23 de mai de 2019

Pseudos bacharéis, autoridades cometem estelionato


A fixação da extrema direita brasileira pelos Estados Unidos e pelo american way of life criou uma onda de estelionatos acadêmicos desnudados, agora, pelo bolsonarismo.

A Universidade de Harvard, que habita o inconsciente coletivo dessa tigrada semi analfabeta, transformou-se em um delírio acadêmico orientador dos currículos de autoridades públicas ávidas por se autoafirmar como gente letrada.

Esse estelionato, além de, obviamente, criminoso, é também simbólico sobre a mentalidade colonizada dessa turba - ministros, procuradores, gestores públicos - em relação ao conhecimento.

Para a maior parte dos eleitores de Bozo, o conceito de alta escolaridade está ligado à fantasia pequeno burguesa de meritocracia, daí a profusão de currículos cheios de mestrados, doutorados e MBAs que não suportam um avaliação minimamente profissional, quando não uma simples checagem jornalística.

O caso mais recente é de um aliado de primeira hora do Reich, o governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, outro que formou-se na Harvard Fantasy da Bozolândia.

O fato é que o governo Bozo apenas deu visibilidade a um fenômeno que sempre esteve presente no submundo da tecnocracia brasileira, mas que, antes, não chamava a atenção, por desprezível, academicamente falando.

Assim, quatro ministros já foram pegos na mentira: Abraham Weintraub, da Educação; o antecessor dele, Ricardo Vélez Rodriguez; Ricardo Salles, do Meio Ambiente; e Damares Alves, dos Direitos Humanos.

Esta última, como sempre, inovou. Damares colocou no currículo ser mestra em educação, direito constitucional e direito da família. Flagrada no estelionato, argumentou ter sido formada pela Bíblia.

Agora, descobriram que Deltan Dallagnol, o beato Salu do Ministério Público, apagou do currículo um alegado mestrado, claro, em Harvard.

É esse, o nível.

Leandro Fortes, jornalista
Leia Mais ►

PGR suíço é acusado de conluio com a Lava Jato

As acusações são de ter participado de reuniões informais e não documentadas relacionadas à Lava Jato.


Procurador Geral da Suiça Michael Lauber está sendo acusado de cumplicidade com os colegas brasileiros da Operação Lava Jato. A informação foi divulgada pelo jornal NZZ e repercutida pelo Suwissinfo.

As acusações são de ter participado de reuniões informais e não documentadas relacionadas à Lava Jato.

Rolf Schuler, advogado de Zurique que representa um réu da Lava Jato, afirmou que Lauber, junto com outros membros do MP suíço, participou de runiões não documentadas na Suiça e no Brasil com o objetivo de iniciar um processo de lavagem de dinheiro. Mas não apresentou provas de tal reunião.

Um pouco antes, Lauber foi acusado de irregularidades, também por reuniões sigilosas no caso FIFA. A corregedoria do MP suíço abriu uma investigação disciplinar para apurar essas reuniões entre Lauber e o presidente da  FIFA, Gianni Infantino. Lauber admitiu as reuniões e alegou que visavam ajudar no avanço das investigações.

Em relação à Petrobras, argumentou que as investigações não poderiam ser tocadas de modo eficiente sem as conversas informais.

Com as denúncias, Lauber corre o risco de não ser reconduzido ao cargo.

O procurador que virou advogado

Antes desse episódio, as suspeitas de reuniões informais com a Lava Jato provocaram a demissão do procurador suíço Stefan Lenz. O procurador abriu um escritório de advocacia, está oferecendo serviços a clientes brasileiros, e há rumores de que tendo como parceiro brasileiro parente de personagem influente na Lava Jato.


No site do escritório, ao lado de páginas em que repete o mesmo discurso anticorrupção de seus colegas da Lava Jato, Lenz oferece seus serviços para os suspeitos de corrupção.

Para particulares prejudicados ou acusados
  • Nós somos altamente especializados na área do direito penal financeiro e da cooperação jurídica internacional e nos aprimoramos cada vez mais nessa área.
  • a condição de ex-persecutores penais nós sabemos o que realmente importa para uma exitosa defesa penal ou representação dos prejudicados.
  • Nós temos boas relações na área do direito penal financeiro e da cooperação jurídica internacional.
  • Nós temos experiência com a solução consensual de persecuções penais, no sentido de um “Deal”, desde que haja previsão legal e seja possível.
  • Para particulares
  • Para empresas
  • Para Estados ou empresas estatais
  • Os seus direitos na Suíça
  • Porque um advogado suíço
  • Vantagens para Estados ou empresas estatais
Para empresas prejudicadas ou acusadas

Nós lhe auxiliamos em investigações internas, prestamos consultoria e representamos perante autoridades e tribunais. Nós conduzimos investigações internas, chamamos, se preciso for, os especialistas que se fizerem necessários, realizamos tomadas de depoimento e análises de fluxo de dinheiro e reunimos os fatos juridicamente relevantes num relatório de investigação.

Luís Nassif
No GGN

Leia Mais ►

Buraco negro dispara jatos de plasma em fenômeno nunca antes visto


Um grupo de astrônomos acaba de divulgar imagens incríveis do buraco negro V404 Cygni ejetando jatos de plasma para o espaço em um movimento de oscilação nunca antes visto.

O centro do buraco negro, que está a quase 8.000 anos-luz de distância da Terra, foi comparado a um “pião” devido ao seu movimento peculiar e instável, informa a revista científica Nature.

Enquanto os buracos negros são conhecidos por "cuspir" matéria, os pesquisadores observaram que os jatos do V404 disparam plasma em rápida sucessão.

"Este é um dos sistemas de buracos negros mais extraordinários com que já me deparei”, disse o líder da pesquisa, James Miller-Jones, professor da Universidade Curtin, na Austrália.

O pesquisador explica que "como muitos buracos negros, ele está se alimentando de uma estrela próxima, puxando o gás para longe da estrela e formando um disco de matéria que circunda o buraco negro e as espirais que se aproximam dele sob o efeito da gravidade".


Astrônomos da Universidade Curtin do ICRAR descobriram jatos que oscilam rapidamente vindos de um buraco negro a quase 8.000 anos-luz da Terra

"O que é diferente no V404 Cygni é que pensamos que o disco de matéria e o buraco negro estão desalinhados […] Isto parece estar fazendo com que a parte interna do disco oscile como um pião, lançando jatos de fogo em diferentes direções à medida que ele muda de orientação", declarou o autor principal do estudo.


Astrônomos australianos descobriram um bizarro buraco negro disparando jatos para o espaço em todas as direções!

Enquanto o sistema de buraco negro continua girando, ele arrasta espaço e tempo para junto de si.


Um jato dançante proveniente de um buraco negro, mudando rapidamente em questão de horas, foi pego na câmera pelos pesquisadores do ICRAR da Universidade Curtin. Publicado na revista Nature, esta é a primeira vez que um jato de buraco negro é visto mudando de direção tão rápido!

O buraco negro em questão foi descoberto pela primeira vez em 1989, quando repentinamente liberou jatos de plasma e radiação, embora explosões anteriores tenham sido detectadas em 1938 e 1956, segundo o Centro Internacional de Pesquisa em Radioastronomia (ICRAR).

Em 2015, ocorreu outra série de explosões durante duas semanas, quando o centro do sistema formou uma estrutura oscilante em forma de rosquinha.


Esta é a visão de um buraco negro cuspindo jatos giratórios de plasma pelo espaço, depois de arrancar material de uma estrela próxima. Essa é uma sequência de 4 horas, capturada por uma rede de radiotelescópios que está espalhada pelo continente

Os cientistas continuaram observando o sistema com a Very Long Baseline Array, uma rede de radiotelescópios, mas só conseguiram capturar a atividade do jato de forma desfocada.

Eles esperam que as descobertas os ajudem a compreender outros "eventos extremos" no Universo.

No Sputnik
Leia Mais ►

Bando de fanáticos no poder: seita do capitão doido é que deixa Brasil ingovernável

https://www.balaiodokotscho.com.br/2019/05/23/bando-de-fanaticos-no-poder-seita-do-capitao-doido-e-que-deixa-brasil-ingovernavel/?fbclid=IwAR1NYbFBNC_BL04Qa8dwFMX3JJ-FiC18pvOi77MV5RJ5jHPWMND5lRfZ0ew

As imagens dos deputados do PSL alucinados com seus celulares, fazendo lives no celular enquanto a Câmara votava medida provisória de interesse do governo, mostra a irresponsabilidade não só dos parlamentares da “nova política”, mas também de quem votou neles, sem saber quem eram, na onda conservadora bolsonarista.

