8 de fev de 2016

Nos tempos do ‘lulécio': por que a explicação de Aécio para Furnas não cola

Nos tempos do lulécio
A resposta de Aécio Neves à delação do lobista Fernando Moura sobre o fatiamento de Furnas (“um terço nacional, um terço São Paulo e um terço Aécio”) carece de um problema central: é mentirosa.

“Estou sendo alvo de declarações criminosas, feitas por réus confessos e que se limitam a lançar suspeições absurdas, sem qualquer tipo de sustentação que não a afirmação de que ‘ouviu dizer'”, declarou num nota.

Num vídeo postado nas redes sociais e no WhatsApp, foi um pouco mais longe: “Agora um cidadão, um lobista, não sei nem o que fazia, mas faz parte desse esquema, vem em um dos muitos depoimentos com uma novidade: diz que o senador Aécio Neves, imaginem vocês, havia indicado para o governo do PT, o dirigente de uma empresa estatal e que havia se beneficiado de recursos dessa empresa”, reclamou.

“Isso seria algo como quase, por exemplo, o técnico do São Paulo escalasse o time do Corinthians às vésperas da final do campeonato, ou se o do Atlético fizesse o mesmo com o Cruzeiro, ou o técnico do Vasco escalasse o goleiro do Flamengo para a decisão do campeonato carioca.”

É uma história que AN vai tentar negar, mas que está fartamente registrada. Aécio fez aliança com o PT durante o primeiro mandato lulista e criou uma relação de absoluta proximidade. Em entrevista ao 247, o deputado Rogério Correia, do PT de Minas, lembra que a indicação de Toledo por Aécio “quase provocou um racha no partido”.

E ficam as fotos na parede. Entre 2002 e 2006, Minas testemunhou um fenômeno político que ficou conhecido como “lulécio”. Votava-se em Lula para presidente e Aécio para governador.

Em 2005, quando estourou o mensalão, ele frisou que “o presidente tem uma história que merece o nosso respeito. O presidente Lula não é o presidente Collor”.

Um ano mais tarde, tendo Geraldo Alckmin como candidato do PSDB, Aécio disse o seguinte: “É muito difícil você disputar a eleição não contra um candidato, mas contra um mito. O Presidente Lula tem uma história de vida pública que cala fundo no sentimento de muitos brasileiros e acho que é a força dessa sua história o instrumento mais vigoroso para que ele esteja hoje, apesar de todas as denúncias, apresentando condições de vitória.”

Em 2010, com Serra na parada, ele insistiu que Lula “é algo diferente. É um fenômeno para ser analisado no futuro. Porque ele independe do êxito do seu governo para ter uma grande avaliação por parte da população. Outro dia me perguntaram se eu faço alguma comparação por ter índices parecidos aqui em Minas. Eu dizia que é muito diferente. Porque o Lula por si só já é este fenômeno. Ele é a representação, no imaginário das pessoas, da ascensão social que qualquer cidadão gostaria de ter”.

Mais: “Eu sou amigo do Lula. Tenho uma relação com o Lula que começa muito antes de ele imaginar ser presidente. Talvez ele próprio já imaginava, mas eu não imaginava que ele seria presidente. E eu tampouco pensava em ser governador. Conheço ele deste a Constituinte. Lula era um reserva de luxo do meu time. Ele era um lateral esquerdo que só deixava entrar no segundo tempo. Tenho com ele uma relação de amizade. Lula é um sujeito que gosta da vida. Eu tenho essa afinidade com ele. É sujeito de bem.”

O que mudou? As circunstâncias. O problema é tentar editar o passado.

Para ficar nas metáforas futebolísticas, Aécio vai ter de caprichar mais um pouco para convencer sua torcida. Se ele tinha Lula como lateral esquerdo de seu time, não faz sentido alegar agora que o técnico do São Paulo estava escalando o Corinthians etc.

Furnas voltou definitivamente para lhe assombrar e pode atirá-lo na segunda divisão.





Kiko Nogueira
No DCM



‘Indicação de Dimas por Aécio quase rachou o PT’


A indicação do nome de Dimas Toledo para a diretoria de Furnas pelo senador Aécio Neves (PSDB-MG), logo após as eleições de 2002, quando Luiz Inácio Lula da Silva foi eleito presidente, quase causou um racha no PT, contou ao 247 o deputado estadual Rogério Correia (PT-MG), que à época era líder da bancada do partido em Minas.

Aécio nega a indicação sob o argumento de que não teria como ter influência para apresentar nomes em um governo petista, uma vez que fazia parte da oposição. Seria como se "o técnico do São Paulo escalasse o time do Corinthians", disse o tucano em um vídeo postado no Facebook na última semana, em que anunciou que processaria o lobista Fernando Moura, que o acusou de coordenar um esquema de propina na estatal em delação premiada na Lava Jato.

"Ora, ele nunca foi técnico de um time só, sempre vestiu duas camisas", rebateu Rogério Correia, confirmando que o senador teria, sim, influência para indicar o diretor de Furnas. Segundo o petista, a aceitação, pelo governo, do nome de um tucano em detrimento do PT quase causou um racha na legenda estadual. Correia lembra do movimento "Lulécio", de 2006, e diz que foi um dos que "mais se revoltou".

"O PT do sul de Minas ficou indignado. Isso é segredo de polichinelo em Minas", acrescentou o deputado em referência à indicação de Toledo por Aécio. "Ele é muito cara de pau de dizer que não foi ele", afirma. Aécio foi acusado pelo lobista Fernando Moura de receber um terço do montante de toda a propina que corria no esquema de Furnas — outro terço iria para o PSDB nacional e outro, para o de São Paulo.

O deputado do PT, que já foi por mais de uma vez à Procuradoria Geral da República levar documentos que segundo ele comprovam o esquema de Furnas e o envolvimento de Aécio, diz que "não falta absolutamente nada" para se começar a investigar o caso. "Eu até estou dizendo que se não se investigar Furnas, é pecado. O Aécio nem rezando um terço ele sai dessa. Porque tem toda a documentação necessária para isso", afirmou.

De acordo com o petista, Furnas "já foi comprovada de diversas formas, sendo uma delas através da lista, que foi periciada". "Um jornalista quase morreu, eu quase tive o mandato cassado, mas a lista foi examinada pela perícia da polícia e deu como autêntica. Só isso já era mais do que suficiente", defende.

Antes da divulgação da lista citada por Correia, o deputado lembra que a procuradora da República no Rio Andrea Bayão Ferreira já havia feito uma investigação e concluído que havia propina na estatal. Em 2012, ela denunciou Dimas Toledo, então ex-diretor de Planejamento, e um grupo de políticos e empresários acusados de participarem do esquema de recebimento de propina - os nomes da lista.

