24 de jul de 2011

Amy Winehouse and Paul Weller

Leia Mais ►

Quem fez o atentado na Noruega? O pessoal do "Cerra" sabe

O autor do atentado em Oslo, na Noruega, se diz fundamentalista cristão, contra os imigrantes, e membro de uma organização de extrema direita.
Algumas das vítimas participavam de um encontro de uma organização de trabalhistas.
Nos Estados Unidos, o New York Times fez imediatamente essa leitura política do gesto enlouquecido e deixou claro que se tratava de um cristão de extrema direita.
O que, associado à xenofobia, pode contaminar a Europa.
O assassino participava de um fórum neonazista na internet.
Ele acredita que os muçulmanos querem colonizar a Europa Ocidental.
E culpa as idéias “multiculturalistas” e do “Marxismo cultural” por incentivar isso.
Para ele não há um único país em que muçulmanos vivam em paz com não-muçulmanos.
E isso sempre tem consequências catastróficas, diz ele.
Ele se considera cristão, conservador, adepto da musculação e da Maçonaria.
É fã do presidente russo Vladimir Putin.
Nos Estados Unidos, esse extremismo de direita, xenófobo, se acolhe no leito macio no movimento Tea Party que tem como símbolo mais exuberante, hoje, a deputada republicana por Minnesota, Michele Bachmann.
Ela é homofóbica, xenófoba, não votará na ampliação do teto para endividamento dos Estados Unidos em hipótese alguma, considera o aquecimento global uma fraude, e acha que uma das opções para negociar com o Irã é jogar uma bomba atômica.
Bachmann pertence a uma denominação luterana e, com o marido, dirige uma clinica de aconselhamento psicológico, que, entre outras atividades comerciais, se propõe a converter homossexuais ao heterossexualismo.
Quem aqui no Brasil, segundo o professor Wanderley Guilherme dos Santos, se apropriou da doutrina da extrema direita?
Quem explorou o aborto e chamou o Papa para a campanha?
Quem foi a cultos evangélicos passar a mão da cabeça (a outra mão empunhava a Bíblia) de manifestantes homofóbicos?
Quem pôs nos bolivianos a culpa pela tragédia da cocaina e do crack?
Quem disse que a baixa qualidade da educação em São Paulo se deve aos “migrantes”?
Quem trouxe o Irã para a campanha presidencial e criticou uma política de envolvimento e negociação?
Quem foi ao Clube da Aeronáutica do Rio denunciar a marxista Dilma Rousseff?
Quem?
É preciso dar nome aos bois.
Na Noruega, ele se chama Anders Behring Breivik.
Nos Estados Unidos, Michele Bachmann.
No Brasil, José Serra.
Leia Mais ►

Um fato - Dois tratamentos

Jornalismo com dignidade:
Jornalismo lixo:
Leia Mais ►

O que faz Dilma sorrir?

Galinha Pintadinha, paródias na internet e novelas. Mas também música clássica, muita leitura e um bom vinho. Saiba como a presidente se diverte no dia a dia
Uma galinha azul de pintinhas brancas com saia laranja desfila ao lado do galo de paletó na televisão da sala. As sátiras de broncas homéricas levadas pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, são repetidas na internet. Charges do cartunista Chico Caruso viram fontes de galhofa constante. O telefone do trabalho é até usado para fazer pirraça com um amigo. Todas essas cenas são constantes em um ambiente bastante improvável: o da presidente Dilma Rousseff, que gosta de passar a imagem da gerentona sisuda que não pensa em nada além de resultados.
Mas por trás de toda a rigidez e do sorriso difícil, está uma avó antenada nas tendências do neto Gabriel, que nasceu em plena campanha eleitoral, louco pela febre dos vídeos da Galinha Pintadinha — invenção de dois publicitários paulistas que, desde 2009, faz a cabeça de bebês e crianças do país inteiro. Obrigada a assistir aos vídeos sempre que está ao lado de Gabriel e da filha, Paula, Dilma conhece todas as músicas em detalhes e, sempre que encontra uma brecha, conversa com seus auxiliares sobre o musical que está na segunda versão em DVD.
A sacada dos criadores, Juliano Prado e Marcos Luporino, foi usar desenhos bem simples, mas bastante coloridos sobre a galinha que usa saia e o galo de paletó, com músicas bastante conhecidas do cancioneiro popular. Mas hoje, praticamente, todas as famílias com criança de até 2 anos conhecem a turma da Galinha Pintadinha.
Quem trabalha com Dilma relata que sua capacidade de raciocínio e de absorção de novos conteúdos é impressionante. E quem vê a presidente de longe não imagina também que Dilma possa ter senso de humor, mesmo sendo alvo de sátiras. Enganam-se. Assessores relatam que ela deu muitas risadas com o vídeo que ironizou um "pito" que ela deu em Mantega por ele ter "deixado" a inflação chegar a 6%. O ponto alto do vídeo é quando o humorista que imita Dilma diz pelo telefone ao ministro: "Guido, você não tem que chorar, tem que resolver". O líder do PMDB na Câmara, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), não se espanta com o humor da presidente. "Esse vídeo é muito a cara dela", disse, enfatizando o "muito".
A diferença entre o humorista que a imita na internet e a vida real são os palavrões. Dilma não se escora em termos de baixo calão para dar broncas. É ríspida e dura. Afinal, além da cultura pop — incluindo algumas novelas, novas e reprisadas —, há espaço para erudição. Leitora ávida, gosta de escutar música erudita, acompanhada por um bom vinho. 

