8 de set de 2011

Supremo condena Deputado à prisão

O STF (Supremo Tribunal Federal) condenou o deputado Asdrúbal Bentes (PMDB-PA) a mais de três anos de prisão, em regime aberto, por ter realizado cirurgias de laqueadura tubária em mulheres de Marabá em troca de votos nas eleições municipais de 2004.
Por 8 votos a 1, os ministros entenderam que ele deveria ser condenado por “realizar esterilização cirúrgica em desacordo com a legislação” do Planejamento Familiar.
O relator do caso, ministro José Antônio Dias Toffoli, propôs a substituição da pena de reclusão por uma que restringiria seus direitos políticos, mas ficou vencido neste ponto.
Os colegas Luiz Fux, Cármen Lúcia, Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Gilmar Mendes, Celso de Mello e Cezar Peluso entenderam que, pela gravidade dos fatos, a substituição não poderia ocorrer.
De acordo com Fux, o deputado utilizou de um “artifício extremamente danoso e que exemplarmente deve merecer a reprimenda da Corte porque ultrapassou os limites imaginários do ser humano nessa forma de corrupção eleitoral”.
O único a defender a absolvição de Asdrúbal Bentes foi o ministro Marco Aurélio Mello.
O deputado alegou que não existiam provas contra ele. Seus advogados ainda poderão entrar com recursos técnicos, os chamados embargos de declaração, que só servirão para postergar o cumprimento da pena.
Ele também era acusado por outros crimes, como formação de quadrilha, estelionato e corrupção eleitoral, mas os ministros entenderam que todos já estavam prescritos.
De acordo com a denúncia, Bentes, sua esposa e sua enteada, utilizaram a “Fundação PMDB Mulher” para recrutar eleitoras com a promessa de receberem gratuitamente uma cirurgia de laqueadura tubária _que as impossibilitaria de ter outros filhos.
O Ministério Público Federal diz que as eleitoras eram aliciadas, cadastradas e encaminhadas ao Hospital Santa Terezinha – de propriedade de seu genro –, onde ocorria o procedimento médico.
O fato feriu a Lei do Planejamento Familiar, que só permite a esterilização após um prazo de 60 dias entre “a manifestação da vontade e o ato cirúrgico” ou em caso de risco de morte ou de prejuízo à saúde da mulher.
Os ministros entenderam que o parlamentar não terá seus direitos políticos suspensos automaticamente, o que ficará a cargo da Câmara dos Deputados.
Também não foi decidido como será o cumprimento de sua pena, detalhes que somente serão definidos no momento da execução da pena. No caso de “regime aberto”, o Código Penal diz que o condenado pode ficar, durante o dia, em liberdade e sem vigilância, mas deve trabalhar, frequentar cursos ou exercer outra atividade autorizada pelo juiz. Nas noites e nos dias de folga, ele deve ficar “recolhido”.

Leia também: Mais um "pescador" pode ser fisgado pela lei
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Jornalistas do PIG se reúnem com sionistas em Israel

Jornalistas de diversos veículos do Brasil foram convidados pela Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp) e pelo Projeto Interchange, do American Jewish Committee, para uma viagem a Israel, noticia o site Pletz.com. Os profissionais se encontrarão com autoridades políticas, e terão esclarecimentos sobre os conflitos entre Israel e Palestina.
A equipe de repórteres e correspondentes, que embarcam para o Oriente Médio no próximo domingo, é composta por Adriana Lopes de Freitas (Rede Record), Adriana Mabília (TV Globo - São Paulo), Allen Chahad (Terra), Edilson Sacashima (UOL), Guilherme Russo (O Estado de S. Paulo), Humberto Saccomandi (Valor Econômico), Marcia Soman Moraes (Folha de S.Paulo), Paulo Henrique Caetano Galvão (Rádio Bandeirantes), Roberto Nonato Ramos (Rádio CBN) e Sheila Magalhães (Rádio Bandnews).
Eles participarão de encontros com o presidente de Israel, Shimon Peres, com a líder do Partido Kadima, Tzipi Livni, com membros do Knesset, o Parlamento Israelense, e com membros do Ministério da Defesa e dos Negócios Estrangeiros. Os profissionais brasileiros se encontrarão, ainda, com representantes da Autoridade Palestina em Ramallah e poderão consultar jornalistas e editores de veículos internacionais, analistas políticos e acadêmicos.
Na última segunda-feira (5), o presidente da Rede Record, Alexandre Raposo, e o empresário e jornalista João Dória Jr participaram de um encontro com o presidente Shimon Peres, como parte da comitiva de empresários que viajaram a Israel para a 2ª Audi Business Trip, organizada pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide).
Fonte: Portal Imprensa
No Vermelho
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A música que Roberto Carlos não cantou em Jerusalém

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Vídeo produzido por Kais Ismail Musa.
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Pastores do Malafaia têm salário de até R$ 20 mil, além de casa e carro

Silas Malafaia, 53, informou que o salário dos pastores de sua igreja, a Assembleia de Deus Vitória em Cristo, vai de R$ 3.000, para iniciantes, a R$ 20.000, com benefícios que incluem casa mobiliada, escola para filhos e plano de saúde. Pastores com experiência têm direito a carro do ano.
É a primeira vez que um líder religioso neopentecostal revelou o salário dos pastores. Na falta de maiores informações, os valores citados por Malafaia podem ser tomados como referência do mercado de salários dos pregadores da Bíblia.
As perspectivas desses profissionais são as melhores possíveis, considerando que não precisam ter formação universitária. Um professor de ensino médio não ganha tanto, nem sequer um médico em início de carreira, por exemplo.
“Mas é preciso saber ler a Bíblia, pregar, explicar”, disse Malafaia à jornalista Daniela Pinheiro, que escreveu para a revista Piauí de setembro reportagem sobre o pastor. “Não adianta o cara [candidato a pastor] vir com chorumela”, avisou Malafaia.
Na semana passada, a BBC Brasil informou que os pastores mais habilidosos estão sendo disputados pelas igrejas neopentecostais. Está se tornando cada vez mais comum um pastor mudar de igreja para ganhar mais, a exemplo do que ocorre em outras atividades.
A valorização desses profissionais se deve a um conjunto de fatores: o bom desempenho da economia brasileira, o fortalecimento do poder aquisitivo das classes C e D (onde há proporcionalmente mais evangélicos) e a disputa cada vez mais acirrada entre as igrejas evangélicas pelo mercado de fiéis.
O número de vagas é crescente e faltam profissionais. A procura por bons profissionais supera a oferta.
Malafaia informou que vai abrir 250 igrejas nos próximos cinco anos. Considerando que cada templo necessita no mínimo de dois pastores, a Vitória de Cristo vai precisar de pelo menos 500 profissionais. Atualmente, a subdenominação tem cerca de 100 templos.
É aconselhável que os candidatos a pastor saibam o inglês ou outro idioma, porque as igrejas neopentecostais vão continuar se expandindo para o exterior, em ritmo cada vez mais acelerado. A Igreja Universal, por exemplo, já se encontra em 110 países, onde o "negócio" é administrado, na maioria dos casos, por brasileiros, tidos como os de "mais confiança" em relação aos pastores "nativos".
A Universal tem mais filiais no exterior do que qualquer multinacional brasileira, registrou a BBC. Em Londres, o esforço agora da denominação é cativar os ingleses, não só, portanto, os brasileiros lá radicados.
A Igreja Mundial segue o caminho da Universal. Além de ter um forte crescimento no Brasil, a igreja de Valdemiro Santiago se expande sobretudo na África. Pouco se sabe da Igreja Internacional da Graça, do discreto R.R. Soares, mas seus planos também são expansionistas.
Na Universal, o pastor tem de cumprir meta de arrecadação de dízimo, como qualquer vendedor de apólice de seguro ou do comércio atacadista, por exemplo. Há prêmios, como viagem a Jerusalém, àqueles que obtêm os melhores resultados.
Além de bom salário, os pastores sempre têm a possibilidade de abrir “o próprio negócio” sem praticamente nenhum investimento. Para registrar uma igreja e começar a pregar e colher dízimo, desfrutando de isenção de impostos, basta R$ 500, no máximo, sem contar o aluguel de um salão.
Com informação da revista Piauí (só para assinante).
No Open Sante
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Charge online - Bessinha - # 788

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Protestos contra a corrupção: um bom recomeço

