17 de ago de 2011

Dilma e o presente - I

Os gravadores ainda estavam desligados, a conversa versava sobre artes plásticas, quando Dilma Rousseff, por um instante, pensou em outra vida: “Vocês sabem que eu gostaria de ter sido pintora, não?” Quase no fim da entrevista, ela voltaria ao tema, um de seus preferidos, ao mostrar um livro sobre um grupo de sete pintores canadenses do começo do século passado, sua distração do momento.
A presidenta fala sobre a troca na Defesa, 
as denúncias de corrupção e 
a crise econômica mundial. Foto: Agência Brasil
No mais, a presidenta aparentava bom humor. E não havia um motivo específico para tanto. Ao contrário. A terça-feira 9 seria mais um daqueles dias em que o Palácio do Planalto se veria obrigado a reagir à contingência. Logo no raiar do dia, a Polícia Federal havia prendido 36 suspeitos de participar de um esquema de corrupção no Ministério do Turismo, entre eles o secretário-executivo da pasta. A operação soma-se a uma profusão de denúncias que culminaram na queda de Antonio Palocci, na faxina nos Transportes e nas demissões na Agricultura. Com resultados agora medidos sobre a aprovação da presidenta e de seu governo. Segundo pesquisa Ibope divulgada no dia seguinte, a popularidade de Dilma recuou 6 pontos porcentuais em relação à última medição. O mesmo se deu com o apoio à administração.
No flanco econômico, as bolsas de valores davam uma pequena trégua, mas prenunciavam os próximos dias de terror com o aprofundamento da crise econômica na Europa e o rebaixamento dos títulos da dívida dos Estados Unidos. “A situação mudou e o Brasil será obrigado a reagir de forma diferente à nova realidade”, afirmou Dilma, sem informar se a mudança em curso significa interromper a alta dos juros para conter uma inflação que já não mostra mais o ímpeto do primeiro semestre. “Pode ser exigido de nós um grande esforço.”
A entrevista, em uma antessala do gabinete presidencial, precedeu uma reunião sobre o modelo de concessão de aeroportos a ser adotado pelo governo. Durante a conversa, que durou um pouco mais de uma hora, a presidenta negou que a nomeação de Celso Amorim para a Defesa tenha causado desconforto nas casernas (“Não estamos mais na época das vivandeiras”), afirmou que estádios e aeroportos estarão prontos a tempo para a Copa 2014, - expressou-se de forma distante sobre Ricardo Teixeira e garantiu que a Comissão da Verdade será instalada. E revelou seu novo projeto na área de saúde, definido por ela como sua mais nova “obsessão”: a adoção do home care, atendimento de saúde em casa nos moldes existentes no Reino Unido e nos EUA. “É mais barato, é melhor para as pessoas e pode ser feito em escala maior com um custo fixo muito pequeno e com um custo variável interessante.”
A entrevista será publicada em duas partes.
CartaCapital: Aquela simpatia inicial da mídia em relação à senhora parece ter passado. Há as denúncias de corrupção, que precisam ser investigadas, mas há também essa tentativa de criar uma tensão do nada, como no caso da nomeação de Celso Amorim para a Defesa.
Dilma Rousseff: O que acho complicado no Brasil é que os problemas reais perdem espaço para os acessórios, ou para os que não são reais. Isso é muito ruim, porque há uma tendência de as pessoas se importarem mais com o espetáculo do que com a realidade cotidiana das coisas. É normal, talvez por isso, inclusive, que todos gostemos de folhetins. Não posso ficar reclamando. Agora, essa relação com a mídia, não sei se ela não é assim em todos os governos, desconfio que…
CC: Em todos os governos do Brasil ou do mundo?
DR: Do mundo. Você tem uma relação contraditória com a mídia. Veja o que ocorre, por exemplo, nos Estados Unidos, entre a Fox e o Obama. E há essa coisa horrorosa que é o News of the World na Inglaterra. Não acho que eu seja tratada da mesma forma por todos os jornais. Têm grupos de mídia mais suscetíveis a encarar as transformações pelas quais o Brasil passa e têm outros menos suscetíveis. Não acho que o governo deva se pautar por isso, pela mídia. Isso não significa não dar importância. Dou importância e tenho obrigação de responder e levar em consideração as demandas. Agora, não vou gastar nisso todo o meu tempo, que é político. Tenho de gastar meu tempo tratando dos assuntos que resolvem problemas do País.
CC: Mas nas últimas semanas, a começar pela crise nos Transportes até a mais recente, na Agricultura, o seu governo parece apenas reagir a uma série de denúncias de corrupção publicada pela mídia.
DR: Afastamos as pessoas quando achamos que o caso era grave. Não acho que somos pautados pela mídia em nenhum desses casos. Nem na história dos Transportes, nem da Agricultura ou de qualquer outro caso que por ventura ocorra, não temos o princípio de ficar julgando as pessoas, fazendo com que elas provem que não são culpadas. Somos a favor daquele princípio da Revolução Francesa, muito civilizado, que cabe a quem acusa provar a culpa de quem é acusado. Mas não acho que o governo deva abraçar processos de corrupção. Por razões éticas, mas também por conta de outro fator: um governo que se deixa capturar pela corrupção é altamente ineficiente. É inadmissível diante de tão pouco dinheiro que temos para fazer as coisas. Então, por uma questão não só ética e moral, mas de eficiência, você é obrigado a tomar providência.
CC: Falemos da nomeação de Celso Amorim. Essa história de que as casernas estão irritadas com a nomeação dele…
DR: É relevante?
CC: É relevante?
DR: Não acho. Primeiro, porque não estamos mais na época das vivandeiras. As Forças Armadas são disciplinadas, hierarquizadas e cumprem seus preceitos constitucionais. Estão subordinadas ao Poder Civil e é assim pelo fato de a sociedade brasileira ter evoluído nessa direção. Não é uma conquista do governo ou da mídia, é da sociedade brasileira. Agora, se há setores, absolutamente minoritários, entre os militares ou na mídia que assim pensam, é irrelevante, faz parte do passado, de uma visão atrasada da História. Outra coisa muito grave, aquém da realidade, é achar alguém insubstituível. As pessoas têm de ter a humildade de perceber que não são insubstituíveis, a gente descobre isso quando criança, principalmente se você perde algum parente importante, como o pai ou a mãe, cedo. Além disso, nem na época da monarquia o rei era insubstituível, havia aquela história dos dois corpos do rei, o divino e o humano. O rei morreu, viva o novo rei. O tempo é o senhor desse processo e tenho certeza de que o Celso Amorim vai demonstrar uma grande capacidade de gestão, vai levar à frente a nossa Política Nacional de Defesa e vai fortalecer e modernizar as Forças Armadas. Vamos discutir daqui a um ano. Tem gente que olha para o passado. Eu olho para o futuro.
CC: A senhora já refletiu, fez alguma interpretação, sobre o comportamento do ex-ministro Nelson Jobim?
DR: Ah, não faço nenhuma interpretação. É uma página virada, não temos de ficar discutindo. Isso pode até ser interessante para a mídia, mas para o governo não é.
CC: Acompanhei as suas declarações recentes sobre a crise. A senhora disse que o Brasil está mais preparado do que em 2008. É isso?
DR: Você me ouve e eu te leio, viu Belluzzo (risos). Vivemos um momento que ninguém da nossa geração imaginou viver. Jamais pensei na minha vida que eu veria uma agência de classificação de risco rebaixar a nota dos títulos dos Estados Unidos. Fiquei perplexa. De uma certa forma, tirando um aspecto um tanto irônico da situação, não acho que essa agência (Standard & Poor’s) seja muito responsável ou tenha tomado uma decisão fundamentada. Não houve nenhuma grande alteração, a não ser política, que justificasse. De qualquer forma, isso indica muito o momento que o mundo vive, no qual há duas coisas incontestáveis.
CC: Quais?
DR: Temos uma crise profunda, que, como todos sabem, não foi produzida pelos governos. Deve-se a uma crise do mercado financeiro, da sua desregulamentação, com aquiescência, aí sim, do poder público. Ontem, por acaso, estava com dificuldade de dormir e voltei a assistir ao documentário Inside Job, um filme que todo mundo deveria assistir. É impressionante como, por meio dos depoimentos, o absoluto descontrole fica patente. E em vez de tomarem medidas cabíveis para retomar as condições de crescimento, encheram os bancos de dinheiro outra vez, mantiveram a desregulamentação, continuaram com o processo de descontrole e agora a crise se exprime de forma muito forte na Europa. Há duas utopias apresentadas como possíveis. Há aquela americana, a solução dos republicanos, que acham ser possível sair de uma das maiores crises, gerada não pelo descontrole dos gastos públicos, diminuindo o papel do Estado. Nesse debate há a tentativa dos republicanos de reduzir a nada o Estado. Não se recupera uma economia desse jeito.
CC: E a outra?
DR: Tem uma segunda utopia vendida lá na Europa. É a seguinte: é possível a gente ter uma união monetária em que a economia central, ou as economias centrais, se beneficiam de uma única moeda, estruturam um mercado, vendem os seus produtos para esse mercado e não têm a menor responsabilidade fiscal, punindo seus integrantes quando eles entram em crise, também provocada pelo nível de empréstimo dos bancos privados. Há um sujeito oculto engraçado, um Estado supranacional com uma política fiscal comum para socorrer os integrantes e não deixar, por exemplo, que a Grécia não tenha outra saída a não ser matar seus velhinhos, atirá-los do penhasco, que era o que acontecia antes, ou acabar em uma redução brutal dos salários e das pensões. Agora, com a Itália e a Espanha, o problema ficou mais complexo, entra em questão a União Europeia. Parece, lendo os jornais europeus, que as ofertas de socorro são poucas e chegaram tarde. São duas utopias muito graves, porque, como disse o Belluzzo, é mais do mesmo e uma tentativa de responder à crise com aquilo que a causou. Em vez de mudar o roteiro da pauta, responde-se com o que a causou. Agora, o Brasil tem de reagir a essa situação.
CC: Como?
DR: Todas as situações são inusitadas, não são aquilo que ocorreu no passado. O momento agora não é igual ao de 2008 e 2009. Temos um problema sério, porque os EUA podem ir para o quantitative easing 3 (emissão de dólares) e aí eles vão inundar este nosso País. Não tem para onde ir e então eles virão para os mercados existentes, ou seja, nós. Como disse a ministra da Indústria da Argentina, virão para um mercado apetecible. Somos apetecibles, acho que o espanhol tem essa capacidade sonora de às vezes mostrar quão apetecibles somos. Começamos a tentar uma política bastante clara no sentido de conter esses avanços quando o governo colocou aquela tributação sobre os derivativos, porque sabemos que o efeito disso é a entrada aqui, ela se dá por essa arbitragem dos juros.
