1 de ago. de 2011

Idec lança campanha contra o AI-5 Digital

O Idec lançou uma campanha contra o PL do deputado Eduardo Azeredo com a seguinte palavra de ordem: Proteção SIM, Violação de Privacidade NÃO.
A intenção da entidade, que defende o direito do consumidor, é reunir o maior número de assinaturas para entregar ao presidente da Câmara, Marco Maia.
Segue o texto da mobilização. Quem quiser aderir, faça-o aqui.
O projeto de lei, apelidado de AI-5 Digital, traz sérios riscos de violação de privacidade e restrições na rede, limitando a nossa liberdade de compartilhamento, expressão, criação e acesso. Provedores de Internet se tornarão a “polícia” da rede, vigiando os internautas.
O PL Azeredo está tramitando em caráter de urgência e poderá ser votado em breve. Precisamos barrá-lo antes que seja tarde. É preciso regulamentar a Internet sim, mas antes precisamos definir os princípios, direitos e responsabilidades na rede, com o Marco Civil da Internet e a Lei de Proteção de Dados Pessoais, ambos debatidos abertamente com a sociedade.
Assine a petição para impedir a votação prematura do PL Azeredo, colocando-a na Comissão de Defesa do Consumidor. Ela será entregue pelo Idec na Câmara dos Deputados. Assine agora!
Pela liberdade e privacidade na rede, consumidores contra o PL Azeredo.
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Ao contrário do Brasil recebido por Lula, peruano encontra herança “bendita”

Todas as análises sobre Ollanta Humala indicam que ele se transformou de um protótipo de Hugo Chávez em uma imitação quase perfeita de Luiz Inácio Lula da Silva, se se aceitar que o venezuelano é um radical de esquerda e, o brasileiro, um moderado pragmático.
Há no entanto uma diferença essencial: se José Dirceu, então “capitão” do time de Lula, dizia que o governo petista recebera uma “herança maldita”, Humala, se for sincero, terá que reconhecer que sua herança, ao contrário, é bendita.
Para começar, o Peru cresceu formidáveis 7,5% no primeiro semestre deste ano, o que significa que o novo presidente começa surfando uma onda de prosperidade, ao contrário do que aconteceu com Lula em 2003.
A herança é tão bendita que, também ao contrário do que ocorreu no Brasil, a vitória de Humala não foi precedida por uma onda de especulação, que o governo Fernando Henrique Cardoso atribuiu, à época, ao medo que Lula despertava nos mercados.
Humala conjurou o medo com a designação de uma equipe econômica de absoluta confiança dos agentes econômicos, a ponto de ter elevado a ministro da Economia Luis Miguel Castilla, que era o vice-ministro no governo Alan García, que o novo presidente não se cansou de criticar.
Mais ou menos o mesmo que Lula nomear Pedro Malan para seu ministro da Fazenda.
Sem contar que Humala tem o seu próprio Henrique Meirelles, na figura de Julio Velarde, mantido na presidência do Banco Central, um conservador militante do Partido Popular Cristão.
Com essa equipe, fica assegurada, aos olhos do mercado, a estabilidade macro-econômica. chaga aberta
É pouco, porém: para que Humala não tenha que fazer como Alan García -que nem foi ao Congresso, para não ser vaiado- terá que, ao menos, dar passos para realizar a promessa do discurso de posse de erradicar a pobreza, uma chaga aberta na sociedade peruana.
O governo Alan García até caminhou um pouco nessa direção, mas muito pouco: a pobreza caiu de 55% da população para 39,6%. E o então presidente nem conseguiu ter candidato à sua sucessão.
Clóvis Rossi - Colunista da Folha
Vi no Janela do Abelha
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Datena revela: Na Record não podia falar de crimes contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais

Não podia falar de crimes contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais.
Em entrevista à coluna Zapping, publicada neste sábado (30) no jornal Agora, o apresentador José Luiz Datena falou sobre os motivos de sua saída da TV Record e seu retorno para a Band, apenas 43 dias depois de ter sido contratado pela emissora do bispo Edir Macedo. Segundo o âncora de Cidade Alerta, é muito difícil para um jornalista trabalhar sem liberdade.
Quanto à multa contratual, ainda de acordo com a coluna, Datena disse que seus advogados resolverão este problema. A multa, de cerca de R$ 18 milhões, que ele tinha com a emissora e motivou sua transferência, foi perdoada. Na Record, Datena tinha que todo dia definir suas reportagens com a alta cúpula e não podia tratar de crimes religiosos nem de crimes contra LGBTs.
Na Band, ele reassumirá o Brasil Urgente, enquanto Luciano Faccioli vai voltar ao comando do Primeiro Jornal.
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A tecnologia em sala de aula

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Charge online - Bessinha - # 727

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The Human League

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Andy Gibb

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The Captain & Tenille

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Precisamos reduzir ao mínimo os cargos de confiança

"Cargos de confiança têm de ser ocupados por funcionários de carreira. Fora disso, tem de ser exceção e não regra." Este foi um dos pontos que defendi em entrevista coletiva concedida no seminário que o PT promoveu no fim de semana, em São Paulo. Lembrei que, no nosso governo, 2/3 dos cargos de confiança são ocupados por funcionários de carreira e 1/3 por indicações técnicas, mas evidentemente políticas. É lógico. Como ter um ministro que não é de partido? Quem vai nomear um ministro que seja apenas técnico?
Fiz questão de lembrar que mudamos a indicação de cargos no Brasil. E volto a repetir: não é verdade que nomeamos pessoas para 22 mil cargos. O balanço é: 2/3 (dos que nomeamos) são funcionários de carreira e 1/3 são nomeados (de fora), o que é normal numa democracia. Fizemos as indicações dos ministros e de alguns assessores mais próximos. Afinal, todo o ministro precisa de um entorno. No mundo todo é assim. Nos Estados Unidos, na Alemanha, em outros países. Isso faz parte da democracia.
E, aos que continuam a levantar as acusações de aparelhamento da máquina pública, lembrei que "o governo da presidenta nomeia a partir de critérios. Não basta só ser filiado a um partido". Os partidos têm participação definida pelos ministérios. Não se pode querer que os partidos não participem do governo. O que não pode é partidarizar a gestão pública e a burocracia.
"Os partidos existem" - destaquei - "são constituidos pela sociedade. Está na Constituição: eles elegem e participam dos governos". Mas faço questão de frisar que participar do governo não significa lotear, e nem indicar quem não tenha qualificação técnica, profissional. E isso não siginifica fazer fisiologismo, muito menos corrupção. Uma coisa nada tem a ver com a outra. É falsa essa idéia, já que há técnicos que também têm filiação partidária. Aliás, 50% da população tem opção político-partidária - não é filiação, tem opção."
O que disse à imprensa e repito aqui é que, a partir do 2º e 3º escalões haja o mínimo possível de cargos nomeados. O problema não é ser do partido (do governo ou não). É saber se a pessoa tem qualificação técnica-profissional e se exerce bem o cargo. Há que se considerar, também, que o governo tem um programa. Foi o ex-presidente Lula quem reintroduziu planos de carreira no funcionalismo. O Brasil estava sendo desmantelado e fomos nós que retomamos a profissionalização do serviço público brasileiro.
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A rendição do Presidente Obama

