30 de ago de 2011

Um belo momento de política à italiana

A mensagem abaixo ajudará a explicar o contexto... [recebemos, traduzimos e repassamos. Agradecemos ao Manasseh, palestino, pela dica].
Inesperado e emocionante, um momento na Opera em Roma (em Youtube, encontram-se vários excertos desse acontecimento). Dia 12 de março de 2011, Silvio Berlusconi foi obrigado a encarar os fatos.
A Itália comemorava os 150 anos da unificação nacional, e preparou-se, na Ópera de Roma, uma apresentação especial da ópera Nabucco, de Giuseppe Verdi, consagrada como obra símbolo daquela unificação, sob a regência de Riccardo Muti.
Nabucco de Verdi é obra musical e manifesto político: evoca um episódio da história dos judeus escravizados na Babilônia e inclui ária famosíssima, “Va pensiero”, em que cantam, em coro, os escravos. Na Itália, essa ária converteu-se em hino de todos os povos e homens e mulheres que lutam pela liberdade. Verdi escreveu nos anos 1840, quando a Itália era parte do império dos Habsburgo e lutava para ver-se constituída como Itália unificada.
Antes da ópera, Gianni Alemanno, prefeito de Roma, subiu ao palco e denunciou cortes no orçamento para a cultura. Já foi surpreendente, dado que Alemanno é membro do partido que está no poder e foi ministro de Berlusconi.
Mas sua intervenção política, num momento em que o público se preparava para assistir obra das mais simbólicas para a Itália, produziria resultado absolutamente inesperado – tanto mais que Sylvio Berlusconi estava presente no teatro.
Em entrevista ao Times, Riccardo Muti, o maestro, conta que viveu uma noite, de fato, revolucionária: “Primeiro, foi uma ovação. Depois, iniciamos a ópera. Tudo ia muito bem, até que chegamos à ária, famosíssima, do coro, em “Va Pensiero”. Senti, imediatamente, que o público ficou tenso. Essas coisas não se explicam. Eu senti que a atmosfera mudara, que o público ficou tenso. Primeiro, estavam todos em silêncio. Mas, de repente, enquanto o coro avançava, cantando, foi-se criando, no ar, uma espécie de fervor. Sentia-se a resposta visceral do público à lamentação dos escravos “Oh, minha terra, tão bela e tão perdida...”
Quando o coro aproximava-se do final, já se ouviam os primeiros gritos de “Bis!” E começaram os gritos de “Viva Itália!” e “Viva Verdi!” O pessoal do ‘poleiro’ [lugares mais altos e mais baratos do teatro] começou a jogar papéis picados – uns gritavam “Muti, senador vitalício!”
Embora já o tivesse feito antes, uma única vez, no La Scala, em Milão, em 1986, Muti não parecia decidido a conceder o “bis” de “Va pensiero”. Para ele, ópera é obra de arte no tempo, tem começo, meio e fim, não pode ser interrompida, nem pode recomeçar. “Achei que não faria sentido algum repetir a ária. Só se se criasse algo novo” – conta ele. – “Dar ao coro, um sentido especial”.
Mas o público já estava tomado. Então o maestro voltou ao seu pódium, mas voltado para o público e para Berlusconi. O que aconteceu pode ser visto em http://www.youtube.com/embed/G_gmtO6JnRs.
[Ouvem-se gritos de “Viva a Itália”]
O maestro Riccardo Muti diz: Sim, concordo que “Viva a Itália” [aplausos]. Mas... há mais de 30 anos, viajo pelo mundo. Hoje, como italiano, sinto vergonha pelo que acontece em meu país. Por isso, sim, concordo com que se cante outra vez “Va pensiero”. Não por patriotismo, mas porque hoje, enquanto eu regia o coro que cantava “Oh minha terra, tão bela e tão perdida”, ocorreu-me que, se a Itália continuar como vai, acabaremos por matar a cultura sobre cuja história a Itália foi construída. Então, nossa Itália será realmente “bela e perdida”. [Todos aplaudem, inclusive o coro, no palco; os cantores levantam-se para aplaudir.]
Muti: Desde que começou por aqui um “clima italiano”, resolvi calar-me, já há muitos anos. Gostaria que, hoje... Acho que deveríamos dar a esse canto um novo sentido. Afinal, estamos no teatro da capital, é nossa casa. O coro cantou magnificamente, a orquestra esteve perfeita, mas, se vocês concordarem, proponho que todos cantem, que nos unamos nesse canto, que cantemos todos.
Muti convidou o público a cantar, com o coro, o canto dos escravos, em Nabucco, de Verdi!
“Aquela noite, não vimos apenas a uma apresentação de Nabucco, fizemos uma declaração, da Opera de Roma, aos políticos italianos” – disse Muti.
Vila Vudu
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Em Minas polícia dá piso a professor

Uma manifestação dos Estudantes de Escolas Públicas em apoio a greve dos professores de Minas Gerais, que lutam pelo cumprimento da lei federal do piso salarial foi duramente reprimida pela polícia e teve o professor André preso covardemente pela polícia. A manifestação aconteceu no cruzamento da Rua Halfeld com a Av Rio Branco em Juíz de Fora, no dia 30/08/2011. Essa é mais uma de uma série de manifestações que acontecem nos quatro cantos do país, onde estudantes, professores, funcionários lutam por mellhorias na qualidade da educação do país.
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Entrevista com José Dirceu


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"Tenho vergonha do meu filho, ele é homofóbico"

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'Daqui não sai mais um ovo'

