7 de ago de 2011

Serra abre consultoria em São Paulo

O ex-governador José Serra (PSDB) abriu uma empresa de consultoria, somando-se ao grupo de políticos que, sem cargo eletivo, ingressaram na prestação de serviço para a iniciativa privada. Candidato derrotado à Presidência da República em 2010, o tucano registrou na Junta Comercial de São Paulo a Apecs Consultoria e Assessoria em Gestão Empresarial há quase quatro meses, para dar palestras e coordenar a publicação de artigos. Serra escreve quinzenalmente para o jornal O Estado de S. Paulo.
A empresa, uma sociedade limitada, ocupa um conjunto em um prédio comercial na Rua Artur de Azevedo, em Pinheiros, na zona oeste da capital paulista.
De acordo com dados da Junta Comercial, o objeto social da Apecs são atividades de consultoria em gestão empresarial, exceto consultoria técnica específica, edição de livros, serviços de organização de feiras, congressos, exposições e festas. Também aparecem como área de atuação da empresa atividades de apoio à educação.
Serra tem como sócio na Apecs, sigla de Análise Perspectiva Econômica e Social, o economista Gesner Oliveira, que foi presidente da Sabesp durante a gestão do tucano no governo de São Paulo (2007-2010). Gesner também foi presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
Produção
A empresa foi fundada no dia 12 de abril deste ano, com um capital social de R$ 10 mil. Serra aparece como sócio, administrador da Apecs e responsável por assinar pela empresa, com participação de R$ 9,9 mil. Gesner é sócio minoritário, com uma participação simbólica de R$ 100. Ele é dono da G.O. Associados, que presta consultoria principalmente na área de regulação econômica e de gestão ambiental.
Procurado para comentar as atividades da Apecs, Serra disse, por meio de sua assessoria de imprensa, que precisa de uma empresa privada para receber por sua produção intelectual.
(Produção intelectual?)
(Produção intelectual?)
(Produção intelectual?)
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Organizações Globo chutam os princípios editoriais no 1º minuto do 1º tempo

Muito já foi dito sobre os princípios editoriais das Organizações Globo, e todos os textos que li confrontam a realidade com os princípios divulgados. Eu creio que nunca a expressão “faça o que eu digo, não faça o que eu faço” fez tanto sentido assim. Mas até cheguei a pensar que a partir dos princípios divulgados, a Globo iria maneirar um pouco, ou quem sabe esperar sair o link dos princípios antes de manipular novamente. Puro engano! Poucas horas depois a Globo atacou novamente.
Reparem na matéria que eu destaquei em vermelho: “Loteada por partidos, Conab vira alvo da CGU: PMDB e PT dominam cargos na companhia de abastecimento
Tenha em mente os partidos PT e PMDB.
Agora vejam, ao clicar no link da página principal, aparece a segunte matéria: “Loteada por PMDB e PTB, Conab é alvo da CGU
Perceberam a manipulação? O ódio que o Partido da Imprensa Golpista nutre por Lula e o PT é tão grande, que os cães raivosos mudam até o nome de partidos para conseguir atacar.
Se você ler a matéria, não há qualquer menção ao Partido dos Trabalhadores. Mas o estrago já está feito, os comentaristas do site já caíram na manipulação
Porra Globo! Assim fica difícil de acreditar, né?
Novidade: Fiz uma busca pelo site da Folha e lá a matéria se chama: “Agricultura vira cabide de emprego da cúpula do PMDB”. O estranho é que a matéria não cita o PTB ou o PT. Será que até sobre o envolvimento do PTB a Globo mentiu?
Twitter: @Porra_Serra_ e @Porra_Aecio
By: DilmaPresidente @Porra_Serra
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Mello: a Globo não respeita merendeiros?

Brigadeiro não respeitava marmiteiros:
apanhou nas urnas
O brigadeiro Eduardo Gomes perdeu uma eleição à Presidência da República por ter dito que “não precisava do voto dos marmiteiros”. A informação espalhou-se rapidamente pelo Brasil, numa época em que não havia TV nem internet. E o brigadeiro, candidato da UDN, ficou com o rótulo de elitista.
A velha UDN detestava Vargas e o trabalhismo. A nova UDN (PSDB-DEM, em parceria com Globo/Folha/Veja) detesta Lula e o trabalhismo do século 21.
Por que lembro dessa história? Porque o blog do Mello acaba de publicar um vídeo eloquente. No mesmo dia em que divulgou a nova “Declaração de Princípios” (hehehehe!) do jornalismo dirigido por Ali Kamel, o “JN” levou ao ar reportagem que contraria o código. É simples, didático, a mostrar o grau de hipocrisia dessa turma.
Confira aqui o vídeo publicado pelo Blog do Mello.
Sobre a tal “Declaração de Princípios” da Globo, Azenha lembrou no “VioMundo” outra declaração desse tipo: foi em 89 – ano em que, como se sabe, a Globo NÃO ajudou Collor a se eleger. Não, aquilo foi miragem.
A manipulação no jornalismo global (a despeito da qualidade técnica, e do esforço de dezenas de colegas jornalistas a quem respeito e admiro) não existe. É feito o racismo no Brasil: não existe!
Curioso que, seis meses depois de uma eleição em que a Globo de Ali Kamel foi derrotada pela segunda vez (a primeira foi em 2006), a emissora venha a público com esse “Manual de boas condutas”. Esse manual estava em vigor no dia da “reportagem da bolinha de papel”?
Hum…
Fiquemos assim: esse manual vale pra tudo, menos para reportagens que envolvam merendeiros e lideranças de origem trabalhista.
É isso?
Rodrigo Vianna
By: Escrevinhador
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História desmente "princípios" da Globo

