26 de jun de 2011

Índio da Costa para vice de Aécio

Na noite de quarta-feira (22), véspera do feriadão, Índio da Costa, o ex-demo que foi candidato à vice do tucano José Serra e que hoje é um dos líderes do PSD de Kassab, teve sua carteira de motorista apreendida numa blitz do Detran do Rio de Janeiro. Ele se recusou a fazer o teste de bafômetro. Em seu twitter, ele confessou que havia tomado uma taça de vinho. Será que foi só isso?
Na campanha presidencial do ano passado, o ex-deputado ficou conhecido por seus ataques histéricos contra o governo Lula e a candidata Dilma Rousseff. Chegou a acusar do PT de ser ligado ao narcotráfico e fez discursos preconceituosos sobre temas sérios, como o aborto e a religião. Agora, o falso moralista é retido numa blitz policial. Todo moralista costuma ser um imoral enrustido!
Índio da Costa terá de pagar multa de R$ 957,70 e responderá a processo administrativo no Detran/RJ. A carteira de habilitação ficará retida por cinco dias. A apreensão ocorreu no mesmo bairro nobre do Leblon, próximo ao local onde o ex-governador e atual senador mineiro Aécio Neves também se recusou a fazer o teste do bafômetro. Como presidente do PSD do Rio de Janeiro, o ex-vice de Serra pode até pleitear ser vice do tucano Aécio Neves em 2014. Afinal, eles têm muita coisa em comum!
Altamiro Borges
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Um domingo mais alegre na TV

Domingo pede cachimbo, dizia-se antigamente. Hoje, pede outros passatempos
Presente em praticamente todas as residências, a TV tem no domingo uma audiência cativa de milhões de pessoas. Não é preciso sair de casa para consumi-la e, o mais importante, não é necessário tirar dinheiro do bolso. Poucos se dão conta de que o pagamento é feito na hora de comprar qualquer produto ou serviço anunciado, uma vez que o custo da propaganda está embutido no valor pago. Mas quem vai se lembrar disso logo depois do almoço de domingo?
Pena que a TV brasileira retribua tão mal a fidelidade do público. Se sua qualidade já é duvidosa em qualquer dia da semana, no domingo torna-se insuperável. A emissora líder de audiência mantém há anos no ar o Domingão do Faustão, responsável por um dos momentos históricos da TV brasileira quando exibiu o “sushi erótico”. Em programa recente mostrou pés com calos e frieiras, em todos os detalhes, como se nada de mais agradável pudesse ser oferecido ao telespectador.
Se os concessionários de canais de televisão são insensíveis à elevação cultural da população, que pode e deve ser oferecida pela TV, cabe então ao Estado agir para forçar a oferta de programações realmente diversificadas. Está mais que na hora de o Brasil instituir um órgão regulador para o rádio e a TV capaz de intermediar as relações entre o público e as emissoras, criando políticas voltadas para atender aos mais diferentes gostos e anseios da população.
O argumento de que quem não quer ver cenas desse tipo muda de canal não se sustenta porque as alternativas são do mesmo nível. Na verdade, troca-se de canal para ver a mesma coisa com outra roupagem. Basta lembrar o Gugu e a farsa do PCC, outro momento histórico.
Desligar a TV é abrir mão de um direito de cidadania. Afinal, as emissoras receberam do Estado as concessões dos canais para prestar um serviço ao público, e deveriam fazê-lo com qualidade. É como se deixássemos de pegar o ônibus porque ele está sujo ou atrasado. No caso da TV, o telespectador fica condenado a ter como divertimento na tarde de domingo, além dos programas de auditório, partidas de futebol e, depois, suas intermináveis mesas-redondas. Para não falar de programas com quadros beirando a escatologia, como acontece, em alguns momentos, no Pânico. A seguir temos doenças, crimes e catástrofes nas revistas eletrônicas da noite, deixando um travo amargo na garganta do público. Nada mais melancólico para o fim do dia consagrado ao descanso e a retomada de ânimo para uma nova semana de trabalho.
Mas não é todo brasileiro que passa por esse sofrimento na frente da TV. Há os assinantes de canais pagos. No domingo das frieiras do Faustão, eles podiam ver no Canal Viva (da mesma Globo) Chico Buarque e Caetano Veloso em seus melhores momentos. Esses telespectadores, com certeza, terminaram o domingo em alto astral.
“É sempre melhor superestimar a mentalidade do público do que subestimá-la”, dizia no século passado um dos primeiros diretores da BBC, a rede estatal britânica. Enquanto outro acrescentava a necessidade de a televisão “despertar o público para ideias e gostos culturais menos familiares, ampliando mentes e horizontes, além de elevar a qualidade de vida do telespectador, capacitando-o para uma enriquecedora experiência de vida, em vez de meramente puxá-lo para o rotineiro”.
Poderíamos começar a buscar esses objetivos, aqui no Brasil, pela programação dos domingos. É aquela que precisa de uma ação mais urgente tal o grau de degradação a que chegou. Com isso teríamos um final de descanso mais alegre, menos tenso, inspirador de uma semana melhor.
Laurindo Lalo Leal Filho
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Uma crônica sobre lembranças de uma surra e sua relação com o Direito

