10 de mai de 2011

A face oculta de Bono (cantor dos U2)

Ao investigar quais são os accionistas que investiram na rede social Facebook, descobrimos com espanto o nome de Bono, cantor dos U2.
Pesquisando um pouco mais, constatamos que este defensor de causas nobres, possui um império com aplicações financeiras estranhas, deslocaliza-se para fugir aos impostos e é membro de um clube secreto pouco recomendável.
Um homem de negócios que foge aos impostos
Nascido em 1960 na Irlanda, Bono (cujo verdadeiro nome é Paul David Hewson), é o cantor e autor das músicas do grupo U2.
Em pouco anos, tornou-se num conhecido homem de caridade e habituamo-nos a vê-lo, vestido com um blusão de cabedal preto e óculos se sol escuros, a frequentar os políticos mais influentes do mundo.
Bono é conhecido pela suas lutas contra a pobreza e contra a SIDA. Em 1999 criou uma ONG (Organização Não Governamental), a DATA: Debt, AIDS, Trade in Africa (Dívida, SIDA, Comércio com África), que tem por finalidade incetivar os países ricos a ajudarem os países africanos.
A face menos conhecida de Bono é a de homem de negócios que faz todos os possíveis para pagar menos impostos. Assim, a sociedade que detém os direitos musicais do grupo, U2 Limited, deixou a Irlanda em 2006 para se instalar na Holanda. Com efeito, a Irlanda decidiu que a partir de 2006 os artistas que ganhassem mais de 250 000 euros teriam de pagar impostos, e U2 Limited ganha mais de 100 milhões de euros por ano.
Aplicações financeiras curiosas
O facto de Bono ser dono de um grande hotel em Dublin e de uma cadeia de restaurantes, não belisca este apregoador de boas vontades. Com uma sua fortuna pessoal avaliada em 700 milhões de euros, o que é mais intriga é a sua participação na empresa de investimentos Elevation Partner, que ajudou a fundar, e que investe na área dos media e curiosamente, ou não, com uma participação financeira de 40% na revista Forbes.
Mas ainda mais curioso é a sua participação no Facebook. A finalidade real da rede social Facebook, como muitos sabem, é a recolha de dados pessoais fornecidos pelos seus utilizadores, que posteriormente são centralizados em gigantescos bancos de dados. Não é por acaso que a CIA investiu no Facebook. A Elevation Partner, de Bono, também tem 1,5% das acções do Facebook, ou seja 750 milhões de dólares.
É portanto sem surpresa que Bono preconiza, num artigo publicado no New York Times, onde colabora regularmente, que para evitar a pirataria, discográfica, entre outras, é necessário aumentar a filtragem dos conteúdos que circulam na Internet. A esse propósito diz ser com satisfação que tem assistido aos esforços desenvolvidos pelos Estados Unidos nesse sentido.
Imagens de guerra para um homem de paz
A Elevation Partner tem participações em dois fabricantes de jogos de computador: a Edmonton e a Bio Ware Corp.. Estas têm dois jogos de guerra chamados "Destroy All Humans 2" e "Mercenaries 2: World in Flames", onde é descrito a invasão da Venezuela por mercenários. Este tipo de jogos mancha a imagem pacifista de Bono que no entanto se recusou que fossem retirados do mercado.
O lado negro das suas relações
Muitos dos seus fans não sabem que Bono é membro do elitista e secreto Bohemian Club. Todos os anos os seus 2000 membros reúnem-se numa propriedade de 11 Km2 em Monte Rio na Califórnia, nos Estados Unidos, nas duas últimas semanas de julho. Participam a essas reuniões antigos e recentes presidentes dos Estados Unidos, a fina nata financeira mundial, e muito milionários, na sua maioria americanos.
O jornalista Alex Jones conseguiu infiltrar-se numa dessas reuniões e filmar um documentário, onde se pode ver uma cerimónia pagã chamada de Cremation Care. Nesta cerimónia, ao pé da estátua de um mocho com 12 metros de altura, o símbolo do clube, um caixão contendo a imagem de uma criança é queimado, à semelhança do que era praticado no culto ancestral do demónio Moloch.
Bono também é um participante assíduo das reuniões da elite financeira mundial no World Economic Forum de Davos.
Célebre e rico, Bono tem beneficiado por parte dos media da imagem de um milionário filantropo dos tempos modernos. Mas poderá não ser bem assim, e não passar de um daqueles ídolos controlados pelo sistema e que serve de corrente de transmissão à imposição de uma ideologia mundial elitista.
Fonte: Octopus
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As Maravilhas de Portugal no Mundo - Fortaleza de Ormuz, Irão

