4 de set de 2015

A prima de Aécio, Anastasia e o próprio Aécio

A prima Tânia com o marido
De uma coisa Aécio não pode ser acusado: de não dar empregos públicos para a família.

Ele passou a campanha toda falando em meritocracia, que é a negação, exatamente, da prática de nomear a parentada.

E é uma prima sua, Tânia Campos, que trabalhou com ele no governo de Minas que irrompe, agora, no caso Anastasia, que a PF quer reabrir depois de Janot mandar arquivar.

O fato novo que justifica a reabertura, segundo a PF, é um email que afirma que dinheiro de propina foi entregue na casa de Tânia para a campanha de Anastasia para o Senado.

É revelador do mundo estranho em que vivemos que, mesmo com tamanha dor de cabeça por causa de dinheiro para campanha, Anastasia tenha votado dias atrás a favor da manutenção das doações de empresas para partidos e candidatos.

Ele e Aécio, e mais todo o PSDB.

Anastasia postou um vídeo-desabafo no YouTube no qual diz estar vivendo um “verdadeiro calvário” com esta história.

Há um ponto que merece consideração nas lamúrias de Anastasia.

Pertencer ao PSDB tem garantido imunidade contra aborrecimentos e investigações. A mídia amiga e a Justiça amiga cuidam de tudo.

E a regra é rompida logo comigo? É do parece se queixar, não sem alguma razão, Anastasia.

Considere seu mentor, Aécio.

Desde que se tornou uma figura nacional, ao disputar a presidência, emergiu nas sombras um Aécio bem diferente do Catão das Minas.

Ninguém investigou com seriedade, por exemplo, o aeroporto mandado construir em terras que eram da família, usado, aparentemente, para facilitar as idas de Aécio à sua fazenda nas redondezas, a “Versalhes” particular, como ele descreveu à revista Piauí.

Nem a Folha, que trouxe o assunto, fez um trabalho decente. Largou a história mal a iniciara, num coitus interruptus jornalístico.

Mais anedótica ainda foi a atitude do Jornal Nacional.

O aeroporto foi desprezado no noticiário como se não valesse nada. Só que na entrevista que o JN fez com Aécio o aeroporto recebeu tratamento de gala.

Aécio poderia ter respondido a Bonner, se estivesse preparado para a pergunta: “Mas, meu querido, se era uma coisa importante, e não uma armação dos meus inimigos, por que vocês não deram?”

O Outro Aécio surge de algo que nem as grandes empresas de mídia e nem a Justiça controlam: a internet. O jornalismo independente que se pratica longe das corporações.

É este jornalismo independente que cobra vigorosamente que as mesmas regras jurídicas e legais aplicadas contra o PT valham também para o PSDB.

O símbolo máximo da blindagem era FHC, cuja emenda de reeleição foi comprada com dinheiro vivo no Congresso, conforme documentou anos atrás a Folha em mais um coitus interruptus investigativo.

Agora FHC foi substituído, como ícone da blindagem total, por Aécio, o cínico que prega a meritocracia mas emprega a parentada como a prima Tânia, agora metida nas investigações da Lava Jato.

Paulo Nogueira
No DCM
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3 de set de 2015

A demissão de jornalistas e o choque de realidade


A demissão é um choque de realidade. Você passa centenas, milhares de manhãs, tardes, noites e até madrugadas enfurnado numa redação tensa e claustrofóbica. Perde os melhores momentos da infância de seus filhos equilibrando-se sobre um tapete que seus amigos virtuais puxam dissimuladamente, dando-lhe tapinhas nas costas toda segunda-feira e perguntando como foi o fim de semana.

Não importava pra você se o jornal em que você trabalhava apoiou dois golpes de estado e só desistiu na última hora de liderar o terceiro porque ia pegar muito mal. Sentindo-se parte daquela família, você relativizava toda a sacanagem. O que queria mesmo era poder entrar num shopping sábado à tarde e posar de classe dominante. Sim, você era o rei do supermercado, carteira cheia, empáfia, carrinho abarrotado. Venci, você pensava, com cuidado para o seu orgulho besta não dar na vista.