Depois do racha no Instituto de Neurociências, cientista se nega a abrir o bolso para uma nova parceria
Se você é um rato de laboratório, talvez saiba o que significa um labirinto em cruz elevado. Se não frequenta o lugar, aí vai a explicação. O labirinto em cruz elevado é uma estrutura de quatro braços que fica a uns 50 centímetros do chão. Dois desses braços são fechados, ou seja, têm paredes. Dois são abertos, como uma ponte sem corrimão. O labirinto em cruz elevado serve para variados fins, e um deles é avaliar a decisão do animal numa encruzilhada da vida. O bicho pode se atrever a galgar o braço aberto atrás de melhor recompensa. Ou se restringir ao braço fechado em busca de um retorno menor, porque não é o caso de correr riscos. Não naquele momento.
Em julho, dez pesquisadores de neurociências de Natal optaram pelo braço aberto e criaram um novo instituto na cidade, o Instituto do Cérebro, numa casa no bairro da Lagoa Nova antes ocupada por uma clínica de acupuntura. Para um deles, o mais moço, a recompensa tem um nome: previsibilidade. “A gente sabe que tem o desafio de montar as coisas, mas pelo menos há um planejamento lógico”, diz o médico carioca Marcos Romualdo da Costa, de 31 anos. “Lidar com uma pessoa extremamente imprevisível é muito angustiante.”
A pessoa em questão é o neurocientista Miguel Nicolelis, 50 anos completados em março, o primeiro brasileiro a ter artigo publicado na capa da Science, um dos 20 maiores cientistas do mundo da década passada na avaliação da revista Scientific American, ganhador do Prêmio Pioneer 2010 do Instituto Nacional de Saúde para Pesquisas Pioneiras, coordenador de um grupo de pesquisadores na Universidade Duke, em Durham (EUA), que busca integrar o cérebro humano às máquinas, diretor do Instituto Internacional de Neurociências de Natal Edmond e Lily Safra, que tem como uma de suas propostas a inclusão social de crianças da periferia de Natal, e presidente da Comissão de Estudos do Ministério da Ciência e Tecnologia, que visa a traçar os rumos da ciência no País. Pronto!, como dizem os potiguares. Está feito. É currículo pra mais de quilômetro, que ainda pode ganhar mais envergadura com o anúncio do Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina em anos vindouros. Porque, afinal, este é um aposto clássico a Miguel Nicolelis, que ele não nega, nem consente: candidato virtual ao Nobel.
E ainda tem o índice-H de Miguel Nicolelis, que, diz ele, bate a casa dos 50 (na base de dados Scopus, porém, é de 40). Enfim, o índice-H, ou h-index, mede quantas vezes o trabalho de um cientista foi citado por outros na literatura mundial. Um pesquisador de H=10, por exemplo, teve 10 trabalhos seus citados 10 vezes. “Um índice 10 é muito ruim, é o cara que acabou o pós-doutorado, no máximo”, diz Nicolelis. O H da questão é que, numa reunião com os dez pesquisadores em setembro passado, ele disse que o currículo do grupo tinha um índice da idade da sua sobrinha de 5 anos. “Eles não têm massa crítica como instituto, ninguém ali tem um índice-H maior que 15, há quem tenha índice 2”, diz Nicolelis, a comida esfriando no prato e o suor vazando por baixo do boné do Palmeiras.
Dois dias antes, sentados na varanda da casa alugada pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), Sidarta, Sergio, Antônio, Rodrigo, Adriano, Dráulio, Marcos e Claudio expunham seus motivos para a debandada. Dois deles, Kerstin e Richardson, estavam ausentes. E eis que surge o índice-H como uma das pitadas de fel na relação. “Nosso age factor, para a nossa idade, no Brasil, é bastante alto”, diz o biólogo Sidarta Ribeiro, ex-diretor do IINN, que foi orientando de Nicolelis em Duke. “Ele pegou pessoas com uma produtividade bem acima da média, que largaram carreiras internacionais ou que tinham carreiras nacionais estabelecidas, para se estabelecer aqui e segurar o rojão”, completa.
Sidarta se refere a uma das propostas do IINN, em parceria com a UFRN, de repatriar cérebros pulsantes e descolar para o Nordeste brasileiros do Centro e do Sudeste, gente que queria fazer ciência de ponta aqui. Em 2003, Nicolelis aceitou que seu nome fosse usado em anúncios da Nature e da Science para recrutar professores. Trinta e cinco vieram, atraídos por sua liderança e por um enxoval de R$ 500 mil, usado nos laboratórios. Na época, a proposta era de que se criasse, dali a um tempo, um departamento na Federal para abarcar a população acadêmica, que crescia ano a ano com mestrandos, doutorandos, pós-doutorandos e alunos de iniciação científica. Enquanto isso, vivia-se uma situação híbrida: professores concursados pela universidade trabalhavam sob a égide de uma instituição privada pilotada por Nicolelis, a Associação Alberto Santos Dumont para Apoio à Pesquisa (AASDAP), Organização de Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) que capta e administra recursos públicos e privados.
Entre esses recursos há dinheiro do MEC, da Agência Financiadora de Projetos (Finep), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), da Fundação Edmond J. Safra, da Duke e do Hospital Sírio-Libanês de São Paulo. Na conta de Nicolelis, a proporção é de 70% privado para 30% público, sem revelar exatamente o valor de cada porção. Já na ponta do lápis dos professores são quase R$ 57 milhões só em moeda do governo.
Enquanto as coisas estavam nos eixos, as coisas estavam nos eixos. “Mas, à medida que os professores começaram a chegar, ele passou a dizer ‘não vou pagar a pesquisa de ninguém’”, diz Sidarta. “Ficou claro, pelas reuniões que tive com o Miguel, que a vinda de novos alunos e professores aumentaria o gasto com água, luz, segurança e que, na visão dele, esse custo não estava sendo coberto”, replica o biólogo Claudio Queiroz. Os professores sugeriram que a universidade arcasse com o custo. Então ficou acordado, em agosto do ano passado, que a UFRN pagaria ao IINN R$ 45 mil por mês. Mas, de acordo com Sidarta, perto do final da parceria não havia mais dinheiro para comprar luvas e álcool, e muitos equipamentos continuavam em caixas fechadas, sob o argumento de que existia um plano de ocupação que não implicava instalação de todos eles.
Do contrato também constava uma cláusula: a universidade entregaria uma lista com 95 nomes, os únicos autorizados a frequentar o instituto. A lista não era elástica. Para entrar alguém, outro precisava sair. “Naquela rua esburacada de Natal, um convidado estrangeiro teve o desprazer de ser barrado para assistir à palestra de um colega porque, apesar de eu pedir uma semana antes que não houvesse constrangimento, ele não constava da lista”, lembra Sidarta. Por causa do rol fechado, o biólogo teria orientado aluno na casa do próprio ou na Toca do Açaí, lancheria em Ponta Negra. “Era um instrumento coercitivo, extremamente burocrático e burro”, caracteriza o médico Sergio Neuenschwander.
Nicolelis enterra novamente o boné. A “lista kafkiana”, na perspectiva acadêmica, lhe parece natural. Era necessário saber quem entraria no prédio. “Temos equipamentos, propriedade intelectual, segurança, um monte de coisa.” Quanto às luvas faltantes, não usa as de pelica para se explicar. “Nós podíamos usar o recurso para qualquer coisa, mas usamos para manter as condições de trabalho deles”, afirma. “Só que eles acharam que estavam na Harvard, que tudo estaria à disposição instantaneamente, porque eram os príncipes. Não tem príncipe aqui, eu não sou príncipe aqui. Se eu tivesse conseguido US$ 50 milhões para uma universidade americana, como consegui para esta, tinha uma estátua na entrada da universidade.”
Antes do almoço, Nicolelis havia feito um tour social com a repórter, que tratou por senhora do início quase ao fim. Passamos pelas duas unidades da Escola Alfredo J. Monteverde (nome do segundo marido de Lily Safra), uma em Natal e outra em Macaíba, a 20 km da capital, consagradas pela educação científica que oferecem a alunos de escolas públicas. Seu último livro, Muito Além do Nosso Eu(Companhia das Letras), concorria com o Houaiss sobre as bancadas.
A respeito do envolvimento dos professores com a missão social do projeto, mais uma farpa: “Esses caras nunca deram atenção ao Cientistas do Futuro, não tinham interesse em colocar essas crianças em seus laboratórios, era muito trabalho para eles”. O troco já tinha sido antecipado. “O projeto de educação da AASDAP sempre foi inacessível, éramos vistos como competidores”, disse o engenheiro Antônio Pereira:. “A gente não podia participar”, afirmou Sidarta. “E o aluno que está fazendo pós-graduação? Ele está mais próximo de ser o cientista do futuro e não recebeu nenhuma ajuda”. Mexendo o suco, a colher batendo no copo, Nicolelis enumera: “Veja, eu já formei 45 pós-docs, foram quase 20 teses de doutorado em 30 anos de carreira na Duke. Meus alunos estão nas melhores universidades do mundo: Princeton, Yale, Berkeley. Eu formo gente para ser spalla da Orquestra de Berlim, entendeu? Não formo gente para jogar no XV de Jaú”.
No Centro de Pesquisas de Macaíba, conhecido como Macaibinha, vigorava o inglês numa roda de cientistas. “Nice to meet you” para o canadense Edward Tehovnik, “Hola” para o chileno Romulo Fuentes, os dois únicos Ph.Ds. que constam da página do IINN. Em salas menores, “hellos” para profissionais de Duke e “olás” para meninos do Cientistas do Futuro, que ficavam de butuca, tentando entender os convidados. Nessa semana, Nicolelis anunciou a entrada de 31 profissionais no instituto, 28 deles, estrangeiros.
A caminho do Macaibão, o futuro Campus do Cérebro (não confundir com o Instituto do Cérebro), Nicolelis lembra que aquela estrada não era nada, que há alguns anos subiu com carro de boi ao lado do filho mais velho para atingir o terreno em que hoje se ergue a megaconstrução. O campus tem três edificações maiores - a escola, o centro de pesquisa e um centro de esportes -, planejadas sob os auspícios de verba federal. A menina dos seus olhos azuis é a escola, desde já com o nome da sua avó, Lygia Maria Rocha Leão Laporta, a quem ele dedica oito páginas devocionais de seu livro. Há uma planta na parede dos barracões mostrando como ficará o centro de ciências, para o qual os pesquisadores do Instituto do Cérebro pretendem migrar daqui a dois anos. E há uma sala da direção. “O diretor será da UFRN”, diz a reitora Ângela Paiva, empossada há três meses. “No meio acadêmico os conflitos são muito naturais, já enfrentei polêmicas muito mais complicadas, que depois se diluíram com o tempo e à medida que novos membros se juntam às equipes”, abafa o ex-reitor Ivonildo Rêgo.
Para os dez do Instituto do Cérebro, uma convivência tête-à-tête com o antigo líder não parece exatamente possível. “Ele antagonizou as pessoas de uma maneira irracional, autocrática, coercitiva, que inspirava medo; a gente foi muito maltratado durante anos”, sintetiza Sidarta. Para Nicolelis, voltado para as pesquisas com o exoesqueleto que viabilizaria a caminhada de um tetraplégico, a colaboração com esse grupo chegou ao fim. “Eles que se ocupem em ganhar dinheiro, em arrumar equipamento. Daqui não sai mais um ovo. É um pessoalzinho que precisava crescer, deixar de ser mimado, estão precisando de colinho de mamãe. Eu não tenho isso para oferecer. Preciso fazer alguém andar. Ciência não é assim, me desculpe.”
Monica Manir
No Estadão
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Governo vai lançar o Plano Nacional de Educação Médica

