30 de set de 2011

Crise mundial e a mediocridade de Aécio

Aécio Neves, candidato preferencial do PSDB à sucessão presidencial de 2014, expressa bem a total ausência de idéias e projetos da oposição demotucana. No Senado, ele é uma decepção, segundo seus próprios pares. Seus discursos são vazios, enfadonhos. Já na Folha de S.Paulo, jornal que lhe cedeu espaço para uma coluna, os seus artigos são de uma mediocridade impressionante.
Nesta semana, o senador resolveu falar sobre economia. Quando a própria mídia rentista passa a reconhecer a gravidade da crise mundial e alguns “calunistas” até recuam nas suas críticas à recente redução da taxa de juros, ele escreve um artigo, intitulado “Inflação”, para atacar a decisão do Banco Central. Sua coluna na Folha até podia ser batizada de “As platitudes de Aécio Neves”.
Os desgastados chavões neoliberais
Para o brilhante “economista” tucano, a redução dos juros é uma “medida inflacionária”. Ela sinalizaria que “o governo extinguiu a bem sucedida política – aqui e no mundo – de metas de inflação, inaugurada no Brasil em 1999... Nada justifica o retorno a políticas voluntaristas que emperraram no passado o crescimento da nossa economia”.
Além de bajular o governo do seu padrinho FHC, que colocou o Brasil de joelhos diante do Fundo Monetário Internacional (FMI), Aécio Neves repete velhos e desgastados chavões neoliberais. Ele insinua que o governo estaria dando uma guinada “abrupta” na política macroeconômica, superando o tripé ortodoxo dos juros elevados, superávit fiscal e libertinagem cambial.
“Propaganda eleitoral gratuita”
Na prática, o texto é uma cópia rastaqüera das conclusões do seminário do Instituto FHC de agosto passado. Nele, os economistas tucanos defenderam a radicalização do programa neoliberal, pregando “menos estado”, mais privatizações e “maior abertura” da economia brasileira. Ou seja: a coluna de Aécio Neves na Folha serve apenas como “propaganda eleitoral gratuita” do PSDB.
Quem afirma isto é a própria ombudsman do jornal, Suzana Singer, que detonou os textos do senador na sua coluna de domingo passado. “De 11 artigos do ex-governador tucano, pelo menos seis pareciam discurso de Congresso, com críticas nada originais ao governo federal e promoção de iniciativas de Minas Gerais”. As platitudes de Aécio Neves servem apenas de “palanque eleitoral”.
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Irmão afirma: Garotinho é golpista

Nelson Nahim, irmão do deputado federal Anthony Garotinho (PR), acusa o deputado de tentar dar um golpe para que Nahim não assuma a prefeitura de Campos. Garotinho desconfia até do irmão. Essa acusação não foi feita por blogs, pela imprensa de Campos e nem pelas Organizações Globo. Foi pelo seu próprio irmão. E agora, Garotinho?
Pedro Collor começou assim.
No Blog do Herval Júnior
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Alckmin joga a corrupção para debaixo do tapete: Manterá contrato ilegal para a construção do Metrô

Nota do Blog Frases da Dilma: Leiam que na matéria da Folha não é mencionado o Governador Alckmin.
O Metrô de São Paulo decidiu não acatar a recomendação do Ministério Público Estadual e vai manter os contratos sob suspeita e as obras de prolongamento da linha 5 - lilás – entre as estações Adolfo Pinheiro e Chácara Klabin.
A resposta da estatal foi protocolada ontem, um mês depois de o Ministério Público orientá-la a anular a contratação das empresas por “vício de ilegalidade”.
A investigação da Promotoria decorre do documento com firma reconhecida em cartório pela Folha em abril de 2010 antecipando os vencedores da disputa. [veja aqui matéria publicada neste blog em 26/10/2010, e abaixo reveja o vídeo].
O Ministério Público deverá entrar com ação na Justiça e pedir a responsabilização do presidente do Metrô, Sérgio Avelleda, pela decisão.
O Metrô diz que manteve a “plena convicção” de continuar as obras porque a denúncia de conluio não produziu um documento com “certeza jurídica necessária”, exigindo “provas adicionais”.

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Liminar mantém Rosinha Garotinho no cargo

Uma decisão liminar do desembargador federal Sérgio Schwaitzer manteve no cargo a prefeita de Campos dos Goytacazes, Rosângela Rosinha Garotinho, além de suspender a inelegibilidade imposta ao deputado federal Anthony Garotinho, marido da prefeita. A liminar é válida por 30 dias e acolhe o pedido feito dentro de uma Ação Cautelar, ajuizada pelo casal às 13 horas desta sexta-feira, dia 30. "Defiro a liminar, para conceder efeito suspensivo ao recurso eleitoral interposto, pelo prazo de 30 dias", redigiu o desembargador federal, na decisão publicada às 16h33.
O desembargador Schwaitzer concedeu a liminar com base em dois argumentos jurídicos.
Primeiro, ele entendeu que seria plausível a alegação de Rosinha e Anthony Garotinho de que o casal teria direitos ameaçados pela decisão que cassou a prefeita e tornou o deputado federal inelegível. Em ações como a Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) movida contra o casal, os Tribunais ainda não teriam consolidado a jurisprudência sobre como aplicar a redação da Lei Complementar 64/90, com as alterações introduzidas pela LC 135/2010, a Lei do Ficha Limpa.
Além disso, o desembargador federal lembrou que a decisão do Juízo da 100ª Zona Eleitoral era passível de ser revisada, após o exame do recurso pelo Colegiado do TRE-RJ. Constantes alterações na chefia do Poder Executivo municipal poderiam provocar o que o desembargador federal Schwaitzer classificou de "insegurança jurídica". Caso o mérito da Ação Cautelar não seja julgado em 30 dias, a decisão liminar perde efeito.
Na quarta-feira, dia 28, o casal Garotinho já havia ajuizado um Mandado de Segurança com pedido de liminar, mas que foi negado também pelo desembargador federal Sérgio Schwaitzer nesta sexta-feira, dia 30.
Ele considerou que o instrumento jurídico utilizado não seria o adequado para obter o efeito suspensivo na AIJE que condenou o casal. "Nos termos da jurisprudência dos Tribunais Superiores, não é cabível mandado de segurança contra decisão judicial que se sujeita a recurso específico, como no caso em análise", explicou o desembargador.
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Dominados pelo discurso da ideologia dominante

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Carta Aberta à Diretora da Faculdade de Direito do Recife

Na próxima segunda-feira, dia 03/10, o salão nobre da Faculdade de Direito do Recife será reaberto em comemoração aos 100 anos do prédio histórico. O convidado para proferir uma palestra alusiva à data foi o ex-senador Marco Maciel e isso virou motivo de polêmica. Alguns professores ameaçam boicotar a solenidade porque Marco Maciel foi aliado da ditadura militar.
O convite ao ex-senador para palestrar ensejou o envio da seguinte carta à diretora da Faculdade, Luciana Grassano, e aos colegas docentes, pela professora Larissa Maria de Moraes Leal.