CC: Mas o que se pode fazer? Começar a baixar os juros?
DR: Não vou te dizer qual é a nossa receita, porque, se fizer essa antecipação, cometerei um equívoco político e econômico. Vamos, o governo, olhar a partir de agora de uma forma diferente essa situação que vem pela frente, porque é algo distinto. Não estamos mais na mesma situação de antes, nem sabemos direito o que vem, mas estamos com abertura suficiente para perceber que pode ser exigido de nós um grande esforço para conter isso. De outro lado, percebemos que, além de tudo, há o fato de que a indústria manufatureira no mundo está com uma grande capacidade ociosa, procurando de forma urgente mercados, e que somos esse mercado. Não vamos deixar inundar o Brasil com produtos importados por meio de uma concorrência desleal e muitas vezes perversa. Vamos fazer uma política de conteúdo nacional com inovação, a mesma que aplicamos em relação à Petrobras e que deu origem à encomenda de estaleiros novos produzidos no País. Também vamos olhar o efeito da crise por setor, porque ele é assimétrico. Alguns são mais prejudicados que outros. Os mais afetados receberão estímulos e proteção específicos. Haverá uma política de defesa comercial, além da continuidade de nossas políticas sociais e de estímulo ao investimento e ao consumo. Hoje (terça-feira 9), por exemplo, ampliamos o Supersimples. Fizemos uma grande isenção tributária que beneficiará um universo muito grande de empresas. Teremos ainda uma política de incentivo à exportação por meio do Reintegra, uma novidade. Nunca tínhamos feito nessa escala. Sabemos que isso é só um início e estamos abertos a todas as outras hipóteses de trabalho, vamos acompanhar de forma pontual. É como se diz no futebol, marcação homem a homem. Aqui também será marcação mulher a mulher e de todos os jeitos possíveis (risos).
CC: Falemos um pouco da Copa de 2014. Por que as coisas não estão andando como deveriam?
DR: Gostaria de entender por que isso.
CC: Por que achamos isso?
DR: Baseados em quê?
CC: As obras estão lentas, outras foram paralisadas…
DR: Quais?
CC: Estádios…
DR: Vivemos em uma democracia. Temos o Judiciário, o Legislativo e o Executivo.
CC: Há outro motivo.
DR: Qual?
CC: A Fifa é uma organização mafiosa e o nosso líder futebolístico fica muito bem dentro desse panorama.
DR: Quem é o nosso chefe?
CC: O Ricardo Teixeira.
DR: Do governo ele não é.
CC: Do futebol. Há quem diga que a senhora não o recebe.
DR: Recebo sim, são relações institucionais. Mas voltemos às obras. É preciso fazer uma diferença: as obras essenciais e aquelas que serão legado. No caso dos estádios, essenciais, tomamos uma providência muito clara. Eles disseram que os estádios serão privados. Dentro dessa visão, eles não estariam na matriz de responsabilidade do governo federal. Mas a União, sabendo do seu poder de financiamento, principalmente de longo prazo, escalou o BNDES para financiar dentro dos valores definidos internacionalmente pela Fifa. São até 400 milhões de reais. Na última avaliação, das obras de estádios em andamento, dez estavam com zero de problemas, fora as dificuldades normais inerentes a grandes projetos. Uma licença que atrasa aqui, algo que precisa arrumar ali. Dois não tinham iniciado obras ainda e eram problemáticos. Um por problema na licitação, que foi refeita. O outro, por conta de uma discussão entre o Ministério Público Federal, o TCU e a CGU. E havia o estádio em São Paulo, cuja situação é pública e notória, e por isso eu a cito aqui. Fizemos muita pressão para resolver o impasse de uma vez por todas. O governo estadual decidiu então entrar, assim como a prefeitura. Acreditamos que o estádio em São Paulo será o que vai ficar pronto mais em cima da hora, mas vai ficar pronto antes do começo da Copa. Vamos supor, porém, que haja algum que não fique pronto. Temos 12 sedes e, em qualquer hipótese, seria possível realizar a Copa com bem menos do que isso. Não vejo risco nenhum nesse sentido.
CC: E o resto da infraestrutura? Aeroportos, por exemplo.
DR: No dia dos jogos vai ter feriado e não haverá concorrência com a estrutura logística. Os aeroportos são, ao contrário, essenciais, ainda mais em um país continental. Dos aeroportos com grandes problemas, temos São Paulo e Brasília, os demais têm muito menos problemas. Por isso decidimos fazer concessões privadas em ambos. Estamos perto de bater o martelo na formatação do leilão. O edital sai em dezembro, a contratação em fevereiro ou março. Concederemos 51%, os outros 49% ficam com a Infraero. Antes, explico o que não vamos conceder: o sistema de navegação e o de aproximação, portanto, nenhuma das torres. Nem o sistema público responsável pela gestão dos voos. Vai continuar a ser responsabilidade do Decea (Departamento de Controle do Espaço Aéreo), na sua grande maioria, e da Infraero, em menor proporção. Sobra para o setor privado a exploração comercial, a administração do aeroporto e a ampliação.
CC: Aumentar a capacidade.
DR: Em São Paulo, vamos reforçar Guarulhos, mas o futuro está em Viracopos, pois Cumbica caminha a passos acelerados para o esgotamento de sua capacidade. Ele não tem retroárea suficiente para expandir, a cidade cresceu naquela direção e o custo para desapropriar é elevado, tanto no que se refere a pequenos imóveis unifamiliares quanto a empresas. Já estudamos várias alternativas, inclusive mudar a configuração da pista, mas é inviável. O que podemos expandir? Os terminais de passageiros. Há ainda o que fazer no pátio e na pista. Fizemos agora uma contratação por emergência de um módulo e de um terminal. Serão entregues até dezembro, pois nossa preocupação não é só a Copa. A taxa de uso de avião cresce 20% ao ano no Brasil, um escândalo.
CC: São os puxadinhos…
DR: Puxadinhos, meu filho, foi o que segurou a Copa da África do Sul. Não faremos isso. Vamos segurar até a Copa, mas, quando ela chegar, teremos estrutura. Qual é o problema? Guarulhos sustenta o sistema. A licitação terá de levar em conta esse fato. Vamos ter de criar um fundo que pegue parte dessa renda e a distribua. Ela não pode ficar apenas para quem explora o aeroporto. Não é uma licitação trivial, portanto. Em um segundo momento, vamos nos concentrar no Galeão (Rio de Janeiro) e em Confins (Belo Horizonte). O problema dos aeroportos não é da Copa, é algo para depois de amanhã. Asseguro que em 2014 estará tudo prontinho.
CC: E os legados?
DR: Há 50 obras de legado. A Copa não depende delas para funcionar, é algo a deixar para as cidades. Os prefeitos e governadores têm até dezembro deste ano para ao menos iniciar a fase de licitação. Caso contrário, a obra sai do PAC da Copa e vai para o PAC normal. Por quê? Porque, se não licitar até o fim do ano, elas não ficarão prontas em dezembro de 2013. O governo federal pode fazer várias coisas, mas não pode obrigar ninguém a manter um ritmo se não tiver essas condições prévias.
CC: Como a senhora imagina o Brasil em 2014?
DR: Farei tudo que estiver ao meu alcance para que o Brasil, em 2014, tire 16 milhões de cidadãos da miséria. Que a nossa classe média tenha na educação um caminho para manter sua condição e que aqueles que estão um pouquinho acima na pirâmide social desses 16 milhões de miseráveis passem para a classe média. Quero consolidar um Brasil de classe média. Além disso, quero ter transformado, ao menos em parte, a área de saúde. Não podemos ter hospitais em quantidade absurda, mas podemos ter uma política de regionalização, como tivemos no caso das universidades. E aí tem outra solução. Não sei se vocês sabem, mas precisamos ter, no governo, obsessões. E a minha próxima obsessão é o tratamento em casa, o home care, levar o atendimento de um hospital às casas das famílias. Por quê? Por que queremos inventar uma coisa sofisticada? Não, porque é mais barato, é melhor para as pessoas e por poder ser feito em escala maior com um custo fixo muito pequeno e com um custo variável interessante. Isso vai descongestionar o tratamento final nos hospitais e diminuir a quantidade de tempo que as pessoas permanecem ocupando um leito.
CC: A senhora poderia dar mais detalhes?
DR: Ainda não. Estamos fazendo as contas, na ponta do lápis, pois não faremos nada sem convicção. Hoje, a convicção sobre a viabilidade do projeto é de 90%. Vamos dimensionar o tamanho. Por isso falo: certas coisas só se fazem com obsessão. Começamos pelas UBS (Unidades Básicas de Saúde). Estamos reequipando, remodelando e modernizando cerca de 40 mil unidades. Temos o mapa da pobreza feito pelo Censo, por grupo e região, e as 3 mil UBS que temos para construir vão para esses locais. O mesmo acontece com a Rede Cegonha. Não vamos conseguir fazer em todos os municípios, mas estamos começando por aqueles com o mais baixo nível de tratamento, de acesso a equipamentos de saúde.
CC: Falemos de uma obra bastante criticada. Por que o seu governo insiste no trem-bala?
DR: As mesmas pessoas que hoje criticam o trem-bala diziam nos anos 1980 que o Brasil não deveria fazer metrôs, era coisa de país rico. Deu no que deu. O trem-bala não se justifica naquelas extensões chinesas, de 1,5 mil quilômetros. Na extensão entre o Rio de Janeiro e São Paulo é absolutamente justificável. Não se trata apenas de oferecer mais uma alternativa de transporte, mas de produzir uma reconfiguração urbana. É um ponto que ninguém discute. No trajeto entre o Rio e São Paulo vai ocorrer uma desconcentração urbana. O cara entra no trem-bala, desce no centro da cidade e vai trabalhar. Se não encontrarmos uma solução para as duas metrópoles, teremos uma banana gigantesca nas mãos. Ficarão inviáveis. Uma vez em Tóquio percebi que as ruas eram estreitas, mas não havia congestionamentos. Quis saber o motivo e me explicaram que o sistema de trens criado depois da Segunda Guerra Mundial tinha mudado a direção urbana das cidades. Nas paradas entre Tóquio e Kyoto criaram-se bairros, áreas de moradia. Pense no percurso entre São Paulo e Rio, entre a serra e o mar. É um dos lugares mais bonitos do País. Não existirá motivo para que as pessoas não queiram morar nesse caminho. Com o trem-bala, alguém que viva a 60, 70, até 100 quilômetros do Rio ou de São Paulo chegará rapidamente aos centros dessas cidades.
CC: A Comissão da Verdade vai sair do papel?
DR: Vai sim, vamos criá-la. Queremos que seja unânime nas bancadas do Congresso. Não há motivo nenhum para o PSDB e o DEM não a aprovarem. Não é algo que pode ser visto partidariamente, é uma dívida que temos.
Luiz Gonzaga Belluzzo, Mino Carta e Sergio Lirio
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Prévias Partidárias