O Forte de Nossa Senhora da Conceição de Ormuz localiza-se na ilha de Gerun, no estreito de Ormuz, atual República Islâmica do Irão.
Ormuz (ou Hormuz) foi uma importante cidade marítima e um pequeno reino próximo à entrada do golfo Pérsico. O primitivo sítio da cidade era na margem norte do Golfo, a cerca de 30 milhas a leste da atual Bandar Abbas. Por volta de 1300, aparentemente em função de ataques Tártaros, foi transferida para a pequena ilha de Gerun, que pode ser identificada como a Organa de Nearcho, aproximadamente 12 milhas a oeste e a 5 milhas da costa.
Na seqüência da afirmação da presença portuguesa na Índia, compreendeu-se a importância do controle do comércio com a península Arábica. Impôs-se assim a conquista de Ormuz, por sua posição estratégica, dominando a entrada do golfo Pérsico. A outra rota passava por Áden, próximo ao Bab-el-Mandeb, por onde se acede o mar Vermelho.
Ormuz constituía-se em um dos mais importantes centros comerciais da região, em seu mercado sendo trocadas cavalos e pérolas, de tal como que viria a ser considerada por Afonso de Albuquerque como a "terceira chave" do Império Português na Ásia, juntamente com as praças-fortes de Goa e Malaca.
O Forte de Nossa Senhora da Vitória
Albuquerque fez a primeira tentativa para controlá-la em 1507. À frente de uma pequena frota de sete navios com uma força de quinhentos homens, dirigiu-se a Ormuz, tendo no percurso conquistado as cidades de Curiate (Kuryat), Mascate e Corfacão (atual Khor Fakkan) e aceitado a submissão das cidades de Kalhat e Soar (Sohar).
A frota portuguesa ancorou diante da cidade; o seu governante estava preparado para um ataque, contando com um efetivo que ascendia a de 15 a 20 mil homens de armas. Sem se intimidar, Albuquerque intimou-o a prestar-lhe homenagem e a tornar-se vassalo do rei de Portugal. Recebeu uma resposta evasiva, numa clara tentativa de ganhar tempo nas negociações. Ao final de três dias de espera, a artilharia portuguesa entrou em ação, tendo destruído a frota de Ormuz. Vendo as suas forças destroçadas, o soberano de Ormuz solicitou uma trégua oferecendo a cidade aos portugueses. Desse modo, Albuquerque concluiu, em setembro de 1507, um tratado pelo qual o soberano de Ormuz deveria pagar um tributo anual ao rei de Portugal. Como fruto desse acordo, iniciou ainda uma fortificação, cuja pedra fundamental foi lançada em 24 de outubro desse mesmo ano, sob a invocação de Nossa Senhora da Vitória.
Durante os trabalhos para essa construção, registrou-se o chamado "Motim dos Capitães", um episódio de insubordinação que culminou com a deserção de três capitães portugueses. Estes, com o apoio do soberano de Ormuz, deram combate às forças de Albuquerque no início de janeiro de 1508. Após alguns dias de batalha, Albuquerque e os seus viram-se forçados a retirar da cidade, abandonado o forte em construção.
O Forte de Nossa Senhora da Conceição
Em março de 1515, Albuquerque retornou a Ormuz, à frente de uma frota de 27 navios, com um efetivo de 1.500 soldados portugueses e 700 malabares, determinado a reconquistá-la. Bem sucedido, ocupou a posição da antiga fortaleza em 1 de abril, retomando a sua construção, agora sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição.
Nessa época, os principais portos do golfo Pérsico e da Arábia, tais como Julfar, Bahrain, Calaiate (Qalhat), Mascate, Catifa (al Qatif), Corfacão, e as ilhas de Queixome e Lareca, encontrava-se sob o domínio do reino de Ormuz. Com a sua queda, todas as cidades e portos da região tornaram-se tributárias do rei de Portugal: o reino de Ormuz permaneceu como uma potência regional, em articulação com o Estado Português da Índia. Sob esta fórmula, a presença portuguesa na região estendeu-se por mais de um século, até aos anos de 1620-1650.
Um documento coevo relaciona os portos que pagavam tributo a Portugal: Aigom e Docer "portos que estam na barra de terra firme", Brahemim "porto que esta de fora da ilha d'Oromuz na terra firme", Tezer "lugar na terra firme", Beabom, Borate, Jullfar (Julfar), Callayate (Qalhat), Horfacam (Khor Fakkan), Caçapo (Khasab), Broqete "na ilha Qeixa", Lafete "na ilha Qeixa", Qeixa "na ilha Qeixa", Garpez "na ilha Qeixa", Rodom, Costaque, Chagoa, Callecazei e Lebedia (in: Rendimento da cidade de Oromuz e seus reinos, 1515.)
Com a conquista, Ormuz foi arrasada pelos persas e, desde então, a ilha tem permanecido desolada e quase desabitada, embora a cidadela portuguesa e os seus tanques de água subterrâneos tenham subsistido. As ilhas de Ormuz, Keshm e outras na região, assim como Bandar Abbas e outros portos no litoral de Kerman, têm sido mantidas pelos Sultões de Oman como feudatários da Pérsia, por mais de um século, até quem em 1854 o último Estado afirmou o seu domínio e ocupou esses lugares à força.
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O fechamento da fábrica da Azaléia no RS

Quanto a Azaléia recebeu em isenções fiscais no RS?
O deputado Raul Pont (PT) criticou hoje a versão adotada por setores da oposição sobre o fechamento da unidade da Azaleia, em Parobé. Para ele, a empresa sai do Estado em busca de outro lugar, com mais vantagens fiscais e onde sindicatos não sejam tão atuantes e os salários sejam mais baixos. “A busca do lucro é o princípio do capitalismo. A decisão da empresa reflete esta concepção”, e reflete seu total descomprometimento com os trabalhadores e com o Estado que durantes anos lhe concedeu grandes benefícios fiscais”, afirmou.
Pont responsabilizou a guerra fiscal pela transferência de fábricas para outros estados, lembrando que a Azaléia chegou a ser beneficiada, durante o governo Britto, com mais de R$ 50 milhões do Fundopem. “Esta forma de fazer política industrial gera verdadeiros leilões das finanças públicas em benefício de empresas privadas”, criticou. Para o parlamentar, uma evidência clara de que a empresa não está em crise, são seus investimentos em unidades no exterior. Bem como, não vale o orgumento dos juros e do cambio que é o mesmo no Rio Grande o no Nordeste.
Raul Pont observou ainda que a renúncia fiscal no Rio Grande do Sul equivale a 30% da arrecadação potencial de ICMS. “São isenções concedidas com pouca ou nenhuma contrapartida e sem segurança de permanência da empresa no estado após a fruição dos benefícios”. Ele defendeu a aprovação de um projeto de lei, de sua autoria, que confere transparência à concessão de benefícios fiscais.
O deputado Giovani Feltes (PMDB) reconheceu que a Azaléia recebeu incentivos fiscais no governo Brito, mas observou que foram os governos militares os que mais concederam estes benefícios ao setor calçadista. Ele concordou que parte do problema vivido pela indústria calçadista pode ser explicado pela subvalorização do Yuan e pela entrada de calçados chineses através da triangulação comercial, que burla as barreiras impostas pelo governo brasileiro.
O governador Tarso Genro classificou como “irresponsável” a forma como a indústria anunciou a desativação da unidade em Parobé, sem aviso formal ou qualquer tipo de negociação com o Estado. “Não fomos comunicados sobre a decisão da empresa, que recebeu benefícios fiscais homéricos do povo gaúcho. Aliás, o único comunicado foi o aviso-prévio dado aos empregados demitidos”, declarou. O chefe do Executivo gaúcho anunciou que encomendará uma pesquisa para saber quanto a empresa ganhou em benefícios fiscais nos últimos anos e prometeu se empenhar para que os trabalhadores demitidos encontrem rapidamente outros empregos.
A Azaléia justificou o fechamento da última unidade gaúcha da empresa e a demissão de 800 funcionários pela “perda de competitividade das exportações brasileiras e pela concorrência com os calçados produzidos fora do país”. A empresa tem hoje 27 fábricas de calçados femininos e esportivos em três complexos industriais do Nordeste, além de uma fábrica na Argentina e outra na Índia. A direção da empresa não anunciou quanto recebeu em isenções fiscais no Rio Grande do Sul nos últimos anos, nem quanto paga para os funcionários de suas unidades no Nordeste, na Argentina e na Índia.
By: RS Urgente
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Lembra deste avião, Seu Serra?