Talvez incomodada com a queda de audiência da sua emissora e com o declínio da tiragem do seu jornal, as Organizações Globo divulgaram ontem, com grande estardalhaço, um longo e enfadonho documento com os seus "princípios editoriais". Não há qualquer autocrítica sobre a sua longa trajetória. A Rede Globo é ótima, maravilhosa. O império midiático só perde o posto de "deus-supremo" para Murdoch.
É interessante observar que, logo na abertura, a arrogante corporação tenta desqualificar a blogosfera e as redes sociais. Ela faria um jornalismo "isento", "apartidário", de "qualidade"; já os internautas fariam "propaganda política". Para atazanar os filhos do Marinho republico um texto de meados de 2007, que apresenta alguns "errinhos" da Globo que ferem os seus tais "princípios".
Alguns casos escabrosos da TV Globo
“Sim, eu uso o poder [da TV Globo], mas eu sempre faço isso patrioticamente, tentando corrigir as coisas, buscando os melhores caminhos para o país e seus estados”. (Roberto Marinho).
A tentativa de manipulação dos resultados das eleições presidenciais de 2006 não é o único caso escabroso que justifica a reflexão crítica sobre o papel da TV Globo, agora em discussão devido ao fim do prazo da sua concessão pública em 5 de outubro. Na sua longa história, esta poderosa emissora já cometeu várias outras barbaridades na sua cobertura de importantes fatos políticos do país. Com base num levantamento do professor Venício de Lima, exposto no livro “Mídia, crise política e poder no Brasil”, destacamos outros três episódios reveladores do péssimo jornalismo praticado por esta corporação midiática, sempre a serviço dos interesses das classes dominantes.
Como aponta o autor na abertura do ensaio, o que distingue a TV Globo de outras redes privadas e comerciais é que, “sob o comando de Roberto Marinho, ao longo dos anos da ditadura militar, ela se transformaria em uma das maiores, mais lucrativas e mais poderosas redes de televisão do planeta. Outorgada durante o governo de Juscelino Kubitschek (1958) e inaugurada em 1965, a TV Globo do Rio de Janeiro, junto às suas outras concessões de televisão, viria a constituir uma rede nacional de emissoras próprias e afiliadas que, não só por sua centralidade na construção das representações sociais dominantes, mas pelo grau de interferência direta que passou a exercer, foi ator decisivo em vários momentos da história política do Brasil nas últimas décadas”.
A fraude contra Brizola
O primeiro caso lembrado por Venício de Lima ocorreu em 1982, já na fase de agonia do regime militar. Leonel Brizola, que retornou do seu longo exílio em 1979, candidatou-se ao governo do Rio de Janeiro. Sua candidatura não agradou à ditadura nem à direção da TV Globo – conforme denunciou um ex-executivo da empresa, Homero Sanchez. Segundo ele, Roberto Irineu Marinho, filho do dono e um dos quatro homens fortes da corporação, havia assumido o compromisso com o candidato do regime, Moreira Franco. Foi montado um esquema para fraudar a contagem dos votos através da empresa Proconsult, cujo programador era um oficial da reversa do Exército.
Nesta trama macabra, a TV Globo ficou com o encargo de manipular a divulgação da apuração. Mas, já prevendo a fraude, foi montado um esquema paralelo de apuração, organizado por uma empresa rival, o Jornal do Brasil. A armação criminosa foi desmascarada, Leonel Brizola foi eleito governador e a poderosa Rede Globo ficou desmoralizada na sociedade. Até o jornal Folha de S.Paulo criticou “esta grave e inédita” maracutaia. “O verdadeiro fiasco em que se envolveu a Rede Globo de Televisão durante a fase inicial das apurações no Rio de Janeiro torna ainda mais presentes as inquietações quanto ao papel da chamada mídia eletrônica no Brasil”, alertou.
Passadas as eleições, mesmo desmoralizada, a Globo continuou a fazer campanha feroz contra o governador Leonel Brizola, democraticamente eleito pelo povo. Ela procurou vender a imagem de que ele era culpado pelo aumento da criminalidade e, sem provas, tentou associá-lo ao mundo do crime. Numa entrevista ao jornal The New York Times, em 1987, o próprio Roberto Marinho confessou essa ilegal manipulação. “Em determinado momento, me convenci de que o Sr. Leonel Brizola era um mau governador. Ele transformou a cidade maravilhosa que é o Rio de Janeiro numa cidade de mendigos e vendedores ambulantes. Passei a considerar o Sr. Brizola daninho e perigoso e lutei contra ele. Realmente, usei todas as possibilidades para derrotá-lo”.
Sabotagem das Diretas-Já
Em 1983, com a ditadura já cambaleante, cresceu a rejeição dos brasileiros contra a excrescência do Colégio Eleitoral, que escolhia de forma indireta e autoritária o presidente da República. O jovem deputado federal Dante de Oliveira apresentou uma emenda constitucional fixando a eleição direta a partir de 1985. Os militares reagiram. “A campanha pela eleição direta reveste-se, agora, de caráter meramente perturbador”, esbravejou o presidente-general João Batista Figueiredo. Apesar desta reação aterrorizante, milhões de pessoas começaram a sair às ruas para exigir o democrático direito de votar, na campanha que ficou conhecida como das Diretas-Já.
A TV Globo, totalmente ligada à ditadura, simplesmente ignorou as gigantescas manifestações. Chegou a rejeitar matéria paga sobre o protesto das Diretas-Já em Curitiba. Até duas semanas antes da votação da Emenda Dante Oliveira ela não divulgou nenhum dos eventos da campanha, que reunia centenas de milhares de brasileiros. No comício de São Paulo, em 25 de janeiro de 1984, ela só aceitou noticiar o ato, que juntou 300 mil pessoas, após conversa reservada entre o presidente do PMDB, Ulysses Guimarães, e o chefão Roberto Marinho. Mesmo assim, registrou o comício de maneira distorcida, como se fosse parte da comemoração do aniversário da cidade.
Somente quando percebeu o forte desgaste na sociedade, com os manifestantes aos gritos de “o povo não é bobo, fora Rede Globo”, a emissora começou a tratar da campanha – já na reta final da votação da emenda, em 25 de abril. Novamente, Roberto Marinho confessou seu crime numa entrevista. “Achamos que os comícios pró-diretas poderiam representar um fator de inquietação nacional e, por isso, realizamos apenas reportagens regionais. Mas a paixão popular foi tamanha que resolvemos tratar o assunto em rede nacional”. O “deus todo-poderoso” foi obrigado a ceder.
O ministro da TV Globo
Venício de Lima também relata o curioso episódio da nomeação do ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega, em 1988, o que confirma o poder da Rede Globo para indicar e derrubar autoridades do governo e para interferir, de maneira indevida e inconstitucional, nos rumos do Brasil. Numa entrevista à revista Playboy, o próprio descreveu que a sua indicação foi fruto de uma negociação entre Roberto Marinho e o presidente da República José Sarney – que, por acaso, já controlava a mídia no Maranhão, possuindo uma afiliada da TV Globo no estado. Ainda como secretário do governo, num cargo subalterno, Maílson da Nóbrega recebeu um telefone emblemático.
“No dia 5 de janeiro, o presidente me ligou perguntando: ‘O senhor teria problemas em trocar umas idéias com o Roberto Marinho?’. Respondi: ‘De jeito nenhum, sou um admirador dele e até gostaria de ter essa oportunidade’... A Globo tinha um escritório em Brasília. Fui lá e fiquei mais de duas horas com o doutor Roberto Marinho. Ele me perguntou sobre tudo, parecia que estava sendo sabatinado. Terminada a conversa, falou: ‘Gostei muito, estou impressionado’. De volta ao ministério, entro no gabinete e aparece a secretária: ‘Parabéns, o senhor é o ministro da Fazenda’. Perguntei: ‘Como assim?’. E ela: ‘Deu no plantão da Globo [no Jornal Nacional]”.
Da mesma forma como indicou, o poderoso Marinho também derrubou o ministro, segundo sua interpretação. “Um belo dia, o jornal O Globo me demitiu. Deu na manchete: ‘Inflação derruba Maílson, o interino que durou vinte meses”, descreve o ex-ministro, que arremata. “Isso teve origem num projeto de exportação de casas pré-fabricadas, para pagamento com títulos da dívida externa, que o Ministério da Fazenda vetou. O doutor Roberto Marinho tinha participação neste negócio... O fato é que O Globo começou a fazer editoriais contra o Ministério da Fazenda”.
Lista extensa de crimes
No livro “Roberto Marinho”, escrito pelo bajulador Pedro Bial, alguns entrevistados, inclusive o ex-presidente José Sarney, afirmam que era comum o dono da TV Globo ser consultado sobre a escolha de ministros. Pedro Bial, como fiel servidor da emissora, considera “natural que, na hora de escolher seus ministros, o presidente [Tancredo Neves] submeta os seus nomes, um a um, ao dono da Globo”. No recente livro “Sobre formigas e a cigarras”, o ex-ministro Antonio Palocci também relata que consultou a direção da empresa sobre a famosa “carta aos brasileiros”, na qual o candidato Lula se comprometia a não romper os contratos com as corporações capitalistas.
Na prática, este império interfere ativamente na vida política nacional, seja através de coberturas manipuladas ou de negociadas de bastidores – nas quais ameaça com o seu poder de “persuasão”. Além dos três casos escabrosos, Venício de Lima cita outras ingerências indevidas da TV Globo: “papel de legitimadora do regime militar”; “autocensura interna na cobertura da primeira greve de petroleiros, em 1983”; “ação coordenada na Constituinte de 1987/1988”; “apoio a Fernando Collor de Mello, expresso, sobretudo, na reedição do último debate entre candidatos no segundo turno de 1989”; “apoio à eleição e reeleição de FHC”; “até seu papel de ‘fiel da balança’ na crise política de 2005-2006”, contra o presidente Lula. A lista dos crimes é bem extensa.