Desde sua fundação, o Brasil serve aos interesses de uma elite dominante, que sempre considerou o Estado uma continuidade de suas posses. Foi assim nas capitanias hereditárias, na época da Casa Grande das fazendas de cana-de-açúcar e café e para os coronéis do sertão e, hoje, aos da política e da comunicação. Mas temos também a pequena corrupção, da qual todos nós participamos ou somos coniventes, do cafezinho pago ao policial para evitar uma multa à caixinha para o atendente do órgão público a fim de agilizar o processo – em suma, a parte negativa do “jeitinho brasileiro”.
Com a redemocratização na década de 80, aumentou o número de casos de corrupção que chegam ao conhecimento popular, seja por intermédio da mídia ou por instituições como o Ministério Público e o próprio poder Legislativo. Não porque, necessariamente, a coisa piorou, mas porque o acesso à informação melhorou. Essa grande quantidade de casos divulgados e a sensação de que boa parte deles permanece impune foi levando a sociedade a perder a confiança no Estado e na política. Essa descrença somada aos exemplos históricos faz com que a população passe a acreditar, erroneamente, que a corrupção já está forjada em nossa nação e que não há nada a ser feito. O que é um erro. Protestar é fundamental e muda sim.
Alguns amigos teceram críticas às marchas contra corrupção que ocorreram em várias cidades brasileiras neste 7 de setembro. Reclamaram contra o discurso supostamente vazio ou parcial com relação à corrupção adotado, do tipo, “sou contra, mas não sei o que fazer para resolver” ou “sou contra, mas não mexa no meu queijo”. Haja vista que corrupção não é monopólio de determinado grupo político, mas prática que perpassa todos os partidos hegemônicos, isso soa estranho para eles.
Eu, não. Achei ótimo. Não vejo problema em manifestações que se indignam contra as coisas, mesmo que parte dos que protestam estejam na gênese do problema. Espero que chegue o momento em que todo dia haja um protesto, com os cidadãos retomando a rua – mesmo que eu não concorde com boa parte deles. Afinal, no debate público de idéias decorrente da publicização de diferentes discursos, vamos ver quem sobrevive ao bombardeio da crítica. Por fim, esses mesmos amigos não reclamaram dos protestos que antecederam o impeachment de Collor, mesmo sabendo do uso político de muitas ações que levaram a ele. Poderia discutir aqui horas sobre isso, mas não vou. Na verdade, como oportunista que é todo jornalista, usei isso de gancho para falar um pouco questões ligadas ao combate à corrupção.
Tenho recebido muitos e-mail com pessoas pedindo uma manifestação sobre o assunto – como se eu fosse especialista, mas vá lá (essa é a deixa para um leitor grunhir: “você sabe do assunto, porque mama nas tetas do Estado!” – risos. Adoro meus leitores).
É fácil notar que as medidas punitivas à corrupção têm mais visibilidade na mídia e entre a sociedade do que aquelas que tentam prevenir. O escândalo político tem o poder de atrair como uma novela, distribuído capítulo a capítulo pelos veículos de comunicação – muitas vezes pensando mais em audiência ou circulação do que na divulgação do caso. Discutir mecanismos para dar transparência prévia é mais chato do que assistir a programas de jornalismo sensacionalista, que adotam uma trilha sonora tensa quando registram a prisão de algum bandido do “colarinho branco”.
Simplificar as estruturas atuais e garantir regras claras e inteligíveis à administração pública fazem parte da prevenção. Muitas vezes você tem um impedimento do cidadão de conseguir ser atendido nos serviços públicos. A estrutura complexa chega a “espantar” a população com códigos difíceis. No Brasil, a interface entre sociedade e governo não é amigável. A burocracia, o corpo do funcionalismo público e os regulamentos que devem facilitar a vida da população acabaram se tornando em sinônimo de coisa emperrada, displicente, corrupta. Aparecem, então, pessoas que cobram para desobstruir a ponte que deveria ser livre naturalmente. Criamos dificuldades para alguém vender facilidades. Esses intermediários podem ser legais, como no caso dos despachantes ou ilegais, a exemplo de funcionários bem relacionados dentro dos órgãos públicos. Houve avanços nos últimos anos, mas há muito a fazer.
E se a população percebe que governo e Justiça funcionam, vai ser mais difícil usar o chamado “jeitinho brasileiro” para conseguir ter uma reivindicação atendida de forma mais célere. Por exemplo, a implantação do Código de Defesa do Consumidor – um dos mais avançados do mundo – substituiu a necessidade de se ter uma boa relação com o comerciante para trocar um produto defeituoso por um suporte legal. O brasileiro percebeu que esse instrumento funcionava e passou a se utilizar das vias corretas para a solução dos seus problemas. A ação rápida de Procons e do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec) também ajudaram nessa conscientização do consumidor.
Não se pode esperar que alguém acate uma regra por livre e espontânea vontade, baseado em um compromisso ético, uma moral interior ou na idéia de bem comum. Respeitamos as leis porque elas vêm acompanhadas de ameaças de sanções a quem transgredi-las. Para entender melhor, basta lembrar o que acontece no cotidiano. A população da cidade de São Paulo passou a utilizar o cinto de segurança não pelo fato de considerá-lo um item de segurança importante, mas pelo medo da multa.
Pode parecer autoritário, mas apenas com uma fiscalização rígida é possível fazer com que as leis que orientam a administração pública sejam efetivamente cumpridas, as deficiências detectadas e os ralos de dinheiros estancados. O controle dos órgãos públicos pode ser feito tanto internamente, com a prestação de contas à esfera de governo a que estão subordinados, quanto de forma externa, pela sociedade civil, mídia, sindicatos, associações empresariais, Ministério Público, Tribunais de Contas e entre os próprios poderes. Esses mecanismos de controle precisam ser fortalecidos, ganhar mais poder e acesso às informações.
O papel fiscalizador da imprensa precisa ser aprimorado. É praticamente impossível que certos veículos de comunicação tragam à tona denúncias de corrupção uma vez que eles estão nas mãos das mesmas famílias que há décadas ditam os rumos da política. Isso acontece tanto no Nordeste (os Magalhães, na Bahia, os Sarney, no Maranhão, os Collor, em Alagoas) quanto no Sudeste. Isso se repete em certos veículos de alcance nacional também, é claro.
É difícil acreditar que uma denúncia de corrupção que afete amigos ou parceiros políticos será devidamente apurada nesses casos. Há de se fortalecer os veículos, sem vínculos políticos, garantindo liberdade de expressão. Certamente, a solução para dar passagem às vozes dissonantes é a internet. Estamos apenas engatinhando com isso.
Por fim, a palavra nepotismo vem do latim “nepote” e que significa neto ou sobrinho e ela começou a ser utilizada para designar os privilégios que os papas concediam a seus familiares. Apesar de não ser proibida legalmente, a prática de irmãos, primos, cunhados garantindo cargos públicos é rejeitada pela sociedade civil. Ela é uma das expressões mais conhecidas da relação que a elite brasileira estabeleceu com o Estado. Muitos parlamentares e governantes consideram normal colocar parentes em cargos que requerem confiança e dependem de nomeação.
A solução para o problema passa em reduzir o número de cargos de confiança, garantindo que o acesso a mais e mais funções se dê por concurso público, por mérito, e não indicação. Cria-se, dessa forma, um corpo burocrático permanente de qualidade, independente do poder de plantão.
Só por curiosidade: em 2000, um deputado federal propôs uma lei para “limitar” o abuso, reduzindo para “apenas” dois o número de familiares que poderiam ser contratadas. Ele não é mais deputado. Hoje é vice-presidente da República.
No Blog do Sakamoto
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O caso Folha x Falha. Quem pode fazer piada?