Hoje, o jornal O Dia, do Rio de Janeiro, traz uma matéria muito a propósito das acusações levianas de José Serra, em seu blog recém inaugurado. Fala da prisão, ontem, por agentes da Polícia Federal, do traficante José Roberto Monteiro Zau, que estava foragido há 12 anos, desde que uma das remessas de cocaína que fazia para a Europa em aviões da Força Aérea Brasileira foi interceptada quando este avião Hércules C-130 da foto acima se preparava para decolar para a Espanha.
Isso foi em 1999, quando o presidente da República era Fernando Henrique Cardoso e o Ministro da Saúde era…José Serra.
Já pensaram se pegassem um avião da FAB carregado de cocaína no Governo Lula ou agora, com Dilma?
Não ia dar outra: José Serra estaria falando em “descalabro”, falta de combate ao tráfico e talvez, até, responsabilizando diretamente as autoridades.
Pois já faz isso mesmo diante de um relatório da ONU que diz que as apreensões de cocaína – e nos países latinoamericanos produtores da folha da coca – aumentaram, enquanto as na Europa e Estados Unidos caíram de forma imensa.
Serra, agora que você virou blogueiro, com seu “Bolotaço.com”, vou lembrar que aqui não tem este negócio de “esqueçam o que escrevi…”
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Morre em Cuba um dos fundadores da Prensa Latina

Faleceu, nesta terça-feira (10), em Havana (Cuba), o jornalista argentino Jorge Timossi, um dos fundadores da agência de notícias Prensa Latina. Timossi morreu em decorrência de um enfarto.
A morte do jornalista naturalizado cubano foi lembrada pelo governo da ilha, que publicou em seu jornal oficial uma carta de pesar enaltecendo o trabalho de Timossi.
"Ao longo de uma fecunda trajetória profissional, ele deixou páginas memoráveis à imprensa do continente", escreveu o jornal depois de destacar o fato de Timossi ter "se entregado ao jornalismo sob a influencia da Revolução Cubana e desde 1961 ter exercido a função de correspondente internacional da nascente agência" Prensa Latina.
Segundo informa a agência Ansa Latina, em 1973, o jornalista, na época encarregado da sucursal de Santiago do Chile, produziu uma entrevista com o então presidente Salvador Allende horas antes de sua morte, enquanto o Palácio de la Moneda, sede do governo, estava sendo atacado por tropas golpistas.
Ainda segundo a Ansa, a partir do episódio, o jornalista escreveu um livro-relato como nome de "Grandes Alamedas: o combate do Presidente Allende".
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George Orwell está se Revirando no Túmulo - V

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O regresso à Idade Média

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Robert Fisk na GloboNews e o momento em que terminou a entrevista

Se me contassem, eu não acreditaria, mas ouvi em inglês e ainda li as legendas. Nesta segunda-feira à noite, o britânico Robert Fisk (foto), um dos mais conceituados jornalistas do mundo, terminou sua entrevista à GloboNews, com uma declaração bombástica: “Já estive em São Paulo e a máfia que encontrei lá é mais perigosa que a Al Qaeda.
Disse sério. E, estranhamente, a entrevista terminou nesse momento…
Qual máfia? Por que é a mais perigosa? Perguntas que estariam no manual básico de qualquer entrevistador num momento desses, mas ficaram sem resposta. A entrevista terminou aí, sem mais detalhes, deixando insaciada a natural curiosidade dos telespectadores.
Foi, no mínimo, falta de respeito com quem tava assistindo, pois, se não queriam desenvolver esse tema, que nem tivessem levado ao ar essa frase, que gera as mais variadas elucubrações.
Fisk fala com conhecimento de causa, já que é hoje talvez o maior especialista em mundo árabe. A entrevista foi por conta da morte de Bin Laden, a quem ele entrevistou três vezes. O entrevistador de Fisk, Munir Safat, tentou de todo jeito que ele falasse sobre alguma ocasião em que se sentiu ameaçado por Bin Laden, mas ele insistiu que foi sempre muito bem tratado, como um hóspede a ser protegido.
Como eu disse, não sei exatamente a que Robert Fisk se referia em sua frase final, não sei que tipo de conotação metafórica ele pode ter querido dar às palavras “máfia” e “perigosa”, mas acredito que não tenham sido palavras jogadas ao vento. Primeiro pelo muito que ele conhece da Al Qaeda. Segundo pela demonização exagerada e sem conhecimento que o mundo faz da Al Qaeda. Depois pelo fato de todos sabermos da máfia que há não só em São Paulo, mas no Brasil inteiro.
Só que a da “terra da garoa” é encoberta pela grande mídia, como as nuvens costumam fazer com o céu da capital. E isso é, realmente, muito mais perigoso.
Poderá alguém dizer que, em Minas, também há essa proteção. Não vejo assim. Em Minas, tal como no Maranhão, o que há é censura. No caso de São Paulo, os grandes jornais locais e também o jornalão carioca se alinham ao governo paulista por ideologia. E, se ganharem pra isso, tanto melhor.
Mas a imprensa não é mafiosa sozinha: ela é um reflexo da sociedade. E Fisk demonstrou só ter visitado São Paulo, por isso só poderia mesmo falar de lá. No entanto, a máfia está nos quatro cantos deste país, inclusive e principalmente, nas prefeituras das cidades interioranas. É lá que tudo começa.
O problema é que a imprensa é seletiva na hora de escolher de quem vai ser porta-voz. Algumas máfias são denunciadas, outras não. Simples assim.
Vai daí que, infelizmente, precisamos de jornalistas estrangeiros para constatar o óbvio. E quando a constatação vem de alguém com a credibilidade de Robert Fisk é de provocar reflexão. Pena que não deixaram ele se explicar. Mais uma prova de que carecemos dos “forasteiros” para dizer o que os nativos escondem.
Ana Helena Tavares
By: QTMD?
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Folha não sabe a diferença entre pedofilia e pederastia