Lovers in moonlight 
(Marc Chagall)
Lembranças de uma surra e sua relação com o Direito
Na tradição machista brasileira, também no interior da Bahia, não tanto como há alguns anos, ainda é comum se ouvir dizer que o marido deu uma “surra” na mulher. Quando criança, ouvi muitos relatos sobre casos dessa natureza e não me recordo muito bem da reação das pessoas. O certo é que não eram reações extremadas. Quase normais. Sem muita indignação ou revolta. Algo como: é assim mesmo! Nem mesmo das mulheres, pelo que me vem à mente, a reação era como deveria ser, segundo meu juízo atual, esteja certo ou errado. Naquele tempo, tudo era absurdamente natural. Talvez um pouco de solidariedade no machucado, e só.
Da parte dos homens, nem dó e nem compaixão. Apenas homenagens ao igual. Símbolo de virilidade e respeito. Poucos, muito poucos, pelo que me vem à mente, repudiavam a atitude. O silêncio público de todos os homens, aprovando o comportamento do outro, no entanto, era estrondoso. Não sei a razão. Talvez por não querer meter a mão em briga de marido e mulher. Talvez solidariedade de gênero. Talvez brutalidade igual. Tudo absurdamente natural. É assim mesmo!
Certa vez, um homem deu uma surra em uma mulher e o caso, estranhamente, virou chacota em uma cidade qualquer, como tantas outras. Todos riram e se divertiram. Homens, mulheres e adolescentes. Eu também ri, não nego. Depois, tempos depois, deixei de rir daquele caso e ele, talvez por vingança, não me fugiu mais da memória. Primeiro, porque o caso é violento e as pessoas se divertiram com ele e, segundo, porque às vezes misturo este caso com o Direito.
Na verdade, não é a surra, por ela mesmo, que se mistura com o Direito. Um homem espancando uma mulher, definitivamente, não combina com o Direito. O que me intriga ainda hoje é pensar no motivo que levou o homem a surrar a própria mulher. Não no motivo que foi dito. Mais do que isso, no motivo que não foi dito. E é este não dito, o que não tem domínio e nem nunca terá, que me faz relacionar o Direito à surra que o homem deu na mulher. Daí, então, quando penso no Direito normatizado e proibitivo de quase tudo, a face horrorizada do homem movido pelo ciúme e inveja de ver uma mulher feliz e na possibilidade de sua mulher ser cumplice da felicidade de outra mulher, se mistura com meus códigos, leis e livros jurídicos em minha estante.
Dois rapazes e duas moças. Amigos de infância. Na mesma festa da padroeira, o primeiro beijo e início do namoro. A data do noivado foi combinada para o mesmo dia. Casamento também. Promessas de que um batizaria o filho do outro. Missa juntos aos domingos. Madrugadas de “carteado” inocente. Churrasco na casa de um e depois na casa do outro. Homens no futebol, mulheres na cozinha. Mulheres na novela, homens na sala. Tudo absurdamente natural e bom até aquela noite.
Um desencontro, uma dor de cabeça, uma indisposição. Uma rotina quebrada. Naquele domingo, apenas um casal repete a missa e ninguém ousou ocupar o espaço vazio no banco da Igreja. Não estavam lá em carne e osso, mas firmes e concretos na imaginação e desejo de todos. Para os outros, eles estavam ali. Na consternação depois da comunhão, em silencio, os pensamentos se entrelaçavam: onde estarão, o que fazem, o que houve, ajudai Senhor...
Ela viu primeiro e torceu para que ele também não visse. Postou-se de lado, tomou-lhe a frente, atrasou o passo e de nada adiantou. Ele também viu, no retorno para casa, a outra mulher, a mulher do amigo deles, com outro homem que não era o dela, abraçados, beijados e apaixonados. Os dois viram e, apesar disso, não se olharam. Apenas viram e cada um sabia o que tinha visto. Novamente os pensamentos entrelaçados. O que ele viu? O que ela viu? Ele apertou a mão dela e nada disse. Ela sentiu-se amparada, apesar do coração apertado, e também nada disse. Seguiram, apenas.
Ao primeiro empurrão, a surpresa. Aos murros e chutes que se seguiram, a dor e as lágrimas:
- Por quê? O que te fiz, homem?
Mais murros e chutes, sem palavras. A expressão de ódio, transtornado, embrutecido repentinamente. As portas fechadas e os vizinhos dormindo. Bastou entrar em casa e aquele não era mais seu homem. Ou agora era o que realmente sempre foi. O que era verdadeiro e o que tinha sido máscara? A única certeza, agora, é que o homem, fosse quem fosse, era real e batia com força e sem parar. Como não chorar de dor? Dor no corpo e na alma. Impossível reagir ou revidar. Dói tudo. É assim mesmo. O que dizer amanhã? Perguntas virão. Mesmo que não verbalizadas, estarão na boca de todos. Perguntas como vômito. Se ao menos soubesse a razão...
Na manhã seguinte – melhor tivesse morrido –, olhos de quem não dormiu e também de quem apanhou muito. Marcas por todo o corpo, por dentro e por fora. Mesmo assim, café posto, voz fina e quase um sussurro: - por quê? A resposta sabida ou imaginada:
- Para que jamais faças igual! Que te sirvas de lição! Para que jamais ouse! Para que sempre te lembres das dores em teu corpo. Para que jamais ouses pensar. Para que esqueças o que viu. Para que a cena se apague de tua mente.
Uma surra preventiva. A turba de homens comemorou. Ele é o melhor de nós. Corta o mal antes mesmo da raiz. Não permite, aliás, que a semente germine. Outras mulheres também riram. Todos os homens riram. Namorados e namoradas também riram. Noivos. Toda a cidade. Isto sim! Pronto, esta jamais ousará. Lembrará para sempre. Jamais abandonará seu posto de mulher fiel, obediente e honesta. Apanhou antes mesmo de errar! Que sirva de exemplo para todas!
No corpo, marcas e dores. Na alma, nada. Nem tristeza, nem alegria, nem saudade, nenhum sentimento desses que só se sente. Apenas silêncio e as dores sentidas e não sentidas no corpo. Sonhos tolhidos antes mesmos de serem sonhados. A felicidade entristecida antes de qualquer riso. Sabores, odores e tatos partidos antes de sentidos. A vida morta antes de vivida. Olhares cegados antes de correspondidos. Resta a vida nua e sem vida. Resta esta vida para ser vivida assim mesmo. É assim mesmo!
Na mente do homem, certamente, uma grande confusão. Minha mulher é minha. Meu amor é maior. Nada pode ser maior do que ele. Não posso permitir felicidade alheia maior do que a minha. Só a mim pode fazer feliz minha mulher. Sim. Importa o que dizem e o que pensam os outros. Não. Nada mais me importa. Isto tudo é insuportável. É insuportável ao homem a mistura do dito e o não dito. O pensado e o não pensado. O querido e o não querido. Bateu em quem, finalmente? Na mulher, na raiva, no ciúme, na inveja, em si mesmo? Perguntas difíceis e respostas mais difíceis ainda.
Agora lembra, também em busca de razões, como flashes rápidos, a cada murro e a cada chute, as imagens se misturando, ora reais, ora abstratas, em sua mente. Como se em transe, vê o homem que batia trocando de lugar e de papel com o homem que beijava e gozava na outra mulher; o homem que batia trocando de lugar e de papel com a mulher que amava e beijava o outro homem; a mulher que apanhava trocando de lugar e de papel com a outra mulher que amava e gozava com outro homem; a mulher que apanhava representando todas as mulheres do mundo amando e gozando com todos os homens do mundo. Ora, quem era, finalmente, o homem que batia?
São passados muitos anos e continuo pensando sobre este caso. Penso no fato da surra, é claro. Penso muito também, talvez até mais, nas razões da surra e em todos os conflitos daí decorrentes. Por que razão um homem surra uma mulher que diz ser sua? Por que antecipa o irreal, a possibilidade sequer cogitada, o devir incerto, a ameaça do nada e, levado pelo ódio – que pensa ser amor – surra a mulher que diz ser sua? Por que se define o ainda não acontecido como crime e por que se deve punir o não acontecido que alguém define como crime? Se o não acontecido ainda não aconteceu, como interpretá-lo como crime? Por que punir a possibilidade do prazer? O que fazer, então, com os desejos e prazeres contidos, sob ameaça de surra? Por que se deve apanhar preventivamente? Por fim, em que pensavam e em que não pensavam, o homem que batia e a mulher que apanhava, no momento da surra? São essas inquietações angustiantes que me fazem lembrar do Direito.
Sobre isto, preciso pensar mais para continuar escrevendo. Isto vai ser outro dia. Preciso relacionar os personagens dessa história com nós mesmos, com os outros, com a liberdade, nossos desejos, medos, a repressão, a lei, o Direito e a Justiça. O desafio é imenso: como afastar o Direito da força e do castigo e aproximá-lo da leveza e do amor pelo outro?
Gerivaldo Alves Neiva, Juiz de Direito (Ba), membro da Associação Juízes para a Democracia (AJD),
uma noite fria e chuvosa, junho de 2011.
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Rejuvenescer o PT