Por que a imprensa pode fazer piadas com a sociedade e nós somos proibidos de fazer com ela?
O caso da ação judicial movido pelo jornal Folha de S. Paulo contra os irmãos Lino e Mario Bocchini é exemplar para provocar uma reflexão sobre os limites éticos do debate da liberdade de expressão sob o ponto de vista de setores importantes da mídia tradicional. Os irmãos Bocchini criaram o blog Falha de S.Paulo, espaço irreverente e descontraído de análise e críticas de matérias e conteúdos veiculados no tradicional diário paulista.
Como paródia, naturalmente, o blog é “uma obra literária que imita outra obra literária”, evidentemente que em tom caricato com “objetivo jocoso ou satírico”, segundo o dicionário Houaiss. Observa-se aqui com nitidez aquilo que classifico como uma característica marcante da mídia tradicional e conservadora do Brasil. A seletividade na abordagem dos temas ou como analisar temas semelhantes de maneira distinta a partir dos interesses que estão em jogo, propondo-se a criar indicativos no leitor/telespectador sobre a relevância dos acontecimentos e os fatos essenciais para o seu comportamento no meio social, não só refletindo, mas também reconstruindo a própria realidade, ao gosto dos grandes empresários da comunicação deste país. Verifica-se, assim, o papel ideológico representado pela mídia tradicional, atuando em favor da manutenção da preeminência ideológica dominante.
No processo eleitoral de 2010, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) questionou no Supremo Tribunal Federal a proibição de fazer sátiras a políticos durante a campanha. Acertadamente, o STF liberou o uso de sátiras e manifestações de humor contra políticos, acatando proposta da Abert. “O riso e o humor são expressões renovadores, de estímulo à prática da cidadania. O riso e o humor são transformadores, saudavelmente subversivos, são esclarecedores e reveladores, e, por isso, são temidos pelos detentores do poder”, afirmou no julgamento o ministro Celso de Mello.
No mesmo julgamento, Gustavo Binenbojn, advogado da Abert, destacou: “a sátira e o humor são formas consagradas de manifestação artística e crítica política. O advogado da Abert reforçou ainda a tese da entidade de que a proibição do humor causa “grave efeito silenciador”.
No episódio em que a atriz Juliana Paes move processo contra José Simão, colunista da Folha de S. Paulo, a advogada do jornal, Tais Gasparin, a mesma que agora assina a ação contra o blog Falha de S.Paulo, alega: “tratar o humor como ilícito, no fim das contas, é a mesma coisa que censura”. A Folha de S. Paulo, que apoiou a ditadura no Brasil, mantém-se, nesse episódio do blog Falha, coerente ao seu passado, mas em contradição com seu discurso atual de defesa da liberdade de expressão no país. De qual Folha estamos falando?
Seguindo a defesa da Folha, o Casseta & Planeta, Pânico na TV, CQC estariam impedidos de utilizar a paródia como instrumento de crítica humorística, que “se valem de elementos visuais de importantes personalidades públicas para identificação pelos telespectadores”. É o que dizer então do fato do cartunista Ziraldo ter criado a revista “Bundas”, como paródia da revista “Caras”, ou em plena ditadura o jornal O Pasquim referir-se ao jornal O Globo como “The Globe”. Não há registro de terem sido censurados ou de tentativa de censura.
Por fim, é curioso observar também que a MTV Brasil em três oportunidades no dia 28 de junho levou ao ar o logotipo idêntico usado pelo blog Falha de S.Paulo que satiriza o jornal Folha de S. Paulo, que foi proibido pela justiça, no mesmo contexto (paródia) sem que nenhuma ação fosse movida contra o Grupo Abril, dona da MTV Brasil, revelando mais uma vez que a imprensa pode fazer piada com ela mesma, a sociedade não. Lobo não como lobo, já diz um velho ditado popular.
Não há dúvidas, portanto, que a ação contra o blog Falha de S.Paulo é um recado a todos os blogueiros, sites, tuiteiros e qualquer outro tipo de protagonismo possível que as novas tecnologias têm permitido aos cidadãos e à sociedade civil de romper com lógica vertical da comunicação. “Liberdade de expressão é bom, é um princípio, mas não para vocês. O monopólio da informação e da livre manifestação do pensamento é nosso, e qualquer tipo de crítica será censurado. E se possível, ainda queremos, buscar uma indenização daqueles que insistirem em nos desafiar”.
Paulo Pimenta é jornalista e deputado federal
No Conversa Afiada
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Corruptores

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MP pede prisão de 28 policiais julgados por juíza assassinada

O Ministério Público (MP) pediu a prisão de 28 Policiais Militares de São Gonçalo que estavam incluídos em processos julgados pela juíza Patrícia Acioli, assassinada no dia 11 de agosto em Niterói. Todos fazem ou fizeram parte do 7º Batalhão, de São Gonçalo. De acordo com o MP, 90% dos casos envolvem autos-de-resistência, quando ocorre a morte por confronto com a polícia.
Ao todo, o MP vai pedir à Justiça o afastamento cautelar de 34 policiais, incluindo os 28 PMs com a prisão solicitada. O pedido é baseado na nova lei 12403. O MP considera que as suspeitas levantadas contra os policiais tornem o exercício da profissão de policial incompatível até que os processos sejam julgados.
Os policiais terão que entregar suas armas e identidades funcionais e vão ter que comparecer aos quartéis diariamente até que os processos sejam julgados. Segundo o procurador geral de Justiça, Cláudio Soares Lopes, o número de pedidos pode aumentar, visto que o MP analisou até agora somente 60% dos processos que estavam sob o cuidado de Acioli.
No caso dos PMs que tiveram a prisão solicitada, caso a Justiça não aceite o pedido, eles ainda poderão ser afastados. "Se alguém pensou que o assassinato da juíza iria intimidar a justiça como um todo, uma resposta efetiva teria que ser dada no contrário", afirmou o procurador.
"Todos os processos são de auto-de-resistência, envolvendo milícias de regiões distintas. São réus de vários processos. Em algumas situações estão juntos, mas não há indícios de que sejam parte de uma mesma grande organização criminosa", disse Lopes.
Segundo o procurador, não há provas de envolvimento desses policiais com o assassinato da juíza. "As medidas tomadas não fazem parte da investigação que está sendo conduzida pela Divisão de Homicídios do Rio", concluiu.
Juíza estava em "lista negra" de criminosos
A juíza Patrícia Lourival Acioli, da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, foi assassinada a tiros dentro de seu carro, por volta das 23h30 do dia 11 de agosto, na porta de sua residência em Piratininga, Niterói, na região metropolitana do Rio de Janeiro. Segundo testemunhas, ela foi atacada por homens em duas motos e dois carros. Foram disparados mais de 20 tiros de pistolas calibres 40 e 45, sendo oito diretamente no vidro do motorista.
Patrícia, 47 anos, foi a responsável pela prisão de quatro cabos da PM e uma mulher, em setembro de 2010, acusados de integrar um grupo de extermínio de São Gonçalo. Ela estava em uma "lista negra" com 12 nomes possivelmente marcados para a morte, encontrada com Wanderson Silva Tavares, o Gordinho, preso em janeiro de 2011 em Guarapari (ES) e considerado o chefe da quadrilha. Familiares relataram que Patrícia já havia sofrido ameaças e teve seu carro metralhado quando era defensora pública.
No Terra
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Corruptores, os grandes ausentes do debate

Talvez eu tenha perdido alguma coisa, mas sinto falta da inclusão dos corruptores no debate sobre a “faxina” e nas manifestações do Sete de Setembro.
Será que existe alguma relação entre o poder dos corruptores e a interdição das operações Satiagraha e Castelo de Areia — ou foi mero acaso?
Por que não se debate, por exemplo, punição às empresas corruptoras, como a impossibilidade de participar de licitações para as que forem condenadas em última instância pelo pagamento de propinas?
Por que não aprovamos uma lei parecida com a que o Congresso americano debate, para dar proteção aos assim-chamado whistle blowers, os denunciantes de corrupção pública ou privada?
E o nexo entre a corrupção e a reforma política?
Seria lamentável ver a pauta do combate à corrupção sequestrada por interesses partidários.
Quanto ao número de manifestantes em Brasília, que provocou debate entre os comentaristas, não tive e não tenho como afiançar quantos foram.
As fontes divergiram: o Estadão e o Globo falaram em 25 mil; a Folha em 12 mil; a Carta Maior em 2 mil no início do protesto, com a adesão posterior de parte do público que viu o desfile de Sete de Setembro.
O Globo registrou: “O senador Álvaro Dias (PSDB-RJ) foi hostilizado”.
Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
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Que tal a marcha contra escravocratas?

