28 de jun de 2016

O ateísmo de Jesus na vida política brasileira


É próprio do discurso conservador recorrer a Deus com o intuito de validar suas ideias diante do eleitorado. Supostamente contra o poder celestial sobra pouco espaço pra contestação, e é aí que mora a artimanha. Essa tentativa de sugestionar ao eleitor a que se aceite propostas de ordem duvidosa sem nenhum questionamento, às vezes claramente insanas na perspectiva de quem olha de fora, muito se aproxima da técnica usada por pastores neopentecostais quando querem “ofertas” gordas, no dinheiro ou no cartão!

Os pastores e suas coletas. Os políticos e seus votos. Os pastores-políticos e seus dinheiros e poderes.

Lideranças evangélicas agem com carisma nas comunidades onde pastoreiam, o que viabiliza a construção de relacionamentos baseados no afeto e confiança e que são sedimentados através das ações sociais para com os mais pobres. Adicione a essa receita o conforto psicológico e emocional proporcionado pelo acolhimento e pela noção de pertencimento que uma organização (religiosa ou não) é capaz de promover. Também, é claro, o alívio espiritual para os gemidos da existência, renovado a cada culto. E pra coroar esse processo de construção psicossocial, há o reconhecimento da figura do pastor como uma referência ética ante os diferentes aspectos da vida.

Acontece que o tipo de subjetividade que esse arranjo constrói pode acomodar perfeitamente o discurso conservador. Não apenas pelos elementos citados, mas sobretudo pela disseminação do medo — respaldado pela ignorância — na mentalidade dos fiéis e seu uso frequente como moeda de troca, numa relação de poder que o induz a barganhar os favores de Deus abrindo mão de sua identidade e dinheiro. Quanto maior o medo, maior a submissão. Quanto mais submissão, maior aceitação a figuras que se colocam como paladinos da moral e dos bons costumes. Um dos motivos que explicam a simpatia por malafaias e bolsonaros. Não à toa se assemelharem na forma odiosa, taxativa, retrógrada e preconceituosa em seus discursos.

Por outro lado, basta adotar uma postura crítica em relação ao arranjo conservador pra ser taxado de “satanista devorador de criancinhas”, “petralha”, “comunista”, “bolivariano”, “esquerdista”, e ter seu pensamento deslegitimado imediatamente. Rótulo nem um pouco sofisticado, mas que se mostrou vivificado desde que a direita soltou a franga.

Vale dizer, que do ponto de vista da conscientização política visando transformação social, as ações sociais das organizações evangélicas têm muitas limitações, mas se mostram inteiramente capazes de disputar o coração e mente do eleitor-fiel diante da assistência oferecida pelo Estado ou aquela feita pela esquerda organizada. Resta à Dona Maria, com sua solidão e velhice, recorrer a quem está perto pra atender suas necessidades corriqueiras, seja a cesta básica do mês ou a companhia pra ir ao médico. O Estado e os movimentos sociais parecem não conhecê-la pelo nome, assim como não são conhecidos, mas o pastor sim.

Assim, a simbiose entre eleitor-fiel e seu líder espiritual aspirante a sumo sacerdote, e o acúmulo de capital proveniente do dízimo e da isenção fiscal das igrejas, além do financiamento empresarial de campanha, vigente até as eleições passadas, chocou o ovo da serpente. A numerosa bancada evangélica, escancaradamente conservadora, é autora de propostas como o Estatuto da Família (PL 6.583/2013) que define como família apenas “entidade familiar como o núcleo social formado a partir da união entre um homem e uma mulher, por meio de casamento ou união estável, ou ainda por comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes”, em outras palavras, implica na proibição da união estável entre pessoas do mesmo sexo e os direitos adquiridos daí, como a adoção, por exemplo. São contra a legalização do aborto (mesmo nos casos de estupro comprovado), a favor da redução da maioridade penal e contra a regulação da mídia. E a lista segue...