São eles, figuras folclóricas ou ilustres desconhecidos, pastores, policiais e militares em profusão, que alimentam as redes sociais dos fanáticos seguidores da seita bolsonarista, sob a alta direção dos filhos do capitão e dos “olavetes” espalhados pelo governo.

É uma comunicação em duas vias que se retroalimentam.

Afinal, foi também por meio destas mesmas redes, movidas pelas fakenews do kit gay e da mamadeira de piroca, com graves e falsas acusações contra os adversários que eles, o capitão Jair Bolsonaro e o general Mourão se elegeram em 2018.

Só agora, aqueles ilustres ministros do TSE, Luiz Fux e Rosa Weber à frente, os mesmos que nada fizeram contra as fakenews criminosas durante a campanha, resolveram promover um seminário em Brasília com “especialistas” para discutir o que fazer nas próximas eleições.

Que fim levaram todas as denúncias feitas durante a campanha pelos outros candidatos? Até hoje, o TSE não conseguiu dar uma única resposta jurídica à engrenagem de robôs e outros bichos, daqui e de fora do país, que foi decisiva na vitória de Bolsonaro, como ele mesmo reconhece e agradece ao filho Carlucho 02.

Quem bancou essa blitzkrieg internética que assolou o país?

Com o governo do bando de fanáticos levados ao poder fazendo água por todos os lados, apenas cinco meses após a posse, agora os mesmos personagens e financiadores se mobilizam para a convocação dos atos pró-governo no próximo domingo.

Nas mensagens ufanistas dos protestos a favor (que beleeeeeeza, como diria o Milton Leite), misturam apelos patrióticos com as visões messiânicas dos “ideológos”, que fazem do capitão um boneco de ventríloquo gaguejante e dos generais de pijama coadjuvantes da ópera bufa encenada no Palácio do Planalto.

Como é que um país pode ser governado com tantas maluquices e cenas explícitas de demência, em que o plenário da Câmara serve apenas de cenário para o circo de horrores das lives dos parlamentares bolsonaristas nas redes sociais?

Para justificar sua manifesta incompetência e inapetência na gestão do governo, eles culpam genericamente o “Sistema”, quer dizer,  a “velha política”, representada pelos outros poderes, atacando o Congresso e o Judiciário, que não deixariam Bolsonaro salvar o país dos malfeitores.

Aonde isso pode nos levar?

Quem tiver estomago e paciência pode encontrar as respostas nas redes dos deputados do PSL e dos movimentos de extrema direita que estão convocando as manifestações de domingo.

Não posso reproduzir esse material aqui, em respeito às famílias, que o capitão tanto defende — defende tanto, que teve várias.

Mas confesso que estou muito assustado.

Bolsonaro não inventou nada de novo. Apenas soltou as feras escondidas nos armários por tanto tempo e deu voz a quem só sabe destruir e agredir os outros, os “inimigos” dessa gente que agora está em guerra permanente contra a democracia e as instituições.

Qualquer que seja o resultado das manifestações do dia 26, o Brasil continuará rachado e paralisado por um governo que tornou o país inviável a curto e a médio prazo, sem saber o que fará no pós-Bolsonaro.

É isso, meus amigos, não dá mais para esconder a triste realidade que estamos vivendo.

Vida que segue.

Ricardo Kotscho
Leia Mais ►

Como viramos fascistas?


Como ocorreu a onda fascista no Brasil que elegeu um presidente de extrema-direita? Sem dúvida havia uma grande insegurança da população gerada pela crise econômica mundial que repercutiu no Brasil e foi manipulada para desestabilizar o governo da presidente eleita Dilma Rousseff até chegar no impeachment motivado por interesses políticos e da elite financeira do Brasil.

Houve também o descrédito na classe política em geral devido aos escândalos de corrupção e principalmente seu fomento pela grande imprensa gerando uma saturação da população em relação aos políticos como um todo.

A propaganda anti-petista, anti-comunista, a ameaça de virarmos uma “Venezuela”, uma “Cuba”, serviram muito bem à classe empresarial, ao capital estrangeiro e ao mercado. Enfim ao neoliberalismo radical. E nisso tudo apareceu a figura do líder num deputado inexpressivo, capitão do exército reformado, com um indisfarçado limitado cabedal de conhecimento e pouca capacidade de expressão?

Como que alguém como Jair Bolsonaro chegou a ocupar o cargo de Presidente da República? Trata-se de alguém que foi catapultado à notoriedade durante a votação do impeachment da Dilma (propagado pela televisão e rede nacional para todo o Brasil) ao traçar sua plataforma eleitoral: “pela família e pela inocência das crianças em sala de aula (coisa que o PT não fez), contra o comunismo e pela nossa liberdade, em memória de Carlos Alberto Brilhante Ustra, o pavor de Dilma Roussef, por Duque de Caxias e as nossas forças armadas, pelo Brasil acima de tudo e Deus acima de todos”.

Essa narrativa, declaradamente a favor da tortura e do extermínio dos opositores políticos, parece advir de alguém que efetivamente diz coisas que ninguém diz, que tem o Inconsciente a céu aberto e a pulsão de morte livre de qualquer pudor em sua expressão de destruição.

Essa plataforma já inoculava o veneno da mentira sobre o suposto “kit gay” que jamais existiu (voltaremos a isso em detalhes em uma próxima coluna) e o temor das forças armadas evocando junto com o torturador Ustra os anos da ditadura militar no Brasil.

“Forças armadas” implica bem a sua opção pela “força” e pela “arma” que foi utilizada desde sua campanha eleitoral com a promessa aos “cidadãos de bem” de presenteá-los  com a posse oficial de arma para defenderem a si próprio e  a sua propriedade privada.

E nesse discurso no impeachment de Dilma, Bolsonaro se colocou claramente do lado do “pavor” não só da ex-presidente como de mulheres, negros, gays, trans, servidores públicos, artistas, professores, intelectuais e todos seus opositores. E assim foi instalado o terror anunciado. Seus eleitores passam ao ato de violência sentindo-se autorizados pelo discurso do “mito” indo até o assassinato, como o do capoeirista Moa na Bahia, diante fez declarações desumanas: “Se as pessoas matam evocando o meu nome o que tenho a ver com isso?” E mais recentemente o silêncio em relação aos 80 tiros assassinos.

Como alguém com tal plataforma de atrocidades pode ter tido o maior número de votos no primeiro turno e em seguida ser eleito presidente da República? Não se trata aqui de avaliar as forças geopolíticas, a influência dos Estados Unidos, nem dos interesse econômicos e políticos em jogo que levaram a mídia oficial e a classe empresarial a jogar todas as fichas nesse candidato para manter seus próprios interesses. A pergunta permanece: o que faz a maioria da população brasileira votar nesse candidato?

Podemos supor que sua votação expressiva se deu APESAR dessas características negativas, que seus eleitores minimizam em prol de ser “ficha limpa”, não ser corrupto, ser “patriota”, trazer de volta os valores da família, da pátria e da propriedade privada, de ter com ele um economista de renome, consertar a economia do país, colocar a ordem no caos da política, etc.

Mas também podemos pensar que essa quantidade enorme de votos se deu não apesar disso mas JUSTAMENTE POR CAUSA dessas caraterísticas que nós julgamos negativas, mas que para muitos são positivas.

Escutamos a narrativa de eleitores de Bolsonaro que dizem  “não ter mais saco” de ser “politicamente correto” e não poder “sacanear” negro, gay, fazer piada machista, antissemita, em nome da “liberdade de expressão”. As falas do candidato liberam os diques da pulsão de morte e autorizam o gozo sádico de pisar no outro, no diferente, no fora-da-norma da elite branca, heterossexual, racista, rica, machista, escravocrata, cristã (católicos ou protestantes) e homofóbica.

O que está em questão é que esses grupos antes acuados e considerados “gentalha desprezível” adquiriram fortemente na última década direito e voz de cidadania e começaram a frequentar espaços antes reservados só à elite (classe alta) e aos que não eram mas queriam ser (classe média).

