23 de jun de 2017

A Globo mete a mão no dinheiro público até pela Rouanet


Um ministro de Geisel uma vez disse o seguinte num despacho para seu chefe: “Os jornais não vivem e nem sobrevivem sem o governo”.

Isto, segundo ele, era uma arma poderosíssima que a administração Geisel devia usar em sua relação com a imprensa.

Roberto Marinho, disse ainda o ministro, era mestre em pedir “favores especiais” a Geisel por conta do apoio que dava à ditadura.

Tudo isso está no livro Dossiê Geisel, feito com base em documentos pessoais de Geisel doados à Fundação Getúlio Vargas.

Lembrei dessas coisas todas ao ver a lista dos maiores beneficiários da Lei Rouanet em 2015. Ali não estavam os artistas sempre acusados pelos analfabetos de mamar na Rouanet, como Chico e Zé de Abreu.

Mas a Globo estava, pela Fundação Roberto Marinho.

Abaixo, a lista de quem foi mais favorecido pela Rouanet:

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Mais que uma empresa, a Globo é uma máquina de meter a mão no dinheiro dos contribuintes. Este é sem dúvida seu maior talento. Às fórmulas clássicas — publicidade oficial, financiamentos de bancos como BNDES, vendas de livros e assinaturas de jornais e revistas — a Globo acrescentou novidades, nos últimos anos, como a sonegação de impostos.

E até a Rouanet passou a ser utilizada para transferir recursos do pobre contribuinte brasileiro para os Marinhos.

Não foi dito que projetos da Fundação RM foram financiados pela Rouanet. Mas a pergunta é inevitável: a Globo precisa de mais esta mamata? A família mais rica do Brasil não pode abdicar da Rouanet para que sobre dinheiro para artistas que não tenham a fortuna dos Marinhos?

É sempre assim.

Na era FHC, uma gráfica nova — e ruinosa — da Globo foi bancada pelos contribuintes, pelo BNDES. Não foi um empréstimo: foi uma cusparada na sociedade, autorizada por FHC. Imagine se o Banco da Inglaterra enchesse de dinheiro Murdoch de libras para uma nova gráfica? Thatcher sairia do túmulo.

A inépcia gerencial da Globo — mesmo com tantos privilégios esteve várias vezes insolvente — se explica na voracidade com que se atira a recursos públicos. Você não pode ser bom em tudo. E se você desenvolve excelência em mamar dinheiro público provavelmente não terá tempo para se aprimorar em outras coisas.

E então você vai atrás de cada real público que esteja a seu alcance. Por exemplo, os reais da Rouanet.

Paulo Nogueira
No DCM
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À bout de souffle


Muitos brasileiros acham que o juiz Sérgio Moro, da primeira instância de Curitiba (PR), é um homem preparado, qualificado, um exemplo de juiz.

Será essa uma imagem verdadeira? Acho que no mundo moderno cada vez mais se cumpre a máxima orteguiana de que o "homem é o homem e a sua circunstância". Sérgio Moro, o juiz, é um exemplo rico do personagem que se fez em cima das circunstâncias.

Conhecedor da operação "Mãos Limpas", desenvolvida na Itália e que confrontou em larga escala o poder judiciário e políticos & empreiteiros/fornecedores de serviços ao estado, caiu em sua vara judicial a investigação sobre operações de lavagem de dinheiro envolvendo doleiros de muito conhecidos do juiz e da Polícia Federal.

Dos doleiros aos funcionários corruptos de uma grande estatal, destes aos políticos, do fato de que o PT, no poder, incomodava muita gente grande da mídia e da banca, Sérgio Moro surfou em uma conjuntura mais do que favorável. Aproveitou as lições - lidas com lupa do processo italiano - e compôs um personagem. Ternos escuros, gravata fina, voz melíflua, desprezo pelas defesas, amplo espaço nas mídias, apoio logístico impressionante da PF ... o juiz virou a celebridade do momento num país que suspira por heróis.

