21/08/2014

A resposta de Obama ao Bonner da Fox

A isenção parece não representar mais um valor passível sequer de ser simulado pelo maior oligopólio midiático, que se arroga o papel de um poder moderador.

Há alguma coisa de profundamente errado com a liberdade de expressão num país quando, a cada escrutínio eleitoral, a maior preocupação de uma parte da opinião pública e dos partidos, do início ao fim da campanha, não é propriamente com o debate de ideias, mas com o impacto da ‘emboscada midiática’.

Não se duvida de que ela virá.

Apenas se especula como e com que intensidade a maior emissora de televisão do país — seus satélites e assemelhados — agirá na tentativa de raptar o discernimento do eleitor, sobrepondo-lhe denúncias, recortes e interditos da exclusiva conveniência dos interesses que vocaliza.

Carta Maior já disse algo parecido na eleição de 2012, na de 2010 e na de 2006; outros veículos e blogs fizeram o mesmo, assim também como muitos advertiram em 2002 e 1989...

Infelizmente, depois da ‘entrevista’ a que foi submetida a Presidenta Dilma no Jornal Nacional, nesta 2ª feira, não há motivo para não reiterar a mesma assertiva na forma e no conteúdo.

A novidade é a radicalização observada, inversamente proporcional à capacidade conservadora de oferecer um projeto alternativo à sociedade que não se magnetize em torno da palavra arrocho.

Hoje isso é mais ostensivo do que em 2010.

Abre-se assim uma etapa de viva transparência; um embate bruto em que a mídia dominante não consegue dissimular as consequências daquilo que a define.

Tampouco parece ter pejo em descartar uma isenção — a rigor nunca praticada — mas da qual sempre se avocou em guardiã, para sonegar pertinência à democratização estrutural dos meios de comunicação.

A isenção parece, enfim, não representar mais um valor passível sequer de ser simulado por quem se arroga o papel de um poder moderador acima da sociedade.

Caricaturas de um oligopólio que não pretende debater, nem informar, mas apenas veicular a agenda conservadora, Willian Bonner e Patrícia Poeta deram inestimável contribuição a esse enredo nesta 2ª feira.

Saul Leblon
No Carta Maior
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20/08/2014

Em cinco dias, já se foi 10% da água do Atibainha. E a “2ª cota” de Alckmin, de onde virá?


Os dias de alguma chuva e temperatura mais baixa não deram grande alívio à situação hídrica de São Paulo.

Desde que começou o bombeamento do reservatório Atibainha — onde o volume a ser drenado é de 78,14 bilhões de litros — já foram puxados dali 7,84 bilhões de litros.

Estão por conta do Atibainha dois terços de toda água necessária a abastecer — abastecer mal — a Grande São Paulo.

Mesmo com uma vazão afluente 50% à do mês passado, o que entra não dá para recuperar o nível do principal depósito de água, o Jaguari-Jacareí, que está sendo mantido exatamente no mesmo e baixíssimo nível do lodaçal, que a gente já já mostrou aqui.

No ritmo em que se tira água do Atibainha, agora, as imagens começarão a revelar também sua situação. Como ele é menor e tem uma profundidade média maior, os efeitos da queda demoram a aparecer visualmente.

Agora, mais dramático é o pedido da Sabesp para a liberação da ANA para bombear mais 130 bilhões de litros do fundo de uma represa que está, até visualmente, seca, como é a do Jacareí.

Nem dragando canais e drenando cada poça tiram esta quantidade estúpida de água dali.

A menos que a Sabesp queira secar a represa com esponja e pano de chão.

Fernando Brito
No Tijolaço
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PF pega grupo de comunicação que sonegou mais de R$ 896 mi — mas ainda não é a Globo


Teresina/PI - A Polícia Federal com o apoio da Receita Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira (20/08) a Operação Sorte Grande, com o objetivo de cumprir mandados de busca e apreensão e condução coercitiva em desfavor de um grupo empresarial de grande porte, pela prática de sonegação fiscal, falsidade ideológica e lavagem de dinheiro em associação criminosa.

