22 de dez de 2014

Aécio baixa a bola e volta a ser mais Tancredo


 Aécio baixa a bola e volta a ser mais Tancredo

Na reta final do segundo turno e após as eleições, o tucano Aécio Neves foi ficando cada vez mais radical, em nada lembrando o político cordato de outros carnavais. Partiu para o tudo ou nada contra Dilma — e perdeu, mas não se conformou.

Aécio tinha um bom exemplo na família de político ponderado, que sabia ganhar ou perder. "Governo e oposição, acima dos seus objetivos políticos, têm deveres inalienáveis com nosso povo", ensinava Tancredo Neves, o ex-governador mineiro que foi presidente da República, sem nunca ter sido.

Em lugar de Tancredo, porém, Aécio preferiu adotar o modelito Carlos Lacerda dos anos 50 do século passado, adversário histórico do seu avô, um homem que lutou até o último dia ao lado de Getúlio Vargas contra os golpistas da UDN, os mesmos que chegariam com os militares ao poder em 1964. Estimulado pelo guru FHC e por blogueiros furiosos da velha mídia, o senador mineiro vestiu um figurino que não combinava com ele, e se deu mal.

Dois meses após a derrota, agora Aécio deu uma nova guinada nesta segunda-feira, em entrevista a Valdo Cruz e Daniela Lima, publicada na Folha. Deve ter pensado melhor sobre o que anda fazendo e falando. Sem deixar de desferir duras críticas à presidente reeleita Dilma Rousseff e ao seu governo, o candidato derrotado procurou se afastar do que chamou de "nossos black blocs", alguns companheiros de partido e de campanha que, em várias manifestações nas ruas e no Congresso, defenderam o impeachment e até a volta dos militares ao poder. "Fora da democracia, nada nos interessa", resumiu Aécio.

Melhor assim. Melhor para Aécio, para o seu partido e para o país. Na entrevista, o ex-governador mineiro se permitiu discordar até de FHC, que outro dia qualificou Dilma como uma presidente ilegítima.

"Não chego neste termo. Acho que é uma presidente apequenada pela forma como venceu as eleições e pela — usando um termo adequado — dependência da sua base. No momento em que era necessário um presidente que conduzisse o país, nós temos uma presidente conduzida. Ela começará o segundo mandato de uma forma pior do que termina o primeiro".

Em outro trecho, afirmou que "o governo vai provar do seu próprio veneno", ao falar da nova equipe econômica, que já anunciou a necessidade de aumentar impostos e cortar despesas. "Vamos conhecer o neoliberalismo petista..."

Quando os repórteres lhe perguntaram se existem elementos para o PSDB pedir o impeachment, discordou frontalmente de líderes do seu partido, como Carlos Sampaio, deputado federal paulista e uma espécie de advogado-geral dos inconformados, ao assumir o posto do impetuoso senador Álvaro Dias, do Paraná, que misteriosamente sumiu de cena.

No dia da diplomação da presidente reeleita, na sexta-feira, Sampaio chegou a apresentar um novo recurso ao TSE pedindo a cassação de Dilma e a entrega da faixa para Aécio. "Não, não trabalho com esta hipótese. Estamos fazendo aquilo que na democracia é permitido: acionar a Justiça pedindo investigação".

Aécio só não explicou o que exatamente deveria ser investigado, mas deixou claro que não pretende ir aos atos anti-Dilma que estão sendo programados até para a cerimônia da nova posse, dia 1º de janeiro, em Brasília.

Se Aécio prefere manter distância dos seus aliados sinceros mas radicais, resta saber o que dirão agora os líderes da tropa de choque oposicionista, comandada por figuras como o democrata Ronaldo Caiado, o ex-candidato a vice Aloysio Nunes, o ex-coordenador-geral da campanha presidencial José Agripino Maia, outro bravo democrata, o ensandecido capitão Jair Bolsonaro e o cantante Lobão, novo porta-voz do udenismo redivivo.

Esta turma e a banda de música da mídia panfletária vão ter que procurar outro líder. Que, certamente, não será Geraldo Alckmin, que até já confirmou presença na festa da posse de Dilma. Cada vez mais mineiro do que o próprio Aécio e mais moderado do que Tancredo Neves, o governador paulista, reeleito com expressiva votação no primeiro turno, já está perfilado para a corrida de 2018.

Para quem imaginava uma renhida disputa com Aécio para ver quem será o candidato tucano na sucessão de Dilma, a entrevista pode ter servido também de estímulo aos aliados de Alckmin. Perguntado se será candidato novamente em 2018, Aécio foi taxativo ao negar esta possibilidade:

"Não mesmo. Talvez já tenha cumprido o meu papel. O candidato vai ser aquele que tiver as melhores condições de enfrentar o governo. Meu papel é manter a oposição forte. O governador de São Paulo Geraldo Alckmin é um nome colocado e tem todas as condições".

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As mais vergonhosas capas da Revista Veja durante o Regime Militar


Por que será que hoje a Revista Veja evita, até nos momentos mais marcantes, falar de certos temas que vão contra os seus interesses? Essa prática é recorrente com temas de âmbito político e social, entretanto, não é o mais sombrio de seus recursos.

Desde sua fundação em 1968, a Veja abusou do verbo para demonizar seus inimigos ante a opinião pública. Isso fica evidente quando observamos as edições mais distantes do presente, uma simples leitura das capas da revista durante a Ditadura Militar pode se absurdamente reveladora. Isso me levou à fonte primária, o próprio acervo digital de sua obra (http://veja.abril.com.br/acervodigital/), para buscar algumas das capas mais evidentes sobre o apoio escancarado da revista aos golpistas militares. As palavras revolução e terrorismo representam o antagonismo de duas vertentes políticas.

