17 de jul de 2011

São Paulo: Blogueira vítima de violência

Há quase um ano e meio, a cidadã paulistana que edita e escreve o blog Abra a Boca, Cidadão! vem sofrendo violência de gênero, moral, psicológica e patrimonial, tendo escapado de duas tentativas de atentado (sequestro? assassinato?).
Tais crimes, mencionados aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e aqui, são promovidos, ao que tudo indica, por resto de família da blogueira, comandado por psicopata estelionatária, com apoio de advogadas e agentes públicos. Não por coincidência, a partir de abril, quando começou a relatar tais violências nos posts citados, casal de inquilinos da cidadã-blogueira passou a hostilizar, constranger e até ameaçar de morte a blogueira e seus dois animais de estimação. Hoje o referido casal resolveu concretizar suas ameaças, quebrando vidraças, arrancando varais, retirando a pontapés obstáculos que a blogueira colocou diante de sua porta, tentando invadir a casa da blogueira, ameaçando-a novamente de agressão física e morte. A desfaçatez dos delinquentes é tamanha, que mesmo com a atuação de aguerrida advogada em defesa da cidadã-blogueira, esta continua a viver praticamente sitiada, tendo sua dignidade de pessoa humana e seus direitos de cidadania violados. É nestas condições que este blog vai ao ar todos os dias. Na maior cidade brasileira. Na cidade de São Paulo.
A blogueira pede intervenção e providências urgentes da Secretaria Estadual da Segurança Pública, da 5a. Delegacia da Mulher, onde há quase 20 dias foi protocolada Representação Criminal contra o casal, e da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República.
Violência contra a mulher é VIOLAÇÃO DE DIREITOS HUMANOS DAS MULHERES.
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Melina Mercouri

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Portal do Extra/Globo exibe "Ordem judicial"

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Crise italiana leva Vaticano a aumentar dízimo para 15%

O diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antonio Pagot, prestou consultoria para o Sumo Pontífice. "Ensinei para eles o milagre da multiplicação das receitas", disse Pagot.
ROMA - Pontífices da Igreja Católica anunciaram um pacote de medidas para enfrentar a crise financeira que ronda a Itália e ameaça se espalhar por toda a Europa. "Em tempos turbulentos, Moisés abriu o mar vermelho e Jesus multiplicou os pães. Em conformidade com a tradição na Boa Nova, Bento 16 operou o milagre de aumentar o dízimo para 15%", disse o memorando oficial distribuído para as agências de notícias.
A novidade repercutiu imediatamente no Brasil. A TV Record suspendeu o plano de corte de custos e operou a multiplicação dos contracheques. "Até o final do ano, a Oprah apresentará o programa de domingo junto com o Gugu, Brad Pitt estreará na novela Vidas em Jogo e traremos Jim Carey para salvar o programa Legendários", explicou o diretor de programação, Salomão Mateus Messias.
No campo político, o PR, empresa coligada à Record, comemorou o número recorde de adesões que, em poucas horas, dobraram o tamanho do partido. "Todo mundo que foi para o PSD do Kassab veio para cá. Em breve, conseguiremos operar o verdadeiro milagre de ter mais parlamentares do que o PMDB", agradeceu Anthony Garotinho.
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Berlusconi cai; Itália afunda na crise

Na quinta-feira à noite, o fascistóide Silvio Berlusconi, primeiro-ministro da Itália, caiu no chuveiro, bateu a cabeça e sofreu um “pequeno traumatismo craniano”, segundo informou seu médico pessoal, Alberto Zangrillo, à agência de notícias Efe. “Depois da queda realizamos um exame traumatológico para avaliar a inflamação, que sempre ocorre depois de um traumatismo, mas Berlusconi está bem e apenas tomou analgésicos”.
A notícia é engraçada, mas bem que poderia ser melhor para os italianos. Berlusconi poderia ter caído, de fato, do poder, deixado o governo. Este anseio, porém, não está distante da realidade. O parlamento italiano, que aprovou nesta semana um pacote de maldades contra o povo – redução dos impostos dos ricaços, corte dos gastos sociais, demissão de servidores e congelamento dos salários –, chegou a discutir o fim do mandato do primeiro-ministro.
Orgias, corrupção e colapso econômico
O fanfarrão vive seu pior momento político. No mês passado, seu nível de popularidade despencou nas pesquisas e a coalizão direitista que o apóia foi derrotada nas eleições locais em maio e junho. A sua traumática queda – a real, não a do banheiro – decorre das constantes denúncias de corrupção e orgias nababescas, inclusive com menores de idade. “A Itália não é um bordel”, gritam os manifestantes em protestos quase diários nas ruas.
Seu declínio também se acelerou com o agravamento da crise econômica no país. Na semana passada, as manchetes da imprensa européia apontaram a Itália como “a bola da vez” do colapso financeiro. A crise derrubou as ações dos maiores conglomerados do país. Terceira maior economia da zona do euro e uma das sete maiores do mundo, a Itália pode quebrar e afundar de vez toda a Europa, que agoniza há vários anos.
Itália empurrada para o buraco
Sua dívida pública é superior a 120% do Produto Interno Bruto (PIB). Na Europa, ela só é menor, proporcionalmente, a da Grécia (acima de 150% do PIB). Totalmente fragilizada pela desregulamentação neoliberal, a nação é vítima da especulação financeira. O “pacote de maldades” apresentado pelo governo Berlusconi visa exatamente salvar os banqueiros e jogar o peso da crise econômica nas costas dos trabalhadores. Mas ninguém acredita no seu êxito!
O “pequeno traumatismo craniano” sofrido por Berlusconi no banheiro pode virar um baita trauma. Ninguém mais se entende no seu gabinete. O bravateiro até ameaçou demitir seu ministro das Finanças, Guido Tremonti. “Se eu cair, a Itália cairá. Se a Itália cair, cairá também o euro. É uma cadeia”, retrucou o ministro. Enquanto isto, a crise se agrava e a mídia rentista se desespera: “Se a Itália for empurrada para o buraco, a crise mudará de patamar e o mundo estará diante de um problema de proporções incomuns”, alertou o editorial do Estadão.
Altamiro Borges
By: Blog do Miro
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BJ-Thomas

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Diniz agora quer fusão de Pão de Açúcar com Corcovado

Comovido, Sérgio Cabral prometeu fundir todas as favelas até 2014
BAR URCA - Irritado com o fracasso da sua venda para o Carrefour, o empresário Abílio Diniz resolveu consolidar sua presença no Rio de Janeiro e anunciou a fusão do Pão de Açúcar com o Corcovado. "Para não dar sopa ao azar, emprestei minha cobertura no Leblon para o Sérgio Cabral fazer um churrasco no final de semana", anunciou.
Dono da Lagoa Rodrigo de Freitas, da Baía de Guanabara e do bairro da Glória, o empresário Eike Batista disse não temer a concorrência. "Ainda há muitos ativos disponíveis, como a Pedra da Gávea, a orla, a Petrobrás e a Globo", explicou. "E entre os passivos disponíveis temos o Eduardo Paes"
Após aplaudirem o pôr do sol no Arpoador, atores globais misturaram-se a populares para abraçar o Projac. Susana Vieira expôs os seios, enquanto Regina Duarte dizia ter "medo de andar de bondinho". Arnaldo Jabor, em transe, girava com os braços abertos repetindo "o Rio em que eu vivi era apenas do Sérgio Dourado".
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Bordaberry, 83, morre em casa. Preso


Ex-ditador uruguaio Juan Maria Bordaberry
deu um golpe de Estado e implantou a ditadura 

no país em 1973
O filho de Juan Maria Bordaberry informou neste domingo que o ex-ditador uruguaio morreu aos 83 anos. O senador Pedro Bordaberry explicou que seu pai faleceu em casa, onde cumpria uma sentença de 30 anos por assassinatos e desaparecimentos durante a guerra do Uruguai contra os esquerdistas.
Eleito em 1971, Bordaberry era um rico proprietário de terras conservador que rompeu com a democracia ao realizar um golpe em 27 de junho de 1973 com o apoio do Exército. Ele suspendeu a Constituição, proibiu partidos políticos, ordenou que tanques cercassem o Congresso. Ele governou por três anos através de decreto até que foi derrubado em 1976 por generais que acabaram liderando uma ditadura de direita até 1985.
By: Agência Estado
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Drag queen é barrada em shopping de São Paulo