Não se iludam: o que estamos presenciando aqui é uma catástrofe em múltiplos níveis.
Está sendo gestado um acordo para aumentar o teto da dívida federal. Se ele passar, muitos comentaristas dirão que se evitou o desastre. Mas eles estarão errados.
Porque o acordo mesmo, dada a informação disponível, é um desastre, e não apenas para o Presidente Obama e seu partido. O acordo vai causar danos a uma economia já deprimida; provavelmente tornará o velho problema do déficit estadunidense pior, não melhor; e, mais importante, ao demonstrar que a pura extorsão funciona e não traz custos políticos, ele leva os EUA mais perto ainda do estatuto de ´república bananeira ´.
Comecemos com a economia. Temos, no momento, uma economia profundamente deprimida. É quase certo que continuaremos a ter uma economia deprimida ao longo do ano que vem. E provavelmente teremos uma economia deprimida ao longo de 2013, se não mais além.
A pior coisa que você pode fazer nestas circunstâncias é cortar os gastos do governo, pois isso deprime a economia ainda mais. Não preste atenção aos que invocam a fadinha da confiança, que argumenta que ações orçamentárias duras reasseguram os negócios e os consumidores, levando-os a gastar mais. Não funciona assim, isso é fato já confirmado por inúmeros estudos históricos.
Na verdade, cortar gastos quando a economia está deprimida não ajuda nem mesmo a situação orçamentária, e pode na verdade torná-la pior. Por um lado, as taxas de juros sobre os empréstimos federais são hoje bem baixas, portanto cortar gastos agora faz muito pouco para reduzir as futuras despesas com juros. Por outro lado, tornar a economia mais fraca agora também causa dano a suas chances a longo prazo, o que por sua vez reduz a receita futura. Portanto, aqueles que exigem cortes de gastos agora são como aqueles médicos medievais que tratavam os doentes sangrando-os, e assim adoecendo-os ainda mais.
Ainda por cima, há os termos do acordo, que se reduzem a uma rendição abjeta por parte do Presidente. Primeiro, haverá cortes de gastos, sem nenhum aumento de receita. Depois, um painel fará recomendações para mais redução de deficit – e se essas recomendações não forem aceitas, haverá mais cortes de gastos.
Os Republicanos supostamente têm um incentivo para fazer concessões desta vez, porque os gastos com defesa estarão entre as áreas a serem cortadas. Mas o Partido Republicano já demonstrou sua disposição de arriscar o colapso financeiro a menos que ele receba tudo o que seus membros mais extremos querem. Por que esperar que eles sejam mais razoáveis da próxima vez?
Na verdade, os Republicanos na certa se sentirão encorajados pela forma como Obama continua a se dobrar ante suas ameaças. Ele se rendeu em dezembro, ao estender os cortes de impostos de Bush; rendeu-se na primavera, quando eles ameaçaram fechar o governo; e acaba de se render de novo, em enorme escala, a uma pura extorsão no tema do teto do endividamento. Talvez seja só eu, mas vejo um padrão aqui.
O presidente tinha outra alternativa desta vez? Sim.
Em primeiro lugar, ele poderia e deveria ter exigido um aumento no teto do endividamento em dezembro. Ao ser perguntado por que não o fez, ele respondeu que tinha certeza de que os Republicanos agiriam com responsabilidade. Belo palpite.
E mesmo agora, a administração Obama poderia ter recorrido a manobras legais na questão do teto da dívida, usando qualquer uma de várias opções. Em circunstâncias normais, poderia ter sido um passo extremo. Mas, ante a realidade do que está acontecendo, ou seja, a extorsão crua por parte de um partido que, afinal de contas, só controla uma casa do Congresso, a medida teria sido totalmente justificável.
Pelo menos, Obama poderia ter usado a possibilidade de um impasse legal para fortalecer sua posição de barganha. Em vez disso, no entanto, ele eliminou todas essas opções desde o começo.
Mas será que uma posição mais dura de Obama não teria preocupado os mercados? Provavelmente não. Na verdade, se eu fosse investidor, eu me sentiria assegurado, não chocado, por uma demonstração de que o presidente é capaz de e está disposto a enfrentar a chantagem dos extremistas de direita. Em vez disso, ele escolheu demonstrar o oposto.
Não se iludam, o que estamos presenciando aqui é uma catástrofe em múltiplos níveis.
Trata-se, claro, de uma catástrofe política para os Democratas, que até poucas semanas atrás pareciam ter os Republicanos contra as cordas por tentarem desmantelar o Medicare: agora, Obama jogou tudo isso fora. E o dano ainda não acabou: ainda haverá mais pontos de estrangulamento com os quais os Republicanos podem ameaçar criar uma crise ao menos que o presidente se renda, e eles agora podem agir com a expectativa confiante de que ele se renderá.
A longo prazo, no entanto, os Democratas não serão os únicos perdedores. O que os Republicanos acabam de conseguir fazer põe em questão todo o nosso sistema de governo. No fim das contas, como a democracia estadunidense pode funcionar se o partido que está mais preparado para ser sangrento, ameaçar a segurança econômica da nação, ganha como prêmio o direito de ditar a politica? A resposta é: talvez não, talvez ela não possa funcionar.
Paul Krugman [01.08.2011 15h30]
Tradução de Idelber Avelar
Original aqui.
By: Revista Fórum
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Gaspari: quem fugiu do Araguaia

Gaspari e Bolsonaro, unidos pela "Bolsa Ditadura". E o que mais?
Paulo Fonteles Filho: Resposta ao jornalista Elio Gaspari
Acabo de ler, em São Geraldo do Araguaia, a coluna “A Bolsa Ditadura não chegou ao Araguaia” do jornalista Elio Gaspari, publicada neste domingo (31) na Folha de S. Paulo – um dos mais proeminentes jornalões do país.
Por Paulo Fonteles Filho*
O jornalista que há anos tem se dedicado ao tema da repressão política brasileira, já na chamada da matéria revela quais as posições que irá defender submetendo centenas de milhares de brasileiros ao consumo de opiniões estranhas e elitistas. Tudo isso acontece no bojo do debate que vai crescendo na sociedade brasileira sobre a aprovação (ou não), pelo Congresso Nacional, da Comissão da Verdade, instrumento fundamental para a elevação da vida democrática do país.
Particularmente chama a atenção o jocoso termo “Bolsa Ditadura”.
O centro do problema ensejado no título é a crença de que reparação às vítimas da quartelada de 1964 é uma mordomia para aqueles que foram duramente perseguidos pelos estreludos generais de então.
As distorções não correspondem ao conjunto de uma ação governamental mais ampla e politicamente importante, de reconhecimento de que durante todo um período histórico os brasileiros, milhares, foram vítimas de um Estado arbitrário e terrorista.
Conteúdo quente em boa letra transforma-se em arma poderosíssima, ensinam os mestres.
No fundo o problema é sempre de reconhecimento. E isso incomoda parcela significativa das nossas elites porque a noção das violações cometidas contra o nosso povo e sua humanidade são tão graves e contundentes que o país não poderá conviver com a impunidade.
Ademais, reconhecimentos “só se podem obter por meio do processo e castigo aos responsáveis”, ensina Juan Mendéz, relator especial da ONU Contra a Tortura.
Talvez, por isso, alguns defendam as “Ditabrandas”, rebaixando as infames câmaras de tortura em cascudos nos meninos travessos brincando de tomar o poder político em dias ensolarados.
O trabalho da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça tem revelado ao Brasil o nível do arbítrio perpetrado pelos que comandaram o país por longos vinte e um anos. E isso incomoda, muito.
Incomoda também a verdade como ela é, sem falsificações.
O jornalista Elio Gaspari nos dá um dado estarrecedor do massacre de “cerca de 60 pessoas”, todos guerrilheiros.
Aqui a questão de fundo é a história oficial.
Tal interpretação elimina por completo o entendimento de que a violência perpetrada só atingiu os jovens combatentes que vieram para a Amazônia lutar pelas liberdades e não alcança o que de fato ocorreu pelas matas paraenses, de que os camponeses foram duramente atingidos.
Não sabe o jornalista de que podemos ter mais de centenas de casos de camponeses fuzilados. Há poucos meses, no escopo deste trabalho de busca aos restos mortais dos heróis do Araguaia – na qual participo – coordenado pelo governo federal, tivemos a informação de que 17 castanheiros foram destroçados em São João do Araguaia em 1974.
Foi preciso doses cavalares de violência contra os amigos do “Povo da Mata” para que a guerrilha fosse derrotada. Naquele terrível processo os camponeses pobres se tornaram inimigos centrais das leis de segurança nacional.
Com o mesmo conteúdo oficial procura estender aos organizadores da guerrilha, o PCdoB.
Diz, para a catarse dos lobos felpudos da direita brasileira, que o principal dirigente comunista brasileiro dos últimos quarenta anos, João Amazonas, havia covardemente abandonado o seu posto de luta. Assim como Arroyo, principal dirigente militar dos comunistas naquela experiência histórica.
Quando ouço tal destempero, fico pensando que nossas elites torceram muito para que Amazonas tivesse sido preso, torturado, retalhado e jogado em vala clandestina para que ninguém o encontrasse como fizeram com o Grabois.
O jornalista parece não se conformar com o fato de Amazonas ter sobrevivido.
Melhor seria se aquele maldito comunista tivesse caído nas mãos da comunidade de informações, não é? Como faria bem ao velhinho bolchevista uma estadia básica na Barão de Mesquita ou na “Casa da Judiaria” , infame câmara de torturas da Base Militar de Xambioá.
Bom, a lógica está desbotada pelo uso sem critérios: matamos moralmente aqueles que não matamos sob tortura. E isso, vai me parecendo coisa de Ustras, Lícios e Curiós, para citar os vivos.
Por acaso agora os representa, Elio Gaspari?
Será por isso que poupas o verdadeiro autor da ação que suspendeu as reparações dos camponeses, o caricato fascista Bolsonaro?
Deves conversar muito com os generais Abreu, Bandeira e Viana Moog através daquelas cartas do além. Foram eles que te pediram para interpretar tão sórdido papel?
Minha mãe, presa e torturada no PIC de Brasília, costuma dizer que os violentos devem tremer no túmulo quando sabem que ministros se misturam ao povo, porque nem ministro, nem presidente deve se misturar à ralé. Ainda mais com camponês amigo de guerrilheiro.
Ela, que peitou o estreludo general Bandeira, grávida deste que vos fala aos ouvidos, fez o comentário à época em que o Tarso Genro esteve na pequena São Domingos do Araguaia no ato de reconhecimento aos pobres do Araguaia.
Agora a ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, é alvo da graciosidade do pai do Eremildo.
Deve ser porque a gaúcha, que suava em bicas sob o sol amazônico, se comprometeu em ajudar na luta das centenas de lavradores perseguidos do Araguaia e deu, a esses homens e mulheres destes sertões de nacionalidade profunda, a atenção que eles merecem.
Outra coisa, especulo cá com meus botões, é o fato de que Maria do Rosário está determinada em realizar duas coisas, dentre as tantas que sua pasta enseja: entregar às famílias os restos mortais daqueles que tiveram desaparecimentos forçados e a instalação da necessária Comissão Nacional da Verdade.
Se a ministra gaúcha ficasse em gabinete apreciando chimarrão jamais estaria no corolário gracioso dos oficiais porta-vozes de jornalões.
Ademais, os camponeses não precisam das coletas dos samaritanos de plantão, porque isso para eles é perpetuar as humilhações e indignidades.
Os camponeses exigem justiça e reconhecimento.
A patuléia, nesse caso, adquiriu pessoa e postura.
*Paulo Fonteles Filho é pesquisador da Guerrilha do Araguaia
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Dirigentes da Força Sindical trocam seus partidos pelo PSDB em Minas e reforçam estratégia tucana

