24 de ago de 2016

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Amorim: 'Não se pode excluir um país porque você não gosta da política dele'

Em entrevista, o ex-ministro das Relações Internacionais Celso Amorim falou sobre o impasse em relação à sucessão na presidência do Mercosul e os efeitos do impeachment de Dilma

Ministro das Relações Exteriores do governo Luiz Inácio Lula da Silva e da Defesa na gestão Dilma Rousseff, Celso Amorim assumiu em junho o comando do Conselho de Administração da Unitaid – agência internacional dedicada a facilitar o acesso de populações pobres a medicamentos para o combate à aids, tuberculose e malária.

Em entrevista exclusiva à Agência Brasil, Amorim, que esteve recentemente no Recife para participar de um evento em comemoração aos 70 anos da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), falou sobre o impasse em relação à sucessão na presidência do Mercosul, os efeitos - no país e no exterior - do julgamento da presidenta Dilma Rousseff no processo de impeachment e seu possível afastamento definitivo da Presidência, bem como sobre a política externa em vigor, não se furtando, inclusive, de comparar o estilo de 'fazer política externa' dos dois governos a quem serviu como chanceler.

Sobre a presidência do Mercosul, Amorim, que já foi representante permanente do Brasil junto à Organização das Nações Unidas (ONU) e à Organização Mundial do Comércio (OMC), teceu críticas em relação à postura do Brasil no caso e defendeu o diálogo como a melhor forma de se chegar a um consenso. “Você não pode ter uma atitude de exclusão de um país porque você não gosta da política dele”, disse, ao se referir à oposição do Brasil à transferência da liderança do bloco econômico sul-americano para a Venezuela.

Confira abaixo os principais trechos da entrevista concedida à Agência Brasil:

Como o senhor vê o atual momento do Brasil em meio a um processo de impeachment da presidenta Dilma e a mudanças na política externa?

Primeiro, vamos esperar até o final, a gente nunca pode abandonar todas as esperanças. Mas pensando na hipótese mais provável, que haja o impeachment, eu acho que isso causa um certo trauma tanto interno quanto externo. Interno porque é uma mudança muito grande de política, já se viu isso. Claro que há toda a argumentação em relação às acusações contra a presidenta Dilma que, a meu ver, não justificaria um impeachment. Mas, além disso, vejo um grande trauma porque não é um impeachment em relação a uma pessoa, mas a um projeto político. Vamos ter um momento longo, esses próximos dois anos pelo menos, com muita tensão social. E com decisões que podem afetar o futuro a longo prazo por um governo que a rigor não foi eleito, então isso é muito preocupante.

O ministro das Relações Exteriores, José Serra, em seu discurso de posse, anunciou mudanças nos rumos da política externa brasileira. Como você analisa esse momento?

O caso mais emblemático atualmente é essa questão da presidência da Venezuela no Mercosul. Não vou defender o que está se passando na Venezuela, mas eu acho que nessas questões você tem que agir pela persuasão, pelo diálogo, junto com outros países, como o Brasil já fez. Quando o Brasil criou o grupo de amigos da Venezuela não eram amigos do Hugo Chávez (presidente da Venezuela de 1999 a 2013). E ele foi induzido a fazer o que não queria. Não só chamar um referendo revocatório, mas ter inclusive observadores internacionais. Isso foi feito através da conversa, da associação com outros países, Estados Unidos, Chile. E agora não, é uma atitude muito condenatória que tem um efeito muito grave para o Mercosul porque, na realidade, você está desrespeitando um artigo básico, que é o fato de que a presidência do Mercosul passa de um país para o outro por ordem alfabética. Em nenhum lugar diz que é por consenso. As decisões do Mercosul são por consenso, mas a passagem da presidência de um país para o outro não requer decisão. Você não pode fazer um referendo para mudar a ordem do alfabeto. A próxima era a Venezuela, então teria que assumir.

Você não pode ter uma atitude de exclusão de um país porque você não gosta da política dele. Esse é o aspecto mais forte. A Argentina e o Uruguai brigaram muito por causa das papeleiras (impasse com fábricas de papel ocorrido em 2006). Mas nunca a Argentina objetou ao Uruguai de assumir, ou vice-versa. Outro argumento usado é que a Venezuela não poderia presidir o Mercosul porque não cumpriu as suas obrigações. Se for assim, nenhum país pode assumir a presidência porque nenhum país cumpre totalmente suas obrigações. A Venezuela pode estar mais atrasada, mas vamos discutir, persuadir, fazer até um cronograma. O resultado do diálogo a gente não sabe qual é, mas você tem que ter a vontade de dialogar.

E na parte comercial?

Na parte comercial eu teria que distinguir o que fala o chanceler José Serra, outras pessoas do governo e o que fala parte da mídia, quando diz 'Ah, o Brasil não pode se isolar do mundo, tem que fazer outros acordos', como esse da parceria Transpacífica (acordo de livre comércio entre os 12 países banhados pelo Oceano Pacífico). Se o Brasil fosse participar desses acordos ele teria que fazer concessões muito grandes, inclusive em áreas que até o governo Fernando Henrique – quando José Serra era o ministro da Saúde – apoiou com muita força, como uma política de combate a aids. Não vou entrar em questões técnicas, mas esses acordos têm cláusulas que vão além do acordo de propriedade intelectual da Organização Mundial do Comércio (OMC). Para colocar em termos simples, fica mais difícil produzir remédios genéricos para a população. Obriga a pagar patentes muito caras. Tem outras coisas: dificuldade para compras governamentais, que é um instrumento necessário de política industrial. Há vários outros aspectos.