Sua bem sucedida operação, se desenvolvida de forma criteriosa, discreta e visando eficientemente golpear de forma profunda as relações nada republicanas - e na maioria dos casos corruptas - entre os grandes empreiteiros e os políticos brasileiros, poderia ir além dos efeitos propagandísticos que, a partir de determinado momento passaram a superar, em muito, os efeitos reais da ação da Lava Jato.

Por que isso aconteceu? Por que a operação se desviou? Porque o juiz aceitou o figurino que lhe foi imposto pelo poder político antipetista no país. Transformou-se em um instrumento de luta pelo poder político. Foi razoavelmente bem sucedido na tarefa que lhe coube, uma vez que foi instrumento fundamental para a debacle do governo Dilma Rousseff e para o emparedamento do PT nas eleições municipais de 2016 (muito a ele, seu aliado e amigo, João Doria Jr. deve a eleição em primeiro turno em SP, derrotando o ótimo prefeito Fernando Haddad).

Meus críticos, muitos, poderão argumentar: mas o juiz de Curitiba só fez dar sequência aos fatos que caíram na sua mesa. Sinto muito desapontá-los, mas não é verdade. Muito pelo contrário. Na sequência dos fatos investigados na Lava Jato e nas linhas finas das delações premiadas - e muito bem premiadas - apareceram os grandes esquemas de corrupção político-empresarial que vigoram no país há pelo menos três, quatro, décadas.

Por que o juiz de Curitiba não seguiu as fartas estradas abertas pelo operador master e delator ligado ao PSDB/PMDB Sérgio Machado, que gerenciava esquemas milionários no âmbito do próprio grupo Petrobras?

Por que o juiz Sérgio Moro não aprofundou as investigações em torno de Andréa Neves (operadora do grande esquema de corrupção em MG que tinha em seu irmão Aécio Neves, presidente do PSDB, seu representante político), que estava também ligada por negócios vários às mesmas empreiteiras investigadas na Lava Jato, e desta forma poderia municiar a justiça federal em MG das suspeitas/indícios fortíssimos sobre a personagem?

Por que o juiz Sérgio Moro não chamou a atenção da imprensa, ele que sempre teve acesso fácil à grande mídia impressa e televisiva do país, para as inúmeras citações dos delatores da Lava Jato ao operador master dos tucanos em SP, o notório Paulo Preto, coordenador de um amplo esquema envolvendo políticos e empreiteiros a partir da DERSA/SP?

Não. No lugar de demonstrar o espaço real, sistêmico, estrutural, das relações entre políticos - de quase todos os partidos, mas com predominância efetiva aos ligados ao PMDB, PP, PSDB, PT e DEM, nesta ordem, - preferiu o juiz de Curitiba centrar atenções na caça desenfreada ao principal líder petista, o ex-presidente Lula.

Perseguição grotesca, que desafia todo sistema penal brasileiro. Processos montados de encomenda, farsa sobre farsa, uma colcha de retalhos de indícios pinçados por procuradores ávidos por holofotes, buscando a imputação jurídica de uma liderança política.

E agora? Ao final do primeiro processo montado para emparedar, encher o saco - quase ao estilo confessado por Aécio Neves em uma gravação vazada de como começou a denúncia do PSDB ao PT no TSE por crime eleitoral - de Lula pelo MPF e a PF, conduzido diretamente ou indiretamente, consciente ou inconscientemente, pelo incentivo do juiz celebridade, qual será a sentença que este proferirá?

Não sei.

Só sei que o juiz celebridade, o juiz poderoso, o juiz destemido, transformou-se, neste momento, em um juiz acossado, em um juiz quase sem fôlego, em um juiz perdedor.

E, isto, independe do teor da sua sentença.

Condenando o ex-presidente, o fará em um processo viciado, maculado pelo histrionismo de um procurador boçal, marcado por disputas vulgares entre o juízo e a defesa, denunciado por irregularidades que em algum momento serão apreciadas pelas cortes superiores.

