5 de set de 2011

Privatas do Caribe: livro de repórter identifica esquema de espionagem tucano

O novo livro de Amaury Ribeiro Jr., Privatas do Caribe, já foi entregue à editora.
Acrescido de uma informação bombástica sobre o esquema de espionagem que teria servido ao ex-governador paulista José Serra desde 2008, inclusive no período eleitoral de 2010. Segundo Amaury, Serra recorreu a uma empresa de um ex-agente do Serviço Nacional de Informações, paga com dinheiro público.
O Amaury garante que, desta vez, o livro sai: o lançamento será entre o final de outubro e o início de novembro.
O trecho que li é muito bem documentado e, politicamente, devastador.
Segue a abertura do livro:
Privatas do Caribe
A fantástica viagem das fortunas tucanas desde os porões da privataria até o paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas
Amaury Ribeiro Jr.
Prepare-se: o que está logo adiante não é uma narrativa qualquer.
Você está embarcando em uma grande reportagem que vai devassar os subterrâneos da privatização realizada no Brasil sob FHC.
Os porões da privataria.
É, talvez, a mais profunda e abrangente abordagem jamais feita deste tema.
Mas que não se limita a resgatar a selvageria neoliberal dos anos 1990, que dizimou o patrimônio público nacional, deixando o país mais pobre e os ricos mais ricos.
Se fosse apenas isso, o livro já se justificaria.
Mas vai além ao perseguir a conexão entre a onda privatizante e a abertura de contas sigilosas e de empresas de fachada nos paraísos fiscais da América Central.
Onde se lava mais branco não somente o dinheiro sujo da corrupção, mas também o do narcotráfico, do contrabando de armas e do terrorismo.
Um ervanário que, após a assepsia, retorna limpo ao Brasil.
Resultado de uma busca incansável de mais de dez anos do autor, Amaury Ribeiro Jr. — um dos mais importantes e premiados repórteres investigativos do país, com passagens por IstoÉ, O Globo, Correio Braziliense entre outras redações — o livro registra as relações históricas de altos próceres do tucanato com a realização de depósitos e a abertura de empresas de fachada no exterior.
Devota-se particularmente a perscrutar as atividades do clã do ex-governador paulista José Serra nesse vaivem entre o Brasil e os paraísos caribenhos.
Sempre calcado em documentos oficiais, obtidos em juntas comerciais, cartórios, no ministério público e na Justiça.
Assim, comprova as movimentações da filha do ex-candidato do PSDB à Presidência, Verônica, e as de seu marido, o empresário Alexandre Bourgeois.
Que seguiram, no Caribe, as lições do ex-tesoureiro de Serra e eminência parda das privatizações, Ricardo Sérgio de Oliveira.
Descreve ainda suas ligações perigosas com o banqueiro Daniel Dantas.
Detém-se na impressionante trajetória do primo político de Serra, o empresário Gregório Marin Preciado que, mesmo na bancarrota, conseguiu participar do leilão das estatais.
E arrematar empresas públicas!
Estas páginas também revelarão que o então governador Serra contratou, com o aporte dos cofres paulistas, um renomado araponga antes sediado no setor mais implacável do Serviço Nacional de Informações, o extinto SNI.
E que Verônica Serra foi indiciada sob a acusação de praticar o crime que, na disputa eleitoral de 2010, acusou os adversários políticos de seu pai de terem praticado.
Desvinculado de qualquer filiação partidária, militante do jornalismo, Ribeiro Jr. do mesmo modo como rastreou o dinheiro dos privatas do Caribe, esteve na linha de frente das averiguações sobre o “Mensalão”.
Seu olhar também visitou os bastidores da campanha do PT para averiguar os vazamentos de informações que perturbaram a candidatura presidencial em 2010.
E sustenta que, na luta por ocupar espaço a qualquer preço, companheiros abriram fogo amigo contra companheiros, traficando intrigas para adversários políticos incrustados na mídia mais hostil à Dilma Rousseff.
É isso e muito mais. À leitura.
O Editor
Luiz Carlos Azenha
No Viomundo
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Privatas do Caribe: Amaury vem aí!

Uma das fotos que Amaury deve utilizar no livro...
Na tela do computador, o título chamativo: “A GRANDE LAVANDERIA”. Logo abaixo, um pequeno resumo explica o que são ”as ilhas que lavam mais branco…”. Ilhas do Caribe. É o capítulo 4, de um total de 15, que já seguiram para a editora. Agora, falta a revisão final. E depois tudo vai para a gráfica. À frente do computador, o jornalista responsável pela investigação: Amaury Ribeiro Júnior. “Olha essa frase, tá bom isso, ocê não acha? Hem, hem?” Ele saboreia cada capítulo como se fosse um filho.
“Siga o dinheiro, ele sempre conta a história”, diz Amaury, resumindo o foco de uma apuração que durou 10 anos. O repórter premiado começou a investigar os caminhos (e descaminhos) do dinheiro das privatizações da Era FHC quando ainda era repórter de “O Globo”. Pergunto se conseguiu publicar alguma coisa no jornal carioca: “ocê é doido, rapaz, eles não mexem com isso não”.
O Amaury tem um jeito de matuto. Numa profissão em que jovens jornalistas gostam de se vestir como se fossem executivos do mercado financeiro, ele prefere a simplicidade. E com esse jeito de mineiro que não está entendendo bem o que se passa em volta, consegue tudo: papéis, documentos, informações. Sobre a mesa de trabalho, o caos criativo. Parte daquela papelada vai parar no livro, na forma de anexos: são documentos que ajudam a contar a história. ”Tá bom o livro, não tá? Hem, hem?”. Quase todas as frases do Amaury terminam com esse “hem, hem!”.
Um outro colega passa em frente à mesa do Amaury, e finge que vai levar parte dos documentos: “Ocê é doido, faz isso não”. Depois, emenda uma frase meio enrolada. Parece que ele usa aquela tática do velho Miguel Arraes: metade do que o Amaury diz a gente não entende. Mas o que ele escreve é fácil de entender.
O capítulo 4 conta a história da Citco, empresa com sede nas Ilhas Virgens Britânicas. “E o que é a Citco?” eu pergunto. “A Citco é uma espécie de barco dos corsários, é por ali que o dinheiro circula”. Segundo Amaury Ribeiro Junior, a Citco é especializada em abrir empresas “offshore”. O termo vem da época dos corsários de verdade: “eles saqueavam os mares, e depois escondiam o fruto dos saques ’offshore’, ou seja, fora da costa, longe dos olhos das pessoas”, explica o repórter.
Em setembro de 2010, publiquei no Escrevinhador um aperitivo sobre o tema: “Citco, esse é o mapa da mina” . Agora, recebo mais mais detalhes, que estarão no livro. Quem já usou esse esquema, Amaury? “Os doleiros do Banestado usavam, a turma da Georgina usava nas fraudes da Previdência, e a turma que faturou com as privatizações também usou”. É o que Amaury vai explicar (e provar, ele garante) no livro “OS PRIVATAS DO CARIBE”. Hoje, ele me mostrou alguns capítulos. Já estão todos prontos. Os títulos dão uma pista do que vem por aí:
- “OS TUCANOS E SUAS EMPRESAS-CAMALEÃO”
- “OS SÓCIOS OCULTOS DE SERRA”
- “MISTER BIG, O PAI DO ESQUEMA”
- “A FEITIÇARIA FINANCEIRA DE VERÔNICA”
- “DOUTOR ESCUTA, O ARAPONGA DE SERRA”.
Quais são as empresas camaleão? Quem administrava as empresas? Quais foram as feitiçarias de Verônica? E quem é o “doutor escuta”? Tudo isso o Amaury promete contar em detalhes.
Aqui, no “VioMundo” do Azenha, você lê um dos capítulos.
Vocês se lembram que, durante a campanha eleitoral de 2010, Amaury foi acusado de quebrar o sigilo da família de Serra, num esquema que serviria ao PT. Amaury nega tudo. Ele tem certeza que as acusações – publicadas com destaque na imprensa serrista – eram uma retaliação: “os tucanos sabiam que eu tinha investigado isso tudo, e que a investigação ia virar livro, tentaram me queimar”. Na reta final da eleição, um emissário de Serra chegou a procurar Amaury. Ligou até na redação da Record atrás dele. Amaury acha que os tucanos queriam propor algum tipo de acordo…
Ao fim da campanha, com Serra derrotado, muita gente chegou a duvidar da existência do livro sobre as privatizações. ”O Amaury blefou”, diziam alguns leitores. A turma do PSDB mesmo deve ter achado que ele não teria coragem de publicar os resultados da investigação de uma década. Agora, podem ter uma surpresa.
Mas não pensem que o livro ficará barato para o PT. Amaury mostra como ele virou pivô de uma luta interna nos bastidores da campanha de Dilma. Um capítulo inteiro é dedicado a essa história: “COMO O PT SABOTOU O PT”.
Amaury só não explica uma coisa: como é que consegue escrever livro sobre dinheiro no Caribe, produzir reportagens especiais pra TV em São Paulo e ainda administrar “a melhor pizzaria do Brasil”. A pizzaria fica em Campo Grande (MS).
“Mas Amaury, repórter dono de pizzaria é piada pronta”, provoco. “Ocê precisa experimentar minha pizza, é a melhor do Brasil”, ele diz, maroto. E emenda mais uma frase incompreensível sobre mussarela e calabresa.
A pizza eu não quero. Prefiro o livro.
Rodrigo Vianna
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Outdoor no Ceará