A Força Sindical de Minas Gerais prepara uma ação de filiação em massa ao PSDB no estado, como parte de uma estratégia nacional de aproximação do partido com os sindicalistas. O evento, marcado para o dia 20 de agosto, contará com a participação de lideranças tucanas, como o governador Antonio Anastasia e o senador Aécio Neves, apontado pelo presidente da entidade como o principal responsável pela aproximação com a legenda.
Líder e organizador do ingresso dos sindicalistas no PSDB mineiro, Rogério Fernandes, presidente da Força Sindical no estado, é um dos que sairão de seu partido, em sua maioria da base aliada, e entrarão para a oposição. Atualmente ele é filiado ao PDT, mesmo partido do presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva e do secretário-geral João Carlos Gonçalves.
- Esse gesto do Aécio de aproximação com a Força aqui do estado foi muito positivo, conversamos, principalmente sobre a pauta trabalhista no Congresso, e ele foi muito receptivo, ajudou a abrir o espaço para discutir questões trabalhistas no PSDB - afirma ele.
- São pessoas saindo do PMDB, do PTB, do PV e do PDT - diz o dirigente mineiro, para quem a questão não seria de abandonar a base aliada do governo, mas de "ir aonde há espaço para avançar a agenda trabalhista".
- Com os oito anos de governo Lula nós avançamos em várias partes, como o aumento real do salário mínimo, a aproximação com as centrais sindicais, mas ainda falta muita coisa. O fator previdenciário, por exemplo, é uma dívida com o trabalhador que não foi paga. Faz parte de uma dívida histórica. Estamos indo para o PSDB porque achamos que lá podemos ajudar a avançar e aprovar essas medidas e que teremos o apoio para lutar por isso. Não vamos abandonar nossas bandeiras, eles é que abriram espaço para recebê-las - declara o futuro tucano.
Perguntado se a articulação com Aécio levaria a um apoio à candidatura do senador mineiro à Presidência em 2014, Fernandes desconversou.
- Nosso foco no momento é a filiação. Candidatura em 2014 é uma questão para o futuro, é muito cedo pra falar. Até porque o partido tem outras lideranças possíveis além do Aécio, como o governador (Geraldo) Alckmin e o próprio (José) Serra - diz o dirigente
Deputados afirmam que ações devem acontecer em todo o país
Fernandes afirma também que a aproximação do partido com os movimentos sindicais faz parte de uma estratégia nacional dos tucanos.
- Essa iniciativa já esta acontecendo, faz parte de uma estratégia do partido, de se aproximar dos sindicatos e das Centrais. O PSDB sindical já existe no Amazonas, em Goiás, São Paulo e agora Minas. O partido está investindo muito nessa aproximação - declara ele.
Segundo o deputado federal Otávio Leite (PSDB-RJ), Aécio estaria participando de negociações com sindicalistas cariocas.
- Estamos nos articulando no Rio também. Tenho conversado com sindicalistas. Fui com o Alckmin no Congresso Nacional da União Geral dos Trabalhadores (UGT). Setores da UGT já convidaram o Aécio para uma troca de ideias no Rio - afirma o deputado, para quem essas ações são apenas o começo.
- Sou a favor de intensificarmos essa aproximação em todos os estados. Essa filiação em MG é apenas o primeiro passo. Sólido e amplo - diz ele.
Já Antonio de Sousa Ramalho, vice-presidente da Força Sindical e membro do PSDB, vai além. Ele, que é presidente do Sindicato da Construção Civil de São Paulo, afirma que o partido quer atrair todos os movimento sociais.
- Queremos nos associar a todos movimentos sociais. Começamos agora com as Centrais, mas no ramo do PSDB Sindical que dirijo, em São Paulo, já temos um grupo da diversidade, ligado aos movimentos pelos direitos dos homossexuais - conta ele, que afirma que a iniciativa deve continuar.
- Teve início em São Paulo e como o Fernandes disse, já há em Goiás e no Amazonas, mas essa iniciativa em Minas é mais importante, porque é o segundo maior colégio eleitoral do país - diz o sindicalista, para quem a estratégia traz benefícios tanto para os trabalhadores quanto para o partido.
- A questão para o partido é que, como as últimas três eleições mostraram, ninguém se elege em nível nacional sem o apoio dos trabalhadores. Mesmo nos estados, nossa influência em qualquer eleição é grande. Já para os movimentos, entendo que tem que haver consciência que só vamos avançar as questões dos trabalhadores através da política. O melhor jeito de fazer isso é com participações em vários partidos - analisa Ramalho.
O deputado federal Otávio Leite (PSDB-RJ utiliza os mesmos argumentos para falar sobre as intenções do partido ao se aproximar das Centrais no Rio.
- Partido sem inserção no movimento sindical, não tem perspectivas de chegar ao poder. A social democracia, defendida pelo PSDB, ideologicamente pressupõe uma ação sindical lúcida, não demagógica, mas progressista. O Brasil tem condições de avançar e oferecer ganhos nas relações trabalhistas, inclusive modernizando regras.
Abandono da base governista não é problema, diz Força
Para o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o abandono da base do governo não é um problema.
- Nossa central não tem partido, somos pluripartidários. Para nós não cabe à central decidir nada da filiação política dos sindicalistas, é uma questão pessoal, puramente pessoal - afirma Gonçalves, que considera isso uma vantagem.
- Como temos militantes e líderes em muitos partidos, temos apoios à causa sindical de todos os lados. Essa iniciativa do PSDB é boa porque é mais uma ramificação para nos apoiar. Essa pluralidade é positiva -diz ele.
- Falando como membro do PDT, é uma pena. Como dirigente sindical, não só não tem problema, como acho positivo.
Comentário de Weden
PSDB mineirim versus PSDB paulistáno
Sem dúvida nenhuma o PSDB mineirim é um caso à parte no PSDB nacional (que será, no passado, paulistáno)
Aliás, na terra do sindicalismo, o PSDB paulistáno (que será, no passado, nacional) conseguiu uma proeza: quis ignorá-lo sistematicamente. Aliás, quis ignorar sindicatos, movimentos sociais, pobre, preto, e quem mais eles não considerassem massa cheirosa.
Até aliou-se à mídia da quinta coluna conservadora para dizer que o Governo Federal praticava "república sindicalista", alegação a la UDN. Até alertou para o perigo comunista, a la neocons. E até fez reuniõezinhas com golpistas, a la clube militar. E até bancou de moralista, a la TFP.
Mas é evidente, que, mineiramente, os tucanos comandados por Aécio e Anastasia, que é comandado por Andrea Neves, que é quem comanda Aécio, não iriam cometer os erros dos bitolados tucanos paulistános.
Aliás, põe erro nisso.
O PSDB paulistáno tornou-se um partido neoliberal sem dó. O seu símbolo maior, José Serra, convidou-se para o tea party, sem piedade.
O mineiro, cujo símbolo é Aécio, é neoliberal de ré, e samba no Salgueiro (escola do Rio, cidade que não tem tucano, bem entendido..).
O PSDB paulistáno (que, no futuro, deixou de ser nacional), com sua arrogante imprensa ultra-mega-neocon, queria ser o representante dos republicanos americanos no país. Republicanos, tipo Schwarzenegger.
Chegou a determinar, coisa daquele colunista que já foi bom, que mineiro que é mineiro vira vice. Esqueceu a lição da República Café com Leite, quando conterrâneos quiseram passar a perna nas Geraes.
Já o PSDB mineirim quer ser o representante de si mesmo, porque a imprensa eles já compraram.
Quanto à propriedade das propostas de aproximação entre o PSDB mineirim com o sindicalismo, só o futuro dirá.
Mas é certo que o PSDB paulistáno continuará sua rota de colisão com o inferno. Pelo menos, enquanto insistirem em ouvir o Zé.
A priori, uma diferença já é notada: em Minas, os tucanos não gostam de professor. Mas não batem. Em SP, se reclamarem, metem a porrada.
Para muitos, entre a mordaça e a chibata, é melhor a primeira.
Força sindical que o diga.
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Fifa irritou Dilma ao negar credencial para concorrentes da Globo

