24 de jun de 2011

Arturo Toscanini

 Documento Histórico 

Beethoven Symphony No. 5
Repare que Toscanini não usa partitura.
Telecast March 22, 1952 from Carnegie Hall, New York City
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O Vírus da Fé 3

Este vídeo mostra como a fé infecta geração após geração e torna-se uma arma mortal de intolerância e fanatismo em todo o mundo. Mostra como o fanatismo, independentemente se é cristão, judeu ou muçulmano, está baseado no mesmo livro sagrado e nos mesmos princípios sectários que desafiam a ciência e perpetuam rituais antigos e sem nenhum senso moral dígno de ser seguido. "A religião é um insulto à dignidade humana." Assistam e tirem suas conclusões...

O Vírus da Fé 1 - 2 - 4 - 5
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Foi queima de arquivo

STF confirma que PC Farias, o famoso tesoureiro de Collor, foi assassinado por seus seguranças e derruba a farsa do crime passional, denunciada por ISTOÉ há 15 anos
Com 15 anos de atraso, o Supremo Tribunal Federal colocou um ponto final em um dos crimes mais rumorosos do Brasil: os assassinatos de Paulo César Farias e de sua namorada, Suzana Marcolino. PC Farias, como era conhecido o empresário alagoano, foi o tesoureiro do ex-presidente e atual senador Fernando Collor de Mello. Ele era considerado o maior conhecedor dos esquemas de corrupção que levaram ao impeachment de Collor e apontado pela Polícia Federal como o responsável pela movimentação de dezenas de contas no Exterior abastecidas pelo propinoduto instalado no governo federal. Em 23 de junho de 1996, dias antes de depor em uma CPI que investigava a relação de empreiteiras com o Palácio do Planalto, PC e sua namorada foram mortos na casa do empresário na praia de Guaxuma, litoral de Maceió. Antes mesmo de os corpos serem removidos, os irmãos de Farias, também envolvidos com o governo Collor, e a polícia alagoana passaram a tratar o caso como crime passional. Suzana teria matado PC e se matado em seguida. Uma versão endossada por delegados da Polícia Federal e pela mídia em geral, mas que não tinha nenhuma sustentação em provas técnicas ou testemunhais, como denunciaram diversas reportagens de ISTOÉ desde a primeira semana de julho de 1996. Com base nos relatos de testemunhas, muitas delas ignoradas pela polícia alagoana, e nos estudos feitos por peritos e legistas de todo o País, as reportagens mostravam que PC e Suzana foram vítimas de um duplo homicídio e que a cena do crime fora alterada para dificultar as investigações.
ARMAÇÃO
A cena do crime (acima) foi alterada para atrapalhar as investigações. Em julho de 1996,
ISTOÉ denunciou a montagem para que o caso fosse arquivado como crime passional
No início deste mês, o ministro Joaquim Barbosa, do STF, decidiu, em última instância, que Adeildo dos Santos, Reinaldo Correia de Lima Filho, Josemar dos Santos e José Geraldo da Silva, ex-seguranças de PC e ainda hoje funcionários da família Farias, deverão ser levados a júri popular acusados como coautores dos assassinatos. A decisão de Barbosa não deixa dúvida. O que ocorreu na casa da praia de Guaxuma foi um duplo homicídio e não um homicídio seguido de suicídio. “O jornalismo praticado por ISTOÉ teve papel fundamental para que a farsa não prevalecesse sobre os fatos”, diz o juiz Alberto Jorge Correia Lima, da 8ª Vara Criminal de Alagoas, responsável pelo processo que apura o crime. Segundo ele, o julgamento dos ex-seguranças de PC deverá ocorrer em setembro.
RÉUS
Adeildo, Reinaldo, José Geraldo e Josemar (da esq. para a dir.),
os ex-seguranças acusados pelo assassinato de PC
“Depois de tanto tempo, aumentam as chances de os ex-seguranças serem inocentados, pois os detalhes já não estão mais na memória das pessoas como na época do crime”, lamenta o promotor Luiz Vasconcelos. “Mas só o fato de haver um júri popular comprova que uma farsa estava em gestação.” Em março de 1997, o promotor e o juiz colocaram em dúvida um laudo elaborado pelo legista Fortunato Badan Palhares, da Unicamp, que procurava impor rigor científico à tese do homicídio seguido de suicídio. Com base em reportagem de ISTOÉ, que, amparada em pareceres emitidos por legistas de diversos Estados enumerou uma série de falhas no laudo de Palhares, a Justiça alagoana convocou três especialistas em medicina forense para mediar o impasse. A conclusão foi a de que todos os indícios apontavam para o duplo homicídio. “Se quatro pessoas estão em uma sala e uma delas é morta, ou o assassino está entre os três que sobreviveram ou eles compactuaram para encobrir uma outra pessoa”, diz o promotor, referindo-se à situação dos acusados. O promotor lamenta que a farsa montada em torno da tese do crime passional tenha impedido que investigações mais profundas fossem feitas. Ele explica que a possível condenação dos ex-seguranças de PC pode representar a punição aos autores dos homicídios, mas que o mandante do crime ainda é um mistério. Em sua denúncia, o juiz Correia Lima chegou a apontar o ex-deputado Augusto Farias, irmão de PC, como o mentor intelectual do crime, mas o STF entendeu que não havia provas suficientes contra o ex-parlamentar. Se a Justiça fosse menos morosa, é provável que todos os mistérios em torno da morte de PC já estivessem resolvidos.
Mário Simas Filho
By: IstoÉ
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Los Nadies / Os Ninguéns

 Imperdível 

Os ninguéns: os nenhuns, os negados de tudo, correndo como coelhos, morrendo ao longo da vida, fodidos, re-fodidos
Vi no Maria da Penha Neles!, que viu no Gerivaldo Neiva-Juíz de Direito
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Columbo morreu!

Morre o ator Peter Falk aos 83 anos
Los Angeles (EUA) - O ator Peter Falk morreu na última madrugada em Beverly Hills, no estado americano da Califórnia, aos 83 anos, informaram nesta sexta-feira seus familiares à emissora de rádio local "KNX-1070".
Ainda não foi divulgada a causa da morte, mas sabe-se que o artista sofria de demência senil há anos.
Falk ganhou quatro prêmios Emmy por interpretar o célebre detetive Columbo, e recebeu indicações ao Oscar em 1961 e 1962 por seu papel coadjuvante nos filmes "Murder, Inc." e "Pocketful of Miracles".
Também concorreu dez vezes ao Globo de Ouro por sua atuação na série "Columbo", prêmio que ganhou em 1973.
Entre seus personagens mais memoráveis no cinema estão os de filmes como "Uma Mulher sob Influência" (1974), "Asas do desejo" (1987) e "A Princesa Prometida" (1987).
O ator americano ficou sob a custódia de sua mulher em junho de 2009 depois que um juiz de Los Angeles o declarou incapaz devido a seu quadro de demência.
A segunda esposa de Falk, Shera Danese, obteve a tutela do ator após seis meses de batalha legal com Catherine, filha adotiva de Falk.
Nas audiências, um dos médicos confirmou que padecia de demência avançada e que não lembrava de seu passado como ator e nem reconhecia sua filha.
Falk começou a dar sinais da doença em 2005 e seu estado piorou após se submeter a intervenções cirúrgicas em 2007 e 2008.
O último filme do qual participou foi "American Cowslip" (2009), ao lado de Val Kilmer.
By: EFE
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Charge online - Bessinha - # 668

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Cabral, seu secretário de Saúde e prefeito do Rio são alvos de suspeitas por desvio de recursos