A sentença, se condenatória, será o coroamento de uma peça jurídica imperfeita. Dificilmente resistirá à prova do futuro. E será entendida, por praticamente metade do país, apenas como um mecanismo para tentar afastar o maior líder popular da nação do seu campo natural de atuação, tolhendo-lhe o espaço político.

Não condenando o ex-presidente, hipótese que me parece menos provável, o juiz celebridade cairá no descrédito dos seus muitos seguidores. Será duramente cobrado pelos que alavancaram sua trajetória pública pelo atestado de honestidade - esta será a leitura política de uma não condenação - passado ao ex-presidente Lula que, se sem este já conta com amplo apoio popular, com ele disparará nas próximas pesquisas eleitorais.

À bout de souffle, acossado, sinuca de bico ... eis onde as escolhas equivocadas colocaram o poderoso juiz de Curitiba.

Claudio Guedes
No Esquerda Caviar
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‘Humano, Demasiado Humano’ — série da BBC — Doc III - Sartre


A série da BBC ‘Humano, Demasiado Humano’ (Human All Too Human) inclui três programas fantásticos sobre Friedrich Nietzsche, Jean Paul Sartre e Martin Heidegger, um trio de pensadores controverso que continuam influenciando até os dias de hoje, na filosofia e na psicologia. A série aborda os personagens e suas teorias. Vale assistir cada minuto, são três programa envolventes e emocionantes sobre a filosofia e os filósofos.

Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844 -1900) foi um filósofo alemão do século XIX e um dos maiores nomes dessa área. Martin Heidegger (1889 – 1976) foi um filósofo alemão do século XX que influenciou muitos outros, dentre os quais Jean-Paul Sartre. Jean-Paul Sartre (1905 -1980) foi um filósofo francês, conhecido como representante do existencialismo.

Os documentários são conduzidos por Alain de Botton, escritor e produtor famoso por popularizar a filosofia e divulgar seu uso na vida cotidiana. Botton iniciou um Ph.D em filosofia francesa em Harvard, mas acabou preferindo escrever ficção. Para além de escrever possui a sua própria produtora, a Seneca Productions, que transmite regularmente programas e documentários de televisão, baseados nos seus trabalhos.

Documentário III: Humano, Demasiado Humano – Jean-Paul Sartre: O Caminho Para a Liberdade

Neste episódio é abordada a vida e a obra do mais famoso filósofo existencialista europeu, Jean-Paul Sartre (1905-1980). O homem que passou a vida a desafiar a lógica convencional amava os paradoxos. O documentário expõe estes paradoxos da sua vida e da sua obra, ao mesmo tempo em que ambos são questionados. A pergunta central que é colocada é: Se o ser humano é livre para fazer o que quiser, como justifica Sartre, então como devemos viver as nossas vidas no dia-a-dia?



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‘Humano, Demasiado Humano’ — série da BBC — Doc II - Heidegger


A série da BBC ‘Humano, Demasiado Humano’ (Human All Too Human) inclui três programas fantásticos sobre Friedrich Nietzsche, Jean Paul Sartre e Martin Heidegger, um trio de pensadores controverso que continuam influenciando até os dias de hoje, na filosofia e na psicologia. A série aborda os personagens e suas teorias. Vale assistir cada minuto, são três programa envolventes e emocionantes sobre a filosofia e os filósofos.

Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844 -1900) foi um filósofo alemão do século XIX e um dos maiores nomes dessa área. Martin Heidegger (1889 – 1976) foi um filósofo alemão do século XX que influenciou muitos outros, dentre os quais Jean-Paul Sartre. Jean-Paul Sartre (1905 -1980) foi um filósofo francês, conhecido como representante do existencialismo.