Cara Diretora do CCJ - UFPE - Faculdade de Direito do Recife, Profa. Dra. Luciana Grassano
Caros colegas docentes,
Cumprimentando-os cordialmente, venho, preliminarmente, parabenizar nossa Diretora, Profa. Luciana Grassano, por mais este importante passo na restauração de nossa casa, o prédio da Faculdade de Direito do Recife. Um trabalho primoroso, bem conduzido e realizado que, sem dúvidas, nos trouxe mais que conforto. Temos, atualmente, a satisfação de exercermos nosso ofício em um edifício dotado da dignidade que sempre lhe foi devida. O cuidado deferido à nossa edificação tem reflexos largos, porquanto seja toda a sociedade beneficiária do resgate de integridade desse patrimônio histórico. Assim, registro meus agradecimentos sinceros e fraternos, bem como o meu reconhecimento.
Por ocasião da Solenidade de Reabertura do Salã o Nobre, venho, ainda que comprendendo a circunstância de absoluta felicidade institucional, registrar meu singelo e firme protesto referente ao Conferencista brindado pela ocasião. Foi no Salão Nobre que muitos de nós defenderam suas dissertações de mestrado, teses de doutorado, assistiram e participaram de debates acalourados; foi também neste salão que, em várias situações, professores e alunos reuniram-se simplesmente para exercerem o seu legítimo direito de pensar, dialogar e dar máxima expressão à própria idéia sobre a qual construimos, diariamente, a nossa Faculdade.
Todos esses fatos fazem parte da história da Faculdade de Direito do Recife, tão bem contada pelo saudoso Prof. Dr. Gláucio Veiga. No volume 2 de sua obra sobre a história das ideias, das ações e do papel de nossa Faculdade, Prof. Gláucio dedicou seu trabalho a todos aqueles que morreram porque ousaram pensar. Em tempos difíceis, nossa Faculdade representou, ao menos no imaginário de muitos, um oásis onde era possível pensar! Entrementes, sabemos que, nesses mesmos tempos, pensar na Faculdade tornou-se algo perigoso. Sob as vistas dos ditadores, foram os professores e alunos da Faculdade vítimas preferenciais de restrições e toda sorte de agressões a direitos humanos.
Esses tempos, infelizmente, são reféns de nossa memória. É em nome dessa memória - que não podemos negligenciar - que apresento meus protestos referentes à eleição do ex-senador Marco Maciel como conferencista da ocasião de reabertura do Salão Nobre da Faculdade. Entendo, com meus botões, que sua presença, em condição tal de honraria - e acredito ser de honra extrema proferir conferência no Salão Nobre da Faculdade de Direito do Recife, em sua reabertura - fere a memória viva de lamentáveis fatos ocorridos na própria Faculdade no final da década de 60 e durante a década de 70. Fere diretamente professores da casa, que, então, foram perseguidos porque pensavam; fere professores que foram, inclusive, expulsos de casa, para tornarem-se estrangeiros em busca de Justiça em outros países, exilados da Faculdade; fere a mim, pessoalmente, que vivenciei a potencialidade lesiva da ditadura, e convivo com fotos de parentes que sequer tive oportunidade de conhecer, em cartazes de busca por desaparecidos afixados em nosso prédio . Fere, por fim, em minha opinião, todos os nossos alunos que, sem experiências pessoais sobre esse período tenebroso, precisam de nossas memórias e de nossa voz para conhecerem esse mal absoluto que é a restrição da liberdade.
Não tenho nenhuma queixa pessoal dirigida ao ex-senador Marco Maciel para apresentar aqui. O que tenho é a convicção e o conhecimento de sua trajetória política; nos tempos em que convivemos com a divisão entre ditadores e cidadãos, sei que nossa Faculdade ficou aliada aos cidadãos, postura contrária do Conferencista convidado.
Por certo, como acadêmica, não devo ter preconceito com ideias. Mas a distância no tempo, pouco mais de 30 anos, apenas o tempo de minha vida, não pode ser suficiente para apagar de nossa história e memória o passado a que aludi.
Se, durante a ditadura, o maior desafio do cidadão era pensar e manifestar-se, hoje, penso eu, o que mais nos constrange é o dever de não calar, de não tolerar por comodidade e de não negligenciar nosso legado. São tempos diferentes, é claro. Os protestos desapareceram para dar lugar ao individualismo e à busca de conquistas patrimoniais. Não há voz nas ruas ou nas praças. É o silêncio obsequioso, chamado de tolerância, que incomoda alguns poucos legatários de tanto sofrimento do passado.
Meu protesto, portanto, segue as diretrizes atuais: infelizmente a presença do conferencista constrange a mim, em tão alta medida, que não me permitirá participar desse momento histórico. Protesto por meio dessas palavras, de minha ausência e de um pedido. Se algum documento resultar da solenidade da próxima segunda-feira, dia 03 de outubro, solicito que minha ausência seja registrada como forma de protesto silencioso e pacífico.
Eu não sei se nós teremos os benefícios de, dentre nós, haver um novo docente dedicado a contar a história da Faculdade de Direito do Recife, como fez o Prof. Gláucio Veiga; mas, se houver, os relatos da próxima segunda-feira farão o histórico dos fatos passados nas décadas de 60 e 70 do século XX darem uivos de terror... o terror da superação das ideias e da liberdade pelo tempo; o terror da negligência da história dos que se foram, em nome do que agora está.
Cordialmente,
Profa. Dra. Larissa Maria de Moraes Leal.
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Bandidos de toga

O Supremo Tribunal Federal agora tentará encontrar um meio-termo para a Ação Direta de Inconstitucionalidade proposta pela Associação dos Magistrados Brasileiros visando limitar o alcance fiscalizador do Conselho Nacional de Justiça. Situação curiosa: o STF, resguardando a própria imagem, tende a contrariar ambos os interesses. De novo, a politização do debate suplantará os critérios jurídicos que deveriam norteá-lo. Esperem até chegar o julgamento dos “mensaleiros”.
O desabafo da corregedora Eliana Calmon foi até suave para descrever a situação do Judiciário. Por isso não convém acreditar que os magistrados reagiram tão mal, como Polianas indignadas, apenas por espírito corporativo. Para a tribunocracia em exercício é muito importante fortalecer as instâncias regionais, mantendo-as protegidas do controle externo. A propósito, ali nasce a maioria das fichas sujas eleitoreiras que orgulham nossos pruridos éticos.
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Casa onde falta o pão…

O Estadão publica a troca de bicadas protagonizada no Twitter pelo senador Aloysio Nunes Ferreira e o comando paulista do PSDB, que pertence, na prática, ao Governador Geral Alckmin.
É que Aloysio, serrista, foi levado de cambulhada no conflito entre os grupos tucanos e ficou fora das inserções do partido na televisão e no rádio e reagiu no twitter, aparentemente também em nome do “coiso”:
- A propaganda do PSDB ignora também o líder político com a trajetória e o prestígio popular de José Serra. Vamos bem assim…
Vão, senador, vão bem…mal. Com Alckmin e Kassab disputando um torneio para ver quem mais mostra as canjicas para a Dilma, a sucessão municipal é uma fria tão grande que o senhor nem quis entrar nela para aproveitar “o prestígio popular” de José Serra.
Prestígio, aliás, em que nem ele acredita, pois se acreditasse seria candidato e recomporia suas forças.
A coisa vai mal, mesmo, no ninho do tucanato.
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Frigoríficos. ''O medo mantem os trabalhadores na produção''.

