19 de jul de 2011

Volta, Serra!

 sábado, 6 de novembro de 2010  

Tenho que admitir: estou com saudades do Serra.
Poucos dias se passaram depois da derrota de Serra, e eu já sinto falta das palhaçadas que acabaram por entrar para a história, além de fornecer matéria prima essencial para nós, blogueiros, que passamos meses olhando para esta figura caricata e, mais do que ninguém, acabamos por nos acostumar com aquelas olheiras, aquela incrível cara de pau e a incrível capacidade de nos surpreender todos os dias, com uma nova declaração totalmente descabida, sempre recheada de preconceito, mentira e hipocrisia.
Depois de tanto tempo acompanhando a vida desta figura bizarra e sua trupe, ficou difícil acordar de manhã e saber que Serra ( talvez ) não nos brinde com suas asneiras e sua falta de educação, absolutamente inesquecíveis.
Durante estes meses, Serra, como se fosse um pombo com diarréia, despejou sobre nossas cabeças e sobre todo o Brasil, toda espécie de sujeira que seu cérebro (ou seus intestinos?) conseguiram produzir.
Ele se comportou como um ator, variando seus papéis entre um palhaço, um tirano, um doente mental e até mesmo um santo !
Então, como poderíamos ficar sem ele?
Quem nos ensinará a calcular percentagem?
Quem nos ensinará a não beijar os porquinhos?
Quem ensinará nossas crianças a tirar catota do nariz?
Quem cuidará dos jornalistas, para que eles não façam perguntas que não foram ensaiadas?
Quem ensinará aos nossos filhos como brincar com bolinhas de papel?
Este homem tornou-se um marco na história do Brasil. Após estas eleições, as palavras "hipocrisia", "mentira", "cretinice", "traição" e "palhaçada" terão, cada uma delas, um novo significado.
Serra deixou uma lição para a esquerda, pois agora sabemos onde pode chegar alguém sem escrúpulos e que nós podemos, e devemos, esperar por muito mais.
By: Metal Cadente, lembrado pelo Anais Políticos
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Inconfidências do Ornitorrinco

BNDES recusa financiamento: negociações para compra do Com Texto Livre pelas Organizações Ornitorrinco foram canceladas
Do correspondente em Balneário Camboriú
A compra do Com Texto Livre pelas Organizações Ornitorrinco não ocorreu porque o Comitê de Crédito do BNDES considerou “muito estranha, patética mesmo”, segundo Luciano Coutinho, a pretensão do caricato blog de Antonina.
O BNDES considerou que um blog de alcance municipal, “quando o tempo está bom”, como disse dirigente da Anatel, com pouco mais de 40 mil visitas, "não tem cacife para adquirir o controle de um dos grandes blogs brasileiros, com mais de 1 milhão de acessos."
Paulo Henrique Amorim declarou-se “estupefacto com a ousadia” e considera que a tentativa de compra “pode ser mais uma jogada de Daniel Dantas”; já Luis Nassif não descarta nem mesmo “eventual envolvimento de gente barra-pesada ligada a José Serra”.
O bispo Dom Luiz Gonzaga Bergonzini disse em seu blog que “o Espírito Santo ouvi-nos e impediu a negociata. Imaginem o poder que os que desejam implantar a ditadura gay teriam controlando um blog influente como o Com Texto Livre”.
O Diretor-Presidente do Com Texto Livre, por sua assessoria jurídica, disse “nunca ter ouvido falar d’O Ornitorrinco” e que a blogosfera deve “manter-se em alerta máximo contra esses delinqüentes virtuais”.
(Fonte: O Estado de Antonina)
Exclusivo:
A foto do elemento inconfidente insuspeito, responsável pela recusa do financiamento do BNDES:
HAULO GOBERTO REQUINEL
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News of the World, o poder do medo

Conglomerados midiáticos se sentem em condições de fazer o que quiserem. Eles se tornam tão poderosos que se desobrigam de cumprir as normas legais e éticas que anunciam defender. É, portanto, indispensável que se controle a propriedade cruzada e as condições de criação das redes de radiodifusão.
De tudo que foi escrito nos últimos dias sobre a atividade criminosa do News of the World, quem parece ter levantado a questão de fundo foi Timothy Garton Ash – professor de estudos europeus da universidade de Oxford (Reino Unido) e fellow da universidade de Stanford (EUA).
Em artigo originalmente publicado no The Globe and Mail (14/7, ver aqui) e republicado na edição de domingo (17/7) do Estado de S.Paulo sob o sugestivo título de “O medo que não ousava dizer o nome”, Ash afirma:
“a debacle de Murdoch revela uma doença que vem obstruindo lentamente o coração do Estado britânico nos últimos 30 anos. (...) A causa fundamental dessa doença britânica tem sido o poder exacerbado, implacável e fora de controle da mídia; seu principal sintoma é o medo. (...) Se a medida final de poder relativo é “quem tem mais medo de quem”, então seria o caso de dizer que Murdoch foi – no sentido estrito, básico – mais poderoso que os últimos três premiês da Grã-Bretanha. Eles tinham mais medo dele do que ele deles” (íntegra aqui).
Será que o diagnóstico de Ash sobre “o poder exacerbado, implacável e fora de controle da mídia” no berço da liberdade de expressão se aplicaria a outras democracias contemporâneas?
O conglomerado da News Corporation
Reproduzo parte de matéria da Agence France Presse sobre o conglomerado midiático do qual o tablóide News of the World fazia parte:
O News Corp. é um império midiático e de entretenimento construído por seu fundador, Rupert Murdoch. Cobrindo uma enorme região geográfica, cotado em bolsa em Sydney e Nova York, o grupo se distingue também pela diversidade de suas atividades, que vai da TV aos jornais, do cinema à internet, e conta também com ícones da imprensa conservadora como The Times e Wall Street Journal, e tabloides sensacionalistas como News of the World e New York Post. À frente do conglomerado, Rupert Murdoch, 80 anos, seu presidente-executivo e “self made man” nascido na Austrália, mantém as rédeas de um império de US$ 60 bilhões em ativos e um volume de negócios anual de US$ 33 bilhões no exercício encerrado no fim de junho. (...) Na Inglaterra, adquiriu primeiramente o News of the World e depois o The Sun, o tabloide mais popular da atualidade, o tradicional The Times e o Sunday Times. Também possui, entre outros 175 títulos, o The Australian e o The New York Post. Nos Estados Unidos, país onde reside e do qual se tornou cidadão, sua cadeia de notícias a cabo Fox News, que durante a invasão ao Iraque bateu a pioneira CNN em audiência, jamais ocultou seu apoio ao governo do republicano George W. Bush. Além da cadeia Fox, o grupo News Corp. impôs-se na televisão a cabo na Europa (BSkyB na Grã-Bretanha ou Sky na Itália, nascida da fusão Stream/Telepiu) e também na Ásia, com sua filial Star TV. Murdoch também tem interesses no mundo editorial (HarperCollins) e no cinema, com os estúdios Twentieth Century Fox, que produziu êxitos mundiais como Guerra nas Estrelas e Titanic. (...) Em 2007, um dos maiores êxitos do grupo foi a compra da Dow Jones e do Wall Street Journal, por um total de US$ 5,6 bilhões” (íntegra aqui).
No Brasil, a prática política do grupo News Corporation tornou-se mais conhecida pela repercussão das declarações da diretora de Comunicações da Casa Branca, Annita Dunn, que afirmou em outubro de 2009:
“...a rede Fox News opera, praticamente, ou como o setor de pesquisas ou como o setor de comunicações do Partido Republicano. (...) A rede Fox está em guerra contra Barack Obama e a Casa Branca, [e] não precisamos fingir que o modo como essa organização trabalha seria o modo que dá legitimidade ao trabalho jornalístico. (...) Quando o presidente [Barack Obama] fala à Fox, já sabe que não falará à imprensa, propriamente dita. O presidente já sabe que estará como num debate com o partido da oposição” (ver, no Observatório, “A mídia como partido político“).
Hoje conhecemos o News Corporation através dos filmes da 20th Century Fox e pelos canais Fox da televisão paga: Fox News, Fox Movie, FOX Sports, Nat Geo Wild, National Geographic, dentre outros.
De onde vem o poder?
Além de tratar-se de um conglomerado econômico, fonte natural de poder, o News Corporation se utiliza de outras armas.
Apesar de todas as mudanças tecnológicas e das enormes transformações provocadas pela internet, sobretudo com relação aos formadores de opinião tradicionais, o poder da velha mídia continua avassalador quando atinge a esfera da vida privada. Essa é a base dos chamados “escândalos políticos midiáticos” que atingem a reputação das pessoas, seu capital simbólico.
Alguém acusado e “condenado” publicamente por um crime que não cometeu dificilmente se recupera. Os efeitos são devastadores. Não há indenização que pague ou corrija os danos causados por um “julgamento” equivocado da mídia.
Esse é exatamente o terreno fértil onde o medo – vale dizer, o poder da mídia sobre o cidadão – é cultivado. É o terreno preferido do “jornalismo” praticado pelos tabloides britânicos: a vida privada de figuras públicas – políticos e celebridades – mas também de pessoas comuns que alcançaram algum tipo de notoriedade negativa – por exemplo, por terem sido vítimas de um crime hediondo.
E quando esse “jornalismo”, na ganância por mais e maiores lucros, se utiliza de recursos criminosos de invasão da privacidade, como a escuta telefônica? Desaparecem todos os limites éticos.
Foi isso o que aconteceu com o News of the World.
Para impedir o poder do medo
O caso do News of the World ainda não terminou. Não se sabe se a prática “jornalística” criminosa se limitava ao tabloide inglês ou se estendia a outros veículos do News Corporation na Inglaterra e/ou em outros países.
De qualquer maneira, há lições que podem e devem ser tiradas do episódio para que se elimine a existência de condições favoráveis ao “poder do medo”.
Nesses tempos em que o debate sobre um marco regulatório para a mídia brasileira, mais uma vez, não consegue avançar, duas lições me parecem claras.
** Primeiro: conglomerados empresariais midiáticos se sentem em condições de fazer o que quiserem. Eles se tornam tão poderosos que se desobrigam de cumprir as normas legais e éticas que anunciam defender. É, portanto, indispensável que se controle a propriedade cruzada e as condições de criação e manutenção das redes de radiodifusão, fonte principal da concentração da propriedade dos grupos midiáticos.
** Segundo: a Press Complaints Commission (PCC), órgão independente e autorregulatório que fiscaliza o conteúdo editorial de jornais e revistas no Reino Unido, foi colocada em questão. O premiê David Cameron a classificou de ausente e ineficiente econcordou que algo precisa mudar no que diz respeito ao controle sobre as ações da mídia, ressaltando que é preciso um novo órgão e um novo sistema regulatório (ver, no Observatório, “Imprensa britânica debate sistema regulatório“).
Um dos atuais membros da PCC – que deveria ter fiscalizado o “jornalismo” do News of the World – é Ian MacGregor, ele próprio, editor do The Sunday Telegraph, um dos jornais que pertencem ao grupo News Corporation (ver aqui).
Como já é sabido, a autorregulação é bem vinda mas, por óbvio, insuficiente. A regulação através de legislação própria aprovada no parlamento é indispensável.
A ver.
Venício Lima
Professor Titular de Ciência Política e Comunicação da UnB (aposentado) e autor, dentre outros, de Regulação das Comunicações – História, poder e direitos, Editora Paulus, 2011.
Artigo publicado originalmente no Observatório da Imprensa
By: Carta Maior
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O desperdício do dinheiro público

