5 de mar de 2015

Dia 15 vai Pra Rua. Paga o Mico!

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Letícia Sabatella denuncia ‘vídeo-fraude’ que promove manifestação de 15 de março


Letícia Sabatella, no facebook, denunciou um vídeo adulterado. Feito para criticar a usina de Belo Monte, o vídeo foi transformado numa peça de propaganda do protesto de 15 de março.

O texto:

Isto é mentira deslavada! De novo fazem mau uso de nossa imagem! Do mural do querido Thiago, o desmentido do vídeo-fraude dos golpistas!

“Mais uma vez estão usando as imagens do Gota D’ Água indevidamente, pra uma causa totalmente diversa da pretendida. É piada pronta combaterem corrupção com apropriação indevida de imagens…rs”

Thiago Henrick


No DCM
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A oposição brasileira faz oposição ao Brasil

Aécio Neves (PSDB-MG) cumprimenta Renan Calheiros no Senado após devolução da Medida Provisória
A oposição da oposição

A oposição brasileira não faz oposição ao governo. Faz oposição ao Brasil. A dedução é simples: quando nomeado ministro da fazenda, a oposição se arvorou em plantar notícias na mídia escrita e falada informando que ele, Joaquim Levy, era um economista que fazia parte do grupo de economistas que elaboraram o programa de governo de Aécio Neves (PSDB-MG), candidato a presidente em 2014.

Dessa forma, criou uma insídia de que o governo eleito estava traindo seu discurso de campanha. Se foi verdade o que disseram Aécio e seus companheiros de campanha, o que fazia Aécio cumprimentando Renan Calheiros por ter devolvido uma medida provisória, à qual dias antes o PT criava problemas políticos para votar. Essa medida provisória era claramente elaborada pelo ministro da Fazenda e sua equipe com o apoio da presidenta Dilma.

O cumprimento de Aécio não pode ser considerado uma postura política de oposição ao governo. O que propôs o ministro Joaquim Levy é do entendimento econômico desse senhor (que segundo os tucanos é “homem deles”). A postura de Aécio Neves foi claramente de oposição ao Brasil.

É estranho também o discurso do senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) que perdeu uma grande oportunidade quando da operação Banestado — banco comprado em 2000 pelo Itaú em leilão, por R$ 1,6 bilhão — e não exigiu nem do governo nem dos partidos que eles reivindicassem da Polícia Federal, do COAF (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) e do Ministério da Justiça um posicionamento duro contra aqueles que faziam remessas ilegais de dinheiro para o exterior no final dos anos 90.

Opinião JB

Do Jornal do Brasil
No Esquerda Caviar
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Ao livrar Aécio de inquérito, Janot desconheceu denúncia de promotora sobre esquema de caixa 2 em Furnas


Jefferson confirmou que recebeu o valor atribuído a ele na Lista de Furnas; Nilton Monteiro confirmou que a Bauruense, citada pelo doleiro Yousseff, fazia parte do esquema; Airton Daré, sócio da Bauruense, teve mais de um milhão de reais em dinheiro vivo apreendidos em casa

Este é um assunto que acompanho de perto, entre outros motivos por interesse pessoal. Sou de Bauru e conheci tanto Airton Daré, dono da empresa Bauruense, quanto o filho dele, que foi piloto da Fórmula Indy num período em que eu era também repórter de automobilismo, vivendo nos Estados Unidos.

Comecemos, pois, pelo começo.

O Estadão de hoje, ao noticiar a decisão do procurador geral de Justiça, Rodrigo Janot, de não pedir abertura de inquérito contra Aécio Neves, revelou detalhes do depoimento em que o doleiro Alberto Youssef menciona o tucano.

De acordo com o jornal, o termo de delação número 20, do final do ano passado, teve como tema principal “Furnas e o recebimento de propina pelo Partido Progressista e pelo PSDB”.

Além de Aécio, também são citados o ex-deputado José Janene, morto em 2009, e o empresário Airton Daré, sócio da Bauruense, empresa fornecedora de Furnas.

Segue o Estadão:

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O doleiro pode estar certo ou não sobre a existência de um inquérito relativo à empresa de Bauru no Supremo Tribunal Federal.

