12 de jul de 2011

“O socialismo é uma doutrina triunfante”

 Entrevista Imperdível 

Aos 93 anos, Antonio Candido explica a sua concepção de socialismo, fala sobre literatura e revela não se interessar por novas obras
Crítico literário, professor, sociólogo, militante. Um adjetivo sozinho não consegue definir a importância de Antonio Candido para o Brasil. Considerado um dos principais intelectuais do país, ele mantém a postura socialista, a cordialidade, a elegância, o senso de humor, o otimismo. Antes de começar nossa entrevista, ele diz que viveu praticamente todo o conturbado século 20. E participou ativamente dele, escrevendo, debatendo, indo a manifestações, ajudando a dar lucidez, clareza e humanidade a toda uma geração de alunos, militantes sociais, leitores e escritores.
Tão bom de prosa como de escrita, ele fala sobre seu método de análise literária, dos livros de que gosta, da sua infância, do começo da sua militância, da televisão, do MST, da sua crença profunda no socialismo como uma doutrina triunfante. “O que se pensa que é a face humana do capitalismo é o que o socialismo arrancou dele”, afirma.
Brasil de Fato – Nos seus textos é perceptível a intenção de ser entendido. Apesar de muito erudito, sua escrita é simples. Por que esse esforço de ser sempre claro?
Antonio Candido – Acho que a clareza é um respeito pelo próximo, um respeito pelo leitor. Sempre achei, eu e alguns colegas, que, quando se trata de ciências humanas, apesar de serem chamadas de ciências, são ligadas à nossa humanidade, de maneira que não deve haver jargão científico. Posso dizer o que tenho para dizer nas humanidades com a linguagem comum. Já no estudo das ciências humanas eu preconizava isso. Qualquer atividade que não seja estritamente técnica, acho que a clareza é necessária inclusive para pode divulgar a mensagem, a mensagem deixar de ser um privilégio e se tornar um bem comum.
O seu método de análise da literatura parte da cultura para a realidade social e volta para a cultura e para o texto. Como o senhor explicaria esse método?
Uma coisa que sempre me preocupou muito é que os teóricos da literatura dizem: é preciso fazer isso, mas não fazem. Tenho muita influência marxista – não me considero marxista – mas tenho muita influência marxista na minha formação e também muita influência da chamada escola sociológica francesa, que geralmente era formada por socialistas. Parti do seguinte princípio: quero aproveitar meu conhecimento sociológico para ver como isso poderia contribuir para conhecer o íntimo de uma obra literária. No começo eu era um pouco sectário, politizava um pouco demais minha atividade. Depois entrei em contato com um movimento literário norte-americano, a nova crítica, conhecido como new criticism. E aí foi um ovo de colombo: a obra de arte pode depender do que for, da personalidade do autor, da classe social dele, da situação econômica, do momento histórico, mas quando ela é realizada, ela é ela. Ela tem sua própria individualidade. Então a primeira coisa que é preciso fazer é estudar a própria obra. Isso ficou na minha cabeça. Mas eu também não queria abrir mão, dada a minha formação, do social. Importante então é o seguinte: reconhecer que a obra é autônoma, mas que foi formada por coisas que vieram de fora dela, por influências da sociedade, da ideologia do tempo, do autor. Não é dizer: a sociedade é assim, portanto a obra é assim. O importante é: quais são os elementos da realidade social que se transformaram em estrutura estética. Me dediquei muito a isso, tenho um livro chamado “Literatura e sociedade” que analisa isso. Fiz um esforço grande para respeitar a realidade estética da obra e sua ligação com a realidade. Há certas obras em que não faz sentido pesquisar o vínculo social porque ela é pura estrutura verbal. Há outras em que o social é tão presente – como “O cortiço” [de Aluísio Azevedo] – que é impossível analisar a obra sem a carga social. Depois de mais maduro minha conclusão foi muito óbvia: o crítico tem que proceder conforme a natureza de cada obra que ele analisa. Há obras que pedem um método psicológico, eu uso; outras pedem estudo do vocabulário, a classe social do autor; uso. Talvez eu seja aquilo que os marxistas xingam muito que é ser eclético. Talvez eu seja um pouco eclético, confesso. Isso me permite tratar de um número muito variado de obras.
Teria um tipo de abordagem estética que seria melhor?
Não privilegio. Já privilegiei. Primeiro o social, cheguei a privilegiar mesmo o político. Quando eu era um jovem crítico eu queria que meus artigos demonstrassem que era um socialista escrevendo com posição crítica frente à sociedade. Depois vi que havia poemas, por exemplo, em que não podia fazer isso. Então passei a outra fase em que passei a priorizar a autonomia da obra, os valores estéticos. Depois vi que depende da obra. Mas tenho muito interesse pelo estudo das obras que permitem uma abordagem ao mesmo tempo interna e externa. A minha fórmula é a seguinte: estou interessado em saber como o externo se transformou em interno, como aquilo que é carne de vaca vira croquete. O croquete não é vaca, mas sem a vaca o croquete não existe. Mas o croquete não tem nada a ver com a vaca, só a carne. Mas o externo se transformou em algo que é interno. Aí tenho que estudar o croquete, dizer de onde ele veio.
O que é mais importante ler na literatura brasileira?
Machado de Assis. Ele é um escritor completo.
É o que senhor mais gosta?
Não, mas acho que é o que mais se aproveita.
E de qual o senhor mais gosta?
Gosto muito do Eça de Queiroz, muitos estrangeiros. De brasileiros, gosto muito de Graciliano Ramos... Acho que já li “São Bernardo” umas 20 vezes, com mentira e tudo. Leio o Graciliano muito, sempre. Mas Machado de Assis é um autor extraordinário. Comecei a ler com 9 anos livros de adulto. E ninguém sabia quem era Machado de Assis, só o Brasil e, mesmo assim, nem todo mundo. Mas hoje ele está ficando um autor universal. Ele tinha a prova do grande escritor. Quando se escreve um livro, ele é traduzido, e uma crítica fala que a tradução estragou a obra, é porque não era uma grande obra. Machado de Assis, mesmo mal traduzido, continua grande. A prova de um bom escritor é que mesmo mal traduzido ele é grande. Se dizem: “a tradução matou a obra”, então a obra era boa, mas não era grande.
Como levar a grande literatura para quem não está habituado com a leitura?
É perfeitamente possível, sobretudo Machado de Assis. A Maria Vitória Benevides me contou de uma pesquisa que foi feita na Itália há uns 30 anos. Aqueles magnatas italianos, com uma visão já avançada do capitalismo, decidiram diminuir as horas de trabalho para que os trabalhadores pudessem ter cursos, se dedicar à cultura. Então perguntaram: cursos de que vocês querem? Pensaram que iam pedir cursos técnicos, e eles pediram curso de italiano para poder ler bem os clássicos. “A divina comédia” é um livro com 100 cantos, cada canto com dezenas de estrofes. Na Itália, não sou capaz de repetir direito, mas algo como 200 mil pessoas sabem a primeira parte inteira, 50 mil sabem a segunda, e de 3 a 4 mil pessoas sabem o livro inteiro de cor. Quer dizer, o povo tem direito à literatura e entende a literatura. O doutor Agostinho da Silva, um escritor português anarquista que ficou muito tempo no Brasil, explicava para os operários os diálogos de Platão, e eles adoravam. Tem que saber explicar, usar a linguagem normal.
O senhor acha que o brasileiro gosta de ler?
Não sei. O Brasil pra mim é um mistério. Tem editora para toda parte, tem livro para todo lado. Vi uma reportagem que dizia que a cidade de Buenos Aires tem mais livrarias que em todo o Brasil. Lê-se muito pouco no Brasil. Parece que o povo que lê mais é o finlandês, que lê 30 volumes por ano. Agora dizem que o livro vai acabar, né?
O senhor acha que vai?
Não sei. Eu não tenho nem computador... as pessoas me perguntam: qual é o seu... como chama?
E-mail?
Isso! Olha, eu parei no telefone e máquina de escrever. Não entendo dessas coisas... Estou afastado de todas as novidades há cerca de 30 anos. Não me interesso por literatura atual. Sou um velho caturra. Já doei quase toda minha biblioteca, 14 ou 15 mil volumes. O que tem aqui é livro para visita ver. Mas pretendo dar tudo. Não vendo livro, eu dou. Sempre fiz escola pública, inclusive universidade pública, então é o que posso dar para devolver um pouco. Tenho impressão que a literatura brasileira está fraca, mas isso todo velho acha. Meus antigos alunos que me visitam muito dizem que está fraca no Brasil, na Inglaterra, na França, na Rússia, nos Estados Unidos... que a literatura está por baixo hoje em dia. Mas eu não me interesso por novidades.
E o que o senhor lê hoje em dia?
Eu releio. História, um pouco de política... mesmo meus livros de socialismo eu dei tudo. Agora estou querendo reler alguns mestres socialistas, sobretudo Eduard Bernstein, aquele que os comunistas tinham ódio. Ele era marxista, mas dizia que o marxismo tem um defeito, achar que a gente pode chegar no paraíso terrestre. Então ele partiu da ideia do filósofo Immanuel Kant da finalidade sem fim. O socialismo é uma finalidade sem fim. Você tem que agir todos os dias como se fosse possível chegar no paraíso, mas você não chegará. Mas se não fizer essa luta, você cai no inferno.
O senhor é socialista?
Ah, claro, inteiramente. Aliás, eu acho que o socialismo é uma doutrina totalmente triunfante no mundo. E não é paradoxo. O que é o socialismo? É o irmão-gêmeo do capitalismo, nasceram juntos, na revolução industrial. É indescritível o que era a indústria no começo. Os operários ingleses dormiam debaixo da máquina e eram acordados de madrugada com o chicote do contramestre. Isso era a indústria. Aí começou a aparecer o socialismo. Chamo de socialismo todas as tendências que dizem que o homem tem que caminhar para a igualdade e ele é o criador de riquezas e não pode ser explorado. Comunismo, socialismo democrático, anarquismo, solidarismo, cristianismo social, cooperativismo... tudo isso. Esse pessoal começou a lutar, para o operário não ser mais chicoteado, depois para não trabalhar mais que doze horas, depois para não trabalhar mais que dez, oito; para a mulher grávida não ter que trabalhar, para os trabalhadores terem férias, para ter escola para as crianças. Coisas que hoje são banais. Conversando com um antigo aluno meu, que é um rapaz rico, industrial, ele disse: “o senhor não pode negar que o capitalismo tem uma face humana”. O capitalismo não tem face humana nenhuma. O capitalismo é baseado na mais-valia e no exército de reserva, como Marx definiu. É preciso ter sempre miseráveis para tirar o excesso que o capital precisar. E a mais-valia não tem limite. Marx diz na “Ideologia Alemã”: as necessidades humanas são cumulativas e irreversíveis. Quando você anda descalço, você anda descalço. Quando você descobre a sandália, não quer mais andar descalço. Quando descobre o sapato, não quer mais a sandália. Quando descobre a meia, quer sapato com meia e por aí não tem mais fim. E o capitalismo está baseado nisso. O que se pensa que é face humana do capitalismo é o que o socialismo arrancou dele com suor, lágrimas e sangue. Hoje é normal o operário trabalhar oito horas, ter férias... tudo é conquista do socialismo. O socialismo só não deu certo na Rússia.