Cabral viajou para o Sul da Bahia
em um jatinho de Eike Batista
Um inquérito da Polícia Federal mobilizou agentes, na manhã desta sexta-feira, na direção dos gastos de campanha do governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho. O secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, também foi alvo de denúncias veiculadas na mídia impressa e em redes sociais.
Cabral é alvo de suspeitas quanto à contratação de um dos fornecedores de adesivos para a campanha de reeleição ao governador. A Soroimpress Comércio de Produtos Gráficos, que teve seu funcionamento questionado no inquérito, recebeu R$ 33 mil nas eleições do peemedebista.
O processo investiga apenas Cabral e a empresa, segundo reportagem publicada no diário conservador paulistano Folha de S. Paulo, nesta sexta-feira. Segundo o jornal, a Soroimpress forneceu material de campanha para 83 candidatos e dois partidos “e recebeu, no total, R$ 5 milhões”. O Comitê Financeiro Único do PMDB-RJ, principal doador da campanha de Cabral, pagou R$ 523 mil à empresa, segundo dados do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). O principal cliente da Soroimpress, porém, foi o senador Lindberg Farias (PT), que pagou R$ 640 mil, mas não é parte do inquérito.
“Em março, a PF pediu esclarecimentos a Cabral, mas ainda não recebeu resposta. A assessoria de imprensa do governador manteve a posição dada à época da campanha, quando afirmou que não faz ‘checagem de endereços’ dos fornecedores de campanha. Disse que divulgou o interesse na compra de adesivos ‘no mercado’ e recebeu a oferta da empresa. Alegou ainda que a Soroimpress estava ativa na Receita Federal à época da contratação. A assessoria disse que o governador ainda não respondeu à PF porque ainda não foi ‘intimado pessoalmente a se manifestar”, diz a reportagem.
O senador Lindberg Farias (PT-RJ) afirmou, após a eleição, que optou pela empresa porque ela não apresentava pendências na Receita Federal e ofereceu garantias de preços e prazos de entrega.
Sede suspeita
A sede da empresa Soroimpress Comércio de Produtos Gráficos, cujo CNPJ consta em material de campanha de Cabral, indicada na Receita Federal e na Junta Comercial de São Paulo é um prédio em construção vazio em Sorocaba (SP). Fundada em abril deste ano, a empresa tem como sócias duas senhoras de 84 anos. Uma não foi localizada no endereço indicado à Junta Comercial. A outra pouco sai de casa, segundo funcionários do prédio onde ela vive, acrescenta o jornal.
A campanha do governador afirmou que “divulga no mercado” o interesse para compra de material e escolhe a empresa que ofereça melhor preço. A assessoria disse que não é feita “checagem dos endereços de fornecedores”. Afirmou ainda que a empresa não será mais contratada. A Soroimpress havia recebido R$ 33.450, de acordo com a assessoria. O caso foi encaminhado pela coligação de Fernando Gabeira (PV), adversário de Cabral na eleição ao governo do Rio, à Procuradoria Regional Eleitoral, que investiga o caso. Além de adesivos, foram entregues cartazes com o CNPJ da empresa.
Cobertura dos sonhos
Secretário de Saúde do governo Cabral, Côrtes
mora em um dos pontos mais elegantes do Rio

Ainda nesta sexta-feira, em sua página em uma rede social, o jornalista, deputado federal e ex-governador do Estado Anthony Garotinho (PR) divulga uma matéria na qual reproduz documentos de compra da cobertura onde mora o secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes. Segundo o parlamentar, a cobertura duplex fica na Avenida Borges de Medeiros, nº 2.475, de frente para a Lagoa Rodrigo de Freitas.
“É o sonho de consumo de nove entre 10 socialites do Rio de Janeiro morar naquele ponto. Um dos metros quadrados mais caros da Cidade Maravilhosa. Amigos que estiveram dentro da residência numa festa relatam que a quantidade de obras de arte e a decoração suntuosa são de dar inveja a Ali Babá. Sérgio Côrtes tem muito que explicar”, escreve o deputado.
Ainda segundo Garotinho, Côrtes teria subdeclarado “o valor da compra do imóvel em R$ 1,3 milhão quando qualquer carioca sabe que uma cobertura duplex com 5 vagas na garagem, na beira da Lagoa Rodrigo de Freitas, num prédio moderno está na faixa de R$ 5 milhões”.
Ele acrescenta que, na época da compra do imóvel, Côrtes dirigia o Instituto de Traumato-Ortopedia (INTO):
“Nenhum diretor de hospital por mais bem pago que fosse, conseguiria juntar R$ 1,3 milhão, o declarado na escritura. Muito menos o seu valor real perto de R$ 5 milhões. Sérgio Côrtes era, portanto, ocupante de cargo público de confiança federal”.
Garotinho informa, ainda, que a escritura mostra que a cobertura foi comprada à vista, com dinheiro em espécie.
“Sérgio Côrtes chegou carregando um pacote com R$ 1,3 milhão, que devia estar guardado no colchão. Ou seja, pagou em dinheiro vivo para não deixar rastro de onde veio a propina”, acusou.
Ligações perigosas
Na mesma página, o parlamentar acrescenta que o prefeito Eduardo Paes também estaria envolvido em possíveis irregularidades e que teria versões contraditórias sobre a participação da Delta Engenharia, de propriedade do empresário Fernando Cavendish, que acompanhava o governador Cabral em uma viagem trágica a um balneário no Sul da Bahia, onde morreram sete pessoas em um acidente aéreo.
Após a queda do helicóptero onde estavam amigos e parentes de Cabral e Cavendish, deputados estaduais da oposição passaram a pedir explicações do governador Cabral sobre os contratos do Estado com a empreiteira de Cavendish – e os benefícios fiscais dados ao grupo EBX, de Eike Batista, quem havia emprestado um avião para levar o grupo até o balneário de luxo. Na viagem, seria comemorado o aniversário do empresário Fernando Cavendish – que estava a bordo -, mas teve fim trágico após a queda do helicóptero com parte dos convidados – incluindo Mariana Noleto, namorada de um dos filhos de Cabral.
Segundo Garotinho, Paes também teria ligações com a empreiteira:
“(Paes) começou mentindo e dizendo que na gestão anterior (Cesar Maia), a Delta tinha mais contratos do que agora. Obviamente quando os números apareceram era o contrário. Na gestão de Paes é que a empreiteira Delta, do amigo de Cabral, está fazendo a festa. Bem o saldo descoberto até agora mostra contratos da Delta com Paes, da ordem de R$ 389,9 milhões. Sendo que quase triplicaram os contratos de emergência, sem licitação. Mas comenta-se na prefeitura que esse valor está previsto subir muito ainda este ano, por conta de obras para as Olimpíadas”.
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Fogo Amigo!

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FHC convida ministros do STF para um luau

Joaquim Barbosa e Gilmar Mendes faltaram à sessão por "motivos de força maior".
VISCONDE DE MAUÁ - Minutos depois de receber a notícia de que o STF permitiria a marcha em favor da erva danada, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de olhos marejados e algo vermelhos, convidou os onze ministros para um luau em Visconde de Mauá. "Dizem que o Fux sabe levar um Bob Marley esperto no violão e que a Carmen Lucia, depois de duas cervejas, canta que nem a Janis Joplin. Acho que o troço vai ser animado", garantiu o ex-presidente.
Dividindo um pacote de Sonho de Valsa e uma lata de leite condensado, Marco Aurélio Mello e Celso de Mello riam compulsivamente de um barulhinho estridente emitido pela máquina de café. "Só vou se o FHC levar incenso", disse Marco Aurélio. "Caraca!", exclamou Celso de Mello. Os dois se olharam e, passados alguns segundos de silêncio, caíram novamente gargalhada.
Vestido numa diáfana bata branca, FHC pediu para ser chamado de FHSeixas durante o transcurso do luau. "Diante de tanta repressão e truculência, o que o STF fez foi estender um cachimbo da paz para a sociedade", declarou, enquanto procurava seus óculos escuros.
Ao ouvir a palavra "cachimbo", a ministra Ellen Gracie se dobrou no chão de tanto rir.
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Encontro de Blogueiros visto da Europa

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Política africana do governo Lula