O racismo é definido por Lacan como o ódio dirigido ao gozo do Outro, diferente, o Héteros, em grego, o que não é espelho, igual, mesmo. Foi esse ódio mal contido e mal disfarçado que agora explode ao se ver autorizado pelas palavras do “Mito”  (significante que seus eleitores passaram a usar para qualificar o candidato e agora presidente da extrema direita no Brasil).

Durante a campanha, esse candidato soltou diversos significantes degradantes que como dardos espetam etiquetas no suposto gozo desprezível e degradado. Eis alguns significantes que foram utilizados em seu discurso: a “indolência” e a “promiscuidade” dos negros, o gozo sexual do gay que deve ser isolado, evitado e motivo de “porrada”, as mulheres supostamente desavergonhadas que foram nuas na manifestação do #EleNão, segundo uma das mentiras de Fake News forjadas. A manifestação convocada em outubro de 2018 entre o primeiro e segundo turno das eleições presidenciais por grupos de mulheres arrastou multidões de homens, mulheres, crianças, idosos, famílias, grupos de negros, LGBTQIs etc nas maiores cidades de todo o Brasil.

Agora, em nome do “Mito”, pode-se ser cruel e, como na guerra, fazer o que bem entender com o outro já que ele é um “inimigo do povo”.  Na guerra – respondeu Freud a Einstein à questão de Por que a guerra? – pode-se fazer do outro o objeto de sua pulsão de crueldade, e assim, como o outro é inimigo pode-se: humilhar, xingar, machucar, torturar e matar.

O fascismo é como a guerra: o ódio ao outro é a regra. Devido às características próprias da linguagem, aquilo que é possível se torna rapidamente um imperativo.  E a ordem é: Odeie! A possibilidade de saciar seu sadismo no outro se torna um dever. E o gozo da agressividade se satisfaz fazendo do outro a um objeto de descarga de sua privada pulsão de morte, pois ele é um ser abjeto (também voltaremos a esse ponto).

A esse fator de gozo sádico liberado – e rapidamente comandado por fidelidade ao “ Mito”  – se associa  outros três fatores:

1 – Bolsonaro surge no campo eleitoral revestido com a capa de o representante do “anti-sistema”, como uma exceção à regra do “todos corruptos” da classe política.

Dentro do caos político e do desarvoramento causado em grande parte pela mídia oficial que, desde 2014 com a eleição de Dilma, apostou no pior, Bolsonaro surge como o homem simples, genuíno, cuja fala sem pudor, nem educação, nem papas na língua lhe dá um “atestado de autenticidade”.

Esse perfil é típico dos fascistas. Hitler também era considerado um homem simples que fala com uma linguagem popular e direto ao povo. Ao propor governar com as forças armadas, armar os “homens de bem” da população civil e incitar seu uso para defender a propriedade privada, ele é o garantidor da ordem estabelecida pelas elites.

Ao se colocar como representando o Brasil, acima de todos, e o representante de Deus, acima de tudo (com o aval e orações da igrejas evangélicas), ele se apresenta como um “Salvador da pátria, da família, da religião, da moral e da propriedade”. Encarnando assim o Significante mestre, capaz de unificar o Brasil, como o “patriota”. Esse paradigma do patriotismo bate continência hoje para americanos e libera para eles terras, armas e dinheiro de forma vergonhosa.

Pai ideal restaurador da ordem e da lei, ele promete fazer,  auxiliado por uma Ministra de Deus, uma repartição dos seres em “do bem” e “do mal” e assim extrair o joio do trigo que a elite comerá em paz. E para os outros (como os “nordestinos burros”) o capim. Com essa repartitória, o Mito promete limpar o gozo sujo e deixar tudo limpinho e cheiroso. Esse método se chama higienismo e parte da premissa que não só tem seres humanos superiores a outros como tem seres humanos que simplesmente não são humanos. É isso que se espera de um Salvador da pátria: colocar “ordem e progresso”, como está escrito na bandeira do Brasil.

Esse o lugar do Salvador é o lugar do Ideal do eu que a massa coloca o líder (cf. Freud), o qual sustenta determinados ideais com os quais cada indivíduo se vê representado. Assim cada um pode dizer do líder “Ele me representa”. É o lugar do pai ao qual cada um devotará amor estando cego para seus defeitos e rivalizará com seus pares da massa pelo amor deste e fará tudo para chamar a atenção dele, para agradá-lo e receber em troca seu amor.

É essa massa que é manipulada pelo Twiter presidencial. Daí não ser necessário o líder dar ordem disso ou daquilo, basta expressar um desejo, uma rejeição, apontar um inimigo para seus seguidores com uma fidelidade canina atacar. É o caso dos seguidores do “Mito” que transformam em ato de violência o ataque verbal de seu líder a determinados sujeitos a serem eliminados do convívio social. E assim instaura a lógica da segregação, da exclusão que pode ir até o extermínio ou o exílio. Essa é a dimensão real do horror da massa.

2 – O “Mito” ou “O messias”, estruturalmente está, portanto, no lugar do Um da exceção do Pai da horda primitiva do mito freudiano, que representa a Lei sim, mas está –  sem escrúpulo algum –  acima dela fazendo todos lhe prestarem obediência e andarem todos direitos no mesmo passo sob a mira das armas da lei, da qual é exceção.

O Pai do mito freudiano da horda tinha todas as mulheres para si e escravizava os homens. Porque as pessoas se submetem a ele? Por medo e paradoxalmente admiração. E também por gozo masoquista de ser usado como um objeto de gozo do pai, justamente como a fantasia masoquista descrita por Freud em seu estudo sobre o problema econômico do masoquismo.

Na fantasia masoquista o sujeito é um objeto de gozo do pai e seu espancamento no corpo do filho é sinal de seu amor.  Ao se reduzir a um objeto do gozo do Outro – uma fantasia que pode ser atuada em relação ao líder – o sujeito abre mão de sua identidade, de seus desejos e aspirações e se torna um vazio a ser determinado, definido e nomeado por seu dono e senhor. E assim paradoxalmente as sevícias e castigos do senhor são interpretados como prova de amor.

3 – O Messias, como Hitler, apresenta uma onipotência e megalomania que o faz se identificar com o Um do poder que messianicamente tem a solução para todos os males. Na narrativa paranoica, o líder é imbuído de uma certeza tal que não apresenta nenhuma divisão subjetiva. Ele é retido por um ideal ao qual tem uma identificação imediata, como por exemplo, a promessa messiânica: “Tenho a missão de salvar a Alemanha de seus inimigos: os judeus”.

Na versão brasileira: “Deus quer que eu seja presidente da república”.  O neurótico está sempre dividido, hesita, duvida mas também é capaz de dialética, ou seja, de opor tese e antítese e chegar à sínteses, capaz de se contradizer, se desdizer, voltar a trás, se retificar e concluir. Sempre entre-dois, dois desejos contraditórios, entre o sim e o não, consciente e inconsciente, o neurótico fica fascinado diante do paranoico que não hesita, que é habitado por certezas e tem certezas sobre o rumo a seguir.

Assim, o líder terá um bando de neuróticos hipnotizados que não querem saber de sua divisão e de sua falta e se agarram ao pensamento único do Mestre e Senhor (que não tem mesmo mais do que um pensamento) e saem por aí repetindo que nem papagaios slogans, memes e palavras de ordem de seu líder. E passam ao ato em nome do líder executando as piores atrocidades como os ataques racistas, homofóbicos, misóginos.

Eis um aspecto da psicologia das massas do fascismo made in Brasil. Mas o neurótico é também dividido estruturalmente em relação à crença: “no creo en la brujas, pero que las hay, las hay”. Devido a essa divisão subjetiva, há sempre a possibilidade de arrancar um neurótico do “pero que las hay las hay ” e daí ele poderá deixar de acreditar em  papai noel, bruxas e super-heróis.

Antonio Quinet – Psicanalista, escritor e dramaturgo
No GGN
Leia Mais ►

Xadrez da grande disputa entre Sérgio Moro e Raquel Dodge pela atenção de Bolsonaro

Peça 1 – procuradores e o jogo político dos “Billions”

Para o público brasileiro, as séries de TV fechada são o melhor caminho para entender novos aspectos da vida americana e mundial. Já houve boas séries sobre a cooperação internacional, sobre as disputas entre os grandes escritórios de advocacia novaiorquinos e sobre os novos poderes da Procuradoria Federal – e as jogadas protagonizadas por procuradores.