As roupas dizem muito sobre quem as veste. Essa máxima todo fashionista ou quem entende os códigos de moda sabe muito bem. O vestuário indica a classe social, a sua tribo urbana, falam sobre gênero e também sobre individualidades.
Dominar essas regras é a melhor maneira para poder questionar, quebrar ou enfatizar imagens. As drags queens fazem isso todo o momento, ao enfatizar o quanto é caricato pensar a roupa como identificação de gênero e, em sua radicalidade - como uma espécie de clown/bobo da corte -, a fragilidade e o ridículo da crença desses códigos como imutáveis.
Talvez por medo dessas questões que um segurança de um shopping center em São Paulo, famoso pela forte presença de homossexuais em seus corredores, resolveu impedir que uma drag circulasse na praça de alimentação do edifício devido aos seus trajes - abusada foi de Mulher Maravilha.
Só que ele não sabia que estava mexendo com Cindy Butterfly, militante e colunista do site gay A Capa que o questionou. Quando ela disse a palavra mágica: “eu sou da imprensa”, tudo mudou segundo seu relato.
Leia abaixo o que Cindy escreveu sobre o ocorrido. O Blogay entrou em contato com a administração e a assessoria do shopping para obter alguma declaração do estabelecimento e foi informado que só na segunda-feira, 18, em horário comercial, eles poderiam dar alguma posição sobre o ocorrido
Sábado, dia 16 de julho, fui cobrir um evento de moda no Salão de Convenções do Shopping Frei Caneca (inclusive, patrocinado pelo próprio shopping).
Numa grande homenagem às mulheres, me vesti de Mulher Maravilha e fui fazer o meu trabalho. Entrando no shopping, já no piso da praça de alimentação, um segurança me abordou e disse que eu não poderia ficar no shopping com aqueles trajes.
Indignada, pois estava fazendo meu trabalho (e não tenho culpa que o Salão de Convenções é dentro do referido shopping, o mesmo que já criou polêmica por conta de beijo gay e segurança na porta dos banheiros masculinos), questionei o porquê. Ele simplesmente disse que eram normas do estabelecimento. O curioso foi que bastou eu falar que era repórter e estava fazendo uma matéria que tudo mudou. Ainda assim, eles ficaram seguindo eu e meu câmera como se fossemos, sei lá, bandidos???
Resolvi gravar este vídeo, já em casa, pois achei a atitude um verdadeiro absurdo e me sinto na obrigação de falar o que aconteceu, afinal, aquele shopping sobrevive do aqué [ significa dinheiro , no pajubá] das gays que o frequentam.
Vitor Angelo
By: Blogay
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Por que Eva comeu a maçã

No início, Eva não queria comer a maçã.
- Come! - disse a serpente - E serás como os anjos!
- Não! - respondeu Eva, virando o rosto para o lado.
- Terás o conhecimento do Bem e do Mal! - insistiu a víbora.
Eva cruzou os braços, olhou para a serpente e respondeu firme:
- Não!
- Serás imortal!
- Não! Já disse!
- Serás como Deus!
- NÃO e NÃO! Já disse que NÃO!
Irritadíssima, a serpente já estava desesperada e não sabia mais o que fazer para que aquela mulher, de princípios tão rígidos e personalidade tão forte, comesse a maçã. Até que teve uma ideia, já que nenhum dos argumentos havia funcionado. Ofereceu novamente a fruta e disse com um sorrisinho maroto:
- Come, boba!! EMAGRECE!!
FOI TIRO E QUEDA!
By: Tudo que eu quiser postar
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Isaac Hayes

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Paraguai elimina o Brasil na decisão por pênaltis

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Urariano Mota: Conversando com Ariano Suassuna

