23 de jul de 2011

A obsessão e o complexo de vira-lata

Até os jornais brasileiros tiveram de noticiar. Uma força-tarefa criada pelo Conselho de Relações Exteriores, organização estreitamente ligada ao establishment político/intelectual/empresarial dos Estados Unidos, acaba de publicar um relatório exclusivamente dedicado ao Brasil, - pontuado de elogios e manifestações de respeito e consideração. Fizeram parte da força-tarefa um ex-ministro da Energia, um ex-subsecretário de Estado e personalidades destacadas do mundo acadêmico e empresarial, além de integrantes de think tanks, homens e mulheres de alto conceito, muitos dos quais estiveram em governos norte-americanos, tanto democratas quanto republicanos. O texto do relatório abarca cerca de 80 páginas, se descontarmos as notas biográficas dos integrantes da comissão, o índice, agradecimentos etc. Nelas são analisados vários aspectos da economia, da evolução sociopolítica e do relacionamento externo do Brasil, com natural ênfase nas relações com os EUA. Vou ater-me aqui apenas àqueles aspectos que dizem respeito fundamentalmente ao nosso relacionamento internacional.
Logo na introdução, ao justificar a escolha do Brasil como foco do considerável esforço de pesquisa e reflexão colocado no empreendimento, os autores assinalam: “O Brasil é e será uma força integral na evolução de um mundo multipolar”. E segue, no resumo das conclusões, que vêm detalhadas nos capítulos subsequentes: “A Força Tarefa (em maiúscula no original) recomenda que os responsáveis pelas políticas (policy makers) dos Estados Unidos reconheçam a posição do Brasil como um ator global”. Em virtude da ascensão do Brasil, os autores consideram que é preciso que os EUA alterem sua visão da região como um todo e busquem uma relação conosco que seja “mais ampla e mais madura”. Em recomendação dirigida aos dois países, pregam que a cooperação e “as inevitáveis discordâncias sejam tratadas com respeito e tolerância”. Chegam mesmo a dizer, para provável espanto dos nossos “especialistas” – aqueles que são geralmente convocados pela grande mídia para “explicar” os fracassos da política externa brasileira dos últimos anos – que os EUA deverão ajustar-se (sic) a um Brasil mais afirmativo e independente.
Todos esses raciocínios e constatações desembocam em duas recomendações práticas. Por um lado, o relatório sugere que tanto no Departamento de Estado quanto no poderoso Conselho de Segurança Nacional se proceda a reformas institucionais que deem mais foco ao Brasil, distinguindo-o do contexto regional. Por outro (que surpresa para os céticos de plantão!), a força-tarefa “recomenda que a administração Obama endosse plenamente o Brasil como um membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas. É curioso notar que mesmo aqueles que expressaram uma opinião discordante e defenderam o apoio morno que Obama estendeu ao Brasil durante sua recente visita sentiram necessidade de justificar essa posição de uma forma peculiar. Talvez de modo não totalmente sincero, mas de qualquer forma significativo (a hipocrisia, segundo a lição de La Rochefoucault, é a homenagem que o vício paga à virtude), alegam que seria necessária uma preparação prévia ao anúncio de apoio tanto junto a países da região quanto junto ao Congresso. Esse argumento foi, aliás, demolido por David Rothkopf na versão eletrônica da revista Foreign Policy um dia depois da divulgação do relatório. E o empenho em não parecerem meros espíritos de porco leva essas vozes discordantes a afirmar que “a ausência de uma preparação prévia adequada pode prejudicar o êxito do apoio norte-americano ao pleito do Brasil de um posto permanente (no Conselho de Segurança)”.
Seguem-se, ao longo do texto, comentários detalhados sobre a atuação do Brasil em foros multilaterais, da OMC à Conferência do Clima, passando pela criação da Unasul, com referências bem embasadas sobre o Ibas, o BRICS, iniciativas em relação à África e aos países árabes. Mesmo em relação ao Oriente Médio, questão em que a força dos lobbies se faz sentir mesmo no mais independente dos think tanks, as reservas quanto à atuação do Brasil são apresentadas do ponto de vista de um suposto interesse em evitar diluir nossas credenciais para negociar outros itens da agenda internacional. Também nesse caso houve uma “opinião discordante”, que defendeu maior proatividade do Brasil na conturbada região.
Em resumo, mesmo assinalando algumas diferenças que o relatório recomenda sejam tratadas com respeito e tolerância, que abismo entre a visão dos insuspeitos membros da comissão do conselho norte-americanos - e aquela defendida por parte da nossa elite, que insiste em ver o Brasil como um país pequeno (ou, no máximo, para usar o conceito empregado por alguns especialistas, “médio”), que não deve se atrever a contrariar a superpotência remanescente ou se meter em assuntos que não são de sua alçada ou estão além da sua capacidade. Como se a Paz mundial não fosse do nosso interesse ou nada pudéssemos fazer para ajudar a mantê-la ou obtê-la.
Celso Amorim é ex-ministro das Relações Exteriores do governo Lula. Formado em 1965 pelo Instituto Rio Branco, fez pós-graduação em Relações Internacionais na Academia Diplomática de Viena, em 1967. Entre inúmeros outros cargos públicos, Amorim foi ministro das Relações Exteriores no governo Itamar Franco entre 1993 e 1995. Depois, no governo Fernando Henrique, assumiu a Chefia da Missão Permanente do Brasil nas Nações Unidas e em seguida foi o chefe da missão brasileira na Organização Mundial do Comércio. Em 2001, foi embaixador em Londres.
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Ministério dos Transportes aprova rodízio de propinas

Políticos com quilometragem avançada e seguro em dia, como Valdemar Costa Neto, receberão cartões "sem parar", que serão abastecidos automaticamente cada vez que passarem perto do Ministério
SUCUPIRA - Estupefato com a desorganização com que são conduzidos os esquemas de corrupção no setor dos Transportes, o ministro Paulo Sérgio Passos apresentou um pacote de propostas para regular a arrecadação. "Ontem, o flanelinha me pediu 20 reais para parar o carro porque tinha que dar 30% para um assessor do Dnit. O troço fugiu do controle", explicou.
O pacote prevê a construção de uma Central de Controle de Tráfego de Propinas (CECOTRAPRO). A CET instalará câmeras em gabinetes, radares e haverá um rigoroso sistema de controle, via GPS, para saber a localização exata de membros do DNIT, lobistas e malas pretas.
Paulo Sergio Passos também instituiu um sistema de rodízio. Os deputados e senadores cujo RG termina em 0, 1 ou 2 só poderão se envolver em escândalos às terças-feiras. Quem portar o algarismo 3, 4 ou 5 poderá se comportar de forma inadequada todos os dias, exceto às quartas. Parlamentares com final 6, 7, 8 ou 9 têm restrições para praticar atos ilícitos às quintas. O sistema leva em conta a semana de trabalho no Congresso, que exclui as segundas e sextas. Funcionários com o sobrenome Passos podem se locupletar todos os dias, inclusive domingos e feriados.
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Como enganar o “freguês”

O Estadão publica agora à noite uma matéria que é um primor na arte de enganar o freguês.
E o texto começa com aquele estilo de abertura de Jornal Nacional: “Confirmado: o Brasil é mesmo o campeão mundial dos encargos trabalhistas.”.
E, daí por diante, reproduz os dados de uma pesquisa da Fiesp, que mostrariam que, proporcionalmente, os encargos pagos pelas empresas sobre os salários dos trabalhadores no Brasil seriam a fonte da falta de competitividade da indústria brasileira frente aos concorrentes estrangeiros.
Ninguém duvida que essa legislação tem que ser revista e os encargos, em boa parte, devem ser transferidos da folha de pagamentos para o faturamento das empresas, como forma de tornar justa a contribuição social, sem castigar quem emprega muito para faturar relativamente pouco e tributando quem ganha muito sem gerar emprego em quantidade significativa, como o setor financeiro.
Mas a matéria passa longe disso. E é um tal de dizer que se paga mais aqui do que em Taiwan, na Argentina, na Coreia do Sul e no México. Seriam 32,4% de encargos, contra uma média de 21,4% nos 34 países estudados.
E, então, um parágrafo que é uma pérola da coleção de “verdades absolutas e indiscutíveis”.
“Apesar de o título brasileiro de campeão mundial já estar consolidado há um bom tempo no debate econômico, faltavam informações sobre a representatividade dos encargos trabalhistas no custo da mão de obra em um conjunto de países.”
E aí, o mais chocante: por conta da valorização do real, os nossos encargos subiram, em dólar, de 2004 a 2009, 119,5%. Infinitamente mais que na Coreia, onde subiram 1,2%, medidos na moeda americana.
Que coisa, não é? A culpa da falta de competitividade é deste malandro, o trabalhador, que tem direitos demais e deste Estado, parternalista, que foi inventar estas coisas como previdência, FGTS, seguro contra acidentes de trabalho…
Mas aí, no penúltimo parágrafo, quando o freguês já “comprou” a história e “já foi embora” da reportagem, dizendo que “este país não tem jeito”, vem o dado que revela toda a “armação”.
É que os encargos trabalhistas no Brasil, mesmo sendo proporcionalmente altos, incidem sobre os salários muito baixos que são pagos aos nossos trabalhadores. E que no “campeão” dos encargos trabalhistas, eles custam menos da metade (US$ 2,70 a hora) do que a média dos 34 países pesquisados, que é de US$ 5,80 a hora.
- Ué, mas se pagamos menos da metade, em dólar, como é que podem ser os encargos a razão de nossos produtos custarem mais, no mesmo dólar? – pergunta o cordeiro ao lobo.
Irrelevante, diz o lobo. Vocês, trabalhadores, são os culpados de tudo.
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Para entender a estratégia Lula-Dilma