Para nossa reflexão – filiados e simpatizantes do PT - o Partido dos Trabalhadores - e de seus dirigentes em todo o Brasil: PRECISAMOS REJUVENESCER O PT.
Minha geração – estou com 63 anos, sou, portanto, politicamente, da geração de 1964/1968 – a qual ADMIRO E RESPEITO, certamente fizemos e, provavelmente, continuaremos fazendo ainda muito por nosso país – só para citar um companheiro – Lula – e uma companheira -´Dilma Rousseff – é suficiente para garantirmos tal certeza. Isto, porém, não significa que não devamos estar preocupados, particularmente NOSSA GERAÇÃO – em Rejuvenescermos nosso Partido.
Este, reputo, deve ser um dos focos principais de nossas estratégias presentes e futuras, para que não tenhamos que reproduzir o que ocorreu em outros partidos de esquerda no Brasil, que tinham quadros de mais de 60 anos como presidente de sua Juventude, ou como nosso velho Fidel Castro que, no processo de transição a faz com um quadro mais jovem – com 80 anos...
Não estou falando de nenhuma Revolução Cultural como a da China de Mao ou, muito menos, as “perestroikas” da ex União Soviética. O que gostaria é de fazer um convite aos companheiros para que reflitamos como atrairmos a juventude de nosso país – o qual, pelos dados do Censo de 2010, está envelhecendo – para que tenham sejam ativos no interior do PT preparando-se para assumirem suas rédeas em prazos os mais curtos possíveis, fazendo parte de nossos governos, mas participando e articulando- se nos mais diversos movimentos sociais, sindicais e de cidadania que se multiplicam pelo país.
Ao se dar uma olhada na História da esquerda, seja no Brasil, seja mundo afora, certamente reflexões e preocupações como a de buscarmos caminhos para o rejuvenescimento do PT ganham sentido. Em função do avanço institucional rápido (em termos de tempo histórico) que o PT teve ao eleger prefeitos, governadores e, finalmente, assumindo a Presidência da República pela terceira vez consecutiva, o Partido foi obrigado a conduzir um significativo conjunto de jovens petistas, por todo o Brasil, a, por assim dizer, “saltar etapas” em sua formação e atuação política e partidária. Este “salto” minha geração não fez.
Antes de participarmos da direção e gestão do aparato estatal brasileira, em todos seus níveis, brigamos nas ruas – a maioria – ou na clandestinidade – a minoria – na luta pela derrubada da ditadura militar que nos assolou (e ao conjunto do país) de 1964 a 1985 (para fixarmos um período de nossa história). A partir de 1977,1978, passamos pelas experiências de articulações nos movimentos da sociedade civil e na vida partidária - sempre extremamente ativa.
Com nossos avanços eleitorais,a partir, sobretudo, do governo de Luísa Erundina na Capital do Estado de São Paulo e de algumas outras Prefeituras brasileiras, em 1988 ( ano no qual, a maioria dos hoje velhos ativistas do PT éramos, ainda, jovens) e, portanto, com as demandas de governo, muitos dos nossos companheiros mais jovens saltaram de sua pouca experiência de articulações com movimentos sociais, sindicais e de cidadania os mais diferenciados, para postos de governo, aos quais deveriam dar respostas políticas e de gestão.
Por diversos motivos históricos que não cabe aqui discutir, mas que, em sua maioria, foram muito positivos para a sociedade brasileira, fomos paulatinamente -e seguimos - nos afastando das discussões mais de base e nos transformamos[i] em um partido de base parlamentar – provavelmente mais democrático do que a maioria dos partidos brasileiros - mas afastados das visões de um partido de massas, com forte articulação nas bases organizadas da sociedade, como originalmente pretendíamos criar.
Não estou dizendo, com isto, imaginar ou pretender um “retorno a nossas origens” ou ao “nosso passado” - a História, as demandas de nossa sociedade e meus cabelos brancos não permitem tal intenção, até porque creio que as novas gerações são sempre melhores do que as anteriores. O que pretendo discutir com essa reflexão referente a “Rejuvenescer o PT” é, pelo contrário, o de querer entender, da forma mais orgânica possível, a nova realidade que exatamente nossas ações e nossas idéias criaram e contribuíram para a criação desta sociedade brasileira contemporânea a nós.
Os "velhos guerreiros”, como você dizem alguns e algumas, de alguma forma “seguem a postos”. Mas o mundo mudou e continuará mudando. Nós poderemos acompanhar essas mudanças até um certo ponto e até um certo momento, mas – graças aos nossos limites físicos, mentais, naturais e humanos - não sermos permanentes, eternos e/ou imortais.Podemos e queremos, sermos de alguma forma lembrados pela História e pelas gerações futuras e, por isso, ainda queremos ajudar a que o que semeamos continue a dar frutos. Mas, para que isso ocorra, é que precisamos, desde já e sempre, nos preocuparmos com esse permanente “aggiornamento” não só de nossas idéias mas de nossos quadros e nossas propostas.
Certamente a moçada precisa conhecer nossas experiências. Para tanto aproximarmos nossa geração dos meios virtuais pelos quais a juventude hoje se comunica é uma ação bastante eficiente. Mas mais importante do que repassarmos nossas experiências é entendermos como essa juventude pensa, sente e age.
Qual seja, para podermos transmitir nossas experiências e ajudarmos ainda a construir o futuro, é preciso que nossa geração entenda essa nova sociedade a qual ajudamos a construir, mas que certamente – e felizmente – não é igual àquela que vivemos em nossa juventude e nem se construiu à imagem e semelhança do que pretendíamos construir.
O que creio precisarmos é nos "aggionarmos" de modo a ganharmos a contemporaneidade necessária para seguirmos juntos - nossa geração e as novas - ajudando a transformar a sociedade brasileira e, por que não, na justa e relativa medida, a Humanidade.
Precisamos nos perguntar : essa juventude encontra espaço dentro do partido? Quais as mudanças - que certamente ajudamos a fazer - a sociedade brasileira passou e está passando que levou a essa realidade, seja nossa, como partido, seja da juventude do país? Há algum tempo atrás conversava com um quadro extremamente interessante da juventude do PC do B e comentava com ele que o PC do B acabou focando dois temas que ajudaram e seguem ajudando-os em seu "aggiornamento": a própria Juventude e os Esportes. Ele levantou a questão que creio ter colocado acima e que diz respeito à entrada - precoce, diria - de diversos jovens petistas na máquina de Estado - prefeituras, governos estaduais e governo federal - criando uma espécie de "juventude chapa branca", o que para um partido com as características do PT é, para falar o menos, PÉSSIMO.
Outra questão é que a minha geração era a geração da Universidade Pública elitista, restrita, combativa, certamente, mas vanguardista e, de certo modo, exclusivista. O avanço da democracia e a distribuição da renda acabou por criar um novo perfil de juventude universitária - a das faculdades e universidades privadas,pagas, portanto, e algumas a peso de ouro, voltadas para ajudar (ao menos em teoria) a entrar-se no mundo do trabalho, e pelas quais as jovens trabalhadoras e os jovens trabalhadores, que na década de 1960 e 1970 ou estavam continuando a estudar nos "paus de arara" (não os da tortura, ainda que algumas ou alguns entraram neles também, mas o dos caminhões) que os levavam para o nosso Sul Maravilha para trabalharem naquelas imensas fábricas, forjando o movimento sindical e as lideranças que hoje fazem parte, em sua maioria, da direção do PT, nosso ex presidente inclusive.ou que acabaram tornando-se a massa das favelas das grandes regiões metropolitanas brasileiras. Entre a década de 1970 e a de 1980 nós conseguimos - até porque o éramos - entendermos as ansiedades e as demandas da juventude - nossas próprias ansiedades e nossas próprias demandas, portanto. E hoje? Estamos sabendo? Fica a questão.
Essa questão não poderia ser respondida, dentre outras, evidentemente, a partir da cultura? Não será por meio dela que poderemos retomar uma ação da Juventude junto à maioria da população brasileir4a, a qual abandona – graças às brigas históricas e à nossa política nos dois mandatos Lula e nesse novo mandato Dilma – a pobreza e ganha fôlego para melhores condições e qualidade de vida? Mas como transformar essa juventude, que avança econômica e socialmente na Pirâmide Social brasileira, de consumidores a cidadãos engajados nas ações políticas do país e não apenas como eleitores?
Recentemente o jornal “Valor” publicou um artigo extremamente interessante[ii] sobre a juventude da hoje denominada “nova classe média brasileira”. Nesse artigo o autor entrevista uma jovem, Perla Assunção, de 26 anos, a qual, segundo o autor, “é parte da primeira geração em sua família que pode se dar ao luxo de consumir livros, espetáculos teatrais e entrada de museu. Filha de pedreiro, formou-se em jornalismo mas trocou o trabalho em redações por uma ONG, para transmitir a jovens de bairros suburbanos a noção de que o enriquecimento cultural é tão importante quanto a afluência financeira.”Para quem fica só no plano do consumo, a ascensão social é momentânea. Se perder o dinheiro, perde tudo. É preciso ter um repertório melhor para entender a si próprio no meio de tudo o que está acontecendo”.
A consciência da importância da cultura expressa por Perla Assunção pode ser um bom orientador de caminhos que o o PT poderá trilhar para, de um lado, não nos tornarmos um Partido Geriátrico e, de outro, rompermos com a estrutura de uma Juventude prioritariamente “Chapa Branca”.
Voltar às ações de massa via cultura poderá, também, contribuir para reequilibrarmos o PT como gestor da coisa pública mas não somente como um Partido Parlamentar Democrático, mas, também, um partido capaz de responder adequadamente às demandas que já vem e seguirão sendo postas em função da nova sociedade brasileira que seguimos ajudando a construir.

[i] - Em 1983 escrevi um texto a respeito disso: PT: Partido de Massas, Partido de Quadros ou Partido Parlamentar?
[ii] Viana, Diego - "A ascenção é cultural" "Valor" de 22 de maio de 2011 o qual foca a seguinte questão: "Mercado e governo procuram formas de captar a demanda por arte e lazer da classe C”
Cesar Augusto Oller do Nascimento
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O Vírus da Fé 5

Este vídeo mostra como a fé infecta geração após geração e torna-se uma arma mortal de intolerância e fanatismo em todo o mundo. Mostra como o fanatismo, independentemente se é cristão, judeu ou muçulmano, está baseado no mesmo livro sagrado e nos mesmos princípios sectários que desafiam a ciência e perpetuam rituais antigos e sem nenhum senso moral dígno de ser seguido. "A religião é um insulto à dignidade humana." Assistam e tirem suas conclusões...

O Vírus da Fé 1 - 2 - 3 - 4
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Quem ainda paga provedor para banda-larga, à toa?

Quem ainda paga provedor de autenticação para banda-larga Velox da Oi?
Até o ano passado era oficialmente obrigatório, e muita gente não cancelou o provedor pago, quando passou a ter opções de provedores gratuitos neste ano.
A própria Oi passou a fornecer provedor gratuito (antes cobrava pelo menos R$ 3,99 ao mês, e se o cliente não ligar pedindo para cancelar é provável que continue cobrando).
Tem outros provedores também, como LinkBr, GNS, TWC.
Quem ainda assina UOL, Globo.com, Terra, Ig, etc, está na hora de parar de financiar essa esperteza criada só para caçar-níqueis de internautas.
Em tempo: O Speedy da Telefônica também já tem provedores gratuitos há muito mais tempo.
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Zé Dirceu no 2º BlogProg

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Neva em três cidades da Serra Catarinense

Na Serra do Rio do Rastro, o fenômeno começou há pouco, por volta das 19h38min
Em São Joaquim, turistas se divertem com a neve
Neva no topo da Serra do Rio do Rastro, em Bom Jardim da Serra, segundo informações do Climaterra. Segue nevando também em Urubici, no Morro da Igreja, e na localidade de Cruzeiro, interior de São Joaquim.
Em Urubici, na Serra Catarinense, a neve cai desde às 17h30min, segundo a base da Aeronáutica na região. A tempertura no local, às 18h56min, era de -6.5ºC.
Em Cruzeiro, interior de São Joaquim, a neve já se acumula pelo chão. A temperatura na região, às 19h54, é de 0,9ºC, com sensação térmica de -4ºC, segundo o site da Climaterra. A região teve outros dois registros de neve na tarde deste domingo, mas o fenômeno aconteceu por pouco tempo.