Nesta semana, a Folha.com foi um dos poucos veículos de comunicação do Brasil que anunciou a decisão da justiça belga de libertar Michelle Martin, ex-esposa do pedófilo Marc Dutroux, condenada por sequestrar jovens que foram estupradas pelo então marido, sendo que duas meninas foram assassinadas por ele.
Seria um trunfo da Folha.com, se não fosse pelo fato de que o veículo cometeu um “pequeno” erro que, ao mesmo tempo, mostrou despreparo e a falta de apuração jornalística. A Folha chamou Marc Dutroux de pederasta, ao invés de pedófilo. Apesar de, ao longo do texto, serem apresentados os casos de pedofilia.
Primeiro, fica claro que a Folha.com não sabe a diferença entre pedófilo e pederasta. Uma rápida explicação que pode ser encontrada a menos de três cliques: pederastia é “relacionamento sexual entre homem e rapaz bem jovem” e pedofilia é “prática de atos sexuais de adulto com criança”.
O texto não fala de nenhum menino, apenas de garotas que foram vítimas de Marc Dutroux.
A matéria, que não é assinada por nenhum repórter, veio “das agências de notícias”. Numa rápida busca no Google, é possível encontrar a notícia da AFP (agência de notícias francesa) sobre o caso. Praticamente igual ao texto da Folha.com. E com o mesmo erro.
Ou seja, a Folha.com recebeu a matéria pronta e apenas adaptou o texto ao seu formato. Sem preocupação em apurar ou reler com atenção o texto. Lições básicas do jornalismo.
A matéria, publicada ontem às 11h33, já recebeu dois comentários alertando sobre o erro. E até agora nenhuma modificação foi feita. Pelo jeito, a Folha.com não dá muita atenção aos comentários de seus leitores. O que não é de surpreender, já que o veículo não dá muita atenção aos próprios textos que publica.
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Rannieri Oliveira

Rannieri Oliveira é pianista e reúne influências do folclore brasileiro nordestino e de ícones da música que o inspiraram ao longo de sua carreira, como Naná Vasconcellos, Luiz Gonzaga, Heitor Villa Lobos e Jackson do Pandeiro. Melodias incidentais e polirrítmicas, unidas a vozes e efeitos, descrevem a marca que imprime sua obra. Foi com essa mescla de ritmos e sons brasileiros que Rannieri Oliveira se consagrou em grandes festivais de jazz como em Tubingen , na Alemanha, Festival Latino Americano, em Milão, no Montreux Jazz Festival, na Suíça e, em turnês anuais na Espanha, França, Aústria e Portugal.
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Carta aberta a Tarso Genro: Sobre a língua viva não se legisla. Vete a lei, Governador


Excelentíssimo Governador Tarso Genro:
Eu e uma legião de eleitores de esquerda fomos surpreendidos, no dia 19 de abril, com a aprovação, pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul, do projeto de lei 156/2009, de autoria do Deputado Raul Carrion (PCdoB), que “institui a obrigatoriedade da tradução de expressões ou palavras estrangeiras para a língua portuguesa, em todo documento, material informativo, propaganda, publicidade ou meio de comunicação através da palavra escrita no âmbito do Estado do Rio Grande do Sul”. Foi o estranho dia em que a direita representou a voz da sensatez. Apesar de que, felizmente, não está claro que o Sr. sancionará essa nociva e inútil lei, o Sr. condenou as chacotas e declarou que só as pessoas “muito caipiras” podem se opor às tentativas de defesa do vernáculo. Começo esta carta aberta atendendo o seu pedido de que a matéria seja tratada com seriedade, embora, que fique dito, para quem conhece algo acerca de como funciona o idioma, é meio irresistível dar algumas risadas de uma lei como esta. Noto, no entanto, minha discordância com seu uso do termo “caipira”. Em seu sentido pejorativo—que eu costumo evitar, aliás–, “caipira” é, segundo Houaiss, o “acanhado, pouco sociável”, enfim, justamente aquele que constrói cercas em volta de si mesmo. Caipiras são, portanto, os defensores da lei.
Tenho esperança de que o Sr. consultará alguns dos extraordinários profissionais do Instituto de Letras da UFRGS ou da Faculdade de Letras da PUC/RS — duas instituições de ponta, que estão entre as melhores do Brasil, tanto em literatura como em Linguística — antes de sancionar essa sandice. Sim, porque de sandice se trata.
A Linguística, como qualquer outra disciplina, possui diversas correntes e debates internos. Mas há um postulado do qual nenhum linguista discordaria: a língua é organismo vivo, em constante transformação. O dicionário é só uma sistematização pontual — um recorte — da coleção de vocábulos utilizados pelos falantes da língua em determinado momento. Essa coleção vai mudando, com a queda em desuso de algumas palavras e a incorporação de outras. É um processo natural da língua. Nele, os chamados estrangeirismos aparecerão sempre. Especialmente num mundo globalizado, eles são inevitáveis e, acima de tudo, não reguláveis por decreto, ainda mais um decreto estadual. Os próprios mecanismos internos da língua se encarregam de incorporar alguns, expelir outros, aportuguesar outros. Aliás, se formos ser rigorosos e eliminar todos os estrangeirismos, terminaremos onde? No tupi-guarani ou na passagem da vulgata latina ao galaico-português?
Idelber Avelar
By: Outro Olhar
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Procurador Pastana já foi processado por corrupção passiva e prevaricação

O procurador da República, Manoel Pastana, que conseguiu seus 15 minutos de fama, ao apresentar uma esdrúxula e espalhafatosa denúncia contra o presidente Lula, já foi processado pelo próprio Ministério Público Federal, pela corregedoria, por corrupção passiva privilegiada e prevaricação.
O processo foi arquivado sem julgamento dos fatos, porque prescreveu.
By: Os Amigos do Brasil
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Bom exemplo

O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, pode não estar fazendo muito pela cidade, mas ninguém pode acusá-lo de abandonar os correligionários feridos na estrada. Chega a ser pungente a sua dedicação a eles.
É de chorar, por exemplo, o que fez pelo ex-senador Marco Maciel e pelo ex-deputado Raul Jungmann, os dois pernambucanos que foram reprovados pelo eleitorado no ano passado, mas nem por isso deixaram de ser lembrados pelo bom companheiro Kassab: eles acabam de ganhar um presente que milhões de brasileiros certamente invejariam, um empreguinho de R$ 12 mil mensais.
E olha que para embolsar o gordo contracheque nem é preciso muito: basta participar de duas reuniões por mês do Conselho de Administração da nossa conhecida e estimada Companhia de Engenharia de Tráfego, a CET que tantos e bons serviços presta aos paulistanos - ah, como é gostoso andar de carro em São Paulo!
Maciel e Jungmann, ilibados homens públicos de farta folha de serviços à sociedade brasileira, certamente darão à CET uma contribuição inestimável, seja pela inteligência brilhante de que são dotados, seja pela experiência administrativa que preenche os seus currículos. O paulistano pode, enfim, agora respirar mais aliviado, pois tem a certeza de que, com Maciel e Jungmann dando seus pitacos, a CET deverá transformar, em breve tempo, o apagão viário da metrópole num doce e constante fluir de veículos, sejam eles leves ou pesados, de duas ou quatro rodas, de transporte individual ou coletivo.
Inquirido por um repórter desavisado sobre os motivos que o levaram a nomear Maciel para o cargo, o prefeito Kassab respondeu na lata: ora, ele é um brasileiro exemplar!
Perfeito, prefeito. É de exemplos como esse que o país precisa para sair do pântano moral em que se encontra.
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George Orwell está se Revirando no Túmulo - IV

