27/11/2014

A estratégia de Dilma e a síndrome de Jango


Estão certos os colegas que comparam as estratégias esboçadas por Dilma Rousseff com as lições do período João Goulart.

Na época, a melhor análise em cima dos fatos foi dos jovens Carlos Araújo — com quem, mais tarde, Dilma se casou — e Wanderley Guilherme dos Santos.

Perceberam, ainda em 1962, a desvantagem de Jango em relação ao arco conspiratório. E intuíram, com enorme propriedade, que partir para o enfrentamento — com a tal história de “o povo unido jamais será vencido” —- coroaria o suicídio político.

Os ministros ortodoxos nunca foram o problema para Jango. Naquela conjuntura de descontrole das contas públicas e dos preços, não seguir suas recomendações, sim.

Walther Moreira Salles, no início, Carvalho Pinto, no final, eram pontos de apoio junto aos segmentos de poder institucionais — empresariado nacional, sistemas financeiro internacional, Justiça e militares. Justamente por serem avalistas de um programa de ajustes, depois que a farra criativa e irresponsável de JK arrebentou com as contas públicas e elevou a inflação.

Aqui, uma diferença central com Getúlio, que sempre praticou políticas fiscais responsáveis.

Nem se imagine que fossem cegos seguidores da ortodoxia. Na Fazenda, Moreira Salles fez uma dobradinha criativa com o Ministro do Trabalho Franco Montoro, permitindo aumentos reais do salário mínimo.

O primeiro ministro Tancredo Neves também entendia a necessidade de disciplinar os gastos públicos. Mas a frente política que apoiava Jango era famélica, especialmente em cima da conta movimento do Banco do Brasil. Aliás, a maior influência espúria sobre o Banco do Brasil era do senador Jereissatti — pai do futuro senador Tasso Jereissatti. E Jango não dispunha da necessária energia para segurar esses movimentos. Não poucas vezes, Tancredo e Moreira Salles foram surpreendidos pelas concessões de Jango.

A necessidade da freada de arrumação foi reconhecida pelo próprio Celso Furtado — o Ministro desenvolvimentista — quando montou seu Plano Trienal, com reformas estruturais relevantes e ousadas, mas com conservadorismo no programa de estabilização. Aliás, indicado Ministro da Fazenda na Argentina, o próprio Raul Prebisch — o mais relevante criador da Cepal (Comissão Econômica para a América Latina) — foi um Ministro cauteloso. Ambos sabiam que inflação desorganiza países e derruba governos.

A dubiedade de Jango

O problema maior de Jango foi sua dubiedade.

Tinha-se, de um lado, um enorme alarido para desestabilizar o governo, manobrado pelos grupos de mídia, pelas marchas da família. Cauteloso, Wanderley Guilherme dos Santos alertava: não deem corda; o que eles querem é que se parta para o confronto, pois isso legitimará o golpe.

Na outra ponta, escudado na campanha heroica de resistência que comandou em Porto Alegr — e que garantiu a posse de Jango — Leonel Brizola propunha a radicalização.

Jango balançava, então, entre seus pontos de contato com o mundo institucional encastelado no Rio — particularmente Moreira Salles, San Tiago Dantas e Tancredo — e as multidões que Brizola conseguia levar às ruas.

O equilíbrio era difícil. Se se afastasse muito da militância, Jango poderia ficar sem nada. Se endossasse a militância, forneceria o álibi que a direita precisava. Não soube encontrar o meio termo, embora tivesse toda a convicção de que o caminho correto seria a composição — conforme atestou Almino Affonso recentemente.

Essa dubiedade também se manifestou na política econômica.

Em um momento de crise com organismos internacionais, Moreira Salles se dispôs a viajar para Paris para negociar com Giscard D’Estaing. A condição para o acordo era Jango não encaminhar ao Congresso a nova proposta sobre Lei de Remessa de Lucros.

Antes disso, em uma reunião do Gabinete de Tancredo, Jango colocou na frente de cada Ministro um trabalho do economista gaúcho Cibillis da Rocha Vianna, com propostas de crescimento rápido que, naquele momento, contrastavam totalmente com a necessidade de arrumar as contas públicas.

Moreira Salles saiu do Rio  com a garantia expressa de Jango que vetaria o projeto. Ao chegar na reunião, foi informado pelo próprio Giscard que o Congresso não havia seguido o combinado.

Moreira Salles voltou para o Rio disposto a pedir demissão. No seu apartamento, foi procurado por Brizola e Brochado da Rocha pedindo que na carta de demissão atribuísse seus problemas ao parlamentarismo. O problema, de fato, não era o parlamentarismo.

Foi sucedido por Brochado da Rocha, para preparar a volta ao presidencialismo.

A partir dali, a radicalização aumentou, estimulada pelo aumento do descontrole na economia. O ápice foram as manifestações dos cabos e sargentos por seus direitos políticos, acendendo a luz vermelha da indisciplina no Estado Maior das Forças Armadas. E terminou com o trágico comício da Central do Brasil, que precipitou a queda de Jango.

