20 de jul de 2011

Pérolas dos nossos deputados

A gente pensa que já viu de tudo, mas não tem noção das coisas que rolam nos bastidores da Câmara. Os projetos abaixo são todos reais, foram apresentados formalmente e se encontram ou arquivados devido ao artigo 105 do regimento interno da câmara (fim da legislatura, podendo ser desarquivado a pedido) ou foram considerados inconstitucionais. O dinheiro que foi gasto para a elaboração deles no entando, não foi devolvido:
-> PEC 335/2001 do então deputado Paulo Octávio do extinto PFL: DISPONDO SOBRE A BÍBLIA SAGRADA SER ACEITA COMO INSPIRAÇÃO DE DEUS, PODENDO SER USADA PARA O ENSINO E PARA A EDUCAÇÃO NA JUSTIÇA; ALTERANDO A Constituição Federal de 1988
-> PL 2327/2003 do então Deputado Pastor Reinaldo PTB/RS : torna obrigatória a presença de um exemplar da Bíblia em todas as salas de aula do território nacional
-> INC 1884/2008 do então Deputado Walter Brito Neto PRB/PB Sugere ao Ministro da Educação a adoção da Bíblia Sagrada como livro didático na disciplina de história nas escolas de ensino fundamental e de ensino médio.
-> PL 6533/2006 do então Deputado Carlos Nader do PL/RJ Dispõe sobre a obrigatoriedade de manutenção de exemplares da Bíblia Sagrada nos acervos das bibliotecas das unidades escolares públicas em todo o território nacional. (projeto ressucitado pelo Deputado Filipe Pereira PSC/RJ com novo número. Aguarda parecer)
-> INC 5078/2005 do então Deputado Milton Cardia PTB/RS sugere ao ministro da educação a inclusão do criacionismo no currículo das escolas de ensino fundamental e médio (APROVADO e encaminhado ao ministério que felizmente ignorou)
Entre 2007 e 2011 existem 23 requerimentos de sessões solenes em homenagem ou com relação direta à Bíblia.
Esse é o nosso Estado quase Laico.
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E o preço da Nova Marginal? Ninguém toca mais no assunto?

Faz muito bem a imprensa em revelar novas falcatruas em obras do Ministério dos Transportes, um assunto que há mais de duas semanas não sai das manchetes e parece não ter fim. É um dos seus papéis fiscalizar o poder público - todos os poderes, em todos os níveis, eu diria.
Só acho estranho que, em meio a esta fúria de denúncias, tenha sumido do noticiário, tão rapidamente como apareceu, depois de um fugaz registro feito pelo "Estadão", na semana passada, o caso do preço da obra da Nova Marginal do Tietê, em São Paulo, que passou do orçamento inicial de R$ 1 bilhão para gastos até agora de 1 bilhão e 750 milhões, ou seja, teve um "aditivo" de módicos 75%.
No mesmo dia em que o jornalão paulista tocou no assunto, e todos os outros fingiram que não viram, o Governo do Estado e a Prefeitura de São Paulo assinaram um convênio que liberou mais R$ 200 milhões para a obra, que parece não ter data para terminar, embora tenha sido inaugurada ainda no governo de José Serra.
Nova Marginal foi o nome dado às pistas adicionais construídas para melhorar o trânsito junto às margens do rio Tietê. Quem tocou a obra foi a Dersa, uma espécie de Dnit paulista, então comandada pelo lendário Paulo Preto, cujo nome apareceu em denúncias sobre doações para a campanha tucana.
Uma rádio de notícias registrou o fato em rede nacional, sem citar o jornal, mas em seguida seus dois comentaristas, um deles acadêmico recém-eleito, nem tocaram no assunto, preferindo falar mais uma vez do Ministério dos Transportes.
Ao ler o noticiário sobre o depoimento de Rudolf Murdoch, lembrei-me deste modelo habitual na nossa imprensa de usar dois pesos e duas medidas, de acordo com suas conveniências políticas, partidárias e empresariais, para informar seu distinto público.
A diferença é que Murdoch nunca escondeu suas preferências e atua abertamente para combater ou defender governos e destruir reputações, como a "Fox" não se cansa de fazer nos Estados Unidos, a favor dos republicanos e dando pau no governo Obama sem fingir neutralidade.
Será que os arautos da "liberdade de imprensa" e do "controle familiar da comunicação" não se interessam em apurar, investigar, saber, afinal, o que aconteceu nas obras da Nova Marginal?
A única explicação dada pela Dersa, até agora, é que mudou o escopo da obra e os custos aumentaram por culpa da inflação - exatamente a mesma explicação dada pelo Dnit para os seus "aditivos".
Se a hipocrisia permitir atender ao meu pedido, ficarei grato. Gostaria mesmo de saber o que aconteceu, só por curiosidade. Os leitores teriam alguma idéia para explicar o fenômeno?
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Saiba onde foi para o dinheiro que sumiu do Palmeiras

No ano de 2010, o então presidente do Palmeiras, Luis Gonzaga Belluzzo, autorizou o advogado de Ribeirão Preto, Jorge Batista Nascimento, a cuidar de uma ação de Recuperação de Tributos, nº 0068389-32.1992.403.61.00 (numeração antiga: 92.0068389-4), da 5ª Vara do Foro Cívil da Justiça Federal.
Em sete de maio do mesmo ano, este advogado foi autorizado pelo Prof. Belluzzo, a levantar 16% do total depositado na ação, R$ 1.403.126,23, a título de honorários advocatícios.
O serviço foi efetuado, conforme as guias relacionadas abaixo, totalizando R$ 224.500,20, correspondentes aos tais 16%:
Guia 442: R$ 201.384,17
Guia 444: R$ 20.925,23
Guia 446: R$ 2.190,50
Ocorre que logo após, o advogado do Palmeiras, Pedro Renzo de Carvalho, sócio de Antonio Corcione, conselheiro do clube, depositou em sua conta pessoal o valor de outro levantamento, comprovado através das guias 441, no valor de R$ 1.057.266,93, guia 443, no valor de R$ 109.858,99 e guia 445, no valor de 11.500,11, perfazendo o total de R$ 1.178.626,03.
Deste valor, apenas R$ 888.104,22 foram transferidos para a conta do Palmeiras, havendo, portanto, apropriação indébita de R$ 290.521,81.
Não existe, na contabilidade do Palmeiras, nenhum comprovante de pagamento, nem os R$ 224.500,20, do primeiro levantamento, muito menos os R$ 290.521,81, que estão na conta do sócio de Corcione..
Um rombo de R$ 515.022,01 que nenhuma das três auditorias contratadas pelo Palmeiras conseguiu perceber.
Corcione alega que parte do dinheiro, cerca de R$ 40 mil, foi utilizado no Fórum, para retirar guias, como “gratificação”, pois havia dificuldades em retirá-las.
Falou ainda que salvou o ex-presidente Della Mônica diversas vezes de ser preso por apropriação indébita.
Em reunião, o advogado sócio de Corcione, como se estivesse num filme da “Cosa Nostra”, avisou os presentes que havia mais de 20 dirigentes e ex-dirigentes envolvidos neste caso, citando os nomes de Mustafá Contursi, Luiz Pagnota, sua esposa Dirce, a irmã de Dirce, Silva Rico, Mario Gianini, Jair Jussio, Della Mônica, etc.
Ameaçou dizendo que se o caso fosse pra frente, o Palmeiras ficaria ingovernável, e seria investigado por Sonegação Fiscal, enriquecimento ilícito, estelionato, desvio de dinheiro, remessa ilegal de divisas, etc.
Nervoso, o vice Mario Gianini chegou até a dar um murro na mesa.
O ex-vice-presidente financeiro da gestão Belluzzo, Francisco Campini Busico, tomou a palavra, dizendo que na gestão do ex-presidente, cansou de colocar dinheiro no clube para depois tirá-lo.
“Aquilo era uma zona”, disse Busico.
Alegou que teria recebido R$ 250 mil, parte dos R$ 290.521,81, para cobrir “furos” de caixa.
“Cansei de dar cheques pré-datados, retirando-os do meio do talão para disfarçar”, teria dito o ex-dirigente.
O fato é que, até o momento, mais de R$ 500 mil reais deixaram de entrar nos caixas palmeirenses, sem que ninguém consiga explicar o motivo adequadamente.
Cabe agora ao Conselho do clube cobrar as devidas explicações.
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Justiça nega indenização a netos de Yeda Crusius

