no centro das discussões políticas desde o início do ano.
Primeiro, tivemos uma Comissão Especial no Senado, criada para elaborar uma proposta que contivesse os pontos fundamentais e menos polêmicos, assim permitindo que as mudanças na legislação pudessem ser rapidamente adotadas. Seu trabalho parece, no entanto, não ter servido de muito, pois está sendo ignorado pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania da Casa, onde a matéria hoje tramita. Ela desdiz, praticamente, tudo que a Comissão Especial havia dito.
Em sua Resolução, o PT não apresenta propostas para mudar de forma ampla nosso sistema político. É menos ambicioso.
O documento afirma que são dois os “objetivos programáticos estratégicos do PT” na reforma política: a adoção do financiamento público exclusivo das campanhas e do voto em lista nas eleições de deputados (federais, estaduais e distritais), assim como de vereadores.
Além dessas, outras três mudanças são sugeridas. Duas são bem específicas: a proibição das coligações nas eleições proporcionais e a “garantia da presença de sexos diferentes na lista”. A terceira, ao contrário, é difusa: a “ampliação da participação direta na política através da remoção de obstáculos que hoje a dificultam”.
Salvo a última, as ideias formam um todo coerente. São questões que o sistema político discute há tempo e que possuem larga sustentação em nosso pensamento e tradições democráticas. Não é o que se poderia dizer dessa da “participação direta”, que, se não for claramente delimitada, conflita com os fundamentos da democracia representativa.
É difícil entender de onde os autores do documento tiraram a noção de que “a campanha pelas leis cidadãs é a melhor resposta que podemos dar à crise internacional”. Como se leis de iniciativa popular fossem superiores e mais eficazes que as originadas no Parlamento! Elas e os “plebiscitos e referendos”, igualmente defendidos no texto, são instrumentos que se devem usar de forma muito parcimoniosa e que estão longe de ser panacéias para os problemas da democracia.
O curioso é que as quatro propostas básicas do PT são quase idênticas às que a Comissão Especial do Senado aprovara. Lá, os notáveis dos principais partidos haviam chegado às mesmas recomendações dos petistas.
Financiamento público exclusivo, voto em lista, fim das coligações nas proporcionais e fixação de uma cota de 50% das listas para candidatas mulheres, todas constavam do Relatório da Comissão Especial. É a CCJ que as está suprimindo (com exceção da proibição das coligações nas eleições proporcionais, que ninguém defende). Se depender do parecer do relator, o senador Renan Calheiros, delas não restará nada.
Essas propostas, especialmente as que o PT chama “objetivos estratégicos”, são inovações em nossa legislação destinadas a fortalecer os partidos políticos. Adotadas em conjunto, mudariam as condições institucionais de seu funcionamento e organização.
Na opinião unânime dos estudiosos, o voto proporcional favorece os partidos, sendo o voto majoritário seu adversário potencial. O sistema em que ganha o mais votado, independente de sua filiação partidária, faz com que os candidatos se bastem e prescindam da votação de seus companheiros de legenda. Os eleitos se tornam os únicos senhores dos votos que receberam e, portanto, dos mandatos.
O multipartidarismo não é impossível, mas fica difícil, quando se adota o voto majoritário nas eleições legislativas. Os países onde prevalece o voto distrital são, quase sempre, bipartidários, pois a eleição do representante local tende a se tornar polarizada entre apenas duas correntes (como ocorre nas eleições para prefeito, que, na maioria dos municípios brasileiros, particularmente os menores, costumam ser resolvidas entre os dois “lados” da vida política local).
A lista partidária preordenada, em que o eleitor vota no partido e os candidatos são eleitos de acordo com sua posição na lista, conflita com nossa experiência eleitoral. Segundo as pesquisas de opinião, a vasta maioria da população a rejeita. Muitas vezes, com a ilusão de que, no modelo atual, é mais livre para escolher.
Não há, no entanto, como negar coerência ao PT nas propostas que faz de reforma política. Nada mais lógico que o maior partido que já tivemos em nossa história seja favorável ao fortalecimento dos partidos.
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
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Guantánamo, de limbo jurídico a mancha para os EUA

Além de destruição e mortes, os ataques de 11 de Setembro produziram em seu rastro um dos maiores absurdos jurídicos e de abuso de liberdades civis e dos direitos humanos: a prisão de Guantánamo. A isolada e vigiada fortaleza não é obra do fundamentalismo islâmico nem de algum regime ditatorial, mas de uma das maiores democracias do mundo, os Estados Unidos. Ao abrir as celas da polêmica penitenciária em 11 de janeiro de 2002 para enclausurar suspeitos de terrorismo, o governo George W. Bush cavou um buraco negro para os detentos, jogados em um limbo jurídico e sujeitos a práticas de tortura e a tratamentos desumanos. As imagens de presos ajoelhados e acorrentados em seus uniformes, cercados por arame farpado e canos de metralhadoras, expunham apenas a superfície da sombria realidade da prisão instalada na base militar americana na ilha cubana, protegida sob o manto da classificação "top secret".
Em nome da Guerra ao Terror, o governo americano não mediu esforços para capturar suspeitos no exterior, cometer abusos em interrogatórios nas prisões secretas da CIA fora dos Estados Unidos e enviá-los para Guantánamo por tempo indeterminado, em regime jurídico de exceção. O tempo, auxiliado por protestos da sociedade civil e de documentos confidenciais vazados pelo grupo WikiLeaks, revelou as aberrações da prisão. Os arquivos secretos mostram casos kafkianos de detenção de pessoas diagnosticadas com problemas mentais.
Segundo um estudo feito com base nos dados liberados pelo WikiLeaks, os militares americanos descartaram a culpabilidade ou a ameaça de quase 60% dos prisioneiros, e admitiram a detenção de 20% deles de forma arbitrária. Apenas 22% dos presos foram definidos como de "alto" interesse para os serviços de inteligência dos EUA, e os demais 78% foram classificados como de utilidade "média" ou "baixa". Em mais uma incoerência de Guantánamo, cerca de um terço dos 604 detentos libertados ou transferidos para outros países haviam sido catalogados como de "alto risco".
Na campanha eleitoral de 2008, o então candidato Barack Obama prometeu em inflamados discursos o fechamento do indesejado presídio insular uma vez instalado na Casa Branca, no prazo de um ano. Em 9 de maio de 2003, Guantánamo atingiu seu pico populacional, com 680 detentos.
Os equívocos de dois presidentes
Quando Obama assumiu o governo, os campos penitenciários da base contavam com 240 presos. Logo após a posse em 2009, em uma de suas primeiras medidas no cargo, o presidente decretou a suspensão da abertura de novos julgamentos militares na base em Cuba, como um ato simbólico de ruptura com a política contra o terror implementada por seu antecessor, George W. Bush. Guantánamo, no entanto permanece em operação até hoje, com 171 detidos. Em abril deste ano, a Casa Branca recuou mais um passo e frustrou a expectativas dos que exigem o fechamento da prisão ao anunciar a retomada dos tribunais militares na base naval.
Para David Rittgers, do Centro para uma Nova Segurança nos Estados Unidos, tratam-se de dois equívocos presidenciais:
- Foi um grande erro instalar Guantánamo da forma como fez George W. Bush. Ele não ouviu seus conselheiros militares, que queriam uma avaliação mais apurada para que somente aqueles que representavam uma verdadeira ameaça fossem para lá enviados. Prejudicou a reputação do país de forma desnecessária. E foi um grande erro de Obama prometer fechar a prisão em um ano, criou uma falsa expectativa que não lhe serviu em nada.
O ambicioso projeto de Obama foi bloqueado no Legislativo. A oposição republicana - hoje em maioria na Câmara -, considera o fim de Guantánamo uma "ameaça à segurança nacional". Mas Obama enfrenta também resistências ao fechamento dentro de seu próprio partido. Em maio de 2010, o Congresso barrou os planos do governo de compra de terrenos em solo americano para a construção de estabelecimentos carcerários destinados a acolher os presos de Guantánamo.
Em dezembro passado, os parlamentares impuseram restrições para a possibilidade de julgamento de detentos da base de Cuba em tribunais civis americanos. Em abril, o secretário de Justiça, Eric Holder, anunciou que Khalid Sheikh Mohammed, tido como um dos cabeças do ataque de 11 de setembro de 2001, e mais quatro de seus cúmplices serão julgados por uma corte militar.
Chances remotas de fechamento
Rittgers define Guantánamo como um "dilema político", e vê remotas chances de um fechamento da prisão a curto prazo, com consequências para os EUA:
- Os tribunais militares são subordinados ao presidente, e não ao sistema judiciário americano, com procedimentos diferentes das cortes regulares. Isso prejudica o impacto da mensagem que ser quer passar por meio desses
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Charge online - Bessinha - # 796