E nenhum dos Brics assinou esses acordos, não é o Brasil que está isolado. Eu acho que o Brasil não tem razão para assinar, deve continuar lutando para ter um acordo na OMC, eu sei que é difícil, e vai fazendo outros acordos com países em desenvolvimento. Você pode até negociar com a União Europeia, eu não sou contra, desde que as ofertas sejam compatíveis, desde que não haja um cerceamento à nossa política de saúde, às nossas políticas industriais. Você lê muito os empresários dizerem que há uma desindustrialização do país. Bem, se formos entrar cegamente nesses acordos posso garantir que a desindustrialização vai se acelerar. Pode ser que alguns empresários se beneficiem porque eles acabam se tornando representantes de indústrias estrangeiras aqui, mas o conteúdo de produção local certamente vai diminuir muito.

O governo interino tem demonstrado uma tentativa de reaproximação com os Estados Unidos. Como isso pode mudar as relações do Brasil com esse país?

Primeiro, os Estados Unidos são uma incógnita porque eles vão ter uma eleição complexa. Mas deixe-me dizer: o Brasil nunca esteve afastado dos Estados Unidos. O Brasil não se submeteu a uma agenda que não era nossa, e que era a agenda da Área de Livre Comércio das Américas, proposta dos EUA recusada por governos latino-americanos (Alca). Todos aqueles problemas que eu mencionei em relação aos mega acordos internacionais já existiam na Alca. Não poderíamos ter compras governamentais, programas sociais seriam limitados pela extensão da questão de patentes. Não vou entrar em detalhes, mas é uma coisa muito parecida. Mas o Brasil e os Estados Unidos trabalharam juntos durante muito tempo na OMC. Nós atuamos juntos tentando fazer com que a União Europeia abrisse mais sua agricultura. O presidente Bush esteve aqui duas vezes, colocou na cabeça um capacete da Petrobras. Fizemos acordo de etanol para valer, para cooperação com terceiros países. Até em termos políticos tivemos uma relação muito boa.

E um comentário que eu queria ter feito antes: a questão do Mercosul, Unasul, não é só comercial, é uma questão política. O Brasil está inserido nessa região, e temos esse fato que é quase único no mundo, senão único, de um país que tem dez fronteiras e não temos nenhum conflito, nenhuma ameaça de conflito. Mas não é de graça, tem que renovar isso todo dia numa política de compreensão. E eu temo que uma política que deixe de lado – 'ah não, solidariedade é bobagem, não temos porque ajudar a Bolívia, isso é bolivarianismo, não sei o quê' – eu temo que nos coloque numa situação de atrito com esses países e tenha até um efeito econômico negativo. Não só com relação à integração sulamericana, mas nossa aproximação com a África, com o mundo árabe, etc.

Como o processo de impeachment pode afetar a imagem do Brasil no cenário internacional, a médio e longo prazo?

O Brasil é um país muito grande, uma economia muito importante. É muito difícil qualquer país dizer que não quer ter relações com o Brasil por causa da maneira como houve a mudança de governo. É claro que vai haver dificuldades, inibições. O próprio John Kerry, atual secretário de estado dos EUA, esteve aqui, mas houve 40 parlamentares do Partido Democrata que protestaram. Esse relativo desapreço pelas relações Sul-Sul pode afetar diretamente nossos interesses. Porque entre as grandes economias a que mais cresce é a indiana. A chinesa dizem que cresce pouco mas é 6% ao ano. Se considerar a África como um país – claro que é artificial isso, mas é um cálculo para ter uma ideia – ela seria o quarto parceiro comercial. Viria acima da Alemanha. Então não é um mercado que você possa dizer que não há interesse. Sem falar que tem muitas empresas brasileiras lá.

E sem falar também em outros aspectos que as pessoas podem achar que sejam superficiais, que tudo que não era comércio era blá-blá-blá. Isso é uma falta de percepção. O Brasil tem hoje uma grande penetração econômica em Moçambique, já tínhamos feito um centro cultural que sobreviveu à guerra civil. Fizemos uma fábrica de antirretroviriais. Tudo isso gera uma boa vontade no governo, no povo, que se você considerar tudo isso secundário, blá-blá-blá, você acabará perdendo essas chances. Pessoas falam muito para estudar o custo-benefício, mas você não tem como saber imediatamente. O exemplo de Moçambique: você faz uma fábrica de antirretrovirais num país paupérrimo. Como você vai fazer uma relação de custo-benefício? Você vai fazer isso porque é bom! Agora ao mesmo tempo aquilo predispõe a população favoravelmente para você.

Houve uma discordância do senhor com a presidenta Dilma Rousseff na condução da política externa? Quando ela deu posse ao então ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, o senhor deu entrevista falando que era preciso recuperar a moral dos embaixadores, o prestígio da pasta. O atual ministro também fala em penúria financeira...