Altamiro Borges
By: Blog do Miro
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Nóis trupeça mais não cai

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A Cara do Governo

Ao longo destes primeiros meses do ano, o governo Dilma passou por várias e importantes mudanças. Maiores, provavelmente, do que todos esperavam.
Surpreende tanto quem o aprova, quanto quem desgosta dele. Em pequenas e grandes coisas.
Quando, ano passado, se discutia a cara que teria um possível governo Dilma, o que se imaginava era que seria um governo Lula sem o próprio. Uma experiência de “rotinização do carisma”, para usar um conceito proposto pelo sociólogo alemão Max Weber, mestre de Fernando Henrique Cardoso.
(A ideia tinha sido formulada por Weber para dar conta dos processos de sucessão nas situações em que o fundamento da autoridade é o carisma. Com a saída de cena do líder, como substituí-lo por alguém sem seus atributos excepcionais? Se é, essencialmente, pessoal, como transferi-lo? Somente através de algo paradoxal: rotinizar o extraordinário.)
Para a oposição, Dilma era fraca e não teria condições políticas e apoio partidário para fazer um governo à sua semelhança. Daí, imaginaram que ela presidiria (pouco mais que cerimonialmente) um governo 100% dominado pelo PT, no qual as diversas correntes do partido se digladiariam em busca da hegemonia. A começar pelo “PT do Lula”, sua principal tendência hoje em dia.
Com isso, o que se dizia é que ela, no fundo, continuaria a ser a gerente de Lula que tinha sido nos últimos quatro anos, incapaz de imprimir marca pessoal ao governo. Que o governo Dilma não teria nada de novo a dizer.
Entre seus eleitores e no bloco governista, apesar da torcida em favor, as expectativas terminavam por não ser muito diferentes. A defesa da continuidade, que a elegera, explicava porque não se deviam esperar novidades. Só que isso não era considerado ruim, pelo contrário.
Para os simpatizantes, o governo Dilma seria um “aprofundamento” do antecessor: prosseguiria o que tinha sido iniciado, ajustaria programas e os administraria com mais dedicação e empenho.
A manutenção de muitos nomes da equipe de Lula foi lida como uma sinalização de que esses cálculos estavam corretos. O tom lulista do ministério confirmava que quase nada iria mudar.
Hoje, ninguém (a sério) acha isso. Muita coisa mudou.
Para Dilma, não houve o dia de atravessar o Rubicão. Ou gesto heróico, manifestação grandiloquente. Não convocou a imprensa, não fez pronunciamento em rede nacional.
Mas, aos poucos, foi fazendo um governo diferente do imaginado.
Isso vale para a formação e o conteúdo do governo. Em lugares chave, ela se desvencilhou de colaboradores que a atrapalhavam, sem se deixar paralisar pelos vínculos que tinham com o ex-presidente. As demissões de Palocci e Jobim, que muitos (talvez eles mesmos) julgavam imexíveis, foram exemplares.
Em termos programáticos, o governo está encontrando sua fisionomia. Na política financeira e monetária, ficaram alguns atores, mas o enredo mudou. Como, aliás, estava claro desde cedo, com a saída de Meirelles do Banco Central.
A política industrial anunciada esta semana é uma inovação, que nada (ou muito pouco) tem a ver com o que foi feito por Lula. O programa a ela dedicado, chamado Brasil Maior, atende reivindicações da indústria que ficaram sem resposta durante anos.
Onde a marca de Lula é mais forte, nas políticas de transferência de renda, um programa recém criado, o Brasil Sem Miséria, pretende fazer uma revolução. Medidas de grande alcance na área da saúde estão no estaleiro. Vão mudar as políticas que lidam com a principal preocupação da população.
Com sua gente, fazendo a seu modo as suas coisas, Dilma realiza um governo inesperado. Sua disposição de enfrentar os focos de corrupção espalhados na administração é o símbolo mais visível do que está em curso.
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
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Uma saída