Em julgamento ocorrido nesta quarta-feira (20), os desembargadores da 9ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul entenderam que a manifestação realizada pelo Centro dos Professores do Estado do Rio Grande do Sul (CPERS/Sindicato) em frente à casa da então governadora Yeda Crusius, no dia 16 de julho de 2009, foi lícita e não ofendeu a moral dos netos da ex-Governadora, que também residiam no local.
A ação foi ajuizada pelos dois netos de Yeda Crusius, representados por sua mãe, Tarsila Crusius.
No 1º Grau, o Sindicato havia sido condenado ao pagamento de indenização de R$ 10 mil para cada um dos netos, em razão de excessos que teriam sido cometidos durante o protesto.
Para o relator do recurso, juiz Roberto Carvalho Fraga, a entidade não pode ser responsabilizada por uma situação que poderia muito bem ter sido evitada se não fosse a conduta da própria Governadora, com a conivência da mãe, responsável pelos menores, em optar pela exposição dos meninos, em face de um protesto que tinha um caráter de interesse público.
O magistrado observou ainda que “o local onde os autores da ação moravam era, também, onde residia a Governadora do Estado, caracterizando-se, portanto, imóvel público num sentido amplo, inclusive beneficiado por staff governamental oferecido pelo Estado”. Dessa forma, entendeu que não ocorreu invasão de privacidade ou intimidade dos meninos. Também considerou que não houve desvio do exercício do direito de reunião, já que a manifestação realizou-se defronte a imóvel público.
O juiz afirmou que também não houve impedimento à liberdade do direito de ir e vir, já que as crianças puderam se locomover até a escola, após a chegada da Brigada Militar.
Quanto às alegações dos autores de formação de um corredor polonês em torno do veículo onde estavam os meninos, seguido de batidas nos vidros, entendeu que a ocorrência desses fatos não foi comprovada.
Dessa forma, o magistrado acolheu a apelação do CPERS, em voto que foi acompanhado pelas desembargadoras Iris Helena Medeiros Nogueira e Marilene Bonzanini. A Câmara negou o recurso dos autores, que buscavam responsabilização de Rejane Silva de Oliveira, presidente do Sindicado, e a majoração da indenização.
Na avaliação do CPERS/Sindicato, a mobilização foi pacífica e em defesa da educação de qualidade e contra as escolas de lata.
O sindicato, na época, levou um contêiner para mostrar a precariedade do modelo de sala de aula que estaria sendo oferecido pelo governo do estado aos filhos dos trabalhadores. Para o sindicato, a vitória na Justiça “preserva a democracia e o direito à manifestação por parte de uma categoria que historicamente defende a educação pública”.
Com informações do TJ-RS e do CPERS/Sindicato e de Marco Weissheimer
By: Tirando a Limpo
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Educação em territórios de alta vulnerabilidade

Vulnerabilidade social do território influencia aprendizagem dos alunos, aponta pesquisa
Estudo realizado na Zona Leste de São Paulo mostra que crianças com o mesmo nível sociocultural apresentam desempenhos escolares diferentes de acordo com a localização da escola que frequentam.
O estudo Educação em territórios de alta vulnerabilidade social na metrópole, uma iniciativa da Fundação Tide Setubal em parceria com a Fundação Itaú Social e o Unicef e coordenação do Cenpec, constatou que, quanto maior a vulnerabilidade social do território, menor o nível da qualidade de ensino ofertado e menor a aprendizagem dos alunos, dinâmica denominada ‘Efeito do Território’.
Realizado entre 2009 e 2010, a pesquisa analisou dados das 61 escolas públicas da subprefeitura de São Miguel Paulista, na Zona Leste da capital, que atendem 88 mil alunos. Os dados mostram que quanto mais vulnerável o território, menor o resultado das escolas na avaliação do Ideb.
O objetivo da pesquisa foi averiguar o ‘Efeito do Território’ nas oportunidades educacionais oferecidas às crianças, adolescentes e jovens da periferia das metrópoles. “As metrópoles apresentam o seguinte paradoxo: ao mesmo tempo em que possuem grande riqueza econômica, social e cultural, apresentam indicadores educacionais abaixo das cidades de médio porte” explica a superintendente do Cenpec, Anna Helena Altenfelder.
Segundo Antonio Batista, coordenador de pesquisa do Cenpec, “esse aparente paradoxo é decorrente - segundo as investigações existentes sobre o tema - da forte segregação espacial que marca as áreas metropolitanas e que tende a isolar parcelas expressivas da população de oportunidades sociais, educacionais e culturais. A segregação e o isolamento espacial se tornam, assim, também uma segregação e um isolamento sociocultural e educacional”.
Para a coordenadora da Fundação Tide Setubal, Paula Galeano a pesquisa também tem mérito de apresentar, sob diversas óticas, os mecanismos que geram as desigualdades. "A Fundação atua em territórios vulneráveis onde percebemos a reprodução das desigualdades, pelo precário acesso da população aos bens e serviços que não estão distribuídos de forma justa na cidade. Nosso papel é o de integrar ações e políticas na tentativa de romper este ciclo e promover o desenvolvimento”, conclui.
O que mobilizou as instituições envolvidas a desenvolver este estudo foi a possibilidade de contribuir para o debate público sobre as políticas educacionais. “São necessárias políticas específicas para escolas em territórios de alta vulnerabilidade, sobretudo quando atendem alunos com baixos recursos culturais, visando garantir a equidade”, afirma a diretora da Fundação Itaú Social, Valéria Riccomini.
São duas as evidências que comprovam o impacto da vulnerabilidade do território onde se localiza a escola sobre as oportunidades educacionais oferecidas aos estudantes:
Primeira evidência
O estudo constatou que, das 61 escolas pesquisadas, as localizadas em territórios de alta vulnerabilidade ficaram abaixo da média local do Ideb. Por outro lado, entre as que estão em regiões centrais, com mais recursos culturais, financeiros e sociais, quase todas estão acima da média do Ideb de São Miguel Paulista.

Segunda evidência
Outra evidência detectada é que alunos com o mesmo nível sociocultural têm desempenhos diferentes conforme o nível de vulnerabilidade do local onde se situa a escola. Foi observado que, dentre os alunos de quarta série com baixos níveis socioculturais que vivem em territórios de alta vulnerabilidade, 50% tiveram nível de proficiência abaixo do básico na Prova Brasil em Língua Portuguesa, em 2007. Este índice cai para 38% nas regiões mais centrais. Esta evidência expressa um princípio fundamental para a Educação que é de que todos os alunos podem aprender, desde que garantidas as condições para isto.

A pesquisa também procurou identificar os mecanismos e processos que produzem o ‘Efeito de Território’. Foram encontrados cinco mecanismos que afetam as escolas em territórios de alta vulnerabilidade: 1) isolamento da escola em relação a outros equipamentos públicos no território; 2) baixa oferta de Educação Infantil e creches no entorno; 3) escolas com tendência a concentrar alunos com baixos recursos socioculturais; 4) desvantagem em relação a outras escolas na concorrência por bons profissionais; 5) modelo escolar vigente inadequado às necessidades dos alunos que estudam nestas escolas com alta vulnerabilidade. “O modelo escolar que organiza o funcionamento das escolas exige um repertório que os alunos com baixos recursos não possuem. A escola precisa estar preparada para atender o aluno real” explica o pesquisador do Cenpec e coordenador da pesquisa, Maurício Érnica.
Segundo a diretora da Fundação Itaú Social, Valéria Riccomini, o resultado da pesquisa indica que é necessário e urgente desenvolver políticas públicas específicas para escolas que estejam localizadas em regiões de alta vulnerabilidade social. “Ao concluir que crianças com o mesmo nível sociocultural têm desempenhos diferentes, o estudo mostra que o território influencia de forma significativa as oportunidades de aprendizagem. Por isso, as políticas precisam considerar as desigualdades e as especificidades de cada comunidade”, afirma.
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O insaciável Strauss-Khan

Berna (Suiça) - O espectro da fome ressurge na África. São três milhões de mortos em perspectiva. Mas os países ocidentais não podem ajudar, ao contrário, até diminuíram suas ajudas pela metade, pois o dinheiro disponível para as emergências precisou ser usado na ajuda aos bancos, ameaçados de falência na recente crise.
Nesta quinta-feira, os dirigentes dos países europeus se reúnem para tentar encontrar uma saída para a crise grega, um país inteiro à beira da falência, com o risco de arrastar consigo toda a estabilidade financeira e mesmo política da Europa.
Nos EUA, Obama tem mais algumas semanas para encontrar uma solução para a crise da dívida interna, enquanto o dólar vai perdendo o valor e sua cotação é menos da metade do valor do ano retrasado na Europa.
Na França, já em plena pré-campanha eleitoral para a presidência, não se fala no terremoto financeiro detetado pelos sismógrafos das bolsas. Mas da telenovela de sexo, mentira, complô, traição e tentativa de violação de uma camareira pelo ex-dirigente do Fundo Monetário Internacional, Dominique Strauss-Khan, DSK, agravada pela denúncia de uma jovem escritora francesa, de ter também sido assediada pelo potente e insaciável economista, que, pelo jeito, não precisa de Viagra.
A telenovela DSK tem todo os ingredientes de um vaudeville ou ópera tragicômica, com a entrada em cena das personagens francesas. A jovem quase violada vem a público e abre processo oito anos depois dos fatos, quando nada se poderá provar. Mas sua intempestiva intrusão na justiça acaba por envolver sua própria mãe, que confessa ter tido uma relação sexual consentida com DSK, porém de rara violência.
O caso assume feições familiares, pois a queixosa de tentativa de violação é amiga da filha de DSK, estuda em Nova Iorque e apareceu na televisão com a atual esposa de DSK, no episódio da prisão e libertação preventiva do ex-dirigente do FMI. E, por sua vez, a ex-esposa de DSK é madrinha da escritora vítima de tentativa de violação. Ao que parece todas estavam a par dessa história, mas, interrogadas pela polícia francesa, contaram versões diferentes.
E, reforçando a hipótese dos amantes de complôs, houve realmente uma tentativa de se envolver o candidato socialista, François Hollande nessa confusão, por ter sido informado, quando presidente do Partido Socialista, dos ardores de DSK, mas sem tomar qualquer iniciativa. Enraivecido e com receio de ser envolvido, Hollande fez questão de ir à polícia para declarar não ter nada a ver com essa história.
Com isso, os franceses se esquecem de que o capitalismo está de novo hospitalizado no serviço de cuidados intensivos. Os sintomas são os mesmos da crise ocorrida nos EUA – muito capital especulativo, pouco capital produtivo, muito dinheiro nas mãos de poucos e pouco nas mãos da população provocando um alto endividamento, ou seja, o excesso de acumulação de capital está provocando uma baixa de consumo.
Para reforçar suas exportações, os patrões alemães conseguiram dobrar os sindicatos e baixar seus salários, competindo no mercado com os produtos portugueses, espanhóis, gregos, irlandeses e italianos.
Embora hoje alvo das críticas européias, a Grécia cedeu às ofertas dos países ricos europeus, comprando um excesso de desnecessários armamentos, que agora reforça sua dívida e não tem condições para pagar.
Sem se esquecer que as riquezas desses países ameaçados de falência como a Grécia voaram rapidamente para lugares seguros como a Suíça e outros paraísos, que mesmo melhor controlados continuam sendo um bom refúgio.
A política neoliberal está destruindo a União Européia tanto politica como economicamente. E o pior é que se a Grécia falir, virão junto os bancos que dela se apropriaram e com os bancos toda a Europa. E logo a seguir os EUA.
A fome no Sudão, a perda das conquistas sociais dos gregos e logo a seguir de todos os europeus, a força dos bancos que dominam países com seus empréstimos, tudo isso são violações econômicas em cadeia, como na telenovela DSK.
Rui Martins
By: Direto da Redação
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Premiê quer investigação do braço australiano do grupo de Murdoch