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Contraste

Em vez de lembrar o que escrevi sobre as torres do World Trade Centre no décimo aniversário da sua destruição, vou repetir o que escrevi na época sobre o pintor Morandi.
O que o italiano Giorgio Morandi, morto em 1964, tem a ver com os dois edifícios do World Trade Center derrubados em 11/9 de 2001? Absolutamente nada. Foi justamente por isso que a primeira coisa que fiz ao chegar a Paris depois de fugir de Nova York e das ruínas ainda fumegantes das torres foi ir ver uma exposição do Morandi.
Eu sabia exatamente o que ia encontrar. Morandi pintou essencialmente a mesma coisa a vida inteira. Conjuntos de garrafas, caixas, vasos e vasilhames que ao mesmo tempo se integravam ao fundo e entre si como formas abstratas e mantinham sua distinção concreta de sólidos.
Não foi só porque ainda tinha na retina as imagens das torres em chamas que pensei imediatamente nelas diante daquelas caixas e garrafas longilíneas firmemente postas numa superfície real, com volume e peso, e magicamente postas em outra dimensão, a salvo do tempo, da história, até de interpretação.
Os objetos que Morandi reproduzia nos seus conjuntos eram sempre os mesmos, o que ele estava pintando, na verdade, era a sua permanência, enquanto a vida e o pintor passavam por eles. Não eram os objetos, era a sua existência silenciosa que estava nos quadros de Morandi. Cada pintura era um novo registro daquele mistério, uma coisa existindo, persistindo em existir.
O contraste era inescapável com as caixas de ferro evanescentes que eu vira se desmanchando em Nova York, aquelas formas que se declaravam triunfalmente eternas desaparecendo em minutos.
Não aparecem figuras humanas na obra de Morandi. A vida que existe em seus quadros é toda inferida: a mudança na perspectiva de um conjunto, uma ou outra marca de uso na superfície de um dos seus objetos domésticos, um sombreado denunciando a existência de uma fonte de luz em algum lugar fora do quadro. Nenhum movimento, e tudo se repetindo. O humano só existe na sua obra como contraponto ao que se vê, às coisas reduzidas a elas mesmas e a sua persistência. O humano é tudo na obra de Morandi que não se vê. O próprio pintor interfere o menos possível no seu trabalho e deixa que a obsessão o guie. Ou a única coisa humana na arte do Morandi é a obsessão.
Minha impressão ao olhar seu trabalho era que estava diante do último homem tranquilo do mundo. Na vida parada dos seus quadros havia desprezo pelo drama humano, e eu estava ali atrás daquela tranquilidade. Queria me convencer da transitoriedade da angústia, o sentimento mais humano do momento, e esquecer as mortes e a destruição. Se pudesse passaria o dia e a noite ali, armazenando tranquilidade para enfrentar o que estava por vir — mas o museu fechava às cinco e meia.
De qualquer maneira foi bom saber que os objetos do Morandi continuariam lá, independentemente do nosso olhar, da nossa passagem e da nossa angústia, sólidos, indestrutíveis, significando apenas sua própria permanência. E silêncio.
Luís Fernando Veríssimo
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Peluso recomendou o apagão da memória