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A crise não é de mentirinha

Estamos diante de um momento extremamente sério e a cobertura de imprensa parece não se dar conta disso. O cenário econômico internacional está se deteriorando a olhos vistos. Mas estamos aqui discutindo se o Banco central agiu bem ao fazer exatamente o mesmo que todos os outros bancos centrais do mundo fazem quando há risco – e risco “iminente”, segundo a insuspeita Christine Lagarde, diretora-gerente do FMI – de uma recessão: baixar os juros para estimular a economia.
Outro diretor do FMI, o brasileiro Paulo Nogueira Batista Jr., diz que a análise por lá é de que “quase alarme”, como temor que a economia dos principais países desenvolvidos “possa sofrer uma crise semelhante àquela que ocorreu depois do colapso do banco Lehman Brothers em 2008″.
Mas enquanto o nosso pessoal “sabichão” aqui torce para termos inflação e por juros altos, lá de fora há gente séria que não nos vê assim.
Hoje, o economista americano Eric Leeper, professor da Universidade de Indiana, elogiou a política monetária e fiscal do Brasil, dizendo que o país não vive pressões para administrar sua dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB) e tem a tendência de juros básicos em queda.
“Japão, Estados Unidos e Europa não estão em condições de dar lições para ninguém nos regimes fiscal e monetário; agora alguns países da América Latina, principalmente o Brasil, são exemplos importantes”, disse Leeper, segundo o Valor.
Mas o nosso pensamento conservador só sabe a fórmula da “roda-presa”: juros altos, na bonança ou na tempestade.
E, para justifica-los, agita o terrível dragão da inflação. Temos subida de preços no Brasil? Sim, puxada por setores localizados. Um deles, o de serviços, fortemente influenciado pelo “terror inflacionista”. Preparei e posto aqui um comparativo do IGP-M, menos sujeito a pressões pontuais que o IPCA, do ano de 2008, quando a crise explodiu em setembro, e o deste ano. Basta olhar e ver que a trajetória de baixa da inflação que ocorreu então já vinha ocorrendo hoje.
Só que, então, Henrique Meirelles resolveu esperar o atestado de óbito e a missa de três meses do falecimento da atividade econômica para baixar em um ponto a taxa de juros. E amargamos uma baita retração no primeiro trimestre de 2009 por conta deste atraso. Mas a banca e os rentistas pegaram mais “um por centinho” durante três meses.
Deu para trocar o iate. E dane-se a turma que perdeu o emprego.
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Os responsáveis

Novo espetáculo de selvageria envolve torcedores e policiais militares, ressuscitando as propostas de jogos fechados para uma (ou nenhuma) torcida. Mas não é justamente a Polícia Militar, a única instituição responsável por prevenir e combater a violência nos estádios, quem mais defende a exclusão do público? Por que distribuir punições difusas se a origem do problema é tão evidente e localizada?
Como Leis Secas e outras ataduras canhestras, o afastamento do torcedor forja um falso vilão para livrar a barra das “otoridades” incompetentes. O contribuinte é dono do espaço público, patrão da PM e único pretexto para qualquer disputa esportiva. Se a corporação não consegue preparar um evento agendado com meses de antecedência, envolvendo espaços restritos e pessoas facilmente identificáveis, ela desperdiça nosso dinheiro e precisa cuidar imediatamente de merecê-lo.
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“Eu bati nele pra corrigir. Só fiz coisa normal de mãe.”

A declaração foi dada hoje à TV Globo pela mãe acusada de trancar os três filhos em casa em Itapecerica da Serra (SP). Segundo o filho mais velho, de 12 anos, que ligou para a polícia a fim de pedir ajuda, ela também teria usado água quente para queimá-lo. Um inquérito policial foi instaurado e as crianças estão sob responsabilidade do pai, que afirmou não saber o que acontecia, e com a supervisão do Conselho Tutelar.
Independentemente do que a investigação apontar, o que me chama a atenção é a declaração da mãe, que destaquei acima: “…coisa normal de uma mãe”. E, o pior, é que, na grande parte das vezes, isso é verdade.
Em julho do ano passado, uma pesquisa Datafolha apontou que 74% dos homens e 69% das mulheres já haviam apanhado dos pais e que 69% das mães e 44% dos pais admitiram ter batido nos seus filhos. Sim, assim como a cor da íris, o olho roxo também é hereditário.
Isso também explicava o fato de 54% dos entrevistados serem contra a lei proposta do governo federal que proíbe socos, palmadas, beliscões, empurrões, chineladas, enfim, castigos físicos, em crianças. Hoje, o Estatuto da Criança e do Adolescente ainda não especifica o que são maus tratos, o que cria uma larga possibilidade de análise subjetiva por conta do poder público encarregado de zelar pela qualidade de vida dos pequenos.
Retomo o que já discuti aqui porque o momento pede. Sei que muitos pais que amam seus filhos e são zelosos por sua educação acreditam que uma palmada em determinadas circunstâncias extremas pode ter um efeito simbólico poderoso. Mas, ao mesmo tempo, fazendo reportagens sobre direitos da infância, não raro ouvi um complemento explicativo para isso que se repetia como um mantra: “apanhei quando pequeno e isso me mostrou limites, ajudou a formar o caráter que tenho agora”.
A idéia é muito semelhante ao já manjadíssimo “trabalhei quando criança e isso formou meu caráter, portanto sou a favor de criança ter que trabalhar para não ficar fazendo arruaça na rua”. Frase que os meus amados leitores adoram.
Afinal de contas, boa parte dos comentários postados sobre trabalho infantil aqui neste espaço são maniqueístas: ou a criança tem que ser burro de carga ou vai assaltar nos semáforos – não existe a opção estudar-brincar-crescer. Até entendo que muita gente sinta que sua experiência de superação seja bonita o suficiente para ser copiada pelo seu filho. Mas será que eles não imaginam que o trabalho infantil não precisa ser hereditário?
E, alvíssaras! Se “o trabalho liberta”, a “palmada educa”.
Não estou dizendo que um ato é igual ao outro, mas é interessante notar que ações envolvendo algum tipo de violência contra crianças tem em si a reprodução de modelos aprendidos. Ou seja, “…coisa normal de uma mãe”.
Educar alguém não é fácil. Eu, por exemplo, era uma peste quando criança (e sigo até hoje…) – portanto agradeço enormemente aos meus pais pela educação que me deram. Mas o ser humano evolui, a sociedade evolui, não precisamos permanecer com aquelas velhas práticas simplesmente porque foram adotadas em nossa infância ou na infância de nossos pais. Romper a inércia é difícil, mas fundamental.
Há um ano, quando tratei deste assunto, contei a história de uma amiga que me confessou, pela primeira vez, ter dado umas palmadas leves em seu filho, pois havia esgotado o repertório para deixar claro que ele estava extrapolando. Para sua tristeza foi chamada na escolinha porque o filho, que normalmente é calmo, começou a bater em seus colegas.
Isso significa que todo mundo que levou palmadas vai virar um serial killer de nível 21 na escala de maldade? Claro que não.
Por fim, educar alguém não é fácil. Ainda mais quando há os pais têm que passar o dia inteiro fora para dar de comer às crianças e garantir a elas uma vida digna.
Dependendo da circunstância e do ambiente em que a criança está inserida, castigos físicos geram conseqüências sim para a sua formação, que podem ser inesperadas. No mínimo, fica a pergunta: qual o exemplo de respeito ao diálogo, à tolerância, ao entendimento e a soluções não-violentas estamos dando com o uso desses métodos?
O quanto estamos sendo os nossos pais e os pais deles e não nós mesmos nesse momento?
A sistemática ausência do Estado e a mais sistemática ação de determinados grupos ditos liberais de reduzir a importância da ação estatal ajudou a espalhar cada vez mais aberrações do tipo “o Estado não deve regular nossa vida”. Quando, na verdade, leis que criminalizam a violência contra a criança estão criando regras para balizar mais liberdade e menos dor.
Para muita gente, a discussão deveria sair do âmbito das políticas públicas (que existem exatamente para dar apoio a grupos fragilizados) e passar unicamente para o espaço privado. Pois o Estado tem que se preocupar com coisas mais importantes, como auxiliar o capitalismo brasileiro a se desenvolver serelepe, passando sobre populações tradicionais em gigantescas hidrelétricas.
Por esse pensamento, leis que concederam direitos e que dependeram da ação do Estado, mesmo indo contra grupos numericamente relevantes ou economicamente poderosos, nunca teriam sido aprovadas.
Por que os mesmos que apóiam a palmada não bradam pelo direito de bater em idosos, se estes chegarem à senilidade, como forma de “educar”?
Talvez porque sabem que crianças eles já foram mas, idosos, ainda serão.
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Mapa curioso do Brasil

O jornalista e colaborador do Nota de Rodapé, Flávio de Carvalho Serpa, postou no seu facebook um infográfico muito interessante produzido pela britânica The Economist.
É o mapa do Brasil, segundo a revista, "na vanguarda dos países emergentes", em que os PIBs de nossos estados são comparados com países do mundo que tenham os PIBs equivalentes. Por exemplo, o PIB per capita de Alagoas equivale, pasmem, ao da China.
Não faz muito tempo, postei aqui outro infográfico da The Economist no mesmo estilo. Só que era o mapa dos EUA.
Confira abaixo. É só correr o cursor do mouse de acordo com sua curiosidade. Em inglês.
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Um sopro de vida orgânica no PT