Leia Mais ►

SP e RJ reagem a aumento de casos de agressões contra gays

O aumento do número de casos de agressões a gays nos últimos meses forçaram os dois principais Estados do País a reagir. No primeiro semestre deste ano, a Secretaria Estadual de Justiça e Defesa da Cidadania de São Paulo já abriu 40 processos por crime de homofobia. O número é superior ao de todo o ano passado, em que o total de casos encaminhados alcançou 33. No Rio de Janeiro, a prefeitura chegou a criar esse ano a Coordenadoria Especial de Diversidade Cultural (Ceds), que concentra as denúncias de ataques contra homossexuais na cidade. O órgão carioca ganha espaço a cada dia, com vaga privilegiada na novela global Insensato Coração e por campanhas como Carnaval Sem Preconceito.
A divulgação de crimes violentos, como o ocorrido nesta semana, em que um pai teve parte de uma orelha decepada por estar abraçado com o filho - ambos teriam sido confundidos com homossexuais - ajuda a tirar esses crimes na invisibilidade. Segundo Heloísa Gama, coordenadora de Diversidade Sexual da secretaria paulista, a violência contra homossexuais não é novidade no Brasil. "Os crimes acontecem há muito tempo, só que eles eram invisíveis. A novidade agora é toda essa repercussão. Não se pautava esse assunto como a mídia faz hoje. É um tipo de crime revoltante, mas aqui em São Paulo temos um plano bem definido para enfrentá-lo", diz.
A principal arma paulista é uma lei que prevê punição administrativa para casos de discriminação racial e étnica. Promulgada há um ano, já contabiliza 68 processos, sendo mais da metade (36) na capital paulista.
Pela lei, a pessoa que se sentir agredida não precisa ir a uma delegacia de polícia. Ela poderá se dirigir a órgãos estaduais como Fundação Procon, Instituto de Medicina Social e de Criminologia de São Paulo (Imesc), Instituto de Pesos e Medidas (Ipem) e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP), além de 47 prefeituras. De acordo com a lei, a pena para quem comete o crime de discriminação vai de uma simples advertência a multa, cujo valor pode chegar a R$ 17 mil.
Heloísa lembra que uma resposta contundente aos crimes de homofobia é uma legislação forte. "Não adianta colocar só a polícia na repressão a esse tipo de crime. Precisamos de uma legislação mais forte. As denúncias mostram que as pessoas estão cansadas de ficar caladas", afirma.
Políticos preconceituosos incentivam violência
Para o coordenador da Ceds, Carlos Tufvesson, a incidência de crimes não somente tem aumentado, como tem crescido o requinte de crueldade praticado pelos agressores. Para ele, a atitude pública de políticos, como Jair Bolsonaro (PP-RJ), que expressam preconceito tem contribuído para o quadro atual. "Milito há 15 anos e estou impressionado. Se fizermos uma comparação do aumento dos discursos homofóbicos por parte de parlamentares, veremos um gráfico que não é mera coincidência", afirma.
Segundo ele, é preciso impor limites a pronunciamentos que expressem preconceito. "Enquanto a liberdade de expressão for usada para permitir esse tipo de discurso, essas gangues neonazistas, como as que marcharam em São Paulo em apoio a um deputado do Rio de Janeiro, se sentirão legitimadas em suas ações", afirma.
Tufvesson acredita que a mudança na cultura da homofobia só se dará a médio e longo prazo. "Só a conscientização da sociedade nos permitirá uma pressão no Legislativo para uma punição desses atos que envergonham a todos nós como seres humanos", afirma.
Ministra quer leis que coíbam agressões
A ministra da Secretaria dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, afirmou que o país precisa se livrar da cultura homofóbica e criar leis e programas que coíbam as ações violentas motivadas pela sexualidade. "São crimes de ódio que são motivados pelo simples fato de as pessoas serem homossexuais", condena. Segundo a ministra, o Disque-100, que recebia denúncias de crianças e adolescentes vítimas de violência, também está funcionando de forma efetiva, desde o início do ano, como canal de denúncias para crimes de motivações homofóbicas. "Nesses seis meses de atuação, nós já temos como terceiro principal motivador os casos de violência contra homossexuais", afirma. Maria do Rosário também cobra ação dos Estados para combater as práticas contra a comunidade LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros). "Estamos preparando um encontro, que deve ocorrer em duas semanas no máximo, entre todas as secretarias estaduais de segurança do país", anunciou. Ela cobra também do Congresso Nacional uma legislação que enfrente a homofobia como um crime presente no Brasil. "Queremos que todos estejam integrados em uma jornada que livre o Brasil dessa marca dos crimes de ódio", afirma.
Luís Bulcão e Vagner Magalhães
By: Terra
Leia Mais ►