Depois de anos de reforma, (foram duas reformas) e com data agendada para a reinauguração,
(22/07/2011- sexta-feira próxima - 19h - Rua COJUBA 45A - fundos)
Compareça, convide amigos para juntos mostrarmos a indignação de todos contra mais este absurdo e prepotência da administração pública.
a Prefeitura de São Paulo entrega o Teatro Décio de Almeida Prado para a JHSF derrubar (destruir).
Que vergonha senhor KASSAB e senhor MARCOS CINTRA.
Vale tudo por dinheiro! Heim?!?!?!
OS PAULISTANOS SÃO CONTRA!
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Resignificação do “gaúcho” e a propaganda enganosa do latifúndio sul-rio-grandense

O general Joca Tavares é um dos tantos mitos do Rio Grande do Sul. Como todo o mito, resulta pois de relatos fantásticos da tradição oral, cujo objetivo é sustentar a ideologia do presente ornado-a com justificações heróicas e feitos edificantes. Especialmente por força da propaganda dos pecuaristas da fronteira oeste do estado mais meridional do Brasil. Com 75 anos de idade, o velho latifundiário de Bagé inicia a revolta armada contra Julio de Castilhos em fevereiro de 1893. O levante civil ficou conhecido como Revolução Federalista de 1893/95, a rigor, uma reação dos estancieiros da fronteira contra os ventos modernizantes do positivismo castilhista. Foi um movimento violento, de ambas as partes, seja do lado dos insurgentes federalistas, seja do lado legalista, sob o comando do presidente (governador da provîncia) Julio Prates de Castilhos. Cálculos conservadores indicam que morreu cerca de 4% da população do Rio Grande, nas escaramuças da guerra de guerrilha, como prisioneiros depois mortos pela degola, feridos que sucumbiam à infecção, ao frio e à fome, etc.
Os federalistas do regime pastoril, já naquela época, faziam autopropaganda das suas raízes farroupilhas, evocando assim um passado épico e glorioso. O chefe militar Gumercindo Saraiva, em incursão rebelde pelo Paraná, ousou blefar contra o próprio presidente da República, Floriano Peixoto. Ao pedir a renúncia de Peixoto, Saraiva (mega latifundiário no Uruguai) se intitulava como “descendente de um farroupilha”, o que constituía uma atrevida inverdade. A imprensa federalista (também conhecida como maragata ou gasparista) era forte e atuante. Em Porto Alegre, no final do século 19, circulavam diariamente cinco jornais, entre os quais o republicano-castilhista A Federação e o parlamentarista-monárquico A Reforma. Este, trazia como subtítulo no cabeçalho a inscrição em favor de uma memória farroupilha: “A lenda de ‘35”, aludindo a 1835, quando se inicia a revolta separatista farrapa no estado. O jornal O Maragato, editado em Rivera, no Uruguai, fazia propaganda e ajudava a estruturar o mito Joca Tavares, assim: “Os gaúchos reúnem-se, armam-se, rebelam-se e proclamam-no seu chefe militar. Ei-lo ali, apesar dos seus oitenta anos, ágil como um jovem domador...”.
Notem que, nesta altura, já se modificava a noção depreciativa da figura do “gaúcho” ou “gaucho”, como dizem no Prata. A expressão gaúcho fora sempre um insulto a alguém. Informava sobre andarilhos, ladrões, marginais e mestiços, sem qualquer habilitação para o trabalho e a guerra permanente dos caudilhos e montoneras. Entretanto, depois da publicação do poema campeiro “O gaúcho Martin Fierro” do autor argentino José Hernandez, as noções negativas deram lugar a um constructo positivo, épico e até heróico.
O fenômeno da releitura de uma expressão antes desprezível, agora um honorável adjetivo gentílico, tem a ver com interesses ideológicos, culturais, sobretudo econômicos, e até eleitorais. A raiz dessa virada está na Argentina, onde por todo o século 19 se digladiavam os caudilhos do interior, conhecidos como Federalistas, e os urbanos e modernizantes de Buenos Aires, liderados pelo intelectual Domingo Faustino Sarmiento, conhecidos como Unitaristas. Estes denegriam aqueles com expressões de profundo desprezo físico e político, como “gauchos”. Ora, Martin Fierro acabou servindo aos propósitos de recuperação da imagem dos bravos peões de estância, agora cantados como heróis ancestrais e portadores de alma nobre e injustiçada. A resignificação – mesmo que à custa de uma disputa nacional no país vizinho – acabou chegando ao Rio Grande do Sul, por obra dos estacieiros revoltosos contra o republicano Castilhos. Com ela, a mitologia farroupilha que falava de glórias e feitos que jamais existiram. Uma das grandes empulhações era afirmar – em tom ufanista - que o general latifundiário Joca Tavares fora farroupilha em 1835. Tavares lutou sim, tanto na guerra farroupilha quanto na guerra “inglesa” contra o Paraguai, e em ambos os casos foi um rematado legalista. Em 1836, foi preso após perder um combate para as forças farroupilhas do coronel Afonso Corte Real, em Rosário do Sul.
Não é à toa que o general Joca Tavares (na foto, com ar de pasteleiro oriental) é homenageado em São Paulo, dando o nome – de nobreza - à Praça Barão de Itaqui, situada no bairro do Tatuapé, zona leste da cidade de São Paulo. Agora me perguntem: em quantos logradouros de São Paulo foram dados nomes de vultos do Rio Grande? De um só, Getúlio Vargas, o maior de todos? Resposta: nenhum.
Fotografia de 1870, autor desconhecido.
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Agenda para um espanhol indignado

O correspondente do jornal espanhol El País no Brasil não se conforma. Diz que não entende como aqui não há um movimento dos jovens indignados, como no seu país. Com tanta corrupção, diz ele, certamente leitor assíduo da velha mídia e menos da realidade concreta. Palocci, Ministério dos Transportes, processo do mensalão. Onde está a juventude brasileira? Perdeu a capacidade de se indignar? Está corrompida? Está envelhecida? Não tem os valores morais da juventude do velho continente?
Ele se indigna no lugar da nossa juventude, com um país carcomido pelos hábitos corruptores da velha politica populista e patrimonialista. Aderiu ao Cansei.
Dá pena. Ele não entende nem o nosso país, nem o dele. Acha que os jovens se indignam com a corrupção, na forma que a velha mídia a trata, como mercadoria de denúncia contra o Estado, a política, os governos, etc. etc.
Se comparasse a situação do seu país e do nosso poderia entender bem um ou até mesmo os dois países. Sugerimos uma agenda para sua visão obnubilada.
Por que não compara a popularidade do Zapatero com a do Lula? Por que será que um é enxotado – até mesmo por editorial do seu jornal, chegado ao PSOE, que diz que se ele quer fazer algo de bem pra Espanha, deve ir embora imediatamente – e o outro saiu do governo com 87% de popularidade e 4% de rejeição, mesmo tendo toda a mídia contra? O que é indignante: ter Zapatero como dirigente máximo do país ou a Lula?
Não lhe indigna saber que o seu país, que foi colonizador, se apropriando das riquezas produzidas pelos escravos neste país, que continua a explorar mediante os grandes bancos, petroleiras, companhias de telecomunicação a este continente, se encontra, há já quase 4 anos em crise. Enquanto nós, explorados, dominados, submetidos aos organismos internacionais que vocês apoiam, saímos a quase três anos da crise. Não lhe indigna isso?
Não lhe indigna que aqui todos os imigrantes podem se legalizar e ser tratados com igualdade de direitos, enquanto no seu país semanalmente chegam embarcações com centenas de pessoas provenientes da África – que vocês ajudaram a espoliar -, vários deles já mortos, e são presos e devolvidos a seu continente de origem, tratados como seres inferiores, rejeitados, humilhados e ofendidos?
Não lhe indigna que aqui, com muito menor quantidade de recursos, estamos próximos do pleno emprego, enquanto no seu país o desemprego bate recordes, chega a praticamente 50% para os jovens? Em condições que as elites ricas esbanjam dinheiro pelo mundo afora? Não lhe indigna isso?
Daria para continuar falando muito mais. Se lhe indignassem essas coisas, teria saído com os jovens espanhóis que continuam a ocupar ruas e praças, indignados, eles sim, com tudo isso que passa no seu país. Eles defendem os imigrantes, os desempregados, todos vítimas principais do governo que seu jornal apoiou até ontem.
Não lhe indigna que Lula seja um líder mundial, que vá à África propor medidas de luta contra a fome, enquanto o seu país rejeita os africanos e continua a explorar os recursos daquele continente?
Creio que, no fundo, o que indigna ao jornalista espanhol é que seu país perdeu a competição para sediar os Jogos Olímpicos, derrota com que não se conforma, então tenta desvalorizar o Rio e o Brasil, com denúncias reiteradas e multiplicadas sobre problemas de insegurança pública, de atraso nas obras da Copa e das Olimpíadas.
O que indigna é sua incapacidade de não compreender nem o seu país, nem o país sobre o qual ele deveria fazer cobertura que permitisse que os leitores compreendessem o Brasil. Mas ele não compreende sequer o seu país, como vai compreender o nosso?
É indignante realmente. Estivesse na Espanha, estaria com os jovens indignados, contra um governo como o que tem eles, com uma mídia como a que tem eles.
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Invertendo o fluxo