Um artigo acadêmico rememora movimentos que mudaram, em oito anos, relações diplomáticas e comerciais entre Brasil e continente antes esquecido
A política externa do governo Lula, ao contrário da política externa de FHC, emergiu num viés de desalinhamento em relação ao consenso do “Atlântico Norte”, como alternativa de recupearr a capacidade de negociação (VIZENTINI, 2006). Tomando o conceito “eixo horizontal” trabalhado pela Peccequilo (2008), percebe-se que o governo Lula promoveu parcerias com países emergentes e países menos desenvolvidos, englobando países da África, Ásia e Oriente Médio (LDCs).
Este eixo representou a dimensão terceiro-mundista da sua política externa, também referida como relações Sul-Sul e, através dessa relação o Brasil conseguiu aumentar sua presença no mercado do sul, estabelecendo contatos mais amplos com a Índia e África do Sul (PECCEQUILO, 2008)
Neste contexto, as relações da política externa do governo se concentravam em três dimensões: uma diplomacia econômica, que determinava a necessidade de manter abertas as relações com o Primeiro Mundo, para obter investimento e tecnologias. Uma atuação política, configurada como uma arena de reafirmação dos interesses nacionais de forma ativa e afirmativa e um programa social. Ao frisar a importância de impostos sobre vendas e compras de armas como forma de angariar fundos para luta contra a fome global, o presidente Lula conquistara a simpatia da comunidade internacional como: França, Chile e Espanha.
Guiado pela diplomacia presidencial, Lula assumiu a liderança dos países em desenvolvimen­to e pobres nos fóruns multinacionais (MALIMANN, 2009). Assim, o Brasil conjugava novos princípios de inserção internacional ao ponto do Amado Cervo (2004) caracterizar seu gover­no como, um Estado logístico, pois este governo planejaria outra forma de inserção no mundo da globalização.
Ao reforçar a economia nacional; reconvertendo a política de comercio exterior em instrumento estratégico de desenvolvimento. Sob a administração Lula o país evoluiu de uma aliança estratégica com o ocidente para o universalismo de ação. “O Brasil de Lula transforma sua política exterior pelo paradigma do Estado logístico, imitando o comportamento dos grandes” (CERVO apud ALTEMANI, 2005, p. 257).
A mudança de foco da política externa brasileira promovida pelo Lula, ao priorizar as relações Sul-Sul e o discurso por uma ordem global mais igualitária e justa, estava também enraizada na idéia de que as relações Sul-Sul possuem boa potencialidade comercial e se figuram como espaços para projeção da diplomacia brasileira. Porém “a mudança de foco geográfico produziria melhores resultados se o país estabelecesse concentração nos resultados e não no discurso para o consumo interno e popular”, (LOPES, JUNIOR, 2004, p. 325). Em oposição, continuavam de forma maciça os investimentos diplomáticos e comerciais para que a mudança da política externa brasileira obtivesse ganhos.
Neste pensamento, Lula percebia a aproximação com o continente africano e com outras regiões do mundo como a possibilidade da garantia de maiores alternativas e maior poder de barganha do Brasil no ambiente internacional. Torna-se pertinente frisar o ativismo do presidente nas negociações e buscas de novas parcerias comerciais com países fora da região, principalmente formação do G-20 e do Fórum Trilateral, Índia, Brasil e África do Sul (IBAS). Estas coalizões foram sempre calcadas em um compromisso com uma ordem social e econômica mais justa e igualitária (RIBEIRO 2010).
A política externa do governo Lula, num primeiro momento, deu prioridade á reconstrução do Mercosul e a integração sul-americana. Embutida neste pacote estaria também à solidariedade com os países africanos, focado no princípio de democratização que conjugava o direito de maior participação dos países emergentes nas decisões internacionais.
Aplicando o conceito de diplomacia presidencial trabalhado por Cason e Power (2009), nota-se que o papel ativo do presidente Lula marcou a política externa brasileira e especificamente para África, que ganhou um espaço privilegiado e diferente em relação aos presidentes antecessores.
Desta forma o “continente africano era considerado como a área de maior investimento em termos diplomáticos do governo” (RIBEIRO, 2010, p.70). Verificou-se o aumento de novas embaixadas e reabertura das que foram desativadas no governo FHC. De dezoito saltaram para trinta embaixadas e dois consulados no continente africano. Em contrapartida, aumentou a intenção e o interesse de vários países africanos em abrirem postos diplomáticos no Brasil, que no ano de 2006 saltou de dezesseis para vinte e cinco (RIBEIRO 2010).
O Presidente Lula entendia que o estreitamento das relações com a África apresentava uma obrigação política do Brasil, que inclui apoio técnico às nações do hemisfério e também transferências de conhecimento principalmente para Nigéria em razão dos acordos na área petrolífera. Assim a política externa de Lula para África ganhava contornos cada vez mais significativos e no Itamaraty assistia o desmembramento do departamento da África e do Oriente Médio, que depois passaria a cuidar exclusivamente de assuntos pertinentes ao continente africano. Vale salientar a divisão da África-III (DAF-III) que passou a congregar as duas divisões já existentes (DAF-I e DAF-II), estas medidas marcaram a política externa ao valorizar regiões anteriormente desvalorizadas em termos comerciais.
Relações Comerciais
O período do governo Lula, registrou uma balança comercial superavitária, auxiliado pelo crescimento estável da economia mundial como também, pela abertura a novos mercados, principalmente os mercados emergentes. Desta forma o país quitaria sua dívida de US$ 15,6 bilhões com o FMI, (MALIMANN, 2009).
O ajuste na política externa brasileira lograva do raciocínio que no plano global existia um espaço mais afirmativo para o Brasil (LIMA, 2003), desta forma seguia o projeto de exploração econômico-comercial com países em desenvolvimento e neste contexto, alguns países da África (Angola, Moçambique e Namíbia).
Além dos acordos relativos à criação de uma zona de livre comercio entre MERCOSUL-União Aduaneira da África Austral e MERCOSUL-Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral. Destarte nota-se clara a prioridade e a importância comercial que o continente africano detinha neste governo traduzida nas viagens feitas pelo Lula ao continente, visitando vinte países em seis viagens, no período de 2003 a 2006 (RIBEIRO, 2010).
Estas viagens se traduziam não só num mero simbolismo embutido nas semelhanças culturais, mas Lula percebia o resultado delas “como oportunidade de traduzir o atraso tecnológico e econômico por meio de alianças, não só com a África, mas também, com Oriente Médio e outras regiões do globo,” (LOPES, JUNIOR, 2004).
Portanto, a tentativa de buscar novos mercados e parceiros no cenário internacional constitui uma forma de alcançar autonomia pela diversificação Vigevani (2007). Ao contrário em alguns aspectos da autonomia pela participação sustentada no governo FHC, neste contexto as relações Sul-Sul ganhavam espaços, defendendo maior participação nos fóruns multilaterais internacionais e as articulações políticas advindas do estreitamento das relações entre os países do Sul.
A África passou a ocupar um lugar de destaque no governo Lula e em relação à solidariedade com os países deste continente, o presidente perdoou a dívida africana em quase US$ 1 bilhão, perdoou quase 95% da dívida Moçambicana em 2004. A intenção era estabelecer uma parceria para incentivar as exportações de produtos de maior valor agregado e também almejar novos mercados no continente (SANTANA, 2003). Entretanto, no caso nigeriano, “após um árduo processo de negociação o país começou a pagar a dívida contraída com o Brasil na década de 1980. A dívida original era de US$ 128 milhões, reduzida após as negociações em crédito, para muitos considerados fundo perdido” (ALTEMANI, LESSA, 2006).
Ainda em termos comerciais, a diplomacia presidencial tem auxiliado e favorecido os empresários nacionais na África ao analisar o aumento das empresas nacionais no solo africano. Percebe-se o aumento do intercâmbio comercial entre Brasil e a África, no qual as exportações aumentaram de 487% no período entre 1996 a 2006, sendo que maior aumento foi observado no governo Lula, 315% em quatro anos, em relação às importações registrou-se um aumento em 478% na última década com um resultado de US$ 2,6 bilhões para US$ 8 bilhões em 2006 (RIBEIRO, 2010).
Destarte, as transações comerciais com a África aumentaram, o continente ocupou o lugar do quarto maior parceiro comercial do Brasil e analisando os países: o intercâmbio comercial com África do Sul, Angola e Nigéria assume valores expressivos. Sozinhos, representam 82% das exportações brasileiras para o continente no período de 2003-2006. O país registrou saldo positivo com exceção da Nigéria em razão da importação do petróleo.
Especificamente para África do Sul, o governo assinou em 2003 uma Carta de Intenção referente à Implementação de Acordo de Cooperação Cultural por um período de três anos. Depois, em 2006, veio a promulgação de um decreto referente à convenção para evitar a dupla tributação e prevenir a evasão fiscal relativo aos impostos sobre a renda realizada em 2003 com a África do Sul.
Dentre os produtos exportados para África encontran-se: combustíveis (10,8%), açúcar (10%); carne bovina (6,1%), minério de ferro (3,6%), em contrapartida Brasil importa do continente: Petróleo bruto, minérios de magnésio (6%), hulha antracita não aglomerada (12%), outros propanos liquefeitos (24%), (MDIC, 2010) sendo que a origem destes produtos na sua totalidade corresponde à África do Sul, Angola e Nigéria.
Porém, o comercio Sul-Sul na visão de alguns críticos não é compensador. O Brasil estaria sofrendo prejuízos neste comércio, frente às perdas de exportação para os países do Norte, nomeadamente os Estados Unidos e a União Européia. Sustentado na idéia de que a abertura de novos mercados tem que ser vista como uma atividade complementar e não substitutiva. Assim os críticos frisam o déficit comercial com a África de US$ 2 bilhões, “no entanto ao excluir-se o petróleo desse cálculo, obtêm um superávit de aproximadamente 3,5 bilhões de dólares” (ALTEMANI, LESSA, 2006).
Articulações políticas e seus reflexos comerciais
As relações do governo Lula preconizadas com as economias emergentes: China, Índia, África do Sul e Rússia, seguem um cálculo racional de que estes países detêm mercados com grande possibilidade de absorção de produtos brasileiros e de insumos, ou investimentos demandados pela economia brasileira. Em contrapartida figuram como espaços políticos, possuindo forte expressão regional e com perspectiva de atuação comum nos organismos internacionais, (ALTEMANI, 2005). Torna-se imprescindível frisar o papel da diplomacia presidencial cunhada na imagem do presidente Lula que se empenhou na formação de mecanismos de atuação no cenário internacional.
Fórum Trilateral, Índia Brasil e África do Sul (IBAS).
Em relação ao IBAS, Brasil têm buscado maior articulação e intensificação da cooperação política e comercial com outros membros. O resultado da intensificação comercial foram as metas comerciais de aproximadamente US$ 15 bilhões até o ano de 2010. No campo político, as preocupações do IBAS se direcionam aos problemas do Sul (VIZENTINI; PEREIRA, 2008,). Desta forma a interação política se concentra nos esforços de diminuir a desigualdade nos fóruns multilaterais internacionais como, OMC, OMPI e CDH.
IBAS possui um fundo criado em 2004, tendo como preocupação central apoiar projetos viáveis e replicáveis que contribuam com as prioridades nacionais de países em menor desenvolvimento. Neste contexto, dois projetos foram financiados pelo Fundo IBAS na África, projeto de apoio à agricultura em Guiné Bissau e de reconstrução de posto de saúde em Cabo Verde.
União Africana/África-América do Sul
Em relação à União Africana (UA)A, em fevereiro de 2007, Alpha Konaré, então Presidente da Comissão do bloco, efetuou uma visita oficial ao Brasil. Na ocasião foi firmado o Acordo-Quadro de Cooperação Técnica bilateral. Em julho de 2009 o Presidente Lula assinou Ajustes Complementares ao Acordo-Quadro citado acima, nas áreas de agricultura e desenvolvimento social.
Ainda no âmbito da UA, destacou-se a iniciativa do governo brasileiro e nigeriano Olusegun Obasanjo na formação da cúpula América do Sul-África (ASA), idéia formulada na ocasião da visita de Lula ao seu homólogo nigeriano em 2005. Obasanjo manifestou interesse, reiterando que iria apresentar a proposta na UA em Sirte, Líbia em julho do mesmo ano.
Na visita do presidente nigeriano a Brasília em setembro de 2005, Lula reforçou o apoio brasileiro à idéia de Obasanjo de promover a cúpula entre os países da América do Sul e da África. Em novembro de 2006, a cúpula emitiu a declaração de Abuja, o Plano de Ação e Resolução, formalizando o Asacof.
A constituição dessa cúpula fortaleceu os laços comerciais entre os países e as relações estratégicas e de cooperação. Neste sentido, a ASA surge na visão do governo Lula como um mecanismo multilateral que almeja objetivos comuns, centrado no espírito de solidariedade e de cooperação Sul-Sul, estimulando desta forma a capacidade de desenvolvimento sustentável dos países-membros (MRE, 2010).
União Aduaneira da África Austral
No que tange à União Aduaneira do Sul da África (SACU), ela foi estabelecida em 1910, tornando-se a união aduaneira mais antiga do Mundo. Seu objetivo principal refere-se à promoção do desenvolvimento econômico através de uma coordenação regional do comercio (MRE, 2010).