Assistindo o filme, “O dia que durou 25 anos” — sobre o golpe contra Jango — Dilma se emocionou com o paradoxo da cena do comício da Central com a enorme solidão de Jango.

A estratégia de Dilma

A partir das reflexões sobre o governo Jango é possível entender a nova lógica por trás dos movimentos de Dilma.

No campo econômico, a cautela para não perder o controle da economia, valendo-se, agora, de dois avalistas junto ao empresariado — Joaquim Levy e Nelson Barbosa.

No campo social, no primeiro governo houve a cautela excessiva para não proceder a qualquer movimento que reforçasse o alarido da mídia com o “bolivarismo”. Isso explica, em parte, a extrema insensibilidade para com os movimentos sociais no primeiro governo. Em qualquer movimento, bastava os grupos de mídia levantarem a história do “bolivarismo” para Dilma recuar.

Aparentemente, no decorrer da campanha eleitoral deu-se conta do exagero e passou a entender a importância das organizações sociais como fator de aprofundamento democrático, não de resistência revolucionária. Nesse sentido, as declarações dadas hoje ao Frei Betto e Leonardo Boff (http://surl.me/rpjg) são significativas do novo momento.

Segundo a matéria: “Após o encontro, Leonardo Boff afirmou que a própria presidente reconheceu a falta de contato com as bases. “[Dilma] se ocupava muito com a administração dos grandes projetos. Ela disse que a partir de agora será um ponto alto do seu governo um diálogo permanente, orgânico, contínuo, com os movimentos sociais, e com a sociedade em geral”, afirmou.

E, como ninguém é de ferro, não se espere enfrentamento na questão da mídia e das redes sociais.

Luís Nassif
No GGN
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Governo FHC também mudou lei para cumprir o superávit

No governo do PSDB, a Lei 9.995, de julho de 2000 (a LDO para 2001) foi aprovada já sob a vigência da Lei de Responsabilidade Fiscal


No meio do tiroteio para aprovar a mudança na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO), o governo resgatou um precedente da época de Fernando Henrique Cardoso em que o superávit primário não foi cumprido.

Atualmente, governistas e oposicionistas travam um embate em torno do projeto que altera a LDO. O texto autoriza o governo a não cumprir a meta do superávit primário (economia para pagamento de juros da dívida pública). A oposição é contra.

No governo do PSDB, a Lei 9.995, de julho de 2000 (a LDO para 2001) foi aprovada já sob a vigência da Lei de Responsabilidade Fiscal e definiu a meta fiscal para o ano de 2001.

Editada em maio de 2000, a Lei de Responsabilidade Fiscal atribuiu à LDO a incumbência de disciplinar novos temas específicos, em particular, o equilíbrio entre receitas e despesas e metas fiscais anuais para um período de três anos.

Em 2001, o valor previsto do resultado primário dos orçamentos fiscal e da seguridade social era de 2,60% do Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a R$ 32,3 bilhões.

Posteriormente, uma nova lei (número 10.210, de 23 de março de 2001), alterou a meta de resultado primário para R$ 28,1 bilhões, o equivalente a 2,25% do PIB.

Com isso, a meta do resultado primário para 2001 foi reduzida em cerca de R$ 4 bilhões, ou 0,31% do PIB.

Ainda assim, em 2001, o resultado primário obtido pelo Governo Central foi de R$ 21,9 bilhões, o correspondente a 1,70% do PIB. Assim, mesmo com o ajuste promovido pelo governo na época, não se conseguiu cumprir a meta estabelecida.

Gerson Camarotti
No CAf
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Para que serve a economia?

O escândalo da Petrobras fica fora das manchetes na quarta-feira (26/11), após longa permanência como o assunto principal dos diários de circulação nacional. Passam a compor as primeiras páginas especulações em torno do futuro ministro da Fazenda, ainda não anunciado oficialmente, e os novos indicadores do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal. Como é de rotina, os jornais reduzem a visibilidade dos novos dados sobre a violência em São Paulo: o número de latrocínios — roubos seguidos de morte — aumentou 41,6% na capital paulista no mês passado.

No conjunto do noticiário nacional e internacional, incluindo as editorias de Esportes, talvez os editores tivessem apenas duas alternativas reais para a manchete: a possibilidade de mudanças na política econômica, com a indicação do economista Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda, e a comprovação de que a política econômica adotada pelos governos do PT transformou o Brasil na última década. Na confrontação das duas pautas, o leitor faria um juízo mais acurado do contexto em que vive.

Entre esses dois temas há uma clara diferença: tudo que se disser sobre planos do futuro ministro terá que ser apanhado de informações não oficiais e suposições, uma vez que Joaquim Levy não concedeu entrevista e a presidente da República não deu sinais de que pretende lhe conceder muita autonomia. Já em relação aos indicadores de desenvolvimento humano nas cidades, há uma fartura de dados liberados pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento. Adivinhe qual dos dois assuntos ganha mais destaque?