 Entrevista especial com Leandro Inácio Walter 

“O trabalho, no frigorífico, torna-se algo instrumental e o sujeito é descartado assim que perde a produtividade”, denúncia Leandro Inácio Walter, psicólogo social, após realizar uma pesquisa com trabalhadores “afastados” de um frigorífico do Rio Grande do Sul. Na entrevista a seguir, concedida por telefone à IHU On-Line, ele conta que doenças do trabalho são comuns no processo de produção dos frigoríficos brasileiros, pois as atividades desenvolvidas pelos funcionários são repetitivas. “A organização do trabalho geralmente ocorre em linhas de montagem, em linhas de produção, especialmente nas nórias, onde os frangos são pendurados e o ritmo de trabalho é imposto aos funcionários. As máquinas trabalham e o trabalhador tem que acompanhar o ritmo imposto pela empresa”.
De acordo com Walter, os funcionários relatam que, quando as metas de trabalho não eram atingidas, “uma sirene era acionada, avisando que tinha algo errado”. Em função disso, menciona, os trabalhadores ficaram com sequelas psíquicas e tiveram reações de pânico. “Muitos ficavam agitados só de ouvir qualquer barulho que se assemelhasse a uma sirene, mesmo fora do ambiente de trabalho. Qualquer barulho semelhante trazia essa lembrança do horror das situações que eram vivenciadas no local”, relata.
Leandro Inácio Walter é graduado em Psicologia pela Unisinos e mestre em Psicologia Social pela mesma instituição, com a dissertação intitulada A saúde por um fio: um estudo em psicodinâmica do trabalho de afastados de frigorífico de aves.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – O que constatou após a realização de estudo sobre a saúde dos trabalhadores de frigoríficos avícolas do Rio Grande do Sul?
Leandro Inácio Walter – Estudei a realidade de um frigorífico gaúcho a partir dos relatos de trabalhadores que estavam afastados do trabalho e estavam sendo atendidos no sindicato da categoria. Constatei uma realidade de intensa agressão à saúde deles, o descumprimento da legislação de saúde e de segurança, e a medicalização dos sintomas para repor o trabalhador mais rapidamente possível no posto de trabalho.
O trabalho, no frigorífico, torna-se algo instrumental e o sujeito é descartado assim que perde a produtividade. Gostaria de ter tido acesso à empresa e, por algumas vezes, tentei contato com a equipe administrativa, mas o frigorífico não abriu as portas para que pudesse acompanhar o processo de trabalho e averiguar porque as pessoas estavam adoecendo. Portanto, a pesquisa teve essa limitação.
IHU On-Line – Como o sindicato se manifesta diante dos casos de enfermidade dos trabalhadores e das doenças geradas pelo trabalho?
Leandro Inácio Walter – Esse sindicato criou um serviço de saúde para atender aos trabalhadores, pois há muita dificuldade para reconhecer as doenças psíquicas no serviço de saúde pública, e no próprio plano de saúde oferecido pela empresa. Para se ter uma ideia, as comunicações de acidente do trabalho emitidas pelo sindicado e pelos médicos do plano de saúde não são reconhecidas pela empresa, sob a alegação de que esses profissionais não conhecem a realidade de trabalho da empresa.
IHU On-Line – As empresas ignoram os casos de doença entre os trabalhadores?
Leandro Inácio Walter – Sim. Inclusive porque, atualmente, nós estamos falando de um setor que tem representatividade no cenário político. Hoje, o Brasil é um dos grandes produtores e exportadores de carne de aves.
Os custos sociais que envolvem essa produção não estão sendo computados pela Previdência. Um levantamento realizado pelo sindicado dos trabalhadores das empresas do estado de Santa Catarina demonstrou que a Sadia contribuiu com 30 milhões ao INSS, no período de 2003 a 2007, e que, em contrapartida, o INSS desembolsou 170 milhões em benefício previdenciário, seja como afastamento do trabalho, aposentadoria por invalidez, etc.
Hoje, os serviços de saúde que atendem aos trabalhadores adoecidos não mudam a realidade de trabalho dentro das empresas. São medidas paliativas, pois as condições de trabalho continuam as mesmas. Os trabalhadores tomam antidepressivos, mas a pressão no trabalho não se altera. A atuação sindical tem esse viés de apenas tratar os sintomas e não a causa, embora estejam tentando dar maior visibilidade aos casos de doença do trabalho.
IHU On-Line – O que caracteriza o trabalho em um frigorífico avícola? Como se dá a organização do trabalho nesse ambiente? O que os trabalhadores revelam sobre as condições de trabalho e como o processo produtivo prejudica a saúde deles?
Leandro Inácio Walter – Apesar da diversidade de setores, as atividades são repetitivas. A organização do trabalho geralmente ocorre em linhas de montagem, em linhas de produção, especialmente nas nórias, onde os frangos são pendurados e o ritmo de trabalho é imposto aos funcionários. As máquinas trabalham e o trabalhador tem que acompanhar o ritmo imposto pela empresa.
Os trabalhadores contavam que, quando não era possível dar conta do ritmo de trabalho em função do cansaço, acumulavam trabalho no final da linha de montagem, onde havia um trabalhador mais ágil, que conseguia ter um desempenho superior. No entanto, esse sujeito que trabalhava na ponta era o que tinha maior possibilidade de se lesionar em função de extrapolar os limites físicos.
Para realizar um trabalho repetitivo, a pessoa não pode pensar em outras coisas porque, se ela se distrair, pode ocasionar alguma falha no processo produtivo. Através da psicodinâmica do trabalho, tentamos entender como ocorre a mobilização da subjetividade em diferentes contextos de trabalho. No caso dos frigoríficos, essa questão repercute de uma forma bastante interessante, porque os trabalhadores acabam usando estratégias de defesa como a racionalização expressa em pensamentos: “Essa situação vai passar”; “Deus está vendo o que estou fazendo aqui”; “Somente hoje vou fazer isso”.
Quando as metas de trabalho não eram atingidas, uma sirene era acionada, avisando que tinha algo errado. Nesses casos, muitos trabalhadores chegavam a ter reações de pânico, de intensa ansiedade e ficavam agitados só de ouvir qualquer barulho que se assemelhasse a uma sirene, mesmo fora do ambiente de trabalho. Qualquer barulho semelhante trazia essa lembrança do horror das situações que eram vivenciadas no local.
Ao cobrar metas, as chefias tratam os funcionários de maneira ofensiva para instaurar o medo no ambiente de trabalho. Eles, por sua vez, muitas vezes não conseguem atender às suas necessidades básicas como ir ao banheiro, tomar água, ir ao atendimento médico da empresa. O medo tem um papel muito forte para manter os trabalhadores na produção.
IHU On-Line – Em sua pesquisa, você menciona a relação entre prazer e sofrimento no processo produtivo dos trabalhadores. Como esses dois aspectos se manifestam e se relacionam no cotidiano dos trabalhadores?
Leandro Inácio Walter – Na psicodinâmica do trabalho, estudamos estados pré-patológicos ou não patológicos no trabalho. Assim, a psicodinâmica do trabalho tenta compreender como o trabalho pode contribuir para a realização pessoal, para a saúde do indivíduo, e como esse sujeito se mobiliza no trabalho, como ele pode obter reconhecimento.
Entre os relatos, os trabalhadores mencionam que o trabalho é importante porque através dele conseguem garantir o sustento e atender às necessidades básicas de suas famílas. Por outro lado, muitos sentem orgulho e prazer de participar de um processo produtivo. Os trabalhadores de frigoríficos avícolas costumavam relatar que, embora fossem bastante produtivos, nem todos eram vistos e reconhecidos pelo desempenho que conseguiam ter. Portanto, essa é uma dinâmica de reconhecimento bastante perversa, porque aquele que trabalhava corretamente, que atingia as metas, permanecia no mesmo posto de trabalho, enquanto aquele que tinha mais dificuldade às vezes acabava utilizando isso para obter alguma vantagem.
IHU On-Line – É possível estabelecer um diagnóstico da saúde mental dos trabalhadores de frigoríficos avícolas?
Leandro Inácio Walter – Sim, é possível. Realizei nove encontros com os trabalhadores, com duração de uma hora e meia cada um. As pessoas contavam que não se sentiam reconhecidas em seus trabalhos, que as relações de trabalho eram truncadas, que havia agressão verbal, coação física, etc. Quando o clima do trabalho é ruim, há uma degradação da saúde mental dos indivíduos.
Como um indivíduo vai trabalhar em um ambiente de trabalho em que não possui seus direitos básicos respeitados? Ouvi relatos de pessoas que não conseguiam ir ao banheiro e acabavam trabalhando urinadas e defecadas. Nós estamos falando da situação de trabalho de um local que produz alimentos.
Perguntei para os trabalhadores entrevistados se eles comiam frango, e a maioria disse que não. Isso tem a ver com a qualidade do produto que é produzido, com o clima de trabalho que existe dentro da empresa.
IHU On-Line – Quais são os principais sintomas de doença do trabalho apresentado pelos trabalhadores de frigoríficos?
Leandro Inácio Walter – São geralmente problemas mentais: as pessoas evitam contato social, ficam deprimidas, algumas tentam cometer suicídio, outras apresentam quadros de sofrimento grave. Para se ter uma ideia, muitos dos trabalhadores que participaram da pesquisa vinham acompanhados de familiares, pois tinham medo de se perder na cidade. Eles relatavam que se esquecem das coisas, que chegavam ao mercado e não lembram o que iriam comprar, por exemplo.
IHU On-Line – Que mudanças são necessárias para se reverter o quadro de doenças do trabalho nos frigoríficos brasileiros?
Leandro Inácio Walter – Hoje, está em discussão a implantação da Instrução Normativa n. 47, uma norma regulamentadora que visa instituir pausas obrigatórias durante a jornada de trabalho. Acredito que esta é uma boa alternativa. No entanto, sabemos da dificuldade em relação à fiscalização das empresas pelos órgãos competentes. Certa vez, quando um trabalhador faleceu no setor de carga e descarga da empresa ao ficar preso nos elevadores que conduzem as caixas nas quais os frangos são depositados, o fiscal do trabalho só conseguiu entrar na empresa no dia seguinte com a presença da Polícia Federal. Então os órgãos de fiscalização também encontram dificuldades de fazer o seu trabalho.
IHU On-Line – Por que, em sua opinião, os sintomas psicológicos geralmente são ignorados na avaliação de saúde do trabalhador?
Leandro Inácio Walter – Porque ainda existe muito preconceito com relação às doenças mentais e às doenças ocupacionais do trabalho. Elas têm uma característica de invisibilidade: não se consegue fazer uma ressonância para mostrar que o sujeito entra em depressão por causa do trabalho. Os profissionais do INSS, que fazem a perícia, às vezes não estão preparados para trabalhar com esta demanda e com a saúde psíquica. Por outro lado, existe certo preconceito; eles dizem com frequência que o trabalhador está simulando sintomas, tentando obter ganhos para não trabalhar, etc. O próprio termo “estar encostado” remete à ideia de que o sujeito não está disposto a trabalhar, e isso gera constrangimento e sofrimento ao trabalhador.
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Charge online - Bessinha - # 837

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A morbidez terrível da mídia

Reproduzo o video da entrevista do presidente venezuelano Hugo Chávez. Lamento ter de transmiti-lo, porque é mórbido que um homem tenha de vir desmentir em público que esteja agonizando. Na virada desta madrugada li essa matéria sobre a internação em “emergência” de Chávez. Pesquisei e encontrei reproduzida em centenas de jornais do mundo.
Não comentei nem publiquei, porque depois de 34 anos de convívio com a imprensa – o que não é o mesmo que o jornalismo – já aprendi um pouco sobre do que ela é capaz.
A fala de Chávez, muito mais que engraçada, é um momento dramático para a imprensa mundial, que reproduz uma informação anônima, de um jornal de ultra-direita – “El Nuevo Herald”, de Miami – sem nenhum tipo de confirmação.
Coisa que nem um blog como este, com a informalidade que a falta de meios lhe obriga, faz.
Como profissional de imprensa, cada frase, mesmo dita em tom bem humorado pelo presidente Chávez, soa como uma bofetada em minha profissão.
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Ler Revista Veja dá nisso!!!