O grupo empresarial, que atuava nas áreas de comunicação (TV, rádio e jornal), venda de veículos (concessionárias), empreendimentos imobiliários (construção de shopping centers e outros imóveis), educação (faculdades) e de saúde (hospital e operadoras de plano de saúde), principalmente, nos estados do Piauí e do Maranhão, por sonegação de contribuições previdenciárias e tributos em geral que, em 2013, chegaram ao valor consolidado de, aproximadamente, R$ 896 milhões.

As investigações demonstraram que, utilizando-se de “laranjas” e de empresas offshore, sediadas no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas, o grupo realizou sucessivas mudanças nos quadros societários das empresas devedoras do fisco para afastá-las de seus verdadeiros proprietários e transferiu os seus ativos para novas pessoas jurídicas, também constituídas com o emprego de “laranjas” e offshores, deixando as devedoras “desmontadas”, apenas com as dívidas.

Para evitar o efetivo pagamento dos débitos tributários e impedir a persecução penal em desfavor dos responsáveis, os envolvidos nas fraudes aderiram a programas de recuperação fiscal, legalmente previstos em conformidade com a Receita Federal, arrolando, em garantia, bens de baixos custos (cadeiras e aparelhos de ar condicionado, por exemplo), com o que conseguiam estabelecer parcelas mensais ínfimas, cujo pagamento integral nunca será concretizado.

A Operação Sorte Grande contou com a participação de 85 policiais federais, entre delegados, peritos, escrivães e agentes, além de 18 auditores e quatro analistas tributários da Receita Federal.

O distinto público tem o direito de saber os nomes destas empresas e seus proprietários.

No Megacidadania
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Bonner, já ouviu falar em Walter Clark?

Voce não acha que eu é que deveria estar nas manchetes?​



Walter Clark fez a Rede Globo.

Na companhia do Boni, do Armando Nogueira, do Arce e do Joe Wallach.

Mas, o líder era ele.

Foi ele quem concebeu a tevê como uma rede e tirou proveito da conexão genética entre a Globo e o regime militar: o regime precisava de uma rede nacional de tevê e a Globo precisava de uma rede nacional de comunicação para vender anuncio.

A Embratel celebrou o casamento.

A verdade é dura, a Globo apoiou a ditadura…

Walter Clark era a estrela da companhia.

Aparecia muito. Gostava de festa. E de mulher bonita, como Ilka Soares.

Modelo da Casa Canadá, ela casou com Anselmo Duarte e, depois, com Walter.

Walter era elegantérrimo. Os dois fechavam os salões do Rio.

Aí, quem conta é um amigo que lembra: o Diabo sabe muito não porque seja mais esperto, mas porque é mais velho.

Um dia, a revista Vogue Homem, dirigida pelo Luis Carta, irmão do Mino, colocou o Walter na capa, como o homem mais elegante do Brasil.

O Dr Roberto mandou chamá-lo na sala.

Recebeu-o com a capa da revista na mão.

E perguntou: oh, Walter, você não acha que eu é que devia estar na capa dessa revista?

O Walter ficou encabulado, ponderou que não ligava pra essas coisas, de elegância, celebridade.

O negócio dele era o trabalho.

E o Dr Roberto a manusear a revista, passava a mão em cima da capa.

Quando saiu da sala, Walter pensou com seus botões: ele vai me mandar embora.

E mandou.

Segundo o amigo navegante, quem conta essa história é Gabriel Priolli, no livro “Campeão de Audiência”, com Walter Clark, da editora Bestseller.

E a conversa surgiu da leitura do post do Paulo Nogueira, “o problema do Bonner é depois da entrevista”.

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Dez especulações sobre Marina Silva

http://www.correiodopovo.com.br/blogs/juremirmachado/

1) Poderá, se eleita, na medida em que não terá maioria no Congresso Nacional, ser um novo Collor.

2) Poderá ser um ponto fora da curva confrontando, de algum modo, a visão tradicional da política.

3) Dependerá do PMDB para governar. No RS, há um PMDB com Dilma, outro com Aécio e, por fim, outro com Marina. Em qualquer situação, o PMDB estará no poder. Essa é a grande novidade da eleição de 2014.

4) Terá de adaptar o seu discurso para não ser bloqueada pelo agronegócio.

5) Precisará, em poucos dias, mostrar que tem bala na agulha e que não se beneficiou apenas da comoção provocada pela morte de Eduardo Campos. As pesquisas no começo de setembro apresentação uma fotografia mais realista do quadro eleitoral.

