31 de ago de 2011

Perseguição a Blogueiros: Capo da Folha terá que dar explicações na Câmara


Em reunião ocorrida na tarde desta quarta-feira, a Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados aprovou, por unanimidade, o requerimento de autoria do deputado Paulo Pimenta (PT-RS), que pediu audiência pública para debater o que ele chamou de “silêncio da mídia no caso de censura imposta pelo jornal Folha de S. Paulo ao site Falha de S. Paulo”, referindo-se à perseguição empreendida pela corporação mafiomidiática Folha de S.Paulo ao blogueiros Lino e Mario Ito Bocchini, criadores do blog Falha de S.Paulo.
Durante a sessão, foi notada na plateia a presença dos mafiosos da Barão de Limeira, que tentaram, a todo custo, cooptar os parlamentares membros da Comissão para rejeitar o requerimento.
Até o final de setembro serão chamados a Brasília, além dos blogueiros, o chefão da gazeta paulista, Otávio Frias Filho, bem como seus prepostos Sérgio Dávila, Taís Gasparian e Vinicius Mota. O deputado Pimenta confirmou que convidará também representantes da ANJ, FENAJ,OAB e CNJ. “Acredito que será uma excelente oportunidade para debatermos liberdade de expressão no Brasil e seus limites”, disse o parlamentar gaúcho.
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A Imagem de Dilma

Em seu cotidiano, o jornalismo político é forçado a lidar com problemas complicados, dos quais não consegue escapar. Enfrenta, no entanto, dificuldades desnecessárias, que poderia perfeitamente evitar. Nada o obriga, por exemplo, a apresentar a seus consumidores algo que eles, a bem dizer, não esperam.
Salvo as exceções de praxe, leitores, espectadores e ouvintes não pedem conceitos acabados e opiniões definitivas sobre o que acontece no mundo político, seus personagens e instituições. Mas muitos jornalistas, especialmente comentaristas e colunistas, acham que devem tê-las todo dia.
Pode-se ver isso no tratamento que Dilma e seu governo recebem. Mesmo os veículos e os profissionais que levam a sério seu trabalho costumam padecer desse mal, da “conclusão apressada”. O que dizer daqueles que sequer têm compromisso com a realidade.
No início do ano, a necessidade era menor. O governo estava começando e havia uma abundância de notícias a dar sobre a composição do ministério e as medidas que tomava. Predominava um tom informativo.
Nem bem haviam transcorrido os primeiros meses, no entanto, e, em algumas redações, se generalizou a sensação de que já era hora das “interpretações”. Dos 100 dias em diante, a mídia se sentiu no dever de ter um conceito pronto a respeito de Dilma.
Muitos foram propostos. De “grata surpresa” a “decepção”, de “gerente competente” a “teleguiada de Lula”, de “rápida na decisão” a “titubeante”, de “crescentemente autônoma” a “progressivamente mais dependente”. E por aí vai.
Hoje, todos querem proferir sua sentença sobre “o que é o governo”. A cada dia, é publicado um novo julgamento, uma nova definição. É como na música moderna: basta piscar os olhos que aparece o maior grupo de todos os tempos da última semana.
As pessoas não precisam desses pronunciamentos. Conforme mostram as pesquisas, os consumidores do jornalismo político não são desinformados e incapazes de elaborar suas próprias avaliações. Ao contrário. Quem procura nas velhas ou nas novas mídias o comentário e a análise não deseja que alguém lhe dê a conclusão. Quer concluir sozinho.
Quando um governo “mal começou”, mais ainda. Embora, para os profissionais da imprensa, o governo Dilma possa já estar durando uma infinidade de tempo, está nos primórdios para a opinião pública. O que uns acham que é tempo mais que suficiente para julgar, outros consideram que é prazo demasiadamente pequeno.
Essa não é uma característica inusitada do atual governo, fruto de alguma idiossincrasia proveniente de sua história e natureza. Todos costumam ser percebidos dessa maneira quando sequer chegaram ao fim do primeiro ano.
Já vimos fenômenos semelhantes em governadores e prefeitos que não tinham, antes de chegar ao cargo, maior notoriedade. Sem trajetória e biografia conhecidas, sua imagem não estava formada. Tipicamente, são os que se elegeram em função do endosso de alguém querido e respeitado.
A novidade, com Dilma, é que isso está acontecendo, agora, com uma presidente da República. O que não muda o fundamental: para a opinião pública, não está na hora de julgá-la (seja positivamente, para onde parece convergir a vasta maioria da sociedade, ou negativamente).
Será preciso tempo para que as feições definitivas do governo Dilma fiquem claras. Por enquanto, apenas alguns traços estão nítidos, mas não formam, ainda, um retrato consolidado.
Isso não incomoda o país, que sabe esperar, entre outras razões porque sabia que assim seria com ela. Com seu proverbial bom senso, o povo não se sente premido a chegar a qualquer conclusão antes da hora.
Quem não se aguenta e fica pulando de conceito em conceito são os que mais serenidade deveriam ter. O problema é que, de tanto se precipitar, acabam queimando a língua.
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
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Deputado ganha R$ 1,8 milhão por mês com transporte no Rio Madeira

Direto do Distrito de Abunã - RO
Roberto Dorner é o "dono" do rio
O deputado Roberto Dorner (PP-MT), 63 anos, possui quatro outorgas de autorização concedidas pelo governo federal para explorar serviço de transporte de passageiros, veículos e cargas na navegação de travessia em três rodovias federais na Bacia Amazônica.
A outorga mais lucrativa do parlamentar, empresário, agricultor e pecuarista, é no Rio Madeira, no distrito de Abunã (RO), a 280 quilômetros de Rio Branco (AC), passagem obrigatória de quase tudo que entra ou sai via BR-364, a única que liga as demais regiões do País ao extremo-oeste brasileiro.
Há 23 anos, três balsas operam dia e noite na confluência dos rios Madeira e Abunã, onde o faturamento médio de Roberto Dorner é avaliado em R$ 60 mil por dia ou R$ 21,6 milhões ao ano. Até 1988, o transporte de passageiros, veículos e cargas no local era de responsabilidade do Exército.
Catarinense de Bom Retiro, Dorner assumiu como suplente o mandato em decorrência do licenciamento do deputado Pedro Henry. Ele é presidente do Sindicato Marítimo de Rondônia. No Mato Grosso, lidera o Grupo Roberto Dorner de Comunicação, que possui emissoras de TV em Sinop, Cuiabá e Rondonópolis.
As quatro outorgas para transporte de travessia, por tempo indeterminado e em regime de liberdade de preços, foram concedidas pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), ligada ao Ministério dos Transportes.
A Antaq chegou a autorizar Dorner, como empresário individual, a atuar no transporte de travessia no Rio Madeira, em Porto Velho (BR-319), no Rio Abunã (BR-364) e em Humaitá (BR-230), no Amazonas.
Desde o ano passado, o deputado usa também as empresas Amazônia Navegações Ltda., na milionária outorga na divisa do Acre com Rondônia, e a Rodonave Navegações Ltda, em outro trecho da Transamazônica, sobre o Rio Tapajós, nos municípios de Itaituba e Mirituba, ambos no Pará.
A mina do transporte de travessia no País abrange 130 operadores que trabalham em 89 pontos interestaduais, internacionais ou em diretrizes de rodovias federais.
Há vários anos a operação da empresa de Roberto Dorner no Rio Madeira tem gerado críticas e queixas de usuários em relação à falta de segurança, à cobrança de tarifas excessivas e à má qualidade dos serviços prestados.
A tabela do pedágio para travessia no distrito de Abunã isenta apenas pedestres e ciclistas. Os valores variam de R$ 3,80 (animais) a R$ 130,00 (carreta tremião de nove eixos, carregada). A travessia de cada automóvel pequeno custa R$ 19,00 e dos ônibus R$ 46,00.
Tabela de preços exibe nome de Roberto Dorner
O governo federal financia há mais de quatro décadas, no Acre, a construção da controversa BR-364, que liga Rio Branco, a capital, a Cruzeiro do Sul, no ponto mais ocidental do País.
Além disso, financiou a pavimentação da BR-317 até Assis Brasil, na fronteira com o Peru e a Bolívia. O trecho da rodovia no Acre foi batizado de Estrada do Pacífico, mas o Estado permanece praticamente isolado.
De Rio Branco a Cruzeiro do Sul, já foram construídas mais de 20 pontes pequenas, médias e grandes, que somam mais de três quilômetros de vão, mas a ponte sobre o Madeira não passa de projeto.
De seis em seis meses, no auge da estiagem amazônica, a travessia em balsas é prejudicada pela falta de água no Madeira. Longas filas de automóveis, ônibus e caminhões se formam com produtos e pessoas.
A Comissão de Viação e Transporte, da Câmara dos Deputados, chegou a aprovar por unanimidade, em 2008, uma emenda inicial de R$ 36 milhões para construção da ponte sobre o Madeira para atender o Acre e Rondônia. A ponte, cujo valor é estimado em R$ 500 milhões, teria mais de um quilômetros de extensão, mas o edital da obra foi cancelado em julho.
- Cancelaram o edital sob a alegação de que o projeto precisa de revisão do Tribunal de Contas da União e da revisão do nível do Madeira em decorrência da barragem das hidrelétricas que estão sendo construídas em Rondônia - comenta Marcos Alexandre, diretor do Departamento de Estradas e Rodagens do Acre.
Políticos, empresários e comerciantes, do Acre e Rondônia, passaram a acusar o deputado Roberto Dorner de operar nos bastidores contra a construção da ponte sobre o Madeira. O descontentamento ganhou força nos últimos dias por causa da intensidade da estiagem na região.
Balsas lotadas cruzam o Madeira dia e noite
O Acre poderá a voltar a ficar isolado, como no ano passado, por causa da seca do Madeira. As balsas de Dorner, que fazem a travessia, já começaram a encalhar nos bancos de areia. A pressão é para que seja agilizada a abertura de canais de navegação com uso de dragas e acelerado o processo para a construção da ponte.
O diretor da Amazônia Navegações, Gerson Nava, disse que a responsabilidade pela abertura de canais de navegação no Madeira é do Ministério dos Transportes, mas que a empresa mesmo assim contratou máquinas para o serviço.
- O que está existindo é muita fantasia de político incompetente. Os políticos do Acre, por exemplo, preferem o discurso fácil quando dizem que a nossa empresa tenta inviabilizar a construção da ponte. Em Porto Velho, onde também temos outorga, existe uma ponte em construção, na BR-319, que liga a capital rondoniense a Humaitá, no Amazonas. A ponte em Abunã depende apenas de uma decisão do Ministério dos Transportes e nós não temos interferência nenhuma nisso - afirma Nava.
O senador Jorge Viana (PT-AC) ocupou a tribuna nesta terça-feira (29) para anunciar que o diretor técnico do Ministério dos Transportes, Pedro Brito, concorda com o afastamento imediato da empresa do deputado Roberto Dorner para melhorar a prestação do serviço no porto de Abunã.
- Não adianta insistir com a atual empresa. Ela tem, talvez, o melhor negócio do mundo. Algumas contas falam e, são números que o cálculo tem que ser empírico, mas quem conhece a realidade como nós conhecemos, fala em faturamento acima de um R$ 1 milhão por mês. Ela cobra o pedágio mais caro do país em troca de um serviço irregular e lento - afirmou.
Segundo Viana, existem interesses atuando dentro do governo para que se mantenha o serviço de balsas no Rio Madeira sob controle da iniciativa privada.
- Esses interesses adiam, como tem ocorrido nos últimos 10 anos, a construção da ponte. Ou seja, a BR-364 está ficando pronta, mas sequer é feita a licitação da ponte sobre o Madeira.
Coordenador da banda bancada federal do Acre, o senador petista Aníbal Diniz considera o assunto de “extrema gravidade”, pois interesses econônimos e sociais do Estado estão sendo preteridos em benefício de uma empresa.
- Nós vamos atuar no sentido de convencer o Ministério dos Transportes a realizar, o mais rápido possível, a licitação para início da construção da ponte sobre o Madeira e também pedir uma solução paliativa neste verão amazônico. O nível da água baixou muito e o Acre começa a ter problemas de abastecimento
A reportagem fez várias tentativas para ouvir o deputado Roberto Dorner. A assessoria dele se limitou a informar que o parlamentar está afastado das empresas e que não gosta de falar sobre o assunto porque costuma ser mal interpretado pela imprensa.
Embarque numa das balsas de Roberto Dorner
Fotos: Roberto Dorner/ Divulgação
Altino Machado 
No Terra Magazine
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Dicionário Mineirês-Português