Veja as capas:







No História Ilustrada
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Insulto a Mário Lago

Mario Lago

No Viomundo



Jornalistas da Globo se sentem forçados a homenagear Bonner

O jornalista publicitário William Bonner recebe o Troféu Mário Lago das mãos de Fernanda Montenegro, no Domingão
Jornalistas da Globo se sentiram obrigados pela emissora a participar da homenagem a William Bonner exibida ontem (21) no Domingão do Faustão. Repórteres e editores de São Paulo, Rio, Brasília, Recife, Nova York e Londres apareceram batendo palmas para Bonner pelo Troféu Mário Lago de 2014. Mas não foi uma homenagem espontânea. Os jornalistas foram convocados por seus chefes a se reunirem nas redações e aplaudir o editor-chefe do Jornal Nacional.

Em São Paulo, pelo menos dois profissionais se sentiram constrangidos a fazer parte do coro puxado por Marcio Canuto. No Rio, também houve participação a contragosto. Nenhum deles foi de fato obrigado a participar da homenagem, mas alguns deles avaliaram que não poderiam rejeitar o convite da chefia.

Apesar de "brincalhão", como a edição do Domingão ressaltou, Bonner é também um chefe rigoroso e muitas vezes magoa seus subordinados diretos. O próprio Bonner admitiu isso no programa de Fausto Silva: "Eu sei ser chato", disse.

Bonner está "queimado" em São Paulo por ter sido hostil a Evaristo Costa, apresentador do Jornal Hoje, na apresentação dos resultados das eleições do primeiro turno de 2014. Nervoso, Costa errou várias vezes e foi cortado por Bonner, que disse que ele estava repetindo informações.

O Troféu Mário Lago é entregue desde 2001. A cada ano é homenageada uma personalidade diferente, exceto em 2004, quando um casal, Tarcísio Meira e Glória Menezes, ganhou o prêmio. Neste ano, Bonner recebeu a estatueta de Fernanda Montenegro, vencedora de 2013, pelo "talento, versatilidade, honestidade e personalidade", de acordo com Fausto Silva.

Nos bastidores da Globo, o Troféu Mário Lago está sendo visto como uma forma de a emissora prestigiar Bonner pelo desempenho nas entrevistas com os candidatos à Presidência da República e também um "desagravo" pelas suspeitas que pesam sobre ele pela saída precoce de Patricia Poeta da bancada do JN. Patrícia Poeta, aliás, foi um dos jornalistas que apareceram em depoimento falando de Bonner. Disse que ele é um ótimo contador de piadas.

Jornalistas da Globo em São Paulo aplaudem William Bonner pelo Troféu Mário Lago
No Notícias da TV
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Joe Cocker


John Robert Cocker 
*20 de maio de 1944    + 22 de dezembro de 2014

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Roger do Ultraje se irrita com hiperliquidação de discos seus e de Lobão


Roger do Ultraje não resistiu a uma provocação no Twitter. Um tuiteiro postou uma foto de uma loja de discos em que tudo estava anunciado a 9,99 reais, exceto os discos de Lobão e do Ultraje a Rigor, em superliquidação por 1,99.

“Que fase, hem?”, disse o autor do tuíte, Fernando Cabral, que copiou Roger e Lobão.

“Na falta do que comemorar às vésperas de mais uma galera do PT ser presa, babacas divertem-se com uma foto de oferta que nada prova”, respondeu Roger.

Uma admiradora dos dois cantores especulou que a loja deve ser de petistas. Por outro lado, ponderaram que mesmo por 1,99 os discos estavam muito caros.

O ator José de Abreu pareceu se divertir com a polêmica. “Loja de petralha … kkkkk”, assinalou ele.

No DCM
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Parado desde 2011, processo sobre licitações na Petrobras pode ser julgado no início do ano

Ação pede revisão das regras que estabelecem regime simplificado de licitações para a companhia, mas para ser votado aguarda apreciação de mandado de segurança que está sob pedido de vista

Lewandowski demonstra empenho em fazer Judiciário andar.
Liminar concedida por Mendes vele desde 2010
Um processo interposto ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a revisão de decreto da Presidência da República (Decreto 2.745/98) — que autoriza a Petrobras a fazer contratações por meio de processos simplificados de licitação — está sendo programado para inclusão na pauta logo após a abertura dos trabalhos do Judiciário em 2015, conforme informações do presidente do STF, ministro Ricardo Lewandowski.

A matéria suscita cobranças diversas por parte de juristas e magistrados diante do escândalo de corrupção envolvendo a companhia. Está parada desde 2011, devido a um pedido de vistas por parte do ministro Luiz Fux. A repercussão do caso Petrobras levou o presidente do STF a divulgar, no final de novembro, durante a Semana Nacional de Conciliação, que está empenhado em fazer com que o processo seja julgado dentro de pouco tempo.

A ação tem como autora a empresa Petrosul. Dependendo do posicionamento dos ministros do STF, a Petrobras poderá ser obrigada a deixar de lado o sistema simplificado e ter de fechar contratos com empresas diversas, apenas mediante o que estabelece a atual Lei de Licitações (Lei 8.666/93).

Mandado de segurança

Só que, para que a ação da Petrosul possa ser julgada, é preciso ser feita antes a apreciação de mandado de segurança referente ao tema, interposto ao tribunal pela Petrobras e que está sob a relatoria do ministro Gilmar Mendes — o MS 29.123. O mandado foi impetrado pela companhia em 2010 contra decisão do Tribunal de Contas da União (TCU), que determinou a aplicação da Lei 8.666 em todos os seus contratos, deixando de lado o decreto presidencial.

A Petrosul atua no setor de fretamento de navios para transporte de petróleo e contesta o procedimento simplificado. Enfatiza, no processo, que vinha tendo prejuízo com tal regra, uma vez que uma decisão do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul (TJ-RS) levou a Petrobras a cancelar um contrato com a empresa para substituí-la por outra.