Eu tenho grande respeito pela presidenta Dilma. Acho que nunca tive discordância com ela em relação a posições. Pode ter havido um ou dois casos menores, que acontece. Mas eu costumava dizer o seguinte: a política externa do presidente Lula ia ser ativa e altiva. Em matéria de altivez, a política da presidenta Dilma seguiu o mesmo padrão. Inclusive quando houve o caso de espionagem dela própria, na nossa área de energia. Ela cancelou a visita aos Estados Unidos. Propôs uma resolução importante na ONU, junto com os alemães, que até hoje tem repercussão. Outra coisa importante que ela não criou sozinha, mas consolidou, foi a criação do banco dos Brics. Agora, por razões que eu nem tenho condições de julgar, ela deu um pouco menos de ênfase aos temas exteriores do que o governo Lula. Uma questão de temperamento, de vocação, talvez ela já estivesse preocupada com a crise econômica que se anunciava. E isso acabou se refletindo em problemas estruturais no Ministério de Relações Exteriores, o que eu pessoalmente lamento. Mas ela não mudou a orientação, não fechou nenhuma embaixada nem falou em fechar.

Existe uma necessidade de recomposição do orçamento?

Isso eu reconheço que existe. As nossas embaixadas na África mesmo, nenhuma delas foi fechada, mas poderiam ter tido lotação maior. Nós, no governo do presidente Lula, tínhamos feito um projeto para aumento dos quadros diplomáticos de 400 pessoas, depois para aumentar mais 400. O Congresso aprovou, mas nunca foi implementado. Na África você poderia ter continuado com essa política, porque, em alguns lugares, ter uma pessoa só é muito pouco. Não é que não faça nada, faz. Mas faria melhor se tivesse um ou dois auxiliares.

O senhor assumiu no fim de junho a presidência do Conselho de Administração da Unitaid, agência especializada na gestão de medicamentos para combate à Aids, à tuberculose e a malária em países pobres. Já conseguiu perceber quais são os maiores desafios?

A Unitaid tem feito coisas muito boas. Ela ajudou a financiar um projeto para formulação pediátrica para aids. É muito interessante porque não é que ela vai agir na pesquisa de ponta para descobrir uma nova molécula, porque isso está fora da capacidade orçamentária, mas ela pode agir no sentido de ter um desenvolvimento de um setor que não está atraindo os laboratórios privados. A organização está estudando agora uma participação financeira para uma vacina para a malária, que seria a primeira. Talvez o grande desafio seja manter as contribuições e se possível aumentar. Com as condições atuais do mundo, há uma competição por recursos. Pretendo fazer visitas aos principais contribuintes. Países que já contribuíram mais e estão contribuindo pouco. Embora os recursos tenham sido suficientes, você tem que ter uma previsibilidade a longo prazo.

Ampliar o número de países doadores é um desafio? E tem também a zika, os recursos estão muito direcionados para o vírus.

Certamente seria interessante atrair a China, a Rússia, a Alemanha, os países desenvolvidos do Ocidente. Mas também não se pode querer fazer tudo de uma vez, porque a Unitaid funciona de maneira muito harmoniosa. E com relação à zika acho que é uma oportunidade sim. Tem muita gente interessada na zika. E há também na Unitaid preocupações que se ligam a algumas das consequências da zika, que é a saúde materna e dos recém-nascidos.

Para terminar, como esse momento do país pode influenciar na Unitaid?

Eu pretendo manter com o governo uma relação profissional. Estou dirigindo um organismo internacional que o Brasil ajudou a fundar e que se alinha com políticas de saúde, como o combate à aids. Então não creio que vá haver problemas. Também vai depender: se esses cortes orçamentários que estão anunciados passarem, todos os setores vão ficar preocupados, saúde, inclusive. Seria ruim o Brasil perder essa participação, porque é uma voz forte. Provavelmente, a voz mais forte de um país em desenvolvimento. Mas não creio que vá perder.

Sumaia Vilela
No RBA
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José Serra: Besta é ele

O ministro (sic) José Serra: tentando se converter numa espécie de Theodore Roosevelt tupiniquim
Chefiado com mão de ferro por José Serra, o exuberante Barão da Mooca, nosso MRE dedica-se com afinco a destruir a política externa altiva e ativa que foi decisiva para superação da nossa vulnerabilidade externa

A especialidade do ministério Temer é a destruição. Como um bando de hunos, dedica-se a pilhar o Estado e a implodir tudo o que foi feito com anos de trabalhos duro.

Ciência sem Fronteiras, FIES, Prouni, Minha Casa Minha Vida, SUS, Cultura, etc., tudo está sendo “revisto”, reduzido ou simplesmente destruído, de modo a que sobre dinheiro para pagar juros e a conta fisiológica do golpe. No ínterim, dedicam-se também a perseguir os que defendem a democracia ou os que tinham algum laço com o governo anterior. Afinal, os hunos, além de violentos, eram mesquinhos.

Nesse festival macabro de destruição de políticas e programas, há um ministério que tem destaque: o Itamaraty. Chefiado com mão de ferro pelo exuberante Barão da Mooca, o nosso MRE dedica-se com afinco a destruir a política externa altiva e ativa que foi decisiva para superação da nossa vulnerabilidade externa e a elevação do nosso protagonismo internacional.

Quiçá tentando se converter numa espécie de Theodore Roosevelt tupiniquim, em apenas 100 dias nosso chanceler já distribuiu golpes de seu “grande porrete” para tudo quanto é lado.