Parecia até que era dono de alguma coisa além da sua força de trabalho. Sim, você confundiu tudo: uma coisa é o patrão, o dono da parada, a outra é você, o empregado, peça descartável como aquele faxineiro que coloca papel higiênico nos banheiros da redação. A culpa não é sua, qualquer um ficaria inebriado. Sei, seus textos são ótimos, nesses anos você fez isso e aquilo, entrevistou grandes astros, ministros, até presidentes. Mas isso tudo e nada para o manda-chuva é a mesma coisa. Seu belo currículo não resistiu à tesoura de um tecnocrata e Prêmio Esso não tem valor em nenhuma padaria da cidade.

Você ontem caiu das nuvens (bem, é melhor do que cair do segundo andar). Pelos seus anos de dedicação e suor, recebeu um rotundo pontapé no traseiro. Agora, ninguém vai mais convidar o "Fulano do Jornal Tal" para um almoço grátis. Porque o convidado na verdade era o Jornal Tal e não o Fulano. Entradas para teatro e cinema? Esqueça. Daqui em diante, ou você paga o ingresso ou fica na calçada da infâmia.

Não, amigo, você não é classe dominante, mesmo que tenha defendido os ideais dos seus patrões com unhas e dentes e a maior convicção do mundo. Suas ideias neoliberais talvez não façam mais sentido a partir de hoje. Será preciso encarar os vizinhos sem aquele poderoso crachá no peito. É hora de engolir o orgulho. Tem um gosto meio amargo, mas você consegue.

Marcelo Migliaccio é jornalista com passagens nos principais jornais do país
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Direita brasileira parece desistir de querer ser Europa

Lições a considerar desde Berlim: nossas elites insistem em achar que Brasil não tem jeito, mesmo quando o país se aproxima de padrões do Primeiro Mundo

Limite de velocidade em cidades em países europeus,
adorados por paulistanos, é de 50 por hora. Sem discussão
Uma das características de muita gente da direita brasileira é sua extrema falta de educação, selvageria, incivilidade, grossura e desprezo pelo próprio país. Com exceção desse último item, os restantes não são exclusivos do Brasil. Por exemplo, aqui na Alemanha a extrema-direita tem-se esmerado em atos de selvageria, grossura etc. contra os imigrantes, refugiados, que aqui acorrem (embora muitos cidadãos daqui estejam se esmerando em bem recebê-los).

Recentemente houve casos como o do cara que entrou numa estação de metrô e urinou — urinou (!) — em cima de imigrantes que lá estavam, inclusive uma criança. Houve atentados a faca em casas de refugiados, ou até com gás pimenta, mandando gente para o hospital. Sem falar nos incêndios criminosos que se multiplicam contra estes abrigos durante a noite.

Mas no Brasil predomina uns "gestos" da direita que consistem em afirmar constantemente que "o que é bom para a Europa e os Estados Unidos não é bom para o Brasil". Transporte público privilegiado em relação ao individual, corredores de ônibus, restrições ao uso de carro, controle rígido de velocidade, saúde pública, etc. etc. etc. — tudo isso é bom para a Europa, mas não para o Brasil, "nem existe no Brasil" o que, aliás, é mentira, porque o SUS é muito melhor do que muito do que existe em muitos países na Europa e também nos Estados Unidos (onde o sistema público de saúde claudica e está sendo reerguido por Barack Obama, contra uma feroz oposição dos republicanos).

Tome-se o exemplo do controle de velocidade. Li estarrecido que há uma ação judicial movida pela OAB-SP (corrijam-me se eu estiver errado) contra a diminuição da velocidade máxima nas marginais da capital paulista. Apesar de o número de acidentes ter baixado depois da medida. Vi outras manifestações grosseiras na mídia velha, por parte dos arautos do individualismo feroz, contra a extensão de corredores de ônibus e de ciclovias em São Paulo. Um descalabro político e moral, só compreensível pelo desvario mal-educado que tomou conta dos direitistas no país desde a Copa do Mundo e em especial depois da inesperada (só para eles) derrota do Aécio em outubro passado.