A ação tem como relator o ministro Dias Toffoli, que já demonstrou ser favorável ao sistema simplificado de negociações, dentro do que prega o decreto presidencial. O ministro argumentou no seu relatório, como justificativa, o fato de o mercado de petróleo exigir uma agilidade considerada incompatível com o sistema rígido imposto pela Lei 8.666.

Na época da divulgação do relatório, o ministro Marco Aurélio Mello posicionou-se contrário ao entendimento de Toffoli e defendeu a quebra do regime simplificado. Segundo defendeu Mello, caberia ao Congresso aprovar uma lei oferecendo condições especiais à Petrobras e não um decreto presidencial. Por isso, na opinião do ministro, enquanto não fosse sancionada essa legislação, a companhia deveria seguir o que estabelece a Lei de Licitações.

Solução legislativa

Pela primeira vez após essa sugestão de Mello, o Congresso foi provocado a se posicionar em relação à questão, depois da aprovação do relatório da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investigou a Petrobras (votado na última quinta-feira, com o encerramento da comissão). O relatório da CPMI, apresentado pelo deputado Marco Maia (PT-RS), sugere que o Congresso avalie a apresentação de alguma matéria legislativa, seja projeto de lei ou outra medida, sobre o tema. Enquanto isso, porém, se aguarda a posição do Supremo, que descansa nas mãos de dois ministros: Mendes e Fux.

Procurado pela RBA, o gabinete do ministro Gilmar Mendes não retornou os contatos para dar declarações sobre o assunto. Já a assessoria do ministro Luiz Fux acentuou que ele está com a matéria pronta para inclusão na pauta — julgamento que depende antes da apreciação do MS relatado por Mendes.

Hylda Cavalcanti
No RBA
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PSDB não sabe governar e nem ser oposição

"Há algo de podre no reino da Petrobrás", diria Marcellus a Horácio ao ler os relatos da Lava-Jato. E estaria correto. Há algo de podre, de profundamente corrompido na estatal.

Negar isso é tolice.

Mas tolice ainda maior é sugerir, como FHC e Aécio Neves vêm tentando fazer, que isto é obra do PT e do governo Dilma. Pois não, não é: como o jornalista Ricardo Boechat lembrou recentemente, chegou a vencer um prêmio Esso ao denunciar roubos na Petrobrás — em 1989. (1) Já na década de 90, durante a gestão de FHC, o jornalista Paulo Francis foi processado pela diretoria da Petrobrás ao denunciar roubos na estatal — em vez de investigar o que estava havendo, o então presidente limitou-se a tentar apaziaguar os ânimos ao pedir que os diretores desistissem do processo.(2) (A propósito: Francis errou ao denunciar sem provas. Tampouco compartilho da opinião de que sua morte seja responsabilidade moral daqueles que o processaram. Ainda assim, resta a passividade de FHC.) Como se não bastasse, Paulo Roberto Costa, longe de ser "cria" do PT, era funcionário de carreira da Petrobrás desde 1978 - e começou a ocupar cargos de diretoria ainda na gestão de FHC.

(Não, não estou acusando Cardoso de ser cúmplice ou mesmo de estar ciente do que ocorria na Petrobrás; estou apenas pontuando que a trajetória de Costa é antiga.)

Enquanto isso, a outra ponta desta história, que envolve o doleiro Youssef, é ainda pior para os tucanos: além de ter envolvimento antigo com lavagem de dinheiro através do ESTATAL Banestado durante o governo FHC (segundo a Folha, "o maior escândalo já investigado no Brasil sobre remessas ilegais")(3), Costa foi beneficiado pela delação premiada pelo mesmo juiz Moro que agora conduz a Lava-Jato e viu vazamentos específicos de depoimentos de Costa ocorrerem durante as eleições sem fazer nada para impedi-los — o que se torna ainda pior quando sabemos que ele tem ligações com um deputado do PSDB.(4)

Não é à toa que o procurador-geral da República afirmou, em entrevista recente, que a investigação foi usada para manipular as eleições, já que — outra incrível coincidência — o advogado de Youssef foi nomeado para o conselho administrativo da Sanepar sob indicação de Beto Richa, governador do (adivinhem!) PSDB.(5)

Por outro lado, há boas notícias: graças a uma lei sancionada por Dilma no início do ano (6), desta vez não apenas a roubalheira está sendo investigada (e vale lembrar que foi na gestão dela que Paulo Roberto Costa finalmente foi demitido (7)) como os CORRUPTORES finalmente estão sendo presos.

Aliás, é fundamental notar que não é um acaso o fato de as quatro principais empreiteiras do país — e cujos diretores encontram-se presos — terem doado fortunas a praticamente todos os partidos, comprovando a urgência da Reforma Política e da implementação do financiamento público das campanhas. Tampouco é surpresa que o partido que mais recebe doações destas "quatro irmãs" seja o PSDB.(8)

É curioso notar, por exemplo, que das 9 empreiteiras envolvidas na Lava-Jato, SEIS financiaram a campanha de Aécio (9) — e é igualmente fundamental observar que CINCO delas dividiram as obras da Cidade Administrativa, obra absurda e desnecessária que Aécio empurrou sobre os mineiros, num custo superior a 2 BILHÕES de reais, em vez de investir em obras de infra-estrutura que realmente beneficiariam o estado. Aliás, estranhamente dois prédios IDÊNTICOS acabaram sendo construídos por dois consórcios DIFERENTES, o que é inexplicável.(10)

Enquanto isso, FHC, que se diz "envergonhado" diante das notícias sobre a Petrobrás (embora não tenha investigado as denúncias feitas em sua época, já que tudo era engavetado), não se mostra embaraçado diante do fato de uma das empreiteiras da Lava-Jato ter feito um aeroporto "de presente" em sua fazenda.(11)

O que está acontecendo agora é, ao mesmo tempo, fantástico e vergonhoso. Fantástico por FINALMENTE trazer à baila uma corrupção sistêmica antiga que consumia a Petrobrás (cujo valor é tão importante para os brasileiros que, apesar de tudo, ainda se tornou uma das maiores e mais lucrativas empresas do mundo nos últimos 12 anos) e investigar corruptores; vergonhoso por estar sendo usada politicamente por uma oposição que simplesmente não tem condições morais e históricas de posar de virtuosa — como já demonstrei acima. Ao contrário: esta oposição deveria se sentir constrangida por jamais ter feito nada para coibir os roubos que agora estão sendo expostos.