As prévias partidárias voltaram com força à discussão política.
Primeiro, tivemos uma engraçada mudança de posição de algumas lideranças tucanas, que, de adversárias intransigentes de sua adoção, passaram a defendê-las. Depois, foi a vez do PT, onde quem sempre as apoiou se tornou cético em relação às vantagens de tê-las.
No PSDB, tudo começou nas movimentações que antecederam a convenção nacional que o partido realizou em maio. Apesar das tentativas algo patéticas do ex-governador José Serra, que lutava para preservar um mínimo de espaço, brigando para ser nomeado para algum posto importante na estrutura partidária, estava claro que o aecismo venceria.
Como prêmio de consolação, destinaram-lhe um cargo sem função, de “presidente do Conselho Político” do PSDB. Era tão insignificante que, quando, recentemente, quis se manifestar nessa qualidade (diga-se de passagem, de maneira tão equivocada que embaraçou seus companheiros), teve que recorrer a seu blog pessoal. A tal presidência sequer tinha um canal de expressão.
Para acalmá-lo, o outro gesto da liderança tucana foi acenar com a adoção de prévias no processo de escolha do candidato a presidente nas eleições de 2014.
Mostrando que a disposição era sincera, o senador Álvaro Dias chegou a preparar uma proposta de alteração da legislação que regula as campanhas políticas, de forma a permiti-las sem incorrer nas penalidades hoje previstas.
O problema está em um dos conceitos mais sem sentido que temos, o de “campanha antecipada”. Embora todos saibamos que é inteiramente ficcional o dispositivo que estabelece que as campanhas só podem começar depois das convenções partidárias e da homologação das candidaturas (que acontece na primeira semana de julho), ninguém pode agir como candidato antes, sem enfrentar aborrecimentos, pedidos de impugnação e multas.
Ano passado, para coibir a movimentação de Lula em favor de Dilma, o PSDB (junto com os demais partidos de oposição) usou várias vezes seu direito de buscar a Justiça. É lógico, portanto, que pensasse em mudar a lei para as próximas.
Não existe, formalmente, nada que impeça as prévias na legislação atual. O próprio PSDB, em 2009, consultou o TSE a respeito e recebeu a resposta de que podia fazê-las entre seus filiados, desde que não atingissem o conjunto do eleitorado.
Ou seja, podia realizá-las, mas sem que pudessem ser configuradas como “campanha antecipada”.
O que a legislação permite é um processo interno de seleção, restrito a filiados devidamente identificados, fora dos meios de comunicação de massa, sem eventos públicos e participação popular.
Nada a ver, portanto, com as eleições primárias, que existem em muitos países democráticos maduros. Se quisermos, parecido, no máximo, com os “caucus ” norte-americanos, onde os membros ativos de cada partido se encontram para deliberar e escolher candidatos, característicos dos primórdios da democracia por lá.
Na proposta de Álvaro Dias, de agrado do serrismo, entre 1º de janeiro e o segundo domingo de junho do ano da eleição, “não constituirão infração eleitoral os pedidos de votos”. Seria, assim, removida (pelo menos, em parte) a camisa de força que constrange as campanhas no período.
Subentende-se que chegariam à mídia de massa, ainda que seja cedo para imaginar em que a proposta poderia dar, supondo que viesse a ser aprovada (o que parece incerto).
O extraordinário no caso é a completa reviravolta das convicções de Serra e seus aliados. Para quem não se lembra, o PSDB só não fez prévias em 2009, para decidir a respeito das candidaturas na eleição de 2010, porque esse grupo nao permitiu. Bem que Aécio tentou.
Os serristas diziam-se contra pelas mesmíssimas razões invocadas por alguns petistas hoje para achar que são inconvenientes na escolha do candidato do partido na eleição de prefeito de São Paulo ano que vem.
Para não “dividir o partido”, não “expor suas entranhas”, não “dar argumentos à oposição”, melhor decidir em privado, a portas fechadas. Melhor deixar filiados e militantes de fora.
E assim vamos. Quem era contra, está a favor, e quem desgostava, agora simpatiza. Quem sabia das coisas era Magalhães Pinto, quando falava da política e as nuvens. Não há nada tão mutável quanto as duas.
Marcos Coimbra sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
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O pato, o ganso e o cisne