Agora já é possível entender o Bessinha!
Procêis qui móra nuistadimínas e procêis qui vencá asvêiz:
Ói qui bão sô… procês intendê mió o minêro, uai!
PRESTENÇÃO – é quâno eu tô falano iocê num tá ovíno.
CADIQUÊ ? – assim, tentânu intendê o motivo.
CADÍM – é quãno eu núm quero muito… só um poquím.
RETRATO – foto.
DEU – omez qui ‘di mim’. Ex.: Larga deu, sô!!
SÔ – fim de quarqué frase. Qué exêmpro tamêm?: Cuidadaí, sô!!!
DÓ – omez qui ‘pena’, ‘cumpaxão’ : ‘ai qui dó, gentch…!!’
NIMIM – omez qui ni eu. Exempro: Nòoo, ce vivi garrado nimim, trem!… Larga deu, sô!!…
NÓOO – Num tem nada a vê cum laço pertado, não! omez qui ‘nossa!’ Vem de Nòoosinhora!…
PELEJÂNU- omez qui tentânu: Tô pelejânu quesse diacho né di hoje, qui nó! (agora é nó mez!)
MINERÍM – Nativo duistadiminnss.
UAI – Uai é uai, sô… uai!
ÉMÊZZZ ?! – minerim querêno cunfirmá.
NÉMÊZZZ ?! – minerim querêno sabê si ocê concorda.
ÓIAQUÍ – Minerim tentâno chamá atenção pralguma coizz…
PÃO DI QUÊJU – Iosscêis sabe!… Cumída fundamentar qui disputacomo tutú a preferêça dus minêro
TUTÚ – Mistura de farinha di mandioca (ô di mio) cum fejão massadim. Baum dimais da conta, gentch!!
TREM – Qué dize quarqué coizz qui um minerim quizé! Ex “Já laveius trem!” , Qui trem bão!!
NNN – Gerúndio du minerêis. Ex: ‘Eles tão brincãnnn’, ‘Ce tá ínnn, eu tô vinnn…’
BELZONTCH – Capitár duistado.
PÓ PÔ – umez qui pó colocá.
POQUIM – só um poquim, prá num gastá muito.
JISGIFORA – Cidadi pertín du Ridijanero. Cunfúnde a cabêss do minerim qui si acha qui é carioca.
DEUSDE – desde. Ex: ‘Eu sô magrelín deusde rapazín!’
ISPÍA – nome da popular revista ‘VEJA’.
ARREDA – verbu na form imperativ (danu órdi), paricído cum sái. ‘Arredaí, sô!’
ÍM – diminutivo. Ex: lugarzím, piquininím, vistidím, etc.
DÊNDAPÍA – Dentro da pia.
TRÁDAPÓRTA – Atrás da porta.
BADACÂMA – Debaixo da cama.
PINCOMÉ – Pinga com mel.
ISCODIDÊNTCH – Escova de dente.
PONDIÔNS – Ponto de ônibus.
SAPASSADO – Sábado passado.
VIDIPERFUME – Vídru de perfume.
OIPROCÊVÊ (ou OPCV) – óia procê vê.
TIISSDAÍ – Tira iss daí.
CAZOPÔ – Caxa disopô.
ISTURDIA – Ôtru dia.
PROINÓSTÁÍNU? – pronde nós tâmo ínu?
CÊSSÁ SÊSSE ONS PASNASSAVAS? – ocê sabe se esse ônibs passa na Savassi?
REMÉDA – imita arguêm.
ONCOTÔ – onde que eu tô
PRONCOVÔ – pra onde que eu vô
PRONQUECÊ VAI? ou ONQUECÊ VAI? – pra onde que ocê vai?
CÊ TÁ INO PRA ONDI? – pra qual lugar ocê vai?
VAICATÁCOQUIM – é igual a saipralá sô!
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Em Veja, encontrei, abri a porteira e entrei na fazenda de Brizola