A primeira-ministra da Austrália, Julia Gillard, anunciou nesta terça-feira (19) seu apoio à proposta apresentada no Senado pelo Partido Verde para que sejam investigadas as atividades da companhia australiana News Limited, propriedade de Rupert Murdoch.
"Acredito que os australianos estão olhando a News Limited e querem respostas para algumas duras questões", disse a chefe do governo um dia depois de Murdoch ter ido ao Parlamento britânico para prestar esclarecimentos sobre as supostas escutas ilegais do diário "News of the World" no Reino Unido.
O magnata, de 80 anos, e de seu filho James, presidente do seu império na Europa, expressaram no Parlamento britânico seu pesar pelos danos causados às vítimas das escutas, mas negaram qualquer responsabilidade no caso.
A News Limited, filial australiana do grupo News Corporation, domina cerca de 70% do setor de imprensa escrita e tem ainda importante participação em canais de televisão, diários digitais e outros meios de comunicação do país.
O chefe executivo da News Limited, John Hartigan, negou em vários comunicados que a companhia tenha atuado na Austrália de forma similar ao tabloide News of the World e anunciou que serão analisados todos os pagamentos realizados pelo grupo nos últimos três anos.
O Partido Trabalhista, capitaneado por Gillard, alegou em várias ocasiões que os diários da News Limited travam uma campanha para arranhar sua imagem, acusação que foi rejeitada pela direção do grupo de comunicação.
Em nota dirigida aos trabalhadores da News Limited, Murdoch assegurou que sua companhia sairá fortalecida do escândalo. Murdoch, naturalizado americano, nasceu na cidade australiana de Melbourne e em Adelaide fundou seu primeiro diário.
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Murdoch nega responsabilidade, crise aproxima-se de Cameron

Rupert Murdoch respondeu a perguntas dos deputados ingleses no que disse ser o "dia mais humilde" da sua vida. Mas acabou como alvo de um prato com espuma de barbear lançado por um comediante ativista, Jonathan May-Bowles, do UK Uncut. Os chefes da polícia demitidos esta semana também foram ouvidos no parlamento e os holofotes voltam-se agora para o chefe de gabinete do primeiro-ministro.
O dono da News Corporation viu nas últimas semanas arrasados os sonhos de expansão no negócio televisivo inglês, bem como o lendário tablóide News of the World, por causa das escutas ilegais. Presente em Londres para testemunhar no parlamento, Murdoch recusou qualquer responsabilidade nos crimes que diariamente eram feitos no jornal. O magnata dos media disse que nunca soube de nada e que os culpados são "as pessoas que contratei e em quem confiei, e talvez então as pessoas que eles contrataram e confiaram". Sobre as ligações políticas com o novo governo, Murdoch confessou ter dado os parabéns a Cameron pela vitória eleitoral já em Downing Street, acrescentando que lhe pediram "se por favor podia entrar pela porta traseira".
O filho do magnata e também administrador do grupo, James Murdoch, também negou ter tido conhecimento das escutas ilegais e pediu desculpa a todos os afetados pelos crimes da empresa. Segundo o Guardian, foi mesmo obrigado a admitir que a empresa ainda paga o salário de Glenn Mulcaire, um dos detetives privados já condenados no primeiro escândalo das escutas. Aos deputados, disse estar surpreso e chocado ao saber que os pagamentos continuavam, tendo negado que tal servisse para comprar o silêncio do detetive condenado. Também Rebekah Brooks, a responsável do grupo pelo News of the World, alinhou pela versão dos administradores e negou qualquer responsabilidade nos pagamentos a detetives privados.
Outro depoimento do dia foi o do antigo procurador Ken Macdonald, que trabalha para a News International e a quem uma firma de advogados da empresa mostrou os emails entre editores. "Demorei três a cinco minutos" a decidir que o material tinha de ser entregue à polícia, disse Macdonald, lembrando que foi esse o conselho que deu em junho passado, numa reunião presidida por Murdoch com a direção do grupo, e que todos lhe pareceram "chocados" com as revelações.
Mas a bomba política desta terça-feira rebentou noutra comissão, com as declarações de Paul Stephenson e John Yates. Ambos os ex-chefes policiais disseram à comissão parlamentar inglesa de assuntos internos que em setembro do ano passado – quando a notícia das escutas do News of the World regressou através da investigação do New York Times – a Scotland Yard quis informar o primeiro-ministro sobre o contexto da investigação. Mas Ed Llewellyn, o chefe de gabinete de Cameron, deixou claro que esse tema não interessava. A troca de emails entre Llewellyn e John Yates, o nº 2 da policia, foi agora revelada pelo Guardian: "Sobre os outros assuntos que mereceram a sua atenção esta semana, partindo do princípio que estamos a pensar na mesma coisa, certamente que compreenderá que queremos estar em posição de sermos inteiramente claros, para o nosso e vosso bem, de que não tivemos nenhum contacto convosco sobre esse assunto", respondeu o chefe de gabinete ao pedido de Yates para abordar o tema das escutas no dia em que o New York Times publicou a notícia.
Paul Stephenson e John Yates são os dois altos responsáveis da polícia inglesa que se demitiram na semana passada, após ser conhecida a contratação dum antigo editor do News of the World, Neil Wallis, para consultor da polícia. Wallis tinha sido braço direito de Andy Coulson - o ex-diretor de comunicação do primeiro-ministro - no jornal e sabia de tudo sobre as escutas ilegais. Coulson e Wallis foram presos nas últimas semanas.
A relação entre políticos, policiais e jornalistas está criando um ambiente de preocupação social e a comissão que ouviu os dois ex-responsáveis policiais soube também que 10 dos 45 membros do poderoso gabinete de imprensa da Scotland Yard já pertenceram aos quadros da News International.
Um dos advogados que segue o escândalo desde o início é Mark Lewis, que revelou aos deputados ter sido alvo de ameaças de processos judiciais por parte dos advogados de John Yates. Os comentários de Lewis sobre as escutas não agradaram ao adjunto do chefe da polícia inglesa e "os custos do processo foram pagos pela polícia, pelo contribuinte", acusou Lewis na comissão parlamentar. Também o ex-comandante Stephenson foi confrontado pela comissão pelo fato de ter reunido com editores do Guardian em 2009 com o objectivo de demovê-los de continuarem a publicar a investigação sobre as escutas. Respondeu que não tinha lido as notícias em causa e confiara na apreciação de Yates. "Devemos hoje estar gratos" por o jornal ter continuado a investigação, disse agora Stephenson aos deputados, na que deve ter sido a sua última aparição pública envergando a farda policial.
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Sol de Inverno

Com música de Edson Natale e Alex Braga, as imagens do pássaro Martin Pescador na chácara El Padrecito no Telho, em sua faina sob o Sol de Inverno.
Vi no Confraria dos poetas de Jaguarão
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”Acusações de Kruschev contra Stalin são falsas”