Agrediu a Nicarágua e El Salvador por questionarem o golpe. Promoveu assaltos verbais contra a Unasul pelo mesmo motivo. Ameaçou o Caribe e a África com fechamentos de embaixadas, ofendendo países amigos que também abriram embaixadas no Brasil. Distribuiu pródigos coices contra o Mercosul e a integração regional, sem esconder seu desprezo por nossos vizinhos e sua intenção de recolocar o Brasil na órbita estratégica dos EUA.

Esse grande diplomata, um talento nato, conseguiu a fantástica proeza de brigar com o pequenino Uruguai, pois foi até Montevidéu tentar comprar o voto dos uruguaios para excluir a Venezuela do Mercosul.

Seus porretaços e coices são complementados com adequados zurros. Assim, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) e a Organização dos Estados Americanos (OEA) criticaram a transformação da Controladoria-Geral da União (CGU) em ministério e a troca de comando da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), o Barão da Mooca afirmou que: "Isso não tem pé nem cabeça, nem importância. A maioria não sabe sobre o que está falando”. A ONU e a OEA não sabem o que estão falando. Mas ele sabe.

Sabe tanto que, na sua visita ao México, ofendeu em público a chanceler mexicana com uma piadinha misógina. Sabe tudo de diplomacia o nosso Roosevelt.

Agora, entretanto, o Roosevelt tupiniquim se superou. Após receber documento oficial da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA pedindo informações sobre o processo do impeachment sem crime, ele afirmou, com grande tato, que o documento é “besta e malfeito” e que "o Brasil não tem que responder nada”.

O zurro surpreendeu pelos decibéis e pela ignorância em assuntos comezinhos de política externa.

A Convenção Interamericana sobre Direitos Humanos da OEA, mais conhecida como Pacto de San José, foi promulgada na nossa ordem jurídica interna em 6 de novembro de 1992. Portanto, desde aquela data, ela tem força de lei no país. Além disso, em 1998, mediante a Mensagem nº 1070, enviada ao Congresso em regime urgência, o Brasil passou a reconhecer, como obrigatórias e vinculantes, as sentenças da Corte Interamericana de Direitos Humanos, que é o órgão judicial que protege os direitos previstos na citada convenção. Saliente-se que os Estados que fazem parte da Convenção não são obrigados a reconhecer tais sentenças. Tal reconhecimento é facultativo. Assim, foi o governo tucano ao qual Serra serviu que tomou a decisão de reconhecer, como obrigatórias, tais sentenças.

Se a Corte decidir que houve violação aos direitos protegidos pela Convenção, ela determinará, através de sentença, “que se assegure ao prejudicado o gozo do seu direito ou liberdade violados”. Ademais, a Corte poderá exigir dos Estados Partes a reparação das consequências ou o pagamento de indenizações às vítimas.

Portanto, a Corte da OEA pode, sim, pedir explicações ao Brasil. E o Brasil, graças a uma decisão tomada no antigo governo do nosso chanceler, está obrigado a responder. Mais: o Brasil está obrigado a cumprir as sentenças da Corte.

Observe-se que, pelo artigo 48 da Convenção, a solicitação de informações tem de ser enviada ao Governo do Estado, que será o responsável pela resposta.

É inacreditável que a diplomacia brasileira tenha caído tão baixo em tão pouco tempo. Mesmo para o folclórico ministério do governo golpista, trata-se de um recorde de inabilidade e incompetência. Como agravante, Serra agora terá de lidar com a greve dos servidores do MRE, agredidos em seus direitos trabalhistas.

Chamar o documento da Corte da OEA de “besta e malfeito” é o cúmulo da diplomacia asinina do coice.

Malfeita, muito malfeita, foi a sua nomeação para o Itamaraty. Trata-se de um caso clássico de “o homem errado no lugar errado”.

E o documento da Corte da OEA não é “besta”. Besta é ele.

Marcelo Zero
No Opera Mundi
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O jornalismo de guerra matou Geneton muito antes do aneurisma fatal

Não foi feito para estes tempos no jornalismo
Dos jornalistas que conheci em meus anos de Globo, entre 2006 e 2008, Geneton Moraes Neto foi quem mais me impressionou, pessoal e profissionalmente.

Geneton trabalhava no Fantástico, e detestava o que fazia.

Era de uma geração em que jornalistas de talento estavam nos jornais e nas revistas. Televisão era, para ele, uma mídia de segunda linha.

Ele dedicou um livro que escreveu a seus herois: Paulo Francis e Henfil, Ivan Lessa, Millôr Fernandes, Sérgio Augusto, Ziraldo, Jaguar, Fausto Wolff — o time que no Pasquim despertou sua “paixão pelo jornalismo”.

Ninguém da televisão entrou na lista de Geneton.

Houve um sentimento de simpatia instantânea de mim por ele, e ouso dizer que a recíproca foi verdadeira.

A mídia revista ainda não estava tecnicamente morta nos dias em que nos conhecemos. Concebemos, na editora Globo, uma “Revista do Fantástico”, da qual Geneton foi um dos maiores entusiastas.

Era sua chance de escrever mais, muito mais que as esquálidas linhas de textos de tevê.