Mas a revista preferiu não publicar uma linha sobre o achado no Uruguai: fora invasão de domicílio
É, os tempos mudaram. Corria o ano de 1987. Depois de ter sido repórter na sede em São Paulo, Veja me enviou para Porto Alegre como chefe da sucursal da revista. Ali, certo dia veio a pauta que me levaria ao Uruguai para percorrer os caminhos feitos pelo então governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola, em seu exílio logo após o golpe de 1964. Uma reconstituição. Pairava uma suspeita cheia de certezas, entre os editores da revista, de que Brizola mantinha uma fortuna em imóveis no país vizinho, especialmente uma fazenda que, nos ecos que chegavam à redação, era imensa e valorizadíssima. Ninguém sabia exatamente onde ficava, eu teria de descobrir. Foi comigo o então fotógrafo da sucursal, Adolfo Gerchman.
Estivemos, primeiro, no hotel em que Brizola e família se hospedaram, dias após o golpe, corridos pela ditadura, no centro de Montevidéo. Uma suíte minúscula, mais parecida com aquelas do antigo trem de prata, que aproximava com seu vagão leito Rio e São Paulo. Havia, na habitação provisória de Brizola, dona Neusa e seus filhos uma porta que a unia à suíte vizinha. Esta fora ocupada, naquele momento histórico, pelo casal Maria Tereza e João Goulart. O presidente derrubado e a linda primeira-dama! Naquele cubículo... Unidos aqui, Brizola e Jango também estavam colados lá. O camareiro do hotel, que nos levou até a habitação com autorização do gerente, disse que durante quase todo o tempo em que as famílias Brizola e Goulart estiveram lá, a porta interna ficava aberta.
Quando a situação se estabilizou e o governo uruguaio garantiu a Brizola sua permanência no país, ele e família rumaram para a vizinha Atlântida, uma praia do rio da Prata com perfil de classe média média, vizinha à capital, de prédios de três andares com pequenos apartamentos, num dos quais passaram a morar. Também estivemos lá.
Dali, sempre de olho no que acontecia no Brasil, o então governador gaúcho cassado, perseguido e exilado mudou-se para um apartamento num simpático prédio de tijolinhos à beira do rio, em Montevidéo. Ficava bem defronte à embaixada dos Estados Unidos que, anos depois, findaria por conceder a Brizola e os seus um visto de entrada e permanência no país. Quase uma questão humanitária. Por mais que fosse bem recebido no Uruguai, pela proximidade com o Brasil o político inflamado tinha o receio, justificado, de que estava sendo vigiado e poderia, a qualquer momento, ser sequestrado pela ditadura brasileira. Igualmente visitei esse apartamento, sem luxo e muito simpático. O síndico do prédio nos deu acesso.
E havia a fazenda de Brizola a descobrir. Foi preciso fazer muitas perguntas para saber onde ela ficava. Naquele 1987, Brizola, então governador do Rio em final de primeiro mandato, costumava passar alguns finais de semana e pequenas temporadas na própria fazenda. A propriedade era quase uma lenda: a misteriosa fazenda de Brizola...
Obtivemos a informação: chamava-se Repetchó (que significa pequena subida) e ficava no departamento de Durazno, no interior do país. Acertamos com um taxista e fomos para a estrada. Talvez duas, três horas de viagem, se me lembro bem. Numa estradinha de terra, depois de muito rodar, veio a pequena elevação e, pouco depois, do nosso lado direito, cercada por arame farpado, vimos as terras de Brizola. Perto das demais à sua volta, todas com grandes extensões, a fazenda mais parecia, na boa, um sítio de final de semana. Tinha uma casa simples e, ao lado dela, uma construção de acabamento humilde com janelão de vidro frontal. Era ali que Brizola gostava de ficar, me disse o caseiro, olhando um pequeno rebanho de ovelhas. Gerchman chegou a fazer a foto, lembro-me do cromo revelado. Para saber isso, tivemos, é claro, de empurrar a porteira de madeira com a mão e entrar. Não havia campainha a tocar. Não me pareceu o caso de berrar para chamar alguém. E eu tinha de entrar! Em fazendas, de resto, muita gente entra assim, abrindo a porteira com as próprias mãos e avançando até encontrar alguém responsável pela propriedade. Foram poucos passos até encontrarmos essa pessoa. Um homem, o caseiro. Ele foi econômico nas palavras e avisou que não poderíamos ficar. Acreditava que o govenador não iria gostar nada daquilo. Agradecemos, voltamos por onde havíamos entrado e retornamos, com a sensação de missão cumprida, para Montevidéo. Escrevi a matéria, que iniciava com um cálculo, em dólares, segundo os valores do mercado imobiliário local, do quanto valiam as propriedades de Brizola no Uruguai (o apartamento e a fazenda). Passei por telex, que não existiam celular, internet para todos, nada disso. Dei o tempo regulamentar para a matéria ser lida e telefonei para o editor de Brasil. “Vocês fizeram um ótimo trabalho”, me disse ele. “Mas não vamos publicar uma linha sequer”. Eu não perguntei nada, e mesmo assim me foi explicado: “O Brizola ligou aqui, disse que Veja invadiu uma propriedade particular dele e que, se sair uma linha, vai processar a revista. Estamos fora!”.
Naquele tempo, o expediente de Veja tinha José Roberto Guzzo como diretor de redação, Elio Gaspari como diretor de redação adjunto e Paulo Moreira Leite como editor de Brasil.
Marco Damiani
No Brasil 247
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#ForaRicardoTeixeira

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Etnocentrismo, russofobia e impulso anticomunista de Eric J. Hobsbawm