Os documentários são conduzidos por Alain de Botton, escritor e produtor famoso por popularizar a filosofia e divulgar seu uso na vida cotidiana. Botton iniciou um Ph.D em filosofia francesa em Harvard, mas acabou preferindo escrever ficção. Para além de escrever possui a sua própria produtora, a Seneca Productions, que transmite regularmente programas e documentários de televisão, baseados nos seus trabalhos.

Documentário II: Humano, Demasiado Humano – Martin Heidegger: Projeto Para Viver

O projeto do tratado Ser e Tempo, foi publicado em 1927 no mesmo ano que Minha Luta (Adolf Hitler). Este programa examina a vida e a filosofia de Martin Heidegger, descreve a sua ascensão a proeminência intelectual, expondo os motivos do seu envolvimento no partido Nazi. Entrevistas com o seu filho, Hermann Heidegger, George Steiner autor de uma influente critica da sua filosofia, contado também com o seu biógrafo Hugo Ott; e ex-aluno de Hans-Georg Gadamer, fornecem novas ideias enquanto se faz uma reconstrução dos momentos chaves da vida de Heidegger. Vida e história de um homem cujos apologistas e os antagonistas ainda amargamente se dividem.



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Documentário I: Humano, Demasiado Humano – Friedrich Nietzsche: Além do Bem e do Mal

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‘Humano, Demasiado Humano’ — série da BBC — Doc I - Nietzsche


A série da BBC ‘Humano, Demasiado Humano’ (Human All Too Human) inclui três programas fantásticos sobre Friedrich Nietzsche, Jean Paul Sartre e Martin Heidegger, um trio de pensadores controverso que continuam influenciando até os dias de hoje, na filosofia e na psicologia. A série aborda os personagens e suas teorias. Vale assistir cada minuto, são três programa envolventes e emocionantes sobre a filosofia e os filósofos.

Friedrich Wilhelm Nietzsche (1844 -1900) foi um filósofo alemão do século XIX e um dos maiores nomes dessa área. Martin Heidegger (1889 – 1976) foi um filósofo alemão do século XX que influenciou muitos outros, dentre os quais Jean-Paul Sartre. Jean-Paul Sartre (1905 -1980) foi um filósofo francês, conhecido como representante do existencialismo.

Os documentários são conduzidos por Alain de Botton, escritor e produtor famoso por popularizar a filosofia e divulgar seu uso na vida cotidiana. Botton iniciou um Ph.D em filosofia francesa em Harvard, mas acabou preferindo escrever ficção. Para além de escrever possui a sua própria produtora, a Seneca Productions, que transmite regularmente programas e documentários de televisão, baseados nos seus trabalhos.

Documentário I: Humano, Demasiado Humano – Friedrich Nietzsche: Além do Bem e do Mal

A semente do pensamento disseminado por Nietzsche no século 19 prefigurava o piloto do século 20 sobre os conceitos do existencialismo e da psicanálise. Este programa conta com entrevistas de grandes estudiosos do pensamento do Nietzsche sendo eles: Ronald Hayman e Leslie Chamberlain (biógrafos de Nietzsche), Andrea Bollinger (arquivista), Reg Hollingdale (tradutor), Will Self (escritor) e Keith Ansell Pearson (filosofa) que sonda a vida e os escritos de Nietzsche. Além de mostrar também o papel da irmã de Nietzsche na edição das suas obras para o uso como propaganda nazi. Conta também com partes de prosas aforísticas extraídas de obras como a parábola de um louco e assim falou Zaratustra.


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Dr. Deltan, o senhor pode provar que não foi “lavagem de dinheiro”?


O Valor traz a informação de que Deltan Dallagnol recebeu, ano passado, R$ 219 mil por remunerações de palestras onde ser apresentou como “estrela da Lava Jato” e o homem que vai prender o Lula.

Ao jornal, ele disse que “não controlou” os valores recebidos no ano passado com as palestras. “Foram dadas – segundo informações do próprio hospital [do interior paulista, que ele alega receber os recursos], porque eu não controlava isso diretamente – 12 palestras, que somaram R$ 219 mil”.