Um dos principais motivos de irritação de Dilma Rousseff com o COL (Comitê Organizador Local) e a Fifa foi um pedido negado de credencias para jornalistas que fazem a cobertura diária do Palácio do Planalto.
Às vésperas do sorteio das eliminatórias da Copa de 2014, a equipe da presidente pediu cerca de 80 credenciais. Conseguiu algumas, mas a Fifa não quis dar autorização para Record e SBT acompanharem Dilma no evento.
O COL informou ao estafe presidencial que a federação internacional não poderia ferir o contrato com a Globo, que tinha exclusividade na solenidade, organizada pela Geo Eventos, da qual a emissora é uma das sócias.
Dilma se irritou. Ela e seu estafe interpretaram como uma retaliação de Ricardo Teixeira à Record, que tem exibido reportagens com denúncias contra o dirigente. A equipe da presidente alegou que o COL e a Fifa podem escolher seus parceiros. Mas o Governo Federal tem que garantir os mesmos direitos a todos. E é praxe os jornalistas de Brasília seguirem a comitiva presidencial.
Como resposta, o governo marcou uma entrevista de Pelé, na véspera do sorteio, no Museu de Arte Moderna do Rio, fora da jurisdição da Fifa e do COL. Lá todas as emissoras de TV tinham passe livre.
Para o governo, a Fifa foi arrogante. O COL argumentou que além do problema contratual havia uma limitação de espaço, sem contar que o prazo para credenciamento já tinha terminado. Defendeu-se também dizendo que concorrentes da Globo tiveram liberdade para trabalhar nas entrevistas após o evento.
A tendência é que mais atritos como esse aconteçam, pois os parceiros na organização da Copa tem interesses diferentes e conflitantes.
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Johnbim pede penico

O ministro da Defesa, Nelson Jobim afirmou na tarde de hoje, durante entrevista ao programa Roda Viva, que não está demissionário e que deseja permanecer no governo
Durante a entrevista na TV Cultura, Jobim disse ter "prazer" no cargo e cobriu de elogios à presidente Dilma Rousseff. "Eu não tenho nenhum problema, nenhuma dificuldade. Eu estou no governo porque me dá prazer", afirmou. "Sou ministro por prazer. Tenho desejo de continuar a fazer aquilo que estou fazendo."
"A presidente Dilma é extraordinária. Minha relação com ela é ótima. Ela tem uma grande visão de Estado, uma visão de futuro", disse.
A celeuma em torno da permanência de Jobim no governo foi provocada por uma declaração infeliz e inoportuna, de que ele votou em José Serra e não em Dilma Rousseff. Na entrevista, Jobim repete a versão de que teria informado seu voto em Serra ao ex-presidente Lula.
"Alguém pode não acreditar, mas eu não sou dissimulado. Sempre fui assim."
A entrevista vai ao ar hoje a noite na TV Tucana Cultura.
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Ciência sem Fronteiras: site do programa tem média de 100 visitantes por segundo

Até às 16h desta segunda-feira (1/8), o site do programa Ciência sem Fronteiras já havia recebido cerca de 470 mil visitas. De acordo com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Tecnológico (CNPq/MCT), a média é de cem acessos simultâneos por segundo. No ar desde a última sexta-feira (29/7), a página eletrônica contém informações voltadas a estudantes, pesquisadores, empresas e instituições de ensino e de ciência e tecnologia interessados no intercâmbio e na mobilidade internacional.
No site, é possível encontrar detalhes sobre cada uma das modalidades do programa – destinado, principalmente, ao estudo de brasileiros no exterior. Na área voltada aos estudantes, por exemplo, há explicações sobre cada tipo de bolsa, processos seletivos e critérios exigidos para participar do programa.
Presidenta Dilma Rousseff discursa durante
a 38ª reunião do CDES, no Palácio do Planalto, 
onde lançou o Cência sem Fronteiras. 
Foto: Roberto Stuckert Filho/Arquivo/PR
Por meio do Ciência sem Fronteiras, que é uma parceria entre os ministérios da Ciência e Tecnologia (MCT) e da Educação (MEC), o governo federal vai conceder 75 mil bolsas para estudantes e pesquisadores até 2014. O programa foi lançado pela presidenta Dilma Rousseff na semana passada durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. Na ocasião, empresários brasileiros sinalizaram o interesse em financiar outras 25 mil bolsas de estudo, totalizando 100 mil estudantes beneficiados.
No total, por parte do governo federal, serão investidos R$ 3,16 bilhões, sendo R$ 1,43 bilhão do CNPq e R$ 1,73 bilhão da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes/MEC). Segundo o MCT, o processo de seleção dos alunos começará neste semestre. As áreas estratégicas do programa são engenharias e ciências básicas e tecnológicas.
Leia abaixo informações do programa por público-alvo
A Bolsa Brasil de Graduação Sanduíche (SWG) irá contemplar os estudantes que completaram ao menos 40% e no máximo 80% do curso universitário. O estudante deverá ainda se comprometer a permanecer no Brasil o tempo mínimo equivalente ao que esteve fora do país como bolsista. Para estudar no exterior, os alunos vão ganhar passagem aérea, seguro saúde, auxílio instalação e uma bolsa mensal de US$ 870. As taxas escolares também serão bancadas pelo Ciência Sem Fronteiras.
O potencial e o desempenho acadêmico serão critérios de seleção. Estudantes que ingressaram na instituição pelo do Programa Universidade para Todos (ProUni) ou do Sistema de Seleção Unificada (Sisu) e que obtiveram nota no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) superior a 600 pontos também poderão participar.
As bolsas Brasil Doutorado Sanduíche no Exterior (SWE) e Doutorado Integral no Exterior (GDE) terão processos de seleção divulgados periodicamente. Os benefícios compreendem bolsa mensal de US$ 1,3 mil, passagem aérea, seguro saúde, auxílio instalação e taxas escolares. Também serão concedidas cotas de bolsas na modalidade SWE para os cursos de pós-graduação com conceito maior ou igual a 4 na classificação da Capes.
Na página eletrônica do Ciência sem Fronteira, pesquisadores também podem obter informações sobre como participar. Entre 2011 e 2014, 660 pesquisadores serão escolhidos para fazer parte da Bolsa Brasil Estágio Sênior (ESN). Com duração de três a seis meses, essa modalidade prevê bolsa mensal de US$ 2,3 mil, passagem aérea, seguro-saúde e auxílio instalação. Pesquisadores doutores com formação obtida há pelo menos oito anos podem concorrer às vagas.
Outra modalidade voltada para profissionais com mais experiência é a Bolsa Brasil Pós-Doutorado no Exterior (PDE). Cinco mil cartas de estudo com bolsa mensal de US$ 2,1 mil, passagem aérea, seguro saúde e auxílio instalação serão concedidas até o fim da primeira edição do Ciência Sem Fronteiras. As bolsas PDE são voltadas ao pesquisador doutor que pretende complementar a formação com os temas e prioridades do programa. A duração da bolsa é de um ano.
Para atrair pesquisadores de outros países e brasileiros residentes no exterior, o programa Ciência Sem Fronteiras terá duas modalidades, voltadas às instituições de educação superior e às de ciência e tecnologia: Bolsa Brasil Jovens Cientistas de Grande Talento (BJT) e Bolsa Brasil Pesquisador Visitante Especial (PVE).
A primeira prevê que o cientista fique no país por três anos. Ele receberá passagem aérea, auxílio instalação, cota de bolsa de iniciação científica, auxílio financeiro para o laboratório e bolsa de R$ 7 mil por mês. Já a PVE é uma modalidade de bolsa diferenciada. O objetivo é atrair lideranças científicas internacionalmente reconhecidas. O pesquisador deve se dispor a permanecer no Brasil por algum tempo enquanto a bolsa estiver em vigência. Além disso, também deve se comprometer a receber brasileiros nos laboratórios no exterior.
Empresas que tiverem núcleos de pesquisas autônomos ou em parceria com outras instituições também podem participar do Ciência sem Fronteiras, como detalha o site do programa. Isso porque um dos objetivos da ação é aumentar a competitividade entre as corporações brasileiras. A intenção é fazer com que as empresas recebam bolsistas de pós-doutoramento e pesquisadores visitantes especiais. Além disso, devem ampliar a capacitação de seus próprios pesquisadores, por meio da Bolsa Brasil Treinamento de Especialistas no Exterior (SPE), cujos benefícios são: valor de R$ 1.300 mensais, passagens aéreas, seguro-saúde e auxílio de instalação.
By: Blog do Planalto
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O Papel do PT e da Oposição no Brasil