Parabéns Uruguay

   Campeão da Copa América   
Leia Mais ►

A bandalheira fardada

Apesar da faxina que promove em alguns organismos do governo, a presidenta Dilma Rousseff ainda está longe de ter se livrado das dores de cabeça provocadas por denúncias e indícios de corrupção no Departamento de Infraestrutura de Transportes (Dnit), a árvore das mais frondosas bandalheiras no Ministério.
Na sexta-feira 15, Dilma demitiu José Henrique Sadok de Sá, mais uma cabeça coroada do Dnit. Além de diretor-geral, ele era o substituto imediato do já afastado Luiz Antonio Pagot. Sá foi afastado após denúncia de que a empresa da mulher dele tinha contratos da ordem de 18 milhões de reais com aquele departamento.
A tormenta de Dilma nessa área pode piorar. Sadok de Sá é o fio de uma meada que leva à sempre sensível área militar. Mais precisamente ao Instituto Militar de Engenharia (IME), subordinado ao Departamento de Ciência e Tecnologia do Exército e considerado um centro de referência do ensino de engenharia nas Américas.
Um Inquérito Policial Militar (IPM), aberto em maio de 2010 na Justiça Militar, no Rio de Janeiro, e concluído agora, denuncia por crime de peculato seis militares do Exército e nove civis “por desvio de recursos públicos em licitações realizadas pelo Instituto Militar de Engenharia, nos anos 2004 e 2005” referentes a convênios celebrados com o Dnit. O prejuízo aos cofres públicos está calculado em 11 milhões de reais.
Um dos vínculos entre os militares (IME) e Sadok de Sá (Dnit) está no fato de Fábia Sadok de Sá, filha do diretor do Dnit, constar como contratada da empresa WMW ANKAR.
Havia oito empresas participantes do esquema. A maioria delas formada por sócios, amigos e parentes.
O nome da WMW ANKAR é de uma evidência gritante. Soma o W de Washington (major Washington Luiz de Paula, um dos denunciados); o M de Marcelo; W de William; o AN de Antonio (sogro de Washington); o KA de Khaterine (esposa de Washington) e o R de Roberto (coronel Paulo Roberto Dias Morales, outro oficial denunciado), registrada em nome de Antonio da Cruz Fonseca (sogro de Washington), da cunhada dele Edilania Fonseca Froufe (empregada do Dnit) e de Wilson Agostinho (pai de William).
Entre setembro de 2004 e julho de 2005, apenas dois meses após ter sido criada, ela teria desviado dos cofres públicos quase 2 milhões de reais (tabela).
Nos depoimentos, militares e civis, irmanados, argumentam que agiram dentro da lei. A denúncia contra eles, no entanto, derruba facilmente a tese, principalmente pela forma com que conduziram a homologação das licitações, a fase de liquidação das despesas e, enfim, o pagamento. Um simples exemplo:
No convite 43/2004, cuja execução seria de até 30 dias, foi pago 90,4% em cinco horas. Tempo decorrido entre a emissão da Nota de Empenho e da Ordem Bancária. O restante em dez dias.
Tudo, como se vê, a tempo e a hora. Uma eficiência que não ocorre em qualquer outro órgão público que não tenha esquemas ilegais alternativos.
Há um fato extremamente relevante na trajetória do processo. Os autos foram enviados à Procuradoria da Justiça Militar “em razão da atribuição específica” desse órgão. Isso ocorre quando a denúncia envolve generais. E há três deles denunciados.
A granada que vai explodir nas mãos do ministro da Defesa, Nelson Jobim.
Maurício Dias é jornalista, editor especial e colunista da edição impressa de CartaCapital. A versão completa de sua coluna é publicada semanalmente na revista. mauriciodias@cartacapital.com.br
Leia Mais ►