A Página Vermelha idenficou na obra do dito "renomado historiador marxista" uma série de falsificações em "A Era dos Extremos" que vão desde a desinformação a respeito do sistema político soviético até russofobia e etnocentrismo
É muito comum ouvir o nome de Hobsbawm nos quatro cantos do mundo acadêmico, especialmente em faculdades de História. Sua obra é recomendada num dos mais bem conceituados concursos do Brasil, o da carreira diplomática, cujo programa recomenda as "Eras" do autor nascido no Egito de nacionalidade britânica. De fato, muitos o vêem como "a última palavra em História", uma espécie de guru até, para alguns, ainda, influencia a chamada "esquerda verdadeira", isto é, esquerdistas que se autoproclamam, abertamente ou não, a "última palavra em termos de marxismo", o que pesa ainda mais em razão da militância deste no PCGB, isto é, o Partido Comunista da Grã-Bretanha. A verdade, entretanto, e a intenção de repassá-la nem sempre é um elemento contido nos livros de Eric John Hobsbawm, devendo ser buscada e espalhada, a fim de que novos erros não venham a ser repetidos e mentiras possam ser destruídas como uma muralha que impede a todos de ver a verdade.
A Era dos Extremos, assim como várias outras obras de Hobsbawm, é uma referência para muita gente no tocante à história do século XX, independente de suas visões políticas, de modo tal que o historiador britânico consegue congregar num mesmo universo "esquerdistas" e conservadores, sendo classificado como tal por ambos os grupos. O próprio título do livro é tendencioso, pois ele infere, implicitamente(e é necessário ler toda o livro para perceber isso), que a "Era dos Extremos" é uma era de "extrema-esquerda" e "extrema-direita", que teriam influenciado fortemente o mundo em que vivemos. Não é nenhum segredo que tais tendência existem, entretanto, para Hobsbawm a "extrema-esquerda" nada mais é do que a tendência apresentada pela União Soviética e outros países que efetivamente buscaram o socialismo em seus países, diferente do PCGB, que apenas o faz verbalmente. Para Hobsbawm as idéias de Lenin e Stalin são idéias de "extrema-esquerda" e um trecho do livro que corrobora bem esta tese está no capítulo "O socialismo real"(página 363). Este capítulo traz uma vasta pesquisa a respeito do socialismo em alguns países da Cortina de Ferro, porém negligenciando que nem todos esses Estados de "orientação marxista" eram necessariamente Estados Socialistas, porém Repúblicas Populares, assim como cometendo um leve deslize ao negligenciar a defesa que Marx fazia da Economia Planificada e Centralizada, que é defendida pelo filósofo alemão já em O Manifesto Comunista. Até aí, nenhum problema, o autor inclusive faz uma aguçada análise que vai de encontro à do historiador belga Ludo Martens no tocante ao nome de Nikolay Buharin, que Hobsbawm acertadamente identifica como um "proto-Gorbatchov"1.
Segundo William Bland, marxista britânico, "antistalinismo" é anticomunismo, uma vez que o primeiro nada mais é do que uma forma de atacar não o homem I. V. Stalin, porém a sua obra no primeiro Estado Socialista da história, uma vez que seu trabalho seguiu praticamente à risca os escritos de Karl Heinrich Marx, e o antistalinismo é o grande tótem de Hobsbawm. Ao falar de Stalin, cujo governo levou a Rússia da era do arado para a era da energia nuclear(então a mais avançada forma de tecnologia da época), nas palavras do próprio Winston Churchill, também britânico, Hobsbawm não esconde o seu impulso contra o ex-sapateiro georgiano, introduzindo-o como um "autocrata de ferocidade, crueldade e falta de escrúpulos exepcionais que para muitos eram "únicas"2. Essa visão, entretanto, pode ser facilmente refutada por uma série de autores que vai desde sua filha Svetlana na consagrada obra "Vinte cartas a um amigo", até o historiador Simon Sebag Montefiore(também britânico), autor de "O jovem Stalin", livro que fora sucesso de vendas na Europa ao demonstrar um lado desconhecido do líder soviético, um poeta do Cáucaso. Deve ser lembrado aqui que esse mesmo senhor Montefiore, em uma de suas obras, insinua que "a mãe de Stalin era prostituta, uma vez que era muito pobre e provavelmente não vivia bem apenas lavando roupas"(em poucas palavras, para S. Montefiore, Stalin era literalmente um "filho da puta"), tal era o seu elitismo3.
A idéia de que "Stalin era um ditador"(termo que Hobsbawm substitui por "autocrata" para não cair em clichê), é objeto de onanismo político dos defensores do liberalismo econômico, do conservadorismo político e de outras idéias da classe dos exploradores do povo, além de ser objeto também de onanismo político da extrema-esquerda, que para Lenin era uma "doença infantil do comunismo"4. A idéia do "Stalin ditador absolutista", entretanto, é tão realista quanto um cavalo alado ou um leão falante, já foi esclarescida num diálogo de Stalin com Eugene Lyons5, que o entrevistou pessoalmente, e refutada por autores como William Bland, que estudou seu governo e até sua personalidade baseado no testemunho de pessoas que estiveram com ele. Os estudos de Bland demonstram que Stalin, premier soviético, tinha um poder menor do que o do Presidente dos Estados Unidos, no governo soviético. Enquanto este era o secretário-geral do PCUS e chefe do governo soviético(mas não de Estado), o soberano americano executava as duas funções. Essa limitação do poder de Stalin é mais tarde reconhecida inclusive por Harry Truman, líder americano, que durante as negociações relativas às áreas de influência na Europa mencionava que não se podia adotar por parâmetro as "decisões do Tio Joe"(nota: Stalin)6, em razão deste ser um "prisioneiro do Politburo". Essa versão é corroborada pelo professor Grover Furr, dos Estados Unidos, ampliada num debate com um professor do Reino Unido que deu origem a um importante texto a respeito, mostrando as limitações do governo de Stalin7. Este mesmo professor, em "Stalin e a luta pela reforma democrática"8, apresenta várias limitações da autoridade do líder georgiano e até apresenta um fato ignorado por praticamente todos os estudiosos do premier soviético, uma proposta sua de eleições diretas para os postos do governo soviético a ser incluída na Constituição de 1936, vetada pelos outros membros do Politburo. Grover Furr, tomando por base os estudos de um renomado historiador russo, o Dr. Yuri Júkov, alega ser uma mentira o mito de Stalin como "ditador todo-poderoso". Ainda, o líder albanês Enver Hodja afirmou que "Stalin não era um tirano, um déspota", mas "um homem de princípios"9. Sidney e Beatrice Webb, em "Soviet Communism: A New Civilisation", também rejeitam a idéia de que o Estado Soviético era governado por uma só pessoa10.
Um dos poucos pontos positivos da obra de Hobsbawm está em seu reconhecimento do surgimento de uma nova sociedade surgida com as idéias dos bolchevistas na União Soviética.
Na foto, uma parada cívica de atletas soviéticas nos anos 30.
Refutada a idéia do "Stalin autocrata", é necessário questionar, investigar e fazer conclusões sobre a idéia do "Stalin cruel", adotando uma corrente que nada tem de "stalinista", mas de racionalista, mais próxima de Voltaire do que de Stalin. A imagem deste "Darth Vader vermelho", vendida por historiadores como Hobsbawm, cujo impulso antistalinista o leva a extremos, foi objeto de estudo do marxista-leninista britânico William Bland. Em seu documento "O culto do indivíduo"11, Bland demonstra que segundo o líder albanês Enver Hodja "Stalin era modesto e bastante gentil com as pessoas, os quadros e seus colegas", e segundo o embaixador dos Estados Unidos na União Soviética, Joseph Davies, citado no trabalho de Bland, Stalin era um homem simples, de gestos agradáveis. Contrastando ainda com essa imagem, a filha do próprio Stalin, Svetlana Alilulyeva, descreve o líder soviético como um pai atencioso, amável. Segundo Georgiy Júkov, Marechal da União Soviética, "Stalin conquistava o coração de todos com quem conversava"12. Como se não bastassem essas declarações, o "cruel Stalin" jamais ordenara a prisão de Mihail Bulgákov, um escritor que pensava diferente do Estado Soviético e lhe era crítico, apreciava o talento de Maria Yudina, pianista considerada louca na URSS mas admirada por Stalin, e tinha por um de seus hobbies não a caça ou a pescaria, mas tão somente plantar árvores ou plantas de jardim, características incomuns num "sujeito cruel". Para alegar que "Stalin era cruel" é necessário comprovar tal alegação, por exemplo, com algum documento de Stalin que demonstrasse atos de crueldade, documentos que inexistem, tornando a alegação de Hobsbawm pura sofistaria13.
Stalin, segundo Eric Hobsbawm
Não bastasse o impulso anti-Stalin de Hobsbawm, de dar inveja a qualquer propagandista do III Reich, Hobsbawm chega a mais um extremo ao alegar que "poucos homens manipularam o terror em escala mais universal". É questionável o porquê de Eric ter adicionado esta descrição, será que chamar de "cruel e autocrata" já não era suficiente para o britânico? É de se supor que esta afirmação tenha sido inserida como forma de "blindar" o autor de A Era dos Extremos contra possíveis alegações de "stalinista" por parte de seus editores ou mecenas burgueses. Um elogio de Hobsbawm ao Banco Mundial no referido livro pode ser indicativo de uma de suas fontes de financiamento. É comum que certos indivíduos confundam "amor a uma coisa" com "ódio por outra", usando-se do ódio como forma de demonstrar "apreço" por uma outra coisa, como Hitler na Alemanha, que sendo austríaco, usava o ódio contra eslavos, negros e judeus como forma de demonstrar um suposto "amor" pelo país, ou como o marido que bate na esposa como forma de mostrar que "a ama". Mais uma vez, essa tentativa desesperada de Hobsbawm de doutrinarnos com sua sofistaria através de uma linguagem de ódio vai por água abaixo ante os estudos do Dr. Yuri Júkov e do professor Grover Furr. Mesmo o discurso de Nikita Hruschov no XX Congresso do PCUS, que talvez conferissem alguma legitimidade ao historiador britânico foi provado como falso pelo professor americano em sua obra "Hruschov lied", que demonstra que 60 das 61 acusações de Hruschov em seu discurso no referido congresso são falsas, discurso que, diga-se de passagem, é ignorado por Eric Hobsbawm, mesmo sendo um dos discursos mais importantes do século XX, sua obra carece de qualquer investigação séria desse discurso e de sua veracidade. O professor Grover Furr, responsável por investigar e desmascarar o discurso fraudulento de Hruschov, demonstra como falsa a idéia de Stalin como "todo poderoso soviético", demonstrando que esse não exercia controle sobre o NKVD, órgão para a defesa da Revolução Bolchevique que nos anos 30 cometera sérios abusos de poder sob a direção de Genrih Yagoda e Nikolay Yejov, ambos exonerados, processados, julgados, condenados e executados, sendo este último substituído por Lavrenti Beria.
Adolf Hitler, o mais célebre dos anticomunistas. 
Em várias oportunidades deixou transparecer seu ódio contra Stalin
Fazendo o papel de pícaro do marxismo a serviço de forças reacionárias, Hobsbawm descreve o crescimento do sistema soviético como o resultado de uma "força de trabalho de 4 e 13 milhões de pessoas prisioneiras(os gulags)", citando Van der Linden. Essa cifra absurda já foi contestada por uma vasta gama de autores e refutada pelos documentos desclassificados na época da Glasnost e assinados pelo Procurador-Geral da União Soviética R. Rudenko, o Ministro do Interior S. Kruglov e o Ministro da Justiça K. Gorshenin, que demonstram o número de cerca de 2 milhões de presos na URSS, um número inferior em termos absolutos e proporcionais ao número de presos nos EUA(que por volta de 2006 era de 7 milhões). Essa mesma tabela divulgada pelo governo anticomunista de M. Gorbatchov fora divulgada pelo sueco Mário Sousa14, por Alexander Dugin, Zemskov e Ludo Martens. Ela é a prova de que autores como Hobsbawm e outros de sua camarilha mentem deliberadamente quando o assunto é "União Soviética", algo que não se atrevem a fazer quando falam de seus próprios países, responsáveis pela morte de milhões de pessoas ao redor do mundo. Estima-se que a Grã-Bretanha, país de Hobsbawm, tenha provocado deliberadamente uma grande fome na Índia que matou cerca de 30 milhões de pessoas. Curiosamente, sua soberana, a Rainha Elizabeth II e seus primeiros-ministros, não recebem nem metade dos epítetos que o historiador lança furiosamente e irresponsavelmente sobre Stalin.
Adotando uma posição reacionária, Hobsbawm atribui como causa da fome na Ucrânia em 1932-33 a "coletivização da agricultura", medida adotada para promover a justiça social no campo e evitar a figura do kulak, o historiador britânico ignora completamente o papel destes na sabotagem da agricultura, do tifo e da seca, fatores abordados e detalhadamente pesquisados pelo historiador belga Ludo Martens15. Com muito pouca objetividde, E. Hobsbawm descreve Stalin como um "homem pequenino", de "1,58", embora registros médicos o indicassem como tendo 1,71, e observações de Wallace Graham, médico de Harry Truman16, o indicasse como tendo a mesma altura de Hitler, isto é, por volta de 1,73, e fichas de informação do governo tzarista o descrevessem como tendo 1,74. Na página 386 da edição em português de seu livro, Hobsbawm, com seu anti-sovietismo e russofobia, descreve a URSS como sendo responsável pelo "saque" dos países então libertados pelo Exército Vermelho. Num ato de vilania, ele omite ao leitor que estes países libertados eram ex-aliados da Alemanha nazista que, juntos com esta, participaram do massacre de mais de 20 milhões de soviéticos, países como a Tchecoeslováquia, Hungria, Romênia e Bulgária, que cujo contingente enviado para a Operação Barbarrossa ultrapassava os 300 mil homens. Falando sobre a Hungria, a propósito, Hobsbawm se atreve a defender o levante de 1956, organizado pelos partidários do fascista Horty, aliado de Hitler durante a Segunda Guerra.
Sem dúvidas, um dos pontos mais curiosos em "A Era dos Extremos" é o impulso antistalinista latente de Eric Hobsbawm, levando-o a despir-se de todo método dialético para abraçaro método maniqueísta. Poucos nomes em sua obra impregnada de subjetivismo são tão demonizados como a figura de Stalin. Nem mesmo Hitler, cujo projeto político exterminou cerca de 60 milhões de pessoas17 e incluía na sua agenda um racismo aberto, é descrito como "cruel, perverso, tirano" no livro de Hobsbawm; nem mesmo Harry Truman, cujo governo introduziu a bactéria da sífilis em mais de centenas de indivíduos para usá-los como cobaias humanas, é descrito como "perverso"; nomes como Mussolini, Margaret Tatcher e outros personagens reacionários do século XX não recebem um espaço especial para demonização como o líder responsável pela destruição de mais de 70% das forças nazistas.
O que Eric Hobsbawn pretende e quais os seus objetivos com o seu onanismo político? Será que ele acredita mesmo que todos os seus leitores são todos tolos ou acéfalos incapazes de pesquisar a respeito de um pesonagem de tão grande importância no século XX, considerado um dos três maiores nomes da história da Rússia na pesquisa "The Name of Russia", efetuada em 2008, mesmo após anos de vilania anti-stalinista e, portanto, anticomunista? Impressiona como a sugestão de livros a respeito do socialismo real do Sr. Hobsbawn não traga sequer um só autor que examine a URSS com objetividade e sem preconceitos. É este falsificador e farsante o "grande historiador marxista"? Que "marxistas" como Hobsbawn, com seu onanismo político, sejam exaltados e gozem de excelente reputação na mídia de massa, isso é perfeitamente compreensivo, porém cabe apenas aos tolos digerir o produto de sua diarréia mental. Aquele que de fato compreende a força dos valores iluministas, a importância da pesquisa, da investigação e da conclusão buscam o conhecimento, não se acomodam com "historiadores marxistas recomendados pela mídia", eles denunciam pícaros do movimento marxista e fazem a verdade ir até o topo das montanhas, ressoar pelas paredes, eles fazem com que as nuvens façam chover essas verdades que cairão como uma espada afiada que destroça a vilania e a mentira!
Fontes:
1- HOBSBAWM, Eric J. A Era dos extremos: Breve século XX 1914-1991. 2ª edição. Tradução de Marcos Santarrita. Companhia das Letras
2- ibid., pg. 371
3- Artigo do jornal A Hora do Povo. Em: http://www.horadopovo.com.br/2009/janeiro/2733-14-01-09/P8/pag8a.htm
4- Ver "Esquerdismo, doença infantil do comunismo", por V. I. Lenin
5- E. Lyons: Stalin: Czar of All the Russias; Philadelphia; 1940; p. 196, 200, citado em "The cult of the Individual", por William Bland. Em: http://www.mltranslations.org/Britain/StalinBB.htm
6- No original: "I got very well acquainted with Joe Stalin, and I like old Joe! He is a decent fellow. But Joe is a prisoner of the Politburo." President HARRY S. TRUMAN, informal remarks, Eugen, Oregon, June 11, 1948. Public Papers of the Presidents of the United States: Harry S. Truman, 1948, p. 329.
7- FURR, Grover. Stalin foi um ditador? Tradução de Gláuber Ataíde Em: http://www.omarxistaleninista.org/2011/04/stalin-foi-um-ditador.html
8- Em http://pt.scribd.com/doc/62898033/stalinealutapelareformademocratica-parte-II
9- E. Hoxha: With Stalin: Memoirs; Tirana; 1979; p. 14-15, citado em "The cult of the Individual", por William Bland. Em: http://www.mltranslations.org/Britain/StalinBB.htm
10- Citados em "The cult of the Individual", por William Bland. Em: http://www.mltranslations.org/Britain/StalinBB.htm
11- Em http://www.mltranslations.org/Britain/StalinBB.htm
12- G. K. Zhukov: The Memoirs of Marshal Zhukov; London; 1971; p. 283. Citado em "The cult of the Individual", por William Bland. Em: http://www.mltranslations.org/Britain/StalinBB.htm
13- Há vários indícios de falsidade de um documento supostamente assinado por Stalin que ultimamente tem ganho grande popularidade, que revelaria sua "crueldade em Katyn": http://pt.scribd.com/doc/62732715/Katyn-49-sinais-de-falsificacao-do-pacote-secreto-n-1
14- Ver http://www.mariosousa.se/MentirassobreahistoriadaUniaoSovietica.html
15- Em Stalin, um novo olhar.
16- Citado em: http://humanheight.net/famous_people/sources/height_of_stalin_source.html
17- http://en.wikipedia.org/wiki/World_War_II_casualties
Cristiano Alves
Stalin foi considerado pelo povo russo como um dos 3 maiores nomes de sua história, embora seja originalmente georgiano. Neste pôster soviético ele congratula trabalhadores soviéticos com duas grandes ordens conferidas a civis e militares, a Ordem de Lenin e a medalha de Herói do Trabalho Socialista.