6) Terá de provar que não é adiantada em termos de proposta política e atrasada em termos comportamentais.

7) Encontrará em Beto Albuquerque o complemento de solidez política que lhe falta.

8) Terá de superar a sua falta de experiência administrativa. FHC e Lula também não tinham qualquer experiência administrativa quando chegaram à presidência da República. Dilma nunca tinha sido eleita para qualquer coisa.

9) Precisará mostrar que sua rede é mais do que um discurso “sonhático”.

10) Entrou no jogo para ficar, o que está apavorando petistas e tucanos.
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PSB perdeu a presidência da República hoje


Momentos antes da candidatura de Marina Silva ser oficializada, em evento marcado para esta quarta-feira, o Partido Socialista Brasileiro enfrentava um ambiente menos festivo do que se poderia imaginar. Para além de toda dor provocada pela morte de Eduardo Campos, um líder que soube se impor pela força de mando mas também pela capacidade de oferecer respostas políticas que agradaram a maioria do partido, ficou uma questão grande demais para ser ignorada, mas grave demais para ser discutida abertamente. A candidata não é do PSB, não pensa como o PSB, não tem amigos no PSB nem irá governar, em caso de vitória, com o PSB.

Perdemos a eleição hoje, disse um auxiliar dos socialistas, subindo as escadas da sede nacional do PSB, em Brasília — que fica numa sobreloja da Asa Norte, num conjunto de salas que, pelo caráter austero, lembra uma escola de computação. “O que é combinado não é caro,” afirmou o governador do Espírito Santo, Renato Casa Grande, ao chegar, depois de participar, no Lago Sul, de uma reunião de dirigentes do partido com a própria Marina. Nem todos os detalhes do acordo entre Marina e o PSB são conhecidos e é provável que muitos deles jamais se tornem públicos. O certo é que, ao longo do dia, os dirigentes do PSB se encarregaram de amassar, embrulhar e colocar na lata do lixo uma ideia exótica que havia circulado na véspera — a de obrigar a candidata a assinar uma carta com compromissos com o partido sob condição de garantir sua candidatura.

Marina Silva não se tornou candidata presidencial porque o PSB queria mas porque não possuía outra opção. Ainda que a candidatura de Eduardo Campos desse a impressão de ter chegado a seu teto sem mostrar-se competitiva — pelo menos antes do início do horário político — seu circulo próximo nunca deixou de acreditar em suas próprias chances de ganhar a presidência da República. A tese é conhecida: Eduardo seria capaz de bater Aécio no primeiro turno em função do desgaste tucano e, na segunda fase, carregar os votos do PSDB para vencer Dilma. Embora vista com relativa incredulidade fora do PSB, em suas fileiras essa visão era alimentada e repetida cotidianamente, numa narrativa que o jornalista Alon Fewerwerker, coordenador da campanha, conseguia defender com lucidez e argumentos racionais.

Se era assim com um candidato que nos bons momentos das pesquisas mal chegava perto dos dois dígitos de intenção de voto, não é difícil pensar que Marina possa conseguir a mesma coisa. Ela não só obteve o dobro em 2010 como deixou as pesquisas — quando oficialmente também deixou de ser candidata — com 27% das preferências. A Marina de 2014 não é a mesma de 2010. É aquela que pode ser vitaminada pelos protestos de 2013, que enxerga em sua candidatura um caráter anti-sistema e anti-políticos — e até agora não deu mostras de fazer qualquer objeção a presença de um núcleo de auxiliares ultra-conservadores que têm dado as cartas nos debates econômicos, aquela área de qualquer governo que envolve salários, emprego, programas sociais e outras decisões que afetam para melhor ou para pior a vida da população mais pobre.

O PSB tentou resistir a Marina e fez isso enquanto era possível imaginar que se tratava de uma perspectiva realista. Durou pouco. No ano passado, o senador Rodrigo Rollemberg, candidato ao governo do Distrito Federal, foi quem levou a Eduardo Campos o recado de que, após a reprovação da Rede no TSE, Marina Silva mandava dizer que queria preencher a ficha do partido — e ouviu, como primeira reação, uma pergunta que ficaria célebre: “você já bebeu?” Em 2014, candidato junto a um eleitorado fiel a Marina, qualquer que seja seu partido, Rollemberg foi um dos raros partidários de sua candidatura presidencial no primeiro momento. Outros dirigentes, com peso e liderança, vieram depois. Eles temiam ser prejudicados pelo boicote de Marina a suas alianças, como o acordo com Geraldo Alkcmin em São Paulo.