O presidente do Conselho Nacional de Justiça, ministro Cezar Peluso, (foto) baixou uma recomendação (n 37) orientando os tribunais do país a preservarem seus documentos. Tem 1.800 palavras, e quem a lê sente-se no paraíso.
Menciona o Programa Nacional de Gestão Documental e Memória do Poder Judiciário e cria mecanismos para a digitalização de processos. Tudo muito bonito até que se chega ao item XX da recomendação:
"Será preservada uma amostra estatística representativa do universo dos documentos e processos administrativos e dos autos judiciais findos destinados à eliminação."
Numa palavra: destruição.
Reapareceu o apagão que há anos ameaça a memória do Judiciário. Do ponto de vista de quem quer se livrar de um papelório que pode chegar a 20 milhões de processos, esses documentos não têm valor. Juntam bichos, mofo e perigo de fogo. Para os historiadores, ali está a História do andar de baixo e, em muitos casos, só ali.
Pela recomendação de Peluso, serão destruídos processos encerrados há cinco ou dez anos. Só excepcionalmente, em casos que envolvem patrimônios, podem durar até cem anos. Deles, sobreviverá apenas uma "amostra estatística".
Esse critério já queimou milhões de processos, entre eles o que tratou da indenização de um jovem metalúrgico que, em 1959, deixou o dedo mínimo da mão esquerda debaixo de uma prensa. Que valor teria o caso banal de um pernambucano miserável? Era o processo do dedo de Lula.
Pode-se sustentar que não compete ao Judiciário gastar dinheiro preservando processos velhos. Também é o caso de se conjurar projetos megalomaníacos de digitalização. Daí a destruir os papéis, vai uma distância enorme.
No Paraná, a Justiça do Trabalho publicou um edital abrindo o caminho para o descarte de cerca de 62 mil processos trabalhistas. Felizmente, a Unoeste de Marechal Cândido Rondon pediu a guarda do arquivo, e o caso poderá ser resolvido de forma exemplar.
O doutor Peluso sabe quão prósperos são os grandes escritórios de advocacia. O Rio Grande do Sul preserva 14 milhões de processos da sua Justiça, e isso custa à Viúva algo como R$ 4,2 milhões por ano (incluindo aluguel, água, luz e telefone).
Instituições oficiais de financiamento ou programas do BNDES e da Petrobras, associados a algumas bancas de advogados, poderiam desatar esse nó em outros estados.
Se a destruição for evitada, e os arquivos forem salvos, algum dia uma grande cidade poderá montar um projeto semelhante ao dos papéis da Corte criminal de Londres.
No Old Bailey digitalizaram 197 mil julgamentos preservados, com 240 mil manuscritos em que estão 3,35 milhões de nomes da ralé que passou pela Justiça entre 1674 a 1913. Essa papelada ensina que, em 1889, um sujeito era acusado de ganhar 20 libras para enviar uma jovem a um bordel brasileiro.
Graças à preservação de um censo dos hóspedes da prisão de Holloway, sabe-se que, em 1881, lá esteve Edward Glassborow, tataravô de Kate Middleton, duquesa de Cambridge.
Elio Gaspari
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MP denuncia bispo Macedo por lavar dinheiro de fiéis

SÃO PAULO - O Ministério Público Federal em São Paulo denunciou o bispo Edir Macedo e mais três dirigentes da Igreja Universal do Reino de Deus, acusados de formação de quadrilha e lavagem de dinheiro arrecadado dos fiéis. De acordo com a investigação, o grupo teria utilizado os serviços de uma casa de câmbio de São Paulo para mandar recursos de forma ilegal para os Estados Unidos, entre 1999 e 2005.
Os frequentadores da Universal seriam, segundo a denúncia, vítimas de estelionato. Os denunciados são acusados de só declarar à Receita parte dos recursos arrecadados com doações.
Em 2009, o Ministério Público Estadual de São Paulo chegou a apresentar denúncia contra Macedo e oito dirigentes da Igreja por lavagem de dinheiro, mas o Tribunal de Justiça do estado anulou o processo, em outubro de 2010, porque entendeu que a investigação deveria ser remetida para a Justiça Federal.
A nova denúncia foi apresentada no dia 1 de setembro pelo procurador da República Sílvio Luís Martins de Oliveira e utiliza fatos que foram levantados pela investigação do Ministério Público Estadual. Para o procurador, os "pregadores valem-se da fé, do desespero ou da ambição dos fiéis para lhes venderem a ideia de que Deus e Jesus Cristo apenas olham pelos que contribuem financeiramente com a Igreja e que a contrapartida de propriedade espiritual ou econômica que buscam depende exclusivamente da quantidade de bens materiais que entregam".
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E você? É também um turista “diferenciado”?

Timbau do Sul (RN) - Por que falamos tanto em igualdade e lutamos, com unhas e dentes, para sermos tratados de forma diferente? Bem, antes que a turma que tem problemas com interpretação de texto chie, vou ser mais explícito: todos nós somos diferentes e dessa diferença surge a graça de viver. Minha indagação se refere ao desejo tresloucadamente esquisito de ter privilégios e, consequentemente, de lutar para que seu grupo ou classe social os tenha.
Em outra vida, trabalhei com jornalismo de turismo. E essa discussão ganha contornos dramáticos nessa área. Pois há muitas belezas naturais tupiniquins que você só poderá ver, caro leitor, se tiver muito dinheiro no bolso. E não estou falando de passagens aéreas e hospedagem custosas. Entradas caras, taxas de permanência abusivas, taxas de visitação altas, monopólio na operação de determinado sítio de interesse – há várias formas de fazer com que só a “gente de bem” tenha acesso a certos patrimônios que, pelo menos em tese, pertencem à coletividade. Dessa forma, tornam-se destinos de luxo, quando não precisariam ser.
É mais ou menos o que acontece com uma roupa. Não importa que o seu preço de custo seja menor que um saquinho de jujubas coloridas, afinal foi produzida por escravos bolivianos. Coloca-se um preço de patê de foie gras a fim de que apenas um grupo social tenha acesso a ela, tornando-a exclusiva dele. Nós que trabalhamos com investigação de cadeias produtivas nos divertimos ao ver como o mesmo produto, com etiquetas diferentes, se torna xepa de baciada no Brás ou ícone fashion nos Jardins. E como tem gente com nariz empinado arrotando arrogância do alto de sua ignorância dentro de um roupa de jujubas…
Ou seja, com o preço lá em cima, afunila-se o acesso a um bem que se torna, por isso, posse de poucos. Pelo fato de estar na praia, me lembro de exemplos que envolvem água: Abrolhos (BA), Bonito (MS), Fernando de Noronha (PE), mas não só. Ah, japonês maluco, isso é uma forma de trazer renda para um lugar com baixo impacto para o meio, devido ao reduzido número de visitantes. Sou a favor de limitar o acesso de turistas de acordo com o plano de manejo estabelecido, mas radicalmente contra fazer isso de forma financeira. Até porque não significa que dinheiro venha junto com consciência ambiental. E, enfim, Mar, rios e parques nacionais pertencem à União. Eu, tu, eles, nós.
Antes do plano de manejo do Atol das Rocas, o único do Atlântico Sul, a 25 horas da costa do Rio Grande do Norte, ser aprovado em 2009, tentou-se incluir o turismo entre as atividades previstas para esse bercário de aves, mamíferos e quelônios, sistema frágil e extremamente relevante para a pesquisa e para o ecossistema marinho. Mas não um turismo qualquer e sim um “turismo diferenciado” (essa foi a expressão adotada), de pessoas com alto poder aquisitivo, que topassem pagar horrores para ir até lá. Felizmente a idéia de jerico foi derrubada, mas pode ser reincluída na revisão do plano em 2014.
Nesse caso, muita gente chiou. Gente que tem dinheiro e acha que pode comprar tudo, gente que trabalha para quem tem dinheiro e acha que tem a procuração para comprar tudo. Construiu uma pousada de luxo em uma área de preservação em Noronha? Sem problema, sou importante, amigo de gente importante. Dá-se um jeito. Se eu fosse um pé-rapado, erguendo a segunda laje no meu casebre na beira da Represa Billings aí eu teria com que me preocupar.
Lembrei-me com tudo isso do churrascão de “gente diferenciada”, protesto realizado em Higienópolis, organizado pelas redes sociais, contra declarações preconceituosas de membros da elite local insatisfeitos com os “impactos” da construção de uma estação do metrô no bairro rico. A idéia é a mesma: a separação do que é público e do que é privado desaparece para alguns mesmo que a lei estabeleça direitos iguais para todos os que nascem nesta porção de terra do planeta. O espaço que seria do coletivo se torna meu quintal ou meu jardim de inverno e posso decidir o que quiser sobre ele. Pô, afinal de contas, para que dou dinheiro para campanhas eleitorais?
Os mecanismos de desigualdade institucionalizada são sutis, mas existem aos borbotões. Se eu fosse vocês, brigava pelo direito de seus filhos terem acesso mais barato a aquilo que pertence a todos. E quando ninguém tiver acesso a um patrimônio natural por uma boa razão (e não estou falando do Zé Ninguém – que é como muitos de cima olham os de baixo), isso tem que significar ninguém mesmo. Mesmo o pessoal que paga preço de grife por calça diferenciada do Brás.
PS: Não gosto muito da idéia de ter heróis e segui-los. Acho que o Zé Ninguém, que mantém a família com um salário mínimo por mês, indo contra todas as previsões racionais, é quem mereceria ganhar uma medalha todos os dias. Mas há exceções. Sou fã do trabalho de Zélia Brito, funcionária pública e guardiã do Atol das Rocas há muitos anos. Acho, que outras pessoas deveriam ser. Nós da mídia somos muito bons em ajudar a construir heróis vazios, que se tornam referência por nadar rápido, chutar forte, dirigir veloz ou cantar mal (ganhando muito bem para isso), quando tem gente guiada pelo seu senso de Justiça, que toma conta do nosso futuro e é constantemente ameaçada por isso. Prometo voltar a escrever sobre ela aqui, mas tinha que deixar o registro.
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Do próprio bolso?