Foi a partir dos anos 1930 que as universidades americanas começaram sua ascensão em direção ao topo do mundo.
Até então, os EUA tinham boas universidades, mas sua influência era limitada.
A vinda maciça de pesquisadores, cientistas e acadêmicos renomados de países europeus foi um elemento decisivo na modificação de tal realidade. Fugindo das condições políticas e econômicas adversas na Europa, tal massa de acadêmicos reconfigurou a vida universitária americana, deixando traços visíveis até hoje.
Se o Brasil tiver senso de oportunidade, algo parecido poderá ocorrer entre nós. Devido à crise econômica e social, não são poucos os acadêmicos europeus ou jovens doutores de talento que gostariam de imigrar para um país onde se pode desenvolver pesquisas sem temer o próximo corte orçamentário.
Professores brasileiros que viajam constantemente para conferências internacionais ouvem, com cada vez mais insistência, o desejo de seus colegas estrangeiros em conhecer melhor as condições de trabalho no Brasil. Eles sabem que o país quer desempenhar um papel mais relevante no cenário global e que, para tanto, precisaremos investir em nossas universidades.
Conhecemos situações em que concursos são abertos em universidades públicas e não são preenchidos por falta de candidatos qualificados. Há de se perguntar se não poderíamos dar um passo realmente efetivo em direção à internacionalização de nossas universidades criando condições para que mesmo estrangeiros prestem concursos.
Para tanto, bastaria, por exemplo, que eles pudessem fazer provas em inglês à condição de assinar um termo de compromisso onde se obrigariam a aprender português e dar aulas em nossa língua depois de um ou dois anos.
As vantagens para nossos alunos seriam inegáveis, pois eles teriam um corpo docente internacional, com pesquisadores de várias tendências capazes de aumentar o nível dos debates entre os próprios professores. Os alunos teriam uma abertura efetiva de horizonte importante para seu processo de formação.
As vantagens para o país seriam também evidentes, já que poderíamos, como fizeram os EUA nos anos 1930, receber grupos de pesquisadores que desenvolveriam suas pesquisas em solo pátrio.
A estabilidade econômica que parece se delinear para o Brasil nos próximos anos pode ser um fator importante para a abertura de uma nova fase em nossa vida acadêmica.
Se o governo estiver disposto a usar recursos do pré-sal para o investimento em educação e pesquisa, o Brasil terá condições de se tornar um lugar atrativo para pesquisadores dispostos a escapar de países em bancarrota e envenenados por delírios xenófobos.
By: Falha
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SP tem 170 mil presos (um terço dos presos do Brasil). Cadê a impunidade??

Maior mutirão carcerário começa quarta-feira em São Paulo
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) começa, nesta quarta-feira (20/07), em São Paulo, o maior mutirão carcerário dos que já foram realizados pela entidade desde agosto de 2008. Isso, porque o Estado de São Paulo tem a maior população carcerária do país: 170 mil presos. O número equivale à quantidade de presos existentes na Inglaterra e no País de Gales, somados – um em cada três presos brasileiros cumpre pena em uma casa prisional paulista. Serão necessários, na realização do mutirão carcerário de São Paulo, 17 juízes e 50 servidores do Judiciário para fazer a análise dos processos dos presos condenados em regime fechado – calculados em cerca de 94 mil. Além disso, uma equipe de juízes designada pelo CNJ vai inspecionar os 149 estabelecimentos penais do Estado.
A expectativa é de que o trabalho dure cinco meses, outro recorde. “Em geral, os mutirões carcerários duram um mês. A previsão é de que a mobilização dure até 20 de dezembro”, afirma o coordenador do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário (DMF/CNJ), juiz Luciano Losekann.
Histórico – Desde a criação do programa, em agosto de 2008, os mutirões promovidos pelo CNJ já analisaram 276 mil processos em todo o país. Em três anos de trabalho, a mobilização permitiu a libertação de 30,5 mil presos, ou cerca de 11% do total de processos revisados. Como resultado do exame das condições legais do cumprimento das penas, também foram reconhecidos os direitos a benefícios de 56,1 mil presos.
Manuel Carlos Montenegro
Agência CNJ de Notícias
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Mano pretende substituir Pato e Neymar por bueiros da Light

Estatísticas provam que, em cobranças de pênalti, os bueiros da Light são mais eficazes do que Zico.
LA PLATA – “Eles são mais certeiros”, afirmou Mano Menezes, ao confirmar que QT-51207 e RP-69304, dois bueiros da rua Ronald de Carvalho, em Copacabana, serão convocados para os próximos amistosos da Seleção. Substituirão Alexandre Pato e Neymar. “Desde que foram instalados, em abril, QT-51207 e RP-69304 já provaram que têm muito mais explosão do que os dois jogadores”, prosseguiu o técnico. “Só na semana passada, puseram a nocaute dois argentinos e um uruguaio, o que é muito mais do que se pode dizer do nosso ataque.”
Ricardo Teixeira aprovou as mudanças, embora tenha deixado entender que Mano Menezes poderá ser deslocado de sua posição atual de técnico da Seleção. "Como gestor, devo identificar as potencialidades dos meus comandados. Notei que Mano sabe treinar equipes cuja finalidade é chutar a bola acima da linha de 20 metros e fico pensando se não é o caso de encaminhá-lo para a seleção nacional de rugby", explicou.
Teixeira demonstrou grande serenidade diante da derrota contra o Paraguai. Irritou-se apenas quando lhe pediram para comentar o jogo. Chamando a imprensa de vagabunda, vituperou: "Vocês não sabem ver os dois lados da moeda! Livrei vocês do Galvão Bueno, dos penteados do Neymar e das comemorações que imitam aquele João Bobo, e não ouço uma só palavra de agradecimento!"
No final do dia, Elano, André Santos, Fred e Thiago Silva foram reprovados pelo Inmetro e não disputarão a prova de balística nos Jogos Militares.
Neymar e Messi esperam convite do Ministério da Pesca.
By: The i-Piauí Herald
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Entrevista com jogador da seleção brasileira de futebol

Para os "patriotas de chuteiras"... Que choram pela seleção... Veja o que os jogadores pensam. Perfeitamente representados por Marcelo Adnet.
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Expertos indican que el ex presidente chileno Allende se suicidó el día del golpe de Estado

Médicos forenses confirmaron que el ex presidente de Chile, Salvador Allende, se suicidó el 11 de septiembre de 1973, el día del golpe de Estado, informaron hoy medios noticiosos.
"La conclusión es la que la familia tenía: el presidente Allende, el día 11 de septiembre de 1973, ante las circunstancias extremas que vivió tomó la decisión de quitarse la vida, antes de ser humillado o vivir cualquier otra situación", declaró la senadora Isabel Allende, hija del ex presidente citada por la prensa.
Los restos de Salvador Allende, que gobernó el país de 1970 a 1973, fueron exhumados el 23 de mayo pasado en la capital de Chile, Santiago.
Su hija Isabel solicitó al tribunal en abril de 2011 volver a examinar los restos mortales del padre para determinar definitivamente la causa auténtica de su muerte.
Anteriormente, el cuerpo de Allende fue sometido a autopsia en dos ocasiones. Tras la primera exhumación, el cadáver fue sepultado en Viña del Mar, a 125 kilómetros de Santiago. Restablecida la democracia en Chile en 1990, lo exhumaron y enterraron en la capital.
Según la versión oficial, Allende pereció durante el asalto por los golpistas al palacio presidencial La Moneda en septiembre de 1973. Las autoridades afirmaron que Allende, al ver ocupada la planta baja del palacio por los golpista, ordenó a sus compañeros de lucha dejar de oponer resistencia y se pegó un tiro de un fusil automático que le había regalado el líder cubano Fidel Castro.
Se dijo también que los golpistas acribillaron a Aliende ya muerto y que de su cuerpo fueron extraídas 13 balas. Unos expertos insistían en que Allende fue asesinado por los golpistas.
A su muerte, el poder en el país pasó al dictador militar Augusto Pinochet, que gobernó durante 16 años. Según datos oficiales, en ese período en Chile fueron matadas por motivos políticos unas 3.200 personas, desaparecieron casi 1.200 y fueron sometidas a torturas cerca de 28.000.
Más tarde se exigió responsabilidad a unos 560 ex militares involucrados en crímenes durante la dictadura. En diciembre de 2010, en Francia fueron condenados a prisión en rebeldía 13 allegados del dictador, de 61 a 89 años de edad. En el marco de ese proceso se abrió expediente penal contra el propio Pinochet, pero fue cerrado a su muerte en 2006.
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Impressionante! Inacreditável!!!