O documento aprovado no Congresso do PT é uma tentativa de resgatar a organicidade política do partido que, depois de oito anos de governo Lula (e oito meses de Dilma) acabou se conformando como uma mera unidade pró-governo. É uma tentativa de sair da arena da luta meramente institucional com os partidos aliados e ganhar a opinião pública para suas bandeiras.
Não se recomenda reduzir o Congresso do PT, realizado no final de semana, a um mero jogo de cena. A ausência de debates acalorados ou a não explicitação de grandes divergências internas dizem mais do que isso. Ao longo de oito anos de governo, e no início de um terceiro mandato na Presidência, era inevitável que mudanças se produzissem num partido que sempre funcionou como uma frente de tendências de esquerda, setores sindicais e grupos ligados à Igreja Progressista.
O PT passa por um processo de mudança que se iniciou em 1998, após a terceira derrota de Luiz Inácio Lula da Silva na disputa pela Presidência. Ao longo do tempo, sofreu defecções próprias de um partido que se consolidou na oposição e como partido de esquerda que, uma vez no poder, não teria condições de governabilidade se não optasse por uma política de alianças mais ampla e maleável.
Muita água rolou debaixo da ponte desde a formação do PT, em 1980. Sofreu rachas que resultaram no PSTU e no PSol; não apenas perdeu setores ligados à Teologia da Libertação, como os que lá permaneceram vivem o ostracismo a eles imposto nos dois últimos papados (de João Paulo II e de Bento XVI); amargou as crises do chamado Mensalão e dos "Aloprados", que resultaram não apenas em desgaste popular, mas em perdas de quadros importantes para a dinâmica interna, sangria iniciada na formação do Ministério petista; foi de alguma forma redimido pelo sucesso dos governos Lula, mas para isso teve que pegar carona na popularidade de um líder carismático que detinha o poder do presidencialismo.
O resultado foi um esvaziamento de quadros dirigentes, uma crise interna que se estendeu no tempo, inclusive pela falta de mediadores com o peso de Lula, e uma perda de peso relativo em relação aos demais partidos da base aliada, embora permaneça com uma grande bancada no Congresso.
Essa conjunção de desgraças poderia ter reduzido o partido a pó, à semelhança do que acontece com o desidratado DEM, ex-PFL. Não foi o que aconteceu. Primeiro, porque continua partido do governo - e num sistema presidencialista, isto não é pouco, nem para o PT (embora, por justiça, é preciso lembrar que o partido, desde a sua criação, teve um crescimento eleitoral contínuo, mesmo na oposição, e apenas sofreu uma queda eleitoral em 2006, quando era governo e apesar da reeleição de Lula). Em segundo lugar, porque a sangria de quadros não alterou a realidade de que o partido ainda é o único que dispõe de quadros, não apenas os nascidos de sua organização mas também os originários da esquerda pré-redemocratização.
A vantagem disso é que, mesmo com a proliferação de grupos articulados em torno de líderes paroquiais (isso também existe no PT), prevalece, inclusive numericamente, a ideia de que a organicidade partidária é a grande vantagem de que desfruta em relação aos partidos da base aliada, nas contendas com o governo.
As dificuldades que o governo Lula e o PT enfrentaram a partir de 2005 também colocaram como questão eleitoral para o partido a atração dos movimentos sociais, afastados nos primeiros anos de governo petista, e a inclusão dos setores que ascenderam à sociedade de consumo nesse período graças às políticas de inclusão do governo petista. Se o partido não capitalizar esses setores agora, não conseguirá dividir esse legado com Lula. Ou o perderá para o PSDB, que investe na "nova classe média" partindo do conceito clássico de que esse setor social tem grande tendência ao conservadorismo. O PSDB quer conquistar os setores que emergiram no governo petista pela direita; o PT tenta fidelizá-lo com um discurso mais progressista, para não perder o apoio das classes mais baixas que, se não chegaram às classes médias, ascenderam à sociedade de consumo nos governos petistas.
A defecção de grupos de esquerda e a divisão das responsabilidades de governo com tendências que se desentendiam internamente permitiram o milagre da unidade, num momento de crise em que se apostaria na fatalidade da desunião. A saída de Lula do governo e uma aposta na incapacidade da presidenta Dilma Rousseff nas questões de natureza política reiteravam essa previsão. Não foi tão ruim assim. E, pensando bem, pode ser uma grande chance para o PT encontrar o equilíbrio entre os interesses do partido e as exigências do governo.
O documento do PT, aprovado no encontro, é uma tentativa de resgatar a organicidade política do partido que, depois de oito anos de governo Lula (mais oito meses de Dilma) acabou se conformando como uma mera unidade pró-governo. É uma tentativa de ter suas próprias bandeiras, no suposto de que o partido deve assumir o papel de abrir espaço, na sociedade, para medidas de caráter mais progressista. Entenda-se a manifestação política do Congresso do PT como uma tentativa de sair da arena da luta meramente institucional com os partidos aliados e ganhar a opinião pública para suas bandeiras. Por enquanto, o único mérito é tentar retomar o seu papel de intelectual orgânico. Será um grande mérito, contudo, se conseguir levar essa missão a bom termo.
Maria Inês Nassif
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O museólogo Aécio

O artigo do senador mineiro, inaugurando seu setembro na FSP, traz, além das platitudes corriqueiras, uma velha novidade: pela enésima vez, ele se exibe ao empresariado, como um defensor da superioridade dos paradigmas privados sobre os públicos, para qualquer desenvolvimento. Isso não tem dado muito certo, convenhamos, porque outros também o fazem: Serra, Alckmin, Tasso Jereissati, Beto Richa, roubando-lhe a cena.
A bola da vez é a inovação.
Antes, ele dá uma escorregada genial. Sob o pretexto de elogiar Steve Jobs e sua genialidade, ao criar a Apple, ele destaca que o citado empresário retira do consumidor a tarefa de saber o que quer. Logo, tal atribuição pertenceria ao capitalista. Esse é o desejo de Aécio: que o povo não saiba o que quer, para que as elites entupam as mentes e as casas dos pobres com o que consideram mais conveniente... para as empresas.
No Aparte da semana anterior, mostramos a crítica da FIEMG e de um estudioso acerca da vulnerabilidade da indústria mineira, em face de seu baixo Valor de Transformação Industrial (VTI). Ou seja, em seus 8 anos de governo no estado, Aécio Neves não “agregou” quase nada em termos de política de inovação que impactasse a indústria estadual. Pelo contrário: a Fundação Centro Tecnológico (CETEC) foi submetida, intencionalmente, a uma criminosa depleção e hoje é ofertada ao setor privado, com a desfaçatez tucana tradicional. E, nos 16 anos em que deputou em Brasília, ele assistiu passivamente ao sucateamento do ensino, pesquisa e inovação, promovidos por FHC e seu partido. Embuçado com grossas camadas de óleo de peroba na face, ele desdenha: “além da melhoria da qualidade do ensino superior e das escolas técnicas, ao governo cabe criar meios e estímulos para que esses investimentos ocorram.”
Retorna-se à ideia genial, ou seja, desoneração fiscal. Que ele tenta disfarçar com a platitude abaixo:
"O governo pode ainda incentivar a proliferação de comitês reunindo universidades, empresários e institutos de pesquisa, para traçar estratégias integradas de fomento à inovação. Os dados da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (Wipo, na sigla em inglês) registram 442 pedidos de patentes verde-amarelas em 2010. A China protocolou 12.337, a Holanda, 4.097, e só a fabricante japonesa Panasonic fez 2.154 pedidos no ano. Os EUA tiveram 44.855"
Primeiro, recomendamos ao senador mínero-carioca que leia o livro “A redação pelo parágrafo” (de Luiz Figueiredo). Nessa obra, aprendemos que o parágrafo é constituído por frases, mas que essas frases tem de se relacionar diretamente. Tem de ter coerência. O parágrafo que destacamos anteriomente, porém, tem duas frases, que não se articulam numa relação de causa e consequência. O que tem a ver o incentivo à proliferação de comitês que traçam estratégias, com o maior ou menor pedido de registro de patentes? Afora que, muitos pedidos de patentes se referem a variações ínfimas nos produtos. Quanta bobagem!
Segundo, lembramos a ele que o registro de patentes em Minas, durante seu governo, teve o predomínio de inventos no setor mínero-metalúrgico, ou seja, com fraco impacto no incremento de VTI. O ex-governador, desse jeito, não ajudou a gerar nenhum Steve Jobs nas Alterosas.
Mas, não vamos delongar. Seus artigos só se prestam a mandar recados para os empresários, para os quais se apresenta como um síndico confiável. Como numa panicat, seus atributos se resumem a pedaços siliconados de uma prosa e uma experiência fracassadas: a privatização de tudo, como forma de se incentivar o investimento.
Por certo, o Lehman Brothers, o Merrill Lynch e o Bear Stearns, com seus madoffs (exemplares da espécie do “gênio” da Bolsa Tecnológica NASDAQ), são apenas alguns exemplos da “superioridade” do capital intelectual privado sobre o público, destacada por Aécio. Somaram essas instituições, diretamente (fora o custo indireto), um calote de 200 bilhões de dólares a correntistas, investidores e aos contribuintes em geral. Mas, isso é apenas um detalhe na logorréia tucana.
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A Época 'enVejou' : A apuração cavilosa