 Post atualizado 

Sagração - Marcelo Rossi: ele doou 25 milhões de reais
O padre Marcelo Rossi está investindo pesado para concluir em dezembro um megassantuário na Zona Sul de São Paulo, num terreno doado por Antônio Ermírio de Moraes. Tirou 25 milhões de reais do próprio bolso para ajudar a erguer um gigantesco templo para 100 000 pessoas.
É mais do que o dobro da capacidade do Itaquerão corintiano. Os recursos de Rossi vêm das vendas expressivas dos seus discos nos últimos anos e do livro Ágape.
No Lauro Jardim
Sempre que se fala no padre Marcelo Rossi, não se deve esquecer de seu precioso ensinamento.
Assim, atualizo este post com a grande mensagem desse padre:
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E quem chora as vítimas do imperialismo americano???

Toda a mídia brasileira engajada na propaganda americana do 11/09. Mas nenhuma mídia brasileira lembrou: O Golpe de Estado de 11 de Setembro, ocorrido no Chile em 1973, consistiu na derrubada do regime democrático constitucional do Chile, e de seu presidente Salvador Allende, tendo sido articulado conjuntamente por oficiais sediciosos da marinha e do exército chileno, com apoio militar e financeiro do governo dos Estados Unidos e da CIA, bem como de organizações terroristas chilenas, como a Patria y Libertad, de tendências nacionalistas-neofascitas, tendo sido encabeçado pelo general Augusto Pinochet, que se proclamou presidente.
Até quando o cinismo vai prevalecer...
No Grupo Beatrice
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Charge online - Bessinha - # 795

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Um dos 10 melhores filmes políticos do mundo

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As suspeitas sobre o 11 de Setembro