Presidenta Dilma Rousseff profere aula inaugural para a turma de 40 alunos do curso de Medicina do campus de Garanhuns da Universidade de Pernambuco. 
Foto: Roberto Stuckert Filho
Com o objetivo de ampliar a oferta de profissionais médicos no interior do país, a presidenta Dilma Rousseff anunciou, nesta terça-feira (30/8), que determinou aos ministérios da Educação e da Saúde a criação de um Plano Nacional de Educação Médica. Com o plano, o governo espera aumentar em 4,5 mil o número de médicos que se formam por ano e, ao mesmo tempo, interiorizar o curso de Medicina. O anúncio foi feito pela presidenta Dilma durante aula inaugural do curso de Medicina do campus Garanhuns da Universidade de Pernambuco.
“Neste plano está incluída também a interiorização da residência médica para assegurar que os estudantes destas regiões tenham uma residência de extrema qualidade. Esse processo é um processo em que nós não vamos medir esforços na garantia de qualidade, sobretudo no processo de residência médica, e focando num grave problema que nos aflige, que é a formação de médicos”.
A presidenta iniciou a aula inaugural lembrando que os 40 alunos integrantes da primeira turma do curso “fizeram uma escolha difícil e de grande responsabilidade”, pois superaram enormes desafios. De acordo com a presidenta, esses estudantes, a partir de agora, vão se dedicar com intensidade ao curso, por tratar-se de uma profissão cujo centro da atenção é a pessoa humana. E o mais importante, conforme destacou, é o fato de que ao concluírem Medicina poderão trabalhar no interior do país, “onde o Brasil mais precisa de médicos”.
Durante seu discurso, a presidenta Dilma lembrou que foi no governo do ex-presidente Lula que se deu mais importância ao aumento da oferta de cursos superiores e institutos de educação federal. Segundo a presidenta contou que o ex-presidente, natural de Caetés, cidade vizinha a Garanhuns, teria deixado a região com 13 anos de idade para tentar uma vida mais digna num grande centro. Dilma assegurou que, por este motivo, seu governo irá dar uma dimensão ainda maior para a Educação.
Ela voltou a mencionar que Pernambuco e os demais estados da região Nordeste têm dado enorme contribuição para o crescimento do país. A presidenta informou que um estudo do IBGE demonstra a inversão do fluxo migratório no Brasil, ou seja, tem sido intenso o retorno de nordestinos da região Sudeste para os seus estados de origem. A presidenta disse também que, no fim de semana, um jornal de São Paulo publicou reportagem mostrando o crescimento da economia da região Nordeste.
“Nós estamos interiorizando o crescimento econômico. Isso é importantíssimo para o Brasil. Não basta apenas levar a inclusão econômica, mas é fundamental que todas as regiões do Brasil tenham acesso aos serviços públicos de qualidade. Temos de ousar, temos de querer … Se queremos de fato ser um país diferenciado, não podemos olhar apenas o crescimento do PIB e da renda. Temos que olhar também a qualidade da Educação e da Saúde”.
E, aproveitando que discursava para alunos de Medicina, a presidenta lembrou que deste modo o governo irá buscar, ao mesmo tempo, a Educação de alta qualidade e, a oferta de serviço de saúde de qualidade. Ela lembrou que há poucos dias, em Brasília, lançou o programa que amplia a oferta de Institutos Federais de Educação, cria mais campi e outras quatro universidades, e que a iniciativa representa “mais um passo para democratizarmos o ensino superior de qualidade”.
A presidenta Dilma se valeu da oportunidade e fez um desafio aos alunos para que, ao se formarem, mantenham os vínculos com a região de Garanhuns como forma de transformar o lugar num pólo polo de excelência em saúde. “O interior do Brasil precisa de mais médicos. Precisa de bons médicos, como vocês serão. Aqui haverá cada vez mais perspectivas para jovens profissionais”, afirmou.
Ao término da aula inaugural, a presidenta Dilma seguiu para Recife, onde visitou as novas instalações da empresa Contax Contact Center no bairro Santo Amaro.
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Quando a cabeça não tem juízo...

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Agora o poliglota FHC infarta

Depois de receber título de doutor honoris causa da universidade francesa Sciences Po, em setembro, o ex-presidente Lula vai a Gdansk. Lá, receberá o Prêmio Lech Walesa. No dia 30, dará palestra em Londres, em evento da revista “The Economist”.
Alguns prêmios de Lula
Eleito Estadista do Ano – Le Monde ( França )
Eleito Personalidade do Ano – El País ( Espanha )
Eleito Um dos 10 Homens mais influentes do Mundo – Financial Times ( Inglaterra )
Eleito Estadista do Ano – Revista Time ( EUA )
Eleito Estadista do Ano – Clarin ( Argentina )
Prêmio Único Estadista Global – Forum Econômico ( Davos – Suíça )
Lula -> 87% de Aprovação Pessoal pelo Povo BrasileiroGoverno Lula -> 76% de Aprovação dos profissionais liberais brasileiros como engenheiros, economistas, advogados, médicos, dentistas e milhões de outros cidadãos com diploma de curso superior.
O ex-presidente Lula recebeu o prêmio World Food Prize 2011, dado a líderes mundiais que atuam no combate à fome.
A escolha foi anunciada nesta terça-feira, em Washington.
Por Helena 
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O bondinho de Santa Teresa