Esta entrevista se frustrou em 1989. Anotada um ano depois, em 1990.
Conversando, Ariano Suassuna nada tem de ariano. Conversando, Ariano é um brasileiro mestiço. Conversando, a sua referência passa ao largo das antiqüíssimas gentes do tempo dos vários Afonsos e de Dom Sebastião. Conversando, a referência de Ariano é coisa mais recente, tão recente que talvez seja moderna, e de um recente tão plebeu, que talvez seja inconveniente lembrar tal referência a um acadêmico: tudo o que Chico Anysio, Lima Duarte e Rolando Boldrin tentam fazer na televisão, conversando, há muito Ariano vem fazendo: ele é um humorista narrador de casos, ajeitados à feição de vivíssimos causos. Ele é um showman sem smoking, metido em roupa de caroá, ou em calça e camisa de brim cáqui.
Um dia chegamos para entrevistá-lo, ao fim do horário de suas aulas na universidade. Isso foi há mais de quinze anos. Ele foi logo dizendo que tinha desistido da entrevista, acertada antes. Sentamo-nos então em um banco de pedra, no pátio da Escola de Artes.
- Não, não adianta. Eu não sou mais menino. Falo com pureza d’alma. Falo com o coração na mão: essa entrevista não pode mais sair.
E como a entrevista não mais podia sair, sem gravador, Ariano deu início a uma conversa de quase duas horas. Cruzando as pernas no brim cáqui.
- Gorbachov é um negócio interessante. Eu sempre sonhei com o dia em que o cristianismo entrasse na União Soviética. Aí, chega uma repórter agora e me pergunta sobre a abertura na União Soviética. Ela pensava que eu era favorável. É que as pessoas pensam que como a gente está ficando velho, pensam que além de velho eu estou ficando reacionário. Eu respondi: “minha filha, eu queria um novo socialismo, não era a volta do capitalismo não”. Esse Gorbachov está fazendo o tempo voltar para trás. Não é?
- É um negócio danado. Antes de 64 eu tinha uns pegas com os comunistas aqui na universidade. Mas era um pega cultural, de ideias. Eles pegando a estética pela economia, e eu pegando a estética sem muita economia. Era mais ou menos isso. Então vem o golpe militar. Mas eu tinha amigos comunistas, um até bom ator, trabalhou numa peça minha, eu tinha a maior afeição. Então a minha casa virou abrigo para alguns desses amigos. A polícia não iria nunca procurar esses perigosos vermelhos em minha casa, não é? Aí vejam que coisa interessante acontece. Eu já estava com um comunista escondido lá em casa, quando me aparece mais um, querendo se esconder. Então ficou o primeiro vermelho, por trás do segundo, a fazer sinal para que eu não aceitasse mais um comunista em minha casa...
- Pois foi esse mesmo, o primeiro, que me deu uma lição, temerária, sobre os riscos e forma de viver. Houve um dia em que prenderam a mulher dele. Danou-se, eu me disse. Eu fiquei meio preocupado. Eu fiquei acabrunhado. Aí ele chegou pra mim: “Está com medo, Ariano?”. Vejam só a minha situação. Eu na minha casa, e sem poder ficar com medo. Ele me pegou nos brios. Aí eu me lembrei do que minha gente dizia, lá na Paraíba. E respondi: “Meu amigo, eu não conheço ninguém muciço” (macizo). Não é? Pois ele nem com essa resposta se abalou. Virou-se pra mim e disse: “Pois para mim, a morte é apenas um pequeníssimo incidente na roda da história”. Eu fiquei assim... danou-se. O que pra mim era a coisa mais importante, a minha própria morte, na roda histórica era nada. Não é danado?
Aí, a essa altura, a gente não sabe se Ariano Suassuna criou o seu personagem, ele próprio, Ariano, ou se o seu personagem criou o narrador de auditório, Ariano. Conversando, ou melhor, somente ele falando, parece que conversa, porque ele narra de um modo que nos mergulha no meio da sua narração. Ele gera a ilusão da conversa pela comunhão, até mesmo pela cumplicidade, com os fatos narrados.
Ariano, “conversando”, é ator de picadeiro sem trejeitos ou caretas, que substitui pelos movimentos da voz, pelas inflexões na fala, pela escolha de palavras chãs, pelo rasgo de olhos pícaros que nos fitam, acompanhando o efeito das armadilhas que lança. Ele narra nesse ator – ele próprio - pela ambientação que situa uma ambientação absolutamente econômica de cenários, cenários só personagens, e, o que reforça a ilusão de conversa, ele aparenta ser também ouvinte, quando na verdade faz pausas de radar, para ver como se refletiram aqueles sinais que lançou.
- Eu tenho muita simpatia pelo mentiroso...
Refletimos um sinal, porque comentamos, rápido: “García Márquez disse uma vez que todo escritor é um grande mentiroso”. O radar pega o reflexo de volta, ainda mais rápido:
- ...É? Eu não conhecia isso. É interessante... Pois eu tenho a maior simpatia pelo mentiroso. Eu tenho pelo seguinte: o homem que é mentiroso por vocação é um inconformado. Ele é um inconformado com o que o cotidiano não deixa acontecer. Eu acho que ele dá vazão a uma verdade que às vezes é só dele, que muita gente não viu. Eu acho que foi isso o que García Márquez quis dizer, não foi?
A platéia consente. A “conversa” se estabelece.
- Em Taperoá tinha um mentiroso que era meio violento. Ele viu uma vez um sujeito morrer com uma facada. Olhe, um mentiroso ver um sujeito morrer, e de facada, já é dose demais pra sua imaginação. Ele viu e depois começou a contar do jeito dele, na feira da cidade, e começou a juntar gente. E ele solto no meio do povo. O defunto já havia morrido duas vezes, levado oito, nove facadas, já havia derramado sangue por três homens, e o povo atento, pra ver aonde ia parar o rio de sangue. A cada pergunta ele respondia com mais uma coisa, um detalhe, cada pergunta era uma deixa para o mentiroso variar. Mas pra desgraça dele apareceu uma testemunha do crime. Aí a testemunha interrompeu o contador da história e lhe disse: “Olhe, não foi bem assim não. O homem morreu foi com uma facada, de uma só vez”. Aí o contador da história se voltou. Vejam só que lição, que negócio interessante. O contador virou-se com raiva e disse: “Você tinha nada que me desmentir? Você tinha nada que estragar a minha história no meio do povo? Me digam uma coisa”, aí ele já falou para as pessoas em volta, “me digam uma coisa: do jeito que estava a minha mentira, do jeito que eu contava, não era mais bonito que essa verdade de uma facada só?”. E o povo concordou com o mentiroso. Não é? A mentira dele tinha mais beleza.
Não é? Essa verdade, digamos, essa reflexão moral, expressa num ato de gente de cara e dente, é função do artista, de artista. É do ofício. Em lugar de uma dissertação, uma ação. Em lugar de uma discussão filosófica, um movimento de gente. Gente com idéias, com conceitos, ainda que analfabeta, pasmem os equívocos. E mostrar gente sem instrução formal, expressando à sua maneira idéias civilizadas, é escolha de um só fio. Daí, duas ou três coisas: 1 – Em Ariano mesmo, conversando, existe essa contradição do complexo, o pensamento mais elaborado, e da formulação desse complexo em língua que se ouve na cozinha da nossa casa. Seria, para ele mesmo, motivo e nome para mais uma peça do gênero farsa, algo como “o raso falso”, ou “o raso e o profundo”. 2 – Daí que Ariano tenha se dado mal em liderar, gerar movimentos com idéias, alucinações, que estavam transformadas, bem situadas no teatro de Ariano Suassuna. Um criador não cria um movimento coletivo, mas um movimento faz avultar e cria seus criadores. 3 – Na eleição dos personagens da terra nordestina, nessa escolha só fia quem chegou a este ponto por uma cultura que não é só da terra.
- A minha revelação como autor de teatro foi García Lorca. Quando eu li García Lorca pela primeira vez, eu descobri o meu caminho como autor. Me deu um baque. Não é que eu fosse fazer o que Lorca fez – disso eu já sabia. Mas o teatro de Lorca, aquele universo, tinha coisas que eu sentia como uma coisa que eu conhecia – vejam vocês, um autor espanhol, com um acento trágico, revelando o meu caminho de autor do Nordeste do Brasil. Havia coisas parecidas comigo. Então eu me disse, “é isso !”. Depois vieram outros autores, outras influências, não é? E a roda da história girando.
- Quem me deu Lorca para ler foi Hermilo Borba Filho. Hermilo foi uma espécie de guru, para mim e para a minha geração. O Teatro do Estudante, os meus primeiros trabalhos, têm muito a ver com essa relação muito rica que eu possuía com Hermilo. Eu devo muito a Hermilo.
Fora de tempo e oportunidade, sem acompanhar os sinais do radar, nós lhe perguntamos sobre o Movimento Armorial, sobre a monarquia... Ariano abre os braços, queixa-se de cansaço. A noitinha vem chegando ao campus. Por razões inesperadas, o que para um repórter é aquilo que não faz parte da agenda, não percebemos que a negação da entrevista era uma negação mentirosa. Naquela hora, naquele instante, não notamos, pois que voltávamos para casa com uma dupla frustração, burros duas vezes: o famoso criador, o mito Ariano Suassuna era muito, muito simples, vale dizer, quase um homem sem importância; a entrevista, que ele nos concedera como uma palestra, sentado em um banco de pedra, sem gravador, era como se não houvesse acontecido. Muitos anos depois, acordamos.
O raso era profundo. Caímos na conversa de Ariano.
By: Vermelho
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"Não existe país que esteja acima do bem e do mal", diz Patriota