Carboni (o primeiro, da esq. para a dir.), com a ministra Gleisi Hoffmann,
ao lado do prefeito e do vice-prefeito de Capanema (PR).
Neste último fim de semana, a revista Época (edição 694, data de capa de 5/9/2011) trouxe uma matéria relatando que minha mulher, Lucimar Carboni, possui uma consultoria que atende prefeituras do Paraná e que, por eu trabalhar na chefia de Gabinete da Casa Civil, teria facilidade de fechar contratos com as prefeituras (ver “Um casal nos dois lados do balcão”).
Lucimar de fato abriu uma consultoria no ano de 2007. Ela tem experiência em administração municipal e prestava serviços de assessoria técnica para prefeitos interessados em elaboração e acompanhamento de projetos. Nesses quatro anos, atendeu seis prefeituras, todas através de processo licitatório, recebendo, em média, por mês, R$ 2.500 por contrato. Três prefeituras já tiveram seus contratos encerrados e as outras três estão em processo de encerramento.
Quando a então senadora Gleisi Hoffmann convidou-me a trabalhar com ela, recomendou que Lucimar encerrasse a consultoria, o que de fato está sendo feito. Desde então, a empresa não fechou contrato com nenhuma prefeitura. A consultoria está em processo de encerramento.
Pouca transparência
Essas informações foram passadas à revista Época. Eu informei a eles por escrito. Lamentavelmente, desconsideraram as informações, apenas registrando minha resposta de maneira burocrática, e publicaram reportagem com insinuações irresponsáveis, sem qualquer indício de irregularidade que sustentasse a matéria.
É importante registrar que o repórter da revista ligou para Lucimar, fazendo-se passar por funcionário de uma prefeitura de São Paulo, interessado em contratá-la. Na ocasião, foi informado de que ela estava de mudança para Brasília, que a empresa seria fechada e que, portanto, não poderia aceitar um novo contrato.
Curiosamente, a revista ocultou tal relato. Somente após a ligação soubemos que se tratava de alguém que telefonava da redação da revista Época, após checagem do número.
Considero este um método pouco transparente de apurar informações, que fere a ética jornalística. Por que o repórter não se identificou corretamente? E, já que agiu assim, por que não considerou as informações que lhe foram dadas?
Acho importante prestar estes esclarecimentos. Não temos nada a esconder. E, repito: não há fato na matéria que demonstre que praticamos irregularidade.
Carlos Carboni é chefe de gabinete da ministra-chefe da Casa Civil da Presidência
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A imprensa age por interesses políticos

Em todos os jornais desta segunda-feira (5) e do domingo anterior, o assunto principal é a 'censura' quando tratam do assunto "regulação de mídias".
E novamente os donos da imprensa alimentam fantasmas que não existem: associam qualquer tipo de regulamentação como ameaça à liberdade de expressão. "Esquecem" que em todas as democracias ocidentais tem órgãos reguladores de estado, cuja função não é censurar, mas fiscalizar o cumprimento das obrigações das empresas com seus consumidores de informação
Não se trata de nenhum tipo de censura à informação, pelo contrário, trata-se de eliminar os cerceamentos que existem atualmente, cujo único controle é o exercido pelos donos da imprensa, que formam um verdadeiro oligopólio - e as notícias que não agradam aos donos não chegam ao público, pelo menos de forma íntegra.
A regra para um novo marco regulatório é mais vozes falando, mais informação, mais liberdade de expressão e de imprensa.
Uma curiosidade a respeito disso é que a mídia, eletrônica ou escrita, é o único setor econômico que faz sua própria regulação. Os jornais tem seus manuais da redação, as organizações Globo tem seus "princípios jornalísticos", com um ponto em comum: eles não seguem a própria regulação. Talvez aí esteja o principal argumento para que haja regulação através de lei.
O direito ao contraditório, ouvir o outro lado em uma matéria, buscar confirmar adequadamente uma informação antes de sua publicação, são princípios que ficam apenas nos manuais. Na prática, matérias são publicadas com informações atribuídas a fontes anônimas que muitas vezes não se confirmam.
Ainda há o tom editorializado das matérias, onde mistura-se informações objetivas com opiniões e avaliações subjetivas e polêmicas dos jornalistas. E o direito de resposta não existe na prática: geralmente os protestos são confinados às famosas colunas erramos, onde o jornalista tem ainda a palavra final.
Outra questão importante é que os meios de comunicação agem na prática como entidades políticas. Valendo-se de sua grande influência e capacidade de formar opinião (tem diminuído, ultimamente, graças à maior diversidade de meios, principalmente às redes sociais), trabalham a favor ou contra governos ou, em épocas eleitorais, candidatos. Aliás, em períodos eleitorais o desequilíbrio da cobertura nos grandes veículos fica muito claro. Em alguns casos, o veículo declara apoio a um candidato (fica mais transparente), mas a maioria faz campanha de forma descarada, tentando passar um verniz de imparcialidade.
E finalmente, não se pode esquecer a defesa que a grande mídia faz do poder econômico e de interesses anti-populares. É cada vez mais comum que se misturem e se infiltrem os interesses particulares dos veículos de comunicação aos de seus departamentos de jornalismo.
Liberdade de imprensa é indispensável. Mas é preciso tratar algumas questões para que a liberdade de expressão seja exercida, de fato. A política é pautada pela opinião pública e há problemas graves aos quais ninguém apresentou solução. Os meios de comunicações nas mãos de políticos ou seus laranjas formando opinião conforme seus interesses. As religiões tomaram conta do que sobrou. As empresas de comunicação sérias e os bons profissionais da área passam a ter dificuldade de acesso aos caríssimos leilões, além de a concessão ainda ter de ser referendada pelo Congresso. Tem saída?
Tem. A regulamentação da mídia é a solução. Prevista na Constituição, deve se feita de modo a garantir a liberdade de expressão e estabelecer os limites para cada empresa atuar na área.
Mas para isso acontecer teria que haver uma mobilização geral da sociedade porque, se for depender de que o nossos parlamentares no Congresso a aprovem, ela nunca vai acontecer.
Os principais prejudicados seriam, só para citar alguns exemplos: Sarney, que é dono da retransmissora da globo no Maranhão; Edison Lobão, dono da retransmissora do SBT no Maranhão; Collor, proprietário da concessão que retransmite a programação da Globo em Alagoas... E também, entre os que se colocam visceralmente contra a regulação, os grandes grupos de comunicação, que pretendem continuar tentando manipular e (de)formar a opinião pública.
Helena Sthephanowitz
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Entrevista com José Dirceu à RedeTV!

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Só Bebendo!

"E é aí que surgem as formas oblíquas de mostrar poder, aquele poder oculto, mas cujo valor facial ninguém pode discutir.
Dirceu reclamou muito, mas deve ter adorado a matéria da Veja.
De repente, não seria de espantar se as fotos dos ministros e autoridades visitando a suíte de José Dirceu num hotel de Brasília tiverem sido vazadas por ele mesmo.
Casa bem com o perfil psicológico e interesse tático do personagem."
Edgar Flexa Ribeiro é educador, radialista e presidente da Associação Brasileira de Educação
SÓ BEBENDO!
Impressionante a cabecinha dessa gente sem noção, leviana. Esse tal Edgar Flexa Ribeiro é marido da Lucia Hippolito. Par perfeito. Segundo ele, o ex-ministro Dirceu teria armado contra ele mesmo para mostrar que é poderoso. Como se o Dirceu precisasse disso. Na cabecinha do Flexa Ribeiro, José Dirceu deve ter entrado em contato com a Veja e arquitetado um plano mirabolante: ele mesmo fez as fotos e entrega ao jornalista da Veja porque quer fama, quer mostrar que manda no governo, no país! E a revista Veja, muito amiga do ex ministro Dirceu, concordou com o plano. Tudo combinado com o gerente do hotel, com a camareira, com os políticos e ministros que foram conversar com ele. Na maior cara de pau, o Flexa Ribeiro tenta livrar a Veja e o jornalista babaca de terem cometido crime de espionagem, de invasão de privacidade. O que me deixa pasma é que esse sem noção é um educador, presidente da Associação Brasileira de Educação (?). O cara é um abestalhado, tem mente doentia. Escreveu essa pérola acima no blog do Noblat – aliás, o Noblat tem aceitado textos de cada trambolho no seu blog que chega a doer: Arthur Virgilio, Heráclito Fortes, Agripino Maia, FHC, e agora o tal Flexa Ribeiro, marido da Lucia Hippolito (por isso ela bebe tanto!). Que decadência
Jussara Seixas
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A velha piada