Apesar de surpreender a gregos e troianos, a estratégia política de Lula-Dilma Rousseff é relativamente fácil de desvendar.
A primeira peça do jogo é não imaginar Dilma dissociada de Lula. Não existe hipótese para ciumeiras, rompimentos. A diferença de estilo entre ambos não é semente para futuras disputas, mas peça essencial na sua estratégia.
Primeiro, vamos às afinidades políticas e à continuidade de ambos os governos.
  1. Ambos são sociais-democratas. Não se exija perfil revolucionário, nem mesmo estatizante, embora estejam longe de se constituir em neoliberais.
  2. São políticos focados em resultados sociais, como peça central de legitimação política, Dilma dando mais atenção à gestão, Lula à política (mesmo porque tinha Dilma para cuidar da gerência).
  3. Na política econômica, a prioridade absoluta é o controle da inflação. Câmbio, desindustrialização, juros, é resto. E resto é resto. Embora Dilma tenha formação desenvolvimentista, a realpolitik se sobrepôs às demais prioridades. Se a crise internacional piorar, pode criar vulnerabilidades nessa parte da estratégia.
  4. No plano político, a lógica não é do confronto, mas da soma. Dilma aprendeu com Lula a dividir os contrários em dois grupos: os adversários e os inimigos. O primeiro grupo é para ser cativado ou cooptado.
Diferenças periféricas
As diferenças de estilo entre Lula e o Dilma são periféricas, embora importantes na montagem da estratégia política. No plano econômico e ideológico, são governos de continuidade.
Muitos analistas – à direita e à esquerda – tomam a nuvem por Juno, as diferenças periféricas pelas essenciais. E acabam se confundindo na análise do governo Dilma e de sua estratégia política.
Os fatores utilizados pela velha mídia para desgastar Lula (fazendo muito barulho, embora influenciando apenas 5% do eleitorado) são desimportantes e nada tem a ver com as peças centrais de sua política.
No plano político, nos últimos anos desenterrou fantasmas da guerra fria que se supunham extintos desde os anos 60. Na diplomacia, a questão iraniana. Na política interna, o pesado véu de preconceito contra Lula e o enfrentamento nos últimos anos. As críticas contra as políticas sociais foram devidamente enterradas pelos fatos.
Ao assumir, sem comprometer os pontos centrais de sua política, Dilma definiu um estilo diferente de Lula na forma, embora muito similar no conteúdo – inclusive surpreendendo os que supunham que partiria para um confronto direto com adversários.
Colocou a questão dos direitos humanos como foco da diplomacia, deu atenção a FHC, compareceu ao aniversário da Folha, nos últimos dias convidou jornalistas brasilienses para conversas no Palácio, respondeu rapidamente às denúncias consistentes.
Completa-se assim a estratégia.
Dilma se incumbe do establishment, que rejeita Lula. No plano midiático, blogosfera para ela é como a Telebrás – serve apenas para ajudar a regular a mídia. O mesmo ocorre com movimentos sociais e sindicatos.
Já Lula garante os movimentos populares, o sindicalismo, a blogosfera e a ala esquerda. E estende sua sombra sobre os adversários. Se endurecerem muito com Dilma, entra na briga. Se Dilma não se sair bem no governo, ele volta.
Perto dessa estratégia, a oposição só tem perna de pau: um guru que ensarilhou as armas – FHC -, um político esperto mas sem ideias – Aécio Neves – e um desatinado – José Serra.
Cumprir-se-á o vaticínio do sábio José Sarney, de que a nova oposição sairá das entranhas do governo.
Linhas programáticas
Em relação à continuidade, é importante não confundir algumas linhas de ação que permanecem as mesmas desde o governo Lula – mas que têm dado margem a confusões..
A primeira, o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). Criou-se a ideia de que, com Lula, a Telebrás assumiria todo o trabalho de levar a banda larga até a última milha (a casa do cidadão). Nunca foi essa a ideia. A Telebrás foi ressuscitada com o objetivo de levar linhas de transmissão ligando cidades, atendendo provedores independentes, fortalecendo as linhas de transmissão, mas sem a pretensão de atuar no varejo. A possibilidade de atuar no varejo foi acenada apenas para demover as resistências das operadoras em aderir ao plano.
Não significa que seja um bom plano. 300 mb de tráfego por mês a 35 reais é brincadeira. Tem que se aprimorar a negociação. Mas a estratégia de amarrar as teles a compromissos de universalização é correta.
O segundo ponto é a chamada "lei dos meios". Criou-se a ideia de que o projeto de Franklin Martins imporia limites aos abusos da mídia. A radicalização de Franklin foi muito mais no discurso do que propriamente nas propostas. A não ser a questão limitada da propriedade cruzada, o projeto era muito mais uma defesa dos grupos nacionais contra as grandes corporações internacionais e as teles.
A cegueira da velha mídia a impediu de entender a lógica do plano.
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Charge online - Bessinha - # 710

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Secretária eletrônica de avó

" Bom dia! No momento não estou em casa mas, por favor, deixe a sua mensagem depois de ouvir o sinal :
- Se é um de meus filhos, disque 1
- Se precisa que eu fique com as crianças, disque 2
- Se quer o carro emprestado, disque 3
- Se quer que eu lave e passe a roupa , disque 4
- Se quer que as crianças durmam aqui em casa, disque 5
- Se quer que busque na escola, disque 6
- Se quer que eu prepare uns bolinhos para domingo, disque 7
- Se querem vir comer aqui em casa, disque 8
- Se precisa de dinheiro, disque 9
- Se é um dos meus amigos, pode falar!"
Vi no Bicho Maluka Beleza!!!
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A saga de uma jornalista tucana: erguer um pedestal popular para FHC

Miriam empreende sua saga maior: tornar FHC reinventor do Brasil
Sem entrar no mérito da qualidade (ou falta de) do livro homenagem ao governo FHC, "A saga brasileira", de Miriam Leitão, o que visualizo é o esforço intelectual de construir conhecimento que respalde o neoliberalismo de FHC e o resgate das cinzas do esquecimento, do fracasso final de sua obra privatista e recessiva.
Miriam Leitão apelou para Pérsio Arida, um dos idealizadores do Plano Cruzado, ex-presidente do Banco Central do Brasil e do BNDES, entre 1993 e 1995, esposo de Elena Landau, poderosa diretora da área de desestatização do BNDES durante o governo tucano, para fazer a apresentação de seu livro.
Pérsio, constrói frases que, sublinhadas, mostram a que vem o livro: triunfar a obra política que originou o real, erguê-lo ao pantheon de heróis nacionais e, sem qualquer modéstia, tornar a moeda símbolo da invenção do Brasil moderno.
Pérsio presenteia a amiga e defensora em comum das teses neoliberais que quase decretaram o fim do "Brasil brasileiro" com esta épica apresentação:
Em “Saga brasileira – A longa luta de um povo por sua moeda” (Record, 2011), Míriam Leitão recupera a longa saga através da qual o Brasil logrou finalmente livrar-se da hiperinflação. Num país como o nosso, que não tem como um de seus pontos altos a memória e a reflexão sobre sua própria história, isso já seria em si um feito digno de nota e admiração. Mas Míriam Leitão foi além ao chamar a atenção para um ator por muitos ignorado: nosso próprio povo. Todos sabemos que inflação não é criada pelos mercados, mas sim o resultado de políticas econômicas equivocadas. O que poucos se dão conta é que, para que a estabilização econômica seja bem sucedida, tem que haver, além de um bom governo, um pacto social de apoio e adesão.” (Persio Árida, O Globo)
O texto em destaque denota toda a falsa modéstia de quem crê que participou da nau que redescobriu o Brasil.
Não houve bom governo...Houve uma política deliberada de entrega do patrimônio público brasileiro, arrocho salarial e desemprego em massa.
Não houve pacto social. O que houve foi rolo compressor do ideário neoliberal, capitaneado pelo governo, muito bem distribuído para a opinião, via grande imprensa conservadora, como única saída para o país modernizar-se e tornar-se grande.
Não houve adesão. Houve o conflito direto e a criminalização dos movimentos sociais que ousaram enfrentar o governo e sua máquina de propaganda midiática.
Por mais que o livro retrate os momentos trágicos da hiperinflação que consumia o país e todos os dramas vividos pelo povo ao longo destes tempos nebulosos de nossa história, Miriam Leitão parte do princípio, em um esforço monumental que a imprensa brasileira empreende para ressuscitar o governo de FHC e seus "feitos", que o Brasil só é grande hoje porque foi reinventado em 1994, moderno, eficiente e enxuto.
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Jornalista é assassinado com cinco tiros à queima roupa