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George Orwell está se Revirando no Túmulo - I - II - III - V
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Julio Numhauser

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George Orwell está se Revirando no Túmulo - III

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George Orwell está se Revirando no Túmulo - I - II - IV - V
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Charge online - Bessinha - # 598

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O procurador que acusa Lula pelo mensalão

O procurador do MP do Rio Grande do Sul Manoel Pastana encaminhou à procuradoria-geral da República representação em que acusa o ex-presidente Lula pelo mensalão, o que nem o ex-procurador-geral Antonio Fernando de Souza fez apesar de seu extremo rigor com políticos da base de apoio do governo passado, os quais chegou a chamar de membros de “organização criminosa”.
Todavia, o leitor Marcos Faria tem uma teoria convincente sobre as razões que levam esse membro do Ministério Público a fazer uma acusação como essa a alguém que foi investigado incessantemente pela imprensa e pelos adversários políticos, como é o caso de Lula, sem que nada que pudesse ligá-lo de forma minimamente crível à maior aposta contra seu governo fosse encontrado.
Antes da argumentação do leitor, vale refletir que, se comprovadas as motivações políticas de Pastana, o Conselho Nacional do Ministério Público deve tomar providências como fez com Luiz Francisco de Souza e Guilherme Schelb, procuradores da República que, sob pressão da mídia, foram acusados pelo CNMP de terem “perseguido” o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Eis o que relata o leitor Marcos Faria sobre a clara predisposição política do procurador em tela.
—–
Eduardo, o Procurador Manoel Pastana quer incluir o ex-Presidente Lula como responsável pelo chamado “mensalão”. Seria uma atitude gloriosa se o mesmo não deixasse passar numa entrevista à revista Brasília em Dia, concedida em outubro do ano passado, um rancor muito grande pelo então ex-presidente Lula. Ao mesmo tempo, demonstra um grande preconceito em relação à população pobre. Veja a entrevista:
Revista Brasília em Dia
Manoel Pastana – ‘Lula é nova versão de Luís XIV’
Data de Publicação: 16 de outubro de 2010
Por: Marcone Formiga
Para começar, o entrevistado desta semana é um “self made man”, ou seja, um homem que conseguiu tudo o que tem sozinho, com trabalho árduo e incansável. O paraense Manoel Pastana iniciou a vida como faxineiro, em Brasília (DF). Tendo sempre estudado em escolas públicas, autodidata também por iniciativa própria, Pastana conseguiu a ascensão profissional degrau por degrau, até alcançar, na atualidade, a posição de procurador da República em Porto Alegre (RS). De passagem pela cidade, para o lançamento da segunda edição de seu livro “De Faxineiro a Procurador da República”, Pastana concedeu a entrevista que segue. A obra é um calhamaço de 400 páginas, que revela os bastidores da política, do poder e até mesmo do Ministério Público Federal. Pela contundência do que Pastana narra na obra, ele acha que seu conteúdo poderia incomodar muitos homens públicos poderosos, mas ressalta que, “até agora, ninguém teve a coragem de me acionar judicialmente”. Em seguida, ele acrescenta: “Sei que muitos se movimentaram, mas recuaram, pois tenho provas de tudo o que escrevi. Sou ousado, mas não irresponsável; foi por isso que minhas ações foram acolhidas pelo Judiciário”.
Sem qualquer relação partidária, os cargos que Pastana ocupou em toda sua trajetória foram conquistados mediante concursos públicos. Assim, ele exerceu o posto de procurador por quatro anos no Amapá. Por iniciativa sua, o então presidente da Assembleia Legislativa do Amapá, Fran Júnior, teve seu mandato cassado, a exemplo do que ocorreu também com o deputado federal Antonio Nogueira (PT). Durante sua permanência naquele estado, Pastana teve que ser protegido por seguranças diante das ameaças de morte que recebera.
Nas suas críticas, ele não preserva nem mesmo o presidente da República. Pastana ressalta que Lula, embora tenha muitos poderes, “não está acima da lei”. O procurador argumenta que o presidente é um agente público com deveres e responsabilidades, que devem ser maiores do que os de qualquer outro servidor, até porque deve dar o exemplo.
Manoel Pastana acrescenta que o presidente Lula violou flagrantemente a legislação (artigo 36 da Lei 9.504/1997) ao fazer propaganda eleitoral antecipada em favor de Dilma Rousseff. “Há bastante tempo que ele vinha fazendo isso e continua fazendo”, afirmou. Além disso, Pastana é categórico ao declarar que o presidente Lula pretende governar como Luís XIV, para poder sentenciar: “O Estado sou eu!”.
- O senhor concorda que o presidente da República no Brasil tem poderes de um monarca?
- Nos termos da Constituição Federal, o presidente da República tem muitos poderes, mas ele não está acima da lei. Ocorre que o presidente Lula parece pensar que é soberano e acaba fazendo o que bem entende, agindo como se fosse um monarca absolutista do tipo Luís XIV, que dizia: “O Estado sou eu”. Por exemplo, na licitação internacional para a compra de aviões caças para a FAB [Força Aérea Brasileira], ele antecipou o resultado do certame, no dia sete de setembro de 2009, sacramentando que o vencedor seria o modelo francês.
- Mas ele recuou, não foi?
- Criticado pela imprensa, por não ter aguardado a avaliação técnica dos militares da Aeronáutica, Lula disse que até poderia ouvi-los, mas a decisão de comprar era política. Logo, quem decidia era ele. Esse episódio deixou bem claro que Sua Majestade, digo, Sua Excelência, o presidente Lula, fala e faz o que lhe aprouver e, quando questionado, seus assessores lhe arrumam qualquer justificativa para ele silenciar os críticos.
- E fica por isso mesmo?
- Ora, a decisão de comprar ou não os aviões realmente é política, mas a escolha da aeronave a ser comprada não é política. É como, por exemplo, a construção de uma ponte: a decisão de construí-la, ou não, é política, mas a escolha da empresa construtora não é. A construção cabe àquela que vencer o processo licitatório. O critério de escolha da aeronave a ser adquirida deve pautar-se nos princípios que norteiam a espécie, consoante o disposto no artigo 37, inciso XXI, da Constituição Federal, sendo que não existe previsão legal que autorize o presidente da República excepcionar o certame internacional, postergando o julgamento objetivo (art. 42 da Lei 8.666/1993).
- A compra não cumpriu as exigências?