As inclinações dos evangélicos na política brasileira estão bem claras. Ninguém desconfia de seu amor por dinheiro, controle e poder. Mas eles são cínicos. Em nome de “deus” e da “família tradicional brasileira”, 93% da bancada votaram a favor do impeachment. O circo da votação na Câmara foi acompanhado de referências bíblicas como “feliz é a nação cujo deus é o senhor”, “ao reino de Israel”, e a que mais sintetiza o momento, “que deus tenha misericórdia dessa nação”, dita por Eduardo Cunha. Todas acompanhadas de um efusivo SIM favorável ao impedimento.

Para esse deus-mercado, em que a Frente Parlamentar Evangélica ergue altares nas igrejas e no congresso, o Jesus dos Evangelhos — aquele que chicoteou mercadores no templo e que criticou duramente às elites políticas do Estado teocrático israelense — é completamente ateu!

Eder Casagrande
No Cafezinho
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Os posts indignados contra Lula, Dilma e Haddad de um dos investigados no escândalo da Rouanet

Júlio Plácido é sócio diretor da J2A Eventos, empresa que supostamente desviou verba da Lei Rouanet para bancar um casamento luxuoso na praia de Jurerê Internacional. Além dos posts contra petistas, Plácido, que estaria entre os presos da operação da PF de hoje, era frequentador de passeatas “contra a corrupção”


Júlio Plácido, sócio diretor da J2A Eventos, empresa acusada pela Policia Federal de desviar verbas da Lei Rouanet para bancar casamentos e festas privadas posta com frequência xingamentos e ofensas a Dilma, Lula, ao prefeito de São Paulo Fernando Haddad e frequenta passeatas contra a corrupção.

É provável que ele esteja entre as pessoas que foram presas nesta terça-feira (28) na Operação Boca Livre. Em alguns posts Júlio Plácido pede para que Lula seja assassinado e xinga a presidenta afastada de “vaca”.

A operação deflagrada hoje diz que produtores culturais, dentre eles a empresa J2A Eventos, integram um grupo ligado a eventos e são responsáveis pelo desvio de cerca de R$ 180 milhões de recursos da Lei Rouanet, do governo federal. Foram cumpridos 14 mandados de prisão temporária de integrantes desse grupo, que atua desde 2001 em São Paulo.

Um dos episódios que mais chamou a atenção da PF foi o casamento de Felipe Amorim e Caroline Monteiro, organizado pela empresa de Plácido, que aconteceu na luxuosa praia em Florianópolis chamada de Jurerê Internacional no dia 22 de abril deste ano na boate 300 Beach Club. O evento contou com a atração musical do sertanejo Leo Rodriguez, que interpreta hits como “Vai No Cavalinho”, “Bara Bará Bere Berê” e “Gordinho da Saveiro”.

Confira abaixo uma seleção de algumas postagens feita por Plácido:

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post presopost preso 2 post preso3

No Fórum
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Temer sanciona lei que autoriza pulverização aérea nas cidades

A ideia partiu do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) que defende a pulverização
aérea em áreas urbanas nas operações contra a dengue, chikungunya e zika vírus.
Foto: Agência Brasil
O presidente interino (e golpista) Michel Temer sancionou segunda-feira (27) a Lei nº 13.301/2016, que dispõe sobre medidas de controle do mosquito Aedes Aegypti. Entre essas medidas está a pulverização aérea de agrotóxicos em áreas urbanas para controle desse mosquito. A lei permite a “incorporação de mecanismos de controle vetorial por meio de dispersão por aeronaves mediante aprovação das autoridades sanitárias e da comprovação científica da eficácia da medida”.

A ideia partiu do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag) que defende a pulverização aérea em áreas urbanas nas operações contra a dengue, chikungunya e zika vírus, usando os mesmos inseticidas usados hoje nos equipamentos terrestres (os chamados fumacês). A proposta foi acolhida pelo deputado federal Valdir Colatto (PMDB/SC), que a apresentou sob a forma de uma emenda à Medida Provisória 712/2016, que estabelece medidas de vigilância em saúde para combater o Aedes aegypti. A emenda foi aprovada no Congresso Nacional e, agora, sancionada por Michel Temer.

A Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) criticou a proposta afirmando que ela tem “elevado potencial de causar graves doenças nos seres humanos, extinção de espécies e perdas econômicas”. “A pulverização aérea para controle de vetores apresenta potencial ainda maior de causar danos sobre a saúde, o ambiente e a economia local e nacional. Isso porque o volume será pulverizado diretamente sobre regiões habitadas, atingindo residências, escolas, creches, hospitais, clubes de esporte, feiras, comércio de rua e ambientes naturais, meios aquáticos como lagos e lagoas, além de centrais de fornecimento de água para consumo humano”, afirma a nota divulgada pela entidade.

Outras entidades como a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea) e a Campanha Contra os agrotóxicos também já se manifestaram contra a proposta, lembrando que ela ocorre no mesmo ano em que a venda de agrotóxicos recuou cerca de 20% no país. Essas entidades assinalam ainda que a lei sancionada por Temer autoriza que agrotóxicos sejam pulverizados diretamente sobre regiões habitadas, podendo atingir residências, escolas, creches, hospitais, clubes de esporte, feiras, comércio de rua e ambientes naturais, meios aquáticos como lagos e lagoas, além de centrais de fornecimento de água para consumo humano. Além disso, acrescentam, pode atingir, indistintamente, “pessoas em trânsito, incluindo aquelas mais vulneráveis como crianças de colo, gestantes, idosos, moradores de rua e imunossuprimidos”.

Em audiência pública realizada em Porto Alegre no dia 8 de junho, a toxicologista Karen Friedrich, da Fiocruz, advertiu que, caso a lei fosse sancionada, estará autorizada, por exemplo, a pulverização aérea de Malation em áreas urbanas, um organofosforado já apontado também como provável cancerígeno. “A pulverização terrestre via fumacê não é eficaz, está desenvolvendo resistência nos mosquitos e fazendo os trabalhadores adoecerem. Essa emenda prevê que os aviões pulverizariam áreas urbanas a uma altura de 40 metros, o que provocaria uma dispersão muito maior que a da pulverização agrícola, quando os aviões voam rente ao solo”, assinalou a pesquisadora.

No RS Urgente
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Globo deu o Golpe! Faz o que quer com o Temer

A quem vão vender a Globo?


Saiu no site do Planalto:


O que significa isso?

A Globo pode mudar a titularidade das concessões do jeito que quiser (vender, trocar de sócios etc), porque já estará previamente aprovado pelo "governo" golpista, sem ter que renovar a concessão.

O Código Brasileiro de Comunicações tem um dispositivo (art. 38, b) que diz que alterações estatutárias ou contratuais que não alterem o objeto social da concessionária devem ser aprovadas previamente pelo Presidente da República e pelo Conselho Nacional de Comunicação.

Os filhos do Roberto Marinho - eles não têm nome próprio - devem estar querendo mudar algo na estrutura societária da Globo e aproveitaram o "governo" golpista para fazê-lo sem ninguém perceber.

Como a audiência não paga mais os custos, como estão fazendo dumping na tabela de publicidade para sobreviver à crise que semearam, os filhos do Roberto Marinho devem estar à procura de sócios.

O Google, quem sabe?

O grupo TIME-LIFE...

Chevron...

Em tempo:

Artigo 38 da Lei 4117 de 1962:
Art. 38. Nas concessões, permissões ou autorizações para explorar serviços de radiodifusão, serão observados, além de outros requisitos, os seguintes preceitos e cláusulas: (Redação dada pela Lei nº 10.610, de 20.12.2002)

b) as alterações contratuais ou estatutárias que não impliquem alteração dos objetivos sociais, as cessões de cotas ou ações ou aumento de capital social que não resultem alteração de controle societário e as modificações de quadro diretivo deverão ser informadas ao órgão do Poder Executivo expressamente definido pelo Presidente da República, no prazo de 60 (sessenta) dias a contar da realização do ato; (Redação dada pela Lei nº 12.872, de 2013)
PHA
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¿Cómo será Argentina con dos bases militares de Estados Unidos?