De vez em quando vale mesmo prestar atenção em lições que podem ser lidas a partir da Europa, desde que sem eurocentrismo nem aquilo de acreditar que o Brasil não tem jeito. Por exemplo:

1 — Aqui em Berlim, como em todas as cidades da Alemanha, o limite de velocidade nas ruas é de 50 quilômetros por hora. Perto de escolas ou em regiões densamente povoadas, 30. Exceções: as autoestradas de administração municipal, onde o limite é 100.

2 — Pedestre tem preferência em qualquer lugar.

3 — Em muitas das autoestradas federais não há limite de velocidade. Mas em outras há: 130, 100, 80 quilômetros por hora.

4 — Em estradas de zonas rurais os limites não variam: 100, 90, 80, 70 quilômetros por hora. Mas atravessando zonas urbanas cai para 50, e em centros de cidades, 30.

5 — O controle desses limites é rígido. Não há recurso, a menos que se comprove um erro por parte da autoridade ou de radares etc.

6 — Se passar três por um sinal vermelho, adeus carteira de motorista. Alcoolizado, idem. Multas enormes. E penas duras, no caso de acidentes.

7 — Para completar este quadro que muita gente da nossa "élite" acharia dantesco se fosse no Brasil, o Senado de Berlim (em termos brasileiros o conselho de secretários municipais) adotou uma nova lei, estabelecendo um limite de 30 quilômetros por hora em certas ruas durante a noite, para diminuir o ruído, pois está comprovado que a submissão constante a ruídos acima de 55 decibeis durante o sono aumenta o risco de problemas cardiovasculares.

Durma-se com um silêncio desses!

Flávio Aguiar
No RBA
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Igreja Universal convence fiel a deixar tratamento contra Aids

Justiça condena Iurd a pagar indenização
A Iurd (Igreja Universal do Reino de Deus) foi condenada a pagar R$ 300 mil de indenização por danos morais a um portador do vírus da AIDS que abandonou o tratamento médico em nome da cura pela fé. Ainda como prova de convicção na intervenção divina, o homem teria sido levado a manter relações com a esposa, sem o uso de preservativos, o que ocasionou a transmissão do vírus.

Ao majorar a reparação — fixada em R$ 35 mil em 1º grau —, a 9ª câmara Cível do TJ/RS registrou que a responsabilidade da igreja decorre de “ter se aproveitado da extrema fragilidade e vulnerabilidade em que se encontrava o autor, para não só obter dele vantagens materiais, mas também abusar da confiança que ele, em tal estado, depositava nos ‘mensageiros’ da ré”.

O colegiado também levou em conta o estado crítico de saúde a que o autor chegou por deixar de tomar a medicação, em setembro de 2009. Poucos meses depois, com a queda da defesa imunológica, uma broncopneumonia obrigou-o a ficar hospitalizado por 77 dias, sendo 40 deles sob coma induzido. Ele ainda chegou a perder 50% do peso.

Para o relator do recurso no TJ, desembargador Eugênio Facchini Neto, os laudos médicos e o depoimento de psicóloga são provas de que o abandono do tratamento pelo paciente se deu a partir do início das visitas aos cultos. Esse fato, aliado a outras provas, como testemunhos e matérias jornalísticas, convenceram o magistrado sobre a atuação decisiva da Igreja no sentido de direcionar a escolha.

As provas citadas incluíam: declaração em redes sociais sobre falsas curas da AIDS propaladas por um bispo da IURD; gravação de reportagem de jornal de âmbito nacional com investigação sobre coação moral praticada durante os cultos; e testemunho de ex-bispo que admitiu ter doado tudo o que tinha para obter a cura da filha.

“Assim, apesar de inexistir prova explícita acerca da orientação recebida pelo autor no sentido de abandonar sua medicação e confiar apenas na intervenção divina, tenho que o contexto probatório nos autos é suficiente para convencer da absoluta verossimilhança da versão do autor.”