Que ninguém se insurja contra esta BESTIALIDADE! Pior: Publicam como se os "jogos militares" fossem um esporte como outro qualquer! Nenhuma palavra sobre esta psicopatologia internacional travestida de esporte. Uma das categorias é: ARREMESSO DE GRANADA!
E, mais, esportistas, que deveriam instigar a solidariedade entre os povos, submetem-se a representar a instituição do genocídio organizado. Internacionalmente organizado. Mais uma forma descarada e cínica de sacralizar a morte!
Aonde vamos chegar! É inacreditável!
É a essência do macaco perdido entre a barbárie e a tecnologia do medo, enquanto os servos das glebas aplaudem e, pior, propagandeiam como se o militarismo fosse uma instituição racional.
Que lástima! Que horror! E, ainda mais: uma mulher, vítima do militarismo, faz a "abertura dos jogos". É o fim do mundo! Aplausos aos gorilas e ao seu poder de fogo!
Em nome do pai, do filho e do espírito santo. Amém.
Vera Lúcia Conceição Vassouras é Mestra em Filosofia do Direito pela Universidade de São Paulo (USP), advogada militante, professora universitária, tradutora, escritora, autora do livro O mito da igualdade jurídica no Brasil - Notas críticas sobre a igualdade formal.
By: Abra a Boca, Cidadão
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Elton Saldanha canta para acordar astronautas americanos

Tripulação da Atlantis desperta ao som de Castelhana.
HOUSTON, EUA - A tripulação do ônibus espacial Atlantis terá uma surpresa na manhã desta terça-feira. O cantor Gaúcho Elton Saldanha vai cantar Castelhana para acordar os astronautas, direto da sede da NASA.
- Elton foi nossa primeira escolha mas ele estava muito ocupado fazendo shows. Finalmente ele conseguiu uma brecha na agenda - disse o chefe da expedição, Jim Halpert.
Os especialistas afirmam que os astronautas quando acordados com música, rendem 70% a mais na gravidade zero. Com a música Gaúcha a expectativa é que este percentual passe para 110%.
- Eu prefiro cantar num CTG, não para astronauta - declarou Elton, através de sua assessoria de imprensa.
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Clóvis Rossi acusa ‘petistas’ de apoiar concentração da mídia

A Folha de São Paulo passou a publicar “pornografia”. É literalmente indecente um artigo de um de seus principais pistoleiros publicado hoje (19/07) naquele antro de libidinagem intelectual. Se você não leu, tem que ler. Por penoso que seja ver um homem daquela idade se degradar tanto moralmente, o texto mostra a que ponto chegou essa gente.
Acredite quem quiser: ele escreveu um texto bradando contra a concentração da propriedade de meios de comunicação. Escreveu todos os argumentos que vimos escrevendo na blogosfera dia após dia, semana após semana, mês após mês, ano após ano. E colocou a culpa pela propriedade cruzada de meios de comunicação sabe em quem? No PT!
Leia e chore. Em seguida, um comentário final.
—–
FOLHA DE SÃO PAULO
19 de julho de 2011
Murdoch ou quando “Deus” fica nu
Clóvis Rossi
Ed Miliband, líder do Partido Trabalhista britânico, tocou a tecla certa, em entrevista domingo ao “The Observer”: considerou “perigosa” a concentração da propriedade de meios de comunicação em poucas mãos, em alusão a Rupert Murdoch, o dono do império midiático hoje no centro de um imenso escândalo.
“Temos que ver o que fazer quando ocorrem casos em que uma pessoa controla mais de 20% do mercado de mídia”, disse Miliband durante a entrevista.
Bingo. Vale para o Reino Unido, vale para o Brasil, vale para o mundo. Aqui, tem sido “pouco saudável”, por exemplo, o domínio da família Magalhães sobre o principal jornal, a principal rádio e a retransmissora da Rede Globo na Bahia.
Diga-se o mesmo a respeito da família Sarney no Maranhão, bem como de outras famílias políticas em outros Estados, graças à farra de concessões de rádio e TV a políticos, tema de recente reportagem desta Folha.
É curioso que os petistas furibundos fizeram inúmeras tentativas de aprovar legislação sobre “controle da mídia”, mas que não tocavam no ponto chave que é a propriedade cruzada de meios de comunicação – capítulo que os Estados Unidos resolveram razoavelmente bem.
Controlar a mídia é tarefa do leitor/ouvinte/telespectador. Eu tenho horror ao sensacionalismo, mas sei muito bem que meu gosto é minoritário, no Brasil como no Reino Unido ou qualquer outro país.
Rupert Murdoch não tinha 2,7 milhões de capangas armados de metralhadoras para forçar os ingleses a esgotar a tiragem do “News of the World”.
Aliás, a propósito, vale reproduzir com uma ponta de orgulho corporativo a frase de Timothy Garton Ash, um dos intelectuais mais na moda na Europa, em seu artigo de ontem para “El País”: “O melhor jornalismo britânico pôs a nu o pior”, em alusão à incessante campanha do jornal ”Guardian” para expor as indecências do “NoW”.
Pois é, deixado livre, o melhor jornalismo acaba se impondo, por muito que demore.
Se controle da mídia é função do público, o da concentração excessiva é, aí sim, tarefa da legislação.
Ainda mais se a concentração fica nas mãos de alguém sem escrúpulos, que acaba impondo o reino do medo, que paralisa o mundo político.
É o caso de Rupert Murdoch, assim retratado ontem, no “Guardian”, pelo colunista Charlie Brooker: ”Poucas semanas atrás, Murdoch, ou, mais exatamente, as tendências mais selvagens da imprensa, representavam Deus. (…) Você nunca deve irritar Deus. Deus carrega imenso poder. Deus pode escutar tudo o que você diz. Você deve reverenciar Deus, e agradá-lo, ou Deus vai destrui-lo”.
Agora que “Deus” Murdoch está caindo em desgraça, o temor e as reverências deram lugar à constatações que deveriam ser óbvias há muito tempo, como a que fez Ed Miliband. E os “políticos britânicos fazem fila para denunciar Murdoch”, como completa Brooker.
O próprio “Guardian”, aliás, com o gostinho da vitória ainda fresco, pede a cabeça do primeiro-ministro David Cameron, por ter empregado Andy Coulson, ex-editor do “NoW”, como seu assessor de imprensa - típica atitude de quem queria comprar as graças de “Deus”.
—–
Sim, isso foi publicado no jornal que estampou, em sua primeira página, uma ficha policial falsa da hoje presidente Dilma Rousseff e que divulgou acusação ao ex-presidente Lula de ser um maníaco sexual.
Por que será que esse velhaco não citou a Globo, da família Marinho, pela maior concentração de propriedade de meios de comunicação em todo o mundo? Ou o próprio grupo Folha, detentor de uma quantidade imoral de jornais e do maior portal de internet do país, um “grupo” que, em qualquer país civilizado, não poderia existir.
Ele acusa “petistas furibundos” de não pregarem o fim da concentração de meios de comunicação. Se tivesse saído de seu escritório com ar condicionado e ido cobrir a Conferência Nacional de Comunicação, em 2009, não teria ouvido falar de outra coisa. Inclusive, teria lido esse pleito antigo no documento final da Confecom.
Rossi mente descaradamente dizendo que “petistas furibundos” pregam controle dos meios de comunicação em vez de veto à propriedade cruzada, quando qualquer um que já tenha lido o que se pede dia sim, outro também em espaços como este sabe que é a democratização da comunicação, ou seja, o fim da propriedade cruzada.
Há quanto tempo você vê a blogosfera se esfalfar pedindo o fim da concentração de meios de comunicação? Como lidar com gente assim? Com luvas de pelica? Será que este governo não tem ninguém com um mísero traço de coragem para dar uma resposta à altura a esse velhaco? Até quando este país será esbofeteado dessa forma?
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Por que o povo na sai às ruas contra a corrupção? O povo não é bobo