As relações de Lula com esta união não restringiam só ao Brasil, mas também a região do Mercosul, Assim as negociações entre os dois blocos, numa primeira fase aconteceram em 2000 somente com a África do Sul. Depois, em junho de 2003, em razão da reestruturação do bloco africano, as negociações foram estendidas para os demais países da SACU. O objetivo central destas negociações se concentrava no estabelecimento de uma área de livre comercio entre MERCOSUL e a SACU. Desta forma, decidiu-se negociar um acordo de preferências tarifárias fixas ou ACP.
O governo Lula definiu SACU como uma área importante para intercâmbio comercial. Neste viés, resultado foi positivo principalmente para o Brasil; o comercio entre o país e o país da SACU registrou o valor de US$ 1,75 bilhão em 2009, com saldo de US$ 878,8 milhões a favor do Brasil. Em relação ao 2010, as exportações brasileiras para os países da SACU atingiram US$ 1,31 bilhão e as importações, US$ 435 milhões, (MRE, 2010), salientando que as transações comerciais entre o país e o bloco saltou de US$ 744.968.263 em 2003 para US$ 1.781.887.422 em 2008, (MDIC, 2010)
Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC)
No que tange à SADC, as relações comerciais com o Brasil mostram-se significativas ao analisar o governo Lula. Neste período as transações comerciais saltaram de US$ 1 bilhão, em 2003, para US$ 3,9 bilhões, em 2008 (MDIC 2010). Além disso, foram assinados em 2010 acordos em áreas ainda a serem exploradas, cuja intenção promover o desenvolvimento sócio-econômico, industrial, científico e tecnológico entre Brasil e os países da SADC. Estes acordos possibilitarão melhor coordenação entre Brasil e a SADC na consecução dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio. Ainda ressaltam-se os programas de interesse comum nesta parceria, além da troca de informações, estágios e missões técnicas e programas de formação e de capacitação (MRE, 2010).
Lula firmou ainda aproximação e participação com outras regiões africanas, destacando-se a participação do Brasil na ZPCAS, a NEPAD e a CEDEAO, estes mecanismos tem favorecido a cooperação multilateral do Brasil na África.
A cooperação Sul-Sul não negligenciaria as relações Norte-Sul. Entretanto “o Sul passa a ser o destino final dos esforços de política exterior e não mais uma mera rota complementar” (LOPES; JUNIOR, 2004, p. 10).
Em relação ao Norte, Lula possuía relações com alguns países, principalmente com os Estados Unidos. O presidente manteve relações de equilíbrio com o país no que diz respeito à parceria em conjunto de produção de bicombustíveis embora as clivagens de pensamentos que existia entre Lula e ex-presidente Bush (NOGUEIRA, 2007). Referente ao Etanol, Lula buscou parcerias dentre as quais africanas para fortalecer a “diplomacia do etanol” principalmente com a Nigéria, centrado no viés pragmático e universalista de conduzir a política externa brasileira.
O ajuste da política externa no governo Lula promoveu a inserção internacional do país. Entretanto, de uma forma mais apurada o presidente almejou um assento permanente no Conselho de Segurança da ONU (CSNU). Entendendo que o Conselho necessita de uma reforma institucional, para isso contaria com ajuda de um dos membros permanentes do conselho, a China, que, em contrapartida, levara o governo Lula a definir a economia chinesa como uma economia de mercado, apesar da forte oposição da FIESP. Lula também contaria com o apoio dos países africanos nesse projeto, ao lançar no continente como líder dos países em desenvolvimento e pobres, também ao usar da cooperação técnica para fortalecer as relações com o continente.
Cooperação técnica
A atuação brasileira no continente africano contempla outra área. O Brasil se projeta na África utilizando de mecanismos diversificados e a cooperação técnica. Destacou-se nas relações com os países africanos por causa da sua estrutura, como reforça o Ex-Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim:
“A cooperação técnica é um instrumento central da ação externa brasileira. A cooperação que o Brasil promove num verdadeiro espírito Sul-Sul privilegia a transferência de conhecimento, a capacitação, o emprego da mão-de-obra local e a concepção de projetos que reconheçam a realidade específica de cada país. A solidariedade que anima o relacionamento do Brasil com outros países em desenvolvimento é pilar fundamental de nossas ações de cooperação com a África” (CELSO AMORIM, 2008, p.7).
Entretanto, a projeção brasileira no continente africano, era vista ainda como uma estratégia de compatibilizar o plano das negociações Norte-Sul com as perspectivas de cooperação Sul-Sul, (ALTEMANI; LESSA, 2006). Assim o governo Lula enfatizou as coalizões Sul-Sul por entender que os países que contemplam esta coalizão compartilham da mesma realidade sócio-econômica e enfrentam os mesmo desafios. Neste sentido, Lula tem feito acordos e parcerias que aproveitam essas similaridades – ainda que sejam questionadas, já que são países diferentes.
O presidente firmou, em 2005, acordos relativos à cooperação técnica com alguns países da África: Botsuana, Sudão, Burkina-Faso, Benin, Gâmbia e Guiné Equatorial. Em 2006 com Zâmbia e Tanzânia, na mesma linha, foram também assinados acordos com a UA, Ruanda e Suazilândia e Serra Leoa, além dos acordos de cooperação técnica ainda em negociação, (FARANI, 2008, p.7).
A cooperação técnica brasileira pregara maior atenção ao continente africano. Neste contexto Lula se comprometeu em 2002 em ampliar o campo de cooperação, no Senegal. Verificou o compromisso do Brasil em expandir as intenções na área de saúde. Também no setor da agricultura, o Senegal ganharia a experiência brasileira no ramo de produção da biodiesel.
Relativo a Camarões o governo brasileiro assinou diversos acordos nas áreas de saúde, educação e da cacauicultura, que na visão do então presidente de Gana, John Kufour, “a qualidade dos produtos e serviços brasileiros ganhava campo frente aos congêneres europeus”, (ALTEMANI; LESSA, 2006, p. 227).
Em relação a Cabo Verde, o Brasil detém ótimas relações, importando anualmente cerca US$ 364 milhões, ressalta-se ainda uma linha de navegação comercial já em operação, ligando Praia-Fortaleza injetando 150 mil dólares por semana no estado de Ceará, além da criação de um pólo aéreo marítimo no Recife, atingindo comércios e serviços no ramo das comunicações, (ALTEMANI; LESSA, 2006. pp. 227-231).
No ano de 2008, segundo Farani (2008) cerca de cento e quinze ações de cooperação foram implementadas no continente africano, destinadas a diversas áreas: educação, agricultura, pecuária saúde, administração pública, desenvolvimento urbano, etc. em 2009-2010 registraram-se um aumento tanto no orçamento, num total de US$ 38 milhões, como também, nos projetos a serem executados.
Neste contexto, a Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP) logra uma atenção especial, ao responder por quase 74% do total dos recursos referentes à cooperação técnica na África, embora o governo tenha diversificado os beneficiários da cooperação técnica, abrangendo Senegal Nigéria, Namíbia etc.
A CPLP constitui um fórum de privilégio entre os seus membros no que se refere à articulação de idéias e construção de parcerias, ao mesmo tempo um fórum geoestratégico dada a sua abrangência desde a Ásia (Timor Leste) a Europa (Portugal), passando pela África ( Angola, Cabo Verde, Guiné Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe) a América do Sul (Brasil).
A cooperação nos países da CPLP contempla diferentes campos: apoio à capacitação de recursos humanos em saúde pública, isto é, formar profissionais multiplicadores em áreas específicas da saúde pública, oferecendo suporte para implementação de escolas. Cooperação técnica em telecomunicações, apoiando os organismos das telecomunicações dos países da comunidade; programa de treinamento em cooperação técnica internacional; projeto de governo eletrônico oferecer suporte a elaboração de programas de governo eletrônico nos países da CPLP (ABC, 2008, p. 94)
Através da Agência Brasileira de Cooperaçãi (ABC), o governo Lula incluiu uma nova estratégia de ação tocante a cooperação Sul-Sul; os projetos estruturantes outorgam maiores vantagens tanto para a cooperação brasileira como também para os países africanos beneficiários. Produziu impacto sócio-econômico sobre o público-alvo da cooperação, facilitando a mobilização das instituições brasileiras para implementação dos projetos (FARANI, 2008).
O elenco de projetos estruturantes enquadra a cooperação técnica da Embrapa à Iniciativa do Algodão em benefício dos países membros do Cotton-4 (Benin, Burkina-Faso, Chade e Mali), dentre outros projetos salienta os projetos de formação profissional.
No contexto da educação, o governo Lula expandiu o PEC para o PEC-PG, que passara a abranger área de pós-graduação com ofertas de bolsas para estudantes africanos, como também, a oferta de pesquisas científicas e intercâmbio de professores, objetivando, ampliar o conhecimento de ambos os lados do Atlântico, (VIZENTINI; PEREIRA, 2008).
Desta forma, torna-se viável afirmar que o governo Lula usou da “diplomacia presidencial”. Por meio da sua imagem e prestigio almejou diferente objetivo, com auxilio do Itamaraty, desenvolveram maior proatividade e desenvolvimento da atuação brasileira (ALMEIDA, 2007, p.12), principalmente na África.
Considerações Finais
Ainda é cedo para analisar a política externa do governo Dilma, já que nem o próprio governo mostrou uma agenda clara da política externa, Mas algumas nuances nos sugerem afirmar há uma continuidade da política externa, embora isso seja uma práxis no Brasil. Dessa forma mostra-se uma seqüência nos parâmetros da política externa do governo Lula, ainda que com alguns indícios de ajustes, no que refere à posição do Brasil ao concordar com outros países no sistema internacional em analisarem o quadro de direitos humanos no Irã.
Em relação à África, tudo indica que haverá continuidade. Dilma tem seguido algumas diretrizes da política externa do governo Lula. Principalmente quando faz alusão a construção de uma ordem internacional mais justa e igualitária, e o reforço nas aproximações do Brasil com a África e Mercosul.
Dilma começou a articular diálogo com a África do Sul, no contexto IBAS e também BRICS. A presidenta trocou idéias com o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, na tentativa de coordenarem, no Conselho de Segurança das Nações Unidas, uma solução à crise na Líbia. Da mesma forma, ensejaram a preocupação na maior participação e presença de países emergentes (pelo visto países presentes no cenário internacional,) no Fundo Monetário Internacional, como em outros organismos internacionais.
Na sua última visita ao continente africano em novembro de 2010, Lula levou consigo Dilma, que na época era candidata às eleições presidenciais do Brasil. Na viagem, feita a Moçambique, o presidente do país africano mostrou-se simpático e realçando um sinal de que a política externa de Dilma se fosse eleita (acabou se concretizando), seguiria os contornos traçados pela Política externa do governo Lula, que reforçou a política africana do Brasil.
A amizade entre o Brasil e continente africano parece que vai seguir o mesmo rumo do governo Lula, num encontro entre o presidente de Assuntos Parlamentares de Angola e da embaixadora brasileira neste país, a embaixadora realçou o momento da consolidação dos longos anos de amizade e cooperação.
Em relação à cooperação técnica, isto vem recebendo similar atenção no governo Dilma. Um sinal é a assinatura, no final de maio, de acordo com Gana, que permitiu a liberação de linha de créditos de U$S 95 milhões, destinados a compra de máquinas pra desenvolver agricultura neste país africano. Além disso, foi assinada em 2010, pela Câmara Brasileira de Comercio Exterior (CAMEX), uma linha de crédito para países africanos de U$S 640 milhões, sendo U$S 240 milhões para 2011 e U$S 400 milhões para 2012, destinados a financiamento das exportações brasileiras de máquinas para agricultura familiar no continente.
Da mesma forma, em junho deste ano no âmbito do projeto estruturante da cidade administrativa em Cabo Verde, Brasil disponibilizou 150 milhões de euros para este projeto, celebrado entre Ministério das Finanças e Planejamento de Cabo Verde e a empreiteira brasileira ARG para a materialização desse acordo. Salientando que esta iniciativa fora ensejado pelo presidente Lula a Pedro Pires (presidente de Cabo Verde) quando da sua participação na Cimeira da CEDEAO/Brasil na ilha do Sal-Cabo Verde, em julho de 2010.
Neste sentido, a África percebe o Brasil como um modelo a ser seguido, a “ex-colônia que deu certo”, já que os seus programas e políticas estratégicas deram certos e são exportados para África e para outras regiões do globo, com alto grau de aceitação e de resultados. Graças à estrutura lógica dos projetos da cooperação técnica implementada pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC), em consonância com as instituições técnicas (SEBRAE, SENAI, EMBRAPA, FIOCRUZ, entre outros) em parceria com as instituições dos países receptores.
Entretanto, esses dados relativos, e o pouco tempo do governo Dilma, não constituem variáveis suficientes para determinar a posição da política externa brasileira deste governo em relação á África. O trabalho feito aqui tentou frente aos indícios projetar uma expectativa em relação ao governo Dilma no que tange á formulação da sua política africana se é que se possa conceituar assim, neste curto espaço de tempo do seu governo.
Pedro Matos
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Maria Frô