Neste 7 de setembro, Dia da Independência, a Juventude do PSDB, os chefões demotucanos e alguns “calunistas” da mídia deram apoio às chamadas “marchas contra a corrupção”. O motivo é nobre e seduziu algumas pessoas contrárias aos “malfeitos” com o dinheiro público. Já os animadores dos protestos não são tão nobres assim. Muitos deles são mais sujos do que pau de galinheiro.
Mas já que decidiram deixar suas mansões e ir às ruas para protestar, aproveito para fazer uma sugestão. Por que não convocam também atos contra as empresas corruptoras ou contra os empresários que sonegam impostos e desviam grana para os paraísos fiscais? Já que estão tão indignados, por que não protestam contra os escravocratas, que crescem como praga no país?
A “lista suja” da escravidão
No final de julho, o Ministério do Trabalho divulgou o seu Cadastro dos Empregadores. Ele mostra que o uso do trabalho escravo tem crescido no país. A “lista suja” do governo traz 251 nomes de empresários do campo e das cidades – o maior número desde a criação da lista, em 2004. Em julho do ano passado, ela continha 151. Em cerco de um ano, o salto dos criminosos foi de 65%.
Segundo o ministério, esse aumento decorre do aperto na fiscalização. Ela hoje seria mais eficiente, como comprovou o recente escândalo do uso de trabalho escravo nas oficinas subcontratadas pela multinacional espanhola Zara. Será que o correspondente do El País, Juan Arias, que adora falar besteiras sobre o Brasil, toparia participar de uma “marcha contra os escravocratas”?
Cadê os indignados demotucanos?
A “lista suja” também confirma que a maioria dos escravocratas explora na zona rural – são os velhos latifundiários, alguns deles travestidos de modernos barões do agronegócio. Dos 251 criminosos listados, 183 infrações foram cometidas no campo. O total de trabalhadores resgatados nestes locais foi de 7.963. O Pará é o estado que concentra o maior número de escravocratas (62).
Será que o senador tucano Álvaro Dias, muito ligado aos ruralistas, toparia convocar uma marcha contra o trabalho escravo? Pelo twitter, ele foi um dos entusiastas dos protestos de ontem. O “indignado” demo ACM Neto também poderia ser acionado. Alguns tucaninhos, filhinhos de papai de ruralistas, poderiam até usar seus carrões para agitar a “marcha contra os escravocratas”.
Desarquivar a PEC do trabalho escravo
Esta marcha não teria somente um caráter de denúncia, não seria apenas um oba-oba oposicionista. Ela serviria para pressionar os deputados a desarquivarem a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) contra o trabalho escravo. Até hoje o DEM e o PSDB, além dos ruralistas de outros partidos, bloqueiam a tramitação deste projeto civilizatório. Será que rola dinheiro dos escravocratas?
Ela também poderia exigir maior fiscalização do Estado. Afinal, os escravocratas são notórios corruptores. Eles corrompem fiscais, juízes, policiais e... parlamentares. A bancada ruralista no Congresso Nacional é expressiva e atuante. Para peitar os escravocratas corruptores é urgente aumentar a fiscalização e endurecer as punições. Quem topa a marcha contra os escravocratas?
Altamiro Borges
No Blog do Miro
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Chico Anísio, Mário Lago, Grande Otelo e a censura da TV Globo

Chico Anísio, numa entrevista reprisada da TV Brasil, de 8 de outubro de 2008, acaba de dizer: “o meu contrato com a Globo reza que não posso criticar os programas da emissora, por isso pedi para o técnico bloquear os canais abertos. Assim não os vejo e não os comento”.
É impressionante a censura que a TV Globo impõe a seus artistas e jornalistas, fazendo de conta que o que faz não é censura.
No I Tribunal da Mídia, em 1987, coordenado à época pelo professor José Carlos Rocha, que lecionava na USP e na Metodista de SBC, uma testemunha não pôde comparecer, Grande Ottelo. O ator global havia confirmado a presença. Ele iria acusar a mídia. Diria, entre outras coisas, que era discriminado. Que não tinha o espaço que seu talento deveria lhe garantir no cenário nacional.
Grande Otelo foi um dos maiores atores da história do Brasil, mas o contrato com a TV Globo o impediu de fazê-lo. Ele não pôde ir.
Quando lancei o livro 16 linhas cravadas, de Mário Lago, vivi algo diferente, mas semelhante. Mário Lago já estava com seus 80 anos, mas não podia decidir sobre o que queria fazer.
Dias antes do lançamento do livro, foi informado que precisava gravar. E numa ligação nervosa, me disse que achava que não poderia ir ao lançamento que estava agendado há meses. Ao fim, conseguiu convencer a direção da TV Globo que merecia aquela distinção. Ir ao lançamento do livro que havia dedicado alguns anos. Mas foi um favor que a emissora lhe prestou.
A Globo não censura?
Ao assistir a entrevista de Chico Anísio entendi melhor o significado dos contratos da TV Globo.
Contratos não têm nada a ver com censura, certo?
Afinal, contratos são contratos.
Censura é querer regulamentar a mídia, a partir de um contrato com a sociedade.
Quem sabe um dia isso mude.
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Fraude de Kassab em licitação

Vídeo publicado no 'estadão.com.br' na 2ª já informava quem venceria contrato de R$ 433,8 mi
SÃO PAULO - O Estado teve acesso ao nome dos ganhadores da licitação para serviços técnicos de manutenção, ampliação e remodelação do serviço de iluminação pública na cidade de São Paulo antes da abertura da concorrência, que ocorreu hoje. O vencedor, como foi publicado em um vídeo na segunda-feira no estadão.com.br, é o consórcio formado pelas empresas Alusa Engenharia e FM Rodrigues. Neste momento, a comissão de licitação está conferindo os papéis do consórcio para habilitar a proposta.
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O valor da licitação é de R$ 433.794.099,16 e o contrato tem duração de dois anos. A concorrência estava suspensa desde fevereiro a pedido do Tribunal de Contas do Município (TCM). Foi liberada depois da administração atender a recomendações técnicas do tribunal. O esquema para favorecer as empresas vencedoras e o nome dos ganhadores já haviam sido revelados ao Estado desde o começo deste ano.
O serviço de manutenção da rede vem sendo prestado por meio de contratos de emergência, renovado a cada seis meses, desde 2005. A Alusa Engenharia e a FM Rodrigues já integram o Consórcio SPLuz, responsável pelo serviço emergencial, formado por mais duas empresas (Start e Socrel).
No contrato emergencial, a cidade estava dividida em seis áreas. Cabia a FM Rodrigues atuar nas zonas norte, sudoeste e leste, enquanto a Alusa ficava com a região central.
Na nova concorrência, as duas empresas ficarão responsáveis pela manutenção, ampliação e remodelação de toda a cidade de São Paulo. A rede de luz do município abrange 17 mil quilômetros de vias públicas e 50 mil ruas, por onde se espalham 505.600 pontos de luz e 570 mil lâmpadas.
Bruno Paes Manso
O Estado de S. Paulo
No Esquerdopata
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Dilma é entrevistada por equipe do 'Fantástico'

A presidente Dilma Rousseff voltou a afirmar nesta quinta-feira que o governo será firme em "combater malfeitos", mas que sua prioridade é o combate à miséria no país.
Por mais de duas horas, a presidente deu entrevista ao programa "Fantástico", da Rede Globo.
Por volta das 9h, Dilma recebeu a equipe, comandada pela apresentadora Patrícia Poeta, no Palácio da Alvorada.
Foi a parte leve da entrevista, em que Dilma mostrou a área pública do Alvorada. Elas circularam pelo salão, biblioteca e desceram até a sala de cinema, no andar inferior.
Dilma foi perguntada sobre sua rotina, hábitos e como é viver no palácio projetado por Oscar Niemeyer.
A Folha apurou que a equipe quis que Dilma mostrasse a área privada do Alvorada, como a cozinha e o guarda-roupas da presidente, mas o acesso não foi permitido.
A mãe, filha e neto de Dilma também não participaram da entrevista.
No final da manhã, Dilma recebeu a equipe em seu gabinete no Palácio do Planalto, onde falou sobre temas de governo.
O programa deve ir ao ar no domingo.
Na Falha
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Kotscho ensina Heródoto

"Quando você vai participar de um movimento é preciso ver quem está a seu lado"
No Esquerdopata
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Dirigente de movimento de trabalhadores sem-terra é assassinado na Bahia

Na noite do dia 6 de setembro de 2011, por volta das 21h, no Povoado de Mandassaia, no município de Monte Santo, na Bahia, foi assassinado Leonardo de Jesus Leite, liderança regional do Movimento de Trabalhadores Acampados e Assentados (Ceta).
Leonardo tinha 37 anos, era casado e pai de dois filhos. Ele foi arrastado do interior de sua casa, na presença da família, e executado no terreiro com um tiro na cabeça.
Ele fazia parte de um grupo de trabalhadores rurais sem-terra que, há mais de 10 anos, luta por terra e trabalho na região, especialmente pela desapropriação para fins de Reforma Agrária da Fazenda Jibóia, no município de Euclides da Cunha, de propriedade de José Renato, ex-prefeito do município.
Nos últimos 15 dias, Leonardo recebera ameaças de pistoleiros que atuam na região de Monte Santo, a mando de um grupo de fazendeiros.
"Ironicamente, às vésperas do feriado de 7 de setembro, quando a nação brasileira pára pra celebrar a independência e a cidadania, um filho seu que nunca fugiu à luta e enfrentou a injustiça e a opressão do latifúndio, foi brutalmente assassinado", diz nota do Movimento Ceta.
Nos últimos três anos, foram assassinados cinco trabalhadores rurais em Monte Santo em razão da luta pela terra. Há muitos anos, um grupo de fazendeiros age em quadrilha no município, perseguindo que ousar se insurgir contra o latifúndio e contra seus desmandos de corrupção e roubalheira.
As autoridades públicas, como Poder Judiciário, Polícia Civil, Ministério Público, Incra, Ouvidoria Agrária, estavam cientes das ameaças, mas nada foi feito para impedir o assassinato.
O movimento Ceta denuncia também que "foi mais uma morte anunciada: os latifundiários fizeram mais uma vítima e não foi por falta de aviso".
A organização de trabalhadores rurais cobra a punição dos responsáveis pelo assassinato e a imediata desapropriação da Fazenda Jibóia.
No MST
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Alê Peixoto: Marcelo Tas declara no Facebook que sente saudades da Ditadura