Fora os falsários, só americanos podem imprimir dólar. E o dólar, apesar de combalido, ainda é a moeda padrão do mundo. É por isso que letras do tesouro americano são os títulos preferidos de investidores internacionais. E é por isso que os mais nervosos com a possibilidade de os Estados Unidos darem um balão na praça, inclusive não honrando suas letras do tesouro, não eram os americanos. Eram os chineses, seus maiores credores.
Pode-se até imaginar uma reunião de emergência do comitê central do partido comunista chinês para discutir a crise americana.
— Mas que capitalismo de araque é esse?
(Nota: a palavra usada não foi "araque".)
— Em que mundo vivemos, se não se pode mais confiar nem no tesouro americano?!
— Foi para isso que fizemos a Longa Marcha com Mao, sacrificamos milhões de chineses, industrializamos o país na marra, invadimos as lojas 1,99 do mundo com os nossos produtos? Para botar nosso dinheiro na mão de irresponsáveis?
— Há uma real possibilidade de nos darem um calote, se não se entenderem. Será nossa ruína. Onde estão a ética nos negócios e a moral cristã quando precisamos dela?
— Temos que nos defender.
— Há uma saída.
— Qual?
— Executamos a divida. Eles não têm como pagar, portanto não têm como recusar nossa oferta.
— Você quer dizer...
— Sim. Compramos os Estados Unidos.
— Hmm. Pode dar certo.
— Substituímos o moreno por um presidente permanente e um comitê central. Acabamos com essa frescura de dois partidos, responsáveis pela lambança atual, e instalamos um partido único com plenos poderes. E damos um jeito na economia deles. Não somos o maior exemplo de economia de mercado bem-sucedida no mundo, hoje? Vamos mostrar a esses americanos como se faz capitalismo de verdade.
— Grande. E teremos outra vantagem, comprando os Estados Unidos.
— Sei o que você vai dizer. A Julia Roberts será nossa.
— Melhor do que isso.
— O que?
— Vamos poder imprimir dólar!
Luís Fernando Veríssimo
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Charge do Chico Caruso

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Os salários dos procuradores da prefeitura de São Paulo

Procuradores da Prefeitura ganham supersalários de até R$ 76,3 mil Valor pago a 140 dos 282 advogados do Município é maior que remuneração de ministros do STF, teto constitucional do funcionalismo
Mais da metade dos 282 procuradores da Prefeitura de São Paulo recebem supersalários de mais de R$ 26.723,13, limite máximo estabelecido pela Constituição para o funcionalismo brasileiro. Somando todas as gratificações e honorários, 140 advogados do Município ganharam mais que ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) em junho. O maior salário é de uma procuradora nível III - o mais alto da carreira -, que recebeu R$ 76,3 mil no mês retrasado.
O levantamento foi feito pelo Estado a partir dos dados do site oficial "De Olho Nas Contas", referentes à folha de pagamento do mês de junho deste ano. Além dos casos de salários acima do teto constitucional, 113 procuradores recebem remuneração mensal maior que o teto estabelecido para a categoria pelo próprio prefeito Gilberto Kassab (sem partido) em abril deste ano, correspondente aos vencimentos de um desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo (R$ 24.117,62). Levando em conta apenas a remuneração mensal fixa, o maior salário é de R$ 31.624,37.
Existem duas principais explicações para os altos salários dos procuradores: os honorários que recebem quando conseguem vencer uma causa judicial para a Prefeitura e as verbas extras, como gratificações e indenizações. O recebimento dos honorários foi criado na década de 1980, mas uma série de batalhas judiciais vêm colocando em xeque esses pagamentos. Em 2005, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ), ao julgar um outro caso de supersalários, decidiu que os honorários advocatícios pertencem não aos procuradores, e sim "à própria administração pública".
Mesmo assim, órgãos como o Tribunal de Contas do Estado (TCE) continuam aceitando o pagamento das comissões e não houve decisão judicial final proibindo a prática na capital paulista. Os honorários - assim como várias verbas indenizatórias, vantagens pessoais e gratificações - ainda são utilizados para driblar a norma constitucional que proíbe funcionários do poder público de ganhar mais que ministros do STF.
Limite
As tentativas de se limitar o salário dos funcionários públicos brasileiros começaram há várias décadas e culminaram na Emenda Constitucional 41, aprovada em 2003. A proposta tentou blindar o uso de gratificações e auxílios-paletó e proíbe que remunerações "de qualquer outra natureza" ultrapassem o teto de R$ 26,7 mil. Mas ainda há leis utilizadas para driblar esse cálculo em todos os três poderes e não houve um entendimento final do STF sobre a regra. Outra explicação para os supersalários são os benefícios já incorporados ao salário antes da aprovação da emenda.
"Existe uma regra que diz que nem lei nem emenda constitucional pode afligir um direito já atingido. Por isso, a pessoa que já adquiriu o direito a alguma remuneração antes de 2003 continua ganhando", diz Floriano de Azevedo Marques, professor de Direito Administrativo na Universidade de São Paulo.
Penduricalhos
Turbinado por todos esses benefícios somados, o vencimento dos procuradores ultrapassa até o salário do prefeito. No total, 80 procuradores receberam em junho mais de R$ 30 mil, salário superior aos R$ 24 mil que Kassab vai receber a partir de 1.º de janeiro do ano que vem. Quinze deles ainda vão além - receberam holerites de mais de R$ 40 mil no último mês.
Apenas 18 procuradores entre os 282 do Município receberam menos de R$ 20 mil em junho. Não à toa a carreira é uma das mais cobiçadas no meio jurídico. No último concurso público realizado em 2008 pela Fundação Carlos Chagas, mais de 10 mil candidatos disputaram 30 vagas de procurador com salário inicial de R$ 9,7 mil.
Mas, com todas as gratificações e honorários, o menor salário pago atualmente entre os 282 procuradores é de R$ 18,4 mil - quase o dobro do piso. Os 282 procuradores paulistanos custam R$ 92 milhões anuais aos cofres municipais.
''Somos uma categoria peculiar'', diz associação
Por e-mail, o presidente da Associação dos Procuradores Municipais de São Paulo, Carlos Figueiredo Mourão, disse que os vencimentos dos procuradores municipais possuem respaldo jurídico e os que ganham acima do teto podem estar "agasalhados por decisões judiciais transitadas em julgado, recebendo valores indenizatórios ou até o abono de permanência pela não aposentadoria".
Para ele, procuradores "se submetem a uma categoria jurídico-constitucional peculiar".
"Os valores apontados como remuneração total podem incluir verbas não sujeitas ao teto, como aquelas de caráter indenizatório (como auxílio-refeição e indenização de férias não gozadas, auxílio-funeral) e verbas de ordem pessoal", informou. "É importante verificar a garantia constitucional de irredutibilidade de vencimentos que veda a aplicação do teto de forma imediata àqueles servidores que já recebiam valores superiores, tal como reconhecido aos magistrados e membros do Ministério Público (Estadual)."
Em nota, a Prefeitura se limitou a dizer que estabeleceu teto de R$ 24.117,62 para o funcionalismo, mas procuradores possuem "eventuais verbas de caráter indenizatório previstas em lei".
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Chico Bicudo: Globo passa recibo para a blogosfera