Em vez disso, prefere se esforçar para impedir que a presidenta recém-eleita governe, prejudicando, com isso, todo o país em função de seu rancor por terem perdido as eleições — e é trágico ver Aloysio Nunes, um SENADOR e ex-candidato a VICE-PRESIDENTE, ir a um ato público no qual pedidos de golpe militar são disparados.

Porque, ao contrário do que os reacionários gostam de dizer para justificar seu golpismo, o PT JAMAIS pediu o impeachment de FHC (12), pois sabia que deveria respeitar a voz do povo, por mais que desta discordasse.

Democracia não é só saber governar; é também permitir que se governe quando se perde uma eleição. Pelo visto, o PSDB não sabe fazer nem uma coisa nem outra.

Triste.



Fontes:













Pablo Villaça
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Globo esconde entrevista de Dilma e G1 a atribui a jornal chileno


A entrevista da presidente Dilma Rousseff concedida a editores de jornais da América Latina foi tão bem escondida pelo Globo, na edição deste domingo 21, que nem mesmo seu parceiro, o portal G1, do mesmo grupo, a reproduziu.

As respostas de Dilma a vários jornais do continente foram publicadas na página 42 do jornal O Globo, a quinta do caderno 'Mundo'.

Por volta do meio-dia, ela foi reproduzida pelo portal G1 como sendo uma publicação de um jornal chileno. "'El Mercurio', do Chile, publicou entrevista com presidente neste domingo", diz a chamada da matéria no site.

E o primeiro parágrafo: "A presidente Dilma Rousseff afirmou em entrevista ao Grupo de Diários América (GDA), publicada neste domingo (22) pelo jornal 'El Mercurio', do Chile, que o Brasil não vive 'crise de corrupção'".

No 247



Entrevista da presidenta Dilma Rousseff a jornais latino-americanos

A presidenta Dilma Rousseff respondeu às perguntas de vários jornais da América-Latina neste domingo (21) por ter sido escolhida a personalidade latino-americana de 2014.

Dilma falou sobre democracia, Mercosul, integração regional entre blocos, aproximação com o México, combate à corrupção, dentre outros aos jornais El Tiempo (Colômbia), El Comercio (Equador), El Universal (México), El Comercio (Peru), El País (Uruguai), El Nacional (Venezuela) e O Globo (Brasil).

Veja abaixo as perguntas e respostas na íntegra.

– El Mercurio, Chile:

Durante o seu segundo mandato, a política externa do Brasil desenvolverá um apoio maior para a democracia?

A promoção da democracia e a defesa dos direitos humanos são princípios da política externa brasileira, inscritos em nossa Constituição, e continuarão sendo em meu segundo mandato.

A prioridade da democracia em nossa política externa tem sido evidenciada, especialmente na América do Sul.

Apoiamos ativamente a introdução da cláusula democrática tanto no âmbito do Mercosul como no da Unasul. Todos os governos da região foram eleitos nas urnas e legitimados pela vontade popular. A existência de divergências entre nossos países, assim como no interior deles, é natural e parte intrínseca de regimes democráticos.

A Unasul atuou positivamente em crises como as da Bolívia, em 2008, do Paraguai, em 2012, e da Venezuela, em 2014.

Neste último caso, a atuação da Unasul, a pedido do presidente Maduro, comprovou a eficácia da entidade para auxiliar os Estados-membros na busca de soluções democráticas, pacíficas e negociadas em cenários de crise.

As recentes eleições na Colômbia, Chile, Bolívia, Uruguai e Brasil demonstraram o vigor da democracia em nossa região, em escrutínios marcados pela expressiva participação popular e pela mais ampla liberdade de expressão.

Nessas eleições, saiu vitoriosa a agenda da inclusão social, do desenvolvimento com distribuição de renda e, portanto, do combate à desigualdade, da garantia de oportunidades que tem caracterizado a nossa região nos últimos anos.

Quais mecanismos poderão ajudar na aproximação do Brasil com o bloco da Aliança do Pacífico?

A América do Sul é um continente diversificado, e é natural que cada país tenha sua visão e suas estratégias econômicas e comerciais.

Apreciamos muito a iniciativa do Chile de promover encontro entre os Chanceleres do Mercosul e da Aliança do Pacífico, a fim de estudarmos mecanismos de convergência entre esses dois processos de integração. Esse também é um dos objetivos do novo Secretário-Geral da Unasul, Ernesto Samper.

O Brasil e o Mercosul, na prática, já exercem o livre-comércio com Chile, Colômbia e Peru, por exemplo.

O Brasil também já tem diversos acordos com o México. Isso cria uma base concreta para a criação de uma área de livre-comércio na América do Sul.

Respeitamos as opções de muitos países por estabelecerem tratados de livre-comércio, mas os temas da integração não se colocam hoje da mesma forma que no século passado.

As estratégias diferenciadas de inserção na economia mundial não impedem uma cooperação profícua, em âmbito regional.

Pensamos que a integração sul-americana deve a um só tempo priorizar o lado comercial e também a necessidade de uma maior complementaridade produtiva, com ênfase na inovação tecnológica, que permita criar cadeias de valor, e a construção de uma forte infraestrutura energética e logística.