- A compra do avião preferido por Lula constitui absurdo aos princípios de legalidade, economicidade e impessoalidade. Quanto a este princípio, a ofensa decorre do fato de Lula ter deixado patente a preferência pelo modelo francês, não em razão do interesse público, porque ele entende de avião de combate tão bem quanto o Tiririca conhece as atribuições do Congresso Nacional.
- Foi um precedente?
- Em várias situações, o presidente Lula guiou-se por vontade própria, sem importar-se com mais nada, comportando-se como um autêntico monarca absolutista. Houve casos em que até seus auxiliares agiram ao arrepio da lei e ele ratificou. Por exemplo, Cesare Battisti foi condenado pela Justiça italiana, por ter praticado quatro homicídios qualificados. Contrariando o art. 3º, inciso III, da Lei 9.474/1997, que veda a concessão de refúgio a quem tenha sido condenado por crime hediondo [homicídio qualificado é crime hediondo pela nossa legislação], Tarso Genro, então ministro da Justiça, ignorou a lei e concedeu refúgio ao criminoso italiano, sendo que Lula o apoiou, não obstante o protesto da comunidade internacional. Parece que o fanatismo ideológico falou mais alto, porque Battisti lutou na Itália pela implantação do comunismo naquele país, na luta armada, a exemplo do que fizeram alguns companheiros por aqui, como Dilma Rousseff, José Dirceu, José Genoino…
- O que aconteceu?
- O STF declarou a ilegalidade do benefício concedido ao terrorista italiano, mas deixou a extradição a critério do presidente da República. Lula está enrolando, e tudo indica que terminará o mandato sem efetivá-la. Caso Dilma seja a sucessora, certamente Battisti permanecerá no Brasil, e não será surpresa se for contemplado com um cargo público ou uma aposentadoria a ser suportada pelo contribuinte brasileiro, a exemplo de tantas outras de finalidade análoga.
- E quanto ao mensalão?
- No episódio do mensalão, o então procurador-geral da República (PGR), Antonio Fernando, registrou na acusação formulada junto ao STF que o PT teria formado uma “sofisticada organização criminosa” para se perpetuar no poder. O curioso é que, embora o procurador Antonio Fernando tenha feito tão “grave acusação” contra integrantes do referido partido, colocando como líder da quadrilha José Dirceu, que é amigo pessoal de Lula, mesmo assim o presidente gostou tanto de Antonio Fernando que o reconduziu ao cargo de procurador-geral da República. E quando o substituiu, por vontade própria [porque Antonio Fernando pediu para sair], Lula o elogiou.
- Por quê?
- Ora, é público e notório que Lula, assim como o PT, não tolera críticas. Basta ver que antes ele adorava a imprensa, agora não; logo, não seria lógico que iria elogiar graciosamente o procurador que formulou “grave acusação” contra integrantes de seu partido e do governo… No livro “De Faxineiro a Procurador da República”, de minha autoria, revelo os bastidores da política e do poder. Entre outras coisas que não chegaram a público, relato fatos que indicam os motivos de Lula ter gostado da atuação do procurador que promoveu a denúncia do mensalão. Antecipo a absolvição de José Dirceu e dos outros caciques do PT, porque haverá punições apenas a integrantes braçais da quadrilha, como Marcos Valério e outros pequenos coadjuvantes.
- Como está a tramitação desse processo?
- O processo penal do mensalão é o maior da história do STF. Foram cinco sessões apenas para o recebimento da denúncia, transmitidas ao vivo pela televisão. O feito tem 183 volumes de autos principais e mais 460 de apensos [com quase 40 mil páginas]. Acredito que dentro de um ou dois anos deve chegar ao fim. Tudo indica que o gigantesco processo terminará em uma gigantesca pizza, a não ser que o STF se esforce ao máximo, mudando completamente a jurisprudência da Corte, para condenar, com base na responsabilidade penal objetiva, os caciques petistas, apontados na denúncia como os líderes do esquema criminoso. É que eles não assinaram nenhum documento, embora tudo indique que eles faziam parte do esquema.
- Afinal, quem deixou as digitais?
- Quem deixou as digitais no esquema criminoso foi Lula, que assinou os atos normativos (uma medida provisória e dois decretos), cujo objetivo ilícito, destinado a fomentar o esquema do mensalão, salta aos olhos. Porém, como Lula praticou os atos materiais (assinando os atos normativos), mas não foi acusado, é impossível chegar aos prováveis autores intelectuais, pois rompeu-se o elo probatório, para responsabilizar os que não deixaram rastros materiais, ou seja, não assinaram nada.
- O que aconteceu depois?
- O então PGR, Antonio Fernando, tratou Lula como um monarca absolutista, já que, apesar de ter baixado atos normativos que ensejaram a efetivação do esquema criminoso do mensalão, conforme a própria denúncia, o soberano Lula ficou incólume. Ora, a não-responsabilização só deveria acontecer em uma Monarquia absolutista, na qual o monarca não responde pelos seus atos, e não em uma República, fulcrada no princípio da responsabilidade dos agentes públicos, incluindo o presidente.
- Por que ele tem tanta ira da imprensa, que o levou a chegar aonde está?
- A trajetória do presidente Lula denota que ele muda de acordo com a situação. Assim, quando as notícias na mídia lhe favoreciam, tanto que o levaram a se tornar conhecido no Brasil e no exterior como defensor do trabalhador e da ética, ele era “paz e amor” com a imprensa. Depois, mudou de posição, quando a imprensa passou a divulgar fatos que destoam da imagem que a própria mídia fez dele no passado. Antes de assumir a Presidência, ele era absolutamente contrário ao Plano Real. Dizia que as altas taxas de juros, suporte do plano, alimentavam a especulação financeira; contudo, manteve o plano e continuou alimentando os especuladores financeiros, que nunca ganharam tanto dinheiro, até mais do que no governo anterior. As altas taxas de juros e a elevada carga tributária, que sustentam o Plano Real, o qualificam como um remédio tarja preta: só deveriam ser usadas quando isso for absolutamente necessário, ou seja, para derrubar a hiperinflação e suportar as graves crises econômicas, que assolaram o mundo no final do século passado e início deste, que ocasionaram a quebra de países (como a Argentina) e arruinaram economias (como a do México, da Rússia e de outras nações). Ora, nos cinco primeiros anos do governo Lula, a economia mundial “bombou”. Logo, não havia necessidade de manter a base do plano. E mais: a crise americana de 2008 foi financeira, e não econômica, como as do passado. Atingiu diretamente os bancos ianques, com reflexo pequeno para países como o Brasil, que exporta pouco.