Cristiano Alves
No A Página Vermelha
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A ciência do palavrão

Estudo compila centenas de apelidos dados aos órgãos genitais e demonstra o quanto a histórica repressão sexual se reflete na linguagem popular
Pode procurar, pelo menos uma meia dúzia de sinônimos tanto para pênis quanto para vulva (inclusive aqueles considerados “palavrões”) aparecem em dicionários como Houaiss. O vocabulário popular do brasileiro para designar seus órgãos sexuais, porém, é muito mais criativo. São pelo menos 408 palavras para o masculino, e no mínimo 494 para o feminino. A conta foi feita pela psicóloga Eliane Rose Maio em sua pesquisa de doutorado na Unesp em Araraquara e se encontra no inusitado O Nome da Coisa.
Além dos nomes mais “clássicos”, as genitálias ganharam alcunhas curiosas pelo país afora, como “Bin Laden”, “Elvis Presley” e “Máquina Mortífera”. Entre as mulheres, resiste uma certa meiguice, com “lindinha”, “menininha” e até “donzela”. E o humor reina entre 229 expressões para designar relação sexual coletadas na pesquisa: “Estacionar o fusca na garagem”; “unir o útero ao agradável”; “virar o zoinho”; “tchaca tchaca na butchaca”.
A pluralidade de nomes tem origem histórica e remete à repressão sexual. Analisando o tema ao longo do tempo, Eliane avalia certos comportamentos (como a disseminação da história de Adão e Eva e do momento em que se envergonham de sua nudez) e encontra no puritanismo e no vitorianismo, correntes que ganharam força ao longo dos séculos 17 e 18, as razões que, indiretamente, levaram à criação de tantos substantivos.
Em comum, esses movimentos tiveram a determinação de um conjunto de normas sociais que ditavam costumes relacionados à vida afetiva e sexual, reprimindo grandes demonstrações de emoções e pregando que a relação carnal deveria ser restrita ao casamento – e, no caso do vitorianismo, apenas para fins de procriação. Como consequência, ocorreu a sexualização de atos antes considerados neutros, como o uso de perfumes e a busca pelo conforto das camas.
Na busca por códigos para conversar sobre o que era considerado tabu e também por meios para disfarçar a sexualidade (principalmente para crianças), os diminutivos e nomes de animais se tornaram algumas das principais categorias de palavras utilizadas.
A autora também nota que o androcentrismo – ou seja, a valorização do homem – também pode ser notado por essa análise: para o homem, há uma tendência a se criar nomes que demonstram força e virilidade, enquanto a genitália feminina ainda recebe adjetivos que denotam suavização e até mesmo vergonha.
Durante o doutorado em educação escolar, Eliane contou com a colaboração de 4.916 voluntários de seis Estados do país – grupo composto basicamente por pais e professores, 65,3% sendo mulheres – , que foram convidados a listar a forma como se referiam a pênis, vulva, relação sexual e masturbação. As palavras foram fornecidas por escrito, em anonimato.
Apesar do apelo comercial da ideia de listar “os nomes das coisas”, a autora não se restringe a analisar os vocábulos e discute, posteriormente, o papel das escolas na educação de crianças e jovens brasileiros. Para o cenário atual, supostamente de mais liberdade sexual, ela questiona se a repressão não foi substituída, por exemplo, pelo “dever do orgasmo”, ou seja, se não se criou uma padronização da forma como se devem satisfazer os desejos.
Mais do que simplesmente enriquecer o vocabulário sexual do leitor, a obra traz um estímulo para se discutir no país o progresso da educação sexual. E, ao explorar um tema já bastante abordado nos últimos anos, evita cair na mesmice, tratando-o de um modo interessantemente raro e, usando palavras da própria autora, “por que não dizer, divertido?”.
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Polícia já tem vídeo do repórter e da camareira

Imagens de Gustavo Ribeiro, de Veja, que tentou entrar no quarto de Zé Dirceu, estão em poder do delegado Laércio Rossetto; repórter será intimado; gerente e camareira relataram invasão de domicílio; pena é de um a três meses
A Polícia Civil do DF vai ouvir o repórter da Veja Gustavo Ribeiro e o ex-ministro José Dirceu sobre a denúncia de violação de domicílio do quarto do petista no Hotel Naoum na semana passada. Sob comando do delegado-chefe da 5ª delegacia, Laércio Rossetto, a polícia já ouviu o chefe de segurança e a camareira do hotel envolvidos no caso.
O convite ao repórter e a Dirceu será feito ainda esta semana, segundo Laércio. Assim como os funcionários do hotel, eles serão ouvidos na própria delegacia. O Hotel Naoum já entregou à polícia imagens do circuito interno de Gustavo Ribeiro no mesmo andar em que Dirceu esteve hospedado na semana passada.
“A gente precisa ouvir o jornalista. O comparecimento do Gustavo é uma oportunidade para ele se explicar. Sabemos que ele esteve lá, já vimos a imagem dele e a fatura. Não estamos acusando, estamos apurando”, disse Laércio ao Brasil 247. O repórter de Veja ficou hospedado em uma suíte no hotel ao lado da de Dirceu.
Segundo o boletim de ocorrência registrado na 5ª Delegacia de Polícia do DF na última quinta-feira, 25, Gustavo Ribeiro tentou convencer uma camareira do hotel a abrir o quarto ocupado por Dirceu, alegando ser o hóspede e ter perdido as chaves. A camareira não atendeu ao repórter e comunicou à segurança do hotel, fazendo com que o jornalista deixasse o hotel sem fazer o check-out.
No final de semana, a revista Veja publicou matéria, em que acusa Dirceu de manter um “gabinete” no hotel, onde recebe políticos, e de conspirar contra o governo da presidente Dilma Rousseff.
A reportagem traz fotos do corredor do hotel, em que Dirceu aparece, em momentos diferentes, ao lado de senadores e deputados; do presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, e do ministro de Desenvolvimento Econômico, Fernando Pimentel. O hotel afirma que as imagens divulgadas não são de suas câmeras de segurança e acusa a revista de grampo ilegal.
Segundo Laércio, o Hotel Naoum entregou gravações do circuito interno do dia em que foi prestada a queixa. À polícia, o hotel afirmou que não há registro que comprove o diálogo entre o jornalista e a camareira e que ele teria ocorrido em um “ponto cego”. O delegado aguarda ainda as imagens feitas nos outros dias em que Dirceu esteve hospedado.
Mesmo de posse de algumas imagens, Laércio não confirmou se as fotos divulgadas pela Veja são diferentes das capturadas pelas câmeras do hotel. Segundo o delegado, a Polícia Civil vai investigar somente a tentativa de violação de domicílio, e não o suposto grampo da revista ou as conversas entre políticos e Dirceu. O pedido das imagens é para apurar se houve outras tentativas ou até mesmo uma invasão ainda não divulgada.
“A gente não está procurando saber por que as pessoas estiveram com Dirceu. Se for para investigar formação de quadrilha, como diz a matéria, não é no âmbito da Polícia Civil. O Ministério Público que teria que acionar a Polícia Federal. A violação de domicílio é um tipo de crime que, quando chega para a Polícia Civil, é nosso dever investigar”, declarou Laércio.
O delegado afirmou que é necessário que Dirceu confirme que esteve hospedado no quarto, uma vez que a reserva é feita no nome do escritório de advocacia Tessele & Madalena. Ao contrário do que afirmou a revista, o andar da suíte ocupada não é de acesso restrito a pessoas autorizadas. “Existe o acesso até por escada”, disse Laércio.
A investigação deverá ser concluída em menos de um mês. Segundo Laércio, até agora, não há necessidade da entrada da Polícia Federal no caso. “Num primeiro momento, não há nada que pode envolver bens e serviço de interesse da União. Se as pessoas que se encontraram com Dirceu, por ocuparem cargos públicos, acharem que sim, eles deveriam fazer a demanda à PF”, afirmou.
Evam Sena
No Brasil247
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Band e Globo ameaçam tirar UFC da RedeTV!