Será que se deve quebrar o seu sigilo bancário e o de quem recebeu o dinheiro para ver se não tem “lavagem de dinheiro”, doutor?

Dallagnol diz que não pode dizer quem pagou e quanto pagou, porque os contratos têm”cláusulas de confidencialidade”. Porque deveriam ser confidenciais contratos entre alguém que vai defender posições “cívicas” como as medidas contra a corrupção e empresas que foram se juntar a promoção de sua “ética” e “compliance”? Ainda mais quando tudo vai para a benemerência de um hospital infantil?

Ontem, ele foi a estrela de um evento promovido pela XP Investimentos. Diz o jornal que “Dallagnol não quis falar qual o cachê recebido’ pela palestra  “no maior evento da América Latina para a indústria de investimentos”, conforme descrição da XP Investimentos. O ingresso para o evento custa R$ 800. O procurador, no entanto, disse que prestará as informações à Receita Federal e que em 2018 divulgará o total recebido esta ano.

O doutor é uma figura pública, se apresenta como paladino da transparência, acha que a corrupção é “sistêmica” e vem falar e cláusulas de confidencialidade?

Ele argumenta que tudo é legítimo, citando regulamentos que reconhecem “palestras como aulas, atividades docentes”.

Os alunos de ontem do Dr. Dalllagnol eram, então, a papa-fina da turma da bufunfa, aprendendo que é a corrupção “é uma causa que toca a todos nós porque recursos públicos desviados geram mal-estar e mortes ao nosso redor.”

Os 50% do orçamento público que saem para pagar juros aos alunos da escolinha do Professor Deltan não vêm ao caso.

PS. O Conselho Nacional do Ministério Público abriu uma investigação sobre os valores recebidos pelas palestras do Dr. Dallagnol. É pra rir?

PS2. E as palestras do Dr. Moro, são gratuitas?

Fernando Brito
No Tijolaço
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As palestras de Moro e Dallagnol e a arte de sofismar no direito


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Comandante do Exército: Brasil precisa de projeto de desenvolvimento — assista

Nesta quinta-feira (22), em audiência pública do Senado, o comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, afirmou que o Brasil é uma nação sem consciência da sua própria grandeza e das riquezas de seu território. Segundo ele, projeções feitas pelo Exército calculam em cerca de U$ 23 trilhões o potencial em recursos naturais existentes na região amazônica. Apesar disso, não existe nenhum projeto de aproveitamento destas gigantescas riquezas, o que revela a ausência de um projeto nacional.

Ele concordou com a afirmação do senador Roberto Requião (PMDB-PR) para quem “o Brasil é grande demais pra abrir mão de um projeto nacional”.

“É exatamente isso, o Brasil é um superdotado num corpo de adolescente. A Amazônia continua praticamente abandonada, falta um projeto e densidade de pensamento”, enfatizou o comandante do Exército, que voltou a reiterar declarações recentes dadas à imprensa de que “o Brasil está à deriva, sem rumo”, como consequência de um acúmulo de crises que iria além de seus aspectos econômicos.

“Se fôssemos um país pequeno, poderíamos nos agregar a um projeto de desenvolvimento de um outro país. Como ocorre com muitos. Mas o Brasil não pode fazer isso, não temos outra alternativa a não ser sermos uma potência. Não uso esse termo na conotação negativa, relacionada a imperialismo, mas no sentido de que necessitamos de uma densidade muito grande”, salientou.

Ele reforçou que o Brasil precisa de um projeto de desenvolvimento nacional com um plano estratégico de monitoramento de fronteiras e defesa cibernética. “Todos os programas estão sofrendo restrições e atrasos”, destacou ele, se referindo ao congelamento de gastos imposto pelo governo de Michel Temer, que cortou os investimentos por 20 anos, colocando em risco esses projetos.