O fato é que existe, sim, um inquérito envolvendo a Bauruense, que resultou em denúncia feita pela promotora Andréa Bayão Pereira, em 25 de janeiro de 2012 (íntegra no pé do post).

O juiz Roberto Dantes Schuman de Paula não acatou a denúncia por considerar que não era da competência da Justiça Federal e remeteu o caso à Justiça Estadual do Rio de Janeiro.

O inquérito corre hoje em segredo de Justiça.

A pergunta que não cala: será que Rodrigo Janot se deu ao trabalho de consultar os autos nos quais foi baseada a denúncia da promotora?

O caso remete à famosa Lista de Furnas, que os tucanos passaram anos tentando desacreditar como uma grosseira falsificação de adversários políticos.

A perícia da Polícia Federal, feita no original, atestou que as assinaturas do ex-diretor de Furnas Dimas Toledo na lista eram verdadeiras (o que não significa endosso ao conteúdo).

A lista teria tido origem na tentativa de Dimas Toledo de manter o cargo onde operava o esquema de corrupção. Tendo assumido o cargo durante o governo FHC, ele queria ser mantido pelo governo Lula.

De posse do documento, o lobista Nilton Monteiro faria pressão sobre políticos pela manutenção de Dimas. O fato é que ele continuou em Furnas e só deixou a diretoria depois que estourou o escândalo do mensalão.

Segundo os dados da lista, os tucanos arrecadaram um total de R$ 39,9 milhões junto a fornecedores de Furnas no período em que a diretoria de Engenharia era ocupada por Dimas.

É a diretoria de Furnas aparentemente citada pelo doleiro Yousseff na delação.

O dinheiro teria sido usado nas eleições de 2002 (não confundir com o mensalão mineiro, que é anterior).

Aécio Neves era deputado federal e naquele ano foi eleito governador de Minas. Segundo a lista, ele teria recebido R$ 5,5 milhões para sua campanha. Teria autorizado outros R$ 350 mil para o então deputado e hoje senador Zezé Perrella, o do helicóptero apreendido pela Polícia Federal com cocaína.

Outra anotação da lista diz:

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Valor avulso repassado para Andréa Neves, irmã de Aécio Neves, para os comitês e prefeitos do interior do Estado – MG – Valor: R$ 695.000,00.

É outra informação consistente com a delação do doleiro Yousseff, que menciona uma irmã de Aécio como intermediária de pagamentos.

Mas o fato mais significativo é que Yousseff afirma ter recebido dez vezes dinheiro da propina na sede da Bauruense, em Bauru.

Embora a promotora Andréa Bayão Pereira não tenha confirmado o conteúdo completo da lista de Furnas, ela correu atrás das empresas mencionadas nela, inclusive a Bauruense.

Quando noticiou a denúncia da promotora, o repórter Amaury Ribeiro Jr. destacou, em texto reproduzido pelo Viomundo:
Réus confessos


Os próprios executivos da Toshiba do Brasil — uma das empresas que financiavam o esquema — confirmaram a existência de um caixa dois que sustentava mesada de servidores e políticos. O superintendente Administrativo da empresa japonesa, José Csapo Talavera, afirmou, por exemplo, que os contratos de consultoria fictícios das empresas de fachada, até 2004 , eram esquentados por um esquema de “notas frias”.
A promotora conseguiu provas que considerou suficientemente sólidas para apresentar denúncia contra doze pessoas:

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Roberto Jefferson, o delator no caso do mensalão petista, foi denunciado por ter admitido, em depoimento no Rio de Janeiro, que recebeu mesmo a “doação” que aparece ao lado do nome dele na lista de Furnas (reprodução abaixo):

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Notaram quem também aparece na lista? Ele mesmo, Eduardo Cunha!

O deputado estadual mineiro Antonio Julio, do PMDB, também admitiu ter recebido R$ 150 mil reais do esquema e apresentou o comprovante de depósito.

Mas, vamos nos ater à Bauruense, mencionada por Yousseff no mesmo depoimento em que o doleiro citou Aécio Neves e a irmã.

Qual o papel da empresa no esquema, segundo a promotora?

Aqui, é muito importante que vocês leiam detidamente o que vem abaixo:

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É isso mesmo que vocês leram: na casa do empresário Airton Daré, em Bauru, foram apreendidos R$ 1.027.850,00 e U$ 356.050,00 em dinheiro vivo!