Tem que ter prisão perpétua para estupidez nesse país!!!
O sujeito gasta um dinheirão pra ir no Rock in Rio e leva uma faixa para Stevie Wonder LER!!!
Isso é o resultado de muita leitura do P.I.G.!!!
A classe média brasileira mostra ao mundo os seus "valores"!!!
Quando a Presidenta Dilma se empenha para extirpar a miséria no Brasil ela acerta PORÉM deveria incluir nos seus esforços erradicar a "miséria mental" também!!!
E é o P.I.G. quem promove essa "invalidez cerebral" no Brasil!!!
O que faz a polícia do Rio de Janeiro que não prende por desacato à inteligência um criminoso desta marca???
Ênio
No PTrem das Treze
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Portugal: Grande Manifestação - 1 de outubro


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Alarme dispara no PSDB

Tucanos estão assustados com a força do PSD e com o crescente protagonismo do PSB; presidente do partido, Sérgio Guerra, fala em impedir candidatura paulista em 2014, isolando Alckmin, Serra e FHC; Aécio, que restou, não inspira confiança
Uma nota publicada na coluna Painel, da Folha de S. Paulo, desta sexta-feira, informa que o lançamento prematuro da candidatura do senador mineiro Aécio Neves à presidência em 2014 é apenas uma tentativa de demarcar território, diante do crescente esvaziamento do PSDB como alternativa real de poder. Diz o texto: “O gesto de Aécio Neves, que saiu da hibernação para anunciar à bancada do PSDB a disposição de concorrer à Presidência contra Lula ou Dilma, foi interpretado em Brasília como resposta ao protagonismo crescente de Eduardo Campos (PSB), que fez da eleição da mãe ao TCU uma exibição de força, e Gilberto Kassab, que, de posse do registro definitivo de seu PSD, vai contabilizando adesões em número capaz de fazer a sigla eventualmente superar a bancada tucana na Câmara. Não por acaso, as especulações para 2014 passaram a incluir, entre as chapas possíveis, uma com Aécio e Eduardo – mas com o pernambucano na cabeça.”
É, de fato, delicada a situação do PSDB. Uma pesquisa interna do partido, encomendada pelo cientista político Antônio Lavareda, revela que as chances de José Serra numa eventual terceira tentativa de disputa da presidência seriam remotas. Por isso mesmo, o presidente do partido, Sérgio Guerra, tem dito que é preciso colocar rapidamente o bloco na rua, removendo antes “um obstáculo”. Por obstáculo, leia-se Serra.
Além disso, o partido sofre com o esvaziamento de sua bancada e a força crescente de dois partidos: o PSB, do governador pernambucano Eduardo Campos, e o PSD, do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. Dois partidos que, por sinal, podem atuar juntos em 2012 e 2014, com peso semelhante ao de gigantes como PT e PMDB.
Alternativa presidencial
Não por acaso, Eduardo Campos tem sido visto, crescentemente, como alternativa presidencial até por tucanos, como o próprio presidente do partido, Sérgio Guerra – em Pernambuco, ambos são aliados. Recentemente, Campos foi também convidado para palestrar na Casa das Garças, no Rio de Janeiro, onde foi sabatinado por intelectuais tucanos, como Edmar Bacha, André Lara Resende, Persio Arida e Elena Landau. Este grupo já enxerga em Eduardo Campos uma alternativa de poder mais forte do que em Aécio Neves, cujo modus vivendi talvez seja incompatível com uma disputa presidencial. Daí a possível chapa tendo Campos na cabeça e Aécio na vice. Os dois, por sinal, estão trabalhando juntos em algumas disputas municipais, como Belo Horizonte e Curitiba, onde dois candidatos do PSB – Márcio Lacerda e Luciano Ducci – terão apoio do PSDB.
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Bessinha sabe de tudo


O pseudo neo-corvo:

Michel Hulmann 
Masculino
Salto, SP
Brasil
    Se tiver estômago, veja mais aqui.
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    Aprovação de Dilma sobe de 67% para 71%, aponta Ibope

    Segundo a pesquisa, aprovação do governo aumentou de 48% para 51%.
    Instituto ouviu 2.002 eleitores; margem de erro é de dois pontos percentuais.
    A presidente Dilma Rousseff é aprovada por 71% dos eleitores, de acordo com pesquisa Ibope encomendada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e divulgada nesta sexta-feira (30). A pesquisa tem margem de erro de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, o que significa que a aprovação da presidente pode ser de 69% a 73%.
    Na comparação com levantamento realizado em julho e divulgado em agosto, a aprovação da presidente subiu quatro pontos percentuais - o índice era 67%.
    Dos entrevistados na pesquisa atual, 21% disseram desaprovar a presidente e 8% não souberam ou não responderam. O percentual de desaprovação em julho, que era de 25%, caiu quatro pontos percentuais conforme o Ibope.
    Entre 16 e 20 de setembro, o Ibope ouviu 2.002 eleitores com 16 anos ou mais em 141 municípios de todas as regiões do país.
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    Os 10 pecados capitais do governo Yeda (ou: A Farsa do Déficit Zero)

    Heil, tucanus!
    Todo jornalista gaúcho que escreve sobre economia e política deveria ter como leitura obrigatória as mais de 500 páginas que integram o volume do “Relatório das Contas do Governador”, anualmente elaborado e disponibilizado no site do Tribunal de Contas do Estado (TCE/RS). Neste início de setembro o TCE tornou pública a análise das Contas de 2010 da ex-governadora Yeda Crusius. Leitura longa, pesada, técnica, mas que vale a pena porque contém uma análise completa das principais ações (ou omissões!) do governo no exercício anterior, contendo informações preciosas, na sua grande maioria desconhecidas do grande público. E este Relatório/2010 tem sua importância acrescida porque completa o ciclo de quatro anos de um governo, registrando os dados finais da gestão 2007/2010, revelando, também, a situação encontrada pelo governo que assumiu a nova gestão.
    Os especialistas em marketing – atividade que sempre considerei duvidosa – mas que, sem qualquer dúvida, altamente valorizada nas assessorias políticas, afirmam com convicção que mais importante do que aquilo que um governo faz é a sua capacidade em constituir símbolos que construam uma marca que identifique o governo e que consolide a sua desejada imagem positiva no imaginário da população. Yeda escolheu como sua marca o “déficit zero”, símbolo e idéia síntese da desejada recuperação financeira do Estado.
    A mídia local, especialmente a RBS com especial destaque para a colunista política da página 10 de ZH, contribuiu decisivamente para consolidar a falsa marca do governo Yeda, o déficit zero. Algo que, todas as pessoas medianamente informadas sabem, nunca existiu. Tivemos no Rio Grande do Sul no quadriênio 2007/2010 um “governo zero”. E a sua marca verdadeira foi o “déficit moral”.
    Compra de uma casa cujo valor e a origem dos recursos foram questionados e até hoje não devidamente explicados, mobiliada e decorada com recursos públicos foi apenas o começo de uma longa escalada de um sem número de escândalos, de acusações de desvios de recursos públicos, de licitações fraudadas e de superfaturamento de contratos. O badalado saneamento financeiro nunca existiu, nem sequer foi buscado. O Relatório 2010 do TCE/RS torna absolutamente claro que este foi um governo que:
    1º) Beneficiou e protegeu os grandes: a prova disso é que, em 2006, as 500 maiores empresas foram responsáveis por 76% do ICMS arrecadado; em 2010 este percentual se reduziu para apenas 63%;
    2º) Cerceou as ações fiscalizadoras do Controle Externo, fato da maior gravidade pois impediu a apuração das concessões e fruições de benefícios fiscais, moeda de troca dos partidos para obtenção de recursos de empresas;
    3°) Encerrou 2010 com uma dívida fundada que, somada às dívidas de INSS com prazo superior a 12 meses e mais os precatórios a pagar, atingiu a astronômica cifra de 55,5 bilhões de reais;
    4º) Que deixou de aplicar os 35% da Receita Líquida de Impostos e Transferências (RLTI), desviando 4 bilhões de reais que deveriam ser destinados à educação;
    5º) Que destinou em 2010 apenas 6,8% da RLTI para a saúde pública, despendendo 925 milhões a menos do valor que deveria ter sido aplicado;
    6º) Deixou no final de 2010 um saldo negativo de 4,6 bilhões de “saques a descoberto” do SIAC (conta caixa único) montante que deve ser acrescido de outros 612 milhões de reais do saldo pendente de remuneração dos valores das contas;
    7º) Que terminou seu período de governo com um déficit previdenciário de 4,8 bilhões de reais. Este déficit segundo as projeções atuariais crescerá até 2027, quando atingirá o valor de 7 bilhões/ano. Nas próximas décadas o caixa da fazenda estadual deverá a cada dez anos despender, em média, 40 bilhões de reais para atender o déficit das aposentadorias e pensões;
    8º) Que desviou 719 milhões do FUNDEB;
    9º) Que em 2010 não empenhou 127 milhões de pagamento de integralidade de pensões e mais 82 milhões de débitos com hospitais e médicos;
    10º) Que fechou 2010 devendo 1,7 bilhões de créditos fiscais dos contribuintes exportadores.
    Além destes dez “pecados capitais”, há no Relatório TCE muitos outros. A lista é por demais extensa: o espaço de um artigo é insuficiente e se citássemos todos certamente esgotaríamos a paciência do nosso leitor. Foram motivos suficientes e determinantes para que o Procurador-Geral do Ministério Público de Contas, Geraldo Da Camino, através do Parecer 7012/2011, dia 21 de julho passado se manifestasse contrário à aprovação das contas da governadora Yeda. Alguns dias depois o Conselheiro Marco Peixoto, um ex-deputado do PP, partido da base do governo Yeda, encaminhou novo Parecer propondo a aprovação e que obteve maioria de votos no Pleno do Tribunal.
    Fica uma importante indagação: como explicar que um governo com este pífio desempenho foi ao longo de seus quatro anos tão carinhosa e amistosamente tratado e retratado pela mídia? Desinformação? Falta do necessário espírito investigativo e da busca do contraditório, pilares do verdadeiro jornalismo?
    Nada disso. A resposta está no próprio Relatório TCE/2010. O governo Yeda gastou, a preços atuais, a “bagatela” de 664 milhões em publicidade, ou seja, quase 170 milhões de reais por ano. Três quartos deste montante com recursos das empresas estatais e quase dois terços pagos pelo Banrisul. O banco estadual gastou 411 milhões em publicidade e deste montante, apenas 7% de publicidade legal, obrigatória, 93% foram aplicados em publicidade promocional do banco e dos programas do governo. Só em 2010 o banco gastou 108 milhões, valor que correspondeu a 14% do seu lucro no exercício. Boa parte desta despesa feita de forma irregular, sem autorização legislativa. E, também, em campanhas publicitárias que estão sendo investigadas – pela existência de fortes por indícios de superfaturamento e de desvios – objeto da operação Mercari, em andamento na Polícia Federal.
    O acionista do Banrisul assistiu – passivo – um festim pago com recursos que deveriam ser destinados a pagar os dividendos a que tem direito E os milhares e milhares de correntistas agora sabem porque pagaram ao banco taxas e mais taxas e juros tão elevados.
    Paulo Muzell
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    Desconstruindo a Divisão do Pará - 3