Auro Ida
Um dos fundadores do site Midianews, o jornalista Auro Ida, 48, foi executado na madrugada desta sexta-feira (22/7), em Cuiabá, quando saía da casa de sua namorada. De acordo com o site MidiaNews e com a investigação da polícia, ele voltava de um passeio do shopping com sua namorada, Bianca, 19, e o irmão dela, quando o jovem saiu do carro e deixou os dois conversando em frente da casa da mãe de Bianca.
Foi nesse instante que o assassino chegou de bicicleta. Ele bateu no vidro e ordenou que ela saísse do carro e entrasse na casa. Ao fazer isso, ele começou a disparar contra o jornalista.
Bianca estava separada de seu ex-marido há três meses. Ela entrou na Justiça contra o ex, que possui uma lan house no Jardim Fortaleza, para obter uma pensão.
Investigações
Em entrevista com o delegado André Renato Gonçalves, responsável pelo caso, a polícia revelou ao portal MidiaNews que trabalha com a tese de crime encomendado, já que as características da execução apontam nesse sentido. Auro levou três tiros nas costas, um na nuca e um na boca, disparados à queima-roupa.
O delegado ouvido disse ainda que o fato do assassino ter chegado até o carro em uma bicicleta indica que ele moraria no próprio bairro. "Ele agiu com a certeza de que conseguiria fugir rapidamente do local e se esconder, saindo de circulação", reforçou.
Ameaças
Amigos próximos relataram que Auro Ida recebia ameaças constantemente devido à suas matérias de política, principalmente porque conseguia informações privilegiadas dos bastidores, nos 12 anos que trabalhou no jornal A Gazeta, de Cuiabá.
O deputado José Riva (PSD), presidente da Assembléia Legislativa e amigo de Auro desde 1994, afirmou que Auro dizia estar sofrendo ameaças por conta de reportagens que apurava."Aí tem coisa. Não acredito nessa tese de crime passional. Há um mês ele me comentou isso. Disse que recebeu uma ameaça por telefone por causa de sua atividade jornalística", disse Riva.
Ao irmão de Riva, o ex-prefeito de Juara, Priminho Riva, o jornalista também fez comentários nesse sentido. "Ele falou isso e eu pedi para ele tomar cuidado e procurar a polícia para fazer um boletim de ocorrências. Mas ele disse que isso não resolveria nada e que sempre fez reportagens polêmicas e que continuaria assim", completou.
Carreira
Auro Ida era considerado um dos jornalistas políticos mais conhecido de Mato Grosso. Ele foi secretário municipal de Comunicação Social de Prefeitura de Cuiabá, na segunda gestão do prefeito Roberto França, e diretor de Comunicação da Câmara Municipal de Cuiabá, na administração de Deucimar Silva. Formado pela Universidade Federal do Paraná, Auro trabalhava há 30 anos em Mato Grosso.
Segundo o repórter Rafael Costa, do MidiaNews, “ele sempre foi um repórter de política muito respeitado, fazia muita matéria de bastidores, era pautado por isso e chamava muita atenção. Quando ele era repórter de política eu era estagiário do A Gazeta (de Cuiabá)”, finaliza.
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Amy Winehouse

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Ex-pastor é condenado por divulgar pornografia infantil no Facebook

Jerry L. Cannon
Jerry L. Cannon, 63 anos, foi condenado a 17 anos e meio de confinamento por usar o Facebook para procurar e divulgar pornografia infantil. Ao ser condenado, o ex-pastor de Kentucky declarou: “Sinto muito. Que Deus me perdoe. Fui muito estúpido. Dói demais”. Cannon insistiu que jamais teve o interesse de abusar de nenhuma das crianças.
O juiz local de Alabama que presidiu sobre o caso de Cannon não se comoveu com as lágrimas que o ex-pastor derramou ao ouvir a decisão. Em vez disso, afirmou que a sentença foi bem aplicada para um homem como Cannon. O caso foi julgado no Alabama por ser essa a cidade natal da pessoa com quem o ex-pastor trocava imagens de pornografia infantil.
O FBI já vinha investigando Cannon desde o início do ano. As acusações alegavam que o ex-pastor usava pelo menos 13 contas com nomes falsos para postar fotos de crianças na rede social. As fotos mostravam principalmente meninas entre as idades de 10 e 16 anos. Não foi comprovado que Cannon possa ter tirado as fotos ele mesmo. O ex-pastor disse à polícia que enviava as fotos a outras pessoas para “afastá-los” das crianças.
Para piorar, Cannon tinha pelo menos mais de 1.000 imagens e vídeos eróticos, alguns com crianças com menos de 9 anos sofrendo abuso sexual, em posts ligados a suas contas. A prisão foi realizada no dia 21 de fevereiro, mas levada às autoridades federais por distribuição de conteúdo pornográfico ilegal.
Cannon era casado e começara uma igreja própria em sua cidade natal, Dry Ridge, com outros dois casais há quatro anos.
Rebecca Porphírio
By: Techtudo
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Terrorista de Oslo é de direita - E agora PIG?

Terrorista de Oslo era de extrema-direita, branco, loiro, limpinho e cheirosinho

Suspeito militou no partido de direita durante 7 anos
 (veja aqui)
Acabei de assistir uma reportagem sobre o ataque terrorista de Oslo na Noruega. Ao contrário do que a mídia conservadora suspeitava ou, até mesmo, desejava o atentado não foi provocado por um terrorista islâmico fundamentalista.
Mas o objetivo desse post não é defender o Islã e sim alertar para um fenômeno que vem crescendo no Brasil e pode ser visto mais claramente na internet: o crescimento de uma direita raivosa que usa técnicas importadas da direita americana do Tea Party.
A técnica consiste em criar uma sensação de corrupção generalizada e descrença na democracia. A Direita não consegue mais defender a ideologia da modernização neoliberal porque esse modelo está falido no mundo todo, então, usa a difamação de pessoas para ganhar adeptos políticos.
Vimos isso muito claramente no festival de boatos saídos do obscuro da internet que fizeram com que o patético Serra conseguisse a façanha de chegar ao segundo turno numa eleição praticamente decidida.
O objetivo da criação deste blog, aproveito para dizer, foi justamente para que os jovens conheçam um pouco mais sobre a História da Resistência Armada contra a ditadura militar. Para que não sejam influenciados por defensores de Curiós e Ustras. Torturadores que hoje continuam usando as táticas da mentira e da difamação para evitar a punição por seus crimes.
Depois que vi a reportagem da Globo sobre o atentado, fui logo procurar o vídeo na internet e encontrei esse abaixo:
Depois de um tempo percebi que este vídeo está hospedado num canal da extrema-direita do Brasil. Nos comentários uma pessoa fala que as mortes de jovens militantes do Partido Trabalhista da Noruega seriam o mesmo que se os partidos de direita do Brasil matassem a corja do PT, mas que é contra isso, pois se são contra esquerdistas devem resolver isso nas urnas. Veja a resposta que o dono do canal, que assina como dialplus, deu:
Hoje eles apenas fazem manipulação de fotos e vídeos para difamar pessoas na internet. E amanhã? O que farão? A julgar pelo vídeo vocês já devem saber qual é a minha preocupação.
Fonte: Comunistas
Vi n'O Cachete
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Mídia reacionária põe a culpa nos "de sempre"