A RedeTV! que se cuide, pois estão todos de olho no seu "pássaro dourado", o UFC. O nível de repercussão e o ibope que obteve com a transmissão das lutas no último sábado, direto do Rio, chamou a atenção de toda a concorrência.
Em especial da Band, que tentou "melar" a transmissão da RedeTV! semanas antes do evento, e da Globo, que teve chance de adquirir os direitos da transmissão, mas recusou.
Segundo Ooops! apurou, emissários da Band tentaram tirar a luta da RedeTV! quase que em cima da hora. A proposta foi tão agressiva quanto a que tirou Datena da Record. Em outras palavras, a Cia. de Lutas, organizadora do UFC, poderia receber muito mais e a Band bancaria eventuais multas.
Pesou o fato de a RedeTV! já ser parceira da organização nos últimos três anos.
Outra movimentação ocorreu na Globo. Porque nem o mais presunçoso ou pacifista diretor da Globo poderia ignorar os 10 pontos de média e 13 de pico obtidos com a pancadaria pela quinta emissora do país e num sábado à noite. Foi um fenômeno de ibope e a Globo, como se diz nas ruas, "cresceu o olho".
O único problema é que a Globo já teve, no passado, a chance de ter o UFC. Os organizadores, da Cia de Lutas, não foram recebidos pela emissora, conforme informou Eduardo Ohata, da Folha. Há um outro empecilho, por parte dos organizadores: que a Globo compre os direitos, mas não exiba as lutas, uma estratégia bem comum da emissora.
Ricardo Feltrin
No Uol
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Ali Ferzat

Ali Ferzat (fotos acima), cartunista sírio, teve as mãos quebradas pela polícia de Bashar al Assad, de quem é crítico contundente.
No cartum abaixo, Ferzat mostra Assad pegando carona com Kadafi.
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Nova Iorque veta material educativo de Murdoch nas escolas. E seus congêneres aqui?

O método de jornalismo praticado por Rupert Murdoch, ancorado em escutas ilegais e espionagem criminosa, começa a ser punido nos EUA. Thomas DiNapoli, auditor da contabilidade pública do Estado de Nova York, recusou-se a autorizar um contrato de US$ 27 milhões que o Estado tinha planejado com o braço educacional de Murdoch , a Wireless Generation.
A razão implícita é a falta de idoneidade de quem pratica jornalismo delinquente para fornecer material educativo à infância e à juventude. Antes mesmo da decisão de DiNapoli sindicatos de professores já haviam batido de frente com o atual responsável pelos negócios educativos de Murdoch, Joel Klein, que foi cooptado diretamente do posto de diretor do sistema escolar de Nova York para fazer o meio de campo entre News Corp e as compras de material didático do Estado.
O segmento educativo é a nova mina de ouro das empresas jornalísticas também no Brasil. A editora Abril é uma das mais atuantes no ramo. Em 2010 Grupo Abril anunciou a compra do Anglo - rede de educação especializada em cursos preparatórios para o vestibular -, tornando-se a segunda maior empresa do setor. O grupo criado a partir dessa aquisição deve faturar cerca de R$ 500 milhões e já controla as operações das editoras Ática e Scipione com um portfólio pedagógico de 3,5 mil títulos. A ‘Abril Educação', equivalente a Wireless Generation de Murdoch, não é a única coincidência entre os dois grupos. A exemplo da News Corp, a Abril através da revista Veja também pratica um método de jornalismo assemelhado ao que levou ao fechamento do News of the World.
A sintonia reafirmou-se- em recente episódio em que um repórter da revista semanal tentou instalar um equipamento de espionagem no quarto de hotel ocupado pelo ex-ministro José Dirceu, em Brasília. Uma camareira acossada pela reportagem de Veja para colaborar na invasão denunciou o método criminoso de jornalismo que, desta vez, foi abortado. O MEC e o governo de São Paulo, que tem suculentos contratos com a Abril Educação, bem como a UNE e sindicatos de professores não se manifestaram sobre o episódio.
No CartaMaior
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Correa ensina como enfrentar a Veja

A mídia golpista do Equador está desesperada. Em setembro de 2010, o jornal El Universo publicou matéria mentirosa afirmando que Rafael Correa havia ordenado abrir “fogo” contra os policiais que intentaram um golpe contra seu governo. O presidente não vacilou e entrou com processo na Justiça exigindo a retratação do jornal e do editor responsável pela calúnia, Emílio Palácio.
Como não houve a retratação, em julho deste ano a Justiça condenou os diretores do jornal e Palácio a três anos de prisão e fixou multa de US$ 40 milhões. Os donos do El Universo, apavorados, afirmam que o pagamento levará o jornal à falência. Mas Rafael Correa já disse que não recuará um centímetro e que doará todo o dinheiro da indenização. “Não ficarei com 20 centavos”.
Os “capangas da tinta”
Em carta publicada ontem no jornal El Ciudadano, o presidente se dirigiu aos funcionários da empresa. “Lamento pelos momentos difíceis que vocês e suas famílias estão passando, mas sou eu o responsável por esta situação ou são aqueles que utilizam o disfarce da 'imprensa livre e independente' para transbordar todo seu ódio contra nossa revolução de forma ilegal e ilegítima?".
Correa também tentou acalmar os funcionários, preocupados com a falência da empresa. Ele garantiu que tomará todas as medidas para “garantir” os empregos dos atingidos pela irresponsabilidade criminosa do jornal. Em várias oportunidades, o presidente do Equador já afirmou que não será refém dos “capangas da tinta”, que fazem uma oposição sistemática e golpista ao seu governo.
Se houvesse a mesma firmeza de postura no Brasil, a Veja e outros “capangas” da mídia seriam mais cautelosos com as suas ações criminosas que maculam o jornalismo e a ética.
Altamiro Borges
No Blog do Miro
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Jornalismo político volta à Era da Pedra Lascada

“Caso o ministro Paulo Bernardo (Comunicações) fique insustentável, a presidente Dilma tem seu preferido: Franklin Martins”. (“Panorama Político”, O Globo, domingo, 28/8, pg. 2). Três linhas apenas, no pé da coluna. O suficiente, a mídia entenderá o recado.
Há hoje uma metamensagem ou criptojornalismo, cifrado, exclusivo de um seleto grupo de iluminados. O governo manda suas mensagens, a mídia é obrigada a entender. Mesmo não gostando. A réplica pode vir com a mesma sutileza. Profissionais não brincam em serviço. Faz parte do jogo democrático.
O que conspira contra o jogo democrático são as ameaças de rupturas. O presidente Lula não entendeu, não quis ou não teve paciência para entender o tricô das raposas. Subia no palanque e “mandava ver” – ou mandava brasa, como se dizia na Era Jango. Criou impasses, cavou confrontos perigosos.
É o que fez Veja com a sua última matéria de capa sobre o ex-ministro José Dirceu (“O poderoso chefão”, edição nº 2232, data de capa 31/8/2011). Sutil como uma carga de cavalaria – e tão eficaz quanto esta –, produziu um curto-circuito, reintroduziu a imprudência no diálogo governo-imprensa. Repercutiu no exterior. E daí?
Frágil, inconsistente
A verdade é que a matéria recoloca o jornalismo político brasileiro na Era da Pedra Lascada. Traz de volta os vídeos clandestinos, os arapongas, os dossiês secretos jogados no colo de jornalistas ditos “investigativos”.
José Dirceu, mesmo sem cargo ou mandato parlamentar, suspeito de integrar um grupo que está sendo investigado pelo Supremo Tribunal Federal, é um dirigente nacional do partido que ganhou as eleições para a Presidência da República, é também um consultor/lobista. Pode alugar um andar inteiro num hotel dez estrelas em Brasília ou Luanda e nele receber legiões de correligionários, clientes e amigos. Não há nada de ilícito ou malfeito (para usar o dernier-cri dos substantivos).
O texto inteiro de Veja, da primeira à última linha, é customizado, adaptado para servir à tese de que o ex-chefe da Casa Civil está conspirando contra a sua sucessora, atual presidente da República. Não há evidências, apenas insinuações, ambigüidades, gatilhos.
Fernando Pimentel, ministro do Desenvolvimento, é amigo pessoal de Dilma Roussef, não poderia conspirar contra ela. José Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras cujo maior acionista é o governo, não enfrentaria o seu maior eleitor quando reiniciar sua carreira política. Delcídio Amaral é um petista light, quase-tucano.
A lista dos “conspiradores” é frágil e as possíveis motivações, inconsistentes. O conjunto é disparatado, não faz sentido, carece de lógica. Mesmo enquanto ficção.
Um desserviço
Os encontros gravados duraram em média 30 minutos, tempo insuficiente até para acertar uma empreitada de pequeno porte. Devidamente investigados, os fatos poderiam vincular-se e ganhar alguma dimensão. No estado bruto em que foram apresentados pelo semanário de maior tiragem do país representam um atentado à inteligência do leitor, não renderiam sequer uma nota numa coluna de fofocas políticas.
Este é um jornalismo que não se sustenta, é retrocesso. Não favorece a imagem da imprensa, não ajuda a presidente Dilma, prejudica a oposição. Faz esquecer a faxina moralizadora e degrada o processo político.
Alberto Dines
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Angola: Manifesto Público