A rendição a nova candidatura se fez em nome da mais preciosa e fugaz mercadoria da vida política. Não é o poder, como muitos pensam. Mas a perspectiva de poder, como já entenderam os profissionais do ramo. Se o poder impõe limites e restrições, pois é preciso fazer escolhas, definir prioridades e dizer “não”, por mais que isso seja desagradável, a perspectiva do poder contém uma aura de sonho, de alcance infinito. Foi por causa dela que os socialistas não puderam recusar o apoio a Marina e deram aquele passo em que mesmo uma eventual vitória também irá significar uma estranha derrota, com a qual não contavam — pelo menos agora. 

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Bobeira Pouca é Bobagem: Chapolin Pra Vice do PSB!!!


Baixou o encosto no Pastor Everaldo! Depois do PSB vale tudo na esculhambação do coronelato pernambucano! Recife, a última das Capitanias Hereditárias, com todo o respeito dos sarneys é claro. kiakiakiá!!!

Começa horário eleitoral e Dilma sózinha ocupa metade do tempo. Claro, sem o Bonner e a Poeta ela até consegue falar//

Com certeza Dilma fez plástica nova, daqui pra outubro aquele bico tem que diminuir antes que ela vire um tucano.//



Não adianta o Aécio me chamar mais de dez vezes no programa dele: Bemvindo! Bemvindo!, eu não voto nele. Meu voto é Dilma!//

Quem já ouviu o Eymael ná rádio? Parece novela da Rádio Nacional em 1945. O Eymael é a Mamãe Dolores do horário eleitoral//

O tal Pastor Everaldo é contra tudo e contra todos. Acho que vai reescrever as Tábuas da Lei se for eleito//

Datafolha diz que a Marina atrai eleitor rico, mais jovem e escolarizado. Com todo o respeito: tá mais pra atração fatal. Um jovem rico com tesão não resiste ao sedutor canto de taboca rachada da Fadinha da Floresta. kiakiakiá//

Mídia UOL diz que Dilma perdeu o discurso em 4 anos. Quem encontrar favor entregar na redação da Folha.//

E a Marina cada dia encurva mais. Minha neta perguntou se aquela era a Moura Torta das histórias que conto à noite. kiakiakiá//

Não adianta a Dilma ir de azul no papo com a Platinada. Ela ainda não entendeu que azul é a cor da Vênus Marinha?// E o Dunga, o anão sem diplomacia, convocou meio mundo pra evitar que a Imperatriz do Acre entregue a maçã "batizada" pra Dilma//

Miriam Leitão conta como foi torturada nua com uma jibóia. Já a Fadinha das Floresta nua é uma tortura pra qualquer jibóia. kiakiaká//

E a Justiça mandou devolver o helicócaro à família Perrela. Só não disse se é vazio ou recheado com Pó Royal.// Vão pousar o helicócaro onde? No aeroporto do tio do Pudim de Cachaça?//

Alô PSB: Eu tenho uma tia que mora na Penha e faz um bolo de macaxeira que é uma delícia, e sabe toda a escalação do Náutico. Tou indicando ela pra vice do PSB. Sabe tudo que precisa pra ser vice da Fadinha da Floresta.// Aliás o SBT não sabe mais o que faz com o Chapolin. Outro bom nome pra vice do PSB. kiakiakiá!!!//

E o Clóvis Rossi disse que "morre um líder, nasce um slogan." Preferia o contrário: morre um slogan, nasce um líder.//

E agora com licença que tou saindo pra meia hora de rabo. Por hoje tou legal de gnomos né meu meio ambiente.kiakiakiá!!!

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Publicitário William Bonner, nosso Lou Dobbs, mostra que é bom de marketing


Por um tempo Carlos Nascimento alimentou a ideia de que se tornaria âncora do Jornal Nacional. Na minha primeira passagem pela emissora, nos anos 80, acompanhei de perto a trajetória dele. Boa presença no vídeo, boa voz e, acima de tudo, experiência na rua. É conversando com as pessoas, no dia-a-dia, que nascem os bons entrevistadores. O mesmo aconteceu com Ana Paula Padrão, com quem só tive contato muito mais tarde, na TV Record. Foi correspondente, interagiu com entrevistados mundo afora.