Sérgio Cabral e Júlio Lopes mentem sem parar após acidente com o bonde de Santa Teresa
O governador, a tragédia do bonde e o secretário de Transportes.
Sérgio Cabral e Júlio Lopes, dois mentirosos de plantão!!!
O Portal da Amast (Associação do Moradores e Amigos de Santa Teresa) colocou, hoje à tarde, esta postagem provando que o Governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral e seu Secretário de Transportes, Julio Lopes, mentem sempre nas declarações dadas à imprensa para justificar o trágico acidente ocorrido com o bonde de Santa Teresa. Senão, vejamos:
Título da postagem: MENTIRAS OFICIAIS REPETIDAS JAMAIS SE TORNARÃO VERDADES
Texto: MENTIRAS OFICIAIS, REPETIDAS DE FORMA INCANSÁVEL PELO GOVERNADOR SÉRGIO CABRAL E PELO SECRETÁRIO JÚLIO LOPES:
1) Os bondes precisam ser modernizados: MENTIRA
O sistema de bondes de Santa Teresa funciona há 115 anos e a história evidencia que os problemas de maior gravidade sempre estiveram ligados à falta de manutenção e ao abandono do poder público.
A aventura tecnológica de transformação dos bondinhos em protótipos de VLT mostrou-se um fracasso, cujos resultados foram inúmeros acidentes de menor proporção e incidentes (devidamente ocultados pela CENTRAL e pela Secretaria de Transportes), poluição sonora, instabilidade nas curvas, passageiros feridos e morte da Profª Andréa de Jesus Rezende.
O próprio Secretário Júlio Lopes admitiu à imprensa que o processo de “modernização” foi interrompido em função dos inúmeros e recorrentes problemas apresentados pelos “modernizados”. Até hoje a T’TRANS não entregou os 14 bondes previstos em contrato. Onde está o dinheiro?
A T’TRANS deu apenas 1 (um) ano de garantia. A transferência de tecnologia e o treinamento dos funcionários da oficina dos bondes foi precário. A manutenção dos bondes-VLT, também conhecidos como Franksteins, é incrivelmente mais onerosa do que a manutenção dos bondes tradicionais.
Para diminuir o barulho causado pelos franksteins nas curvas, é necessário comprar uma cêra, cuja lata custa mais de R$ 500,00 e nem sempre há verba disponível para essa finalidade.
Os bondes são tombados e o tombamento não abrange apenas sua aparência “bucólica” ou “pitoresca” como imaginam alguns, ou como propagam levianamente outros. O decreto de tombamento abrange o sistema como um todo. Qualquer alteração, inclusiva modernização, deve ser precedida de revisão do decreto de tombamento. Não basta aprovação dos órgãos de patrimônio (IPHAN e INEPAC), pois a atuação destes não pode se sobrepor à lei.
2) Os bondes serão municipalizados: MENTIRA
O Sistema de Bondes de Santa Teresa é uma modalidade de transporte de interesse local que acabou ficando com o Estado na época da fusão do Estado da Guanabara. A municipalização é importante. Com ela, os usuários do serviço teriam melhores condições de cobrar da Prefeitura a manutenção, conservação e bom funcionamento, que poderia ser desenvolvido conjuntamente com os demais órgãos municipais de ordenação do trânsito. A Câmara Municipal, por meio dos vereadores, poderia melhor servir aos interesses da população fiscalizando a atuação do Poder Executivo na gestão do sistema.
Entretanto, ao declarar que os bondes seriam municipalizados, o Governador Sérgio Cabral estava mentindo. É de conhecimento público que o Governador manipula declarações conforme suas conveniências. À época do acidente que matou a Profª. Andréa, declarou que iria municipalizar os bondes, aparentemente transferindo a responsabilidade para o Prefeito Eduardo Paes.
O Prefeito, com a habitual submissão ao “chefe”, jamais esboçou uma única palavra sobre o assunto, jamais moveu uma palha para viabilizar a municipalização, mas aceitou calado a declaração, para ajudar Cabral a desviar o foco. Lamentavelmente, a imprensa de modo geral entregou-se a esse “jogo de empurra”, reproduzindo de forma subserviente a declaração do Governador, até que a mobilização popular e o clamor público sobre o assunto se dissipassem.
3) Não há verba para manutenção: MENTIRA
Ainda no Governo de Rosângela Garotinho o Banco Mundial (BID) disponibilizou 22 milhões para serem aplicados na recuperação do Sistema de Bondes.
Desse valor, mais de 14 milhões foram destinados à aventura tecnológica fracassada de transformação dos bondes tombados em VLT. A empresa T’TRANS foi agraciada com esse contrato (julgado ilegal pelo TCE-RJ), para promover modificações ilegais nos bondes tradicionais, ao custo unitário de mais de R$ 1 milhão por veículo, ao passo que a recuperação integral de um bondinho tradicional custava, à época, cerca de R$ 300.000,00.
Até hoje o Governo do Estado/Secretaria de Transportes e a CENTRAL não prestaram contas de forma transparente sobre a aplicação da verba disponibilizada pelo BID, nem apresentaram o cronograma de execução do contrato ilegal firmado com a T’TRANS.
A CENTRAL, que administra o Sistema de Bondes, sofre execuções em âmbito trabalhista e fiscal por razões que nada têm a ver com os bondes. Tratam-se de centenas de processos e um imenso passivo jurídico oriundo da rede ferroviária estadual. Há inúmeras formas de resolver essa situação; uma das possibilidades seria individualizar o patrimônio do SBST e alocá-lo em uma empresa pública voltada unicamente para a gestão do serviço. O Governo do RJ jamais moveu uma palha para modificar esse quadro.
4) Não há peças de reposição no mercado: MENTIRA
Os trabalhadores da oficina dos bondes e a população de Santa Teresa que utiliza o serviço há décadas sabem que existem fornecedores de peças no mercado, têm o contato desses fornecedores e já chegaram inclusive a organizar compra simbólica de peças para doação pública à oficina, como ato de protesto pelo abandono.
5) Os passageiros andam no estribo porque gostam, por tradição ou porque é cultural : MENTIRA
Os passageiros andam no estribo porque não há bondes suficientes em circulação.
Ao contrário do que o Governador e o Secretário de Transportes repetem, o bonde, apesar de símbolo da cidade, não é um mero equipamento turístico. Embora atenda turistas, trata-se de um meio de transporte utilizado pela população de Santa Teresa. A população depende e precisa do transporte por bondes.
O transporte no estribo é tolerado de forma vil pelo Governo do Estado/Secretaria de Transportes e CENTRAL, que, incapazes de lidar com as consequências do abandono, agem permissivamente e fecham os olhos para os riscos, para não agravarem a revolta da população.
A omissão e a permissividade é tão verdade que só agora, após a queda do turista francês, foram colocadas placas pelo bairro alertando para o risco de viajar no estribo. Estas placas não tem nenhuma serventia além de poluição visual, pois enquanto houver tolerância e enquanto não houverem bondes suficientes para atender a demanda, as pessoas continuação se arriscando.
6) A superlotação nesse acidente foi um fato isolado e será devidamente apurada: MENTIRA
A superlotação é um problema habitual, que tem se agravado nos últimos anos, o que sempre foi de conhecimento da Secretaria de Transportes e da Central Logística.
Compreender o problema é uma questão de Física: a superlotação ocorre porque não há bondes suficientes para atender a demanda.
Se o Secretário Júlio Lopes foi “surpreendido” pela superlotação, das duas uma: ou é incompetente, e deve ser exonerado por desconhecer a realidade do sistema de transporte vinculado a sua pasta, ou é irresponsável, e deve ser exonerado por fechar os olhos para o problema da superlotação , tolerar que as pessoas viajassem em bondes lotados e aplicar a verba de recuperação dos bondes em uma aventura tecnológica.
OUTRAS MENTIRAS OFICIAS SERÃO ACRESCENTADAS.
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CQD.(Como Queríamos Demonstrar), Lembram-se?
No Ladeiras do Silêncio
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Culpa foi do condutor, diz governo do Rio; ele morreu
Foto: Tasso Marcelo/Agência Estado
Administração Sergio Cabral se supera; agora, antes de as investigações serem concluídas, culpa o condutor Nelson da Silva pela tragédia de Santa Teresa; ele e mais quatro pessoas morreram; verbas de manutenção estavam suspensas; ministério público vê sucateamento na atração turística desde 2004
A administração do governador Sérgio Cabral, no Rio de Janeiro, se superou. Depois de, nos últimos meses, mandar prender bombeiros, esconder ligações de amizade com empreiteiros e assinar contratos milionários para emergência em obras, seu governo agora aponta o dedo para o condutor Nelson da Silva, que morreu com outras quatro pessoas no acidente com o bondinho que ele conduzia, no bairro de Santa Tereza, no sábado. Cincoenta e sete pessoas saíram feridas e 13 ainda estão internadas. As investigaçõs sobre as causas do acidente, apesar da pressa das autoridades em se evimirem de responsabilidade, ainda estão sendo feitas. Dias antes do acidente, as verbas destinadas pelo governo estadual para a manuteção dos bondes – uma atração turística da capital fluminense, marca registrada do bairro e cujas linhas e equipamentos foram tombados como bens públicos do Estado do Rio – haviam sido suspensas.
O secretário estadual de Transportes, Julio Lopes, voltou a alegar ontem que o bonde havia colidido com um ônibus menos de uma hora antes do acidente. O veículo chegou a ser levado para a oficina, mas, segundo o secretário, Silva continuou conduzindo-o mesmo sem reparos.
Investigação
O Ministério Público do Rio de Janeiro vem apurando, desde 2004, o suposto estado de abandono e precariedade do sistema de bondes de Santa Teresa, bem tombado a nível estadual. Na época, foi feita uma representação pela Associação dos Moradores de Santa Teresa (Amast) sobre o estado do sistema. No último sábado, o acidente com o bonde, no centro da cidade, matou cinco pessoas e feriu 57.
Em 2008, após vistorias que confirmaram diversos problemas na infraestrutura do trecho, foi movida uma ação civil pública em face do Estado do Rio de Janeiro e da Companhia Estadual de Engenharia de Transportes e Logística para exigir que todos os bondes fossem restaurados, sob pena de multa.
Além disso, o MP requisitou a reforma das estações da Carioca e Curvelo; a substituição de 4.600 metros de fio de contato; a recuperação dos 8 quilômetros de via permanente; a recuperação da oficina de bondes de Santa Teresa; a substituição do gradil sobre os Arcos da Lapa; e a construção do abrigo de bondes.
Desde então, a ação tramita em diferentes instâncias judiciais. Segundo a assessoria de imprensa do Ministério Público, o Tribunal de Justiça já se manifestou favorável à ação, mas como o governo vem recorrendo constantemente das decisões, ainda não foi dada a sentença final.
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Aécio e seus números sobre o Brasil

Na última semana de agosto, o artigo (FSP, 20/08/2011) do senador Aécio Neves faz um exercício primário com números, estabelecendo rankings a torto e a direito, sem qualquer preocupação de correlacioná-los a déficits históricos em termos de política industrial no país, além de políticas de fomento à ciência e tecnologia, qualificação profissional etc. Vale lembrar que a abertura das fronteiras comerciais, no frenesi neoliberal, teve largo impulso com o governo FHC (do qual Aécio foi um dos principais líderes). Isso contribuiu muito para os números que ele agora replica. O sucateamento de universidades e da pesquisa científica também. Dos CEFETs, idem.
Talvez seja por isso que, ao falar de números, os expõe com um padrão de aleatoriedade tal, que reprovaria qualquer estudante de economia do terceiro período da PUC/MG. Mas o nosso bacharel nessa ciência econômica não se preocupa muito, nem com ciência, nem com coerência.
Para não dizer que o Movimento Minas Sem Censura vive de implicâncias com ele, passamos a palavra ao presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais/FIEMG, Olavo Machado, que em seminário realizado na Assembleia Legislativa mineira, expôs os verdadeiros números da economia regional. Suas palavras iriam provocar um “choque de realidade”, se a imprensa local resolvesse divulgá-los.
Criticando “os discursos grandiosos” sobre a economia mineira, o insuspeito presidente da FIEMG traça um quadro dramático de Minas. Em termos bem sintéticos e esquemáticos, eis o diagnóstico que ele faz do estado governado pelo tucano Aécio Neves, por sete anos e três meses:
  • Nos próximos 20 anos, o Mundo e o Brasil crescem, e Minas não está preparada para disputar mercados. Falta investimento em inovação, infraestrutura, logística, em capacitação e formação profissional, ausência de política estadual de crédito etc, que geram perda de competitividade e consolidam nossa dependência da exportação de commodities (minério e produtos agrícolas).
  • Das 120 mil empresas industriais do estado, 62 mil “não geram emprego algum na indústria”; 30 mil possuem “de 1 a 4 empregos”; 22 mil tem até 29 empregos formais em cada unidade; em suas palavras “mais de 90% desse universo imenso de empresas não apresenta produtividade, escala e inovação em processos e produtos para operar e concorrer globalmente”. E ressalta que os indicadores da economia brasileira demonstram a ampliação exponencial do consumo de massa, o que exigiria “um efetivo e consistente processo de desenvolvimento econômico e social”, para que Minas disputasse parcela desse mercado emergente.
  • A produtividade da “nossa indústria” está 5% abaixo da média brasileira e 20% da paulista, e é inferior à média nacional em 69 setores, sendo que em 25 destes, essa menor produtividade ainda manifesta “comportamento de queda” nos últimos 10 anos. O Valor da Transformação Industrial - VTI - mineiro é 20% inferior à média nacional e 40% menor na relação com São Paulo. As gigantes estatais mineiras (CEMIG, COPASA, CODEMIG) fizeram compras “mínimas ou insignificantes” de fornecedores mineiros. A carga tributária estadual é “excessiva e concentrada”.
Enfim, as propostas da FIEMG para a superação desse quadro poderiam ter sido adotadas há oito anos, impactando a condição atual da competitividade da economia regional: readequação tributária, formação e capacitação profissional, política creditícia, incentivos estaduais e municipais diversos etc. Sua excelência, o senador Aécio Neves, ainda que não seja, de fato, um economista, tinha e tem conhecimento desses números.
Em entrevista à “Mercado Comum”, nº 216, Machado completa:
“Sempre me preocupei com avaliações feitas por média, uma vez que não contemplam toda a verdade dos fatos, inclusive suas distorções. Cada vez mais, devemos nos conscientizar de que são a microeconomia e economia local que nos dão a exata dimensão do que ocorre.”
A propósito, a citada revista tornou público o número da “Dívida Pública Total” do estado: R$ 67.812.919.776,51 em 31/12/2010. Ou seja, um “papagaio” de 68 bilhões que, no calote de informações tucano, são excluídos dos balanços políticos de seu governo e de seu sucessor. Considerando ainda uma dívida de R$ 5.342. 359. 887,16 com a CEMIG (que veio a público recentemente) e a atualização da anteriormente citada, chega-se a cifras absurdas. Sempre omitidas nas imprecações do senador mineiro.
O professor Flávio Constantino, esse sim economista e pesquisador, em artigo publicado na imprensa mineira, mostra que a exuberância dos números médios de Minas, pós-crise de 2008, esconde uma dura realidade:
“Apesar do saldo comercial extremamente favorável, os números deixam de ser tão vistosos quando comparadas as taxas de crescimento das exportações. Na década em questão, Minas Gerais ocupa apenas a 16ª posição. Com a crise econômica, foi um dos estados que mais perderam em termos de renda, exportações e tributos. A crise, na verdade, só nos fez relembrar os riscos inerentes a especialização produtiva e comercial, nossa dependência das commodities. Até as patentes registradas pelos mineiros estão fortemente concentradas no setor mínerometalúrgico.”
Na sua opinião, Minas Gerais chega em 2011 ostentando uma década perdida, em termos de posicionamento estratégico na economia: 40% das divisas arrecadadas pelo estado vem da exportação de minério e café! Ou seja, isso é algo que há 200 anos garante o dinamismo ou estagnação da economia regional.
Essa análise, a indicação das fontes e as conclusões constam do informativo eletrônico nº 15, de maio de 2011, do Minas Sem Censura (www.minassemcensura.com.br).
Aécio, em seus 16 anos como deputado federal, não registra nenhuma iniciativa sua, em termos de política de fomento industrial, qualificação profissional, fortalecimento da pesquisa, inovação etc. Assim, quando falar de números e estatísticas ele deveria lembrar que de te fabula narratus.*
Finalmente, tivesse o senador mineiro compromisso no tratamento adequado dos números, poderia ele fazer também o mesmo ranking para o ano de 2002: último da gestão de FHC, no qual ele era o presidente da Câmara de Deputados. Mas ele sabe que se assim o fizesse, a verdade da tragédia tucana viria à tona.
_________________________________
* É de ti que trata essa história.
No Minas Sem Censura
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O “papelzinho” do trabalhador