Conhecendo um pouco de televisão sei que um editorial imenso como o que foi lido ontem no JN e depois publicado no portal da Globo não foi escrito da noite para o dia. O mistério é: por que ele foi lido ontem, coincidentemente um dia após o jornalista Rodrigo Vianna, do Blog do Escrevinhador, ter publicado uma séria denúncia cuja fonte era de um jornalista da própria emissora, afirmando que a ordem geral na Globo era atacar o novo ministro da Defesa, Celso Amorim, na tentativa de criar uma crise na caserna.
A pergunta que não quis calar ontem no twitter foi formulada pelo @mardruck:
Aos jornalistas: a Globo fez alguma cagada pra estar falando de seus princípios editoriais em horário nobre?
@mardruck
Pai Marcelo d'Oxóssi
A questão é por que só hoje as Organizações Globo divulgou e em horário nobre os seus princípios? a denúncia de @ tem a ver c/isso?(2
@maria_fro
Conceição Oliveira


Teria a Rede Globo passado novo recibo para a blogosfera?
@ sabe o que isso significa, né? Significa que aquele relato da fonte do @ sobre o clima lá dentro está confirmado!!
@vfarinelli
Victor Farinelli


Para o Chico Bicudo, no artigo que reproduzo abaixo, e para o restante do twitter sim, já que a expressão Organizações Globo foi parar nos TTs Brasil e Mundial em pouquíssimos minutos após o JN ir ao ar e permanece firme e forte nos TTs mais de 14 horas depois.