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Jornal paulista provoca o Corinthians

Corinthians é o unico grande de São Paulo que ainda não levantou o caneco da Libertadores.
São Paulo, SP, 23 (AFI) – As brincadeiras por nunca ter conquistado uma Taça Santander Libertadores já viraram rotina para os corintianos sempre que algum clube brasileiro acaba por conquistar o torneio Continental. Nesta quinta-feira, um dia após o Santos levantar o caneco sobre o Peñarol-URU, não foi diferente. O jornal Mais, conhecido por ter uma linguagem mais popular, estampou em sua capa os seguintes dizeres: “Chupa, Timão”.
Ainda na publicação, o diário diz que o Corinthians deve aprender com o Santos e demais clubes como se ganha uma Libertadores. “Aprende Corinthians! É assim que se faz!”.
O título do Santos na Libertadores engrandece ainda mais a rivalidade do Corinthians com os demais clubes do Estado. Dentre os quatro grandes – Santos, Palmeiras, São Paulo e Corinthians -, somente o time do Parque São Jorge ainda não sentiu o prazer de dar a volta em seu estádio gritando o famoso “é campeão” deste campeonato.
Com a vitória sobre o Peñarol-URU na noite da última quarta-feira (2 a 1), o Santos se consagrou tricampeão da Santander Libertadores da America.
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José Dirceu - 2º BlogProg