O Estado de S. Paulo anuncia em manchete: “Levy se reúne com Dilma e prepara pacote fiscal”. Segue-se texto com uma relação de nomes que possivelmente vão compor a nova equipe econômica. O Globo vai na mesma linha, com uma manchete ainda mais inócua: “Levy deverá assumir logo para iniciar corte de gastos”. Já a Folha de S. Paulo aposta em medidas que supostamente estariam em cogitação: “Governo prepara volta de tributo de combustíveis”, diz a manchete.

O vidente cancela a profecia

Os números que mostram a melhoria da qualidade de vida nas regiões metropolitanas, onde se encontram a maiores densidades populacionais, são quase um privilégio para os leitores do Estado de S. Paulo, o único dos três diários de circulação nacional que faz uma análise abrangente dos indicadores. A reportagem mostra que, apesar de persistir nas grandes concentrações urbanas um alto índice de desigualdade social, a qualidade de vida dos moradores dessas regiões melhorou significativamente entre os anos 2000 e 2010. “O avanço foi identificado em todos os indicadores: saúde, educação e renda”, diz o jornal paulista.

A reportagem mostra que o maior salto ocorreu no Norte e no Nordeste, o que deveria incrementar a capacidade de percepção dos leitores do estado e inspirar interpretações mais elaboradas sobre a escolha eleitoral dos nortistas e nordestinos na última eleição presidencial. Entender para que serve a economia, ou como políticas sociais produzem resultados econômicos positivos e melhoram a qualidade de vida, exige mais inteligência do que ficar repetindo preconceitos regionalistas.

O Globo evita abordar o quadro geral dos indicadores, que fundamentam a validade da política econômica adotada há doze anos e prefere citar, na primeira página, que o bairro de Icaraí, em Niterói, tem o melhor índice de desenvolvimento humano do Estado do Rio, superior a Ipanema e Leblon. No jornal carioca, o destaque é para a persistência das desigualdades sociais em comunidades vizinhas de uma mesma cidade. A boa notícia fica escondida no meio da reportagem: “Houve queda na desigualdade entre 16 das principais regiões metropolitanas do Brasil no período de 2000 a 2010, assim como na distância que separa bairros ricos e pobres nessas áreas”.

A Folha de S. Paulo, como seus pares, publicou na edição digital da terça-feira (25) um relato sobre os indicadores (ver aqui), mas considerou que o assunto não era interessante para os leitores do jornal de papel. Em compensação, o jornal “informa” que o suposto vidente que havia previsto a queda de um avião da TAM na Avenida Paulista voltou atrás e declarou que a tragédia não vai acontecer, porque a empresa aérea fez uma troca de aeronaves.

Ufa! O leitor da Folha deve ter ficado aliviado.

Luciano Martins Costa
No OI

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Sem desemprego e sem arrocho. Levy, Barbosa e Tombini

Quem se reelegeu foi a Dilma, lembrou o Barbosa



A coletiva dos ministros da área econômica deixou claro como o sol da manhã em Brasília que Levy, Barbosa e Tombini estão unidos em torno do princípio que informou a fabulosa reeleição: sem desemprego e sem arrocho.

Eles deixaram claro que não haverá:

— medidas bruscas;

— sustos;

— quebra da regra do jogo;

— vão trabalhar num horizonte de TRÊS anos – quando a Globo já terá sido vendida ao filho do Murdoch;

— a Economia não está em crise e não precisa de um choque por sufocamento;

— as medidas serão tomadas de acordo com a proposta do Orçamento 2015;

— Barbosa cuidará do PAC, das PPPs e do MCMV, ou seja do emprego na veia;

— Levy não é de dar trela nem se assustar com repórteres de Brasília que se acham…;

— Dilma deu à reunião a sua rotineira e ritualística dimensão – nem apareceu.

Quem se elegeu foi ela.

Um dia o Aecioporto se acostuma a isso.

Demora, mas passa.

Nem que a vaca tussa!

Paulo Henrique Amorim

Em tempo: fez bem o Ministro Trauman. Distribuir o texto lido, sortear entrevistadores e limitar em seis perguntas. Aquilo ali é para apresentar os ministros ao povo. E não as repórteres de Brasília ao Carlos Schroeder… Podia era limitar a uma pergunta por repórter. A da Reuters deu o golpe do João sem braço…
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As verdades e as fantasias em torno do ministério de Dilma

Poderia ser bem pior
Há um imenso alarido em torno do ministério de Dilma.

Pela esquerda, floresceu um sentimento de indignação assim que se surgiram nomes como o de Joaquim Levy e Kátia Abreu.