    Continuando a observar unidades territoriais federadas de grande dimensão territorial, com problemas e situações econômicas e sociais próximas às do Pará, veremos duas outras entidades sub-nacionais similares, o Québec, no Canadá, e a Mongólia Interior, na China.
    Québec, no Canadá
    Outro exemplo de espaço similar, importante de ser comparado ao Pará, é a província canadense do Québec, semelhante a nosso estado em área e população: 1,36 milhão de km2 e 8 milhões de habitantes. E também muito semelhante em sua dimensão econômica, pois algumas das principais atividades locais são a mineração, a indústria madeireira e a agroindústria.
    O Québec possui um projeto de desenvolvimento regional extremamente bem articulado: o Governo Provincial soube tomar proveito das diferentes regiões da província, fazendo com que as atividades de uma apoiassem as atividades de outra e levando o desenvolvimento. Porém, nem sempre foi assim. Província de cultura francófona numa colônia britânica, o Québec muitas vezes se viu prejudicado em seu papel federativo. Fortes fatores políticos e econômicos fizeram com que não recebesse a mesma atenção que outras províncias, sobretudo a de Ontário, sua vizinha, que contou com fortes investimentos federais e privados, aos longo de décadas, para deslocar para lá o centro econômico do país, antes localizado em Montréal.
    No final dos anos 1960, porém, procurando se motivar pela chegada ao governo canadense de um francófono muito respeitado em todo o país, Pierre Trudeau – Primeiro Ministro entre 1968 e 1984, com uma única interrupção, de um ano, em 1979 –, a província do Québec partiu para o ataque: conseguiu articular um plano provincial de desenvolvimento de grande envergadura. A motivação era, justamente, encontrar, na diversidade cultural local, um fator de polarização em relação ao Estado nacional canadense. Isso permitiu a unificação dos habitantes da província e sua coesão em trono de seu “projeto nacional”.
    Os passos iniciais foram a verticalização produtiva do ciclo da mineração, a renovação do parque industrial e a modernização dos portos provinciais, sobretudo o de Montréal, para permitir o escoamento dessa produção. Esse processo teve ainda, como instrumentos de catalização, a preparação de Montréal para abrigar a exposição universal de 1967 e os Jogos Olímpicos de 1976. Esse projeto regional atravessou diversas etapas, sempre se renovando, conforme o cenário geopolítico nacional e internacional.
    Assim, por exemplo, ao longo dos anos 1990 se criou condições para uma forte industrialização das regiões ao longo do rio São Lourenço, que apresentava altos índices de desemprego e um parque industrial precisando de reconversão por meio da verticalização da cadeia mineral. Com isso, se beneficiou o minério produzido a oeste da pronvíncia, gerando infra-estrutura e emprego por lá e produzindo vantagens fiscais e comerciais que beneficiavam agentes dos dois territórios.
    O projeto regional do Québec procura potencializar o desenvolvimento coeso do território, associando a nova fronteira de mineração, nas regiões de Abitibi-Témiscamingue e de Sanguenay-Lac-Saint-Jean com a renovação dos pólos industriais de Montérégie e de Estrie.
    A província tem se esforçado para reconverter as regiões de Maurice, Gaspé e Bas-Saint-Laurent em núcleos de turismo e, por outro lado, para apoiar a diversificação econômica das regiões de Centre, Laval, Lanaudiere e Outaouais na oferta de serviços.
    A variação geográfica do Quebec é imensa; maior e mais complexa que a do Pará. E as condições de acessibilidade são, em função do clima, extremamente mais difíceis. Por lá se encontram ecossistemas de tundra, taiga, clima ártico, subártico e florestas boreais. Zonas de florestas se sucedem a planícies e regiões montanhosas. Ademais, o relevo recortado e com muitos pontos inacessíveis dificulta bastante a navegação de cabotagem.
    Nada disso impediu sua governabilidade. Nem mesmo as tensas relações políticas coloniais, que se sucederam, apos à independência do pais, em novas práticas de imperialismo interno e em conflitos culturais graves, que se davam em planos lingüísticos diferentes.
    Mesmo com todas essas dificuldades, o Québec soube preservar sua unidade regional e construir sua força, justamente, a partir dessa unidade. Se fosse um Estado independente, hoje, o Québec seria a 37a economia mundial. Uma situação bem diferente da verificada há quarenta anos apenas.
    Nos últimos dez anos um novo projeto regional – ou melhor, uma nova atualização do velho projeto regional – passou a fazer toda a diferença: é a economia do conhecimento. A decisão de aplicar o equivalente a 3% do Produto Interno Bruto em pesquisa científica. Isso significa quase o dobro do que a União Européia investe em ciência e tecnologia. E quase o triplo do que o Canadá, como um todo, investe no mesmo setor.
    O resultado é a expansão do setor aeronáutico – que já era um setor de excelência na província –, das tecnologias de produção de celulose e papel, das indústrias criativas, da indústria de softwares e das tecnologias de informação. A chamada “economia do conhecimento já responde por cerca de 30% de toda a economia da província.
    Também merece destaque o avanço na agroindústria. Até os anos 1980 havia uma grande produção agrícola mas pouca industrialização. O setor foi dinamizado, desde então, por meio da pesquisa tecnológica: a pesquisa financiada pelo Estado resolveu pequenos entraves locais e se iniciou um poderoso avanço das indústrias locais de processamento, estocagem e distribuição de alimentos. O setor responde, hoje, por 8% do PIB do Québec, gerando 19 bilhões de dólares, anualmente, em volume de negócio e emprego para 487 mil pessoas.
    O Québec pode oferecer excelentes lições ao Pará, porque enfrentou desafios bastante semelhantes aos nossos – e as razões de seu êxito se deveram, principalmente, à capacidade dos agentes locais de construírem um projeto político regional, que maximizasse os potenciais naturais existentes distribuindo o desenvolvimento de forma coesa sobre o território.
    Mongólia Interior, na China
    Na China, com área territorial semelhante à do Pará (1,18 milhão de km2), há a província autônoma da Mongólia Interior. Ainda que tenha uma população 2,5 superior (24,7 milhões de habitantes), essa província guarda outras semelhanças interessantes com nosso estado. Antes de tudo, a localização geográfica descentrada, em relação ao núcleo econômico e político nacional, mas também a diversidade geográfica, cultural e econômica. São 55 nacionalidades, com diversos conflitos culturais e étnicos e várias línguas e religiosidades diferentes. O relevo é recortado por muitos rios – vias principais de comunicação e de integração regional –, mas o principal elemento é o recorte regional complexo. Basta olhar num mapa a forma da Mongólia Interior para se perceber a dificuldade de integrar essa província e de mantê-la unida dentro de um projeto político e de desenvolvimento comum.