Somos um grupo de jovens, membros da sociedade civil de vários estratos sociais que dentro dos parâmetros da constituição tem vindo a exercer pressão aos líderes políticos angolanos com vista a que se melhore o quadro social em que se encontra maior parte da população angolana;
Vivemos já nove anos de paz e ainda são alarmantes os nossos serviços de saúde e educação, o crescimento económico não se reflecte em nossas vidas, o índice de desemprego, analfabetismo e desenvolvimento humano ainda é preocupante, não se faz sentir a opinião pública nas leis e resoluções aprovadas, é diminuto o acesso ao crédito habitacional, são desumanos os despejos forçados e são constantes violações dos direitos humanos e da constituição da república;
Vimos por meio desta levar ao conhecimento da Comunidade Nacional e Internacional que realizaremos no próximo dia 3 de Setembro de 2011 uma Manifestação Pública pelas 13:00h no Largo da Independência vulgo Largo 1º de Maio;
Face a esta situação e com vista a que sejam salvaguardados a integridade e os direitos fundamentais dos manifestantes conforme estatutado na Declaração Universal dos Direitos Humanos nos seus artigos, 1º, 2º, 3º, 5º e subsequentes e na constituição da República de Angola nos seus artigos 12º, 23º, 40º, 47º e 60º, pedimos que sejais testemunhas e avalistas das possíveis violações dos direitos humanos e a integridade físico/psicológica que venham ser cometidas pelo executivo angolano ou seus representantes.
Sem mais outro assunto a realçar, subscrevemo-nos com elevada estima e agradecimentos.
Segue em anexo o Manifesto Público.
Luanda, 29 de Agosto de 2011
Gaspar Luamba – Afonso Mayenda João – Alexandre Dias dos Santos –Dionísio Gonçalves Casimiro
MANIFESTO PÚBLICO
A Constituição da República de Angola no seu artigo 1º reza: “Angola é uma República soberana e independente, baseada na dignidade da pessoa humana e na vontade do povo angolano, que tem como objectivo fundamental a construção de uma sociedade livre, justa, democrática, solidária, de paz, igualdade e progresso social.”
Igualmente o artigo 2º no ponto 1, reforça: “A República de Angola é um Estado Democrático de Direito que tem como fundamentos a soberania popular, o primado da Constituição e da lei, a separação de poderes e interdependência de funções, a unidade nacional, o pluralismo de expressão e de organização política e a democracia representativa e participativa.” É do conhecimento de todos nós que o Presidente José Eduardo dos Santos está no poder há 32 e que nunca enfrentou um voto democrático; a luz dos artigos supra citados e com vista a que se respeite a soberania popular e a democracia, exigimos:
1. A Retirada do Presidente Eduardo dos Santos do Poder e do seu Executivo.
Tendo em conta que “A República de Angola é um Estado Democrático de Direito” e não uma Monarquia, exigimos:
2. A Retirada da imagem do Presidente Eduardo dos Santos e de António Agostinho Neto do Dinheiro e do Bilhete de Identidade;
A República de Angola, como estado Democrático de Direito “tem como fundamentos a soberania popular, o primado da Constituição e da lei, a separação de poderes”, portanto pedimos:
3. A Revisão do artigo 109.º para que permita aos angolanos a eleição directa do Presidente da República;
Estão entre as tarefas fundamentais do estado (a luz do artigo 21º), nas suas alíneas d) Promover o bem-estar, a solidariedade social e a elevação da qualidade de vida do povo angolano, designadamente dos grupos populacionais mais desfavorecidos; m) Promover o desenvolvimento harmonioso e sustentado em todo o território nacional, protegendo o ambiente, os recursos naturais e o património histórico, cultural e artístico nacional; o) Promover a melhoria sustentada dos índices de desenvolvimento humano dos angolanos; etc. exigimos:
4. A Distribuição Equitativa da Riqueza do País;
O artigo 40º da constituição da República diz que Todos têm o direito e a liberdade de informar, de se informar e de ser informado, sem impedimentos nem discriminações. E o princípio de igualdade enunciado no artigo 23º, exigimos:
5. A Despartidarização das Instituições Públicas e dos Órgãos da Comunicação Social;
Entendemos que a constituição em vigor, não deixa margem para a interpretação correcta do artigo 107º, assim sendo, simplesmente exigimos:
6. O Cumprimento do artigo 107.º da Constituição da República (Criação da Comissão Nacional Eleitoral Independente);
Finalmente, que se exerça a todos níveis e em escala nacional:
7. A Justiça e Igualdade social
Os Signatários,
Gaspar Luamba – Afonso Mayenda João – Alexandre Dias dos Santos – Dionísio Gonçalves Casimiro
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Comissão da Câmara vota hoje audiência pública sobre perseguição da Folha a blogueiros

Será realizada nesta quarta-feira, 31, na Comissão de Legislação Participativa da Câmara dos Deputados, a votação do requerimento que pode garantir a realização de audiência pública sobre a perseguição empreendida pela corporação mafiomidiática Folha de S.Paulo ao blog Falha de S.Paulo. Não será fácil a aprovação: segundo a Falha, os mafiosos da Barão de Limeira estão fazendo forte lobby junto a parlamentares pela não-aprovação do pedido, e estarão presentes na votação (extra-oficialmente e sem se identificar). O requerimento é de autoria do deputado Paulo Pimenta (PT-RS), que pediu a audiência para debater o que ele chamou de “silêncio da mídia no caso de censura imposta pelo Folha de S. Paulo ao site Falha de S. Paulo”.
Em caso de aprovação, será marcada uma data e serão feitos os convites para os debatedores. Do lado da Falha, o parlamentar gaúcho propõe convidar os dois irmãos criadores do site, Lino e Mario Ito Bocchini. Do lado da Folha, ele quer chamar Otávio Frias Filho (capo da Folha, ao lado de seu irmão Luís), Sérgio Dávila (diretor de redação do "jornal"), Taís Gasparian (advogada que criou e assina a peça de censura) e Vinicius Mota (Secretário de Redação da Folha).
Em caso de não-aprovação, não será difícil descobrir quem são os traíras. Veja a seguir quem são os membros da Comissão de Legislação Participativa:
Fernando Ferro -PT/PE
Fátima Bezerra - PT/RN
Fernando Marroni -PT/RS
Leonardo Monteiro -PT/MG
Paulo Pimenta - PT/RS
Marina Santanna -PT/GO
Miriquinho Batista -PT/PA
Pedro Uczai -PT/SC
Luiz Fernando Machado - PSDB/SP
Roberto Britto -PP/BA
Waldir Maranhão -PP/MA
Paulo Magalhães -DEM/BA
Glauber Braga -PSB/RJ
Jose Stédile -PSB/RS
Luiza Erundina - PSB/SP
Sebastião Bala Rocha -PDT/AP
Paulo Rubem Santiago -PDT/PE
Arnaldo Jordy - PPS/PA
Antonio Brito - PTB/BA
Silas Câmara - PSC/AM
Erivelton Santana -PSC/BA
Vitor Paulo -PRB/RJ
Dr. Grilo - PSL/MG
Jânio Natal - PRP/BA
Edivaldo Holanda Junior -PTC/MA

Estamos de olho.
No CloacaNews
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Os sofismas do jornalismo brasileiro contra o financiamento público de campanha