A Verdade – [Glauber Ataide] A Verdade entrevistou, por e-mail, Grover Furr, professor da Universidade de Montclair em Nova Jersey, EUA, e autor do livro Antistalinskaia Podlost ("A infâmia antistalinista", em tradução livre), lançado recentemente em Moscou. Grover Furr é ph.D. em literatura comparada (medieval) pela Universidade de Princeton, e, desde 1970, ensina na Universidade de Montclair, sendo responsável pelos cursos de Guerra do Vietnã e Literatura de Protesto Social, entre outros. Suas principais áreas de pesquisa são o marxismo, a história da URSS e do movimento comunista internacional e os movimentos políticos e sociais. Nesta entrevista, o professor Grover fala de sua pesquisa e afirma que “60 de 61 acusações que o primeiro-ministro Nikita Kruschev fez contra Stalin são comprovadamente falsas”.
A Verdade – Recentemente, um grande número de livros tem sido publicado atacando a pessoa e a obra de Josef Stalin. Como o senhor explica a intensificação desse antistalinismo nos EUA e no mundo?
Grover Furr – Desde o fim da década de 1920, Stalin tem sido o maior alvo do anticomunismo ideológico e acadêmico. Leon Trótsky atacava Stalin para justificar sua própria incapacidade de ganhar as massas trabalhadoras da União Soviética [URSS]. A verdadeira causa da derrota de Trótsky é que sua interpretação do marxismo – um tipo de determinismo econômico extremado – predizia que a revolução estava fadada ao fracasso a não ser que fosse seguida por outras revoluções nos países industrialmente avançados. Mas a liderança do Partido preferiu o plano de Stalin para primeiro construir o socialismo em um só país. As ideias de Trótsky tiveram (e ainda têm) uma grande influência sobre todos aqueles declaradamente capitalistas e anticomunistas. Os historiadores trotskistas são muito bem acolhidos pelos historiadores capitalistas. Pierre Broué e Vadim Rogovin, os mais proeminentes historiadores trotskistas das últimas décadas, já foram louvados e ainda são frequentemente citados por historiadores abertamente reacionários. Muitos na liderança do Partido em 1930 combateram Stalin quando este lutava por democracia interna no Partido e, especialmente, por eleições democráticas para os sovietes. As grandes conspirações da década de 1930 revelaram a existência de uma ampla corrente de oposição às políticas associadas a Stalin. Essas conspirações de fato existiam: os oposicionistas realmente estavam tentando derrubar o partido soviético e assassinar a liderança do governo, ou tomar o poder liderando uma revolta na retaguarda, em colaboração com os alemães e os japoneses. Nikolai Ezhov, líder da NKVD (o Comissariado do Povo para Assuntos Internos), tinha sua própria conspiração direitista, incluindo colaboração com o Eixo. Visando aos seus próprios fins; ele executou centenas de milhares de cidadãos soviéticos completamente inocentes para minar a confiança e a lealdade ao governo soviético. Quando Stalin morreu, Kruschev e muitos líderes do Partido viram que poderiam jogar a culpa por essas grandes repressões em cima de Stalin. Eles também inventaram muitas outras mentiras escancaradas sobre Stalin, Lavrentii Béria e pessoas próximas aos dois. Quando, bem mais tarde (1985), [Mikhail] Gorbachev assumiu o poder, ele também percebeu que as suas “reformas” capitalistas – o distanciamento do socialismo em direção a relações capitalistas de mercado– poderiam ser justificadas se sua campanha anticomunista fosse descrita como uma tentativa de “corrigir os crimes de Stalin”. Essas mentiras e histórias de horror permanecem como a principal forma de propaganda anticomunista, hoje, no mundo. A tendência é que elas se intensifiquem, pois os capitalistas estão diminuindo os salários e retirando benefícios sociais dos trabalhadores, caminhando em direção a um exacerbado nacionalismo, ao racismo e à guerra.
A Verdade – O que o levou a se interessar pela história da URSS?
Grover Furr – Quando estava na faculdade, de 1965 a 1969, eu fazia protestos contra a guerra dos EUA no Vietnã. Um dia, alguém me disse que os comunistas vietnamitas não poderiam ser “caras legais” porque eram todos “stalinistas”, e “Stalin tinha matado milhões de pessoas inocentes”. Isso ficou na minha cabeça. Foi provavelmente por isso que, no início da década de 1970, li a primeira edição do livro O grande terror, de Robert Conquest. Fiquei impressionado quando o li! Mas eu já tinha um certo domínio do russo e podia ler neste idioma, pois já vinha estudando literatura russa desde o ensino médio. Então examinei o livro de Robert Conquest com muito cuidado. Aparentemente ninguém ainda havia feito isso! Descobri, então. que Conquest fora desonesto no uso de suas fontes. Suas notas de rodapé não davam suporte a nenhuma de suas conclusões “anti-Stalin”. Ele basicamente fez uso de qualquer fonte que fosse hostil a Stalin, independentemente de se era confiável ou não. Decidi, então, escrever alguma coisa sobre o “grande terror”. Demorou um longo tempo, mas finalmente foi publicado em 1988. Durante este tempo estudei as pesquisas que estavam sendo feitas por novos historiadores da URSS, entre os quais Arch Getty, Robert Thurston e vários outros.
A Verdade – Seu livro Antistalinskaia Podlost (“A infâmia antistalinista”) foi recentemente publicado em Moscou. Conte um pouco sobre ele.
Grover Furr – Há aproximadamente uma década fiquei sabendo da grande quantidade de documentos que estavam sendo revelados dos antigos arquivos secretos soviéticos, e comecei a estudá-los. Li em algum lugar que uma ou duas das declarações de Kruschev em sua famosa “fala secreta”, de 1956, foram identificadas como falsas do início ao fim. Daí, pensei que poderia fazer algumas pesquisas e escrever um artigo apontando alguns outros erros de seu pronunciamento da “sessão secreta”. Nunca esperei descobrir que tudo o que Kruschev disse – 60 de 61 acusações que ele fez contra Stalin e Béria – eram comprovadamente falsas (não pude encontrar nada que comprovasse a 61ª)! Percebi que este fato mudava tudo, uma vez que praticamente toda a “história” anticomunista desde 1956 se baseia ou em Kruschev ou em escritores de sua época. Verifiquei que a história soviética do período de Stalin que todos aprendemos era completamente falsa. Não apenas “um erro aqui e outro ali”, mas fundamentalmente uma fraude gigantesca, a maior fraude histórica do século! E meus agradecimentos ao colega de Moscou Vladimir L. Bobrov, que foi o primeiro a me mostrar esses documentos, me deu inestimáveis conselhos, várias vezes, e fez um excelente trabalho de tradução de todo o livro. Sem o dedicado trabalho de Vladimir, nada disso teria acontecido.
A Verdade – Em suas pesquisas o senhor teve acesso direto a arquivos soviéticos abertos recentemente. O que esses documentos revelam sobre os "milhões de mortos" sob o socialismo, especificamente no período de Stalin?
Grover Furr – Considerando que pessoas morrem a todo instante, eu suponho que você esteja falando de mortes “excedentes”. A Rússia e a Ucrânia sempre experimentaram fomes a cada três, quatro anos. A fome de 1932-33 ocorreu durante a coletivização. Sem dúvida, que um número maior de pessoas morreu do que teria morrido naturalmente. No entanto, muito mais pessoas iriam morrer em sucessivas fomes – a cada três, quatro anos, indefinidamente, no futuro – se não fosse feita a coletivização. A coletivização significou que a fome de 1932-33 foi a última, com exceção da grave fome de 1946-1947, que foi muito pior, mas isso devido à guerra. E, como mencionei anteriormente, Nikolai Ezhov deliberadamente matou milhares de pessoas inocentes. É interessante considerar o que poderia ter sucedido se a URSS não houvesse coletivizado a agricultura e não tivesse acelerado seu programa de industrialização, e se as conspirações da oposição nos anos 1930 não tivessem sido esmagadas. Se a URSS não tivesse feito a coletivização, os nazistas e os japoneses a teriam conquistado. Se o governo de Stalin não houvesse contido as conspirações direitistas, trotskistas, nacionalistas e militares, os japoneses e os alemães teriam conquistado o país. Em qualquer um desses casos, as vítimas entre os cidadãos soviéticos teriam sido muito, muito mais numerosas do que os 28 milhões mortos na guerra. Os nazistas teriam matado muito mais eslavos ou judeus do que mataram. Com os recursos, e talvez até mesmo com os exércitos da URSS do seu lado, os nazistas teriam sido muito, muito mais fortes contra a Inglaterra, a França e os EUA. Com os recursos soviéticos e o petróleo de Sakhalin, os japoneses teriam matado muito, muito mais americanos do que fizeram. O fato é que a URSS sob Stalin salvou o mundo do fascismo não apenas uma vez, durante a guerra, mas três vezes: pela coletivização; pelo desbaratamento das oposições direitista-trotskista-militares e também na guerra. Quantos milhões isso dá?
A Verdade – Alguns autores vêm tentando encontrar semelhanças entre Stalin e Hitler, e alguns até chegam a afirmar que o suposto "stalinismo" foi “pior” que o nazismo. Existia realmente alguma ligação entre Stalin e Hitler?
Grover Furr – Os anticomunistas e os pró-capitalistas não discutem a luta de classes e a exploração. De fato, eles ou fingem que essas coisas não existem ou que não são importantes. Mas a luta de classes causada pela exploração é o motor da história. Então omitir isso significa falsificar a história. Hitler era um capitalista, um anticomunista autoritário de um tipo que é comum em vários países capitalistas. Stalin liderou o Partido Bolchevique e a URSS quando os comunistas em todo o mundo estavam lutando contra todo tipo de exploração capitalista. Sempre que dizemos “pior”, devemos sempre nos perguntar: “Pior para quem?” A URSS e o movimento comunista durante o período de Stalin foram definitivamente “piores que o nazismo”, para os capitalistas. Essa é a razão de os capitalistas odiarem tanto Stalin e o comunismo. O movimento comunista durante o período de Lênin e Stalin, e ainda por um bom tempo depois, foi a maior força de libertação humana da história. E novamente devemos nos perguntar: “Libertação de quem? Libertação do quê?” A resposta é: libertação da classe trabalhadora de todo o mundo, da exploração capitalista, da miséria e das guerras.
A Verdade – Um dos ataques mais frequentes a Stalin é que ele seria responsável pela fome na Ucrânia, em 1932-1933, também chamada de Holodomor. Esta versão da história corresponde ao que realmente ocorreu?
Grover Furr – O “Holodomor” é um mito. Nunca aconteceu. Esse mito foi inventado por ucranianos nacionalistas pró-fascistas, junto com os nazistas. Douglas Tottle comprovou isso em seu livro Fraud, Famine and Fascism (1988). Arch Getty, um dos melhores historiadores burgueses (isso é, não marxistas, não comunistas), também tem um bom artigo sobre isso. Até o próprio Robert Conquest deixou de defender sua antiga versão de que os soviéticos deliberadamente causaram a fome na Ucrânia. Nenhuma sombra de prova que poderia confirmar essa visão jamais veio à luz. O mito do “Holodomor” persiste porque ele é o “mito fundacional” do nacionalismo direitista ucraniano. Os nacionalistas ucranianos que invadiram a URSS juntamente com os nazistas mataram milhões de pessoas, incluindo muitos ucranianos. Sua única “desculpa” é propagandear a mentira de que eles “lutaram pela liberdade” contra os comunistas soviéticos, que eram “piores”.
A Verdade – Deixe uma mensagem para os trabalhadores brasileiros.
Grover Furr – Lutem pelo comunismo! Todo o poder à classe trabalhadora de todo o mundo!
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Blog com denúncias contra dirigentes de futebol é bloqueado pela Justiça

