01/08/2014

Será que existe conexão entre helicoca e aécioporto?


Situação da fazenda de Aécio em relação ao Aeroporto de Cláudio
Quando a Folha no domingo denunciou que o então governador de Minas Gerais e atual candidato à presidência pelo PSDB Aécio Neves teria usado dinheiro público para fazer um aeroporto em terras do tio todo mundo ficou mais surpreso com a fonte da informação que com a própria. Por que a Folha teria despertado um assunto que poderia trazer prejuízos políticos ao candidato que aparentemente apóia?

Algumas pessoas na mídia alternativa suspeitaram de ser uma jogada para ganhar credibilidade e depois despejar alguma denúncia contra Dilma que, ao contrário da feita contra Aécio fadada a sumir da mídia em poucos dias, como aconteceu, repercutiria até o dia das eleições por todos os meios de comunicação sincronizados a favor de Aécio.

Vista da Fazenda da Mata - Google Earth
O aeroporto de Cláudio (MG) logo foi apelidado de "Aécioporto" e despejou-se boa quantidade de tinta e pixels primeiramente na indecência da obra pública em terra privada. Eis que Aécio aparece na forma de notícia ameaçando a presidente Dilma por perseguição ao saber que a ANAC entraria no caso para saber quem tem usado o aeroporto, que está em situação irregular, pois não tem o competente registro. Essa atitude intimidatória a partir de um risco de aeronaves serem multadas por usarem uma pista que depois vídeos mostraram que é usada até para aeromodelismo, pois fica fechada e as chaves em poder dos parentes de Aécio pareceu desproporcional.

Em seguida foi divulgado que o próprio Aécio seria beneficiário da obra, pois é herdeiro da Fazenda da Mata, que fica a 6 km do aeródromo. Declarou a uma revista que a fazenda seria seu refúgio para lazer com a família, seu "Palácio de Versalhes". Também surgiu a denúncia do aeroporto de Montezuma também ser irregular e a pequena cidade ter uma empresa de Aécio como principal motivação também para uso privado de aeroporto público também irregular perante a ANAC.

ANAC - renovação licença heliponto
Toda a mídia girou em torno dos aeroportos. Eu mesmo procurei saber mais informações e achei bases de dados interessantes, como o PROAERO, projeto do governo estadual para construir e reformar muitos aeroportos até 2011, entre eles o de Cláudio e Montezuma. Desses, segundo a Folha noticiou hoje, apenas dois foram feitos: o de Cláudio e um outro. No site do DER-MG não encontrei o aeroporto de Cláudio, mas pude ver que constava uma boa quantidade de aeródromos sem autorização da ANAC. Também achei um arquivo chamado ROTAERO, da Aeronáutica, que contém dados sobre aeródromos e helipontos. Procurando o de Cláudio localizei no município apenas dois helipontos, um deles na Fazenda da Mata. Pesquisando sobre ele achei o registro na ANAC e está legalizado.

Aécio, a princípio, não precisaria de avião para ir à sua fazenda, podendo usar um helicóptero. A cidade de Cláudio, a princípio, também não precisaria de aeroporto, pois Divinópolis tem um bem equipado a 42 km de distância. Não conheço a região e quando vi que Divinópolis era perto veio à memória que o tal helicóptero dos Perrela flagrado com cocaína no Espírito Santo abasteceu por lá antes de seguir para seu destino final. Na época se falou muito em possível conexão com a empresa dos Perrela que fica em Pará de Minas, à qual pertencia o helicóptero, mais ao norte de Divinópolis. Como o processo foi todo anulado  por causa de um grampo telefônico ilegal e todo mundo foi solto, ficando quase 500 kg de cocaína sem dono, sem culpado e sem tráfico, o assunto morreu. Não se falou mais nisso.

