26 de jan de 2015

Crise hídrica e as manobras da mídia

Quando o assunto é confundir a população sobre a responsabilidade que cada instância de poder possui, manipulando a opinião pública sobre o governo, a grande mídia tem um largo histórico de “contribuições”. Em mais uma demonstração de descompromisso com a verdade, o jornal O Globo estampou uma charge de autoria de Chico Caruso, com a imagem de Dilma posicionada de quatro em um reservatório seco, retirando a responsabilidade da crise dos estados e municípios.

Tamanho o esforço da grande mídia e do PSDB em blindar a candidatura do reeleito governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e retirar de suas costas a responsabilidade da má administração e, por consequência do total sucateamento da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), que o desespero de milhares de paulistas que já sofriam sem água em suas residências há meses, só veio à tona uma semana após o tucano ser eleito com 57% dos votos. O Portal Vermelho vem noticiando há mais de um ano o problema da falta d`água em São Paulo e alertando seus leitores sobre um futuro colapso do Sistema Cantareira, principal fonte de abastecimento para 11 milhões de paulistanos.

O recém-eleito presidente da Sabesp, Jerson Kelman, continua a culpar a crise hídrica apenas aos fatores climáticos e já prepara a população para o pior, “se não chover, o sofrimento do paulista vai aumentar, não há como escapar disso”, afirma.

Um pedido não divulgado

Uma semana após o governador ser eleito, no último mês de novembro, outro fato também ficou pouco conhecido. Alckmin foi ao Palácio do Planalto pedir ajuda a Dilma em uma tentativa de conter o caos que aos poucos chamava a atenção por sua gravidade. Como prometeu em sua campanha, a presidenta determinou a sua equipe total empenho para solucionar a crise hídrica e destinou cerca de 18 bilhões para medidas de infraestrutura, a maioria para obras ainda não iniciadas e outra pequena parte para projetos em andamento.

Outro exemplo que ficou explícito durante a campanha presidencial, foi o bombardeio de pautas negativas que a então candidata a reeleição Dilma Rousseff levou dos grandes canais. Estudantes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) criaram o “manchetômetro”, espaço para denunciar o papel fundamental da grande mídia em manipular as eleições presidenciais e favorecer a direita. No total, foram 234 notícias contra e apenas 18 a favor da presidenta.

Regulamentar os meios de comunicação: Medida urgente

A única saída para romper com a “bola de neve” que a desinformação e manipulação geram a população brasileira é a regulamentação dos meios de comunicação e poucos sabem que tal reivindicação é um direito constitucional: Artigo. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição. 5º — Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio.

Para Venício Lima, professor da Universidade de Brasília (UNB) e um dos maiores estudiosos brasileiros sobre a democratização dos meios de comunicação, “a ausência de regulamentação implica que não há uma definição legal do que se considera monopólio ou oligopólio nos meios de comunicação social. Mais grave, significa, por óbvio, que a norma constitucional não é cumprida”, afirma.

Laís Gouveia
No Vermelho
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Cortar BV da Globo é 1º passo da reforma da mídia


Uma suruba conveniente

Pretendo colocar aqui um outro ângulo nesse tema árido e momentoso que é a regulação da mídia no Brasil e que esta voltando agora com nova força.

Acho que a principal questão, o que desequilibra mesmo o jogo concorrencial entre os veículos, é uma sequência interligada de fatores:

1 — A venda casada de comerciais pela Globo e RBS, através de um jogo de pressão entre os veículos da "casa". Esta chantagem junto aos anunciantes, públicos e privados, prejudica diretamente a todos, concentrando o bolo num só grupo.

2 — O "suborno virtuoso" chamado BV (bonificação de volume), criado e sustentado pela Globo. O BV é hoje, na prática, o lucro das agências de publicidade. Quem atrasa as faturas para a Globo, fica fora do BV. Tem agência que não recebe do cliente e se endivida na rede bancária para garantir ficha limpa na Globo. É uma prova cabal da dependência de todo um setor de apenas um veículo.