Isso nos dará uma maior competitividade, em relação ao resto do mundo. Para nós, a inserção nas cadeias produtivas globais passa também pelo fortalecimento das cadeias produtivas nacionais e regionais.

- El Tiempo, Colombia:

A senhora acredita que as denuncias envolvendo a Petrobras podem afetar a paz política necessária para o seu segundo mandato?

A minha indignação com as denúncias envolvendo a Petrobras é a mesma de todos brasileiros, e também quero, como todos os brasileiros, que os culpados sejam punidos.

Quem cometeu crime, delito ou malfeito deve pagar por isso. Ninguém está acima de suspeita no Brasil. Quem não lidar com seriedade, lisura e efetividade com o dinheiro público deve pagar por isso. Este é um compromisso do meu governo.

É fundamental ressaltar que a população reconhece o esforço do meu governo no combate contra a corrupção. Pesquisa do instituto Datafolha publicada em 6 de dezembro mostra que 46% dos brasileiros consideram que o meu governo foi o que mais investigou os casos de corrupção em toda a história e 40% consideram que o meu governo foi o que mais puniu corruptores. Esses índices de investigação e combate à corrupção são os maiores entre os presidentes pesquisados.

As investigações sobre desvios na Petrobras estão sendo conduzidas pela Polícia Federal do meu governo. No meu primeiro mandato, a Polícia Federal, além de várias outras instituições de controle, foi fortalecida e promoveu 162 operações de combate à corrupção e ao crime financeiro. Além disso, o meu governo aprovou leis que ampliaram a transparência e as punições por corrupção, como as leis de Acesso à Informação, da Ficha Limpa, da punição ao corruptor e a do combate às organizações criminosas.

Antes dos nossos governos, meu e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Procurador Geral da República era chamado de “Engavetador Geral da República”, porque deixava os processos nas gavetas e não investigava. Conosco isso mudou. No meu governo, ao contrário do que acontecia até 2002, respeitamos a autonomia do Ministério Público nomeando como Procurador Geral da República sempre o procurador mais votado pelos seus pares. Hoje, nada é engavetado. Tudo é objeto de investigação.

Só para se ter uma ideia dessa grande mudança, nos 8 anos dos governos imediatamente anteriores aos do PT, foram realizadas apenas 48 operações da Polícia Federal destinadas a combater a corrupção. Já nos 12 anos dos governos do PT, já foram realizadas 2.226 operações especiais da Polícia Federal.

O grande fortalecimento das instituições de controle e a intensa promoção da transparência administrativa, ocorridas nos governos do PT, por vezes criam a falsa impressão de que os casos de corrupção aumentaram. Na realidade, o que ocorre no Brasil de hoje é que, pela primeira vez na história, a chaga secular da corrupção vem sendo efetivamente combatida.

O Brasil não vive uma crise de corrupção, como afirmam alguns. Nos últimos anos começamos a por fim a um longo período de impunidade.

Isso é um grande avanço para a democracia brasileira.

Saliento, ademais, que tenho o firme propósito de promover, neste meu segundo mandato, uma Reforma Política que, entre outras coisas, combata a excessiva influência do poder econômico em nosso sistema de representação, fonte principal da corrupção política e dos desvios administrativos no Brasil.

- El Comercio, Equador:

Em países como Venezuela, Bolívia e Equador, os triunfos eleitorais estão sempre vinculados à figura de um líder (sendo que no primeiro exemplo de seu sucessor, Nicolás Maduro), sem sinais de que se esteja preparando uma troca de gerações para as próximas eleições. Como a senhora vê a postura do Partido dos Trabalhadores sobre isso daqui até 2018?

É natural que as democracias se consolidem em torno de líderes, tanto do partido que governa como da oposição. Isso ocorre em países do mundo inteiro, não apenas nos da América do Sul.

Toda democracia precisa muito tanto de líderes governamentais como de lideranças de oposição responsáveis e construtivas. Naturalmente, quando há mudança geracional, surgem novos desafios históricos, e com o Partido dos Trabalhadores não é diferente.

Sabemos que cada país tem suas características, cada sociedade tem sua dinâmica política, eleitoral, social. Quem decide o momento da mudança é a sociedade. Por exemplo, em seu tempo, Franklin Roosevelt foi eleito quatro vezes presidente dos EUA. Depois, a sociedade norte-americana adotou outras regras eleitorais que só permitem dois mandatos, sem recondução do presidente.

O PT é um partido tão jovem quanto a democracia brasileira. Acredita, como vários exemplos históricos evidenciam, que o jogo democrático exercido, a cada eleição, permite que mais líderes e mais ideias inovadoras apareçam. Quando a sociedade está pronta, a mudança se opera.

- El Universal, México:

A senhora acredita numa maior aproximação do Brasil com o México no seu segundo mandato ou os dois países são rivais estratégicos na América Latina?

México e Brasil são duas grandes nações em desenvolvimento que enfrentam desafios comuns, em especial a necessidade imperiosa de combater a pobreza e a fome, reduzindo as desigualdades sociais.

Somos duas sociedades diversas, ricas e multiétnicas. Temos a tarefa de incluir plenamente milhões de jovens, mulheres, negros e indígenas.

Para construir um caminho de desenvolvimento sustentável com condições de competir internacionalmente, precisamos realizar amplos investimentos em educação, inovação e infraestrutura. Precisamos nos articular no nosso hemisfério e nos fortalecer por meio de uma maior cooperação.

Não se trata de tarefa fácil, ainda mais em um contexto de crise econômica internacional persistente. Mas é o que os brasileiros e os mexicanos esperam que seus governantes façam.

Vejo, portanto, uma relação marcada por convergências, não por divergências. Vejo México e Brasil como grandes aliados, não como rivais.