E a Globo, quem diria, rendeu-se à blogosfera
Por Chico Bicudo em seu blog
Quem diria… a vênus platinada acusou o golpe, teve de render-se aos ventos dos novos tempos e apressou-se em dar resposta a um texto que nasceu, cresceu, multiplicou-se e ganhou corpo e repercussão… na blogosfera! Claro, sem ufanismos, alcances e audiências continuam a ser gritantemente distintos, sem termos de comparação, com vantagem ainda enorme para a TV Globo. Mas foi-se o tempo do monopólio da verdade – e a gigante ardilosa do Jardim Botânico do Rio de Janeiro já não pode mais simplesmente ignorar o que se passa no andar de baixo, nesse mundinho virtual.
Para resgatar a linha do tempo: na sexta-feira, 05 de agosto, no blog “O Escrevinhador”, o jornalista Rodrigo Vianna, que conhece as entranhas do dito jornalismo global, publicou um texto (leia aqui) que citava uma fonte anônima da Globo que dizia ser cada vez mais insuportável trabalhar na emissora, por conta dos desmandos e das pressões, e revelava ainda que a ordem era bater firme no novo ministro da Defesa, Celso Amorim, que a vênus não suporta, para criar clima de instabilidade nas esferas militares.
Alertava Vianna: “o jornalista, com quem conversei há pouco por telefone, estava indignado: “é cada vez mais desanimador fazer jornalismo aqui”. Disse-me que a orientação é muito clara: os pauteiros devem buscar entrevistados – para o JN, Jornal da Globo e Bom dia Brasil – que comprovem a tese de que a escolha de Celso Amorim vai gerar “turbulência” no meio militar. Os repórteres já recebem a pauta assim, direcionada: o texto final das reportagens deve seguir essa linha. Não há escolha. Trata-se do velho jornalismo praticado na gestão de Ali Kamel: as “reportagens” devem comprovar as teses que partem da direção”.
Pois eis que, coincidência, 24 horas depois da circulação do texto (que se tornou um dos assuntos mais comentados nas redes sociais), a Globo veio a público, na edição do Jornal Nacional deste sábado, 06 de agosto, para cantar em verso e prosa um documento que estabelece “os princípios editoriais que norteiam o trabalho das redações das Organizações Globo”. A tal carta de intenções fala em “independência, isenção, correção, lealdade com a notícia e não sensacionalismo, garantia de contraponto” e reafirma que “para a Globo, não há assunto tabu”; faz questão também de reforçar o “espírito pluralista e apartidário”.
Logo na Introdução do documento, texto assinado pela santíssima trindade Roberto Irineu Marinho, João Roberto Marinho e José Roberto Marinho diz que ”com a consolidação da Era Digital, em que o indivíduo isolado tem facilmente acesso a uma audiência potencialmente ampla para divulgar o que quer que seja, nota-se certa confusão entre o que é ou não jornalismo, quem é ou não jornalista, como se deve ou não proceder quando se tem em mente produzir informação de qualidade”. O apelo parece claro, não? Só faltou dar nome aos bois e implorar “por favor, não acreditem no que andam por aí escrevendo o senhor Rodrigo Vianna e seus asseclas”.  Como escreveu o cineasta, jornalista e blogueiro Mauricio Caleiro no twitter, “declaração de princípios da Globo é vitória incontestável da blogosfera. Está na cara que é reação ao post do Rodrigo Vianna”.
Aliás, agora que a Globo resolveu mesmo fazer jornalismo, poderia estabelecer um mea culpa público a respeito do apoio irrestrito dado à ditadura militar e repudiar as versões históricas levianas que ajudou a construir e consolidar, usando seus pressupostos críticos e cidadãos para destacar a importância da Comissão da Verdade, certo? E, já que não existem mais assuntos tabus, poderia veicular algumas reportagens a respeito das negociações que resultaram nas assinaturas de contratos com os clubes brasileiros para garantir transmissões do Campeonato Brasileiro, não é mesmo? E que tal produzir uma série especial dedicada exclusivamente a debater as falcatruas na CBF e na FIFA? Ajudaria a começar essa “nova era”.
Tudo discurso vazio, jogo de cena. Sim, porque a mesma edição do JN silenciou sobre pesquisa feita pelo Instituto Datafolha e divulgada neste sábado que mostra que a aprovação do governo da presidenta Dilma Rousseff continua elevadíssima (48% de ótimo e bom, 39% de regular e apenas 11% de ruim ou péssimo), mesmo depois das turbulências e recentes denúncias de corrupção no Ministério dos Transportes. É, talvez tenha sido apenas um lapso… a Globo faz jornalismo “apartidário”…
Para além dos desvios jornalísticos globais, a mensagem que o episódio deixa é que a Globo não nada mais de braçada, não fala mais sozinha, não tem mais o poder que ousou acumular em décadas passadas. Entre 2000 e 2010, a audiência média do Jornal Nacional caiu mais de dez pontos percentuais (de 39,2% para 28,9%). Penso que um momento marcante recente e emblemático desse processo de decadência foi o episódio do “atentado com bolinha de papel” cometido contra José Serra na campanha presidencial do ano passado. A farsa tucana já tinha sido desmontada e desmentida na blogosfera. Mas, para tentar mantê-la, o Jornal Nacional usou cerca de nove minutos de uma de suas edições, recorrendo a depoimentos de “legistas especialistas”.
Ora, se a web fosse mesmo tão irrelevante, pouco importante, sem capacidade de irradiação e repercussão, sem impacto e condições de dialogar com a opinião pública de forma ampla, por que raios o telejornal de maior audiência da principal emissora do país precisaria ter usado quase dez minutos para contestar o que nas esferas virtuais se dizia? Por que gastar um tempo tão precioso e prestar atenção ao que inofensivos tuiteiros e blogueiros escreviam? Sinal evidente, me parece, de que havia algo de podre no reino do (superado) monopólio da verdade.
Para Antonio Lassance, cientista político e pesquisador do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), a velha mídia está derretendo. Exagero? Talvez. É certamente um processo complexo, longo, marcado por conflitos, idas e vindas, avanços e recuos. A Globo continua a ser extremamente poderosa, uma gigante da comunicação. Não vai deixar de sê-lo da noite para o dia, num passe de mágica. Por outro lado, parece evidente que já não é mais proprietária do samba de uma nota só. Há fraturas, diálogos e dissonâncias, contestações, resistências, outras versões – que em boa medida encontram-se na web (embora não residam apenas nela).
Sim, a blogosfera conversa o tempo inteiro com os descaminhos vividos pelo ser humano, de forma mais geral, e com os desvios de rota do jornalismo, mais especificamente. Não é o paraíso dos puros – nem o inferno dos demônios. Não estará equivocado assim quem disser que a internet abriga aventureiros, oportunistas, pilantras, gente que faz pseudo-jornalismo, e até mesmo criminosos. Mas acertará na mosca quem bancar que é possível encontrar na web matérias sérias e responsáveis, textos jornalísticos que levam à reflexão e que cumprem o papel de estabelecer contraponto e de prestar serviço público.
Na miscelânea chamada blogosfera, espaço democrático de contradições, há afinal bom exercício de jornalismo analítico sendo feito – que em alguns momentos, cada vez mais frequentes, consegue inclusive inverter a mão de direção. E pautar a agenda da velha mídia. Consegue incomodar a vênus platinada. Nessas horas, que falta faz o engenheiro Leonel Brizola…
No Maria Frô
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Rede Globo lança Código de Ética e o descumpre numa mesma edição do Jornal Nacional

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Charge online - Bessinha - # 735

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Israel vive masiva jornada de protestas en demanda de viviendas y justicia social