Depois, destaca o deputado, o doleiro Alberto Youssef faz a denúncia de que Aécio recebia uma mesada de R$ 100 mil vinculada à empresa Bauruense, subcontratada de Furnas. E agora a nova revelação do delator Fernando Moura, dizendo que o senador ficaria com um terço do dinheiro. Para o tucano, a inclusão de seu nome na investigação é uma forma de envolver a oposição e seu partido, o PSDB, no escândalo da Petrobras. Correia rebate o argumento usado por Aécio, sustentando que "antes de petrolão" ele "já denunciava Furnas".

"O crime é antes do petrolão. O problema é que nunca ninguém quis apurar", afirma. Segundo ele, o senador conseguiu "fugir" de investigação até agora porque "comprou a imprensa" em Minas e chegou a "mandar cassar mandatos". Sobre a informação de que Aécio irá processar Fernando Moura, o deputado provoca: "Por que ele nunca processou o Dimas Toledo? Porque é bandido dele".

No 247
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Tucanos são famintos por merenda escolar — Parte 10

Empresa ligada a deputado do PMDB é suspeita na máfia da merenda


A empresa contratada para a construção de um centro de distribuição da Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar (Coaf), em Bebedouro, pertence ao empresário Gustavo Spido, que fez dobradinha com o presidente do PMDB estadual, Baleia Rossi, nas eleições de 2014. A obra, que recebeu repasse de R$ 384 mil do governo do Estado — de um contrato no valor total de R$ 1,2 milhão assinado em 2013 com a cooperativa — está paralisada.

A Coaf foi o alvo principal da operação Alba Branca, do Ministério Público Estadual e da Polícia Civil, que apura superfaturamento de preços e pagamento de propina em contratos da merenda escolar.

Durante a investigação, Baleia Rossi foi apontado como um dos beneficiários do esquema. Spido concorreu a deputado estadual em 2014, mas não se elegeu — na mesma eleição, Rossi foi eleito deputado federal.

O empresário foi citado como suposto destinatário de R$ 200 mil que, segundo um dos presos na operação, Adriano Miller Gilbertoni Mauro, seriam, na verdade, para Baleia Rossi. Conforme Mauro, o próprio presidente da Coaf, Cássio Chebabi, teria se reunido com o peemedebista para entregar o dinheiro, mas voltou com a recomendação de que fosse entregue a Spido, o que também não ocorreu. Nessa época, o empresário estava em campanha ao lado de Baleia.

Spido disse que a declaração de Mauro não tem fundamento, mas está sendo usada politicamente por adversários. “A única relação que tive com a Coaf se dá pelo fato de minha empresa (Spido Engenharia) ter sido subcontratada por uma construtora para desenvolver a estrutura metálica e instalações elétricas do packing-house, em área concedida pela prefeitura à cooperativa.”

A Coaf obteve da prefeitura a doação de uma área de 10 mil metros quadrados. Para custear a obra, o governo Geraldo Alckmin (PSDB) aprovou a liberação de R$ 800 mil pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento, por meio do projeto Microbacias II, com recursos do Banco Mundial. Para completar o custo de R$ 1,2 milhão, a Coaf entraria com outros R$ 400 mil.

Suspenso

O Estado chegou a liberar aproximadamente 49% (R$384 mil) do valor, mas suspendeu o repasse após a investigação sobre as fraudes na merenda virem à tona. A diretoria interina da Coaf afirma que a cooperativa chegou a aplicar R$ 200 mil, mas passou a atrasar as contraprestações.

Segundo Spido, pelo contrato assinado com a construtora, a obra deveria durar 55 dias, mas em função das dificuldades da Coaf para honrar os pagamentos, o prazo acabou se prorrogando. A obra está parada e não há previsão de conclusão. Spido afirma que passou a fazer contato com a cooperativa na tentativa de receber o crédito de R$ 150 mil.

O empresário faz oposição ao prefeito Fernando Galvão (DEM) e se anuncia como pré-candidato à prefeitura nas eleições municipais de outubro. Segundo ele, o prefeito é que deve explicar os contratos da merenda escolar com a Coaf. “A prefeitura de Bebedouro foi a primeira a entrar na lista das investigadas”, disse.

A força-tarefa do MP e Polícia Civil envolvida na operação esteve no prédio da prefeitura e apreendeu documentos e arquivos de computadores. A ação teve origem em depoimento do ex-colaborador da Coaf, José Roberto Fossaluza Júnior, que apontou o então diretor de Compras e Licitação do município, Paulo Sérgio Garcia, como a pessoa que negociava contratos da prefeitura, supostamente superfaturados, com o então presidente da Coaf.

Disputa

Garcia, que atualmente chefia o gabinete da prefeitura, disse que seu nome foi citado por vingança, por ele ter se negado a reconhecer a autenticidade de certidões apresentadas por Fossaluza para obter um empréstimo. “Ele saiu daqui dizendo que ia me prejudicar, logo depois prestou o depoimento à polícia envolvendo meu nome.”

Fossaluza não foi localizado pela reportagem. O prefeito informou que os contratos com a Coaf foram regulares.

A reportagem não localizou ontem Baleia Rossi, que nega envolvimento com a chamada “máfia da merenda”. Na sexta-feira, ele disse que trata-se de uma disputa política local. “É uma briga local, pois apoio o Spido.”
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7 de fev de 2016

As varejeiras, os vermes e a massa putrificada

Nos anos 60 um velho amigo professor de história com nome de atleta, Ademar Ferreira, tinha um projeto pedagógico para aulas de história. Já então percebia que o currículo da matéria, tal como aplicado, só serve para desestimular o aprendizado da matéria pelo aluno.

Quantos alunos já não injuriaram Tiradentes pela nota baixa por na prova terem confundido a data do seu enforcamento com a do Grito do Ipiranga? E os professores sádicos que descompõem um aluno mal quisto por algum preconceito apenas por responder que o Brasil foi descoberto em 21 de abril, sendo que o Monte Pascoal só foi avistado em 22? Qual a importância para o futuro da vida do garoto se a República foi proclamada em 1888 ou 1889? Algum professor ao menos explica que o segundo evento se deu por golpe da elite escravocrata insatisfeita com a Lei Áurea?

Se houvesse essa explicação provavelmente aqueles futuros adultos não teriam se tornado integrantes dessa sociedade vergonhosamente racista que indignou um turista alemão ao ser informado sobre o espancamento até a morte de um pacífico emigrado do Haiti. Pacífico e considerado por seu patrão como muito trabalhador e honesto, como é comum acontecer com todos os que contratam os trabalhos de haitianos que no Brasil buscam melhores condições de sobrevivência do que as se oferecem naquele país onde esteve Cristóvão Colombo em 1492 e menos de um século depois os colonizadores espanhóis já haviam exterminado toda a população nativa.