Do TJ/RS
No Paulopes
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A tática de expansão estadunidense na América do Sul


Os EUA, ao enviar tropas ao Perú, mandam uma mensagem para a região.
Uma guerra generalizada da direita latino-americana regida pelos EUA contra os governos progressistas ou simplesmente que não são do agrado de Washington, acrescenta desdobramentos e ameaças militares.

O problema afeta todos os latino-americanos e caribenhos, que já deveriam estar mobilizados para apoiar os protestos no Peru, cujo governo cada vez mais afunda no descrédito e a submissão.

A chegada do porta-aviões americano USS George Washington, com uma equipe de três mil 200 homens e armamento diverso, tem gerado protestos no Peru e se soma a chegada frequente de grupos militares naquele país.

De acordo com um anúncio oficial prévio, o navio nuclear singra águas peruanas desde terça-feira e sua presença vai durar até domingo, como parte de uma turnê sul-americana.

O navio partiu do porto japonês de Yokosuka, e destina-se à Base Naval de Norfolk, nos Estados Unidos, onde será modernizado, segundo a versão de Washington.

No entanto, várias organizações políticas e sociais peruanas rejeitam a presença do navio e de forma alguma acreditam que se trate de uma visita inocente.

O analista Gustavo Espinoza descreveu a chegada do porta-aviões "como uma operação secreta destinada a afirmar a presença dos EUA não só no Peru, mas na América do Sul, em uma circunstância em que o Império procura mudar a correlação de forças que impera na região."

O que ocorre com a chegada do navio de guerra, é algo certamente sem precedentes: nunca aconteceu antes. E isso só aconteceu em outros países como uma invasão militar norte-americana. Assim foi em grande parte do século XX, desde Puerto Rico até o Panamá, passando por Nicarágua, Honduras, República Dominicana, Guatemala e outros países. Agora se trata de tropas.

Dessa vontade, há provas irrefutáveis. Recentemente foi relatado que a administração estadunidense "expulsou" dos Estados Unidos milhares de membros de gangues salvadorenhas criminosos — os "Maras" — que estavam encarcerados em diversas prisões de EUA, apagando os registros criminais, a fim de facilitar o seu retorno a El Salvador e ali minar o governo de Sánchez Cerén.

Além disso, e com o apoio ativo de Álvaro Uribe, armou bandos que operam no estado de Táchira, na fronteira colombo-venezuelana, com a idéia de criar um conflito armado entre os dois países.

E se isso não bastasse, incentivou grupos reacionários no Equador, promovendo contra o governo constitucional do presidente Rafael Correa, uma campanha orientada para desacreditá-lo e destituí-lo. Isso é o que em as outras condições, querem também fazer com Dilma Rousseff, no Brasil.

Eles adorariam fazer o mesmo contra Cristina Fernández Kirchner, na Argentina; mas tudo indica que ali, nas eleições de outubro, o povo ratificará sua confiança nos Kirchner com a complacência das maiorias nacionais.

E, é claro, como não, contra o Chile, deteriorando a imagem de Michelle Bachelet e provocando rachaduras na unidade do grupo político que a sustenta. E o Império não mira pequeno. Busca o grande, porque julga que o grande envolve riqueza.

A Quarta Frota é turística?

Após 58 anos, a Marinha estadunidense reativou a Quarta Frota em 2008, com a tarefa de patrulhar águas latino-americanas.

Baseado na Base Naval Mayport, em Jacksonville (Flórida), a Quarta Frota dos Estados Unidos é responsável pelos barcos, aviões, porta-aviões e submarinos que operam no Caribe, América Central e América do Sul.

As Forças Navais americanas terão um comando de alto nível especificamente dedicado a supervisionar as tarefas de suas unidades na América Latina e no Caribe.

No entanto, um porta-voz militar dos EUA disse à BBC naquele ano, que isso não implica em si um aumento da presença militar dos EUA na região. Em 2015 essa manipulação é insustentável.