Temperatura para Balneário Camboriú é prevista para oscilar entre 5 e 10º C.
Tudo isso deve ser consequencia do "aquecimento global" do Al Gore.
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Parada Gay: estima-se em 4 milhões o número de participantes

Carta Aberta da Associação da Parada do Orgulho GLBT ao Povo Brasileiro
Em 2010 mais de 260 lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais foram assassinados no Brasil, em ataques tipificados pelas autoridades como crimes de ódio. Uma sociedade que vende para o resto do mundo uma imagem de “acolhedora” e “diversa” está com suas mãos sujas de sangue. Nós, brasileiros, carregamos o título de país líder em assassinatos e violência contra LGBT.
Aqui se mata mais homossexuais do que nos países islâmicos em que a homossexualidade ainda é condenada pela lei com a pena de morte. A semelhança entre o Brasil e nações como o Irã, Arábia Saudita e os Emirados Árabes é que aqui a pena de morte aos LGBT também se dá através da fé e da religião, que, na teoria, não têm poder de interferência em nossa constituição, porém, na prática, têm sistematicamente regido a tão profanada Lei dos Homens, que deveria ser isenta e igualitária.
É inegável que a conquista da cidadania tem avançado para a população LGBT; um mérito que não é apenas da militância e do movimento organizado, mas também da nossa sociedade como um todo, que tem se mostrado comprometida contra o preconceito e todas as formas de discriminação.
Porém, como toda ação gera uma reação, observamos o recrudescimento dos setores conservadores. Eis que vemos no Brasil o surgimento de uma mobilização capaz de unir fundamentalistas e extremistas de direita, religiosos e nazifascistas, que numa voz uníssona bradam contra os direitos humanos de milhões de cidadãs e cidadãos.
Antes, nossos algozes agiam na calada da noite, nos violentando em becos à surdina, como se, nos atingindo individualmente, pudessem nos exterminar pelas beiradas. Hoje, saem às ruas, fazem abaixo-assinados, manifestam-se na Avenida Paulista e marcham sobre a Esplanada dos Ministérios para barrar a garantia de nossa dignidade.
Trata-se de uma versão brasileira do movimento norte-americano “God Hates Fags”. A diferença é que, aqui, os que creem que “Deus odeia as bichas” são muitos, têm forte representatividade no Congresso, recebem a atenção da imprensa e, infelizmente, ganham adeptos.
Na história da humanidade, o nome de Deus não somente foi usado diversas vezes em vão, como serviu para respaldar a violência e morte de diversas minorias. A escravidão dos negros africanos, a condenação dos judeus e a perseguição às mulheres no período de “caça às bruxas” são exemplos disso. Como herança cultural, ainda temos estabelecido o patriarcalismo e a soberania de brancos como regras informais de nossa civilização ocidental contemporânea. A Inquisição ainda está viva no que diz respeito à homofobia, mas não só a ela.
Em tempos modernos, os inquisidores apenas trocaram a tocha e a fogueira pela lâmpada fluorescente, mas a condenação ainda ocorre em praça pública, consentida e assistida por muitos.
Há quinze anos, a primeira Parada do Orgulho LGBT de São Paulo reuniu 2 mil pessoas para dizer que “somos muitos, estamos em todas as profissões”. Nos dias de hoje, os mais de 3 milhões que nos acompanham, multiplicados pelas mais de 200 Paradas que ocorrem em todo o território nacional, reafirmam isso e vão além.
Estamos em todas as profissões, famílias, lares, escolas, esportes e igrejas. Sim, mesmo sem você saber, sempre existiu e sempre existirá um LGBT ao seu lado, a quem você jamais gostaria de saber ter sido vítima de bullying, humilhação, agressão moral, violência física, sexual ou homicídio. Incluir e amparar indiscriminadamente todas as pessoas não seria o principio básico da religião?
Se “quem ama conhece a Deus”, qual seria a determinação religiosa para aqueles que professam o ódio e a ira? Não é condenável levantar falsos testemunhos sobre a compreensão da complexidade humana, assim como sobre toda e qualquer ação que visa proporcionar o reconhecimento da existência de uma população comum? Se para os crédulos, Deus não faz acepção de pessoas e todos são iguais perante a Ele, porque insistem em nos manter à margem?
Respeitosamente, nos apropriamos da frase “Amai-vos uns aos outros” para pedir fim à guerra travada entre religião e direitos humanos, financiada pelas brasileiras e brasileiros que dão voz aos fundamentalistas e extremistas que ocupam as cadeiras do Parlamento e espaço nas mídias. Nós, os perseguidos, apesar de já estarmos calejados de oferecer a outra face, usamos de suas crenças para dizer: “Perdoai-vos. Eles não sabem o que fazem”.
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Aécim: Não vai nada bem

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Todas as brigas de Kassab

Tirando o aposentado que foi acusado, aos berros, de ser um vagabundo por protestar contra a má qualidade dos serviços de saúde municipal, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, tinha poucos inimigos públicos até o início deste ano. Político pragmático e ideologicamente flexível, Kassab construiu sua carreira evitando embates polêmicos e procurando estar bem com todos, amigos, aliados ou adversários. Mas, desde que decidiu abandonar o DEM para criar um partido à sua imagem e semelhança, o PSD, o prefeito paulistano tem sido incapaz de evitar os confrontos. O último deles teria colocado fim até mesmo à longeva parceria entre Kassab e o secretário estadual de Desenvolvimento Social, Rodrigo Garcia, cuja trajetória política sempre esteve colada à do prefeito. Nos bastidores da política paulistana não cessam os relatos de uma visita de Kassab ao gabinete de Garcia, que continuou no DEM. “Se você quer me destruir, vou te destruir primeiro”, teria gritado Kassab, que, assim como Garcia, confirma a visita, mas nega a briga.
O fato é que o ambiente anda tenso entre Kassab e antigos aliados. Preocupados com o crescimento do PSD e o provável alinhamento à base de apoio da presidente Dilma Rousseff (PT), alguns deles não se constrangem em afirmar que vão ingressar com ações para que o novo partido não seja registrado. Kassab tem até o final de setembro para entregar à Justiça Eleitoral e autenticar a veracidade de 490,3 mil fichas de apoio ao partido se quiser disputar as eleições do ano que vem. “O PSD é um partido sem dignidade. Essa questão das assinaturas virou caso de polícia”, afirma o deputado ACM Neto (DEM-BA). O parlamentar se refere à descoberta de cinco eleitores mortos na lista de apoio coletada em Santa Catarina, onde o governador Raimundo Colombo deixou o DEM para ajudar a fundar o novo partido.
ALIADOS
A senadora Kátia Abreu e o governador Raimundo Colombo, de
Santa Catarina, onde a lista de apoio tinha assinatura de mortos
Em São Paulo, as denúncias são relativas ao uso da máquina pública na arregimentação de apoios. Na terça-feira 21, o presidente municipal do PT, vereador Antonio Donato, protocolou na Câmara Municipal um pedido de abertura de CPI para investigar o caso. “Há indícios de que não se trata de episódios pontuais”, explica Donato. Kassab nega as acusações e diz não acreditar que o DEM – nem o PSDB – tenha deflagrado uma operação contra o PSD (leia entrevista à dir.). Presidente do PSDB, o senador Sérgio Guerra (PE) também descarta oficialmente a possibilidade. “O PSDB não especula sobre qualquer ato que venha a interferir em procedimentos de outras legendas”, diz. Em conversas com aliados, porém, Guerra tem apostado que o PSD não se viabilizará até as eleições municipais de 2012.
Potencial presidente do novo partido, a senadora Kátia Abreu, que também deixou o DEM, desabafou com correligionários há poucos dias: “Talvez não dê tempo para o PSD se viabilizar para as eleições do ano que vem. Estou preocupada.” Testemunhou a conversa o presidente da Fiesp, Paulo Skaf (PMDB). A desarticulação do novo partido em Estados e municípios é o que mais atemoriza os novos integrantes do PSD. “As ameaças de ações judiciais do DEM intimidam simpatizantes e interessados em se filiar”, lamentou Kátia. Kassab, no entanto, demonstra confiança. “As etapas mais difíceis já foram vencidas”, diz o prefeito, no seu tom de voz habitual – pausado e baixo.
“O PSD AINDA NÃO TEM PROGRAMA”
ISTOÉ – Qual a diferença entre o DEM e o PSD?
Gilberto Kassab – O DEM é um partido que nasceu como PFL, com convicção na democracia. Depois, assumiu uma posição de intransigência. Acabou incompatibilizado com a opinião pública.
ISTOÉ – Que tipo de intransigência?
Kassab – De se negar a apoiar políticas públicas por estarem vinculadas a um governo. Não é a maneira de fazer política em que acredito.
ISTOÉ – Que modo é esse?
Kassab – Defender ideias, mas sempre procurar políticas de conciliação para o bem do País. Fui parceiro do presidente Lula em diversos programas. E, quando chegaram as eleições, ninguém foi mais leal a Serra do que eu.
ISTOÉ – E o que diferencia o PSD dos outros partidos? Apenas a liberdade de participar ou não da base de apoio à presidente Dilma?
Kassab – Essa é uma posição transitória. Em 2014, o partido terá uma definição de qual será a sua conduta. A partir daí, teremos uma ação única.
ISTOÉ – Qual o programa do partido?
Kassab – O partido ainda não tem programa. Vamos construí-lo com as bases.
ISTOÉ – Mas, para se criar um partido, é preciso ter um programa.
Kassab – Nosso primeiro ato jurídico foi lançar um manifesto com as diretrizes, com o cuidado de dizer que era ­preliminar.
ISTOÉ – O sr. tem falado que conta com quase 1,2 milhão de assinaturas de apoio. Que apoios são esses?
Kassab – Para criar qualquer partido, é preciso cerca de 500 mil assinaturas de apoiamento. Elas são encaminhadas à Justiça Eleitoral, para certificar que cada assinatura bate com a do eleitor, com o título. Em uma semana, foram certificadas 100 mil.
ISTOÉ – É uma lista ou uma ficha?
Kassab – É uma ficha. Pode ser uma única folha com várias assinaturas ou uma ficha individual. As certificadas são aquelas que já foram homologadas pela Justiça Eleitoral.
ISTOÉ – Há um pedido de CPI na Câmara Municipal para investigar o uso da máquina pública na criação do PSD. Como o sr. vai se defender?
Kassab – A CPI não foi criada. Não acredito que seja o caso. Foi protocolado apenas o pedido. Estamos tranquilos porque não há uso da máquina.
ISTOÉ – O que houve então?
Kassab – Foi pontual. Um jornalista visitou um funcionário numa ­subprefeitura e pediu a ficha. O funcionário se exonerou. Foi aberta uma ­sindicância.
ISTOÉ – E como a descoberta de assinaturas de pessoas mortas na lista de apoios afeta a credibilidade do PSD?
Kassab – Por isso se faz a homo­logação na Justiça Eleitoral. Às vezes a assinatura não bate. No caso de morto, precisa ver se é morto mesmo, se não é.
ISTOÉ – O que ocorreu nesse caso?
Kassab – Pode ter sido até malandragem de alguém, para tentar prejudicar o partido. Pode ser até brincadeira de criança.
ISTOÉ – Quem trabalha para inviabilizar o seu partido?
Kassab – Para ser sincero, eu não identifiquei ninguém até agora.
ISTOÉ – E o sr. também está colecionando desafetos. Há relatos de o sr. querer até torcer o pescoço de pessoas.
Kassab – Não são relatos verdadeiros, são mentiras. São calúnias. Eu sou muito tranquilo, muito calmo.
Luiza Villaméa e Sérgio Pardellas
By: IstoÉ
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Imprensa blinda relações de Aécio Neves com dono da empreiteira Delta