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Dep. Emiliano José - 2º BlogProg

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Dep. Paulo Teixeira - 2º BlogProg

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SC: Educação demotucana: do discurso à prática

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“A geopolítica angloamericana”

Desde século XVI, EUA e Inglaterra desenvolvem, com êxito, 
estratégias interessadas em “dominar o mundo”. 
Mas para onde expandi-lo, agora?
“Venho hoje reafirmar uma das mais antigas,
uma das mais fortes alianças que o mundo já viu.
Há muito é dito que os Estados Unidos e a Grã Bretanha
compartilham de uma relação especial”
Barack Obama:  “Discurso no Parlamento Britânico”, em 25/5/ 2011
Existe uma idéia generalizada de que a Geopolítica é uma “ciência alemã”, quando na verdade ela não é nem uma ciência, nem muito menos alemã. Ao contrário da Geografia Política, que é uma disciplina que estuda as relações entre o espaço e a organização dos estados, a Geopolítica é um conhecimento estratégico e normativo que avalia e redesenha a própria geografia, a partir de algum projeto de poder específico, defensivo ou expansivo. O “Oriente Médio”, por exemplo, não é um fenomeno geográfico, é uma região criada e definida pela política externa inglesa do século XIX, assim como o “Grande Médio Oriente”, é um sub produto geográfico da “guerra global ao terrorismo”, do governo Bush, do início do século XXI. Por outro lado, a associação incorreta, da Geopolítica com a história da Alemanha, se deve a importância que as idéias de Friederich Ratzel (1844-1904) e Karl Haushofer (1869-1946) tiveram – direta ou indiretamente – no desenho estratégico dos desastrosos projetos expansionistas da Alemanha de Guilherme II (1888-1918) e de Adolf Hiltler (1933-1945). Apesar disto, as teorias destes dois geógrafos transcenderam sua origem alemã, e idéias costumam reaparecer nas discussões geopolíticas de países que compartilham o mesmo sentimento de cerco militar e inferioridade na hierarquia internacional. Mas a despeito disto, foi na Inglaterra e nos Estados Unidos que se formularam as teorias e estratégias geopolíticas mais bem sucedidas da história moderna.
Sir Walter Raleigh (1554-1618), conselheiro da Rainha Elizabeth I, definiu no fim do século XVI, o princípio geopolítico que orientou toda a estratégia naval da Inglaterra, até o século XIX. Segundo Raleigh, “quem tem o mar, tem o comércio do mundo, tem a riqueza do mundo; e quem tem a riqueza do mundo, tem o próprio mundo”. Muito mais tarde, quando a marinha Britânica já controlava quase todos os mares do mundo, o geógrafo inglês Halford Mackinder (1861-1947) formulou um novo princípio e uma nova teoria geopolítica, que marcaram a política externa inglesa do século XX. Segundo Mackinder, “quem controla o “coração do mundo” comanda a “ilha do mundo”, e quem controla a ilha do mundo comanda o mundo”. A “ilha do mundo seria o continente eurasiano, e o seu “coração” estaria situado – mais ou menos – entre o Mar Báltico e o Mar Negro, e entre Berlim e Moscou. Por isto, para Mackinder, a maior ameaça ao poder da Inglaterra seria que a Alemanha ou a Rússia conseguissem monopolizar o poder dentro do continente eurasiano. Uma idéia-força que moveu a Inglaterra nas duas Guerras Mundiais, e que levou Winston Churchill a propor – em 1946 — a criação da “Cortina de Ferro” que deu origem a Guerra Fria.
Do lado norte-americano, o formulador geopolítico mais importante da primeira metade do século XX, foi o Almirante Alfred Mahan (1840-1914), amigo e conselheiro do Presidente Theodor Roosevelt, desde antes da invenção da Guerra Hispano-Americano, no final do século XIX. A tese geopolítica fundamental de Mahan, sobre a “importância do poder naval na história”, não tem nenhuma originalidade. Repete Walter Raleigh, e reproduz a história da Marinha Britânica. E o mesmo acontece com as idéias de Nicholas Spykman (1893-1943), o geopolítico que mais influenciou a estratégia internacional dos EUA na segunda metade do século XX. Spykman desenvolve e muda um pouco a teoria de Mackinder, mas chega quase às mesmas conclusões e propostas estratégicas. Para conquistar e manter o poder mundial, depois da Segunda Guerra, Spykman recomenda que os EUA ocupem o “anel” que cerca a Rússia, do Báltico até a China, aliando-se com a Grã Bretanha e a França, na Europa, e com a China, na Ásia.
No cômputo final, o que diferencia a geopolítica anglo-americana é a sua pergunta fundamental: “que partes do mundo há que controlar, para dominar o mundo”. Ou seja, uma pergunta ofensiva e global, ao contrário dos países que se propõem apenas a conquista e o controle de “espaços vitais” regionais. Além disto, a Inglaterra e os EUA ganharam, e no início do século XXI, mantém sua aliança de ferro com o Canadá, a Austrália e a Nova Zelândia: derrotaram e cercaram a Rússia; mantém seu protetorado atômico sobre a Alemanha e o Japão; expandiram sua parceria e seu cerco preventivo da China; estão refazendo seu controle da África; e mantém a América Latina sob a supervisão da sua IVº Frota Naval. E acabam de reafirmar sua decisão de manter sua liderança geopolítica mundial.
Existe, entretanto, uma grande incógnita no horizonte geopolítico anglo-americano. Uma vez conquistado o poder global, é indispensável expandi-lo, para mantê-lo. Mas, para onde expandi-lo?
José Luís Fiori é professor titular e coordenador do Programa de Pós-Graduação em Economia Política Internacional da UFRJ, e autor do livro “O Poder Global”, da Editora Boitempo, 2007
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@LulzSecBrazil o "cracker" desmascarado #PigLeaks