Brasil e México são também duas economias complexas e diversificadas, o que se reflete em intensa relação comercial e de investimentos. O Brasil – e o Mercosul como um todo – quer ampliar ainda mais as trocas comerciais com o México.

Além dos negócios, brasileiros e mexicanos têm interesse também em ampliar o conhecimento mútuo, a cooperação educacional e cultural, e o turismo. Eu disse ao Presidente Peña Nieto que pretendo visitar o México nos primeiros meses de meu segundo mandato, para discutir estes e outros pontos relevantes da agenda bilateral.

- El Comercio, Peru:

Como a senhora pode liderar uma campanha séria anticorrupção em seu País se o seu próprio partido é o protagonista do escândalo da Petrobras, empresa da qual foi presidente do Conselho de Administração durante os anos das denúncias?

Como disse na resposta ao El Tiempo, é a Polícia Federal sob o meu governo que está conduzindo as investigações sobre corrupção na Petrobras. Foram essas investigações que conduziram ao desmantelamento de um esquema que se suspeita tenha décadas de existência, sendo anterior aos governos do PT.

Quero enfatizar que somos nós, do meu governo, que lideramos o processo contra a impunidade no Brasil, acabando com a era em que se escondiam os ilícitos debaixo do tapete. Fui eu que demiti, três anos antes dessas investigações, o diretor que confessou à Justiça a formação do esquema de desvio de dinheiro na Petrobras.

As investigações da Polícia Federal e do Ministério Público, no que se refere ao envolvimento de políticos no esquema criminoso, não estão concluídas. Ressalto que, em qualquer partido político, podem existir pessoas que cometam crimes.

O que importa é que todos que estiverem envolvidos serão punidos.

- El País, Uruguai:

Com as dificuldades crescentes nas economias da Argentina e do Brasil, a senhora está disposta a empreender um caminho de maior abertura internacional do Mercosul?

O projeto de integração comercial do Mercosul sempre levou em conta a abertura para outros países, agrupamentos ou regiões. Veja o caso da negociação com a União Europeia: o Mercosul já tem sua proposta pronta enquanto a Comissão Europeia, ainda não obteve aval dos Estados Membros para sua oferta.

O Mercosul não é, como algumas vezes o acusam, um bloco fechado. Desde 1991, ano da criação do bloco, negociamos inúmeros acordos comerciais, tanto no âmbito da Aladi como fora dela. Se algumas dessas negociações não avançaram, não foi necessariamente por culpa do Mercosul, como é o exemplo da negociação com os europeus.

Outro aspecto a ser destacado é o fato de que no Mercosul todas as economias ganham, não apenas as maiores. Em 2004, com a criação do Focem, o bloco estabeleceu uma carteira de projetos que tem beneficiado especialmente os sócios menores, com um conjunto que hoje soma 45 projetos em áreas como energia, infraestrutura, saneamento e habitação, com aporte comunitário de US$ 1 bilhão.

Qual a sua posição sobre o fato de o Uruguai reclamar o direito de realizar acordos fora do Mercosul?

Sobre o formato das negociações comerciais do Mercosul e a possibilidade de acordos individuais extrabloco, é preciso ter presente que, desde o princípio, houve consenso de que o bloco deveria realizá-las de forma conjunta, como maneira de proteger os avanços já alcançados na integração intrazona, tanto em termos de preferências tarifárias internas, como também de arranjos produtivos.

Tal exigência está consagrada no artigo 1º do Tratado de Assunção. Isso não quer dizer que, ao negociar-se um acordo, não se levem em conta a situação e os interesses distintos dos diferentes países-membros. A conformação de eventuais listas de ofertas tarifárias do Mercosul se dá por meio de negociações entre os cinco países-membros, que têm a possibilidade de elaborar suas próprias listas nacionais, ou mesmo optar por não apresentar uma lista, caso da Venezuela na negociação com a União Europeia.

O Mercosul é um bloco aberto e flexível, que pode acomodar interesses diferentes e necessidades diversas.

A troca recente do ministro da Fazenda por um técnico mais enfocado para o mercado trará mudanças na orientação da política social do seu país?

O ministro Joaquim Levy tem uma longa carreira no serviço público. Foi secretário do Tesouro no primeiro governo Lula e secretário de Estado da Fazenda do governo do Estado do Rio de Janeiro. Convivi com o ministro Levy durante anos e tenho confiança na sua competência para conduzir o Ministério da Fazenda neste momento.

A economia brasileira, assim como todas as economias emergentes, passa por um momento de transição, no qual ainda sofremos os efeitos externos do lento crescimento mundial – inclusive, com a redução dos preços das commodities. Todos nós sabemos que a recuperação da crise que começou lá atrás, em 2008, ainda é tênue. Nós temos um quadro difícil na Europa, uma recessão no Japão. A China está crescendo a níveis mais baixos nos últimos anos, e mesmo a recuperação nos Estados Unidos não mostra ainda toda a sua força. É, portanto, um quadro que exige atenção.

No meu segundo governo, a prioridade seguirá sendo o desenvolvimento econômico, a geração de empregos, a ampliação do poder de compra dos salários, o incentivo ao investimento e, sobretudo, a continuidade do processo de eliminação da pobreza e de redução das desigualdades

A política social não mudará.

- El Nacional, Venezuela:

É conveniente para a integração latinoamericana a existência de tantos blocos (Mercosul, Aliança do Pacífico, Unasul, Celac, Alba)? Qual o papel da Alba, iniciativa criada pela Venezuela em 2004, dentro do processo de integração regional?

A coexistência de diferentes mecanismos regionais reflete a rica diversidade sociopolítica de nossos países, mas comprova também o firme compromisso de todos eles com o ideal da integração.

O conceito de integração é rico e complexo, podendo incluir desde um simples arranjo comercial à integração produtiva, da cooperação econômica à concertação política.