Obviamente, a hipocrisia imperial militarista é contundente. Também não seria uma ameaça as 80 bases militares, de vários tipos, que humilham a região e se inserem na estratégia da OTAN a partir da frente das Malvinas no Sul.



No ISLA Mía
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Gráfica que Gilmar Mendes quer investigar prestou serviços ao PSDB

Inspirado em "notícia reveladora" de blogueiros da revista "Veja", ministro pediu nova investigação das contas de campanha de Dilma. Mas esqueceu de incluir campanhas de Serra e Aécio em suas suspeitas

Gilmar Mendes: em vez de apurar, apenas reflexo condicionado a
novo estímulo da mídia contra Dilma
Uma má apuração de um blog de jornalistas demitidos da revista Veja, acusando uma gráfica que prestou serviços à campanha de Dilma 2014 de ser "empresa fantasma", serviu de base a um novo pedido de investigação contra a campanha. O ministro Gilmar Mendes, integrante de Supremo Tribunal Federal (STF) e também do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), já havia tido um pedido recusado pela Procuradoria-Geral da República por falta de consistência na acusação.

Depois da notícia, Mendes voltou a acionar o procurador-geral Rodrigo Janot para que reabrisse o caso.

A razão para o arquivamento anterior era simples: a VTPB Serviços Gráficos e Mídia Exterior, no mesmo ano de 2014, prestou serviços também à campanha de José Serra (PSDB) e de Aécio Neves (PSDB). Em 2012 foi fornecedora de campanhas de vereadores do PSDB, PMDB e PSD. E antes ainda, em 2010 trabalhor para diversos candidatos e partidos.

Os fatos comprovam que jamais se tratou de uma "empresa fantasma", e o ministro Gilmar Mendes parece ter apenas acreditado, voluntariamente ou não, na "barrigada" (como é chamada a informação errada no jargão jornalístico) dos blogueiros.

Mendes deveria ter pedido a seus técnicos do Tribunal Superior Eleitoral uma simples consulta ao histórico da VTPB e suas relações com muitos dos partidos políticos do país. Essa consulta é disponível e fácil a qualquer internauta com mais de 8 anos de idade.

Segundo a "apuração" dos referidos blogueiros, ignorando as prestações de contas de 2010 e 2012, a empresa, aberta em 2008, teria atividade de "banca de jornais" até 25 de julho de 2014, quando alterou seu contrato social para incluir — clara e transparente — serviços gráficos em suas atividades.

Nas palavras dos influentes blogueiros, ao menos sobre a formação da opinião do ministro Gilmar Mendes: "No dia 14 de agosto de 2014, apenas 19 dias depois da alteração do objeto social, a VTPB emitiu a primeira nota para a campanha de Dilma Rousseff, no valor de 148 mil reais".

Esquecerem de avisar ao ministro que cinco dias antes de emitir a primeira nota fiscal para a campanha de Dilma, a mesma gráfica emitiu uma nota de R$ 200 mil — no dia 7 de agosto de 2014 — para o Comitê Financeiro para Senador da República PSDB-SP, cujo candidato foi José Serra. Outras 39 notas foram emitidas para a campanha de Serra.

Outras seis notas foram emitidas em setembro e outubro de 2014 para o Comitê Financeiro Nacional para Presidente da República PSDB-BR, cujo candidato foi Aécio Neves.

Se houve ou não irregularidades no fato de a empresa não registrar explicitamente em suas atividades econômicas serviços gráficos antes de 2014 é algo que pode ser questionado no âmbito regulatório empresarial, mas não no âmbito eleitoral.

Antes dessa modificação no registro de atividades da empresa, a campanha de José Serra a prefeito de São Paulo em 2012 usou os serviços da gráfica. A VTPB emitiu 21 notas fiscais para o PSDB, sendo 20 delas para o Comitê Financeiro para Vereador PSDB-São Paulo, e uma para o Comitê Financeiro para prefeito PSDB-São Paulo.