Aqui e acolá, o jornalismo brasileiro anda sofismando com o tema do financiamento público de campanhas eleitorais. Os recursos retóricos são os conhecidos: inconsistências lógicas, non sequiturs, falsos silogismos, analogias enganosas, enfim, a matéria de todos os dias da imprensa brasileira. Em boa parte dos casos, a coisa se resume a uma ou outra versão de um conhecido sofisma: o jornalista reconhece que o conluio entre o dinheiro privado e o Estado é a fonte da corrupção, mas retruca que o financiamento público não acabará com ela. Em termos formais, é como descartar a Lei Maria da Penha dizendo que ela não acaba com a violência contra as mulheres. Ora, não façamos nada, então? Eliminemos, pois, o artigo 121 do Código Penal, já que homicídios continuam acontecendo por aí. E voltemos ao mundo de Hobbes.
O debate é difícil, porque esse raciocínio sofístico já está tão arraigado no senso comum – alimentado por uma imprensa que sempre noticia a corrupção do agente público, mas nunca quem é o corruptor – que uma felicíssima pesquisa da agência de comunicação APPM, publicada por Carta Capital, colocou os pingos nos i’s. Os números são sensacionais e quem conhece o senso comum não duvidará de sua veracidade. Se perguntados se são contra ou favor da corrupção, claro, 100% dos eleitores, ou algo próximo disso, se declararia contrário. Nada menos que 84% por cento dos eleitores pesquisados disseram que o fato de um candidato receber doações de empresas aumenta as chances de corrupção política. Ou seja, o eleitor sabe de onde vem a grana que corrompe, mesmo que 45% não saiba que o modelo brasileiro atual mescla dinheiro privado e dinheiro público (do fundo partidário e da isenção fiscal do horário político em TV e rádio). No entanto – e eis aqui o pulo do gato –, nada menos que 81% por cento dos eleitores se declara contra o financiamento público de campanhas.
Não é sensacional? Ele sabe que é a doação privada que corrompe, mas é contra o financiamento público. Como explicar essa bizarríssima combinação? Ora, é muito simples: a esmagadora maioria do eleitorado não sabe que, com o financiamento privado, ele também está pagando a conta. Com a singela diferença de que não temos contabilidade da coisa. A empresa repassa os valores gastos aos produtos ou, pura e simplesmente, recolhe depois, via corrupção, as benesses em nome das quais investiu no político. Paga-se a conta sem saber, porque, afinal de contas, “dar dinheiro público para político” não pode. Só pode se não houver contabilidade, porque aí, claro, mantemos nosso direito de gritar contra os safados dos políticos e “toda essa corrupção que está aí”. O financiamento privado é despolitizador por excelência, pois favorece o discurso que reduz a política à moral.
O jornalista Elio Gaspari cometeu uma espantosa sequência de sofismas em seu recente libelo contra o financiamento público. Limito-me a citar o parágrafo que trata dos EUA:
A proposta [de financiamento público] instala uma ditadura financeira dos partidos. No atual sistema, os diretores das empresas privadas tiram dinheiro do cofre dos acionistas e jogam-no nas campanhas de seus candidatos. Esse tipo de financiamento poderia ser limitado, ou mesmo proibido, como sucede nos Estados Unidos. Lá, nas últimas décadas, ao longo de 16 eleições, apenas 18 bilionários tiraram de seus bolsos quantias que, somadas, superaram a marca de US$ 1 milhão. Todas as doações desses magnatas totalizaram US$ 41,6 milhões. Na última eleição brasileira, sozinha, a Camargo Correa doou o equivalente a US$ 51 milhões do patrimônio seus acionistas.
Nada do que Gaspari diz aqui é incorreto, mas o problema está no que ele omite. Parece-me espantoso que alguém argumente contra o financiamento público usando como referência justamente os EUA, país onde o dinheiro corrompeu todo o sistema político. Porque se é verdade, como diz Gaspari, que poucos bilionários contribuíram a campanhas eleitorais com quantias vultuosas, também é verdade que Gaspari omite as duas grandes fontes de circulação de grana no sistema político dos EUA: as 527s e o chamado soft money. Para esses enormes balcões de negócios, não há nenhum limite. O resultado é o que temos hoje: 86% dos cidadãos norte-americanos desaprovam o Congresso do país, mas não têm nenhuma condição de mudá-lo. Realmente, deve ser uma beleza de sistema, prontinho para o Brasil copiar.
Em primeiro lugar, só num sentido bem superficial é verdadeiro que as empresas não podem financiar campanhas nos EUA. Sim, elas não podem doar dinheiro diretamente a um candidato. Mas, especialmente depois da decisão da Suprema Corte Citizens United vs. Federal Electoral Commission (que, quem tiver paciência, pode ler na íntegra aqui), os limites praticamente inexistem, porque a própria legislação cria as alternativas para o capital. Comentando na época, Nathaniel Persily, professor de ciência política em Columbia University, afirmou: “esta decisão só não abriu totalmente as porteiras para o capital privado porque, para começar, as porteiras já estavam abertas”.
Uma corporação não pode doar dinheiro a um candidato nos EUA, mas pode criar, para esse objetivo, uma PAC (Political Action Committee). Ali os limites já não são US$1.000,00 por ano, como é o caso dos indivíduos, mas pulam para US$ 5.000,00. Ainda é um valor razoável, certo? Sim, se não existisse a instituição do soft money – o dinheiro que não é doado explicitamente para uma campanha eleitoral, mas dado ao partido político ou a organizações político-propagandísticas independentes (por oposição ao hard money, doado à campanha do candidato e para o qual há limites estritos). As típicas organizações receptoras do soft money são as 527s, nomeadas a partir do código de imposto de renda que as regula. Se você não sabe o que é uma 527, você não terá condições de medir o tamanho da monstruosidade que Gaspari quer apresentar como modelo de financiamento de campanha eleitoral.
Não há qualquer limite para doações às 527s. A contrapartida é que ela não pode pedir votos explicitamente para um candidato mas, na maioria dos casos, isso não é necessário. Tomemos um exemplo, a Swift Boat Veterans for Truth, uma organização 527 que investiu dezenas de milhões de dólares em comerciais de televisão que caluniavam o candidato democrata à Presidência em 2004, John Kerry, dizendo que ele havia colaborado com o inimigo na Guerra do Vietnã. Os comerciais manipulavam as posições anti-guerra abraçadas, depois da volta ao país, por um militar condecorado, em favor, evidentemente, do seu único adversário, George W. Bush (que, aliás, escapou da guerra por um estrategema montado por seu pai). O efeito dos comerciais foi devastador, decisivo para o resultado da eleição. Os Swift Boaters não precisavam pedir votos para Bush para que soubéssemos que trabalhavam para ele.
Aí vão, como exemplos, as quantias gastas por algumas 527s para as últimas eleições: a Republican Governors Association gastou 131 milhões de dólares. A Democratic Governors Association gastou pouco menos da metade, 64 milhões. A Citizens for Strength and Security, financiada pelo lobby das armas, levantou quase 7,2 milhões. Por aí vai. E Gaspari diz ao leitor da Folha de São Paulo que nos EUA o financiamento de campanhas por empresas privadas é “proibido”. É como se alguém me perguntasse “Quem foi Pelé?” e eu respondesse “foi o ponta-de-lança vice-campeão paulista de 1959 com o Santos”. Menti? Não. Só omiti tudo o que importa.
Comentando o atual sistema de financiamento de candidatos ao Congresso dos EUA, Michael Barone, que foi editor do Yale Law Journal e do Harvard Crimson, explica as coisas direitinho: “Uma viagem a qualquer capital estadual – por exemplo, Harrisburg, Pennsylvania ou Springfield, Illinois – lhe permite descobrir que tal ou qual pessoa na Califórnia doou US$1.000, 00. Mas permanecerá escondido aquilo que os proprietários do fundo nacional de soft money dos partidos sabem muito bem, ou seja, que esse doador da Califórnia também lhes deu um cheque de US$100.000,00. Em outras palavras, aqueles que se beneficiam do dinheiro sabem de onde ele veio, mas o público está efetivamente barrado de sabê-lo”. Esta última frase de Barone define o sistema de financiamento político que funciona nos EUA. Até as baratas de New Orleans sabem disso, mas os jornalistas brasileiros que querem apresentar o sistema dos EUA como modelo parecem não saber. Eu jamais afirmaria, claro, que eles fingem não saber porque as próprias empresas em que trabalham são doadoras.
Mas os sofismas dos jornalistas não param nos de Gaspari. Alon Feuerwerker critica o financiamento público com o seguinte argumento: O partido majoritário, por ter vencido a última eleição, terá garantida uma vantagem financeira irreversível, pois se não é razoável que a verba seja igualmente distribuída pelas legendas, o único critério alternativo é o apoio obtido na última eleição.
Segundo o raciocínio do Alon, será irreversível a vantagem financeira de um partido que teve, digamos, 45% dos votos sobre um partido que teve, digamos, 38% dos votos! Mais irreversível que a atual vantagem que detêm os candidatos financiados por Camargo Corrêa e Odebrecht contra os candidatos que se financiam com vaquinhas, feijoadas e contribuições de eleitores comuns! Só no jornalismo brasileiro você lê essas coisas.
O financiamento público de campanhas não acabará com a corrupção, da mesma forma como o artigo 121 do Código Penal não acaba com o homicídio. Ele criará, inclusive, um mecanismo para que se entenda de onde vem a corrupção. Porque, afinal de contas, se Gaspari argumenta, contra ele, dizendo que a eleição passada custou R$ 3,23 bilhões pelo Caixa Um, e se ele concede que, com financiamento público, ela poderia custar um terço disso, falta fazer mais um cálculo, não é, caro jornalista? Quanto a eleição passada custou pelo Caixa Dois? Sim, claro, não sabemos. O que é espantoso que não se saiba, como afirmou a tuiteira Renata Garcia, é que, de um jeito ou de outro, somos nós que pagamos a conta. Eu não sei vocês, mas eu quero ver a contabilidade.
Idelber Avelar
No Outro Olhar
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