O turista alemão não tem a menor ideia de que em 1794 uma revolta de escravos fez do Haiti o primeiro país do mundo a abolir a escravidão. Tampouco que naquele mesmo ano os franceses dominaram aquela parte da Ilha Espanhola e em 1801 assassinaram o governador geral que eles mesmos haviam colocado para conter a crescente insatisfação da população sequestrada da África pelos primeiros colonizadores. E o rapaz também não sabe que em consequência daquele crime a indignação dos haitianos recrudesceu e três anos depois, em 1804, o Haiti se tornou o segundo país independente das Américas.

O alemão ignora que em represália a Europa e Estados Unidos impuseram bloqueio comercial ao Haiti por 60 anos, obrigando o país a pagar indenização por sua independência. Brasil e Haiti foram os únicos países das Américas a indenizarem seus colonizadores por terem se negado a continuar submetidos à espoliação de seus potenciais naturais e do esforço de seus povos, com a diferença de que os caribenhos só o fizeram por terem sido coagidos.

E assim se deu origem da miséria haitiana alimentada por golpes de estado contra 16 dos 20 presidentes da história do país, depostos ou assassinados. Mas o alemão também não sabe que entre 1915 e 1934 o Haiti foi ocupado pelo exército estadunidense com o assumido e declarado objetivo de proteger exclusivos interesses do próprio Estados Unidos. Ou que em 1957 os EUA tenha imposto aos haitianos uma das mais longas e sanguinárias ditaduras de toda a história, a de François Duvalier, o mundialmente famigerado Papa Doc. Tampouco que a população haitiana foi mantida sob o terror imposto pelos tonton-macoute, a polícia do tirano apoiado pelos EUA, até 1986 quando o filho e sucessor hereditário do ditador, falecido em 1971, simplesmente abandonou o país carregando malas com milhões de dólares levados para a França.

Aquele jovem alemão deve ignorar inclusive os fatos mais recentes sobre o Haiti, como o retorno de Baby Doc à Porto Príncipe em 2011, após o terremoto, alegando que pretendia ajudar seu povo entre o qual durante seu governo e o do pai se aferiu o maior índice de analfabetos do mundo. Em 2013 Baby Doc foi julgado e em 2014 condenado por crimes contra a humanidade, mas morreu naquele mesmo em decorrência de um ataque cardíaco, deixando como viúva milionária a mulher com que se casou em 1980 numa comemoração que custou aos cofres públicos do país mais miserável do hemisfério ocidental a quantia de US$ 5 Milhões.

Provavelmente o alemão ignore que com a realização da primeira eleição democrática do Haiti em 1991, foi empossado à presidência o padre salesiano Jean-Bertrand Aristide ligado à Teologia da Libertação. Deposto naquele mesmo ano por acusações nunca comprovadas formuladas pela AT&T, empresa estadunidense de telefonia, Aristide exilou-se no próprio Estados Unidos tentando convencer ao governo daquela maior potência econômica global a dar uma chance ao mais pobre país das Américas. Cedendo às exigências norte-americanas finalmente Aristides conseguiu o apoio de seus algozes, incomodados pelo grande número de haitianos que emigravam para os EUA, inclusive em quantidades muito maiores e condições tão precárias quanto as tão exploradas e difundidas ocorrências com cubanos. No caso dos haitianos, apesar das centenas de mortes no oceano, os fatos foram omitidos, mas a realidade obrigou aos EUA o envio de uma força de paz para controlar o desespero da população.

O desembarque das tropas dos EUA foi impedido pela população haitiana, mas novas eleições reconduziram Aristide à presidência em 2001. Em 2004 os tonton-macoute, o ISIL do Haiti, tomaram o norte do país e ameaçaram invadir a capital Porto Príncipe onde se preparava a resistência pró-Aristide que, no entanto, foi retirado do país contra sua vontade pelas forças estadunidenses. Exilado na África do Sul ainda hoje, por não ter renunciado e sim ter sido sequestrado de seu país, Jean-Bertrand Aristide se afirma legítimo presidente do Haiti .

Nessa última intervenção norte-americana enfim a ONU também interveio designando uma força de paz para controlar o país. A força de paz da ONU não é comandada pelos EUA, mas pelo Exército Brasileiro. Daí o motivo dos haitianos se sentirem atraídos para cá em busca de trabalho.

Talvez a única informação que o turista alemão realmente tenha sobre os haitianos é a de que em 2010 perderam o pouco do que Europa e Estados Unidos não destruíram de suas vidas para um terremoto. O pouco que restou do criminoso e genocida saqueio de 5 séculos foi derrubado por um terrível terremoto que atingiu o pico da escala Richter.

No entanto, por mais que aquele rapaz alemão soubesse do Haiti nada diminuiria minha vergonha e constrangimento quando pediu para lhe explicar a razão de alguns jovens da tão europeia Santa Catarina terem espancado um trabalhador haitiano até a morte. Sobretudo porque em sua indignação se evidenciava ter pleno conhecimento do que muitos brasileiros ainda não sabem: independente de procedências e matizes de epiderme as pessoas, os cidadãos, não são meras efemérides. Uma nação não é uma somatória de datas.

Aquele jovem alemão sabe que uma nação e seus nacionais, seus cidadãos, resultam da história de vida de cada um que tenha contribuído para sua evolução social, natural ou proveniente de onde quer que seja.

Isso aquele jovem alemão sabe com toda e tanta clareza que não podia entender como que em um país, que até então acreditou moderno e civilizado, se espanca um ser humano até a morte.

Como explicar o inexplicável até mesmo para alguém procedente de um país onde ainda há menos de um século se praticou a mesma barbárie contra cidadãos que seguiam outra crença religiosa? Nem tentei a comparação porque totalmente atônito o rapaz afirmava ter imaginado que europeus fossem mais racistas do que brasileiros.

O que dizer? Que hoje há mais nazistas no Brasil do que houve na Alemanha dos anos 40?

O que dizer? Que na verdade, afora os indígenas, todos brasileiros provem da miséria e guerras de países como Portugal, Espanha, Itália, Polônia, Japão, Síria, Ucrânia, Armênia, Líbano, etc.? E até mesmo de sua Alemanha?