“Darei uma razão propagandística para começar a guerra, não importa se é ela plausível ou não. Ao vencedor não se pergunta depois se ele disse ou não a verdade”. Discurso de Adolf Hitler, em 25 de outubro de 1939, poucos dias antes da invasão da Polônia.
Até hoje persistem dúvidas sobre o de que fato aconteceu na manhã de 11 de setembro de 2001. Naquele fatídico dia, dois aviões atingiram as “torres gêmeas” do World Trade Center, em Nova York, símbolo da ostentação capitalista; um outro destruiu parte do prédio do Pentágono, em Washington, símbolo do poder imperial; e um quarto caiu na Pensilvânia.
Segundo dados oficiais, estes atentados causaram a morte de 3 mil pessoas e comoveram o mundo. Mas eles também ressuscitaram a desgastada imagem de George W. Bush, eleito de forma fraudulenta no final de 2000, e lançaram o planeta na insana “guerra infinita” contra o “eixo do mal” – que contabiliza a morte de 700 mil iraquianos e de mais de três mil soldados ianques.
Alguns setores mais críticos, inclusive nos EUA, garantem que os atentados foram orquestrados de forma inescrupulosa pela própria equipe de facínoras do governo Bush, interessada em criar o clima de histeria para justificar as bárbaras invasões do Afeganistão e Iraque. A comparação com o nazista Adolf Hitler é inevitável.
Outros, menos conspirativos, afirmam que eles foram funcionais aos planos expansionistas do imperialismo. Apresentam várias provas que confirmam que o governo dos EUA nada fez para evitar os atentados, mesmo sabendo previamente do risco iminente. Razões para tão graves e espantosas suspeitas existem. Não são meras especulações dos críticos mais radicais do ex-presidente-terrorista George W. Bush.
Relações intimas com os Bin Laden
Afinal, são conhecidas as antigas e intimas relações entre a dinastia Bush e a rica família de Osama Bin Laden, dona de uma das maiores construtoras do Oriente Médio. A primeira empresa de petróleo de George W. Bush, a Arbusto, inclusive foi financiada pela corporação do líder do grupo Al-Qaeda, culpado pelos ataques.
Não é para menos que no discurso em que anunciou a invasão do Afeganistão, Bush ordenou que se retirassem as referências à construtora árabe. Esta postura tão cordial diante desta fiel parceira nos negócios também pode explicar porque os familiares de Osama bin Laden foram retirados às pressas dos EUA, sem se sujeitarem às rigorosas normas de segurança dos aeroportos impostas no dia dos atentados.
Além disso, é público e notório que os setores mais agressivos do imperialismo já almejavam há tempos ocupar países estratégicos, preocupados com a grave crise energética e motivados pelo aumento do poder geopolítico dos EUA no planeta. Estas idéias já estavam presentes no governo de Bush-pai no documento Orientação da Política de Defesa (DPG), de 1992, que inclusive sugeria a invasão do Iraque.
Os atentados serviram somente de pretexto para reeditá-las, em setembro de 2002, na fascista Estratégia de Segurança Nacional (NSS). Os motivos para esta ação belicista e expansionista não tinham nada a ver com Osama Bin Laden, mas sim com as ambições do poderoso “complexo industrial-militar” que domina os EUA.
Alertas sobre os aviões-mísseis
Mas o que reforça a tese – seja da conspiração ou da razão funcional – são alguns fatos que antecederam os atentados. Hoje se sabe que, desde 1996, o serviço de inteligência interna, o FBI, já produzia relatórios alertando para o risco da Al-Qaeda usar aviões como mísseis em ataques suicidas nos EUA. Eles citavam que este grupo treinava pilotos no próprio território ianque e em outros países.
Em março de 1999, o serviço de inteligência da Alemanha (BND), forneceu à CIA o nome e o telefone de Marwan al-Shehhi, o terrorista que seqüestrou o vôo 175 da United Arlines e lançou o avião contra o World Trade Center. Ele mantinha contatos com o Mohamed Zammar, residente em Hamburgo, ativo militante da Al-Qaeda.
Cinco meses antes dos ataques, o próprio governo dos EUA avisara as companhias aéreas sobre o perigo do seqüestro de aviões para fins terroristas. Esta possibilidade foi comunicada diretamente ao presidente Bush nos primeiros dias de agosto de 2001, tanto pela CIA, que enviou um memorando advertindo sobre possíveis ataques, como pelo FBI, através do top-secret briefing do agente Kenneth Williamns.
O texto, datado de 6 de agosto, tinha como título “Bin Laden determinado a atacar dentro dos EUA”. Logo na sua abertura, o agente inclusive mencionava o World Trade Ceder como provável “alvo da ação terrorista”.
Ordem superior suspeita
O presidente George W. Bush manteve o conteúdo deste texto em rigoroso sigilo por quase três anos para que o país não soubesse que havia ignorado o alerta. Ele só se tornou público em abril de 2004, quando a sua ex-assessora de segurança, Condoleezza Rice, foi obrigada a ler o título do top-secret briefing numa seção do Congresso. Diante da denúncia bombástica, a Casa Branca ainda tentou desmentir as evidências.
Alegou que eram apenas especulações visando abortar os ataques ao Afeganistão e ao Iraque. Coisa de antipatriotas. Mas Eleanor Hill, antiga inspetora-chefe do Departamento de Defesa, confirmou no comitê parlamentar responsável por apurar falhas na segurança que a CIA, o FBI e outros serviços de inteligência dos EUA já tinham provas suficientes sobre os riscos de ataques da Al-Qaeda.
Um agente do FBI, que até hoje tem a sua identidade mantida em sigilo, ainda revelou ao comitê que seus superiores negaram, em 29 de agosto de 2001 – duas semanas antes dos atentados –, o pedido de prisão de Khalid Al-Midhar, um dos seqüestradores do vôo AA77, cujo avião foi lançado contra o Pentágono. Este havia participado de uma reunião da Al-Qaeda, na Malásia, 18 meses antes.
A CIA sabia da sua militância no grupo e seu nome constatava da lista de passageiros do avião-bomba. Stella Rimington, ex-chefona da MI5, agência de inteligência da Grã-Bretanha, revela em seu livro de memórias que estranhou o fato do governo estadunidense nada ter feito para reforçar a segurança nos aeroportos, já que eram conhecidos os relatórios da CIA e do FBI sobre os cursos em escolhas de aviação do país de militantes islâmicos.
“Uma junta de homens do petróleo”
Tamanho desprezo por informações tão alarmantes e graves é que leva várias pessoas a acreditarem que o ex-presidente-terrorista George W. Bush orquestrou macabramente os atentados ou, no mínimo, foi cúmplice dos ataques para viabilizar o seu projeto expansionista. Alguns até estranham o fato do plano de ocupação do Afeganistão ter sido anunciado apenas seis dias após os atentados, em 17 de setembro.
No documento de duas páginas e meia, classificado de top-secret, o presidente já detalhava a campanha de invasão do Afeganistão e dava ordens aos seus assessores para iniciarem o planejamento das opções militares de ataque ao Iraque. Tão lerdo diante dos inúmeros alertas; tão ágil na aplicação do seu sonho imperialista!
O premiado escritor Gore Vidal, que se auto-exilou após a invasão do Afeganistão, foi um dos que afirmou que os atentados serviram de pretexto para ambições econômicas. “Somos governados por uma junta de homens do petróleo. A maior parte deles é do ramo do petróleo – ambos os Bushes, Cheney, Rumsfeld e assim por diante. Eles estão no poder e este grande golpe irá beneficiá-los pessoalmente e [...] também vai beneficiar os EUA: que o país tenha acesso a esse imenso manancial de óleo da Ásia Central através de diversos oleodutos”.
“Durante muito tempo tratamos com o Talibã, mas seus homens se tinham tornado doidos e desmiolados demais, a ponto de tornar-se impossível tratar com eles. Então entramos no país para tentar estabilizar a situação, para que a Unocal (empresa de energia) possa construir o oleoduto”.
Altamiro Borges
No Blog do Miro
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11 de setembro e as mentiras de Bush