Por curiosidade peguei matérias antigas sobre o caso Helicoca. Numa delas, de Reinaldo Azevedo, da VEJA, levanta a suspeita, diante das características do helicóptero, da droga não ter vindo do Paraguai, mas de ter sido carregada na região de Divinópolis. Diz a matéria "A estranha história do helicóptero dos Perrella lotado de cocaina não fecha quer na narrativa quer na matemática":

..."O helicóptero da Família Perrella é um Robinson 66 (R-66). Não que eu esteja a fim de comprar um, mas fiz a lição de casa para vocês. É dos mais baratinhos. Por US$ 970 mil, vocês podem comprar um. Quem entende da área diz ser uma aeronave ideal para transportar pequenas cargas. Entendo.


Mapa do Jornal Nacional - VEJA - Rota do helicóptero do pó
Em seu depoimento, o piloto afirmou que o aparelho já saiu de Avaré, em São Paulo, carregando a droga. Fez uma viagem relativamente curta até o Campo de Marte. Dali seguiu para Divinópolis, em Minas, região onde fica a sede da empresa dos Perrella. Da cidade mineira, rumou para a fazenda no Espírito Santo, onde foi surpreendido pela Polícia Federal. Vejam o mapinha (do Jornal Nacional).

O peso máximo para um R-66 sair do chão é 1.225 quilos — ocorre que só a aeronave pesa 581 quilos. Sobram 644. Desse total, devem-se descontar 224 kg do combustível. Sobraram 420. Notem: só a carga de cocaína (445 kg) já ultrapassou esse limite. Há ainda os dois pilotos — calculemos 140 quilos. A conta não fecha. Restaria uma possibilidade: o helicóptero não estar com a carga completa de combustível. Quanto teria de ser? Vamos pensar:
peso da aeronave – 581 kg
peso dos pilotos – 140 kg
peso da cocaína – 445 kg
soma – 1.166

Sobraram apenas 59 quilos para o combustível. Com 224 kg, segundo pesquisei, a autonomia do R-66 é de três horas, voando a 220 km/h. Assim, pode-se percorrer, chegando ao limite da pane seca (os prudentes não ousam tanto) 666 km. Huuummm… Regra de três: se, com 225 kg de combustível, pode-se voar 660 km, com 59 kg, voa-se, no máximo, 173,8 km.

Pois é… Vejam lá a rota do helicóptero. Entre Avaré e o Campo de Marte (também fui pesquisar), em linha reta, já são 265,8 km. Entre o Campo de Marte e Divinópolis, há 513 km — chega-se bem perto da autonomia do aparelho se tivesse saído com o tanque cheio. De Divinópolis até a fazenda no Espírito Santo, sempre em linha resta, há 393 km. Nada nessa conta fecha.

A minha hipótese é que o piloto pode não estar contando toda a verdade. O mais provável é que esse aparelho tenha sido abastecido em vários pontos ao longo da trajetória. E intuo que a droga entrou no helicóptero foi em Divinópolis mesmo, não em Avaré."

Trajetória provável do helicóptero dos Perrela entre Sâo Paulo e Afonso Cláudio (ES) via Divinópolis
Olhando o mapinha citado por Reinaldo Azevedo notei que o caminho entre o Campo de Marte e Divinópolis passava quase por cima da cidade de Cláudio. Até aí, nada de mais. Estranho é que a rota para Afonso Cláudio (ES) poderia ter sido reta, se a missão fosse apenas entregar a droga, mas a curva sofreu uma inflexão onde o atrator fez o helicóptero passar na região de Divinópolis.

Eis que pesquisando mais descobri a matéria da Revista Fórum de título "'Tenho medo de morrer' diz piloto do helicóptero dos Perrela" que fala de contradições do depoimento do piloto com os dados apresentados pelo GPS do helicóptero dos Perrela onde se diz:

" ... O trajeto relatado por Alexandre tem algumas diferenças em relação ao definido no inquérito da PF feito com base nos registros do GPS. Por esses registros, o helicóptero teria parado em Santa Cruz do Rio Pardo, a 60 quilômetros de Avaré, no aeroporto de Jundiaí e em Sabarazinho, no interior de Minas.