Para não perder o costume e visando a manutenção da falta de caráter, a revista ISTO É publicou matéria em seu site acusando a Al Qaeda de ter cometido os atentados em Oslo, na Noruega, ontem, que mataram quase uma centena de pessoas. Clique aqui para ler a mentira direto na fonte.
Resumindo, veja as imagens que tratam de associar as explosões nos prédios do governo e a chacina na ilha Utoeya a Ayman Al-Zawahiri, suposto sucessor de Osama Bin Laden.
Repare que a data da publicação é 22/Jul às 21h00, portanto, logo depois da tragédia ser divulgada pelas agências de notícias. A mesma matéria foi atualizada, entretanto, hoje às 15h35, (veja as setas na imagem), depois que a maioria dos jornais já davam como certa a participação de um norueguês, conforme dito pelas autoridades policiais da Noruega.
O jornalista que escreveu estas mentiras não assinou a matéria; jogou para o público a idéia de que os mesmos "de sempre", terroristas árabes islamitas, são os responsáveis pelas mortes.
É, de fato, muito estranho a ISTOÉ deixar no ar a reporcagem. Mas até as 16h25 de hoje, a matéria continua no site da revista.
A intenção, pelo que se nota, é insistir na mentira, e não dar a menor bola para o leitor. Pior, trata quem lê a revista de idiota ao insistir na tese do terrorismo de origem árabe.
* * *
Os atentados da capital da Noruega foram classificados de "tragédia nacional" pelo Primeiro-Ministro do país, Jens Stoltenberg, do Partido Trabalhista Norueguês. Em duplo ataque, foram detonados explosivos em um prédio público e, pouco depois, atingiram a tiros dezenas de inocentes que acampavam na ilha Utoeya, matando, até agora, 92 pessoas. Ainda há desaparecidos, e o número pode crescer.
Um suspeito foi preso próximo à ilha vestindo uniforme da policia, e identificado como Anders Behring Breivik, 32 anos, ligado à militância politica de extrema-direita. O porta-voz da policia local, Trine Dyngeland, disse acreditar na participação de um segundo terrorista, "apesar de não haver relatos concretos de um segundo atirador".
Os ataques ocorreram com uma diferença de duas horas. Autoridades acreditam que Anders tenha detonado um carro-bomba e partido para o ataque à ilha, que fica a pouco mais de 40 quilômetros de distância. O prédio atingido era a sede do governo norueguês, onde fica o gabinete do Primeiro-Ministro. Ele não estava no momento das explosões. Diversas pessoas se feriram e, no mínimo, nove morreram no local.
* * *
Como se vê na foto ao lado, publicada pela policia de Oslo, o suspeito é branco, cabelos loiros e olhos azuis. Em nada se parece com um fundamentalista islâmico da Al Qaeda.
Em sua residência, autoridades encontraram mensagens postadas na internet com claro conteúdo anti-islã além de material que comprova ser um fundamentalista cristão e ultradireitista.
Após o ataque na ilha, que durou mais de uma hora e meia, segundo relato de testemunhas à emissora pública NRL, o suspeito se entregou à policia sem opor resistência. Ele carregava duas armas.
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Uma vítima brasileira de Murdoch

O jeito “News of the world” de fazer jornalismo, infelizmente, não vai continuar sendo praticado apenas no novo tablóide que Rupert Murdoch vai lançar a qualquer momento. Essa vertente sem escrúpulos do jornalismo permanecerá, infelizmente, ainda que de forma pontual e mais dissimulada, nas páginas de outros jornais como o “The Times” e o “Sunday Times” - dois ícones da imprensa britânica também comprados pelo magnata australiano.
Exagero? Tomemos o meu exemplo, uma espécie de vítima brasileira do Sunday Times, em “reportagem” de capa em abril de 2004, assinada por Maurice Chittenden e pelo então correspondente do “News of the world” no Rio de Janeiro, Harold Emert. O assunto era o lançamento da biografia “Ayrton, o herói revelado”, escrita por mim e sendo lançada naquele momento no Brasil, pela Editora Objetiva.
Sob a a manchete “Triângulo amoroso na morte de Senna” (“Love triangle over Senna´s death”), os autores, sem terem me entrevistado e sem terem tido acesso ao conteúdo do livro, ainda não lançado naquele momento, afirmavam que, em “trabalho acadêmico com a ajuda da família Senna”, eu, “um professor da PUC do Rio”, tinha produzido uma nova teoria, “culpando” (“blaming”) o triângulo amoroso pelo acidente fatal de Ayrton.
A reportagem atribuía a mim a informação de que Senna, horas antes de morrer, fora informado de que estava sendo traído por Adriane Galisteu. E concluía, sempre dando a ententer que tudo era baseado no meu livro, que “a notícia poderia ter afetado sua mente e tirado sua concentração no momento em que ele se aproximava da curva Tamburello, no circuito de Imola”
Maurice Chittenden e Harold Emert, usando cobertura jornalística da época da morte de Senna, dizem que o piloto estava abalado com o gravíssimo acidente sofrido por Rubens Barrichello e com a morte do austríaco Roland Ratzenberger, nos treinos do mesmo Grande Prêmio de Imola. Mas concluem: “O que realmente chateou Senna naquele fim de semana, de acordo com Ernesto Rodrigues, era uma acusação, feita por seu irmão mais novo, Leonardo, de que Galisteu ainda estava se encontrando com um ex-namorado”.
Em tempo: meu livro, em vez de “teoria” ou “trabalho acadêmico”, é uma reportagem de 640 páginas, escritas a partir de mais de 240 entrevistas, feitas em dez países. Sua publicação não foi iniciativa da família Senna e nem contou com entrevistas do pai, da mãe, dos irmãos ou de qualquer parente próximo de Ayrton.
O livro cita que, na véspera da morte de Senna, o irmão Leonardo mostrou a ele o resultado de um grampo telefônico no qual Adriane Galisteu se divertia com provocações de um ex-namorado. Não há, no entanto, no livro, qualquer afirmação ou insinuação que sustente a conclusão de que os dois estivessem mantendo qualquer tipo de relacionamento. Não há, também, nenhuma afirmação deste autor – ou de qualquer entrevistado - que atribua a morte de Senna ao epidódio do grampo.
Assim que soubemos da “reportagem” do Sunday Times, meu editor, Roberto Feith, e eu protestamos com veemência junto ao correspondente Harold Emert e à redação do jornal em Londres.
O máximo que o Sunday Times se permitiu fazer foi publicar, uma semana depois, uma nota perdida num pé de página, dizendo que, ao contrário do que tinha sido publicado, o livro não tinha o apoio da família Senna. Assim fazendo, o jornal deixava implícito que todos os outros absurdos da reportagem existiam no meu livro.
O resultado é que, seis anos depois, uma simples consulta às referências em inglês e em outras línguas estrangeiras ao meu livro no Google nos remete sempre à reportagem mentirosa e irresponsável do Sunday Times. Coincidência ou não, meu livro, considerado no Brasil uma obra de referência sobre Ayrton Senna, jamais despertou qualquer interesse em editoras estrangeiras.
Nem eu compraria ou publicaria, depois da “reportagem” do Sunday Times.
Ernesto Rodrigues
By: Comunique-se
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Amy Winehouse morre aos 27 anos, em Londres

A cantora Amy Winehouse morreu na tarde deste sábado (23), por volta das 16h do horário local (13h de Brasília), aos 27 anos. Segundo informações dos jornais "The Guardian", "Daily Mirror", The Sun" e "Sky News", a cantora foi encontrada morta em sua casa em Camden, na Inglaterra. Há suspeitas de que ela tenha sofrido overdose de drogas.
A notícia ainda não foi confirmada pelos assessores de Winehouse, mas, de acordo com a agência de notícias Reuters, a polícia informou que "o corpo de um a mulher de cerca de 27 anos" foi encontrado no mesmo local descrito como o flat onde morava e que o caso está sendo tratado com uma morte "inexplicada".
O site de notícias TMZ publicou um comunicado que teria sido divulgado pela polícia metropolitana londrina. "A polícia foi chamada pelo Serviço Londrino de Ambulância em um endereço na Candem Square NW1 pouco antes das 16h05 (horário de Londres) do sábado, 23 de julho, com depoimento de uma mulher encontrada morta. Ao chegar, oficiais encontraram o corpo de uma mulher de 27 anos que foi declarada morta na cena. Investigações continuam a respeito das circunstâncias da morte. Até o seguinte momento, não há explicação".
Sua última aparição foi na noite de quarta-feira, quando se apresentou ao lado da cantora de soul Dionne Bromfield, na The Roundhouse, uma casa de shows em Camden. Ela havia saído havia pouco tempo de um programa de reabilitação e estava sob regras severas para não beber.

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E se o monstro fosse árabe?