Para justificar a sanguinária ocupação do Iraque, iniciada em março de 2003 e que já causou a morte de 700 mil iraquianos e de mais de 3 mil soldados estadunidenses, o presidente-terrorista George W. Bush difundiu pelo mundo três falsidades grosseiras, que passaram a ser amplamente divulgadas pela mídia hegemônica. Contumaz mentiroso, ele garantiu que Saddam Hussein produzia armas biológicas, químicas e nucleares; que ele teve papel destacado no apoio operacional aos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001; e que ele mantinha estreitas ligações com a rede terrorista Al-Qaeda de Osama bin Laden.
Pouco antes do início da agressão, o secretário de Estado dos EUA, o general Colin Powell, apresentou no Conselho de Segurança da ONU, em fevereiro de 2003, as “provas cabais” que evidenciariam a produção das armas de destruição em massa. Elas incluíam algumas fotos aéreas desfocadas; a tradução de diálogos em árabe gravados pela CIA; a relação de tubos de alumínio comprados pelo Iraque que se destinariam à produção de armas nucleares; o testemunho de vários iraquianos sobre a existência de laboratórios móveis de armas químicas; e um “excelente” documento distribuído pelo serviço de inteligência da Grã-Bretanha.
“45 minutos do ataque nuclear”
Powell foi enfático na sua apresentação. “Saddam Hussein está tão determinado a ter a bomba nuclear que fez repetidas tentativas clandestinas para comprar tubos de alumínio, com certas especificações, em onze países diferentes”. “Soldado disciplinado”, como gostava de se gabar, o servil general também apresentou na ocasião um texto de 32 parágrafos “revelando as estreitas relações” entre Saddam e a Al-Qaeda. Hábil, chegou a sugerir que os ataques ao World Trade Center e ao Pentágono teriam sido tramados em Bagdá. Não restavam dúvidas: o Iraque era o centro do terrorismo mundial e devia ser imediatamente atacado!
Seu depoimento na ONU seguiu à risca o script elaborado na Casa Branca. Para gerar o necessário clima de histeria coletiva, o vice-presidente Dick Cheney jurou que “Saddam pode lançar, em 45 minutos, um ataque nuclear ao EUA”. A mídia ianque amplificou esta versão oficial, dando-lhe um tom apocalíptico, gerando pânico em várias cidades, com a compra de máscaras de proteção e a procura por abrigos. Já na Grã-Bretanha, onde era maior a desconfiança diante do servilismo de Tony Blair, o “cachorro sarnento”, o jornal The Sun, do magnata Rudolf Murdoch, estampou na capa: “Ingleses a 45 minutos do apocalipse”.
Falsidades rejeitadas na ONU
As mentiras dos pupilos de Bush, entretanto, não convenceram os membros do Conselho de Segurança da ONU. Algumas das “provas cabais” até causaram mal-estar e ironia. As fotos desfocadas poderiam ser de qualquer parte do deserto da região; já as gravações, todas trucadas, foram forjadas pela CIA; quanto aos tubos de alumínio, inspetores da ONU já tinham provado, em 2001, que eles não poderiam ser usados em centrifugadoras destinadas ao enriquecimento do urânio, já que eram “pesados demais, grossos demais e, na certa, vazariam”. Não havia risco de “um ataque nuclear em 45 minutos”, como alardeava Dick Cheney.
Já os tais laboratórios móveis foram denunciados por conhecidos membros do bando do ex-agente da CIA Ahmed Chalabi – milionário iraquiano residente no exterior e processado por vários casos de corrupção. Steve Allinson, ex-inspetor da ONU que esteve nos locais mostrados por Colin Powell, também contestou esta prova cabal. “A informação que nos deram era de que havia sete ou oito caminhões refrigerados, com agentes biológicos. Mas eram caminhões velhos, com teias de aranha. Nada de agentes”. Na prática, após sete anos das brutais sanções da ONU, o Iraque não tinha capacidade militar para ameaçar nenhum país.
Mas o que desmoralizou de vez as mentiras foi a reação pública do governo britânico, que desautorizou o “excelente documento”, após a confirmação de que ele continha informações retiradas da internet por um jovem estudante da Califórnia. Já no que se refere às ligações entre a Al-Qaeda e o governo iraquiano, até o mais novato assessor da ONU sabia que o primeiro grupo é vinculado aos xiitas e que Saddam Hussein liderava os sunitas – e que ambos vivem às turras e não negociam acordos comuns. O próprio governo do Iraque, temendo novas sanções da ONU, alertara o órgão para o risco de atentados da Al-Qaeda nos EUA.
Atentado ao Direito Internacional
Diante destes fatos inquestionáveis, a reunião de fevereiro de 2003 do Conselho de Segurança rejeitou o pedido do presidente George Bush de intervenção militar no Iraque. Mas os EUA já estavam decididos a realizar a sanguinária ocupação – pelo menos desde 1992, no governo de Bush-pai – e tinham proclamado o seu direito à “ação unilateral” e à “guerra preventiva” no documento Estratégia de Segurança Nacional (NSS). Sem o respaldo da ONU e num aberto desrespeito ao Direito Internacional, poucos dias depois o governo Bush ordenou o início da campanha sadicamente batizada de “choque e horror”, com o intenso bombardeio ao povo iraquiano. Já estava tudo montado; o depoimento de Powell era pura encenação.
Se os fatos não bastassem para desmascarar as mentiras de Bush, a ocupação serviria para desmoralizá-lo por completo. As armas de destruição em massa nunca foram encontradas. Uma investigação que durou dez meses após o início da ocupação e que varreu todo o país chegou a esta conclusão irretocável. Ela foi coordenada por David Kay, inspetor nomeado pelo próprio Bush, e contou com a participação de mais de cem especialistas. Seu relatório final foi taxativo: não havia armas químicas, nem bacteriológicas e nem nucleares. As mentiras foram usadas como pretexto para criar o clima de histeria e para justificar a guerra.
A confissão do crime