“Não paramos nestes lugares”, afirma Alexandre. Eu estive na zona rural de Santa Cruz do Rio Pardo, onde, em outros tempos, foi encontrada droga jogada do alto do avião. No ponto informado pelo GPS há um pasto, com muitos vizinhos. Ninguém nunca viu ou ouviu helicóptero por ali. “Às vezes, o helicóptero faz um 360 no ar, num movimento de espera. O GPS indica um ponto parado, mas não houve pouso. Ficamos no ar. É uma manobra para esperar o mau tempo passar”, diz o piloto. “Acho que foi isso que aconteceu” "...

Recorri novamente ao Google para ver onde fica Sabarazinho, em Minas Gerais. É uma pequena localidade próxima à rodovia MG-260, a mesma que passa 16 km mais a leste pelo Aeroporto de Cláudio.

O que esse aeroporto tem a ver com o helicóptero dos Perrela? Nada, mas a descoberta do Aécioporto em Cláudio próximo à rota entre São Paulo e Divinópolis pode ensejar curiosidades e teorias fantasiosas.

Fernando Branquinho
No FórumZN
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An american dream...

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No caso Cláudio, o piloto mentiu




Tucano passou 11 dias mentindo e tenta encerrar caso com desculpa esfarrapada

No artigo que publicou na Folha de S. Paulo, o candidato tucano Aécio Neves procura reduzir o escândalo do aeroporto de Cláudio a um “equívoco”: ter utilizado uma pista de pouso sem saber se ela estava homologada pela ANAC. Gasta o tempo do leitor tentando explicar a disputa judicial pelo valor da desapropriação das terras do tio, como se isso fosse o mais relevante num caso de patrimonialismo escancarado. De quebra, confessa que, “por escrúpulo”, negou à população da paupérrima Montezuma o direito a uma estrada asfaltada, mas distraidamente deixou asfaltar uma pista de pouso que serve a ele e ao latifúndio de sua família no município. É comovente, mas voa longe da verdade.

Levando em conta a entrevista do candidato ao Jornal Nacional, as duas notas de sua assessoria e o artigo na Folha, o foco desse caso continua sendo: Aécio Mente.

1) Ele disse que era uma pista de terra que foi reformada. Falso. É só ver o edital para construção econferir a transformação da área pelo Google Earth. Foi feita uma pista novinha, de 14 milhões, sem aproveitar necas da velha.

2) Ele disse que seu governo fez mais de 30 aeroportos no interior. Falso. Ele fez dois: o da Zona da Mata e o de Cláudio. E 8 reformas, de 14 anunciadas.

3) Ele disse que Cláudio é um pólo com mais de 300 indústrias, produzindo para exportar. Falso. Claudio tem hoje  63 fundições de ferro e alumínio. É responsável por 0,002% das exportações do país.

4) Ele disse que a obra foi decidida por critérios técnicos. Quais, numa cidade de 28 mil habitantes, localizada a menos de 70 quilômetros de dois aeroportos regionais?

5) Ele disse que o aeroporto não beneficia a família. Falso, por óbvio. O que é melhor: ter uma fazenda perto ou distante da rodovia? Perto ou distante de um aeroporto? Com um aeroporto dentro (a cerca só isola o aeroporto da rodovia, não da fazenda), melhor ainda, não é? O valor da desapropriação é troco perto da valorização das terras.

6) Ele levou onze dias para admitir o que todos desconfiavam: usou, sim, a pista. O nome mais suave para esse comportamento é dissimulação.

Aproveito para comentar uma pergunta que ronda a cabeça de muita gente:

Por que a Folha publicou a matéria do  Aecioporto?

1) Porque a imprensa brasileira vive sua maior crise de credibilidade desde o êxito da Copa. Atolou-se na pauta da oposição e precisa mostrar alguma independência ao público lesado. O custo-benefício da operação favorece o jornal, que não vai trocar de candidato.

2) Porque a FSP sempre agiu assim: eventualmente bate em um aliado, mas não abre mão de cobrir o PT de forma sistematicamente crítica. Essa é a diferença de tratamento, disfarçada por matérias pontuais para sustentar suposta “isenção”.