Mas isso também os "jornalistas" esqueceram de contar ao ministro Gilmar Mendes.

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Helena Sthephanowitz
No RBA
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O Pato e a Galinha

http://www.maurosantayana.com/2015/09/o-pato-e-galinha.html


Embora não o admita — principalmente os países que participaram diretamente dessa sangrenta imbecilidade — a Europa de hoje, nunca antes sitiada por tantos estrangeiros, desde pelo menos os tempos da queda de Roma e das invasões bárbaras, não está colhendo mais do que plantou, ao secundar a política norte-americana de intervenção, no Oriente Médio e no Norte da África.

Não tivesse ajudado a invadir, destruir, vilipendiar, países como o Iraque, a Líbia, e a Síria; não tivesse equipado, com armas e veículos, por meio de suas agências de espionagem, os terroristas que deram origem ao Estado Islâmico, para que estes combatessem Kadafi e Bashar Al Assad, não tivesse ajudado a criar o gigantesco engodo da Primavera Árabe, prometendo paz, liberdade e prosperidade, a quem depois só se deu fome, destruição e guerra, estupros, doenças e morte, nas areias do deserto, entre as pedras das montanhas, no profundo e escuro túmulo das águas do Mediterrâneo, a Europa não estaria, agora, às voltas com a maior crise humanitária deste século, só comparável, na história recente, aos grandes deslocamentos humanos que ocorreram no fim da Segunda Guerra Mundial.

Lépidos e fagueiros, os Estados Unidos, os maiores responsáveis pela situação, sequer cogitam receber — e nisso deveriam estar sendo cobrados pelos europeus — parte das centenas de milhares de refugiados que criaram, com sua desastrada e estúpida doutrina de "guerra ao terror", de substituir, paradoxalmente, governos estáveis por terroristas, inaugurada pelo "pequeno" Bush, depois do controvertido atentado às Torres Gêmeas.

Depois que os imigrantes forem distribuídos, e se incrustarem, em guetos, ou forem — ao menos parte deles — integrados, em longo e doloroso processo, que deverá durar décadas, aos países que os acolherem, a Europa nunca mais será a mesma.

Por enquanto, continuarão chegando à suas fronteiras, desembarcando em suas praias, invadindo seus trens, escalando suas montanhas, todas as semanas, milhares de pessoas, que, cavando buracos, e enfrentando jatos de água, cassetetes e gás lacrimogêneo, não tendo mais bagagem que o seu sangue e o seu futuro, reunidos nos corpos de seus de seus filhos, irão cobrar seu quinhão de esperança e de destino, e a sua parte da primavera, de um continente privilegiado, que para chegar aonde chegou, fartou-se de explorar as mais variadas regiões do mundo.

É cedo para dizer quais serão as consequências do Grande Êxodo. Pessoalmente, vemos toda miscigenação como bem-vinda, uma injeção de sangue novo em um continente conservador, demograficamente moribundo, e envelhecido.

Mas é difícil acreditar que uma nova Europa homogênea, solidária, universal e próspera, emergirá no futuro de tudo isso, quando os novos imigrantes chegam em momento de grande ascensão da extrema-direita e do fascismo, e neonazistas cercam e incendeiam, latindo urros hitleristas, abrigos com mulheres e crianças.

Se, no lugar de seguir os EUA, em sua política imperial em países agora devastados, como a Líbia e a Síria, ou sob disfarçadas ditaduras, como o Egito, a Europa tivesse aplicado o que gastou em armas no Norte da África e em lugares como o Afeganistão, investindo em fábricas nesses mesmos países ou em linhas de crédito que pudessem gerar empregos para os africanos antes que eles precisassem se lançar, desesperadamente, à travessia do Mediterrâneo, apostando na paz e não na guerra, o velho continente não estaria enfrentando os problemas que enfrenta agora, o mar que o banha ao sul não estaria coalhado de cadáveres, e não existiria o Estado Islâmico.