Para que não imaginasse que em maioria sejamos tão bárbaros quanto os assassinos do trabalhador haitiano, apenas me ocorreu informá-lo sobre o aferido no último censo realizado no país que nos indica como uma população com ampla maioria de afrodescendentes, seguida de várias minorias: indígenas, asiáticos, árabes e uma significativa parcela daqueles que durante vários séculos fugiram da miséria da Europa e aqui encontraram um país construído pela mão de obra escrava dos africanos e seus descendentes. Não foi essa a intenção, mas deixei o alemão ainda mais confuso e atônito.

Confesso que eu mesmo me sinto confuso e atônito com este Brasil de nossos dias, mas pela chamada rede social recentemente recebo um comentário que pode explicar exatamente o que acontece com nossa gente para descermos a tal nível de barbarismo e inconsciência social. O comentário é um desses tantos improcedentes especialistas criados aos borbotões pela mídia brasileira transformada em criadouro da verminose que tem corroído tantos cérebros incapazes de produzir raciocínios minimamente coerentes e completos.

Resolvi dissecar estes cérebros em tentativa de entendê-los e o que empiricamente observo é que quando o verme é introduzido a vítima experimenta um espasmo que entende como insight, mas é uma percepção estimulada que a faz acreditar como reação pessoal, própria.

Da secreção provocada por esse espasmo é que o verme colherá seu primeiro alimento enquanto se introduz pela massa cerebral inerme, aquecendo-se e inchando nos coágulos obstrutores da circulação de neurônios. O cérebro morto e intumescido já não se suporta e se alivia transferindo o berne à outros cérebros esclerosados que encontre e o ciclo se reproduz.

Depois do desovar da bicheira à outro, o cérebro vetorial estará predisposto a receber nova larva a ser inseminada pela profusão de especialistas de fancaria criados e mantidos pelas dezenas, talvez centenas de focos da praga. E dos jornais, revistas e programas de TV se difundem também pela internet e outros tantos meios de comunicação que encasulam parte da população do país envolvendo-a com filamentosas e permanentes secreções diárias, cotidianas.

Como varejeiras esses “especialistas” esvoaçam por qualquer assunto e seus vermes são repassados a qualquer pretexto. Não imagino qual tenha o utilizado para a postagem, mas me possibilitou a oportunidade de observar a ação de um desses insetos em pleno voo, ao comentar as propostas do Ministério da Educação para o ensino de história, de certa forma coincidentes com os projetos revelados pelo Ademar Ferreira, lá na década de 60.

O argumento de Ademar Ferreira era plausível porque partia de sua observação do natural comportamento de crianças e adolescentes em sala de aula, enfarados com informações sobre acontecimentos de séculos atrás sem nenhuma aparente relação com o que vivem no momento, com os fatos que cotidianamente experimentam e os comove, pelos quais são inadvertidamente ou conscientemente afetados.

Não apenas crianças e adolescentes, mas ao próprio alemão já na maturidade de sua juventude, seria estupidez explicar-lhe o linchamento do haitiano em Santa Catarina a partir do golpe à Dom Pedro II ou à estada de Colombo naquela parte ocidental da Ilha Espanhola a que os franceses chamaram de “Perola do Caribe”. Antes da metade do relato o alemão deduziria que a pretensa explicação sobre a barbárie brasileira não seria mais nada do que mera enrolação para escapar de assunto constrangedor. E é exatamente isso o que faz as crianças e adolescentes dos bancos escolares desconfiarem das aulas de história, tornando-os infensos à matéria.

Pois não é o que deduz o pretenso “especialista” celebrizado pela mídia como historiador com o nome de Marco Antônio Villa. Segundo ele o que MEC pretende é promover uma segunda Revolução Cultural ainda mais radical do que a realizada por Mao Tse Tung na China na década de 60. São palavras textuais do dito historiador que para garantir a introdução do verme depositado, aprofunda-o um pouco mais em massas putrefatas afirmando que nem a União Soviética tivera coragem para uma mudança tão drástica na base curricular.

Pronto! Somente com este parágrafo a varejeira já obteve o relaxamento das fibras da massa encefálica de seus leitores onde depositará suas larvas, apesar de tencionar a de qualquer outro cérebro em atividade normal e minimamente atualizado sobre o sistema nacional de ensino, ciente de que desde que criado nos anos 30, no início do governo Getúlio Vargas, as bases curriculares dos níveis fundamental a médio são aferições e resoluções didáticas de Secretarias Estaduais e Municipais assistidas pelos Conselhos Estaduais de Educação, criados em 1961.

Justamente esse desconhecimento do “especialista” é o que chama a atenção para o voo da mosca verde, sugerindo o acompanhamento da evolução da larva que chega a comparar as propostas do MEC com a Revolução Cultural Chinesa por propor a análise da "pluralidade de concepções históricas e cosmológicas de povos africanos, europeus e indígenas relacionados a memórias, mitologias, tradições orais e a outras formas de conhecimento e de transmissão de conhecimento.", das “relações entre esses movimentos e as trajetórias históricas dessas populações, do século XIX ao século XXI”.

Todo o destacado em negrito foi retirado do indignado texto do “especialista” que leva o título de “A REVOLUÇÃO CULTURAL DO PT”, onde comenta as propostas curriculares do MEC para o primeiro ano do ensino médio, como “sanha anticivilizatória”. Portanto se entenda e não se confunda: no parecer de Marco Villa o acima destacado é anticivilizatório.

E segue deduzindo que por não prever aos garotos e garotas de 11 ou 12 anos informações sobre a Idade Média, se denota que o MEC, o governo e o PT “odeiam também a História Medieval... a expansão do cristianismo e seus reflexos na cultura ocidental, o mundo islâmico, as Cruzadas, as transformações econômico-políticas, especialmente a partir do século XI. O Renascimento — em todas as suas variações — simplesmente ignorado. Parece mentira, mas, infelizmente, não é. Mas tem mais: a Revolução Industrial não é citada uma vez sequer, assim como a Revolução Francesa ou as revoluções inglesas do século XVII.”

Embora os pais desses garotos não tenham a menor lembrança de terem estudado algo a respeito desses assuntos históricos tão caros ao Villa no primeiro ou em qualquer outro do ensino médio, não dormirão de tão preocupados com a impossibilidade de seus filhos sobreviverem civilizadamente sem tais informações. Mas o “especialista” prossegue em seu arrazoado lamentando que pelo ”apagamento da História, ao estilo Ministério da Verdade de "1984," não perdoou a história dos Estados Unidos”

Sequer a história dos Estados Unidos! Como é que o MEC pretende que os filhos de brasileiros sejam brasileiros se não se prevê o ensino da história dos Estados Unidos?