Isso, mais uma vez, é consistente com a delação do doleiro Alberto Yousseff, de que ele recebia dinheiro do esquema de Furnas em Bauru.

Airton Daré morreu em junho de 2011, mas não sobrou nenhum executivo ou funcionário da Bauruense para ser ouvido em inquérito? A irmã de Aécio não poderia ser chamada a depor? Nilton Monteiro não poderia ser chamado a depor?

Sim, sim, os tucanos dizem que ele é um falsificador e bandido contumaz. Mas, se a delação premiada foi oferecida a Alberto Yousseff, por que não a Nilton Monteiro?

Em entrevista exclusiva ao Viomundo, ele se disse perseguido político e atribuiu sua prisão em Minas Gerais a Aécio Neves.

Outro que eventualmente poderia contribuir como testemunha num eventual inquérito aberto a pedido de Janot para investigar Aécio Neves seria o deputado estadual Rogério Correia, que explicou detalhadamente ao Viomundo como funcionou o esquema de Furnas.

Como leigos no assunto, não sabemos quais são os critérios utilizados pelo procurador para pedir ou não a abertura de um inquérito.

Pode ser que ele tenha razão, que os dados oferecidos pelo delator Alberto Yousseff em relação a Aécio Neves sejam mesmo pouco sólidos.

No entanto, por tudo o que acabamos de apresentar, nos parece que os indícios oferecidos por Yousseff se encaixam em um quadro geral que mereceria uma investigação mais aprofundada.

O ideal é que fosse em um inquérito, com o uso de todos os poderes à disposição do Estado, não?

Que agora haja, pelo menos, uma investigação jornalística.

Da Folha, do Estadão, do Globo e da Veja.

Pausa para gargalhar…



Luís Carlos Azenha



Vexame: Estadão apaga título "Na Lava Jato, Youssef diz que Aécio recebeu dinheiro desviado de Furnas"

Até as 20hs, aproximadamente, o título da notícia publicada pelo Estadão era "Na Lava Jato, Youssef diz que Aécio recebeu dinheiro desviado de Furnas".

Depois disso, sabe-se lá se algum telefonema do alto tucanato tocou na diretoria do jornal... mas o fato é que o título foi suavizado para reduzir danos à imagem do tucano:


O título pode ter mudado mas a notícia continua a mesma: Youssef delatou Aécio como suposto recebedor de propina no esquema da lista de Furnas.

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Crise da Mídia: Editora Três fecha revistas, demite jornalistas e encerra departamentos

Nesta terça-feira (3/3), a Editora Três informou aos funcionários o fechamento da revista IstoÉ Gente e a demissão de 20% dos jornalistas de todas as suas redações. A medida afetou principalmente os profissionais que atuavam em regime CLT, permanecendo apenas aqueles contratados em regime Pessoa Jurídica (PJ).

A reformulação na editora também desencadeou o fechamento do departamento de revisão e um dos setores de tratamento de fotografias. No total, 26 jornalistas foram desligados até o momento. Porém, os cortes devem continuar durante a semana, quando mais dois títulos — Platinum e Status — também devem ser fechados.

Há 30 dias, Imprensa noticiou que a Editora Três tinha aberto um plano de demissão voluntária para os celetistas, cuja meta era reduzir 25% da folha. Além disso, a empresa já estudava o fechamento de alguns títulos, como IstoÉ Gente, Status, Platinum entre outras, consideradas deficitárias.

À época, o Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo (SJSP) repudiou a medida e protocolou uma carta na editora pedindo a suspensão do plano de demissão voluntária e também da validade do prazo para adesão a ele — que findou em 10 de fevereiro.

Em nota, a editora explicou os cortes. "A Editora Três comunica que em razão do cenário econômico do país e das condições do mercado editorial nacional, está fazendo ajustes operacionais e reestruturando seu quadro editorial, o que implicou na descontinuidade de um de seus títulos, a IstoÉ Gente, visando a readequação estratégica e crescimento da Editora Três no mercado editorial.
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Cesare Battisti e o homo sacer

"Homo sacer" é uma figura da antiga lei romana que execrava um cidadão, retirando todos seus direitos civis. Aquele que fosse decretado como homo sacer não estaria mais ao abrigo de qualquer proteção legal e poderia ser morto impunemente. Era inclusive vetado a ele os sacrifícios rituais.