Possivelmente Marcelo Tas dirá que Alê Peixoto não tem humor:
Olá, gente.
Segue em anexo um print screen que fiz de uma pérola do Tas, que me causou arrepios na “espinha”, como se diria antigamente.
Feicibucada do Tas, agora pela manhã:
Perguntei se ele sentia saudade do Nazismo e da Escravidão tb, mas deletaram meu comentário.
A batalha pra 2012 e 2014 já começou.
Abraços
Alexandra
Comentário da Alexandra deletado no perfil do Marcelo Tas
Nota do Maria Frô: Como Marcelo Tas sente saudades da Ditadura é esperado que ele deletasse o comentário da Alexandra, não é mesmo?
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“Não vamos dar senha porque vocês são pretas do cabelo duro”, diz promotor da Ed. Abril na Bienal

Estudantes de Niterói denunciam racismo na Bienal do Livro
Alunos da Escola Estadual Guilherme Briggs, em Santa Rosa, Zona Sul de Niterói, sentiram na pele, na tarde da última segunda-feira, a dor do preconceito racial, que supostamente para muitos não ocorreria mais em nosso país, muito menos nas dependências de uma feira literária, onde nossa cultura é expressada das mais variadas formas, nas páginas publicadas por inúmeras editoras. Preconceito e injúria racial são crimes passíveis de prisão, no artigo 9º da Lei 7716/89.
De acordo com a diretora da escola, Alcinéia de Souza, o fato entristeceu e chocou os alunos da unidade, uma das mais conhecidas do município, foi registrado ontem da Delegacia Legal de Icaraí (77ª DP), e formalmente encaminhado à Secretaria Estadual de Assistência Social e Direitos Humanos.
De acordo com a diretora do estabelecimento de ensino, na tarde de segunda-feira ela levou um grupo de 45 alunos que cursam o Ensino Médio da escola até a Bienal do Livro 2011, que se realiza no pavilhão do Riocentro, na Zona Oeste do Rio. No local, entusiasmados os alunos, com idades entre 15 e 17 anos, se espalharam para apreciar os vários estandes. Segundo os alunos e a diretora, num deles da Editora Abril ocorria uma promoção, onde eram distribuídos uma espécie de senha para que os jovens prestigiassem a tarde de autógrafos do ator e apresentador Rodrigo Faro. Entusiasmadas, duas alunas do colégio, de 16 e 17 anos, se dirigiram até um dos promotores, inicialmente identificado apenas como “Pedro” ou “Roger” – no intuito de conseguir uma das senhas. Do promotor as alunas ouviram (incrédulas) insultos do tipo: “Não vamos dar a senha porque vocês são pretas do cabelo duro”, e também “não gosto de mulheres negras, por isso não darei senhas para vocês”. Segundo uma das alunas, indignada com a ofensa ainda tentou argumentar com o promotor – “isso é um tipo de bullying, e pode te trazer problemas”. Com resposta o promotor rebateu, afirmando que isso não daria problema nenhum para ele”.
Como o grupo estava espalhado pelo pavilhão de exposições, a diretora da escola afirmou que só tomou conhecimento do fato quando os alunos já estavam deixando o evento. Revoltada, Alcinéia retornou ao estende da Editora Abril, à procura do responsável pela representação da empresa, que de acordo com ela pediu-lhe desculpas (omitindo a identificação do promotor) e alegando que tomaria providências. “Sentindo-se humilhada, uma das alunas disse que sequer conseguiu dormir de segunda para terça-feira”, explicou Alcinéia, que no início da tarde de ontem, acompanhada dos alunos, pais, e de um advogado (que também é professor da unidade), José Carlos de Araújo, registrou queixa de crime de Injúria e Preconceito Racial na 77ª DP. A distrital encaminhou o procedimento para a Delegacia Legal do Recreio dos Bandeirantes (42ª DP).
“Ensinamos os princípios da cidadania para os alunos, explicando inclusive que independe de quem sejam, e agora ele passam por uma experiência terrível dessas ? Os alunos da escola estão chocados com o que aconteceu. Fiz questão de comparecer junto com os pais desses estudantes na DP para relatar esse triste fato. Esses estudantes são como filhos pra mim”, disse Alcinéia. “Em pleno século XXI isso ainda acontece em nosso país. Esse fato não se esgota na esfera criminal. Não desejamos isso para nosso país”, disse José Carlos de Araujo, que junto com a diretora, os alunos, e com a cópia do registro levou também ontem o fato ao conhecimento da Secretaria Estadual de Assistência Social de Direitos Humanos para que providências sejam tomadas.
Representantes da Editora Abril não retornaram as ligações da redação.
Texto: Augusto Aguiar
Foto: Bárbara Grebe
Do jornal A Tribuna
No Quem tem medo da democracia?
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Justiça de Mato Grosso bloqueia pagamento de show de Zezé di Camargo e Luciano

SÃO PAULO - A Justiça acatou o pedido do Ministério Público de Mato Grosso e determinou o bloqueio do pagamento de um show feito pela dupla sertaneja Zezé di Camargo e Luciano no domingo passado na cidade de Diamantino. A medida tem como objetivo assegurar que os R$ 210 mil que seriam pagos aos cantores fiquem bloqueados, já que o dinheiro saiu dos cofres públicos do município. O Ministério Público ingressará com ação civil pública para tentar garantir o ressarcimento ao erário.
Enquanto os organizadores do evento arrecadam toda a receita relativa ao evento, cabe, em última análise, ao povo custear o show artístico de maior importância, por meio de verba pública municipal
Também foram bloqueadas as contas da comissão organizadora da 'V Expodiamantino', da empresa responsável pelos shows "Maciel & Santana Ltda ME" e da bilheteria do show da dupla sertaneja. De acordo com a promotora de Justiça Anne Karine Louzich Hugueney Wiegert, a 'V Expodiamantino' foi realizada por iniciativa privada, mas o show da dupla sertaneja foi custeado com recursos públicos. Após tomar conhecimento desse fato, o Ministério Público ingressou com ação cautelar com pedido de liminar na tentativa de impedir o pagamento e obter o bloqueio das contas.
- Após termos recebido denúncia anônima sobre a irregularidade, requisitamos informações ao prefeito e ele nos encaminhou nota de empenho, mas não nos esclareceu se o recurso já havia sido repassado integralmente à dupla. Diante disso, ingressamos com ação cautelar para tentar impedir eventual repasse e assegurar o bloqueio das contas - explicou a promotora de Justiça.
Segundo ela, a medida cautelar é preparatória para a ação principal, que buscará a responsabilização por atos de improbidade administrativa. Além do município, representado pelo prefeito Juviano Lincoln, também serão acionados os integrantes da comissão organizadora do evento, os empresários Antonio Martins Teixeira e Sebastião Mendes Neto, e o proprietário da empresa Maciel & Santana Ltda Me, Ronaldo Maciel.
- Na ação principal vamos requerer o ressarcimento ao erário. Se o montante bloqueado não atingir os R$ 210,00 mil, buscaremos os meios legais para garantir que os requeridos efetuem o pagamento - adiantou a promotora de Justiça.
Segundo a ação do MP, os organizadores da 'V Expodiamantino' receberam patrocínios para divulgação e arrecadaram com o aluguel dos espaços, cujos preços variaram de R$ 500,00 a R$ 7 mil. Isso sem contar o dinheiro arrecadado com a venda de ingressos.
- Enquanto os organizadores do evento arrecadam toda a receita relativa ao evento, cabe, em última análise, ao povo custear o show artístico de maior importância, por meio de verba pública municipal , tendo ainda a mesma população que pagar para assistir ao referido show com a compra de ingressos ou passaportes - destacou a promotora de Justiça, em um trecho da ação cautelar.
No O Globo
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Controle social sobre o "pensamento dominante da imprensa conservadora" já!