A crise das revistas abortou o projeto depois de alguns números, mas nossas conversas não cessaram. Tentei levar Geneton para a Época, mas no meio das negociações me desentendi com auxiliares dos Marinhos e deixei a Globo.

Mantivemos contato, agora mais esgarçado. Seguiamo-nos no Twitter, e uma vez ele me avisou que eu grafara errado o nome de Ali Kamel num texto. Escrevi Kamell, com dois eles.

Pensei bastante em Geneton nos últimos tempos, desde que soube que ele sofrera um aneurisma que acabaria por matá-lo nesta semana, aos 60 anos.

O jornalismo de guerra da Globo, e não só dela, matou Geneton.

Desde que a mídia plutocrática começou sua campanha contra Lula, Dilma e o PT jornalistas como ele foram sendo encostados nas redações.

Não tinha serventia quem não fizesse o que os patrões desejavam. Geneton não foi o único esquecido. Foi um entre tantos. Mas foi um dos mais talentosos entre os excluídos.

Não era um jornalista para caçar vazamentos de procuradores com brutal interesse político. Não era um jornalista para manter aceso um caso abjeto a qualquer preço, como o Triplex de Lula.

Portanto, não servia mais para nada.

O jornalismo de guerra era e é para Merval, Kamel, Míriam Leitão, Sardenberg, Escosteguy.

É para alguém como Erick Bretas, que aceita colocar o avatar de Sergio Moro no seu Facebook e conclamar os seus seguidores a marchar pelo golpe.

Fora da Globo, é para Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi, Augusto Nunes e Marco Antônio Villa, entre tantos outros que ascenderam a postos de destaque na condição de fâmulos dos patrões.

Era um romântico do jornalismo, como mostra sua dedicatória aos caras do Pasquim. Sonhava melhorar o mundo, e não simplesmente defender do jeito que fosse os interesses e as causas dos barões da imprensa.

Numa homenagem tocante nas redes sociais,  Caetano Veloso tocou na essência de Geneton. “Geneton era um repórter adolescente quando o conheci. Gostei dele imediata e imensamente. Depois, fiquei tão impressionado com a honradez que ele demonstrou ao publicar nosso diálogo (eu tinha dito alguma coisa que soaria picante se fosse usada por um jornalista ordinário, e ele, tendo entendido o sentido respeitoso com que foi dito o que eu disse, nem publicou a frase arriscada), fiquei mesmo tão grato à sua grandeza que, para deixar para trás um período de dois anos em que me recusava a conceder entrevista a qualquer veículo da imprensa (muita agressão gratuita e muita inverdade oportunista se lia nas páginas dedicadas à música), escolhi falar com ele, e só com ele, para reiniciar um diálogo normal com a confusão dos cadernos B. A impressão que o garoto pernambucano me causara e a percepção de sua inteligência honesta só fizeram crescer ao longo dos anos. Se o jornalismo brasileiro tem algo de que se orgulhar, Geneton o representa melhor que ninguém – se não for exemplo único. Eu o adorava. Fiquei tristíssimo hoje ao saber que ele tinha morrido. Eu nem sabia que ele estava doente. Como disse Fernando Salem, essa é “a notícia que mata a notícia. Quando morre um verdadeiro jornalista a verdade fica triste.”

Pouco depois da Globo, a montagem do DCM me absorveu por completo, e nos distanciamos.

De vez em quando, imaginava como seria bom sentarmos numa mesa de bar e conversar sobre os descaminhos do jornalismo.

Mas era uma coisa complicada. Para pagar as contas, e por falta de alternativa profissional, ele permaneceu na Globo, na qual por razões óbvias sou persona non grata.

Ficou em mim a memória doce de um jornalista que reunia caráter e talento, um homem que não foi feito para estes tempos, uma vítima colateral do jornalismo de guerra que vigora no Brasil.

Paulo Nogueira
No DCM
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Procurador admite que Lava Jato foi usada para derrubar Dilma


Sob anonimato, um procurador da Operação Lava Jato disse à jornalista Natuza Nery, responsável pelo Painel da Folha desta quarta (24), que o sentimento comum na força-tarefa hoje é de que eles foram usados para derrubar a presidente Dilma Rousseff e, agora que o impeachment está quase consolidado, estão sendo descartados. "Éramos lindos até o impeachment ser irreversível. Agora que já nos usaram, dizem chega”, disse o procurador.

Conforme o GGN mostrou semanas atrás, a Lava Jato bateu recorde de aparecimento nas manchetes de jornais durante o mês de março de 2016, criando o clima favorável ao impeachment de Dilma Rousseff na Câmara. Mais de um terço das capas da Folha foram dedicadas à operação e a outras investigações contra Lula. O próprio Datafolha nunca usou as pedaladas fiscais para questionar à população se Dilma merecia o impeachment. A pergunta feita era se as "revelações" da Lava Jato deveriam render o seu afastamento.

A fala do procurador ocorre após o ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes reagir ao vazamento de suposta delação da OAS citando Dias Toffoli, membro da Corte, apenas para criar constrangimentos. Segundo a colunista, "o Estado-maior da Lava Jato é unânime: o avanço das investigações sobre setores do Judiciário pode acabar se transformando em um freio na operação."