A velha mídia brasileira, ou a sua parte mais suja se quiserem, comporta-se como o menino da velha piada da minha infância, aquela em que o pirralho entra no rio e a determinada altura começa gritar que está se afogando. Alguém corre para salvá-lo e ele se diverte dizendo que era só fingimento. Na quinta ou sexta vez em que repetiu a “brincadeirinha” ninguém se importou e, claro, dessa vez era a valer.
O caso da matéria publicada pela revista Veja sobre o ex-ministro José Dirceu, tem – na minha modesta opinião – o sabor do final da velha piada. Já ninguém mais acredita nesse tipo de jornalismo, pelo menos entre os que ainda conseguem – no meio de tanta e proposital confusão – pensar o país com olhos no futuro e não no passado.
Não tenho procuração do ex-ministro e nem do seu partido o PT, mas sou capaz de avaliar, não só nesse episódio, mas desde a constrangedora campanha do chamado “mensalão”, quando a mídia brasileira em nome de valores discutíveis de moralidade e ética, decidiu qua a corrupção no Brasil – se não teve início – chegou ao ápice com o governo Lula da Silva, sou capaz de avaliar o sentido da matéria. Não é preciso ser nenhum Sherlock para ver que o jornalismo de esgoto servirá sempre às causas mais conservadoras e (essas sim) imorais para a manutenção de privilégios corporativos que fazem a balança pender sempre para o lado dos mais favorecidos na escala social.
Algumas gangues políticas, regionais e nacionais, governam o Brasil há anos, sempre permeáveis aos mais lucrativos negócios feitos nos porões da nossa democracia represent ativa.
Em 2005, tive a coragem (ou para muitos a insensatez?) de tentar defender o governo Lula, seu ex-ministro e outros integrantes do governo da tentativa de linchamento político e fui duramente criticado por alguns companheiros de viagem, pois há uma tendência, paradoxalmente em alguns nichos de esquerda, em acreditar nas denùncias da mídia que dizem combater.
É sempre bom lembrar o tom da campanha presidencial do ano passado, onde figuras que já se alinharam com a esquerda no passado optaram por um discurso dos mais obscuros e tenebrosos dos últimos tempos entre nós. Discurso repercutido e incentivado pela mídia que insistiu e insiste em considerar o cidadão brasileiro um boçal, incapaz de distinguir e separar o joio do trigo.
O novo episódio jornalístico envolvendo José Dirceu e a Veja, com a revista a insistir em seu jornalismo paranóico, pode significar o início de um novo marco na historia da mídia brasileira: um novo marco re gulatório.
E é bom que pensemos no assunto com seriedade, antes que a democracia se afogue entre nós…
Izaías Almada
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Crise no ninho do tucanato

A pesquisa Datafolha para a Prefeitura de São Paulo não permite nenhuma conclusão, exceto a que os dois nomes mais conhecidos mostram o patamar de onde partem para a disputa. A ex-prefeita Marta Suplicy tem um terço do eleitorado; o ex-governador José Serra, um quinto. (veja aqui os cenários pesquisados).
Se para Marta a situação é confortável, mesmo com a manifesta preferência do ex-presidente Lula por uma renovação política em São Paulo, para Serra o retrato não podia ser pior. Ele sai de um governo do Estado e de uma candidatura presidencial deixando de ser reconhecido como nome natural para a direita.
E alguém acredita que Alckmin colocará a máquina do Estado em favor de Serra?
Os resultados obtidos por Netinho de Paula (PCdo B) e por Paulinho da Força (PDT), somados ao de Marta, chegam perto dos 50%. Os de Serra, somados aos de Soninha Francine e a Eduardo Jorge (PV-Kassab), não vão a 30%.
Com um pouco de juízo e muita articulação, o tucanato pode perder seu reduto paulistano.
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Lula fará palestra em Lisboa sobre oportunidades na crise


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva viaja nesta segunda-feira (5) para Lisboa. É sua segunda viagem ao país em 2011.
Na terça-feira de manhã ele fará uma palestra sobre a crise econômica mundial com o título “Um Mundo em Crise ou um Mundo de Oportunidades”. Lula falará sobre o contexto de mudanças e de desafios que se colocam hoje à economia internacional e fará uma análise da nova geografia de negócios e do que pode vir a ser uma nova configuração global.
À noite será recebido em um jantar oferecido pelo o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho.
Na quinta-feira, terá um encontro com os jogadores do time Benfica e na sexta-feira retornará ao Brasil.


No Instituto Cidadania
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Nossa água nas mãos das grandes corporações