O site do jornalista Paulo Cezar Prado, conhecido como Blog do Paulinho, foi bloqueado pelos principais servidores de internet. Após uma decisão da Justiça de São Paulo, o blog está impedido de receber acessos de internautas brasileiros. Paulo foi processado pelo empresário de futebol Franck Henouda, por acusá-lo de “lavagem de dinheiro”. Comentários ofensivos contra a família do agente também foram postados no site.
O Blog do Paulinho é conhecido por criticar dirigentes do futebol, entre eles o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, e o dirigente do Corinthians, Andrés Sanchez. Atualmente, o blog está hospedado em um servidor da França, após ter sido retirado do ar no Brasil e nos Estados Unidos.
O blogueiro anunciou em seu site que pretende recorrer da decisão, por considerar que esta fere o direito à liberdade de expressão. Ele afirma que a decisão trata-se de censura e que visa beneficiar o empresário autor da ação.
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Pagot recebe ‘beijo da morte’ de Maggi, o seu patrono

Jurado de morte por Dilma Rousseff, Luiz Antonio Pagot desfila cheio de vida pelos porões a crise dos Transportes.
Desde que driblou a ordem de afastamento com um pedido de férias, Pagot confere diariamente os avisos fúnebre do noticiário.
Súbito, o senador Blairo Maggi (PR-MT), patrono do mandachuva do Dnit, pespegou na face do pupilo o beijo da morte:
"Por maior capacidade técnica e de trabalho que tenha o Pagot, não vejo condições políticas para a continuidade dele à frente do órgão", disse Maggi, em Cuiabá.
Recolhidas pelo repórter Rodrigo Vargas e reproduzidas na Folha, as palavras do senador soaram como rendição incondicional:
"Minha posição não é de mudança de postura ou de ir para oposição. A presidente tem que ter autonomia de montar uma nova equipe, sem contemporizar com aliado."
Quer dizer: no comando da guilhotina, Dilma está, por assim dizer, liberada para descer a lâmina.
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Quem foi Thomas Sankara?

Poucas pessoas da esquerda conhecem Thomas Sankara. Ele, que é considerado o Che Africano por suas semelhanças com o guerrilheiro argentino (desde a boina até o fato de falar francês e a amizade com Fidel) comandou um pequeno país africano por menos de uma década, mas fez ele progredir de forma extremamente rápida.
Em 1983, ele – então um capitão de 33 anos – liderou um golpe popular contra o governo do Alto Volta(antiga colônia francesa) e mudou completamente a política daquele país empobrecido.
A primeira ação foi mudar o nome do país para Burkina Faso (‘’Terra dos Homens Justos’’ na língua local) para tornar o país independente e destruir o odiado passado colonial. Não só isso, mas ainda livrou o país das dívidas e da influência do FMI e do Banco Mundial.
Suas políticas domésticas focaram em evitar a fome com uma reforma agrária com ênfase na autossuficiência, priorização da educação com uma campanha nacional de alfabetização, e promoção da saúde pública ao vacinar milhões de crianças contra doenças como meningite e febre amarela. Ainda fez uma ambiciosa campanha de construção de estradas e trilhas.
Sankara também fez coisas maravilhosas para as mulheres. Mulheres conseguiram cargos em seu governo, que proibiu a mutilação genital, a poligamia e os casamentos forçados. Fez muito mais: encorajou-as a
permanecer trabalhando e estudando mesmo se grávidas. Veja aqui o discurso de Sankara sobre as mulheres em espanhol.
Para combater os corruptos, Sankara chegou a instituir tribunais revolucionários e mesmo Comitês de Defesa da Revolução (baseando-se na Revolução Cubana, que ele admirava)
Tais atitudes enfureceram os imperialistas franceses. 4 anos depois de tomar o poder, foi deposto e assassinado em um golpe financiado por um cara pago pela frança que até hoje é presidente do país.
Uma semana antes de morrer, declarou: ‘’você pode matar um revolucionário, mas não pode matar idéias’’.
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Alguns blogs conquistaram mais leitores que os jornais

Li o artigo de Izabela Vasconcelos no portal Comunique-se. Por ele, fui informado de que alguns blogs neste país já ostentam uma penetração maior que muitos jornalões brasileiros. Os jornalistas Juca Kfouri (UOL), Patrícia Kogut, Fernando Moreira, Ricardo Noblat (de O Globo) e Marcelo Tas (do portal Terra) são citados como exemplos de blogueiros que, em sua maioria, alcançaram uma leitura diária equivalente ou superior à circulação dos dez maiores jornais brasileiros – de tiragens entre 125 mil e 295 mil exemplares diários.
Izabela informa que Patrícia Kogut, que escreve sobre cultura e televisão, já é lida por cinco milhões de leitores por mês mensalmente, com 14 milhões de páginas visualizadas. Juca Kfouri recebe três milhões de visitantes únicos por mês, ou quase cinco milhões de visualizações de página. Ricardo Noblat, por sua vez, conseguiu que seu blog de política tenha 257 mil visitantes únicos por mês.
O artigo faz questão afirmar que blogs e jornais/portais não seriam rivais na disputa do leitor, uma vez que os donos de grandes veículos mantêm as páginas líderes de audiência hospedadas em seus sites, como é o caso do UOL/Folha, O Globo e Terra.
Blogueiros independentes
Mas, quero discordar da tese. A grande novidade da blogosfera são, exatamente, os blogueiros independentes, aqueles que estão à margem dos jornalões, que não têm rabo preso com ninguém, a não ser com a própria consciência. Mês passado conheci dezenas deles que, assim como eu, usam a Internet para veicular opiniões e debater visões de mundo negligenciadas pela mídia, ou a ela contrárias. Esse universo de autores ousaram, inclusive, discutir, em Brasília, durante II Encontro de Blogueiros Progressistas, o papel político da mídia tradicional.
Naquela ocasião, durante três dias, blogueiros, militantes de movimentos sociais e representantes do poder público debateram os caminhos e desafios da Internet. E a fantástica experiência de, a despeito da velha imprensa, ser um autor independente na Internet, com uma relação direta com milhares de leitores, sem qualquer mediação.
Como diz o ex-presidente Lula, o papel da blogosfera é ser uma alternativa para que a sociedade formule e veicule suas próprias ideias. Para ele, este é um espaço em que o cidadão pode exercer o seu direito de ser também um formador de opinião pública.
Democratização da comunicação
Aproveito, aqui, para retomar as bandeiras defendidas no II Encontro de Blogueiros Progressistas: a democratização dos meios de comunicação, um novo marco regulatório no setor e a difusão da internet banda larga no país. Na blogosfera, além dos blogueiros independentes, o que há de mais importante é o debate que eles propiciam.
ZéDirceu
By: Blog do Zé
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Como seria o Brasil governado por Serra? Um retrato do Chile