Após o episódio, Gilmar deu uma série de entrevistas sinalizando que a Lava Jato está se comportando como um grupo de "heróis" sem limites e que deveria, ao invés disso, "calçar as sandálias da humildade". O ministro também disparou contra uma das propostas defendida pelos membros da operação no Congresso, que trata da permissão de usar provas obtidas de maneira irregular, desde que de boa-fé. Chegou a dizer que isso é coisa de "cretino".

Com a reação do ministro do STF, o procurador-geral da República Rodrigo Janot veio à tona defender a Lava Jato do vazamento. Disse que a responsabilidade pelo factóide entregue à Veja era dos advogados da OAS, que estariam fazendo pressão para fechar a delação de Leo Pinheiro. Ele também afirmou que não existe nenhuma menção a Toffoli no depoimento. O PGR usou esse argumento para suspender as negociações. 

Histórico de abusos

A suspensão e a pressão do Supremo para isso são atitudes inéditas na Lava Jato. Não é como se a operação já não tivesse se envolvido em episódios polêmicos que colocaram em xeque os limites de sua atuação.

A título de exemplo, no caso do vazamento de um grampo presidencial, por exemplo, o máximo que ocorreu foi o juiz federal Sergio Moro pedir desculpas a Teori Zavascki, relator da Lava Jato no STF. Dilma Rousseff, que foi derrubada na Câmara dias após esse vazamento, aponta que esse tipo de vazamento "é crime em qualquer lugar do mundo".

Além disso, foram mais de 13 delações vazadas para a imprensa, sem nenhuma reação. O que levanta a pergunta: por que após dois anos e meio de Lava Jato, só agora Janot quer findar um acordo de cooperação por causa de um vazamento?

Hoje, o GGN aponta em artigo de Luis Nassif que a suspensão da delação da OAS é um "empate vitorioso" entre Gilmar e Janot, com um importante desdobramento sobre a classe política: deve livrar a cara de José Serra e Aécio Neves (PSDB) — além de alguns petistas — que, como já se sabia, eram citados por Léo Pinheiro na delação.

No GGN
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O Xadrez do empate vitorioso de Gilmar e Janot

Capítulo 1 – o grande mestre Gilmar Mendes

Nos jogos do poder, o Ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal) é grande mestre. Ousaria compará-lo ao imortal Raul Capablanca, o campeão cubano que encantou o mundo no início do século, com seu estilo claro, lógico, linear e fulminante.

Seu grande adversário foi o russo Alexander Alekhine, com um estilo complexo, cheio de nuances, que acabava embaralhando o adversário. Só depois do jogo terminado, os adversários encontravam saídas para as complexidades colocadas por Alekhine.

No embate entre ambos, pelo título mundial, Alekhine venceu. Consta que graças ao estilo bon vivent do cubano, que se dispersava entre corridas de cavalo e libações noturnas. Não é o caso de Gilmar, cujas obsessões se resumem ao jogo político-jurídico e à sua IDP (Instituto Brasiliense de Direito Público). Não deixa de ser seu calcanhar de Aquiles, mas que poucos ousaram explorar.

Capítulo 2 - a presunção da competência política da Lava Jato

No primeiro tempo, a Procuradoria Geral da República e a Lava Jato conseguiram o feito histórico de terem derrubado uma presidente da República. Julgaram-se os reis da cocada preta.

Esse tipo de onipotência os tornou descuidados. Não se deram conta que o embate foi contra o mais ingênuo e indefeso governo da história. A frente ampla garantiu-lhes a blindagem para toda sorte de abusos e um deslumbramento provinciano. Julgaram-se acima do bem e do mal e, especialmente, acima do STF (Supremo Tribunal Federal).

Parcerias com a mídia não são institucionalizadas, mas pontuais, obedecendo aos interesses de ambas as partes. Além disso, a mídia — e a opinião pública — movem-se por eventos, alimentados por fatos reais ou factoides. E Gilmar e José Serra sempre foram mestres na arte de criar factoides jornalísticos.

O deslumbramento levou o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima — o mais agressivo e político da força tarefa — a confrontar decisão do Ministro Dias Toffoli de ordenar a libertação do ex-Ministro Paulo Bernardo. E foi criando pontos de vulnerabilidade para o xeque de Gilmar.

Capítulo 3 – a delação da OAS

O que está em jogo é a delação da OAS.

Há duas empreiteiras na fila. As delações da Odebrecht apontarão preferencialmente o financiamento de campanha através de caixa 2. Delatarão Paulo Preto. Se a Lava Jato quiser pegar José Serra e Aloysio Nunes, terá que apertar Paulo Preto.

Já as delações da OAS visariam apontar corrupção explícita dos políticos, especialmente de José Serra – isto é, dinheiro para enriquecimento pessoal.

Capítulo 4 – o xeque de Gilmar

Aí entra em cena Gilmar, com toda sua maestria e atrevimento.

Conforme explicado no Xadrez de ontem, o suposto vazamento  contra Dias Toffoli se autodestruía em 30 segundos. Na própria denúncia já se fazia a defesa de Toffoli e os próprios blogueiros de Veja se incumbiam de defendê-lo. Trata-se de um factoide similar ao grampo sem áudio da conversa entre Gilmar Mendes e Demóstenes Torres, com ambos se auto-elogiando.