Recomendo a 4ª temporada da série “Billions”, que se desenvolve em cima das disputas de poder envolvendo grandes financistas e procuradores, especialmente, candidatos ao cargo de procurador-geral.

É um jogo em que as partes exploram ao máximo os interesses individuais de juízes, bilionários, políticos e as manchetes da mídia – a tradicional e a das redes sociais. Há um ex-procurador geral que tira um banco de uma investigação de lavagem de dinheiro em troca de crédito para os negócios de seu pai. Outro que faz uma barganha com um juiz para conseguir autorização para grampear o adversário. Os bilionários entram no jogo com seu poder de influência sobre os políticos e sobre outros bilionários que podem influenciar outros políticos.

Cria-se um enorme jogo de xadrez no qual as armas dos diversos procuradores consistem em se valer dos poderes de tirar ou incluir suspeitos em inquéritos, ameaçar com prisões preventivas com estardalhaço ou arquivar as denúncias, e disputar os grandes inquéritos, que podem render dividendos – para procuradores e juízes – na escalada profissional.

O título “Billions” é apropriado para revelar a dimensão do jogo. Todos os movimentos se dão em torno de interesses pessoais dos envolvidos. E os interesses se movem na casa dos bilhões.

Aliás, os recentes entreveros entre o Procurador Geral da Suiça Michael Lauber e o principal responsável pelas investigações da Lava jato, Stefan Lenz, comprovam a disseminação do padrão “Billions”. Lenz saiu do MP levando consigo vários colegas. E montou um escritório de advocacia visando vender seus serviços e sua fama de implacável – e obviamente sua rede de relacionamentos com os MPs implacáveis de vários países – a clientes acusados de corrupção.

O site tem uma página deblaterando contra a corrupção; e outra oferecendo seus serviços aos acusados de corrupção.


Peça 2 – as disputas pela PGR e a lista tríplice

Há dois grupos em disputa pela sucessão de Raquel Dodge na Procuradoria Geral da República: a Lava Jato, tendo Sérgio Moro como padrinho, e a própria Raquel.

A indicação do PGR passa por três julgadores: a corporação, que vota na tal Lista Tríplice, selecionando três procuradores para indicação pelo Presidente da República; o próprio presidente, a quem cabe a indicação; e o Senado, a quem cabe a aprovação do nome escolhido.

Para passar pelo filtro da Lista Tríplice, o candidato deve se apresentar à categoria defendendo suas prerrogativas corporativas: condições financeiras, de trabalho e independência funcional, da qual o exemplo mais simbólico foi o poder assumido pela Lava Jato.

Quanto mais bem-sucedido for junto à corporação, mais mal-sucedido será perante o Presidente da República e o Senado. Ou seja, há um conflito insanável entre as duas primeiras etapas.

Peça 3 – o presidente e a Lista Tríplice

O Presidente não é obrigado a se sujeitar à Lista Tríplice. Mas, fugindo dela, haverá um desgaste político inevitável. A menos que… A menos que reconduza Raquel Dodge ao cargo.

Raquel deu a senha, ao não entrar na disputa da Lista Tríplice.

Hoje, a reportagem de Gustavo Uribe e Reynaldo Turolla Jr na Folha – “Por recondução Dodge é apresentada a Bolsonaro como alternativa previsível” – é precisa ao mostrar os movimentos de assessores jurídicos de Bolsonaro para convencê-lo a manter Raquel no cargo. O argumento principal é de que Raquel é “previsível”, conta com apoio no Supremo Tribunal Federal e no Congresso contra os esbirros da Lava Jato.

De fato, em sua gestão houve notável redução nos abusos da Lava Jato. Não apenas isso. Em toda sua gestão, a única atitude propositiva de Raquel foi contra a própria Lava Jato, ao entrar com uma ADIN (Ação Direta de Inconstitucionalidade) contra a tentativa de criar uma fundação para administrar R$ 2,5 bilhões que a Lava Jato receberia pelos serviços prestados, na ação que surrupiou US$ 3 bilhões da Petrobras, em um conluio que envolveu procuradores do próprio Departamento de Justiça e grandes escritórios de advocacia.

Mesmo seus aliados consideraram desproporcional sua atitude contra os “tigrinhos” da Lava Janot (uma paródia dos “tigrões”, como eram chamados os barras pesadas da repressão), quando uma conversa poderia tê-los demovidos da iniciativa – tão despropositada era a proposta da fundação.

Peça 4 – Raquel x Sérgio Moro

Entra-se, então, em um jogo interessantíssimo, em termos de análise de probabilidade, embora vergonhoso em termos de cidadania: a disputa Sérgio Moro/Lava Jato versus Raquel Dodge pela atenção de Bolsonaro.

Ou seja, o mais suspeito presidente da história sendo afagado por representantes das duas corporações que mais poderes ganharam com o combate à corrupção.

Nem se imagine Moro como um defensor da ética e da moralidade contra as manobras políticas de Raquel. Afinal, ele teve participação ativa na eleição de Bolsonaro e foi premiado com o cargo de Ministro da Justiça.

Ambos têm como trunfo maior as investigações sobre Flávio Bolsonaro e sobre o próprio Jair. A Polícia Federal concluiu o inquérito sobre o caso Flávio e o remeteu à PGR. Mas a titularidade da denúncia é do MPF. E quem comanda a PF é Sérgio Moro, que tem como trunfo maior a parceria com a Globo.

Peça 5 – o país de Macunaíma

Todos os estereótipos de “Billions” tem sua contraparte brasileira. O bilionário André Esteves, que saiu ileso da Lava Jato (e aí, Dallagnol?), o procurador geral Rodrigo Janot, Dallagnol. O único personagem não caracterizado em “Billions”, pela incapacidade do roteirista de aproximar a ficção da realidade brasileira, é Jair Bolsonaro.


Têm-se, então, essa situação esdrúxula que marca o apogeu da politização e da desmoralização da Justiça: as duas instituições que conseguiram notável poder político tendo como bandeira o combate à corrupção, disputando diretamente a atenção de Jair Bolsonaro, tendo como contraproposta a capacidade de blindá-lo, ele,  um presidente da República suspeito de ligações estreitas com as milícias e os porões.

Quando alertávamos, lá atrás, para os perigos da parceria mídia-Lava Jato, para a cegueira de não se perceber o monstro que estava sendo parido, para a lógica de que todo poder absoluto tende à corrupção, era sobre isso que nos referíamos.

E ainda tem a isca da indicação para o Supremo, que Raquel ambicionava desde Michel Temer.


Mas, como declarou o Ministro Luís Roberto Barroso, o país entrou definitivamente na era Iluminista. E quem sou para desmentir um Ministro que fala tão bonito.

Luís Nassif
No GGN
Leia Mais ►

Globo passa a faca nos salários milionários

Galvinho e Bonner não escapam


De Sandro Nascimento, no Na Telinha:

Após iniciar uma forte redução nos valores do salário de Galvão Bueno e outros profissionais ligados área do esporte, a Globo também pretende passar a faca nos contra-cheques milionários de grandes nomes da área artística.

Estão na mira os seguintes medalhões: Ana Maria Braga, Luciano Huck, Fátima Bernardes, Fausto Silva, Aguinaldo Silva, Pedro Bial e William Bonner.

O NaTelinha apurou que, inicialmente, os cortes na Globo girarão em torno de 20% a 40% e serão calculados em cima dos salários fixos e não sob os percentuais de participação que cada artista tem nos merchandisings. O assunto vem sendo tratado com alto sigilo dentro da Globo.

Neste cenário, os jornalistas que desempenham funções de apresentadores e pertençam ao núcleo de jornalismo, seriam os mais prejudicados. William Bonner não possui permissão para ser garoto propaganda de marca e incrementar seus vencimento. Diferente dos jornalistas que migraram para a área de entretenimento, como é o caso de Tiago Leifert, Patrícia Poeta e Fernanda Gentil, mais recentemente.

As informações sobre corte nos salários de grandes estrelas já foram vazadas dentro da Globo e causou um forte rebuliço entre alguns contratados.

A faca nos vencimentos milionários de medalhões do casting faz parte de um processo de readequação financeira que a Globo pretende realizar nos próximos meses. Alguns contratados que estão próximos da renovação de contrato já foram procurados pela direção da emissora para discutir a redução salarial.

(...)