O presidente de Chile, Sebastián Piñera anunciou na última segunda-feira, 18 de julho, a troca de oito ministros. O momento é extremamente delicado para o país, que viu o descontentamento da população ganhar destaque com com manifestações que reuniram mais de 40 mil estudantes nas ruas, nos meses de maio e junho deste ano. Veja as razões aqui.
No entanto, para entender o que se passa no Chile teremos que voltar um pouco no tempo. Durante os últimos oito anos, o país foi governado por membros do Partido Socialista do Chile (PS). Primeiro com Ricardo Lagos, que foi sucedido, em 2006, por Michele Bachelet, que deixou o governo com índice de aprovação comparável ao do presidente Lula.
Mesmo assim, não conseguiur promover seu sucessor, dando lugar a Sebastián Piñera do partido de centro-direita, Renovación Nacional. De uma maneira geral, em 2010, a situação no Chile era semelhante à que o Brasil vivenciou um pouco mais tarde. Um presidente progressista, com administração alinhada com os interesses sociais e com um alto grau de aprovação. A diferença é que lá a presidente não entrou na disputa, como os “analistas” desejavam que Lula fizesse.
O que se vê agora, com a administração centro-direitista é o desmanche dos avanços sociais chilenos. É importante ressaltar que o país tem uma das mais economias mais competitivas da América Latina, no etanto, não promoveu mudanças estruturais como vem acontecendo no Brasil, desde a eleição de Lula, em 2002.
Para se ter ideia, em Santiago, 80% das univesidades são privadas e pela política adotada por Piñera, que entende que o setor não é uma rsponsabilidade do Estado e que vê o ensino apenas como um serviço prestado.
O descontentamento com Piñera não pára por aí. Funcionários da maior produtora de cobre do mundo, a Codelco, realizaram, em caráter de advertência, paralisação de 24 horas, Foi a primeira atividade desse tipo ocorrida em 18 anos e foi promovida como protesto à possibilidade de privatização, que poderia ser feita como parte de um plano de modernização da economia.
Essas atitudes só tem feito com que a popularidade do atual presidente do Chile caia. De acordo com pesquisa do Centro de Estudos da Realidade Contemporânea, nos últimos seis meses a popularidade de Piñera recurou 12 pontos e chegou a 35%. O menor índice observado desde 1990, desde o fim da ditadura Pinochet.
E o Brasil?
Aparentemente, o momento complicado do Chile não estaria relacionado com o Brasil. Só aparentemente. Porque o que ocorre lá pode ser caracterizado como um retrato do Brasil caso o presidente Lula não tivesse entrado na disputa eleitoral no ano passado e nós não tivéssemos elegido a presidenta Dilma Rousseff como sua sucessora. O que vemos no Chile é uma projeção do Brasil, caso quem tivesse vencido a eleição tivesse sido José Serra (PSDB).
Enquanto o Brasil celebra a menor taxa de desemprego e mais uma série de avanços que vão consolidando as políticas de estado e os avanços sociais por elas promovidos. Que nossa situação confortável sirva de exemplo para nós e para os chilenos. Nós nos mantivemos no caminho do progresso enquanto eles, escolheram retroagir. Que o momento delicado sirva para que reflitamos a respeito do que queremos para o nosso país e de quais armadilhas devemos nos proteger.
Ainda estamos no primeiro ano do governo da presidenta Dilma. Mas no ano que vem já teremos as eleições municipais que serão um termômetro de como se dará a sucessão de Dilma. Que o Chile nos sirva de exemplo.
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Brasil precisa deixar o Haiti

Telegramas diplomáticos dos EUA divulgados pelo WikiLeaks deixam claro que as tropas estrangeiras que ocupam o Haiti há mais de sete anos não têm razão legítima para estar no país e que esta é uma ocupação americana, tanto quanto o são as do Iraque e Afeganistão.
Também mostram que faz parte de uma estratégia adotada pelos EUA há décadas para negar aos haitianos o direito à democracia e autodeterminação e que os governos latino-americanos que fornecem tropas - entre eles, o brasileiro - estão ficando cansados de participar.
Um documento americano vazado mostra como os EUA tentaram forçar o Haiti a rejeitar US$ 100 milhões anuais em ajuda (equivalentes a R$ 50 bi na economia brasileira) porque vinha da Venezuela.
Como o presidente haitiano, René Préval, se recusou a fazê-lo, o governo americano se voltou contra ele. Consequentemente, Washington reverteu os resultados do primeiro turno da eleição presidencial de novembro de 2010, para eliminar do segundo turno o candidato apoiado por Préval.
Isso foi feito por meio da manipulação da Organização dos Estados Americanos (OEA) e de ameaças abertas de cortar o auxílio pós-terremoto concedido ao país desesperadoramente pobre, se ele não aceitasse a mudança. Tudo isso é amplamente documentado. As tropas da ONU foram levadas ao Haiti para ocupar o país depois de os EUA terem organizado a deposição do presidente haitiano democraticamente eleito Jean-Bertrand Aristide, em 2004.
Cerca de 4.000 haitianos foram perseguidos e mortos no período que se seguiu ao golpe, sendo autoridades do governo constitucional detidas enquanto as tropas da ONU "mantinham a ordem".
Outro documento vazado mostra como Edmund Mulet, o então chefe da missão da ONU (a Minustah), receou que Aristide pudesse reconquistar sua influência e recomendou que fossem registradas denúncias criminais contra ele.
Mulet vem sendo abertamente enviesado em suas interferências na política haitiana e tachou de "inimigos" os haitianos que se revoltaram com o fato de a missão ter levado o cólera ao Haiti. Hoje 380 mil haitianos foram contaminados pela doença, que já matou 5.800.
Se a Minustah fosse uma entidade privada, estaria encarando ações judiciais pedindo reparações de muitos bilhões de dólares, além de uma possível ação criminal em razão de sua negligência hedionda ao poluir as fontes de água do Haiti com essa bactéria mortífera.
Ironicamente, o custo anual da Minustah, US$ 850 milhões, é mais de nove vezes o que a ONU levantou para combater a epidemia. O Brasil não é um império, como os EUA, e não tem razão para ser parceiro júnior de um, especialmente em empreendimento tão brutal e censurável. Isso contraria tudo o que representam Lula, Dilma e o PT.
Isso eviscera o potencial do Brasil de exercer liderança moral no mundo - algo que o país já demonstrou em muitas áreas, desde as mudanças históricas iniciadas sob a administração de Lula. Já passou da hora de o Brasil retirar suas tropas do Haiti.
Artigo de Mark Weisbrot, codiretor do Centro de Pesquisas Econômicas e Políticas, em Washington (www.cepr.net), e presidente da Just Foreign Policy (www.justforeignpolicy.org). Publicado hoje na Folha.
By: Diário Gauche
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Encontro de Blogueiros na Paraíba