O filósofo Giorgio Agamben retomou esta figura para tratar de um regime de anomia, onde o estado de exceção torna-se regra. O conceito foi utilizado para pensar ainda casos como o da prisão norte-americana de Guantánamo, onde os sujeitos estão num limbo jurídico, fora de qualquer lei definida.

Para o homo sacer a lei está em função do poder, em estado de indefinição, podendo pender arbitrariamente para qual lado for.

Se pensarmos bem veremos que este conceito não nos é estranho. O massacre continuado da juventude negra e pobre nas periferias urbanas — executado por policiais, à margem da lei — não deixa de ser uma expressão perversa do homo sacer. Proteção legal e o direito de não ser morto impunemente é só da ponte pra lá.

Mas na última terça-feira, a juíza da 20ª vara federal de Brasília caminhou para inserir este dispositivo à luz do dia no ordenamento jurídico brasileiro.

A magistrada determinou a deportação do militante e escritor italiano Cesare Battisti, desrespeitando decisão soberana do Presidente da República e do próprio Supremo Tribunal Federal.

Cesare foi preso na Itália em 1979 sob as acusações de "participação em atividade subversiva", documento falso e porte de armas. Foi condenado em 1981 a treze anos de prisão, num processo judicial repleto de irregularidades. Posteriormente foi agregado ainda à sua pena o crime de homicídio, com base em duvidosas confissões de ex-militantes.

Preso político, ele conseguiu escapar refugiando-se na França e posteriormente no México, sempre à mercê das flutuações ideológicas de cada país. Vem ao Brasil, onde foi preso em 2007.

No fim de 2010, o presidente Lula nega a extradição de Cesare para a Itália por conta do notório risco de vida que teria neste país. A decisão foi confirmada pelo Supremo Tribunal Federal, a instância máxima do judiciário brasileiro.

Mesmo assim Cesare permaneceu preso até meados de 2011 e só obteve seu visto de permanência no ano passado, podendo então ter legalizada sua situação no Brasil pelo registro nacional de estrangeiros.

Fim da novela? Seria, não fosse Cesare Battisti tratado como homo sacer, sem direitos constituídos e tendo seu destino arbitrariamente definido por qualquer promotor ou juiz de primeira instância. O abuso é inacreditável.

A tentativa de legitimar a decisão diferenciando a extradição de deportação é de um casuísmo flagrante. Na prática, a decisão busca reverter os desdobramentos de um processo encerrado e julgado pela corte suprema do país.

Onde estão agora os fervorosos defensores do Estado de Direito para denunciar as ilegalidades contra Cesare Battisti?

Aguardamos ansiosamente o ministro Gilmar Mendes se insurgir contra a juíza do caso em defesa da autonomia do STF. Foi o que ele fez contra o juiz Fausto de Sanctis em 2008 para defender a liberdade do banqueiro Daniel Dantas.

Dois pesos, duas medidas?

Essas são as questões que estarão postas ao Supremos Tribunal Federal no julgamento da prorrogação indevida do caso Cesare Battisti.

Guilherme Boulos
No fAlha
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Sérgio Porto # 155


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4 de mar de 2015

A tentativa da imprensa de vitimizar Renan e Eduardo Cunha


Enquanto veículos culpam a presidente pela inclusão de Renan e Cunha na lista de envolvidos, professora de História da USP ensina análise política

Sustentado em boatos e ilações, o que se pode acompanhar da cobertura da grande imprensa sobre a lista de Janot, enviada ao Supremo Tribunal Federal na noite desta terça-feira (03), é a tentativa da imprensa de endossar que os nomes dos peemedebistas, possivelmente incluídos nas investigações, são culpa do governo. 

Ainda que o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), tenha demonstrado nítida mudança de comportamento, com a informação de que seu nome estaria incluído, há um esforço superior da imprensa para fragilizar a tese de que políticos de outros partidos, além do PT, podem estar envolvidos no esquema de corrupção - até então com holofotes midiáticos apenas sobre a sigla da presidente Dilma Rousseff.