Alexandre Brasil de Abreu
conhecido popularmente no mundo do crime como AL3XG0
Sites do governo federal e de diversas cidades foram tirados do ar. Ação reivindicada pelo grupo LulzSecBrazil que diz ter tido acesso a dados sigilosos dos sites invadidos. Em nota, o governo federal, através da SERPRO nega o acesso aos dados.
A imprensa se apressa em soltar os dados, porém, o que se vê até agora são em sua maioria dados já de conhecimento público ou dados pessoais de usuários supostamente cadastradas nestes sites,. Bom, não custa lembrar que Verônica Serra vazou dados de milhares de pessoas obtidos por sua empresa em sociedade com a filha de Gilmar Dantas. Acesso a dados pessoais, infelizmente, não é mais prerrogativa de crackers.
O incansável @StanleyBurburin fez um fantástico levantamento na internet e descobriu algumas coisas bem interessantes sobre o tal braço brasileiro da LulzSec. Vejamos:
1 - LulzSecBrazil é, na verdade ALEXANDRE BRASIL DE ABREU, morador de Goiânia
2 - Alexandre Brasil de Abreu é denunciado por vários motivos neste site
3 - Segundo a organização LulzSecurity, Alexandre não os representa e é inclusive chamado de lammer, que é uma denominação de um "aspirante" a hacker, mas que não domina as técnicas. Você pode ver o comunicado da LulzSecurity sobre o Alexandre aqui. E aqui informação sobre o motico da LulzSecurity vazar os dados do Alexandre. Além das duas imagens abaixo retiradas do twiiter.

Ficam no ar algumas perguntas:
1 - Porque ele não invadiu dados nem do governo estadual e nem da prefeitura de São Paulo?
2 - Com seus dados tão expostos, porque a imprensa não checou as informações?
3 - Qual o real interesse nesta ação, classificada pela própria LulSec como "tosca"?
Isso tem cheiro de armação. Parece que estão querendo criar um "PigLeaks", uma forma da imprensa criar e vazar documentos como se fossem reais, as custas da suposta invasão. Vamos ficar de olho, atentos a não sermos jogados a mais uma armadilha, como tantas que tentaram nos empurrar durante as eleições de 2010.
Biruel [#TeiaLivre]
By: Terra Brasilis
Assista também o vídeo abaixo:
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Charge online - Bessinha - # 667

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Tiririca dá aula para o tucano paranaense Beto Richa

Vi no OpenSante
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Por um Rio Grande do Sul sem miséria