La pregunta flota en el aire y hay razones muy valederas para hacerla, porque Argentina puede llegar a convertirse a corto plazo en una colonia militarizada de los Estados Unidos como efectivamente ya lo es Paraguay. Va en camino a eso en función de los acuerdos que el actual gobierno de Mauricio Macri ya ha puesto en marcha a través del Ministerio de Defensa y que consisten en instalar, en principio, dos bases de la NSA (Agencia de la Seguridad Nacional) en Misiones y Tierra del Fuego, y además generar misiones de intercambio con tropas norteamericanas para ejercicios conjuntos tanto en el territorio como en otros países de Latinoamérica. De esta manera, el actual gobierno efectiviza el giro notoriamente entreguista en política exterior, alejándose de la CELAC, Unasur y los BRICS.

También hace caso omiso de las recomendaciones dadas por el titular de la Unasur, Ernesto Samper, de que ya es hora de que las bases norteamericanas "se retiren del continente”. A la vez, tanto Macri como su canciller Susana Malcorra, embisten contra Venezuela y los países del ALBA y reinstalan las relaciones carnales con EEUU, pidiendo sumisamente ser parte de la Alianza para el Pacífico, coalición de países que no tratan sólo temas económicos sino que ponen en marcha por acción u omisión acciones intervencionistas de gran calado.

En ese marco, todo indica que lo que en su momento intentó efectivizar el ex gobernador kirchnerista del Chaco, Jorge Capitanich, en las instalaciones del aeropuerto de esa provincia y que fue paralizado producto de la movilización popular y el buen tino de algunos funcionarios de la Cancillería local, ahora cobra cuerpo para realizarlo en dos zonas estratégicas a nivel geopolítico y que afectarían profundamente a la soberanía nacional. Decir Misiones es hablar de la Triple Frontera y del Acuífero Guaraní, una de las fuentes de agua más importantes del mundo, y también un territorio que, desde Ronald Reagan en adelante, siempre despertó apetencias en Washington. Tanto que en una oportunidad, Georges Bush hijo, estuvo a punto de colocarlo como "objetivo militar a bombardear", con la mentirosa excusa de que allí se “entrenaban" milicianos palestinos y de Hezbolah.

Por ello, que Macri y su combo de cipayos hayan dado luz verde a instalar una base de radarización y observación “para combatir el narcotráfico y el terrorismo internacional” (sic) es una muy mala noticia, no sólo para los misioneros que ya han comenzado a movilizarse, sino también para la convulsionada situación que hoy vive Sudamérica. De hecho, ya se han personado varios “observadores” del Comando Sur de EEUU y la NSA, que están recorriendo la zona y al parecer se inclinan por que sea Puerto Iguazú (en la frontera con Brasil) el lugar para instalar este santuario intervencionista gringo. Incluso, algunos medios de Misiones aseguran que esta decisión ha generado revuelo entre algunos mandos militares argentinos ya que no habrían sido consultados. Otros rumores no confirmados, pero francamente creíbles en los tiempos que corren, indican que desde hace varios años, ese territorio es visitado por mandos del ejército norteamericano con la intención de observar lo que ahora está a punto de convertirse en realidad. Algo parecido a la invasión de soldados israelíes que se está dando en el sur argentino y sur de Chile. Con la excusa de “vacacionar” de las brutales acometidas invasoras contra el pueblo palestino, al igual que sus pares estadounidenses, aprovechan la ocasión para hacer “inteligencia” para Tel Aviv sobre franjas muy codiciadas del territorio nacional.