Em sua coluna de hoje na Folha, o ativista Guilherme Boulos sugeriu, dado o andar da carruagem, que Dilma também levasse para sua equipe Lobão, Bolsonaro e Reinaldo Azevedo.

Fora do campo do humor político, intelectuais lançaram um manifesto para que seja seguido por Dilma o programa vitorioso nas urnas.

Joaquim Levy foi sublinhado, no manifesto, como um típico representante das ideias derrotadas pelos eleitores.

Pela importância do cargo de ministro da Fazenda, o inconformismo da esquerda se concentra em Levy, mais que em Kátia Abreu.

Quanto há de realidade no medo de que Dilma, afinal, faça o que Aécio faria caso ganhasse?

Pouco, ou nada.

Nomear Levy é um problema muito mais de simbologia do que de qualquer outra coisa.

É verdade que simbologia conta, e provavelmente se deva à reação negativa a Levy que Dilma tenha protelado sua confirmação no cargo, algo que deveria ter ocorrido na sexta passada.

Mas, concretamente, Levy, ou quem fosse, vai obedecer ao comando presidencial. Suas decisões só serão materializadas com o aval de Dilma.

Imagine uma empresa.

Você tem, nela, um presidente. E tem também, sob sua supervisão, um diretor financeiro.

O diretor de financeiro vai obedecer às diretrizes do presidente. Ele tem que ser competente para executar as ordens e sugerir medidas. Mas a decisão está um degrau acima.

Essa empresa hipotética tem que cortar despesas, porque elas estão acima das receitas, e isto é insustentável.

Compete ao presidente escolher onde cortar. O diretor financeiro pode e deve fazer sugestões. Mas os cortes serão feitos onde o presidente determinar.

É exatamente esta a lógica que vai dominar também a relação entre Dilma e seja quem for o novo ministro.

Ele não terá autonomia, por exemplo, para ceifar programas sociais – algo que fatalmente ocorreria sob Aécio.

Como e onde você corta faz toda a diferença num ajuste fiscal.

Há áreas que pedem por cortes que não terão efeito nenhum sobre a sociedade. Por exemplo, entre 2002 e 2012 os gastos do governo com publicidade dobraram. Passaram de cerca de 1 bilhão de reais para 2 bilhões, aproximadamente.

Há, aí, 1 bilhão fácil de podar.

Outros bilhões você encontrará, sem grandes dificuldades, em outras áreas.

Um bom método para isso – amplamente usado em empresas eficientes mundo afora – é o chamado orçamento zero. Você não parte do orçamento anterior para montar o novo. Parte do zero para verificar o que é, realmente, necessário gastar.

Outro método vital para equilibrar as contas, nas empresas, é explorar ao máximo as receitas.

O Brasil tem um problema dramático de evasão fiscal. Outros países também têm, mas eles estão claramente empenhados em resolvê-lo.

No G20, combater o uso de paraísos fiscais por grandes empresas foi um dos temas dominantes nas discussões.

No Brasil, paira um silêncio inaceitável sobre este tema. Lutar contra a sonegação é algo que tem que ser liderado pelo governo, mas até aqui nenhum pronunciamento sobre o assunto foi feito nem por Dilma e nem por ninguém no poder.

Obama vem falando disso, Cameron também, Hollande também, e assim outros líderes de países que sofrem com os paraísos fiscais – mas Dilma não.

Você chega a situações bizarras.

Levy é do Bradesco – que semanas atrás apareceu num episódio de evasão, via Luxemburgo. O repórter Fernando Rodrigues, em seu último trabalho na Folha, teve acesso a documentos que mostram que o Bradesco “economizou” 200 milhões de reais com o deslocamento de dinheiro para Luxemburgo.

Isto foi ponderado na decisão de convidar Levy? Provavelmente não, uma vez que o primeiro convite foi feito ao chefe de Levy, Trabuco, o presidente do Bradesco.

No campo das receitas, não faz sentido esperar o cerco à sonegação pelos paraísos fiscais, diante do convite a Trabuco e a Levy.

Mas no terreno dos cortes é um erro de avaliação considerar que Levy, ou qualquer outro, vá ter liberdade de ação para fazer o que quiser.

Tudo isso somado, vai-se chegar, no segungo governo de Dilma, ao que caracterizou o primeiro: avanços sociais expressivos – mas aquém daquilo que seria desejável para um país tão desigual quanto o Brasil.

Não é o ideal, mas poderia ser muito pior caso Aécio ganhasse.

Paulo Nogueira
No DCM
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PT mantém ativo processo contra golpe eleitoral da revista Veja

A Veja desconheceu a gravidade da sentença à qual foi submetida
O golpe midiático aplicado pela revista semanal de ultradireita Veja, às vésperas da eleição, segue ativo e terá seu curso definido na Procuradoria Geral da República (PGR). O Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) esclareceu, em nota distribuída nesta quinta-feira, que o processo está ativo. A legenda requereu, perante a PGR e ao Supremo Tribunal Federal (STF), a instauração de inquérito para investigar o vazamento de supostos elementos da delação premiada de Alberto Youssef à publicação da Editora Abril, que deu origem à capa da publicação, três dias antes do segundo turno das eleições presidenciais, na qual afirmava que “Dilma e Lula sabiam de tudo”. Após a manifestação da PGR, o ministro Teori Zavascki, do STF, arquivou o pedido no Supremo por entender que não há envolvimento de autoridades com prerrogativa de foro no vazamento.