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Carlos Franklin de Araújo

A melhor amiga deste influente advogado gaúcho é sua ex-mulher Dilma Rousseff. E vice-versa. Companheiros desde o tempo da luta armada, eles se falam quase todo dia
“Nega, você precisa aparecer por aqui”, diz Araújo, ao telefone, minutos antes de começar a conversa com a Revista do Brasil. Nega é a presidenta Dilma Rousseff. A relação dela com o ex-marido transcende a amizade. Ambos foram casados por quase 20 anos, tiveram uma filha, Paula, hoje procuradora do Trabalho, e viveram momentos de grande felicidade e sofrimento. Foram presos e torturados durante a ditadura – eram importantes quadros da Vanguarda Armada Revolucionária Palmares, a VAR-Palmares. Dilma caiu primeiro. Passou dias no pau de arara, tomando choques elétricos, mas não entregou o companheiro. Araújo faria o mesmo por Nega.
Quando Dilma recebeu o convite para assumir o Ministério de Minas e Energia, sua primeira providência foi pegar um avião para Porto Alegre e conversar com Araújo. A viagem se repetiu quando foi indicada para chefiar a Casa Civil e, depois, para disputar a sucessão de Lula. Nas crises, ela também apareceu. Araújo, do alto de sua modéstia, nega o papel de “conselheiro”. Acha exagero. Diz conversar com Dilma mais sobre artes plásticas e literatura do que política. É difícil de acreditar.
Aos 73 anos, Araújo não perde o entusiasmo, apesar de o enfisema pulmonar limitá-lo fisicamente. Nos últimos tempos, as lideranças vão até ele. No dia anterior à entrevista, havia recebido para um jantar expressões como o ex-governador Germano Rigotto e o ex-prefeito Raul Pont. Araújo foi eleito três vezes deputado estadual entre os anos 1980/90 pelo PDT. Em 1988, perdeu para Olívio Dutra a disputa à prefeitura de Porto Alegre. Ao receber a reportagem em seu escritório com vista para o Rio Guaíba, disse que começou na política pichando muros da cidade com a inscrição “O Petróleo É Nosso” e relembrou momentos da época da ditadura, que incluem uma tentativa frustrada de suicídio. Divertiu-se ao falar de sua amizade com Leonel Brizola e de como o velho caudilho era temido pelo sindicalista Luiz Inácio da Silva. E contou sobre sua relação com Dilma Rousseff, a Nega.
Conversamos sobre tudo. Culinária, literatura, artes plásticas. Pouca gente sabe, mas Dilma é uma estudiosa do assunto. É apaixonada por artes plásticas
O senhor ainda exerce liderança no Rio Grande do Sul. Dizem que ela até aumentou depois que o senhor virou “conselheiro” da presidenta da República...
Não tem essa história de conselheiro político. Nós somos amigos. Fui casado com ela, temos uma filha juntos, militamos na época da ditadura. É natural que se estabeleça uma relação de confiança. Mas daí dizer que eu sou seu conselheiro político... O pessoal exagera um pouco.
Mas vocês conversam por telefone quase todos os dias. Falam de política, naturalmente.
Mas não só de política. Conversamos sobre tudo. Culinária, literatura, artes plásticas. Pouca gente sabe, mas Dilma é uma estudiosa do assunto. É apaixonada por artes plásticas.
Imagino que no meio da crise a conversa não gire em torno de pintores renascentistas...
Não há crise alguma. O Brasil vai crescer perto de 5%, com controle de inflação. Onde há crise? Não quero falar sobre o caso Palocci. Isso já é página virada. A Gleisi (Hoffmann, que assumiu a Casa Civil após a demissão) vai fazer um belo trabalho.
Em que momento Lula passou a confiar plenamente em Dilma a ponto de indicá-la ao cargo mais importante de seu ministério?
Vou te contar uma história, que me foi relatada pelo próprio Lula. Na primeira reunião ministerial, a Dilma, como ministra das Minas e Energia, ficou o tempo toda calada, com o laptop aberto. Só se manifestou, balançando a cabeça, quando o Henrique Meirelles (presidente do Banco Central) começou a falar. O Lula percebeu que Dilma havia ficado contrariada com algo, mas não disse nada. Na segunda e na terceira reunião foi a mesma coisa: o Meirelles falava e a Dilma balançava a cabeça para os lados, quieta.
O Lula foi conversar. E ela: “O Meirelles está escondendo o leite, presidente”. Dilma disse a Lula que iria ensiná-lo a ler o orçamento para nunca mais ser “enganado” pelos ministros. Nasceu uma amizade ali que foi ganhando força naturalmente.
Quem disse que a oposição está enfraquecida? Tem oposição mais dura e combatente do que a mídia toda? A Dilma anunciou 75 mil bolsas de estudos no exterior para estudantes brasileiros. Foi ignorada pelos jornais
Fernando Henrique chegou a desafiar Lula para uma disputa pela prefeitura de São Paulo. Quem teria mais chances?
Nas grandes capitais, a classe média sempre foi refratária ao PT. Mesmo assim, acho que o FHC não venceria tão facilmente. A tendência é que o PT conquiste, aos poucos, a classe média. O FHC tinha razão quando disse que os tucanos precisavam lutar para conquistar a nova classe média. Se não lutarem, não vai sobrar mais nada.
Mas não é ruim para o país ter uma oposição tão enfraquecida?
Quem disse que a oposição está enfraquecida? A Dilma tem a mídia toda contra ela. O Lula também teve, mesmo batendo recordes de popularidade. Tem oposição mais dura e combatente do que essa? A Dilma anunciou que pretende conceder 75 mil bolsas de estudos no exterior para estudantes brasileiros. Uma medida sensacional, muito importante, mas praticamente ignorada pelos jornais. A Dilma foi para a China e os grandes jornais deram a notícia no pé da página. A mídia quer o poder. Não engole o PT no poder. Veja o Obama. Ele faz tudo o que a elite quer, mas a Fox News (a mais conservadora rede dos Estados Unidos) mete o pau nele todo dia. Mas lá não tem hipocrisia. As redes assumem suas posições políticas. O Brasil é o único lugar do mundo em que a mídia apoia um candidato, mas não assume.
O senhor e Dilma se conhecem desde os tempos em que ela era a “Vanda” e o senhor o “Max”, na VAR-Palmares, há mais de 40 anos. Já era possível identificar em Dilma características que a levariam tão longe politicamente?
Ela já era uma militante diferenciada. Tinha uma cultura acima da média. Mas claro que ela não ambicionava chegar tão longe. Ela queria mudar o país, era muito idealista. E ainda é.
Já era meio “gerentona”? Ela chegou mesmo a bater de frente com Carlos Lamarca?
A Dilma não é gerentona. Ela tem um traço centralizador, gosta de participar de todas as decisões. Mas sabe delegar. Não é verdade que ela entrou em choque com o Lamarca. Eles tinham funções diferentes. O Lamarca atuava na linha de frente. Já a Dilma tinha uma função mais estratégica, operacional.
Um fator primordial que definiu as eleições passou em branco pelos analistas: o fator Serra. Ele desde criança só pensa nisso em virar presidente. A Dilma, não. Se perdesse, sua vida não terminaria ali
Algumas organizações recomendavam o suicídio do militante no momento da prisão para evitar que, sob tortura, ele delatasse companheiros. Parece que o senhor não foi lá muito eficiente em sua tentativa de suicídio...
Sim (risos). Eu me joguei debaixo de uma Kombi. Fui preso em meados dos anos 1970, em frente ao estádio do Palmeiras, na Rua Turiaçu. Quem me prendeu foi o delegado (Sérgio Paranhos) Fleury. Para não entregar o companheiro que morava comigo, disse que morava na Rocinha. Eu sabia que eles tentariam arrancar tudo de mim na base da tortura. A única solução honrosa era me matar.
Não tentou a cápsula da morte, elaborada por estudantes de Química?
Aquelas cápsulas não adiantavam nada. No máximo, davam uma caganeira (risos).
E o que o senhor fez?
Eu disse que ia me encontrar com Lamarca na Lapa. Escolhi uma rua larga, com bastante trânsito. Quando caminhei em direção ao tal encontro, com eles me observando, vi uma Kombi em alta velocidade. Não tive dúvida: me atirei no chão e esperei que ela passasse por cima. Fiquei razoavelmente ferido. Acho que inconscientemente eu sabia que não ia morrer. Queria escapar da tortura. Não queria entregar ninguém.
O senhor escapou?
Naquele momento, sim. Fui levado para o Hospital Militar. Eu estava todo estourado e os caras queriam me torturar ali mesmo. Só que as freiras, que formavam a estrutura do Hospital Militar, não deixaram. Ameaçaram criar o maior banzé. Fui interrogado por cinco dias, sem tortura. Nesse meio tempo, o meu companheiro de quarto conseguiu fugir.
Dilma foi presa meses antes. Passou dias sendo torturada no pau de arara e com choques elétricos, mas não entregou o senhor.
É verdade (emocionado, interrompe a entrevista).
O senhor foi salvo pelas freiras, mas não escapou da tortura na Operação Bandeirante (Oban) e depois no Dops, de Romeu Tuma. Chegou a vê-lo nos porões do Dops?
Não, nunca vi. Ele não participava das torturas, mas autorizava tudo aquilo. O que dá na mesma.
Não vamos falar de Romeu Tuma...
Não, não vamos.
Não tive dúvida: me atirei no chão e esperei que a Kombi passasse por cima. Acho que no meu inconsciente eu sabia que não ia morrer. Queria escapar da tortura. Não queria entregar ninguém
Que tal de Leonel Brizola?
Grande Brizola!
Quando vocês se conheceram?
Na Campanha da Legalidade (movimento ocorrido após a renúncia do presidente Jânio Quadros, em 1961, e que lutava pela posse do vice, João Goulart. Eu poderia passar uma semana aqui contando histórias.
Pode começar...
Ah, lembro que em 1977 eu e a Dilma, na época minha mulher, resolvemos ir a Portugal para visitar o Brizola, exilado. Passamos por São Paulo e procuramos Lula para tentar convencê-lo a nos acompanhar na viagem. Ele já era um líder sindical importante, e eu achei que seria a hora de levá-lo para conhecer um mito da esquerda brasileira, como era o Brizola.
Ele aceitou?
Que nada. O Lula, com toda aquela intuição dele, disse: “Carlos, eu não vou. Se eu for agora, ele me engole. Não estou preparado ainda”. E o Lula não estava mesmo. Só um líder como ele para perceber isso. Agora veja o que o destino aprontou para mim: virei conselheiro de três netos do Brizola. E gosto muito dos três. O Brizola Neto, que é deputado federal pelo Rio de Janeiro, tem um potencial muito grande. É muito preparado. Ele tem um blog, chamado Tijolaço, que foi o melhor blog da campanha da Dilma.
O senhor participou intensamente da campanha de Dilma?
A distância. Mas, claro, em alguns momentos da campanha ela veio até em casa para conversar.
Houve momentos conturbados, como o caso Erenice Guerra, ex-chefe da Casa Civil e de confiança de Dilma, que durante a campanha, acabou afastada. O senhor achou que Dilma perderia?
Não. Eu tinha certeza que ela venceria. Houve um fator primordial que definiu as eleições, mas passou meio em branco pelos analistas. O fator Serra. O Serra desde criança só pensa nisto: virar presidente da República. A Dilma, não. Ela sabia que se perdesse a eleição a sua vida não terminaria ali.
A vida de Serra acabou com sua derrota?
Não sei. Provavelmente será candidato novamente. Mas vai perder de novo. A oposição ficou sem discurso.
E Aécio Neves?
Enquanto ele for do PSDB, não vai ser candidato nunca. A hipótese é zero. São Paulo não deixaria. O PSDB vai quebrar o pau de novo e, na última hora, eles acabam escolhendo um candidato paulista. Vão colocar o Serra ou o Alckmin.
Mas se for um candidato fabricado... Luciano Huck disse que sonha em disputar as eleições presidenciais. É amigo de Aécio.
Não adianta. O PSDB não deixaria.
O senhor parece não levar em conta que a política é cheia de tropeços. O próprio Lula passou por um momento conturbado, com o “mensalão”...
O mensalão não existiu. É uma invenção da mídia brasileira. Todos os partidos, sem exceção, tinham sobras de campanha. Não era um “esquema” inventado pelo PT, e sim uma prática lamentável usada por todos os partidos, inclusive pelo PSDB.
A oposição diz que o Brasil vai passar vergonha na Copa do Mundo e na Olimpíada. As obras nos estádios estão atrasadas, os velhos problemas de infraestrutura não serão resolvidos até 2014. Tem a questão dos aeroportos...
Vai dar tudo certo. Se não der, coloca dinheiro em cima que sai. Isso é capitalismo. Não vejo problema nenhum. Claro que pode ter um probleminha aqui, outro ali, como ocorre em qualquer país, mas nada substancial. Só em São Paulo parece que está complicada a questão do estádio do Corinthians. Tem coisa que só acontece com o Corinthians (risos). Mas vai dar certo. É um absurdo não ter Copa em São Paulo.
Com esse otimismo todo, o senhor não pensa em se candidatar novamente a um cargo majoritário?
Não tem condições, eu tenho deficiências respiratórias por causa de um enfisema. Mas não me sinto isolado. Minha casa vive cheia de gente, cheia de políticos. Eu continuo, de alguma forma, fazendo política. Faz parte da minha natureza.
Tom Cardoso
By: Revista do Brasil
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Charge de Tiago Recchia