Sessenta e quatro anos após o trauma vivido no Maracanã, o Brasil volta a sediar uma copa mundial de futebol. E isso num momento em que por variados motivos vamos adquirindo ares de sermos mais do que um país apenas emergente.
O Brasil desperta no mundo atual uma nova admiração que ultrapassa o velho chavão do país do futebol. Políticas sociais mais acertadas, economia minimamente planificada e que consegue vencer a crise do capitalismo neoliberal que vaza água por muitos lados, política externa independente, ampliação e solidificação de seu mercado interno, proteção à indústria nacional, enfim, um conjunto de ações que têm despertado a curiosidade de políticos, economistas e jornais do mundo inteiro.
Curiosamente, onde estamos perdendo alguns pontos é exatamente na classificação mundial de futebol feito pela FIFA. Aquele velho e bobo orgulho da ‘pátria em chuteiras’. E parte desse declínio tem a ver com alguns inexpressivos resultados na nossa seleção canarinho.
Com a criação, ampliação e sofisticação do chamado mercado do futebol europeu há alguns anos, o Brasil tornou-se naturalmente um dos maiores fornecedores de bons jogadores para aquele continente. Mas isso virou a farra do boi. Hoje, as escolinhas de futebol espalhadas pelos quatro cantos do país preparam meninos para se tornarem os grandes astros de amanhã. E são preparados como mercadoria de luxo.
O principal modelo, embora existam muitos outros, é Neymar que, em apenas dois anos foi elevado à categoria de um dos principais jogadores brasileiros, com grandes verbas publicitárias ao redor do seu nome e desempenho, promessas de salários astronômicos e possibilidade de vendas para o exterior por preços estratosféricos. Um verdadeiro cisne ao lado de patos e gansos.
Contudo, o futebol apresentado por esse jogador tem deixado a desejar, seja no seu time, o tradicional Santos Futebol Clube da Vila Belmiro, e principalmente pela seleção nacional. Não só ele, mas os inúmeros talentos que jogam fora do Brasil e seus salários astronômicos. Todos transformados em celebridades nos países em que atuam e no Brasil, incensados e idolatrados além daquilo que realmente merecem.
Alguns, depois de algum tempo, já “bichados”, para usar a linguagem do futebol, voltam para cá, contratados por salários irreais por alguns de nossos grandes clubes. Não jogam, pois estão se recuperando fisicamente: gordos, fora de forma, desinteressados, cansados do futebol, velhos para o esporte aos trinta e poucos anos.
FIFA, CBF, diretores de clubes, empresários, técnicos, patrocinadores, imprensa esportiva, canais de televisão, armam uma ciranda onde o que menos importa é o futebol, o bom futebol, o esporte que sempre encantou milhões pelo mundo afora.
Feira de vaidades, mercado de transações comerciais lícitas e ilícitas, valhacouto de mafiosos, o futebol vai deixando de ser um esporte emocionante na sua prática dentro dos gramados, para se tornar uma atração das páginas policiais e das fofocas jornalísticas.
Por aqui, uno minha voz a de tantos outros que ainda gostam do futebol arte: FORA RICARDO TEIXEIRA!
Izaías Almada, escritor e dramaturgo, colunista do NR
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Nouriel Roubini: “Karl Marx estava certo”

Na avaliação de Nouriel Roubini, professor de economia na Universidade de Nova York, a não ser que haja outra etapa de massivo incentivo fiscal ou uma reestruturação da dívida universal, o capitalismo continuará a experimentar uma crise, dado o seu defeito sistêmico identificado primeiramente por Karl Marx há mais de um século. Roubini, que há quatro anos previu a crise financeira global diz que uma das críticas ao capitalismo feitas por Marx está se provando verdadeira na atual crise financeira global.
Há um velho axioma que diz que “sábia é a pessoa que aprecia a sinceridade quase tanto como as boas notícias”, e com ele como guia, situa decididamente o futuro na categoria da sinceridade.
O professor de economia da Universidade de Nova York, doutor Nouriel “Dr. Catástrofe” Roubini disse que, a não ser que haja outra etapa de massivo incentivo fiscal ou uma reestruturação da dívida universal, o capitalismo continuará a experimentar uma crise, dado o seu defeito sistêmico identificado primeiramente pelo economista Karl Marx há mais de um século.
Roubini, que há quatro anos previu acuradamente a crise financeira global disse que uma das críticas ao capitalismo feitas por Marx está se provando verdadeira na atual crise financeira global.
A crítica de Marx em vigor, agora
Dentre outras teorias, Marx argumentou que o capitalismo tinha uma contradição interna que, ciclicamente, levaria a crises e isso, no mínimo, faria pressão sobre o sistema econômico. As corporações, disse Roubini, motivam-se pelos custos mínimos, para economizar e fazer caixa, mas isso implica menos dinheiro nas mãos dos empregados, o que significa que eles terão menos dinheiro para gastar, o que repercute na diminuição da receita das companhias.
Agora, na atual crise financeira, os consumidores, além de terem menos dinheiro para gastar devido ao que foi dito acima, também estão motivados a diminuírem os custos, a economizarem e a fazerem caixa, ampliando o efeito de menos dinheiro em circulação, que assim não retornam às companhias.
“Karl Marx tinha clareza disso”, disse Roubini numa entrevista ao The Wall Street Journal: "Em certa altura o capitalismo pode destruir a si mesmo. Isso porque não se pode perseverar desviando a renda do trabalho para o capital sem haver um excesso de capacidade [de trabalho] e uma falta de demanda agregada. Nós pensamos que o mercado funciona. Ele não está funcionando. O que é racional individualmente ... é um processo autodestrutivo”.
Roubini acrescentou que uma ausência forte, orgânica, de crescimento do PIB – coisa que pode aumentar salários e o gasto dos consumidores – requer um estímulo fiscal amplo, concordando com outro economista de primeira linha, o prêmio Nobel de economia Paul Krugman, em que, no caso dos Estados Unidos, o estímulo fiscal de 786 bilhões de dólares aprovado pelo Congresso em 2009 era pequeno demais para criar uma demanda agregada necessária para alavancar a recuperação da economia ao nível de uma auto expansão sustentável.
Na falta de um estímulo fiscal adicional, ou sem esperar um forte crescimento do PIB, a única solução é uma reestruturação universal da dívida dos bancos, das famílias (essencialmente das economias familiares), e dos governos, disse Roubini. No entanto, não ocorreu tal reestruturação, comentou.
Sem estímulo fiscal adicional, essa falta de reestruturação levou a “economias domésticas zumbis, bancos zumbis e governos zumbis”, disse ele.
Fora o estímulo fiscal ou a reestruturação da dívida, não há boas escolhas
Os Estados Unidos, disse Roubini, pode, em tese: a) crescer ele mesmo por fora do atual problema (mas a economia está crescendo devagar demais, daí a necessidade de mais estímulo fiscal); ou b) retrair-se economicamente, a despeito do mundo (mas se muitas companhias e cidadãos o fizerem junto, o problema identificado por Marx é ampliado); ou c) inflacionar-se (mas isso gera um extenso dano colateral, disse ele).
No entanto, Roubini disse que não pensa que os EUA ou o mundo estão atualmente num ponto em que o capitalismo esteja em autodestruição. “Ainda não chegamos lá”, disse Roubini, mas ele acrescentou que a tendência atual, caso continue, “corre o risco de repetir a segunda etapa da Grande Depressão”—o erro de ‘1937’.
Em 1937, o presidente Franklin D. Roosevelt, apesar do fato de os primeiros quatro anos de massivo incentivo fiscal do New Deal ter reduzido o desemprego nos EUA, de um cambaleante 20,6% na administração Hoover no começo da Grande Depressão, a 9,1%, foi pressionado pelos republicanos congressistas – como o atual presidente Barack Obama fez com o Tea Party, que pautou a bancada republicana no congresso em 2011 – , rendeu-se aos conservadores e cortou gastos do governo em 1937. O resultado? O desemprego estadunidense começou o ano de 1938 subindo de novo, e bateu a casa dos 12,5%.
Cortar os gastos do governo prematuramente feriu a economia dos EUA em 1937, ao reduzir a demanda, e Roubini vê o mesmo padrão ocorrendo hoje, ao se seguir as medidas de austeridade implementadas pelo acordo da dívida implemented by the U.S. debt deal act.
Roubini também argumenta que os levantes sociais no Egito e em outros países árabes, na Grécia e agora no Reino Unido têm origem econômica (principalmente no desemprego, mas também, no caso do Egito, no aumento do custo de vida). Em seguida, argumenta que, ao passo que não se deve esperar um colapso iminente do capitalismo, ou mesmo um colapso da sua versão estadunidense, o capitalismo corporativo – capitalismo e mercados livres são rápidos demais e capazes de se adaptarem - dizer que a ordem econômica atual não está experimentando uma crise não é correto.
Joseph Lazzaro - The International Business Time
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Google obrigada a retirar mensagem ofensiva de rede social