“No entanto, estão em andamento perante a Procuradoria Geral da República três procedimentos para apuração dos mesmos fatos (Manifestação n. 84489/2014; Sistema único n.00243054/2014 e Notícia-Fato n. 1.00.000.015966/2014-08)”, esclareceu o PT.

Na semana que antecedeu as eleições, a revista adiantou a divulgação da capa, que normalmente é feita aos sábados, para a noite de quinta-feira. A publicação dizia ter posse de uma gravação em que o doleiro Alberto Youssef, preso na Operação Lava Jato, da Polícia Federal, teria dito a um ainda que Lula e Dilma sabiam da corrupção dentro da Petrobras. As declarações provaram-se falsas nas semanas seguintes, após a negativa do advogado de Yousseff, Antonio Figueiredo Basto, de que ele teria feito as insinuações quanto a Lula e Dilma.

De acordo com a revista, o doleiro que assinou um acordo de delação premiada para conseguir redução de pena, foi questionado sobre o nível de comprometimento de autoridades no esquema que ele fazia. “O Planalto sabia de tudo”, teria dito. O misterioso delegado pergunta a quem ele se referia. “Lula e Dilma”, teria respondido Youssef. O repórter Robson Bonin, que assina a matéria, no entanto, confessa que todas as afirmativas carecem de provas mínimas para se transformarem em algo minimamente crível.

“O doleiro não apresentou — e nem lhe foram pedidas — provas do que disse. Por enquanto, nesta fase do processo, o que mais interessa aos delegados é ter certeza de que o depoente atuou diretamente ou pelo menos presenciou ilegalidades”, disse Bonin.

Advogado de Youssef, Figueiredo Basto voltou a desmentir a revista, nos dias que se seguiram, ao esclaecer que o doleiro prestou depoimento à Polícia Federal de Curitiba no dia 14 de outubro, mas não disse o que a revista publicou.

– Eu nunca ouvi nada que confirmasse isso (que Lula e Dilma sabiam do esquema de corrupção na Petrobras). Não conheço esse depoimento, não conheço o teor dele. Estou surpreso – afirmou Basto a um jornal carioca.

Youssef prestou vários depoimentos no mesmo dia, sempre acompanhado de advogados da equipe de Basto, mas ninguém ouviu uma só palavra do que foi publicado pela Veja.

– Conversei com todos da minha equipe e nenhum fala isso. Estamos perplexos e desconhecemos o que está acontecendo. É preciso ter cuidado porque está havendo muita especulação – pontuou o advogado, à época.

A maior preocupação do advogado no incidente, que passou ao largo da matéria de Veja, deve-se ao fato de que tal afirmação demandaria provas, caso contrário, além de violar o benefício da delação, que exige a apresentação de comprovação, o seu cliente estaria infringindo lei por calúnia, injúria e difamação, acarretando em outro processo. De forma criminosa e embalada pelo velho estilo golpista da grande mídia, a Veja publicou “reportagem” às vésperas da eleição sem apresentar provas que possam embasar tal afirmação, condição fundamental para uma reportagem. Aliás, esta é a conduta da revista ao longo da sua história marcada pela infração de todo e qualquer código de ética do jornalismo existente no mundo e do direito à informação, previsto na Constituição Federal de 1988.

A revista não escondeu, em nenhum momento, que sua intenção era o golpe. O colunista Reinaldo Azevedo, desde então, repete que o objetivo da publicação e da corrente política de extrema direita à qual representa é o de derrubar Dilma no segundo mandato. “(…) Se Dilma for reeleita e se for verdade o que diz o doleiro, devemos recorrer às leis da democracia — não a revoluções e a golpes — para impedir que governe”, disse Azevedo, acentuando o caráter golpista da publicação. Azevedo, em sua coluna, passa a receita aos tucanos e seus aliados sugerindo o pedido de impeachment de Dilma com base em suposta declaração do doleiro.

“Sordidez terrorista”

Presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo definiu a publicação como “sórdida”. “A tentativa de golpe na democracia perpetrada pela revista Veja na sua capa nos momentos finais da campanha presidencial chegou ao cume da sordidez e da afronta”, afirmou Rabelo a jornalistas, logo após a veiculação da matéria.

– Isso demonstra que essa revista se tornou um panfleto provocador e terrorista da elite conservadora e obscurantista, contra as forças democráticas progressistas e populares do Brasil. A revista chega ao limite do desespero e isso é um obstáculo ao avanço da democracia em nosso país – completou o dirigente comunista.