O que faz ao invés disso? Responde o “especialista” indignado pela pretensão do MEC em: “valorizar e promover o respeito às culturas africanas, afro-americanas (povos negros das Américas Central e do Sul) e afro-brasileiras, percebendo os diferentes sentidos, significados e representações de ser africano e ser afrobrasileiro.”

E não para por aí! Marco Villa denuncia o evidente panfletarismo escancarado quando pretende "problematizar as juventudes, discutindo massificação cultural, consumo e pertencimentos em diversos espaços no Brasil e nos mundos europeus e asiáticos nos séculos XX e XXI. Ou quando propõe "relacionar as sociedades civis e os movimentos sociais aos processos de participação política nos mundos europeus e asiáticos, nos séculos XX e XXI, comparando-os com o Brasil contemporâneo."

Sem papas na língua o intrépido “especialista” denuncia o nome do criminoso autor deste projeto apresentado em “documento recheado de equívocos, exemplos estapafúrdios, de panfletarismo barato, de desconhecimento da História.”: Ninguém menos do que o ex-ministro da educação Renato Janine Ribeiro.

Quem é Renato Janine Ribeiro perto de Marcos Villa, um especialista da mídia brasileira?

Recorremos ao verbete no Wikipédia, aqui em substancial resumo:

Renato Janine é um filósofo brasileiro conhecido sobretudo por seus trabalhos sobre o pensador inglês Thomas Hobbes, acerca da cultura política nas “sociedades ocidentais dissidentes” (entre as quais inclui o Brasil e a América Latina). Desde 1993, é professor titular de Ética e Filosofia Política da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (FFLCH), onde começou a lecionar em 1975, tendo-se afastado do exercício deste cargo em 2004 para assumir a Diretoria de Avaliação da Capes.

Concluiu o curso universitário de filosofia na USP. Fez mestrado na Universidade de Paris I (Sorbonne), em 1973, sob orientação de Pierre Burgeline. De volta ao Brasil, concluiu o seu doutorado pela USP, sob orientação de Luiz Roberto Salinas Fortes.

Participa da política científica brasileira, tendo sido membro da Diretoria e do Conselho da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), do Conselho Deliberativo do CNPq. Concorreu em 2003 à presidência da SBPC, na única eleição da entidade em que três candidatos disputaram esse cargo, perdendo por um por cento dos votos.

E o que é Marco Villa? Também recorremos a mesma Wikipédia, eliminando apenas quatro ou cinco parágrafos por onde se reproduzem suas opiniões pessoais sobre o PT que suprimimos por não vir ao caso do que aqui se aborda, embora denotem o tipo de especialidade imprescindível para alguém ser promovido a especialista de alguma coisa pela mídia brasileira.

Marco Antonio Villa (São José do Rio Preto, 25 de maio de 1955) é um historiador brasileiro, mestre em Sociologia e doutor em História Social pela USP (1993). Professor aposentado da Universidade Federal de São Carlos, atualmente publica comentários e análises em seu blog, chamado "Blog do Marco Antonio Villa". Faz parte da bancada do Jornal da Manhã, na Rádio Jovem Pan. Participa semanalmente da segunda edição do Jornal da Cultura, apresentado por Willian Corrêa, integrando a bancada como comentarista, ao lado do ex-deputado Airton Soares.

Aparentemente a “especialidade” de Marco Villa não seria suficiente para explicar ao turista alemão o motivo do assassinato do trabalhador haitiano em Santa Catarina, mas para cérebros em plena atividade a relação é evidente e bastante esclarecedora. E se torna mais notável através da insuficiência cerebral de quem a postou, tratando-se de alguém que para convencer-se como professor de lógica reproduz parágrafos inteiros dos mais conhecidos pensadores, como Friedrich Nietzsche, tentando se passar como autor do que copiou, embora também demonstre desconhecer as muito típicas e afamadas contradições do filósofo.

O estado de putrefação cerebral ideal para a ovulação da varejeira se realça tanto por vaidosamente assumir esconder-se atrás de uma coleção de pseudônimos quanto por sentir-se invejado pelo que considera como “comunistas brasileiros”, por ser proprietário de imóvel em uma praia de Manhattan.

O estertor cerebral convulsiona-se a cada postagem, sempre que estimulado pela deposição de larvas de uma varejeira, e apesar de escrever em português escorreito e demonstrar-se atualizado às mínimas bobagens publicadas na mídia brasileira, tenta afirmar-se como cidadão estadunidense chegando a se descrever orgulhosamente como loiro de olhos azuis.

Ao jovem alemão, realmente loiro, tais demonstrações pareceriam sumamente ridículas, mas salvo se for um adolescente, aos brasileiros se confirmam doentias. No entanto a explicação sobre a relação entre essa frustração existencial e o linchamento do haitiano até a morte só pode ser encontrada num Marco Antonio Villa e demais varejeiras especialistas que esvoaçam e zunem pela mídia do país.

Felizmente os veículos de comunicação e a própria internet ainda não conseguem transmitir o mau cheiro, mas as varejeiras da mídia independem do odor de putrefação para descobrir onde depositar seus ovos.

Raul Longo
(com a colaboração escatológica de Marco Antonio Villa)
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Alckmin, Serra e a implosão do PSDB

Bem que a mídia oposicionista tentou difundir a imagem de um ninho de paz e harmonia, com todos os tucanos unidos e felizes em torno de objetivos comuns: "sangrar" Dilma, "matar" Lula, "extinguir" o PT e paralisar o Brasil. Mas a farsa não durou muito tempo. Foi só a bandeira do impeachment cair em desuso — com a desmoralização do fiel aliado Eduardo Cunha, a retração das marchas golpistas e a resposta enérgica dos movimentos sociais nas ruas contra o golpismo — para o PSDB confirmar a sua fama de um partido rachado, sem rumo e sem projeto. Uma matéria de Mônica Bergamo, na Folha de quinta-feira (4), evidencia a gravidade da crise tucana, que pode até resultar na implosão da sigla.

FHC aconselha Alckmin a 'pegar leve' em disputa interna do PSDB em SP

Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP) tentou convencer recentemente o governador de SP, Geraldo Alckmin, a "pegar leve" na disputa interna do PSDB para definir o candidato do partido a prefeito da capital. 

FHC afirmou a Alckmin que seria importante não radicalizar a disputa, para não rachar o partido. Argumentou que é importante a legenda estar unida para apoiar a candidatura de um paulista à Presidência da República em 2018 — Alckmin está no páreo

Os apelos não surtiram nenhum efeito: dias depois, Alckmin entrou de vez na campanha de João Dória Jr., que disputa as prévias municipais no dia 28. A missão dele é derrotar Andrea Matarazzo, candidato de FHC e especialmente de José Serra. 