A resposta do MST para O Globo é daquelas que merecem ser amplamente divulgadas. De tão boas, O Globo não publicou.
Por que a população não sai às ruas contra a corrupção?
19 de julho de 2011
Da Página do MST
O jornal O Globo publicou uma reportagem no domingo para questionar por que os brasileiros não saem às ruas para protestar contra a corrupção.
Para fazer a matéria, os repórteres Jaqueline Falcão e Marcus Vinicius Gomes entrevistaram os organizadores das manifestações de defesa dos direitos dos homossexuais e da legalização da maconha. E a Coordenação Nacional do MST.
A repórter Jaqueline Falcão enviou as perguntas por correio eletrônico, que foram respondidas pela integrante da coordenação do MST, Marina dos Santos, e enviadas na quinta-feira em torno das 18h, dentro do prazo.
A repórter até então interessada não entrou mais em contato. E a reportagem saiu só no domingo. E as respostas não foram aproveitadas.
Por que será?
Abaixo, leia as respostas da integrante da Coordenação Nacional do MST que não saíram em O Globo.
Por que o Brasil não sai às ruas contra a corrupção?
Arrisco uma tentativa de responder essa pergunta ampliando e diversificando o questionamento: por que o Brasil não sai às ruas para as questões políticas que definem os rumos do nosso país? O povo não saiu às ruas para protestar contra as privatizações – privataria – e a corrupção existente no governo FHC. Os casos foram numerosos – tanto é que substituiu-se o Procurador Geral da Republica pela figura do “Engavetador Geral da República”.
Não saiu às ruas quando o governo Lula liberou o plantio de sementes transgênicas, criou facilidades para o comércio de agrotóxicos e deu continuidade a uma política econômica que assegura lucros milionários ao sistema financeiro.
Os que querem que o povo vá as ruas para protestar contra o atual governo federal – ignorando a corrupção que viceja nos ninhos do tucanato – também querem ver o povo nas ruas, praças e campo fazendo política? Estão dispostos a chamar o povo para ir às ruas para exigir Reforma Agrária e Urbana, democratização dos meios de comunicação e a estatização do sistema financeiro?
O povo não é bobo. Não irá às ruas para atender ao chamado de alguns setores das elites porque sabe que a corrupção está entranhada na burguesia brasileira. Basta pedir a apuração e punição dos corruptores do setor privado junto ao estatal para que as vozes que se dizem combater a corrupção diminua, sensivelmente, em quantidade e intensidade.
Por que não vemos indignação contra a corrupção?
Há indignação sim. Mas essa indignação está, praticamente restrita à esfera individual, pessoal, de cada brasileiro. O poderio dos aparatos ideológicos do sistema e as políticas governamentais de cooptação, perseguição e repressão aos movimentos sociais, intensificadas nos governos neoliberais, fragilizaram os setores organizados da sociedade que tinham a capacidade de aglutinar a canalizar para as mobilizações populares as insatisfações que residem na esfera individual.
Esse cenário mudará. E povo voltará a fazer política nas ruas e, inclusive, para combater todas as práticas de corrupção, seja de que governo for. Quando isso ocorrer, alguns que querem ver o povo nas ruas agora assustados usarão seus azedos blogs para exigir que o povo seja tirado das ruas.
As multidões vão às ruas pela marcha da maconha, MST, Parada Gay…e por que não contra a corrupção?
Porque é preciso ter credibilidade junto ao povo para se fazer um chamamento popular. Ter o monopólio da mídia não é suficiente para determinar a vontade e ação do povo. Se fosse assim, os tucanos não perderiam uma eleição, o presidente Hugo Chávez não conseguiria mobilizar a multidão dos pobres em seu país e o governo Lula não terminaria seus dois mandatos com índices superiores a 80% de aprovação popular.
Os conluios de grupos partidários-políticos com a mídia, marcantes na legislação passada de estados importantes – como o de Minas Gerais, São Paulo e Rio Grande do Sul – mostraram-se eficazes para sufocar as denúncias de corrupção naqueles governos. Mas foram ineficazes na tentativa de que o povo não tomasse conhecimento da existência da corrupção. Logo, a credibilidade de ambos, mídia e políticos, ficou abalada.
A sensação é de impunidade?
Sim, há uma sensação de impunidade. Alguns bancos já foram condenados devolver milhões de reais porque cobraram ilegalmente taxas dos seus usuários. Isso não é uma espécie de roubo? Além da devolução do dinheiro, os responsáveis não deveriam responder criminalmente? Já pensou se a moda pegar: o assaltante é preso já na saída do banco, e tudo resolve coma devolução do dinheiro roubado…
O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, em recente entrevista à Revista Piauí, disse abertamente: “em 2014, posso fazer a maldade que for. A maldade mais elástica, mais impensável, mais maquiavélica. Não dar credencial, proibir acesso, mudar horário de jogo. E sabe o que vai acontecer? Nada. Sabe por quê? Por que eu saio em 2015. E aí, acabou.(…) Só vou ficar preocupado, meu amor, quando sair no Jornal Nacional.”
Nada sintetiza melhor o sentimento de impunidade que sentem as elites brasileiras. Não temem e sentem um profundo desrespeito pelas instituições públicas. Teme apenas o poder de outro grupo privado com o qual mantêm estreitos vínculos, necessários para manter o controle sobre o futebol brasileiro.
São fatos como estes, dos bancos e do presidente da CBF – por coincidência, um dos bancos condenados a devolver o dinheiro dos usuários também financia a CBF – que acabam naturalizando a impunidade junto a população.
Comentário do ContextoLivre:
Repare na articulação "Millenium": o primeiro comentário sobre este assunto foi produzido por Juan Arias, correspondente do El País da Espanha, logo reproduzido em O Globo, para logo em seguida, Fernando Barros e Silva repercutir no Folha de São Paulo...  É muita coincidência, não?
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Por que não reagimos à mídia demotucana?

No artigo intitulado “Por que não reagimos?”, o colunista da FSP (Folha Serra Presidente), Fernando de Barros e Silva, parece que tenta relançar o movimento “Cansei”, articulação que juntou ricaços, barões da mídia e artistas globais, em meados de 2007, e que teve como grito de guerra o “Fora Lula”.
Os “cansados” logo abandonaram o batente e a articulação direitista sumiu do bondoso noticiário. Agora, Fernando clama novamente pela reação dos “indignados”, num texto escrito sob encomenda para os leitores “cansados” da Folha. Como seu xará já disse que não adianta falar para o “povão”, ele tenta incitar a errática classe média.
Os resmungos do “calunista”
“Por que os brasileiros não reagem à corrupção? Por que a indignação resulta apenas numa carta enviada à redação ou numa coluna de jornal? Por que ela não se transforma em revolta, não mobiliza as pessoas, não toma as ruas? Por que tudo, no Brasil, termina em Carnaval ou em resmungo?”, resmunga o colunista.
O mote para o seu apelo é um artigo recente de Juan Arias, correspondente do jornal “El País”. Nele, o jornalista do diário espanhol, que apoiou o desmonte neoliberal na Europa, critica a corrupção no governo Dilma, “herdada” de Lula, e provoca: “Será que os brasileiros não sabem reagir à hipocrisia e à falta de ética de muitos dos que os governam?”.
A solidão do elitista
Uma excelente resposta ao “correspondente” do El País, que adora falar besteiras sobre a política brasileira, já foi dada pelo blogueiro Eduardo Guimarães (leia aqui). Mas o “calunista” da Folha não deve ter lido; ele tem bronca dos blogueiros progressistas – prefere ler e se enturmar com os “intelectuais” tucanos.
Para ele, a ausência de indignação decorre do fato que “a vida de milhões de brasileiros melhorou nos últimos anos, mesmo sob intensa corrupção, e apesar dela... Além disso, o PT, na prática, estatizou os movimentos sociais. Da UNE ao MST, passando pelas centrais sindicais, todos recebem dinheiro do governo. Foram aliciados”.
Sair às ruas contra a mídia golpista
Na solidão do seu discurso, o jornalista da FSP ainda tenta se afastar da “cultura udenista”, insistindo que seu apelo não é coisa da direita e da mídia golpista – como Lula sempre alerta. Mas ele só engana os mais incautos. Até agora, pelo menos, o povo não caiu na onda dos “formadores da opinião pública”, que servem exatamente à direita e à mídia golpista.
O ideal, inclusive, é que o povo tivesse maior consciência sobre os reais interesses da mídia demotucana, travestida de “ética”. A exemplo do que ocorre na Inglaterra e nos EUA, a partir das denúncias das ações mafiosas do império midiático de Murdoch, seria saudável que o povo brasileiro se indignasse contra as manipulações da mídia nativa, que saísse às ruas para protestar e exigir uma comunicação mais democrática e plural.
Altamiro Borges
By: Blog do Miro
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Por que não reagimos?

Por que os brasileiros não reagem à corrupção? Por que a indignação resulta apenas numa uma carta enviada à Redação ou numa coluna de jornal? Por que ela não se transforma em revolta, não mobiliza as pessoas, não toma as ruas? Por que tudo, no Brasil, termina em Carnaval ou em resmungo?
A pergunta inicial não foi feita por um brasileiro -o que é sintomático. Foi Juan Arias, correspondente do jornal "El País" no Brasil, quem a formulou num artigo recente. "
Es que los brasileños no saben reaccionar frente a la hipocresía y falta de ética de muchos de los que les gobiernan?". Y entonces???
Não existe resposta simples aqui. Em primeiro lugar, a vida de milhões de brasileiros melhorou nos últimos anos, mesmo sob intensa corrupção, e apesar dela. Ninguém que leve o materialismo a sério pode desconsiderar esse dado básico.
Além disso, o PT, na prática, estatizou os movimentos sociais. Da UNE ao MST, passando pelas centrais sindicais, todos recebem dinheiro do governo. Foram aliciados. São entusiastas e sócios do poder, coniventes com os desmandos porque têm interesses a preservar, como o PR de Valdemar e Pagot.
Há ainda um terceiro aspecto, menos óbvio, que leva muita gente progressista a se encolher diante da corrupção. É a ideia introjetada de que qualquer movimento político ou mobilização contra a bandalha acaba sendo uma reedição do espírito udenista, coisa da direita ou que serve a seus propósitos. O lulismo soube explorar esse enredo, como se estivesse em jogo no mensalão uma disputa entre Vargas (o pai dos pobres nacionalista) e Lacerda (o moralista a serviço das elites).
Lula nunca moveu uma palha para mudar o sistema político podre que o beneficiou. Com a corrupção sob seu nariz, preferiu posar de vítima da imprensa golpista. Enquanto isso, seus aliados, no PT ou à direita, golpeavam os cofres da Viúva, exatamente como sempre neste país. Está aí a gangue dos Transportes, na estrada há 10 anos.
Leia aqui também para não se deixar influenciar por este pulha.
Fernando de Barros e Silva
By: Falha
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Ato de repúdio ao acordo Minicom-teles