Deu no Valor que os empresários querem adiar, de novo, a entrada em vigor do ponto eletrônico para seus empregados. Isso já passou dos limites, e os adiamentos já foram diversos, com toda a compreensão, há dois anos. A portaria 1510 do Ministério do Trabalho deveria estar vigindo desde 2009 e até agora, nada.
É incompreensível tamanha resistência, sobretudo quando se considera que o ponto não precisa ser eletrônico, mas se o for, aí sim, valem as regras da portaria.
E o que são elas, basicamente? Uma, que o empregado terá um pequeno comprovante dos horários em que bateu ponto. Duas, que o equipamento deve ser padronizado e homologado para impedir a possibilidade de se fraudar sua memória. Já há cerca de cem modelos no mercado, de mais de 20 fabricantes.
É uma medida que vai preservar direitos, tanto do empregado a receber suas horas-extras, quanto do patrão se ver livre de cobranças judiciais descabidas. O presidente da Associação dos Juízes do Trabalho, Renato Henry Sant’anna, estima uma imensa redução dos casos de discussão na Justiça:
“Como juiz posso dizer que 90% das ações têm algum pedido que envolve questionamentos quanto à jornada de trabalho”, diz ele ao Valor.
Aí começam os argumentos absurdos, de que isso vai gerar burocracia e que será muito “papelzinho”. Ah, francamente…Que se forneça, então, ao final do mês, um extrato para conferência.
Uma comissão do Senado teria decidido suspender a vigência da portaria, outra vez.
Está começando a parecer que tem batata na chaleira e ficando igual à questão do “papelzinho” na urna eletrônica. Quem não está fraudando precisa ter medo de que o que diz seja conferido?
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A mulher que processou o McDonalds pelo café quente

Na sexta-feira (26/08) o Valor publicou matéria sobre uma "reação" da justiça a "pedidos infundados". Encontrei-a republicada aqui. Inicialmente eu fiquei preocupado com o tom da matéria, parece indicar que medidas restritivas ao acesso a justiça e limitações a indenizações seriam medidas boas, necessárias. Percebi que sabia muito pouco sobre o tema e fui atrás de mais informações.
Reforma da Torta?
Nessa pesquisa encontrei uma discussão sobre "tort reform" nos Estados Unidos (EUA), e especialmente encontrei um documentário que muito me chocou. "Tort" é o nome jurídico no sistema dos EUA para o ato que cause danos a outra pessoa no direito civil (vem do latim e pode ser visto com uso semelhante na palavra "tortura"). "Tort Law" seria o equivalente ao ramo do direito que lida com indenizações (Ações por danos morais e/ou materiais). O documentário da HBO chama-se "Hot Coffee" e ganha esse nome devido ao caso que foi muito usado pelos proponentes da "tort reform": a mulher que processou o McDonalds pelo café quente.
O Processo do Café
A história é contada mais ou menos nessa linha: Uma mulher compra um café no drive-thru do McDonalds e queima o seu colo ao derrubar o café. Ela então processa o McDonalds para ganhar milhões de dólares com o processo.
A maioria das pessoas que conhecem a história acredita em alguns fatos que estão bem longe da realidade:
1. A mulher dirigia o carro quando derrubou o café no colo
2. Ela ganhou milhões de dólares com o processo
3. As queimaduras não foram graves
4. O processo foi iniciado para ganhar dinheiro
A realidade é um pouco diferente:
1. Stella Liebeck estava no banco do passageiro, com o carro parado no estacionamento
2. O juri concedeu um total de $2,9 milhões mas o juiz reduziu para $640 mil e em apelação Stella e o MacDonalds entraram em acordo por um valor secreto (falam em pouco menos de $600 mil)
3. As queimaduras que Stella sofreu foram muito sérias. Mais de dois anos de tratamento foram necessários para ela se recuperar. Há fotos para os mais corajosos (AVISO: foto de queimaduras de 3° grau)
4. Stella primeiramente escreveu uma carta ao McDonalds pedindo pelo pagamento de seus custos médicos (cerca de $10 mil em 1992 ou $16 mil em dólares de 2011) e por uma política de servir o café que diminuísse os riscos. O McDonalds ofereceu $800.
O Lobby por Menos Justiça
O mais chocante do filme é que ele demonstra que essa visão errada da história é proposital. Há um forte lobby nos Estados Unidos para diminuir as indenizações. Seguradoras, e grandes corporações fazem de tudo para passar ao redor da sétima emenda a constituição dos EUA (que da direito a julgamentos por juri). Tort reform tem um propósito, diminuir os gastos de grandes corporações com o sistema legal dos EUA.
Karl Rove e Bush filho tiveram/tem um papel importante nesse processo de diminuir o acesso a justiça. Entre outras coisas, Rove desenvolveu estratégias para passar leis estaduais que limitassem o acesso a justiça e eleger juízes que não derrubassem essas leis em diversos estados dos EUA. Isso graças ao veto de Bill Clinton a uma lei federal nesse sentido.
É sempre bom ficar atento a classificações de processos fúteis, primeiro ouça os dois lados antes de formar uma opinião. E leis para limitar o acesso a justiça são sempre uma péssima ideia, e por aqui são inconstitucionais. (Um professor gostava de fazer uma pegadinha com uma exceção a essa norma).
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Boris Casoy advoga para a Veja