Por quê?
Virou capitalismo. A revolução russa serviu para formar o capitalismo. O socialismo deu certo onde não foi ao poder. O socialismo hoje está infiltrado em todo lugar.
O socialismo como luta dos trabalhadores?
O socialismo como caminho para a igualdade. Não é a luta, é por causa da luta. O grau de igualdade de hoje foi obtido pelas lutas do socialismo. Portanto ele é uma doutrina triunfante. Os países que passaram pela etapa das revoluções burguesas têm o nível de vida do trabalhador que o socialismo lutou para ter, o que quer. Não vou dizer que países como França e Alemanha são socialistas, mas têm um nível de vida melhor para o trabalhador.
Para o senhor é possível o socialismo existir triunfando sobre o capitalismo?
Estou pensando mais na técnica de esponja. Se daqui a 50 anos no Brasil não houver diferença maior que dez do maior ao menor salário, se todos tiverem escola... não importa que seja com a monarquia, pode ser o regime com o nome que for, não precisa ser o socialismo! Digo que o socialismo é uma doutrina triunfante porque suas reivindicações estão sendo cada vez mais adotadas. Não tenho cabeça teórica, não sei como resolver essa questão: o socialismo foi extraordinário para pensar a distribuição econômica, mas não foi tão eficiente para efetivamente fazer a produção. O capitalismo foi mais eficiente, porque tem o lucro. Quando se suprime o lucro, a coisa fica mais complicada. É preciso conciliar a ambição econômica – que o homem civilizado tem, assim como tem ambição de sexo, de alimentação, tem ambição de possuir bens materiais – com a igualdade. Quem pode resolver melhor essa equação é o socialismo, disso não tenho a menor dúvida. Acho que o mundo marcha para o socialismo. Não o socialismo acadêmico típico, a gente não sabe o que vai ser... o que é o socialismo? É o máximo de igualdade econômica. Por exemplo, sou um professor aposentado da Universidade de São Paulo e ganho muito bem, ganho provavelmente 50, 100 vezes mais que um trabalhador rural. Isso não pode. No dia em que, no Brasil, o trabalhador de enxada ganhar apenas 10 ou 15 vezes menos que o banqueiro, está bom, é o socialismo.
O que o socialismo conseguiu no mundo de avanços?
O socialismo é o cavalo de Troia dentro do capitalismo. Se você tira os rótulos e vê as realidades, vê como o socialismo humanizou o mundo. Em Cuba eu vi o socialismo mais próximo do socialismo. Cuba é uma coisa formidável, o mais próximo da justiça social. Não a Rússia, a China, o Camboja. No comunismo tem muito fanatismo, enquanto o socialismo democrático é moderado, é humano. E não há verdade final fora da moderação, isso Aristóteles já dizia, a verdade está no meio. Quando eu era militante do PT – deixei de ser militante em 2002, quando o Lula foi eleito – era da ala do Lula, da Articulação, mas só votava nos candidatos da extrema esquerda, para cutucar o centro. É preciso ter esquerda e direita para formar a média. Estou convencido disso: o socialismo é a grande visão do homem, que não foi ainda superada, de tratar o homem realmente como ser humano. Podem dizer: a religião faz isso. Mas faz isso para o que são adeptos dela, o socialismo faz isso para todos. O socialismo funciona como esponja: hoje o capitalismo está embebido de socialismo. No tempo que meu irmão Roberto – que era católico de esquerda – começou a trabalhar, eu era moço, ele era tido como comunista, por dizer que no Brasil tinha miséria. Dizer isso era ser comunista, não estou falando em metáforas. Hoje, a Federação das Indústrias, Paulo Maluf, eles dizem que a miséria é intolerável. O socialismo está andando... não com o nome, mas aquilo que o socialismo quer, a igualdade, está andando. Não aquela igualdade que alguns socialistas e os anarquistas pregavam, igualdade absoluta é impossível. Os homens são muito diferentes, há uma certa justiça em remunerar mais aquele que serve mais à comunidade. Mas a desigualdade tem que ser mínima, não máxima. Sou muito otimista. (pausa). O Brasil é um país pobre, mas há uma certa tendência igualitária no brasileiro – apesar da escravidão - e isso é bom. Tive uma sorte muito grande, fui criado numa cidade pequena, em Minas Gerais, não tinha nem 5 mil habitantes quando eu morava lá. Numa cidade assim, todo mundo é parente. Meu bisavô era proprietário de terras, mas a terra foi sendo dividida entre os filhos... então na minha cidade o barbeiro era meu parente, o chofer de praça era meu parente, até uma prostituta, que foi uma moça deflorada expulsa de casa, era minha prima. Então me acostumei a ser igual a todo mundo. Fui criado com os antigos escravos do meu avô. Quando eu tinha 10 anos de idade, toda pessoa com mais de 40 anos tinha sido escrava. Conheci inclusive uma escrava, tia Vitória, que liderou uma rebelião contra o senhor. Não tenho senso de desigualdade social. Digo sempre, tenho temperamento conservador. Tenho temperamento conservador, atitudes liberais e ideias socialistas. Minha grande sorte foi não ter nascido em família nem importante nem rica, senão ia ser um reacionário. (risos).
A Teresina, que inspirou um livro com seu nome, o senhor conheceu depois?
Conheci em Poços de Caldas... essa era uma mulher extraordinária, uma anarquista, maior amiga da minha mãe. Tenho um livrinho sobre ela. Uma mulher formidável. Mas eu me politizei muito tarde, com 23, 24 anos de idade com o Paulo Emílio. Ele dizia: “é melhor ser fascista do que não ter ideologia”. Ele que me levou para a militância. Ele dizia com razão: cada geração tem o seu dever. O nosso dever era político.
E o dever da atual geração?
Ter saudade. Vocês pegaram um rabo de foguete danado.
No seu livro “Os parceiros do Rio Bonito” o senhor diz que é importante defender a reforma agrária não apenas por motivos econômicos, mas culturalmente. O que o senhor acha disso hoje?
Isso é uma coisa muito bonita do MST. No movimento das Ligas Camponesas não havia essa preocupação cultural, era mais econômica. Acho bonito isso que o MST faz: formar em curso superior quem trabalha na enxada. Essa preocupação cultural do MST já é um avanço extraordinário no caminho do socialismo. É preciso cultura. Não é só o livro, é conhecimento, informação, notícia... Minha tese de doutorado em ciências sociais foi sobre o camponês pobre de São Paulo – aquele que precisa arrendar terra, o parceiro. Em 1948, estava fazendo minha pesquisa num bairro rural de Bofete e tinha um informante muito bom, Nhô Samuel Antônio de Camargos. Ele dizia que tinha mais de 90 anos, mas não sabia quantos. Um dia ele me perguntou: “ô seu Antonio, o imperador vai indo bem? Não é mais aquele de barba branca, né?”. Eu disse pra ele: “não, agora é outro chamado Eurico Gaspar Dutra”. Quer dizer, ele está fora da cultura, para ele o imperador existe. Ele não sabe ler, não sabe escrever, não lê jornal. A humanização moderna depende da comunicação em grande parte. No dia em que o trabalhador tem o rádio em casa ele é outra pessoa. O problema é que os meios modernos de comunicação são muito venenosos. A televisão é uma praga. Eu adoro, hein? Moro sozinho, sozinho, sou viúvo e assisto televisão. Mas é uma praga. A coisa mais pérfida do capitalismo – por causa da necessidade cumulativa irreversível – é a sociedade de consumo.
Marx não conheceu, não sei como ele veria. A televisão faz um inculcamento sublimar de dez em dez minutos, na cabeça de todos – na sua, na minha, do Sílvio Santos, do dono do Bradesco, do pobre diabo que não tem o que comer – imagens de whisky, automóvel, casa, roupa, viagem à Europa – cria necessidades. E claro que não dá condições para concretizá-las. A sociedade de consumo está criando necessidades artificiais e está levando os que não têm ao desespero, à droga, miséria... Esse desejo da coisa nova é uma coisa poderosa. O capitalismo descobriu isso graças ao Henry Ford. O Ford tirou o automóvel da granfinagem e fez carro popular, vendia a 500 dólares. Estados Unidos inteiro começou a comprar automóvel, e o Ford foi ficando milionário. De repente o carro não vendia mais. Ele ficou desesperado, chamou os economistas, que estudaram e disseram: “mas é claro que não vende, o carro não acaba”. O produto industrial não pode ser eterno. O produto artesanal é feito para durar, mas o industrial não, ele tem que ser feito para acabar, essa é coisa mais diabólica do capitalismo. E o Ford entendeu isso, passou a mudar o modelo do carro a cada ano. Em um regime que fosse mais socialista seria preciso encontrar uma maneira de não falir as empresas, mas tornar os produtos duráveis, acabar com essa loucura da renovação. Hoje um automóvel é feito para acabar, a moda é feita para mudar. Essa ideia tem como miragem o lucro infinito. Enquanto a verdadeira miragem não é a do lucro infinito, é do bem-estar infinito.
Quem é
Antonio Candido de Mello e Souza nasceu no Rio de Janeiro em 24 de julho de 1918, concluiu seus estudos secundários em Poços de Caldas (MG) e ingressou na recém-fundada Universidade de São Paulo em 1937, no curso de Ciências Sociais. Com os amigos Paulo Emílio Salles Gomes, Décio de Almeida Prado e outros fundou a revista Clima. Com Gilda de Mello e Souza, colega de revista e do intenso ambiente de debates sobre a cultura, foi casado por 60 anos. Defendeu sua tese de doutorado, publicada depois como o livro “Os Parceiros do Rio Bonito”, em 1954. De 1958 a 1960 foi professor de literatura na Faculdade de Filosofia de Assis. Em 1961, passou a dar aulas de teoria literária e literatura comparada na USP, onde foi professor e orientou trabalhos até se aposentar, em 1992. Na década de 1940, militou no Partido Socialista Brasileiro, fazendo oposição à ditadura Vargas. Em 1980, foi um dos fundadores do Partido dos Trabalhadores. Colaborou nos jornais Folha da Manhã e Diário de São Paulo, resenhando obras literárias. É autor de inúmeros livros, atualmente reeditados pela editora Ouro sobre Azul, coordenada por sua filha, Ana Luisa Escorel.
Joana Tavares
Publicado originalmente na edição 435 do Brasil de Fato.
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Paraguai extradita “criminoso dos bebês” argentino