Para o conjunto dos movimentos sociais brasileiros, o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) representa a afirmação de uma democratização do acesso à internet, apontando para a universalização dos serviços – com controle de tarifas, meta de qualidade e continuidade de serviços – dentro de uma concepção de desenvolvimento baseado na geração de renda e na inclusão social.
Infelizmente, o “acordo” fechado pelo Ministério das Comunicações com as teles relega inteiramente esta estratégia, afrontando o interesse nacional em prol da sede de lucro fácil dos monopólios privados.
Na prática, as teles ganharam do governo um cheque em branco para faturar alto com uma banda lenta, cara e sem universalização, enquanto continuam praticando preços extorsivos, fortalecendo sua concentração nas faixas e locais de maior poder aquisitivo, com serviços de péssima qualidade.
Além de inaceitáveis, os termos do dito “acordo” do Ministério com as teles afrontam o interesse social e rasgam as diretrizes do próprio Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), dando as costas ao imenso acúmulo possibilitado pela Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), que apontava para um maior protagonismo do Estado e para o fortalecimento da Telebrás, como elementos decisivos para a universalização da internet, vista como um direito.
A forma como foi assinado o “termo de compromisso”, sem qualquer participação ou consulta às entidades diretamente envolvidas, é reveladora do seu conteúdo, já que ninguém se disporia a endossar tal leviandade.
Dito isso, vamos aos fatos porque denunciamos e repudiamos tal “acordo”:
1)Não há metas nem garantia de qualidade
O Ministério admitiu que é “compreensível”, por causa da “concorrência”, as teles não divulgarem onde e quando vão implantar a suposta banda larga de 1 Mbps a R$ 35,00. Além disso, não há garantias de qualidade, o que significa uma internet de segunda categoria para a população com menos recursos financeiros. O plano prevê, por exemplo, uma velocidade muito baixa de envio (upload) de 128 kbps. Assim, quem quiser postar vídeos vai demorar horas.
2) Velocidade tartaruga
A velocidade de 1 Mbps é somente “nominal”. Hoje, as teles oferecem 1/16 da velocidade que está no contrato com o usuário, abaixo até do ridículo limite da Anatel (10% da “nominal”). É como se o consumidor fosse ao supermercado comprar dez quilos de feijão e levasse para casa apenas um quilo, pagando pelos dez. Mas nem mesmo este limite indecente da Anatel consta do “termo de compromisso” assinado pelo Ministério.
Pior, as teles foram autorizadas a reduzir a velocidade se o usuário ultrapassar 300 Mbytes de “download” por mês (o que poderá fazer com que para baixar um vídeo ou uma música se perca horas ou mesmo não possa ser feito) ou 500 Mbytes no caso da Oi, o que condiciona completamente o uso da internet e impede o uso pleno do serviço. Portanto, quem definirá a velocidade – sempre lenta para fomentar a migração do usuário para outros planos mais lucrativos para as teles – será a própria operadora.
3) Venda casada
Embora o Ministério tenha afirmado que o pacote de R$ 35 não estaria condicionado à venda casada, o “termo de compromisso” permite essa prática na banda larga fixa, com teto de 65 reais para o pacote. O pacote de 35 reais sem venda casada só é obrigatório na banda larga móvel.
4) Multas viram investimento
As punições às teles por infrações, nem ao menos serão simbólicas: não haverá processo administrativo se o “termo de compromisso” for desrespeitado. As sanções podem ser transformadas em investimentos em áreas economicamente não atrativas. Na prática, as empresas podem trocar o não cumprimento de metas determinadas no termo de compromisso por expansão de sua própria rede. Ou seja, vão embolsar o dinheiro das multas. Mais: se a Anatel disser que houve correção da irregularidade, as multas serão extintas – sem que o dinheiro saia do caixa das teles.
5) Abandono da área rural
Foram retiradas as metas para banda larga do III Plano Geral de Metas para a Universalização do Serviço Telefônico Fixo (PGMU, v. Capítulo IV, artigos 21 a 24, DOU, 30/06/2011). Até na telefonia fixa, o “novo” PGMU dispensou as teles de obrigações na área rural, se não se interessarem em explorar as faixas de 451 Mhz a 458 Mhz ou de 461 Mhz a 468 Mhz (cf. artigo 9º, parágrafo 2º, DOU, 30/06/2011). Note-se que, ao contrário da banda larga, a telefonia fixa está sob regime público. Mas as teles é que decidem.
6) Acordo pra inglês ver
O “termo de compromisso” deixa de valer caso as teles aleguem que os seus custos aumentaram.
Sinteticamente, aqui estão os motivos pelos quais os movimentos sociais reivindicam do governo federal que o Estado retome o protagonismo no setor, voltando a investir na Telebrás como instrumento de políticas públicas, e retome o diálogo com as entidades populares, para sanar o erro cometido. Para nós, a luta pela democratização da comunicação e pela universalização da banda larga são indissociáveis, como direitos inalienáveis do povo brasileiro que não podem ser pisoteados em função dos grandes conglomerados privados.
Para transformar estas bandeiras em conquista efetiva da sociedade brasileira, a Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS) convoca desde já o conjunto das entidades populares a se somarem para a construção de uma grande manifestação no dia 15 de agosto. É hora de levantarmos a voz em defesa da democracia e reivindicar do governo que atenda ao clamor da sociedade e não das teles.
Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS):
CUT – MST – CMP – UNE – UBES – ABI – CNBB/ PS – Grito dos Excluídos – Marcha Mundial das Mulheres – UBM – CONEN – Coordenação Nacional de Entidades Negras – UNEGRO – MTD – Movimento dos Trabalhadores Desempregados – MTST – CONTEE – CNTE – CONAM – Confederação Nacional das Associações de Moradores – UNMP – Ação Cidadania – Cebrapaz – ABRAÇO – CGTB – INTERVOZES – CNQ – FUP – SINTAPI –ANPG – CTB – CMB – MNLM.
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A realidade de São João da Barra - Rio de Janeiro

Espaço marcado pelas mãos dos trabalhadores, que com muito suor dedicaram suas vidas a cuidar do campo é retirado sem dor. Produtores rurais do 5º Distrito de São João da Barra não tiveram tempo de contar suas histórias, só tempo para retirar seus pertences e deixar suas lembranças para trás. Suas terras desapropriadas serão utilizadas para a construção de estaleiros do Porto do Açu, com investimentos avaliados em mais de um bilhão de dólares, valor que não paga uma história de vida. Ana Paula Medeiros
Este webdoc se destina ao registro do que têm a dizer os atingidos pelas desapropriações no 5º Distrito de São Jõa da Barra.RJ.
Foi produzido por alunos do UNIFLU/FAFIC com a supervisão do professor da disciplina Narrativas e Linguagens Jornalísticas, Vitor Menezes.
As imagens contidas no webdoc estão disponíveis no YouTube e/ou foram cedidas.
Vi no Urgente!
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A Décima Oitava

Ela tem, delegado, um nariz arrebitado, mas isso não é nada. Nariz arrebitado a gente resiste. Mas a ponta do nariz se mexe quando ela fala.
Isso quem resiste? Eu não. Nunca pude resistir mulher que quando fala a ponta do nariz sobe e desce. Muita gente nem nota. É preciso prestar atenção, é preciso ser um obsessivo como eu. O nariz mexe milímetros. Para quem não está vidrado, não há movimento algum. Às vezes só se nota de determinada posição, quando a mulher está de perfil. Você vê a pontinha do nariz se mexendo, meu Deus. Subindo e descendo. No caso dela também se via de frente. Uma vez ela reclamou, “Você sempre olha para a minha boca quando eu falo”. Não era a boca, era o nariz. Eu ficava vidrado no nariz. Nunca disse pra ela que era o nariz. Delegado, eu sou louco? Ela ia dizer que era mentira, que seu nariz não mexia. Era até capaz de arranjar um jeito de o nariz não mexer mais.
Mas a culpa, delegado, é da inconstância humana. Ninguém é uma coisa só, nós todos somos muitos. E o pior é que de um lado da gente não se deduz o outro, não é mesmo? Você, o senhor, acreditaria que um homem sensível como eu, um homem que chora quando o Brasil ganha bronze, delegado, bronze? Que se emocionava com a penugem nas coxas dela? Que agora mesmo não pode pensar na ponta do nariz dela se mexendo que fica arrepiado? Que eu seria capaz de atirar um dicionário na cabeça dela? E um Aurelião completo, capa dura, não a edição condensada? Mas atirei. Porque ela também se revelou. Ela era ela e era outras. A multiplicidade humana, é isso. A tragédia é essa. Dois nunca são só dois, são 17 de cada lado. E quando você pensa que conhece todos, aparece o décimo oitavo. Como eu podia adivinhar, vendo a ponta do narizinho dela subindo e descendo, que um dia ela me faria atirar o Aurelião completo na cabeça dela? Capa dura e tudo? Eu, um homem sensível?
Eu devia ter desconfiado de alguma coisa quando descobri que o celular dela tocava Wagner. Quem escolhe Wagner para o seu telefone celular? Pode-se saber muita coisa sobre uma pessoa pelo que ela escolhe para tocar quando soa o seu celular. Eu achei engraçado o Wagner, ela um doce de mulher escolhendo o Wagner, mas na hora não dei maior importância. Hoje sei que Wagner era um sinal. Um dos outros, das outras, que ela tinha por dentro, escolheu o Wagner. Foi uma maneira de dizer que o nariz arrebitado não era tudo, que eu não me enganasse com o seu jeitinho de falar, com o apelido que ela me deu, “Guinguinha”, veja o senhor, “Guinguinha”, que só depois eu descobri era o nome de um cachorro que ela teve quando era pequena e morreu atropelado, “Guinguinha”. Que uma que ela tinha por dentro era uma Valquiria indomável de 2 metros. Hein? Fagner, não. Wagner. O alemão.
Tudo bem, eu também tenho outros por dentro. Nós já estávamos juntos um tempão quando ela descobriu que eu sabia imitar o Silvio Santos. Sou um bom imitador, o meu Romário também é bom, faço um Lima Duarte passável, mas ninguém sabe, é um lado meu que ninguém conhece. Ela ficou boba, disse “Eu não sabia que você era artista”. Ela também não sabia que eu tenho pânico de beringela. Não é só não gostar, é pânico mesmo, na primeira vez que ela serviu beringela eu saí correndo da mesa, ela atrás gritando “Guinguinha, o que foi?”. Também sou um obsessivo. Reconheço. A obsessão foi a causa de nossa briga final. Tenho outros por dentro que nem eu entendo, minha teoria é que a gente nasce com várias possibilidades e quando uma predomina as outras ficam lá dentro, como alternativas descartadas, definhando em segredo. E, vez que outra, querendo aparecer. Tudo bem, viver juntos é ir descobrindo o que cada um tem por dentro, os 17 outros de cada um, e aprendendo a viver com eles. A gente se adapta. Um dos meus 17 pode não combinar com um dos 17 dela, então a gente cuida para eles nunca se encontrarem. A felicidade é sempre uma acomodação. Eu estava disposto a conviver com ela e suas 17 outras, a desculpar tudo, delegado, porque a ponta do seu nariz mexe quando ela fala.
Mas aí surgiu a décima oitava ela. Nós estávamos discutindo as minhas obsessões. Ela estava se queixando das minhas obsessões. Não sei como, a discussão derivou para a semântica, eu disse que “obsedante” e “obcecante” eram a mesma coisa, ela disse que não, eu disse que as duas palavras eram quase iguais e ela disse “Rará”, depois disse que “obcecante” era com “c” depois do “b”, eu disse que não, que também era com “s”, fomos consultar o dicionário e ela estava certa, e aí ela deu outra risada ainda mais debochada e eu não me agüentei e o Aurelião voou. Sim, atirei o Aurelião de capa dura na cabeça dela. A gente agüenta tudo, não é delegado, menos elas quererem saber mais do que a gente. Arrogância intelectual, não.
Luís Fernando Veríssimo
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E se o caso do News of the World ocorresse aqui no Brasil, o que aconteceria?