3) Porque precisa dizer ao seu  candidato (a quem considera o futuro presidente) que a FSP não é o Estado de Minas: “Tu és nosso, mas não somos tua”. É um chega pra lá preventivo em dona Andréa Neves. Só quem pode mandar na Folha é o Serra, que por sinal também deve ter sido surpreendido, pois a  pauta veio de Minas.

4) Porque pretendeu fazer uma operação cirúrgica sobre um tema explosivo. Deu manchete no impresso, mas escondeu o caso na home do UOL, que é a verdadeira metralhadora da casa. Manteve o assunto em pauta, mas não foi a Montezuma. O editorial ambivalente de domingo é apenas isso: um editorial ambivalente.

O PT pode esperar por pancadaria brava daqui em diante, mas ficou no direito de reivindicar isonomia: o espaço que a FSP e o Jornal Nacional deram para Aécio Neves se defender é maior do que tudo que já se deu aos petistas acusados de qualquer coisa nos últimos tempos.

Ricardo Batista Amaral
No GGN
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31/07/2014

O que espera o Brasil caso os discípulos de Thatcher dêem as cartas na economia

Dama de Ferro
O terrorismo econômico está aí.

Essencialmente, o que os conservadores estão dizendo é que a política econômica descarrilhou sob Dilma.

Só Aécio salva, é a mensagem.

O que a direita quer para a economia é, numa palavra, a receita thatcheriana.

Os pilares da doutrina consagrada nos anos 1980 por Margaret Thatcher podem ser resumidos assim: privatizar, desregulamentar e reduzir ao máximo as despesas sociais.

A busca, em suma, do Estado mínimo.

É o que o “mercado” quer por razões óbvias: as empresas, nacionais e internacionais, ganham barbaramente com isso.

Como em todo jogo alguém perde, os trabalhadores pagam a conta. A Inglaterra sob Thatcher regressou a níveis de desigualdade próximos do abismo que existia na era vitoriana.

Esqueça, por um momento, questões como ideologia ou mesmo justiça. A questão é: a receita funciona?

Ou sob outro ângulo: se o Brasil adotar os preceitos thatcherianos reivindicados pelos conservadores a economia vai deslanchar?

A resposta, se você olha a história, é: não.

Os mandamentos de Thatcher são bons apenas para o chamado 1%. Para os demais 99%, não.

Para o país como um todo, para a saúde da sociedade, menos ainda. Seguir Thatcher é uma calamidade nacional.

O thatcherismo está na raiz da crise econômica que castiga o mundo desde 2008.

Sob Reagan, os Estados Unidos abraçaram o thatcherismo. O mercado financeiro foi desregulamentado, para dar liberdade aos bancos e assim, alegadamente, promover a economia.

Depois de alguns anos, veio a hecatombe.

Na busca de lucros exorbitantes, os bancos americanos — livres de regulamentação — afrouxaram todos os controles para quem pedia empréstimo para comprar casa.

Até que começou a inadimplência.

Milhares, milhões de tomadores de empréstimo não tinham condições de honras as dívidas.

Os calotes se multiplicaram. Grandes bancos quebraram. E a crise econômica se espalhou rapidamente pelo mundo.

Nunca mais a economia mundial se recuperou. A locomotiva dela, os Estados Unidos, vem se arrastando desde então.

Em breve, graças à estagnação americana, a China deve se converter na maior economia do mundo.

Também a Inglaterra de Thatcher ainda hoje enfrenta as consequências econômicas e sociais da falsa revolução da Dama de Ferro.

A ressaca do thatcherismo tornou Thatcher tão detestada que os ingleses fizeram celebrações em praças públicas quando ela morreu.

Não existe uma única estátua dela na Inglaterra, sequer em sua cidade natal: ela seria derrubada em dias, talvez horas.

É esta mesma receita que os conservadores querem para o Brasil agora.

Suponha que ela seja adotada pela próxima presidência. Rapidamente, os suspeitos de sempre lucrarão — a plutocracia, ou o 1%.