En todo Israel más de 300 mil personas solicitan mejoras en viviendas
Cerca de 250 mil israelíes se manifestaron este sábado por la noche en Tel Aviv y otras ciudades de Israel para reclamar justicia social, según datos de la policía. Entre otros asuntos reclaman por el precio exorbitante de la vivienda, los privilegios de los colonos y la degradación de la educación.
Estas manifestaciones, las mayores en la historia de Israel por cuestiones sociales, están consideradas como una prueba de la continuación del movimiento, que comenzó hace tres semanas y sigue creciendo.
Medios internacionales afirman que al menos 250 mil personas en todo el país se manifestaron, mientras que los la prensa local dice que son al menos 350 mil en búsqueda de la justicia social.
El portavoz de la policía, Micky Rosenfeld, estimó en "más de 200 mil el número de manifestantes en Tel Aviv y en 30 mil los congregados en Jerusalén", mientras seguían afluyendo personas al lugar de las protestas.
"El pueblo quiere justicia social", gritaban. Por primera vez también se sumó a las manifestaciones el sindicato Histradut. Durante la protesta, miles de personas intentaban llegar al punto central de encuentro a través de congestionadas calles laterales.
En una manifestación previa, celebrada la semana pasada, más de 100 mil personas habían desfilado en Tel Aviv y en varias ciudades israelíes.
Armados con banderas israelíes y algunas banderas rojas, los manifestantes de Tel Aviv coreaban: "el pueblo exige justicia social", "el pueblo contra el Gobierno".
Llevaban pancartas pidiendo "solidaridad" y un gran cartel con la inscripción "esto es Egipto", en referencia al movimiento popular que logró derrocar al presidente Hosni Mubarak.
El movimiento de protesta israelí, iniciado a mediados de julio contra el alza desenfrenada de los precios de la vivienda, moviliza principalmente a las clases medias.
Gobierno con oídos sordos
Entre las demandas de los manifestantes se encuentran la solicitud de la construcción masiva de viviendas de alquiler a bajo precio, el alza del salario mínimo, la imposición a los apartamentos desocupados y la escuela gratuita para todas las edades.
El primer ministro israelí, el conservador Benjamin Netanyahu, alimentó las protestas cuando el miércoles pasado logró que el Parlamento aprobara una ley para acelerar la construcción de viviendas, criticada por los manifestantes, que sostienen que sólo profundizará el problema de las viviendas demasiado grandes y, por lo tanto, demasiado caras.
Al mismo tiempo, Netanyahu rechazó las demandas de jardines maternales y de infantes gratuitos, así como más fondos para la educación y el fin de las privatizaciones.
"Netanyahu, escúchanos. Somos la sal de la tierra. Queremos cambios", dijo el presidente de la unión estudiantil Itzik Schmueli, en un discurso ante manifestantes en Tel Aviv. "Pero no necesitamos un cambio de la coalición elegida. Nosotros, los jóvenes, pedimos un cambio del terrible sistema económico", añadió Schmueli, que fue ovacionado.
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Fernando Henrique quer matar Lula