 Atenção Cuiabá 
Atenção Guerrilheiros Virtuais

De Rondônia ao Rio Grande do Sul, passando pelo interior de São Paulo, setor privado mostra voracidade para obter monopólio de recursos estratégicos
Agosto de 2011. Somente um mês após a privatização do abastecimento de água e esgoto, os moradores de Uruguaiana, no Rio Grande do Sul, se surpreenderam. A maioria das contas sofreu aumento, contrariando as promessas de redução da tarifa, feitas pela prefeitura e a empresa Foz do Brasil, concessionária que assumiu os serviços. As reclamações dos usuários foram parar na imprensa local. Houve caso de morador que gastou apenas um metro cúbico de água e teve que pagar R$ 33.
Antes, no mês de fevereiro, Santa Gertrudes, cidade do interior de São Paulo, passou por situação semelhante. O reajuste aplicado nas contas de água após a privatização do serviço causou protestos entre os moradores. Há casos em que o aumento chegou a 700%. Além dos aumentos abusivos nos preços, outra coincidência: a empresa concessionária também é a Foz do Brasil, braço do Grupo Odebrecht.
Mercadoria
Com a crescente busca pela privatização no setor de água, o consumidor pode ter mesmo pela frente contas mais altas. A avaliação é de organizações sociais nacionais e internacionais que participaram, em julho, de seminário que debateu como a população pode se organizar para impedir a venda das empresas.
De acordo com representantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) 90% da rede de distribuição de água no país são controlados por empresas públicas, com uma cobertura de quase 100% das grandes e médias cidades.
Para o MAB, um negócio que não requer grandes investimentos (já que conta com estruturas prontas, criadas com dinheiro público) e movimenta anualmente cerca de R$ 120 bilhões – mais que todo o setor elétrico – desperta o interesse da iniciativa privada.
A elevação dos custos ocorreria pela própria lógica do sistema privado, que adota um modelo de reajuste estabelecido em preços internacionais. Representantes das organizações preveem um aumento imediato nos preços, além de uma diminuição dos investimentos no setor.
Os participantes do seminário denunciaram práticas ilícitas em alguns estados do país. Em Rondônia, na região norte, representantes do Sindicato dos Trabalhadores das Empresas de Água e Energia afirmam que empresários assediam vereadores.
A entidade também denuncia que, em alguns municípios, as prefeituras têm desconsiderado processos legais, como a licitação para a concessão do sistema de abastecimento, exemplo ocorrido na cidade de Ariquemes. Contra a privatização, os sindicalistas avaliam que as empresas privadas investirão menos na ampliação da rede e, principalmente, em saneamento.
Guaratinguetá: inspiração para Atibaia
Em maio deste ano informações dão conta de que o Saneamento Ambiental de Atibaia (SAAE) começou a debater internamente uma proposta de mudança no modelo de gestão do saneamento básico.
Tomando como exemplo o padrão adotado na cidade de Guaratinguetá (SP) o poder público atibaiense busca a iniciativa privada para angariar recursos financeiros ao setor. A justificativa é que, sozinho, não conseguirá alcançar metas de saneamento básico previstas em lei federal (lei 1.445 de 2007) que diz, por exemplo, que os serviços devem ser universalizados.
Na proposta, a Prefeitura tenta que a Câmara de Atibaia aprove projeto de alteração de regime jurídico do SAAE (de autarquia para empresa pública) o que possibilitaria, como em Guará, a contratação de uma Parceria Público Privada (PPP).
O esforço da Prefeitura é tamanho que, em meados de julho, antes de qualquer chamado para audiências públicas e com atropelamento do tempo que deveria ser direcionado a estudos minuciosos e debates amplos, o vice-prefeito em exercício, Ricardo dos Santos Antonio (PT) solicitou sessão extraordinária no Legislativo, em pleno recesso parlamentar, para votar a proposta.
A sessão foi recusada pelo presidente da Câmara, vereador Emil Ono. No entanto, na próxima segunda-feira, 5, é provável que o projeto seja votado pelos vereadores sem que algumas repostas consistentes e definitivas.
No caso da alteração de regime, embora a direção da empresa afirme que nada vai mudar para quem fez carreira no SAAE, a modificação coloca condições diferentes nas relações de trabalho, ameaçando empregos e direitos adquiridos, o que preocupa funcionários e consumidores. Por exemplo, existe a súmula 390, do Tribunal Superior do Trabalho (TST) que prevê a perda da estabilidade dos funcionários concursados se houver a mudança para regime de empresa pública.
Sobre as relações de consumo, se deixar de ser uma autarquia, a empresa perderá a isenção de diversos impostos, como PIS e Cofins, ligados à seguridade social. Essa diferença será ou não repassada para as tarifas cobradas da população? Não se sabe até o momento.
Guará: primeiro o esgoto; depois a água
A Companhia de Serviço de Água, Esgoto e Resíduos de Guaratinguetá (SAEG) é apontada pela atual administração atibaiense como exemplo de solução para atingir metas da lei federal de saneamento, bem como um instrumento capaz de sanar finanças.
Em Guará, o argumento para a mudança e a entrada do setor privado na gestão de saneamento era que o poder público não teria condições econômico-financeiras de manter a instituição após a sanção da lei federal em 2007.
Já em 2008, o Serviço Autônomo de Água, Esgoto e Resíduos de Guaratinguetá (SAAEG) mudou o regime jurídico – de autarquia para empresa de economia mista – tornou-se SAEG e instalou uma PPP.
O Grupo Queiroz Galvão, detentor da Companhia de Águas do Brasil (CAB Ambiental) em tese, seria a solução dos problemas da antiga autarquia de Guará. Não é o que se vê.
No último dia 1 de junho, o prefeito de Guaratinguetá, Junior Filippo (DEM) encaminhou à Câmara Municipal do município um projeto de lei solicitando autorização legislativa para a concessão da água na cidade. Trocando em miúdos, fazer da água uma mercadoria a ser vendida à população sob a tutela da iniciativa privada.
A alegação era de que a capacidade de investimento de Guará é baixa, por isso a decisão de estreitar relações com o setor privado. No dia 30 de junho, em sessão ordinária, os vereadores votaram e aprovaram o texto “em regime de urgência”, por oito votos a três.
A propósito, a CAB Ambiental é o elo das propostas de Atibaia e Guaratinguetá. Além de já estar presente no saneamento da SAEG de Guará, ela é quem fez o projeto de PPP para o SAAE de Atibaia.
Justiça rescinde contrato da CAB no Paraná
A Justiça de Paranaguá, no Paraná, determinou a rescisão do contrato entre as empresas CAB Águas de Paranaguá S/A, sub-concessionária que administra o serviço de abastecimento e saneamento na cidade, a Companhia de Água e Esgotos de Paranaguá (CAGEPAR) e o município.
A decisão, de caráter liminar, atende ação civil pública apresentada em maio deste ano, pelo Ministério Público do Paraná. A Promotoria de Justiça da comarca sustenta que a empresa deixou de cumprir diversas obrigações contratuais, resultando em grave prejuízo financeiro aos cofres públicos, sem contar a má-qualidade do serviço que é oferecido à população e o desrespeito à legislação.
O juiz que acatou os argumentos do MP impôs prazo de oito meses para que a administração municipal volte a assumir o serviço hoje prestado pelas empresas. Em caso de descumprimento, a prefeitura deverá pagar multa diária de R$ 10 mil.
Os promotores de Justiça apontaram diversas ilegalidades, como o não pagamento de encargos aos cofres municipais e o descumprimento recorrente de várias cláusulas contratuais, que implicaram na não realização de investimentos em melhoria do serviço e, consequentemente, prejuízo direto para a população.
Na decisão, o juiz chega a transcrever trecho da medida do MP-PR, que resume a situação: “Aproximadamente 45 anos após a assinatura do contrato de concessão de exploração dos serviços de água e esgoto e, após 14 anos da assinatura do contrato de subconcessão destes serviços, nem a Cagepar e nem a Águas do Paraná executaram satisfatoriamente, nem o Município exigiu tal implemento”.
O juiz também destaca: “Frise-se, após 14 anos do contrato de sub-concessão, não há sequer 5% de rede reparadora de esgoto no município de Paranaguá”. Por contrato, a empresa deveria ter implantado 85% do sistema de atendimento de esgoto até 2003.
Além disso, a Águas de Paranaguá havia se comprometido a construir reservatórios com capacidade de 17mil m3 até 2001, sendo que, até 2005, instalou apenas um reservatório, com capacidade de 1 mil m3.
Em virtude disso e de outras situações, em março deste ano, quando houve uma enchente na região, os moradores da cidade ficaram sem abastecimento de água por vários dias. “As fortes chuvas do início do ano nos deram a prova material de que o sistema era de fato frágil e que a população corria risco”, afirmam os promotores de Justiça autores da ação.
Eles estimam que, no total, o descumprimento de cláusulas contratuais que implicavam em investimentos na rede de água e esgoto e o não pagamento de encargos resultaram em um rombo de cerca de R$ 60 milhões aos cofres públicos.
Em comum com Atibaia e Guaratinguetá, a cidade de Paranaguá tem a mesma empresa como a parte privada – já instalada ou pretendida – dos serviços de água e esgoto: a CAB Águas de Paranaguá, empresa que a Justiça determinou a rescisão de contrato no Paraná, é um dos muitos braços da CAB Ambiental e do Grupo Galvão estendidos Brasil afora.
Como se vê, Foz do Brasil e CAB Ambiental, tentáculos de grandes corporações, vão expandindo as atividades na área de água e esgoto pelo país. Poucas empresas com interesses privados controlando recursos de tamanha importância estratégica e futura, colocam o Brasil, nesse setor, caminhando na contramão mesmo quando se fala de países ferrenhos defensores das privatizações.
Na Europa, experiência negativa e volta atrás
O doutorando da Universidade Estadual Paulista (Unesp) Juscelino Eudâmidas diz que, de acordo com pesquisas internacionais, até 2015, cerca de 60% da capacidade de abastecimento da América Latina estará privatizada. Contudo, ele destaca que, nos países ricos, onde a ideia da privatização surgiu, os governos estão voltando atrás.
"O Estado francês, onde surgiram as primeiras experiências de concessão do sistema de distribuição de água, está reestatizando todo o serviço. Eles viram que a qualidade do serviço e da água caíram, os preços subiram exorbitantemente e o serviço não foi universalizado", diz Eudâmidas.
Representantes do Movimento dos Atingidos Pelas Barragens destacam que a Itália, por meio de referendo, decidiu, em junho passado, que o sistema de água deve ser gerido por empresas públicas.
Onde está a participação popular?
Se na Itália a população do país foi consultada para votar o modelo de gerenciamento da água, em Atibaia não houve sequer uma audiência pública chamada para debater a mudança de regime jurídico do SAAE e a contratação da PPP. A ação de convocar os contribuintes seria um sinal de respeito à democracia, principalmente pelo papel fundamental da empresa na história da cidade.
Até mesmo na polemica envolvendo a cidade de Santa Gertrudes, no interior de São Paulo, aqui narrada, o prefeito João Vitte disse que é praticamente impossível cancelar o contrato de concessão, já que ele foi amplamente discutido com a população por meio de audiências públicas. Além disso, o edital de licitação ficou um ano sob análise do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e foi elaborado conforme as regras do órgão.
Flagrante contradição
Evento curioso – e não menos contraditório e incoerente – ocorreu esta semana. O site oficial da Prefeitura de Atibaia exibia nota convocando para terça-feira, 6 de setembro, às 18h, no Fórum Cidadania, audiência pública para discutir a implantação do loteamento “Reserva de Atibaia”, na estrada dos Pires, bairro rio Abaixo.
O texto destaca que a “reunião é aberta” e que “audiências públicas são instrumentos que buscam colher subsídios para o processo de tomada de decisões do Poder Executivo. Elas também permitem aos cidadãos a oportunidade de encaminhar pleitos, sugestões e opiniões, além de darem publicidade a assuntos de interesse público”.
Enfim, uma incoerência, pois se audiências públicas existe para tratar de interesse público, porque o SAAE não as merece? Fica difícil compreender a noção de democracia se água e esgoto, temas de reflexos gigantescos para a saúde humana e ao meio ambiente, não são brindados com a possibilidade do debate franco e amplo.
Moriti Neto, jornalista.
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#ForaRicardoTeixeira em Londres

No estádio Craven Cottage, em Londres, onde a seleção brasileira enfrenta Gana nesta segunda-feira, em amistoso internacional, um momento de união da dupla Grenal por uma causa justa.
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Charge online - Bessinha - # 781

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EUA tenta evitar votação de Estado palestino na ONU, diz NYT

Obama estará em Nova York para a Assembleia Geral
entre 19 e 21 de setembro
Os Estados Unidos começaram uma campanha para persuadir os palestinos a abandonarem a busca de reconhecimento como Estado nas Nações Unidas. O governo de Barack Obama propõe novas negociações de paz entre israelenses e palestinos com o objetivo de persuadir o presidente palestino, Mahmud Abbas, a abandonar o plano de pedir o reconhecimento à Assembleia Geral da ONU, que será realizada no dia 20 de setembro em Nova York.
A informação foi publicada neste sábado (3) pelo jornal New York Times. Os Estados Unidos argumentam que os palestinos só conquistarão um Estado por meio de negociações diretas de paz. O governo norte-americano vetaria no Conselho de Segurança qualquer pedido a favor da entrada na ONU de um Estado palestino com plenos direitos.
Mas Washington, segundo o jornal, não tem o apoio suficiente para bloquear a iniciativa na Assembleia Geral, que elevaria o estatuto da missão palestina de “entidade” observadora sem direito a voto a Estado observador sem direito a voto.
A mudança fará com que os palestinos tenham acesso a agências e convenções da ONU, que reforçarão, por exemplo, sua habilidade para denunciar Israel diante do Tribunal Penal Internacional.
No Sul21
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Denúncia de pedofilia no YouTube é ignorada pela Polícia Federal

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Wikileaks: Fala de tudo menos da execução dos bebês de mãos atadas