    Todas essas dificuldades exigem uma grande capacidade de negociação por parte do governo local. Ainda mais porque a atividade mineradora, a principal da província, contribuiu grandemente para o aumento das tensões sociais. A província possui 25% das reservas minerais da China. São 250 bilhões de toneladas já comprovadas de minerais e o dobro disso em prospecção. Em primeiro plano, recursos importantes de carvão e gás, mas também têm sido encontrados, por lá, muitos depósitos de minérios raros, como berílio, nióbio e zircônio.
    Em função dessas riquezas minerais, a relação dos poderes políticos locais com o Estado chinês tem sido difícil. A determinação da China de duplicar a extração de carvão entre 2005 e 2010, alcançando as 500 milhões de toneladas/ano, com investimentos que nem sempre foram acompanhados dos necessários investimentos sociais correlatos, produziram tensões, problemas de infra-estrutura e subemprego.
    A população considerava que o Estado chinês, que comanda a extração mineral, procedia de maneira desrespeitosa e agressiva, tomando decisões autoritárias e sem gerar contrapartidas. O carvão mineral, como se sabe, tem sido uma eterna fonte de tensões sociais ao longo da história. A vizinha região chinesa da Mandchúria que o diga: apesar de sua riqueza cultural e histórica fabulosa, da vivacidade de seu povo e de seu posicionamento geográfico sensível, foi uma sociedade também devastada pela economia do carvão. Os mesmos problemas a Mongólia Interior experimentou, com tensões internas aparentemente insolúveis e uma baixa generalizada da auto-estima local.
    Porém, essas diferenças internas e a crise institucional que ela gerou, se acomodaram a partir do momento em que foi possível construir um plano comum, racional e inteligente, de desenvolvimento regional. E base da construção desse plano comum foi, justamente, a atividade mineradora.
    As reivindicações locais eram, basicamente, pela utilização do carvão produzido pela província no próprio território provincial. Não que não haja um processo de industrialização em curso, tal como no restante do país. De fato, há indústrias metalúrgicas, químicas, manufatureiras, energéticas e de alta tecnologia; porém, o desejo por uma industrialização mais completa, associada a uma ocupação estratégica do território, estão na raiz das aspirações locais.
    Mesmo na China, Estado centralizador, se tornou possível que os poderes públicos das unidades territoriais, unidos com o empresariado local e, sempre, a partir de bons planos de regionalização do desenvolvimento e de internalização de renda.
    Nesse processo, algumas indústrias sediadas na província cresceram e ganharam espaço no cenário nacional. Dentre elas, pode-se citar a Erdos, a Yili e a Mengniu, que adquiriram grande reputação e são modelos do desenvolvimento chinês contemporâneo.
    Esse planejamento eficaz do desenvolvimento, baseado na integração regional, permitiu que o PIB da Mongólia Interior crescesse 16,9% entre 2008 e 2010, atingindo, nesse ano, a marca de 1,16 trilhão de yuans (US$ 172,1 bilhões).
    O modelo de desenvolvimento utilizado foi similar ao já empreendido em outras províncias chinesas, notadamente Sichuan e Guangdong: o estabelecimento de cadeias produtivas cujo núcleo era a tecnologia – associada a zonas de produção privilegiadas e a projetos de qualificação de mão-de-obra.
    Foi assim que nasceram a Zona de Desenvolvimento Industrial de Baotou, vinculada ao Parque de Tecnologia de Terras Raras de Baotou; a Zona de Processamento de Exportação de Hohhot; a Zona de Desenvolvimento Tecnológico de Hohhot; e a Fronteira de Cooperação Econômica de Erenhot.
    Esses espaços decorreram, todos eles, de iniciativas do Governo Provincial. Foram apoiadas pelo poder central e receberam investimentos do setor privado, mas se não fosse a iniciativa do Governo Provincial, não teriam acontecido. O princípio filosófico dessas estruturas de pesquisa e plantas industriais decorre de um simples cálculo estratégico: identificar os potenciais econômicos presentes no território (riquezas naturais, mão de obra, infraestrutura, etc), construir uma pactuação entre Estado, sociedade civil e empresários em torno do projeto; criar parques de tecnologia que tenham por objetivo maximizar a valorização das cadeias produtivas locais.
    Para concluir, gostaria de observar, ainda, um outro aspecto do projeto de desenvolvimento territorial dessa província chinesa: o fator energético. A solução energética também partiu do governo local, que procurou associar a província à produção de energia limpa, no caso a eólica, numa grande resposta às criticas internacionais feitas à construção da usina hidrelétrica de Três Gargantas, pelo Governo central chinês, numa outra região do país.
    Atualmente, a Mongólia Interior gera 5,4 bilhões de Kw em energia eólica, o equivalente a 30% das energias limpas do país, o que contribui para atrair investimentos essenciais nos parques produtivos que utilizam essa energia.
    Comentário
    O que se deduz dessas comparações entre o Pará e outras unidades territoriais de tamanho e estrutura semelhante?
    Em primeiro lugar, que a extensão territorial não é um problema em si mesmo. Se fosse, os outros territórios observados não teriam conseguido os níveis de desenvolvimento que alcançaram.
    Também se observa que as dificuldades geradas pela diversidade sub-regional, nessas unidades territoriais, demandam projetos inteligentes de articulação social e econômica. É preciso bem mais do que “governos itinerantes”: é preciso projetos de integração regional e de distribuição do desenvolvimento.
    Enfim, se observa que projetos como esses exigem uma pactuação social. É preciso que os agentes políticos sejam agentes racionais e éticos. E que pensem, centralmente, no desenvolvimento coletivo. É preciso construir um projeto de coesão sociocultural, um projeto de destino.
    O Pará precisa reinventar seu modelo de gestão. É preciso criar uma fórmula inovadora, tanto para o executivo como para o legislativo estadual. Os separatistas, no fundo, mais do que a divisão do estado, reivindicam maior participação nas estruturas de poder. Isso é mais do que legítimo: é econômica e politicamente necessário.
    Continua
    Fábio Fonseca de Castro
    No Hupomnemata
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    Charge online - Bessinha - # 836