Corte no salário de Galvão Bueno

Os primeiros medalhões da Globo a sentir a faca da nova política salarial da emissora foi Galvão Bueno e Cléber Machado. Os narradores esportivos tiveram seus salários reduzidos em torno de 50%.

Para compensar a queda drástica nos vencimentos, a Globo mudou a regra que também valia para o setor de esporte e passou a autorizar profissionais ligado ao setor a realizar propagandas durante as partidas esportivas.

O primeiro a estrear as novas normas será Galvão Bueno. O locutor vai faturar cerca de R$ 200 mil com ações de merchandising que devem iniciar na Copa América, que começa em junho.

Queda no faturamento

O resultado financeiro da Globo em 2017, que foi publicado em diversos jornais, informa que o porta da web e a emissora de TV obtiveram uma queda de faturamento de 4,6% em relação a 2016, e 8,2% na comparação com 2015.

No total, no último ano, a TV Globo acumulou um prejuízo de R$ 83,3 milhões.

(...)

No CAf
Leia Mais ►

A hora da renúncia


Leia Mais ►

Dallagnol tem de provar que não fraudou currículo com falso mestrado em Harvard


O mestrado do Deltan Dallagnol em Harvard sumiu?

A resposta a essa pergunta vale mais que os R$ 2,5 bilhões que o Partido da Lava Jato do Deltan acertou com o Departamento de Justiça dos EUA para seu Estado paralelo.

O mérito do perfil @bobjackk [foto] no twitter é, justamente, trazer a público a dúvida acerca do paradeiro do mestrado do Deltan Dallagnol em Harvard.

No tweet de cerca das 5 da tarde [aqui], @bobjackk perguntou: “Alguém reparou que com essa onda de verificar currículos, Deltan @deltanmd mudou a Bio [biografia] e sumiu com o Mestrado em Harvard?”.

A pergunta de @bobjackk se refere ao fato da descrição do perfil anterior do Deltan no twitter incluir no currículo o título de Mestre em Direito por Harvard e, na descrição atual do seu perfil, esse título de Mestre em Direito por Harvard ter sumido.

Deltan está convocado a demonstrar, cabalmente, a existência do título de Mestre em Direito por Harvard. Se não provar a existência do título, cometeu crime que o faz incompatível com a função de procurador da República.

Deltan tem a obrigação de demonstrar, de maneira documentalmente incontroversa, que a formação acadêmica em Harvard não é uma farsa tal qual a farsa jurídica que ele e o Moro montaram para tirar Lula do caminho da instalação da barbárie no Brasil.

Jeferson Miola
Leia Mais ►

22 de mai de 2019

Desvendada ampla rede de fake news na Europa

Na véspera da eleição europeia, estudo expõe existência de redes de extrema direta que espalham notícias falsas e discurso de ódio na UE. Conteúdo somava mais de 500 milhões de visualizações nos últimos três meses.


Na véspera do início das eleições legislativas europeias, que vão desta quinta-feira (23/05) até o domingo, a ONG Avaaz publicou um estudo no qual afirma ter identificado mais de 500 páginas e grupos de extrema direita no Facebook suspeitos de disseminar informações falsas dentro da União Europeia (UE). 

O relatório apresentado nesta quarta-feira (22/05) permitiu a remoção de conteúdo que totalizava mais de 500 milhões de visualizações nos últimos três meses, segundo a organização. Entre estas contas também estão perfis relacionados à legenda populista de direita alemã Alternativa para a Alemanha (AfD).

A Avaaz diz ter relatado mais de 500 páginas e grupos suspeitos, que são seguidos no total por quase 32 milhões de usuários e geraram mais de 67 milhões de interações – comentários, curtidas e compartilhamentos – nos últimos três meses.

No mesmo período, os conteúdos relacionados a essas páginas e grupos geraram 533 milhões de visualizações, segundo cálculo da Avaaz. 

A organização acrescentou que o Facebok já removeu 77 páginas e contas reportadas em abril e maio "que juntas tinham três vezes mais seguidores (5,9 milhões) do que os seis principais partidos europeus de extrema direita ou anti-UE" – Liga, AfD, VOX, Partido Brexit, Reunião Nacional (ex-Frente Nacional) e PiS, que somam 2 milhões.

"O Facebook permitiu que muitas atividades suspeitas e conteúdo malicioso se espalhassem. É preciso excluir e realizar imediatamente verificações em toda a UE para detectar outras atividades suspeitas em sua plataforma", como contas duplicadas que ajudam a amplificar uma mensagem ou páginas que mudam seus nomes, afirmou a Avaaz.

As análises da Avaaz detectaram cerca 131 contas e oito páginas suspeitas na Alemanha. É o país mais afetado, seguido pela Polônia, com 43 perfis e 27 grupos. Ao compartilhar sempre a mesma mensagem, como, por exemplo, "Merkel mentiu", estas páginas conseguiram enganar o algoritmo do Facebook e posicionar melhor suas mensagens na rede social.

Estas contas apoiavam amplamente a AfD e também espalharam conteúdo e desinformação extremista de direita. Sob o nome da política alemã Laleh Hadjimohamadvali, da AfD, existiam quatro contas pessoais, conectadas entre si e que, em parte, postavam conteúdo idêntico.

A política da AfD confirmou o fechamento de pelo menos uma destas contas e afirmou não ter sido a primeira vez. Hadjimohamadvali afirmou também que já teve inúmeras postagens deletadas ou bloqueadas.

No ano passado, Hadjimohamadvali foi condenada por um tribunal a ´pagar uma multa por disseminar retratos violentos. Ela publicou uma postagem sobre abuso infantil no mundo islâmico. "Estou sendo privada da liberdade de expressão", disse Hadjimohamadvali à emissora pública SWR.

A investigação da Avaaz também encontrou conteúdo ilegal na Alemanha, como suásticas e postagens que apoiam os negadores do Holocausto. Estes conteúdos foram divulgados por contas que seguem a AfD no Facebook.

A ONG americana especializada em ativismo online lançou uma campanha chamada "Corrigir o registro", que visa forçar o Facebook a mostrar para todos os usuários textos que contradizem aqueles conteúdos vistos e identificados como falsos pelos serviços de checagem de fatos.

No DW
Leia Mais ►

Órfãos na passarela, uma monstruosidade com patrocínio judicial


Viramos monstros?

Ontem, no Pantanal Shopping, de Cuiabá, com o apoio do Poder Judiciário de Mato Grosso, a Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso (OAB-MT), Governo do Estado e do próprio shopping, realizou-se o “evento” Adoção na Passarela.

Vinte crianças e adolescentes entre 4 e 17 anos, órfãs ou abandonados,  acolhidos em instituições de Cuiabá e Várzea Grande  desfilaram ante uma plateia de classe média, encantada como quem vai a um pet shop, para ver se alguém se interessava em adotá-las.

Os promotores festejam a cena maravilhosa: as crianças ganham “roupas novas, um dia de beleza, incluindo penteados e maquiagem, tudo isso para se divertirem no desfile que pode resultar no encontro de uma família”.

Adoção, algo personalíssimo, decisão íntima da família, aceitação emocional da criança, vira, assim, um desfile como o de Kennel Club, onde a beleza das carinhas, o estilo do penteado e o andar gracioso passam a ser os critérios de “pegar ou largar”. Ajudados, claro, pela “roupinha gourmet’.

São, certamente, “homens de bem” e “senhoras virtuosas” os que estavam na plateia, prontos a escolher um menino ou menina como se fossem um cocker spaniel ou um bichon frisé. Tão imbuídos do bem que até poderiam escolher uma criança mulatinha, para provarem que não têm preconceito.

Aproveitam, também, para se promoverem na high society cuiabana – “high society’ de shopping, vê-se – como bons cristãos, generosos e, claro, com um “projeto social” de levarem para casa um dos “bichinhos”.

Onde estão a Justiça, a OAB e o Ministério Público, que deveriam estar proibindo esta exposição desumana de pequenos seres humanos, indefesos e dependentes de alguém que os cuide com proteção e carinho?

Ah, sim, estão promovendo o “evento”…

Fernando Brito
No Tijolaço
Leia Mais ►

Míriam Leitão reagiu como Bolsonaro à merecida carraspana moral que Jean Wyllys lhe aplicou

Miriam Leitão, Moro e Vladimir Netto: tudo em família
Míriam Leitão acusou o golpe.