Kassab dá R$ 420 mi ao Fielzão e corta R$ 460 da merenda de menores carentes

Prefeitura de SP corta R$ 461 da merenda dos abrigos
Desde 1º de julho, as entidades que abrigam menores carentes da capital estão obrigadas a economizar a verba da merenda. Redução não é explicada
No começo do mês, a Secretaria Municipal da Assistência Social cortou o repasse extra da alimentação, de R$ 461,14. O dinheiro era usado, principalmente, para pagar o lanche da noite, composto por leite com chocolate e bolachas ou bolo.
Segundo a prefeitura, a redução não acarreta prejuízo aos abrigados. A gestão Gilberto Kassab (PSD), no entanto, não levou em conta os índices de inflação dos últimos 12 meses, que revelam outra realidade. Segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), a alta de preços registrada de junho de 2010 a junho de 2011 foi de 8,89% - acima da média geral, de 6,71%.
Com o corte, a prefeitura vai "economizar" R$ 59.469 por mês - R$ 713.628 por ano. O valor anual representa 0,17% da isenção fiscal concedida pelo município ao Corinthians, para a construção do Fielzão, estádio que deve abrigar a abertura da Copa do Mundo de 2014.
Leia Mais ►

O Brasil visto de fora

Passamos um pedaço da semana ocupados com um assunto menos importante que parece. Foi suscitado pelo correspondente do jornal espanhol El País, em artigo em que discorria sobre sua dificuldade de entender por que os brasileiros não ficam “indignados” com o Brasil. Em especial, por que não saem às ruas para protestar contra a falta de ética e a corrupção.
O texto foi republicado por O Globo, três semanas depois de ter saído na Espanha. Parece que a direção do jornal carioca ficou indignada com a falta de repercussão do texto original. Resolveu traduzi-lo e mandou fazer reportagem de capa a respeito do tema.
O autor, Juan Arias, deve ter ficado satisfeito com a deferência de seus colegas. Voltou à discussão na terça feira, dessa feita em matéria intitulada “A imprensa se converte no paladino contra a corrupção no Brasil”. Titulo tão surpreendente para quem conhece as corporações da mídia brasileira que só pode ser explicado como retribuição ao destaque que recebera.
Suas ideias foram encaixadas no modelo de interpretação de nossa realidade que é típico das redações dos grandes jornais. Nele, tudo é explicado a partir de uma premissa: os males do Brasil são culpa de Lula e do PT.
É fácil interpretar nossa realidade política e social sabendo, de antemão, a resposta a todas as perguntas. Qualquer coisa pode ser assim compreendida, incluindo a “apatia da sociedade” que não se indigna e não reage contra tudo de errado que existe.
Como afirmou o editorial de O Globo: “O fenômeno da inapetência política diante do assalto aos cofres abastecidos pelos pesados impostos pagos pelo contribuinte tem múltiplas raízes. A mais profunda deriva da bem-sucedida execução de um projeto de cooptação com dinheiro público...(através de organizações) convertidas em correias de transmissão do lulopetismo”.
O engraçado no raciocínio é que a “raiz profunda” da pequena disposição contestatória da população teria nascido outro dia. Se foi obra do “lulopetismo”, é de imaginar que, antes que Lula chegasse ao poder, o problema inexistisse.
Na visão singela do editorialista, talvez fossemos, até 2002, uma sociedade de ampla participação popular, onde o povo vigiava os políticos e só tínhamos a corrupção que passava despercebida. Foi quando veio Lula e estragou tudo.
Não parece que Juan Arias concordaria com uma tese tão superficial. Seu texto não atribuía ao “lulopetismo” a responsabilidade pela situação que o deixava perplexo. O que discutia eram os traços gerais de nosso sistema político, em nada circunscritos a um partido ou governante. A “indignação” que cobrava não seria do povo contra o governo federal, mas também o Congresso, a política nos estados e nos municípios.
O texto tratava Dilma de maneira peculiar. Para ele, “(...) curiosamente, a mais irritada com o ataque dos políticos aos cofres públicos parece ser a primeira presidente mulher”. Ou seja, apesar da lamentada ausência do “povo nas ruas”, ela seria “indignada” o suficiente para não aceitar a corrupção e estaria dando mostras disso no modo como enfrentou os casos Palocci e Alfredo Nascimento.
Nem se precisa dizer que essa avaliação esteve totalmente ausente nas repercussões do texto no Globo. Admiti-la implicaria abrir mão do modelo em que o “lulopetismo” é o grande culpado.
O assunto acabou fazendo um percurso curioso. Primeiro, um correspondente estrangeiro escreveu um artigo com o olhar característico de quem vê de fora nossos problemas. Daí, achando que era instrumental, um jornal local o importou, adaptando-o à sua visão.
Foi buscar lá fora argumentos que referendavam suas ideias e lhes davam certo ar cosmopolita, mesmo algumas que o texto inicial não subscrevia. Terminou como se o El País condenasse o “lulopetismo”.
Não era isso, mas quem se importa? Em redações como a desse jornal, a única coisa relevante é combater.
Marcos Coimbra, sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
Leia Mais ►