A monstruosidade das ditaduras realmente parece não ter tido limites. A Justiça do Paraguai decidiu extraditar pela segunda vez para a Argentina o ex-médico militar Noberto Atilio Bianco, acusado de fazer o parto de presas políticas grávidas, “sumindo” com seus bebês. As mães eram em seguida assassinadas no Hospital Militar do Campo de Mayo, na grande Buenos Aires.
Bianco já havia sido extraditado do Paraguai, em 1998. Depois fugiu de novo para lá, onde foi novamente preso.
Ele era um dos responsáveis pelo parto de presas políticas e as crianças, logo após o parto, eram adotadas por outros militares e amigos do regime. Ele próprio ficou com dois, a quem denominou Carolina e Pablo, os quais mais tarde, por exames de DNA, tiveram comprovado serem filhos de pessoas desaparecidas na ditadura.
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Gol anuncia fusão de barrinhas de cereal com saquinho de amendoim

Romário, Aécio e Indio da Costa querem saber se a companhia promoverá a fusão da Caninha 51 com o conhaque Underberg
CONGONHAS - Em mais uma operação de engenharia com vistas à otimização de custos, busca de sinergias e demais expressões do jargão empresarial, funcionários da GOL apresentaram o mais novo produto a ser incorporado nos voos domésticos. "Senhoras e senhores, é com orgulho que anunciamos a mudança do cardápio em todas as nossas rotas domésticas. De agora em diante, por modestos R$ 8, 79 – apreciamos o troco –, os passageiros poderão se deliciar com nossas barrinhas de amendoim”, anunciou o porta-voz da empresa antes de passar um vídeo demonstrando como abrir a embalagem do novo acepipe.
A empresa anunciou ainda a fusão, nos principais aeroportos do país, de todos os portões de embarque. "Nossos clientes estavam um pouco cansados com a mudança constante dos portões. Resolvemos o problema juntando todo mundo numa entrada só. Agora não tem mais confusão: o passageiro chega e vai diretamente para o portão 3. A fila começa ali mesmo, no meio-fio do desembarque do taxi. É simples e cômodo”, explicou o diretor Robson Cláudio Belchior.
A pedido do CADE, funcionários do Inmetro mediram o tamanho das barrinhas oriundas da fusão e asseguraram que a guloseima tem 3,1 centímetros de largura por 0,6 centímetros de espessura. "Mas é preciso ressaltar que não há dinheiro do BNDES envolvido", declarou Belchior.
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Cientistas acham tipo de gonorreia resistente a todos os antibióticos

Doença é altamente contagiosa. Melhor forma de prevenção é a camisinha.
Um grupo de cientistas anunciou nesta semana a descoberta de uma variação da gonorreia resistente a todos os antibióticos conhecidos, em uma conferência sobre doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) realizada no Canadá.
Segundo o líder da pesquisa, Magnus Unemo, a descoberta é “alarmante e previsível”.
De acordo com ele, a bactéria causadora da doença sempre demonstrou uma forte capacidade de se adaptar e se tornar resistente a todas as medicações utilizadas contra ela.
A gonorreia é uma das DSTs mais transmitidas no mundo. Sem tratamento, pode levar a complicações irreversíveis nos sistemas urinário e reprodutivo. Para evitá-la, como em todas as DSTs, a melhor opção é usar camisinha em todas as relações sexuais.
Para Unemo, ainda é cedo para saber se a nova variação vai se espalhar, mas é preciso ficar atento porque a doença é altamente contagiosa.
Nota do Blog: Com a palavra a Igreja Católica.
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Pagot detona a Veja e o PIG

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Dilma faz a coisa certa: dá um murro na mesa

Alguém, algum dia, uma hora qualquer tinha que fazer isso mesmo: dar um murro na mesa e acabar com esta história de lotear o governo entre os partidos aliados, entregando ministérios de porteira fechada para cada um cuidar do seu feudo sem dar satisfações a ninguém.
Se antes tudo era feito em nome da "governabilidade", o fato é que, na prática, o país estava ficando ingovernável. A possibilidade aventada pelo PR de chamar Alfredo Nascimento para participar da escolha do sucessor de Alfredo Nascimento pode ter sido a gota d'água. Passaram da conta, o custo ficou alto demais, como se dizia antigamente.
Para ninguém dizer que estou ficando muito metido e abusado, vou reproduzir aqui o último parágrafo do post publicado ontem sob o título "Está na hora de chamar a benzedeira":
"Para tudo, no entanto, tem que haver um limite. Tenho certeza de que se a presidente começar pelo Ministério dos Transportes a fazer uma limpa geral e passar a dar maior valor à competência técnica e à ficha limpa dos ministros para gerir os destinos do país, ela terá todo o apoio de quem a elegeu, e até de quem não votou nela."
Não tenho a pretensão de achar que a presidente Dilma tenha tempo para ler meu modesto blog, mas foi exatamente desta forma que ela agiu, sem consultar o PR nem ninguém, ao confirmar o nome de um funcionário de carreira para ocupar definitivamente o cargo de ministro dos Transportes.
O técnico Paulo Sérgio Passos trabalha no MT há quase 30 anos, era secretário executivo e exerceu duas vezes interinamente o cargo de ministro quando o titular Alfredo Nascimento se afastou para disputar eleições, em 2006 e 2010. Estava como interino novamente desde a semana passada, quando Nascimento caiu pelo conjunto da obra que vinha executando desde 2004.
Os dirigentes do PR, o Partido Republicano (!) que se apropriara do Ministério dos Transportes, não gostaram da forma como agiu Dilma Rousseff, é claro. Afinal, perderam o comando de um orçamento anual de R$ 16 bilhões, um dos maiores da República. Dizem que o partido ficou "incomodado". E daí?
A presidente Dilma certamente sabe os riscos que está correndo com sua base aliada cada vez mais insatisfeita e beligerante. Mas, se ela não fizesse isso agora, perderia o controle do poder e a autoridade para impor sua própria forma de governar.
A indicação de Passos, desta forma, pode ter sido apenas mais um capítulo da mudança no governo iniciada com a nomeação de Gleisi Hoffmann para comandar a Casa Civil, em lugar de Antonio Palocci, que a presidente também anunciou sem ouvir ninguém.
Até onde vão a fôrça e a disposição para Dilma montar um time à sua imagem e semelhança, mudando hábitos políticos arraigados há séculos, não sabemos. Se vai dar certo, também não posso garantir.
Aconteça o que acontecer, porém, pelo menos por algum tempo voltamos a ter esperança de viver num país mais decente sem ter que sair do Brasil.
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O novo Passos de Dilma