Brasil, Índia e África do Sul estão negociando ”uma gestão diplomática” junto ao governo Sírio; se houver moção pró-independência palestina, o Brasil votará a favor
Entrevista Antonio Patriota
Em um mundo multipolar, com mais potências emergentes e em fase de realinhamento, não há países acima do bem e do mal. Os direitos humanos não podem ser tratados como uma política em que o grito maior é de quem tem mais força. Essas são sínteses da visão do mundo atual e da ação da diplomacia brasileira feitas pelo chanceler Antonio de Aguiar Patriota em entrevista, quinta-feira, ao Estado. A seguir, os principais trechos da entrevista:
Seu pai, o jornalista e também diplomata Antonio Patriota, hoje com 94 anos, aconselha os filhos a “não dizer tolices, porque a tolice complica”. Quanto vale esse conselho?
O uso adequado das palavras, tanto oralmente quanto por escrito, é uma das atividades principais da diplomacia, um instrumento de trabalho.
O sr. nunca foi traído pelas palavras?
A gente vai adquirindo experiência com as palavras. E o diplomata tem de ter essa experiência em muitas línguas, atentar muito para a tradução correta de expressões. Um grande chanceler, talvez um dos maiores da diplomacia contemporânea, que é o Serguei Lavrov, da Rússia, quando faz seus discursos em russo, no Conselho de Segurança, fica com a tradução em inglês no ouvido. De vez em quando, ele para e corrige o tradutor. Isso demonstra bem a importância das palavras. A diplomacia trata de guerra e de paz (aponta para os painéis de Portinari no gabinete). Uma palavra que leve a uma interpretação equivocada é um problema diplomático.
O sr. diz que não vai promover nenhuma reviravolta na diplomacia, que haverá continuidade com ajustes em “nuances, ênfases e desafios”. Só isso?
O que este governo se propõe a fazer na área diplomática tem, em grande medida, a ver com a consolidação de um trabalho do que vem sendo feito há mais tempo. Hoje, temos as ênfases com base em valores, o que tem a ver com a valorização da democracia, a diminuição da desigualdade, o pleno exercício dos direitos humanos de uma maneira não politizada, não seletiva. Temos a ênfase na resistência ao uso da força quando a busca das soluções diplomáticas ainda não esgotou seu curso.
Na questão dos direitos humanos, o governo Lula era seletivo. A presidente Dilma criou uma demarcação nova nesse campo, não?
Os avanços do Brasil com relação aos direitos humanos têm muito a ver com a situação doméstica. O governo Lula operou alguns saltos importantes, num aspecto que eu acho que entra em direitos humanos: combate à pobreza num ritmo mais acelerado. Mas o Alto Comissariado das Nações Unidas para Direitos Humanos reconhece que o Brasil foi um dos países que melhor aproveitou – e isso vem de antes do governo Lula – a Conferência de Durban (2001, na África do Sul) sobre racismo para se organizar e implementar ideias no plano nacional. Mas ainda permanecem desafios importantes: a situação carcerária, a violência urbana, os direitos das mulheres, mais educação, etc.
Mas há problemas de outra natureza. Países onde se pode falar e onde não se pode falar nada.
Existe uma polarização muito grande nesse debate. Não é aceitável a ideia de que violação de direitos humanos só acontece em país pobre. Historicamente, algumas das violações mais graves, e em escala assustadora, foram cometidas por países altamente desenvolvidos e militarizados. Às vezes, há uma distorção: a delegação de um país (em uma reunião do Conselho de Direitos Humanos, em Genebra) está preocupada com a opinião pública doméstica e quer mostrar que condenou certos acontecimentos de maneira muito veemente. Mas essa condenação vai levar a uma melhora da situação de direitos humanos naquele país? Não necessariamente. A condenação em si mesma pode gerar uma indignação que, em decorrência, produza algum progresso. Mas também pode não gerar nada. Queremos que as manifestações das agências da ONU produzam maior liberdade de expressão onde ela não existe. Aí, um pequeno passo já será um grande progresso. Somos a favor do sistema equilibrado da ONU, para tratar de situações no mundo inteiro. E quando tratamos desse tema não existe país que esteja acima do bem e do mal.
No que o Brasil ajuda quando deixa de votar uma condenação no Conselho de Segurança ou no Conselho de Direitos Humanos?
São situações diferentes. Quando você está lidando com segurança coletiva, que é o que a ONU faz, essa é a decisão mais grave que um país pode tomar: o recurso à coerção ou não. Na desestabilização em grande escala, quem ela prejudica mais? Geralmente o mais pobre, o mais vulnerável. Então, eu costumo dizer: assim como o credo do médico é não piorar a doença do seu paciente, eu acho que a responsabilidade do diplomata em termos de paz e segurança é não agravar ou tornar ainda mais instável uma situação. Às vezes a abstenção é uma maneira de sinalizar “olha, atenção”. É um sinal amarelo. Por exemplo, a Resolução 1.973 (uso da força militar na Líbia). Três meses depois da 1.973 o nível de violência na Líbia diminuiu? Não. Na quarta-feira, ouvi do conselheiro nacional de segurança dos Estados Unidos, em Washington, que não há solução militar para a Líbia.
A sua impressão é que a situação Líbia está mais perto de uma solução?
Está começando a convergir para um ambiente propício a um encaminhamento que terá de envolver um cessar-fogo, um monitoramento de um cessar-fogo.
Já a situação da Síria?
A Síria está em outro estágio. Ajuda contrastar um pouco com a Líbia, onde havia um consenso dentro da Liga Árabe. A Liga suspendeu a Líbia, votou a favor das resoluções dentro do Conselho de Direitos Humanos, apoiou a criação da zona de exclusão aérea. Não existe um consenso entre os árabes sobre a situação da Síria. Existe, por exemplo, a percepção, em alguns lugares, de que as alternativas ao governo Assad podem ser mais problemáticas em relação às minorias. Existem os alauitas, os cristãos.Aliás, quase todos os que têm dupla nacionalidade brasileiro-síria são cristãos, Então, essa é uma preocupação brasileira. A Síria tem um potencial desestabilizador grande, em uma região que é da mais alta volatilidade.
E o Brasil…
O Brasil conversa com todos os lados da situação. Agora, aproveito para anunciar, estamos pensando em fazer uma gestão diplomática. Uma gestão de Brasil, Índia e África do Sul junto às autoridades sírias, para reafirmar a inaceitabilidade desse elevado número de mortos e feridos e da violência. Indo, talvez, um pouco mais longe do que os países ocidentais iriam, de dar pleno curso àquilo que eles próprios anunciaram que queriam fazer. Dar um voto maior de confiança a esse desejo de o governo Assad promover reformas políticas, da reforma da lei eleitoral.
Qual será a posição brasileira, se a Autoridade Palestina levar mesmo à abertura da Assembleia-Geral da ONU, em setembro, uma proposta de independência, a contragosto de Israel e EUA?
No ano passado, o Brasil reconheceu o Estado Palestino nas fronteiras de 1967. No quarteto, que cuida do caso palestino-israelense (secretário-geral da ONU, EUA, Rússia e UE) tem havido muito pouco avanço. Nesse caso, não nos surpreende que as autoridades palestinas busquem se fortalecer perante a comunidade internacional. E é isso que representaria uma moção (pela independência) na Assembleia-Geral. O Brasil, uma vez que já reconhecemos o Estado Palestino, não terá dificuldades de votar a favor de uma moção na Assembleia-Geral ou no Conselho de Segurança. Nós consideramos que é apenas o justo reconhecimento de algo que estava desde o início no projeto de criação de dois Estados no Oriente Médio.
Quando falamos em reforma da ONU o que é realmente essencial mudar?
O processo de reforma da ONU vem acontecendo, já ocorreram mudanças muito significativas depois do fim da Guerra Fria. Por exemplo, foi criado o Conselho de Direitos Humanos. Mas se vocês me perguntam o que falta em essência eu diria que o que falta é reformar a composição do Conselho de Segurança. Há um consenso de que o mundo está mais multipolar, de que há potências emergentes, que o poder está em fase de realinhamento. Mas o conselho está se tornando anacrônico. Isso é preocupante porque, se o conselho se tornar anacrônico durante muito tempo, países e, talvez, regiões inteiras deixem de respeitar suas decisões.
Se o quadro é tão racional e claro, qual é o nó que amarra essa situação?
Na verdade são alguns nós. Mas o essencial, em um esforço de simplificação, eu diria que se houvesse um consenso entre os cinco membros permanentes (EUA, Rússia, China, França e Reino Unido), provavelmente a reforma se resolveria dentro de um prazo curto.
O sr. não quer nominar o mais reticente dos cinco?
O mais reticente dos cinco, neste momento, é a China. Não há dificuldade em nominar, pois isso é público. Mas até pouco tempo atrás os EUA eram muito reticentes. A China não é contra a reforma em si, mas resiste ao aumento do número de países com poder de veto. Os EUA sinalizam que estão preparados para contemplar seriamente uma reforma. E eu acredito que a China também evoluirá no seu pensamento, talvez quando se chegue mais próximo de uma decisão efetiva.
Rui Nogueira e Lisandra Paraguassu
By: O Estado de S.Paulo
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Chefe da polícia de Londres renuncia por vínculo com Murdoch

Comissário-chefe da polícia londrina, Paul Stephenson, renunciou por vínculos com ex-editor de tabloide
O chefe da Polícia Metropolitana de Londres, Paul Stephenson, renunciou neste domingo, após denúncias de que tinha ligação direta com um ex-editor do tabloide "News of the World", do magnata da mídia Rupert Murdoch, suspeito de ter pago propina a policiais em troca de informação.
O comissário-chefe foi duramente criticado nos últimos dias por sua ligação com o ex-editor do "News of the World" Neil Wallis, preso nesta semana em meio às investigações do escândalo.
Stephenson teria contratado Wallis como consultor de relações públicas da polícia por um ano, até setembro de 2010. Wallis trabalhou como editor adjunto do tabloide em 2003 junto com o ex-diretor Andy Coulson antes de ser nomeado diretor executivo em 2007.
Em uma declaração pública, Stephenson defendeu suas ações e diz que seus encontros com Wallis, a quem conheceu em 2006, são de registro público. Disse ainda que a relação foi mantida apenas "por propósitos profissionais".
Ele nega ainda que tenha exercido qualquer papel na contratação de Wallis pela polícia londrina.
"Eu ouvi críticas de que nós deveríamos ter suspeitado do suposto envolvimento de Wallis nas escutas telefônicas. Deixe-me dizer inequivocamente que eu não tinha razão alguma para fazê-lo. Eu não ocupava uma posição no mundo do jornalismo. Eu não sabia da extensão desta prática desgraçada e da repugnante natureza da seleção de vítimas que está emergindo agora e nem de seu aparente alcance a níveis altos".
Ele defendeu seu comportamento no cargo e explicou que sua renúncia visa a evitar prejuízos para a ampla investigação policial sobre os grampos e escutas ilegais feitos pelo tabloide britânico, além das denúncias de suborno.
"Eu tomei esta decisão como consequência da especulação e das acusações em andamento em relação com as ligações da Met (Polícia Metropolitana) com a News International em um nível graduado, e em particular em relação com Neil Wallis", disse Stephenson.
"Não é hora de especulação. Mesmo uma pequena especulação sobre meu envolvimento é prejudicial [à investigação]", disse Stephenson, acrescentando que recebeu apoio do governo e que sentirá falta de "muitas coisas".
Neste domingo, alguns meios britânicos publicaram que Stephenson passou cinco semanas em um balneário de luxo e a conta teria sido paga por um jornalista.
A polícia afirma que a fatura foi paga pelo gerente do local, mas não explicou o motivo do generoso presente.
Stephenson reagiu ainda à critica de que a polícia não investigou a fundo as denúncias de grampo da primeira vez que surgiram, em 2006.
Com o agravamento da crise, diante de denúncias de que as escutas ilegais tiveram como alvo também vítimas de crime, familiares de soldados mortos em guerra e até mesmo um primo do brasileiro Jean Charles de Menezes, especula-se que Stephenson e outros trabalhavam para evitar que os grampos fossem investigados a fundo.
"Eu não tinha conhecimento ou envolvimento na investigação original dos grampos em 2006, que levaram de maneira bem sucedida à condenação e prisão de dois homens. Eu não tinha razão para acreditar que foi qualquer coisa que não uma investigação bem sucedida. Eu não sabia que havia quaisquer outros documentos em nossa posse da natureza que surgiram agora", disse.
Escândalo
Há anos há denúncias e relatos de que repórteres do tabloide acessaram ilegalmente mensagens de telefones de políticos, celebridades e membros da família real para obter informações exclusivas.
Nas últimas semanas, o escândalo ganhou novas proporções com denúncias de que vítimas de crimes e até familiares de soldados mortos nas guerras do Afeganistão e Iraque foram grampeados. Há ainda relatos de que o tabloide teria pago propina a policiais por informações.
Nesta semana, a comandante da Operação Weeting, que investiga os grampos, Sue Akers admitiu ao Parlamento que apenas 170 pessoas foram contatadas até agora de uma lista de 3.870 nomes, 5.000 telefones fixos e 4.000 celulares.
O "News of The World" pertencia ao grupo News Corporation (News Corp.), um dos maiores conglomerados mundiais de mídia, pertencente a Murdoch.
O tabloide era o jornal mais vendido aos domingos no Reino Unido, com uma circulação média de quase 2,8 milhões de exemplares. Sua última edição, com o título "Obrigado e Adeus", circulou no domingo passado (10), após decisão de Murdoch de fechar a publicação de 168 anos.
O escândalo também teve repercussão nos negócios de Murdoch. Ele se viu obrigado a retirar a oferta de adquirir a totalidade das ações do canal pago BSkyB, da qual já possui 39%.
By: Agências
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70 anos de salário mínimo no Brasil