Aquele olhar

Antigamente, depois que erravam um chute a gol, os jogadores batiam com a chuteira no chão. Era uma maneira de culpar um desalinhamento passageiro do pé, ou alguma imperfeição da chuteira, pelo chute torto. A batida no chão corrigiria o defeito. Felizmente, a hipocrisia acabou e hoje nenhum jogador faz isto.
O gesto mais repetido depois de um gol perdido é o das mãos na cabeça, significando que nem ele acredita no que aconteceu. De certa maneira, a culpa foi transferida da matéria — o pé descalibrado, a chuteira traiçoeira — para o destino, para o etéreo. Enfim, para longe. O chute errado é do jogo. Pertence aos imponderáveis do futebol. Aquelas coisas que enlouquecem torcedores e derrubam técnicos, mas contra as quais nada se pode fazer.
Os quatro jogadores da seleção brasileira que erraram os chutes na decisão por pênaltis do jogo com o Paraguai fizeram a mesma coisa depois dos chutes (três para fora, sendo um para outro estado, e um nas mãos do goleiro).
Os quatro olharam para a marca de pênalti como se olhassem para alguém em quem confiavam e que acabava de se revelar um calhorda, com incompreensão e ressentimento. O olhar dizia muita coisa.
Culpava a marca de pênalti, e através dela todo o gramado, plantado, era o que parecia, sobre areia movediça, pelo vexame.
Dizia: “O que é que eu estou fazendo aqui, neste pântano, quando podia estar na Europa jogando em grama cultivada, com curso de extensão universitário?”
Dizia: “O que vai ser do mundo, se uma reles marca de pênalti, que não tem patrocínio nem da Adidas nem da Nike nem sequer do fornecedor da cal, pode sabotar o chute de um pé milionário como o meu, e ainda ficar rindo desse jeito?!”
Dizia: “Eu estou ficando louco ou essa marca se mexeu?”
Mas o que o olhar dos quatro dizia acima de tudo era que a culpa não era deles nem do imponderável, era da marca de pênalti. A mesma marca de pênalti não tinha atrapalhado os paraguaios? Mais uma prova da sua calhordice, concreta e explícita. O mínimo que se quer num jogo de futebol internacional é que as marcações do campo sejam neutras. E aquela marca de pênalti era claramente uma torcedora.
Quer dizer: o olhar dos quatro foi o equivalente a baterem com a chuteira no chão, como antigamente.
Luís Fernando Veríssimo
Leia Mais ►