Frente a tal panorama, y en conocimiento de la impunidad con que en estos meses se ha movido el gobierno macrista para arremeter contra los intereses nacionales y la propia población, es que varias organizaciones populares de Misiones ya están planteando nacionalizar el tema y (como ocurriera con la base fallida del Chaco) generar en primera instancia una campaña informativa de concientización a la población que ayude a posteriores movilizaciones in situ. También, por la vía parlamentaria, el diputado misionero Daniel Di Stéfano ha presentado en el Congreso de la Nación un proyecto de resolución solicitando al Poder Ejecutivo nacional detalles sobre la instalación de dos bases militares en el territorio argentino.

En el caso de Tierra del Fuego, la base de “observación” y “experimentación científica” se instalaría en las proximidades de Ushuaia, y como es fácil de entender sería un verdadero “caballo de Troya” para incidir en un territorio altamente estratégico a nivel geopolítico y cuyas consecuencias militares son imprevisibles ya que a pocas millas está la base de la OTAN en Malvinas, y también el territorio Antártico argentino, bastión también codiciado por Estados Unidos por la importancias de los hielos continentales para la provisión de agua a futuro.

Por último, vale la pena recordar que Estados Unidos acostumbra utilizar varias vías para llevar a cabo su injerencismo militar: en algunos casos utiliza la excusa de "asesoramiento y asistencia humanitaria”, generando campañas contra el dengue, el zika o lo que se le ponga a mano. En ese marco, primero desembarcan enfermeras, médicos y paramédicos, y luego siempre aparecen observadores militares cuyas tareas no tienen nada que ver con los objetivos primarios anunciados. Ocurre, entre otros países, en Honduras, en Perú, en Paraguay y en República Dominicana. En otros casos, sin demasiados preámbulos, “arreglan” con gobiernos aliados o sumisos (o cooptados por acuerdos económicos sustanciosos) la instalación de bases de observación, colocando radares y otros artilugios tecnológicos de los que no ofrecen mayor información pública. O abren, como ya lo han hecho en 36 oportunidades, bases militares en toda línea (hay 761 a nivel mundial) con pistas de aterrizaje y despegue de aviones bombarderos y presencia de efectivos con uniforme y armamento. Los casos de Colombia, Panamá, Perú, Chile (con su base de “tropas de paz” en Concón), Curazao, Guatemala y varias más repartidas en pequeñas islas del Caribe.

Ahora, el virreinato de Mauricio Macri quiere sumarse a esa peligrosa costumbre de ceder territorio y asegurar la impunidad de la actuación de efectivos civiles y militares estadounidenses en el norte y sur argentinos. Si no se lo enfrenta radicalmente ahora, antes que lo pueda concretar, después no habrá oportunidad para lamentarse por lo que no se haya hecho.

Carlos Aznarez, periodista argentino en medios de prensa escrita y digital, radio y TV. Escritor de varios libros de temas de política internacional. Director del periódico Resumen Latinoamericano. Coordinador de Cátedras Bolivarianas, ámbito de reflexión y debate sobre América Latina y el Tercer Mundo.
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MP apura fraude em obra do PSDB de R$ 180 milhões da Copasa

Estação de tratamento de esgoto custou 50% a mais e funciona pela metade; apesar da moderna construção da Camargo Corrêa, moradores sofrem com sujeira, ratos e cobras

Subutilizado. Com tecnologia de ponta, ETE Ibirité é uma das mais modernas da América Latina, mas opera
hoje com metade dos tanques vazios
O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) instaurou inquérito para investigar suposto superfaturamento e desvio de recursos públicos em obras da Copasa executadas pela construtora Camargo Corrêa no município de Ibirité, na região metropolitana de Belo Horizonte. As intervenções, licitadas por R$ 121,9 milhões, custaram R$ 180 milhões para a companhia de saneamento. Mesmo com os aditivos de 50% do valor inicial, o sistema de esgoto contratado não foi concluído. Agora, a Copasa terá que realizar outra licitação, estimada em R$ 50 milhões, para terminar a obra.