José Dirceu
“Enquanto o PSDB e seus aliados persistirem em disputar com o PT influência sobre os ‘movimentos sociais’ ou o ‘povão’, isto é, sobre as massas carentes e pouco informadas, falarão sozinhos.” Com este trecho, que integrou seu artigo sobre a crise das oposições na edição passada desta revista(*), o ex- -presidente Fernando Henrique Cardoso voltou a tentar encontrar um rumo para seu partido no debate político nacional. O parágrafo provocou fortes reações negativas de seus aliados. Sem dúvida, coloca-se em terreno fértil para uma reflexão das oposições sobre seu próprio papel e comportamento desde que o PT chegou ao executivo federal e iniciou a sedimentação do projeto de transformação do Brasil em um país que cresce gerando empregos e distribuindo renda. Mas, acima de tudo, ciente das carências programáticas que assolam as oposições, FHC procura traçar uma estratégia eleitoral, identificando nas classes médias brasileiras o estrato social capaz de permitir a organização de um discurso de oposição com potencial de enfrentamento. Há, contudo, combustível para que nós, do Partido dos Trabalhadores, façamos igualmente uma reflexão sobre o papel decisivo que desempenhamos ao longo de trinta anos e, a partir dessa compreensão, delinear nossa atuação no bojo da maior aliança político-partidária já construída na história do nosso país, de sustentação do governo da presidenta Dilma Rousseff. Trata-se, portanto, de recolocar em perspectiva alguns temas apresentados pelo ex-presidente FHC, reparando-os, para que possamos promover os ajustes finos necessários à nossa ação política, que tem nos instrumentos de estímulo do desenvolvimento sustentável com distribuição de renda, geração de empregos e inclusão social os trampolins para o soerguimento do Brasil que sonhamos e temos a possibilidade de realizar.
Sem programa
O artigo de Fernando Henrique Cardoso pode ser dividido em dois grandes blocos, ainda que suas ideias e sentenças estejam misturadas e intercaladas entre si ao longo do texto: um bloco de genuíno reconhecimento das fragilidades programáticas e de ação que abateram, e seguem abatendo, as oposições nos últimos anos, avaliação que merece ser reconhecida pela coragem; e um segundo grupo de sentenças que visam a reestruturar o discurso oposicionista com afirmações de efeito, sem amparo na realidade, imprecisas ou mesmo equivocadas, a respeito do que foi o governo Lula e do que tem sido a atuação do PT na última década. É preciso, portanto, reparar tais afirmações, porque estas foram tecidas unicamente para atender aos interesses políticos de criticar nosso projeto de Brasil. De todos os expoentes das oposições brasileiras, talvez não tenha havido ninguém que tenha feito o que o ex-presidente FHC fez em seu artigo: tocar nas feridas abertas da carência de projeto de país e da inexistência de alternativas a apresentar à nação. Isso está explícito em: “Os oposicionistas para serem ouvidos precisam ter o que dizer”. Ou então: “Na verdade, falta-nos estratégia. Estratégia não é plano de ação: é o peso relativo que se dá às questões desafiadoras do futuro somado à definição de como as abordaremos”. Essas compreensões permitem diagnosticar a distância que há entre o que pretendem as oposições e o que de fato têm conseguido, que é o afastamento dos anseios políticos da sociedade brasileira. Caso contrário, não teria o ex-presidente finalizado com o seguinte questionamento: “as oposições políticas, por fim, se nada ou pouco tiverem a ver com as múltiplas demandas do cotidiano, como acumularão forças para ganhar a sociedade?”
Nova classe média
Não é de hoje que as forças que se aliaram em torno do presidente Lula e, agora, de Dilma Rousseff, em apoio às políticas governamentais, têm identificado nas oposições a ausência de alternativas. Nesse sentido, as formulações de FHC tentam reorganizar a maneira de agir, a partir do estabelecimento de um “público-alvo”, por assim dizer, que é a chamada nova classe média. Ou seja, o tucano produz, antes de qualquer coisa, uma análise e uma estratégia eleitoral, para fazer seu partido retornar ao governo federal. Essa tentativa parte da premissa de que faltam às oposições um projeto e uma estratégia de ação, mas também do reconhecimento de que o Partido dos Trabalhadores é historicamente muito mais bem-sucedido no diálogo com as camadas mais populares da sociedade – nas palavras do ex-presidente tucano, “as oposições se baseiam em partidos não propriamente mobilizadores de massas”. Em suma, finalmente dá-se o braço a torcer de que foi o governo Lula e do PT que se voltou para essas camadas menos favorecidas. Essa compreensão é cristalina no polêmico parágrafo escrito por FHC e reproduzido no início deste artigo. Há, de fato, intrínseca relação e simbiose entre o Partido dos Trabalhadores e os movimentos sociais e os setores populares, de onde se origina grande parcela dos quadros do PT e para os quais também se voltam nosso projeto. No entanto, o mandato conferido pelas urnas ao PT não foi exercido exclusivamente com o objetivo de beneficiar os historicamente excluídos, mas obteve êxito também em criar as condições para o atendimento de outros setores da sociedade, na medida de suas necessidades. Ao apostar na formação de um mercado interno robusto, o governo Lula mirou a colheita de frutos para todos, consubstanciada no chamado ciclo virtuoso de crescimento. Esse é igualmente o norte do governo Dilma, fazer do Brasil um “país de classe média”, como defendeu a presidenta em sua campanha eleitoral e no momento de sua posse. Nada mais sintonizado com esse objetivo do que intensificar, com a fixação de metas, as políticas públicas de erradicação da pobreza extrema. E o recém-lançado programa Brasil sem Miséria vai ao encontro desse desafio de ser “classe média”, porque permite atacar a desigualdade social e também robustecer o mercado interno. Não será pouco, pois romper em doze anos as barreiras construídas há séculos para separar as elites das classes populares se constituirá em um dos grandes marcos deste país. Viabilizar a concretização de tais políticas permite que consigamos aprofundar todo um novo conjunto de medidas voltadas para esse grupo de “classe média” (heterogêneo, diga-se, e em expansão graças às políticas que implantamos quando governo) que FHC visualiza como a tábua de salvação do trabalho de reorganizar as oposições. Medidas que podemos chamar de “segunda geração”, ainda que muitas delas já tenham feito parte das ações do governo Lula, como priorizar as micro e pequenas empresas e a agricultura familiar na concessão de crédito do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e do Pronaf (Programa Nacional de Agricultura Familiar). Nos últimos quatro anos, o volume de empréstimos do BNDES para micro e pequenas empresas saltou de R$ 11 bilhões (2006) para mais de R$ 45 bilhões (2010) , enquanto que o Pronaf registrou crescimento de cerca de R$ 10 bilhões na oferta de crédito à agricultura familiar entre os anos 1999/2000 e 2008/2009 (de R$ 3,28 bilhões para R$ 13 bilhões) . A agenda do próximo governo está repleta de propostas com esse perfil: do Plano Nacional de Banda Larga às reformas política e tributária (ambas ainda não aprovadas graças aos obstáculos criados pelas oposições), passando por programas e medidas em educação, saúde, tecnologia, geração de emprego e infraestrutura. Nesse sentido, é responsabilidade do governo Dilma e do pt atentarem para essa transformação da sociedade brasileira: se sua formação é cada vez mais “classe média”, logo, o desafio é construir políticas públicas para atender a esse público, disputando-o na seara política com as oposições.
Clareando os fatos
Ocorre que o ex-presidente também reuniu em seu artigo uma série de inverdades, sobre questões vitais para as chamadas classes médias velhas e novas, que têm inclusive se espalhado nos discursos das oposições desde a campanha presidencial de José Serra e foram repetidas com frequência na 10ª Convenção Nacional do PSDB de finais de maio. São acusações ao governo Lula e ao PT de loteamento da máquina pública, aliadas ao discurso de maleabilidade ideológica, acrescidas de reivindicações da autoria de avanços ocorridos na era Lula e temperadas com uma boa dose de cobrança daquilo que não fizeram quando estiveram à frente do governo. Um dos artifícios do discurso tucano é repetir que as administrações do PT se pautam pelo loteamento de cargos – a frase foi dita e explorada à exaustão na campanha passada, com o beneplácito da grande mídia, que, de resto, tem lado e interesses no jogo político ora travado no País. Ocorre que nas hostes oposicionistas é costumeira a confusão entre o que se constitui loteamento de fato e o desejável e necessário preenchimento de cargos de alto escalão com critérios não somente técnicos, mas políticos, haja vista a insuperável exigência de sinergia entre as diretrizes maiores de um governo e o trabalho de seus principais expoentes. Em suma, não se pode atrair para funções-chave na administração pública pessoas alheias ou contrárias ao rumo maior de um governo – o que seria, inclusive, estelionato eleitoral. Isso acontece em todas as democracias do mundo e não há quem estranhe ou faça acusações de loteamento de cargos. O que há de se estranhar é a nomeação de personagens que em nada guardam relação com as funções para as quais são indicadas, algo muito frequente nos governos estaduais do PSDB em São Paulo, por exemplo. A intenção oculta das forças oposicionistas, em associação com a grande mídia, é pregar nos governos do PT a pecha do clientelismo, para abrir canais de acesso midiático junto às “classes médias” pela bandeira da ética. Ora, uma simples consulta aos boletins de pessoal do Ministério do Planejamento permite identificar que as indicações políticas para cargos de confiança no governo federal são minoritárias. Sob o governo Lula, por exemplo, cerca de 70% dos cargos comissionados foram ocupados por servidores de carreira. Há igualmente uma profunda desinformação em supor que inexiste combinação do critério político com qualificação técnica; afinal, isso comprometeria o desempenho do governo e não se alcançariam tantos resultados positivos como os que nossos governos apresentaram. Um outro engodo nas críticas das oposições diz respeito às concepções sobre o papel do Estado e sua importância para o desenvolvimento nacional. Sem dúvida, não prevalece do lado do PT e de seus governos a visão de reduzir o Estado ao mínimo, com terceirização de suas atividades, comprometendo as carreiras públicas, o planejamento e a gestão das políticas. Essa prática integra os manuais neoliberais, foi largamente utilizada nas gestões do PSDB e termina por responsabilizar o funcionalismo por uma opção que é exclusivamente do governo. Nossa concepção, implementada nos últimos oito anos, é a de que, para atingirmos em médio e longo prazos os objetivos centrais do projeto de país escolhido pela sociedade brasileira, faz-se fundamental reorganizar as funções de Estado. Nesse sentido, as carreiras foram restabelecidas e a máquina estatal ganhou corpo, permitindo que o Estado voltasse a formular, planejar, gerir e executar políticas públicas.
Funcionalismo público
Resgatamos, ao fim e ao cabo, a autoestima do funcionário público, via realização de concursos para novas vagas e também com a valorização salarial. Assim, foi possível fazer que a ação estatal se ocupasse de concretizar um conjunto de medidas sociais conectadas aos objetivos de ampliar e distribuir renda e elevar significativamente o volume de empregos, bem como foi possível, por meio do Estado, estimular a economia onde a iniciativa privada não atuaria, colhendo os frutos do fortalecimento da indústria, da dinamização do comércio e da criação de recordes nas exportações – inclusive, neste 2011, de grande competição internacional. Foram as opções de investir e ampliar a capacidade do Estado que levaram o Brasil a crescer com confiança em suas qualidades e em seu potencial. Evidente que há o que avançar nesse capítulo, e este é um dos desafios da presidenta Dilma Rousseff: ampliar a eficiência na gestão pública, compromisso assumido já durante a campanha presidencial de 2010, e reforçado no início do governo. Mas não se consegue desembaraçar de uma hora para outra todos os nós historicamente criados no interior da máquina estatal, especialmente aqueles oriundos de concepções flagrantemente antagônicas às nossas, como as neoliberais da gestão tucana. Ficamos quase quarenta anos sem projetos novos de desenvolvimento em diversos setores estratégicos do País. Por isso, soa absurda a cobrança por realizações em setores nos quais houve sucateamento do Estado durante os anos em que a oposição governou o País. Algo que ela faz sistematicamente, ilustrado no exemplo do questionamento a seguir do citado artigo de FHC: “Onde está a infraestrutura que ficou bloqueada em seus avanços pelo temor de apelar à participação da iniciativa privada nos portos, nos aeroportos, na geração de energia e assim por diante?” A bem da verdade, o ex-presidente parece cobrar por suas próprias (in)ações, que têm no inédito, duradouro e prejudicial “apagão” de geração de energia seu ápice – resultado de erros sistêmicos no setor energético. Convém pontuar que os entraves em infraestrutura vêm sendo desbloqueados desde o primeiro momento em que Lula e o PT chegaram ao executivo federal. Primeiramente, com o resgate no setor público do planejamento de longo prazo, que permite com que o País caminhe estrategicamente para se colocar como ator relevante no cenário internacional, ao mesmo tempo em que se estrutura internamente, superando suas maiores mazelas, quais sejam, a vergonhosa disparidade socioeconômica e cultural e o baixo nível de crescimento – em grande parte, devido à difusão como verdade inquebrantável da tese de que crescer acima de determinados índices provoca desequilíbrios econômicos: portanto, o País e seus excluídos que esperem.
Infraestrutura