Que isso sirva de lição a uma União Europeia que insiste, por meio da OTAN e nos foros multilaterais, em continuar sendo tropa auxiliar dos EUA na guerra e na diplomacia, para que os mesmos erros que se cometeram ao sul, não se repitam ao Leste, com o estímulo a um conflito com a Rússia pela Ucrânia, que pode provocar um novo êxodo maciço em uma segunda frente migratória, que irá multiplicar os problemas, o caos e os desafios que está enfrentando agora.

As desventuras das autoridades europeias, e o caos humanitário que se instala em suas cidades, em lugares como a Estação Keleti Pu, em Budapeste, e a entrada do Eurotúnel, na França, mostram que a História não tolera equívocos, principalmente quando estes se baseiam no preconceito e na arrogância, cobrando rapidamente a fatura daqueles que os cometeram.

Galinha que acompanha pato acaba morrendo afogada.

É isso que Bruxelas e a UE precisam aprender com relação a Washington e aos EUA.
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Confira como votou o seu senador - Financiamento privado de campanha


PSDB e DEM votam em massa pela manutenção do financiamento empresarial

Proposta aprovada na quarta-feira pelo Senado ganhou apoio total dos parlamentares do PT

Fim do financiamento de empresas a campanhas eleitorais?

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Só fortes indícios contra Anastasia fariam PF pedir a Teori que inquérito prosseguisse



É obvio que não se ia contrariar um parecer da Procuradoria Geral da República apenas porque se descobriu que um aliado político da Anastasia residia próximo ao trajeto descrito pelo entregador de dinheiro Jaime “Careca”.

Há mais, muito mais, não apenas nos fatos apurados como na estranha atitude de deles não terem tido conhecimento anterior os promotores ligados a Janot.

É bom não esquecer que, em abril, policiais e procuradores tiveram um atrito por conta de saber quem conduziria as investigações sobre políticos que, até este episódio, parecia superado.

Aliás, muito provavelmente a ação da PF de procurar Teori Zavascki diretamente para pedir a continuidade do inquérito que Rodrigo Janot queria arquivar foi uma reação a uma negativa anterior da PGR de seguir pela trilha aberta com alguma revelação sobre o Senador Anastasia, braço direito de Aécio Neves.

É importante jamais esquecer que não existe “Operação Lava Jato” sem componentes políticos e sem luta intestina em todas as instituições envolvidas: Justiça, Procuradoria e Polícia Federal.

Portanto, em tudo o mais provável é que haja fatos, não apenas suspeitas, comprometedores envolvendo Anastasia e se os há, inevitável que agora venham à tona.

De qualquer forma, preparem-se para uma enxurrada de gritos e reclamações tucanas em geral e de Aécio Neves em particular.

É que vai ser posto à prova aquele dito mineiro com que brincaram na sabatina de Janot ao Senado e veremos se pau que dá em Chico também dará em Francisco.

Fernando Brito
No Tijolaço
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Imagine se um petista ameaçasse matar Aécio ou FHC



Não posso dizer que fiquei realmente surpreso ao vasculhar em vão os principais jornais do país nesta quarta-feira (2/8) em busca de uma mísera nota sobre o advogado filiado ao PSDB que, no último dia 25 de agosto, divulgou vídeo na internet prometendo assassinar Dilma Rousseff e que, na última terça-feira (1º de setembro),refez a ameaça.


Nenhum dos três maiores periódicos do país — Folha de São Paulo, O Globo e O Estado de São Paulo — divulgou um único comentário, nem para dar a notícia de que o PSDB, tardiamente, decidiu expulsar o advogado de Brasília Matheus Sathler, ao qual o partido deu legenda para se candidatar a deputado federal no ano passado.


Tampouco se viu alguma coisa na televisão — sobretudo no Jornal Nacional. E notícia nova havia, porque o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, determinou abertura de inquérito na Polícia Federal para apurar o caso.