Boris Casoy, âncora do “Jornal da Noite” da TV Bandeirantes, virou advogado de defesa da Veja. Na madrugada desta terça-feira (30), ele repercutiu as denúncias da publicação contra o ex-ministro José Dirceu. Ele destacou a “reporcagem” da revista contra o “poderoso chefão” e as acusações levianas de que o dirigente do PT conspira contra a presidenta Dilma.
Na maior caradura, Boris Casoy não falou absolutamente nada sobre a ação criminosa da famiglia Civita. Não disse que o repórter da Veja tentou invadir o apartamento do ex-ministro num hotel de Brasília; que foram usadas imagens ilegais de vídeos; que o tal jornalista fugiu do hotel sem pagar as diárias; que a camareira e o gerente do estabelecimento registraram queixa na polícia; e que o escândalo já está sendo investigado pela Polícia Federal. Nada, absolutamente nada!
O uso seletivo do biquinho
Se esta ação criminosa atingisse FHC – o ex-presidente que continua super-ativo na política, conspirando contra o governo Dilma –, com certeza Boris Casoy teria feito o maior escarcéu com o seu patético biquinho do “é uma vergonha”. Ele criticaria a invasão da privacidade e o uso de recursos ilegais, entrevistaria o gerente do hotel e o delegado da PF e atacaria a “ditadura petista”.
Mas Boris Casoy, que na juventude foi simpatizante de grupos de extrema-direita e que até hoje mantém suas posições elitistas – que o digam os garis humilhados por ele num vazamento de áudio –, é bastante seletivo no uso do seu biquinho. FHC pode fazer política, já o ex-ministro deveria ser preso e exilado como nos tempos da ditadura militar.
A máfia midiática
Mas vamos ser justos: a seletividade manipuladora não é um atributo apenas do apresentador da TV Bandeirantes. É uma marca do grosso dos monopólios da mídia “privada”. No geral, jornalões, revistonas e as emissoras de rádio e televisão abafaram a ação criminosa da Veja, que não ficam muito distante dos episódios mafiosos que abalaram o império de Rupert Murdoch na Inglaterra.
As sete famílias que controlam a mídia nativa brigam entre si por fatias do “mercado”, por audiência e pela bilionária publicidade. Mas na política, elas se unem e difundem um pensamento único – falam “una solo voz”, como se diz na Venezuela. Para proteger a Veja, desmascarada na sua ação criminosa, elas agem como as famílias mafiosas e usam seus “advogados” de forma conjunta.
Altamiro Borges
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Muito maluco

Peguei lá no Blog Casa do Noca, do cartunista Lukas, veja aqui.
A moça do meio gira igual a da esquerda ou igual a da direita? Fica maluc@ aí.

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Homenagem ao cartunista Lukas

Marcos César Lukaszewigz, o Lukas... dono do Blog "Casa do Noca", que morreu ontem 29/08.
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Charge online - Bessinha - # 770

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Discurso do deputado Emiliano José sobre o caso Veja


O SR. EMILIANO JOSÉ (PT-BA. Sem revisão do orador.) - Sr. Presidente, é um prazer estar aqui em uma sessão presidida por V.Exa. Quero, em primeiro lugar, para dar como lido este pronunciamento, situar a nossa posição em defesa da liberdade de expressão no Brasil; em segundo lugar, defender também a democratização das comunicações no Brasil; e, em terceiro lugar, manifestar o nosso repúdio, a nossa profunda indignação com os crimes cometidos pela revista Veja.
Ela não se cansa de cometer crimes, não se cansa de invadir privacidade sem qualquer direito de fazê-lo, não se cansa de invadir. E agora, acompanhando as técnicas de Rupert Murdoch, estácometendo ilegalidades a olhos vistos, como fez nessa última semana com a matéria que publicou.
E não importa a matéria, mas especialmente, Sr. Presidente, os métodos que utilizou para obter essa matéria, métodos nitidamente criminosos, contra a Constituição, contra a lei. Isso de modo nenhum se pode admitir, e a Nação brasileira é quem deve se insurgir contra esse tipo de coisa, como fez a nação inglesa ao se insurgir contra os crimes de Murdoch.
Muito obrigado, Sr. Presidente.
O SR. PRESIDENTE (Mauro Benevides) - A Presidência cumprimenta o nobre Deputado Emiliano José pelo seu pronunciamento, esperando que a matéria objeto de seu discurso seja apreciada pela Casa e, no que diz respeito à publicação aludida, que se façam os reparos necessários.
PRONUNCIAMENTO ENCAMINHADO PELO ORADOR
O SR. EMILIANO JOSÉ (PT-BA. Pronuncia o seguinte discurso.) - Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados, temos dito aqui, Senhor Presidente, da necessidade de caminhar no sentido da democratização da comunicação no Brasil.
E nunca no sentido de converter muitos dos grandes atores midiáticos à democracia, já que vários deles têm uma compreensão já consolidada sobre o Brasil, têm projeto político para o Brasil, e têm uma posição absolutamente contrária ao projeto que desenvolvemos no País desde 2003, que segue agora sob a direção da presidenta Dilma.
Quando falamos em democratização falamos, primeiro, no sentido de regulamentar os artigos da Constituição referentes à comunicação e, segundo, de modo a garantir a emergência das muitas vozes silenciadas país afora.
Temos falado sobre os descaminhos, os erros crassos da imprensa, e os climas artificiais de crise que são montados, face à posição da maioria dos grandes grupos midiáticos.
Repito sempre Paulinho da Viola: tá legal, eu aceito o argumento, mas não me altere o samba tanto assim. Se há tudo o que eu disse acima, há o paroxismo, há o exagero, há o absoluto descaminho, háa mentira, de parte da revista Veja, que eu tenho denominado uma autêntica usina de idéias da extrema-direita.
Não apenas por ser uma usina de idéias da extrema-direita, seria um direito dela ser simplesmente isso. Éque ela se utiliza de todos os meios para tentar atingir o PT e o nosso projeto político. Não ataca ministros à toa o faz na perspectiva de desestabilizar o governo da presidenta Dilma.
E a revista sabe que esse projeto político foi quem seriamente começou a combater a corrupção, com a criação da Controladoria Geral da União. Mas, não adianta argumentar. A revista Veja não ouvirá. Continuará a tentar pautar o resto da mídia, e sempre contra o nosso projeto político.
Só que agora Veja extrapolou. Ultrapassou todos os limites. Flertou com o crime.
Melhor, cometeu crimes. Utilizou-se de meios criminosos na tentativa de desqualificar o ex-ministro e dirigente do PT, José Dirceu. Queria, com a matéria que publica esta semana, desqualificá-lo e condená-lo previamente, sabendo que o processo que o envolve e a outros está próximo de ser julgado.
Tentou invadir o apartamento em que se hospeda num hotel de Brasília, instalou câmeras no hotel para flagrar pessoas que o visitavam, entre outros crimes. A liberdade de imprensa não inclui esse tipo de procedimento. O bom jornalismo não usa o crime. No jornalismo, como, aliás, em nenhuma atividade humana, os fins não justificam os meios, ainda mais quando o fim, o objetivo, não tem nada de nobre, como neste caso.
A revista Veja vai se caracterizando, de modo cada vez mais consistente, como um Rupert Murdoch à brasileira, um Murdoch convertido em partido político, um Murdoch que utiliza quaisquer meios para testar suas hipóteses, para garantir a consecução de suas pautas previamente orientadas, tal e qual o império midiático britânico fazia.
Tanto quanto lá, no entanto, um dia a casa cai, um dia os crimes são descobertos, um dia, digamos assim, a tecnologia murdochiana criminosa vem à tona, como aconteceu agora, no caso de Veja.
Não há nada de mais que um jornal, que uma revista, que uma tevê, tenha posição política. Nada de mais que qualquer órgão de imprensa defenda uma posição política.
Melhor, se defender, devia deixar clara sua posição política, e não escondê-la, como o faz a maior parte de nossa mídia. O que não se admite são práticas antidemocráticas, contrárias à lei, que afrontem a Constituição, que desrespeitem os direitos dos cidadãos, que invadam a sua privacidade sem qualquer permissão legal.
Agora, foi José Dirceu. Amanhã, quem mais? Qualquer cidadão está exposto a isso.
Veja acha-se no direito de agir como se não tivesse que prestar contas a ninguém. Como se estivesse inteiramente acima da Constituição e das leis do País. São necessárias providências enérgicas para punir esse comportamento, punir esses procedimentos, garantir que o Estado de Direito não seja desrespeitado como o foi neste caso.
Trata-se até de resgatar o bom jornalismo. De levar os fatos a sério. De fazer coberturas jornalísticas sem a necessidade de utilizar-se de meios criminosos.
Não vamos sequer lembrar o volume de matérias mentirosas, caluniosas, cheias de invencionices contra o PT uma delas recentemente desmascaradas pelo Wikileaks, aquela que acusava o PT de ter ligações com as FARC da Colômbia e de receber dinheiro da organização.
Não dá para aceitar isso passivamente. Este não é um problema do PT. É um problema da democracia brasileira, que não pode se render a atitudes criminosas por parte de quem quer que seja. Seja quem for. Ninguém pode estar acima da lei, muito menos a revista Veja.
Muito obrigado.
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Veja, Marilena Chaui e o verdadeiro crime organizado