A política do salário mínimo no Brasil passou por profundas modificações, seja em seu objetivo, seja em seus resultados, desde sua introdução pelo presidente Getúlio Vargas, em 1940, durante o regime autoritário do Estado Novo (1937–1945). Sua história, contudo, registra quatro fases distintas.
A primeira, entre 1940 e 1951, abrange a instituição e consolidação do valor do mínimo para os trabalhadores urbanos desde a fixação, em 10 de maio de 1940, do primeiro valor monetário. A segunda fase, entre 1952 e 1964, foi marcada pela elevação do poder de compra, como a incorporação de parte dos ganhos de produtividade da economia, ainda sem incluir os trabalhadores do setor rural. Nesse período havia 29 níveis de salário mínimo no país.
A terceira fase diz respeito aos anos de 1964 a 1995, quando a política do mínimo afastou-se e permaneceu distante dos objetivos originalmente definidos em 1940, embora tenha se mantido como um importante mecanismo de intervenção do poder público no mercado de trabalho. Os camponeses e as empregadas domésticas foram incorporados pela política do salário mínimo durante a fase de rebaixamento do seu valor real, apesar de a Constituição Federal de 1988 ter estabelecido compromissos políticos com a recuperação do seu poder de compra. A quarta fase inicia-se a partir de 1995, com o valor real do salário mínimo sendo elevado gradualmente acima da inflação. No ano de 2009, por exemplo, seu poder aquisitivo, foi 74,1% superior ao de 1995, porém se manteve valendo apenas 43,7% do que era em 1940.
Mesmo ainda distante de seus objetivos originais, o mínimo nacional, por ser a remuneração de ingresso no mercado de trabalho organizado e a base da hierarquia salarial de grande parte das empresas, se mantém como referência dos salários dos empregos secundários (não-chefes de família, mulheres e jovens), de empregos com alguma qualificação no início da carreira e, sobretudo, de trabalhadores (chefes de família) sem qualificação. No ano de 2008, por exemplo, 46,1 milhões de brasileiros tinham remuneração mensal referenciadas no valor do salário mínimo, o que representa 49,9% da população trabalhadora. Desse universo, 18,5 milhões eram beneficiados da Previdência Social, 14 milhões eram empregados assalariados, 8,5 milhões eram ocupados por conta própria, 4,7 milhões eram trabalhadores domésticos e 276 eram empregadores.
O setor público emprega somente 1% do total dos brasileiros com remuneração referenciada no valor do salário mínimo, o que equivale somente a cerca de 485 mil pessoas, sendo 6,2 mil na administração federal, 120,7 mil na administração estadual e 357,4 mil na administração municipal. Entre os que recebem o valor do mínimo nacional, 52% são homens e 48% são mulheres, enquanto 71% vivem nas cidades e 29% no meio rural. O setor de serviços absorve 44,2% dos ocupados com remuneração de até um salário mínimo, seguidos de 29% no setor agrícola, de 13,4% na indústria e de 10,6% no comércio. A região Nordeste concentra a maior parcela dos ocupados recebendo o salário mínimo nacional (58,6%), enquanto a região Sul apresenta a menor parcela (20,7%), seguida do Sudeste (22,5%), Centro Oeste (28,1%) e Norte (39,7%).
Decorrente do movimento de queda no valor do salário mínimo, o Brasil se transformou, ao contrário de outras economias que avançaram no seu processo de industrialização, num país de baixos salários. A permanência de um imenso contingente de trabalhadores ganhando tão pouco não pode ser atribuída ao fator econômico, já que entre 1940 e 2009 a renda per capita multiplicou-se por 6,5 vezes, enquanto o valor do mínimo não chega nem à metade do que era no momento de sua criação.
Se a atual Constituição Federal fosse observada, o valor do salário mínimo deveria ser capaz de atender às necessidades do trabalhador e de sua família com moradia, alimentação, educação, saúde, lazer, vestuário, higiene, transporte e previdência social, com reajustes periódicos que preservem seu poder aquisitivo. Não há dúvidas, porém, de que tais normas ainda não são cumpridas. O mínimo é suficiente para atender ao consumo de 13 alimentos básicos para uma pessoa, mas não para a alimentação de uma família e para as demais despesas que a Constituição define. Em São Paulo, por exemplo, o valor do salário mínimo comprava duas cestas básicas com 13 alimentos, enquanto em 1995 podia adquirir somente uma. Apesar deste avanço em relação à cesta básica, percebe-se que o salário mínimo necessário para atender todas as necessidades básicas, para além da alimentação individual, alcançou a soma de R$1.995,91 em dezembro de 2009. Ou seja, 4,3 vezes o salário mínimo vigente naquele mês. Como o Brasil pagou salário mínimo com maior valor, mesmo tendo a economia nacional capacidade de produzir e empregar mão-de-obra bem menor que a atual, entende-se que a política de recuperação do valor real do mínimo não pode parar. Se o Brasil almeja ser um país desenvolvido precisa considerar o crescimento contínuo do salário mínimo, conforme se observa na Dinamarca, cujo mínimo anual equivale a mais de 2/3 da renda nacional per capita.
Por ter como objetivo contrabalançar as tendências inerentes ao funcionamento do mercado de trabalho de gerar salários decrescentes e emprego precário, o que acentua a desigualdade da renda, a atual política de salário mínimo precisa ser mantida. Seguindo a tendência verificada desde 2007, quando foi criada a política de reajuste real do mínimo, serão necessários 27 anos para que o atual valor do salário mínimo passe a cumprir o preceito constitucional, ou 15 anos se a meta for o poder aquisitivo do primeiro valor do salário mínimo de 40 anos atrás.
Márcio Pochmann, é presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
By: Fórum (essa matéria é parte integrante da edição impressa da Fórum 86).
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Eles querem vaga no TCU