Entrevista especial:
com Clitia Helena Backx Martins e Isabel Noemia Rückert
Ainda que não estejam totalmente prontos, alguns dados do censo 2010 começam a ser apresentados. O governo federal levantou a bandeira de acabar com a miséria no país e, por isso, solicitou a antecipação dos dados que apontam a quantidade de pessoas vivendo em situação de extrema pobreza. A pesquisa indicou que o Rio Grande do Sul possui, hoje, mais de 300 mil pessoas nessa situação. Este número representa 3% da população do estado, o que pode parecer pequeno. Porém, 45% dessas pessoas são crianças e adolescentes. Segundo a pesquisadora da Fundação de Economia e Estatística do Rio Grande do Sul – FEE Clitia Helena Backx Martins, “os jovens em situação de risco, envolvidos com drogas e prostituição, estão submetidos à violência de uma maneira geral, fazem parte de um problema grave que o país e o estado precisam enfrentar”.
As pessoas que vivem na área rural igualmente fazem parte desse dado. Para a professora Isabel Noemia Rückert, também da FEE, “em termos de Brasil, 47% do público alvo do programa Brasil Sem Miséria vive no campo. O Rio Grande do Sul tem uma população rural ainda em condições mais vulneráveis, porque são aquelas famílias que vivem em lugares tão distantes que, algumas vezes, nem o Bolsa Família consegue alcançá-las. Portanto, há 306 mil pessoas que precisam ser encontradas aqui no RS”.
Clitia Helena Backx Martins é graduada em Ciências Econômicas pela UFRJ, é mestre em Ciências Sociais pela UFSC e doutora em Sociologia pela UFRGS.
Isabel Noemia Rückert graduada em Ciências Econômicas pela UFRGS, onde também fez o mestrado em Economia. Na PUCRS cursou o doutorado em Serviço Social.
Ambas as entrevistadas falaram à IHU On-Line por telefone.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – O Censo revelou que o Rio Grande do Sul possui 300 mil pessoas vivendo na pobreza. O que isso significa para o estado? Esse número é expressivo?
Clitia Helena Backx Martins A população do RS gira em torno dos 11 milhões de pessoas, sendo que 306 mil estão vivendo na pobreza extrema, ou seja, há quase 3% da população gaúcha vivendo nessa situação econômica. Parece ser um percentual muito baixo. No entanto, é preciso levar em consideração que 45% das pessoas que vivem na miséria extrema são crianças ou adolescentes. O poder público já está tomando várias medidas a respeito disto, mas precisa fazer mais.
Isabel Noemia Rückert No Brasil, há 16 milhões de brasileiros vivendo na pobreza extrema. Esse número representa 8,5% da população do país vivendo nessa situação. No Rio Grande do Sul, são 306 mil pessoas, quase 3% de sua população. No entanto, aqui a pobreza extrema não é tão forte e tão intensa como nas outras regiões do Brasil. É por isso que estados do Nordeste recebem uma atenção maior do governo federal.
IHU On-Line – Onde estão concentradas essas pessoas?
Clitia Helena Backx Martins – É justamente este o trabalho que nós vamos fazer a partir de agora. O Censo 2010 ainda não foi divulgado por completo. Em termos absolutos, a maior parte destas pessoas está na região metropolitana de Porto Alegre. Em termos proporcionais, há muitas pessoas em situação de pobreza no campo.
Isabel Noemia Rückert – Em termos nacionais, 47% do público alvo do programa Brasil Sem Miséria vive no campo. O Rio Grande do Sul tem uma população rural ainda em condições mais vulneráveis, porque são aquelas famílias que vivem em lugares tão distantes que, algumas vezes, nem o Bolsa Famía consegue alcançá-las. Essas pessoas não sabem dos seus direitos, muito menos que estão incluídas em algum programa social. Portanto, há 306 mil pessoas que precisam ser encontradas aqui no RS.
IHU On-Line – Como você analisa os critérios da pesquisa que apontaram esses dados?
Clitia Helena Backx Martins – Existem várias metodologias sobre linha de pobreza no mundo, e aqui no Brasil algumas delas já foram utilizadas. No início da década de 1990, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – Ipea fez um levantamento chamado Mapa da Fome. Essa pesquisa foi baseada num critério criado pela Comissão Econômica para América Latina – Cepal que determina que a situação de indigência significa a impossibilidade de conseguir alimentos. Com base nisto, na mesma década, fizemos uma pesquisa no Rio Grande do Sul a qual apontava o percentual de pessoas vivendo naquela situação. Calculando-se que, na época, uma família média seria constituída de quatro pessoas, vimos que as famílias que tivessem até dois salários mínimos de renda familiar seriam consideradas pertencentes à faixa da indigência.
Já o critério adotado nas pesquisas mais atuais aponta que uma pessoa vivendo com até 70 reais mensais, um valor um pouco acima de 1/8 de salário mínimo, está na pobreza extrema. Esta metodologia é baseada no parâmetro criado pelo Banco Mundial das Nações Unidas, a qual diz que cada pessoa no mundo, para poder sobreviver, deveria receber 1,25 dólar por dia. Este é um critério calculado para o mundo inteiro, e o Brasil está adotando-o.
IHU On-Line – Como vê a aprovação da lei 13.716 de 15-04-2011, que combate a pobreza extrema no RS?
Clitia Helena Backx Martins – Ela é muito importante, principalmente porque agiliza as ações do Poder Público no combate à miséria no estado. E isso tem que ser feito por diversas frentes. Uma delas – que infelizmente no RS não se faz – são os lixões. As condições de quem vive 'nos' e 'dos' lixões são subumanas. Além disso, a situação de jovens e adolescentes em situações de risco precisa ser levada em conta, principalmente crianças e jovens que são prostituídos e que precisam ser retirados desta situação.
IHU On-Line – Segundo a lei, os programas sociais serão transformados em políticas de Estado. Isso garante maior eficácia na captação de recursos da União?
Clitia Helena Backx Martins – Acredito que sim. No momento que se tornar lei, significará – ou deverá significar – que essa ação será implementada. Também é uma forma de fazer com que o cidadão tenha conhecimento do que é feito com o dinheiro público. É bom saber para onde vai este dinheiro e que existe uma parcela significativa da população que ainda não se alimenta adequadamente. Com isso, saberemos melhor a quem atender. Se o Brasil quer ser a oitava economia do mundo, precisamos atentar para a questão da desigualdade.
IHU On-Line – Quais os desafios do RS para enfrentar a pobreza extrema no campo e na cidade?
Clitia Helena Backx Martins – Os jovens em situação de risco, envolvidos com drogas e prostituição, estão submetidos à violência de uma maneira geral, fazem parte de um problema grave que o país e o estado precisam enfrentar. Outro desafio está relacionado à questão dos agricultores. Uma política de agroecologia é algo que precisa ser construído com urgência. É isso que irá tornar os pequenos agricultores mais autônomos em relação à produção e distribuição de seus produtos, como também vai permitir que os habitantes das cidades possam consumir melhores alimentos. Medidas que trabalhem efetivamente com esses dois casos serão muito bem vindas.
IHU On-Line – O Brasil pode ter uma única linha monetária de pobreza extrema para todo o território nacional?
Clitia Helena Backx Martins – Ainda que o Brasil esteja adotando este padrão único dos 70 reais por pessoa por mês, as medidas, no entanto, a serem tomadas necessitam ser diferenciadas de acordo com as realidades. Temos culturas diferenciadas dentro da cidade, dentro do campo, entre regiões... Tudo isso precisa ser contemplado.
IHU On-Line – Qual sua expectativa em relação ao plano Brasil Sem Miséria, anunciado pela presidenta Dilma?
Clitia Helena Backx Martins – O plano do Rio Grande do Sul está alinhado com este plano federal. Esse projeto tem tudo para deslanchar, mas vai depender da boa vontade de toda a sociedade, do governo federal, de todos os políticos. É preciso encarar isso de uma vez por todas, se quisermos ser uma potência emergente. Esta tem que ser uma prioridade, não somente do governo, mas de toda a sociedade.
Isabel Noemia Rückert – O Brasil Sem Miséria vai ampliar o acesso aos serviços públicos, o que é algo muito importante. Há uma oferta destes serviços dentro das políticas sociais. O problema é que, às vezes, eles são completamente desconhecidos por parte daqueles que mais necessitam. Temos aí o Saúde da Família, o Brasil Sorridente... uma série de atendimentos que são feitos através dos centros de referência de assistência social em cada município. Já existe uma rede e esta precisa ser mais solidificada e ampliada para atender a essa população a fim de encontrar aqueles que estão isolados e que não têm conhecimento dos seus direitos.
Além disso, é preciso fazer funcionar efetivamente esses programas. Estou bem otimista em relação a esse plano; ele reúne todos os programas na área social para incluir as pessoas que estão na extrema pobreza. A intermediação, a relação entre os programas é o que vai tornar a vida da população melhor e, de certa forma, diminuir a situação de vulnerabilidade da população que vive em extrema miséria.
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Eike Batista compra a Grécia

Eike entrega a nova certidão de nascimento para o filho Thor, que passará a se chamar Zeus Batista.
RIO DE JANEIRO – Entediado com o esgotamento de ativos disponíveis no Brasil, o empresário Eike Batista decidiu ontem comprar a Grécia. “Me pareceu uma boa oportunidade. A idéia é desmembrar a Acrópole e vender os assets separadamente; o Partenon irá para a Daslu, que já ocupa um prédio parecido em São Paulo; o Erecteion ficará com o Rogério Fasano, que pretende fazer um SPA ali – as esteticistas serão todas senhoras falidas da burguesia local, de modo que o projeto tem uma dimensão social muito bonita; as estátuas e as frisas eu penso em leiloar na Bolsa de Arte aqui do Rio, e vários prédios da Barra já demonstraram interesse”, explicou Batista.
O investidor não revelou quanto pagou pelo país, mas garante que o preço foi justo, negando veementemente matéria publicada no GLOBO de que teria adquirido a nação sem desembolsar um tostão, antes negociando com credores alemães e franceses o controle do estado grego contra participação futura no IPO de Melina Mercouri, Costa-Gavras, Irene Pappas, Athina Onassis e Alfredo Sirkis.
Batista ainda não sabe o que fará com o povo grego. “Talvez eu peça para eles emigrarem para a Trácia, que me dizem ser um lugar arejado e relativamente perto do trabalho, de modo a abrir espaço e permitir a construção de campos de golfe pelo resto do país”, especulou. Já os ilhéus terão de ser despejados até agosto, já que todas as ilhas serão cedidas à revista Caras. Até que uma decisão seja tomada, Batista não pretende interferir no trabalho das tropas de choque: “Eles estão fazendo um bom trabalho e, por enquanto, continuarão a bater na população”, assegurou.
Até julho, o empreendedor pretende levar sua frota de dois barcos turísticos para o Egeu, quando lançará pacotes combinados “Baia de Guanabara + Pélagos”.
Antes de encerrar a entrevista, Eike Batista anunciou que a rua Farme de Amoedo será transferida para a ilha de Mikonos.
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