Escreveu uma coluna dizendo que “o presidente Jair Bolsonaro não sabe governar” e “é essa a razão da sua performance tão errática nestes quase cinco meses”.

Jean Wyllys apontou o óbvio: “Onde você estava nos quase 30 anos de nulidade de Bolsonaro no parlamento brasileiro?”

Míriam bolsonarizou.

“Deixa de ser bobo e mal informado. Vai ler minhas colunas antes de falar. Pessoa pública fala com mais seriedade”, atacou.

Jean está corretíssimo.

Míriam passou três décadas vizinha aos Bolsonaros e nunca deu um pio.

Sua obsessão, atendendo aos empregadores, era o “lulodilmismo”, o petismo, qualquer traque dos governos petistas.

Fez carreira assim.

Quando pôde confrontar Bolsonaro numa sabatina na GloboNews, ouviu-o calada defender torturadores, tendo sido ela vítima de sevícias nos anos 70.

Ao final do programa, leu, bovinamente, o famoso editorial dos Marinhos fazendo o mea culpa por ter apoiado a ditadura.

Agora é fácil bater em Bolsonaro.

Bolsonaro deve seu sucesso, em parte, a Míriam e seus colegas com suas perorações demagógicas nos últimos anos, demonizando pessoas e ideias.

Cadê a autocrítica tão cobrada?

Sintomaticamente, Sergio Moro é poupado por ela.

Vale lembrar que o ex-juiz, atual ministro da Justiça, foi biografado pelo filho de Míriam, Vladimir Netto, repórter da emissora.

Isso é uma aberração em qualquer lugar do mundo, menos no Brasil.

Hora dessas Míriam começa a criticar Moro.

Mas só quando ele estiver no chão e os Marinhos tiverem dado o ok.





Kiko Nogueira
No DCM
Leia Mais ►

Tábata Amaral desmascara Abraham Weintraub e diz que vai entrar com processo contra o ministro

"Eu cobrando planejamento estratégico, falando de coisas sérias, com respeito e o senhor me responder com isso. Que falta de maturidade, pelo amor de Deus”, exclamou a deputada


A deputada Federal Tábata Amara (PDT-SP) afirmou, nesta quarta-feira (22), durante reunião da Comissão de Educação da Câmara, que contou com a presença do ministro da Educação, Abrahão Weintrab, que está entrando com processo por danos morais contra o ministro por “distribuir em uma comissão pública, prints do seu número pessoal, da minha equipe com mentiras, o que é pior”.

Veja o vídeo abaixo:



A deputada fez a declaração após cobrar do ministro o planejamento estratégico do ano, com os cortes anunciados. “Isto é um constrangimento, isto não é uma atitude de um ministro, e eu tenho vergonha da gente estar aqui, eu cobrando planejamento estratégico, falando de coisas sérias, com respeito e o senhor me responder com isso. Que falta de maturidade, pelo amor de Deus”, exclamou.

O ministro alegou, durante o encontro, que havia feito quatro convites à deputada, através de sua equipe, para visitar o ministério e tomar pé da situação. Tabata mostrou os convites que, segundo ela foram três e vieram, na verdade da administração anterior, do então ministro Ricardo Vélez. “O senhor tomou posse dia 9 de abril e compartilha com o público três convites, sendo que o último foi feito dia primeiro de abril. Pelo menos faça as contas pra não passar constrangimento também”, afirmou.

No Fórum
Leia Mais ►

Suspeito de executar mendigo foi preso bêbado brandindo arma em bar e liberado em seguida

Marcelo Pereira de Aguiar
O colecionador de arma, no jargão dos seus conhecido como CAC (colecionador, atirador esportivo ou caçador), Marcelo Pereira de Aguiar, suspeito de executar um morador de rua em Santo André (SP) no último dia 11, foi preso em flagrante por porte ilegal de arma no dia 1 de março deste ano.

Isso foi divulgado pela imprensa nos últimos dias. Também se informou que o suspeito, antes de ser preso, tentou se passar por autoridade policial (delegado da Polícia Federal), assim buscando criar uma justificativa para estar armado no meio da rua.

Na ocasião, acabou preso em flagrante delito por porte ilegal de arma, crime (Lei 10.826/03, Art 14) pelo qual responde até hoje, em liberdade, após ter pago fiança de R$ 6.000.

O que a Polícia Civil do Estado de São Paulo não informou é que a prisão de Aguiar se deu na madrugada do dia primeiro de março, quando o suspeito de homicídio, após ter ingerido duas garrafas de vinho, segundo ele mesmo narrou e um laudo pericial confirmou, parou em um bar para tomar uma dose de uísque, e então passou a brandir uma pistola com 14 balas no pente, em frente a um bar na rua Dr. Baeta Neves, em São Bernardo do Campo(SP), visivelmente embriagado, ameaçando quem por ali passava, ao ponto de fazer desmaiar de medo um cidadão, e ao ver este homem no chão, passou a dizer que era policial, no que chamou a atenção e a desconfiança de mais pessoas, que ligaram para a polícia, que foi ao local e constatou que ali se dava uma ocorrência, qual seja, um homem bêbado, armado, ameaçando pessoas e causando pânico.

No último dia 20, Aguiar teve sua prisão preventiva decretada no âmbito deste processo (além  de ter tido prisão ordenada na investigação da morte do morador de rua), evidenciando que a Justiça reconheceu o erro no relaxamento da prisão em flagrante.

Os fatos acima estão narrados no Inquérito 206620, lavrado no Primeiro Distrito Policial de São Bernardo do Campo, ao qual o DCM teve acesso.

Também se lê nos mesmos autos que o colecionador de armas e empresário alegou, já na Delegacia de Polícia, após ser preso em flagrante por porte ilegal de arma, que portava sua pistola Sig Sauer .380 com 14 cartuchos, ainda que não tivesse direito para tanto, porque se sentia inseguro sem ela nas ruas, dada a violência que se vê no Brasil.

Já no distrito policial, afirmou que estava arrependido de tudo, e afirmou que não faria mais uso indevido da sua arma.

Hoje, é o principal e único suspeito da execução inexplicável de um morador de rua.

A embriaguês de Aguiar, o desmaio por medo da vítima e as ameaças armadas de Aguiar com sua arma não são hipóteses.

São fatos narrados por testemunhas e por laudos periciais, como se vê nos documentos presentes nesta reportagem.

O presidente Jair Bolsonaro assinou decreto no último dia 7 permitindo que colecionadores de armas registrados – como Aguiar – possam ir de casa ao lugar de treinamento (ou participar de competições) com as suas armas carregadas de munição, desde que tenham posse de seu certificado de Registro de Colecionador, Atirador e Caçador.

A maior liberdade para os CACs comprarem, portarem e fazerem uso de armas e munições é uma bandeira manifesta do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), ele próprio um CAC orgulhoso.

De acordo com o parlamentar, os colecionadores de armas não devem ser tratados como bandidos ou assassinos.

Tá certo.

Vinicius Segalla
No DCM
Leia Mais ►

A Lava Jato produziu o governo Bolsonaro


Os antigos defensores da Lava Jato, que festejaram quando a prisão de Lula impediu sua vitória eleitoral, reagem com perplexidade às estultices do governo Jair Bolsonaro. Ignorando a óbvia relação causal dos fenômenos, fingem que o jabuti subiu na árvore sozinho, como se a tragédia anunciada fosse um mero acidente de percurso na Cruzada Anticorrupção.

É fácil notar que a Lava jato enriquece delatores, advogados e multinacionais estrangeiras. Já considerá-la benéfica para o povo que a financia depende do repertório de valores de cada um. Se derrotar o lulismo compensa quaisquer sacrifícios, colapsos e prejuízos, maravilha, deu certo. Se nada justifica eleger milicianos e dementes obscurantistas, a conta não fecha.

O meio-termo, usado por muitos para fugir do dilema, disfarça a escolha pela primeira opção. Um dos apelos do imaginário fascista reside justamente em prender (e matar) bandidos. Não é outra a origem do discurso de que a corrupção supera negativamente a desigualdade social, a incompetência administrativa e o racismo institucionalizado. Ou o próprio fascismo.

E precificar os lados da balança não ajuda a equilibrá-la. Quantas fortunas recuperadas pagam a destruição da universidade pública, da cultura, dos direitos individuais? Quantos larápios aposentados ou irrelevantes compensam a inelegibilidade de um candidato favorito a presidente da República, o único capaz de impedir a escalada reacionária?