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmou decisão que obrigou a empresa Google Brasil Internet Ltda. a retirar conteúdo ofensivo em mensagens postadas na rede social Orkut. A Quarta Turma entendeu que os provedores de acesso à internet têm responsabilidade quanto ao controle das mensagens difundidas, de forma que devem atender determinações judiciais para retirar o conteúdo difamatório, no prazo estipulado.
A Google Brasil recorreu ao STJ por ter sido obrigada liminarmente a excluir do site de relacionamento Orkut todas as mensagens ofensivas à imagem profissional de um médico do Rio Grande do Sul, no prazo de 48 horas. A não obediência levaria ao pagamento de multa diária no valor de R$ 800,00, limitada a R$ 8 mil.
O médico sofreu uma onda de ataques na rede e utilizou uma ferramenta existente no próprio site para impedir a veiculação de mensagens difamatórias. A ferramenta, entretanto, não permitiu a exclusão de todas as mensagens contra ele, razão pela qual o profissional ingressou na Justiça, com pedido também de indenização por dano moral e material. A Google, segundo o médico, foi condenada em sentença a pagar R$ 500 mil por danos morais.
A empresa alegou no STJ que seria impossível fazer uma varredura na rede para localizar conteúdo difamatório contra o profissional. O próprio médico deveria fornecer o endereço eletrônico dos agressores e indicar as condutas a serem censuradas. A empresa sustentou que, ao proceder à retirada do conteúdo, estaria a exercer juízo prévio, o que viola a liberdade de expressão. Segundo a Google, não existe legislação que obrigue os provedores a exercer controle do conteúdo inserido na internet.
A Quarta Turma do STJ não analisou a responsabilidade civil do provedor de serviços pelas ofensas proferidas. Verificou apenas se a empresa teria a obrigação de excluir das páginas o conteúdo difamatório desferido contra o profissional, mesmo sem o fornecimento preciso dos endereços eletrônicos por parte da vítima.
O relator, ministro Luis Felipe Salomão, considerou que a ausência de ferramentas técnicas para a correção de problemas não isenta a empresa de buscar soluções. “Se a Google criou um monstro indomável, é apenas a ela que devem ser imputadas eventuais consequências geradas pela falta de controle dos usuários de sua rede social”, destacou. As mensagens ofensivas poderiam ser capturadas por mecanismos de programação ou por um corpo técnico especializado, acrescentou.
No caso das redes sociais, eventuais ofensas à honra das pessoas não são consideradas atos exclusivamente praticados por terceiros. A responsabilidade do provedor, entretanto, não é automática e não ocorre no momento que a mensagem é postada na rede. A responsabilização civil depende da conduta, levando-se em conta a proporção entre sua culpa e o dano experimentado por terceiros. A obrigação do provedor, objeto de análise no STJ, é providenciar a pronta retirada do conteúdo ofensivo, quando compelido judicialmente.
No Bacafá
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A Folha vai quebrar 2 vezes. A Globo, uma

Seu Frias e Roberto Marinho vão ter que contratar o Dr. Bermudes
Saiu na Folha, pág B1:
Congresso libera tevê a cabo para telefônicas
Elas vão poder controlar empresas de televisão por assinatura.
Os canais vão ter três horas e meia de programação nacional em horário nobre.
Metade do conteúdo nacional terá de ser de produtor independente.
O Slim assume de vez a Net, que era da Globo, antes da concordata.
E a Telefônica assume a TVA, que era da Abril.
(A propósito, a Abril é a maior contribuição à Historia do Capitalismo, desde O Capital, de Karl Marx. Ela acabou de fazer um lançamento de ações, um IPO, que o Conversa Afiada desconfiou que se tratava de um mico. Pois não é que o Valor, hoje, assegura que, logo após o IPO, a Abril exibe fulgurante prejuízo com as despesas financeiras? Esse Robert(o) Civita é um "jenio".)
* * *
O princípio básico da nova lei do cabo é saudável e simples:
Quem distribui (telefônica) não produz conteúdo (Globo).
Quem produz conteúdo (Globo) não distribui (telefônica).
A lei transforma tudo em empresa de Comunicação.
Onde se encaixam também os provedores de acesso à internet (UOL).
Assim, teremos a seguinte situação, muito interessante.
A Globo vai ter que fechar o Globo.com e o G1.
Porque não pode distribuir e produzir conteúdo ao mesmo tempo.
O UOL – que sustenta os jenios da Folha – também vai.
Porque ele ou é provedor de acesso ou de conteúdo.
E, na pág. B4, da mesma Folha, o Ministro Paulo Bernardo avisa que as telefônicas poderão dar acesso à internet, sem precisar de provedor.
Ou seja, o UOL perde do novo.
Duas vezes.
Os colonistas da Folha vão ficar impossíveis.
O projeto que o Senado aprovou vai à sanção da Presidenta.
Os filhos do Roberto Marinho e do seu Frias só têm uma saída.
Contratar o escritório do Dr. Sergio Bsrmudes e sua consultora, Elena Landau.
O Dr. Bermudes não perde uma!
* * *
Abaixo o Editorial da Rede Bandeirantes de Comunicação
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A compulsão da má notícia leva à idiotia

O Estadão de hoje traz uma matéria que é um primor. O cidadão que a escreve tem tanta vontade de mostrar que o Brasil está em crise que tortura a matemática de forma atroz, tentando mostrar que estamos na iminência de uma crise de desemprego.
É óbvio que a geração de 140 mil empregos em julho, divulgada pelo Caged, ontem, poderia ter tido números mais largos. Na verdade, para continuarmos na situação de virtual pleno emprego em que nos encontramos – com taxas abaixo de 7%, fica-se perto da busca de emprego residual provocada pela rotatividade de mão de obra – precisamos criar perto de 200 mil empregos/mês, para alcançar um saldo em torno de 2 milhões por ano de novos postos de trabalho. Portanto, os 140 mil empregos criados em julho ficam abaixo disso, como os números de abril, maio e junho ficaram acima.
Mas a câmara de torturas estatísticas do Estadão não perdoa.
“Nos últimos cinco meses, a velocidade do crescimento das demissões superou a das contratações, mas, como a geração de vagas mantém vantagem o ano inteiro, o desemprego ainda não é rápido o suficiente para ultrapassar o emprego. Em outras palavras, a criação de vagas de trabalho passou de lebre a tartaruga”.
Ei, alô, atenção, senhor repórter, cadê a tartaruga?
De janeiro a julho, houve um saldo líquido de 1,59 milhão de contratações. É, apenas, o segundo melhor da história do país. Só perde para 2010, quando foram criados, no período, 1,65 milhão de vagas, E ganha de 2008, antes da crise mundial, que teve, no mesmo intervalo, 1,56 milhão de novos empregos.
O segundo melhor resultado de emprego da história do país pode ser chamado assim?
Mas se o repórter quiser achar uma tartaruga, a gente ajuda.
É só olhar o gráfico ao lado e ver que a tartaruga ficou lá para trás, no Governo Fernando Henrique Cardoso – aquele da “roda presa” – quando, no mesmo mês, a média de criação de empregos, em oito anos, andou na casa de 25 mil vagas a cada mês de julho.
E o exercício da previsão do caos continua, de uma maneira simplória, como se não fosse óbvio que num quadro de crescimento estável a velocidade de crescimento do emprego não pode ser a mesma que num momento de recuperação econômica, assim como o fato de apertar-se menos o acelerador em um carro que vai a 80 km por hora do que quando ele está a 40 não quer dizer que se esteja correndo menos.
O número total de empregos com carteira assinada cresceu 4,43% em relação a dezembro de 2010. Como a população ativa cresceu perto de um quarto deste índice, é óbvio que o emprego subiu.
Que o Estadão torça para o Brasil ficar de roda-presa e empregar menos, a gente até compreende. Mas começar uma matéria dizendo que “o mercado de trabalho perde fôlego no ritmo mais veloz desde o início da crise internacional de 2008″ quando qualquer aluno de ginásio sabe que amargamos um final de 2008 e início de 2009 com saldo negativo de dezenas e até centenas de milhares de empregos, passa dos limites da torcida macabra e chega às fronteiras da idiotia.
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A herança bendita de FHC, 12,5% de inflação em 2002. Quanta saudade!