Em busca de poder, influência e mordomias, deputados entram na disputa para se tornar um ministro do Tribunal de Contas da União
BRIGA
A escolha do novo ministro será feita no plenário da Câmara, em votação secreta
Durante décadas, o Tribunal de Contas da União (TCU) serviu como uma espécie de aposentadoria de luxo para políticos em fim de carreira. Nos últimos anos, porém, o TCU melhorou sua imagem e passou a despertar o interesse de parlamentares de maior expressão. Um bom exemplo é a disputa pela vaga que será aberta em agosto com a saída do ministro Ubiratan Aguiar. Já há 13 pré-candidatos. Juntos, eles representam 1,5 milhão de eleitores, e estão disputando não só um rol de mordomias difíceis de serem encontradas em cargos públicos (leia quadro), mas principalmente acesso a um poder que raramente experimentaram no Parlamento. Pelo TCU, passam todas as bilionárias obras de infraestrutura do governo federal.
A nomeação dos ministros é feita por meio de rodízio, sempre respeitando a proporcionalidade das escolhas: 1/3 para o Senado, 1/3 para a Câmara e 1/3 para a Presidência. Desta vez, a disputa se dá entre os deputados e, mais do que nunca, as boas relações não têm sido decisivas nas escolhas. Pesam mais as relações pessoais, o compadrio. Mesmo assim, o deputado petista Sérgio Carneiro (BA) deposita suas esperanças no trunfo do governismo. Ele afirma que o Palácio do Planalto só passou a dar atenção à composição do TCU quando o órgão começou a emperrar as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e acredita que o Planalto possa usar sua ampla base para escolher um nome que lhe apeteça. Líder do PTB e também candidato a ministro, Jovair Arantes (GO) não aposta na tese de Carneiro: “Acho pouco provável que o governo se meta nisso. Quando se meteu, perdeu.”
A líder do PSB, Ana Arraes (PE), tam­bém pretende buscar abrigo no TCU. Mãe do governador Eduardo Campos, aliada do governo Dilma Rousseff, ela prefere não comentar o choque dos petistas com o TCU. “Isso é discussão de gente grande.” O pré-candidato Milton Monti (PR-SP) fala com sinceridade dos motivos da sua nova empreitada. Após 30 anos na vida pública, não tem mais ânimo para disputas majoritárias: “Em São Paulo, os espaços estão congestionados.” Na verdade, vale tudo na briga pelo emprego vitalício. O deputado Sérgio Brito (PSC-BA) mostra as suas fichas para conquistar a vaga. “Sou evangélico. E a base evangélica é grande na Casa.”
Lúcio Vaz
By: IstoÉ
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O submundo do jornalismo

O escândalo dos grampos telefônicos do jornal londrino News of the World desnuda o submundo do jornalismo sujo e antiético praticado por grandes conglomerados midiáticos e suas ligações com políticos e funcionários dos órgãos de segurança.
Desta vez, pegaram Rupert Murdoch (foto), o imperador do reino das comunicações. Dono de empresas jornalísticas tão poderosas que governantes, politicos, esportistas e celebridades rendem (ou rendiam) homenagens a ele, não por suas virtudes morais, mas pelo temor de que ele usasse a força de seus jornais e TVs para chantagear e divulgar informações pessoais de suas vítimas. Como fez com o ex-primeiro-ministro britânico Gordon Brown, cujo filho sofre de fibrose cística, uma informação que a família mantinha em segredo para protegê-lo da curiosidade pública, e que foi covardemente divulgada pelo jornal de Murdoch, graças a uma escuta clandestina.
Os repórteres do tablóide sensacionalista News of the World iam às últimas consequências para conseguirem seu objetivo. Compravam detetives oficiais e particulares, tinham cúmplices dentro da Scotlana Yard, que aliás fica muito mal no episódio porque há muitos anos dormem nas gavetas da repartição denúncias de ilegalidades praticadas pelo jornal de Murdoch, que nunca foram seriamente investigadas.
O escândalo só estourou há alguns dias porque o elitista jornal britânico The Guardian, denunciou a história da menina Milly Dowler, sequestrada e assassinada em 2002, cujo correio de voz em seu celular foi grampeado por um investigador a serviço do jornal de Murdoch, na busca por gravações que pudessem chocar os leitores. Como a caixa postal do celular de Milly estava lotada, deletaram gravações antigas, prejudicando assim as investigações policiais.
A estratégia suja e antiética de conseguir notícias exclusivas pode ferir gravemente a estabilidade do grupo empresarial do magnata Rupert Murdoch. Aos 80 anos, o velhinho está em plena forma física. Os que o conhecem dizem que ele adora esse tipo de jornalismo, que espeta, incomoda e humilha suas vítimas e fazem com que ele seja mais temido.
Na Grã-Bretanha, agora, ele está mais sujo que pau de galinheiro. Parece que chegou a hora da caça se voltar contra o caçador. O Parlamento britânico já criou um comitê de investigação que está convocando jornalistas e executivos do jornal News of the World para prestarem depoimento. Dois dos principais executivos das empresas de Murdoch pediram demissão, uma nítida tentativa de oferecer a cabeça de um ou dois em troca do abafamento da crise.
Empresarialmente, o escândalo foi um desastre para Murdoch. Além de perder o News of the World, o lucrativo tablóide dominical que vivia do sensacionalismo barato das escutas telefônicas, o governo britânico aprovou a decisão do Parlamento de bloquear uma importante negociação de Murdoch. Por 12 bilhões de dólares, ele assumiria o controle total da principal emissora por satelite da Grã-Bretanha, a BSkyB, que possui 10 milhões de assinantes.
Mas o inferno astral do velho Murdoch (80 anos) está apenas começando. Há fundadas suspeitas de que o jornalismo sujo praticado por suas empresas em Londres tenha contaminado suas mídias nos Estado Unidos. Já se sabe que os celulares de familiares de vítimas dos atentados de 11 de setembro de 2001 foram violados. E alguns parlamentares querem saber se os jornais e a TV de Murdoch nos EUA usavam os mesmos recursos ilícitos para conseguirem informações inéditas ou secretas que pudessem usar contra seus adversários politicos.
O senador Jay Rockfeller, democrata de West Virginia, pediu rigorosa investigação em todas as empresas de Murdoch nos EUA, onde ele é dono do Wall Street Journal, do New York Post e da poderosa FoxNews, canal de TV assumidamente direitista, republicano e crítico contundente do Partido Democrata e do presidente Obama. O escândalo dos grampos telefônicos está nas manchetes dos jornais do mundo inteiro, mas a Foxnews não dá uma linha sobre o episódio.
A conclusão que podemos tirar de tanta baixeza praticada em nome do jornalismo é que devemos estar atentos aos grupos midiáticos brasileiros. Quanto maiores, mais poderosos. Quanto mais poderosos, mais temidos pelos governantes. A concentração de grandes empresas de mídia nas mãos de poucas e suspeitas personalidades coloca em risco a saúde do bom jornalismo. É isso que devemos denunciar e é contra isso que devemos lutar.
Eliakim Araujo
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A polícia escondeu o serviço sujo do News of the World