A resposta é: Nada. Desde o fim da Lei da Imprensa, sem que se tenha colocado nada no lugar, os cidadãos estamos absolutamente desprotegidos, ante o poder avassalador das corporações midiáticas.
Graças a figuras como o deputado Miro Teixeira (Miro Teixeira pensa que todo brasileiro é deputado) estamos nas mãos das fichas falsas, dos grampos sem áudio, dos vazamentos seletivos de informação, das mentiras e calúnias deslavadas, sem nada que nos proteja - a não ser o Judiciário moroso, corrupto, remado por advogados acumpliciados com ministros do STF, como denunciou o advogado Piovesan, autor de um pedido de impeachment de Gilmar Bacamarte Mendes (Advogado pede impeachment de Gilmar Mendes por 'relações perigosas' com advogado da Globo, de Dantas... e de Gilmar Mendes).
Por isso, o escândalo dos grampos do mais que centenário tabloide inglês não daria em nada no Brasil.
Como nunca aconteceu nada com os diretores de jornalismo de O Globo, TV Globo, Folha, Estadão etc.
E nada acontecerá enquanto não percebermos que temos que agir, não só nos blogs e redes sociais. Temos que ir às ruas para exigir uma Ley de Medios aqui no Brasil. Já.
Ah, só mais um detalhe. Segundo soube, as corporações midiáticas brasileiras só estão cobrindo o caso do News of the World (e mesmo assim, de leve, com mãos de gato) porque:
Rupert Murdoch deve dar com os costados no Brasil mês que vem. O velho homem de imprensa estaria vindo conversar sobre a criação de um jornal de circulação nacional. Com a maioria acionária de um brasileiro, como exige a legislação, obviamente. [nota de junho deste ano][Fonte]
Espaço para esse jornal há. Murdoch percebeu. Mas nosso empresariado, nada. O PT, nada. Como já perguntei aqui (O poder relativo da blogosfera versus o poder impositivo da 'grande imprensa'. Que fazer?), por que não é feito?
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Murdoch, o fraudador de espelhos

“Nauseabundo, mas não extraterrestre.” Com apenas quatro palavras o jornalista Juan Cruz (El País, domingo, 17/7) derruba o caso Murdoch da esfera das tragédias shakespearianas sobre abusos & abismos do poder e o estende diante de nós com toda sua carga de crueldade e veracidade.
Murdoch não é uma excrescência, não é falácia ou farsa, não é science fiction nem evento casual, singular. O espetáculo midiático-político a que assistimos galvanizados há mais de dez dias não tem nada de absurdo ou fantasioso. Não leva a assinatura de Karl Kraus, Bertold Brecht, George Orwell, Orson Welles ou Billy Wilder: este dream team de críticos jamais conseguiria engendrar um enredo tão terrível e catastrófico para a imprensa livre.
O impensável está aí, ao vivo, em cores, banda larga, 3D, alta velocidade, altíssima definição, continuamente repetido, reeditado. Vem sendo montado, a céu aberto, sem segredos ou disfarces, há pelo menos duas décadas com a participação de um elenco planetário.
A última década do século 20 e a primeira do 21 somaram-se para produzir a mais arrasadora caricatura da civilização dita ocidental. E o objeto mais distorcido, deformado, desfigurado, desvirtuado desta civilização foi o espelho – a mídia periódica.
Ao invés de refletir com realismo, trincou, truncou; no lugar de sugerir contemplação, oferece fragmentações, pó. O mundo não se reconhece, não se encontra, esbalda-se delirante entre nostalgias e futurismos porque a referência, o espelho, partiu-se.
Personagens equivalentes
Rupert Murdoch é o epítome desta degeneração alegre e consentida. É o fraudador de espelhos por excelência. Seu império global foi montado a partir dos padrões do “jornalismo de resultados”, seus paradigmas profissionais foram executados por uma ex-secretária, sua herdeira espiritual, que jamais havia freqüentado outra redação, hoje felizmente hospede de um xilindró britânico [em seguida, solta sob fiança].
As convicções políticas de Murdoch não diferem muito dos magnatas da imprensa alemã que nos anos 1920 e 30 apostaram suas fichas num agitador de rua, o único que segundo eles poderia enfrentar o bolchevismo – Adolf Hitler. Também detestavam espelhos, não queriam mirar-se nele e descobrir o papelão que desempenhavam.
Não se pode separar os objetivos, estratégia e táticas da News Corp. do ideário político do seu criador. Os tablóides ingleses não nasceram reacionários; ao contrário, dirigiam-se àqueles que hoje fariam parte da classe C. Murdoch injetou neles altas doses de direitismo populista. Quando apoiou o novo trabalhismo de Tony Blair, tinha um projeto de liquidar a esquerda inglesa. Quando comprou o Times e o Sunday Times extirpou deles os resquícios da respeitabilidade liberal que ainda conservavam. Está fazendo o mesmo com o Wall Street Journal, de Nova York.
Os jornais brasileiros que nos últimos dias reproduziram o elogio de Murdoch pelo colunista Roger Cohen, do International Herald Tribune, fazem parte da rede da Opus Dei. Coincidências.
O Financial Times e o Economist são igualmente conservadores, detestam qualquer interferência do Estado na vida econômica. No entanto, sempre se opuseram às idéias & jogadas de Murdoch. Não foram suficientemente determinados nesta oposição, gente fina não briga em público. Não perceberam que Murdoch e Hugo Chávez se equivalem. Igualmente nocivos para uma imprensa livre.
O Guardian desmascarou Murdoch porque é editado por uma entidade não-lucrativa. Isso significa alguma coisa?
A imprensa brasileira foi na onda do Tea Party, comprou a idéia de que Barack Obama é socialista, portanto não pode ser reeleito. Quem vendeu este produto foi a Fox News, cuja contribuição para a qualidade do telejornalismo americano é idêntica à do falecido News of the World ao jornalismo impresso britânico.
Ramo propício
Murdoch combinou imprensa e poder político num momento em que o jornalismo mundial procurava manter, ao menos na aparência, os preceitos jornalísticos consagrados no caso Watergate. A promiscuidade da imprensa com o poder econômico é ruinosa para ambos. Murdoch vive desta promiscuidade, cresceu graças a ela. É o segredo de seu sucesso empresarial: enquanto os publishers procuravam manter uma aparente decência, o australiano topava qualquer negócio.
O segundo maior acionista da News Corp. depois da família Murdoch é um príncipe saudita que no sábado (16/7) falou à BBC a bordo do seu portentoso iate em nome dos acionistas preocupados com a desvalorização dos seus ativos. O que fizeram esses acionistas nos últimos anos quando o News of The World começou a freqüentar as manchetes na condição de malfeitor? E por que aceitam pagar ao espanhol José Maria Aznar, herdeiro de Franco, 220 mil dólares/ano?
O espelho, além de partido, está embaçado e não apenas no hemisfério Norte. Se os imensos cadernos de economia cobrissem o mundo de negócios com o mínimo de independência, o mega-empresário Abílio Diniz não teria iniciado há dois anos o vexante acordo com o Carrefour que agora foi obrigado a suspender.
A Folha de S.Paulo despediu-se solenemente do seu colunista, o ex-presidente da República e atual presidente do Senado José Sarney, depois de 20 anos de agradável convívio na página mais nobre do jornal. Em algum quality paper do mundo desenvolvido seria concebível manter como colaborador o chefe do Legislativo? Em que difere esta parceria da outra que o premiê inglês David Cameron mantém com a escória do jornalismo mundial?
Murdoch só conseguiu arrasar a credibilidade da instituição jornalística porque os órgãos de controle da concorrência nos EUA e no Reino Unido – encarregados de desativar cartéis e oligopólios – não o impediram de concentrar numa mesma cidade jornais e televisões.
Se Murdoch atuasse no segmento da aviação comercial ou da indústria farmacêutica, mesmo que fosse mais inescrupuloso do que é, não teria chegado aonde chegou. Teve tino, escolheu um ramo onde a impunidade é garantida: a fabricação de espelhos defeituosos.
Alberto Dines
By: Observatório da Imprensa
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Caso Murdoch expõe os bastidores do covil midiático