Menos de um ano depois da criminosa ocupação do Iraque, assessores da Casa Branca confessariam toda a trama. Em janeiro de 2004, o próprio Powell revelaria numa entrevista coletiva que não possuía “provas concretas” sobres as ligações do Iraque com a rede Al-Qaeda. Já o secretário de Defesa Donald Rumsfeld, ao ser interrogado no Congresso dos EUA após a difusão do relatório Kay, afirmou candidamente: “Na verdade, não sabemos se havia de fato qualquer arma de destruição”. Pouco antes do início da agressão, ele havia garantido à imprensa que “nós sabemos onde estão escondidas as armas proibidas de Saddam Hussein”. A desmoralização foi tanta que o falcão Rumsfeld teve que ser defenestrado do governo Bush.
A confissão do crime desgastou ainda mais a imagem da mídia hegemônica dos EUA, que veiculou sem qualquer neutralidade ou espírito crítico as mentiras de Bush. Segundo o comunicólogo Ben Bagdikian, “cinco ou seis corporações controlam atualmente tudo o que os estadunidenses lêem, vêem e ouvem”. Todas elas se somaram à onda conservadora, de cunho patriótico-religioso, para justificar a agressão ao Iraque. Dois destes impérios midiáticos – a News Corp, do australiano naturalizado Rupert Murdoch, e as publicações da seita Moon, do reverendo sul-coreano Sun Myung – têm notórias relações com o Partido Republicano e fizeram campanha descarada pela agressão. Apenas o jornal New York Times, temendo a perda leitores, publicou editorial, em maio de 2004, com a singela autocrítica da abjeta manipulação.
Negócios com a família Laden
Esta mesma mídia venal ajudou a cultivar a imagem pública do presidente-terrorista George Bush após os ataques de 11 de setembro. Ela fez de tudo para esconder a trajetória sinuosa e nada transparente do atual ocupante da Casa Branca. Para manter entorpecido o povo estadunidense, ela não deu destaque às antigas alianças da família Bush com Saddam Hussein e mesmo com Osama bin Laden – o primeiro recebeu milhões de dólares para compra de armas, inclusive bacteriológicas, na sua guerra contra os aiatolás que lideraram a revolução no Irã; já o segundo foi assessorado pela CIA, com dinheiro, treinamento e armas sofisticadas, como o míssil Stinger, na sua rica guerrilha contra o regime pró-soviético do Afeganistão.
George W. Bush, um mentiroso profissional, sempre ocultou as suas obscuras relações com a família Bin Laden. Seu primeiro negócio no ramo do petróleo, como dono da empresa Arbusto Energy, deu-se através de empréstimos do banco BCCI, de James Bath, que também era representante no Texas do xeque Salem bin Laden – proprietário, junto com seu famoso irmão, da maior construtora do Oriente Médio, a Ladem Brothers. Quando a Arbusto entrou em concordata, em 1981, o poderoso grupo saudita ajudou novamente a tirar do sufoco o atual presidente. Isto talvez explique porque Bush fez questão de censurar 28 páginas do relatório sobre os atentados de 11 de setembro que se referiam à Laden Brothers e porque a família Bin Laden foi removida às pressas do país, desrespeitando as rígidas normas de segurança após os ataques.
“Arruaceiro e beberrão”
Na sua trajetória de “filhinho de papai”, Bush cometeu várias irregularidades, que infelizmente são pouco conhecidas devido à blindagem da mídia. Como estudante, foi um aluno “beberrão e arruaceiro”, segundo a corrosiva biografia escrita por James Hatflied. Temendo represálias, a Editora St. Martins’Press mandou recolher 70 mil exemplares do livro. O autor provou que Bush foi preso por dirigir embriagado e também por porte de cocaína – neste caso, sua ficha foi removida dos registros policiais por interferência direta do pai, então na presidência. O estabanado Bush, num discurso para os alunos da Universidade de Yale, em maio de 2001, confirmou esta péssima fama: “Aos que receberem honras, prêmios e distinções, eu digo ‘muito bem’. Aos que não receberem, eu digo: ‘Vocês também podem chegar à presidência dos EUA”.
Já como empresário, bancado pela família, ele foi um desastre, levando à falência três empresas do ramo de petróleo – Arbusto, Spectrum e Harken –, todas elas envolvidas em falcatruas, como remessa ilegal de divisas, sonegação de impostos e irregularidades trabalhistas. Para viabilizar a sua candidatura ao governo do Texas, Bush chegou a ocultar por oito meses da SEC, agência estatal reguladora do mercado de ações, que vendera dois terços de suas ações da Harken Energy – o que caracteriza grave violação da legislação estadunidense. Com a mesma aversão à transparência, Bush nunca explicou seu estranho “alistamento” na Guarda Nacional dos Texas como forma de desertar do serviço militar durante a guerra do Vietnã.
Verdadeiras razões da guerra
A trajetória deste “mentiroso profissional” ganhou contornos mais trágicos com sua chegada à presidência dos EUA. No poder, suas mentiras serviram para justificar ataques criminosos que, no fundo, têm razões econômicas e geopolíticas ambiciosas. Sob as areias do Iraque existem 115 milhões de barris de petróleo, a segunda maior reserva do planeta – a Arábia Saudita possui 262 milhões de barris. Com a derrubada de Saddam Hussein e a imposição de um governo fantoche, os EUA ainda afastaram o risco da substituição do dólar pelo euro nas transações petrolíferas – como era o projeto iraquiano. A invasão também foi uma cartada decisiva na geopolítica mundial, servindo de anteparo aos países rivais, em especial à China.
Já no caso do Afeganistão, bombardeado a partir de outubro de 2001, o que está por detrás do genocídio também é o “ouro negro”. Além de produzir o melhor caviar do mundo, o Mar Cáspio, na Ásia Central, esconde enormes reservas petrolíferas já comprovadas. Em decorrência de sua localização geográfica, porém, os lençóis petrolíferos caucasianos só podem se transformar em dólares após a construção de um oleoduto de US$ 3,2 bilhões ligando o Turkmenistão ao Paquistão, o que obriga a cortar ao meio o oeste afegão. O governo dos talibãs, ex-aliados dos EUA, era contra esta obra. Deposto à força, Afeganistão, Paquistão e Turkmenistão assinam, em dezembro de 2002, o acordo para a construção do oleoduto.
Altamiro Borges
No Blog do Miro
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Charge online - Bessinha - # 794