Fernando publicou hoje um artigo, “David e Golias”, onde faz uma boa análise do momento político e econômico do mundo. Diz ele, comentando a crise americana: “parece que as classes médias e os mais pobres querem gasto público maior e emprego mais abundante, os conservadores querem ortodoxia fiscal sem aumento de impostos, os muito ricos pouco se incomodam com o gasto social reduzido, desde que a propriedade de cada um continue intocável”. E acrescenta sobre a crise europeia: “Na Europa, as coisas não andam melhores. Cada solavanco da economia americana aumenta o contágio, esta doença internética: as taxas de juros cobrados dos países ultra-endividados vão para as nuvens. A rua se agita, não faltam movimentos dos ‘indignados’ que veem o povo sofrer as agruras do desemprego e da desesperança e ainda ser cobrado para que as contas se ajustem. E, naturalmente, como nos Estados Unidos, os que mais têm e os que mais especularam ou esbanjaram (inclusive governantes imprevidentes) balançam a poeira e querem dar a volta por cima. Esperam que mais aperto, mais rigidez no gasto público e menos salários resolvam o impasse. Não se estão dando conta de que a cada xis meses uma nova tormenta balança os equilíbrios instáveis alcançados”.
Até aí, tudo bem. FHC começa então a falar do nosso momento: “E nós aqui, nesta periferia gloriosa, a quantas andamos? Longe do olho do furacão, cantamos glória pelo que fizemos, pelo que de errado os outros fizeram e pelo que não fizemos, mas, pensamos, pouco importa, o vendaval do mundo varreu a riqueza de uma parte do globo para outra e nos beneficiou”. FHC lembra a necessidade de uma nova agenda – que já existiria, e “está exposta cotidianamente pela mídia”, mas que seria difícil de levar avante porque faltaria algo como “o antigo ideal americano, para conter as divergências, o choque de interesses, e guiar-nos para um patamar mais seguro, mais próspero e mais coeso como nação”. A partir daí FHC escorrega feio. O que poderia significar uma contribuição para compreensão e superação das dificuldades no jogo de poder inerente ao relacionamento executivo-legislativo esbarra no ego estilo Nelson Jobim que Fernando Henrique sempre leva a tiracolo. Angustiadíssimo por não ter sido o autor da frase “nunca antes na história deste país”, acaba lançando a culpa de tudo em Lula – o “predestinado”, como ele alfineta. Acusa: “o lulismo anestesiou qualquer crítica não só ao sistema mas a suas partes constitutivas”. Conclui que Dilma “é menos leniente com certas práticas condenáveis do sistema”. Mas “sem leniências e cumplicidades entre as várias partes, como obter apoios para a agenda necessária à modernização do país?” E em uma associação nem tão sutil de Dilma com David e de Lula com Golias justifica o título do seu artigo finalizando com: “não há dúvidas de que, para se desfazer da herança recebida, será preciso (...) refazer os sistemas de alianças. É luta para Davis e, no caso, Golias é pai de Davi”.
Fernando Henrique tira toda a significância do seu artigo unicamente movido pela inveja. E ele não pode esquecer que a inveja é mortal. Saul (verdadeiro “pai político” de David) por inveja bem que tentou matá-lo após a queda de Golias. Ao contrário do que acontece com Fernando Henrique, felizmente a inveja não faz parte do universo de Lula e Dilma.
Artigo completo:
DAVI E GOLIAS
Fernando Henrique Cardoso
Sem leniências, como obter apoio para a agenda necessária ao país?
A propósito do atual dilema americano, a secretária de Estado, Hillary Clinton, disse que pela primeira vez em muito tempo não havia um abismo tão grande entre poder, economia e sociedade. Pode parecer banal, mas não é: nos Estados Unidos, o “ideal americano” dava solidez para um caminho em comum para o país. Havia tensões, tendências mais progressistas chocavam-se com outras mais conservadoras, o grande business sempre quis controlar mais de perto o governo, os governos ora se inclinavam para atender aos reclamos das maiorias, ora assumiam a cara mais circunspecta de quem ouve as ponderações da ordem, da econômica em primeiro lugar. Mas, bem ou mal, liberdade, democracia, prosperidade e ação pública caminhavam mais ou menos em conjunto.
E agora, poderia perguntar perplexa a secretária de Estado? Agora, digo eu, parece que as classes médias e os mais pobres querem gasto público maior e emprego mais abundante, os conservadores querem ortodoxia fiscal sem aumento de impostos, os muito ricos pouco se incomodam com o gasto social reduzido, desde que a propriedade de cada um continue intocável. No meio de tudo isso, a crise provocada pelo cassino financeiro surgiu como um terremoto. Logo depois, veio o marasmo da semi-estagnação e, pior ainda, desenha-se o que há pouco era impensável, a moratória do país mais rico do mundo! Por trás da peleja econômica corre a outra, mais profunda, a do poder: o Tea Party — os ultrarreacionários do Partido Republicano — levou o governo Obama às cordas. A agenda política, mesmo depois de “resolvida” a questão do endividamento, passou a ser ditada por eles: onde e quanto cortar mais no orçamento de um país que clama por muletas para reavivar a economia.
Na Europa, as coisas não andam melhores. Cada solavanco da economia americana aumenta o contágio, esta doença internética: as taxas de juros cobrados dos países ultra-endividados vão para as nuvens. A rua se agita, não faltam movimentos dos “indignados” que veem o povo sofrer as agruras do desemprego e da desesperança e ainda ser cobrado para que as contas se ajustem. E, naturalmente, como nos Estados Unidos, os que mais têm e os que mais especularam ou esbanjaram (inclusive governantes imprevidentes) balançam a poeira e querem dar a volta por cima. Esperam que mais aperto, mais rigidez no gasto público e menos salários resolvam o impasse. Não se estão dando conta de que a cada xis meses uma nova tormenta balança os equilíbrios instáveis alcançados. É como se daqui a 30 anos os historiadores olhassem para trás e dissessem: “ah, bom, a Grande Crise dos Derivativos começou em 2007/2008, foi mudando de cara, mas prosseguiu até que novas formas de produzir e de distribuir o poder começaram a dar sinais de vida lá por 2015/2020...”.
E nós aqui, nesta periferia gloriosa, a quantas andamos? Longe do olho do furacão, cantamos glória pelo que fizemos, pelo que de errado os outros fizeram e pelo que não fizemos, mas, pensamos, pouco importa, o vendaval do mundo varreu a riqueza de uma parte do globo para outra e nos beneficiou. Será que é assim mesmo? Será que a proeza de evitar as ondas da tsunami impede que a malignidade do resto do mundo nos alcance? Tenho minhas dúvidas. Falta-nos, como impuseram os reacionários americanos a Obama, uma agenda, mas que seja nova e não a desgastada do “clube do chá” americano. A nova agenda existe, está exposta cotidianamente pela mídia e não é propriedade de um partido ou de um governo. Mas onde está a argamassa, como o antigo ideal americano, para conter as divergências, o choque de interesses, e guiar-nos para um patamar mais seguro, mais próspero e mais coeso como nação?
Mal comparando, a presidenta Dilma está aprisionada em um dilema do gênero daquele que agarrou Obama. Só que, se no caso americano a crise apareceu como econômica para depois se tornar política, em nosso caso ela surgiu como política, mas poderá se tornar econômica. Explico-me: a presidenta é herdeira de um sistema, como dizíamos no período do autoritarismo militar. Este funciona solidificando interesses do grande capital, das estatais, dos fundos de pensão, dos sindicatos e de um conjunto desordenado de atores políticos, que passaram a se legitimar como se expressassem um presidencialismo de coalizão no qual troca-se governabilidade por favores, cargos e tudo mais que se junta a isso.
Essa tendência não é nova. Ela foi se constituindo à medida que o capitalismo burocrático (ou de Estado, ou como se o queira qualificar) amealhou apoios amplos entre sindicalistas, funcionários e empresários sedentos por contratos, e passou a conviver com o capitalismo de mercado, mais competitivo. Na onda do crescimento econômico, as acomodações foram se tornando mais fáceis, tanto entre interesses econômicos quanto políticos (incluindo-se neles os “fisiológicos” e a corrupção). No início, parecia fenômeno normal das épocas de prosperidade capitalista que seria passageiro. Pouco a pouco se foi vendo que era mais do que isso: cada parte do sistema precisa da outra para funcionar, e o próprio sistema necessita da anuência dos cooptáveis pelas bolsas e empregos de baixo salário, e precisa de símbolos e de voz. Esta veio com o “predestinado”: o lulismo anestesiou qualquer crítica não só ao sistema mas a suas partes constitutivas.
É nesse ponto que o bicho pega. A presidenta é menos leniente com certas práticas condenáveis do sistema. Entretanto, quando começa a fazer uma faxina, quebram-se as peças da engrenagem toda. Sem leniências e cumplicidades entre as várias partes, como obter apoios para a agenda necessária à modernização do país? E, sem ela, como fazer frente à concorrência da China, à relativa desindustrialização, ou melhor, “desprodutividade” da economia, e como arbitrar entre interesses legítimos ou não dos que precisam de mais apoio do governo, advenham eles de setores populares ou empresariais? É cedo para prever o curso dessa história, que apenas começa. Mas não há dúvidas de que, para se desfazer da herança recebida, será preciso não só “vontade política” como, o que é tão difícil quanto, refazer os sistemas de alianças. É luta para Davis e, no caso, Golias é pai de Davi.
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Os arquivos da Operação Satyagraha

Todos os arquivos produzidos durante a Operação Satyagraha.
Foram divulgados no início dessa madrugada pelo Anonymous e Lulz Sec.
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Lula e a mídia

 Relembrando 

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