O que Aécio Neves (PDSB/MG) tem, que Sérgio Cabral (PMDB/RJ) não tem?

Um trágico acidente de helicóptero em Trancoso, na Bahia, revelou que o governador Sérgio Cabral (PMDB/RJ) ia a uma festa de aniversário de Fernando Cavendish, dono da empreiteira Delta. A empreiteira tem obras junto ao governo do Rio. Não há no noticiário nenhuma acusação de fato contra Sérgio Cabral, apenas as suspeitas de sempre, com base no teste de hipótese de que “se não é culpado, é bem possível que poderia ser”.
Realmente, seria o ideal e mais prudente a um governador, manter uma distância pessoal maior de empreiteiros que tem contratos com o estado. Mas é estranho essa súbita cobrança da imprensa, quando o costume vem pelo menos desde D. Pedro II que convivia muito bem com o Barão de Mauá, e quando os próprios donos da imprensa sempre cultivaram “amizades” com governantes, sejam da ditadura, seja na era demo-tucana.
Mas o mais irônico, é que se Cabral é suspeito, então por que Aécio Neves (PSDB/SP) é louvado quando, em novembro de 2007, em pleno exercício do governo de Minas, frequentou a casa de Fernando Cavendish, em badalada festa, na Avenida Vieira Souto, no Rio?
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O Itamaraty na época da ditadura

Berna (Suiça) - Eu estava em São Paulo, num cyber café de uma galeria na Avenida Paulista, quando li a concessão da anistia póstuma ao ex-consul-geral do Brasil em Stuttgart, na Alemanha, Arnaldo Vieira de Mello.
E me lembrei de sua viúva, hoje com 92 anos, que encontrei no Palácio das Nações, em Genebra, quando ela ali estivera, vinda do Rio de Janeiro para participar de uma solenidade da ONU em memória e homenagem ao seu filho, Sérgio Vieira de Mello, morto num atentado em Bagdá.
E me lembrei também do jovem Sérgio, com quem fizera diversas entrevistas no Alto Comissariado da ONU, em Genebra, e que vira, pela última vez, já com a cabeleira começando a embranquecer, quando apresentava seu relatório sobre o Timor Leste, na comissão de Direitos Humanos. Ainda estava na CBN, quando, reportando noticiários internacionais, comentara sua provável escolha para secretário-geral da ONU.
Sem dúvida, Sérgio Vieira de Mello (foto) foi o maior diplomata brasileiro de todos os tempos, mas não trabalhava para o Itamaraty e sim para a ONU. Tenho aqui comigo, sobre minha mesa, um livro ao qual prestei uma modesta colaboração, escrito por Jacques Marcovitch, cujo título é Sérgio Vieira de Mello, Pensamento e Memória, no qual tantos diplomatas e acadêmicos brasileiros lhe prestam merecida homenagem.
E por que Sérgio não fizera carreira inicial no Itamaraty, onde seu pai Arnaldo Vieira de Mello trabalhou 28 anos? Alguns poderão responder por ter sido a filosofia sua primeira grande preocupação, mas outros se lembrarão que o brilhante jovem estudante do colégio Franco-Brasileiro, no Rio, preocupado com os conceitos de justiça e de paz, viveu ali o golpe militar de 1964 e preferiu continuar seus estudos em Friburgo, na Suíça, e depois na Sorbonne, em Paris. Aquela não era a época ideal para seguir o pai e fazer o Instituo Rio Branco, como logo lhe mostraram os acontecimentos.
Com efeito, cinco anos depois do golpe, quando faltavam alguns meses para Sérgio concluir seu curso de filosofia na Sorbonne, o Itamaraty procedeu a um expurgo sem precedente na história brasileira e demitiu 44 funcionários entre eles diplomatas de carreira, como seu pai, Arnaldo Vieira de Mello. “Não vejo nenhum sentido eu fazer carreira numa instituição que cassou meu pai”, diria ele aos amigos.
Da lista dos 13 diplomatas demitidos, em abril de 69, fazia também parte o poeta e diplomata Vinicius de Moraes. Ainda pouco antes de morrer, Vinicius tentou recuperar sua condição de diplomata, mas isso lhe foi negado pelo Itamaraty.
Alguns dos colegas cassados de Arnaldo e Vinicius, abandonados por amigos temerosos da repressão militar, acusados de homossexualismo, alcoolismo ou subversão, passaram a ter vida difícil e próxima da miséria. O pai de Sérgio Vieira de Mello, morreu desgostoso, seis anos depois da cassação, que o tinha privado de uma próxima nomeação como embaixador.
No ato da concessão da anistia póstuma a Arnaldo Vieira de Mello, conta o relatório da Associação Brasileira da Imprensa, que o Conselheiro da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, Virginius José Lianza da Franca, fez ampla e minuciosa descrição daquela época de caça às bruxas e das violências então praticadas pelo Itamaraty sob a batuta e com o aval do Ministro Magalhães Pinto, que assinava à margem dos processos despachos determinando o prosseguimento da perseguição.
Lembrou Virginius que Sérgio Vieira de Mello deixou de concorrer ao Instituto Rio Branco, onde se tornaria funcionário do Itamaraty, em protesto contra o tratamento que o governo brasileiro dera a seu pai, cortando sua carreira sem processo regular nem direito de defesa. "A ditadura é uma realidade", disse então Sérgio Vieira de Mello.
Conta também uma reportagem publicada em O Globo, sob o título Repressão no Itamaraty – os tempos do AI-5, como agiu a ditadura militar para obter os nomes dos que seriam cassados:
“Para compor a lista, a comissão recrutou informantes civis e militares. Sua primeira medida foi despachar circular telegráfica aos chefes de missão no exterior, intimados a entregar os nomes de servidores “implicados em fatos ou ocorrências que tenham comprometido sua conduta funcional”. Arapongas das Forças Armadas cederam fichas individuais de mais de 80 diplomatas.??Também assinam o relatório os embaixadores Carlos Sette Gomes Pereira e Manoel Emílio Pereira Guilhon, que auxiliaram Câmara Canto na missão sigilosa.?? O chefe da comissão encerrou o texto com um autoelogio patriótico: “Tudo fizemos para atingir os objetivos colimados e preservar o bom nome do Brasil e do seu serviço exterior”.
Não se pode deixar de pensar, nestes dias de debates sobre a Comissão da Verdade, onde estão e o que aconteceu com esses delatores que arruinaram a vida de tantos colegas.
Muitos ignoram que Sérgio Vieira de Mello, combativo e dinâmico funcionário da ONU, participou, em Paris, da revolta estudantil de maio de 1968, tendo sido preso pela polícia parisiense, quando se manifestava na Sorbonne. Uma comovente biografia de Sérgio é o livro O Homem que Queria Salvar o Mundo, de Samantha Power.
Também sobre minha mesa, o livro de Jason Tércio, Segredo de Estado, no qual se reconstitui o desaparecimento, durante a ditadura militar, do deputado Rubens Paiva. Nas primeiras páginas, o relato do telex com informações fornecidas pela embaixada brasileira de Santiago do Chile ao DoiCodi, denunciando duas passageiras do vôo Varig com mensagens de exilados que levariam ao deputado. Era uma época em que o Itamaraty trabalhava com a ditadura.
À saída do Palácio das Nações, ao cumprimentar dona Gilda e lhe contar minha admiração por seu filho, lhe perguntei se já havia recorrido à Comissão de Anistia com relação à cassação de seu marido. Se essa intervenção foi de alguma valia, sinto-me feliz. No meu texto para o jornal, depois de descrever a homenagem lembrei a injustiça ao pai de Sérgio Vieira de Mello cometida pelo Itamaraty. Não sei se foi publicada.
Nem sempre, mas geralmente as demissões arbitrárias, expurgos e perseguições de toda sorte são revistos e as nódoas ficam nos que as motivaram, agiram ou as aplicaram como ditadores, policiais ou pau-mandados.
Rui Martins
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A revolução política no nordeste