O presidente do PT de São Paulo, Emidio de Souza, também repeliu a revista Veja e afirmou que a publicação não passava de uma estratégia para tentar salvar a campanha tucana que, naquela altura dos fatos, estava irremediavelmente perdida.

– É um desserviço ao bom jornalismo e à democracia, uma revista querer, a 48 horas de uma eleição, trazer uma matéria deste naipe. É um desserviço, uma falta de imparcialidade, ou melhor, é uma parcialidade total na disputa eleitoral. Eu acho que a Veja perde um pouco mais do pouco que lhe resta de credibilidade – disse o dirigente.

Profissionais do Jornalismo também avaliaram a ação do semanário. O jornalista blogueiro Altamiro Borges, do Centro de Mídia Barão de Itararé, afirma que Veja mente para tentar influir no voto dos brasileiros.

– Este novo golpe também deveria fazer com que o governo repensasse sua política de publicidade. Não tem cabimento bancar anúncios milionários numa publicação asquerosa e irresponsável, que atenta semanalmente contra a democracia e o livre voto dos brasileiros – asseverou.

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Vidente previu Kátia Abreu na Agricultura

O vidente também previu a nomeação de Joaquim Levy para o ministério da Fazenda
PALMAS – O vidente Oswald de Souza previu que Kátia Abreu será chamada para o ministério de Agricultura do segundo mandato de Dilma Rousseff, informou na manhã de hoje o diretor de loterias da Caixa Econômica Federal. A profecia, registrada em cartório num ofício confeccionado a partir de madeira da Amazônia, fez subir as ações da Agrale e da Monsanto.

O rumor de que a ruralista integraria o governo motivou uma revoada de ararinhas-azuis na Mata Atlântica e uma greve de fome no Xingu. Quando souberam da notícia a respeito da senadora por Tocantins, cientistas do INPE decidiram desligar por quatro anos os satélites que calculam o desmatamento da Amazônia.

No mesmo cartório em que oficializou o agouro da nomeação da ministra, o vidente cravou os nomes que vão compor o novo ministério de Dilma. Além disso, registrou documentos vaticinando a roubalheira na Petrobras, a falta d'água em São Paulo e a recondução de Dunga à seleção brasileira.

Ao tomar conhecimento de que o vidente também previra o rebaixamento do Botafogo, para as últimas rodadas do Brasileirão o presidente Mauricio Assumpção decidiu mudar o nome do clube junto à CBF.

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Investidor estrangeiro não dá "bola" para a "crise" e segue apostando firme no Brasil

http://www.maurosantayana.com/2014/11/investidor-estrangeiro-nao-da-bola-para.html


Enquanto, aqui dentro, refém da síndrome da “crise” e do “fim do Brasil”, muita gente está com medo de fazer negócios ou adiando investimentos, os estrangeiros, menos afeitos à imprensa local e aos comentários nos portais da internet, continuam apostando firme na segunda economia das Américas e sétima maior do mundo.

A Comissão Econômica para a América Latina, informa que, até setembro, o IED - Investimento Estrangeiro Direto, caiu em cerca de 28%, em média, no continente, com destaque negativo para o México (- 18%), tido como o “queridinho” dos mercados. Enquanto isso, ainda segundo a CEPAL, o Brasil foi o único país em que cresceu o Investimento Estrangeiro Direto — acima de 8% — que deverá se manter em um patamar superior aos 60 bilhões de dólares até dezembro, sem queda expressiva com relação aos últimos anos.

Segundo informa o “Valor Econômico”, as estatísticas do Banco Central mostram que os investidores nacionais e estrangeiros reagiram de forma bem distinta quanto a um segundo mandato para Dilma Roussef.

Se o investidor local, no período eleitoral e pós eleitoral, tirou dinheiro do país, os estrangeiros — certamente motivados pelo fato de o Brasil ter voltado a ter superávit primário no mês passado, ainda ter reservas acima de 375 bilhões de dólares, com uma dívida líquida pública de apenas 33% do PIB, e por recomendações de compra de ações como as da Petrobras, feita pelo Deutsche Bank, há alguns dias — apresentaram forte aporte em IED e na compra de títulos públicos e ações, com ingresso conjunto, no país, de mais de 11 bilhões de dólares em outubro.

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O PSDB vai se aproximar da extrema-direita?

Tucanos ora criticam, ora flertam com a extrema direita, e chegam até a participar ativamente de manifestações que pedem o impeachment de Dilma e o golpe militar

Senador Aloysio Nunes foi ao ato que pede impeachment e intervenção
militar, mas negou que essas fossem as reivindicações principais
CartaCapital
Em junho de 1988, mês da fundação do PSDB, o ex-deputado tucano Nelton Friedrich, hoje no PV, definiu assim o perfil dos integrantes do partido que acabava de nascer: “Felizmente temos já um perfil ideológico claro: de liberais progressistas, de sociais democratas e de socialistas democráticos”, resumiu sob aplausos da plateia, formada por pessoas como Mário Covas e Fernando Henrique Cardoso. Mais de 26 anos depois, integrantes da mesma legenda estão em meio a um processo de aproximação com a extrema direita que culminou com a participação ativa nos protestos que pedem o impeachment presidencial, mesmo diante de eleições legítimas, e intervenção militar no Brasil.