Conforme a suspeita do MP, a empreiteira – também investigada pela operação Lava Jato – venceu concorrência realizada em 2011 para ampliar o sistema de esgotamento sanitário de Ibirité. Por R$ 121,9 milhões, a Camargo Corrêa se comprometeu a construir uma estação de tratamento (ETE) e redes interceptoras e coletoras de esgoto para levar os resíduos para a estrutura.

Apesar disso, vários aditivos foram feitos desde 2012, e a Copasa acabou gastando cerca de R$ 180 milhões com a ampliação do sistema de esgotamento sanitário de Ibirité – R$ 100 milhões apenas com a ETE. A estação é considerada pela Copasa como uma das mais modernas na América Latina. Nem as outras estruturas da capital, ETE Arrudas e ETE Onça, têm o mesmo nível de tratamento. No entanto, um ano após a inauguração, a ETE Ibirité opera com metade da capacidade.

A explicação para a ociosidade de uma estrutura tão complexa e tecnológica é simples: o esgoto não chega ao destino correto. A estação foi construída para receber até 140 litros de esgoto por segundo, mas funciona hoje com apenas metade – 70 litros por segundo.

O problema estaria na construção incompleta das redes que levam o esgoto à ETE. A Camargo Corrêa teria entregado o serviço com apenas 25% das redes coletoras de esgoto concluídas, segundo uma fonte ouvida pela reportagem. “É uma obra envolta em suspeitas. A ETE tem uma estrutura enorme, caríssima, e, para construir, deixaram de fazer parte das redes”, explica a fonte. “A Copasa gastou uma fortuna, e grande parte dos córregos de Ibirité continua recebendo esgoto”, diz.

Hoje, após remendos feitos pela própria Copasa, 42% da cobertura sanitária prevista inicialmente está pronta. Para interligar os 58% restantes – que já deveriam estar concluídos desde o início de 2015 – e garantir a operação total da ETE, a companhia de saneamento pretende lançar, nos próximos meses, nova licitação. A estimativa é que sejam despendidos entre R$ 40 milhões e R$ 50 milhões na complementação das redes, verba que poderia ser empregada em outros projetos caso o contrato com a Camargo Corrêa tivesse sido cumprido.

Irregularidades

Para o Ministério Público, há indícios de desvio de recursos, má gestão das verbas e superfaturamento na obra. O inquérito civil que apura as irregularidades foi instaurado em setembro do ano passado pela Promotoria de Defesa do Patrimônio Público.

De acordo com o promotor responsável pelas investigações, Eduardo Nepomuceno, um representante da Copasa já foi ouvido e, agora, a central de perícias da promotoria analisa documentos encaminhados pela empresa. Após análise do material, a Camargo Corrêa deve ser chamada a prestar esclarecimentos. “É uma obra grande. Há indícios (de superfaturamento), até mesmo pelo valor da obra e pela ausência de conclusão”, detalha o promotor.

Longa espera

Histórico. A ordem de serviço autorizando o início das obras em Ibirité foi assinada em julho de 2012. Quase três anos depois, em junho de 2015, teve início a operação da ETE Ibirité.

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Possível influência política

Além das suspeitas de superfaturamento na construção da ETE de Ibirité, chama atenção o fato de um município de apenas 174 mil habitantes ter sido escolhido para receber estrutura tão moderna, a única da Copasa detentora do chamado sistema terciário de tratamento do esgoto, tecnologia de ponta que garante alta qualidade da água que sai do processo.

Hoje, as ETEs Arrudas e Onça, que tratam o esgoto de um número de pessoas bastante superior em Belo Horizonte e Contagem, têm apenas o sistema secundário de tratamento, e a implantação do terciário nessas unidades é cobrança antiga de ambientalistas.

“A questão política se sobrepôs. A ETE Ibirité é desproporcional para a cidade. Com certeza esse projeto megalomaníaco tem a ver com a força da família Pinheiro na cidade”, sugere uma fonte ouvida pela reportagem.