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    Em Londres, Lula cobra G-20 e pede nova governança

    "Não dá para os países tomarem decisões unilateralmente", disse o ex-presidente
    O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje que é preciso criar uma nova governança global para encarar a crise. Ele avalia que o G-20 precisa aproveitar a próxima reunião, em novembro, para se consolidar como o fórum de tomada de resoluções. "Não dá para os países tomarem decisões unilateralmente", afirmou hoje, durante palestra em evento organizado pela revista britânica The Economist, em Londres.
    Lula avalia que o G-8 perdeu importância, diante da entrada de novos atores no cenário mundial. Ele também disse que o G-20 não cumpriu as promessas feitas na reunião de 2009, em Londres, de democratizar o grupo, regular o sistema financeiro e acabar com os paraísos fiscais. "Para os Estados Unidos e a Europa, a crise já estava resolvida, mas não estava."
    O ex-presidente disse que, nas reuniões do G-20, "parece que não existe problema". "Só percebemos que existem problemas pela imprensa", afirmou.
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    TV Record não é a nova TV Excelsior

    Até hoje, no âmbito cultural, não recuperamos o caminho perdido em 1964. Quando vemos que a intelectualidade de esquerda é submetida, ainda, aos valores da direita cultural, com o paternalismo ao povo pobre prometido por esta, isso significa que até agora muitas feridas deixadas pelo regime militar ainda não foram cicatrizadas.
    Pelo contrário, como vemos em nossos textos, vemos parte da direita brasileira se fantasiar de "esquerdista", fazendo falsos ataques à Folha, Globo, FHC e outros ícones da mídia e da política direitistas, e enganando a intelectualidade esquerdista afogada ainda nos seus preconceitos de classe média que só contemplam o rádio portátil da empregada.
    Só isso mistura pseudo-esquerdistas e esquerdistas ingênuos, que veem cabelo em ovo e acreditam que a direita não mexeria no tema cultura, que desliza pela mídia como um misto de virgem imaculada e bebê inocente, que transitaria pela Barão de Limeira (sede da Folha de São Paulo) e pela Casa Amarela (sede de Caros Amigos) com a mesma serenidade.
    Não é bem assim. A cultura de direita quer empurrar mesmo os seus valores para a intelectualidade de esquerda acreditar, sob o pretexto de que tais valores são "generosos" com o povo pobre, para tentar neutralizar o avanço de políticas de centro-esquerda com a manutenção dos mesmos valores culturais vigentes nos tempos de Geisel, Sarney, Collor e FHC.
    A ingenuidade ocorre de tal forma que muitos veem um maniqueísmo grosseiro entre duas principais redes de televisão do Brasil, a Rede Globo e a Rede Record.
    Certamente, a Rede Globo seria, de fato, a mídia direitista, conservadora, alinhada com os interesses das classes dominantes e uma das porta-vozes do imperialismo norte-americano (se bem que essa palavra, "imperialismo", tornou-se gasta no jargão esquerdista).
    No entanto, a visão ingênua dos esquerdistas mais ingênuos, vários deles realmente iniciantes, embora reconheça corretamente o lado ideológico das Organizações Globo, comete o equívoco de contrapor a ela, de forma grosseiramente generalizada, a Rede Record, tida como "necessariamente esquerdista".
    Alguns desses ingênuos, mal saídos das escolas de Comunicação, até tentam, assim que conhecem a história da televisão, criar uma analogia equivocada da Rede Record atual à extinta rede de televisão Excelsior, surgida em 1960 e administrada pelo dono da extinta empresa de aviação Panair, Mário Wallace Simonsen.
    Simonsen - não confundir com o banqueiro direitista Mário Henrique Simonsen - era amigo de João Goulart e Leonel Brizola, e era um empresário que, apesar do seu poder econômico expressivo, tinha uma mentalidade centro-esquerdista. O IPES até tentou cooptá-lo, na sua "frente ampla" contra Jango, mas Wallace Simonsen manteve seus princípios e foi fiel a Jango e suas causas até mesmo depois do golpe.
    A TV Excelsior, evidentemente, não era, por si só, uma televisão esquerdista. Mas tinha uma programação de qualidade num tempo em que até a direita cultural primava pelo respeito à cultura e ao ser humano. E a TV Excelsior também tornou-se conhecida por ter inovado o telejornalismo brasileiro, ao mesmo tempo interessante, instigante, honesto e digno.
    A ditadura militar rompeu com isso, e hoje temos uma televisão que soa debilóide, viciada e desinteressante, apesar de hipnótica e tendenciosa. E a ditadura perseguiu a bem administrada TV Excelsior até estrangulá-la política e financeiramente em 1970.
    Pois a Rede Record, que naqueles idos de 1963-1964 não era rigorosamente Rede Record, mas Emissoras Unidas, com parcerias feitas sobretudo com a carioca TV Rio, teve outro dono então, a família Machado de Carvalho que, em parte, passou a controlar também as rádios Panamericana (hoje Jovem Pan 1 e Jovem Pan 2).
    Mas, passando por outros controles acionários, a Record, desde 1992, é controlada pelo pastor Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, complexo religioso surgido sob inspiração da Igreja Nova Vida, fundada pelo pastor Robert McAlister em 1960.
    Juntando vários contextos diferentes num país hoje em crise de valores sócio-culturais como o Brasil, certamente a Rede Record nem de longe é a nova TV Excelsior, e muito menos Edir Macedo é o novo Mário Wallace Simonsen.
    Em que pese a Record ter em seu elenco gente realmente inclinada à mídia esquerdista, como Paulo Henrique Amorim, Luiz Carlos Azenha, Rodrigo Vianna e Heloísa Villela, eles não refletem necessariamente o perfil da emissora, que na prática é uma grande salada ideológica.
    Eles são até uma ilha de integridade e inteligência (embora se critique certas posturas de PHA) mesmo dentro do jornalismo da Record, que não é totalmente ligado às mídias progressistas. E seria muita tolice acharmos que até Gugu Liberato virou esquerdista. Além disso, até agora Rodrigo Faro não nos brindou, e nem está interessado em nos brindar, com uma imitação de Fidel Castro ou de Che Guevara discursando para a população. E já fizeram 50 anos da famosa condecoração de Jânio Quadros ao famoso Che.
    O fato do jornalismo da Record não ser totalmente esquerdista e nem representar uma unidade de forças progressistas se explica desta forma:
    Primeiro, porque há o tal "jornalismo mundo-cão". Ainda que Wagner Montes seja filiado ao Partido Democrático Trabalhista (PDT), ele trabalha com um tipo de noticiário grosseiro, vulgar, que nada tem a ver com os movimentos sociais, de fato. E sua origem vem do mesmo O Povo na TV (programa lançado pelo SBT há 30 anos) que o "petebista" de alma demotucana, Roberto Jefferson.
    Segundo, porque recentemente entrou na Record o jornalista Heródoto Barbeiro, que, pelo seu passado remoto (ele chegou a ser filiado à ARENA) e recente (visão tecnocrática e jornalismo conservador) direitistas, e pelo rompimento relativo com o demotucanato, tornou-se uma espécie de Gilberto Kassab do telejornalismo, investindo no mesmo padrão abrangente, mas domesticado de telejornalismo da Rede Bandeirantes / Band News.
    E, terceiro, porque, falando em Rede Bandeirantes, a quase entrada de José Luiz Datena no telejornalismo da Rede Record quase o faria pseudo-esquerdista, não fosse as posições claramente direitistas que Datena deixou passar e, quando voltou à Band, reafirmou quando era entrevistado pelos membros do programa humorístico CQC, notório pelo direitismo (Marcelo Tas no Instituto Millenium, Rafinha Bastos com posturas machistas).
    Agora, algumas posturas fazem com que a Rede Record demonstre estar enquadrada na mesma mídia conservadora de Globo, Band e SBT. Ou mesmo da TV Cultura "tucana". Não bastasse o setor de entretenimento ser bastante popularesco - o portal R7 chega a ser um paraíso astral para a breguice reinante no nosso país - , a Record seguiu a mesma cartilha da Globo na cobetura do 11 de Setembro, da hidrelétrica de Belo Monte e das passeatas contra a corrupção.
    Certamente isso é de parte de um jornalismo que não é o dos integrantes do Centro de Estudos de Mídia Alternativa Barão de Itararé, mas de outros membros não alinhados com a mídia esquerdista. Afinal, existe uma rotatividade de profissionais da Globo para a Record, da Globo para a Band, ou vice-versa, que não há como realizar uma ruptura ideológica consistente.
    Quanto ao dono Edir Macedo, nem precisam maiores comentários. Seu caráter manipulador, como líder religioso, além de corrupto e tendencioso, já tornaram-se famosos.
    O que deve valer, na análise de Amorim, Azenha, Vianna e seus parceiros, é aquela máxima que vemos nas fichas técnicas dos veículos de imprensa em geral: "as opiniões que eles transmitem não refletem necessariamente a visão do veículo de comunicação ao qual fazem parte".
    Alexandre Figueiredo
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    Charge do Tiago Recchia

    No Gazeta do Povo
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    Questionando o poder político da igreja

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    A UDN, os IPMs e a mídia brasileira