Desde que Dilma Rousseff (PT) foi reeleita ao Planalto, duas manifestações foram organizadas em São Paulo contra o resultado das urnas. Apesar de ser um grupo minoritário, os protestos têm ganhado teor golpista. Ainda assim recebeu apoio de nomes importantes do PSDB, como o senador Aloysio Nunes (SP), que foi candidato a vice-presidente durante a campanha eleitoral, e compareceu pessoalmente à manifestação.

O PSDB tem entre seus fundadores pessoas como Franco Montoro, Sérgio Motta e José Serra, todos de alguma forma afetados pelo regime militar. Para Aloysio Nunes, a presença no evento não é grave, pois uma minoria tem intenções golpistas. “Há um exagero da imprensa em relação a meia dúzia de gatos pingados que defendem a intervenção militar. É evidente que sou contra (a intervenção militar) e o PSDB também”, afirmou o tucano, que chegou a aderir à luta armada ao lado do guerrilheiro Carlos Mariguella na ditadura. Apesar da versão de Aloysio Nunes, o protesto em que ele esteve se dividiu diante das divergências a respeito de um golpe militar.

Para o cientista político Francisco Fonseca, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o PSDB deixou de ser um partido de centro-esquerda e está, cada vez mais, à direita no espectro político. “O PSDB saiu do centro para a direita de cabeça. É um partido que se originou nas modernas classes médias, representada em Mario Covas e o Fernando Henrique daquela época, que era um professor de Sociologia antenado com as questões urbanas", afirma. "Agora não. Virou um partido reacionário que flerta com essa extrema direita”, argumenta.

Um dos membros do PSDB que também marcou presença nas manifestações foi o vereador e deputado estadual eleito Coronel Telhada (SP). Ex-tenente da Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota), organização policial conhecida pela truculência, ele apoiou o movimento mesmo com as reivindicações postas porque, de acordo com ele, o Brasil vive uma ditadura. “Qualquer manifestação é bem-vinda. Trata-se do direito das pessoas dizerem que basta de corrupção. Estamos em uma ditadura. Hitler foi colocado no poder pelo voto. Há métodos legais para fazer coisas ilegais”, disse Telhada no último ato.

A explicação para esse movimento no PSDB, na opinião do cientista político Claudio Couto, é o sentimento antipetista, que cresceu em função dos 12 anos do partido à frente do governo federal. “Acho que o sentimento antipetista dos tucanos se mistura com o sentimento antipetista dessa extrema-direita. E aí eles ficam realmente uns cortejando aos outros”, explica. “Só que a gente pode dizer de certa forma que o uso do cachimbo entorta a boca. (...) Quando uma figura como o Aloysio Nunes, até pelo passado que tem, vai a uma manifestação dessa, mesmo que tente se diferenciar, ele está ajudando a engrossar o coro”, opina.

O senador Aécio Neves (MG), candidato ao Planalto na última eleição, parece querer garantir a simpatia dos conservadores ao mesmo tempo em que procura se distanciar do grupo. Em evento para agradecer os votos dos paulistas, na semana passada, o ex-governador de Minas Gerais disse que “as manifestações são legítimas”. Quando foi questionado por uma militante se existe "esperança de tirar esse governo do poder" com os protestos, ele deu risada e só depois minimizou. "O nosso limite é o respeito à democracia". Cinco dias antes dessa declaração, o mineiro negou ser de direita ao jornal O Globo: "Para a direita não adianta me empurrar que eu não vou".

Foro de São Paulo e a ditadura comunista

Outro indício que demonstra a transformação do PSDB, antes de centro-esquerda, em um partido de direita, são os temas utilizados pelos tucanos hoje em campanhas eleitorais ou em críticas ao governo federal. Um dos argumentos utilizados pelos manifestantes nos protestos, por exemplo, é a de que existe “fraude nas urnas eletrônicas” brasileiras. A teoria acabou abraçado pelo partido que, alguns dias depois da vitória de Dilma, chegou a pedir auditoria no resultado.

“O partido é dividido desde sempre. Mas essas manifestações são claramente golpistas. Golpistas em vários sentidos. Primeiro por questionar os resultados eleitorais só porque perderam as eleições. É muito claro que se fosse o PSDB o vencedor, mesmo que fosse por 1% ou 2% de diferença, o partido não questionaria”, defende Fonseca.