3 — A proibição da existência no Brasil (e só aqui) dos Birôs de Mídia, que criariam maior equilíbrio na compra e venda de espaços comerciais. Os birôs foram proibidos ainda no governo Fernando Henrique, quando estava se abrindo toda a economia para o mundo. Na ocasião, ao contrário do movimento geral, e da pregação em todos os veículos a favor do liberalismo, a mídia trafegou em sentido contrário, fechando o seu mercado para o mundo. Em síntese: os birôs compram a mídia no atacado e a revendem no varejo. Quebrariam na prática com o sistema de BV.

4 — Os descontos nas tabelas de preços praticados só pelos veículos mais necessitados e desesperados. A Globo não dá desconto. O restante, que reparte as migalhas, chega a praticar uma tabela desesperada de menos 80% dos valores de face.

Em vista do quadro sumariamente descrito, a grande mídia brasileira é uma aliança entre empresas quase quebradas e uma gigante que controla todo o fluxo de todas as verbas publicitárias. Mas este conjunto heterogêneo é unificado em torno de um discurso tão pobre quanto falso: o controle editorial ou censura da mídia.

Este notório desequilíbrio comercial deveria estar sendo tratado há muito tempo pelo CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) e pela SDE (Secretaria de Direito Econômico), da esfera do Ministério da Justiça. Trata-se de um escândalo de concorrência desleal, que leva à concentração monopolística. O CADE já atuou duro em outros setores, como cerveja, frango e creme dental.

Mas a briga pela regulação é levada pelos interessados para outras arenas, como o Congresso e o Ministério das Comunicações, onde a derrota é certa.

Há um grande veículo matando economicamente a concorrência, ao mesmo tempo em que enquadra todos na linha do ataque às ameaças de "censura à imprensa". Abril, Diários Associados e o Estadão, por exemplo, estão morrendo mas defendem inflexíveis a "honra" do parceiro predador.

Na prática, o que ocorre no Brasil é uma outra jabuticaba, como em outros casos, sem precedentes nem similitudes internacionais. A concentração de propriedade horizontal e vertical e a papagaiada anti toda e qualquer organização mais ou menos esquerdizante é muito pouco perante o que acontece de fato no controle da distribuição das verbas publicitárias, públicas e privadas: 60% na mão de um só grupo, proporção impensável em qualquer país capitalista do mundo.

Uma linha de trabalho político a ser feito seria a de, pelo menos, atrapalhar a aliança mal sustentada dos adversários, que defendem teses abstratas e se deixam destruir no essencial do negócio: o econômico.

É uma suruba política entre seis ou sete envolvidos onde, no recinto, só um é ativo.

Ricardo Ebling
No 247
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Cristina somos todos


“Excelentíssimos cadáveres”, o notável filme do recém falecido diretor italiano Francesco Rosi, passado na Sicília, já apontava para a manipulação de cadáveres em circunstâncias políticas. Se investigamos a história política da América Latina, nos deparamos muitas vezes com essa mistura macabra de mortos e política.

A própria vitória eleitoral de Salvador Allende, em 1970, no Chile, foi colocada em risco pela aparição, morto, do Comandante em Chefe das FFAA, numa tentativa desesperada dos golpistas de impedir a posse do presidente socialista. Mais recentemente, quando se encaminhava a vitória da Dilma no primeiro turno das eleições, um até hoje não esclarecido acidente de avião provocou a morte de um candidato e a colocação de outra na disputa, redistribuindo as cartas do baralho e quase levando à vitória da direita.

A Argentina é o novo cenário desses “excelentíssimos cadáveres”. Tudo muito suspeito, como convem à manipulação política de circunstâncias como essas. Se tudo fosse claro, não se prestaria às manipulações dos que querem pescar em águas turvas.