Um dos aspectos essencias do jornalismo indecente praticado pelas publicações de Robert Murdoch ainda não foi investigado de forma completa. Já se sabe que os jornais de Murdoch sustentavam uma equipe de repórteres e editores que faziam escutas telefonicas para bisbilhotar a vida de personalidades públicas.
Falta explicar por que esse esquema, descoberto em 2005, seguiu sem ser investigado durante muitos anos, como se fosse um episódio isolado e sem maior gravidade.
A verdade é outra. Nos arquivos da Scotland Yard há uma lista de 4 000 pessoas que foram alvo das escutas dos jornalistas. Compilada por um ex-jogador de futebol que se tornou detetive particular e ganhava a vida fazendo grampos telefonicos, a relação é um trabalho meticuloso e detalhado. Possui 11 000 páginas com nomes das vítimas — e, em cada página, o nome do repórter e/ou editor a quem se destinava o serviço. Entre os alvos, há membros da família real, celebridades, políticos.
A maioria dessas pessoas nem tinha idéia que estava sendo grampeada. A polícia sequer fez a gentileza de informar as vítimas de que estavam sob risco. Tampouco avançou em investigações para estabelecer conexões entre os grampos, os detetives particulares e os jornalistas, num comportamento cúmplice que, conforme um reporter que segue o caso, pode ser descrito de duas formas. Numa visão benigna, pode-se definir como preguiçoso e incompetente. Numa visão maligna, como criminoso e corrupto.
Mesmo autoridades de primeiro escalão, como o então ministro da Fazenda Gordon Brown, chegaram a suspeitar de que estivessem sob escuta — mas, embora tenha solicitado formalmente esclarecimentos a polícia, o próprio Brown jamais recebeu uma resposta conclusiva.
Nos primeiros dias do escandalo, a polícia procurou explicar seu comportamento com desculpas conhecidas em várias latitudes. Além de reclamar da falta de verbas, também disse que tinha outras prioridades — como combater o terrorismo. Conversa.
Sabe-se agora que o trabalho sujo do News of the World foi protegido por uma rede de interesses obscuros e relações incestuosas que impediu toda investigação séria sobre o que ocorria, revela uma reportagem do correspondente do New York Times em Londres. O jornal descreve uma complexa teia de amizades, troca de favores e de prestígio entre jornalistas e policiais para garantir um ambiente de confiança e impunidade entre as partes.
Esse trabalho incluia o pagamento de propinas para o trabalho de escuta. Também envolveu troca de favores e técnicas clássicas de aproximação. Um dos figurões da polícia inglesa chegou a partilhar 18 refeições com o pessoal do jornal durante uma das fases delicadas da investigação. Um editor asssistente do News of the World chegou a ser contratado para trabalhar como estrategista de comunicação da Scotland Yard. Em compensação, um alto funcionário da polícia ganhou uma coluna no The Times, que pertence ao mesmo grupo, onde chegou a escrever artigos em defesa do trabalho da antiga corporação.
Sabe-se que Murdoch investiu perto de US$ 50 milhões na última década nos Estados Unidos para conseguir favores de lobistas e políticos que poderiam ajudá-lo a modificar leis que controlam a concentração de propriedade na área de comunicação. Os beneficiários prediletos de suas contribuições foram os políticos republicanos, mas Bill e Hillary Clinton encontram-se em sua lista.
A investigação sobre sua atuação nos meios políticos ingleses está apenas no começo, sabe-se agora.
Pegue o link para a reportagem do New York Times aqui.
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Keith Carradine

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Primeiro casamento homoafetivo de Santa Catarina: juíza de direito oficializa união civil com companheira

Sônia e Lilian selaram a união no cartório Heusi
(Minamar Junior/www.diarinho.com.br)
Itajaí, SC – A juíza Sônia Maria Mazzetto Moroso, titular da 1ª Vara Criminal de Itajaí, assinou o documento que a torna casada com Lilian Regina Terres. Esta e a primeira união civil homoafetiva registrada em Santa Catarina após a união ser reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal. A primeira do Brasil em Goiânia, no dia 9 de maio, entre Liorcino Mendes e Odílio Torres.
“É a primeira no estado e eu sou a primeira juíza a assumir”, comemorou Sônia. Ela e Lilian já tinham um relacionamento estável antes da união oficial. Elas se casaram no dia 29 de maio do ano passado, numa cerimônia da religião Umbanda.
O juiz de Direito Roberto Ramos Alvim autorizou a ter o casamento civil das duas mulheres. Familiares e amigos das mulheres acompanharam a cerimônia. Rafaello, filho da juíza Sônia, também tava presente na cerimônia e ansioso pela união. “Ele me chama de mãe e Lilian de mamusca”, conta Sônia.
Com o casamento, Lilian e Sônia decidiram acrescentar os sobrenomes uma da outra, ficando Sônia Maria Mazzetto Moroso Terres e Lilian Regina Terres Moroso.
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CGM está com ordem da Prefeitura de São Paulo para confiscar Carroças de catadores em situação de rua

Se for confirmada a informação a denúncia é gravíssima. Os munícipes de São Paulo precisam se posicionar a respeito, afinal de contas, não estamos falando da atitude de monarcas. São Pauo e o Brasil vivem sob regime democrático onde os administradores devem satisfação de seus atos.
Companheiros(as)
Recebemos uma ligação DENUNCIANDO que a CGM está com ordem da Prefeitura de São Paulo para confiscar Carroças de catadores em situação de rua. Já são vários casos de violação de direitos.
A queixa veio dos próprios funcionários da Prefeitura que trabalham atendendo população de rua e presenciam a violação de direitos humanos. A ordem é denominada Procedimento Padrão.
Favor ajudar a circular essa denúncia.
* * *

Secretaria Estadual MNCR - SP
Movimento Nacional dos Catadores - MNCR
Tel.: (11) 3341-0964
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Por quê os eleitores de Santa Catarina votam contra seus próprios filhos como os paulistas?

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Corrupção de papel passado

Desconfiados da idoneidade de um e de outro, dois políticos goianos decidem lavrar em cartório uma negociata envolvendo verbas e cargos públicos
VENDEDOR
Tito desistiu da candidatura a prefeito em troca de R$ 300 mil e duas secretarias municipais
Os políticos brasileiros são, de fato, surpreendentes. Quando se imaginava que pelos corredores da Polícia Federal, do Ministério Público e dos Tribunais de Contas já haviam se passado toda as formas de corrupção, eis que uma nova modalidade de se locupletar com dinheiro público vem à tona. Foi na pequena Itapuranga (GO), cidade com pouco mais de 26 mil habitantes, distante 170 km de Goiânia, que o inusitado caso de corrupção apareceu. Ali, nas eleições municipais de 2008, três candidatos disputavam a corrida eleitoral. As pesquisas mostravam que, um mês antes do pleito, o favorito para a disputa era Jabes Cardoso de Melo (PRB), seguido por Daves Soares da Silva (PTdoB) e em terceiro lugar aparecia Tito Coelho Cardoso (PR), na época prefeito e candidato à reeleição. Certo de que não conseguiria virar o jogo, Tito retirou sua candidatura para apoiar Daves. Até aí, uma legítima manobra política. O problema é que Tito e Daves uniram-se não só pelas afinidades ideológicas. Entre propostas programáticas e acerto de cargos, uma boa soma de dinheiro também entrou no acordo. Cientes de que confiar em políticos é no mínimo arriscado, os dois decidiram registrar o compromisso econômico-eleitoral em um cartório da cidade, firmando, assim, o primeiro contrato de papel passado de corrupção que se tem conhecimento.
COMPRADOR
Com o apoio de Tito, Daves se elegeu prefeito de Itapuranga
e cumpriu sua parte no acordo lavrado em cartório (acima)
Composto por quatro cláusulas e oito itens, o documento de duas páginas mostra um fisiologismo sincero. Nele, Tito exige o pagamento pela prefeitura de uma banca jurídica para defendê-lo, “inclusive nos Tribunais superiores”, depois das eleições - ele responde a processos de desvio de dinheiro em programas do governo federal. Além disso, o ex-prefeito pede duas Secretarias municipais, a eleição da própria mulher, Maria Zélia, para a presidência da câmara legislativa local, no primeiro biênio de 2009, e um cargo para ele junto ao governo estadual. Para completar, Tito demanda oito cargos comissionados na prefeitura para que possa distribuir entre seus aliados.
Além de todas as exigências políticas, há ainda aquelas que envolvem o dinheiro público de forma também bastante franca. De acordo com o documento, Tito condiciona o apoio a Daves à liquidação de suas dívidas de campanha, no valor de R$ 100 mil, divididos em duas vezes. A primeira parcela seria paga poucos dias antes das eleições e, a outra, até o final de janeiro de 2009. Ele condiciona o apoio ao pagamento de mais R$ 300 mil, para o segundo semestre de 2009. Não à toa, o prazo para a quitação da dívida corresponde a datas nas quais Daves já tem em mãos as chaves do cofre da prefeitura. Para terminar, Tito determina que o potencial prefeito adquira combustível para a frota pública do posto de gasolina que ele irá comprar.
Esse acordo, registrado no Tabelionato 2º de Notas e com firma reconhecida pelo escrivão Jaime Gonzaga Coelho, está sendo investigado no TRE de Goiás e pode terminar com a prisão dos envolvidos além, é claro, da cassação do mandato do prefeito Daves Soares, que nega tudo. “Esse documento é falso. É uma ação orquestrada para me incriminar”, defende-se. Ao contrário do que diz o prefeito, o Ministério Público afirma que o documento é autêntico. O MP constatou que, de fato, quase todas as promessas foram cumpridas por Daves. Até agora, eles já confirmaram o pagamento de R$ 150 mil, além da indicação dos cargos e a eleição da mulher do ex-prefeito à presidência da Câmara de Vereadores. Tito, ao contrário do colega, preferiu não se pronunciar sobre o vantajoso acordo lavrado em cartório.
Alan Rodrigues
By: IstoÉ
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Revelações: Oposição e a Copa 2014