Nos últimos anos houve uma revolução política no nordeste, talvez pouco percebida quando olhada isoladamente. Houve uma mudança de geração, com jovens políticos substituindo antigos coronéis que dominaram por anos a cena local. Foi assim com Eduardo Campos, em Pernambuco, Marcelo Déda, em Sergipe, Teotônio Villela Filho, em Alagoas, Cid Gomes, do Ceará, Jacques Wagner, da Bahia, entre outros.
Essa renovação atingiu especialmente a antiga esquerda nordestina pré-64, que ainda sobrevivia dos mitos de Arraes, das Ligas Camponesas e das lutas sociais do período.
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Nenhum deles quer perder o antigo legado, que julgam honroso e histórico. Deda, por exemplo, fez questão de tomar posse no mesmo velho e abandonado palácio onde tomou posse o último governador sergipano antes de 1964, Seixas Dória. Neto de Arraes, Campos preserva com carinho a imagem do "painho" Arraes, cultivada por todo o interior de Pernambuco. Mas todos eles, indistintamente, representam uma ruptura com o antigo legado da esquerda, especialmente da nordestina.
"Nós defendemos a gestão, o planejamento, a busca de eficiência", explica Deda. "Ajudamos a libertar a região das oligarquias locais mas não pretendemos entregá-la ao corporativismo: nosso projeto é atender a maior parte da população".
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Agora mesmo, Deda enfrenta uma greve de professores, apesar de Sergipe pagar o quarto maior salário para professores do Brasil. E também problemas na Polícia Militar, que tem o segundo maior salário, atrás apenas do Distrito Federal. E isso devido a temas como responsabilidade social, políticas sociais universais, desenvolvimento e outros terem entrado definitivamente no seu repertório.
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O caso de Sergipe é emblemático. Até os anos 60 era controlado com mão de ferro pela família Augusto Franco. Nos anos 70, a urbanização de Aracaju permitiu o aparecimento de João Alves, um fenômeno local posto que negro, egresso do setor imobiliário – na ocasião o mais moderno do estado, mas despregado do poder do velho coronelato.
Alves empreendeu uma ampla modernização em Sergipe, com obras de infraestrutura, criação de um clima favorável à expansão de Aracaju, na época já beneficiada pelo avanço da Petrobras e da indústria extrativa mineral.
Depois, Alves acabou se aliando a Albano Franco, filho de Augusto. Conseguiu também a adesão de Jackson Barreto, egresso do grupo dos autênticos do velho MDB. Com isso, a oposição caiu no colo do PT. Deda aproveitou a onda, tornou-se deputado estadual, depois federal, prefeito de Aracaju e, em 2006, governador, derrotando Alves e Franco.
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O grande desafio atual é a montagem de uma estratégia de desenvolvimento para o Estado. E aí entra em jogo a questão da guerra fiscal – demonizado pelas forças do sudeste.
Sergipe é um estado com 22 mil km2 e 2,3 milhões de habitantes. A dimensão do seu mercado, por si, não atrai grandes grupos, ao contrário do vizinho Bahia que é quase um país.
A saída foi trabalhar com a ideia de Sergipe como posição estratégia para acessar parte dos mercados da Bahia, Alagoas e Pernambuco. O lema passou a ser: temos 2,3 milhões de consumidores em Sergipe e 30 milhões nos estados vizinhos, prontos para adquirir nossos produtos.
A estratégia logística
O segundo passo foi identificar as cadeias produtivas mais promissoras: fertilizantes, alimentos, calçados, têxteis, gás e petróleo. Para tanto, foi fundamental desenvolver a infraestrutura de estradas com os investimentos do PAC, especialmente na BR 101 (norte-sul) e 235 (leste-oeste) e acrescentou mais R$ 400 milhões de recursos próprios para recuperar as demais rodovias estaduais, dando ênfase àquelas que iam aos estados vizinhos.
Qualidade de vida
Acenou-se também com as condições de vida do estado e de Aracaju. Hoje em dia, Sergipe disputa com Rio Grande do Norte o título de melhor IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do nordeste, além de maior PIB per capita da região. Além disso, em todas essas décadas houve avanços. Hoje em dia a atividade rural representa apenas 7% do PIB, dominado por serviço, indústria extrativista e indústrias manufatureiras tradicionais.
Revolução social
As políticas sociais beneficiaram Sergipe, assim como outros estados nordestinos. O grande fator a injetar recursos na região, segundo Deda, foi o aumento do salário mínimo. E também o avanço do minifúndio. A agricultura familiar passou a ter um papel fundamental na economia sergipana. Visitei o estado nos anos 90. A política social na época consistia em dar um casal de bodes para cada família no campo.
Agricultura familiar
O grande fenômeno no estado foi ter se tornado o segundo maior produtor de milho do nordeste, com 60% da produção proveniente da agricultura familiar, parte considerável das quais de assentamentos de reforma agrária. Para contornar a burocracia do INCRA, Deda acertou direto com a Presidência da República o assentamento de 1.100 famílias, fazendo em um ano o que o INCRA levaria no mínimo dez.
Incentivo fiscal
Em todo esse processo, foi fundamental uma política de incentivos fiscais – caso contrário nenhuma empresa viria para o nordeste. Agora, já se tem um mercado razoável, a infraestrutura melhorou, a região está mais próxima do mercado externo, África, Estados Unidos e Europa. Deda sabe que o sistema de incenrtivos esgotou, na medida em que todos os estados passaram a recorrer a ele. Mas considera que a mudança tem que ser gradativa.
Constituinte de 1988
Na Constituição de 1988, o constituinte José Serra transformou um imposto sobre o consumo no ICMS, cobrado na origem, isto é, no estado produtor. E pegou grandes geradores de ICMS, como petróleo e energia, e passou a cobrar no destino – isto é, no estado consumidor. As mudanças deverão recompor o equilíbrio. Mas têm que ser gradativas, caso contrário, aborta o crescimento do nordeste, na opinião de Deda.
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István Mészáros: as contradições dos nossos tempos

Confira a íntegra da entrevista concedida a CartaCapital
pelo filósofo húngaro István Mézáros, um dos mais
destacados pensadores da atualidade
Era uma manhã fria de junho quando o filósofo húngaro István Mészáros, 81 anos, apareceu à porta da casa no bairro de Sumarezinho, zona oeste de São Paulo, onde se hospeda quando vem ao Brasil. Desta vez, a viagem tinha como escala, além da capital paulista, as cidades de Salvador, Fortaleza e Rio de Janeiro. A ideia era participar de encontros e divulgar o livro István Mészáros e os Desafios do Tempo Histórico (Boitempo, 280 pág., R$ 43), uma coletânea de artigos sobre sua obra – inclusive com um artigo de sua autoria.
Alto, os olhos enormes e azuis, Mészáros não parece, à primeira vista, a metralhadora giratória que se apresenta logo no início da entrevista, quando faz um relato de quase 40 minutos sobre a situação políticas na Europa e nos EUA. “Berlusconi é um palhaço criminoso”; “Obama diz que vê a luz no fim do túnel, mas não vê que é a luz de um trem que vem em nossa direção”; “A Alemanha se engana quando pensa que vive um milagre econômico”; “O partido socialista agiu contra os trabalhadores na Espanha”; “Os políticos na Inglaterra parecem uma avestruz que insistem em esconder sua cabeça debaixo da terra”…
Em cada resposta, o professor emérito de Filosofia da Universidade de Sussex e um dos mais destacados marxistas da atualidade deixa sempre explícita a necessidade de se entender o processo histórico da formação da sociedade atual para que se possa compreender, de fato, qualquer questão dos nossos tempos. Crítico da social-democracia européia, que ao longo do século assumiu um tom reformista dentro do sistema dominante, Mészáros, que foi discípulo de György Lukács (de História e Consciência de Classe), vê com desencanto as opções que hoje se apresentam à esquerda, e também as manifestações populares que estouraram pelo mundo desde o início do ano. O motivo é simples: o discurso funciona, mas a realidade é que o sistema capitalista é cada vez mais inviável, com líderes das nações buscando mais dívidas para cobrir rombos colossais e a necessidade de se produzir cada vez mais num momento de esgotamento de recursos. A chamada crise financeira internacional, portanto, não é cíclica, mas estrutural, conforme pontua.
Mesmo assim, em duas horas e meia de entrevista, Mészáros deixa escapar um certo tom de otimismo em relação ao futuro – “que, infelizmente, não será no meu tempo” – quando fala sobre tomadas de consciência e mudanças que observa na América Latina.
CLIQUE nos links abaixo para ter acesso à integra da entrevista concedida a CartaCapital (de acordo com os temas abordados):
“O sistema capitalista, no auge da sua produtividade, é incapaz de satisfazer plenamente as necessidades da população mundial por comida”
“Engana-se quem acha que esse excedente chinês salvará o sistema, porque são três trilhões de dólares em comparação a 30 trilhões do restante do mundo. Não significa nada”
“Talvez os críticos não sejam conscientes o suficiente sobre como a estrutura social é dolorosa para os mais pobres. O sofrimento é geralmente parte de um sistema imposto. A conscientização leva as pessoas a se perguntarem como resolver problemas como a fome. É com repressão?”
“O que são esses partidos da social-democracia hoje na Europa? São herdeiros de anos de reformas que os trouxeram cada vez mais para a direita”
“Há pouco tempo as reuniões políticas estavam repletas de pessoas mais velhas, e agora esses encontros estão repletos de pessoas mais novas”
“Nós criamos o hábito de varrer nossos problemas para debaixo do carpete. Só que o nosso carpete histórico se parece cada vez mais a uma montanha, está cada vez mais difícil de caminhar sobre ele. Não há solução imediata”
“Os países capitalistas avançados são os mais destrutivos. Você chamaria isso de avançado? Não é avançado e em muitos aspectos nos traz de volta à condição da barbárie”
Matheus Pichonelli e Ricardo Carvalho
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O novo ciclo da blogosfera