Todas as manipulações apontam para a Cristina, por tudo o que ela representa. Os que levaram a Argentina à pior crise da sua historia, não se resignam a que o país foi resgatado por governos populares, que não se contentaram em retomar o crescimento econômico, mas que o fizeram redistribuindo renda, retomando a trajetória dos governos populares argentinos.

Não perdoam a Cristina ter protagonizado esse resgate, ter sobrevivido às mobilizações golpistas dos produtores de soja de 2007, à própria morte do seu companheiro, Nestor Kirchner, à ofensiva covarde dos fundos abutre. Não se perdoa que uma mulher tenha enfrentado, com altivez, as agressões torpes da mídia, machistas, grosseiras, como corresponde a uma direita complacente com os crimes do terrorismo de Estado. Não perdoam a Cristina e a Nestor ter reaberto os processos contra os responsáveis pelos crimes de Estado. Não lhes perdoam o reencontro de mais de 100 netos, filhos de militantes opositores à ditadura, que além de assassinados, tiveram seus filhos sequestrados, no pior crime humanitário que conhecemos.

Cristina somos todos, porque resistimos juntos às ditaduras militares, solidários na luta, nos sofrimentos, nas perdas, na sobrevivência e na recuperação da democracia. Cristina somos todos porque todos os nossos países são vítimas de manipulações torpes como essa, que hoje são contra a Cristina, contra a democracia argentina, contra as conquistas sociais do seu povo, da sua soberania internacional.

A uma direita que nem sequer consegue ter lideres que os una contra o governo popular de Cristina, lhe doi a liderença da Presidenta da Argentina, sua dignidade, seu vinculo direto com o povo e com a historia de lutas dos argentinos.

Cristina somos todos, porque todos os que lutamos por países justos, solidários, soberanos, dignos, estamos com Cristina e com os argentinos, também nesta hora. Somos todos.

Emir Sader
No Anncol-Brasil
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“Falsa-bandeira” e como começar uma “revolução colorida” na Argentina

The Saker
Como começa:

1987-88: Irã assinou três acordos com a Comissão Nacional de Energia Atômica da Argentina. O primeiro acordo Irã-Argentina envolvia ajuda para converter o reator do Tehran Nuclear Research Centre (TNRC) que os EUA haviam fornecido a Teerã, de reator para combustível alto-enriquecido, para reator de combustível (urânio) baixo-enriquecido a 19,75%, e fornecer ao Irã o urânio baixo-enriquecido.

Dezembro, 1992: A embaixada em Buenos Aires informa ao governo argentino que Washington não aceita a continuação do acordo de cooperação nuclear Irã-Argentina.

Em março de 1992, a embaixada de Israel, e em julho de 1994 o prédio da Asociación Mutual Israelita Argentina, AMIA, foram explodidas, supostamente por carros-bombas.

Investigações independentes na Argentina e o relatório inicial de Charles Hunter (FBI) mostram que as duas explosões, considerados os danos nos prédios em volta, são inconsistentes com a teoria dos carros-bombas.

Ao contrário de todas as provas materiais, o governo israelense e, depois, Washington, pressionam o presidente argentino Carlos Saul Menem a insistir na ideia de que os iranianos teriam plantado os carros-bomba, em cooperação com o Hezbollah.

O processo judicial dá em nada, até que o presidente Nestor Kirchner indica o promotor Nisman em 2005 para iniciar nova investigação. Nisman tem contatos próximos na embaixada dos EUA, com advogados norte-americanos especialistas em investigações antiterrorismo e com alguns membros da SIDE (inteligência argentina).

Explosão na Embaixada de Israel na Argentina (17/3/1992)
Em 2013, Nisman instrui a Interpol a emitir ordens de prisão contra uma lista de iranianos e libaneses importantes:

● — Hashemi Rafsanjani, então presidente do Irã

● — Ali Akbar Velayati, então ministro de Relações Exteriores

● — Ali Fallahijan, então chefe da inteligência

● — Mohsen Rezai, então comandante da Guarda Revolucionária

● — Imad Mougnieh, chefe da segurança exterior do Hezbollah

● — Ahmed Vahidi, então comandante das forças “Al Quds” [Jerusalém]

● — Mohsen Rabbani, ex-representante diplomático na Argentina

● — Ahmad Ashagri, ex-representante diplomático na Argentina

● — Hadi Soleimanpour, ex-embaixador do Irã na Argentina.