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E é esse país que pretende realizar uma Olimpíada?

A indagação predileta do colunismo brasileiro desapareceu diante dos motins que abalaram as cidades britânicas. Governo fraco, polícia incompetente e brutalizada (a mesma que assassinou Jean Charles de Menezes), crise econômica, preconceito, desigualdade social, gangues de criminosos – todos os piores ingredientes do imaginário autodepreciativo das repúblicas bananeiras reúnem-se para desintegrar as ilusões do paraíso civilizatório europeu. De novo, e sem as desculpas fáceis de uma psicose individual.
Depois nós é que não merecemos abrigar efemérides internacionais. E somos nós, pasmem os senhores, que desprezamos nossas prioridades administrativas.
Enquanto os gênios colonizados tentam culpar os vilões de sempre (minorias étnicas e imigrantes), os analistas locais derrubam a teoria e acusam justamente as milícias brancas xenófobas pela exacerbação dos conflitos. Sobra até para o otimismo revolucionário de parte da esquerda, às vezes condescendente com certas pautas vazias das protestações contemporâneas, e que agora precisa engolir sua vanguarda jovem espalhando badernas como uma súcia de vikings embriagados.
E é importante salientar que, mesmo cercada pela selvageria, a combativa imprensa do Reino Unido jamais ousou condenar a realização dos Jogos Olímpicos ou questionar a capacidade do país para sediá-los.
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Fabricantes de cigarros entram na Justiça contra os EUA

Empresas alegam que imposição de imprimir imagens explícitas sobre as consequências do tabagismo nos maços é uma violação dos direitos de liberdade de expressão
Quatro empresas fabricantes de tabaco entraram com um processo contra o governo dos Estados Unidos. Elas consideram inconstitucional e uma violação de seu direito de liberdade de expressão a imposição de imprimir nos maços de cigarros imagens explícitas sobre as consequências do tabagismo.
As companhias denunciantes são R.J. Reynolds Tobacco Company e sua subsidiária Santa Fe Natural Tobacco Company, Inc.; Lorillard Tobacco Company, Commonwealth Brands Inc. e Liggett Group LLC., informou o jornal "The Washington Post" em sua edição digital.
Segundo R.J. Reynolds Tobacco Company e Lorillard Tobacco Company, as imagens não são apenas advertências, mas influenciam as pessoas na hora de optarem ou não em fumar. Uma das fotos mostra um cadáver, com uma cicatriz no peito, com a legenda "Aviso: Fumar pode te matar." Cerca de 1,2 mil pessoas morrem todos os dias nos Estados Unidos devido a doenças relacionadas ao tabagismo.
O órgão regulador americano espera que a introdução destes avisos tenha consequências importantes na saúde pública, reduzindo o número de fumantes. Além de salvar vidas, a expectativa é que haja redução dos custos de despesas da saúde.
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Candidato Aécio Neves decepciona e a fila anda

Sem discurso ou empolgação, aquele que prometia despontar como o grande candidato da oposição em 2014 perde espaço para alternativas como Eduardo Campos e Geraldo Alckmin e corre o risco de ser engolido mais uma vez por José Serra
Quando o ex-governador de São Paulo José Serra perdeu o pleito de 2010 para a presidente Dilma Rousseff, deu-se como sepultado seu projeto de infância – como o mesmo lembrou durante a campanha – de se tornar presidente da República. Desgastado por mais uma derrota, o eterno candidato do PSDB parecia ter desperdiçado sua última chance, já que a candidatura do senador Aécio Neves para 2014 se impôs quase que naturalmente. Mas, quase um ano depois da vitória de Dilma, Aécio vai ficando pra trás, enquanto Serra recomeça a arregaçar as mangas na direção da Presidência mais uma vez.
A única movimentação política mais explícita (e ainda assim discreta) de Aécio mirando as eleições de 2014 foi um decreto assinado pelo governador de Minas Gerais, Antonio Anastasia (PSDB), no mês passado, concedendo à ex-senadora Marina Silva o título de cidadã honorária do estado. O senador mineiro estaria de olho nos 20 milhões de votos da ex-candidata à Presidência pelo Partido Verde (Marina deixou o partido em julho) e, portanto, disposto a se aliar à ex-ministra do Meio Ambiente. Fora isso, Aécio concentra seus esforços na mudança do rito seguido pelas Medidas Provisórias no Congresso Nacional e pontua, aqui e ali, críticas ao governo Dilma. Sem empolgar, no entanto.
O comportamento de Aécio contrasta com o do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que já segue algo parecido com uma agenda de campanha para 2014 e, na semana passada, visitou a Casa das Garças, reduto tucano. Os tucanos queriam saber o que Campos pensa sobre privatizações, entre outros assuntos. Também próximo ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador pernambucano é alternativa tanto para o PT, caso Dilma e o próprio Lula não se animem a disputar o pleito de 2014, quanto para o PSDB, caso Serra não emplaque sua candidatura.
O último candidato do PSDB à Presidência, contudo, começa a dar sinais de que não desistiu da guerra. Talvez animado pelo comportamento pouco insinuante de Aécio, Serra deixou definitivamente a disputar pela Prefeitura de São Paulo em 2012, para estar disponível nas eleições presidenciais de 2014. Afinal, largar a capital paulista pela segunda vez para disputar a Presidência seria um tiro no pé. Quem diz é a colunista Dora Kramer, sempre bem informada sobre os assuntos de Serra, em sua coluna publicada nesta terça-feira.
O vácuo deixado pelo senador Aécio Neves abre espaço até para o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que já disputou a presidência pelo PSDB e adotou recentemente o discurso de combate à pobreza do Governo Federal. Nesta quinta-feira, aliás, Alckmin anuncia junto com a presidente Dilma Rousseff a unificação entre os programas Bolsa Família, do Governo Federal, o Renda Cidadã, do estado de São Paulo. Ou seja, estão todo se movimentando, menos Aécio. E a fila não para.
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Charge online - Bessinha - # 750

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Popularidade de Dilma supera a de Lula nos dois mandatos