    O "jornalismo de denúncia" que se tornou hegemônico na grande imprensa traz o componente de julgamento sumário dos IPMs pós-64 e o elemento propagandístico udenista do pré-64. Assume, ao mesmo tempo, as funções do julgamento e da condenação, partindo do princípio de que, se as instituições não funcionam, ele as substitui.
    Logo após o golpe militar de 1964, os "revolucionários", inclusive os de ocasião, aproveitaram o momento de caça às bruxas para eliminar adversários. O primeiro ato institucional cuidava de tirar da arena política os que haviam cometido "crimes de opinião", condenados no rito sumário de uma canetada, de acordo com os humores das autoridades de plantão.
    Os Inquéritos Policiais Militares (IPMs) davam conta dos opositores que não podiam ser enquadrados na acusação de subversão: eram tribunais que, simultaneamente, investigavam e condenavam acusados de corrupção. Sem direito à defesa num caso e no outro, os políticos incômodos aos novos donos do poder saíam de cena, pelas listas de cassados publicadas pelo Diário Oficial, ao arbítrio dos militares, e pelos resultados de inquéritos aos quais não tinham acesso nem para saber por que estavam sendo cassados.
    A bandeira da anticorrupção tomada pelos militares do braço civil da revolução, a velha UDN, que havia comovido as classes médias, foi consumada pelos IPMs. A presteza da exclusão de "políticos corruptos" [aqui entre aspas porque os processos não foram públicos e eles não tiveram direito à defesa] do cenário por esse mecanismo era um forte apelo às classes que apoiaram o golpe, ideologicamente impregnadas pelo discurso udenista anticorrupção que prevaleceu na oposição a João Goulart, antes dele a Juscelino Kubitschek, antes de ambos a Getúlio Vargas, na falta de uma proposta efetiva que permitisse a essa parcela da elite conquistar o poder pelo voto.
    Era, no entanto, uma via de mão dupla: ao mesmo tempo em que satisfazia os anseios de moralização da política da classe média e das elites (o número de punições e a exposição pública dos supostos meliantes conta muito mais para o público conservador do que a justeza da condenação), era um instrumento de reacomodação das forças políticas civis que se dispunham a dar apoio ao poder militar. A delação - tanto política como moral - foi usada para redefinir a geografia do mando local, os grupos preferencialmente perfilados ao novo governo.
    O fiscal de quarteirão não era um parceiro a ser desprezado pelo novo regime: foi uma peça importante na reacomodação de forças políticas e deu número, volume amplificado, às supostas apurações de denúncias de corrupção. Quanto maior o número de cassações por desvio de dinheiro público que saíssem no Diário Oficial, mais a imagem de moralização era imprimida ao poder militar, independentemente da culpa efetiva dos punidos. Os inocentes jamais tiveram chances de provar a sua inocência. Mesmo devolvidos à vida pública após 10 anos de cassação (essa era a punição), carregaram por toda a vida a pecha de "cassado por corrupção".
    Existiam os casos de políticos notoriamente corruptos, é lógico, mas após 10 anos de cassação eles voltaram à arena eleitoral dispostos a convencer os seus eleitores de que eles haviam sido injustiçados. Tinham mais capacidade para isso do que os punidos injustamente, até porque eram chefes de grupos políticos locais e nesses lugares a política de compadrio se misturava e se aproveitava da corrupção para manter votos em regiões de baixa escolaridade e muita fome.
    É tênue a linha que separa o julgamento sumário - pelo Estado ou por instituições que assumem para si o papel de guardiães plenipotenciários da justiça e da verdade - da injustiça. O "jornalismo de denúncia" que se tornou hegemônico na grande imprensa traz o componente de julgamento sumário dos IPMs pós-64 e o elemento propagandístico udenista do pré-64. Assume, ao mesmo tempo, as funções do julgamento e da condenação, partindo do princípio de que, se as instituições não funcionam, ele as substitui. Da mesma forma que o IPM, a punição é a exposição pública. E, assim como os Estados de regimes autoritários, o direito de defesa é suprimido, apesar da formalidade de "ouvir o outro lado"?.
    Este é um lado complicado da análise da mídia tradicional porque traz junto o componente moral. Antes de assumir o papel de polícia e juiz ao mesmo tempo, consolidou-se como porta-voz da moral udenista. Hoje, as duas coisas vêm juntas: o discurso de que a política é irremediavelmente corrupta e a posição de que, sem poder na política institucional, já que está na oposição, a mídia pode revestir-se de um poder paralelo e assumir funções punitivas. A discussão é delicada porque, não raro, quem se indispõe contra esse tipo de poder paralelo da imprensa é acusado de conivente com a corrupção, mesmo que a maioria das pessoas que ouve o argumento reconheça que o julgamento da mídia tradicional é ilegítimo, falho e tem um lado, isto é, não é imparcial.
    O marketing da moralidade vende muito jornal e revista na classe média, mesmo quando os erros do julgamento sumário pelas páginas da imprensa sejam muitos e evidentes. O udenismo também tem o lado da propaganda política, de desqualificação do processo democrático - não está em questão o fato de que existem políticos corruptos, mas a ideia de que a política é, em si, corrupta.
    Diante desse histórico da imprensa brasileira, a notícia da tal Folhaleaks é particulamente preocupante. Em vez de Wikileaks - uma organização não governamental que lida com informações vazadas de governos e as submete ao escrutínio da apuração de veículos para divulgação - é Folhaleaks: um canal aberto a denúncias anônimas, que podem envolver os mais diversos e obscuros interesses por parte de quem denuncia. O risco é que essa forma de captação da informação reinstitua a política da denúncia do fiscal de quarteirão, mas desta vez executada não pelo Estado, mas como demonstração do poder de fazer e desfazer reputações que se autodelegou a mídia.
    Maria Inês Nassif, Colunista política, editora da Carta Maior em São Paulo.
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    29 de set de 2011

    Serra tira PSDB do seu blog e do twitter

    Stanley Burburinho informa:

    Reparei que o Serra tirou do perfil dele no Twitter (@joseserra_) e no site (http://t.co/WS0MQP7) qualquer referência ao PSDB.
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    Charge online - Bessinha - # 835

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    Justiça do RS autoriza interrupção de gravidez de feto anencéfalo

    A Justiça do Rio Grande do Sul autorizou a interrupção da gestação de um feto anencéfalo para uma mãe na 16ª semana de gestação. A decisão, do dia 26, foi divulgada nesta quarta-feira (28). O juiz considerou que, embora o tema seja polêmico no Brasil, nestes casos devem ser levados em consideração apenas os aspectos médico-científicos e jurídicos.
    Baseado em exames e atestados médicos, o juiz da 1ª Vara do Júri Leandro Raul Klippel concluiu que era certa a morte do feto após o nascimento, bem como a intervenção se faz necessária a fim de preservar a saúde física e psicológica da gestante. De acordo com os exames realizados, o feto tem má formação do crânio e defeito de fechamento da parede abdominal, deixando expostos o fígado e partes do intestino e do coração.
    A mãe, moradora da cidade de Porto Alegre, estava na 16ª semana de gestação. O pedido foi ajuizado na última sexta.
    Na avaliação do magistrado, no caso presente não se pode falar em aborto (tipificado como crime pelo Código Penal), pois esse pressupõe a presença de feto com viabilidade de vida. “Parece lógico que o legislador pretendeu reprimir a interrupção da gravidez que tenha efetivamente potencial para gerar vida, assim considerado a existência autônoma de um ser independentemente daquele que lhe deu origem, no caso, a mãe”, escreveu.
    O juiz concluiu que o pedido configura interrupção de gravidez por inviabilidade do feto e que a autorização para o procedimento somente antecipa um fato inevitável, evitando maiores sofrimentos.
    No Sul21
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    Depoimento de professores do Ceará sobre a recepção do governador

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    DEMo: esquizofrênico e na extrema unção, perto de confirmar profecia de Lula

    Lula, além de doutor honoris causa aqui e alhures, é um profeta.
    Em setembro de 2010, o ex-presidente propôs uma ideia que está cada vez mais próxima de se realizar. “Precisamos extirpar [o DEM] da política brasileira”, disse Lula, em ato da campanha de Dilma Rousseff à presidência, em Santa Catarina.
    Um ano depois, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reconheceu a existência do Partido Social Democrático (PSD) e deixa o Democratas – ex-Arena, ex-PDS, ex-PFL – muito perto de receber a extrema unção, para citar a expressão utilizada pelo deputado federal Domingos Dutra (PT-MA), em reunião da Comissão de Direitos Humanos da Câmara, nesta quarta-feira (28).
    Adieu, PFL!
    Dutra não se referiu ao Democratas por acaso. O partido é o principal adversário das políticas afirmativas implementadas com vigor a partir do governo Lula, embora num ritmo ainda muito aquém da demanda gerada pela dívida secular do Estado com os negros e outros segmentos sociais.
    O DEMo é opositor de um conceito igualitário tão antigo quanto a democracia grega, a equidade, que prega o tratamento desigual a atores desiguais, de modo a torná-los mais iguais. Para o DEMo, o ideal “todos são iguais perante a lei” é o sumo princípio de regulação do convívio social, pouco importando se, no mundo real/material, as diferenças entre um senador e uma faxineira, ou entre um empresário multimilionário e um garçon, sejam abissais.
    Esquizofrenia ideológica - Essa defesa ferrenha do ideário liberal clássico, entretanto, não impediu que um dos quadros do DEMo no Congresso, o deputado Onyx Lorenzoni (RS), cometesse um ato de esquizofrenia ideológica, em recente sessão da Comissão de Constituição e Justiça.
    Na afoiteza de atacar uma matéria do governo – a prorrogação da DRU (Desvinculação de Receitas da União) – que estava sendo debatida na CCJ, o parlamentar gaúcho, integrante da bancada ruralista, citou o filósofo esquerdista italiano Norberto Bobbio para defender os chamados “direitos de terceira geração”, notadamente o direito ao meio ambiente [confira o vídeo abaixo].
    O saudoso Bobbio deve ter se revirado no túmulo ao “ouvir” um autêntico representante do pensamento mais reacionário da humanidade usar o seu nome para fazer uma defesa hipócrita dos direitos sociais.
    Onyx Lorenzoni cita Bobbio para defender direitos sociais
    O fato é que Onyx Lorenzoni não teve pudor de falar em direitos fundamentais, mesmo sendo filiado a um partido que pretende anular, através do Supremo Tribunal Federal (STF), o decreto que regulamenta a titulação dos territórios quilombolas, norma que atende a um dispositivo da Constituição de 1988.
    De maneira semelhante, aliás, o Democratas questiona no STF a legalidade das cotas raciais nas universidades, política afirmativa que não apenas é legal do ponto de vista formal, baseando-se na promoção da equidade, mas é um sucesso absoluto nas mais de 150 instituições de ensino superior onde já é aplicada.
    Nos próximos dias, com a confirmação do registro do PSD, o DEM/PFL/PDS/Arena vai perder quase metade da sua bancada na Câmara, passando dos atuais 44 deputados para 27.
    Muito pouco para quem chegou a eleger 105 deputados nas eleições de 1998.
    Muito coerente, porém, com a realidade política de um País que tem rejeitado cada vez mais o jurássico pensamento representado pelo moribundo Democratas – que carrega uma contradição no próprio nome, vale dizer, dado o histórico da maioria dos seus líderes, antigos apoiadores e beneficiários do regime militar que sufocou as nossas liberdades entre 1964 e 1985.
    Requiescat in pace, Democratas.
    ACM Neto: "Esse vai ser o nosso tamanho. Ou não."
    No Conexão Brasília Maranhão
    ~o~
    Reunião de toda a bancada do DEMo na Câmara dos Deputados
    Aposentado Invocado flagra com exclusividade:
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