- Mas o Plano Real continua melhor…
- Quase ninguém se preocupa com um dos principais efeitos colaterais do Real: o estouro da dívida pública interna. Quando Lula assumiu, estava em torno de R$ 700 bilhões, agora já ultrapassou R$ 1 trilhão e 500 bilhões, ou seja, o endividamento produzido no governo atual é de R$ 800 bilhões ou US$ 477 bilhões, no câmbio atual. Isso representa quase cinco vezes o endividamento que os militares produziram em 21 anos de governo, cerca de US$100 bilhões. Os militares construíram a hidrelétrica de Itaipu, em parceria com o Paraguai, mas o Brasil bancou o investimento; a hidrelétrica de Tucuruí e várias hidrelétricas de médio e pequeno porte; a ponte Rio-Niterói, portos, aeroportos, milhares de quilômetros de estradas, ferrovias, enfim, inúmeras obras que fomentam até hoje a infraestrutura do país.
- Por que o senhor critica a estabilidade da economia?
- Alguém tem conhecimento de alguma grande obra efetivamente construída no governo Lula? Promessas há muitas, mas de efetivo apenas o hiperendividamento. A manutenção do Real tem uma explicação: o governo não precisa pegar dinheiro emprestado no exterior, como no passado. A estabilidade da economia e as altas taxas de juros são atrativas para o capital especulativo alienígena. É por isso que a dívida externa se estabilizou com o Plano e a dívida interna explodiu.
- E quanto à divida externa do país?
- Sem precisar sair de pires na mão para correr atrás de recursos no exterior, o governo endivida o país sem pudor e ainda engana, alardeando que pagou a dívida externa. Em 2005, um ano antes da reeleição de Lula, foi alardeado que o Brasil havia pago a dívida externa, notícia que foi amplamente utilizada na campanha eleitoral de 2006. Ora, a dívida externa era de US$ 230 bilhões, o que se pagou foi apenas US$ 15,5 bilhões – a parte do FMI –, que representavam cerca de 6% do valor total da dívida. Portanto, a notícia de que a dívida externa fora paga era falsa. Porém, o absurdo maior é que a dívida com o FMI tinha sido negociada, pelo governo anterior, para ser paga até 2007 a juros de 4% ao ano. De forma absolutamente irresponsável, o governo petista pagou tal dívida, aumentando a dívida interna. Na verdade, trocou-se a dívida externa pela dívida interna. Ele pagou uma dívida barata, com juros de 4% ao ano, fazendo dívida cara, com juros em torno de 19% ao ano. Seria como se alguém pagasse uma dívida consignada em folha de pagamento, a juros baixos, pegando o limite do cheque especial, cujos juros são muito elevados. Para se ter uma ideia, naquele ano [2005], a dívida pública interna cresceu R$ 130 bilhões.
- Afinal, por que isso?
- Tudo indica que essa desastrosa operação para as finanças do país tinha finalidade eleitoreira e deve ter rendido milhões de votos para Lula. No ano passado, mais uma vez, um ano antes da eleição, a máquina de propaganda do governo alardeou que o Brasil tornou-se “credor” do FMI. Isso tem sido amplamente utilizado por Dilma na campanha, diz a candidata: “Antes, o Brasil era devedor do FMI, agora é credor”. A pergunta que todo brasileiro deveria fazer é: se o Brasil tem dinheiro para emprestar ao FMI, por que não paga a dívida interna?
- Como assim?
- O pagamento de juros da dívida interna consome a maior parte de tudo o que é arrecado com os impostos, e a dívida só faz crescer: deve chegar a R$ 1 trilhão e 700 bilhões neste ano eleitoral. O governo gasta 10 vezes mais com o pagamento de juros da dívida interna do que com o Bolsa Família. Antes, Lula se dizia inimigo da corrupção e defensor incondicional da ética na política; depois, fez aliança com políticos que ele mesmo tachava de corruptos, na época em que “defendia” a ética. Por ocasião da prisão do ex-governador José Roberto Arruda, ele afirmou que as imagens do recebimento do dinheiro “não falavam por si”. Quanta mudança!
- Mas o presidente sempre combateu o assistencialismo.
- Antes, Lula discursava contra o assistencialismo na política. Em 2000, ele deu uma entrevista, assim: “Lamentavelmente, no Brasil, o voto não é ideológico (…). E, lamentavelmente, você tem uma parte da sociedade que, pelo alto grau de empobrecimento, ela é conduzida a pensar pelo estômago e não pela cabeça. É por isso que se distribui tanta cesta básica. É por isso que se distribui tanto litro de leite. Porque isso, na verdade, é uma peça de troca em época de eleição (…). Você trata o povo mais pobre da mesma forma que Cabral tratou os índios quando chegou ao Brasil [referindo-se às bugigangas que o descobridor oferecia para conquistar os índios]”. Tempos depois, já no governo, em uma entrevista em Belo Horizonte, ele proferiu discurso completamente diferente: “Alguns dizem assim: o Bolsa Família é uma esmola. O Bolsa Família é assistencialismo (…). Tem gente tão imbecil, tão ignorante, que ainda fala que o Bolsa Família é para deixar as pessoas preguiçosas, porque quem recebe o Bolsa Família não quer mais trabalhar”. Como se vê, Lula muda de “opinião” e de atitude conforme a situação; portanto, não é de se estranhar que ele tenha mudado em relação à imprensa. Aliás, desde o primeiro mandato que ele deseja colocar freio nos meios de comunicação. Porém, parece que lhe faltou coragem, por isso recuou. Contudo, caso Dilma seja eleita, ele certamente irá ajudá-la a implementar as mais de 600 propostas aprovadas na Confecom [Conferência Nacional de Comunicação], que têm por objetivo realizar reformas legislativas para controlar a mídia. Sob tutela, Lula voltará a ser “paz e amor” com a imprensa controlada.
- Qual é, então, o objetivo do presidente?
- Aliás, o objetivo do Lula e do PT é controlar tudo. Por exemplo, a pretexto de evitar a sonegação, a Receita Federal está colocando em prática uma parafernália de absoluto controle das atividades das pessoas, ou seja, na prática, não haverá mais sigilo fiscal e nem profissional. O Sped [Sistema Público de Escrituração Digital] é um procedimento que está sendo implementado pela Receita Federal de controle em tempo real. As informações contidas no livro diário e nos livros fiscais serão migradas para um layout e enviadas diretamente ao fisco. Além disso, há um supercomputador capaz de prever até uma suposta tentativa de se escapar da Receita, ou seja, a vida profissional ou financeira do cidadão ficará inteiramente à disposição do governo, estratégia de todo governo autoritário.
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Comentário final: a revista que publicou a entrevista também parece anti-Lula até a raiz dos cabelos…
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A volta do trololó