As revelações do bastidores das empresas do magnata da mídia, Rupert Murdoch, têm sido muito interessantes para desvelar os métodos e padrões éticos das organizações de comunicação.
Há muito tempo que o vale-tudo neste setor tem sido utilizado com o verdadeiro manual das redações. Em nome do interesse do veículo e daqueles que se beneficiarão em nome do veículo, pseudo-jornalistas têm autorização para agir como bestas-feras e destruir reputações.
E não é só na terra da rainha, onde o esgoto está subindo pelos ralos, que a podridão campeia. No Brasil, há casos e mais casos de denúncias baseadas em investigações a partir de métodos criminosos. Afora casos de reportagens inventadas sem sequer uma fonte em on ou qualquer documento que ateste veracidade.
Alguém aí lembra dos dólares cubanos enviados em garrafas de uisque para a campanha de Lula? E das contas bancárias que Lula e Gushikem teriam no exterior?
Aliás, alguém leu um único pedido de desculpas a Luiz Gushiken depois que ele foi absolvido no caso conhecido por mensalão por conta da fragilidade das acusações contra ele?
Mas precisamos sair do terreno das contestações e passar a discutir quais seriam as saídas para isso. E só há uma: a regulação dos meios de comunicação.
O que está longe de ser censura, mas que faz com que muitos atores políticos borrem as botas por conta da pressão que sofrem quando o tema entra em pauta.
E isso não acontece só no Brasil.
O artigo abaixo, de Jonathan Powel, que foi secretário de Tony Blair, é ilustrativo dessa relação mídia x políticos. É importante lê-lo para refletir se o PT daqui não está cometendo (guardadas as devidas proporções) os mesmos erros que o PT (Partido Trabalhista) Britânico.
Partido Trabalhista e a Imprensa: 
“Esta foi uma batalha pelo poder que jamais conseguiríamos vencer”
por Jonathan Powel, que foi secretário do Gabinete de Tony Blair (1997-2007) . Publicado no Guardian, UK, e traduzido para o português pelo pessoal da Vila Vudu (via rede Castor)
Não escrevo para me desculpar pelos esforços que o Novo PT [orig. New Labour] fez para aproximar-se de Rupert Murdoch e de Lord Rothermere em 1994. Passáramos 18 anos na oposição, em parte porque não tínhamos nenhum tipo de cobertura que nos preservasse do massacre diário dos tablóides conservadores. Tentar nos aproximar de pelo menos alguns deles foi estratégia razoável. Políticos só sobrevivem se conseguem fazer-se ouvir pela opinião pública, e tem de ser pela imprensa. Mas aprendêramos bem as lições do tempo em que estivemos na oposição, e, chegados ao governo, nos preocupavam muito os barões da mídia, sobretudo na Europa.
A edição final do News of the World 
vendeu 1,5 milhão de cópias extras.
Gordon Brown decidiu que o “primeiro turno” que tinha de vencer, se quisesse chegar à liderança do PT seria aproximar-se de Murdoch e chegou a tentar usar a boa vontade que então recebia de Murdoch e de Paul Dacre, editor do Daily Mail, como alavanca para tirar Tony Blair do n. 10 da rua Downing. David Cameron seguiu essa escrita, e cultivou assiduamente uma nova geração de Murdochs, mobilizando-os contra o Brown.
Esse tipo de relacionamento entre políticos e a imprensa continuará, aconteça o que acontecer a Murdoch, a menos que se façam mudanças num plano muito mais fundamentalmente importante que o futuro financeiro da empresa News International. Em junho de 2007, Tony Blair fez cuidadoso discurso no qual falou dos problemas e ofereceu soluções. A imprensa desmantelou o discurso, porque a imprensa não tem nenhum interesse em nenhuma discussão séria sobre… a imprensa.
Assumo que nos deixamos apanhar na arapuca da “crítica” que a imprensa nos fez, porque deixamos aquele discurso para muito tarde, quando o mandato de Tony já chegava ao fim. Erramos por medo da vingança da imprensa e por um erro inadmissível nos contatos com a “mídia”: apresentamos a própria “mídia” como besta fera sem escrúpulos. Já deveríamos saber, àquela altura, que os jornalistas, colunistas e “analistas” destacariam a “acusação”, apagariam o resto do discurso e calariam os argumentos que não lhes fossem favoráveis.
No governo, pensamos na possibilidade de tomar passos radicais, para por em novas bases o relacionamento com a imprensa. Em 2002, encomendamos a especialistas um estudo sobre novas regras de conduta para a imprensa, que poderia vir a ser lei; um projeto de lei para impor limites à propriedade de empresa de comunicação. Em discurso de 2006, a Rainha introduziu reflexões sobre algumas daquelas medidas. Mas recuamos, nas duas ocasiões, por causa do massacre incansável que sabíamos que aquelas medidas enfrentariam na imprensa. E não podíamos confiar no apoio da oposição (sequer podíamos confiar no apoio dos nossos!) por causa dos desesperados elogios que Gordon fazia a Dacre e Murdoch. No final, entendemos que era uma guerra pelo poder e que não tínhamos meios para vencê-la.
A raiz do problema é a impermeabilidade da imprensa a qualquer controle. E a total impunibilidade. A razão pela qual os jornais de Murdoch e outros podem invadir contas bancárias, plantar jornalistas seus empregados em todos os cantos do governo, de onde podem roubar documentos, vasculhar latas de lixo e agendas pessoais de políticos e celebridades em geral e interceptar telefones de cidadãos comuns é porque nada lhes acontece e há uma ideologia de legitimação desses atos (os jornalistas estariam ‘fiscalizando’ o poder). Costumávamos perguntar aos jornalistas dos jornais dominicais, por que haviam publicado matéria que sabiam ser forjadas. Eles riam e respondiam que “era uma grande matéria”. Quando, depois, se comprovasse que a matéria fora forjada, nada aconteceria nem ao jornalista nem a empresa que o emprega: já haveria outras notícias, o mundo anda, ninguém seria punido. Uma ou outra condenação judicial de jornais ou jornalistas vira tabu, que nenhum jornal publica.
Dacre diz que, diariamente, é julgado pelos leitores. Bobagem. Quase dois milhões de pessoas compraram o News of the World depois de o jornal já estar exposto pela prática de vários crimes, como se fosse edição “normal” do jornal do domingo a que estavam habituados.
A Comissão de Autorregulação da Imprensa, fundada pelos barões da imprensa e presidida pelo próprio Dacre e outros editores, já comprovou que é incapaz de manter qualquer tipo de fiscalização dos crimes que a própria imprensa comete. Assim sendo, por que não examinamos soluções encontradas em outros países? A resposta automática é que queremos preservar nossa tradição de imprensa livre. Mas a Alemanha criou leis que asseguram pleno direito de resposta. Alguma imprensa ficou menos livre, por algum caluniado ter-se defendido? As televisões seriam talvez menos livres, se fossem fiscalizadas e cobradas quando não fossem imparciais? Países nos quais se respeitam as leis que protegem a privacidade dos cidadãos seriam por acaso menos democráticos? Claro que não.
Em todas as ditaduras, a imprensa é controlada pelo favor do ditador: só o próprio ditador e seus amigos oligarcas podem ser proprietários de empresas de comunicação. Ou assassinam-se jornalistas independentes. Nenhuma ditadura controla a imprensa por leis aprovadas democraticamente. A própria ditadura controla a imprensa. É exatamente o mesmo mecanismo que se vê em países ‘livres’!
Será que o juiz Levenson, que presidirá o inquérito do escândalo Murdoch terá coragem para sugerir as medidas que tornarão a imprensa britânica mais transparente ao controle social? Não, se, antes, conversar com Brian Hutton.
Lord Hutton supunha que tivesse sido chamado a presidir inquérito sobre a morte de David Kelly como juiz imparcial. Analisou as provas, ouviu as testemunhas e chegou a sentença justa. Foi quando a imprensa, que até ali o elogiara pela condução equilibrada do inquérito, não gostou da sentença. E a imprensa virou-se contra ele. Foi pessoalmente atacado, foi acusado de ter julgado movido por instinto de vingança. Depois daquele inquérito, nunca mais nenhum juiz atreveu-se a condenar ou absolver quem a imprensa não quisesse ver absolvido ou condenado.
Já houve inúmeras comissões nomeadas pela Rainha e grupos de exame da imprensa na Grã-Bretanha, mas nenhuma conseguiu alterar a equação básica. Duvido que batalhas pelo poder político possam ser decididas em inquéritos ou em relatórios de comissões de notáveis, por melhores que sejam.
Ainda que o inquérito não nos traga qualquer resposta, é possível que alguma solução apareça bem antes do que esperam os barões da imprensa. Pode vir das novas tecnologias. Na internet, o jornalismo impresso e a televisão estão-se misturando, Os jornais online são fartos de conteúdos em vídeo. Na Grã-Bretanha, as televisões online não são reguladas. O jornal BBC News online já é o jornal mais lido do país. Novas fontes de informação, híbridas, ganham cada vez mais leitores entre os mais jovens. Na medida em que cresça essa convergência, cada vez menos sentido haverá em dois sistemas de regulação.
O mais provável é que o advento do blogueiro, muito mais que alguma condenação (ou absolvição) de Murdoch, consiga pôr fim à suja mistura em que vivemos hoje, de política e barões da imprensa.
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