Do casal 20 da Globo se dizia o seguinte, na minha segunda passagem pela Globo, no Rio de Janeiro, a partir de 1999: Fátima Bernardes tinha chacoalhado nas viaturas, amassado barro e subido morro. William Bonner, não. Tive pouco contato com ele. Ao analisar as reportagens que seriam exibidas no Jornal Nacional, aprovadas pessoalmente por ele, Bonner era preciosista, focava nos detalhes.

Havia um toque de masoquismo naquele ritual de espera diário na redação: o imperador diria sim ou não ao seu trabalho!

Escapava-lhe a contextualização. Talvez um mecanismo de defesa. Na Globo o repórter tem autonomia até a página 5. A estrutura é altamente hierarquizada. Até as entradas ao vivo são aprovadas antecipadamente, ou pelo menos eram quando eu estava lá. A margem de manobra dos repórteres é reduzidíssima. Por comparação, em outras emissoras nas quais trabalhei as reclamações sempre foram posteriores: Manchete, SBT e Record. “Ah, o Azenha não deveria ter dito aquilo que disse”, um chefe eventualmente observa. Mas, no frigir dos ovos, quem manda mesmo é o dono. É o patrão — ou seus prepostos.

William Bonner tem a mesma alma matter que eu: a Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo. Formou-se em Publicidade e Propaganda. Outros repórteres da Globo, como Alberto Gaspar e Ernesto Paglia, foram meus contemporâneos na faculdade de Jornalismo.

A ECA era uma boa escola, de professores e estudantes questionadores, que foi se voltando aos poucos para servir “ao mercado”. Acho uma perda. Escrever bem ou aparecer bem na TV a gente pode fazer aos poucos, nas ruas, ganhando experiência. Mas a formação em História, Filosofia, Lógica e Ciências Sociais, dentre outras disciplinas, essa não tem preço. É a alma do Jornalismo. É o espírito crítico.

No caso de Bonner, no entanto, a formação em Publicidade e Propaganda parece ter muita solidez.

Às críticas que recebeu nas últimas horas ele respondeu com uma mensagem de deixar qualquer marqueteiro encantado: no twitter, em uma só frase, juntou robôs (deve ter se inspirado na famosa reportagem de Veja, que ao ser pega em conluio jornalístico com o bicheiro Carlinhos Cachoeira atacou ‘aranhas, robôs e comunistas’), corruptos insatisfeitos e blogueiros sujos (adotando, aqui, designação formulada por um dos grandes amigos dos patrões da Globo, o candidato a senador José Serra).

Como bom marqueteiro, Bonner atribui as críticas que recebeu a gente previamente criminalizada pela mídia.

Abandona o preciosismo que é sua marca, de forma oportunista.

Um preciosismo do qual ele se vale muitas vezes para julgar o trabalho de colegas.

O preciosismo que ele tanto ama e que, nas últimas horas, foi expresso de forma estatística na rede:

muda mais

Dos 16 minutos cronometrados [da entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo], Dilma falou 10 minutos e meio; [o apresentador William] Bonner, 4 e meio, e Patrícia [Poeta, a apresentadora] quase 1 minuto. Dá 65% para ela e 35% para eles. Dilma pronunciou 1.383 palavras, contra 980 da dupla (766 só do Bonner), o que dá 60% x 40%. Isso é escore de debate, não de entrevista. A dupla encaixou 26 acusações ao governo e ao PT; algumas, com ponto de exclamação. Nos quatro blocos temáticos (corrupção, mensalão, saúde e economia) Bonner lançou no ar 13 pontos de interrogação, e Patrícia, dois. A presidenta foi interrompida 19 vezes. Tomou dedo na cara de Bonner e de Patrícia, que reclamou de uma resposta com um soquinho na mesa. Isso não é comportamento de jornalista. Na entrevista com Aécio Neves — que muitos acharam “dura”, embora tenha sido apenas previsível — a dupla fez quatro interrupções e cinco reiterações de perguntas.