Ele pode também assumir diferentes formatos e contornos, envolvendo grupos de países diversos, o que pode ser um reflexo do padrão de relacionamento histórico entre eles.

Na perspectiva brasileira, a coexistência de três desses mecanismos, dos quais fazemos parte, dá-se de forma natural. Para nós, o Mercosul representa o mecanismo de integração mais profunda, que engloba os diferentes campos de coordenação política, econômica e comercial. Já a Unasul e a Celac são principalmente instâncias de convergência política entre países sul-americanos (Unasul), além dos caribenhos e centro-americanos (Celac), sendo, portanto, complementares em muitos aspectos. É preciso salientar que, nos últimos anos, a Unasul vem assumindo funções importantes tanto em termos de mediação de crises políticas na região, como no caso da Venezuela, quanto em termos de cooperação em temas como segurança, defesa e infraestrutura.

Como tive a ocasião de salientar em discurso que fiz recentemente por ocasião da inauguração da nova sede da Unasul, em Quito, essa convivência entre mecanismos complementares de integração é a prova maior de que, em nossa região, vivemos no dia-a-dia uma situação de crescente “unidade na diversidade”.

- O Globo, Brasil

A aliança internacional mais visível de que o Brasil participa hoje são os Brics, com países de outros continentes. Por que a integração regional não avança?

A participação do Brasil no Brics, no G20 e em outros grupos não exclui, em nenhuma medida, o nosso contínuo engajamento nos foros de integração regional, um dos eixos prioritários da inserção internacional brasileira. Do ponto de vista do meu País, são processos complementares.

A integração regional tem avançado, e muito. O Mercosul avança como instância de integração econômica, tanto comercial como produtiva.

Acabo de regressar da Cúpula da Unasul, no Equador, onde inauguramos a sede da organização e discutimos temas fundamentais, como os projetos prioritários de infraestrutura regional.

Em junho deste ano, por ocasião da reunião dos países Brics no Brasil, promovemos um profícuo encontro Brics-Unasul focado no financiamento de projetos de integração dos países da Unasul. Ficou evidente o interesse recíproco na construção de relações entre a América do Sul e os países Brics e a importância do Brasil como elo entre elas. Isso demonstra a relevância de nossa região na arena global.

Do ponto de vista da América do Sul, a integração regional tem se consolidado como instrumento de preservação da estabilidade e da democracia na região – recordo que as recentes eleições na Colômbia, Chile, Bolívia, Uruguai e Brasil transcorreram em clima de participação popular e plena liberdade de expressão.

No âmbito da América Latina, temos avançado na cooperação por meio da Celac.

Nosso lema de convívio democrático é a unidade na diversidade e o respeito às características de cada país.

Aliás, é exatamente devido aos processos de integração regional que a América Latina ascendeu como protagonista e interlocutora na comunidade internacional.

Durante a campanha eleitoral, a senhora criticou muito seus adversários por estarem aliados a pessoas do sistema financeiro. No entanto, o primeiro nome indicado pela senhora para o novo ministério vem de um grande banco. Isso não é uma incoerência? Qual linha a senhora pretende seguir na política econômica no próximo mandato, mais à esquerda ou mais à direita? A nova equipe terá mesmo liberdade para tomar um rumo mais ortodoxo?

Como respondi anteriormente, o ministro Levy foi um quadro importante no governo Lula. Ter trabalhado em um banco não o diminui, ao contrário, apenas amplia a sua experiência profissional.

A nova equipe econômica trabalhará em medidas de elevação gradual, mas estrutural, do resultado primário da União, de modo a estabilizar e depois reduzir a dívida bruta do setor público em relação ao PIB. Também continuaremos a melhorar nossa política de aumento do investimento e de ampliação de produtividade, pois é isso que sustenta um crescimento mais rápido do PIB e dos salários reais, com estabilidade macroeconômica.

Para os próximos anos, nossa prioridade é recuperar a capacidade de crescimento da economia, com controle rigoroso da inflação e fortalecimento das contas públicas, e, assim, garantirmos o emprego e a renda.

Os ajustes a serem realizados, inevitáveis ante a persistência de um quadro econômico internacional difícil, não serão efetuados, contudo, à custa dos empregos e dos salários dos brasileiros, especialmente dos mais vulneráveis, como já se fez no Brasil e como se faz atualmente em outros países do mundo.

O Brasil vive uma crise de corrupção envolvendo empreiteiras privadas, empresas públicas e políticos. O governo terá distanciamento e condições de levar até o fim os processos de investigação, responsabilização e punição dos envolvidos? O Brasil passa por uma espécie de processo de “mãos limpas”?

Como já ressaltei em resposta ao jornal El Tiempo, o Brasil não vive uma crise de corrupção. A corrupção sempre existiu no Brasil. O Brasil vive, na realidade, um momento ímpar e inédito de efetivo fim da impunidade e de combate à corrupção. O que está em crise no Brasil é a histórica impunidade.

O meu governo tem o compromisso de combater a corrupção e de apoiar o Ministério Público assegurando, da nossa parte, todas as condições para oferecer uma denúncia sólida à Justiça.

Repito: no que depender de mim, não sobrará pedra sobre pedra, doa a quem doer.

Durante a campanha eleitoral, fui a única candidata que propôs medidas concretas contra a corrupção e a impunidade.

São elas:

1. Transformar o “caixa dois” eleitoral em crime.

2. Impor julgamentos mais rápidos, penas mais severas e confisco de bens para quem enriquecer ilicitamente em cargos públicos.

3. Criar uma nova estrutura, nos tribunais superiores, para agilizar investigações e julgamentos de acusados que possuam foro privilegiado.

Isso é fundamental para acabar com a corrupção porque a impunidade é um mal do qual a corrupção e os crimes financeiros se alimentam. Vamos enviar essas propostas ao Congresso e intensificar o combate à corrupção e à impunidade.