O Segundo Encontro dos Blogueiros, em Brasília, marca o fim de uma era histórica e o início de outra era promissora.
Não compareci ao encontro de Brasília por questões familiares – o fim de semana é sagrado para as menininhas. Mas já tinha solicitado o afastamento do movimento por julgar que a grande missão – na qual me sentia incluído – já tinha sido completada.
A era histórica foi a grande frente que ajudou a afastar a maior ameaça que a democracia brasileira enfrentou desde a eleição de Tancredo: a perspectiva de um país da dimensão do Brasil presidido por um político vingativo e desequilibrado como José Serra.
No encontro que consolidou esse pacto conheci a senhora que montou o blog para denunciar os crimes de maio em São Paulo; a blogueira do Complexo do Alemão; colegas dos mais diversos rincões do país, empenhados em trazer à tona os fatos locais. Ou seja, uma diversidade muito maior do que o fato pontual das eleições. E havia os militantes, alguns históricos, outros jovens que descobriam a militância através da Internet.
No evento de lançamento do movimento procurei explicitar minha posição. A frente era composta por pessoas de várias tendências e cimentada por alguns princípios comuns a todos: a defesa da democracia, da inclusão social, contra toda forma de intolerância e preconceito e dando voz a todos os excluídos pela velha mídia.
O grande desafio seria posterior, quando terminasse a guerra e aparecessem as divergências. Aí mostraríamos o avanço democrático, de poder divergir de forma civilizada.
Agora entra-se na segunda etapa.
A blogosfera é composta por vários grupos de blogueiros, entre os quais dois se destacam: os militantes e os jornalistas. Pertenço ao segundo grupo.
Há características diversas em ambos os grupos, alguns pontos em comum e uma divergência básica: o militante tende a buscar uniformidade do pensamento. No meu caso, sempre entendi a política e a economia com menos dogmatismo. Em meus escritos tenho enfatizado que a construção do Brasil passou por cabeças das mais variadas, de Roberto Campos a Celso Furtado, de Octávio Gouvêa de Bulhões a Rômulo de Almeida.
Sempre entendi que a construção do país deveria ser fundamentalmente pragmática. Com o Partidão, desenvolvemos o modelo federativo do SUS; com os liberais, o mercado de capitais; com a Igreja, o PT e os movimentos sociais, a tecnologia para extirpar a pobreza; com os administradores, as ferramentas de gestão; com os cientistas, as políticas de inovação; com os funcionários públicos, o papel proativo do Estado.
O grande papel da Internet será dar voz a todos. É a partir do aumento dos protagonistas que rompe-se a muralha da informação e permite-se ao país avançar rumo ao estágio mais avançado da democracia, aquele em que deixam-se de lado as decisões autárquicas e amplia-se a negociação e as decisões compartilhadas.
Na Internet, esse novo estágio exigirá o aparecimento de novos personagens, os mediadores, aqueles locais que preferencialmente deem a voz aos sem mídia, mas sem filtros ideológicos e sem temas tabus. Considero que fazem parte dos sem mídia não apenas os movimentos sociais, criminalizados, mas setores da economia, como indústria, agronegócios, os órfãos do câmbio.
Nos próximos anos haverá dois grandes desafios na Internet. O primeiro, esse contraponto à velha mídia; o segundo, o de impedir que essa guerra leve à vitória final da intolerância sobre a razão.
Na grande guerra mundial do ano passado, o esquema Serra trouxe para a Internet a mais sórdida campanha de mídia que esse país já conheceu, com esquemas profissionais barras-pesadas praticando à exaustão assassinatos de reputação, intolerância, efeitos-manada. O que deu legitimidade aos chamados "blogueiros sujos" foi não ter embarcado nesse jogo pesado.
O grande desafio, daqui para diante, será ampliar a frente evitando as armas dos adversários, impedindo as baixarias, assassinatos de reputação, intolerância.
Continuaremos todos por aí. Mas na minha memória afetiva jamais sairão os momentos da grande guerra do ano passado. Cada vez que desanimava com os ataques, as baixarias, olhava para o lado e encontrava companheiros blogueiros indo em frente. E o mesmo devia ocorrer quando qualquer um deles desanimava com o que parecia ser o avanço irresistível do pensamento mais atrasado.
Construímos um momento histórico na vida política do país, impedindo o desmoronamento da democracia.
Agora será a grande luta por sua consolidação, cada qual militando na sua trincheira.
Luis Nassif
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Os Descaminhos da Reforma Política

Como diziam antigamente os comentaristas de futebol, o Congresso Nacional é uma caixinha de surpresas. A respeito de seu funcionamento, só uma coisa é certa: nada é previsível.
Tome-se o que está ocorrendo no Senado com o anteprojeto de reforma política elaborado pela Comissão Especial criada no início da legislatura. Ele passa agora pela análise da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania – CCJ, de onde seguirá para apreciação pelo Plenário.
A Comissão Especial foi aquela que o senador Sarney constituiu com sua tropa de elite. Nela estavam ex-presidentes da República, ex-governadores ilustres, notáveis de todos os partidos. Era a nata da Casa.
Essa gente extraordinária tinha 45 dias para concluir seu trabalho. Qualquer um acharia pouco, mas Sarney dizia que era suficiente, pois confiava que ela não iria perder tempo com “teorias”. Para ele, a Comissão teria espírito prático, se atendo a “assuntos que fazem parte da discussão da classe política”, a respeito dos quais, portanto, seria possível decidir sem protelações.
O anteprojeto da Comissão expressaria o consenso do sistema político sobre o que fazer de imediato. E, respaldado pelo peso de seus autores, tramitaria sem percalços. Seria, assim, realizado o desejo de Sarney e de seus integrantes: uma reforma viável e rápida, que respondesse às expectativas nacionais.
Disso tudo, simplesmente, nada aconteceu. Nem a Comissão conseguiu produzir um documento orgânico, que traduzisse uma visão de conjunto dos problemas de nosso sistema político e uma proposta articulada de sugestões para corrigi-los, nem seu anteprojeto está sobrevivendo à medida que avança.
O pouco caso que a CCJ faz dele ficou evidente no substitutivo que seu relator, o senador Renan Calheiros, preparou.
De uma penada, jogou fora uma das maiores novidades introduzidas pela Comissão - o fim da reeleição no Executivo, e inventou algo que não estava em suas propostas - a coincidência de todos os mandatos.
Ao aprovar o substitutivo, os integrantes da CCJ apenas começaram a desconstruir o trabalho da Comissão Especial, pois novas alterações de vulto estão engatilhadas (na fidelidade partidária, na proibição de candidaturas avulsas, etc.).
Do que fizeram os notáveis, estão restando as irrelevâncias: limitação do número de suplentes de senador, proibição de mudança de domicilio eleitoral de prefeitos no exercício de mandato e coisas tão insignificantes quanto essas. Se era para ser assim, para que precisávamos da tal Comissão?
Ao manter a reeleição, a CCJ decidiu que não seria abolida uma das poucas inovações institucionais recentes que a população brasileira entendeu, aprendeu a usar e aprova, na sua grande maioria.
Em qualquer pesquisa de opinião, chega a três quartos a proporção de entrevistados favoráveis a que presidentes, governadores e prefeitos possam disputar um segundo mandato consecutivo.
A proposta de fazer coincidir todas as eleições, do presidente ao vereador, é uma daquelas que, volta e meia, surgem no debate. Com ela tendem a concordar, nas pesquisas, as pessoas que não gostam de política, frequentemente com argumentos antidemocráticos.
São os que acham que a política e as eleições são um desperdício, uma enganação, uma “perda de tempo”. Como não prezam o exercício da cidadania, quanto menos vezes forem “obrigados” a votar, melhor. Para muitos, o ideal seria que não houvesse eleição nunca.
A vasta maioria dos eleitores pensa de maneira oposta. Sente orgulho no dia de votar, mesmo que desconfie dos políticos. Fica satisfeita de manifestar sua opinião. Não acha nada excessivo comparecer às urnas uma vez a cada dois anos.
Quando separou as eleições locais das estaduais e nacionais, o legislador reconheceu que decidir simultaneamente sobre questões tão diferentes não é salutar para a democracia. Exige que o eleitor faça até oito escolhas ao mesmo tempo, o que aumenta a chance de que algumas sejam menosprezadas. Mistura temas e problemas diferentes.
O argumento de que essas desvantagens são compensadas pela economia de gastos é sem sentido. No arrazoado em defesa da ideia, Renan usou o cálculo de que a eleição municipal de 2008 custou ao Tesouro R$ 704 milhões, que seriam poupados se ela tivesse sido deixada para 2010. Sem discutir qual parte desse valor não poderia ser diminuída, foi uma despesa, por eleitor, de cerca de R$ 5.
A pergunta é se R$ 5 per capita são muito ou pouco para que tenhamos um dos processos eleitorais mais eficientes e seguros do mundo. Se é dinheiro jogado fora ou se são um investimento na educação cívica da população.
Por enquanto, a proposta é apenas mais uma dessas surpresas (desagradáveis) com que nosso Congresso nos brinda de vez em quando. O que vai acontecer com ela, daqui para a frente, ninguém sabe. Seu futuro talvez não seja diferente do anteprojeto da Comissão Especial: ser, pelo que vale, ignorada.
Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi
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Novo movimento no Brasil

 Republico post deste ContextoLivre, de 19/11/2009. 