A resolução dos entraves de infraestrutura que a oposição nos cobra está em pleno andamento, como há de se diagnosticar, por exemplo, no lançamento, já em 2003, do Plano de Revitalização Ferroviária. Mas o salto que precisamos dar em logística se estende para além: construção de novas hidrelétricas, retomada da ferrovia Norte–Sul, a Transnordestina, a transposição do rio São Francisco e a reestruturação do setor naval são apenas algumas mostras da retomada de uma agenda de resolução de problemas. No setor energético, hoje, fala-se em fontes limpas e nas possibilidades de combustíveis renováveis, área em que o Brasil é referência e projeta-se internacionalmente como grande potência. Nos transportes, a partir do Plano Nacional de Logística e Transportes, de 2007, passamos a projetar investimentos até 2023 – a previsão é destinar R$ 290 bilhões para a modernização da malha de transportes de mercadorias e de passageiros. O que as oposições classificam como “mecanismos de concessão de benesses às massas carentes”, como escreveu FHC, são, na verdade, grandes programas de inclusão de massas até então desatendidas pelo poder público, como se denota no Bolsa Família, no Minha Casa, Minha Vida e no Luz para Todos. Passamos, portanto, a contar com um planejamento em infraestrutura para quinze e vinte anos e com planos de grande potencial transformador da vida das pessoas. Hoje, como há décadas não se via, o Brasil tem um Plano de Aceleração do Crescimento, que acertadamente envolve governos estaduais e municipais na exigência de elaboração de projetos que permitam alocar recursos públicos para promover transformações logísticas e sociais. Isso se chama governar um país com participação de todos os níveis da administração. Os pacs 1 e 2 deixarão, em pouco mais de uma década, um legado sem precedentes na nossa história, em áreas nas quais havia flagrante abandono e lentidão por parte dos governos anteriores: saneamento, transporte público, habitação, energia, rodovias, portos, aeroportos, ferrovias, hidrovias, irrigação e eclusas. Em quatro anos, foram investidos R$ 444 bilhões, o correspondente a 82% dos investimentos previstos no pac 1. O restante dos R$ 541,8 bilhões serão aplicados até finais de 2011, sobrepondo-se ao R$ 1 trilhão de investimentos previstos no pac 2, cujo foco é melhorar as condições de vida nas grandes cidades, a partir de ações e obras de gás, petróleo (pré-sal), habitação, saneamento, água, energia e transportes . Todo esse conjunto de intervenções permite estimular os setores produtivos e colher benefícios sociais para todos os brasileiros. A maturação dos investimentos e das ações governamentais ampliará os canais de diálogo com as chamadas “classes médias”, e cabe a nós difundir esses avanços para sensibilizá-las.
Maior crise do capitalismo
O outro flanco de ataques vindo da oposição procura, em um duplo movimento, reivindicar a autoria de programas, ações e os bons resultados obtidos no governo de Lula e do PT, ou desqualificar os êxitos de nossa administração, computando-os ao mero cenário internacional positivo. Aliás, diga-se, a responsabilidade pelos fracassos da gestão tucana também é atribuída por eles a um ambiente hostil na economia mundial, o que não se sustenta. A maior crise que o capitalismo já enfrentou desde o longínquo ano de 1929 acabou se transformando em um divisor de águas e em um duro golpe nos sustentáculos desse discurso-padrão. De um lado, a crise de 2008/2009 desqualificou a tese de que houve pura e simples continuidade na política econômica dos anos FHC; de outro, revelou que o tipo de enfrentamento da crise e de condução da economia sob Lula é inteiramente diverso do receituário tucano. Note-se que as amarras deixadas pelo tucanato na economia foram sendo aos poucos desfeitas, como a redução da estratosférica taxa de juros, que embora ainda se mantenha elevada é praticamente duas vezes menor que a praticada nos anos de PSDB. O mesmo se dá quanto aos índices de crescimento econômico ou, especialmente, na capacidade de geração de empregos formais sob o governo Lula e do PT – quinze milhões em oito anos. As chamadas políticas anticíclicas implementadas no enfrentamento da crise internacional também derrubam os argumentos de que houve continuidade na economia entre as duas gestões, já que os tucanos lidaram com as crises elevando juros, realizando cortes de gastos públicos e aumento de impostos, numa estratégia de inibir a produção e o consumo e ampliar a arrecadação, mas com os efeitos nocivos da recessão e do desemprego, enquanto que o governo Lula superou as dificuldades do cenário internacional cortando juros e injetando crédito na economia, para estimular a atividade produtiva, desonerando impostos de setores estratégicos e conclamando a sociedade a consumir para impedir um resfriamento da atividade econômica. O Brasil ficou conhecido como o último a entrar e o primeiro a sair da crise de 2008/2009, que clareou em definitivo as diferenças e divergências entre os dois modelos de gestão. Assim, querer argumentar, por exemplo, que o grau de excelência e o sucesso conquistados pela Petrobras no governo de Lula e do PT são “efeitos positivos da quebra dos monopólios” sob a égide de FHC e do PSDB é tentar impor a versão aos fatos. A Petrobras é atualmente uma empresa global porque nossa visão de Brasil passa por valorizar os patrimônios estatais e fazer deles instrumentos de transformação para melhorar a vida da população. Foram anos seguidos de investimento público, à revelia da ideia predominante, nos anos 1990, de enxugar o tamanho do Estado, que conduziu nossa gigante petrolífera a alcançar a autossuficiência em petróleo e a encontrar grandes reservas abaixo da camada de sal oceânica – o pré-sal. Hoje sabemos que o propalado “choque de gestão” é sinônimo de diminuição do Estado ao mínimo que se possa gerir, algo substancialmente diverso da recuperação, reorganização, valorização e utilização do Estado para induzir, estimular e mediar o desenvolvimento de setores produtivos.
Paternidade de políticas bem-sucedidas
Mas a tentativa tucana de reivindicar a paternidade das políticas bem-sucedidas do governo Lula e do PT se espraia, por incrível que pareça, ao Bolsa Família – a despeito das seguidas críticas que sempre teceram e de não haver programa mais identificado com Lula do que esse. No vocabulário tucano, o maior programa de inclusão social que o Brasil já teve conhecimento, capaz de atuar definitivamente para retirar mais de vinte milhões de pessoas da linha da pobreza extrema, chama-se “política compensatória” e é a simples reunião de diversas “compensações” esparsas em uma só. Mas não é. O Bolsa Família nasce mesmo no governo Lula, que amplia significativamente o volume de atendidos, reorganiza os cadastros antigos, aumenta o valor da bolsa, impõe contrapartidas educacionais, envolve as comunidades locais na sua fiscalização e execução, desburocratiza o acesso ao benefício e cria mecanismos de saída – como o programa Próximo Passo, articulado com ensino técnico-profissional de beneficiários do Bolsa Família. Os frutos de injeção de renda circulante na base da pirâmide social são, por conseguinte, capazes de dinamizar também a economia de pequenos municípios e comunidades, até então distantes da economia formal, transformando-se em mais um vetor de formação de um mercado interno outrora incipiente e concentrado.
Dois modelos antagônicos
A distância existente entre os dois modelos de governar e as duas visões de Estado colocam, definitivamente, PT e PSDB em lados contrários . Isso se reflete também na capacidade de aperfeiçoamento do programa de governo e da ação política no cenário nacional. A eficácia na execução de uma primeira etapa de transformações profundas no país aproxima o Partido dos Trabalhadores de sua vocação socialista, ao invés de afastá-lo dessa ideologia, como querem sustentar nossos adversários. Um olhar histórico das duas últimas décadas, desprendido do cotidiano, mas apegado aos movimentos mais amplos, permite vislumbrarmos que o País progrediu com rapidez e consistência no caminho do nacional-desenvolvimentismo e do socialismo. Abandonou a influência neoliberal e das antigas elites, que grassavam no governo do PSDB, e enveredou pela trilha do desenvolvimento sustentável com distribuição de renda que nos levará a ser a quinta economia do mundo em pouco mais de uma década. E esse caminhar passa, necessariamente, pelo aprendizado que o PT acumulou antes e depois de ser governo. A acusação insustentável de que abandonamos nossa ideologia só pode partir daqueles que, hoje, encontram-se órfãos de um projeto alternativo a apresentar ao País e, por isso, sentem-se compelidos a acusar. Esse frágil dedo em riste se sustenta sobre uma compreensão estanque da política, que ignora, ou se esqueceu, de que um governo democrático de coalizão tem na tensão permanente seu verdadeiro estado da arte. Esse aprendizado o PT acumulou ao longo de toda sua história, sobrevivendo às inumeráveis críticas de abrigar correntes com diferentes formas de pensar, em exercício frequente de democracia e convivência com a discordância, mas de unidade de ação. Principalmente, um aprendizado acumulado na “década perdida” de 1990, quando se viu diante da urgência em apresentar uma alternativa ao modelo em vigor, dominante na América do Sul, e que tinha nos ditames do “Consenso de Washington” a bússola do pós-queda do Muro de Berlim. Cabia ao Partido dos Trabalhadores readequar seu projeto a essa nova realidade política, nacional e internacional. Soubemos manter viva a luta pelos ideais, que nos impulsionaram desde nossa fundação, a partir da reafirmação da importância estratégica do Estado representante da sociedade na defesa de seus interesses coletivos. Seguidas vezes alertamos o País para os riscos de abraçar cegamente o receituário que vinha de fora, especialmente porque dilapidava o patrimônio público e, adiante, comprometia a capacidade dos setores públicos. Nessa jornada, mantivemos acesas as relações com os movimentos sociais, muitos dos quais ligados ao funcionalismo público que já sentia na pele as agruras do desmonte da máquina estatal. Mas eram também partícipes desse movimento de defesa do patrimônio público, que foi ganhando força paulatinamente, a CUT (Central Única dos Trabalhadores) e o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra).
Projeto tucano
O projeto tucano que vigia, contudo, era levado a cabo a partir da associação com as antigas elites dominantes, oriundas da Arena, depois Frente Liberal, renomeada como Partido da Frente Liberal e que, nos dias de hoje, se conhece pela alcunha de Democratas (DEM). Uma aliança de inegável perfil de centro-direita, que tinha o PSDB como legenda principal, mas cujas políticas se motivavam no receituário neoliberal. É certo dizer que, ao tentar capturar tais ideários, o PSDB acabou capturado por eles – e a tentativa do ex-presidente de delinear novos caminhos de ação política com foco nas “classes médias” constitui, por conseguinte, um esforço de retirar as oposições dessa situação, para que busquem fronteiras mais ao centro. Havia, portanto, um leque nada desprezível de forças não representadas no governo tucano, fossem elas de matizes de esquerda, identificadas com o Partido dos Trabalhadores e outras legendas, ou fossem situadas mais ao centro do tabuleiro político nacional e que discordavam das escolhas dos governos tucanos – forças, em muitos casos, também de perfil “classe média”. Os posicionamentos adotados pelo PT durante os anos FHC fizeram do nosso partido um polo aglutinador dessas forças, a partir de um projeto alternativo de Brasil, que refutava veementemente o programa neoliberal em curso. As malfadadas opções tucanas redundaram na exposição das contradições do modelo importado, fazendo o PT chegar a 2002 mais robustecido para enfrentar, no processo eleitoral, a coalizão capitaneada pelo PSDB. A opção estratégica de ampliar a política de alianças para além das fronteiras antes delimitadas pelo partido levou ao nome do vice-presidente – e saudoso – José Alencar. Empresário defensor de bandeiras desenvolvimentistas e de perfil nacionalista, com claras preocupações sociais, Alencar reunia as condições necessárias para a associação entre os trabalhadores, de um lado, e as elites em ascensão, de outro, numa união cujos participantes não se viam representados nem pelo governo do PSDB, nem pelo modelo que então pautava a administração federal. As previsíveis desconfianças da esquerda e de movimentos sociais em relação a essa aliança foram sendo dissolvidas, primeiro ao longo da campanha, quando nosso projeto de país foi ganhando ressonância cada vez maior na sociedade, inclusive em setores historicamente refratários ao PT e que hoje FHC tenta atrair novamente; e, depois, durante o primeiro mandato do presidente Lula, quando as armadilhas da “herança maldita” foram sendo desmontadas e substituídas pelos pilares do novo modelo que começamos a erigir. Evidente que o governo foi se desenrolando em contínuo processo de tensão entre as forças que o sustentavam, numa disputa democrática pelo curso das políticas públicas. Nesse sentido, a experiência que o PT acumulou foi de incontestável valia para lidar com essas tensões e organizá-las, que de resto refletiam no interior do governo as próprias tensões presentes na sociedade. Aos olhos das velhas elites, sempre apoiadas pelos grandes grupos de mídia e acostumadas ao padrão autoritário, a existência de tensões era um distúrbio. No entanto, não sabiam que eram exatamente o oposto, a expressão saudável do jogo político.
O papel do PT
A cada contenda, portanto, o governo foi se fortalecendo e amadurecendo seu caminho rumo ao norte principal de nosso projeto, de orientação socialista. Mantivemos, nesse sentido, a brilhar o lume do compromisso histórico com um projeto coletivo de nação, fundador do Partido dos Trabalhadores nos idos dos anos 1980. A maturação de ser governo e a construção dos pilares do edifício no primeiro mandato presidencial de Lula e do PT abriram os caminhos para avançarmos de forma mais acelerada nos campos político, econômico, social e cultural. Isso não significa que as tensões deixaram de existir; pelo contrário, a tendência é se intensificarem, porque o avanço democrático resulta, em um primeiro momento, em pressões ainda maiores vindas das forças conservadoras. Foi o que se viu no transcorrer da campanha à Presidência da República que culminou com a eleição da presidenta, Dilma Rousseff, como representante da continuidade desse projeto político. Engana-se também quem supõe que a aliança com o PMDB, estratégica e imprescindível para a realização das transformações que o Brasil precisa para se desenvolver como planejamos, seja um escudo a essas pressões. Não raro haverá choques internos. Desde que não haja fissuras, e os dois partidos se mostram consensuais quanto a evitar esse risco, só assim, com tensões vivas, será possível equilibrar as forças da mais ampla aliança político-partidária de que o País já teve notícia. É, portanto, o compromisso primeiro e maior de transformar o país em uma nação justa, com igualdade de oportunidades e desenvolvida economicamente de forma sustentável que obriga a nós, do PT, a travar, diuturnamente, batalhas – sobre os rumos do governo e dialogando permanentemente com todos os setores da sociedade – para que os nortes do País sejam cada vez mais à esquerda, logo, ideologicamente identificados com nossas origens. Paralelamente, nossa atuação deve se pautar por levar às chamadas “classes médias” essa compreensão do que é o governo Dilma e do que foi o governo Lula, para que criemos vínculos onde ainda não temos e fortaleçamos os já existentes junto a essas camadas da sociedade. Deste modo, prevalece a concepção de que governar é um exercício de construção constante de maiorias formadas a partir da base da sociedade e que disputam a direção do governo, algo bem diverso de uma concepção que compreende uma estranha democracia em que as diretrizes partem de cima para baixo. Há muitos e complexos desafios a nos aguardar neste oceano pelo qual navegamos. O papel do PT é, finalmente, atuar de forma decisiva para superar as tempestades que virão, mas principalmente balizando a direção do navio.
José Dirceu, 65 anos, é advogado, ex-ministro da Casa Civil, membro do Diretório Nacional do PT 
(*) Publicado na Revista Interesse Nacional - Edição nº 14 - de julho a setembro de 2011
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SC: Justiça condena empresa que impedia mãe de amamentar recém-nascida