Num país cujo maior desafio é mitigar a desigualdade social, seria uma tragédia.

O país avançou socialmente nos últimos anos. Menos do que poderia e deveria, é verdade. Mas avançou.

O thatcherismo faria o Brasil retroceder várias casas na questão social em pouco tempo.

Num momento de franqueza desconcertante, Aécio prometeu a empresários “medidas impopulares” caso se eleja.

Seu guru econômico, Armínio Fraga, um fundamentalista do thatcherismo, falou que o salário mínimo cresceu muito nos últimos anos.

Avisos do que vem por aí caso o thatcherismo seja posto em ação no Brasil não faltam, portanto.

Os thatcheristas prometem a você o paraíso. Mas entregam o inferno. Paraíso, só para eles mesmos.

Paulo Nogueira
No DCM
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Assunto encerrado, senador Aécio? Por que não uma CPI?


O bloco Minas Sem Censura aparteia o senador Aécio Neves mais uma vez. Agora, para dizer: não cabe à sua excelência decidir que o assunto do aeroporto clandestino de Cláudio, MG, está encerrado. Aliás, parece que ele começa a entender isso.

Os deputados da oposição querem instalar uma CPI, na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, para que algumas respostas sejam dadas:

Comprovado o investimento de dinheiro público (cerca de 500 mil reais, em cifras atualizadas), feitos em 1983, na terra do “tio Múcio Tolentino”, sem, previamente, estatizá-la, o bloco quer saber qual o nível de envolvimento do Ministério Público, da Justiça e do Tribunal de Contas do Estado na apuração da irregularidade?

Quais os critérios econômicos que justificaram a priorização do aeroporto de Cláudio, em detrimento de outros polos mais dinâmicos no estado?

Mesmo que no município de Cláudio houvesse algum critério de demanda econômica, os princípios da impessoalidade e o da moralidade não impediriam que o ex-governador fizesse a desapropriação e a obra na terra do tio, que é próxima — também — ao espólio da avó Risoleta?

Considerando os custos já divulgados pela imprensa, de aeroportos até mais completos, os 13,8 milhões de gastos não se colocam como muito exagerados?

Por 31 anos, desde a pista de pouso feita por Tancredo, até recentemente, esta pista foi de uso privativo da família de Aécio Neves e de amigos. Quantos voos clandestinos foram feitos, de fato, lá?

O estado enviou documentação completa à Anac, visando agilizar a homologação do aeroporto? Se não foi completa, qual foi o motivo?

Sobre o processo de desapropriação: as ações do MP, da Justiça, da ALMG, do TCE, da Advocacia Geral do Estado foram adequadas? Houve alguma perda de prazo? Há algum indicío de prevaricação? Qual o histórico das perícias e avaliações feitas sobre o valor do terreno em foco?

A resposta a essas e outras perguntas podem ser dadas numa Comissão Parlamentar de Inquérito. O senador, que é a favor de CPIs em Brasília, com certeza vai autorizar sua base na ALMG a assinar o requerimento do bloco pela instalação da CPI.

É a CPI que pode encerrar o assunto e não uma ordem do senador Aécio Neves!

Minas Sem Censura
No Viomundo
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O mentalista que enganou a Globo

Imagem SQN
Vejam a incrível notícia, publicada no site G1, dando conta que um mentalista teria feito, no dia da abertura da Copa do Mundo, uma previsão para a final, “registrada em cartório”, cravando a Alemanha campeã e errando o resultado por apenas um gol de diferença.

Antes, o mesmo site havia publicado outra matéria, mencionando que o mentalista teria feito o mesmo em 2006 e acertado o resultado da final, apontando a Itália campeã e o placar de 5 a 3 nos pênaltis, contra a França. A riqueza de detalhes foi tamanha que o mentalista ainda incluiu a expulsão de Zidane na prorrogação, a eliminação do Brasil para a França, por 1 a 0, e até a vitória da Alemanha sobre Portugal por 3 a 1, na disputa pelo terceiro lugar.