O tom inquisidor de William Bonner na entrevista com Dilma no Jornal Nacional de hoje mostrou, em alguns minutos, como a imprensa brasileira atua há séculos para criar e manipular suas verdades. Na primeira pergunta, com mais de um minuto de duração, o âncora usou sete vezes a frase “Escandalo de Corrupção”. É pela repetição, aquela mesma usada pelo publicitário do nazismo Joseph Goebbels, que se funda a percepção da realidade.
Quando eu, Azenha, era um repórter já maduro na TV, tive o prazer de conviver, na excelente redação do Globo Repórter — acreditem, a Globo tem excelentes profissionais, de altíssimo nível, que só não nomino para não colocá-los sob risco de demissão — com Ana Helena Gomes.

Uma editora de primeira categoria, uma documentarista sensível, ao mesmo tempo doce e ácida, como acredito que devam ser os jornalistas.

Numa viagem ao Nordeste, para gravar um Globo Repórter, ela me chamou de lado e observou, usando mais ou menos as seguintes palavras: “Azenha, você está muito afoito. Está apertando demais o entrevistado. Querendo arrancar dele tudo na primeira pergunta. Colocado na defensiva, ele não vai revelar nada. Tem de ‘tourear’ o entrevistado. Fazer com que ele se sinta seguro ao seu lado. Uma boa entrevista é quando você envolve o entrevistado de tal forma que ele acaba se entregando”.

Sábias palavras. Nunca mais fui o mesmo. Obviamente, levei anos para aprender as lições básicas da entrevista.

Admiro quem sabe fazê-lo quase que naturalmente, por um dom de nascença: os ex-globais Carlos Dornelles e Arnaldo Duran, por exemplo, ou o Gérson de Souza. Nós, telejornalistas, somos tratados como repórteres de segunda classe pelo pessoal de jornal e revista, que tem todo o tempo do mundo e a garantia de anonimato para coletar informações. Nosso desafio é conseguir arrancar alguma coisa do entrevistado com a presença intimidadora de uma grande equipe, de luzes e microfones.

É tarefa árdua, delicada, ainda mais quando exige que o entrevistador não seja, nem pareça mais que o entrevistado. Jornalismo agressivo não se confunde com jornalismo agressor. Barbara Walters, a grande entrevistadora da TV dos Estados Unidos, nunca, jamais, perdeu a linha.

Desde então, porém, há um esforço das próprias emissoras para transformar seus próprios jornalistas em atores, em protagonistas.

Isso nem novidade é. Lou Dobbs, da CNN norte-americana, foi um dos primeiros âncoras a abraçar uma causa. Quando eu morava em Nova York, ouvia as diatribes diárias dele contra “the illegal alliens”, os alieníginas ilegais. Era como se todos os problemas sociais dos Estados Unidos fossem causados pela entrada de imigrantes mexicanos.

Para assumir seu papel de herói da causa, Dobbs mascarava a realidade: os imigrantes ilegais mexicanos arriscavam a vida por dois motivos.

1. Com o acordo comercial fechado com os Estados Unidos, o NAFTA, o milho norte-americano — e outros produtos agrícolas — começaram a invadir o mercado mexicano, destruindo a agricultura local e acelerando a imigração;

2. Os imigrantes ilegais cumpriam um papel, ainda hoje válido nos Estados Unidos, de calibrar para baixo o salário dos trabalhadores norte-americanos, especialmente os do campo.

Dobbs cumpriu direitinho seu papel, de atrair para a CNN telespectadores de extrema-direita.

O compromisso de Bonner, no Brasil, é o de “render” credibilidade para seus patrões como uma espécie de caçador de marajás.

Como escrevi anteriormente, ele faz isso para mascarar a verdade factual de que a Globo apoiou a ditadura militar, interferiu e interfere no processo eleitoral, atribui a si própria o papel de ‘árbitro’ da política brasileira — apesar de ter conspirado contra a democracia — e exerce um monopólio midiático praticamente desconhecido em qualquer parte do mundo.

Bonner é um biombo dos Marinho para evitar que se faça com eles o que uma das mais sólidas democracias liberais do mundo, a do Reino Unido, fez com o magnata Rupert Murdoch. Com apoio da rainha “chavista” Elizabeth.

No plano profissional, se estamos tratando exclusivamente de técnicas de entrevista, Bonner não deveria se preocupar pelo fato de que se formou em Publicidade e Propaganda, não em Jornalismo.