O homem que invadiu um acampamento da Juventude Trabalhista da Noruega e matou pelo menos 91 pessoas está preso. É norueguês e um tipo perfeitamente nórdico: louro, alto, de olhos claros.
A BBC diz que ele tem , segundo a polícia, “opiniões políticas voltadas para a direita, anti-islâmicas”.
Pelo fato de ter comprado seis toneladas de fertilizantes, a partir dos quais se pode produzir explosivos, ele também é suspeito do atentado contra os escritórios do governo norueguês, também do Partido Trabalhista.
Se fosse um árabe, a esta altura muitos estariam clamando por retaliações.
Mas não é.
Será que são preciso situações monstruosas como esta para que a gente pare de raciocinar com racismo e preconceito religioso?
Quem não se lembra que, aqui, buscou-se relacionar o atirador de Realengo com o islamismo? E agora, quando precipitadamente atribuíram a explosão a uma organização árabe.
É este tipo de intolerância que alimenta os delírios racistas que alimenta personalidades doentias capaz de tais loucuras.
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Charge online - Bessinha - # 709

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O furo da revista Fórum

Quem é o “especialista em terrorismo” que atribuiu os ataques na Noruega a árabes/muçulmanos
É bem estranho que "jihadistas" postassem reivindicação de responsabilidade do ataque num fórum fechado que um ex-oficial dos EUA se gabava abertamente de estar infiltrando. Mas foi isso que a mídia usou.
Imediatamente depois da notícia do bombardeio do prédio do governo em Oslo, capital da Noruega, a internet ferveu com especulações acerca de quem o teria feito e por quê. A maioria das especulações falava de muçulmanos e da chamada militância islâmica. A ânsia de se especular depois de acontecimentos graves é compreensível, mas o foco da especulação, sua amplificação através das redes sociais, sua legitimação na mídia tradicional e o privilégio concedido aos chamados especialistas é um padrão comum.
O perigo de tais especulações é que elas acrescentam pouco conhecimento, mas provocam danos reais, ao disseminar medo e ódio em relação a muçulmanos, imigrantes e outras populações vulneráveis e rotineiramente demonizadas. Intencionalmente ou não, essas especulações atribuem culpa coletiva a esses grupos.
“Especialistas” que supostamente estudam esse tema – quase sempre homens brancos e muito frequentemente com história governamental ou militar – direcionam suspeitas aos muçulmanos ao apontar reivindicações de responsabilidade em páginas web da “jihad” às quais só eles têm acesso. Ataques infames invariavelmente inspiram reivindicações falsas de responsabilidade ou falsos relatos de reivindicações, mas isso, pelo jeito, não impede que a mídia e os especialistas lhes dêem atenção indevida.
Dos “especialistas” para o New York Times para o mundo
O New York Times originalmente noticiou:
Um grupo terrorista, Ansar Al-Jihad Al-Alami, ou os Auxiliares da Jihad Global, lançaram uma declaração reclamando responsabilidade pelo ataque, de acordo com Will McCants, um analista de terrorismo na CNA, um instituto de pesquisa que estuda o terrorismo.
Em edições posteriores, a história foi reescrita assim:
Relatos iniciais destacavam a possibilidade de militantes islâmicos, em particular a Ansar Al-Jihad Al-Alami, ou os Auxiliares da Jihad Global, citada por alguns analistas como tendo reclamado responsabilidade pelos ataques. Autoridades estadunidenses disseram que o grupo era previamente desconhecido e talvez nem sequer exista.
A fonte é Will McCants, professor temporário na Universidade John Hopkins. Em sua página web, ele se descreve como ex- "Conselheiro Sênior no Combate ao Extremismo Violento no Departamento de Estado dos EUA, diretor do programa da Iniciativa Minerva no Departamento de Defesa e residente no Centro de Combate ao Terrorismo de West Point”. Ontem pela manhã, ele postou “suposta reivindicação pelos ataques de Oslo”, em seu blog Jihadica:
Isso foi postado por Abu Sulayman Al-Nasir no fórum da Jihad árabe, Shmukh, por volta de 10:30, horário da Costa Leste.(assunto 118187). Shmukh é o principal fórum dos jihadistas de língua árabe que apoiam a Al-qaeda. Posto que o assunto agora está inacessível (trancado ou retirado), eu vou postá-lo aqui. Não tenho tempo no momento de traduzir tudo, mas traduzi os pedaços mais importantes no Twitter.
A página web Shmukh nãoé acessível para qualquer pessoa, portanto ele é a fonte primária. McCants afirmou desde o começo que a reivindicação havia sido removida ou escondida, e no Twitter ele até mesmo lançou dúvidas sobre se havia sido mesmo sido uma reivindicação de responsabilidade.
@will_mccants: não é necessariamente uma reivindicação de responsabilidade. Pode ser algum usuário do fórum arrotando bobagens. Membros do fórum também confusos sobre quem é o cara.
@will_mccants: para os que perguntam: a “reivindincação” dos Auxiliares da Jihad Global foi postada no Shmukh, o fórum jihadista mais de elite (está em árabe)
@will_mccants: resposta a @leialya é um fórum protegido por senha. Você não poderá acessá-lo sem a senha. www.shamikh1.info
Depois, McCants relatou que a reivindicação de responsabilidade havia sido retirada pelo autor “Abu Sulayman Al-Nasir”. Ainda por cima, de acordo com Mccants, o moderador desse fórum declarara que seriam proibidas as especulações sobre o ataque, porque os conteúdos do fórum estavam aparecendo na mídia tradicional. Parece bastante estranho que “ jihadistas” genuínos fossem postar num fórum fechado que um ex-oficial dos EUA e “especialista em contra-terrorismo” se gaba abertamente de estar infiltrando.
@will_mccants: o administrador do fórum Shmukh avisando membros para não especularem sobre quem está por trás dos ataques de Oslo disse que vai cortar os threads onde haja especulação
@will_mccants: membros do Shmukh especulam que a razão pela qual o administrador está proibindo a especulação é o fato de que a mídia está pegando suas informações direto do fórum
É uma pena que McCants não tenha tido o cuidado e a cautela que ele diz que o moderador do fórum teve.
Tudo isso veio somente de Will McCants. Em seu post original, ele nomeou a fonte e identificou a organização (em árabe), mas não forneceu qualquer contexto. Ele sabia quem era o autor Abu Sulayman Al-Nasir? Ele já tinha ouvido falar desse grupo Ansar Al-Jihad Al-Alami? Estas são as respostas que um “especialista em terrorismo” deveria dar conta de fornecer.
Como a mídia amplificou uma falsa reivindicação
A mídia também foi um fracasso. Ela noticiou as reivindicações disseminadas por McCants porque sua posição e suposta especialização conferiam credibilidade. O New York Times teria exigido múltiplas fontes e confirmação da existência da postagem e de seus conteúdos se ela não tivesse vindo de alguém com as credenciais supostamente sólidas de McCants?
Durante horas depois que McCants publicara a atualização de que a reivindicação havia sido retirada, a BCC, o New York Times, o Guardian e o Washington Post ainda promoviam informação cuja única fonte original era o próprio McCants. A notícia foi levada ao redor do mundo e se tornou a principal história em grande parte da cobertura inicial.
Os requisitos para um especialista em terrorismo devem mesmo ser bem baixos. Toda a correria para disseminar uma reivindicação falsa, não verificável e de fonte precária me parece um caso de um garotão de elite querendo ser o primeiro a dar o furo de alguma especulação sobre uma nova maquininha.
Na verdade, boa parte da discussão na internet ontem girou em torno da noção de especialização em terrorismo, o que isso significa e quem a possui.
Coincidentemente, Andrew Exum, do Centro para uma Nova Segurança Americana, postou os seus top 5 especialistas em terrorismo, e McCants estava lá em cima:
@abumuqawama: Ok, você pediu e aqui está. Minha lista dos cinco especialistas em terrorismo em quem você pode confiar: http://bit.ly/r1zK9u @bungdan.
Especulações ferem pessoas reais
Uma ausência crucial no conceito de “especialista em terrorismo” é a percepção do funcionamento desse conhecimento num ambiente político e midiático sensacionalista e irresponsável, no qual a islamofobia é a norma. Até mesmo o presidente cristão dos Estados Unidos é rotineiramente objeto da suspeita de ser muçulmano, como se isso fosse crime, e acusado de simpatia por “terroristas”e “radicais” islamistas.
Ter disseminado informação falsa e não verificável deveria ser uma mancha na credibilidade de McCants, mas o mais provável é que seu fracasso cause danos a outras comunidades, em outros lugares, antes que ela prejudique sua carreira.
@runehak Há tuítes narrando hostilidades contra muçulmanos em Oslo - detenha isso se você o vir acontecendo.
@arnfinnhs está impressionado com o apoio à Noruega vindo de muçulmanos em todo o mundo, apesar de que a imprensa argumentou, ao princípio, que era um ato de terrorismo islâmico. Obrigado.
Enquanto se revelava a escala da catástrofe que atingiu a Noruega, também ficamos sabendo que Anders Behring Breivik, o único suspeito preso pelo ataque, tinha uma história de disseminar ideias xenofóbicas e anti-muçulmanas na internet, e citava elogiosamente ninguém menos que Daniel Pipes, um notório islamófobo, nomeado por Bush para o Instituto da Paz do EUA e auto-intitulado “especialista em terrorismo”.
Por Benjamin Doherty [23.07.2011 06h45]
Tradução de Idelber Avelar e Ana Maria Gonçalves
Original aqui
By: Fórum
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A importância da organização da militância petista na internet

Coordenador do Movimento dos Ativistas Virtuais do PT-SP, o internauta Adolfo Pinheiro Fernandez alerta que o partido deve ficar atento, e se organizar junto aos militantes que usam a internet como local de debate. Fernandez alerta ainda que os partidos da oposição contratariam internautas, que espalham e-mails difamatórios, como os que foram corriqueiros nas eleições passadas. Ainda segundo ele, o PT tem uma militância enorme nas redes sociais, que precisa estar organizada para os debates. Outro alerta é em referência à democracia na rede. O ativista diz que é preciso ficar atento para eventuais leis que não permitam a democracia e a popularidade na rede mundial de computadores.
Confira abaixo a entrevista completa.