Imagem exclusiva de um novo movimento que articula-se,
nas imediações de Higienópolis e em Brasília, o movimento
“Eu Também Sou Filho de FHC”.
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Comparações

O escritor argentino Manuel Puig era um notório cinéfilo e certa vez mandou para seu amigo cubano Guillermo Cabrera Infante uma sugestão de elenco para um filme imaginário sobre a literatura latino-americana em que atrizes famosas fariam os papéis principais. Assim Júlio Cortazar seria interpretado por Hedy Lamarr (“Bela, mas fria e remota”, segundo Puig), Carlos Fuentes por Ava Gardner (“Cercada de glamour, mas será boa atriz?”), Garcia Marquez por Liz Taylor (“Rosto bonito mas pernas muito curtas”) e Vargas Llosa por Esther Williams (“Disciplinada, mas que chatura”).
Puig se incluía no filme, interpretado por Julie Christie, “uma grande atriz, que, desde que encontrou o homem certo (na época, Warren Beatty), deixou de atuar”.
Puig — que também era notoriamente gay — disse sobre Julie Christie e, presumivelmente, sobre si mesmo que sua sorte no amor causava inveja nas outras estrelas. Não se sabe quem era o Warren Beatty do argentino.
Jogos deste tipo são totalmente subjetivos e cada um pode fazer as comparações que quiser — se bem que comparar o Vargas Llosa com a Esther Williams me parece, por alguma razão, perfeito. Não que o peruano seja previsível e chato, pelo contrário. É que ele mergulha com estilo e nada de frente e de costas numa piscina que ninguém mais frequenta.
Me lembrei de outra lista de comparações, também inteiramente subjetiva, feita pelo Paulo Mendes Campos numa crônica intitulada “O Botafogo e eu”, aquela que termina assim: “E a insígnia do meu coração é também (literatura) uma estrela solitária.” Na sua lista o cronista diz que Michelangelo é Botafogo, Leonardo é Flamengo, Rafael é Fluminense, Stendhal é Botafogo, Balzac é Flamengo, Flaubert é Fluminense, Bach é Botafogo, Beethoven é Flamengo, Mozart é Fluminense. Segundo o Paulo “Dostoievski é Botafogo, Tolstoi é Flamengo (na literatura russa não há Fluminense)”. Baudelaire é Fluminense, Verlaine é Flamengo, Rimbaud é Botafogo.
A lista termina assim: “Camões não é Vasco, é Flamengo, Garret é Fluminense, Fernando Pessoa é Botafogo. Sim, Machado de Assis é Fluminense, mas no fundo, no fundo, debaixo da capa cética, Machado, um bairrista, morava onde? Laranjeiras!”
Luíz Fernando Veríssimo
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Charge online - Bessinha - # 671

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Tufvesson revoltado com declaração de Myrian Rios

Depois da declaração pública da deputada Myrian Rios - “Não poder discriminar homossexuais é abrir uma porta para a pedofilia” -, nessa quinta-feira (23/06), em São Paulo, Carlos Tufvesson, estilista, que só soube neste sábado (25/06), está revoltado: “Tenho família, amigos e pessoas que amo pra ser injuriado publicamente na minha moral por essa Sra. Myrian Rios. A religião não pode ser refúgio pra artistas no ostracismo enganarem pessoas de fé”. E completa: “Pleitear o direito de discriminar quem quer que seja, além de criminoso, passa longe do princípio de qualquer religião e é caso para os tribunais de direitos humanos e para a OAB. Não podemos, como sociedade de bem, aceitar discursos que pregam o ódio sem nenhum embasamento técnico, baseado apenas no achismo”. Tufvesson esclarece que está falando apenas como cidadão.
Fonte: Portal iG

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Myriam Rios rainha 3i: ignorância, imbecilidade e intolerância

Engraçadíssima manifestação da deputada Myrian Rios, (PDT-RJ), ex de Roberto Carlos, se não tivesse ocorrido de verdade e se não tivesse todas aquelas legendas sobre a DITADURA GAY… Ela é missionária católica… Orientação sexual pedófila? Opção sexual, opção? Divirtam-se, se der. E agradeçam a deus.
Vi no Milton Ribeiro
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PSDB quer trocar de símbolo: tucano deverá ser substituído por touro

Uma ala do PSDB anda querendo homenagear o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, maior ícone do partido, e mudar o símbolo da agemiação, o tucano seria trocado por um touro( manso! )...é por causa do que estão pensando mesmo: o tremendo par de chifres que levou da amante, que o fez registrar um filho que não era seu. Aliás, ele está acostumado a registrar filho dos outros: o Plano Real foi lançado pelo governo de Itamar Franco, FHC assumiu a paternidade e criou o filho como se seu fosse. Mania besta, sô!
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Nota de pesar pelo falecimento de Paulo Renato Souza

A presidenta Dilma Rousseff lamentou, neste domingo (26/6), o falecimento do ex-ministro da Educação Paulo Renato Souza. Segundo ela, Paulo Renato “prestou relevantes serviços ao país” como ministro, economista, reitor e como vice-presidente do BID.
Leixa abaixo íntegra da nota:
Recebi com pesar a notícia da morte do ex-ministro da Educação Paulo Renato Souza. Economista, ex-Reitor da Unicamp e ex-vice presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento, Paulo Renato prestou relevantes serviços ao país.
Neste momento de dor, quero transmitir meus sentimentos a seus familiares e amigos.
Dilma Rousseff
Presidenta da República
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Os “hackers cheirosos”

No vale-tudo para atacar o Governo brasileiro, hoje a D. Eliane “Massa Cheirosa” Cantanhede se superou, com seu artigo “Hackers pela Ética”, tranformando um grupo anárquico, que buscava, confessadamente, a notoriedade que a mídia lhes deu e não parecia interessado em revelações de interesse social, mas em divulgar CPF, listas de e-mail e em “derrubar” sites oficiais.
“Com CUT, UNE e MST fora de combate a partir de Lula, por conveniência ou oportunismo, entra em ação pela ética pública um tal de LulzSec para azucrinar e expor os Poderes da República.”, escreve a colunista.
Ora, esses grupos, se têm de ser responsabilizados por danificarem propriedade pública (arquivos) e impedir o funcionamento dos sites, não devem nem ser demonizados nem endeusados, duas faces de um mesmo processo.
Não são assunto de política, mas de providências tecnológicas e administrativas. Até porque não guardam nenhuma relação com “segredos de Estado”, como se disse, mas com a sabotagem do funcionamento de sites públicos e violação de dados pessoais.
O que estes “hackers” estão fazendo nada tem a ver com transparência, com publicização de atos secretos de governo tomados à sombra do desconhecimento da sociedade, como fez, por exemplo, o Wikileaks.
Aliás, quem melhor respondeu a isso foi um ouro grupo de “hackers”, ontem, no Correio Braziliense:
“Em meio às recentes invasões a sites governamentais, o grupo Transparência Hacker afirma não ter relação com os responsáveis pelos ataques e aproveita o momento para discutir a própria atuação. Segundo seus participantes, a organização, objeto de reportagem do Correio de 21 de maio, tenta se desvencilhar das ações criminosas. “Trabalhamos com dados que são abertos. Nossa luta é divulgar informações governamentais que já são públicas, tornando-as mais acessíveis”, explica o articulador de redes Diego Casaes, 23 anos. Ele desaprova a publicação de dados como telefones de ministros ou o CPF da presidente Dilma Rousseff, por exemplo. “Essas informações são pessoais, não públicas. Entendo que devem permanecer sigilosas, porque dizem respeito à pessoa”, afirma.”
É isso que D. Cantanhede elogia, ao afirmar que “o alerta para os governos e demais Poderes é que a sociedade, de alguma forma, está de olho.
Quando um grupo de hackers tem mais respeito pela privacidade que uma colunista de um jornal como a Folha, quando se trata de atingir o objetivo político de atacar o governo Dilma é bom a gente se cuidar.
Mas, reconheça-se, não apenas a colunista da “massa cheirosa”, mas toda imprensa, sem capacidade de separar seus ódos políticos ao Governo da instituição Estado, deu o tamanho e a projeção que era aquilo que estes grupos, no fundo, pretendiam.
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