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Dilma barra chefão da CBF no Palácio

Na mira da FIFA por suspeita de corrupção, o presidente da CBF, Ricardo Teixeira, caiu em desgraça com a presidenta Dilma Rousseff. Ela não atende às suas ligações e evita recebê-lo no Palácio do Planalto. Diretor do Comitê Organizador da Copa de 2014, Teixeira apelou ao ministro do Esporte, Orlando Silva, para tentar audiência, mas em vão. Dilma trata qualquer assunto referente ao evento só com o ministro.
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O início do fim do ciclo político da velha mídia

Caso Murdoch, crise europeia, problemas da Obama, todos esses fatos estão interligados e expostos como sinal de fim de ciclo.
As principais características do ciclo anterior foram as seguintes:
A exemplo do ciclo financeiro do final do século 19, uma aliança entre setor financeiro e mídia visando implantar a ideologia financista, caracterizada por livre fluxo de capitais, privatização (ou concessões públicas) e fortes ajustes fiscais — incidindo sobre a população — visando preservar a capacidade de endividamento do Estado. Aliás, em momentos de transição o mercado de capitais tem papel fundamental. Mas quando leva a rédea aos dentes, coloca o país inteiro a seu serviço.
Essa aliança ganha enorme expressão política com a entrada de forças políticas associadas. Conforme expliquei em meu livro Os Cabeças de Planilha, os políticos recebem ideias "salvadoras", financiamento para suas campanhas, poder financeiro e entregam, na contrapartida, as condições econômicas mais favoráveis ao capital financeiro. Ainda que à custa do sacrifício geral do país.
Com isso, financistas e mídia conseguem se tornar a força mais poderosa do país, sobrepondo-se muitas vezes ao próprio poder do Estado.
A pedra de toque do discurso de legitimação política é a famosa "lição de casa", brandida aqui por Pedro Malan e Antonio Palocci: sacrifiquem-se hoje e terão o céu amanhã. À medida que sua influência se consolida, o jogo especulativo ganha dinâmica própria, afastando-se rapidamente das normas prudenciais. Resultam daí as crises, globais pela própria natureza internacionalista e de vasos comunicantes do capital financeiro.
O próprio movimento de internacionalização do capital acaba produzindo novos atores globais que passam a ameaçar os grupos midiáticos tradicionais. É nesse contexto que surge a fórmula Murdoch — seguida em muitos países e, no caso do Brasil, particularmente pela revista Veja. Consiste em utilizar a informação como arma política, sem respeitar limites éticos nem jornalísticos. Passa-se a recorrer sistematicamente ao escândalo, à manipulação das informações, ao assassinato de reputações e, no auge do processo, à mentira reiterada.
A opinião como arma comercial
A atividade econômica jornalística não tem como concorrer com outros setores da economia. Uma empresa jornalística tradicional tem que investir como indústria, tem intensidade de pessoal como o setor de serviços e uma estrutura de distribuição típica de varejo.
Numa ponta, a velha mídia tem que enfrentar os grandes grupos de entretenimento ou de telecomunicações. Na outra, vê seu poder de formação de opinião sendo erodido pelo avanço das outras formas de mídia, do exército das teles à guerrilha dos blogs.
Seu trunfo único é o poder político remanescente, angariado na etapa que está se encerrando. É nesse contexto que, à medida que vê seu último trunfo erodindo, entra em uma espiral de virulência que, no caso do modelo Murdoch, a leva a ultrapassar os limites da legalidade. Conta com seu poder para intimidar o Judiciário, o Legislativo e o Executivo. E manipula como álibi jurídico o direito à informação — da mesma maneira que alguns advogados que usam as prerrogativas da profissão para atuarem como extensões de seus clientes. Como se mentir e assassinar reputações fossem norma constitucional.
O caso Veja é sintomático. Houvesse um Judiciário mais ágil e menos temeroso, há muito os abusos da revista teriam sido obstados pela ação dos juízes.
Agora, nesse fim de ciclo há o questionamento do poder de influência do mercado (o impasse da União Europeia é típico) e, por tabela, do poder excessivo da mídia associada, que fugiu dos princípios tradicionais e enveredou pelo mundo do espetáculo do denuncismo ou mesmo pelas veredas do crime.
É o velho ciclo nos seus estertores mas, como um polvo agonizante, ainda com poder de fazer estragos com suas braçadas.
Luis Nassif
By: Vermelho
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Rede TV! quer R$ 27 milhoes da cervejaria das Tchecas

A Rede TV! pede R$ 27,4 milhões no processo que move contra a Cia Brasileira de Bebidas Premium, cervejaria que acredita responsável pela farsa das 'Tchecas do Pânico', informa nota de hoje da Keila Jimenez. A emissora já conseguiu liminar que proíbe a cervejaria e as modelos 'tchecas' de citarem a emissora ou o 'Pânico' em qualquer tipo de mídia. A multa diária por citaçao é de R$ 10 mil. 
Lembra do mico do Pânico?
Reveja o 'comercial'?
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Cristina e Dilma

Dilma Rousseff e Cristina Kirchner têm muitas coisas em comum. Algumas são grandes e significativas, outras parecem pequenas e irrelevantes. Mas não são.
Entre várias coisas em comum e algumas diferenças, Argentina e Brasil compartilham, hoje, uma característica relevante de seu sistema político: os dois países são governados por mulheres, ambas eleitas para dar continuidade a administrações populares.
Cristina Kirchner e Dilma Rousseff já participavam dos governos anteriores, cada uma à sua maneira. A brasileira era a principal ministra e peça fundamental do governo Lula. Sua colega argentina, a esposa de Nestor Kirchner, que a escolheu como sucessora em 2007, depois de avaliar que as perspectivas de sua própria reeleição eram incertas (fora os problemas de saúde pelos quais passava e que acabaram por levar a seu precoce falecimento em 2010).
Cristina, como Dilma, é a primeira mulher eleita presidente de seu país. Mas não é a primeira a ter papel central no governo.
Contrariando a modernidade da cultura argentina em tantas dimensões (arte, literatura, ciência, humanidades, etc.), Cristina é a terceira esposa de um líder político a ter essa função no país. Eva e Isabel, suas duas antecessoras, foram casadas com Juan Domingo Perón.
Evita nunca teve cargo no governo (salvo a Presidência da Fundação Eva Perón) e morreu (em 1952) sem disputar a vaga de vice-presidente na chapa encabeçada pelo marido na eleição de 1951, apesar dos apelos das bases peronistas. Mas foi a figura mais decisiva da vida política de seu país por um largo período, sem a qual Perón não teria se tornado quem foi. Isabelita é que foi candidata a vice de Perón, na sua volta à Argentina em 1973, e o sucedeu quando ele morreu. Ficou, no entanto, menos de dois anos no poder, sendo deposta por um golpe militar.
Embora Cristina tivesse carreira política própria (pois tinha sido o equivalente a deputada estadual e a deputada federal por sua província, assim como senadora por três mandatos), ela muito dificilmente chegaria à Presidência da Argentina se não fosse casada com Nestor. Seja na eleição, no governo e até morrer, ele era bem mais que o "primeiro-cavalheiro" do país.
Embora alguns vejam analogias entre ela e Dilma nesse aspecto, argumentando que Lula seria equivalente a Nestor Kirchner no papel de "inventor" da candidatura da brasileira e "tutor" de seu governo, a ausência de qualquer vínculo familiar e não político entre eles é mais decisiva. O que é acessório na relação entre Lula e Dilma (a diferença de gênero) é essencial na relação marido/mulher que existia entre Nestor e Cristina.
Ambas têm muitas coisas em comum. Algumas são grandes e significativas, outras parecem pequenas e irrelevantes. Mas não são.
As duas gostam, por exemplo, de ser chamadas "presidentas". Mas externaram a preferência de maneiras completamente distintas.
Ainda na campanha, Cristina deixou mudos seus simpatizantes quando interrompeu um comício em que a palavra de ordem "Cristina presidente" era entoada por milhares de pessoas. Enraivecida, deixou claro que considerava a expressão uma manifestação de machismo. Com o dedo em riste, disse a todos que teriam que se acostumar com a nova forma e repetiu "presidenta" esticando a pronúncia do "a" final, como um mantra: "presidentaaa".
Consta que, nos primeiros tempos na Casa Rosada, seu cerimonial devolveu centenas de correspondências endereçadas com a grafia que repudiava. Nas entrevistas, não responde se for tratada como "presidente".
Aqui, a mídia procura ridicularizar quem faz como Dilma pede. Que não é qualquer atentado ao vernáculo: todos os principais dicionários registram "presidenta". É por pura antipatia que nossos jornais insistem em lhe negar o direito de escolher o tratamento.
Cristina, face à permanente intransigência da grande imprensa contra seu governo, tem respondido com retaliações diretas e indiretas. A Ley de Medios que seu governo propôs (e que o Parlamento aprovou por larga maioria) procura romper os oligopólios de comunicação e franquear o acesso de entes públicos e comunitários à radiodifusão.
Há quem diga que seria bom para a Argentina se Cristina aprendesse algumas coisas com Dilma (a educação e a paciência, por exemplo). Mas a recíproca talvez valha: e se Dilma tivesse mais de Cristina, o que diria muita gente por aqui?
Marcos Coimbra, Sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
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