O problema é que, noticiando com destaque as barbaridades que esse sujeito cometeu haveria que contar ao público, também, que ele é filiado ao PSDB e que não é a primeira vez que ele promove alguma loucura — ano passado, propôs a criação de um “kit macho” para ser distribuído em escolas públicas com a finalidade de “ensinar” meninos a “gostarem” de meninas e vice-versa.

Mas não há razão para ninguém se surpreender. Se a mídia corporativa praticamente não deu destaque ao atentado a bomba ocorrido em julho contra o Instituto Lula, por que noticiaria uma simples ameaça à presidente da República?

Porém, coincidentemente um dos mentores intelectuais do surto de fascismo que campeia no país publicou uma matéria pseudo jornalística que mostra bem o que ocorreria se o demente que ameaçou Dilma, em vez de tucano, fosse petista, e se, em vez de ameaçar a presidente, ameaçasse um tucano graúdo.

Segundo o tal Sathler, ele é amiguinho de Reinaldo Azevedo, da Veja e da Folha de São Paulo. Não sei se é verdade, mas o fato é que o jornalista mais antipetista do país vociferou em seu blog contra um simples militante do PT — e não um ex-candidato a deputado federal pelo partido — que publicou em vídeo uma resposta inadequada ao tal Sathler por ele ter ameaçado a presidente da República.

O mais engraçado é que Azevedo não entendeu o vídeo e, assim, fez um escarcéu dizendo que aquele militante resumia “os petistas”, como se todos os tucanos pudessem ser resumidos pelo advogado demente que ameaçou a presidente da República.

Confira, abaixo, o post de Azevedo



Note, leitor, que Azevedo critica o militante petista por ter dito o que faria com Sathler se ele tentasse cumprir a promessa de “arrancar a cabeça” de Dilma — o que, por certo, é reprovável, mas é reação a uma ameaça de violência —, mas não critica o amiguinho que ameaçou, de forma ainda mais virulenta, a primeira mandatária do país.

Alguém acredita que se um filiado ao PT ao qual o partido tivesse dado legenda para disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados tivesse ameaçado arrancar a cabeça de Aécio Neves ou de FHC, a mídia não divulgaria em manchete de primeira página, em todos os telejornais e com dezenas de textos opinativos indignados vinculando o PT inteiro a quem ameaçou?

É óbvio que o tal Sathler não resume todo o PSDB e todos os tucanos — que atua com violência retórica, mas não física — assim como o militante petista do vídeo acima não resume todo o PT e todos os petistas, mas na cabecinha de Azevedo um militante tucano ameaçar a presidente ou jogar bombas é besteirinha, enquanto que um militante petista reagir (inadequadamente) a uma ameaça de violência é “prova” de que todos os petistas agem assim.

Notem que o post de Azevedo não diz uma palavra sobre a ameaça a Dilma. Como esse sujeito virou o Golden Boy da Veja, da Folha, da CBN e sabe lá Deus de onde mais, a gente entende por que a mídia fez de conta que não viu que o PSDB dá guarida às loucuras de Sathler até hoje, ou até o momento que vier a expulsá-lo — se é que o fará.

E o pior é que o blogueiro da Veja ainda mente. Diz que “defensor de Dilma ameaça manifestantes antigovernistas”, o que é mentira — ele ameaça reagir a Sathler e a ninguém mais. Será que Azevedo não assistiu ao vídeo que publicou?

Nenhum jornal ou telejornal noticiar esse caso e muito menos que o ministro da Justiça mandou abrir inquérito na PF deveria ser espantoso, se não conhecêssemos a imprensa que temos no país. Para proteger a imagem do PSDB, os veículos se autocensuraram. A mídia corporativa é cúmplice de Sathler e outros maníacos como ele.

Por fim, o vídeo do manifestante “petista” foi publicado no canal de Veja no You Tube. Ninguém sabe o nome do indivíduo e nem por que ele mesmo não publicou o vídeo em seu canal no You Tube. Terá mandado o arquivo para Veja publicar? Por que o faria? Ou será que Azevedo pegou alguém para atuar e gravou o vídeo?

Eduardo Guimarães
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