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O veneno da edição da entrevista de Venina

Edição envenenada
600 milhões de reais por ano para a Globo fazer um jornalismo como aquele que se viu na entrevista com Venina no Fantástico. Um mensalão eterno de 50 milhões.

Foi minha primeira reflexão depois de ler a transcrição da entrevista.

A edição é venenosa à sua maneira. A Globo, para se preservar, não grita como a Veja. Só que cuida de despejar sobre sua audiência o mesmo tipo de veneno, apenas mais sutilmente, mas com o mesmo resultado e com a mesma finalidade.

O veneno não estava em Venina. Ela está contando sua história, e cabe averiguar.

A maldade estava na maneira como Venina foi usada.

Dilma, no final, é citada — pela Globo. Numa tentativa de desmoralizá-la, a Globo diz que Dilma afirmou que não existe uma “crise de corrupção”.

No meio de uma entrevista que trata exatamente de corrupção, a frase de Dilma parece o triunfo do cinismo.

Mas o cinismo é da Globo. É mais uma tentativa, como Roberto Marinho fez tantas vezes primeiro contra Getúlio e depois contra Jango, de rotular como corruptos regimes que não garantem a manutenção de mamatas e privilégios a um pequeno grupo.

A Globo faz assim, tradicionalmente: cala quando a corrupção é amiga. Na ditadura, quando a empresa virou um gigante, corrupção não existia, numa troca macabra de favores.

Sob Sarney e FHC, amigos e aliados, também não. Para a Globo, sequer a compra de votos da reeleição de FHC foi notícia.

Agora, o amigo Aécio também goza de imunidade. Que cobertura a Globo deu ao aeroporto de Cláudio? E ao helicóptero com meia tonelada de pó dos Perrelas, amigos fraternais de Aécio? A Globo é assim: também os amigos dos amigos recebem tratamento especial.

A este tipo de comportamento delinquente jornalístico se junta o descaro com que a Globo sonega — uma forma de corrupção que, se não combatida, destrói a economia de qualquer país.

Claro que Lula não poderia também escapar da edição da entrevista.

Venina repete uma frase segundo a qual seu chefe, em certo momento, teria olhado para um retrato de Lula e dito que ela estava colocando em risco muita coisa.

Este alegado olhar numa alegada conversa é o bastante para a Globo, na edição, incluir Lula na trama.

Lula, o espectador do Fantástico, não quis conceder entrevista sobre o assunto.

Que a Globo esperava? Que ele dissesse que aquele não era seu retrato? Que se o presidente fosse FHC jamais seria citado? Que a Globo devia mostrar o Darf?

Fora isso, o que se viu foi o jornalismo preguiçoso e declaratória. Venina diz que contratou os serviços da empresa do então namorado e depois marido porque ela era realmente “boa”. Foram mais de 7 milhões de reais para a empresa do namorado, sem licitação. Por que a Globo não foi investigar a suposta excelência da empresa favorecida?

De novo: 600 milhões por ano em dinheiro público, via propaganda federal, para a Globo fazer este tipo de jornalismo.

Você certamente conhece a tese da “servidão voluntária”, de um grande amigo de Montaigne, La Boetie.

Ele dizia que povo nenhum estava obrigado a aturar tirania nenhuma. Bastava se insurgir.

O governo do PT, ao financiar por iniciativa própria a Globo et caterva, pratica exatamente a servidão voluntária de que La Boetia falava.

Paulo Nogueira
No DCM
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A entrevista de Venina Velosa

Usada como ponta de lança na estratégia para derrubar a presidente da Petrobras, Graça Foster, a ex-gerente Venina Velosa concedeu uma longa entrevista à jornalista Glória Maria, do Fantástico, em que a principal revelação foi o fato de Venina ter admitido que contratou o então namorado, com quem depois se casou, para a realização de serviços de consultoria por R$ 7,8 milhões; sobre Graça Foster, ela disse que a alertou por email (o que não era novidade) e também pessoalmente (o que não pode ser provado); no ponto lacrimejante da entrevista, Venina disse que perdeu a família e não viu a mãe ficar cega, pois havia sido mandada para Cingapura; no fim, convocou outros funcionários a delatar superiores; "estou convidando você também"



"Foram dois contratos. Um em 2004 e outro em 2006. Mas nós só nos casamos em 2007", disse Venina Velosa, ex-gerente executiva da Petrobras. Assim ela justificou o fato de ter contratado, por R$ 7,8 milhões, seu ex-marido para a realização de serviços de consultoria para a Petrobras. Venina disse ainda que, após o casamento, os contratos foram interrompidos, mas não informou quanto havia sido pago até o enlace matrimonial.

Esta foi a principal revelação de uma entrevista de mais de vinte minutos, concedida por Venina à jornalista Glória Maria, e tratada como bombástica pelo programa Fantástico, da TV Globo. O que o Fantástico pintou com crores dramáticas foi algo que não pode ser provado: a frase dita por Venina sobre o alerta que teria feito, pessoalmente, à atual presidente da companhia, Graça Foster, em relação a supostas irregularidades na companhia.

De resto, apenas repetições, como os emails enviados a Paulo Roberto Costa e Graça Foster, publicados pelo jornal Valor Econômico nove dias atrás.

No ponto melodramático da entrevista, Venina foi às lágrimas, quando Gloria Maria a perguntou sobre sua família. "Eu tinha uma família. Não vi minha mãe ficar cega e meu marido teve de retornar para poder trabalhar", disse Venina, atribuindo o divórcio ao fato de ter sido enviada para Cingapura. Lá, ela insinua ter sido colocada na geladeira para não criar mais problemas para seus superiores.

No fim, Venina fez um convite para que outros funcionários da Petrobras denunciem seus superiores. "Estou convidando você também", disse ela, para que os brasileiros possam voltar a sentir orgulho da empresa.
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