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Lançado o programa “Afunda São Paulo”

Além dos programas de grande sucesso, como o “Alaga São Paulo” e o “Bolsa Ouavida”, o trio Serra-Alckmin-Kassab tem o “Afunda São Paulo”.
Matéria de hoje do G1 diz que “Um caminhão caiu em uma cratera em uma obra na Rua São Joaquim, na Liberdade, na região central de São Paulo, nesta quarta-feira (7). De acordo com a Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), a rua estava totalmente bloqueada entre a Rua da Glória e o número 580 por causa do acidente por volta das 9h30. Não havia informações de feridos no horário.
Lembrar que está quase chegando a época do principal programa do trio Alckmin-Serra-Kassab: o incopiável “Alaga São Paulo”!
No FBI
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Integrante do PCC desacata Poder Judiciário

Carlos César dos Santos Lima, o vulgo "Zóio", integrante da organização criminosa "Primeiro Comando da Capital", conhecida pela sigla PCC, durante audiência realizada em 30 de setembro de 2009, no Fórum Estadual de Limeira-SP, desacatou o Poder Judiciário.
Demonstrando muita firmeza em seus propósitos, o bandido não se intimidou na presença de um Juiz de Direito e ainda reafirmou, com convicção, os atos ilícitos de que estava sendo acusado.
Dica do Antonio Granado
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Aperta o cerco para Ricardo Teixeira

A Procuradoria Geral da República instruiu o Ministério Público do Rio de Janeiro para que abra inquérito criminal contra Ricardo Teixeira, Imperador da CBF.
Baseada nas denúncias realizadas pelo jornalista Andrew Jennings, da BBC, de que o “Barão” recebeu propina da ISL e depois teve que devolvê-la para não ser condenado.
Se acatar a indicação da procuradoria, o MPRJ terá poderes para solicitar à justiça suíça cópia de toda a investigação contra Teixeira e Havelange.
Pode ser o início do fim de um interminável chá de cadeira, que pode culminar na queda de Ricardo Teixeira.
Ou, quem sabe, até na prisão.
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No Trastevere

A pizzaria do Trastevere que tinham nos recomendado estava cheia e acabamos num restaurante ao lado, vazio. Éramos quatro. A primeira coisa que fizeram quando nos sentamos foi trazer quatro taças de Prosecco, cortesia da casa. Nos entreolhamos, desconfiados de que pagaríamos caro por aquela cortesia. Nosso instinto de sobrevivência dizia "Corram!", mas o constrangimento nos mandava ficar. Afinal, éramos brasileiros mas de uma região em que a civilização pegara.
A própria moça que nos atendia, de blue jeans, em desacordo com a decoração mas em bem ajustado acordo com sua anatomia trasteveriana, não sei se por gratidão por termos ficado ou com sinceridade, não acreditou que fôssemos brasileiros.
Descreveu as especialidades da casa e optamos por um rigatoni, precedido, no meu caso, por um carpaccio de peixe. Pelo menos pelo que deu para ver, pois era pouco e sua passagem pelo meu prato foi rápida. Existe uma regra inescapável segundo a qual quanto menores as porções, mais caro o restaurante. Um dia algum empreendedor europeu vai atingir a perfeição e montar um restaurante em que toda a refeição cabe num pires e a conta vem numa travessa.
O rigatoni veio numa cumbuca perto da qual um dedal não se sentiria humilhado e o liquidamos com três garfadas. E como secondo? — perguntou a Blue Jeans, certa de que, para não parecermos brasileiros, não recuaríamos agora. Pedimos o secondo não por constrangimento ou respeito à tradição italiana. Era fome mesmo.
Ela recomendou outra especialidade da casa, um peixe chamado "spadolini". Espera aí. Spadolini era o ministro da Defesa na época. Não me lembro do nome do peixe. Que demorou uns bons quarenta minutos para aparecer. Como o restaurante continuava vazio, deduzimos que a demora se devia ao esmero com que estava sendo preparado.
E realmente, o próprio chefe trouxe a travessa da cozinha como se fosse um filho recém-nascido. Serviu quatro pratos com cuidados cirúrgicos e os colocou na nossa frente como se seu futuro na profissão dependesse do nosso julgamento.
Peixe, uma camada de batatas em cima, molho de tomate em cima das batatas. As batatas estavam cruas e no dia em que souber do seu molho de tomate o Trastevere em peso expulsará o chef e queimará seu restaurante. Foi o pior peixe jamais servido na Itália. Bom, talvez o que serviam nas masmorras do Coliseu fosse pior. Só a conta não decepcionou a expectativa. Era altíssima.
Claro que, para cada experiência como esta, tivemos dezenas de grandes encontros com a culinária romana em várias estadas. Mas que fique a lição: quando for a uma pizzaria bem recomendada do Trastevere e não tiver lugar — espere!
Luís Fernando Veríssimo
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Nós, os normais

A vida é o acúmulo de algumas alegrias e muitas encrencas. Eu entrei numa encrenca em 2008, ao iniciar a produção de um documentário sobre a Coepad, a primeira cooperativa no Brasil formada por portadores de deficiência intelectual.
Tinha tudo para dar certo: história inédita e impactante, personagens extraordinários, baixo custo de produção. Pelas minhas previsões, o filme estaria pronto no final de 2009. Dei com os burros n’água.
O trabalho realizado pela Coepad (Cooperativa Social de Pais, Amigos e Portadores de Deficiência) é reciclar papéis. A partir da reciclagem são produzidos cadernos, blocos, agendas, canudos de formatura, bolsas ecológicas, entre outros produtos.
A sede da Coepad é no Estreito, parte continental de Florianópolis, e seu ponto de venda é o Centro de Cultura e Eventos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A cooperativa está dividida por oficinas: reciclagem, cartonagem, acabamento gráfico e serigrafia. Em cada um desses setores, além dos cooperados, trabalha um funcionário sem deficiência, cumprindo a função de coordenador. Muitos voluntários ajudam no serviço.
Nas primeiras semanas das gravações, em pareceria com a jornalista Juliana Kroeger, ficou claro que o contagiante clima de alegria daquele ambiente deveria ser o foco do documentário. “As pessoas são felizes aqui”, resumiu o bioquímico Aldo Brito, idealizador e presidente da cooperativa. “Elas são felizes e orgulhosas do que construíram”.
E aí começou a minha encrenca: como captar esse clima, como captar a dimensão e a beleza deste projeto sem cair nos lugares-comuns, sem sentimentalismos bobos, sem parecer didático ou institucional?
Abri o jogo com os cooperados, falei da dificuldade em traduzir em imagens o que mais me impressionara. Angélica Medved, portadora de síndrome de Down, funcionária do setor de cartonagem, sugeriu:
- Você deve mostrar o quanto amamos trabalhar aqui e, mais importante, o quanto nós nos amamos.
Achei a resposta linda e sincera, mas o diabo da encrenca continuava igual.
- Como mostrar este amor? - perguntei. Ela ameaçou um sorriso discreto, como quem diz: ‘entendo e perdôo a sua ignorância’.
- É simples - ela respondeu. - Mostre a maneira como fazemos cada um dos produtos e como nós, os cooperados, nos relacionamos.
Segui esses conselhos. Percebi que a base da alegria é a amorosidade entre eles, visível no cuidado de uns com os outros. Aqueles com mais facilidade em determinada tarefa explicam ao colega como fazer, sem autoritarismo ou arrogância. Mas existem alguns problemas, lógico, e a dificuldade financeira é o maior deles.
Fora dali, muitos são e foram vítimas de preconceitos. Um exemplo: em maio deste ano, duas cooperadas foram impedidas de se matricularem na Academia Floripa Fitness, na Avenida Mauro Ramos, centro de Florianópolis. Motivo: as duas são portadores de síndrome de Down.
O ato do proprietário da academia é ilegal, por ferir o artigo 5º da Constituição Federal. Embora revoltante, o fato é mais comum do que se imagina. Durante séculos, portas permaneceram fechadas para as minorias, que estão aprendendo a abri-las à força, numa luta diária e quase sempre anônima.
De acordo com dados do IBGE, existem mais de três milhões de pessoas portadoras de deficiência intelectual no Brasil. Se o desemprego atinge 8% da população economicamente ativa, esse número sobe para mais de 90% para as pessoas que apresentam alguma deficiência.
Fabiana e Angélica: “existem coisas que a câmera não entende”
Diante deste quadro e do que Angélica me disse, fiquei pensando como nós, os considerados normais, temos deficiências elementares. De um modo geral, e com os mais próximos em particular, fechamos portas diariamente: não sabemos ouvir, não sabemos cuidar, não nos importamos. Mas somos normais.
Boa parte do nosso trabalho é feita com sacrifício e sem prazer. Mas somos normais. Não sabemos perceber onde está o amor ou como comunicá-lo, simplesmente desaprendemos a reconhecê-lo. Mas somos normais.
O documentário será lançado em novembro deste ano e a cena inicial deverá ser uma frase da artista plástica Fabiana Brito, portadora de síndrome de Down, melhor amiga de Angélica. Para consolar minha angústia em não conseguir captar o essencial daquela história, Fabiana disse: “existem coisas que a câmera não entende”.
Existem infinitas coisas que os “normais”, assim mesmo, entre aspas, não conseguem entender. Por isso, nossa encrenca será permanente. Às vezes, porém, essa encrenca torna-se uma inesperada lição de vida.
Fotos: Juliana Kroeger e Rô Reitz
Fernando Evangelista é jornalista, diretor da Doc Dois Filmes e colaborador do Portal Desacato.
No Nota de Rodapé
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Charge online - Bessinha - # 787