A escolha do novo ministro dos transportes é um retrato acabado de como a imprensa é preguiçosa no exercício do bom jornalismo. O governo já tem seis meses e os colegas preferem ficar de plantão em frente aos prédios públicos, nas salas de imprensa, ou nos salões do parlamento esperando declarações quando, na verdade, a notícia está em outros lugares.
Nenhum dos repórteres ou analistas de política foi capaz de identificar ou sequer considerar a possibilidade de Passos assumir a pasta. É triste, sinal de que não sabemos fazer uma boa cobertura de política. O mundo mudou, mas não em Brasília. Os vícios de origem permanecem os mesmos.
O que um repórter realmente comprometido deveria fazer? Descobrir, durante a transição do governo, quem eram os novos interlocutores, quem de fato passou a ter influência, quem centralizou as informações relevantes. Só assim seria possível ter matéria-prima para escrever. Mas há outro problema: parte dos colegas prefere fazer jornalismo-denúncia e se afasta de quem de fato tem poder.
A maioria, no entanto, prefere mesmo o "gabinetão", como chamamos nas redações. Um amontoado de declarações que, ou estão na superfície, ou estão deslocadas do sentido real. Quer dizer, os atores ali estão apenas encenando para os jornalistas. Todos sabem que aquela não é a realidade. Mas são grandes as pressões dos editores para que todos tenham nos telejornais noturnos e jornais impressos do dia seguinte as mesmas declarações.
O resultado é: mais uma vez a presidente da República surpreende a todos.
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Abuso de poder na comunicação em Pernambuco

A notícia que transcrevo abaixo, do portal Ombuds PE, denuncia a adoção da regra-mordaça para os trabalhadores do Sistema Jornal de Commercio de Comunicação. É o caso de perguntar o que temem seus gestores.
Mas é, a um só tempo, prova arrematada do que move as empresas de comunicação no país. As exceções, se existem, só confirmam a regra.
Não se contentam em impor padrões rasteiros no trato da informação – atividade-meio do seu existir -, tratada, no mais das vezes, como reles mercadoria ou moeda de troca para seus interesses. Não é suficiente pagar salários inomináveis para a maioria dos seus profissionais. Acreditam que podem bloquear, consciências e achincalhar direitos. É inadmissível.
Nesse departamento, as coisas sempre podem piorar. Há coisa de seis anos, o jornal, carro-chefe da organização, demitiu o jornalista e editor-chefe, Cícero Belmar. O motivo: ele havia autorizado a publicação de matéria sobre a libertação, por fiscais do Minsitério do Trabalho, de 1.200 trabalhadores-escravos na Destilaria Gameleira, no município de Confresa, em Mato Grosso. A notícia gerou protestos públicos do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Pernambuco, e repercutiu Brasil afora – clique para ler o que publicou Carta Maior.
Detalhe: a empresa era de propriedade do empresário pernambucano Eduardo Queiroz Monteiro, também proprietário do jornal Folha de Pernambuco, concorrente da casa. A Folha é conhecida, também, como mestre em atrasar salários de seus trabalhadores, e em disseminar empecilhos nas relações trabalhador-sindicato, por exemplo.
Com a palavra os sindicatos de trabalhadores no ramo, em especial o Sindicato dos Jornalistas pernambucanos.
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Por Sistema Jornal do Commercio de Comunicação entenda-se: o jornal diário, TV e Rádio Jornal do Commércio, TV e Rádio Jornal Caruaru, Rádio JC/CBN, Rádio Jornal Petrolina, Portal JC Online, JC Mobile. Um clássico da propriedade cruzada de impacto regional.
Pertence ao grupo JCPM, do empresário João Carlos Paes Mendonça, com forte incursão no setor de administração shoppings centers. São três no Recife, inclusive o considerado o maior do Nordeste; o quarto deve ser inaugurado em 2012, e está sendo construído sobre o mangue, no Pina, Zona Sul e um na vizinha Jaboatão dos Guararapes. Há dois em Salvador/BA e dois em Aracaju/SE e um em São Paulo.E há o JCPM Trade Center, um empresarial-monstro de concreto e vidro plantado em frente a Praia do Pina, bem na entrada da comunidade de Brasília Teimosa.
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Eis a denúncia:
11/07/2011
Sistema Jornal do Commercio de Comunicação limita atuação de seus profissionais nas redes sociais
Até onde vão os limites da liberdade de expressão? E da liberdade de imprensa? Até onde vão os limites da autoridade de empresas de comunicação sobre opiniões e valores de seus funcionários? São perguntas mais do que atuais nesses tempos em que as redes sociais ganham cada vez mais espaço e repercussão. Recentemente, a BBC anunciou que pretende elaborar um contrato pare restringir os comentários de seus jornalistas no Twitter. A agência de notícias Associated Press também vem tratando do assunto, orientando seus profissionais sobre casos específicos.
No último final de semana, O Sistema Jornal do Commercio de Comunicação, sediado no Recife, deu sua contribuição para a discussão. Num email (leia aqui) enviado a todos os profissionais da corporação (não apenas ao jornalismo), o diretor superintendente do grupo, Rodolfo Tourinho, informou as novas regras de utilização das redes sociais, impondo limites à atuação dos profissionais nesses espaços e impondo regras que deverão ser atendidas “de forma absoluta”.
Algumas recomendações dizem respeito ao sigilo sobre processos internos do grupo ou mesmo sobre a não divulgação de informações que estão sendo apuradas pelo Sistema. Também está proibida a participação de profissionais da empresa em espaços de redes sociais mantidos por outras corporações. Ou seja: em tese, se um estagiário do JC, em seu tempo livre, participar de um evento contra a pedofilia, não poderá conceder entrevista a um site mantido pelo portal Terra.
Entre as normas, está a proibição de se expressar posições partidárias (que possam vir a prejudicar a independência editorial do SJCC). Alguns itens são narrados em texto aberto a diversas interpretações, como o de número 3: (é vedado) o repasse ao mercado de mídia de temas, direta e indiretamente, relacionados às atividades ligadas ao SJCC, ou qualquer outra informação e conteúdo obtidos em razão do relacionamento com o SJCC;
“Se a gente trabalha com comunicação, quase tudo é direta ou indiretamente relacionado às atividades da empresa, não é?”, desabafou um repórter. “O clima na redação está péssimo. Muita gente adquiriu o hábito de usar o twitter e o facebook, por exemplo. Outros têm blogs em que expressam suas opiniões sobre os mais diversos assuntos”, informou outra fonte deste Ombuds PE. “É mordaça, né?”, desabafou um outro, que com a decisão pretende encerrar suas atividades nas redes sociais. “E se eu fizer uma crítica a um cara que é amigo do JC? Não posso perder meu emprego?”.
A imprecisão e a margem de interpretação de algumas regras faz crer que a aplicabilidade delas está sujeita a algumas variáveis. Também suscita dúvidas que, de acordo com o email, “deverão ser encaminhadas ao departamento Jurídico”. Durante a tarde, diversos jornalistas ligados ao grupo trocaram mensagens manifestando sua insatisfação com a decisão empresarial. Quero ver quem vai ficar monitorando as redes sociais pra dedurar a galera”, alfinetou um funcionário.
“Como é que jornalista é formador de opinião se não pode nem ter sua própria opinião?”, afirmou outro, reservadamente. Num perfil do Facebook, um outro repórter postou, sem comentários em texto, imagens que representam a censura, como um rosto amordaçado ou um elefante com o rosto coberto por um lençol.
Informado sobre a mensagem, o representante do Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco (SinjoPE) na Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) se disse surpreso com o conteúdo. “Tudo o que diz respeito à liberdade de expressão faz parte de nossa luta e de nosso interesse. A mensagem do superintendente aos profissionais do SJCC me causa uma estranhamento muito grande, até porque vai na contramão de tudo que vem sendo feito e discutido em todo o Brasil. O que queremos é que a liberdade de se comunicar seja de todas as pessoas e certamente não é dessa maneira unilateral que o assunto tem que ser tratado”, opinou. Mello conclui informando que a SinjoPE deverá reunir-se amanhã e o assunto será tratado de forma institucional pela representação profissional.
Procurado por este OmbudsPE para falar sobre o comunicado, Tourinho não estava disponível. “Ele está cheio de reuniões. Não pode falar nem cinco minutos. Não tem tempo nem para a própria equipe interna”, explicou sua secretária.
Sendo assim, se o superintendente, ou qualquer outro diretor do SJCC, desejar utilizar este espaço para esclarecer ou argumentar sobre este conteúdo – ou sobre qualquer outro – poderá entrar em contato com este OmbudsPE e terá sua expressão garantida, seja através de artigo, entrevista, vídeo o formato que preferir, com o devido destaque.
Sulamita Esteliam
By: A Tal Mineira
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WikiLeaks: A embaixada e a mídia