Segundo interlocutores de Alckmin, ele está "enfurecido" com FHC e Serra, por entender que seria dele, governador, a primazia de escolher o candidato a prefeito. Entende que os outros tucanos querem isolá-lo. Publicamente, os três seguem se dando às mil maravilhas.

Informações e análises que chegaram ao Palácio dos Bandeirantes indicando que Serra pode ter participado da articulação que resultou na entrada de Marta Suplicy no PMDB e no lançamento dela como candidata ajudaram a azedar o clima. 

Segundo essa abordagem, José Serra teria interesse no movimento da ex-prefeita para ter alternativa caso Andrea Matarazzo não vingue como candidato. A engenharia serviria às ambições de Serra de concorrer à Presidência. Ele amarraria desde já o apoio, em São Paulo, do PSD de Gilberto Kassab e do PMDB de Marta Suplicy.

O grupo de Alckmin prepara contra-ataque em caso de derrota de Dória: atrair Celso Russomanno para o PSB. A legenda, aliada do governador, lançaria o apresentador candidato a prefeito e não apoiaria Matarazzo caso ele vença as prévias. Já há conversas com o PRB, atual partido de Russomanno.


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Já neste domingo (7), o jornalista Elio Gaspari, que adora os porões e os bastidores, jogou mais lenha na fogueira de intrigas do PSDB. "O governador Geraldo Alckmin está fritando seus adversários no PSDB paulista num forno de micro-ondas, sem barulho. Para o bem e para o mal, a frieza de Alckmin entrará para a história da política nacional. Ele se tornou o brasileiro que, pelo voto, por mais tempo ocupou o governo de São Paulo, mas faz de conta que chegou ontem de Pindamonhangaba".

Outra notinha apimentada foi publicada na revista Época, da famiglia Marinho, na quarta-feira (3):

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A menos de um mês do primeiro turno das prévias do PSDB, que escolherá o candidato da legenda para disputar a prefeitura de São Paulo, Geraldo Alckmin se aproxima ainda mais do empresário João Dória. Na terça-feira, esteve com ele num posto de gasolina numa região movimentada da capital paulista. Quando Dória fez o gesto de pagar o café de alguns militantes que os acompanhavam, Alckmin afirmou: 'Deixem o João pagar hoje porque depois ele vai ser candidato e não pode pagar mais nada'. Dória também costuma se gabar por conversar com Alckmin com uma frequência maior que seus adversários. 

Os concorrentes de Dória na prévia — o vereador Andrea Matarazzo e o deputado federal Ricardo Tripoli — não gostam da aproximação de Alckmin com Dória por acharem que o governador deixa a neutralidade de lado e divide o partido com essa postura. No começo da semana, no entanto, o senador José Serra gravou um vídeo em que pede votos da militância tucana a Matarazzo. Tripoli, por sua vez, encontra apoio no presidente do Instituto Teotônio Vilela, José Aníbal, e no deputado federal Bruno Covas.

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Inúmeros analistas políticos afirmam que o PSDB está próximo da implosão. Há especulações sobre a saída do governador Geraldo Alckmin, que se travestiria de "socialista" para se filiar no PSB, e até de José Serra, o eterno candidato, que mantém sólidas pontes com o PMDB. Além das sangrentas bicadas em solo paulista, ambos estariam incomodados com o domínio imposto pelo mineiro Aécio Neves no comando da legenda. 

Os mais maldosos até desconfiam das recentes denúncias de corrupção contra o governador de São Paulo, o amigo dos ladrões da merenda escolar, e contra o santo de Minas Gerais — o do terço de Furnas. Eles se recordam dos destrutivos dossiês tucanos. Até o momento, José Serra acompanha a briga no ninho — ou no lamaçal — à distância.

Altamiro Borges
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5 Broken Cameras — 5 Câmeras Quebradas



Para legendas em português, clicar no botão no canto inferior direito do vídeo.

5 Broken Cameras, o primeiro documentário palestino nomeado para um Oscar, dá uma esmagadora representação da injustiça e da brutalidade em grande escala contra os residentes de uma aldeia chamada Bilin na Cisjordânia. Os colonos israelitas exultam de poder quando se mudam para os novos apartamentos nos cumes vizinhos a Bilin, colonatos em terras roubadas aos camponeses de Bilin. Não só os habitantes de Bilin são cruelmente atacados e oprimidos, como até mesmo as oliveiras que lhes restam são queimadas por colonos insolentes ou arrancadas pelo exército usando máquinas de construção blindadas.

Com início em 2005 e filmando ao longo de um período de cinco anos com uma sucessão de cinco máquinas de filmar danificadas uma após outra por soldados ou colonos israelitas, Emad Burnat, um camponês tornado cineasta amador, documentou os protestos contra os confiscos de terras pelo governo israelita e a construção do muro que ocupa as suas terras cultivadas e os irá separar delas. Apesar do grande risco pessoal, ele continuou a filmar com um sentimento de obrigação moral para com o seu povo e o desejo de alertar o mundo sobre a luta para salvar a sua terra. Em 2009, Burnat conseguiu o auxílio do ativista e realizador israelita Guy Davidi para o ajudar a fazer o filme.

O filme ganhou muitos prêmios mundiais, na Europa e nos EUA e no Festival de Cinema de Sundance. Que este documentário não tenha ganho um Oscar não é surpreendente num clima em que foi o filme de características reacionárias Argo que recebeu o prêmio de melhor filme do ano. Apesar de ter um convite oficial para assistir à cerimônia dos Prêmios da Academia, quando Emad Burnat, a esposa e o filho mais novo Gibreel chegaram a Los Angeles, foram detidos e quase deportados pelos agentes norte-americanos de imigração antes de o realizador Michael Moore ter intervindo e chamado os advogados da Academia.

O filme é contado em cinco episódios, cada um correspondendo à vida de uma máquinas de filmar. O crescimento ao longo de cinco anos do seu recém-nascido filho Gibreel é justaposto à luta da aldeia liderada pelos dois melhores amigos de Emad. Ambos são decididos e todos são corajosos. Gradualmente, começamos a compreender o complexo pensamento de muitos dos residentes da aldeia à medida que eles evoluem através desta experiência. Conseguimos conhecer vários deles bastante bem. Este filme não é apenas uma coleção de filmagens; tem um poderoso ritmo dramático e uma evolução dos personagens.

Um dos aldeãos, Phil, um homem alto afetuosamente chamado de elefante pelas crianças, usa o humor para manter a moral e a unidade dos aldeãos que resistem face a humilhações, gás lacrimogêneo, balas de borracha e balas reais. Ele salienta frequentemente que estes protestos específicos são não violentos e apelam aos soldados israelitas na base da humanidade deles. «Somos todos primos», diz-lhes ele.