A Fórum que fechamos na noite de ontem por ser comemorativa dos 10 anos da publicação vai trazer as 10 entrevistas mais importantes da história da revista. Entre elas, uma da filósofa Marilena Chaui concedida em 2006, pouco antes da reeleição do presidente Lula.
Num dado momento a entrevista com Chaui se direciona para a questão da violência, da segurança, da criminalidade e a filósofa faz a seguinte ponderação:
“A minha tendência é fazer uma análise da estrutura autoritária hierárquica da sociedade e desvendar em cada aspecto da sociedade brasileira o exercício da violência. Você tem o racismo, o machismo, o preconceito de classe, o preconceito religioso, todas as formas de preconceito, a enorme desigualdade econômica, a exclusão social, política e cultural. Se vier a analisar cada um desses aspectos, vai ver que eles têm como mola propulsora e como núcleo estrutural a violência.”
E depois segue seu discurso indo ainda mais diretamente ao ponto:
“Crime organizado mesmo é aquele do fabricante de armamento, do fabricante da droga, do cara que mora no Morumbi num palácio com guarda na porta e cachorro latindo. Esse é o crime organizado. O crime organizado é o Bush, são as companhias de petróleo, são as companhias de fabricação de arma, isso é o crime organizado. (..) E muito bem organizado, tanto que não é chamado de “crime”.
Ao abrir a Veja desta semana a primeira coisa que me veio à mente foi a entrevista de Chaui.
Qual é o papel da revista Veja na sociedade brasileira? Qual o segmento da sociedade que ela organiza? Quais são os valores que ela defende? Como ela se relaciona com os movimentos que defendem direitos? Que tipo de contribuição ela tem dado ao jornalismo? Que tipo de contribuição ela tem dado para diminuir o crime, o preconceito, a violência…
A revista Veja se tornou um produto organizador de um pensamento de linha autoritária e com contornos fascistas. Organizador de uma visão de mundo onde o vale tudo permite não só instalar câmeras espiãs em corredores de hotéis, como fazer qualquer outra coisa em nome de atingir os objetivos do grupo que representa.
O que Veja faz hoje não tem nada a ver com um jornalismo de direita. Não é também a necessária “voz do contraditório” que fortalece o processo democrático.
O que Veja faz hoje é próprio de grupos organizados. E de grupos que se organizam com interesses bastante cristalinos, cujo fim é a captura do Estado e o amordaçamento da sociedade.
Não basta mais apenas denunciar o jornalismo esgoto de Veja. É preciso impedir que ele se reproduza. É preciso agir da mesma forma como a sociedade inglesa fez com as organizações Murdoch.
A se provar que Veja usou de artifícios criminosos para em tese fazer jornalismo, é hora de exigir na Justiça que o panfleto dos Civita tenha o mesmo destino do News of the World.
Antes que o esquema de Veja sequestre o processo democrático que é tão caro à sociedade brasileira.
Renato Rovai
No Blog do Rovai
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Repúdio ao jornalismo marrom da revista Veja

Da Liderança do PT na Câmara dos Deputados
Na semana passada, a revista Veja sofreu uma condenação judicial. Acionada pelo deputado Vicentinho (PT-SP), a 13ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal condenou a publicação, em processo de injúria, calúnia e difamação, a conceder-lhe direito de resposta.
Na mesma semana, a revista apareceu também no Wikileaks. Foram divulgados telegramas da embaixada americana em Brasília, dirigidos ao Departamento de Estado, nos quais afirma-se que matérias da Veja sobre o relacionamento do PT com as FARCs – incluindo o suposto financiamento de campanhas eleitorais do partido por aquela organização guerrilheira -— eram absolutamente carentes de fundamentos. O caso foi relatado pela embaixada dos EUA como um exagero, além de uma tentativa de “manobra política” patrocinada pela publicação.
Para completar o período curto de uma semana, a revista se envolve em uma série de crimes, como o de quebra de privacidade contra o dirigente petista José Dirceu. Possivelmente, Veja instalou câmeras clandestinas no corredor de um hotel onde está o apartamento que fora ocupado pelo ex-presidente do PT, bem ao estilo do jornalismo de Murdoch e talvez até com mais ousadia que seu congênere australiano. Trata-se também de uma tentativa de chantagear a Justiça.
A Bancada do Partido dos Trabalhadores alerta a sociedade e as forças democráticas para o perigo que representa uma revista de grande circulação entrar no campo da provocação e da delinquência e lembra que a defesa democracia é dever de todos.
Brasília, 29 de agosto de 2011
Deputado Paulo Teixeira-PT/SP
Líder da Bancada na Câmara
Liderança do PT Câmara dos Deputados
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Walter Pinheiro: “O que Veja fez não é jornalismo sério, é bandalheira”



A “denúncia” da Veja desse final de semana continua dando o que falar.
Entre os vários personagens citados estão Walter Pinheiro, Delcídio Amaral e Lindbergh Farias, senadores do PT, respectivamente, por Bahia, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro.
Os três tiveram “direito” a uma das fotos tiradas de algum ponto próximo ao apartamento em que o ex-ministro José Dirceu se hospeda no Hotel Naoum, em Brasília.
Em relação aos três senadores, Veja diz ainda:
Eu conversei com Walter Pinheiro sobre as sacações e acusações que lhe foram feitas por Veja.
Viomundo – Senador, o senhor se submete a ordens de José Dirceu?
Walter Pinheiro – (risos) Sinceramente, recebi essa matéria com uma dose de humor.
Viomundo – Por quê?
Walter Pinheiro — Primeiro, porque é hilária. Historicamente dentro do PT eu e Zé Dirceu sempre estivemos em campos opostos. Ele é do chamado Campo Majoritário, eu sou da tendência Democracia Socialista.
Converso com o Zé Dirceu como um companheiro de partido. Eu o respeito, ele me respeita. Quando ele estava no governo, eu tinha uma ótima relação com ele, uma relação em campo oposto inclusive. Minha vida inteira foi disputando no partido contra Zé Dirceu.
Segundo, Veja diz que logo após o encontro com Dirceu, nós teríamos nos recusado a assinar uma nota em defesa de Palocci. Eu não fui nem ao almoço com o Lula onde se discutiu a situação do Palocci. A denúncia contra ele foi publicada no domingo, na segunda-feira, eu explicitei a minha posição. Pedi explicações a ele. Então, não tem essa conversa mole de assinar ou não a favor de Palocci. Diferentemente de muitos covardes que estavam falando mal de Palocci em off, eu estava falando em on. Eu falo em on, não falo em off, eu pedi explicações em on.
Terceiro, a Veja diz que depois que conversamos com o Zé Dirceu, em seguida, naquele mesmo dia se não me engano, o Palocci caiu. Do jeito que a Veja coloca me faz lembrar o The Flash (risos). Parece que só faltava a nossa conversa para o Zé Dirceu bater o martelo e o Palocci ser demitido. É piada, gozação.
Viomundo – O que o levou a esse encontro com José Dirceu?
Walter Pinheiro — Quem me convidou foi o Lindbergh [Farias]. O Zé Dirceu já tinha me pedido material sobre o audiovisual brasileiro, pois fui relator dessa matéria no Senado. Ele queria escrever alguma coisa, se eu não me engano, no blog dele sobre o assunto. Aí, aproveitei o convite do Lindbergh, para levar para Zé Dirceu a transparência que tinha feito sobre a questão do audiovisual no Brasil.
Viomundo – A Veja diz que o senhor estava insatisfeito com Palocci porque um petista havia sido demitido da Polícia Rodoviária Federal na Bahia. É verdade?
Walter Pinheiro – Muito esquisito isso. Só me leva a crer que alguém ligado a Palocci deve ter passado para a Veja que as pessoas foram conversar com Zé Dirceu, porque tinham interesses contrariados.
Eu nem sabia que era Palocci que tocava as indicações para a Polícia Rodoviária Federal da Bahia. Pensei que fosse o ministro da Justiça. Aliás, se eu tivesse que reclamar algo em relação à Polícia Rodoviária Federal não seria com Palocci, seria com o José Eduardo Cardoso [ministro da Justiça] que, por sinal, é da mesma tendência que eu dentro do PT.
Mas eu não procurei nem um nem outro. Até porque não estava na ordem do dia a discussão de nenhum cargo lá. Eu poderia brigar por outra coisa, mas por cargo eu não brigo, muito menos por um cargo, com todo o respeito, na Polícia Rodoviária Federal da Bahia. Por isso eu estou levando na mais alta gozação essa matéria.
Ah, tem mais outra coisa. Nessa altura do campeonato, tentar estabelecer que Zé Dirceu tem uma rede, que de fora pilota, comanda, é um negócio completamente absurdo.
É natural que o Zé Dirceu queira conversar. Zé Dirceu tem buscado conversar até para se sintonizar mais, para saber das coisas do que para mandar, influenciar. Eles estão dando até mais poder do que Zé Dirceu tem realmente hoje. Estão tentando transformar Zé Dirceu em algo que ele não é. Dando a Zé Dirceu uma força que ele não tem mais.
Essa reportagem tenta criar algo como existe uma figura rondando Brasília que vai tramar contra a República. É uma viagem que não tem mais tamanho.
Viomundo – O que tem por trás dessa matéria?
Walter Pinheiro – É óbvio que tem uma coisa por trás. É alguém tentando usar isso para promover uma rede de intrigas. Essa talvez seja a intenção central dessa matéria. Dizer que tem gente no PT conspirando. Como não acharam absolutamente nada mais contundente, decidiram: vamos disseminar a rede de intrigas. Algo como: três senadores do PT foram conversar com Zé Dirceu para criar a República a partir do Senado (risos). Pelo amor de Deus, é muita imaginação para meu gosto.
Enfim, uma viagem, para a qual utilizaram instrumentos completamente absurdos, a começar pelas fotos. Como as conseguiram?
Eu sou um árduo defensor da liberdade de imprensa. Sou relator de matérias na área, inclusive do projeto de lei de acesso à informação. Defendo plenamente a liberdade de imprensa. Acho que a imprensa investigativa contribui decisivamente para a consolidação da nossa democracia, para a defesa dos interesses da sociedade. Mas a espionagem e a malandragem, não!
Viomundo – O senhor tocou num ponto crucial. Estamos observando no Brasil um jornalismo cada vez mais vil, porco, descompromissado com a verdade factual, abundante em informações mentirosas, deturpadas, distorcidas. Ao mesmo tempo, noto vários parlamentares, inclusive progressistas, ficarem na encolha, com medo de perder seus espaçozinhos na mídia corporativa…
Walter Pinheiro – Não tem encolha!
Viomundo – Discordo, senador. O senhor pode não agir assim, mas tem colegas seus que são vítimas do mau jornalismo e não tecem qualquer crítica aos grandes veículos da mídia brasileira para não se incompatibilizar…
Walter Pinheiro – Uma coisa é defender o papel da liberdade da imprensa. Outra coisa é a bandalheira. O que a Veja fez, por exemplo, para obter as imagens da matéria da Veja não é jornalismo sério, é bandalheira. Mentir, sacar coisas contra outros, fazer ilações, também não é jornalismo sério.
Agora, não é uma coisa solta. É uma tentativa de, através da informação distorcida, tentar estabelecer intrigas, determinados níveis de fissura na estrutura de governo.
Esses veículos da grande imprensa passaram a vida inteira no comando do país, deitaram e rolaram, fizeram a ordem do dia, pautaram a agenda. E agora eles perderam a agenda do dia. Então, eles tentam fazer, através inclusive da deformação da informação, a desqualificação de atores, para ver se retomam o poder que tinham, se voltam ao comando.
Viomundo — Senador, não está na hora de o Congresso fazer uma discussão séria, para valer, sobre o papel da mídia no Brasil?
Walter Pinheiro — A discussão que tem de ser travada não é, como alguns pensam, de punir o jornalista, porque no final o veículo vai abandonar o jornalista à própria sorte, vai jogá-lo na boca das feras.
Na verdade, o que temos de discutir é como exercer no Brasil a plenitude da liberdade de imprensa mas também com responsabilização. Esse é debate que nós temos de travar no Senado e na Câmara. Eu quero a liberdade total de imprensa, mas também com responsabilização.
PS do Viomundo: The Flash é uma série de televisão baseada no personagem dos quadrinhos Flash. Barry Allen, funcionário da polícia científica, sofre um acidente químico, sendo banhado por produtos químicos após seu laboratório ser atingido por um raio. Esse acidente fez com que ele desenvolvesse poderes de super velocidade.
Conceição Lemes
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Mídia repercute críticas à revista