A pedido da Pública, repórter avaliou como a diplomacia americana usa nossa mídia – e os nossos jornalistas – como fontes para levantar informações que são enviadas a Washington
Boa parte dos 3 mil telegramas da estrutura diplomática dos Estados Unidos no mundo que dizem respeito ao Brasil vazados pelo Wikileaks consiste em resenhas do que foi publicado em jornais e revistas nacionais, chamados no jargão dos diplomatas como “reação da mídia” (“media reaction”).
Há ainda relatos de reuniões com jornalistas, entrevistas concedidas “off the record” (nas quais o repórter compromete-se a não revelar a fonte das informações), conversas casuais que mostram um e bom relacionamento com a mídia. Termos associados à imprensa e menções a grandes veículos noticiosos ocorrem em 1.305 telegramas, 40,8% do total¹.
Entre os jornais, o mais citado como fonte nos telegramas é a Folha de S.Paulo, com 541 menções em 384 mensagens. Comumente qualificado como o “diário de maior tiragem do país”, em algumas ocorrências, o impresso dirigido por Octávio Frias Filho é descrito como o “maior diário esquerdista” ou como “progressista” (“liberal”) no jargão dos telegramas diplomáticos.
O segundo campeão de leitura e atenção por parte dos funcionários da diplomacia é O Estado de S.Paulo, qualificado por diversas vezes como “conservador” e mais frequentemente “de centro-direita”.
Nas buscas pelo nome do jornal, são 480 citações em 317 telegramas.
O Globo (em 89 mensagens), Valor Econômico (em 84), Jornal do Brasil (em 23) e Correio Braziliense (em 11) são citados a respeito de reportagens e artigos pontuais. Outros diários aparecem com bem menos frequência. O Jornal da Tarde, também do Grupo Estado, surge em 2003 como “jornal regional de esquerda”.
Entre as revistas, Veja é a preferida nas leituras dos diplomatas. São 85 referências em 51 telegramas, sem qualquer qualificação além de “semanal”. Em um único episódio, ela é comparada à norte-americana Time. Em outros, como “líder de circulação”. Época é mencionada em nove mensagens (em uma, é classificada como “revista financeira”, em outras como “semanal noticiosa”) e CartaCapital aparece em duas ocasiões, sendo em uma delas, em dezembro de 2004, descrita como “nacionalista de esquerda”.
IstoÉ e IstoÉ Dinheiro são citadas em 16 oportunidades. Em um único episódio, referente à Liga dos Camponeses Pobres de Rondônia, a cobertura da publicação da Editora Três é vista como “geralmente precisa e justa”, embora suas reportagens sejam “mais desequilibradas do que a líder em circulação Veja”.
Colunistas
Poucos colunistas têm prestígio entre os diplomatas como fontes de informação citadas nos telegramas.
O editorialista da Folha Clovis Rossi lidera com 40 menções, restritas a excertos de sua coluna diária. Demétrio Magnoli, “geógrafo” e “sociólogo”, aparece em resenhas de mídia por oito vezes. Miriam Leitão, analista de economia do grupo Globo, é mencionada cinco vezes, como “respeitada”, “altamente influente” e “aclamada”. Dora Kramer aparece por duas vezes, adjetivada como “influente”.
Há também duas menções ao recém-eleito imortal da Academia Brasileira de Letras, Merval Pereira, e uma singela citação a Diogo Mainardi. O primeiro é taxado ora como “proeminente”, ora como “realista” e “menos otimista” do que o restante dos analistas de plantão. O segundo, como “popular colunista”, à época em que escrevia para a Veja.
O âncora Boris Casoy, em 2004 na Rede Record, também recebe o adjetivo de “popular” quando é citado condenando o projeto de Conselho Nacional de Jornalistas, proposto pela Federação Nacional da categoria. Um documento assinado pelo embaixador Danilovich reproduz sua fala na TV quando ele taxou a iniciativa de “abominável” e uma “óbvia tentativa de controlar jornalistas e a imprensa”.
Documentos mostram encontros de membros do corpo diplomático com diversos jornalistas de peso e representantes de grandes grupos midiáticos
A estrutura diplomática dos Estados Unidos mantém-se permanentemente alerta para o comportamento da imprensa. Um dos centros das atenções, segundo mostram documentos vazados pelo WikiLeaks, é a repercussão de questões relacionadas à política interna norte-americana, além de questões de relações bilaterais e temas relacionados a Israel.
Em meio a diversas análises do que sai na imprensa brasileira, há divagações curiosas. Em 23 de outubro de 2009, em meio à discussão de como a mídia se comporta, um telegrama (UNCLAS SECTION 01 OF 08 BRASILIA 001254) assinado pela conselheira diplomática Lisa Kubiske, tudo começa por elogios: “Os jornalistas brasileiros, falando genericamente, são profissionais, equilibrados e buscam objetividade”.
A seguir, ela sustenta que muitos são “imparciais” no tratamento concedido aos Estados Unidos, ainda que não concordem pessoalmente com as políticas norte-americanas. “Alguns articulistas da mídia dominante demonstram viés contra as políticas dos EUA, embora a tendência tenha começado a mudar com a eleição do presidente (Barack) Obama”, avalia.
A análise se aprofunda: “Um pequeno segmento do público brasileiro aceita a noção de que os Estados Unidos tem uma campanha para subjugar o Brasil economicamente, miná-lo culturalmente e ocupar com tropas pelo menos uma parte de seus territórios. Esse tipo de atitude e de crenças influenciam repórteres e comentaristas em questões como o retabelecimento da Quarta Frota da Marinha dos EUA (caracterizada como uma ameaça para o Brasil), supostamente por nefastas intenções em direção à Amazônia e à ‘Amazônia Azul’ (mares onde novas reservas de petróleo foram encontradas) e mais recentemente o anúncio do acesso dos EUA a bases militares colombianas”.
Há alguns telegramas que relatam encontros de membros da imprensa com embaixadores, cônsules e funcionários da diplomacia.
RBS amiga
Em um telegrama de 2005, o então cônsul de São Paulo, Patrick Dennis Duddy, narra uma visita do então embaixador John Danilovich a Porto Alegre. A capital gaúcha contava com um consulado próprio, até 1997, quando passou a ter apenas uma agência consular.
O embaixador teve três dias agitados, recheados de encontros com empresários e políticos.
Um dos pontos mais curiosos do relato diz respeito a uma entrevista concedida por Danilovich aos veículos da RBS. “O embaixador teve um almoço ‘off the record’ com a direção editorial do grupo RBS, o maior grupo regional de comunicação da América Latina”.
Os números da empresa são apresentados no relato, com detalhamentos sobre operações no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina, incluindo a afiliação à Rede Globo, as 120 estações de rádio em dez estados e o jornal Zero Hora.
“O embaixador subsequentemente concedeu uma entrevista ‘on the record’ para o Zero Hora e para a rede de rádios.”
O documento ainda frisa, em sequência, as relações política entremeadas ao grupo de comunicação. “Pedro Parente, que era chefe da Casa Civil do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), é vice-presidente executivo da RBS”, aponta Duddy. Imediatamente a seguir, uma “nota” complementa a informação: “Nós temos tradicionamente tido acesso e relações excelentes com o grupo”.
Estadão amigo
Um telegrama de março de 2005, vazado em fevereiro de 2011, relata um encontro entre o embaixador John Danilovich e líderes da comunidade judaica da capital paulista. A audiência — dois meses antes da Cúpula América do Sul-Países Árabes daquele ano, em Brasília — teve a presença de Abraham Goldstein, presidente da B’nai Brith do Brasil, e Henry Sobel, rabino chefe da maior sinagoga paulistana.
O relato da conversa transcorre no sentido de aprofundar laços com comunidade judaica, mas guarda notas sobre a mídia que passaram despercebidas na ocasião do vazamento, em dezembro do ano passado (o documento já foi publicado pelo WikiLeaks).
Goldstein teria dito a Danilovich que possivelmente haveria uma campanha de imprensa para garantir os pontos de vista favoráveis a Israel e à comunidade de judeus no país.
“Goldstein disse que enquanto o editor de O Estado de S.Paulo prometeu cobertura “positiva”, outros jornais de grande circulação são vistos como tento inclinação pró-Palestina e não parecem ser de grande ajuda”, redige o embaixador. Na “campanha” estudada, havia menção a buscar não judeus que pudessem criticar o governo brasileiro no que eles consideravam uma tendência anti sionista, centrada na figura do secretário-geral do Itamaraty Samuel Pinheiro Guimarães.
Encontros com jornalistas
Nos telegramas, além de muita leitura e fichamento de jornais, há relatos de reuniões esporádicas com profissionais de mídia.
Carlos Eduardo Lins da Silva, ex-ombudsman da Folha de S.Paulo, participou de quatro encontros com diplomatas descritos nos telegramas. O primeiro, em abril de 2006, foi um encontro com Anthony Wayne, assistente do Departamento de Estado para assuntos econômicos que participava do Fórum Econômico Mundial América Latina. Durante o evento, sediado na capital paulista, Lins da Silva é apresentado como “ex-jornalista” e “consultor político”. No encontro, ele teria afirmado acreditar na viabilidade de Geraldo Alckmin (PSDB) como candidato da oposição.
O segundo encontro ocorreu em 2008, quando Lins da Silva havia sido reconduzido ao posto de ombudsman da Folha.
O então senador do Nebraska, o republicano Chuck Hagel, teve um almoço em São Paulo com a participação de Celso Lafer, ministro de Relações Exteriores (1995-2002) da gestão Fernando Henrique Cardoso, Rubens Barbosa, embaixador brasileiro em Washington (1999 a 2004), Rubens Ricupero, ex-ministro da Fazenda e ex-embaixador nos EUA e na OMC, e Sérgio Amaral, ex-ministro da Indústria (2001-2002). Mas o único participante sem elos com ministérios nem com o Itamaraty não tem nenhuma declaração citada.
Em novembro de 2008, ainda em seu segundo mandato como ouvidor da Folha, Lins da Silva é qualificado como “ex-editor sênior” do Valor Econômico. A reunião, no caso, foi com o cônsul-geral Thomas White a respeito dos planos de exploração dos campos de petróleo do Pré-Sal. O jornalista avaliava que a crise financeira atrasaria os prazos de extração dos poços do campo de Tupi.
Quando Arturo Valenzuela, secretário assistente para assuntos do hemisfério ocidental, passou pelo Cone Sul em 2010, Lins da Silva aparece novamente em um telegrama diplomático. No mesmo encontro estavam o sociólogo Bolivar Lamounier, Lafer, Barbosa e José Goldemberg, ex-ministro de Ciência e Tecnologia e da Educação na década de 1990.
O ombudsman “destacou o vigor financeiro sem precedentes do PT para executar uma campanha, após oito anos no governo” que, em caso de derrota, produziria uma oposição “muito problemática”.
Lamounier aparece em episódio anterior, ainda em 2007. Ele teria almoçado em 28 de setembro ao lado de Jose Augusto Guilhon de Albuquerque com funcionários da embaixada em São Paulo. Ambos são apresentados como acadêmicos “associados” ao PSDB. O blogueiro do site da revista Exame, da editora Abril, apostava que Lula não tentaria terceiro mandato e que a candidatura apoiada por ele levaria a melhor. Acertou.
E disse ainda que o presidente seguinte teria de buscar apoio do PMDB, em função de seu tamanho e peso. “O PMDB, avisou Lamounier, é sempre o problema, nunca a solução, porque não tem nenhuma identidade política nem ideológica e existe com o único propósito de avançar em interesses pessoais para seus membros.
Waack
Quem também participou de almoços e encontros com funcionários do governo dos Estados Unidos foi o apresentador do Jornal da Globo, William Waack. O primeiro entre os citados foi em 28 de abril de 2008. Uma visita de jornalistas ao almirante Philip Cullom, que passava pelo Brasil para uma série de exercícios conjuntos entre as marinhas dos Estados Undidos, Brasil e Argentina.
De acordo com o relato do então embaixador Clifford Sobel, a visita de “membros da imprensa brasileira” resultou numa “cobertura positiva”. Entre todos os jornalistas, apenas o apresentador do Jornal da Globo é nomeado, por ter “apresentado em duas reportagens para O Globo sobre a visita que reflete a importância da parceria dos EUA com o Brasil”.
Outro encontro deu-se em setembro de 2009, com a presença Sérgio Fausto, à época diretor do Instituto Fernando Henrique Cardoso (iFHC). Nele, Waack trouxe a informação, que posteriormente se revelaria falsa, de que os então governadores de São Paulo, José Serra, e Minas Gerais, Aécio Neves, teriam acertado uma chapa-puro-sangue do PSDB para rivalizar com Dilma Rousseff.
O terceiro encontro foi com o atual embaixador, Thomas Shannon, em fevereiro de 2010. Waak teria dito que em um fórum com empresários, Aécio Neves teria se mostado “o mais carismático”, Ciro Gomes “o mais forte”, Serra “claramente competente” e Dilma “a menos coerente”.
Em agosto de 2005, há menção a um encontro com oito jornalistas e comentaristas de jornais, revistas, TV e internet. Nenhum é mencionado, mas muitas teorias são listadas sobre o que se sucederia às denúncias de corrupção consagradas como o escândalo do “Mensalão”.
Fernando Rodrigues, repórter especial de política da Folha e autor do blog UolPolítica, teve pelo menos duas conversas com o assessor político da embaixada dos Estados Unidos, segundo os documentos. Em ambos, foi procurado para dar a contextualização de questões relativas ao país: o funcionamento do Tribunal de Contas da União e o futuro de Aldo Rebelo (PCdoB-SP) caso perdesse a eleição para presidente da Câmara dos Deputados em 2007.
Anselmo Massad, especial para a Pública
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Estudo: homens que lavam a louça têm melhor vida sexual