Entrevista Memorável Tim Maia

Leia Mais ►

Brasil decide apoiar palestinos na ONU e irrita Israel

O governo Dilma Rousseff já se decidiu: em setembro, quando a Autoridade Palestina pedir para se tornar o 194.º país-membro da ONU, terá o voto brasileiro. A garantia de apoio foi passada ao presidente palestino, Mahmoud Abbas, por um mensageiro especial de Dilma, Luiz Inácio Lula da Silva, há menos de um mês. Lula prontificou-se ainda a pessoalmente ajudar Ramallah a conquistar votos de países em desenvolvimento.
Israel, do outro lado, tenta agora uma ofensiva para "contenção de danos". Dois integrantes do primeiro escalão do governo estão a caminho do Brasil. Um deles, Moshe Yaalon, vice do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu, solicitou um encontro com Dilma - que deverá ser recusado pelo Planalto.
Os israelenses sabem que ao final não conseguirão reverter a decisão brasileira, mas querem evitar que Brasília "puxe votos" contra Israel.
"O objetivo do Brasil é ajudar a criar um fato político que empurre israelenses e palestinos para uma negociação direta. Do jeito que está, o conflito tende a se eternizar", explicou ao Estado o assessor para Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia. "A questão palestino-israelense é o foco de desestabilização do Oriente Médio", defendeu Garcia.
Em entrevista ao Estado de S. Paulo, o chanceler Antonio Patriota havia indicado que o Brasil "não terá dificuldades em votar a favor" do reconhecimento do Estado palestino pelas Nações Unidas.
Dilma discursará na sessão anual da Assembleia-Geral da ONU, quando virá à baila a questão. Ela será a primeira a subir à tribuna em Nova York, conforme a tradição que, desde 1947, reserva ao Brasil a abertura dos discursos de chefes de Estado, ministros e demais autoridades nacionais na plenária.
O reconhecimento dos palestinos pela ONU, porém, deverá passar ainda pelo Conselho de Segurança, onde provavelmente acabará vetado pelos EUA.
Leia Mais ►

Homofobia em Carazinho - RS

Festival Nativista proíbe participação de terceiro sexo (sic)
A 17ª edição da Seara da Canção Gaúcha que é realizado anualmente em Carazinho e movimenta a música nativista, desta vez, tem uma característica no mínimo inusitada. O Regulamento do Festival no seu Artigo 14, Parágrafo 3º determina:
Parágrafo 3º: Poderão participar da fase municipal somente autores masculinos e femininos, nascidos e/ou residentes em Carazinho, podendo comprovar esta condição, caso seja solicitada;
Portanto, tome cuidado caro músico e compositor Carazinhense ou morador desta bela cidade do norte gaúcho, terra do nosso saudoso governador Leonel Brizola. Você poderá ser intimado a comprovar sua masculinidade ou feminilidade. Não adianta disfarçar!
Leia Mais ►

Para além da morte de Amy

Amy e todo seu estilo
Não é tolerável que se fale bem de Amy Winehouse, que se descrevam as características do seu talento, que se compreenda agora a dureza da vida frente às dificuldades de convivência, às vezes esta, insuportável aos mais sensíveis e criativos; e com candura hipócrita: minimizem, agora, as drogas perante o que a cantora, de vida breve, fez no cenário da música popular ocidental, igualzinho a outros ícones que morreram (ou foram mortos?) pela força da normalidade que configura este mundo asfixiante em que vivemos como prisioneiros moralistas.
A questão não é a droga pela droga, nem o desvario pelo desvario que alguns artistas apresentam. A questão não é elaborar um tratado psicológico ou sócio-antropológico, do ponto de vista acadêmico, para revelar as fragilidades da grande Amy; fragilidades que todos têm e se salvam pelo ordenamento, coisas que os inquietos e criativos, os de temperamento questionador, muitas vezes genial, não conseguem e nem querem se submeter.
A questão, se existe uma, é entender que nós criamos os drogados e precisamos dos transgressores. E esse tipo de morte expurga nossa culpa covarde de querer gozar a normalidade e combater letalmente os que tentam se destruir como forma de denúncia, de desabafo, de escracho inocente e suicida; os que se lançam à morte buscando uma vida mais luminosa, que entre nós, nem o grande talento consegue trazer.
Lamento a morte de Amy como se lamentasse a perda da minha vida. Ela alimentou, com seu escárnio autodestrutivo, a indústria midiática dos escândalos e das fofocas que dão densidade à existência tacanha de milhões de pessoas espalhadas por este mundo. Não sei se ela tinha coragem; tenho certeza que tinha um grande talento e estava entre as vozes mais agradáveis e especiais das cantoras planetárias na contemporaneidade.
Era toda ela um jeito surreal de ser: a forma idealizada que se tem do verdadeiro artista, aquele que representa o que não saberíamos ser: por pequenez, inabilidade, covardia, incompetência, falta de talento, de vocação, enfim, a tal da normalidade que emprega os medíocres.
Tomara que esta morte tenha um efeito contrário e não sirva para acariciar a pele rude da necrofilia do Ocidente; tomara que não só se façam discursos contra as drogas e nem mitifiquem Amy, santificada agora porque calada, castigada pela morte, por conta das suas transgressões, da sua rebeldia, da "fúria marginal", do seu encanto selvagem bem acima das possibilidades do humano em sua normalidade.
Back to Black acendendo-se em nossos ouvidos em uníssono para registrar uma despedida que é encontro. A gente sempre foi Amy no recôndito dos nossos sonhos, em nossas lamentações profundas, em nossa ânsia de fórmulas anestésicas, em nosso grito esmagado em busca de uma liberdade que nunca será...
Mas ela tentou, se desesperou, se aliviou, se maltratou; se errou integralmente não sei; sua voz ficará na galeria dessa imortalidade daninha que conferimos aos mitos; seu canto está em muitos antes e depois dela e continua até repousar em outro que tenha de morrer em nome da harmonia deste mundo que adoece os sensíveis, os proponentes, os que rejeitam: a alegria pipoca e macaco, poltrona TV domingo, neuroses bancárias, carro apartamento status... O poder que mata para que haja esta civilizada sociedade dos homens e mulheres bolsonaros.
Marlon Marcos é jornalista, antropólogo e professor. Blog: Memórias do Mar.
By: Terra Magazine
Leia Mais ►