Serra já começa errando no seu “Bolotaço.com”
Em roxo, os países onde cresceram as apreensões de cocaína; em azul, aqueles onde caiu.
Os valores são em toneladas e os dados de 2008
Não resisti à brincadeira do título aí em cima para saudar do site pessoal de José Serra, lançado ontem, e me perdoem os que não gostaram do trocadilho inevitável.
É bom que Serra venha para a polêmica, que defenda suas ideias abertamente e não através dos jornalistas que lhe são afinados. Ele estreia criticando o que chama de falta de combate ao tráfico de drogas, que com certeza é deficiente.
Mas o senhor Serra anda meio desinformado. Diz que “a única coisa que limita a entrada da droga é a capacidade de produção da Bolívia, da Colômbia e do Peru.”
Deveria ter lido o relatório da ONU sobre drogas, de 2010.
As apreensões de cocaína no Brasil subiram 21% entre 2007 e 2008. E subiram muito nos países que ele diz que não fazem nada contra o tráfico: Bolívia (62%), Colômbia (32%) e Peru (96%).
Enquanto isso, caíram fortemente nas regiões onde estão os grandes centros de consumo: Europa, menos 48% (entre 2006 e 2008) e Estados Unidos, menos 34%, de 2007 para 2008.
Mas, como Serra está começando, vamos ajudar: ele pode baixar aqui o relatório da ONU.
Porque sobre coisa séria é bom falar com seriedade, em lugar de ficar explorando mistificações. Aliás, para sua informação, os volumes apreendidos mais que dobraram em relação a 2002, no governo de Fernando Henrique Cardoso, no qual ele era Ministro da Saúde, algo que nada tem a ver com este problema de drogas, não é?
* * *
Serra estreia site com críticas aos governos de Dilma e Lula
Como era de se esperar, o São José da Mooca apareceu mais rancoroso do que nunca. O Limpinho reproduz texto de Flávio Freire, publicado em O Globo. Dica de Jackson Tome Tome no Facebook.
Depois de usar o Twitter para criticar o governo federal, o tucano José Serra resolveu ampliar sua rede virtual em oposição aos governos de Dilma Rousseff e de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva. O tucano estreou na segunda-feira, dia 9, um sítio (www.joseserra.com.br) com textos criticando desde a política antidroga do governo até a posição do Brasil no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), ao gargalo da infraestrutura, além de carências em saneamento, educação e saúde. Serra chegou a ironizar o lançamento, no Rio de Janeiro, da campanha de desarmamento, pois, segundo ele, trata-se de uma cidade a 1.500 quilômetros da fronteira por onde entram as armas que vão parar nas mãos dos traficantes. O Ministério da Justiça informou que se trata de uma campanha nacional, com objetivo de conscientizar todo o país, e que o Rio de Janeiro foi escolhido por ter sido palco de um massacre nunca antes registrado no Brasil.
Com o artigo “A prática desmente o discurso”, Serra estreou o palanque virtual com ataques à falta de investimento no combate ao tráfico de armas. “Sem recursos básicos nem efetivo suficiente na fronteira, a polícia não tem como conter a entrada da cocaína pelo estado”, diz ele, citando problemas nas fronteiras do Acre, em Foz do Iguaçu, no Rio Grande do Sul, entre outras. Depois de discorrer sobre a falta de policiais federais nessas áreas, ele disparou:
“Pode haver ausência mais gritante da falta de prioridade no combate às drogas, de contradição entre discurso e prática de governo? Mesmo que não houvesse corte de orçamento da PF, a vigilância das fronteiras seria, como é, precária, em face do abandono do setor. O corte, neste caso, termina sendo uma manifestação sádica da falta de consideração pela segurança e a saúde na população.”
Procurada, a Secretaria Nacional Antidrogas não se manifestou sobre as críticas do tucano.
Em outro artigo, intitulado “Uma realidade pouco animadora”, Serra critica a política de geração de empregos adotada nos últimos anos:
“A maior necessidade no Brasil nos próximos dez anos é criar muitos empregos de boa qualidade, que proporcionem melhor padrão de vida para as famílias, mais acesso a bens materiais e culturais, mais saúde, mais futuro. Basta lembrar que até 2021 cerca de 20 milhões de pessoas precisarão de novos postos de trabalho e que no último biênio houve o saldo negativo de 800 mil empregos formais com remuneração acima de dois salários mínimos.”
Ele emenda:
“Durante o mandato de Lula, graças ao seu talento de animador e à publicidade massiva, criou-se a impressão de que a era do crescimento dinâmico havia voltado para ficar. Impressão, infelizmente, sem fundamento.”
Citando o professor Reinaldo Gonçalves, o tucano disse que o desempenho da economia brasileira nos últimos oito anos foi inferior à média mundial, ocupando a 96ª posição no painel de 181 países. E, em matéria de PIB per capita, o país passou da 66ª posição para a 71ª posição.
“Em termos de índice de desenvolvimento humano, o IDH, caímos de posição no cenário mundial, de 65ª em 2003 para 73ª em 2010. Isso tudo apesar de o Brasil desfrutar da maior fase de bonança externa já observada. O mais preocupante, em todo caso, não é esse desempenho modesto, mas as travas que o governo Lula legou ao crescimento futuro do país.”
Serra retomou ainda um discurso de campanha, com ataques ao que ele chama de “perverso tripé macroeconômico”: carga tributária mais alta do mundo em desenvolvimento; maior taxa de juros reais de todo o planeta e taxa de câmbio megavalorizada; uma das menores taxas de investimentos governamentais do mundo.
Por fim, Serra disse esperar que as coisas deem certo:
“Minha torcida, como a de todo brasileiro, é para que as coisas deem certo, ou o prejuízo será, como já tem sido, coletivo. Para tanto, é preciso que se tomem as providências adequadas. Não é o que está em curso ainda, infelizmente.”
Nota do Limpinho: Serra precisa de um tratamento psiquiátrico... Urgente!
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