Agora é científico: os homens que dividem as tarefas domésticas com a companheira contribuem para a harmonia entre o casal e podem ter uma vida sexual mais satisfatória, revela um estudo americano.
“Em geral, quanto mais tarefas domésticas os homens fizerem, mais felizes estarão as mulheres”, explicou à AFP Scott Coltrane, sociólogo da Universidade de Riverside, na Califórnia (EUA). Citado pelo espanhol El Periodista Digital, Coltrane acrescentou que os terapeutas já reconhecem uma correlação direta entre o trabalho que os homens fazem em casa e a frequência das relações sexuais, apesar de os sociólogos, por norma, ainda não levarem em conta este dado.
Joshua Coleman, psicólogo do Council of Contemporary Families (Conselho das Famílas Contemporâneas), comentou o estudo no site da organização americana e sublinhou que… “As mulheres dizem sentir mais atração sexual e afeto pelos maridos se estes participarem nas tarefas do lar”.
No sentido oposto, advertiu que passar tempo demais com os filhos pode prejudicar a intimidade do casal e diminuir consideravelmente o número dos momentos românticos.
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Charge online - Bessinha - # 696

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Audiência da Globo cai 24% em todo o país

Segundo a coluna Outro Canal do jornal Folha de S. Paulo, a audiência da TV Globo caiu 24% em todo o País, de acordo com o PNT (Painel Nacional de Televisão) do Ibope.
De janeiro a junho de 2006, a média da emissora foi de 23,3 pontos, enquanto neste primeiro semestre, registrou 17,6. Na comparação do mesmo período, o SBT caiu de 7,4 para 5,6 (24%), a Record passou 5 pontos para 7,2 (crescimento de 44%). A Band e a RedeTV! mantiveram a mesma média. Cada ponto equivale a 185 mil domicílios no País.
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Novo termo de serviço do Yahoo! permite a leitura dos emails

Mudanças nos termos de serviço gera críticas sobre privacidade dos usuários
Uma mudança nos termos de serviço do serviço do email do Yahoo! vem causando polêmica pois permite que a empresa analise as mensagens enviadas e recebidas pelos usuários. A empresa justifica o escaneamento dos emails como uma forma de obter informações para fornecer publicidade direcionada.
No novo termo de serviço, o usuário "concorda em permitir que os sistemas automatizados do Yahoo! façam o escaner e analizem (sic) todo o conteúdo das comunicações em processo de envio ou recebimento, que foram enviadas ou recebidas pela sua conta (tais como, conteúdos de e-mail ou mensagens instantâneas e mensagens de SMS), incluindo conteúdo armazenado na sua conta para, sem limitação, fornecer recursos personalizados de produto e conteúdo". O termo avisa ainda que essa opção de privacidade não pode ser desativada. Além disso, ao concordar com o termo o usuário concorda que tem a obrigação de notificar usuários de outros serviços de email sobre a análise das mensagens, já que o serviço prevê o escaneamento de emails enviados e recebidos.
Segundo o site Daily Mail, a mudança nos termos provocou a ira nos defensores de privacidade. Segundo o site, a porta-voz do Consumer Watchdog, Georgina Nelson, afirma que a medida é uma violação grosseira da privacidade dos usuários e que a mudança é "absurda e irreal". Um porta-voz do Yahoo afirma que a medida também serve para detecção de spam, malware e proteção contra abusos. Segundo ele, esse escaneamento de emails já é utilizado pelos principais concorrentes do Yahoo!.
By: Terra
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Ex-governador pega 16 anos por desvio na folha de pagamento. Ele vai para a cadeia?