Cansei. Agora, sou Agro

Empresas e entidades ligadas ao agronegócio lançaram, esta semana, uma grande campanha de mídia para tentar reverter a imagem negativa do setor, contando com atores como Lima Duarte e Giovana Antonelli. O Movimento de Valorização do Agronegócio Brasileiro – Sou Agro envolve também a produção de notícias e o desenvolvimento de pesquisas. A verdade é que, para mudar a imagem do agronegócio, que não vai lá muito bem com os recentes assassinatos de trabalhadores rurais, a tratorada sobre o Código Florestal, o trabalho escravo velho de guerra, noves fora os problemas de sempre, vai ser necessário uma campanha muito longa.
Quando o Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros (lembram do “Cansei”?), organizado pela OAB-SP e parte rechonchuda da elite brasileira, foi lançado tive a mesma sensação estranha que estou tendo agora com o Sou Agro. A de que soa como algo que quer fazer com que você defenda interesses específicos pensando lutar pelo interesse nacional, passando por cima de algumas verdades. Que, muito provavelmente, não estarão na boca do Lima e da Giovana.
O Brasil não conseguiu garantir padrões mínimos de qualidade de vida aos seus trabalhadores rurais, principalmente aqueles em atividades vinculadas ao agronegócio monocultor e exportador em área de expansão da fronteira agrícola. Ocorrências de trabalho escravo, infantil e degradante, superexploração do trabalho, remuneração insuficiente para as necessidades básicas são registradas com freqüência. Prisões, ameaças de morte e assassinatos de lideranças rurais e membros de movimentos sociais que reagem a esse quadro também são constantes e ocorrem quase semanalmente. A estrutura fundiária extremamente concentrada também funciona como uma política de reserva de mão-de-obra, garantindo sempre disponibilidade e baixo custo da força de trabalho para as grandes propriedades rurais.
Parte do agronegócio brasileiro ainda não consegue operar com práticas sustentáveis, fazendo com que o meio ambiente sofra as conseqüências do desmatamento ilegal, da contaminação por agrotóxicos, do assoreamento e poluição de cursos d’água, entre outros. Da mesma forma, para a ampliação da área cultivável ou no intento de viabilizar grandes projetos há um histórico de expulsão de comunidades tradicionais, sejam elas de ribeirinhos, caiçaras, quilombolas ou indígenas, que ficou mais intensa com a colonização agressiva da região amazônica a partir da década de 70. Esse tipo de ação tem sido sistematicamente denunciado pelos movimentos sociais brasileiros às organizações internacionais – Belo Monte que o diga.
Mesmo se fossem fechadas as fronteiras agrícolas da Amazônia e do Cerrado – hoje abertas e em franca expansão – o país ainda teria uma das maiores áreas cultiváveis do planeta. Da mesma forma, seu clima (diverso, entre o temperado e o tropical, o que garante um vasto leque de produtos), relevo (grandes extensões de planícies e planaltos), disponibilidade de água e um ciclo de chuvas relativamente regular na maior parte do ano garantem excelentes condições de produção.