Ocorre que as fotos que ilustram as reportagens permitem concluir que o autoproclamado mentalista não “registrou” qualquer previsão, mas apenas reconheceu sua firma em cartas.
Previsão da Copa do Mundo de 2014 foi registrada em cartorio - G1

O Cartório de Notas, portanto, apenas atestou que a assinatura das cartas é mesmo a dele, sem efetuar qualquer registro ou análise do texto. Não há qualquer garantia de que espaços em branco, eventualmente deixados no corpo do texto, por exemplo, não possam ter sido preenchidos APÓS os resultados.

Se o mentalista quiser colocar à prova seus autoproclamados poderes em 2018, deixo aqui a dica: escreva a previsão em uma carta, sem qualquer espaço em branco, e registre-a com antecedência no Cartório de Títulos e Documentos, o que aí sim permitiria comprovar a inexistência de qualquer acréscimo a posteriori.

De qualquer forma, é preciso reconhecer algum poder no mentalista, que, ao enganar o G1, certamente exerceu uma forma de ilusionismo...

Thibau acertou previsão da Copa do Mundo de 2006 - G1




Renato Pacca, advogado e professor no Rio de Janeiro
No OI
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No Brasil da direita, a culpa é da vítima


Aécio Neves diz que o Aeroporto de Cláudio só é usado por ele porque a ANAC não o homologou, mesmo que isso tenha ocorrido por falta de documentos e porque a pista fica sob o controle de sua família.

Reinaldo Azevedo escreve que o racionamento de água em São Paulo vai ocorrer por causa de Alexandre Padilha e do Ministério Público Federal, embora quem o diga necessário sejam os especialistas da Unicamp.

O Santander lucra aqui R$ 1,2 bilhão (líquidos, já sem os impostos que quase não pagam) em seis meses, quase 30% do que ganha em todo o mundo, mas se acha no direito de dizer que o Brasil vai de mal a pior.

Só de abril a junho, o Santander no Brasil teve lucro líquido de R$ 527,5 milhões no segundo trimestre, alta de 5,35% em relação ao mesmo período do ano passado.

A coisa anda “tão ruim” para os bancos que o Bradesco divulgou hoje um lucro líquido de R$ 3,8 bilhões no 2° trimestre, quase 30% maior que o do ano passado. E sem emprestar mais, o que deveria ser a origem dos lucros de um banco.

A Argentina vinha pagando religiosamente sua dívida, mas um juiz de bairro decide que os que especularam com seus títulos, os fundos abutres, devem ter prioridade para receber o fruto de sua esperteza. E, em lugar de uma indignação contra isso, dizem que Cristina Kirchner “dá o calote” nos credores.

As empresas se queixam da demanda fraca mas contabilizam lucros recordes “vendendo menos”.

Estão todos “indignados”, os pobres coitados.

E nada disso é polemizado, porque são verdades absolutas, imperiais.

Reproduzo aí em cima um trecho da homepage do Valor Econômico.

Nunca se viu um caos econômico tão lucrativo assim.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Soluções para a falta de água em São Paulo




Falta água para os paulistas porque faltou humildade e sinceridade ao atual governo de São Paulo para ouvir a oposição como alguém que deseja o melhor para o seu Estado. Infelizmente, sempre que fiz críticas e apresentei alternativas, elas foram classificadas de eleitoreiras. Mas, se a metrópole de São Paulo está numa região de baixa disponibilidade hídrica e o governo do PSDB tem feito o que é preciso para garantir água, por que tanta torneira seca, virulência nas palavras e sofismas no raciocínio?

Falta água porque há dez anos o atual governador assinou um compromisso de, em 30 meses, executar um plano de obras. Mas nenhuma foi executada no prazo e com a dimensão planejada pela Sabesp.

O PT sabe quais são as soluções, das mais urgentes até as mais estruturantes. Desde 2011, a Sabesp poderia ter ampliado a capacidade dos mananciais do Alto Tietê se tivesse concluído o enchimento da represa de Taiaçupeba — que hoje opera com cerca de um terço de seu volume útil — ao valor de R$ 35 milhões. O volume armazenado desde então garantiria o abastecimento de 3 milhões de pessoas durante um ano.