Como foi o surgimento do MAV?
Adolfo Fernandez: O MAV surgiu a partir da última campanha em São Paulo, com o Mercadante. E depois com a militância atuando na campanha da Dilma. Nós tivemos uma campanha muito suja na rede. Onde a militância teve que estar a todo tempo desmentindo e-mails mentirosos da oposição. Até o caso da bolinha de papel, que foi desmentido nas redes sociais primeiramente e depois as TV’s mostraram a farsa. E a gente sentiu a necessidade de organizar a militância petista para estar atuando de uma forma conjunta na rede. Daí a proposta de criar um núcleo de militantes petistas.
Há expectativa de levar o MAV para todo Brasil?
Adolfo: Sim! Nós fundamos este núcleo, ele tem abrangência no estado de São Paulo e já estamos tendo conversas com outros estados. O Rio Grande do Norte, por exemplo, já está preparando para lançar o seu núcleo. No âmbito estadual, o Rio de Janeiro está a caminho para a formação do núcleo. E nós queremos que se crie uma rede nacional. Para nós estarmos interligando, trocando informações e poder estar militando regionalmente e nacionalmente. Porque nós temos o governo da presidenta Dilma, e as mídias tradicionais pautam da forma como querem. A internet é horizontal, nós temos o direito de voz, tem a possibilidade de estar levando a informação correta. As informações como elas verdadeiramente são. Por isso é importante que tenhamos uma banda larga universalizada e não massificada, para que essas informações cheguem no Brasil inteiro.
Quem, e como faz para participar do movimento dos ativistas virtuais?
Adolfo: O núcleo, ele é para militantes petistas, porém os simpatizantes podem participar. Então qualquer pessoal que milita, e que milita nas redes, e que quiser estar atuando junto com a gente, trazendo conteúdo informações. Porque nós estamos aqui no município de São Paulo, é uma mega cidade, e fica muito difícil, por exemplo, eu que estou na Vila Mariana saber o que ocorre em outros locais e então nós podemos compartilhar essas informações e estar trazendo para todas as pessoas, para todos os militantes. A gente consegue fazer essa troca de informações de uma forma muito dinâmica, e é importante que a gente alcance todos os lugares, para poder estar trocando essas informações.
Para poder fazer oposição ao governo do estado de São Paulo e ao atual governo da prefeitura do estado de São Paulo, que é um descaso o que está acontecendo em São Paulo. Nós temos hoje a falta de creches, temos diversas promessas do prefeito Kassab que em campanha promete tudo, e depois não cumpre nada. Ele prometeu corredores de ônibus e não fez nada, e prometeu vagas em creches, e hoje nós temos um déficit gigantesco. Me parece que são 170 mil crianças na fila de espera. E tem coisas mais horrorosas acontecendo. O próximo prefeito vai assumir uma carga tremenda de pessoas que hoje estão entrando no vale aluguel porque ele desapropria as habitações e da um vale aluguel. E fica o problema para a próxima gestão. E sem dizer, que nós estamos com problemas seríssimos que é a militarização das sub-prefeituras de São Paulo. É complicado você ser atendido por um militar da reserva, por um policial militar da reserva, que não conhece os problemas da cidade. E na verdade é um sistema de higienização que esta sendo implantado em São Paulo.
Quais os movimentos sociais em ternos de mundo baseados na internet que você poderia citar?
Adolfo: Tem bastante movimentos sociais que estão vindo para internet. Nós precisamos aprender a trabalhar com software livre. Então tem o movimento do software livre que está caminhado junto com a gente. Eu acho que todo movimento social tem que vir para a rede. É muito importante esses movimentos sociais estarem compartilhando a sua ideologia na rede, já que a gente pode propagar essa informação. Coisa que no veículo tradicional de comunicação a gente não consegue fazer.
O que o governo pode fazer para colaborar com o ativismo virtual?
Adolfo: Primeiro lugar nós estamos com problemas sérios que é esse AI5 digital. Essa lei do Azeredo que está vindo. Isso precisa ser revisto, não pode ir adiante, porque é uma maneira de você calar, de você policiar, de tirar a liberdade de expressão que existe hoje na rede. Então temos que ter muito cuidado com isso, nossos parlamentares tem que estar atentos a isso. Me parece que já foi passado, só a presidenta Dilma vai poder vetar isso. Mas deve retornar às casas para ser reformulado. Então precisamos estar muito atentos a isso. Eu acho que o partido, ai já não é o governo, é o partido que precisa começar a pensar em se criar um setorial ou uma secretaria de tecnologia da informação. O partido precisa estar atento. Hoje a comunicação nas redes é muito importante, ela se propaga muito rápido, tendo em vista o que aconteceu nos países Árabes, o que aconteceu em Madri, na Espanha. Então nós precisamos estar atentos. Mesmo aqui em São Paulo, se você convoca uma manifestação pelo twitter ou pelo Facebook. É o caso de a gente diferenciar do churrasco em Higienópolis onde tivermos 3 mil pessoas. Uma coisa convocada em uma semana. Nós tivemos a marcha da liberdade também convocada pelas redes sociais, através de facebook e twitter. Então nós precisamos estar atentos a isso, estar participando desses movimentos e atuar de uma forma responsável.
E o MAV, tem uma proposta que nós vamos fazer oficinas e estar trazendo o militante tradicional para as redes sociais, porque o nosso militante ele é diferenciado dos militantes de outros partidos. Nossos militantes têm conteúdo, eles sabem debater. E nós precisamos trazer esses militantes tradicionais para as redes sociais.
A oposição contrata. Chega à época de campanha e ela vai contratar os seus militantes, guru indiano, uma série de coisas. E graças a Deus o Partido dos Trabalhadores tem uma militância aguerrida, conhecedora, lutadora e que sabe ir para o debate e sabe aprofundar. E é muito importante a gente se estruturar nesse sentido.
O MAV está com uma proposta junto ao diretório municipal e vamos começar a fazer oficinas em todos os diretórios zonais, e ao diretório estadual. Vamos começar a realizar oficinas de redes sociais também nas macros-regiões. E nós contamos com o apoio do PT nacional, com o apoio do nosso presidente Rui falcão. Eu quero de antemão agradecer ao PT nacional ao presidente Rui Falcão pelo apoio que ele vem dando ao MAV. E que isso se torne uma realidade no Brasil inteiro.
By: PT
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Equipe nacional se destaca nos Jogos do Mundial Militar

Comissão Técnica e as modalidades da equipe
Hipismo
Arremesso de bomba
Salto Ornamental
Revezamento 4 X 100
Salto com vara
By: Blog do Celso Jardim
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Ao menos 91 pessoas morreram em atentados sucessivos na Noruega

Os dois ataques que atingiram a Noruega na sexta-feira (22) deixaram ao menos 91 mortos, segundo a polícia. O total de mortos no tiroteio na ilha de Utoeya, próxima à capital Oslo, subiu de 10 para 84. A explosão que atingiu a região do escritório do primeiro-ministro norueguês Jens Stoltenberg, deixou sete vítimas fatais.
Um norueguês, detido pela polícia, é suspeito de ser o autor dos ataques. Ele seria ligado a um grupo da extrema direita e foi visto no centro de Oslo horas antes da explosão, segundo informações da rede de televisão TV2 Nyhetskanalen. As autoridades descartam a relação dos dois ataques com o terrorismo internacional e acreditam que eles estejam relacionados com "movimentos locais antissistema".
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A faxina não tem limite