Mesmo assim, tinha tudo para se tornar o mote para um xeque pastor em Janot e na Lava Jato. A sucessão de declarações dos procuradores da Lava Jato, os abusos, o carnaval em torno do decálogo de Moisés e outros atrevimentos foram criando ressentimentos cada vez maiores no STF. Nenhum Ministro se manifestava com receio de se tornar alvo de campanhas infames, como a que vitimou o Ministro Luís Roberto Barroso. É uma tarefa para Gilmar, o destemido.

Ele espera o momento, encontra o álibi na capa da Veja, e cai matando sobre a Lava Jato.

Xeque-mate de Gilmar em Janot? Não. Xeque duplo nas investigações, e explico.

Capítulo 5 – o xeque duplo

Há várias hipóteses sobre os autores e a motivação da denúncia:

Hipótese 1 — foi um membro da Lava Jato, aliado a José Serra e Gilmar Mendes, interessado em melar o depoimento da OAS.

Hipótese 2 — foi vingança de procuradores contra decisões recentes de Toffoli.

Hipótese 3 — partiu dos advogados da OAS.

As duas primeiras são hipóteses verossímeis. A Hipótese 3 é a única absolutamente inverossímil. Primeiro, pela constatação do próprio Janot, que não havia nenhum anexo nas preliminares da delação versando sobre a tal reforma na casa de Toffoli. Janot diz que seria impossível ao MPF vazar essa informação, porque não existia. Se não existia, como atribuí-la aos advogados da OAS? E a troco de quê eles divulgariam uma informação contra um Ministro do STF, que qualquer amador saberia que poderia comprometer a delação?

E, no entanto, Janot tratou rapidamente de difundir a tal versão, anunciando a suspensão das negociações com a OAS.

Não havia lógica. Era evidente que a tal capa foi um factoide visando anular a delação da OAS. A troco de quê o ladino Janot, que dispõe de vários oficiais generais analisando a conjuntura, não captaria as intenções do factoide?

Há duas hipóteses para explicar a decisão de Janot:

Hipótese 1 — Janot piscou. Assustou-se com a possível reação do Supremo e saiu acusando os advogados da OAS, mesmo sem provas, antes mesmo de iniciar qualquer investigação, seguindo o padrão Lava Jato.

Hipótese 2 — Janot aproveitou o carnaval em torno do episódio para afastar de si o cálice da delação da OAS.

Aposto fechado na segunda hipótese.

Tem-se, enfim, um jogo em que Capablanca e Alekhine combinam o resultado final: Janot e Gilmar trocam tiros entre si, simulam um combate entre Darth Vader e Luke Skywalker e ambos conseguem chegar ao mesmo resultado: a anulação da delação da OAS salvando Serra, Aécio e, democraticamente, possivelmente algumas cabeças do PT.

O jogo termina empatado com Gilmar e Janot vitoriosos. E, em um arremate elegante, Gilmar declara que a delação não deveria ser suspensa, para permitir a Janot o ultimo lance do jogo.

De fato, um clássico do xadrez político.

Luís Nassif
No GGN
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A verdade terrível que Gilmar descobriu com o vazamento contra seu amigo Toffoli

Vazamento contra inimigo sim; contra amigo, não
Centenas de vazamentos vis, criminosos, inconsequentes, manipulados, destinados apenas a sabotar Dilma, Lula e o PT.

E Gilmar Mendes calado.

Um vazamento em que seu amigo Toffoli é citado e Gilmar tem um ataque histérico. Liga para Mônica Bergamo, da Folha, e critica os procuradores da Lava Jato, aos quais certamente atribui o vazamentos, com a dureza que habitualmente reserva ao PT.

Depois, irrompe no Estadão dizendo que “o cemitério está cheio desses herois”, os procuradores.

Quer dizer: só agora Gilmar descobre o caráter abjeto dos vazamentos?

O vazamento, em si, é uma notícia de rodapé. Uma construtora teria feito um serviço simples, e gratuito, na casa de Toffoli.

Não é exatamente um ato pelo qual Toffoli e a construtora mereçam ser condecorados, mas muito muito é motivo para uma capa da Veja. Só que em seu jornalismo de guerra, e em seu desespero para adiar sua morte inevitável, a Veja é capaz de tudo.

Toffoli, na versão de Gilmar, foi vítima de vingança dos procuradores por haver mandado soltar Paulo Bernardo.

Há uma ironia em que o veículo que deu a facada em Toffoli seja a Veja, amicíssima de Gilmar. Gilmar jamais se constrangeu em tirar fotos ao lado de jornalistas da Veja. Outra ironia é que ele próprio cansou de vazar coisas à Veja contra Lula. Estavam unidos, Veja e ele, na campanha para destruir a reputação de Lula.

Fora das ironias, é um sinal portentoso do uso político, pessoal e desonesto de tantos vazamentos. É também um retrato acabado do caráter de Moro e sua Lava Jato.

Gilmar sempre soube de tudo isso.

Mas, como os vazamentos alcançavam seus inimigos, se calou.

Ele parece ter acabado de descobrir uma verdade terrível: abusos como os da Lava Lava Jato, quando não imediatamente denunciados e reprimidos, podem atingir qualquer um.

Até seu amigo Toffoli. E até ele próprio, Gilmar.

Paulo Nogueira
No DCM
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O que causa e por que os idosos têm um cheiro diferente?