A agenda saneadora jamais precisaria da Lava Jato e do resultado eleitoral que ela gestou. As condenações de burocratas e políticos metidos em esquemas antigos e notórios seriam resolvidas há décadas, sem rótulos espalhafatosos, desde que policiais, procuradores e juízes cumprissem suas prerrogativas básicas. Todos esses casos dispensariam os arbítrios aplicados a Lula em nome da impunidade alheia. Só a excepcionalidade atingiria o petista.

Nisso a Lava Jato, porque ideológica, foi eficaz: partidarizou a constitucionalidade, tornando o antipetismo um alento moral para a naturalização do arbítrio. Nada mais explica o silêncio das cortes superiores diante dos métodos aplicados a Lula, cheios de vícios primários, que teriam derretido qualquer processo “comum”. O fato de não criar precedentes, mas exceções pontuais irrepetíveis, mostra o caráter deliberado e sistemático dessa covardia.

Basta resumir a trajetória de Sérgio Moro para sabermos que não houve mera coincidência entre as suas atividades e a ascensão fascista. O juiz vazou grampos ilegais para derrubar um governo, condenou por “crime indeterminado” o candidato do mesmo partido, manteve-o incomunicável na disputa eleitoral, ajudou a campanha do seu maior adversário e se tornou ministro da chapa vencedora. A de Bolsonaro, que lhe prometeu uma vaga no STF.

Esse pragmatismo oportunista só faz sentido como estratégia de poder. Não há justificativa técnica para encenações midiáticas e vazamentos de dados sigilosos. E é ilustrativo o gosto contraditório pela publicidade numa operação que resguarda seus próprios segredos tão bem, inclusive negando às defesas o acesso a documentos dos inquéritos.

A evidência final de que a Lava Jato pariu o monstro está na afinidade ética de ambos. O recurso de Moro ao espetáculo obscurantista e a manobras clandestinas sempre que algo ameaça seus interesses é típico do governo que o abriga. As pressões de militares sobre o STF na campanha e a desobediência às ordens de soltura de Lula têm a mesma essência.

Refém da desgraça bolsonariana, incapaz de sobreviver a uma CPI bem feita, a Lava Jato virou parte do sistema viciado que prometia destruir. É impossível separar cruzados judiciais e administrativos, pois o elo populista que os une também lhes confere sua única fantasia de legitimidade. Eles dependem do mesmo contingente raivoso e vingativo.

A normalização do país exige, portanto, que todos os articuladores do golpe que tirou Lula da disputa presidencial respondam juntos pelo desastre resultante. Permitir que os indignados tardios reciclem a agenda salvacionista, quiçá em torno do próprio Moro, seria um aval para novas aventuras tenebrosas da “gente de bem” que o idolatra. Os arrependidos de hoje sabiam, desde o início, aquilo que a Lava Jato preparava.

Guilherme Scalzilli
Leia Mais ►

Como fica a vida de quem já não consegue mais andar e a doença não tem cura

https://www.balaiodokotscho.com.br/2019/05/21/como-fica-a-vida-de-quem-ja-nao-consegue-mais-andar-e-a-doenca-nao-tem-cura/

Como cidadão e repórter, participei de quase todas as principais manifestações contra a outra ditadura militar (1964-2019).

Agora que a desgraça ameaça voltar pelas mãos de um presidente kamikase, o capitão Bolsonaro, não tenho mais pernas nem saúde para ir às ruas.

Embora more a poucas quadras da avenida Paulista, senti muito não poder participar dos protestos da semana passada, mas fiquei feliz porque meus netos foram.

Depois de quebrar quase todos os ossos do corpo em acidentes variados, já não consigo andar nem ficar de pé por muito tempo.

Não poder caminhar sobre as próprias pernas é uma das limitações mais dolorosas para quem passou a vida viajando por todo o Brasil e metade do mundo.

Já fiz todo tipo tratamento, anos de fisioterapia,  mas estou cada vez mais “com dificuldades de locomoção”, como falam nos aeroportos.

Estacionado na minha casa, de onde pouco saio, só pude ver as manifestações pela TV e no computador.

Por coincidência, ou não, estou lendo por estes dias o maravilhoso e comovente livro do meu amigo Nirlando Beirão, um dos melhores textos e dos mais decentes jornalistas do país, que vai lançar domingo “Meus Começos e Meu Fim” (Companhia das Letras), no restaurante Frontera, a partir das 16 horas.

Nirlando tem uma trajetória profissional parecida com a minha, começamos na mesma época e temos a mesma idade, e também passou a vida viajando e pousando nas nossas melhores redações.

Fomos os dois, sob o comando do bravo Hélio Campos Mello, cofundadores e repórteres da revista “Brasileiros”, que tanta falta nos faz nos tempos atuais.

Ao mesmo tempo, trabalhamos juntos, como comentaristas políticos, por sete anos, no Jornal da Record News, do Heródoto Barbeiro, e fomos demitidos no mesmo dia, sem maiores explicações.

Já estou terminando de ler o livro, mas sem pressa, porque é tão bom que não quero que acabe.

Uns três anos atrás, ainda na Record News, Nirlando começou a andar mancando, mas ninguém podia imaginar o motivo, nem ele.

Certo dia, apareceu na redação de bengala, depois de andador, por fim numa cadeira de rodas, onde está até hoje, precisando de ajuda de bombeiros para chegar ao estúdio.

Depois de mil exames, o amigo foi diagnosticado com ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica), uma doença rara, que vai enfraquecendo os músculos cada vez mais, e ainda não tem cura.

No livro, o jornalista e escritor ainda tem forças para brincar com ele mesmo, com seu texto finamente irônico, sem nunca descambar para o piegas nem se fazer de vítima do destino.

Conta a sua história e a da família como se estivesse falando de personagens de um romance ficcional, sempre com leveza, pesando cada palavra, apesar do enredo dramático.

Um desses personagens parece mesmo ter saído de Eça de Queiroz, mas era de carne e osso:  seu avô paterno, Antonio Cabral Beirão, nascido na Beira Alta, daí o nome.

É em torno dele, um padre que se apaixonou por uma beata, na pequena cidade mineira de Oliveira, largou a batina e criou uma bela família, que gira toda a narrativa.

Corintiano e mineiro, acima de tudo, o autor deste belo livro nos mostra como é possível viver sem ceder às pedras do caminho, empurrando-as com sutileza, na maciota.

NIrlando é um artista da palavra, capaz de transformar um caso banal do cotidiano em obra prima, com economia de letras. Tenta sempre arrancar pelo menos um sorriso do leitor.

Quem melhor resume o que Nirlando viveu e está vivendo é um dos seus médicos e também nosso amigo, Drauzio Varela, na contra-capa do livro:

“Os textos de Nirlando Beirão sempre estiveram entre os melhores do jornalismo brasileiro. Neste livro, reúne histórias do passado para confrontá-las com as adversidades enfrentadas por alguém com uma doença que impõe debilidade muscular progressiva, com graves limitações físicas. O resultado é uma reflexão profunda sobre o significado e a fragilidade da existência humana”.

Outro dia, no ano passado, o malandro com jeito de lorde nos deu um belo susto.

Após um almoço no mesmo restaurante aonde será lançado o livro, sem mais, ele acionou sua cadeira de rodas motorizada e avisou que estava indo embora para casa.

Apenas disse que tinha chamado um táxi especial que o costumava transportar com a cadeira.

Saímos à calçada e não vimostáxi nenhum, nem o Nirlando, que tinha sumido sem deixar vestígios.

Até hoje, não sabemos se pegou um táxi invisível ou se foi pilotando seu veículo até em casa, a muitos quarteirões de distância.

Nirlando sempre foi assim: uma figura imprevisível e adorável, com seu sorriso matreiro de matuto das gerais.

Pena que não será mais possível nos encontrarmos nas manifestações em defesa da democracia. Vamos ficar só torcendo de longe, sem parar de escrever…

Apesar das limitações e de só trabalhar em casa, Nirlando Beirão ainda é o redator-chefe da Carta Capital, uma revista de resistência do Mino Carta, que não se entrega nunca, a cara dos dois amigos.

Sucesso, garoto!

Vida que segue.