A situação é verificada na coluna de Merval Pereira, desta quarta (04), apontando que não somente o nome do presidente do Senado na lista de um representante do Judiciário é culpa de Dilma, como de toda sua gestão, envolvendo, para isso, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. A especulação ultrapassa os boatos, e o colunista utiliza como ponte de ligação da atuação do Executivo no Judiciário a Polícia Federal:

"Renan, e também Eduardo Cunha, o presidente da Câmara, estão convencidos de que houve o dedo do governo, com a atuação do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, através da Polícia Federal, para incriminá-los com o objetivo de fragilizar o Congresso e dividir as atenções neste momento de crise que o país atravessa", publicou Merval Pereira.

O fato é acompanhado por outros veículos, que transformam o indicativo em afirmação: "o peemedebista [Renan Calheiros] tinha, então, boa relação com o governo Lula, diferentemente de agora, quando acumula insatisfações que vão da participação nas indicações ao fato de, segundo informações, figurar na lista de indiciados por suposta participação nos desvios apontados pela Operação Lava Jato", divulgou o Painel da Folha de S. Paulo.

O atual cenário complicado de negociações da presidente da República com o Congresso também virou mote para mais especulações midiáticas. Diante da revelação de Renan Calheiros e Eduardo Cunha na lista de Janot, a apresentadora da Globo News, Monica Waldvogel, questionou em seu programa Entre Aspas, desta terça, se a confirmação dos dois representantes do Congresso nas investigações configuraria uma desestabilização maior para Dilma. A convidada respondeu que não. (assista abaixo).



Professora de História Contemporânea da USP, Maria Aparecida de Aquino desmistificou as especulações e forneceu uma aula de análise política: "se alguém imagina, ou vier a imaginar, que possa estar havendo uma trama para tentar ilibar determinadas pessoas, retirar determinadas pessoas [da lista de Janot], eu acho que na realidade isso não está acontecendo. Interessa, inclusive, a ela [à presidente], em termos políticos", disse.

"Você observa que há um certo isolamento, uma certa dificuldade, que é de personalidade, que é de momento político, dificuldades econômicas, dificuldades em diversos setores, se isto está aconcendo de fato, interessa a ela politicamente ganhar um capital político investigando alguma coisa, que inclusive a população tem clareza que precisa ser investigado. Então, acho que quem tem a ganhar será ela nesta condução", explicou a professora.

A resposta surpreendeu a jornalista da Globo, que retomou: "mas é uma investigação, inclusive, que também está fora do alcance dela, está no Ministério Público e na Justiça". "Não, mas vocês mesmo aqui estão dizendo que estão tendo conversas esquisitas, de não sei quem com não sei o que. Se estão dizendo ou pensando que há conversas esquisitas, eu estou dizendo: na realidade, não haverá essa tentativa", concluiu Maria Aparecida de Aquino, colocando fim à tentativa da imprensa de, quando não tornar vítimas Renan Calheiros e Eduardo Cunha nessa investigação, os utilizar de força negativa contra o partido da presidente.

Patricia Faermann
No GGN
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Noblat, Lula e a sina dos homens comuns


Recentemente, o colunista e blogueiro Ricardo Noblat escreveu um artigo sobre Lula. Trata-se de um dos mais significativos artigos dos últimos anos. Não para entender o fenômeno Lula, mas como material de estudo sobre como o senso comum da mídia o via.

Deixe-se de lado a bobagem de apresentar Lula como ameaça à democracia por convocar o exército de Stédile. É tão inverossímil quanto os 200 mil soldados das FARCs que invadiriam o Brasil em 2002, em caso de vitória de Lula.

Fixemos nas outras características de Lula, apud Noblat: rude, grosseiro, desleal, por não ter defendido José Dirceu e Luiz Gushiken. Também despeitado já que, segundo Noblat, ele queria ser candidato em 2014 e Dilma não permitiu (não é verdade, mas não importa). Ou a ficção de que luta para enfraquecer Dilma — mesmo Noblat sabendo que o fracasso de Dilma seria o fim do lulismo. No ano passado cometeu o feito de chamar Lula de “moleque de rua”.