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Ódio Mineiro: agressões a gays e assassinato de travesti em um mesmo dia

Casal homossexual é agredido por skinheads na Praça da Liberdade/MG
Em quatro dias, este foi o segundo caso de agressão envolvendo o grupo dos "carecas" no local
A Praça da Liberdade volta a ser palco de intolerância e preconceito envolvendo a tribo conhecida como skinhead. Na noite desta quarta-feira, dois jovens homossexuais foram agredidos por dois rapazes, entre eles um adolescente de 17 anos, que, segundo a polícia, pertencem ao grupo dos "carecas", como são conhecidos, e declaram ódio aos homossexuais. Uma das vítimas foi atingida por um golpe de canivete.
De acordo com a Polícia Militar, as vítimas contaram que, por volta das 20h, trocavam carícias na praça, próximo ao coreto, quando foram surpreendidos pela dupla, que os atacou com socos e chutes. Após a agressão, o dupla fugiu. Porém, um deles voltou próximo às vítimas para buscar um pé de tênis que perdeu durante o ato covarde.
Travesti é assassinado a facadas dentro de motel na Pampulha
Câmeras de segurança poderão ajudar na identificação do suspeito
Um travesti foi morto a facadas na madrugada desta quarta-feira, em um motel do Bairro Santa Branca, na Região da Pampulha, em Belo Horizonte. A vítima chegou a pedir socorro na recepção do local, mas acabou morrendo. O suspeito do crime fugiu.
De acordo com a Polícia Militar, o travesti, ainda não identificado, chegou no local por volta das 2h da madrugada acompanhado de um homem. Dez minutos após dar entrada em um dos quartos, ele apareceu na recepção com ferimentos no pescoço e nas costas. Os bombeiros chegaram a ser acionados, mas a vítima morreu antes de receber atendimento.
Antes de fugir, o suspeito do crime ameaçou de morte a recepcionista do motel, caso ela chamasse a polícia. Imagens do circuito interno foram recolhidas pela polícia para tentar identificar o suspeito.
O corpo do travesti, que não estava com documentos, foi periciado e encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML) de Belo Horizonte.
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Charge online - Bessinha - # 786

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O pão que Rosalba amassou

Quando ainda estávamos em greve, o Ministério Público Estadual e o Federal enviaram para as escolas estaduais do Rio Grande do Norte a recomendação de que ninguém, além dos alunos, poderia comer a merenda servida na escola. O aviso foi reiterado após a volta às aulas, e representantes das DIREDs foram convocad@s para uma advertência oficial: diretores de escola onde o “delito” fosse cometido poderiam sofrer processo administrativo e criminal.
O assunto virou manchete nos principais jornais do estado e, em todas as matérias, há sempre um representante do Poder Executivo ou do Judiciário para nos atacar, chegando inclusive a nos acusar de roubo de merenda. Diante da “polêmica” e da super exposição, o sentimento nas escolas tem sido de constrangimento e indignação.
De fato, professores (as) e funcionári@s se alimentarem com a merenda faz parte da rotina da escola. E antes de nos tratarem como “infratores”, é preciso ver que essa realidade apoia-se na dimensão concreta de nossas vidas, e só existe pelas restrições a que estamos submetid@s.
Qualquer pessoa que viva além de gabinetes, apoiado na realidade, e não apenas em peças judiciais burocráticas, percebe imediatamente porque @s professores comem na escola. Como falei na Assembleia Legislativa no dia 10 de maio, nós precisamos trabalhar dois ou três horários para garantir o próprio sustento e o de nossas famílias.
Ora, se @ professor (a) passa o dia correndo de uma escola para outra, em transportes extremamente precários, pressupõe-se que ele (a) não dispõe de tempo para ir em casa fazer uma refeição entre um turno e outro. A verdade é que, em muitos casos, a refeição não é feita nem em casa, nem na rua. Afinal, quem é @ professor (a) que nunca “flagrou” um (a) colega “almoçando” um pastel ou uma coxinha dentro de um ônibus, a caminho de uma das escolas em que trabalha?
Diante dessa consideração, há quem possa perguntar: “então porque não levam comida de casa?” e a resposta é de natureza prática: é inviável e até desumano submeter profissionais que já andam carregados de livros, diários e trabalhos a serem corrigidos ou devolvidos, a carregarem mais duas ou três refeições dentro da bolsa por obediência a uma lei elaborada por pessoas que nem precisam levar marmita na bolsa, nem andar de ônibus. É absurdo exigir dest@s heróis e heroínas que, após toda a jornada de trabalho na rua, ainda consigam administrar o tempo em casa entre planejar, corrigir, elaborar provas, dar atenção aos filhos, cozinhar e ainda ter que preparar a marmita do dia seguinte.
Também é importante dizer que, mesmo com essa jornada, muit@s trabalhadores (as) em educação ainda não alcançam a proeza de garantir o sustento de suas famílias com o salário que recebem, razão que determina outra característica da nossa categoria: o endividamento.
Essa realidade, aliás, vivida não só por professores (as), mas pela maioria d@s trabalhadores (as) brasileir@s comprova o fato de que nenhum trabalhador(a) tem condições de gastar com comida na rua o dia todo, todos os dias, e ainda garantir que haja comida em casa para o restante da família. Diriam ainda os bajuladores cruéis: “tanta gente que vive com um salário mínimo...”. A resposta a essa piada de mau gosto eu prefiro dar não com palavras, mas com um minuto de silêncio em respeito aos trabalhadores que sobrevivem no Brasil com um salário mínimo.
Falsa polêmica
A recomendação do Ministério Público, na prática, humilha e ridiculariza @s profissionais da educação. Independentemente da intenção do Judiciário, tem sido um prato cheio para os governantes. Assim, eles miram os trabalhadores, tentando nos colocar no banco dos réus, tentando dividir a comunidade escolar, jogar uns contra os outros, quando, na verdade, no interior das escolas, não existe polêmica alguma no que se refere à distribuição da merenda. Ela sempre foi distribuída a tod@s os segmentos, e isso nunca impediu ou limitou o acesso d@s alun@s à refeição, tanto que eles(as) mesm@s são @s primeir@s a discordar da recomendação.
Com a “polêmica” aberta pelo Ministério Público temas realmente importantes são deixados de lado, envoltos em fumaça. O piso nacional dos professores, por exemplo. Enquanto se discute o tal “cuscuz alegado”, que cheguei a lembrar naquela audiência, deixa-se de lado a responsabilidade sobre os salários, condições de trabalho, investimentos, o debate sobre o PNE... É o que desejam governantes que não priorizam a educação, como Rosalba ou Micarla.
Naturalmente, o Ministério Público de cada estado poderia mandar cumprir imediatamente a Lei do Piso Nacional que, mesmo sancionada na esfera federal, vem sendo sistematicamente descumprida pela maioria dos estados e municípios. Aliás, foi exigindo o cumprimento dessa lei, que muitas greves foram feitas em todo o Brasil. Greves que, por sinal, foram julgadas abusivas pelo próprio Poder Judiciário.
Se o Ministério Público não se ocupasse com questões que, definitivamente, não interferem na qualidade da educação, teria tempo para se dedicar a outros temas. Por exemplo, o sem número de turmas que ficam meses e até chegam a concluir um ano letivo sem professores (as) de determinadas disciplinas. Porque o Ministério Público não exige d@s governantes que garantam professores para todas as turmas, evitando o prejuízo aos alun@s?
Também teria tempo para ordenar a restituição e o confisco das mansões e dos carros de luxo de tod@s aqueles (as) que desviam dinheiro da merenda para comprar uísque e ração de cachorro, como em Alagoas. Teria tempo para se preocupar com desvios da educação, da saúde, inclusive da deputada corrupta Jacqueline Roriz, absolvida por seus pares. Teria tempo para garantir que a desnutrição, e todas as doenças dela decorrentes, fossem apenas uma lembrança.
Suspeito que o Judiciário esteja muito distante da realidade da população. Basta ver os ministros do STF, que acabaram de enviar pedido de reajustes que levariam o salário de cada um para R$ 32 mil. Imaginem os restaurantes que eles frequentam...
Ao insistir em discutir se @ professor (a) ou @ funcionári@ estão comendo a merenda, o Judiciário escolhe o lado errado. Sua recomendação é impossível de ser cumprida, pois choca-se com uma realidade de salários de R$ 930, tripla jornada de trabalho, quilômetros percorridos a pé ou em transportes precários, e, por isso mesmo, tem tudo para ser ignorada, e virar letra morta. Entre o que está escrito no papel e a vida real, prevalece sempre a vida real. @s miseráveis a quem a Constituição assegura o direito a alimentação, atendimento médico, moradia e segurança que o digam!
Respeito e dignidade
Dentro desse debate muitas questões tem sido levantadas, mas a principal vem sendo ignorada. O Ministério Público alega estar fazendo o seu papel, garantindo que o que está escrito no Programa Nacional de Alimentação Escolar – PNAE seja cumprido. Em primeiro lugar, é necessário que façamos, mais uma vez, uma reflexão sobre a elaboração das nossas leis, programas, etc. e vejamos a que interesses eles atendem. Depois, é fundamental que tenhamos a consciência de que essas leis não são imutáveis, nem foram escritas por inspiração Divina, não admitindo questionamentos.
Não temos que empenhar esforços na busca por “atenuantes” para o nosso “delito”. Dizer que comemos restos, sobras, etc. só faz com que as sobras da nossa dignidade sejam jogadas de uma vez por todas na lata do lixo. A verdade sobre essa “polêmica” é uma só: se o PNAE apresenta uma visão distorcida, que considera que a escola é formada apenas pelos alunos, e não por alunos, professores (as) e funcionári@s, o erro está nele, e não em quem constrói o cotidianos das escolas.
A polêmica do cuscuz alegado é de natureza política e deve ser tratada como tal. Então, é necessário que @s deputad@s que, até agora, estão inertes diante de tamanho absurdo se posicionem, se manifestem. Se a lei está errada, cabe a eles consertá-la.
É justamente por ter a certeza de que não somos nós que estamos errad@s, que digo aos meus colegas que não se envergonhem nem se constranjam diante das acusações e ameaças. Mantenham a indignação e preparem-se para a luta. Não por um prato de comida, mas por dignidade, salário decente e condições de trabalho que abrangem, inclusive, o acesso a refeições na escola e, aliás, com qualidade bem superior à que temos hoje.
Às autoridades, peço que parem de difundir esse discurso demagógico de preocupação com a nutrição dos nossos alunos e a informação falaciosa de que a merenda servida aos trabalhadores (as) interfere na merenda servida a eles (as). Não pensem que conseguirão colocar os pais e noss@s alun@s contra nós, mesmo porque, em casa de pobre, o lema é: “onde come um, comem dois”. A vida aqui embaixo fala mais alto.
Professora Amanda Gurgel
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Não confio em "mauricios" em luta