A Presidenta Cristina de Kirchner várias vezes disse que não acredita na existência de alguma “conexão Irã” (vários funcionários dos EUA questionaram publicamente se haveria prova de envolvimento iraniano [James Cheek]) e usou a recente abertura para consultas entre Washington e Teerã, como uma oportunidade para negociar uma “comissão da verdade” Irã-Argentina, a ser constituída de cinco juízes independentes, nenhum deles iraniano ou argentino.

A oposição e o lobby pró-Israel contestaram a ideia e qualquer possível acordo.

Explosão da AMIA (Centro judeu na Argentina) em jul/1994
O toque final:

Haverá em breve eleições na Argentina, e Cristina de Kirchner não pode ser reeleita, e há forte polarização de candidatos, mas as pesquisas mostram que Scioli, candidato apoiado por Cristina pode vencer no segundo turno.

É onde entra o promotor Nisman: Ele apresenta uma denúncia, de que a Presidenta Cristina de Kirchner teria conduzido negociações secretas com o Irã, por canais não diplomáticos, oferecendo-se para encobrir o envolvimento de oficiais iranianos, de modo que a Argentina pudesse começar a trocar grãos pelo muito desejado petróleo iraniano. Ordena que todos os bens da Presidenta Cristina de Kirchner sejam bloqueados.

A denúncia baseia-se em “suposta prova” apresentada por Stiuso (recentemente demitido da presidência da contrainteligência da SIDE argentina, e agente que teria bons contatos com o Mossad) e outros agentes menos importantes.

A imprensa-empresa argentina, toda ela de oposição — o Pig —, faz circular amplamente o conteúdo da denúncia, ignorando a declaração oficial feita pela Interpol, de que o governo argentino jamais requerera a suspensão das ordens de prisão contra os iranianos.

Alberto Nisman
A denúncia, de que teria havido “intenção de encobrir fatos” não tem base legal. A lei argentina penaliza o ato, não a intenção — “detalhe” que a imprensa-empresa de propaganda da oposição apagou completamente da discussão social.

No dia em que o promotor Nisman estava convidado pela oposição para falar ao Congresso, ele é encontrado morto no seu apartamento.

A “denúncia” de Nisman não sobreviveria por mais muito tempo, mas a morte dele (por suicídio ou não) o elevará à condição de vítima de uma conspiração — o que a imprensa-empresa se encarregará de repetir sem descanso.

As redes sociais rapidamente converteram o “Je suis Charlie” para “Yo soy Nisman” e organizam-se manifestações públicas diárias, com número já crescente de participantes.

Só falta, até agora, aparecer lá alguém da embaixada dos EUA [Victoria “F*** EU” Nuland? (Nrc)], para distribuir sanduíches entre os “manifestantes”.

Nota do Saker:

Ver também: 22/1/2008, The Vineyard of the Saker em: “Hezbollah Didn't Do Argentine Bombing (updated)” (em inglês)

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O bruxo está solto

Transformado em porta-voz oficioso do governo Dilma, o ministro Joaquim Levy está com tudo e está prosa. Sua mais recente novidade é destruir o seguro-desemprego. Ok, depois surgem os desmentidos habituais, como manda o figurino. Mas o mal já foi feito.

Diz-se nos corredores do poder que a presidente Dilma repousa no silêncio desde a posse para fazer com que o ônus do ataque aos direitos dos trabalhadores recaia sobre a troica brasileira — Levy, Barbosa e Tombini. Alô, Planalto, temos uma péssima notícia. Conhecendo Dilma, o PT e o ministério saco de gatos montado pela presidente, mesmo o sujeito mais desavisado percebe que nenhuma das medidas anunciadas deixa de contar com o aval presidencial. Algumas como balões de ensaio, outras nem tanto.