 Além disso, o Brasil é um dos países mais populosos do planeta, com mais de 180 milhões de habitantes, dos quais aproximadamente 10% trabalham no campo. Há mão-de-obra disponível, o que garante o desenvolvimento e a ampliação das atividades sem depender de migração externa ou de um choque de mecanização, como acontece com a União Européia ou os Estados Unidos.
O país possui uma legislação trabalhista que, se fosse seguida corretamente, seria capaz de resolver boa parte dos problemas sociais que ocorrem nessas propriedades rurais. Ela incomoda o capital e prova disso são as fortes pressões de empregadores por uma reforma que diminua os gastos com os direitos trabalhistas. 
O que existe efetivamente é um descompasso entre o que prevê a lei e a realidade no campo. Na busca por aumentar sua faixa de lucros e seu poder de concorrência no mercado nacional e internacional, parte dos agricultores descumpre o que está previsto na legislação e explora os trabalhadores, em intensidades e formas diferentes. Ficam com parte dessa expropriação e transferem a maior fatia para: a) a indústria, b) comerciantes de commodities de outros países e c) o sistema bancário brasileiro e internacional – que financia a produção.

 Os casos de exploração mais leves são mais freqüentes e dizem respeito ao pagamento de baixos salários e à manutenção de condições que colocam em risco a saúde do trabalhador. Do outro lado, as ocorrências mais graves estão na utilização de mão-de-obra escrava.
Como os casos “mais leves” de desrespeito ao trabalhador são mais freqüentes, eles passam despercebidos na mídia, preteridos em detrimento à gravidade do trabalho escravo e infantil, que ocorrem em menor número. Também não é interesse de algumas empresas de comunicação em discutir aumentos de salários no campo, uma vez que é freqüente a propriedade de TVs, jornais e rádios por grupos familiares do agronegócio. Já os assassinatos de trabalhadores rurais são vistos como “baixas de conflito”, inseridos em um discurso de que a defesa da propriedade privada predispõe e justifica o uso da força. Segundo esse discurso, é comum o progresso ter as suas vítimas.


A força política dos proprietários rurais continua sendo um entrave para a mudança dessa estrutura. Há uma laissez-faire no campo.
O detentor da terra na Amazônia, por exemplo, muitas vezes exerce o poder político local, seja através de influência econômica, seja através da força física. O limite entre as esferas pública e privada se rompe. Há no Congresso Nacional um influente grupo de parlamentares que defende os interesses das grandes empresas rurais, a chamada “bancada ruralista”. Infelizmente, esses deputados e senadores têm inviabilizado a aprovação de leis importantes que poderiam ajudar efetivar os direitos dos trabalhados do campo – como a que prevê o confisco das terras em que trabalho escravo seja encontrado. Temem que isso afete os seus principais eleitores.


É necessário acelerar a efetivação dos direitos dos trabalhadores e alterar a estrutura agrária brasileira. A tarefa é árdua, tendo em vista as razões expostas anteriormente, e passa também por mudanças políticas e econômicas que, certamente, irão incomodar as elites rurais, industriais, comerciais e financeiras, tanto do Brasil como do exterior, que lucram com esse sistema.
Infelizmente, a forma como vem sendo feito o desenvolvimento da agricultura brasileira, principalmente em regiões de expansão agrícola na Amazônia e no Cerrado, tem trazido crescimento econômico, mas não bem-estar social. Apesar do nível de consciência do trabalhador rural ter aumentado significativamente nos últimos anos, o que é pré-condição para que ele se torne um protagonista social, a mobilização ainda é insuficiente para uma mudança radical na estrutura de concentração econômica no campo. O governo Lula esteve aberto ao diálogo com grupos como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), mas frustrou expectativas por não tomar decisões que alterariam o statuo quo no campo. Pelo contrário, reforçou-o. Uma delas seria dar, pelo menos, o mesmo apoio garantido ao latifúndio para a pequena propriedade, considerando que a sua produtividade é comparável ou maior, ao passo que a degradação do meio ambiente e da força de trabalho são maiores na grande propriedade. Ressalte-se que apesar das grandes fazendas ficarem com a maior fatia do bolo do financiamento público, as pequenas propriedades é que empregam 80% da mão-de-obra no campo, produzem a maior parte dos alimentos consumidos pela população brasileira.
Ou seja, seria necessário um enfrentamento político e econômico contra as condições que garantem a exploração do trabalhador e do meio ambiente. Fato que, até a vista alcança, permanece distante.
Leia Mais ►

Charge online - Bessinha - # 711

Leia Mais ►