O que é fascinante em Noblat é o uso da fita de medir homens comuns aplicada em homens de Estado. Pois por aí ele reedita um fenômeno que marca a politica desde os tempos de César: a dificuldade do homem comum em interpretar o Estadista e os recursos para trazer o personagem ao nível da mediocridade (entendido aí do pensamento médio) do leitor.

Mais um vez  recorro a Ortega y Gasset e seus portentosos ensaios sobre Mirabeau. Foi o homem que, na Constituinte, salvou a revolução francesa, apontando os rumos e definindo o novo desenho institucional.

Algum tempo depois morreu e seus restos mortais inauguraram o Panteon, que a França reservou para celebrar seus grandes homens. Aí descobriram o diabo da vida pregressa de Mirabeau. Aprontou todas na juventude, deflorou virgens, fugiu com mulheres casadas, deu tombos.

Imediatamente, os homens (comuns) de bem moveram uma campanha para retirar seus ossos do Panteon. E permitiram quase século e meio depois que Ortega traçasse perfis primorosos do Estadista, do homem comum (que ele denominava de pusilânime) e do intelectual.

O perfil do Estadista

O Estadista é um exagerado em tudo, um megalômano, dizia Ortega. Pois não é que Napoleão tinha a mania de grandeza de se imaginar Napoleão?. Só um megalomaníaco compulsivo tem a pretensão de mudar o Estado.

Não é tarefa para homens comuns, para intelectuais ou para santos.

O Estadista se propõe a desafios tão grandiosos que assusta os homens comuns - e é para eles que Noblat escreve e é como eles que Noblat pensa, derivando daí sua competência jornalística.

A dimensão que alcançam, influindo no destino de países, mudando a vida de milhões de pessoas, de certo modo reescrevendo a história da humanidade, é tão ampla que intimida o homem comum. A única lealdade do Estadista é para com a mudança do Estado. Para alcançar seu objetivo, mete-se no barro, monta acordos com Deus e o diabo, deixa a educação e o pudor de lado, sempre que atrapalharem a busca do objetivo maior..

O homem comum enxerga um vulto enorme à sua frente e, para poder enfrentá-lo, tem que trazer o monstro para a sua dimensão e julgá-lo de acordo com a sua métrica de homem comum: é educado ou grosseiro, tem ou não tem estudo, cospe no chão, conta piadas grosseiras, é desleal com amigos etc?

O tamanho de Lula

Como imaginar que um retirante, que sobreviveu à mortalidade infantil, à miséria, à fome, à falta de instrução tenha conseguido o feito de tirar 40 milhões de pessoas do nível da miséria, mudar a história do seu país, provocar comoção em cidadãos de todas as partes do mundo, dar aulas de política para centrais sindicais norte-americanas, para o Partido Socialista francês e espanhol, ser tratado como “o cara” por Barack Obama, tornar-se referência global da luta contra a miséria e um dos personagens símbolos mundiais do século 21?

Não é bolinho. Então toca trazê-lo para nossa dimensão, de mortais comuns. Como diz o José Nêumane, nosso colega que até hoje não mereceu uma menção sequer de Obama, Lula nem sabe falar direito, erra nos verbos. Como é que o Nêumane, o Noblat, eu mesmo, tão mais instruídos, não conseguimos mais destaque na vida e no mundo que aquele nordestino analfabeto?

Faz bem Noblat em tratar Lula como “moleque de rua”.

Não é fácil captar e tentar entender fenômenos desse tipo, ainda mais para nós, jornalistas, pobres mortais que, quanto muito, atingimos algumas dezenas de milhares de leitores.

E aí só nos resta encontrar medidas à altura do alcance da nossa visão. Ao contrário da bailarina do Grande Circo Místico, Lula deve arrotar na mesa, coçar o saco, contar piada suja e até mostrar a língua. Noblat condena Lula por ser brusco nas reuniões com companheiros. Tenho a impressão que a sensibilidade de Noblat se arrepiaria toda se assistisse a fineza de Lula em uma assembleia de metalúrgicos.

Mais que isso. Desde os tempos antigos, o Paulo de Tarso Venceslau já falava da falta de escrúpulos de Lula para utilizar as prefeituras do PT para fortalecer o partido. No governo negociou com a Telemar, a Friboi, as empreiteiras, com o Sarney e o Renan, com o diabo.