A afonia política da presidente tem seu custo. Pode-se até tentar entender o seu timing: a verdadeira eleição no "presidencialismo de coalizão" vai ocorrer em 1° de fevereiro, com a escolha do presidente da Câmara. Ganhando Eduardo Cunha (do "aliado" PMDB!), a fatura sairá bem mais cara. Nada que o dinheiro público não possa comprar, principalmente em se tratando de quem se trata. Mas a dor de cabeça certamente será maior.

Problema: os cálculos dos políticos oficiais raramente coincidem com o cronograma do cidadão. Estamos em janeiro, mês de férias para estudantes e para muitos trabalhadores. Normalmente um período de calmaria. Mesmo assim, movimentos como o passe livre conseguem mobilizar milhares de pessoas contra o aumento de tarifas. Greves se espalham, o espectro das demissões nas empresas envolvidas no esquema Lava Jato não para de crescer, e as consequências da falta d'água e de energia apavoram a população de metrópoles inteiras.

Diante do quadro cuja gravidade salta aos olhos, nada se ouve de positivo do pessoal de Brasília. Ao contrário: as promessas são de um presente de dificuldades, para, quem sabe, um futuro melhor daqui a dois, três anos. Haja paciência.

Vale a pena? Na semana que passou, a ONG Oxfam divulgou um relatório mostrando que o ganho da fatia 1% mais rica da população do planeta avança sem parar e deve ultrapassar 50% do total em 2016. Ou seja, 1% sozinho vai possuir mais da metade do que os 99% restantes. Boa parte disso é resultado de especulação financeira e de heranças e bens que passam de pai para filhos graças à sobrenomecracia.

Não é preciso ser nenhum Piketty para concluir: reduzir tamanha desigualdade e espoliação desenfreada são providências básicas. Menos no Brasil. Fala-se muito da carga tributária "excessiva" no país, mas pouco de quem paga a fatura. Quando a lente se aproxima, o assunto revela sua verdadeira dimensão.

Estudo da professora Lena Lavinas, citado em artigo de Luiz Gonzaga Belluzzo na revista "Carta Capital" nº 832 evidencia: os que ganham até dois salários mínimos entregam ao governo 53,9% da renda, considerando-se todos os impostos.

Já os que recebem acima de 30 salários mínimos contribuem com apenas 29% de sua renda. Qual nosso bruxo das finanças, esses últimos certamente terão água em abundância nas piscinas, energia elétrica à farta e escaparão das agruras despejadas sobre o cidadão comum.

Eis o centro do problema. Sem atacá-lo, nenhum governo estará à altura dos votos que recebeu. As eleições na Grécia que o digam.

Pergunta sem resposta

Por que Andrade Gutierrez e Odebrecht até agora estão a salvo das garras do "justiceiro" Moro — assim como os verdadeiros proprietários das empreiteiras acusadas de corrupção?

Ricardo Melo
No fAlha
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Sérgio Porto # 117


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Essa é do Barão... 175


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25 de jan de 2015

Partido anti-Levy vence eleição na Grécia


Coalizão da Esquerda Radical ou Syriza deve ter maioria no Congresso

Tsipras: nem que a vaca tussa
Nascido como uma coalizão de treze grupos e partidos que inclui maoistas, trotskistas, comunistas, ambientalistas (na Europa, Verde é de esquerda, Bláblá…), social-democratas e populistas de esquerda o Syriza tinha pouca força eleitoral até 2012.

Sob a liderança de Alexis Tsipras, a vitória consagradora faz da Grécia o primeiro país da União Europeia frontalmente contra as políticas econômicas ortodoxas do FMI e do Banco Central da Alemanha.

A Grécia está para renovar um empréstimo de salvamento.

Que deverá ser negociado já dentro das novas regras do Supre Mario Draghi, que vai obrigar o Levy a dar umas pedaladas.