A Justiça do Trabalho de Itajaí, em Santa Catarina, condenou a Ondrepsb Serviço de Guarda e Vigilância Ltda. a pagar uma indenização de R$ 100 mil, por dano moral, por impedir uma trabalhadora de amamentar a filha recém-nascida. Para a 6ª Câmara do TRT/SC, houve assédio moral contra a trabalhadora, que foi obrigada a fazer um curso em outra cidade, além ser colocada para trabalhar em locais diferentes. A criança morreu cerca de 50 dias após o retorno da mãe ao trabalho.
A trabalhadora exigiu indenização por ter sofrido assédio moral e ter sido obrigada a afastar-se do convívio com sua filha, num momento decisivo para a saúde da criança. A autora da ação alegou, ainda, que a menina ficou doente e que, além de não conceder as férias devidas, a empresa não permitia que ela se ausentasse do serviço para cuidar da recém-nascida. Segundo consta no processo, a empresa alegava que a autora se utilizava da doença da filha para não trabalhar.
De acordo com o relator, juiz José Ernesto Manzi, embora não se possa estabelecer relação entre o quadro de saúde debilitada da menor - que acabou morrendo - e a interrupção da amamentação quando da volta ao trabalho, "é inegável que a situação lhe gerou enorme stress e abalo moral", relata.
O magistrado questiona se a morte poderia ter sido evitada ou, ao contrário, "se a empresa contribuiu, de alguma forma, para o seu agravamento". Isso porque a própria Ondrepsb admitiu que, antes da licença maternidade, a autora trabalhava num posto fixo.
Segundo o juiz, a empresa não concedeu à empregada o direito de usufruir dos descansos especiais durante a jornada para amamentar a filha, já que foi encaminhada para a atividade de vigilante volante.
- Nesse contexto, não somente retirou da mãe uma prerrogativa que a lei lhe garante, como também feriu de morte a criança que dependia exclusivamente desse conjunto de elementos protetivos destinados a assegurar-lhe o direito de sobreviver - escreveu o juiz na sentença.
Para o juiz Manzi, não resta dúvida de que o intuito da empresa era forçar um pedido de demissão, "impondo à genitora longos períodos de separação".
A autora da ação trabalhava como vigilante, num posto fixo e, após o seu retorno da licença maternidade, a empresa adotou algumas medidas que acabaram dificultando a amamentação da menor. Inconformada com a decisão da 2ª Vara do Trabalho de Itajaí, que condenou a empresa apenas ao pagamento dos intervalos não gozados, a autora recorreu da sentença. Segundo ela, após sua volta ao trabalho passou a ser humilhada e assediada pela empresa, que determinou que trabalhasse como vigilante em outras cidades.
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Charge online - Bessinha - # 726