No final de 2013, o governo poderia ter iniciado a construção de um sistema de bombeamento e da adutora para ligar o Rio Grande, na represa Billings, com a represa de Taiaçupeba. Essa solução teria um custo bem menor do que tirar água do Paraíba do Sul. E não colocaria em risco a ampliação de investimentos e empregos no Vale do Paraíba.

Sobre as obras estruturantes, é preciso fazer os reservatórios de Pedreira e Duas Pontes, no sistema PCJ (rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí). Existem estudos desde 2007, mas só em fevereiro foi assinado um decreto de utilidade pública para futura desapropriação da área dos reservatórios. Já o Sistema Produtor São Lourenço arrastou-se por seis anos. Não fosse a lentidão, já deveria estar abastecendo a região metropolitana com o correspondente a 15% do volume de água do Cantareira. Isso agora só vai acontecer em 2018.

Ainda é preciso fazer os reservatórios de Piraí e Campo Limpo e o Sistema Adutor PCJ. No total, são obras que custariam o equivalente a três anos de lucros da Sabesp — não foi, portanto, por falta de dinheiro que não saíram do papel.

Vale lembrar que quatro anos atrás, o PT já registrava em seu programa de governo que o fornecimento de água potável era inadequado para 600 mil pessoas na região metropolitana da capital. Eu, que era o ministro de Lula responsável por receber projetos de governadores e prefeitos, defendi reduzir a dependência do Cantareira.

Mas, no lugar de explicar sua inépcia, o PSDB tenta confundir os argumentos. Eu nunca disse que a região da Grande São Paulo é abundante em recursos hídricos, como já alegaram de forma distorcida. Tampouco afirmei que a água que hoje enche a represa Billings resolveria o problema da falta de água no Cantareira. O que sempre defendi é que para chegar à torneira das pessoas é preciso planejamento, investimento e obras.

Fazer as obras que o governo não fez, reduzir as perdas de água da Sabesp, investir em soluções inovadoras e na preservação dos mananciais, com compensações para os municípios que cuidam de áreas de proteção — essas são as soluções que o PT defende em relação à água de São Paulo. Lamentavelmente, o PSDB chama a isso de oportunismo.

Alexandre Padilha
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Aterrissagem forçada


Quando Aécio começou a fugir das perguntas dos jornalistas sobre o tema, ficou claro para todo mundo que, obviamente, ele estava ganhando tempo: não havia, porém, mais nenhuma dúvida de que ele usufruía do aeroporto que construiu nas terras do tio, em Cláudio.

Nas últimas semana, a equipe de marqueteiros teve que fazer malabarismos mis para tentar desvincular o tucano do escândalo, mas tudo foi em vão.

Prisioneiro do ‪#‎AécioPorto‬, o candidato do PSDB foi obrigado a escrever um artigo pífio e confuso na Folha de S.Paulo no qual, finalmente, admite o que todo mundo já sabia: no aeroporto do titio, ele sempre foi freguês.

Entre os argumentos usados no texto, um demonstra bem o nível de desespero que permeou o sincericídio ao qual Aécio foi obrigado a recorrer para não ser taxado de mentiroso no horário eleitoral:

“Cometi o erro de ver a obra com os olhos da comunidade local (sic) e não da forma como a sociedade a veria à distância (sic)”.

A "comunidade local" precisa pedir as chaves de um aeroporto público a Múcio Tolentino, tio de Aécio, se quiser usá-lo.

A "sociedade" somos nós, que, mesmo à distância, sabemos exatamente o que houve em Cláudio.

Cabe saber, agora, como é que esses voos eram feitos. Porque, se não houve aviso às autoridades aeronáuticas sobre os planos de voos, eles eram clandestinos.

Até lá, a candidatura de Aécio continuará em pane.

E poderá se espatifar, muito em breve, num morro da Mantiqueira.

Leandro Fortes
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Ele tem a chave...


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