Apesar disso, os soldados executam inexoravelmente as ordens de cumprimento de uma estratégia israelita projetada para esmorecer a vontade de resistir dos aldeãos através do desgaste — o quebrar de ossos e rostos, a destruição de casas e, de vez em quando, a tomada de vidas. O exército não tenta matar toda a gente, mas sim mostrar que o preço pela recusa a se submeterem é mais alto do que qualquer um possa estar disposto a pagar. A não-violência de Phil e as tentativas de encontrar pontos de convergência com os soldados não alteram isto.

A luta afeta enormemente o filho de Emad, Gibreel. Quando era criança, algumas das primeiras palavras dele foram exército, cerco e bala. Emad diz que a melhor forma de proteger o filho, apesar da profunda preocupação com a segurança de Gibreel, é ele compreender como é realmente o mundo e a vulnerabilidade das vidas humanas. Quando um dos adultos favoritos de Gibreel é morto pelos soldados, ele fica profundamente transtornado e pergunta ao pai porque é que os soldados agem da forma como o fazem, e sobretudo o que se pode fazer em relação a isso. A audiência não pode deixar de fazer a mesma pergunta.

Em 5 Câmeras Quebradas, testemunhamos os soldados a chegar à noite à aldeia e a prender crianças de 12 e 13 anos e a arrastá-los para a prisão entre os protestos das famílias e dos ativistas internacionais que apoiam a luta deles, entre os quais alguns israelitas. Durante os protestos, cada um dos irmãos de Emad são presos um a um. Então, uma noite os soldados dirigem-se a Emad. Dizem-lhe que pare de filmar, que está numa zona militar fechada. Essa zona militar fechada, responde ele, é a própria casa dele. Ele vai para a prisão durante três semanas e é colocado em prisão domiciliária num outro edifício durante dois meses.



O melhor filme sobre a convivência impossível entre israelenses e palestinos

“5 Câmeras Quebradas” mostra como a convivência entre israelenses e palestinos é impossível — e, ao mesmo tempo, fala de uma certa esperança de tudo se ajeitar.

Emad Burnat, um pequeno proprietário de terras em Bilin, ganhou uma filmadora meia-boca em 2005, quando nasceu seu quarto filho, Gibreel. Naquele mesmo ano, colonos israelenses começaram a construir assentamentos nas redondezas de sua casa, erguendo uma cerca.

Os invasores tentaram expulsar os moradores. Destruíram suas oliveiras, seu ganha-pão. Protestos passaram a ocorrer semanalmente.

Emad registrou tudo: as bombas de gás lacrimogêneo, tiros de balas de borracha, prisões, ameaças. No meio tempo, filmava o crescimento de Gibreel e suas reações diante daquele mundo hostil.

Em 2007, a Justiça determinou a derrubada da cerca (o que só iria ocorrer quatro anos depois). Emad juntara centenas de horas de imagens. Seu amigo israelense Guy Davidi — cineasta, ativista e co-diretor do documentário —, sugeriu que aquilo virasse um documentário.

Davidi sugeriu também a abordagem: contar a história desses confrontos em cinco capítulos, cada um deles ilustrado pelo que cada uma das câmeras capturaram antes de ser detonadas.

O resultado é lindo em sua simplicidade e contundência. Jornalismo cru, sem proselitismo, original, a crônica de uma terra disputada por dois vizinhos – um rico, armado e protegido, outro sem ter a quem apelar.

Emad Burnat nunca teve aulas de cinema, para sorte dele e nossa. Corajoso, ele foi para a linha de frente, desafiando o exército israelense e quem fosse necessário com suas filmadoras e seu papo de que era “jornalista” e tinha “autorização para trabalhar”.

Não desiste quando soldados passam a frequentar sua aldeia à noite e a prender crianças. Permanece ao lado dos dois amigos, o fanfarrão Adeeb e o grandalhão El-Phil, quando eles são detidos e, mais tarde, quando um deles é ferido mortalmente.

Não recua na hora em que a mulher, Soraya, pede que ele largue tudo porque ela não aguenta mais viver com medo. (Soraya foi criada no Brasil e, a certa altura, fala em português com o marido. O próprio Emad passou um tempo aqui).

A visão filosófica do conflito faz com que Emad não perca a cabeça. Ele é condenado à prisão domiciliar — e leva a câmera. Ele vê seu pai e sua mãe desesperados diante da detenção de seu irmão, tentando parar um jipe com o corpo. Ele testemunha um tiro à queima-roupa na perna de um manifestante que já estava dominado. É como se a câmera o blindasse, ele diz (o que, na realidade, não é verdade e tem suas consequências para sua integridade física).

Emad (centro) perde uma de suas câmeras depois de um disparo do exército israelense
Numa situação desesperadora, Emad não procura aliança com terroristas ou faz curso para virar homem bomba. Ao invés disso, a cada câmera destruída, ele adquire outra. É o que dá sentido à sua vida. É o jeito de cuidar de sua família e de seu povo.

“5 Câmeras Quebradas” foi indicado para o Oscar de documentário em 2013. Com simplicidade e poucos recursos, com talento, urgência e coragem, um judeu e um palestino realizaram um pequeno épico. “Se você for ferido, vai sempre se lembrar da sua ferida, mesmo depois de ela se curar. Se você se machucar de novo e de novo… você esquece as suas cicatrizes”, diz Emad. “Mas a câmera se recorda, e então eu filmo para me curar”.

Mais atual, impossível.

Kiko Nogueira
No DCM
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Um passeio pela Palestina


As humilhações que sofre o povo palestino cotidianamente por causa do exército sionista, representado por jovens soldados, que acham que têm um poder de "elegidos". O mundo político mundial cala e é cúmplice das violações aos direitos humanos do povo palestino que acontecem todo dia e se repetem milhares de vezes numa mesma jornada.



No Desacato
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NY Times: zica chegou a NY antes do Brazil!

Tem a zica e a zica da Mara Gabrilli



Antes de chegar ao Brazil, o virus da zika chegou a Nova York. Trata-se de um misterio medico a explicar.

Even before it reached Brazil, the Zika virus arrived in New York City. A global medical mystery explained.

A zika é uma tragédia mundial, que surgiu na Indonésia, aportou em Nova York antes do Brazil (é assim mesmo, amigo revisor — obrigado) e aqui faz milhares de vítimas, especialmente — não se sabe por que — em Pernambuco.

O Governo brasileiro tem feito esforços sobre-humanos para enfrentar a crise, com a mobilização da Presidenta Dilma, de forma incansável.