Se tiver que jogar companheiros ao mar, em nome da missão maior, Lula jogará. Aliás, tenho a impressão que o próprio José Dirceu entendeu perfeitamente a omissão de Lula na defesa dos companheiros  – e ele, Dirceu, faria o mesmo se estivesse na sua condição.

Tem mais. Quando lhe interessa politicamente, Lula é capaz de se desdobrar em mesuras para jornalistas, empresários ou políticos. Quando não interessa, não tem nem agenda. Tem razão o Noblat: é um grosseirão!

No entanto, quem mudou o Brasil e se tornou a referência para o mundo? Fernando Henrique e sua falsa compostura (quem já encontrou FHC em ambientes sociais sabe bem qual o seu comportamento quando via moça bonita pela frente)? Suplicy? A Madre Tereza de Calcutá?

Dos defeitos e da visão

Dizia Ortega y Gasset que um Estadista deve ser analisado e julgado por suas qualidades e defeitos enquanto Estadista. Aliás, quase a mesma coisa que o marechal Cordeiro de Farias disse a Thales Ramalho, quando este, para lhe puxar o saco, desandou a falar mal de Luiz Carlos Prestes: “Apenas um personagem da história pode falar de outro”.

FHC e José Serra — que são mais estudados que Noblat — encantavam-se por terem constatado, neles próprios, algumas características dos grandes estadistas: no caso de Serra, a falta de escrúpulos, que ele justificava recorrendo sempre a esse ensaio de Ortega y Gasset; no caso de FHC, à capacidade de iludir políticos, que ele encontrara também em Roosevelt.

Faltou um detalhe essencial para se equipararem aos grandes estadistas: a visão de Estado. Imitaram apenas a falta de escrúpulos e de sinceridade. Mas sabem usar bem os talheres na refeição. E é isso que conta para os homens comuns.

Noblat já tem experiência e idade suficientes para não acreditar em contos de fada e nos cavaleiros sem mácula e sem medo. Ainda mais frequentando um castelo de homens tão puros e piedosos, quanto os das Organizações Globo, que tem um senso de realpolitik muito maior que o de Lula, mas em proveito próprio.

Luís Nassif
No GGN
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A melhor notícia da Lava Jato até aqui é que Janot não virou um heroi da direita

Bom começo
A lista de Janot, pelo que se sabe dela até agora, tem desde já uma virtude: provocar queixas à direita e à esquerda.

Parece ser um sinal de que Janot escapou da “partidarização” em seu trabalho, ao contrário do juiz Sérgio Moro.

A direita reclama de Janot porque ele não fez um trabalho para matar o PT. A grande nostalgia conservadora é o Mensalão, um circo cujo objetivo era massacrar o PT em praça pública.

Porta-vozes da direita saíram chutando Janot. Reinaldo Azevedo, na Veja, disse que tudo começava “muito mal”. Merval Pereira, no Globo, comprou a tese de Renan e Eduardo Cunha de que eles estariam na lista para beneficiar o governo.

Merval parecia esquecer que os dois, Renan e Cunha, foram citados pelos delatores como alvos de propinas. Para Merval, lista boa é lista com petista, e vamos ficando por aí.

Janot não é um heroi da direita, e isso é animador.

A esquerda, ou parte dela, ficou frustrada quando surgiu a notícia — não confirmada — de que Aécio escapara.

Segundo se disse, Janot entendeu não haver contra ele indícios suficientes para levar adiante uma investigação.

Tudo ponderado, há motivos de otimismo.

No Mensalão, houve uma caçada ao petismo disfarçada, grosseiramente, de “combate à corrupção”.

Estava tudo dominado: a mídia e, por meio dela, os juízes do Supremo, que sob a liderança desastrosa de Joaquim Barbosa produziram barbaridades como a Teoria do Domínio do Fato, pela qual foi possível condenar sem provas.

Agora, as bases parecem estar firmes para que se combata verdadeiramente a corrupção — sem que os conservadores comandem as ações e escolham, criteriosa e cinicamente, as vítimas das sentenças.

Entre o Mensalão e o Lava Jato, o Brasil avançou — para desalento da direita e suas múltiplas vozes alojadas nas grandes empresas de jornalismo.

Paulo Nogueira
No DCM
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