A revista Veja agiu de forma tão acintosa em sua matéria deste final de semana contra mim (José Dirceu) que vários jornais, revistas e emissoras de TV repercutiram o fato.
No jornal Valor Econômico, por exemplo, tive o espaço para expor minha indignação. Sob o título “Indignado, Dirceu diz que apoia Dilma”, pude comentar minha posição em relação à líder da nação – cujo governo a revista me acusa de conspirar contra. A insinuação de que eu o fizesse, agindo contra ministros, senadores e deputados para me aproveitar politicamente da queda do ex-ministro Palocci, conforme retratou fielmente o jornal, é simplesmente “de morrer de rir”.
"Até as pedras sabem que eu sou governista. Pode ter alguém que apóie (o governo Dilma), tanto quanto eu, mas é difícil", afirmei à publicação. O jornal também reproduziu meus argumentos sobre meus direitos de me encontrar com quem eu bem entenda. "Isso é natural, eu tenho todo o direito de fazer política. Que eu encontro com parlamentares, com políticos, com governadores, isso é sabido", afirmei.
Caso de polícia
A revista Carta Capital também repercutiu o episódio. Ressaltou que a apuração de Veja acabou tornando-se caso de polícia. E deu voz ao advogado Hélio Madalena, do escritório Tessel e Madalena (leia mais neste blog). Helio explicou um acordo de cooperação técnica entre nossos escritórios. “Esse acordo prevê a cessão de instalações, logística, infra-estrutura e material humano quando o advogado está em trânsito, ou eu em São Paulo ou ele aqui em Brasília. Isso se chama associação de escritórios, que é um procedimento previsto pela lei e no estatuto da ordem”, disse.
Também tive espaço em reportagem da emissora SBT (assista o vídeo clicando aqui). “A matéria é a piada do ano. Todo mundo sabe, no Brasil, que é difícil encontrar alguém mais governista do que, no PT”, disse à reportagem. “Eu espero que o ministério público e a polícia federal investigue, porque isso é crime, é público, tem boletim de ocorrência. Eu não preciso tomar nenhuma medida”, conclui.
No jornal Fala Record News, pude afirmar que a atitude da revista foi um crime. “(Foi) invasão de privacidade de todos os hospedes do hotel e da privacidade de deputados, senadores, de governadores, que se hospedam lá”, expliquei, ressaltando, ainda que, “na verdade, (a matéria de Veja) não é jornalismo investigativo, isso é polícia política”.
"Dilma sabe de minha lealdade"
Disse à reportagem da emissora que “O que nós estamos vendo é uma atuação como se fosse uma investigação policial e violando a lei”. E reafirmei que eu tenho certeza absoluta que a presidente Dilma sabe da minha lealdade, do meu companheirismo e sabe que eu sempre estive ao lado dela. Confira aqui vídeo da matéria.
Na blogosfera, os artigos sobre o episódio já somam várias dezenas. É um alento comprovar que a democracia e o direito à informação são bandeiras de vários autores, que não se cansam em produzir um jornalismo alternativo e combativo. São exemplos a serem seguidos por Veja.
No Blog do Zé
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“Veja” atenta contra os princípios democráticos

Depois de abandonar os critérios jornalísticos e a legalidade, a revista Veja abriu mão também dos princípios democráticos.
A matéria de capa desta semana foi realizada no mais clássico estilo de polícia privada, a serviço dos setores que a Veja representa. Viola o princípio constitucional da intimidade e infringe o Código Penal. Ignora o direito a julgamento e condena previamente.
A matéria é um amontoado de invenções e erros.
A revista obteve, não se sabe como, imagens do corredor do hotel onde me hospedo em Brasília. Com a relação de todas as pessoas que recebi, passou a questionar a todos sobre os motivos de se encontrarem comigo.
Os questionamentos não tinham como objetivo a apuração jornalística. A tese da revista de que conspirávamos contra o governo da presidenta Dilma já estava pronta. O objetivo era apenas o de constranger.
Manipulação dos fatos
Para tentar dar consistência à sua tese, Veja manipula os fatos para fazer o leitor crer que atuei para que Antonio Palocci deixasse a Casa Civil. Afirma, por exemplo, que três senadores petistas saíram da reunião comigo e, horas depois, recusaram-se a assinar uma nota em apoio a Palocci.
Uma rápida pesquisa no noticiário mostra que a reunião da bancada a que a matéria se refere ocorreu antes de meu encontro com os senadores. Às 15h30, os sites de notícia já divulgavam o resultado do encontro. Minha reunião, segundo a própria Veja, ocorreu às 15h52 e durou mais de 50 minutos.
Em nota no blog, denunciei a tentativa de um repórter da Veja de invadir meu quarto no hotel. O jornalista Gustavo Ribeiro se hospedou em apartamento próximo ao meu, aproximou-se de uma camareira e, alegando estar hospedado na minha suíte, simulou que havia perdido as chaves e pediu que a funcionária abrisse a porta. Ela se recusou e comunicou o fato à direção do hotel, que registrou a tentativa de violação de domicílio em boletim de ocorrência no 5º Distrito Policial.
Outra tentativa frustrada de golpe
A reportagem da Veja tentou ainda outro golpe. O mesmo repórter fez-se passar por assessor da Prefeitura de Varginha, insistindo em deixar no meu quarto "documentos relevantes". Disse que se chamava Roberto, mas utilizou o mesmo número de celular que constava da ficha de entrada do hotel que preencheu com seu verdadeiro nome. O golpe não funcionou, porque minha assessoria estranhou o contato e não recebeu os tais “documentos”.
Reafirmo: Deixei o governo, não sou mais parlamentar. Sou cidadão brasileiro, militante político e dirigente partidário. Essas atribuições me concedem o dever e a legitimidade de receber companheiros e amigos, ocupem ou não cargos públicos, de qualquer partido, onde quer que seja, sem precisar dar satisfações à Veja acerca de minhas atividades.
Todas minhas atividades são públicas. Viajo pelo país, sou recebido por governadores, prefeitos, parlamentares, lideranças e, principalmente, pela militância petista. Dou palestras e realizo debates, articulo e participo da vida política do país, como dirigente do PT e cidadão. Não tenho nada a esconder.
Campanha contra mim não tem limites
A revista tem o claro objetivo de destruir minha imagem e pressionar a Justiça pela minha condenação. Sua campanha contra mim não tem limites. Mas a Veja não fere apenas os meus direitos. Ao manipular fatos, ignorar a Constituição, a legislação e os direitos individuais, a revista coloca em risco os princípios democráticos e fere toda a sociedade.
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