A Justiça Federal em Roraima condenou, na sexta-feira, o ex-governador Neudo Campos (PP) a 16 anos de prisão em regime fechado por formação de quadrilha e peculato, além de pagamento de multa. Segundo a decisão, ele era o mentor e participante do chamado "esquema dos gafanhotos", entre 1999 e 2002, quando era governador. No entanto, ele pode apelar em liberdade.
O esquema envolveria a inclusão de servidores fantasmas na folha de pagamento que teriam seus salários desviados. O dinheiro viria de verbas federais, através de convênios firmados entre o Estado e a União em troca de apoio político. Somente em 2002, teriam sido desviados cerca de R$ 70 milhões.
Esta foi a segunda condenação penal do ex-governador. Em abril, ele foi condenado pelos mesmos crimes, mas que envolveriam outros participantes, organizados em "quadrilhas autônomas", segundo o Tribunal Regional Federal.
O ex-governador Neudo Ribeiro Campos ainda responde a outras ações penais e de improbidade no contexto do denominado "esquema dos Gafanhotos'.
By: Os Amigos do Presidente Lula
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"Se dependesse da TV Globo, eu estaria morta", diz colega de Tim Lopes

Cristina Guimarães revela que já havia alertado a emissora sobre os riscos antes de o jornalista ser assassinado
“Se dependesse da TV Globo, eu estaria morta”. A declaração da jornalista Cristina Guimarães – vencedora do Prêmio Esso em 2001, junto com Tim Lopes, pela série ‘Feira das drogas’ – promete causar polêmica e agitar os bastidores do caso que ficou conhecido em todo o país. De volta ao Brasil após passar oito anos se escondendo de traficantes da Rocinha, que ameaçavam matá-la depois de reportagem veiculada no Jornal Nacional, ela conta em livro como a TV Globo lhe virou as costas e garante que o jornalista poderia estar vivo se a emissora tivesse dado atenção às ameaças recebidas.
De acordo com Cristina, sete meses antes de Tim ser morto por traficantes do Complexo do Alemão, ela entrou com uma ação judicial de rescisão indireta, na qual reclamava da falta de segurança para jornalistas da emissora. As denúncias integram o livro que está sendo escrito por Cristina e deve ser lançado nos Estados Unidos, no início do próximo ano. A obra, segundo a jornalista e publicitária, também deve virar filme.
“Não dava para escrever meu livro no Brasil. Aqui a Globo ainda tem uma influência muito forte e a obra poderia ser abafada de alguma maneira. Com o apoio do governo americano, fica mais fácil lançar nos EUA”, pondera.
By: Jornal do Brasil
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Promotoria: Governo de SP transgride a lógica do SUS

Para o promotor da área de saúde Arthur Pinto Filho, o decreto que regulamenta a cobrança aos planos de saúde contraria a regra do SUS (Sistema Único de Saúde), que determina que o atendimento público de saúde deve ser igualitário para todos.
A cobrança, segundo ele, criará nos hospitais públicos uma "dupla porta" -onde pacientes de convênios terão atendimento mais rápido.
"Isso viola a lógica do Sistema Único de Saúde. São Paulo não pode ter um SUS diferente do resto do Brasil. Quem vai pagar vai querer furar a fila. Estão entregando o patrimônio público às operadoras de plano de saúde", diz o promotor, que entrará com uma ação civil pública contestando o decreto.
Segundo ele, cerca de 50 entidades de saúde e de defesa do consumidor enviaram uma representação ao Ministério Público contra a lei.
Entre elas, o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), que também diz acreditar que haverá uma fila de espera exclusiva para pacientes de convênios.
Para a advogada Lenir Santos, do Instituto de Direito Sanitário Aplicado, a lei não deixa claro como será o acesso dos pacientes privados aos hospitais públicos.
"Será por telefone, como acontece no InCor [Instituto do Coração], ou vão ter que esperar na fila mais de seis meses, como o paciente SUS?", questiona.
Na avaliação do pesquisador da USP Mário Scheffer, especialista em saúde pública, o decreto usa termos genéricos que dão margem a diferentes interpretações.
"Ele fala que a OS deve "abster-se de proceder à reserva de leitos, consultas e atendimentos". Mas a OS pode não "reservar", e mesmo assim facilitar o acesso [de pacientes conveniados] à marcação e ao agendamento."
"Só saberemos o quanto a lei vai subtrair do SUS quando for assinado o primeiro convênio com os planos."
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Corregedoria diz que repórter foi alvo de armação da policia paulista

Mais de três anos depois de ser preso, a Corregedoria da Polícia Civil de São Paulo concluiu que o repórter Roberto Cabrini, hoje à frente do "Conexão Repórter", do SBT, foi alvo de uma armação de policiais civis. Em abril de 2008, Cabrini ficou preso por dois dias acusado de levar dez papelotes de cocaína em seu carro.
Na época, ele estava com uma comerciante que havia lhe prometido entregar vídeos comprovando a ligação entre integrantes da facção criminosa PCC com policiais.Segundo a investigação, a comerciante comprou a droga para forjar o flagrante e avisou os policiais.
No relatório final da Corregedoria, que foi encaminhado ao Ministério Público, não há uma explicação sobre o motivo de os seis policiais envolvidos, entre eles um delegado, terem armado a prisão.Mas uma das hipóteses apontadas pela Corregedoria envolve Oscar Maroni Filho, dono da boate Bahamas.
Segundo Vivian Milczewsky, ex-namorada de Maroni Filho, a prisão foi forjada para se vingar de uma reportagem na qual o Bahamas apareceu como "prostíbulo de luxo". Ouvido pela Corregedoria, Maroni negou."Fui vítima da banda podre da polícia, que foi alvo das minhas denúncias", disse Cabrini. Em relação a Maroni, Cabrini afirmou que o empresário é uma das pessoas que se incomodaram com suas reportagens.
Policiais
O responsável pela prisão de Cabrini foi o delegado Ulisses Augusto Pascolati, chefe do 100º DP (Jardim Herculano, zona sul de SP) na época da prisão.Cabrini estava com a comerciante Nadir Dias da Silva em seu carro quando os investigadores João Roberto de Moraes, Sérgio Jacob da Costa (O investigador Sérgio Jacob da Costa, segundo a Corregedoria, está preso, mas por outro caso.), Alexsandro Martins Luz e o carcereiro Igor André Santos Machado o prenderam.
Naquela noite de 15 de abril, os quatro foram prender Cabrini por ordem de Edmundo Barbosa, então investigador chefe do 100º DP.O investigador disse ter recebido uma denúncia anônima contra o repórter, mas a Corregedoria apurou que, antes da prisão, Nadir esteve no 100º DP e falou com Barbosa.
By: Falha
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Correa mantém processo judicial contra jornalista

O presidente do Equador, Rafael Correa, decidiu levar adiante um processo judicial contra o jornalista Emilio Palacio e os donos do jornal "El Universo", acusados de calúnia. Apesar da decisão de Palacio de renunciar ao cargo de editor de opinião após vários meses de pressões, ontem o advogado do presidente, Alembert Vera, assegurou que Correa não vai retirar a denúncia e continuará pedindo três anos de prisão e US$ 80 milhões de indenização. Ele afirmou que o presidente só está disposto a recuar se o jornal admitir que publicou mentiras.
Este é o terceiro processo judicial contra Palacio - desta vez acusado de ter divulgado calúnias sobre o presidente em um artigo, publicado em 6 de fevereiro passado, sobre a atuação de Correa durante a revolta policial que em setembro de 2010 provocou uma delicada crise política no país.
Terceiro jornalista afastado por atrito com presidente
No texto, o agora ex-editor de opinião do principal jornal de Guayaquil afirmou que, no futuro, algum sucessor do presidente poderia levá-lo a uma corte penal "por ordenar fogo (tiros) e sem aviso prévio contra um hospital repleto de civis e gente inocente". O hospital ao qual se refere Palacio foi o refúgio escolhido por Correa durante mais de 12 horas de crise, até que um comando conseguiu resgatá-lo.
- Palacio pediu desculpas? O jornal publicou em primeira página um texto que diga 'Perdão senhor Presidente?' - perguntou, em tom irônico, o secretário de Comunicação do governo, Fernando Alvarado.
Desde que apresentou sua carta de renúncia, no domingo, o jornalista decidiu permanecer em silêncio, à espera de uma resposta do Palácio Carondelet (sede do Executivo equatoriano). No texto, Palacio diz que sua decisão buscou, principalmente, garantir a preservação de todos os postos de trabalho de seus colegas e, sobretudo, a sobrevivência do jornal, já que seus donos não contam com os recursos suficientes para pagar o montante exigido pelo presidente.
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'Fizemos nosso melhor até o fim', diz ex-repórter do News of the World, demitido por email