De acordo com pesquisa CNT/Sensus, ela tem 49,2% de aprovação; Lula tinha 48,3% em 2003 e 47,5% em 2007; população aprova faxina
O governo da presidente Dilma Rousseff tem avaliação positiva de 49,2% da população, segundo pesquisa feita pelo Instituto Sensus por encomenda da Confederação Nacional dos Transportes (CNT). Esta é a primeira avaliação do governo Dilma feita pela pesquisa CNT/Sensus. O levantamento divulgado hoje ouviu 2 mil pessoas no período de 7 a 12 de agosto.
De acordo com a pesquisa, a aprovação corresponde à média do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva nos primeiros anos de seu primeiro e segundo mandato. Em agosto de 2003, a aprovação de Lula era de 48,3%. Em junho de 2007, no primeiro ano do segundo mandato, esse índice era de 47,5%.
Do total que avalia positivamente o governo Dilma, a gestão da petista é considerada ótima por apenas 10,1% dos entrevistados, enquanto 39,1% a consideram boa. O governo Dilma é considerado ruim ou péssimo por 9,3% da população, sendo que 37,1% o consideram regular.
Faxina aprovada
A pesquisa da Confederação Nacional dos Transportes (CNT) em parceria com o Instituto Sensus, divulgada hoje, mostra que 65 7% da população tem acompanhado as denúncias de irregularidades no Ministério dos Transportes. A sondagem mostra ainda que, para 45,9% dos entrevistados, a crise no ministério afetou a imagem da presidente Dilma Rousseff. A pesquisa ouviu 2 mil pessoas no período de 7 a 12 de agosto.
Segundo a pesquisa, a imagem de Dilma não foi afetada para 16 9%. Ainda segundo a sondagem, 52,1% dos entrevistados aprovam as medidas anticorrupção do governo, enquanto 9% as desaprovam. E, para 43,6% da população, a crise nos Transportes ainda não foi solucionada. Apenas 16,9% acham que a crise foi solucionada total ou parcialmente.
Agência Estado
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José Serra é a face oculta da sucessão paulistana

Sim, José Serra deverá ser o candidato do PSDB nas eleições municipais de São Paulo em 2012. E já há sinais eloquentes de que ele se movimenta, com os apoios tradicionais, nessa direção.
Quem já assistiu ao seriado Criminal Minds, sobre mentes perigosas, sabe bem que muitos crimes deixam uma assinatura. Há quase sempre um padrão de conduta, que revela as obsessões do autor. Em muitos escândalos recentes do Brasil, houve também uma assinatura e um padrão de conduta. Começa-se com uma operação da Polícia Federal, avança-se para o vazamento seletivo das investigações, que são utilizadas politicamente e, por fim, coroa-se o espetáculo na imprensa – de preferência na maior revista semanal do Brasil.
Na semana passada, houve sinais eloquentes de algo do tipo. Primeiro, uma ação da Polícia Federal, a Operação Voucher, contra fraudes no Ministério do Turismo. Depois, a informação de que o nome de um dos presos – um ex-presidente da Embratur – era mantido em sigilo, o que alimentava ainda mais o mistério. Depois, a revelação de que esse nome era o de Mário Moyses, ex-assessor de Marta Suplicy. Por último, uma reportagem de Veja, chamada “Lama no Turismo”, que aponta Moyses como o mentor de todo o esquema criminoso – embora não haja evidências a esse respeito no processo – e que trata a ex-prefeita de São Paulo como se ela ainda fosse ministra do Turismo e não houvesse um novo titular na pasta, que se chama Pedro Novais. “Desta vez, Serra deixou as impressões digitais”, disse ao 247 um integrante da pré-campanha de Marta à Prefeitura de São Paulo. “O que prova que ele é o candidato do PSDB à prefeitura.”
Pode ser apenas uma teoria conspiratória. Mas o fato é que existem antecedentes. Outros alvos de operações recentes da Polícia Federal as atribuem à influência que Serra exerce sobre algumas alas da instituição. Exemplo: Paulo Pereira da Silva, presidente da Força Sindical. Em 2010, no começo da campanha presidencial, ele foi alvo de uma ação da PF, que o acusava de traficar influência no BNDES. Naquele momento, discutia-se se o PDT apoiaria Serra ou Dilma. E Paulinho da Força estimulava a segunda opção, quando caiu nas garras da PF. No fim de semana seguinte, Veja saiu com a capa “O lado negro da Força”, como se o presidente da entidade sindical fosse uma espécie de Darth Vader. A quem Paulinho atribui sua operação? “Serra”, disse-me ele, em certa ocasião.
Um ano antes, quando aconteceu a Operação Navalha, sobre fraudes em obras públicas, o real alvo da operação apareceu apenas alguns dias depois das prisões, quando surgiu o diálogo em que um dos detidos mencionava o nome do senador Renan Calheiros. Também naquele momento, discutia-se se o PMDB apoiaria Dilma ou Serra – e Renan, assim como Paulinho da Força, era um dos artífices da aliança com o PT. Veja fez várias capas seguidas pela cassação de Renan, mas não teve sucesso na empreitada. E a quem Renan atribui a cruzada para derrubá-lo em 2009? Adivinhem.
Ações eminentemente políticas
Não por acaso, logo depois que foi deflagrada a Operação Voucher, o ex-ministro José Dirceu escreveu um contundente artigo em seu blog, reproduzido aqui no 247, condenando a ação e denunciando seu propósito político: o de dinamitar a aliança política entre PT e PMDB. Alguns viram no artigo a tentativa de acobertar a corrupção. Outros, mais atentos, enxergaram o propósito de desvelar o que há por trás de muitas operações da PF: um interesse político não revelado.
Por que ser candidato
Concorrer em São Paulo em 2012 será mais difícil para José Serra do que foi em 2004, quando ele derrotou Marta Suplicy. Desta vez, as pesquisas a colocam na frente e o pêndulo da rejeição se inverteu: a dele cresceu; a dela diminuiu.
Por isso mesmo é que muitos expoentes da Prefeitura de São Paulo e do novo PSD, o partido de seu aliado, Gilberto Kassab, gostariam que ele não fosse candidato. Há quem diga até que Kassab gostaria de aproximar mais e mais seu partido do bloco governista. Também na semana passada, o presidente nacional do PSDB, Sérgio Guerra, veio a São Paulo para dizer publicamente que Serra não será candidato.
Mas, na política, o que se diz quase sempre não acontece. E Serra terá de ser candidato por uma razão simples: qual será seu futuro político se ele ficar sem mandato até 2014? O que se agrava ainda mais quando seu próprio partido lhe dá pouco espaço – na última convenção nacional, ele não teve a presidência, nem a secretaria geral nem mesmo o comando do Instituto Teotônio Vilella. Para quem se despediu dos eleitores, na derrota presidencial de 2010, com um “até breve”, seria muito tempo de ostracismo.
Outro sinal de que Serra se movimenta rumo à disputa de 2012 em São Paulo foi o perfil recentemente publicado de Gabriel Chalita na mesma revista Veja. Um texto de uma malvadeza raras vezes vista na revista – e bem feminina, por sinal. A quem Chalita atribui esse perfil? Adivinhem.
Pesos-pesados ou pesos-pena?
Eleições para a Prefeitura de São Paulo sempre envolveram pesos-pesados da política. Nomes como Jânio Quadros, Fernando Henrique Cardoso, Paulo Maluf, Mario Covas, Marta Suplicy e o próprio José Serra.
Embora a prefeitura hoje esteja nas mãos do PSD de Kassab, o “serrismo” é sócio da administração. Aliás, vários nomes que pularam do PSDB para o PSD foram de figuras próximas a Serra. Portanto, não há nada mais ingênuo do que imaginar que o PSDB entrará no ringue em 2012 com neófitos em disputas eleitorais como Bruno Covas ou Andrea Matarazzo.
Será um jogo pesado, o que já fica explícito nas movimentações iniciais da campanha, como a Operação Voucher.
Leonardo Attuch - 247
By: Limpinho & Cheiroso
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Ao contrário de Cantanhêde, milico golpista afirma que Jobim "já foi tarde"

A queda de Nelson Jobim do Ministério da Defesa, no último dia 4, trouxe à tona o ressentimento de oficiais das Forças Armadas com supostas humilhações impostas a militares pelo ex-chefe.
Um artigo do golpista reformado Luiz Gonzaga Schroeder Lessa, ex-presidente do Clube do Militar Fascista, expõe mágoas da caserna e afirma que o ex-ministro tinha "psicótica necessidade de se fantasiar de militar" e "já vai tarde".
O texto foi publicado no site da Academia Brasileira de Defesa dos Interesses Estrangeiros e circula desde o fim de semana em blogs de militares de ultra-direita.