Há ainda outros temas bastante utilizados, como as relações do Brasil com o governo de Cuba e a suposta intenção do Foro de São Paulo de instalar uma ditadura de esquerda no País. Todos argumentos difundidos por ideólogos ultraconservadores na internet, como o filósofo Olavo de Carvalho.

“Hoje você vê Aloysio Nunes, Alberto Goldman, que foram do Partido Comunista Brasileiro (PCB), José Serra e Álvaro Dias, esse sim, mais conservador, indo a lançamento do livro do Reinaldo Azevedo [colunista da revista Veja e do jornal Folha de S.Paulo]. Por que prestigiar esse tipo de evento? Será que o PSDB precisava disso?” questiona Claudio Couto. “O fato é que me parece uma estratégia de se mostrar realmente alinhado a quem defende esses pontos de vista e consequentemente garantir o apoio desse eleitorado”.

A postura de aproximação com essa corrente conservadora, no entanto, não é uma unanimidade no partido. Coordenador digital de Aécio Neves durante a campanha presidencial, o ex-deputado federal do PSDB Xico Graziano foi duramente atacado nas redes sociais justamente por discordar enfaticamente do teor dos protestos. “Achei absurda tal manifestação. Antidemocrática, não republicana. Ainda por cima, pedindo a volta dos militares, meu Deus, estou fora disso”, afirmou o tucano no Facebook para, em seguida, ser chamado de “comunista”, “linha auxiliar do PT” e “esquerdopata”.

“Acho que tem gente no PSDB que, embora tenha ido nessa onda do passado recente em função dos ganhos eleitorais imediatos que isso trazia, percebeu que estava indo longe demais e começou a fazer o trabalho de recuo", diz Couto. "Eu encaro a postura do [Xico] Graziano nessa linha. Num tom de ‘olha, acho que a gente exagerou’”, diz Couto. “Ao fazerem isso tentam de alguma forma recuperar a sua imagem do passado”.

Mas será que o caminho natural do PSDB é aglutinar essa nova classe ultraconservadora? “Tenho dúvidas que o PSDB vá abrigar essa extrema-direita, até pela reação que os seus membros começam a ter em relação a isso", afirma Couto. "O que eu sinto, entretanto, é que há uma juventude tucana flertando com a extrema-direita, tendo posições realmente muito conservadores a ponto de cultuar ideólogos ultraconservadores como esse que eu falei”, conclui o cientista político Claudio Couto. “Acho que há motivos para alguém ficar com a pulga atrás da orelha com essa migração do PSDB para uma posição mais à direita”.

Renan Truffi
No CartaCapital
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Piketty recomenda políticas da Dilma


Para autor de ‘O Capital no Século XXI’, se nada for feito, concentração de riquezas nos países desenvolvidos voltará ao patamar das oligarquias do século 19

Para diminuir a desigualdade, é preciso apostar em políticas de valorização do salário mínimo e de inclusão. E uma educação de qualidade é o principal caminho, já que jovens mais pobres vão para universidades de má qualidade, perpetuando a situação de pobreza, afirmou nesta quarta-feira o economista francês Thomas Piketty a uma plateia de estudantes, durante palestra na Universidade de São Paulo.

— A diminuição de desigualdade de renda depende de políticas de valorização do salário mínimo e de políticas inclusivas. A difusão de educação de qualidade é o mais importante mecanismo para diminuir a desigualdade de renda — afirmou o autor de “O Capital no século XXI”, recém-lançado no Brasil (Intrínseca).

O francês ganhou fama mundial ao mostrar em seu livro o aumento da concentração de renda, uma vez que os ricos, especialmente os herdeiros de grandes fortunas, estão cada vez mais ricos, e os assalariados têm mais dificuldade de ascender socialmente. A solução defendida por ele é uma taxação progressiva da renda e a criação de um imposto sobre grandes fortunas.

Uso adequado do dinheiro

Piketty destaca que o uso adequado do dinheiro dessa taxação é essencial, especialmente na educação. Isso não significa criar escolas elitistas, mas oferecer boa educação de forma generalizada.

— Se olharmos a breve história de taxação, veremos que é preciso criar taxações progressivas de renda, fortalecer movimentos trabalhistas, investir em educação para mudar essa trajetória.

Ao relatar uma conversa recente com Bill Gates, um dos fundadores da gigante Microsoft, o francês arrancou risos da plateia:

— Tive uma discussão muito interessante com Bill Gates. Ele disse: “OK, concordo com tudo o que você diz, mas não quero pagar mais impostos”.

Já o economista André Lara Resende, também presente ao evento, sugeriu que a taxação do consumo seria melhor que taxar renda e riqueza. Segundo o francês, esta foi a saída dada por Gates.

— Não tenho problema de que discordem de mim, mas acho muito importante ter esse debate — disse Piketty. — Se nenhuma medida for tomada pelos governos, os países desenvolvidos tendem a ter uma concentração de riqueza semelhante à das oligarquias do século XIX.
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