En febrero, dos periodista de The Guardian, David Leigh y Luke Harding, único periodista occidental expulsado de Moscú después de la guerra fría, publicaron en el libro “WikiLeaks. Inside Julian Assange’s War on Secrecy” cómo el australiano les facilitó la contraseña para acceder a los documentos de la organización.
Assange se la escribió en un trozo de papel a Leigh y le dijo: “Ésta es la contraseña, pero debes introducir una palabra adicional cuando la escribas. Debes poner “Diplomatic” antes de “History”.
¿Podrás recordarlo?”.
Leigh pudo. Y desde la publicación de su libro en febrero esa contraseña era conocida por demasiada gente. Y mientras tanto, los datos encriptados llegaron al sistema BitTorrent - también como protección de ataques contra la plataforma WikiLeaks -, que sirve para poner a disposición de forma descentralizada y distribuir a los usuarios grandes cantidades de datos.
Durante varios meses la revelación de The Guardian se convirtió en un secreto a voces en pequeños círculos explican desde WikiLeaks. “Pero la semana pasada, la difusión (ajena a WikiLeaks) alcanzó una dimensión masiva crítica”.
Lo primero que hizo Assange cuando se enteró de la fuga intencionada de la contraseña fue contactar con el Departamento de Estado de EEUU para avisarles del inminente riesgo. Poco después ya circulaban por Internet documentos no publicados ni filtrados por WikiLeaks . Además, los abogados de la organización iniciaron un proceso legal contra el diario The Guardian por incumplir el acuerdo de confidencialidad firmado por su director, Alan Rusbridger.
Para entonces Daniel Domscheit-Berg, miembro de Wikileaks que abandonó la organización para iniciar una gira por los medios atacando a Assange, ya había ¿filtrado? varios archivos no publicados que se había llevado de la organización antes de despedirse. WikiLeaks tenía constancia que estaban en poder de los servicios secretos de medio mundo. ¿La vida de las fuentes está en peligro? ¿Habrían sido a esas alturas protegidas?. Assange volvía a contactar con el Departamento de Estado para advertir de lo que estaba pasando. De aquello y de la fuga de la contraseña en un libro han pasado meses.
WikiLeaks mucho después de estas “extrañas” fugas de información decide publicar los cables que ya circulaban por la red para obligar a los Gobiernos implicados a proteger a las fuentes. La pregunta es si las fuentes de alto riesgo (se habla de un centenar) no fueron advertidas de las filtraciones que estaban ya en poder de los más avezados de la red y sin duda de los servicios secretos.
“Desde el momento que el Pentágono confirmó las fugas de esta información, mucho antes de las filtración de las contraseñas facilitadas por The Guardian y los archivos que se llevó su colaborador, han tenido que ser avisadas y protegidas según el riesgo que les acecha”, nos cuenta un buen conocedor de los servicios secretos (españoles) que también valora (con un exabrupto) las declaraciones de una portavoz del departamento de Estado, Victoria Nuland, que asegura, ahora, que se hará todo lo necesario “para asistir a los que pudieran resultar dañados por esas revelaciones ilegales”. Los malos y los buenos ya estaban en poder de los cables mucho antes de la publicación que ha hecho WikiLeaks.
Julian Assange también ha acusado a los grandes medios occidentales de haber omitido en sus publicaciones denuncias de crímenes que figuraban en los cables. Sirva de ejemplo el escaso eco que el cable sobre la ejecución de niños esposados ha tenido en la mayoría de medios que ahora se dicen escandalizados.
¿Cómo es posible que esto no sea portada?¿Cómo es posible que no sea la primera noticia de los informativos?, preguntas que se hacen a diario en el círculo más próximo de Assange y también sus propios seguidores.
Por cierto que los derechos del libro en que se hacía pública la contraseña para acceder a los archivos con los documentos no publicados en poder de WikiLeaks fueron vendidos a Hollywood. La productora de Steven Spielberg hará una película aunque no ha querido revelar la millonaria cantidad que se han pagado por los derechos del libro que facilitó el acceso a la documentación restringida y protegida por Assange.
“Así es como la basura termina en los libros de Historia: Spielberg prepara una película sobre Wikileaks basándose en el libro de los oportunistas”, comentó al conocer la noticia Julian Assange.
WikiLeaks ha impulsado las revoluciones contra los tiranos y ha actuado como revulsivo de las protestas que en Marruecos han forzado reformas y en España acentuado la indignación de los ciudadanos que descubrieron un gobierno capaz de traicionar a la familia Couso, actuar al dictado del embajador y su ley antidescargas o despreciar la causa judicial por el asesinato de nueve ciudadanos españoles en Ruanda. Aquel escándalo mayúsculo que ha pesado casi desapercibido. Las fuentes deben ser protegidas, los políticos indecentes ya lo son.
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A Marcha Contra as Empresas Corruptoras

No Brasil, corrupção é algo estranho, já disseram muitos: grita-se contra os curruptos, mas silencia-se em relação aos corruptores.
Em 2003, a Convenção da ONU Contra a Corrupção, assinada por mais de 120 países em Mérida, enfatizou a importância de se punir com mais severidade as empresas corruptoras, além, evidentemente, de aumentar os mecanismos de controle sobre a atuação delas.
No ano passado, o Governo Federal enviou um projeto de lei que defendia maior rigor contra as empresas corruptoras, inclusive com a possibilidade de sua extinção judicial.
O projeto, no entanto, encontra-se parado no Congresso, apesar da convocação do presidente da Câmara, Marco Maia.
Além de não ser discutido no Congresso, este é um assunto tabu nas federações de indústrias, bancos e comércio: na ocasião da apresentação do projeto, Fiesp, Firjan, Febraban e outras entidades gigantes desconversaram.
A grande imprensa e seus satélites fingem que a questão não existe: não se fala, não se mostra, não se escreve sobre o tema.
Os colunistas "mais indignados" - com exceção de uma inserção esporádica de Josias de Souza, há dois anos - escondem qualquer informação ou opinião sobre as empresas corruptoras.
Não á manchetes, editoriais, discussão, reportagens aprofundadas ou mesmo superficiais sobre "empresas corruptoras" que saquearam o Estado desde a democratização.
Nos últimos dias, os intrépidos Alexandre Garcia e Di Franco produziram panfletos contra a corrupção "instalada na política", mas nenhum dos dois lembrou que, quando há corrupção, alguém corrompe, e quem corrompe, geralmente, são agentes econômicos (leia-se empresas), que jamais são punidos.
Tudo isso soa como demagogia barata: fala-se para a plateia, mas se esconde da plateia o problema em sua totalidade.
Daí a estranheza de ver veículos como a Folha, Globo e Estadão, que se calam em relação ao tema, estarem tão solidários com movimentações nas redes sociais "contra a corrupção", lideradas por anônimos de linguajar partidário (confiram no facebook e verão que quem mais posta mensagens para a convocação não se identifica).
Marcha contra corrupção que não proteste contra o silêncio criminoso de veículos da mídia - aliás, muitos deles envolvidos em negócios e em troca de favores com corruptos - e do Congresso em relação às empresas corruptoras é brincadeira de adolescente mal informado.
O caso da Veja, que retardou a entrevista de José Roberto Arruda, porque tinha "negócios" com o ex-governador, em pleno "mensalão do DEM", é um caso de cumplicidade evidente e um bom exemplo para se pensar na questão.
Portanto, para tornar a indignação mais verdadeira, todos à Marcha Contra as Empresas Corruptoras, porque se não há demanda...não haverá oferta.
É a lei do mercado da corrupção.
Weden
No Nassif
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Brasil tem a sétima melhor Educação do mundo!

Esta é uma notícia que a grande maioria de nós, além de achar que nunca veria, também nos causa certa perplexidade e surpresa (vá ao site do jornal).
A educação nas escolas brasileiras é a sétima melhor do mundo, se considerarmos somente as instituições federais de ensino fundamental e médio. E se pegarmos somente a rede privada, seria considerada a décima oitava.
Mas quando colocamos Estados e municípios na conta, a colocação vai para quase o sexagésimo lugar.
Ocorre que são justamente esses os entes que mais promovem a educação no país. Aliás, os que mais deveriam promover.
Sou da filosofia de que sempre precisamos antes saber exatamente onde está o problema, para depois reclamarmos. É como na questão dos impostos. O Brasil cobra muito imposto? Sim. O problema então é esse? Não. Vá pra Alemanha, Dinamarca e Noruega para você ver o que é cobrar imposto alto. Em determinadas situações o carga chega a 60% dos ganhos do cidadão.
Então qual o problema do Brasil? Ora, o desvio de recursos. Então, não temos que pedir para o Governo baixar os impostos. Temos que pedir para ele aplicar esses impostos na melhoria de nossa vida. Pode apostar que se isso for feito, mesmo pagando o tanto de imposto que você paga hoje, sua vida ficaria bem mais barata. Basta fazer as contas. Se não precisasse se preocupar com escola particular, pedágios das estradas, plano de saúde e segurança, você economizaria muito mais dinheiro, afinal, tudo já estaria incluido.
O ranking que coloca o Brasil entre os dez melhores no campo da educação deveria servir de reflexão já que ano que vem tem eleição municipal. Muitos prefeitos e governadores adoram jogar a culpa no "Governo" por todos os males do país. Como se eles mesmos não fossem esse "Governo".
Pense nisso, na próxima vez em que digitar seu voto na urna.
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“‘Veja’, hoje, é panfleto”