Tsipras avisou que não vai abandonar o Euro.

Mas, não vai deixar o povo grego pagar a conta da renovação econômica!

Nem que a vaca tussa, disse ele na campanha!

Em tempo: uma nota trágica. O partido de extrema direita, neo nazista, cujos líderes estão na cadeia à espera de julgamento, teve quase 20% dos votos e chegou em terceiro lugar. Viva a austeridade alemã!




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Os Rothschild compraram o Charlie Hebdo pouco antes dos atentados em Paris

Pra quem ainda acredita que o massacre em Paris não foi 'false flag', segue material para reflexão


Os atentados de 7 de janeiro em Paris cada vez mais se parecem ao 11-S. Se fôssemos da Guarda Civil diríamos que o “modus operandi” é o mesmo, que é a mesma mão que balança o berço.

O caso é que uma revista econômica holandesa, Quote, revelou a informação da compra em 9 de janeiro, dois dias depois dos atentados, e o jornal alemão NeoPresse a reproduziu dez dias depois. A família de banqueiros Rothschild comprou uma revista em ruínas em dezembro do ano passado e ao mesmo tempo o jornal “Libération“, outro velho fóssil de maio de 68, que entrara para as fileiras da pura e dura reação há muito tempo.

Se alguém tinha dúvida dos motivos pelos quais os últimos números de Charlie Hebdo estavam sendo lançandos desde a redação do “Libération”, aqui está a resposta: porque são do mesmo dono.


A aquisição não foi pacífica; ocorreram desentendimentos dentro da família de banqueiros, conta o Barão Philippe de Rothschild numa entrevista publicada por Quote. O tio Edouard não queria comprá-la porque isso lhes traria um poder político que não queriam, diz o sobrinho à revista. “Não nos queremos misturar em política”, assegura Philippe, “ou pelo menos não de uma maneira tão aberta“.

Se isso estiver correto, como parece, a pergunta é inevitável: foi o atentado contra a revista outro negócio redondo por parte dos Rothschild? Eles a compraram a preço de banana, porque antes de 7 de janeiro, a revista só gerava prejuízos.

Mas se só gerava prejuízos, que interesse teriam os banqueiros em comprar uma revista em ruínas? É então que aparece o aspecto político que o Barão Philippe quer manter em segundo plano: para continuar com as provocações de Charlie Hebdo contra os muçulmanos.

Teremos Charlie Hebdo por algum tempo. Agora que a revista passou a ter não somente 60.000 leitores, mas uma audiência de sete milhões. Além do dinheiro que está chovendo, não só do Estado francês, senão procedente de investidores privados. Estão se forrando.

Mas não sejam vocês preconceituosos nem conspiratórios. Nada do que acabamos de expôr significa que os Rothschild organizaram os atentados, nem muito menos que fizeram matar pessoas pelo vil dinheiro. De jeito nenhum. É claro que o que aconteceu em Paris é uma cópia quase exata do 11-S em Nova York, onde asseguraram os ataques terroristas as Torres Gêmeas pouco antes de derrubá-las, é pura coincidência.

E se a imprensa internacional não publicou nada disto, é porque ainda não estão informados. E quando souberem, será notícia no telejornal das 9 da noite. O que tinham pensado? Pensaram que lhes ocultariam a informação? Que não lhes contariam toda a verdade e nada mais que a verdade?

Baby Siqueira Abrão, via email
No Projeto Segunda República
No Movimiento Político de Resistencia
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Os flagelados de São Paulo


A manipulação de fatos e indicadores entrou tão fundamente no processo de produção da mídia tradicional no Brasil que mesmo o leitor crítico, que pela experiência sai vasculhando contradições e inconsistências, tem dificuldade para encontrar o viés que os editores querem impor ao público. Não basta analisar as manchetes e avaliar as escolhas de destaques entre as principais notícias; também não é suficiente ler nas entrelinhas o que a narrativa jornalística tenta esconder: é preciso adivinhar a malícia e seguir suas pegadas.