Depois de seis meses e 29 dias contados em pauzinhos, feito calendário de cadeia, o ministro do Turismo, Pedro Novais, e eu fomos chamados ao Palácio para darmos explicações sobre nossas saliências.
Como primeiro "blogueiro limpo" do governo, fui recebido, com pompas e circunstâncias, no palácio residencial do Alvorada, para um jantar. Não tinha visto ainda o Alvorada depois da reforma. Fiquei embasbacado, ao ponto de a anfitriã, a presidente Dilma, comentar:
— Você está parecendo a filha pequena do Obama, que disse uma coisa bonita ao entrar aqui. Ela não disse Palácio, disse casa: "Esta é a casa mais bonita que já vi na minha vida. Achei lindo!"
Fui fantasiado de repórter: gravador, bloco de papel, iPhone 4 e até caneta. Pensei: vai que num dia cheio como hoje, em que recebeu e negou-se a receber tanta gente, a presidente resolve falar. Suei frio só de pensar que ela quisesse me falar dessa maldita política industrial e, aí, eu tivesse de trabalhar.
Mas a Dilma estava furiosa era com a Norma Pimentel Amaral.
— Estou detestando a Norma! Não gosto do que ela faz, do seu jeito de agir.
Passei a ter certeza de que, se a Norma Pimentel fosse do Dnit, já tinha sido afastada.
Aliás, quando eu estava chegando ao Alvorada, recebi um torpedo do diretor de Redação do GLOBO, Rodolfo Fernandes, assim: "Pergunta até onde vai a faxina?"
Ora, fui chamado para jantar na intimidade do poder só porque não sou desses repórteres chatos que querem saber de tudo. Eu só quero comer de tudo. A Dilma tinha preparado um banquete para mim, e não ficava bem eu incomodá-la. Mas chefe é chefe, e tive que cumprir a missão
— Presidente, por mim, não tocava nesse assunto chato, mas o Rodolfo Fernandes me mandou perguntar até onde vai a faxina —- perguntei, tremendo de medo.
E ela se derreteu:
— Pois diga que o que ele chama de "faxina" não tem essa coisa de limite. O limite é mudar o Ministério dos Transportes. É transformar o Ministério dos Transportes naquilo que é o seu próprio papel: a base da infraestrutura do país. Mas também é bom que todos saibam que não estamos agindo politicamente contra um partido. A ação é sobre pessoas que agiram de forma errada, e nem todas essas pessoas são de um mesmo partido. Isso precisa ser esclarecido.
Quando eu ia aprofundar o assunto, a presidente foi salva pelo gongo, com a chegada de uma convidada especial do jantar:
— Eu pedi para a ministra Helena Chagas não te avisar que teríamos a presença da sua nova musa: a ministra Gleisi Hoffmann.
E eu, já gaguejando de emoção:
— Eu fui o primeiro a dizer que ela seria ministra, e meus seguidores do Twitter brincaram que a senhora aceitou minha sugestão.
E a presidente:
— Pode espalhar que você que indicou. Eu deixo. E terás tomado uma das melhores decisões da tua vida.
Depois disso, nem foi mais preciso eu perguntar se ela chamava a ministra de "a Dilma da Dilma".
Eis os principais trechos da nossa conversa:
Solidão do poder
Com um governo tão agitado, Dilma diz ainda não ter experimentado a chamada solidão do poder:
— Passei a conviver, isto sim, com a decisão solitária. Presidente da República tem que decidir e ser responsável pela decisão. É o momento grave, importante, que eu tenho comigo mesma. Posso ouvir e ouço, mas a decisão é minha. Essa é a maior responsabilidade do presidente da República: saber decidir.
— E, nessa hora sagrada, a senhora não pensa, por exemplo, o que fariam seus antecessores diante de situação semelhante? Sendo mais direto, a senhora não pensa se a sua decisão vai agradar ao Lula ou não?
— Olha, a responsabilidade é tão grande que a gente não pensa em agradar ou desagradar. A gente só pensa em tomar a decisão mais justa, mais correta. A responsabilidade é do presidente da República perante a nação. A responsabilidade do presidente da República é intransferível. Não dá para pensar em ninguém.
Amizade com FH
Eu não ia entrar neste tema, mas foi a própria presidente que invadiu primeiro a minha intimidade.
— Você tem que se definir entre a Mariana Ximenes e a Manuela D’Ávila — cobrou ela, sobre um assunto que falo mais adiante.
Foi a deixa para eu entrar no tema preferido do colunista Nelson Motta:
— A senhora vive o mesmo dilema. Eu soube que o Lula cobra muito da senhora esta sua amizade com FH.
Dilma reage no lance, quase pulando da cadeira:
— Não é verdade! Isso não é verdade! O presidente Lula nunca tratou desse tema comigo, nem em brincadeira!
— Diretamente, não. Mas ele já se queixou para terceiros na sua frente.
Diante do fato, a confissão inevitável, e às gargalhadas:
— Meu Deus! Como esse Sérgio Cabral é fofoqueiro! Ah, ele me paga! Pode escrever, ele me paga!
E já como ré confessa:
— Realmente, o presidente Fernando Henrique é uma pessoa muito civilizada, muito gentil. É uma conversa muito agradável. Tem gente que fica estarrecida com essa convivência, já que temos pensamentos políticos diferentes. Exatamente por isso é que as pessoas devem conversar. O governante, o político, não pode ficar limitado ao pensamento do seu grupo. Eu defendo a convivência dos contrários. Há pessoas muito agradáveis e inteligentes no governo e na oposição. Acho que, não só pelo prazer da boa prosa, mas, como presidente da República, tenho o dever de conversar com os diversos pensamentos da sociedade. Eu não sou presidente de um partido ou de uma coligação partidária, eu sou presidente da República.
E eu insistindo:
— Mas o PT não fica com ciúmes do FH?
— O PT já tá bem grandinho para não ter ciúmes de ninguém. Ciúme é um sentimento juvenil, eu acho.
Tento mais uma investida, já na saída do encontro:
— FH diz ter muitas saudades da piscina daqui. Quando ele era presidente, trouxe Lula aqui. Deixa ele tomar banho na piscina daqui, presidente!
E a presidente, toda faceira, fazendo-se de desentendida:
— Mas neste frio?
Pronto, FH, bem que tentei te ajudar, mas não consegui.
Moda & musa
Dilma quis saber tudo sobre Mariana Ximenes. O gancho foi fácil, mas quase provoca uma briga entre as mulheres: os meus sapatos. Em resposta aos elogios, informei:
— Presente da Mariana Ximenes. Ela pediu para eu usá-los neste jantar.
— Lindos — comentou a ministra Helena Chagas.
— Ferragamo — identificou Gleisi.
Respondi:
— Caríssimos!
Helena balança a cabeça de vergonha com a minha indiscrição.
Aí, começou a confusão. A Helena Chagas estranhou um sapato com furos, mas sem cadarço. A presidente zombou:
— Helena, está na moda esse tipo de sapatos. Eu já vi vários assim, não tão lindos como estes. É chique: sapatos de cadarços sem cadarços.
Política e apoio
A presidente quis saber a diferença de idade entre a Mariana e a Manuela. Chocou-se ao saber que tinham a mesma idade: 30 anos.
— Gente, eu conheci a Manuela menina. As duas não parecem ter essa idade.
Fiz o comercial da Manu:
— E agora a senhora vai vê-la prefeita de Porto Alegre, se o PT deixar.
— Mas o Tarso Genro me garantiu que vai apoiá-la!
(Ah, se o jornal cortar esta parte!)
Fidelidade a Lula
A presidente sabe a data exata em que ela e Lula passaram a conviver com mais intimidade.
— O curioso é que ele falava com todo mundo, menos comigo. Não me dava a menor pista de que eu era a escolhida. Hoje nós nos entendemos só com olhar. Não há como tentar nos separar.
Mesmo assim, eu tento:
— O Lula tá agora em campanha pelo Nordeste. Campanha para quem?
A presidente rebate:
— Lula nasceu no meio do povo. Não imagino o Lula trancado num escritório. Ele é da rua, das praças. Adoro vê-lo beijando as pessoas nas ruas, fazendo um afago na dona Canô e fazendo a festa no Nordeste.
Os mais queridos
Dilma sobre governadores:
— Tenho uma boa convivência com todos eles, inclusive com os da oposição. Gosto muito, mas gosto muito do Anastasia, por exemplo. E o Téo Vilela, o que é aquilo? Que simpatia, todo manhoso. É difícil não o atender! Eu adoro o Eduardo Campos, adoro a mulher dele, dona Renata. Eu só chamo assim porque o Eduardo Campos só chama ela de "dona Renata". Ah, deixa eu falar do Jaques Wagner. Meu Deus! Se eu me esquecer do Jaques Wagner, não volto à Bahia.