 En­tre­vis­ta com Ricardo Kotscho 
Jornalista e ex-assessor de imprensa de Lula não crê na existência de complô golpista da mídia, apesar dos ataques ao PT, diz que falta repórter no Brasil, contesta Ignacio Ramonet e Luís Nassif e descarta a morte do impresso
Jornalista Ricardo Kotscho, que assessorou Lula, diz que seis famílias controlam a mídia no Brasil e que elas detestam Dilma e seu ex-chefe

“Caso Dirceu: o que Veja
fez não é jornalismo e
muito menos ético”
Ricardo Kotscho
O jornalista Ricardo Kotscho, ex-assessor de im­prensa do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, diz, com exclusividade ao Jornal Opção, que a revista semanal “Veja” não é mais um veículo de imprensa. Trata-se de um instrumento comercial, político e claramente partidário, alfineta o autor de 20 livros. Apesar de suas críticas, ele não acredita na existência de um suposto Partido da Imprensa Golpista, o PIG, anunciado pelo polêmico apresentador Paulo Hen­rique Amorim. Kotscho contesta ainda Ignacio Ramonet, francês que decretou que a internet não é mais livre, já que os grandes conglomerados de comunicação a controlariam. Repórter de fôlego, ele não concorda também com Luis Nassif, que reduziu a produção jornalística de qualidade a apenas dois veículos: “Carta Ca­pital” e “Valor Econômi­co”. O autor de “Aventura da Reportagem” acha que não falta espaço para reportagens na mídia no Brasil. Segundo ele, falta “repórter”. Aos 63 anos de idade e 47 de exercício profissional, Kotscho está, hoje, na Record News, no R7 e na revista “Bra­sileiros”.
O jornalista Paulo Henrique Amorim diz que existe no Brasil o suposto Partido da Imprensa Golpista (PIG). Essa acusação tem fundamento?
Não gosto dessas conversas de conspiração, de PIG. Mas, o que nós sabemos, é que a imprensa brasileira tomou partido. Mas não acredito que os donos de meios de comunicação se reúnam para conspirar contra o governo federal. Sou colega de Paulo Henrique Amorim na Record News, um canal de notícias, onde conversamos bastante. A posição dos donos de meio de comunicação, que na realidade, são meia dúzia de famílias, é a mesma. Quase todos têm o mesmo pensamento político, contra o PT, contra o Lula e a Dilma. Mas não é que seja uma coisa combinada. Não acredito nisso. Outra coisa é que eles estão querendo jogar a Dilma contra o Lula. Querem mostrar a diferença entre os dois. O que eles não admitem, em hipótese alguma, é que o Lula volte em 2014. E vão fazer o possível para impedir isso, como fizeram em todas as eleições em que Lula disputou. Eles sempre apoiam quem é contra o PT, desde a época do Collor.
Bernardo Kucinski também bate na mesma tecla e afirma que a mídia latino-americana tem o DNA golpista.
Hoje, vivemos uma época no Brasil em que não cabe mais golpe. Não tem mais golpe naqueles moldes que sabíamos. Isso não existe mais no Brasil. Conversava há pouco, com Delúbio Soares, que a gente tem de parar de reclamar do outro lado. Nós temos o nosso lado e a grande imprensa tem o lado dela. Nós temos de ocupar os espaços que existem e que são muitos. Hoje, com a internet, não tem mais dessa de “o dono da opinião pública”. Não há mais o formador de opinião pública, que eram meia dúzia de jornalistas ou meia dúzia de empresas. Hoje, nós temos milhões de formadores de opinião. Nas igrejas, nos sindicatos, nas escolas, ou seja, em todos os lugares. Então, acho que vivemos hoje um processo de democratização da informação contra a vontade dos barões da imprensa.
Ignacio Ramonet diz que não há liberdade mais na internet e que ela seria, hoje, controlada por grandes conglomerados de comunicação. O sr. concorda com essa tese?
Não concordo. Eu sou muito otimista, pois sou de uma geração que veio da ditadura militar no Brasil. Comecei a trabalhar em 1964, então eu peguei todo aquele período de censura, ditadura, aquele negócio todo. Acho que hoje vivemos o período mais longo de liberdades públicas na história do Brasil. Eu não posso me queixar, trabalho faz 40 anos no jornalismo. Em todo lugar que trabalho, conquisto minha liberdade. Eu uso a minha liberdade. Nunca fui demitido. O jornalista profissional tem de se dar ao respeito. Tenho os meus princípios dos quais não abro mão. Temos que parar de reclamar das coisas. Eu não sei sobre esse controle da internet, pois trabalhei muitos anos no IG, que é um grande portal. Saí nesse ano porque recebi um convite da Record. Hoje, eu trabalho na televisão e no portal R7 e, hoje, escrevo exatamente as mesmas coisas que escrevia nos principais meios de comunicação do Brasil.
Luis Nassif disse ao Jornal Opção que apenas “Valor Econômico” e “Carta Capital” fazem um jornalismo ético e de qualidade hoje. O sr. concorda?
Não concordo. Luis Nassif é meu amigo. Mas acho que você tem bons profissionais e liberdades e espaços que tratam a realidade em todos os veículos. Acho que se trata também dos profissionais. Quem foi chefe de redação em determinada época fazia o jogo do patrão. Em todos os veículos, como “O Globo”, “Estadão”, “Folha” têm profissionais que conquistaram espaço, que utilizam isso e fazem jornalismo. Ao mesmo tempo, tem um monte de colunistas que querem virar líderes da oposição. Sempre acreditei no trabalho de cada um, já que temos de conquistar os nossos espaços e utilizá-los na internet, na televisão, na grande imprensa.
O futuro do jornalismo é a internet?
Isso todo mundo está falando. Eu não sei como vai ser o futuro e nem sei se estarei aqui. Qualquer que seja o suporte ou a plataforma, o que importa é o conteúdo. A tendência cada vez mais é o conteúdo da mídia impressa passar para os meios eletrônicos. Porque o que ainda sustenta a internet e os grandes portais é a mídia impressa. Não é o portal que sustenta a empresa, é pelo contrário. No meu caso, onde trabalho, na Record, há várias mídias, como rádio, portais — no caso o R7 — e a Record News, que é um canal de notícias. Tudo faz parte de um processo de horizontalização da informação. E cada um tem de cuidar de seu conteúdo, e isso vale para a empresa e para o jornalista também.
O impresso está com os dias contados?
Lembro-me de quando se falava que, com o surgimento da TV iriam acabar o cinema e o rádio. E isso não aconteceu. O meio mais antigo de comunicação que conhecemos é o livro. Nunca se vendeu tanto livro no Brasil como agora. E o livro tem na internet. Hoje, temos tablet, iPad, iPhone e todos esses equipamentos tecnológicos. Mas nunca se vendeu tanto livro. Eu vivo disso também. Tenho 20 livros publicados, lancei um agora e sinto que existe mercado, sim, para o impresso. Mas tem de ser um impresso de qualidade.
Qual análise que o sr. faz da “Veja”, sobretudo na cobertura dos oito anos do governo Lula?
A “Veja” já há bastante tempo deixou de fazer jornalismo. Esse negócio que vimos agora do império Murdoch, ou seja, que não é sério nem responsável, não é jornalismo. Na verdade, é outra coisa. Eu não considero a “Veja” um veículo de imprensa. Ela é um veículo comercial, político e claramente partidário. As coisas mudam. “Veja” tomou um caminho que não deu certo. Eles acabaram de contratar, na semana passada, um dos maiores banqueiros do país, Fábio Barbosa. Ele era presidente do Santander e da Febraban, e chegou a ser convidado pelo Lula, em seu primeiro governo, para ser presidente do Banco Central. Fábio Barbosa foi contratado para dar sobrevida àquela empresa. E espero que ele consiga mudar a revista. A Abril é uma grande empresa, que emprega um monte de gente, é a maior editora do Brasil. Só que está muito mal administrada, perdeu o rumo, eles estão sem direção. Contudo, acho que ainda tem conserto, pois tudo tem reparo.
O sr. acha que “Veja” faz um ensaio de aproximação com a presidente Dilma Rousseff?
É um jogo complicado. Todas as empresas, ao mesmo tempo que criticam o governo e procuram mostrar a suposta “herança maldita” do Lula para Dilma, também têm abertura, ou seja, conversam com a Dilma. E é claro que Lula é diferente de Dilma, não precisa ser um gênio para perceber essa diferença. Mas eles fazem parte do mesmo projeto político. Trata-se do criador e da criatura. Eles procuram às vezes agradar Dilma para indiretamente atacar Lula.
Como o sr. viu a cobertura e a capa da “Veja” com José Dirceu?
Acho que foi a gota d’água. A revista se desmoralizou.
Há jornalismo ético nisso?
Não é nem jornalismo, muito menos ético.
Projeto de novo livro?
Acabei de lançar um agora. O próximo que pretendo fazer é um livro infantil junto com a minha neta Laura.
Qual o nome do livro?
“Vida que Segue”, é um livro de crônicas.
Como anda a saúde financeira da revista “Brasileiros”?
Eu não sei, pois não cuido da parte financeira. Sou repórter e escrevo reportagens toda semana. É difícil porque é uma empresa pequena, está há quatro anos no mercado fazendo um trabalho muito bom.
Não falta espaço para reportagens na imprensa brasileira?
Na realidade faltam repórteres. Espaço a gente conquista.
Re­na­to Di­as
Es­pe­ci­al pa­ra o Jor­nal Op­ção
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