Em 2011, à época da licitação, o diretor de Operação Metropolitana da Copasa era Juarez Amorim (ex-presidente estadual do PPS). A secretária de Amorim informou que ele está em viagem internacional e, por isso, não poderia responder.

O prefeito de Ibirité, Pinheirinho (PP), era secretário de Planejamento no município em 2011. Ele diz desconhecer que a obra é investigada pelo Ministério Público e responsabilizou a Copasa pelo fato de a estrutura ainda não estar operando plenamente. “Nem sabia que estava sendo investigado. A Copasa, enquanto concessionária, tinha até o final de 2015 para coletar e tratar nosso esgoto. A informação que me foi dada é que a estação teve obras concluídas, mas não está funcionando com plena capacidade porque a Copasa não concluiu toda a coleta do município”, disse.

Questionado se acredita que a influência política de sua família pode ter ajudado a levar a obra para a cidade, disse que Ibirité não é pequena e que tinha, em 2011, um deputado estadual e um federal. O prefeito só não mencionou que os dois são da sua família. Ao ser lembrado deste detalhe, disse “não saber” se a influência ajudou. Amorim é próximo à família de Pinheirinho.

Vizinhos de estação não têm rede de esgoto

Dos fundos de seu quintal, o aposentado José Delfino da Silva Júnior, 68, acompanhou, passo a passo, a construção da enorme Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) de Ibirité, na região metropolitana de Belo Horizonte. A implantação da moderna estrutura, a poucos metros de casa, não significou, porém, a chegada da tão esperada rede de esgoto para atendimento aos moradores da região.

Pelo contrário. Enquanto a Copasa erguia sua nova ETE no município, para boa parte da vizinhança do bairro Jardim Industrial, a pouco mais de um quilômetro de distância da unidade, a coleta de esgoto continuou só na promessa.

“Tudo que você imaginar desce das casas até esse córrego. Fica aquele mau cheiro insuportável”, conta seu José. O córrego a que o morador se refere passa no meio da via que foi asfaltada para dar acesso à ETE. Apesar da proximidade, o local continua recebendo esgoto direto das casas, até desaguar na chamada lagoa da Petrobras.

No contrato firmado entre a Copasa e a Camargo Corrêa para ampliação do sistema de esgotamento sanitário da cidade, a previsão era que a implantação da rede coletora ficasse pronta antes da ETE. Não foi o que aconteceu, e, mais uma vez, quem agora sente na pele os reflexos de uma obra milionária largada pela metade é a população do entorno.

Morando há 14 anos na região, a auxiliar de serviços gerais Beatriz Miranda, 42, reclama dos transtornos causados pela falta da rede. “São serpentes e cada rato enorme que aparecem dentro da casa da gente que você nem imagina. Fica essa sujeirada, e é perigoso transmitir doenças né?”.

Não muito distante dali, no bairro Jardim das Rosas, a falta da rede também aflige os moradores. “O poder público não faz nada. Parece que não estão nem aí. Você acha que político vem aqui? Não vem, não. Só vem na época de eleição e nunca mais volta”, desabafa a dona de casa Valquíria Benfica, 50.

O pintor Geraldo Oliveira da Silva, 53, conta que a Copasa até esteve na comunidade, mas nada foi feito. “Aqui chega conta para pagar de tudo, mas, na hora de fazer, ninguém faz”, lamenta o morador, olhos longe em direção ao córrego imundo. “Se pudessem olhar pra gente, com certeza a vida seria outra”.

Copasa e empreiteira negam problemas

A Copasa e a Camargo Corrêa não responderam às perguntas feitas pela reportagem sobre a ETE Ibirité. Ambas divulgaram notas negando as irregularidades e afirmando que cumpriram o contrato. A Copasa ainda informou que está colaborando com a investigação do Ministério Público.