~O ~

Carta ao Senhor Jobim
Luiz Gonzaga Schroeder Lessa
12 de agosto de 2011
Como era natural, o senhor se foi, sem traumas, sem solavancos, substituído quase que por telefone, não durando mais do que cinco minutos o seu despacho de despedida com a presidente, que, de forma providencial, já tinha até o seu substituto definido. Surpreso? Nem tanto.
Substituição aceita com a maior naturalidade, pois ela é parte da rotina militar.
O senhor talvez esperasse adesões e simpatias que não ocorreram, primeiro, pela disciplina castrense e, depois, pelo desgaste acumulado ao longo dos seus trágicos 4 anos de investidura no cargo de ministro da defesa. E como um dia é da caça e outro do caçador, o senhor foi expelido do cargo de forma vergonhosa, ácida, quase sem consideração a sua pessoa, repetindo os atos que tantas vezes praticou com exemplares militares que tiveram, por dever de ofício, a desventura de servir no seu ministério (veja que omiti a palavra comando, porque o senhor nunca os comandou).
O desabafo à revista Piauí, gota d’água para a sua saída, retrata com fidelidade e até mesmo estupefação o seu ego avassalador, que julgava estar acima de tudo e de todos, a prepotência, a arrogância e a afetada intimidade com os seus colaboradores no trato dos assuntos funcionais, o desconhecimento dos preceitos da ética e do comportamento militar, a psicótica necessidade de se fantasiar de militar, envergando uniformes que não lhe cabiam não apenas por seu tamanho desproporcional, mas, também, pela carência de virtudes básicas, como se um oficial-general se fizesse unicamente pelos uniformes, galões e insígnias que usa, esquecendo que a sua verdadeira autoridade emana dos longos anos de serviços prestados à Nação e da consideração e do respeito que nutre pelos seus camaradas. O senhor, de fato, nunca a entendeu e nunca foi compreendido e aceito pela tropa, por faltar-lhe um agregador essencial – a alma de Soldado.
Sua trajetória no Ministério da Defesa foi a mais retumbante desmistificação daquilo que prometeu realizar.
Infelizmente, as Forças Armadas ficaram piores, ainda mais enfraquecidas. Suas promessas de reaparelhamento e modernização não se realizaram. Continuam despreparadas para cumprir as suas missões e, na realidade, são forças desarmadas, só empregadas no cumprimento de missões policiais, muito aquém das suas responsabilidades constitucionais.
A Marinha poderá até apresentar um saldo positivo no seu programa de submarinos, mas a força de superfície está acabada, necessitando de urgente renovação, que não veio. A Aeronáutica prossegue sonhando com os modernos caças com que lhe acenaram, programa que desafia a paciência e aguarda por mais de 10 anos. O Exército parece ser o que se encontra em pior situação no tocante ao seu equipamento e armamento, na quase totalidade com mais de 50 anos de uso. Nem mesmo o seu armamento básico, o fuzil, teve substituto à altura. Evolução tecnológica, praticamente, nenhuma. O crônico problema salarial que, por anos, atormenta e inferioriza os militares que são tratados quase como párias, não teve uma programação que pretendesse amenizá-lo. A Comissão da Verdade, em face da sua dúbia atitude, é obra inconclusa, que tende a se agravar como perigoso fator desagregador da unidade nacional.
O que fez o senhor ao longo desses quatro últimos anos para reverter essa situação, Sr Jobim. Nada! Só palavrório, discursos vazios, promessas que não se cumpriram, enganações e mais enganações. Mas sempre teve a paciência, a lealdade e a fidelidade dos Comandantes de Força.
A Estratégia Nacional de Defesa é o maior embuste que tenta vender. Megalômana, sem prazos e recursos financeiros delimitados por específicos programas governamentais, é um documento político para ser usado ou descartado ao sabor das circunstâncias, como atualmente ocorre, quando é vítima dos severos cortes orçamentários impostos às Forças Armadas, que inviabilizam os seus sonhos de modernização. Mal sobram recursos necessários para a sua vida vegetativa.
O caos aéreo que prometeu reverter com a modernização da infraestrutura aeroportuária só fez crescer e ameaça ficar fora de controle.
Você (como gosta de chamar os seus oficiais-generais) foi um embuste, Jobim.
Por tudo de mal que fez à Nação, enganando-a sobre o real estado das Forças Armadas, já vai tarde. Vamos ficar livres das suas baboseiras, das suas palavras ao vento, das suas falácias, das suas pretensões de efetivamente comandar as Forças Armadas, mesmo que para isso tivesse que usurpar os limites constitucionais.
Você parte amargando a compreensão de que nada mais foi do que um funcionário ad nutum, como todos os demais, demitido por extrapolar os limi-tes das suas atribuições. A contragosto, é forçado a admitir que o verdadeiro comandante das Forças Armadas é a Presidente Dilma que, sem cerimônia, não tem delegado essa honrosa missão exercendo-a, por direito e de fato, na plenitude da sua competência.
Você acusou o golpe. Não teve, nem sequer, a disposição de transmitir o cargo que exerceu. Faceta da sua personalidade que a história saberá julgar.
Como no Brasil tudo o que está ruim pode ficar ainda pior, vamos ter que aturar o embaixador Amorim, que por longos 8 anos deslustrou o Itamaraty e comprometeu a nossa tradicional e competente diplomacia. Sem afinidade com as Forças, alheio aos seus problemas e necessidades mais prementes, com notória orientação esquerdista, só o tempo dirá se a sua indicação valeu a pena.
No fundo, creio mesmo que só ao Senhor dos Exércitos caberá cuidar das nossas Forças Armadas.
1) O autor é General-de-Exército, Ex-Presidente do Clube Militar e Membro Fundador da Academia Brasileira de Defesa.
2) As matérias assinadas são de responsabilidade de seus autores e não representam, necessariamente, o pensamento da ABD.
~ O ~
“Crítica são típicas de generais de pijama”
Líder do PT no Senado, Humberto Costa rebate críticas do general da reserva Luiz Gonzaga Lessa a Nelson Jobim e Celso Amorim; Vaccarezza nem quis comentar as declarações do militar
“Crítica são típicas de generais de pijama”, respondeu o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), às duras palavras do general da reserva Luiz Gonzaga Schroeder Lessa contra o ex-ministro da Defesa Nelson Jobim e ao atual ministro, Celso Amorim, divulgadas em carta publicada na revista da Associação Brasileira de Defesa. A verborragia do general também foi desqualificada por líderes do PMDB.
Sob o título de Carta ao Senhor Jobim, Lessa afirmou que o ex-ministro foi “expelido do cargo de forma vergonhosa, ácida e quase sem consideração”, da mesma forma que, segundo o general da reversa, Jobim tratou com militares. “Você foi um embuste, Jobim”, afirmou.
Para Lessa, Jobim tem “ego avassalador”, “prepotência” e “arrogância”. O ex-presidente do Clube Militar, que reúne alas conversadores dos militares na reserva, mostrou ressentimento pelas vezes em que Jobim usou farda militar. “O senhor (Jobim), de fato, nunca a entendeu e nunca foi compreendido e aceito pela tropa, por faltar-lhe um agregador essencial, a alma do soldado”, disse. “Por tudo de mal que fez à Nação, enganando-a sobre o real estado das Forças Armadas, já vai tarde”, declarou Lessa.
Para Humberto Costa, as palavras revelam que o “pensamento conservador” continua forte entre os “que estão fora da caverna”, mas não evidenciam uma crise latente no Ministério da Defesa. “É um pensamento isolado nas Forças Armadas. São críticas agressivas e injustas, típicas de general de pijama”, disse o líder do PT.
Costa minimizou as críticas de Lessa a Celso Amorim. Para o general, o ex-ministro das Relações Exteriores “deslustrou o Itamaraty” e “comprometeu” a diplomacia brasileira. “Sem afinidade com as Forças, alheio aos seus problemas e necessidades mais prementes, com notória orientação esquerdista, só o tempo dirá se a sua indicação valeu a pena”, declarou Lessa.
“As críticas a Amorim foram fracas, a intenção dele era atacar o Jobim”, avaliou o líder do PT. Para Costa, as palavras do general da reserva não representam uma mensagem de que militares não se subordinam a ministros civis. “Desde a criação do Ministério da Defesa, não tem tido nenhum problema de insubordinação. Já há uma cultura de aceitação desse modelos, que é o melhor possível para integração das Forças”, disse.
Um integrante da cúpula do PMDB não quis comentar a carta e reservou-se a declarar que as palavras revelam “ressentimento” e “saudosismo”. Segundo assessores, Jobim não se importa com cartas desse tipo. O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), preferiu não comentar as declarações.
Evam Sena - Brasil247 e Esquerdopata
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