Questionado sobre a possibilidade de intervenção militar, invocada por setores da direita conservadora, o general foi categórico: “É muito triste que a população veja como alternativa uma intervenção militar. Isso está absolutamente anacrônico, haja vista o que aconteceu na Turquia. Esta hipótese está absolutamente afastada”.

Polarização política

Em uma análise profunda da atual conjuntura política, em que a polarização afastou o debate político dando vazão à antipolítica, Villas Bôas afirmou que um dos equívocos cometidos pela sociedade brasileira foi deixar-se levar pelas linhas de confrontação ideológica existentes na Guerra Fria, o que dividiu setores, levou ao abandono de um projeto nacional e evolui hoje para a “perda da identidade e o estiolamento da autoestima”.

Sobre os projetos anunciados pelo governo Temer que ampliam a liberação para exploração estrangeira em relação a minérios, assim como também a venda de terras para estrangeiros, Villas Bôas disse ser contrário à venda de terras nas regiões fronteiriças, reiterando que se absteria de comentar a questão em relação a outras partes do território.

Projeto de Temer sobre exploração estrangeira

No entanto, o comandante do Exército fez questão de reiterar que vê com “preocupação” uma maior abertura para a exploração das riquezas minerais por empresas estrangeiras. Ele citou levantamentos feitos pelo Exército que indicam uma “estranha coincidência” entre a demarcação de terras indígenas com a presença das riquezas minerais.

Segundo ele, a Bolsa de Futuros relacionada à exploração mineral sedia-se no Canadá, de onde advém grande parte da pressão internacional pela instalação de unidades de conservação.

“Eles trabalham no sentido de neutralizar áreas, amortecer, já que não tem a capacidade de explorar imediatamente. E ficam esperando certamente momentos oportunos pra buscar estas oportunidades, então acho que isso tem que ser muito considerado”, denunciou.

Villas Bôas disse ainda que é preciso entender que não há contradição entre desenvolvimento e preservação ambiental, no que se refere à Amazônia.

“Morei lá por oito anos e penso justamente o oposto. O que vai salvar a região amazônica, inclusive a natureza, é o desenvolvimento. É a implantação de polos intensivos para empregar aquela grande mão de obra, impedindo que ela vá viver do desmatamento extensivo”, argumentou, afirmando que a Amazônia é um reflexo da ausência de um projeto como um todo para o país e sua “vulnerabilidade” à ações externas.

Crítica ao decreto de Temer

O general afirmou que o uso de militares em atividades de segurança pública é “desgastante, perigoso e inócuo” e disse que o modelo, usado por meio de decretos presidenciais, deveria ser repensado.

A afirmação do general Villas Bôas foi uma crítica a decisão de Michel Temer de convocar as Forças Armadas para conter manifestações contra as reformas trabalhista e previdenciária, de 24 de maio, conflagradas por uma greve geral convocada pelas centrais sindicais que paralisou o país.

Por meio de decreto, Temer convocou o Exército a fazer a segurança do Distrito Federal por uma semana. Após uma saraivada de críticas, o governo revogou o decreto em menos de 24 horas após a sua publicação.

“Nós não gostamos desse tipo de emprego. Não gostamos”, disse o general aos senadores. Villas Bôas disse que, internamente, o recurso ao decreto “causou agora recentemente alguma celeuma”.

O general também criticou o uso das Forças Armadas em operações classificadas como “garantia da lei e da ordem”, entre as quais a ocupação da Favela da Maré, no Rio de Janeiro.

“Eu, periodicamente, ia até lá [Favela da Maré] e acompanhava nosso pessoal, nossas patrulhas na rua. E um dia me dei conta, nossos soldados, atentos, preocupados, são vielas, armados, e passando crianças, senhoras, pensei, estamos aqui apontando arma para a população brasileira, nós estamos numa sociedade doente”, relatou.

“Lá [na favela da Maré] ficamos 14 meses. No dia em que saímos, uma semana depois, tudo havia voltado ao que era antes. Temos que realmente repensar esse modelo de emprego, porque ele é desgastante, perigoso e inócuo”, complementou Villas Bôas.