Vejamos, por exemplo, o que acontece com o noticiário sobre a crise de abastecimento de água na região metropolitana de São Paulo: a estratégia de comunicação do governo paulista consiste em desviar a atenção para a questão da energia, e com isso colocar na perspectiva do público a parte de responsabilidade que cabe ao governo federal.

Como se faz isso? Com parcelas da verdade, cuidadosamente articuladas para que pareçam compor a verdade inteira. Por exemplo, ao afirmar que 1,2 milhão de moradores da região Oeste de São Paulo ficaram sem água na quarta-feira (21/1), porque faltou energia numa estação de bombeamento, a Sabesp não está mentindo. Está apenas colocando um fato menor como tapume para esconder a causa principal da crise hídrica: a falta de investimento na melhoria de sua rede. Mas essa vertente cria uma chance para a imprensa fazer a perigosa mistura de água e eletricidade e criticar o governo federal.

Essa estratégia é referendada pelo próprio Palácio dos Bandeirantes e realizada pelos principais veículos de comunicação, que gostosamente embarcam na ficção criada para esconder a irresponsabilidade dos que governam o mais rico estado da Federação desde antes da virada do século.

Mas a mentira dissimulada em meias-verdades tem pernas curtas: uma pesquisa realizada pelo Ibope entre os dias 24 de novembro e 8 de dezembro de 2014 e publicada na sexta-feira (23/1) revela que 68% dos paulistanos — ou alguém da família — tinham sofrido problemas de falta de água já nos últimos meses do ano passado, ou seja, antes da onda de calor que inaugurou o verão. E a maioria deles afirma que a crise hídrica foi provocada por “falta de planejamento do governo estadual”.

Pau-de-arara de paulista

A consulta faz parte do estudo conhecido como Irbem – Indicadores de Referência de Bem-Estar no Município —, encomendado pela ONG Rede Nossa São Paulo e pela Federação do Comércio do Estado de São Paulo. Os dados apontam, segundo o Globo, que 91% dos paulistanos puseram a culpa do problema no governo do estado e na Companhia de Saneamento Básico (Sabesp). Sobre as perspectivas diante da crise de abastecimento, há um evidente pessimismo: 82% acreditavam, em dezembro, que é grande o risco de a água acabar completamente.

O estudo inclui 25 temas na percepção dos moradores da capital paulista sobre suas condições de vida, entre eles saúde, educação, habitação, lazer, trabalho, sexualidade e consumo. Além de mostrar que o noticiário não consegue esconder completamente a verdade da população, o estudo revela que, no quadro geral, o paulistano ainda considera que a crise não afetou severamente sua percepção de bem estar: mesmo com a falta de água e apesar do intenso noticiário falando em crise econômica, metade dos entrevistados diz que a qualidade de vida ficou estável no ano passado e 37% afirmam que até melhorou.

Considerando-se os dois grupos, pode-se concluir que a grande maioria tem uma visão muito mais otimista da realidade do que a imprensa. No entanto, a pesquisa mostra uma evidência clara da deterioração das condições gerais de vida na maior cidade do país: 57% dos entrevistados afirmaram que, se tivessem a oportunidade, se mudariam para outra cidade.

Os jornais escondem essa realidade, porque a constatação de que a maioria dos paulistanos pensa em inverter o fluxo migratório os obrigaria a criticar as políticas públicas adotadas em território paulista nos últimos anos.

A imagem de uma enorme fila de orgulhosos paulistanos engarrafando as estradas rumo ao Nordeste, numa inversão do processo migratório clássico, é uma ideia que a imprensa não pode assimilar.

Mas é isso que os indicadores do estudo apontam: se pudessem, muitos daqueles que reelegeram Geraldo Alckmin embarcariam aliviados num pau-de-arara (com ar condicionado, claro), em busca de uma vida melhor.

Luciano Martins Costa
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