A última edição do News of the World, neste domingo
A última capa do auto-intitulado "maior jornal do mundo" levou uma mensagem curta e melancólica aos leitores: "Adeus e Obrigado’". Com cerca de cinco milhões de cópias impressas, quase o dobro do normal, o tablóide britânico News of the World foi para as bancas neste domingo (10/07) com as datas de nascimento e de morte da publicação: 1843-2011. Após 168 anos, o jornal semanal em língua inglesa mais vendido no planeta foi tirado de circulação em consequência de sucessivas denúncias de uso de grampos telefônicos ilegais por funcionários e detetives particulares a serviço do veículo.
De acordo com a polícia do Reino Unido, aproximadamente quatro mil pessoas podem ter tido a privacidade violada. O objetivo das escutas era conseguir informações particulares de celebridades, membros da família real e até notícias de vítimas de crimes e de soldados mortos nas guerras do Iraque e do Afeganistão. A divulgação das suspeitas revoltou os ingleses. Com isso o jornal perdeu muitos patrocinadores. James Murdoch, chefe na Ásia e na Europa da News Corporation, dona do News of the World, decidiu fechar o tablóide. A medida foi considerada uma manobra para evitar a perda de credibilidade de outras empresas do grupo. A News Corporation, de propriedade do pai de James, Rupert Murdoch, é um dos maiores conglomerados de mídia do mundo.
Cerca de 200 jornalistas foram demitidos na quinta-feira (07/07) após o anúncio do fim do News of the World. Neil Ashton, de 38 anos, trabalhava como repórter esportivo no tablóide desde 2009. Assim como a maioria dos funcionários que perdeu o emprego, ele não tinha ligação com o jornal na época dos grampos, que teriam ocorrido antes de 2007. Abatido, o jornalista que já trabalhou para os jornais Sunday People e Daily Mail contou que recebeu a demissão por email. Em entrevista exclusiva ao Opera Mundi, Ashton narrou como foram os últimos momentos antes do fim do News of The World.
Houve em algum momento a suspeita de que a drástica decisão de tirar o jornal de circulação aconteceria?
No começo da semana passada tive a sensação de que algo muito ruim aconteceria. Quando foram publicadas as denúncias envolvendo as vítimas do 7/7 (data dos atentados terroristas que provocaram a morte de 56 pesssoas nos transportes públicos de Londres em 2005. As famílias das vítimas teriam tido os telefones grampeados), eu imaginei que não haveria mais solução. A imagem do jornal estava muito manchada e seria difícil mantê-lo em pé após tantas acusações.
A última reportagem escrita por Ashton para o tablóide britânico News of The World
Devido aos patrocínios que foram retirados?
Não apenas por isso. Os patrocínios são uma parte do negócio, mas as pessoas precisam confiar no jornal para ele existir. Quando você sabe que o veículo invadiu a caixa de mensagem dos familiares de pessoas mortas, não existe mais nenhuma confiança. A viabilidade da publicação fica mais complicada.
O Sr. começou a trabalhar para o jornal após os grampos. Se sente prejudicado por algo que aconteceu quando não estava lá?
É injusto, claro. Mas a situação é complexa, é difícil julgar. Para piorar o caso, as vítimas dos grampos são muitas e são anônimas. Se fossem conhecidos os nomes de todos os que tiveram a privacidade invadida, o jornal poderia procurar um por um e se desculpar. Mas essa lista não existe e o fechamento do jornal serviu como um pedido de desculpas coletivo.
Havia entre seus colegas alguém que estivesse na empresa desde a época das escutas?
Talvez duas pessoas no corpo de executivos. Entre os jornalistas, ninguém que eu conheça. Pelo que eu saiba, quase todos os funcionários eram relativamente novos. Esse escândalo começou a ser divulgado por volta de 2006. De certa forma, nós fomos contratados para substituir o time anterior. Mas agora surgiram as novas denúncias e acabou desse jeito.
Como a demissão foi comunicada?
Eu trabalho na rua a maior parte do tempo, quase não fico na redação. Na quinta-feira, tentei falar com um colega e não consegui. Achei estranho, porque é incomum o repórter ligar e não ser atendido. Como o escândalo estava cada vez maior, isso me deixou preocupado. Depois fiquei sabendo que a última edição do jornal seria publicada no domingo. Mais tarde, chegou no meu celular um email de James Murdoch, comunicando a demissão.
Qual foi a sua reação?
Não de total surpresa. Como eu disse, o clima já mostrava que algo ruim estava para acontecer. Mas foi muito triste ouvir a notícia e perceber que aquele era o fim não só do meu emprego, mas de um jornal histórico e tão popular.
Toda a publicidade da última edição do jornal foi revertida para a caridade
A última edição saiu no domingo, mas o trabalho acabou um dia antes. Como foi o clima na redação quando o jornal ficou pronto e seguiu para a impressão?
Foi um misto de tristeza com orgulho. As pessoas estavam muito emotivas, dava para notar lágrimas. É difícil ver acabar algo que você gosta e que faz parte da sua vida. Mas todos demonstraram um enorme senso de responsabilidade. Nós tínhamos que terminar o trabalho da melhor forma possível.
O produto final conseguiu traduzir nas páginas todo esse empenho?
Nós fizemos o nosso melhor até o fim. Espero que as pessoas apreciem isso. Trabalhar para o News of the World era uma coisa diferenciada. Todos os funcionários pensavam assim. Não era apenas um emprego para ganhar dinheiro e pagar as contas. Era algo que se fazia com sentimento. Sempre foi um jornal diferente dos outros, com características únicas, mais investigativas e fortes. Nós sabíamos da importância que o veículo tinha na sociedade britânica e nos sentíamos felizes por fazer parte daquilo.
Agora que acabou, o Sr. acredita que esse episódio pode afetar sua carreira de alguma forma?
Espero que não. Veja, uma coisa é o jornal fechar e eu perder o emprego. Mas nem eu nem os meus colegas podemos ser responsabilizados pelo que aconteceu no passado. Quando formos procurar trabalho, nós temos que ser avaliados pelos nossos currículos, e não por esse escândalo.
O público britânico parece entender essa diferença. Alguns dos seus colegas têm dado entrevistas na televisão sobre o escândalo e sempre exaltam o lado bom do trabalho para o jornal. Essa exposição pode ter um impacto positivo profissionalmente?
Honestamente, eu não quero tirar nenhum benefício dessa situação. O caso dos grampos é muito sério e tem que ser tratado como um problema. Foi um episódio lamentável para a nossa imprensa.
O Sr. já recebeu alguma oferta ou começou a procurar emprego essa semana?
Não. Eu evitei pensar nisso antes de encerrar de vez o trabalho no News of the World. Achei que o melhor era esperar o fim de semana passar e depois seguir com a vida. Nós vamos receber os salários normalmente por 3 meses. Não há tanta pressa para achar outro emprego.
Esse escândalo pode mudar o funcionamento da imprensa britânica?
Espero que sim. Os jornalistas cometem falhas como qualquer outro profissional. Mas existe uma diferença entre errar ao tentar fazer a coisa certa e acertar fazendo algo errado. Não podemos usar meios ilicitos para contar uma história, mesmo que ela seja verdadeira. Nossos erros afetam a vida de outras pessoas e nós devemos ter mais responsabilidade com o publico que confia na gente. É preciso buscar o maior padrão de qualidade possível. Tomara que a nossa imprensa rume para esse caminho.
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Rio Grande: Fepam concede licença de instalação ao Oceanário Brasil

A Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam), do Rio Grande do Sul, concedeu, nesta segunda-feira (11), a Licença de Instalação (LI) para o Oceanário Brasil, projeto que a Universidade Federal do Rio Grande (Furg) pretende implantar em Parque Ecológico, localizado entre o Cassino e os Molhes da Barra, em uma área de 176 hectares do lado do Oceano Atlântico. A licença aprova a execução da obra no local estabelecido e, a previsão é de que o oceanário fique pronto no final de 2012.
Oceanário Brasil - FURG/Rio Grande
De acordo com a secretária estadual de Meio Ambiente, Jussara Cony, esse projeto trata de uma inovação para o RS e Brasil e que, por isso, todos que contribuíram conjuntamente pela implantação estão de parabésns. "O processo deu entrada na Fepam em 2009 e foi um dos primeiros que tomamos conhecimento do significado, com a audiência concedida ao reitor João Carlos Cousin. Desde esse momento, respeitando a legislação e em consonância com a grandeza nos aspectos científico, tecnológico, econômico, educacional e ambiental, foi dada a agilidade necessária para o licenciamento", destacou Jussara.
Para o presidente da Fepam, Carlos Fernando Niedersberg, é uma grande satisfação assinar hoje a LI do Oceanário Brasil por ter a dimensão da importância do empreendimento para a FURG e para a cidade de Rio Grande. "Com certeza será um importante espaço de divulgação cientifica e grande atrativo turístico para a região."
Com um investimento de R$ 140 milhões, o Oceanário Brasil será dividido em Ala Norte, Sul, Leste, Oeste e Central. Os projetos científico, o de lazer e o turístico deverão contar com Centro de Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação Oceanográfica, área de apoio técnico, Espaço Artesanal de Economia Solidária, mirante, teleférico, quiosques, lago e estacionamento. Deverão reproduzir todos os ecossistemas brasileiros, contando com vários aquários. Trata-se de um projeto inédito no País e de grande alcance turístico, científico, tecnológico e educacional, com o qual a Furg pretende alavancar o desenvolvimento da região.
Oceanário Brasil - FURG/Rio Grande
Rio Grande
Rio Grande, terra do Barão de Itararé, é uma cidade intrinsecamente ligada ao mar, que possui grande biodiversidade e muitos estudos reconhecidos direcionados ao ambiente marinho. Apesar de viver em uma cidade litorânea, desfrutando da gastronomia típica, do lazer e da renda que a atividade no mar proporciona, a população muitas vezes nem imagina as riquezas que o mar possui. Com o Oceanário, os moradores, estudantes, pesquisadores e turistas terão a oportunidade de conhecer os segredos do Oceano Atlântico e sua relação com as bacias hidrográficas brasileiras.
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