“A Companhia esclarece que, atualmente, 70% do esgoto gerado em Ibirité é coletado. Deste volume, 42% está sendo tratado na ETE. A Copasa está preparando novo edital de licitação para execução de obras complementares para aumentar os índices de atendimento de coleta e tratamento do esgoto”, diz o texto.

A Camargo Corrêa não detalhou o porquê de não ter concluído a ETE nem informou quantos aditivos foram feitos ao contrato e o valor deles. A Copasa também não detalhou os aditivos, tampouco explicou por que Ibirité foi escolhida para abrigar a ETE mais moderna do Estado.

“A Camargo Corrêa obteve o contrato para as obras de construção de estação de tratamento de esgoto e da rede sanitária no município por meio de licitação pública, após oferta de menor preço. Os serviços foram executados conforme o escopo e o prazo estabelecido em contrato, que sofreu ajustes por solicitação do órgão contratante”, afirmou a nota da empresa. (LM)

‘Vistas grossas’ em fiscalização

Informações extraoficiais revelam que a própria Copasa teria feito “vistas grossas” no acompanhamento e na fiscalização das obras de ampliação do sistema de esgotamento sanitário de Ibirité, realizadas pela construtora Camargo Corrêa, ao permitir a inclusão de aditivos milionários ao contrato original. Há suspeitas inclusive de possíveis pagamentos de propina.

À reportagem, o Ministério Público de Minas Gerais não confirmou a informação, alegando apenas que o gerenciamento de recursos da obra também é alvo das investigações.

Luiza Muzzi
No O Tempo
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O que Cunha foi falar com Temer no Jaburu?

Temer é Cunha
O que Cunha foi falar com Temer no Jaburu?

Está claro o poder do primeiro sobre o segundo, ou este não teria recebido um visitante tão comprometido com roubalheiras num momento de tamanha dramaticidade.

Vem à lembrança, imediatamente, a frase já antológica do delator Sérgio Machado: “Temer é Cunha”.

Repare na ordem. A precedência é de Cunha. Não é “Cunha é Temer”. É “Temer é Cunha”. Há uma subordinação explícita aí.

É péssimo para Temer receber Cunha, ainda mais na clandestinidade. É um encontro que não estava na agenda, e que vazou. É um embaraço tão grande que Cunha negou, mas o Planalto foi forçado a admitir, ou seria apanhado em flagrante mentira.

Jogar baralho é que eles não fizeram. Tampouco devem ter conversado sobre o Brexit ou quaisquer outras questões internacionais. É difícil imaginar que tenham trocado confidências sobre seus casamentos, Temer com Marcela, Cunha com Claudia.

Fatalmente o tema foi a perspectiva de Cunha de ser preso. Podemos todos imaginar o que Cunha conhece de Temer.

Eles têm histórias juntos. O grupo Libra, que opera a logística no Porto de Santos, é um dos elos comuns. O Libra doou recursos para a campanha de Temer. E colocou 591 mil reais na conta de Claudia Cruz.

O Libra não poderia atuar em Santos, dada sua dívida com a União. Mas atua. Mexa nesta história e você encontrará as mãos dadas de Temer e Cunha, como se fossem namorados.

O prontuário de Cunha sugere que ele foi a Temer fazer o mesmo que os senadores comprados com cargos e vantagens estão fazendo: cobrar a fatura.

É simplesmente impossível imaginar que Cunha vá aceitar apodrecer na cadeia depois de ter minado Dilma no Congresso ao bloquear suas medidas e depois comandar seu impeachment.

Temer vai ter que se mexer para socorrer o amigo em apuros, ou histórias horripilantes virão a público. Pense o que passa pela cabeça de Cunha: fomos parceiros, bróders, camaradas, e agora você está no Planalto e eu à beira da gaiola. É justo?

A questão é se Temer tem força para salvar de alguma forma Cunha.

Se não tiver, o que é o mais provável, é bom se preparar para uma tornozeleira, na melhor das hipóteses.

Paulo Nogueira
No DCM
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