Você já achou que idosos tinham um cheiro diferente?
Pois pesquisadores também já perceberam e investigam a causa
Quem convive com idosos, já percebeu que, à medida que vão ficando mais velhos, eles exalam um odor bastante característico (e não, necessariamente, ruim). Embora esse cheiro seja reconhecido em muitas culturas, médicos e pesquisadores ainda não conseguiram explicar exatamente quais são suas causas.

Até agora, o que os cientistas sabem é que, de maneira geral, os odores corporais humanos são produto de uma interação complexa entre as glândulas da pele, secreções e atividades bacterianas que sofrem mudanças ao longo do tempo.

No caso dos idosos, o cheiro pode ser produto de um mix de alterações químicas, desaceleração do metabolismo, ingestão de medicamentos constante e estilo de vida.

Alterações químicas

Em 2000, um grupo de pesquisadores japoneses descobriu que a concentração de uma substância química chamada 2-nonenal (encontrada no suor e na pele) aumenta à medida que envelhecemos. Curiosamente, o 2-nonenal também está presente na cerveja.

Os cientistas analisaram o teor da substância na camisa de 22 pessoas, entre 26 e 75 anos. Nos indivíduos com mais de 40 anos, a concentração de 2-nonenal no tecido era duas vezes maior do que no dos mais jovens. Nos mais velhos, a concentração triplicava.

Uma das explicações é que o aumento do 2-nonenal vem da decomposição de ácidos graxos e ômega-7, substâncias que estão mais presentes em nossa pele quando envelhecemos. Agora, o motivo desse aumento ainda é uma dúvida para os cientistas.

O que eles especulam é que esse crescimento pode estar relacionado às mudanças do metabolismo ou de alterações na quantidade de algum outro produto químico nas secreções da pele.

Medicamento e metabolismo

O uso constante de medicamentos e as alterações no metabolismo também podem ser explicações, de acordo com o geriatra Clineu Almada Filho, da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo).

"Algumas doenças crônicas, como a insuficiência renal, faz com que o indivíduo exale um cheiro característico por conta do excesso de amônia no corpo, por exemplo. Em muitos casos, não é preciso nem desenvolver uma doença. O próprio processo de envelhecimento faz com que os órgãos operem com reserva funcional, causando muitas mudanças no metabolismo", diz o geriatra.

E qual é o propósito?

Outra grande questão que ainda não tem resposta é se essa mudança no odor dos mais velhos teria algum propósito. Uma pesquisa divulgada por um centro de estudos americano dedicado a estudar cheiros, mostrou que o odor dos idosos é facilmente detectado e é o menos desagradável.

Durante a pesquisa, os cientistas pediram que diferentes voluntários dormissem com uma camiseta por cinco noites consecutivas. Os 44 voluntários foram divididos em três grupos: jovens (entre 20 e 30 anos), meia-idade (45 e 55 anos) e idosos (entre 75 e 95 anos).

Ao final da quinta noite, outros voluntários foram convidados para identificar, através do cheiro, quais camisetas pertenciam a qual grupo e quais odores eram mais intensos e desagradáveis. Além de detectarem o odor do grupo idosos, o cheiro desse grupo foi considerado o menos intenso e menos desagradável do que o de pessoas jovens e de meia-idade.

Os cientistas acreditam que, além dos humanos, algumas espécies de animais também conseguem dizer a diferença entre indivíduos mais jovens e mais velhos pelo cheiro, como macacos, veados e ratos.

Uma possível explicação para o cheiro, tanto no caso dos animais quanto dos humanos, é que indivíduos mais velhos teriam uma "vantagem genética" que lhes permitiu sobreviver por mais tempo e que o odor seria uma "propaganda" para essa qualidade genética. Mas até agora, pura especulação.
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Ex-senador acusa Padilha de cobrança de propina e manda recado para Temer — assista

Valmir Amaral afirma que ministro-chefe da Casa Civil do governo interino recebeu R$ 200 mil em propina quando comandava Ministério dos Transportes. Em entrevista, ele diz a Temer: “Tira esse ladrão do seu lado”; assista


O ex-senador Valmir Amaral, em entrevista coletiva, acusou o ex-ministro dos Transportes e atual ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, de cobrar propina de seu pai, já falecido, Delmo Amaral.

A família era dona de uma empresa de ônibus que decretou falência. De acordo com o ex-senador, Padilha teria recebido cerca de R$ 200 mil e, depois de ter o dinheiro em mãos, tirou a linha de ônibus da companhia de uma licitação.

Valmir afirma que tem sido perseguido e pede ao presidente interino Michel Temer que exclua Padilha de sua lista de aliados no governo.

“Tira esse ladrão do seu lado, presidente! O chefe da Casa Civil é ladrãozão. Pegou R$ 200 mil do meu pai quando era ministro dos Transportes […] dinheiro foi entregue em uma caixa. […] Você pega o Diário Oficial, ele colocou uma linha da empresa na licitação e depois que meu pai pagou ele tirou a linha da licitação”, disse.

Valmir Amaral enfrenta uma série de dificuldades no momento. A casa do político, que ocupa uma área de 19 mil m² em uma área nobre de Brasília, foi demolida, cumprindo decisão judicial. Além disso, o pai dele foi condenado a pagar R$ 1 milhão por dano ambiental, mas, após morrer, deixou a dívida para os filhos.

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Gilmar acordou o senador indeciso

Essa canoa vai virar!


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