Não confio em passeatas de gente chique, conservadora, que só se revolta de vez em quando contra apenas um tipo de governo. Ué, em São Paulo e em Minas várias são as bandalheiras, caracas. Ah, marchas apartidárias, outro nosense, logo vaza a informação, ainda mais em terreno virtual. Os caras pintadas de agora são os mauricinhos e dondocas mesmos de ontem que votam nesse nojo de políticos que estão aí. Eles se revoltam contra tudo, mas não mudam o próprio comportamento de estacionar em fila dupla, de atacar a moral alheia na internet, de comprar na irregular loja de grife de Sampa. Não confio nem apoio. Sabe-se agora que os organizadores de partido x ou y jovem, ou seja, se fosse contra os seus governadores paulista e mineiro, já era. Ou não?
No Pequi bão
~o~
Vi também que em Brasília, diferentemente dos neocansados paulistanos, os meninos sabem que o combate à corrupção deve ser feito em todas as instâncias governamentais: as faixas de protesto contra a família Roriz, contra Ricardo Teixeira e outros mostram isso.
Aí soube que o Álvaro Dias se juntou aos manifestantes em Brasília.  Tinha alguma esperança de que sua presença fosse em apoio à presidenta Dilma e suas ações de combate à corrupção que vem demitindo todos os envolvidos em escândalos de corrupção, afinal Álvaro Dias teve todos os seus secretários da Saúde envolvidos em escândalos de corrupção dos mais terríveis, os que roubam dinheiro da saúde pública:
@ Os 3 secretários que passaram pela Saúde do governo @ foram condenados pelo TCU por desvio de verbas do SUS
@mariolobato
Mario Lobato

Perguntei ao médico Mário Lobato:
Mas @ me explica uma coisa, o Álvaro Dias demitiu todos os seus secretários que desviou verbas do SUS?
@maria_fro
Conceição Oliveira

E ele me respondeu:
@ Claro que não! O Delcino saiu para ser deputado, depois vieram os outros dois. Foi dinheiro de obras e compras de medicamentos
@mariolobato
Mario Lobato

No Maria Frô
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“Arapongagem” tucana

Os diretores do Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais (Sind-UTE/MG) notaram há, pelo menos, uns dez dias que a sede da entidade e professores estavam sendo vigiados por policiais à paisana. A categoria, em greve há 95 dias, reivindica o piso salarial, que o governador Antonio Anastasia (PSDB) se recusa a pagar.
Conforme publicado aqui, nessa terça-feira, 6 de setembro, o deputado estadual Rogério Correia (PT), líder do Movimento Minas Sem Censura, esteve na sede do Sindicato, em Belo Horizonte, para averiguar o que estava acontecendo. Lá, ele e Beatriz Cerqueira, coordenadora do SindUTE, flagraram, na porta da instituição, um carro parado. A placa foi checada. Informalmente, Correia obteve a informação de que ela seria de acesso restrito e de uso do serviço reservado da Polícia Militar mineira. O motorista não quis se identificar nem responder as perguntas de Correia.
O vídeo mostra abordagem do motorista pelo parlamentar.
À noite, no twitter, @rogeriocorreia em resposta @gersoncarneiro antecipou o que pretende fazer.
Rogério Correia denuncia ao Viomundo: “Trata-se de um flagrante de espionagem e intimidação envolvendo prováveis ‘arapongas’ do governo Anastasia”.
Em função disso, o Movimento Minas Sem Censura, por iniciativa dos deputados Rogério Correia e Durval Ângelo, ambos do PT, adotarão as seguintes medidas:
1) Nesta quinta-feira, 8 de setembro, representante da Secretaria Nacional dos Direitos Humanos, ligada à Presidência da República, estará em Belo Horizonte para acompanhamento do caso. O que inclui a discussão de medidas de proteção individual aos dirigentes sindicais, vítimas da operação clandestina denunciada.
2) Na segunda-feira, 12, os deputados e sindicalistas também representarão na Ouvidoria de Polícia do estado e no Ministério Público estadual, solicitando a apuração dos fatos, a identificação do suspeito, se o veículo é do patrimônio estadual ou se é tão “frio” quanto sua placa. Se o suspeito de espionagem e intimidação for dos quadros da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), deveria ter se identificado ao deputado Rogério Correia, quando solicitado. A recusa em se identificar perante a autoridade e falsear informação constituem faltas disciplinares graves.
3) Caso a PMMG e seu comandante Renato Vieira de Souza não adotem as medidas funcionais exigidas para um evento desse tipo (registrar a ocorrência e iniciar a correta investigação dos fatos), o Movimento Minas Sem Censura solicitará a apuração das responsabilidades e, de pronto, o afastamento do comandante da corporação.
4) Somando-se ao flagrante ocorrido, há ainda que se apurar possível violação de sigilo telefônico dos sindicalistas e deputados que apóiam o movimento grevista. Prevaricação, condescendência criminosa, violência arbitrária, são alguns dos crimes que podem ter ocorrido nesse processo de espionagem e intimidação. Confirmada a ilegalidade da ação, os custos das mesmas devem ser ressarcidos aos cofres públicos. Isso, sem prejuízo de outras ações, como por danos morais, por exemplo.
Conceição Lemes
No Viomundo
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