Mas o destaque vem mesmo para os meninos do Rio:
— Confesso que, no governo Lula, eu tinha um pouco de ciúmes com o Cabral. Agora deveria ocorrer o inverso: o Lula ter ciúmes do Cabral. Só que Lula também adora o Cabral. Pezão, nem se fala. Pezão é companheiro que todo governante gostaria de ter por perto... — e desanda a falar do vice-governador, chamando-o de "o leão da montanha", por tê-lo visto trabalhando como louco na tragédia da Serra.
Brinco que, em vez de ciúmes, Maria Lúcia, a mulher de Pezão, fica toda orgulhosa dessa relação. E ela:
— A Maria Lúcia é um doce de pessoa. Ela sabe, e eu já disse isso pro Pezão, que o marido dela não tem olhos para mim, só para o dinheiro do governo. O Pezão não sabe a cor dos meus olhos. Ele parece a história do Tio Patinhas, que no lugar dos olhos da pessoa só via duas moedas. Ele só sabe pedir e pedir dinheiro.
Injustiça a um brasileiro.
Dilma fala com o coração:
— Uma das coisas mais tristes da política é a ingratidão. O exemplo maior é Ulysses Guimarães. Devemos ao esforço dele, à luta dele, o fato de estarmos hoje numa democracia. É muito triste o que fizeram com ele.
Foi aí que fiz a minha primeira provocação contra o principal aliado, o PMDB:
— Fizeram isso com ele e farão com a senhora. Aliás, já fizeram: tiraram a senhora e ele do programa de TV. Eu disse ao seu vice que o doutor Ulysses, nesse veto, estava em boa companhia.
E a presidente, tampando a boca como se estivesse surpresa e docemente constrangida:
— Você falou isso para o vice-presidente?
A presidente disse que os ensinamentos políticos de Ulysses Guimarães nunca perderão a atualidade. E lembrou uma de suas famosas frases:
"O corrupto suja a denúncia que faz. Quando aponta o erro, não quer justiça, quer cúmplice."
Fã de Chico e Mônica Salmaso, Dilma não tolera ‘gângster’ Cortez
A Dilma é feito o padre Jorjão e o Artur Xexéo. Finge que não vê novelas. Informa que só consegue ver "Insensato coração" no sábado. Mas apareceu para o jantar reclamando:
— O problema de "Insensato coração" é que morre gente demais. E eu não gosto da personagem da Glória Pires, o que mostra o seu grande talento de atriz. Não gosto desse comportamento da Norma. Eu gosto da Natalie.
E a ministra Helena, toda alegre:
— Dela com o Cortez? Eu adoro ela com o Cortez.
Dilma responde:
— Que Cortez! Eu não tolero esse gângster. O Cortez é um gângster. Tem que ficar na cadeia! Eu falo é da Natalie e do irmão, o Douglas. Agora ricos, não perderam os laços com a inocência e a pureza. Douglas faz o papel de burro, mas consegue passar a imagem de uma pessoa inteligente, pela ternura do personagem. O verdadeiro burro é aquele que se acha inteligente sem ser e acha que consegue enganar os outros. Desses burros, quero distância.
E prossegue:
— Eu sou noveleira, sim, mas saudosista. Tenho saudades do Sinhozinho Malta e do "Casarão". Graças a Deus que surgiu o canal Viva. Fico ligada nele. Mas, com a autoridade de uma grande noveleira, eu digo: não tem para ninguém. A melhor autora de novela é a Glória Perez. Novela é folhetim. A Glória é a autora que mais entende e conhece o gosto do brasileiro. Eu sou presidente do fã-clube da Glória Perez.
Programa preferido
A presidente revela o que mais gosta de ver na televisão atualmente:
— Graças ao canal Viva, posso rever o "Sai de baixo". Por que um programa bom desses acaba? Não consigo entender. A Marisa Orth é uma das melhores atrizes que conheço. Consegue fazer humor de primeira, sem rir. Isso é fantástico. O Falabella, sim, não consegue esconder o riso dos textos que escreve. O Falabella é um ator e autor genial.
Mas não deixa de falar de seus ídolos:
— Como brasileira, sinto o maior orgulho de termos a Fernanda Montenegro. Na primeira vez em que a vi, fiquei muito nervosa, disfarcei ao máximo. Eu acho que sempre me sentirei nervosa diante da Fernanda Montenegro.
Ídolos
Em plena crise do Palocci, Dilma recebeu um vídeo dos festivais da TV Record e se lembrou dos seus ídolos:
— Gente, eu vi Marília Medalha, novinha, o Sérgio Ricardo jogando o violão. Revi esse lance e percebi que o próprio Sérgio Ricardo, depois, fica arrependido do gesto. O Chico, menino, já era essa gracinha. O Chico realmente povoa até hoje a fantasia de toda a nossa geração e da atual, você não acha?
— Presidente, eu gosto só da obra do citado — respondo.
E a ministra Helena:
— Toda mulher tem o direito sagrado de ter fantasias com o Chico.
Aí quem balança a cabeça sou eu, mas sou logo derrotado pela Gleisi e pela presidente. Dilma confirma:
— Nossa, o Chico é o máximo. A família Buarque de Hollanda tem uma marca curiosa no frontal do rosto. Não toda, mas a maioria. Um detalhe que vem da testa, dos olhos e do nariz. A nossa ministra Ana de Hollanda tem bem esse traço do Chico.
E, voltando ao festival, falou com admiração de Caetano, Gil e de outros que fizeram nome na música brasileira.
— Bom, Gil é de casa. Somos amigos. Mas eu tenho uma curiosidade muito grande de conversar com o Caetano. Ele é muito culto, inteligente. Deve ser um papo encantador, doce, envolvente.
Mas, na música, neste momento, não há lugar para ninguém nos ouvidos da presidente. Errei, quase ninguém: a Dilma continua fiel à Cássia Eller e à Fernanda Takai. Mas a paixão da hora é uma só: Mônica Salmaso.
— No Twitter, onde falo toda hora com a senhora, botei uma música dela para conheceres, e aquele ministro Orlando Silva, um estraga-prazeres, retwittou dizendo que a senhora já tinha ouvido a Mônica no Congresso do PCdoB.
A resposta bem-humorada de Dilma:
— Que "aquele" ministro Orlando Silva não saiba, mas não foi no congresso do PCdoB que eu conheci a Mônica Salmaso. Ouço a Mônica desde o primeiro CD dela. Ela é perfeita. É incrível. Curioso é que a gente gosta dela de primeira. Tenho o maior respeito e admiração por todas as nossas grandes intérpretes, mas a Mônica é demais.
Presidente fala sobre Blairo e também de Aécio
A presidente Dilma citou poucos políticos no jantar. Deu um destaque especial ao senador Blairo Maggi, com este exemplo:
— Dizem que o Blairo conseguiu reverter lá fora a fama de bicho-papão do meio-ambiente. Eu acrescento: aqui dentro também. Isso não foi fácil. Você sabe que o Minc é a pessoa mais difícil do mundo. Pois o Minc conseguiu conviver em perfeita harmonia com o Blairo, sem abrir mão das suas convicções. A história da chegada da família dele a Mato Grosso é muito interessante...
— Quando o Lula, depois de ver as fazendas do primo, da irmã e do tio comentou que era o mais bem-sucedido programa de agricultura familiar?
— Não foi nessa. Isso é bem Lula. O Lula tem cada tirada.
A presidente, finalmente, acabou citando o nome do mais provável adversário do PT em 2014, Aécio Neves:
— No velório de Itamar, fiquei preocupada com o Aécio. Estava pálido. Ele não deveria ter ido. Ele quase morreu naquela queda (de cavalo), sabia? Escapou por milagre. Coitadinho, teve de tomar morfina. Esse acidente do Aécio me deixou triste. Graças a Deus, ele já está recuperado. Já voltou até a fazer discurso contra meu governo.
Perguntei se o núcleo doce do governo se reúne à noite para fofocar, jogar cartas ou falar mal dos homens. E Dilma:
—- Se a gente se reunir para se divertir, a gente acaba só falando de trabalho. Não dá para, por exemplo, botar nós três aqui com a Ideli e a Miriam. Acaba em trabalho. A gente mal tem tempo de se arrumar.
—- Mas a ministra Helena, toda a vez que a senhora demite alguém, vai pro salão arrumar os cachos. Ela adora confirmar demissão bem arrumada.
Ontem, numa roda de ministros, Dilma avisou:
— Prestem atenção nos cabelos da Helena. Se estiverem cacheados, algum ministro caiu.
Jorge Moreno
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