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Charge online - Bessinha - # 725

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Dilma, a nova fase

Para Lembo, a presidente "tem componentes diferentes dos operadores políticos de todos os tempos".
Em todos os ambientes, quando se fala em política, coloca-se uma pergunta: como vai o governo Dilma? É natural a indagação. No presidencialismo, mais que no parlamentarismo, a figura do supremo mandatário tem importância expressiva.
O Parlamento, por mais que mostre vocação cívica, jamais consegue atingir o espaço de expressão do Executivo. O Judiciário, apesar do atual ativismo, ainda é poder que exige provocação para agir.
O Executivo, ao contrário dos demais poderes, está sempre presente na vida do cotidiano das pessoas. A cidadania acompanha com acuidade todos os atos do mandatário. Eles repercutem no dia-a-dia de cada cidadão, mesmo que não incidam diretamente sobre os seus interesses imediatos.
Dilma Rousseff atingiu a Presidência da República como reflexo de uma personalidade carismática e bem sucedida. Mais ainda. Respeitada por todas as classes sociais, salvo poucas exceções.
Suceder a Luiz Inácio Lula da Silva seria tarefa difícil para o mais experiente político, mais dificuldade encontra um quadro técnico acostumado à direção direta de seus subordinados e definição precisa dos objetivos.
A política é caleidoscópio. Jamais é possível aquilatar a próxima imagem. Tudo é mutável e a volubilidade das vontades humanas se apresenta no cenário político com enervante constância.
Compreensível, pois, a idas e vindas dos primeiros meses do atual governo. Só encontrou situações complexas. Lula, o líder sindical, é homem de conflitos e acordos transitórios.
Uma técnica, que sempre ocupou cargos administrativos, não pode utilizar o mesmo meio de convicção. Não possui tradição política e nem sequer atrativo para falar sem atingir conclusões.
Daí as pequenas crises, particularmente no trato dos assuntos ministeriais. Agiu mal, cai. Esta forma de atuar não era habito no período presidencial anterior e nem sequer faz parte dos hábitos políticos brasileiros.
O costume - diga-se de passagem, secular - é transigir e conciliar. Tudo acontece mediante conciliação. Nunca se vai às últimas conseqüências. Dilma rompeu a maldição.
É claro que determinados segmentos se encontram incomodados. No entanto, é possível que a presidenta esteja inaugurando um novo ciclo na política nacional.
Colocar as coisas no devido lugar. Fazer com que os fatos se tornem claros, as falcatruas expostas e seus autores exonerados é novidade que deixa perplexa muita gente.
O erro dos políticos tradicionais é nítido. Esqueceram de examinar a trajetória da presidenta Dilma. Ela sempre mostrou liderança e lutou, de maneira inequívoca, pela democracia e moralidade administrativa.
Ofereceu, em seu passado, em holocausto a dignidade humana o seu próprio sacrifício pessoal. Sofreu em sua a integridade física e perdeu a liberdade. Permaneceu com seus princípios.
Erram, pois, os políticos, inclusive os mais experientes que, em governos passados, ocuparam cargos relevantes nos poderes da República, em procurar agredi-la - e a seu governo - com palavras ou bravatas.
Dilma tem componentes diferentes dos operadores políticos de todos os tempos. Possui coragem e destemor. Não é carreirista. Quer exercer com dignidade seu mandato.
Se tudo isto não fosse suficiente, a democracia plena em que se vive não permite a presença da imoralidade administrativa e nem das velhas técnicas de desestabilização dos governantes.
A opinião pública sabe diferenciar com precisão os bons e os maus atos dos administradores. As boas e as más condutas dos políticos. Terminou a fase do quem pode leva.
Hoje, é preciso respeitabilidade para o exercício das funções públicas. A sociedade é implacável e acompanha cada movimento dos detentores de cargos nos três poderes da República.
Dilma age como quer a maioria da cidadania: preserva a dignidade do cargo e afasta firmemente os de conduta frágil. Tudo isto é novidade. Dai alguma perplexidade de seus adversários e dos analistas deformados pela paixão ou interesses.
Cláudio Lembo é advogado e professor universitário. Foi vice-governador do Estado de São Paulo de 2003 a março de 2006, quando assumiu como governador.
By: Terra Magazine
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Alemão rejeita redução de impostos

O Instituto Forsa alemão pesquisou o que o povo alemão pensa sobre a redução de impostos.
O povo alemão foi categórico: 81% é contra a redução de impostos.
40% é a favor de que mais dinheiro seja investido em infraestrutura e Educação.
Outros 40% são a favor de que o dinheiro seja usado para reduzir a dívida pública.
Isso quer dizer que o discurso dos liberais do FDP (equivalente à nossa oposição no Brasil) é um saco vazio.
Antes que algum espertinho venha me dizer que na Alemanha o povo sabe aplicar os impostos que é revertido para o bem comum da sociedade, eu digo que o problema no Brasil não é a carga tributária direta (na Alemanha tem gente que paga mais de 50% do que ganha para o Estado), mas a aplicação desse investimento, que cai na mão de políticos corruptos, que são escolhidos pela sociedade, e que dessa maneira é corresponsável pela roubalheira.
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Documentário “O Veneno Está na Mesa”, de Silvio Tendler

O documentário da Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, “O Veneno Está na Mesa”, de Silvio Tendler – lançado no dia 25/7, no Teatro Casa Grande.
Divulgue!
Agora, dia 16/8 (terça-feira), às 20h, não percam Wladimir Pomar, escritor e comentarista político, falando sobre “Estratégias para a parceria com a China”.
Esses eventos fazem parte das comemorações dos 45 anos do histórico Teatro Casa Grande que tem realizado, a cada mês, sempre às 20h, uma palestra sobre temas do Brasil e de nossa inserção no mundo.
Mês que vem (dia 12/9), será a vez do ex-senador Saturnino Braga, que abordará o tema “As utopias do século XXI”.
A entrada é franca!
Não tem inscrição prévia: é só chegar antes da hora do início e aproveitar para visitar, no local, a pequena livraria da Editora Expressão Popular (www.expressaopopular.com.br) e a linha do tempo da história do Casa Grande na escada de acesso à plateia.
Estacionamento, PAGO, no Shopping Leblon.
O Teatro Oi Casa Grande (http://oicasagrande.oi.com.br/) fica na Rua Afrânio de Melo Franco, 290, Leblon (Shopping Leblon).
Organização: Escola Nacional Florestan Fernandes (ENFF – http://amigosenff.org.br/site/), Instituto Casa Grande (ICG – http://institutocasagrande.wordpress.com/) e jornal de Cultura e Política Algo a Dizer (www.algoadizer.com.br), que está publicando as transcrições das palestras na íntegra.
Esta será a quinta palestra do ciclo que teve o professor Emir Sader em março; João Pedro Stédile, dirigente do MST, em abril; o embaixador Samuel Pinheiro Guimarães, ex-ministro de Assuntos Estratégicos do governo Lula, em maio; a pediatra e ativista política cubana Aleida Guevara, filha de Che Guevara, em junho; e o ex-reitor da UFRJ, Aluísio Teixeira e o lançamento, seguido de debate, de “O veneno está na mesa, de Silvio Tendler, em julho.
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