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"EUA têm mais inimigos hoje do que tinham em 2001"

Em entrevista à Carta Maior, François Bernard Huyghe, professor de Ciências Políticas e pesquisador no Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas (IRIS), analisa os dez anos transcorridos desde os atentados de 11 de setembro de 2001. Autor de vários ensaios sobre o terrorismo, o especialista francês destaca a relação entre mídia e terror, a permanência da ideologia conservadora nos EUA e o erro estratégico que Washington cometeu ao responder ao terror com um terrorismo de Estado.
Uma década depois das imagens das Torres Gêmeas de Nova York caindo como castelos de areia as análises dos especialistas são contrastadas: Bin Laden não ganhou, mas tampouco os Estados Unidos. Em meio a isso, eclodiram as revoluções árabes e estas, em um mesmo movimento, desacreditaram tanto as teses do radicalismo islâmico como a vergonhosa posição dos países ocidentais que apoiaram, em nome de seus interesses, os piores déspotas da história. Professor de Ciências Políticas, pesquisador no Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas (IRIS), autor de vários ensaios brilhantes sobre o terrorismo, François Bernard Huyghe analisa nesta entrevista os dez anos transcorridos.
Em seu último livro publicado na França, “Terrorismes, violences et propagande”, François Bernard Huyghe faz uma análise histórica do terrorismo. O autor destaca nesta entrevista o papel dos meios de comunicação, a permanência da ideologia conservadora norteamericana e a forma pela qual, por meio da “guerra ao terror”, a primeira potência mundial recorreu ao terrorismo de Estado ao melhor estilo de Pinochet, no Chile.
Dez anos depois do 11 de setembro fica no ar algo como um balanço nefasto, tanto para os seguidores da Al-Qaeda quanto para os Estados Unidos. As revoltas árabes que estouraram em 2011 são uma poderosa negação das teses da Al Qaeda e, ao mesmo tempo, desmascaram o cinismo ocidental.
A primavera árabe se inscreve em uma lógica oposta às ideias da rede de Bin Laden. Para a Al Qaeda, os muçulmanos tinham só duas opções: submeter-se ao Ocidente ou a ditaduras pró-ocidentais como a de Mubarak no Egito; ou se comprometer com a Jihad, a guerra santa, e combater. Mas nos damos conta de que existia ao menos uma terceira alternativa, a saber, a das revoluções democráticas. Hoje estamos então em uma nova fase na qual a Al Qaeda e a nebulosa jihadista esperam aproveitar-se da primavera árabe segundo um esquema clássico. Contam com que a revolução popular e pacífica gere decepções, que haja desordens e tentativas reacionárias. A partir daí, os elementos mais duros jogarão a carta da radicalização da situação com a ideia de passar daí para a luta armada. Esse é o esquema que se depreende das ideias de Al-Zawahiri.
Por outro lado, Hosni Mubarak no Egito e Ben Ali na Tunísia agitaram o fantasma da Al Qaeda e com isso reprimiram a população ao mesmo tempo em que diziam ao Ocidente: “estamos do seu lado, lutamos contra os islamistas”. Chegamos assim ao assombroso paradoxo de ver os EUA felicitarem-se ante a maravilhosa revolução democrática no Egito quando, na verdade, até apenas alguns meses atrás Washington despejava bilhões de dólares no Egito de Mubarak.
Outro dos grandes paradoxos do 11 de setembro reside em que os atentados serviram mais aos interesses da ideologia neoconservadora norteamericana do que aos interesses do mundo árabe.
Para os neoconservadores dos EUA, os atentados do 11 de setembro foram uma surpresa divina. Os atentados deram aos conservadores o argumento ideológico para justificar os planos que já tinham prontos, como a invasão do Iraque por exemplo. Esse argumento consistia em dizer que os EUA não eram um tigre de papel, que podiam utilizar a força e inclusive impor a democracia pela força no mundo árabe. Eles aproveitaram a ocasião para vivificar o país preconizando valores militares, de disciplina, de ofensiva.
Os neoconservadores se apegaram à locomotiva do 11 de setembro e conseguiram com isso uma influência ideológica incrível. Aproveitaram-se da situação, da personalidade do presidente Bush. Para eles, o 11 de setembro foi um pão abençoado. E creio que, ainda hoje, não estão fora do jogo. Podem voltar nas próximas eleições presidenciais e, contrariamente ao que pensam muitos analistas, os neoconservadores não estão descontentes com Obama. Eles aprovaram a decisão de enviar 20 mil soldados adicionais ao Afeganistão. Para a Al Qaeda, o fato de a primeira potência do mundo, os EUA, ter declarado guerra e apontado a rede como seu principal inimigo foi um tipo de felicidade paradoxal.
De alguma maneira continuamos mergulhados nas duas ideologias, a que Bush colocou em prática como resposta a Bin Laden.
Sim, essa corrente ideológica persiste. Por exemplo, um mês depois do assassinato de Bin Laden, Barack Obama firmou uma enésima doutrina contra o terrorismo na qual o enunciado principal segue sendo “estamos em guerra contra a Al Qaeda”. A obsessão de um segundo 11 de setembro, a prioridade que se deu à ação para eliminar os terroristas e suas redes assim como os regimes que os apoiam não desapareceu. O discurso de Obama, obviamente, é diferente. O presidente diz que é preciso agir respeitando certos valores e Obama não adotou um regime jurídico excepcional como o Patriot Act.
O terrorismo ao estilo Bin Laden também inaugurou uma indústria mundial dos meios de comunicação, uma espécie de frenesi comercial de comentaristas, analistas e canais de televisão que se ocuparam de propagar a legitimidade da chamada “guerra contra o terror”.
Sim, é certo, mas essa é também uma das regras do terrorismo: o terrorismo é também um meio de comunicação. Se os meios de comunicação não existissem, se os meios não afetassem o imaginário das pessoas, o terrorismo não existiria. O atentado contra as torres gêmeas foi o acontecimento mais filmado da história da humanidade. O terrorismo vive graças ao impacto que tem nos meios de comunicação. Antes, nos anos 70, os terroristas eram obrigados a ser apoiar nos meios de comunicação inimigos, nos meios do capitalismo digamos, para que suas ações fossem difundidas. O que mudou hoje é a aparição da internet. Hoje há redes sociais islâmicas, portais islâmicos, revistas virtuais islâmicas e produtoras islâmicas. Os terroristas têm também seus próprios meios de comunicação.
De um 11 de setembro a outro, o do golpe de estado de Pinochet no Chile e o dos atentados de 2001, encontramos uma constante: o Estado chileno recuperado por Pinochet levou a cabo no Chile uma repressão semelhante a que Bush implementou em escala mundial na chamada guerra contra o terror. As violações de direitos humanos que vimos no Chile, Argentina, Uruguai e Brasil se reencarnaram mais tarde nas práticas da primeira potência mundial.
É certo que como resposta às guerrilhas houve um terrorismo de Estado na América do Sul. Trata-se de uma lógica clássica na qual grupos minoritários obrigam o inimigo a mostrar seu verdadeiro rosto, desmascarando-o para mostrar que é sanguinário. Quando os Estados se veem confrontados ao terrorismo, aplicam suas próprias leis, adotam medidas, proclamam um estado de exceção e, assim, entram em uma fase repressiva que, às vezes, os leva a eliminar poucos adversários e a ter mais inimigos do que antes.
Os Estados se vêm tentados a recorrer a práticas condenáveis: prisões secretas, torturas, repressão, interrogatórios. Todos os Estados caem na tentação de responder à provocação terrorista com um terrorismo de Estado. É isso o que vemos com a reação dos EUA depois dos atentados de 11 de setembro: imagens de guerra terríveis, a prisão de Guantánamo e todo o dispositivo que foi posto em marcha com o Patriot Act. Com esse esquema, os EUA fizeram mais inimigos do que os que tinham no dia 10 de setembro à tarde. É um erro enorme do ponto de vista estratégico.
Eduardo Febbro - Correspondente da Carta Maior em Paris
Tradução: Katarina Peixoto
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