Estive em uma festa de amigos e lá encontrei um jornalista que não via há muito tempo.
Ele está trabalhando no PIG, mas é um cara legal, como ele diz são os ossos da profissão. Conversa vai, conversa vem, um bom vinho, muitas risadas e ele resolveu me contar um episódio que presenciou no evento da escolha do país para sediar a Copa 2014. Lógico com a minha promessa de não revelar o seu nome e nem o jornal que trabalha. Políticos da oposição, PSDB,DEM,PPS, estavam na maior torcida para a Copa ser nos EUA ou na Espanha. Quando foi anunciado o nome do Brasil houve socos nas mesas, palavrões, e os mais exaltados diziam que não iriam permitir que fosse no Brasil. Que tudo tinha que ser feito para F..... com essa Copa. Outros diziam agora F..... isso vai eleger Dilma, e Lula novamente, sabem quantos empregos essa M..... vai gerar? tem que evitar que essa M..... de Copa de certo. Vamos atrapalhar, dificultar tudo o quanto pudermos. Diz ele que revolta, a choradeira foi imensa. Teve um senador o Alvaro Dias (PSDB), que a pouco tempo disse: " que o governo deveria pedir perdão ao povo e desistir de receber a Copa do Mundo, que o governo não tem competencia, e que é um evento que não trás benefício nenhum a população não deveria ser realizado, o papel da oposição é de cobrar o bem para o povo, ficamos preocupado com a criação de elefantes brancos que apenas atrapalhem o desenvolvimento”. Notem bem a revolta deles com a Copa 2014 no Brasil, eles não conseguem esconder a raiva que o Lula tenha se empenhado para a Copa ser no Brasil, assim como o empenho do governador Sérgio Cabral, que está sendo criticado e massacrado no PIG diariamente, o Noblat está se especializando no massacre midiático do governador Cabral, tudo na verdade por conta da Copa 2014 e das Olimpíadas em 2016. Isso é o PSDB/DEM/PPS/PIG
Jussara Seixas
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Executiva de Murdoch é presa na Inglaterra

Riem de que?
Deu agora de manhã, na BBC:
A ex-editora (nota: “ex” só desde sexta-feira) do tabloide News of the World Rebekah Brooks foi presa neste domingo, em Londres.
Brooks deixou a posição de presidente-executiva do grupo News International, pertencente a Rupert Murdoch, na última sexta-feira após enfrentar pressão devido a seu suposto envolvimento com o escândalo de grampos telefônicos e compra de informações de policiais.
A polícia de Londres confirmou que Brooks, de 43 anos, está detida, suspeita de envolvimento em corrupção e em conspiração para interceptar comunicações.
Ela é a décima pessoa a ser presa durante as investigações do escândalo envolvendo o jornal News of the World, que teve sua última edição publicada uma semana atrás.
Será isso um atentado “à liberdade de imprensa”? Óbvio que não, mas aqui na América Latina, seria. “Chavismo” puro, aliás. E a Sociedade Interamericana de Imprensa, a SIP, estaria indo à ONU, com a campanha “Libertem Rebekah!“.
Ou não seria assim?
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Charge online - Bessinha - # 703

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Alemanha na cassa de doutores

Ministro alemão renuncia após acusações de plágio em sua tese de doutorado
O ministro alemão da Defesa, Karl-Theodor zu Guttenberg, anunciou na terça-feira (01/03) sua renúncia a todos os cargos políticos que ocupava. "Foi o passo mais doloroso da minha vida", disse em Berlim o político da União Social Cristã (CSU), partido que faz parte da coalizão que sustenta o governo da premiê Angela Merkel.
Com a renúncia, Guttenberg rende-se, após semanas, frente às acusações de plágio em sua tese de doutorado. Ainda na segunda-feira, 25 mil doutorandos protestaram, através de uma carta aberta entregue a Merkel, contra o fato de Guttenberg ter sido mantido no cargo, apesar das acusações de plágio.
* * *
Mais uma do FDP que perde o título de doutora por plágio
Dia 15. junho deste ano, Silvana Koch-Mehrin perdeu também o título de Doutora pela Universidade de Heidelberg.
FDP - Partido dos doutores do mundo faz de conta.
* * *
Jorgo Chatzimarkakis
Mais um Doktor dos Liberais - FDP - alemão perde o título acadêmico
E caro copiou mais da metade do trabalho de doutorado.
E diz: reconheço que cometi alguns erros.
Esse é o quarto parlamentar do FDP que perde o título por cópiar a tese de doutoramento.
Esses liberais, não importa a nacionalidade, são todos umas farsas.
* * *
Veronica Saß perdeu também o título de doutora
A Universidade de Konstanz retirou também o título de doutora de Veronica Sass, filha do ex-governador da Bavária, Edmund Stoiber (CSU).
By: Brasil, mostra a tua cara!
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O patético Serra

Para Serra, o adversário de 2014 será Lula, não Dilma
Ao esboçar seus planos para 2014, o tucano José Serra faz apostas que destoam da média das opiniões disponíveis.
Para Serra, o antagonista do PSDB na próxima sucessão presidencial será Lula, não Dilma Rousseff.
Decidido a disputar pela terceira vez, Serra desdenha também da tese segundo a qual Aécio Neves tornou-se a bola da vez do tucanato.
Em privado, Serra acalenta a expectativa de que Aécio não se animará a medir forças com o PT se o oponente for Lula.
Algo que não ocorre com ele. Entre quatro paredes, Serra declara que tudo o que deseja é um novo confronto eleitoral com Lula.
Nos dois embates anteriores, levou a pior. Em 2002, perdeu para o próprio Lula. Em 2010, foi batido pela candidata de Lula, uma Dilma novata em urnas.
Serra acredita que o PSDB não terá como desprezar os 43,7 milhões de votos que ele obteve no ano passado.
Avalia que Dilma não será candidata à reeleição por duas razões: 1) Diz que, embora negue, Lula quer voltar. 2) Declara que a gestão Dilma resultará em fracasso.
Na opinião de Serra, os primeiros seis meses de Dilma foram marcados pelo desperdício de tempo.
Acha que, rendida por uma herança que não pode denunciar e sitiada por interesses partidários subalternos, Dilma absteve-se de tratar do essencial.
Não cuidou da reforma tributária. Elevou os juros em vez de rebaixá-los. E não desarmou a armadilha da sobrevalorização do Real.
Enxerga o recrudescimento do que chama de “desindustrialização”. E vaticina: as baixas taxas de investimento público agravarão os gargalos da infraestrutura.
Por todas essas razões, Serra defende internamente que a oposição escale sobre Dilma, adotando, desde logo, um discurso mais incisivo.
Contra a vontade de Serra conspiram os fatos. Formou-se dentro do PSDB uma densa maioria pró-Aécio.
Na eleição de 2010, além de empurrar para dentro de sua biografia uma segunda derrota presidencial, Serra colecionou desafetos.
Aécio cavalga essa insatisfação. Dono de um mandato de oito anos no Senado, não teria, em tese, razões para fugir das urnas em 2014.
Ainda que o rival seja Lula, Aécio tem pouco a perder. Na pior hipótese, leva a cara à TV, enverniza a imagem para embates futuros e retorna ao Senado.
Para o grosso da cúpula do PSDB, Serra precisa concentrar-se em 2012, não em 2014. O partido quer saber dele se vai ou não disputar a prefeitura de São Paulo.
By: Josias de  Souza
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Serra é o candidato de si mesmo em 2014
O blog do Josias de Souza registra, (reproduzido acima) esta madrugada, um retrato da ambição desmedida do senhor José Serra.
Ele proclama-se o candidato presidencial da direita em 2014.
E contra Lula.
Chama Dilma de incompetente, ao dizer que não poderá ser candidata porque seu Governo irá fracassar, tornando inevitável a candidatura Lula.
Chama Aécio Neves de covarde, ao prever que o senador não terá coragem de enfrentar Lula.
Tarefa que, portanto, caberá a ele, Serra.
Afinal, julga-se um predestinado. Daí, claro, ser um obcecado.
Não por uma causa, um projeto, o que seria um mérito.
Mas por um cargo, um título e um enorme poder.
A presidência da República lhe pertence, por direito que nem o voto do povo deveria negar.
Tornou-se um homem politicamente nefasto, e há tempos seus próprios companheiros de partido o perceberam.
Empurraram-no para longe, mas ele regressa, com uma ambição que o torna ridículo.
E trágico.
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