Os centros médicos de pesquisa do Brasil estão em contato com o eficiente NIH, o Oswaldo Cruz americano, para encontrar a vacina o mais rápido possível.

Essa é a zika.

Mas, tem a zika tucana, do PiG.

É a zika inoculada pela Dilma.

Como o impitim não deu certo, como os ataques furiosos ao Lula se transformaram numa ridicularia, como PiG vai fechar ... o jeito foi transformar a zica numa epidemia devastadora, que vai arruinar a Dilma e o lulopetismo do FHC.

Essa cruzada auto-destrutiva, desleal, politicamente desonesta se manifestou de forma solarmente clara na intervenção deseducada da cerrista Mara Gabrilli no discurso da Presidenta Dilma, na abertura do ano legislativo: a culpa é da Dilma!

Os tucanos — de São Paulo — sobretudo — não sabem para onde correr.

Não sabem mais o que usar para destruir o lulopetismo.

Acabarão afogados num balde cheio de mosquitos.

Paulo Henrique Amorim
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Sindicato quer esclarecimento sobre suposta venda da RBS


Tendo em vista informações acerca de uma suposta venda, por parte do Grupo RBS, de suas operações de rádio, televisão e jornal em Santa Catarina, o Sindicato dos Jornalistas já está tomando providências e acionou sua assessoria jurídica para tratar da questão.

O  SJSC cobrou do departamento jurídico da RBS um posicionamento. A empresa negou a venda das operações em nota oficial. Uma reunião entre o SJSC e representantes da RBS está pré-agendada para a próxima semana.

Após os devidos esclarecimentos, o sindicato convocará reunião com os jornalistas da RBS em Santa Catarina para a definição de medidas que porventura se façam necessárias.

Diretoria do Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina
Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ).
05 de fevereiro de 2016.

No Desacato
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A musa do impeachment e o muso FHC rasgaram a fantasia na avenida

Ju Isen, a musa do impeachment, é expulsa de desfile
A musa e o muso do impeachment se cruzaram na avenida. Ju Isen, a modelo e atriz que ficou famosa na Paulista ao tirar a roupa em nome do golpe, foi expulsa do desfile da escola Unidos do Peruche, em São Paulo.

Ela resolveu se livrar o macacão cor da pele no meio do Sambódromo, ficando com os seios à mostra. O macacão foi providenciado porque sua ideia original era sair com um tapa sexo com a cara de Dilma Rousseff.

Num determinado momento, Ju rasgou sua capa protetora. Acabou expulsa pelo presidente da Liga das Escolas de Samba, Paulo Sergio Ferreira. Segundo ele, a convidada “não poderia ter desfilado nua. Assinou contrato com determinados termos a serem seguidos.”

Ju Isen aproveitou para politizar a cena. Ela ficou pelada por um motivo ulterior e nobilíssimo. “A minha fantasia é a repúdia que todos nós brasileiros temos pela presidente da República, por toda a corrupção, falta de segurança, falta de escola, falta de hospitais. Eu vim realmente para manifestar”.

É a mesma tática de Eduardo Cunha, Aécio e tantos outros, flagrados nus com a mão no bolso eventualmente cheio de dólares, esperneando sobre a falta de justiça no país, a perseguição de que são vítimas, o governo ladrão.

Ju Isen explicitou suas intenções, de qualquer maneira. Já o muso do impeachment, Fernando Henrique Cardoso, manteve inutilmente o macacão de democrata num artigo no domingo de Carnaval chamado “O Certo e o Errado”, publicado no Estadão, O Globo e outros de sua rede de comunicações.

“O castelo de areia das grandezas do lulopetismo está desabando ao sopro da crise econômica e da Lava Jato, como tantas vezes escrevi”, começa.

Em seguida, tecendo considerações sobre a política econômica, direita, esquerda e o descalabro petista, chega à conclusão: “Há forças capazes de corrigir os desatinos cometidos. Para isso é preciso que lideranças não comprometidas com o lulopetismo, apoiadas pelos grupos sociais que nunca se deixaram ou não se deixam mais seduzir por seu falso encanto, assumam a sua responsabilidade histórica, dentro da Constituição, para fazer o certo em benefício do povo e do País.”

FHC está falando em impeachment. Passada a folia de momo, é hora de retomar essa agenda. Só faltou coragem para dizer a palavra.

Debaixo do terno, Fernando Henrique está vestindo um tapa sexo igual ao de Ju Isen, com a imagem do “Fora Dilma”. Ambos quebrando as regras em nome do que é “certo”. A diferença é que a mulher, mais corajosa, tirou tudo enquanto ele mostrou só um pouquinho.

Kiko Nogueira
No DCM
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Musa do impeachment tira a roupa e é expulsa de desfile no Sambódromo

'Musa do Impeachment', Juliana Isen ficou pelada durante apresentação do Unidos do Peruche em protesto contra o governo Dilma

Revoltada, modelo pegou táxi para ir embora
A empurrões e pontapés, a modelo Juliana Isen, musa do impeachment, foi expulsa do Sambódromo sob o olhar do presidente da Liga, Serginho. Ela, que já tinha sido proibida de usar um tapa-sexo com o logo do "Fora Dilma", foi retirada da ala das passistas depois de ficar com os seios amostra em frente ao recuo da bateria.



Juliana era a madrinha da ala das passistas. Foi o próprio Serginho que puxou ela pela cintura, pediu para abrir o portão que dá acesso a saída, até que um membro da escola a empurrou no chão e jogou o costeiro da fantasia sobre ela. "Me senti humilhada e estou saindo ferida. Vou processar essa escola", contou a modelo.

Ela explicou que assim que chegou na escola foi abordada por um membro da Peruche que exigiu a retirada do tapa-sexo. Segundo ela, o adereço tinha sido acordado com a escola assim que ela foi chamada para desfilar pela agremiação. "Como não deixaram, fiz meu protesto por um País melhor, deixando os seios a mostra." Segundo Juliana, nos ensaios técnicos da escola, ela já havia dito que ficaria nua no Anhembi. A escola pode perder pontos na apuração.

A Liga Independente das Escolas de Samba de São Paulo informou que aguarda o término do desfile para poder se manifestar sobre o ocorrido. O presidente da escola, Sidney de Moraes, o Ney, justificou a ação do integrante da escola que a teria empurrado. "Ela não estava com a vestimenta legal. Em cima disso, nós acabamos perdendo ponto. Nossos harmonias estão praticamente cientes disso e acabaram tirando (a integrante). Só que por parte do folião, ela quis permanecer. A gente deu a fantasia, doamos. Ela simplesmente não quis sair. Isso não é legal", disse.
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