Dayane Santos
No Vermelho
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Temer será denunciado por corrupção na segunda


Michel Temer será denunciado na segunda-feira 26 por corrupção passiva pelo procurador-geral Rodrigo Janot. A denúncia será ancorada no caso de seu ex-assessor Rodrigo Rocha Loures, flagrado com uma mala com R$ 500 mil em propinas, pagas pela JBS. De acordo com a empresa e com os investigadores da Polícia Federal, Temer é apontado como o destinatário final dos recursos. 

Outras denúncias contra Temer, por obstrução judicial e organização criminosa, serão apresentadas na sequência – o que obrigará a Câmara dos Deputados a votar três vezes se aceita ou não uma acusação contra ele. As informações sobre a data da primeira denúncia são dos jornalistas André de Souza, Carolina Brígido e Fernando Eichenberg, no jornal O Globo.

Com isso, o Brasil viverá uma situação inédita: terá pela primeira vez um ocupante da presidência da República apontado como corrupto pela Polícia Federal e pelo Ministério Público.

Desde o estouro do escândalo JBS, a aprovação a Temer foi a quase zero – apenas 2% o aprovam.

A denúncia deverá também intensificar as pressões por sua renúncia e pela formação de um pacto político em busca de uma saída para o Brasil. Ontem, o PSB, ex-aliado de Temer, pediu sua renúncia e a convocação de diretas.

Desde o golpe de 2016, o Brasil se tornou um ator desmoralizado na cena internacional. Em plena viagem a Noruega, Temer viu o país anfitrião reduzir em R$ 196 milhões doações para um fundo contra o desmatamento no País, alegando que o governo atual não vem protegendo o meio ambiente.

No 247
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Justiça já gastou 150 milhões para tentar provar que triplex é de Lula, daria pra comprar 50 triplex


Para chegar a esse montante, um internauta usou como base os salários das quase 300 pessoas envolvidas na investigação conduzida por Moro e que até hoje não apresentou sequer uma prova de que o famoso triplex no Guarujá era do ex-presidente; para efeito de comparação, o triplex que Moro alega ser de Lula custa R$ 3,2 milhões

Da Revista Fórum: Em 3 anos, estima-se que a Justiça do Paraná, atuando pela operação Lava Jato, tenha gasto cerca e R$156 milhões para tentar provar que um triplex na cidade de Guarujá, em São Paulo, pertence ao ex-presidente Lula. A conta é do internauta Eduardo Rodrigues Chaves. Confira seu raciocínio:

São quase 300 pessoas trabalhando para provar que o triplex é do Lula.

Os vencimentos de juiz e procurador está na faixa de 40 mil reais e um custo para a administração de 80 mil. São quase 20 procuradores e juízes auxiliares.

Custo: 1 milhão e 600 mil por mês.

300 funcionários a 15 mil reais. 4,5 milhões.
Total= DOIS TRIPLEX POR MÊS.
3 anos de investigação: 156 milhões para provar que o triplex de milhões é do Lula

A investigação de supostos R$156 milhões (se não isso, ao menos uns bons milhões) aponta que o apartamento teria sido uma propina da construtora OAS dada ao petista em troca de contratos firmados em obras com a Petrobras.

Toda a apuração, conduzida pelo juiz Sérgio Moro, não apresentou até hoje sequer uma evidência concreta sequer que prove que o apartamento é do ex-presidente e se pautou, até então, em boatos de vizinhança, documentos não assinados e delações premiadas de executivos e políticos presos.

A defesa de Lula, por sua vez, apresentou nesta semana as alegações finais do processo em que trás um documento que, segundo os advogados, prova de forma irrefutável que o imóvel não pertencia ao ex-presidente, já que se trata de uma comprovação que um fundo da Caixa Econômica Federal obteve, da OAS, 100% dos direitos do apartamento em 2010.

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