Ricardo Kotscho
Leia Mais ►

A cidade tem de ser para todos


Quem em sã consciência gosta de pobreza? Ninguém. Cada ser humano no mundo só tem uma proposição: viver a vida em alegria, sendo amado e saciado. Ademais, a pobreza não é uma coisa natural, que acontece na vida por obra de deus ou do destino. Não. A pobreza é coisa construída historicamente. Ela acontece quando algumas pessoas, pelo uso da força, da mentira ou da persuasão, se apropriam da vida do outro, relegando-o a uma existência sem fartura. No caso da pobreza do nosso tempo, ela é fruto da forma como se organiza a vida no modo capitalista de produção. 

Nesse modo há uma pequena fatia que se adona dos meios de produção e uma grande maioria que vende sua força de trabalho como única saída para sobre/viver. O trabalhador, em verdade, não vive. Ele apenas mantém a cabeça fora da lama da miséria. E os que, por algum motivo não conseguem ou não querem vender sua força de trabalho estão fadados ao abandono ou à morte. 

Quando o capitalismo começou com suas grandes fábricas moendo gente, era tanta família saindo do campo, expulsa pelos pretensos donos da terra, que não havia como as fábricas absorverem tantas pessoas com empregos. Então, o povo que conseguia trabalho, era obrigado a aceitar as condições absurdas de 18 ou mais horas de labuta, parcos salários e casebres imundos para viver. E os que não conseguiam emprego, vagavam pelas ruas, causando constrangimento aos abastados. Foi por isso que criaram leis contra a “vagabundagem”, e essas leis tornavam legal, inclusive, a escravidão. Se fossem pegas vagando pela rua, sem trabalho, as pessoas eram presas e vendidas, quando não mortas. A pobreza dos desgarrados da terra era vista como uma doença, que precisava ser escondida dos olhos das “pessoas de bem”. 

Então, não é novidade esse nojo e horror que os pobres causam aos abastados. Desde o começo do capitalismo foi assim. Basta ler os textos do velho Marx, lá no “Capital”. 

Hoje, em Florianópolis, vivemos esse momento doloroso, no qual as vítimas do capital são tidas como uma doença contagiosa. Vivendo um crescendo vertiginoso no número de moradores em situação de rua, a capital do estado de Santa Catarina, conhecida como Ilha da Magia, busca punir aqueles e aquelas que, na verdade, só precisariam de uma chance para colocar a cabeça acima da linha da miséria. 

Com as “pessoas de bem” reclamando muito dessa multidão de desgraçados dormindo nas ruas, a solução encontrada pela prefeitura foi colocar tapumes nos lugares onde o povo da rua busca abrigo para dormir. E isso é feito bem agora, quando o inverno está vindo. No nosso provinciano jogo dos tronos, os reis da cidade decidiram que o povo da rua é feio demais, fede demais, atrapalha demais e como não para de se multiplicar, a solução é simples: impedir que vivam. Já que não podem ser presos por “vagabundagem”, então que se tire tudo deles, os pequenos abrigos, a possibilidade da comunhão, a sociabilidade. 

O terror do nosso tempo é ter de vir escrever um texto no qual o que se tem a dizer é que tirem os tapumes, para que as pessoas possam dormir embaixo das marquises. Isso é, deveras, inaceitável. Pessoas há, é verdade, que vivem na rua por querer. São poucas. No geral, os que estão em situação de rua são pessoas quebradas psicologicamente, abandonadas, sem chances de trabalho, alguns dependentes químicos (que é uma condição de falta de saúde). E são consequência desse sistema que explora e mantém a pessoa no limite da vida. A rua é sua casa porque ainda que, desprovidos de tudo, eles querem viver. Querem desfrutar do jardim que deveria ser a vida. Querem a alegria e a felicidade. 

Impedidos de dormir nas marquises da Deodoro, os moradores em situação de rua se mobilizaram, porque afinal de contas também são pessoas com direito à cidade, e foram reivindicar junto à prefeitura. A ação dos moradores, juntamente com representantes de outros movimentos sociais e vereadores, exigiu da prefeitura um espaço digno para que as pessoas possam se abrigar. Hoje, os espaços que têm são poucos e cheios de regras que muito pouco podem ser cumpridas.

A batalha segue sendo travada. Os moradores da cidade, que têm casa para morar, olham os moradores de rua com intolerância. “Eles que vão trabalhar, deem duro como eu dou”, diz uma mulher no ônibus, enquanto vai apontando as dezenas de pessoas deitadas embaixo das árvores. Não há compaixão. E não há compaixão porque não há entendimento. Mergulhados na sua própria luta para não morrer, até mesmo os trabalhadores, que deveriam ser solidários, apoiam as ações higienistas. “Aquela rua lá (a Deodoro) é um fedor só. Tá certo”.

A Deodoro fede sim. Fede a gente que não conseguiu se inserir no “mercado”, fede a pobreza. Uma pobreza que é fruto da nossa própria incapacidade de construir uma sociedade justa. A saída é “limpar”, tirar o problema do caminho. Esconder. Deixar o centro saneado para os compradores de mercadorias. Não há espaço para a empatia. São os tempos do capital.

A triste notícia é que num modelo de sociedade que gera pobreza, é impossível escondê-la, domá-la, impedi-la. Enquanto a máquina do capital moi uma parte do povo, outra parte vive à margem. E luta. Porque também quer compartilhar do banquete. 

Em Florianópolis, o povo da rua não se cala, se junta e reivindica. A vida boa e bonita tem de ser para todos.

Elaine Tavares
No Palavras Insurgentes
Leia Mais ►

Manifestações de domingo são jogo de perde-perde para Bolsonaro


Jair Bolsonaro parece ter percebido que entrou numa fria, e agora tenta sair de fininho das manifestações convocadas por movimentos de direita para domingo. Alguém levou ao presidente o raciocínio repetido nos gabinetes do Congresso: a convocação para o povo ir  às ruas no dia 26 em apoio ao governo e seus projetos, e contra o Congresso e o STF, é um jogo de perde-perde para o Planalto. Se for um fracasso e aparecerem poucas pessoas nas ruas, enfraquece ainda mais o governo; se for um sucesso, provocará reação implacável e imprevisível dos outros poderes contra o Executivo.

Pena que Bolsonaro tenha demorado um pouco para perceber isso. Ele foi longe demais, dedicando os últimos dias a atos de provocação pura com o Legislativo, acirrando os ânimos com a propagação de texto considerando o Brasil “ingovernável” por causa do Centrão e afirmando em discursos que o problema do país é sua classe política.

Fiel a seu estilo vai-e-vem, foi alertado e recuou nas ofensas ao Congresso, que, diante do cenário esquisito, tratou de botar em pauta as medidas provisórias que relutava em votar. Nesse mini-acordo de paz, Bolsonaro ensaiou elogios a seus dirigentes e aproveitou a reunião ministerial da manhã de terça-feira para orientar seus ministro a não comparecerem aos protestos de domingo – determinação repetida depois pelo porta-voz da Presidência. Foi avisado inclusive que o próprio presidente decidiu não ir mais à manifestação – como se, em algum momento, alguém tivesse dito que ele iria.

Desde o início, havia sérias dúvidas na própria base bolsonarista em relação a essa iniciativa. Estrelas de seu próprio partido, o PSL, como Joice Hasselman e Janaína Paschoal, já haviam se colocado contra a convocação, assim como integrantes do MBL e de outras organizações de direita especializadas em mobilizar coxinhas para ir às ruas. Mas, dentro da desorganização que caracteriza essas forças, a mobilização continuava sendo feita nas profundezas das redes sociais ativadas pelos bolsominions.

A quatro dias do protesto, pode ser tarde demais para Bolsonaro se livrar do abacaxi. O movimento poderá ser esvaziado, com pouca gente nas ruas, sem chegar aos pés das manifestações dos estudantes da semana passada – o que, por si só, já provocará um contraste desfavorável às forças da direita governista. Mas, a não ser que o próprio Bolsonaro e seus filhos digam explicitamente que não é para ninguém sair de casa – o que, a esta altura, seria um vexame e uma desfeita para seus seguidores – as manifestações do domingão vão ocorrer.

Quatro dias depois, no dia 30, está programado um novo protesto com sinal contrário, convocado pelos movimentos de esquerda de estudantes, centrais sindicais e outras categorias. E se tiver o impacto do último, que em 15 de maio levou muita gente às ruas, em todo o Brasil? A situação já anda desconfortável para Bolsonaro, mas pode ficar muito pior.

Helena Chagas
No Os Divergentes
Leia Mais ►