Não devemos ser preconceituosos quanto a diplomas.

Talvez fosse o caso dele revisitar os arquivos da própria Globo, para rever todas aquelas entrevistas que ele fez como repórter de rua e talvez, a partir disso, de forma humilde, reconhecer que é possível melhorar.

Luiz Carlos Azenha
No Viomundo

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Primeiro dia do horário eleitoral


Não surpreendeu muito, as pessoas já esperavam mais ou menos tudo que foi apresentado. A maior surpresa talvez tenha sido o Everaldo.

Vejamos:

PSB. Fez a homenagem óbvia.

Aécio. Fez o previsto de abrir o programa com a morte de Eduardo Campos. Bobo. Mas gostei do percurso pelo mundo da Classe C através da TV. O discurso de Aécio é que não foi grandes coisas, não teve um bom papel...

Dilma. Absolutamente dentro do esperado, um trabalho muito bem feito, consistente. Bem interessante a argumentação em cima de “o segundo turno vai ser ainda melhor”. O encerramento com Lula foi o ponto alto. Deixar a homenagem a Eduardo Campos para o final foi perfeito. E o uso do slogan do PSB, “Não vamos desistir do Brasil”, foi melhor ainda.

Everaldo. Como disse, seu programa foi uma surpresa, porque é um candidato evangélico tradicional e normalmente se espera a reprodução de um daqueles programas que ocupam boa parte do dia a dia das TVs. Além do básico religioso, apontou na direção da “ordem” e do “estado mínimo”. A entrada de Silas Malafaia segura o desvio de votos evangélicos para Marina.

Outros. Parece que se candidataram apenas para bater no governo.

Vamos aguardar os próximos programas, agora com Marina mostrando a que veio.

No Blog do Gadelha

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O pastor Everaldo quer voto, mas topa a parte dele em dinheiro

Ele
O pastor Everaldo é um caso de dízimo eleitoral. Ele quer voto, mas topa a parte dele em dinheiro.

No Jornal Nacional, o candidato do PSC à presidência falou da bolada recebida do PT (4,7 milhões de reais) em troca de apoio em 2010.

Depois de muita enrolação, explicou: “Não é, não é um toma-lá-dá-cá. Nós ficamos decepcionados pela maneira que foi formado o governo, que foi, contrariou os nossos princípios que o PSC defende. Nós defendemos a vida do ser humano, desde a sua concepção. Defendemos a família como está na Constituição brasileira. E vimos que a maneira que foi montado contrariava esses princípios, isso que nos decepcionou”.

Os princípios vão bem, mas, na época, a queixa do pastor era outra. Reclamou que o PC do B, com um deputado a menos, ganhou o Ministério do Esporte e a Agência Nacional do Petróleo, enquanto o PSC não mordeu nenhum cargo.

Não foi a primeira vez em que Everaldo e o dinheiro se encontraram em sua agenda política. Subsecretário de Anthony Garotinho, então governador do Rio, ele esteve envolvido no chamado “escândalo do cheque-cidadão”. 

Era responsável pelo programa, em que 25 mil cheques nominais eram distribuídos a famílias carentes que podiam trocá-los por uma cesta básica em supermercados. Os cheques eram distribuídos em 674 templos e igrejas, dos quais 569 eram, surpresa, evangélicos. “Por que esse pastor Everaldo tem o controle sobre a distribuição dos cheques? O cheque do pastor é dinheiro público”, questionou Brizola na época.

Everaldo foi cabo eleitoral do mesmo Brizola em 1982 e atuou na campanha de Lula em 1989. O PSC esteve com o PT em 2002. Everaldo também deu seu apoio a Manuela D’Ávila, do PCdoB do Rio Grande do Sul.

Hoje se diz a favor da meritocracia, do empreendedorismo, do estado mínimo. Um legítimo liberal. Revelou que, eleito, privatizará a Petrobras. E que todo trabalhador que ganhe até 5 mil reais por mês estará isento do Imposto de Renda na fonte. Lembrando que sua igreja, a Assembleia de Deus, tem isenção fiscal.

O pastor Everaldo aparece na última pesquisa Datafolha com 3%. Não será eleito nem com a ajuda de Deus, mas continuará à venda.

Kiko Nogueira
No DCM
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